O padre Sumeth Perera começou seus estudos lidando com os tumores da boca muito disseminados entre os pobres do sul da Ásia por causa do abuso na mastigação de folhas de betel. Agora, ele obteve um doutorado em Oxford com conceito máximo e se prepara para partir para os Estados Unidos

Ele acabou de obter um doutorado com conceito máximo na Universidade de Oxford. E se prepara para partir para um cargo de pesquisador associado no National Cancer Institute, em Frederick, Maryland, a mais importante instituição de pesquisa sobre o câncer nos Estados Unidos.

Essas são as credenciais científicas do padre Sumeth Perera, um jesuíta do Sri Lanka que é considerado hoje, no mundo científico, como um dos pesquisadores de vanguarda no estudo dos tumores.

O que torna a sua história ainda mais significativa é a origem das suas pesquisas: como informa o site dos jesuítas britânicos, o padre Sumeth começou os seus estudos no Sri Lanka, lidando com uma forma de tumor na boca muito disseminada nas áreas mais pobres, por estar ligada ao abuso na mastigação de folhas de betel, muitas vezes utilizada para não sentir o estímulo da fome. Uma doença que afeta desproporcionalmente as populações pobres e para a qual, portanto, não há um interesse por parte da pesquisa farmacêutica no Ocidente.

Na Peradeniya University, no Sri Lanka, o padre Perera elaborou o primeiro modelo absoluto de terapia para esse tumor através da experimentação animal.

Em 2012, ele se mudou para Londres, onde concluiu, primeiro, um mestrado em bioquímica no Imperial College e depois – passando a fazer parte da Campion Hall, a comunidade dos jesuítas da Universidade de Oxford – um doutorado específico sobre a pesquisa sobre o câncer. Por causa dos seus estudos, em 2014, ele obteve o segundo lugar no Prêmio Peter Beaconsfield, prestigiado reconhecimento da Medical Sciences Division de Oxford.

“Os métodos para o tratamento do câncer estão se tornando cada vez mais sofisticados”, explica, “mas ainda há grandes lacunas na nossa compreensão de como funcionam as terapias e sobre por que elas nem sempre impedem a evolução do câncer. Uma dessas lacunas diz respeito aos mecanismos dos exossomos, das nanovesículas produzidas pelo tumor. O fenômeno que eu descobri, chamado de ‘comutação do exossomo’, poderá influenciar o modo como tratamos os pacientes com câncer e nos ajudar a entender se as terapias estão realmente funcionando.”

Fonte: site Mondo e Missione

O físico teórico Michio Kaku afirmou que ele encontrou evidências de que Deus existe em 2016, e seu raciocínio causou uma agitação na comunidade científica.

Ao responder a uma pergunta sobre o significado da vida e de Deus, Kaku disse que a maioria dos físicos acredita em um deus por causa do design do universo. O nosso é um universo de ordem, beleza, elegância e simplicidade.

Ele explicou que o universo não tinha que ser assim – poderia ter sido feio e caótico. Em suma, a ordem que vemos no universo é evidência de um Criador.
“Eu concluí que estamos em um mundo feito por regras criadas por uma inteligência”, disse o físico, de acordo com a Science World Report . “Acredite, tudo o que chamamos de acaso hoje não mais faz sentido. Para mim, é claro que existimos em um plano que é governado por regras que foram criadas, moldadas por uma inteligência universal e não por acaso “.

Kaku, um dos criadores e desenvolvedores da revolucionária Teoria das Cordas, chegou às suas conclusões com o que ele chama de semi raio primitivo de táquions, que são partículas teóricas que têm a capacidade de “desencadear” a matéria ou o espaço de vácuo entre as partículas, deixando tudo no universo livre de qualquer influência do universo circundante.

O físico explicou que Deus é como um matemático, que é semelhante ao que Albert Einstein acreditava.

Essa idéia não é nova para o Kaku. Em um artigo para Big Think , ele escreveu que sua Teoria das Cordas se baseava na idéia de que estamos “lendo a mente de Deus”.

Essas idéias, sem dúvida, farão explodir as cabeças ateias, porque as pessoas mais inteligentes aceitam que há um Deus, mas os ateístas parecerão tolos.!

Fonte: https://conservativetribune.com/physicist-bombshell-god-like/

A. J. Clishem trabalha a cerca de 10 quilômetros de um santuário dedicado a Nossa Senhora de Guadalupe em Des Plaines, no Estado norte-americano de Illinois. Ele nos relata a seguinte e surpreendente constatação que fez ao visitar o santuário num gélido dia do inverno passado: 

(…) Cheguei às 12:45. A temperatura era de -3°C e o céu estava azulíssimo (…) O templo era iluminado pelo sol e o ar se aquecia. Os peregrinos entregavam buquês de flores coloridas para serem postos diante da réplica da tilma, o tipo de manto indígena sobre o qual tinha ficado estampada a imagem de Nossa Senhora em sua aparição no México.

No santuário reinava um grande silêncio. De repente, me lembrei do porquê da minha visita. Olhei para cima, em direção à réplica da tilma, e abri meu coração à Virgem Maria (…) Depois eu olhei em volta. Milhares de peregrinos faziam a mesma coisa, abrindo o coração para a mesma e única Mãe do Céu. Éramos todos filhos reunidos para estar com ela.

Olhei de novo para a tilma. O revestimento de vidro refletia o sol justamente sobre a cabeça de Maria. Em vez de ver o seu rosto suavemente inclinado para um lado, eu só via o brilho intenso do reflexo. Notei que o brilho da luz que irradiava do alto do sol refletido tinha a mesma inclinação que a cabeça de Nossa Senhora. Tirei uma foto, relembrando um elemento básico da astrofísica: o eixo da Terra tem uma inclinação de 23,5° em relação ao sol.

Voltando ao estacionamento, olhei para o sol e vi o mesmo brilho vertical inclinado em direção à Terra. Fiz outra foto, perguntando-me quantos graus se inclinaria a cabeça de Nossa Senhorana tilma guadalupana.

No dia seguinte, resolvi verificar. Usando uma imagem digital de Nossa Senhora de Guadalupe tal como vista na tilma original, tracei uma linha reta vertical que parte do topo da cabeça e outra que passa pelo ângulo da inclinação da cabeça. Coloquei um transferidor no ponto onde as duas linhas se cruzavam. 23,5°!

O meu desenho era rudimentar e os meus conhecimentos de astronomia são básicos, mas logo descobri que outra pessoa, o Dr. Juan Hernández Illescas, já tinha feito essa descoberta em 1981. E me perguntei o que isto significaria.

Já ouvi muitos comentários sobre a inclinação da cabeça de Mariacomo símbolo da sua humildade, o que é perfeitamente coerente, mas agora tenho uma nova ideia sobre a questão: da sua posição no céu e vestida de sol, Nossa Senhora de Guadalupe direciona o seu olhar de 23,5° a toda a humanidade “inclinada” para longe de Deus. Com todos os seus filhos à sua vista, ela chama cada um e nos convida a lhe abrirmos o coração!

Se Nossa Senhora de Guadalupe tem uma mensagem central, é a de que o mundo inteiro tem uma mãe e que o Filho que ela deu à luz vem a nós neste período como o Salvador do mundo inteiro. A Encarnação! Deus que se faz homem! O que pode ser mais esperançador do que isto?

De agora em diante, vou sempre me lembrar de Nossa Senhora de Guadalupe como os meus 23,5 graus de esperança!

Pesquisas mostram que bebês têm senso moral e que a moralidade não é fruto apenas de’ imposição’ cultural.

Novos testes psicológicos confirmaram: bebês de poucos meses já evidenciam possuir senso moral e noção instintiva do bem e do mal, informou a “Folha de S.Paulo

O psicólogo canadense Paul Bloom, de Yale, em seu mais recente livro, intitulado Just Babies (“Bebês Justos” ou “Apenas Bebês”), resume décadas de pesquisas que apontam nesse sentido.

Bloom, sua colega (e mulher) Karen Wynn e outros pesquisadores reuniram evidências em favor da ideia de que os seres humanos já vêm equipados com um “senso moral” desde o berço.

Eles citam diversos testes, inclusive no laboratório de psicologia da Universidade Yale, nos EUA.

Num deles, crianças de apenas um ano assistiam a um show de marionetes no qual um dos bonecos jogava uma bola para dois companheiros.

O primeiro deles, com a devida cortesia, devolvia a bola para o primeiro boneco; o segundo agarrava a bolinha e saía correndo. Um dos meninos que assistiam ao espetáculo não teve dúvidas: deu um peteleco na cabeça do personagem “malvado”.

No experimento das marionetes, bebês de apenas três meses (os quais não têm coordenação motora suficiente para agarrar coisas, quanto mais para dar bordoadas no boneco malvado) já mostram sua aparente preferência pelo personagem bonzinho, dirigindo seu olhar preferencialmente para ele.

Crianças um pouco mais velhas, embora nem sempre recorram ao expediente de fazer justiça com as próprias mãos, em geral costumam “recompensar” o boneco gentil e punir o malvado quando têm essa oportunidade.

Por exemplo, se os pesquisadores fingem que cada boneco ganhou um doce depois do show, as crianças decidem tirar o doce do personagem que não devolveu a bola.

Boa parte dos avanços nessa área de pesquisa tem acontecido porque os cientistas descobriram maneiras engenhosas de medir as reações (o grau de surpresa ou interesse, por exemplo) de seres humanos que ainda não conseguem se expressar ou mesmo se mexer de forma controlada.

Além da direção do olhar e do tempo que os bebês passam olhando para algo (que costuma denotar surpresa, interesse e preferência), os pesquisadores também usam medidas como o ritmo dos coraçõezinhos de seus “voluntários” e a intensidade com que eles chupam chupetas com sensores, entre outros truques.

Os resultados mostram que, antes de um ano de idade, as crianças costumam preferir personagens de desenho animado que ajudam os outros aos que atrapalham ou simplesmente ficam de braços cruzados.

Com pouco mais de um ano, oferecem espontaneamente ajuda (para carregar coisas ou abrir portas, por exemplo) a adultos desconhecidos.

Outros estudos também mostram que o preconceito racial demora muito mais para se desenvolver – embora, desde cedo, os bebês prefiram pessoas que falam a mesma língua de seus pais.

Para Bloom, o conjunto dessas descobertas sugere que a maioria das crianças nasce com noções incipientes do certo e do errado, provavelmente para facilitar o aprendizado das interações sociais da nossa espécie.

Dessa maneira fica cada vez mais claro que a moral não é fruto de uma mera imposição cultural desta ou daquela religião. Pelo contrário, o senso moral, a distinção entre o Bem e o mal, a Verdade e o erro, o Belo e o feio, está inscrito no mais profundo da natureza humana.

As religiões apenas oferecem uma formulação a esse instinto moral fundamental, mais ou menos perfeita, ou até errada segundo os casos.

Precisamente, a perfeição da moral e da religião católica se evidencia também na feliz promoção e estímulo do desenvolvimento natural dessa noção anterior a qualquer conceito ou teoria.

A chamada “ideologia do gênero”, baseada no desconhecimento desse instinto moral fundamental, mostra-se mais uma vez como uma violência contra a natureza humana.

Cientistas que investigam o lugar onde se encontra o túmulo para onde Jesus Cristo teria sido levado após sua crucificação,  em Jerusalém, comprovaram que os materiais de construção utilizados são do século IV — mais precisamente, de 326. Isso confirma crenças antigas de que os romanos construíram o monumento três séculos depois da morte de Jesus, afirmou nesta terça-feira um especialista que participou do estudo. Até então, apenas materiais de 1.000 anos atrás, quando o túmulo foi destruído e teve de ser reconstruído, haviam sido encontrados.

O estudo não oferece nenhuma evidência de que Jesus está ou não enterrado nesse local de Jerusalém, como prega a tradição cristã, mas ratifica a crença histórica de que os romanos foram os responsáveis pela construção do monumento, no local onde se acreditava que Jesus havia sido enterrado, durante o reinado de Constantino, o primeiro imperador a se converter ao cristianismo.

“É uma descoberta muito importante porque confirma que foi Constantino, como afirmam as evidências históricas, o responsável por ter coberto o leito de rocha do túmulo de Cristo com as lousas de mármore do santuário”, afirmou Antonia Moropoulou, especialista em preservação da Universidade Técnica Nacional de Atenas, na Grécia, e coordenadora científica dos trabalhos de restauração.

É a primeira vez que se realiza esse tipo de estudo no local, que fica onde hoje é a Basílica do Santo Sepulcro, no interior de um santuário construído depois. A análise dos componentes da argamassa do local foi feita no âmbito de novos trabalhos de restauração do monumento — motivo pelo qual os cientistas decidiram abrir o lugar onde Jesus foi enterrado, pela primeira vez em muitos séculos.

A datação da argamassa mostra a continuidade histórica do lugar, desde a era bizantina, passando pelas Cruzadas e pelo período de antes e depois do Renascimento. Segundo as crenças tradicionais, Constantino construiu o monumento para Jesus no local onde se acreditava que ele foi enterrado, no início da transição do Império Romano do paganismo para o cristianismo, no século IV de nossa era. Outros monumentos foram construídos depois sobre o lugar.

“É aqui mesmo!”: Essa foi a exclamação de cientistas ao abrirem  o Santo Sepulcro de Jesus Cristo, que voltou a ver a luz após mais de cinco séculos.

Pela primeira vez em quase dois milênios, cientistas puderam entrar em contato com a pedra original sobre a qual foi depositado o Santíssimo Corpo de nosso Divino Salvador envolvido em panos mortuários, dos quais o mais famoso é o Santo Sudário de Turim.

Essa sagrada pedra se encontra na igreja do Santo Sepulcro, na parte velha de Jerusalém, e está coberta por uma lápide de mármore que data pelo menos do ano 1555, ou quiçá de séculos anteriores.

“O que achamos é surpreendente”, explicou o arqueólogo Fredrik Hiebert, da National Geographic Society”. “Passei um tempo na tumba do faraó egípcio Tutancâmon, mas isto é mais importante”, afirmou.

Até hoje não havia gravuras desse leito de rocha calcária, o qual, a fortiori, nunca foi fotografado ou objeto de quadro ou outra representação.

Não existia pessoa alguma que o tivesse visto. Tudo o que se possuía eram realizações artísticas mais ou menos imaginárias.

O Santo Sepulcro foi aberto aos cientistas durante 60 horas nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2016, e depois voltou a ser lacrado e devolvido a seu estado anterior.

Os especialistas abriram uma janela retangular em uma das paredes da edícula, através da qual os peregrinos podem observar a pedra da parede da tumba de Nosso Senhor Jesus Cristo.

De onde provém esse túmulo?

O túmulo já existia antes da crucificação de Jesus Cristo e pertencia a José de Arimateia, que o mandara cavar para si, mas que o cedeu para nele ser depositado o Santíssimo Redentor, de quem era secretamente discípulo.

Senador e membro do Sinédrio — o colégio dos mais altos magistrados religiosos do povo judeu —, Arimateia foi também um rico comerciante, dono de uma frota de navios cujos negócios iam até a atual Grã-Bretanha.

Ele obteve de Pilatos a libertação do corpo e cobriu as elevadas despesas de sua preparação, oferecendo até o linho, que é hoje venerado na cidade italiana de Turim: o Santo Sudário.

Em represália por essa generosidade, o Sinédrio mandou persegui-lo e expropriá-lo de suas posses. Abandonado por amigos e familiares, após passar 13 anos no cárcere, José de Arimateia foi libertado pelo novo governador romano Tibério Alexandre.

Assim, reconstituiu sua fortuna e passou a usá-la para a difusão da fé.

Falecido em plena atividade evangelizadora, ele foi o exemplo perfeito do homem abastado que utiliza seus bens para melhor servir o Redentor e sua obra, ao contrário do “moço rico” do Evangelho, que recusou o chamado de Cristo por amor às riquezas.

No Ocidente sua festa litúrgica é celebrada em 17 de março, e no Oriente em 31 de julho.

São Marcos escreveu que era um “ilustre membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus; ele foi resoluto à presença de Pilatos e pediu o corpo de Jesus” (São Marcos, 15, 43). São Mateus, ao descrevê-lo, assinala ser um homem rico, discípulo de Jesus.

Peripécias históricas desconcertantes

Os evangelistas nos dão uma ideia do túmulo onde transcorreu a Ressurreição e indicam o local. Porém, o Santo Sepulcro, após a Paixão de Nosso Senhor, correu graves riscos de desaparecimento.

Por isso, podemos considerar sua preservação um milagre histórico.

Jerusalém foi destruída no ano 70 d.C., após feroz guerra, e seus habitantes se dispersaram.

Em 131, o Imperador romano Adriano mandou construir sobre suas ruínas uma cidade pagã de nome Élia Capitolina, para cuja edificação se empreenderam obras de terraplenagem imensas que soterraram a sepultura de Jesus.

Sobre ela teria sido erigido um templo dedicado a Vênus (Afrodite para os gregos), deusa da sensualidade. Enquanto isso, os cristãos padeciam as perseguições.

Em 313, o Imperador Constantino encerrou as perseguições aos cristãos. Treze anos depois, sua mãe, Santa Helena, visitou Jerusalém em busca das relíquias da Paixão, e identificou o local da crucificação (o Gólgota) e a cova chamada Anastasis (“ressurreição”, em grego).

O Imperador autorizou a construção de um santuário que substituiria o templo de Vênus, o qual ficou conhecido como basílica do Santo Sepulcro. Eusébio (265–339), bispo de Cesareia e pai da História da Igreja, registrou esses fatos.

Em 614, a igreja de Constantino foi gravemente danificada pelos persas sassânidas, pagãos que pilharam Jerusalém e arruinaram a basílica.

Ela foi reconstruída por Heráclio, Imperador de Constantinopla, que reconquistou a cidade. Mas estava longe de terminar a sucessão de invasões, restaurações, depredações e guerras.

Em 638, toda a Palestina foi ocupada pelos invasores muçulmanos. Três séculos depois, em 966, as portas e o telhado da igreja arderam durante distúrbios.

Em 1009, o califa fatímida Al-Hakim ordenou a destruição de todas as igrejas cristãs de Jerusalém, incluindo o Santo Sepulcro. Só restaram os pilares do templo da época de Constantino.

A notícia dessa destruição foi decisiva para inspirar o movimento das Cruzadas.

O califa Ali az-Zahir, sucessor de Al-Hakim, permitiu que o Imperador de Bizâncio, Constantino IX Monômaco, e Nicéforo, Patriarca de Jerusalém, reconstruíssem e redecorassem a igreja.

Foi essa a igreja que os cruzados encontraram em 1099, ao entrarem em Jerusalém. Eles a ampliaram e reconsagraram em 1149.

No essencial, é a que existe atualmente.

Em 1187, o caudilho islâmico Saladino voltou a invadir a cidade, mas proibiu a destruição dos edifícios religiosos cristãos.

No século XIV, o local passou a ser administrado por monges católicos e cismáticos gregos, aos quais se somaram outras denominações religiosas.

Nos séculos seguintes foram feitas diversas restaurações, destacando-se a de 1810, por iniciativa britânica, após um grande incêndio, e as ocorridas entre 1863 e 1868.

Em 1927, mais um abalo sísmico causou importantes estragos à estrutura da igreja.

Dúvidas sobre a autenticidade do Sepulcro?

Durante a restauração de 1810 foi erigida sobre o Santo Sepulcro uma estrutura conhecida como edícula (do latim aedicule, ou “casinha”), a qual estava há tempos exigindo outra restauração.

Mas os responsáveis por ela não conseguiam chegar a algum acordo “ecumenicamente” porque vivem em perpétuo desentendimento.

Por fim, a Autoridade das Antiguidades de Israel impôs a reforma, sob pena de fechamento.

A empreitada foi entregue a uma equipe de cientistas da Universidade Técnica Nacional de Atenas, dirigida pela supervisora-chefe, Profa. Antonia Moropoulou. Essa equipe já havia restaurado a Acrópole de Atenas e a catedral de Santa Sofia, em Istambul.

Um trabalho metódico exigia a análise da base geológica sobre a qual a edícula se apoia. Mas essa base é a própria rocha em que foi aberta a câmara mortuária onde transcorreu a Ressurreição.

E o fato de milhões de peregrinos passarem ao longo dos séculos sobre o Santo Sepulcro poderia ter alterado a resistência da rocha.

Era prudente, necessário e útil fazer uma vistoria do local. Mas, se era para abrir o Sepulcro, dever-se-ia aplicar nele tudo aquilo que a tecnologia possui de melhor, a fim de colher a maior quantidade de dados científicos possível.  

“Nós estamos no momento crítico de restaurar a edícula”, explicou a Profa. Moropoulou. “A tecnologia que estamos usando para documentar este monumento único permitirá que o mundo inteiro estude nossos achados como se ele próprio tivesse entrado na tumba de Cristo”.

Acontece que, além da Tradição e de documentos muito antigos, a única fonte atestando que ali se localizava o Santo Sepulcro era o testemunho de Santa Helena, que recuperou o túmulo em 326, há quase 1.800 anos.

E não faltava o zum-zum dos incrédulos, sofismando que tudo não passava de uma superstição religiosa, e que lá embaixo não havia nada, ou apenas algum túmulo de outrem.

O que acharam?

Especialistas acreditavam que o túmulo pudesse ter sido destruído entre tantas ocorrências históricas. Porém, uma varredura inicial de radar mostrou que a cova, de 1,28 metros de profundidade, estava íntegra.

Complicava o juízo o fato de que as varreduras feitas em toda a igreja detectaram pelo menos mais seis covas funerárias.

Nada que causasse surpresa, pois no tempo da Paixão o local fora um cemitério, que os Evangelhos se referem com o nome de “Gólgota”, que significa “monte das caveiras”.

Porém, só uma das covas detectadas coincidia com o local apontado como sendo o Santo Sepulcro: debaixo da edícula.

Os especialistas removeram em primeiro lugar a grande peça de mármore onde os fiéis rezam, depositam flores e votos. Debaixo dela havia uma camada de entulho sobre a qual pousava a placa.

Após a remoção do entulho, foi identificada uma lápide rachada ao meio, com uma cruz entalhada. O último a ver essa placa de mármore viveu por volta de seis séculos atrás.

O arqueólogo Fredrik Hiebert explicou tratar-se de uma peça do século XII, da qual só se tinha notícia escrita.

Sua rachadura teria como finalidade, no caso de invasão muçulmana, mostrar aos saqueadores que a lápide não tinha valor comercial e com isso eles não continuassem a profaná-la.

Tudo concordava com o que se sabia sobre o Santo Sepulcro e os trabalhos prosseguiram. Debaixo da placa com a cruz havia ainda mais entulho, que foi cuidadosamente removido.

Por fim, a pedra sagrada original se revelou intacta ante os cientistas.

“Meus joelhos estão tremendo!”

“Estou absolutamente espantado. Meus joelhos estão tremendo, porque eu não imaginava ver isto”, disse o arqueólogo Hiebert.

“Esta é a Rocha Santa que vem sendo venerada há séculos, mas só agora pode realmente ser vista”, disse a Profa. Antonia Moropoulou, que liderou a restauração.

Os arqueólogos identificaram mais de mil túmulos semelhantes cortados na rocha ao redor de Jerusalém, explicou o arqueólogo Jodi Magness, da “National Geographic”.

Mas todos os detalhes do Santo Sepulcro são “perfeitamente consistentes com o que sabemos sobre como os judeus ricos sepultavam seus mortos no tempo de Jesus”, sublinhou Magness.

De acordo com o que Dan Bahat, ex-arqueólogo da cidade de Jerusalém, disse do local onde Jesus foi sepultado, “certamente não há outro lugar do qual se possa afirmar com tanta forca, portanto nós realmente não temos nenhuma razão para rejeitar sua autenticidade”.

Para o cético jornal “The New York Times”, a única prova de que aquele era o túmulo de Jesus consistia no fato de ele ter cativado durante séculos a imaginação de milhões de pessoas.

Mas, acrescenta, agora “nós vemos com nossos próprios olhos o local onde Jesus Cristo foi enterrado”.

O incrédulo jornalista desse diário americano foi um dos poucos convidados a “ver com seus olhos” a pedra sobre a qual repousou o Corpo Santíssimo de Jesus Cristo antes da Ressurreição.

Ele ficou impressionado pela sua pobreza: simples pedra calcária, lisa e sem adornos, com uma rachadura no meio. Tudo isso sob o bruxuleio das velas que iluminavam naquele momento o minúsculo vão.

Mistérios na abertura do Sepulcro de Cristo

Alguns arqueólogos que trabalharam na abertura do Santo Sepulcro disseram ter percebido fenômenos não habituais.

Relataram, por exemplo, que ao se aproximarem da pedra original sobre a qual repousou o corpo de Cristo ungido por sua Santa Mãe, perceberam um “aroma suave”.

Este seria comparável aos perfumes florais que também foram relatados em aparições de Nossa Senhora ou de santos.

Também os aparelhos eletrônicos ligados sobre o Santo Sepulcro começaram a funcionar mal ou pararam completamente, como se fossem afetados por forças eletromagnéticas não identificadas.

Marie-Armelle Beaulieu, chefe de redação da “Terre Sainte Magazine”, revista da Custódia Franciscana da Terra Santa, foi uma das poucas pessoas a terem licença para visitar o sagrado túmulo aberto.

Ela se mostrou cética quanto ao “odor suave”, dizendo que o mesmo pode ser resultado de uma autossugestão.

Porém, durante a abertura do sepulcro em 1809, que foi parcial e esteve a cargo do arquiteto Nikolaos Komnenos, o cronista da época também mencionou um “doce aroma”.

Marie-Armelle foi bem menos cética a respeito das perturbações eletromagnéticas no instrumental científico.

Os cientistas imaginavam que a pedra estivesse em um nível muito mais baixo.

As análises que induziram a esse erro teriam sofrido distorções, provocadas pelas perturbações eletromagnéticas do sepulcro de Cristo.

A diretora das obras, Profa. Antonia Moropoulou, afirmou taxativamente que é difícil um profissional relevante colocar sua própria reputação em risco procurando notoriedade com um “truque publicitário”. Esse profissional não deturparia fatos acontecidos durante uma atividade dessa relevância, tão sujeita à crítica de numerosos outros cientistas.

Milagre diante do qual todo joelho se dobra

Marie-Armelle se referiu aos imponderáveis sobrenaturais do local, dizendo: “Para mim, seria extraordinário se os peritos conseguissem demonstrar que esta pedra foi mesmo o local em que se colocou o corpo de Cristo, mas, mesmo que eles provassem o contrário, ela ainda continuaria sendo um sinal da Ressurreição”.

E explicou a razão de sua aparente contradição: “A igreja do Santo Sepulcro é um local desconcertante. No começo, eu não gostava muito dela. Esperava uma igreja linda e achei uma arquitetura estranha, que não lembra em nada as cenas bíblicas.

“Mas, com o tempo, fui desenvolvendo um apego durante as procissões. Não é um lugar para visitar, mas para orar. Eu pude entrar até a rocha que sustentou o corpo de Cristo, algo que nunca teria imaginado!

“Senti-me num estado estranho, como que sem gravidade, mas me lembro de todos os detalhes. Nunca mais irei ao Santo Sepulcro da mesma forma”.

E prossegue: “Eu tinha o costume de fazer uma genuflexão diante do túmulo de Cristo, mas depois refleti e achei que isso é absurdo, porque lá não há mais nenhuma Presença real!

“É diante da sagrada Eucaristia que devemos fazer a genuflexão! Mas, no Santo Sepulcro, diante desse túmulo, a gente sente uma ‘Ausência real’. Um túmulo vazio! Um milagre diante do qual todo joelho se dobra, no Céu, na Terra e nos infernos”comentou.

Hiebert disse que quando os arqueólogos descobriram a segunda laje com a Cruz gravada pelos Cruzados, tiveram uma surpresa:

“O santuário foi tantas vezes destruído por incêndios, terremotos e invasões ao longo dos séculos. Na verdade, nós nem tínhamos certeza se a basílica havia sido reconstruída exatamente no mesmo local cada vez. 

“Mas [a laje dos Cruzados] se apresenta como a prova visível de que o local focado pelo culto dos fiéis hoje é verdadeiramente o mesmo túmulo que o Imperador romano Constantino localizou no século IV e que os Cruzados reverenciaram.

“É surpreendente. Quando nos demos conta daquilo que tínhamos encontrado, meus joelhos tremeram”, acrescentou.

Para coletar toda a informação possível, os cientistas usaram radares que perpassam o solo, como também scanners térmicos.

Atuaram nessa função 35 especialistas em conservação de antiguidades, que empregaram 60 horas de trabalho, documentando cada passo. Eles chegaram com certeza até a pedra que serviu de leito mortuário a Nosso Senhor.

Um túmulo vazio… “cheio da presença de Cristo”

Quando os instrumentos se desregularam ou pararam, o fato foi comunicado pela Profa. Moropoulou, chefe dos arqueólogos: “Lamentamos, mas nossos aparelhos foram atingidos. Eles não funcionam. Não posso dizer-lhes mais”.

Os aparelhos foram consertados, mas até hoje a falha permanece enigmática. “Há por vezes fatos que não se podem explicar. Mas aqui estamos num túmulo vivo, o túmulo de Cristo. Todo o mundo pode compreender que há fenômenos naturais que podem perturbar os campos eletromagnéticos”, disse ela.

“Mas é preciso simplesmente admitir que a força em que nós cremos e na qual pensamos também faz parte”, acrescentou.

A professora afastou qualquer ideia de algum exagero de fundo religioso em qualquer dos profissionais engajados no trabalho.

A inusual perturbação eletromagnética no Santo Sepulcro reforçou a hipótese científica de que no momento da Ressurreição o Corpo de Cristo teria emitido uma irradiação de tal intensidade, que os maiores equipamentos modernos não são capazes de reproduzir.

Após cinco anos de experiências em laboratório, uma equipe de cientistas da Agência Nacional da Itália para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável (ENEA) calculou que para se obter a impressão da imagem do corpo de Cristo no Santo Sudário de Turim seria necessário um relâmpago luminoso de uma potência estimada em 34 trilhões de watts.

Numa comparação primária, isso equivale à energia gerada durante 20 minutos por Itaipu, disparada num só instante. Mas hoje não existe equipamento capaz disso.

E não havia energia elétrica em Jerusalém no tempo da Paixão.

A perturbadora irradiação constatada poderia ter sido um eco daquela formidável emanação acontecida há 2.000 anos na Ressurreição.

Marie-Armelle entrou no Santo Sepulcro quando os operários já tinham ido dormir. A energia elétrica estava desligada e ela iluminou o local com seu smartphone.

Mas primeiro quis certificar-se de que tudo estava perfeitamente vazio. A presença de alguma urna, vaso ou osso teria deposto contra a Ressurreição.

Tendo Cristo ressuscitado, nada ficou de seu sacrossanto Corpo, exceto os tecidos mortuários recolhidos pelos discípulos, como registram os Evangelhos.

EspiritualmenteMarie-Armelle levou um choque tremendo“Foi algo muito forte. Entrei e vi que não havia nada para ver. E nisso estava o extraordinário. Pedem-me que fale sobre o nada, porque não há nada para ver. E, entretanto, ali estava a presença de Jesus!”, concluiu.

Uma reflexão

É natural que uma emoção perpasse nossos corações de simples fiéis católicos ao ler esses fatos, os quais me remetem a oportunos comentários feitos durante uma conferência pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre o tema.

Apresento-os aqui, de modo sintético e com algumas adaptações, à consideração do leitor:

“A ideia associada ao Santo Sepulcro é a de que Nosso Senhor Jesus Cristo — a suma perfeição, a suma bondade e a suma santidade — foi morto e ficou deitado nesse jazigo porque foi cometida uma injustiça tremenda, uma maldade horrorosa.

Mas esse local ficou como que perfumado pela passagem sacrossanta do corpo d’Ele. O Santo Sepulcro ficou impregnado de respeitabilidades e sacralidades por um processo misterioso de contágio do sagrado.

Pelo fato de o santíssimo cadáver d’Ele ter tocado no lugar, este ficou impregnado de uma respeitabilidade participante da d’Ele.

O sepulcro estava vazio, mas Ele tinha estado lá dentro. Portanto, ficou venerável num grau inimaginável.

No Santo Sepulcro de Nosso Senhor coexistem a majestade e a grandeza que resplandecem na Santa Face do Santo Sudário, acrescidas de uma ternura inimaginável, proporcionada àquela majestade!

É belo imaginarmos a noite da Ressurreição.

O Santo Sepulcro vai se preenchendo de anjos que portam sua luz.

Nessa luz, de repente, o cadáver de Jesus Cristo começa a se mexer, mas não é um brusco levantar-se. Aquele cadáver lívido vai retomando cores e o inimaginável ocorre.

Aquele que não podia morrer ressuscita!… Um acontecimento fantástico!

A ideia do Santo Sepulcro pisado, entregue aos maometanos, profanado, conspurcado, ilumina com beleza sobrenatural a necessidade de lutar para fazer cessar essa abominação, pela ponta da espada, se preciso.

Nasce assim o ideal de Cruzada, como todos já conhecem. A nobreza estava sendo preparada nos altos fornos da História, quando a Providência derramou sobre ela um condimento especial, que foi a graça da Cruzada: a guerra santa para a libertação do Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Advieram então graças de fé, de amor de Deus, de elevação de alma, que comunicaram uma espécie de carisma imponderável às casas reais e à nobreza europeia.

A generalidade dos cruzados recebeu como num flashuma graça de ordem mística ordinária, mas muito sensível para perceber o caráter sagrado do Santo Sepulcro.

E essa graça, que lhes foi transmitida pelo Bem-aventurado Urbano II, o Papa da Cruzada, os levou a exclamar “Dieu le veut; Dieu le veut!” (“Deus o quer, Deus o quer”!)

Sob o impulso dessa graça, se armaram para empreender a Cruzada e empurraram o perigo árabe para longe.

O Santo Sepulcro convoca e assume todos os homens com a força de atração de um cadáver que não se encontrava nele! Jesus Cristo foi morto e enterrado numa tumba guardada por guardas romanos para impedir que alguém entrasse.

Mas, séculos depois, legiões de cavaleiros atravessam o mar, atraídos por esse sepulcro vazio há séculos!

Assim também, entre as cinzas quase frias da civilização cristã há, ainda hoje, uma brasa. Esta brasa são os católicos que como um vaso de fidelidade salvam a honra da Igreja, mudam a fisionomia dos acontecimentos e são uma garantia para o futuro.

Fazer parte de uma Cruzada, caminhando pelos areais imundos de nosso século à busca do Reino de Maria Santíssima, constitui uma glória não menor que a de um cruzado andando pelas areias quentes da Á­frica do Norte ou da ­Ásia à reconquista do Santo Sepulcro.

Essa consideração forma o herói e o batalhador: o católico autêntico e sem jaça”.

(via Ciência confirma Igreja)

O site God of Evolution, que promove a conciliação entre o cristianismo e a teoria da evolução, publicou recentemente um texto no qual Phil Ledgerwood conta um episódio envolvendo uma conversa com outros cristãos a respeito da evolução. O que lhe chamou a atenção não foi tanto a discussão sobre quem estava certo (o grupo incluía defensores de visões bem diferentes sobre o relato da criação e a teoria de Darwin), mas como alguns dos membros tinham noções totalmente equivocadas sobre o que é, ou o que propõe a teoria da evolução.

Ledgerwood listou quatro erros principais.

O primeiro é o de achar que a macroevolução é uma coisa totalmente diferente da microevolução; este é um recurso retórico que alguns usam para aceitar o fato de que existem, sim, mudanças pequenas e pontuais nas espécies, mas não que haja os “grandes saltos” evolutivos. Acontece que, no fundo, tudo é microevolução, explica Ledgerwood. Os “grandes saltos” na verdade são o resultado de pequenas mudanças após pequenas mudanças, num grande intervalo de tempo (que os criacionistas de Terra jovem negam existir, daí a necessidade desse tipo de argumentação). Mal e porcamente comparando, é como os juros sobre juros: se você faz uma aplicação e a resgata daqui a dois meses, a transformação é mínima. Mas, se você deixa aquele dinheiro rendendo por 30 anos, por exemplo naqueles títulos do Tesouro que pagam a inflação mais um porcentual, na hora do resgate ele vira outra coisa completamente diferente, embora isso seja apenas o resultado de pequenas rentabilidades acumuladas ano após ano.

O segundo erro é uma falácia de espantalho: achar que os defensores da evolução descartam o criacionismo ou o Design Inteligente como não científicos apenas porque eles propõem a ação divina. O problema do criacionismo e do DI é outro, o de não ser possível submeter suas hipóteses ao método científico. Não tem nada a ver com Deus.

O terceiro erro é uma falácia indutiva, que se aproveita do fato de haver alguns cientistas que questionam a evolução para defender que a teoria está sob ataque e longe de ser consensual. Ledgewood mostra um dado curioso: o National Center for Science Education conseguiu juntar mais cientistas defensores da evolução apenas chamados Steve do que o Discovery Institute conseguiu juntar cientistas contrários à evolução.

O quarto erro, por fim, é o de afirmar que uma explicação naturalista de um fenômeno necessariamente tira Deus da jogada. Ledgewood recorda trechos em que a Bíblia diz que Deus “manda a chuva”, embora todos saibamos hoje que a causa da chuva é o ciclo da água e nem por isso tenhamos virado ateus. Aceitar um mecanismo natural não significa negar que esse mecanismo tenha sido desenhado por Deus, que Sua vontade mantenha o universo na existência, que o mecanismo é maneira que Deus usa para criar e manter o mundo… se vale para a água, por que não valeria para a evolução? “Se a evolução é verdadeira, então Deus não existe” é o que se chama de non sequitur, uma conclusão que não deriva da premissa. Militantes ateus podem até abusar dessa falácia, mas que os cristãos caiam nela é de doer

Católicos do mundo inteiro recordam o centenário de um acontecimento extraordinário ocorrido em Portugal: o “Milagre do Sol”, durante a última aparição da Virgem Maria a três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, na vila portuguesa de Fátima.

As aparições tinham começado em maio de 1917, e em 13 de outubro daquele ano dezenas de milhares de pessoas foram a Fátima, atraídas pela notícia de que Nossa Senhora havia prometido um grande sinal para aquele dia. Não apenas devotos, mas jornalistas, professores universitários e céticos prontos a desqualificar o evento também estavam presentes. Transcrevo aqui a descrição do escritor norte-americano William Thomas Walsh em seu livro sobre as aparições de Fátima (Walsh não estava em Fátima no dia do milagre, mas conversou com pessoas que estiveram lá, e com a própria Lúcia):

“O sol brilhava no zênite como se fosse um imenso disco de prata. Brilhava com a intensidade normal, e no entanto podia ser fitado sem que ofuscasse. Isso durou apenas um instante. Enquanto todos olhavam assombrados, a imensa bola começou a ‘dançar’: esta foi a palavra com que todos os observadores a descreveram. Primeiro, viram-na girar rapidamente, como uma gigantesca roda de fogo. Depois de um certo tempo, parou. A seguir, voltou a girar sobre si mesma, vertiginosamente, numa velocidade incrível. Finalmente, os bordos tornaram-se escarlates e espalharam-se pelo firmamento, espargindo chamas vermelhas de fogo, como um redemoinho infernal. Essa luz foi-se refletindo na terra, nas árvores, nos arbustos, nas próprias faces voltadas para cima e nas vestes, tomando tonalidades brilhantes e cores diferentes: verde, vermelho, laranja, azul, violeta, as cores todas do espectro solar. Girando loucamente sob essa aparência, por três vezes, o globo de fogo pareceu agitar-se, estremecer e depois precipitar-se em ziguezague sobre a multidão. (…) Isso durou talvez uns dez minutos. Logo depois, viram todos o sol começar a elevar-se da mesma maneira, em ziguezague, até ao ponto onde havia aparecido antes. Ficou então tranquilo e brilhante. Ninguém mais lhe pôde suportar o fulgor. Era novamente o sol de todos os dias.”

Desde então, não faltam explicações e tentativas de validar ou desacreditar os relatos. Se por um lado nenhum observatório astronômico relatou nada de incomum naquela data, e nem todos os que estavam na Cova da Iria disseram ter visto todos os fenômenos descritos (houve mesmo pessoas devotas que afirmaram não ter visto nenhum movimento do sol), por outro lado mesmo céticos e pessoas que estavam a até 20 quilômetros de Fátima relataram ter visto coisas fora do normal (ou seja, podemos descartar um fenômeno em massa de autossugestão por parte dos devotos), e há relatos de que, durante o evento, roupas e o chão, que estavam molhados devido à chuva que caía antes do milagre, terem ficado completamente secos (você pode ler aqui vários relatos de pessoas que estavam em Fátima na ocasião).

Dezenas de milhares de pessoas estiveram em Fátima e disseram ter visto o sol se movendo no céu. Mesmo céticos que pretendiam desqualificar as aparições fizeram relatos semelhantes. (Foto: Reprodução)

O padre Stanley Jaki, uma grande referência no trabalho sobre ciência e fé, escreveu um livro apenas sobre este evento. Não tive a oportunidade de lê-lo, mas Stacy Trasancos, estudiosa do trabalho do padre Jaki, publicou um artigo quatro anos atrás em que resume as conclusões do sacerdote. Jaki conclui que, naquele dia, os espectadores na Cova da Iria presenciaram não exatamente um movimento solar, mas uma combinação única (tão única e irrepetível que, sim, Jaki a considera milagrosa) de fenômenos físicos: a presença de cristais de gelo nas nuvens e a interação entre uma massa de ar frio e outra quente. “Claramente, o ‘milagre’ do sol não foi um mero fenômeno meteorológico, ainda que raro. Do contrário, teria sido observado antes ou depois, independentemente da presença de multidões devotas. Eu apenas alego, como fiz em outros escritos meus sobre milagres, que ao produzi-los Deus frequentemente usa um substrato material e aumenta muito seus componentes físicos e suas interações. De fato, pode-se dizer, ainda que não da forma como alguns que escrevem sobre Fátima fazem, que os dedos da Mãe de Deus brincaram com os raios do sol naquela hora extraordinária, em Fátima”, diz Jaki em sua autobiografia.

Um outro artigo interessante saiu em 11 de maio deste ano, às vésperas do centenário da primeira aparição, no Catholic Herald. O padre (e especialista em física de partículas) Andrew Pinsent, diretor do Ian Ramsey Centre for Science and Religion da Universidade de Oxford, se pergunta: um cientista pode levar a sério o Milagre do Sol? E responde: por que não? Pinsent explica que muitas vezes temos uma compreensão errada do conceito de milagre, entendido de forma simplista como uma quebra das leis da natureza. O pulo do gato é que as leis da natureza descrevem o funcionamento de sistemas simples e isolados, mas eles estão sujeitos à intervenção de agentes livres, inclusive de um agente todo-poderoso. “Portanto, da perspectiva das leis científicas, não há um problema real com os milagres, porque descrever como um sistema funciona na ausência de intervenção não diz nada sobre se uma intervenção ocorre ou pode ocorrer”, afirma.

Lúcia, Francisco e Jacinta (da esquerda para a direita): pastorinhos disseram que a Virgem Maria havia prometido um grande sinal para o dia 13 de outubro de 1917. (Foto: Illustração Portugueza)

Mas, para Pinsent, há um outro modo de entender mal os milagres, que é buscar explicações naturais que reduzem o milagroso ao providencial. Essa afirmação parece, à primeira vista, bater de frente justamente com a explicação que Jaki oferece para o Milagre do Sol, mas podemos alegar que também Jaki aceita uma intervenção divina que “reforçou” as propriedades/características/interações do que quer que estivesse envolvido no episódio. Difícil saber, porque Pinsent não cita em nenhum momento a explicação fornecida por Jaki. Tampouco dá a sua hipótese para o que houve naquele 13 de outubro, limitando-se a dizer que tudo o que sabemos sobre o episódio é compatível com um “milagre público dos mais extraordinários”. Fica a impressão de que Pinsent admite que houve algo mais do que simplesmente um processo de ilusão de ótica, mas o quê? 

Embora eu ache a explicação de Jaki bem convincente, eu tendo a acreditar que houve algo mais ali, e nisso acho que me inclino mais para a posição de Pinsent. Agora, que algo mais é esse, aí já não sei dizer.

Fonte: Tubo de ensaio

A série de audiências do Santo Padre se encerrou com o encontro com os participantes da Assembléia Geral dos Membros da Pontifícia Academia para a Vida.

No seu discurso aos presentes o Papa partiu do tema da Assembleia: “Acompanhar a vida. Novas responsabilidades na era tecnológica”. Francisco afirmou que é um tema desafiador mas ao mesmo tempo necessário, pois o mesmo aborda o entrelaçamento de oportunidades e criticidades que interpela o humanismo planetário, em referência aos recentes desenvolvimentos tecnológicos das ciências da vida. O poder das biotecnologias que permite manipulações da vida até ontem impensáveis, apresenta enormes problemas.

É urgente, portanto, – disse o Santo Padre -, intensificar o estudo e o confronto sobre os efeitos de tal evolução da sociedade no sentido tecnológico para articular uma síntese antropológica que esteja à altura deste desafio do nosso tempo.

A área da competência de vocês – disse o Papa – não pode, portanto, ser limitada a resolver problemas apresentados por situações específicas de conflito ético, social ou legal. A inspiração de condutas coerentes com a dignidade humana diz respeito à teoria e à prática da ciência e da técnica em sua abordagem em relação à vida, ao seu sentido e valor. E foi nesta perspectiva, que o Papa ofereceu-lhe uma reflexão.

Antes de tudo as perguntas, novas e antigas, sobre o sentido da vida, sobre sua origem e seu destino.

O traço emblemático desta passagem pode ser brevemente reconhecido na rápida disseminação de uma cultura obsessivamente centrada na soberania do homem – enquanto espécie e enquanto indivíduo – em relação à realidade. Há aqueles que até falam de “egolatria”, isto é, de uma verdadeira adoração do ego, em cujo altar se sacrifica tudo, inclusive os afetos mais queridos. Esta perspectiva não é inofensiva – continuou Francisco – : ela plasma um sujeito que olha constantemente para o espelho, até se tornar incapaz de dirigir o olhar para os outros e para o mundo. A difusão desta atitude tem sérias conseqüências para todas as suas afeições e laços da vida.

Infelizmente, homens, mulheres e crianças de todo o mundo experimentam com amargura e dor as promessas ilusórias deste materialismo tecnocrático. Também porque, em contradição com a propaganda de um bem-estar que se espalharia automaticamente com a expansão do mercado, se ampliam, ao invés os territórios da pobreza e do conflito, do desperdício e do abandono, do ressentimento e do desespero. Um autêntico progresso científico e tecnológico deveria inspirar políticas mais humanas.

O mundo precisa de crentes que, com seriedade e alegria, sejam criativos e propositivos, humildes e corajosos, resolutamente decididos a recompor a fratura entre as gerações. Essa fratura interrompe a transmissão da vida. Dela se exaltam os entusiasmos potenciais: mas quem os orienta para o cumprimento da idade adulta? A condição adulta é uma vida capaz de responsabilidade e amor, seja em direção da geração futura seja em direção daquela passada. A vida dos pais e das mães em idade avançada, se espera, seja honrada pelo que generosamente deu, não ser descartada por aquilo que não tem mais.

A fonte de inspiração para essa retomada de iniciativa, mais uma vez – disse o Papa – é a Palavra de Deus, que ilumina a origem da vida e o seu destino.

Uma teologia da Criação e da Redenção que saiba se traduzir em palavras e gestos do amor por cada vida e por toda a vida é hoje mais do que nunca necessária para acompanhar o caminho da Igreja no mundo que vivemos. Francisco disse que a Encíclica Laudato si é como um manifesto dessa retomada do olhar de Deus e do homem sobre o mundo, a partir da grande narração de revelação que nos é oferecido nos primeiros capítulos do Livro do Gênesis.

Essa narração – continuou o Papa -, diz que cada um de nós é uma criatura desejada e amada por Deus por si mesma, e não somente uma montagem de células bem organizada e selecionada no decurso da evolução da vida. Toda a criação está inscrita no especial amor de Deus pela criatura humana, que se estende a todas as gerações de mães, pais e seus filhos.

A benção divina da origem e a promessa de um destino eterno, que são o fundamento da dignidade de cada vida, são de todos e para todos. Os homens, as mulheres, os filhos da terra – desses são feitos os povos – são a vida do mundo que Deus ama e quer levar à salvação, sem excluir ninguém.

O relato bíblico da Criação  – disse Francisco – precisa ser sempre reeleito para apreciar toda a amplitude e profundidade do gesto do amor de Deus que confia à aliança do homem e da mulher a criação e a história.

A aliança do homem e da mulher é chamada a tomar em suas mãos a direção de toda a sociedade. Este é um convite à responsabilidade pelo mundo, na cultura e na política, no trabalho e na economia; e também na Igreja. Não se trata apenas de oportunidades iguais ou de reconhecimento recíproco. Trata-se, sobretudo, de compreensão dos homens e das mulheres sobre o significado da vida e sobre o caminho dos povos. O homem e a mulher são chamados não apenas a falar-se de amor, mas a falar-se com amor, do que eles devem fazer para que a convivência humana se realize na luz do amor de Deus por cada criatura.

Em síntese, é uma verdadeira e própria revolução cultural que está ao horizonte da história deste tempo. E a igreja, por primeira, deve fazer a sua parte.

Nesta perspectiva, trata-se antes de tudo de reconhecer honestamente os “atrasos e as faltas”. As formas de subordinação que tristemente marcaram a história das mulheres devem definitivamente ser abandonadas. Um novo começo deve ser escrito no “ethos” dos povos, e isso pode fazê-lo uma renovada cultura da identidade e da diferença.

A hipótese recentemente avançada de reabrir o caminho para a dignidade da pessoa neutralizando radicalmente a diferença sexual e, portanto, a compreensão do homem e da mulher não é correta. Em vez de contrastar as interpretações negativas da diferença sexual, que mortificam seu valor irredutível para a dignidade humana, se deseja cancelar o fato de tal diferença, propondo técnicas e práticas que a tornam irrelevante para o desenvolvimento da pessoa e para as relações humanas. Mas a utopia do “neutro”, remove seja a dignidade humana da constituição sexualmente diferente, seja a qualidade pessoal da transmissão generativa da vida. A manipulação biológica e psíquica da diferença sexual, que a tecnologia biomédica permite vislumbrar como totalmente disponível à escolha da liberdade – enquanto não o é! – corre o risco assim de desmontar a fonte de energia que alimenta a aliança do homem e da mulher e a torna criativa e fecunda.

Ocorre aceitar o desafio apresentado pela intimidação exercitada no confronto da geração da vida humana, quase como se fosse uma mortificação da mulher e uma ameaça ao bem-estar coletivo.

A aliança geradora do homem e da mulher é uma vantagem para o humanismo planetário dos homens e das mulheres, não uma desvantagem. A nossa história não será renovada se rejeitarmos essa verdade.

A paixão pelo acompanhamento e cuidado da vida, ao longo de todo o arco de sua história individual e social, exige a reabilitação de um “ethos” da compaixão ou da ternura pela geração e regeneração do humano na sua diferença.

Trata-se, antes de tudo, de reencontrar sensibilidade pelas “diversas idades da vida”, especialmente pelas das crianças e dos idosos. Tudo nelas é delicado e frágil neles, vulnerável e corruptível, não é uma questão que deve se referir apenas à medicina e o bem-estar. Estão em jogo partes da alma e da sensibilidade humana que pedem para ser ouvidas e reconhecidas, preservadas e apreciadas por cada indivíduo e pela comunidade. Uma sociedade na qual tudo isso só pode ser comprado e vendido, burocraticamente regulado e tecnicamente predisposto, é uma sociedade que já perdeu o sentido da vida.

O testemunho da fé na misericórdia de Deus é condição essencial para a circulação da verdadeira compaixão entre as diversas gerações.

O Papa enfim agradeceu o trabalho da renovada Pontifícia Academia para a Vida, salientando que compreende que o mesma é difícil mas entusiasmante. (SP)

Rádio Vaticano

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Qual o impacto que a inteligência artificial tem – e terá – sobre a humanidade? Filósofos, cientistas e acadêmicos debateram esta questão durante uma conferência que aconteceu recentemente na Embaixada da Itália na Santa Sé, em Roma, como parte da série de eventos culturais do “Courtyard of the Gentiles” (Átrio dos Gentios), uma iniciativa organizada pelo Vaticano.

O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura (www.cultura.va), participou do encontro e destacou alguns dos novos desafios que a inteligência artificial traz.

– As capacidades extraordinárias que estão sendo dadas às máquinas podem acabar mudando a condição humana tal como a conhecemos: correr, cozinhar, dirigir, ler, escrever, compor e até aprender da experiência são atividades que as máquinas poderão fazer de forma autônoma. Devemos considerar as grandes possibilidades que esses avanços abrem, bem como os riscos significativos e muito reais.

– O cardeal Ravasi explicou que o Papa Francisco, em Laudato Sì, apresentou a questão do paradigma tecnocrático, em que – o Papa explica – “aqueles com o conhecimento, e especialmente os recursos econômicos” para usar o poder que nos dá a tecnologia, têm “uma dominação impressionante sobre toda a humanidade e o mundo inteiro. Nunca a humanidade teve tal poder sobre si mesmo, mas nada garante que isso será usado com sabedoria, particularmente quando consideramos como isso está sendo usado atualmente”.

Além disso, é um paradigma que faz do progresso científico um meio de poder e dinheiro, sem muita consideração pelo certo ou o errado. “Não podemos pretender ter uma ética sólida, uma cultura e espiritualidade verdadeiramente capazes de estabelecer limites e ensinar autocontrole”, adverte Papa Francisco. É por isso que, na opinião de Ravasi, devemos refletir sobre tecnologia a partir de várias disciplinas e perspectivas. “Um verdadeiro cientista nunca é apenas um técnico… ele é alguém que considera todo o panorama… em que estamos imersos”, enfatizou.

– A inteligência humana veio em primeiro lugar. Devemos lembrar que outros tipos de inteligência foram criados por um tipo original de inteligência: a dos seres humanos. Ravasi questionou o significado do termo “inteligência artificial” e abriu um debate sobre se esse conceito é ou não um paradoxo.

– Não estamos lidando com “personalidade”, mas com “razão”. Ravasi critica o termo “pessoa eletrônica”. Na realidade, ele disse, o conceito de personalidade não é aplicável à inteligência artificial; “a consciência é prerrogativa da pessoa humana, que está na origem da razão e do pensamento”.

– Houve descobertas “extraordinárias e impressionantes”, sobretudo no campo da atenção à saúde: De acordo com o Pe. Benanti – que também participou do Átrio e foi citado pelo cardeal em uma entrevista à Rádio Vaticano – precisamos destacar a utilidade e as vantagens de ter inteligência artificial para gerenciar a informação da saúde, para fins que serão muito vantajosos para a humanidade. No entanto, existem dois grandes riscos: a perda de emprego e o uso indevido da tecnologia de forma a ampliar a distância entre os ricos e os pobres. Ou, o uso da tecnologia pode atingir o objetivo de eliminar a morte e, consequentemente, transformar a condição humana? Esta questão, intimamente relacionada com as reflexões do cardeal Ravasi, foi proposta por Alberto Cortina, autor do livro Human, or Posthuman, publicado por Fragmenta.

– Quando a ciência progride, é irreversível, mas precisamos nos perguntar sobre o papel da consciência, que sempre foi considerada uma característica distintiva dos seres humanos, o que os torna responsáveis por suas próprias ações, capazes de distinguir entre o bem e o mal. Um cérebro artificial capaz de imitar o comportamento humano está longe de ter liberdade autêntica, explicou Ravasi, e sublinhou que mesmo o famoso astrofísico Stephen Hawking alertou contra o uso desenfreado da tecnologia.

“Até que as pessoas vejam robôs nas ruas matando pessoas, elas não sabem como reagir porque isso parece ilusão”, advertiu Elon Musk, CEO da Tesla, em julho, no National Governors Association Summer Meeting. Musk insistiu na necessidade de regular a inteligência artificial antes que “seja muito tarde”.

Quem garante o uso ético dessa tecnologia? O cardeal levantou esta questão e reiterou que é necessário reunir tecnologias e áreas humanísticas de estudo, como filosofia e teologia. A tecnologia não pode regular a si mesma. O mundo das humanidades tem um papel importante a desempenhar; filosofia, cultura, teologia e religião se concentram em estudar o único verdadeiro assunto de liberdade e responsabilidade, que é a pessoa humana.

Aleteia

sokolka
Análises laboratoriais: estrutura da fibra do músculo do coração e estrutura do pão estavam interligadas de forma impossível de ser feita por ingerência humana

Todos os dias, em todos os altares do mundo, dá-se o maior milagre possível: o da transformação do pão e do vinho no verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus Cristo.

No entanto, ao recebermos a comunhão, podemos tocá-lo apenas pela fé, pois aos nossos sentidos é oferecida somente a forma do pão e do vinho fisicamente inalterada pela consagração.

O que é, então, que o acontecimento eucarístico de Sokólka, na Polônia, proporciona à nossa fé?

Foi em 12 de outubro de 2008, domingo, logo após a beatificação do servo de Deus pe. Miguel Sopocko.

Na Santa Missa iniciada na igreja paroquial de Santo Antônio de Sokólka às 8h30, uma hóstia consagrada caiu das mãos de um dos sacerdotes durante a distribuição da comunhão, junto ao altar. O sacerdote interrompeu a distribuição da comunhão, recolheu-a e, de acordo com as normas litúrgicas, a colocou no vásculum, um pequeno recipiente com água que se encontra normalmente ao lado do sacrário, servindo para o sacerdote lavar os dedos após a distribuição da comunhão. A hóstia deveria dissolver-se nesse recipiente.

A irmã Julia Dubowska, da congregação das Irmãs Eucarísticas, era sacristã em serviço na paróquia. No fim da missa, a pedido do pároco, pe. Stanislaw Gniedziejko, ela despejou o conteúdo do vásculum noutro recipiente, sabendo que a hóstia consagrada levaria algum tempo para dissolver-se, e colocou o outro recipiente no cofre da sacristia da paróquia. Somente ela e o pároco tinham as chaves do cofre.

Após uma semana, em 19 de outubro, Domingo das Missões, a irmã Julia, questionada pelo pároco sobre o estado da hóstia, foi ver o cofre. Ao abrir a porta, sentiu um aroma delicado de pão ázimo. Quando abriu o recipiente, viu a água limpa com a hóstia a dissolver-se e, no meio dela, uma mancha arqueada de cor vermelha intensa, lembrando um coágulo de sangue, uma partícula viva de um corpo. A água permanecia incolor.

A irmã informou imediatamente o padre, que trouxe os sacerdotes locais e o missionário pe. Ryszard Górowski. Todos ficaram surpresos e atônitos com o que viram.

Mantiveram discrição e prudência, não esquecendo o peso do acontecimento, pois tratava-se de pão consagrado que, pelo poder das palavras de Cristo no cenáculo, é verdadeiramente o Seu Corpo. Do ponto de vista humano, foi difícil definir se a forma alterada do fragmento da hóstia era o resultado de uma reação orgânica, química ou de outro tipo.

Imediatamente notificaram o arcebispo metropolitano de Bialystok, dom Edward Ozorowski, que se dirigiu a Sokólka juntamente com o chanceler da cúria, os sacerdotes prelados e catedráticos. Todos ficaram profundamente comovidos com o que viram. O arcebispo mandou proteger a hóstia, esperar e observar o que iria acontecer.

No dia 29 de outubro, o recipiente com a hóstia foi transportado para a capela da Misericórdia Divina, na casa paroquial, e colocado no sacrário. No dia seguinte, por decisão do arcebispo, retirou-se a hóstia com a mancha visível da água, colocou-se num pequeno corporal e em seguida no sacrário. Deste modo a hóstia foi conservada durante três anos até ser levada solenemente à igreja, em 2 de outubro de 2011. Durante o primeiro ano, ela foi guardada em segredo. Foi um tempo de reflexão sobre o que fazer, já que se tratava de um sinal de Deus que era necessário interpretar.

Até meados de janeiro de 2009, o fragmento da hóstia alterada secou de forma natural e permaneceu como coágulo de sangue. Desde então, não mudou de aparência.

Em janeiro de 2009, o arcebispo ordenou que se fizessem análises pato-morfológicas da hóstia, e, em 30 de março, criou uma comissão eclesial para analisar o fenômeno.

O fragmento recolhido da hóstia em forma alterada foi analisado pela professora Dra. Maria Sobaniec-Lotowska e pelo professor Dr. Stanislaw Sulkowski, de forma independente um do outro, com vista à maior credibilidade dos resultados. Ambos são pato-morfologistas da Universidade de Medicina de Bialystok. As análises foram realizadas no Instituto de Pato-Morfologia da mesma universidade. O trabalho dos dois especialistas foi regido pelas normas e obrigações dos cientistas para analisar cada problema científico de acordo com as diretrizes do Comitê de Ética da Ciência da Academia das Ciências Polonesas. As análises foram descritas e fotografadas exaustivamente. A documentação completa foi entregue à Cúria Metropolitana de Bialystok.

Quando foram recolhidas as amostras para análise, a parte não dissolvida da hóstia consagrada estava já embebida no tecido. Porém, a estrutura de sangue acastanhado do fragmento da hóstia não perdeu nada da sua clareza. Este fragmento estava seco e frágil, intimamente ligado à restante parte da hóstia em forma de pão. A amostra recolhida foi o suficiente para realizar todas as análises indispensáveis.

Os resultados de ambas as análises independentes sobrepuseram-se completamente. Concluíram que a estrutura do fragmento da hóstia que foi analisado é idêntica à do tecido do músculo do coração de uma pessoa viva, mas em estado de agonia. A estrutura da fibra do músculo do coração e a estrutura do pão estavam interligadas de forma muito estreita, impossível de se realizar por ingerência humana, conforme declaração da professora Maria Sobaniec-Lotowska.

As análises realizadas provaram que não foi adicionada nenhuma outra substância à hóstia consagrada, mas que o seu fragmento tomou a forma de tecido do músculo do coração de uma pessoa em estado de agonia. Este tipo de fenômeno não é explicável pelas ciências naturais. Já o ensinamento da Igreja nos diz que a hóstia consagrada é o Corpo do próprio Cristo, pelo poder das Suas próprias palavras, proferidas durante a Última Ceia.

O resultado das análises pato-morfológicas datadas de 21 de janeiro de 2009 foi incluído no protocolo entregue à Cúria Metropolitana de Bialystok.

Em seu comunicado oficial, a Cúria Metropolitana de Bialystok afirmou:

“O acontecimento de Sokólka não se opõe à fé da Igreja, mas a confirma. A Igreja professa que, após as palavras da consagração, pelo poder do Espírito Santo, o pão se transforma no Corpo de Cristo e o vinho no Seu Sangue. Além disso, trata-se de um chamamento para que os ministros da Eucaristia distribuam o Corpo do Senhor com fé e cuidado e que os fiéis O recebam com adoração”.

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Com informações do site sokolka.archibial.pl e adaptação de texto a partir do blog Senza Pagare

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Ainda no embalo do 90.º aniversário de nascimento de Joseph Ratzinger, o papa emérito Bento XVI, comemorado no mês passado, o blog traz um artigo de um convidado: Mariusz Biliniewicz leciona Teologia na Universidade de Notre Dame, na Austrália, e é um estudioso do pensamento do papa emérito, sendo autor de The Liturgical Vision of Pope Benedict XVI. Ele escreveu, especialmente para o blog Tubo de Ensaio, um texto analisando a visão de Ratzinger sobre a relação entre ciência e fé.

Ciência e fé no pensamento de Bento XVI

Mariusz Biliniewicz

A relação entre fé e ciência, no pensamento de Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, é melhor compreendida dentro do contexto da forma como ele vê a relação entre fé e razão em geral. Essa relação, de acordo com Ratzinger, é fundada no conceito de λόγος (logos), encontrado tanto na filosofia grega pré-cristã como em uma de suas passagens favoritas do Novo Testamento: o início de seu Evangelho preferido, o de São João: “No princípio era o Verbo (logos), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Ratzinger explica que o termo logos significa tanto “palavra/Verbo” quanto “razão”, e isso indica que uma das características mais importantes da fé cristã é o fato de ela ser razoável, acessível à razão. Isso não significa que a razão humana é capaz de penetrar até o mais profundo da fé cristã; isso seria confundir as duas realidades. O que isso significa é que a fé cristã deve sempre estar aberta ao encontro com a razão humana em todas as suas dimensões. Ou seja: em primeiro lugar, um diálogo da fé com a filosofia, mas não limitado a ela. Hoje, mais que nunca, também um diálogo com a ciência.

Diálogo significa parceria, troca mútua, mas também crítica construtiva. Ciência e fé têm suas respectivas áreas de competência que são obviamente diferentes, mas que ao mesmo tempo apresentam uma convergência. Esse encontro construtivo significa que a Igreja não pode aceitar automaticamente, sem refletir, tudo que a “razão secular” tenha a dizer, assim como tudo o que a ciência contemporânea pode fazer. Pelo contrário: Ratzinger jamais se cansa de nos lembrar que, enquanto a ciência precisa gozar da liberdade de pesquisa e de uma necessária autonomia em seu trabalho, ela também precisa de um certo padrão universal pelo qual suas realizações podem ser medidas. Nem tudo que é cientificamente possível é moralmente aceitável, e nem toda rota tecnologicamente viável é digna de ser percorrida. A convicção crescente do caráter irrefreável do desenvolvimento científico deveria vir acompanhada da consciência crescente da necessidade de um princípio objetivo que ajudaria a distinguir o que é factível do que vale a pena fazer. Sem esse padrão, uma ciência completamente fora de controle, que só reconhece como limite a possibilidade técnica, pode se virar contra seu próprio agente, a pessoa humana. O desenvolvimento das armas nucleares de destruição em massa é, para Ratzinger, um exemplo eloquente de quão curta é a estrada entre o progresso sem amarras e a ameaça da aniquilação total da espécie humana.

Além disso, enquanto a ciência pode e deve nos ajudar a suprir as necessidades materiais mais importantes de nosso tempo, ela não pode “preencher totalmente todas as necessidades existenciais e espirituais do homem”. Essa realização, para a pessoa humana, só pode vir de fora; não podemos fazê-la nós mesmos, só podemos recebê-la. De acordo com Ratznger, a distinção importante entre o natural e o sobrenatural, o possível e o permissível, o ethos (fazer) e o logos (ser), exige um equilíbrio delicado entre a razão e a Revelação. Esse equilíbrio pode ser, e no passado o foi frequentemente, interrompido por exageros vindos de ambos os lados. Quando isso acontece, a humanidade é exposta ou a “patologias da religião” (fé cega, nada razoável, sem nenhum recurso à razão) ou a “patologias da razão” (uma urgência de progresso sem restrições e sem controles, independentemente do preço a pagar e sem interesse algum em considerações éticas).A compreensão de Ratzinger sobre a relação entre fé e razão ajuda a entender seu pensamento sobre o diálogo entre ciência e religião. (Foto: Rodolfo Buhrer/Arquivo Gazeta do Povo)

De acordo com Ratzinger, uma reflexão sobre a dignidade humana e o bem comum, movida pela razão, pode levar à descoberta de um necessário padrão universal de conduta para a atividade científica. Mas essa reflexão é especialmente eficiente e frutuosa se iluminada pela fé. Como a fé cristã é construída sobre o princípio do logos, e como a abertura à reflexão pela razão está imersa nesta natureza, a fé cristã é provavelmente o ambiente mais amigável à ciência que um pesquisador pode encontrar.

A contribuição de Ratzinger para o desenvolvimento do diálogo entre ciência e fé é reconhecida não apenas nos círculos católicos, mas também fora deles. Um dos sinais mais notáveis deste reconhecimento foi sua nomeação como member associe stranger da Academia de Ciências Morais e Políticas do Institut de France, em 1992, quando ele foi convidado a assumir a cadeira que ficou vaga com a morte do dissidente soviético Andrei Sakharov.

O papado de Bento XVI também foi marcado por esse princípio teológico. De muitas formas, Bento foi um pontífice muito pró-ciência e apoiou pesquisas científicas com entusiasmo, interesse pessoal e com a bênção apostólica do sucessor de Pedro. Em 2012, ele constituiu a Fundação Ciência e Fé (Stoq), para dar sequência ao trabalho da iniciativa Science, Theology and the Ontological Quest, criada por João Paulo II em 2003. Em muitas ocasiões ele pediu uma “interação frutuosa entre compreensão e crença”. Ele enfatizava que, como tanto a ciência quanto a fé estão chamadas a promover o bem universal, a fé deveria encorajar a ciência a se empenhar em pesquisas que ajudassem a preservar a vida, a combater doenças, a eliminar a pobreza ou simplesmente a entender melhor como nosso planeta funciona e o que isso significa para nós, humanos. A fé não apenas não entra em conflito com a ciência, mas “coopera com ela, oferecendo critérios fundamentais para garantir que ela promova o bem comum”. Ao mesmo tempo, a fé pede que “a ciência desista daquelas iniciativas que, em oposição ao plano original de Deus, possam produzir efeitos que se voltem contra o próprio homem”. Bento promoveu a ideia da “unidade interna” entre ciência e fé, e expressou sua convicção de que há uma “necessidade urgente de diálogo e cooperação contínuos” entre ambas.

Não apenas “não há conflito entre a providência divina e o engenho humano”, mas o desenvolvimento da ciência, em si mesmo, poderia ser considerado parte da providência divina. Ainda mais: Bento defendeu que a atividade científica também é um caminho de santidade. Na catequese da audiência geral de 24 de março de 2010, ele citou Santo Alberto Magno como exemplo de um “santo cientista” e afirmou que “os homens de ciência podem percorrer, através da sua vocação para o estudo da natureza, um autêntico e fascinante percurso de santidade”. Pela observação e pelo estudo da criação divina, os olhos do cientista se voltam ao Criador cujo gênio artístico e criativo se torna mais e mais evidente ao pesquisador. Dessa forma, “o estudo científico transforma-se, então, num hino de louvor” e pode servir não apenas para satisfazer as necessidades naturais dos homens, mas também se tornar um primeiro passo no caminho para satisfazer as necessidades sobrenaturais.

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Alexis Carrel, Prêmio Nobel de Medicina em 1912, chegou a se converter ao catolicismo graças aos milagres que presenciou na cidade mariana de Lourdes, na França, a partir de 1903, quando ainda era um jovem médico ateu.

Na época, um colega que acompanharia um grupo de peregrinos a Lourdes lhe pediu, por força maior, que o substituísse. Carrel aceitou pensando em comprovar pessoalmente a falsidade dos supostos milagres – mas o que lhe coube foi justamente assistir a um deles.

O médico visitou, observou e analisou todos os sintomas de uma mulher tuberculosa em leito de morte. Não havia dúvida alguma de que ela morreria em breve. No entanto, quando aquela mulher, diante dos seus olhos incrédulos, saiu das piscinas de Lourdes, tudo tinha desaparecido. O depoimento de Carrel ao revelar a sua conversão foi recebido com escândalo nos âmbitos naturalistas céticos que dominavam a França.

A propósito: é recomendável que os incrédulos, em vez de promulgarem os seus próprios dogmas de “intelectualidade superior” diante daquilo que não entendem, procurem conhecer o assunto com mais rigor científico e menos conclusões precipitadas (e anticientíficas). É o que propõe outro médico premiado com o Nobel de Medicina: o dr. Luc Montagnier, que, entre outras relevantes contribuições à ciência, ficou famoso pela descoberta do vírus HIV. Ele afirma:

“Muitos cientistas cometem o erro de rejeitar o que não entendem. Não gosto dessa atitude. Frequentemente cito a frase do astrofísico Carl Sagan: ‘A ausência de prova não é prova de ausência’ (…) Quanto aos milagres de Lourdes que eu estudei, creio que realmente se trata de algo inexplicável (…) Não consigo entender esses milagres, mas reconheço que há curas que não estão previstas no estado atual da ciência”.

De fato, são milhares os registros de “curas inexplicáveis” que acontecem todos os anos no santuário mariano de Lourdes, mas são pouquíssimas as curas consideradas efetivamente milagrosas por parte da Igreja, que adota critérios rigorosos em sua minuciosa avaliação científica de cada caso.

Na verdade, a Igreja não afirma a ocorrência de um milagre apenas porque queira ou possa: ela submete a análise de cada suposto milagre a uma sequência criteriosa de etapas científicas, que incluem, por exemplo, comissões médicas para estudar cada alegação de cura cientificamente inexplicável.

É o caso da Comissão Médica Internacional de Lourdes, cuja metodologia é a mesma usada na investigação científica. Aliás, seus membros costumam citar o princípio de Jean Bernard: “Quem não é científico não é ético“. Não se trata de cair no cientificismo ou no positivismo por si mesmos, e sim de buscar a verdade com a clara consciência daquilo que a encíclica Fides et Ratio veio a sintetizar magnificamente:

“A fé e a razão são como as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade”.

OS 7 CRITÉRIOS DA CURA MILAGROSA

O cardeal Prospero Lambertini, que se tornaria mais tarde o papa Bento XIV (pontífice de 17 de agosto de 1740 até a morte em 3 de maio de 1758), detalhou as características do milagre do ponto de vista médico-científico na “De servorum beatificatione et beatorum canonizatione” (“A beatificação dos servos de Deus e a canonização dos beatos“), livro IV, capítulo VIII, 2-1734, definindo 7 critérios para o reconhecimento de uma cura extraordinária ou inexplicável:

  1. A doença deve ter características de gravidade, com prognóstico negativo.
  2. O diagnóstico real da doença deve ser certo e preciso.
  3. A doença deve ser apenas orgânica.
  4. Eventual tratamento não pode ter favorecido o processo de cura.
  5. A cura deve ser repentina, inesperada e instantânea.
  6. A retomada da normalidade deve ser completa (e sem convalescênça).
  7. A cura deve ser duradoura (sem recaída).

Os 7 critérios de Lambertini são válidos até hoje e esclarecem o perfil específico da cura inexplicável, garantindo que toda objeção ou contestação seja levada em ampla consideração antes de se atestar que uma determinada cura foi “não explicável cientificamente”.

DE 7.200 SUPOSTOS MILAGRES, SÓ 69 RECONHECIDOS

A seriedade das avaliações de supostos milagres pode ser percebida nos números relacionados ao santuário mariano de Lourdes, na França, o mais visitado do mundo por peregrinos em busca de cura física:  desde 1858, houve mais de 7.200 alegações de cura milagrosa, mas apenas 69 casos foram declarados efetivamente inexplicáveis do ponto de vista médico-científico até hoje.

O mais recente caso é o de Danila Castelli: ela foi curada em 1989, mas o reconhecimento formal da inexplicabilidade científica de sua cura só aconteceu em 2013; portanto, após 24 anos de estudos, disponíveis para a contestação da comunidade científica.

Já o primeiro caso reconhecido em Lourdes tinha sido a cura de Catherine Latapie, ocorrida poucos dias depois da primeira aparição de Nossa Senhora em Massabielle.

UM CASO DE IMPRESSIONAR

Um dos casos de cura mais impactantes que passaram pela Comissão Médica Internacional de Lourdes é o da religiosa Luigina Traverso, curada repentinamente de uma lombociática incapacitante de meningocele no dia 23 de julho de 1965, após anos de tratamento médico e várias cirurgias que não tinham dado resultado.

Em 20 de julho de 1965, a irmã viajou até Lourdes em estado grave – aliás, os médicos tinham recomendado que ela não fizesse a peregrinação porque a viagem representava alto risco de morte.

Em 23 de julho, na passagem do Santíssimo Sacramento durante a celebração eucarística, a irmã Luigina relata ter experimentado uma súbita sensação de forte calor e bem-estar, acompanhada pelo “desejo de ficar de pé” – o que era impossível para ela havia meses. De repente, ela recuperou o movimento dos pés e deixou de sentir dor.

Em 24 de julho, acompanhada pela madre superiora, a religiosa caminhou sem ajuda alguma até a gruta de Lourdes para agradecer a Nossa Senhora. No mesmo dia, participou da via-crúcis dos peregrinos e subiu rezando até a quarta estação – a subida é íngreme. Ao longo dos dias seguintes, a irmã Luigina já estava ajudando a cuidar dos doentes que peregrinavam ao santuário.

Demorou até 2012 para que o milagre fosse reconhecido, cumpridas todas as rígidas etapas de estudos médicos e científicos e, por último, de análise por parte da Igreja.

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