A ofensiva de críticas e calúnias forçou a criação de um setor médico para apurar a autenticidade das curas sobre bases estritamente científicas.

Para cortar o passo às más interpretações iniciais, em 28 de julho de 1858 — ou seja, doze dias após a última aparição — o bispo diocesano, D. Laurence, nomeou uma “comissão encarregada de constatar a autenticidade e a natureza dos fatos que têm acontecido… numa gruta no oeste da cidade de Lourdes”.

Foi o ponto de partida do atual Bureau Médico de Lourdes.

Com ele, o espírito naturalista e de orgulho revolucionário haveria de sofrer outro revés.

Pois o Bureau passou a constatar, com base em critérios muito rígidos, que o inexplicável naturalmente — o milagre — acontece para aqueles que apelam à graça da Virgem Santíssima, que esmaga sob seus pés o pai de todas as revoltas, Satanás.

O atual Bureau Médico de Lourdes apura, apenas do ponto de vista médico, se as curas alegadas pelos fiéis são explicáveis ou não pela ciência.

Se não o são, o Bureau encaminha a conclusão do inquérito ao Bispo da diocese do miraculado.

O Prelado então decide se reconhece oficialmente ou não o milagre.

As atribuições estão muito claramente definidas. O Bureau se pronuncia apenas do ponto de vista médico, jamais do ponto de vista religioso-sobrenatural. Por isso, não fala em milagre, mas em cura inexplicável pela ciência.

Por sua vez, os Bispos não se pronunciam do ponto vista médico. Eles apenas proclamam que houve milagre, quando julgam isso oportuno.

Portanto, a constatação pelo Bureau, de cura que vai além de quanto a medicina conhece, é o primeiro e indispensável passo para o reconhecimento oficial do milagre.

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O milagre mais recente foi reconhecido em 2018

Confira o mais recente dos 70 milagres confirmados em Lourdes – entre milhares de alegações de milagres que a Igreja descartou por constatar que eram curas cientificamente explicáveis. O milagre número 70 foi oficialmente divulgado em fevereiro de 2018, após nada menos que 10 anos de estudos e avaliações:

Dom Jacques Benoit-Gonnin, bispo de Beauvais, na França, anunciou oficialmente o reconhecimento do 70º milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes.

Trata-se da cura milagrosa da irmã Bernadette Moriau, uma religiosa que atualmente tem 79 anos de idade. Ela não conseguia andar sem ajuda e peregrinou ao santuário mariano em 2008. Após anos de avaliações e estudos por parte de médicos, cientistas e autoridades católicas responsáveis pela análise de supostos milagres, a confirmação de que esta cura é cientificamente inexplicável foi tornada pública de modo oficial neste domingo, 11 de fevereiro, dia em que a Igreja celebra Nossa Senhora de Lourdes e o Dia Mundial dos Enfermos.

A religiosa, que pertence à congregação das Franciscanas Oblatas do Sagrado Coração de Jesus, sofria de um tipo de estenose espinhal que afeta o conjunto de nervos localizado ao final da medula espinhal. A doença, que é conhecida como “síndrome da cauda equina”, afetava a irmã Bernadette desde o final dos anos 1960.

Em vídeo postado no YouTube, a religiosa relata:

“Em fevereiro de 2008, o meu médico me convidou a fazer uma peregrinação diocesana de 3 a 7 de julho (…) Eu nunca tinha estado em Lourdes. Quando estava doente, visitei o santuário com a alegria de todos os peregrinos, porque naquele ano celebramos os 150º aniversário das aparições de Nossa Senhora. Na gruta, eu senti a presença misteriosa de Maria e da pequena Bernadette (…) Não pedi a cura, mas a conversão do coração e a força para seguir o meu caminho”.

Quatro dias depois de terminar a peregrinação a Lourdes, a freira teve “uma sensação de calor e uma melhora em todo o meu ser. Eu me senti bem”. A experiência aconteceu durante a adoração ao Santíssimo Sacramento, em sua comunidade religiosa.

O bispo de Beauvais explicou, em comunicado oficial, que, naquele mesmo dia, quando a irmã Bernadette acabou a oração e voltou para o quarto, deixou de lado todos os equipamentos e começou a andar imediatamente, sem ajuda e com total autonomia. “As irmãs testemunharam este acontecimento“.

Depois de consultar seu médico, a religiosa procurou a Comissão Médica Internacional de Lourdes, que, conforme o protocolo adotado para todos os casos de supostos milagres de cura ocorridos no santuário, passou a realizar uma série de testes, estudos e exames que duraram 8 anos. Em sua assembleia de 18 e 19 de novembro de 2016, a comissão apresentou a conclusão de que a cura da religiosa é “inexplicável no estado atual dos nossos conhecimentos científicos”.

O bispo relatou que foi oficialmente informado sobre os estudos da comissão médica em fevereiro de 2017, quando deu prosseguimento ao minucioso protocolo da Igreja para as avaliações de milagres desse tipo, submetendo aqueles estudos à consideração de uma comissão diocesana. Após essa análise e as oportunas reflexões sobre as conclusões médicas e a relação entre a cura e a peregrinação realizada pela irmã Bernadette a Lourdes, dom Jacques reconheceu o caráter milagroso da cura “como um sinal dado por Deus através da intercessão de Nossa Senhora de Lourdes“.

O bispo, que não conhecia a religiosa antes da cura inexplicável, se declarou feliz com o milagre, comentando:

Poder expressar conscientemente que Deus interveio é algo que me supera. De fato, para a Igreja, um milagre é uma ação de Deus que diz algo sobre Ele e o seu desígnio para a humanidade. Muitas vezes o milagre é realizado através da intercessão de um santo que é invocado. Neste caso, Deus age através da intercessão da Virgem Maria, venerada em Lourdes“.

Luis Dufaur

Testemunho da miraculada (em Francês)

Alguns dos sofrimentos de Nosso Senhor estampados no Santo Sudário

  • Cinquenta perfurações na fronte, na testa e na nuca foram produzidas pela Coroa de espinhos. Galhos espinhosos muito duros foram grosseiramente trançados, amarrados sobre a cabeça por um punhado de juncos torcidos, e fincados por violentos golpes de porrete.
  • A divina Face está inchada pelas contusões devido às bofetadas, aos socos, aos golpes de bastões e às quedas; o nariz está fraturado: a cartilagem se descolou do osso (o qual não se quebrou); a fronte está contundida; a sobrancelha esquerda, o lábio superior e as maçãs do rosto estão tumefatos.
  • No Corpo martirizado de Nosso Divino Redentor podem contar-se pelo menos 120 golpes de açoite.
  • Os flageladores eram dois, um de cada lado. Nosso Senhor estava amarrado a uma coluna e foi flagelado no Corpo inteiro.
  • O flagelo romano era composto de duas ou três correias de couro que terminavam em pequenos ossos de pontas agudas ou em pequenas travas de chumbo com duas bolas nas extremidades.
  • O ombro direito e o omoplata esquerdo estão machucados pelo peso da Cruz *, que rolando e esfregando-se na carne viva, durante a subida ao Calvário, reabriu, afundou e alargou as feridas da flagelação, até constituir uma só chaga sangrenta.
  • O peito muito saliente denota a terrível asfixia suportada durante as três horas de agonia, e que acabou causando a morte.
  • As feridas dos cravos estão nos pulsos e não nas palmas das mãos.
  • Ao perfurar o pulso, o prego secciona em parte o nervo mediano, causando dores que normalmente fariam desmaiar a vítima, e contrai o polegar para o interior da palma da mão.
  • Os dois joelhos estão chagados devido às quedas durante a subida do Calvário.
  • Um só prego foi suficiente para fixar os pés sobre o madeiro da Cruz; os joelhos foram levemente dobrados, o pé direito aplicado sobre a Cruz e o esquerdo sobre ele.
  • O golpe de lança produziu no sagrado lado uma larga ferida que ficou aberta, pois Nosso Senhor já estava morto. Dela manou sangue em abundância, vindo da aurícula direita do Coração e água da cavidade pleural.
  • Nota: Segundo os estudos feitos por médicos desde Barbet em 1933 até hoje, e confirmados pelos estudos científicos de 1978 realizados pela equipe norte-americana, os condenados à cruz eram obrigados a carregar não a cruz inteira, mas a trave transversal, ou “patibulum”. Esta era encaixada na parte vertical, ou “stipes”, que ficava já fixada no local das execuções. Isso veio confirmar as afirmações feitas por arqueólogos e exegetas de que Nosso Senhor carregou o “patibulum”, a parte transversal, cujo peso foi avaliado em 50 kg. aproximadamente. 

Digitalização de página da Revista Catolicismo

Afirmar que o cristianismo persiste por dois mil anos, alicerçado exclusivamente na coluna da fé, é na melhor das hipóteses ignorância; na pior, desonestidade intelectual. E infelizmente, desconhecimento e improbidade estão em voga na desconstrução do cristianismo, por exemplo: toda pessoa minimamente informada, sabe que existe uma gigantesca probabilidade do universo ter surgido de um evento denominado Big Bang, mas poucas apreendem que antes deste evento não havia matéria, espaço e tempo, ou que tal teoria foi proposta por um padre jesuíta, doutor em astrofísica e amigo de Albert Einstein (1879 – 1955), Pe. Georges Lemaître (1894 – 1966).

Sendo altamente aceitável que a natureza (matéria, espaço e tempo) surgiram do nada [1], similarmente ao que está narrado em Gênesis, não é razoável considerar a hipótese de que o Big Bang possa ter sido gerado por algo incorpóreo, atemporal e não causado, portanto, que transcenda a natureza?

No livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, os autores Norman Geisler e Frank Turek demonstram que além da cosmologia, diversos outros abundantes fatores apontam claramente para a existência do Deus Cristão. Como acima foi sumarizado o conceito cosmológico, leia abaixo alguns parágrafos do capítulo que destrói o darwinismo:

Johnny, com 16 anos de idade, desceu de seu quarto e correu para a cozinha atrás de uma tigela de seu cereal favorito: Alpha Bits, aqueles flocos de cereal com o formato de letras do alfabeto. Quando chegou à mesa, foi surpreendido por ver que a caixa do cereal estava aberta, o conteúdo fora derramado e as letras formavam a mensagem LEVE O LIXO PARA FORA — MAMÃE em sua tigela.

Lembrando-se de uma recente aula de biologia do ensino médio, Johnny não atribuiu a mensagem à sua mãe. Além do mais, ele aprendeu que a vida em si é meramente um produto do acaso, das leis naturais. Se era esse o caso, pensou Johnny, por que não seria possível que uma simples mensagem como “Leve o lixo para fora — Mamãe” não fosse o produto do acaso e das leis naturais? Talvez o gato tivesse derrubado a caixa ou um terremoto tivesse chacoalhado a casa. Não fazia sentido chegar a qualquer conclusão. Johnny não queria levar o lixo para fora de jeito nenhum. Ele não tinha tempo para as tarefas da casa. Estava em suas férias de verão e queria ir para a praia. Mary estaria lá.

Uma vez que Mary era a garota de quem Scott também gostava, Johnny queria chegar à praia mais cedo para surpreender Scott. Mas quando Johnny chegou, viu Mary e Scott caminhando de mãos dadas pela praia. Enquanto os seguia a distância, olhou para baixo e viu um coração desenhado na areia com as palavras “Mary ama Scott” rabiscadas no meio. Por um momento, Johnny sentiu seu coração afundar. Mas as lembranças de sua aula de biologia o resgataram do desespero profundo.

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É desonestidade ou cegueira proposital sugerir que mensagens como “Leve o lixo para fora — Mamãe” e “Mary ama Scott” são obras de leis naturais. Contudo, essas conclusões são perfeitamente compatíveis com os princípios ensinados na maioria das aulas de biologia do nível médio e das universidades hoje em dia. É nesses lugares que os biólogos naturalistas afirmam dogmaticamente que mensagens muito mais complicadas são produtos de leis naturais. Eles fazem essa afirmação na tentativa de explicar a origem da vida.

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Desde a década de 1950, o avanço da tecnologia tem capacitado os cientistas a descobrirem um pequeno mundo de impressionante projeto e espantosa complexidade. Ao mesmo tempo que os nossos telescópios estão vendo muito mais longe no espaço, nossos microscópios estão olhando cada vez mais fundo nos componentes da vida. Enquanto as nossas observações espaciais estão se rendendo ao princípio antrópico da física, nossas observações da vida estão cedendo ao impressionante princípio antrópico da biologia.

Para demonstrar o que queremos dizer, vamos considerar a assim chamada vida “simples” — um animal unicelular conhecido como ameba. Os naturalistas evolucionistas afirmam que essa ameba unicelular (ou alguma coisa semelhante a ela) se formou por meio de geração espontânea (sem intervenção inteligente) num pequeno lago aquecido em algum lugar da Terra, quando ela ainda estava em seus primórdios. De acordo com a teoria, toda a vida biológica evoluiu baseando-se nessa ameba inicial, sem nenhum tipo de orientação inteligente. Naturalmente, esta é a teoria da macroevolução: do infantil para o réptil e do réptil para o gentio; ou do angu até tu, passando pelo zoológico.

Aqueles que acreditam nessa teoria da origem da vida são chamados de muitos nomes: naturalistas, evolucionistas, materialistas, humanistas, ateus ou darwinistas. Independentemente da maneira pela qual chamamos aqueles que acreditam nessa teoria, o ponto principal para nós é este: “Sua teoria é verdadeira?”. Parece-nos que não.

Esqueça as afirmações darwinistas de que os homens descendem dos macacos ou que os pássaros evoluíram dos répteis. O problema principal para os darwinistas não é explicar de que maneira todas as formas de vida estão relacionadas (embora, isso ainda é um grande problema). O problema principal para os darwinistas é explicar a origem da primeira vida. Para que a macroevolução naturalista seja verdade, a primeira vida precisa ter sido gerada espontaneamente com base em elementos químicos inanimados. Infelizmente, para os darwinistas, a primeira vida — na verdade, qualquer forma de vida — não é de forma alguma “simples”. Isso ficou muitíssimo claro em 1953, quando James Watson e Francis Crick descobriram o DNA, a química que codifica instruções para a construção e a replicação de todas as coisas vivas.

Figura 1

O DNA tem uma estrutura em forma de hélice que se parece com uma escada torcida. Os lados da escada são formados por desoxirribose e fosfato, e os degraus da escada consistem em ordens específicas de quatro bases de nitrogênio. Essas bases de nitrogênio recebem o nome de adenina, timina, citosina e guanina, comumente representadas respectivamente pelas letras A, T, C e G [figura 1]. Essas letras compõem o que é conhecido como o alfabeto genético de quatro letras. Esse alfabeto é idêntico ao alfabeto ocidental em termos de sua habilidade de comunicar uma mensagem, exceto pelo fato de que o alfabeto genético tem apenas quatro letras, em vez das 26 que conhecemos no alfabeto ocidental. Assim como uma ordem específica das letras numa frase transmite uma mensagem singular, a ordem específica de A, T, C e G dentro de uma célula viva determina uma composição genética singular daquela entidade viva. Outro nome para essa mensagem ou informação, quer esteja numa frase quer no DNA, é “complexidade específica”. Em outras palavras, ela não é apenas complexa, mas também contém uma mensagem específica.

A incrível complexidade específica da vida torna-se óbvia quando alguém considera a mensagem encontrada no DNA de uma pequena ameba unicelular (uma criatura tão pequena que centenas delas poderiam ser colocadas uma ao lado da outra num espaço de 1 centímetro). Richard Dawkins, cientista darwinista convicto e professor de zoologia na Universidade de Oxford, admite que a mensagem encontrada apenas no núcleo de uma pequena ameba é maior do que os 30 volumes combinados da Enciclopédia Britânica, e a ameba inteira tem tanta informação em seu DNA quanto mil conjuntos completos da mesma enciclopédia! Em outras palavras, se você fosse ler todos os A, T, C e G na “injustamente chamada ameba ‘primitiva” (como Darwin a descreve), as letras encheriam mil conjuntos completos de uma enciclopédia!

Precisamos enfatizar que essas mil enciclopédias não consistem em letras aleatórias, mas em letras numa ordem muito específica — tal como as enciclopédias reais. Portanto, aqui está a principal pergunta para os darwinistas como Dawkins: mensagens simples como “Leve o lixo para fora — Mamãe”, “Mary ama Scott” e “Beba Coca-Cola” exigem um ser inteligente, então por que a mensagem dessas mil enciclopédias não exigiria um também?

Obviamente, a obra de Geisler e Turek não tem a presunção de permutar fé por ciências, mas os autores selam o conceito proferido por Albert Einstein: A ciência sem a religião é aleijada; a religião sem a ciência é cega”.

E, como o crivo científico é limitado [2], capítulos que visam provar a divindade de Jesus Cristo, como o nono (“Possuímos testemunho antigo sobre Jesus?”), utilizam critérios investigativos frequentemente utilizados por historiadores.

Enfim, qualquer virtuoso ateísta que leia este livro precisará ter mais fé que a maioria dos cristãos para manter-se em sua cosmovisão, do contrário, ao ser questionado sobre a existência de Deus, responderá como Henry Millero problema não é se eu acredito em Deus, mas se Deus acredita em mim.

Escrito por Eric M. Rabello.

Via Culturateca

Notas:

  1. Até mesmo renomados ateus, como o astrofísico Lawrence Krauss, assumem que o universo surgiu do nadaRetornar
  2. Além do exemplo incorporado no parágrafo que referencia esta nota, outros limiares são intransponíveis para as ciências. Algumas conjunturas clássicas são: a matemática e a lógica são pressupostas pelas ciências, portanto, não são passíveis de provas; a estética não é avaliável cientificamente (a beleza de um quadro não pode ser provada pelas ciências, – formosas combinações entre cores e formas apenas geram protótipos ou plágios); a ética foge do domínio científico (é impossível comprovar cientificamente que os nazistas estavam errados); por fim, a própria crença de que o método cientifico descobre a verdade não pode ser comprovada cientificamente. 

O físico e matemático belga, que combinou ciência e fé em seus trabalhos, foi o primeiro a falar da origem do universo em expansão e com um passado infinito

O cientista e sacerdote católico belga Georges Lemaître com grande humildade foi capaz de corrigir o próprio Albert Einstein. Estamos falando do padre da Teoria do Big Bang, que tentou demonstrar a origem do universo.

Sem renunciar à sua fé católica, Lemaître falou de um passado infinito do universo, mas que não entrava em contradição com sua crença em um Deus criador do mundo, já que tanto Aristóteles quanto São Tomás de Aquino mostraram que a criação de um universo não precisaria de um começo no tempo.

Sua precocidade para a ciência, destacando-se em matemática e física, era paralela à sua vocação, já que aos 9 anos ele decidiu que seria sacerdote. Ele alcançou sucesso em ambos os âmbitos graças ao conselho de seu pai para que primeiro estudasse e depois fosse ordenado padre. Ele conseguiu bolsas de estudo, viajou pelo mundo e obteve reconhecimento, mas sua humildade permitiu que as honras e fama de suas descobertas e contribuições para a astronomia e astrofísica fossem creditadas a outros.
Talvez a definição mais precisa de Lemaître e suas descobertas tenha sido dada pelo próprio Albert Einstein, ao escutá-lo em uma conferência na Califórnia. Em pé, ele afirmou que a teoria da origem do universo “é a mais bela e satisfatória explicação da Criação que em algum momento eu tenha escutado”.

Georges Henri Joseph Édouard Lemaître nasceu em 17 de julho de 1894, na localidade belga de Charleroi. Ele era o mais velho entre os quatro irmãos e desde muito cedo mostrou sua precocidade em matemática e física, mas também em sua vocação pessoal, anunciando a seus pais, aos nove anos de idade, que queria ser padre.

Encorajado por seu pai, Georges Lemaître decidiu estudar primeiro, antes de entrar no seminário, e matriculou-se na Escola Superior Jesuíta do Sagrado Coração, em Charleroi, onde destacou-se em química, física e matemática. Em 1910, seu pai conseguiu um novo emprego e mudou-se com a família para Bruxelas. O jovem Lemaître, já com 16 anos, matriculou-se em outra escola jesuíta, o Colégio Saint Michel, onde seus professores descobriram suas habilidades excepcionais em matemática e física.

Embora ainda gostasse da ideia de se tornar padre, Georges decidiu estudar engenharia em vez de teologia. Em 1911 ingressou na Universidade Católica de Lovaina para fazer o curso de engenharia. Em julho de 1913, obteve o diploma e começou a trabalhar como engenheiro de minas.

A Primeira Guerra Mundial forçou-o a parar seus estudos e servir como voluntário no exército belga, alcançando o posto de Primeiro-Sargento. Por sua bravura, foi condecorado com a medalha da Cruz de Guerra, além de ter sido expulso de uma missão após ter dito ao instrutor que seus cálculos balísticos estavam errados. No entanto, as atrocidades vistas na guerra amplificaram sua vocação sacerdotal. Algum colega de aula viria a recordar posteriormente que sua vocação de fé e da ciência se mantinham em tamanha sincronia que ele era visto por aí lendo o livro de Gênesis da Bíblia da mesma maneira que lia artigos de equações de físicos franceses.

Retomou seus estudos e em 1920, aos 26 anos, foi premiado com a mais alta distinção, um doutorado em Ciências Matemáticas por sua tese ‘A aproximação de funções reais de várias variáveis’. Georges Lemaître também obteve um bacharelado em filosofia baseado no sacerdote italiano do século XIII, São Tomás de Aquino.

Seu passo seguinte foi dar início à sua caminhada para tornar-se padre, ao ingressar naCasa de Saint Rombaut, em outubro de 1920. Seus professores, notando seu interesse contínuo em matemática e física, sugeriram que ele estudasse o trabalho de Albert Einstein. Lemaître assim o fez, aprendendo sobre o cálculo do tensor e a relatividade geral dos livros escritos pelo famoso astrônomo matemático Arthur Eddington.

Em 1922, Lemaître apresentou a tese ‘A Física de Einstein’, que rendeu-lhe uma bolsa de estudos do governo belga e a possibilidade de ir para a Universidade de Cambridge (Inglaterra), como pesquisador de astronomia. Quase em paralelo, foi ordenado sacerdote em setembro de 1923, aos 29 anos. No entanto, ao invés de exercer como padre em uma paróquia ou colégio, Lemaître utilizou a bolsa para estudar a teoria da relatividade geral e trabalhar pessoalmente com Eddington, que sugeriu a Lemaître que começasse a trabalhar em um doutorado sobre o universo.

Eddington pediu a Lemaitre que aplicasse as regras da relatividade geral ao conteúdo de seu trabalho para ver quais seriam os resultados. Lemaître descobriu duas soluções para o problema de Eddington: a primeira consistia em uma proposta feita por Einstein, em 1917, de um universo fechado, estável e estático, cuja densidade de energia em massa fosse constante; a segunda estava relacionada com a proposta de Willem de Sitter, também em 1917, de um universo cujo comportamento em grande escala fosse dominado pela constante cosmológica (a densidade de energia do espaço vazio).

Georges Lemaître cruzou o Atlântico para conduzir pesquisas na Universidade de Harvard e também matriculou-se como aluno para um doutorado em Física no MIT(Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Durante sua estada nos Estados Unidos, viajou muito e conheceu os mais importantes astrônomos e físicos do país, incluindoForest Ray Moulton, William Duncan MacMillan, Vesto Slipher, Edwin Hubble e Robert Millikan.

Georges retornou à Bélgica no verão de 1925 e, apoiado e recomendado por Eddington, foi nomeado professor associado de matemática na Universidade Católica de Lovaina. Em 1927, defendeu sua tese no MIT: ‘O campo gravitacional em uma esfera fluida de densidade invariante uniforme, segundo a teoria da relatividade’.

Neste novo papel de pesquisador e divulgador, Georges Lemaître realizou a derivação do que hoje é conhecida como a Lei de Hubble, que relata a velocidade com que uma galáxia se afasta e a sua distância. A famosa Conferência Solvay de 1927 contou com a presença da maioria dos principais físicos. Einstein também participou e falou com Lemaître, dizendo-lhe que suas ideias já haviam sido apresentadas por Friedmann, em 1922. Além disso, disse-lhe que, por mais que acreditasse que suas soluções para as equações da relatividade geral estivessem matematicamente corretas, traziam soluções que não eram fisicamente possíveis. Especificamente, Einstein disse-lhe: “Seus cálculos estão corretos, mas sua compreensão da física é abominável”.

Einstein não estava sozinho ao achar as ideias de Lemaître inaceitáveis. Pelo contrário, essa era a opinião de quase todos os cientistas. No entanto, em 1929, Hubble publicou um trabalho que apresentava grandes evidências de um universo em expansão, contradizendo a teoria de um universo estático, até então aceita.

Eddington e outros membros da Real Sociedade Astronômica (Royal Astronomical Society) começaram a trabalhar para tentar resolver o problema originado pela discrepância entre a teoria e a observação, com uma parte da teoria de Lemaître que os cientistas – incluindo Eddington – acharam impossível de aceitar: como foi que o universo teve um começo em um tempo finito no passado, da mesma forma que a religião católica defende no livro de Gênesis?

Lemaître respondeu às objeções a sua teoria em um documento publicado na revista Nature, em maio de 1931. “Se o mundo começou com um único quantum, as noções de espaço e tempo não teriam nenhum significado no princípio; só começariam a ter algum significado sensato quando o quantum original fosse dividido em um número suficiente de quanta. Se esta sugestão estiver correta, o começo do mundo aconteceu um pouco antes do começo do espaço e do tempo”. Em realidade, Lemaître sempre expressou que era importante manter uma separação entre as idéias científicas e as crenças religiosas sobre a criação.

Esta foi a primeira formulação explícita da Teoria do Big Bang, atualmente aceita e que naquele momento também era aceita pela maioria dos cientistas e a qual Georges chamou de “hipótese do átomo primordial”. Em 1933, Einstein e Lemaître disponibilizaram-se a ministrar uma série de conferências na Califórnia. Depois de ouvir Lemaître explicar sua teoria em um desses seminários, Einstein levantou-se e disse: “Esta é a mais bela e satisfatória explicação da Criação que em algum momento eu tenha escutado”.

As ideias de Georges Lemaître chegaram à imprensa popular, que o descreveu como o principal líder do momento. Um artigo no ‘New York Times’ mostrou uma foto dele e Einstein com a legenda: “Eles têm um profundo respeito e admiração um pelo outro”. E é o fato de que Lemaître tenha sido tanto um cientista quanto um padre católico que gerou certo fascínio na imprensa popular, até o ponto em que um jornalista escreveu acerca dele: “Não há conflito entre religião e ciência, repete Lemaître diversas vezes… Seu ponto de vista é interessante e importante não apenas porque ele é um padre católico ou um dos principais matemáticos e físicos de nosso tempo, mas porque ele é ambos”.

O maior opositor das hipóteses de Lemaître foi o astrônomo inglês Fred Hoyle, um dos arquitetos do modelo Estacionário. Na verdade, foi ele quem deu seu nome à teoria do Big Bang em uma entrevista de rádio para a BBC e o fez de maneira depreciativa.

Para o sacerdote belga Georges Lemaître, a história do universo divide-se em três períodos: o primeiro é chamado de “a explosão do átomo primitivo”, segundo o qual há cinco bilhões de anos existia um núcleo de matéria hiperdensa e instável que explodiu sob a forma de super-radioatividade. Esta explosão propagou-se durante um bilhão de anos e os astrônomos percebem até hoje seus efeitos sobre os raios cósmicos e as emissões X.

Depois vem o período de equilíbrio ou o universo estático de Einstein. Ele afirma que, após a explosão, estabelece-se um equilíbrio entre as forças de repulsão cósmicas na origem do acontecimento e as forças de gravitação. É durante esta fase de equilíbrio – que dura dois bilhões de anos – que se formam nós que dão origem às estrelas e galáxias.

Finalmente, acontecem os períodos de expansão, iniciados há 2 bilhões de anos, que demonstrariam que o universo está se expandindo a uma velocidade de 170 quilômetros por segundo de maneira indefinida.

Em 1948, George Gamov propôs uma nova descrição do começo do universo. E, embora ele seja considerado atualmente como o pai da teoria do Big Bang, as linhas mestras já estavam presentes de uma maneira muito clara na cosmologia de Lemaître.

O renomado padre belga obteve vários cargos na Pontifícia Academia das Ciências, sendo assessor pessoal do papa Pio XII e presidente da mesma em 1960. Em 1979, durante o discurso do Papa São João Paulo II à Pontifícia Academia das Ciências, por ocasião da comemoração do nascimento de Albert Einstein, ele citou algumas palavras de Lemaître sobre a relação entre a Igreja e a ciência:

“Por acaso a Igreja poderia ter necessidade de ciência? Não: a cruz e o Evangelho lhe bastam. Mas nada que seja humano é alheio ao cristianismo. Como poderia a Igreja se desinteressar na mais nobre das ocupações estritamente humanas: a investigação da verdade?”

Ao fim da sua vida, Georges Lemaître dedicou-se cada vez mais aos cálculos numéricos. Seu interesse pelos incipientes computadores e pela informática acabou por fasciná-lo completamente.

Ele morreu na cidade belga de Lovaina, em 20 de junho de 1966, aos 71 anos, dois anos depois de ter escutado a notícia da descoberta da radiação cósmica de fundo de microondas cósmicas, que era a prova definitiva de sua teoria astronômica fundamental do Big Bang.

O nome em uma cratera na Lua e em um veículo espacial da Agência Espacial Europeia (a ATV5), que nem sequer existe mais, são dois reconhecimentos quase insignificantes para a estatura humana e sua contribuição para a compreensão da origem do universoque nos acolhe.

Fonte: El País

De Federico Piana e Jackson Erpen para o Vatican News

A notícia girou o mundo. Metade das manchas de sangue impressas no sudário não seria compatível com a postura de um homem crucificado e outras nem sequer encontrariam resposta de posição quer na cruz como no túmulo.

Aparentemente ‘uma bomba’, com um pedigree respeitável: a assinatura da Universidade de Liverpool, que publicou o estudo no Journal of Forensic Sciences. Os dois pesquisadores autores do trabalho, Matteo Borrini da mesma universidade e Luigi Garlaschelli, do Comitê Italiano para o Controle de pseudociências, tentaram simular a perda de sangue de um manequim colocado sobre uma toalha: os resultados não deram a mesma evidência do Sudário. A esse ponto, as manchetes da mídia em todo o mundo não hesitaram em afirmar: metade das manchas de sangue não são verdadeiras.

Investigação não crível: não há rigor científico

Chegando aos ouvidos da professora Emanuela Marinelli, estudiosa do Sudário de renome mundial, a ‘bomba’ não a fez saltar da cadeira, antes pelo contrário. Ao telefone, não parece abalada, mas questionada sim. “Você leu o resumo da pesquisa? Não há nada de científico.

Mas parece a você um critério científico pegar um manequim desses utilizados para expor roupas em vitrines de uma loja e com uma esponja embebida em sangue artificial fixada em um pedaço de madeira pressionar sobre o lado direito do boneco para ver onde caem os filetes de sangue?

Este material não tem o rigor científico de outras pesquisas como aquelas realizadas há quarenta anos sobre os cadáveres de homens mortos por hemopericárdio (presumivelmente como Jesus, ndr), posicionados verticalmente e pontos com um bisturi entre a quinta e a sexta costela, assim como fez com a lança o soldado romano. Provas que tiveram resultados diferentes dos de Borrini e Garlaschelli”, explica tudo de uma vez a professora.

Grupos ideológicos financiam pesquisas pseudocientíficas para dizer que o Sudário é falso

Então, alguém pode perguntar-se por que uma instituição do calibre da Universidade de Liverpool decidiu validar e publicar uma pesquisa que apresenta dúvidas em relação às metodologias fundamentais empregadas, capazes de minar sua credibilidade.

A resposta de Marinelli é espetacular. E abre a janela para um outro cenário, mais nebuloso:

para tentar valorizar a tese de que o  Sudário é falso, grupos ideológicos financiam, sem poupar esforços, pesquisas pré-concebidas, pré-construídas. “Basta pagar e as pesquisas são realizadas – explica Marinelli. E também há quem as publica para você. É inegável que por trás de algumas delas, se escondem grupos que querem fazer acreditar que o Sudário é uma falsidade histórica.

Um exemplo para todos: existe um belo documentário chamado “A Noite do Sudário”. Bem, este documentário nunca foi transmitido pela RAI, porque contém uma afirmação que talvez possa não agrada a alguém. E esta afirmação é representada por uma carta em papel timbrado da Cúria de Turim, que o cardeal Anastasio Ballestrero, na época custódio do Sudário, enviou ao seu consultor científico, o engenheiro Luigi Gonella, com a qual sustentava firmemente que em matéria de datação por carbono 14 (mais tarde refutada por várias pesquisas sucessivas, ndr), houve a mão da maçonaria que queria a todo custo provar que o Sudário era da época medieval”.

Em suma, há uma dificuldade em relação a um “verdadeiro Sudário da parte daqueles que querem negar não somente a Cristo, mas também a sua ressurreição”. Como dizia o cardeal Giacomo Biffi: para um católico, descobrir que o Sudário é falso, não muda nada. Tudo muda, no entanto, para um ateu. E talvez disto tenha medo quem procura a todo  custo demonstrar sua falsidade.

Custódio Pontifício do Sudário

Também o Custódio Pontifício do Sudário, Dom Cesare Nosiglia, ofereceu uma reflexão:

“No decorrer dos séculos, e com maior frequência nos últimos anos, existiram muitas tentativas de questionar a autenticidade do Sudário.

Tiveram seu momento de publicidade, com manchetes e artigos de jornais, que davam por válida sua pesquisa e suas conclusões, mas em muitos casos, demonstraram-se cientificamente duvidosas.

Os estudos e as pesquisas – quando conduzidas com critérios científicos e sem hipóteses pré-concebidas – estimulam um debate sereno e construtivo, confirmando o que afirmava São João Paulo II: “O Sudário é uma constante provocação para a ciência e a inteligência.”

Caberá também desta vez a outros cientistas e estudiosos promover um debate e eventualmente contestar no plano científico ou experimental a validade e solidez da pesquisa realizada. É, de qualquer forma, um debate que diz respeito aos estudiosos e cientistas que querem desafiar-se nesta empresa.

Acredito, todavia, que deve ser reiterado um princípio fundamental que deve guiar quem deseja tratar com método rigorosamente científico questões complexas como esta: é o princípio da neutralidade, porque se se parte de um preconceito e a pesquisa é orientada para demonstrá-lo, facilmente se chegará a confirmá-lo. Neste caso, não são mais os fatos que contam, mas as ideias pré-concebidas, frustrando assim aquela neutralidade própria da ciência em relação às convicções pessoais.

No entanto, tudo isso não afeta minimamente o significado espiritual e religioso do Sudário como um ícone da paixão e morte do Senhor, como o definiu o ensinamento dos Pontífices. Ninguém pode negar a evidência de que contemplar o Sudário é como ler as páginas do Evangelho que nos falam sobre a paixão e morte na cruz do Filho de Deus.

Portanto o Sudário, que mesmo não sendo objeto da fé, ajuda porém a própria fé, porque abre o coração daqueles que se aproximam dele e o contemplam, para se tornarem conscientes do que foi a paixão de Jesus na cruz e, portanto, daquele amor maior que Ele nos demostrou ao sofrer terrível violência física e moral pela salvação do mundo todo. Esta sempre foi e continua sendo a razão pela qual milhões e milhões de fiéis de todo o mundo veneram, rezam e contemplam o Sudário e dele obtém esperança para sua vida cotidiana”.

Centro Internacional de Sindonologia

Também pronunciou-se em mérito, o vice-diretor do Centro Internacional de Sindonologia de Turim, Prof. Paolo Di Lazzaro.

“O artigo publicado no Journal of forensic sciences refere-se aos experimentos realizados pelos professores Borini e Garlaschelli em 2014, sobre os quais já se havia discutido na época, com a integração de novas tentativas experimentais. Mesmo contendo vários elementos de interesse, acredito que as modalidades pelas quais esses experimentos foram conduzidos, exigiriam integrações e atenções específicas para serem considerados cientificamente válidas e com alguma autoridade.

As medições de dosagem de sangue no laboratório são realizadas usando um voluntário com boas condições de saúde, em cuja pele limpa o sangue foi derramado contendo um anticoagulante. Estas condições de contorno são muito diferentes daquelas contidas no Sudário. Não levam em consideração a presença na pele do homem do Sudário de poeira, sujeira, suor, hematomas da flagelação e tampouco a acentuada viscosidade do sangue devido à forte desidratação. Não é possível pensar em reproduzir condições realistas do gotejamento de sangue no corpo de um crucificado sem considerar todos esses fatores que afetam significativamente o caminho do sangue escorrendo”.

Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram ver mudanças nas estruturas neurais em áreas específicas do cérebro de pessoas que sofreram abuso infantil.

As dificuldades associadas ao abuso infantil incluem riscos acrescidos de transtornos psiquiátricos, como depressão, bem como altos níveis de impulsividade, agressividade, ansiedade, abuso mais frequente de substâncias e suicídio.

O abuso sexual infantil e não-aleatório afeta entre 5-15% de todas as crianças menores de 15 anos no mundo ocidental.

Pesquisadores do McGill Group for Suicide Studies, do Instituto de Saúde Mental de Douglas e do Departamento de Psiquiatria da Universidade McGill, publicaram pesquisas no American Journal of Psychiatry sugerindo que os efeitos duradouros das experiências traumáticas da infância, como o abuso sexual, podem ser devido a uma estrutura [cerebral] afetada e ao funcionamento das células no córtex cingulado anterior.

Esta é uma parte do cérebro que desempenha um papel importante na regulação das emoções e do humor. Os pesquisadores acreditam que essas mudanças podem contribuir para o surgimento de transtornos depressivos e comportamentos suicidas.

O isolamento das fibras nervosas se acumula durante as duas primeiras décadas de vida

Para a função ideal e a organização do cérebro, os sinais elétricos utilizados pelos neurônios podem precisar viajar em longas distâncias para se comunicar com células em outras regiões. Os axônios mais longos deste tipo geralmente são cobertos por um revestimento chamado mielina. As bainhas de mielina protegem os axônios e os ajudam a conduzir sinais elétricos de forma mais eficiente. O mieloma aumenta progressivamente (em um processo conhecido como mielinização), principalmente durante a infância, e depois continua a amadurecer até o início da idade adulta.

Estudos anteriores mostraram anormalidades significativas na substância branca no cérebro de pessoas que sofreram abuso infantil. (A matéria branca é constituída principalmente por bilhões de fibras nervosas mielinizadas e empilhadas juntas). Mas, como essas observações foram feitas observando os cérebros de pessoas vivas usando MRI, era impossível obter uma imagem clara das células e moléculas de matéria branca que foram afetados.

Para obter uma imagem mais clara das mudanças microscópicas que ocorrem nos cérebros de adultos que sofreram abuso infantil, graças à disponibilidade de amostras de cérebro do Banco de Cérebro de Douglas-Bell, no Canada (onde, além do cérebro, é necessário muitas informações sobre a vida de seus doadores), os pesquisadores conseguiram comparar amostras de cérebro pós-morte de três grupos diferentes de adultos: pessoas que haviam cometido suicídio, que sofriam de depressão e tinham história de abuso na infância (27 indivíduos); pessoas com depressão que se suicidaram, mas que não tinham história de serem abusadas quando crianças (25 indivíduos); e tecido cerebral de um terceiro grupo de pessoas que não tinham doenças psiquiátricas nem história de abuso infantil (26 pessoas).

A conectividade neural prejudicada pode afetar a regulação das emoções

Os pesquisadores descobriram que a espessura do revestimento de mielina de uma proporção significativa das fibras nervosas foi reduzida apenas nos cérebros daqueles que sofreram abuso infantil.

Eles também encontraram alterações moleculares subjacentes que afetam seletivamente as células que são responsáveis ​​pela geração e manutenção de mielina. Finalmente, eles encontraram aumentos nos diâmetros de alguns dos maiores axônios entre esse grupo, e especulam que, em conjunto, essas alterações podem alterar o acoplamento funcional entre o córtex cingulado e as estruturas subcorticais, como a amígdala e o núcleo accumbens (áreas do cérebro ligadas respectivamente a regulação emocional, a recompensa e satisfação) e contribuem para o processamento emocional alterado em pessoas que foram abusadas durante a infância.

Os pesquisadores concluem que a adversidade no início da vida pode interromper de forma duradoura uma série de funções neurais no córtex cingulado anterior. E enquanto eles ainda não sabem onde no cérebro e quando, durante o desenvolvimento, e como, em um nível molecular esses efeitos são suficientes para ter um impacto na regulação das emoções e o apego, eles agora estão planejando explorar isso em pesquisas futuras.

Comentário:

Esse estudo é de grande importância, pois sugere o que no âmbito do comportamento é observado pela psicologia. Sabemos claramente que o abuso infantil gera consequências psicológicas, afetando o comportamento da vítima, mas comprovar isso também através da alteração de microestruturas no cérebro reforça essa noção.

Vale ressaltar que o estudo constata também a plasticidade neuronal. Isto significa que tais alterações podem não ser definitivas. As emoções influenciam a formação das conexões cerebrais e como algo “fluido” pode ser afetado também no decorrer da vida.

Por: Bruno Geoffroy – Universidade McGill
Comentário: Will R. Filho

Pode haver um conflito entre a má ciência e a boa teologia, ou entre a má teologia e a boa ciência, mas é impossível haver um conflito entre a boa ciência e a boa teologia, pela simples razão de que Deus é o autor de ambas.

Uma pesquisa genética extremamente importante confirmou que o melhor da ciência é perfeitamente coerente com o melhor da teologia. Amas tem sua origem no criador.

Neste artigo do site http://www.phys.org, uma pesquisa genética abrangente revela novos aspectos da evolução, relata o autor Marlowe Hood sobre um estudo de cinco milhões de imagens instantâneas de genes — chamados de “códigos de barras do DNA” — que estão depositados no banco de dados do GenBank, que é gerenciado pelo governo dos EUA.

Esses códigos de barras de DNA foram retirados de cerca de 100.000 espécies de animais por pesquisadores de todo o mundo. Os resultados foram publicados na semana passada por Mark Stoeckle, da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, e David Thaler, da Universidade de Basel, na Suíça. 

Praticamente todos os seres vivos vieram a existir mais ou menos ao mesmo tempo“O resultado mais surpreendente do estudo, talvez, é que nove entre dez espécies na Terra hoje, inclusive os seres humanos, vieram a existir entre 100.000 e 200.000 anos atrás. Essa conclusão é muito surpreendente, e eu lutei contra ela o mais que pude,” disse Thaler à AFP.

Essa reação é compreensível: Como alguém explica o fato de que 90% da vida animal, geneticamente falando, é mais ou menos da mesma idade?

“Surpreendente,” realmente. Mais como vulcanicamente explosivo. E a questão é absolutamente profunda: como a evolução pode ser verdadeira quando a evidência científica, baseada nas melhores pesquisas genéticas, revela que todos os seres vivos vieram à existência mais ou menos ao mesmo tempo?

Se esse estudo é válido, a evolução não pode ser verdade, porque a evolução procura nos convencer de que todos os seres vivos vieram a existir através de um processo tedioso que levou milhões e milhões de anos e consistiu de pequenos avanços incrementais na vida animal produzidos por mutações genéticas benéficas que são praticamente desconhecidas no mundo natural.

Os pesquisadores estão aos tropeços tentando encontrar uma explicação evolucionária remotamente plausível para o surpreendente fato de que todos os seres vivos têm a mesma idade. Os vírus, as eras glaciais, os novos competidores e a perda de fontes de alimentos são todos apresentados, de modo hábil, mas pouco convincente, para dar uma cobertura darwiniana a uma teoria que é, de modo óbvio, fatalmente falha.

Eis está a citação de proporções sísmicas: “Ao analisar os códigos de barras em 100.000 espécies, os pesquisadores descobriram um sinal revelador de que quase todos os animais surgiram mais ou menos na mesma época que os seres humanos.”

Como realmente explicamos o fato de que toda vida animal é da mesma idade?

O estudo revela outra descoberta chocante, que também é fatal para a teoria da evolução. Embora a evolução darwinista exija um número incontável de formas transicionais, formas que estão em algum lugar entre uma forma de vida e outra, o registro fóssil não possui fósseis transicionais para os quais uma posição confiável possa ser justificada, nem um só.

O próprio Darwin reconheceu o problema dos elos perdidos em sua própria época, e acreditava otimistamente que o tempo resolveria esse problema — ele imaginou que, à medida que mais e mais fósseis fossem descobertos, finalmente seriam encontrados elos perdidos. Infelizmente para Darwin, a verdade é que temos menos elos hoje do que na época dele, já que os avanços da ciência têm revelado que as formas outrora consideradas de transição não são de forma alguma formas de transição.

Como Stephen Jay Gould, um dos mais proeminentes paleontólogos do mundo, disse: “A extrema raridade das formas de transição no registro fóssil persiste como o segredo comercial da paleontologia.”

Isso prepara o terreno para a segunda citação absolutamente revolucionária do artigo. “E ainda — outra descoberta inesperada do estudo — espécies têm limites genéticos muito claros, e não há nada de interessante no espaço intermediário.” Em outras palavras, a razão pela qual nenhuma forma de transição foi encontrada é bem simples: não há nenhuma.

Existem limites genéticos fixos entre uma forma de vida e outra e entre uma espécie e outra, e absolutamente nenhuma evidência genética de quaisquer supostos “elos perdidos.”

 

Julio Severo , via  BarbWire: The Truth Prevails: Science Confirms Genesis AGAIN

 “Nós encontramos a marca de um selo do século VIII a.C. que deve ter sido feita pelo próprio profeta Isaías a apenas três metros de onde havíamos descoberto uma impressão de selo do rei Ezequias de Judá”

O profeta Isaías é um dos maiores profetas do Antigo Testamento. O nome Isaías significa “Deus ajuda” ou “Deus é auxílio” e viveu entre 765 a.C. e 681 a.C.

Numa visão do trono de Deus no Templo rodeado de serafins, um anjo lhe purificou os lábios com brasas ardentes enquanto a voz de Deus lhe ordenava levar Sua mensagem ao povo.

Em seu livro, incluído na Bíblia, Isaías é o profeta que mais fala sobre o Messias prometido, Nosso Senhor Jesus Cristo, descrevendo-o como “servo sofredor” que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com justiça.

O capítulo 53 profetiza nossa Redenção pelo Messias:

“Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”. (Is 53:5)

Ele também profetizou que Nosso Senhor nasceria de Maria Virgem:

“o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco [Emanuel]” (Is 7,14).

No Novo Testamento há centenas de citações ou referências às suas predições, fato reconhecido até por não católicos:

“O Livro de Isaías contém muitas referências diretas e indiretas ao Messias, chamando-O de ‘Renovo do Senhor’” (Is 4.2), “rebento do tronco de Jessé” (Is 11.1), “meu servo [de Deus]” (Is 42.1), e “o meu escolhido [de Deus], em quem a minha alma se compraz” (Is 42.1).

“A Palavra declara que Ele é o herdeiro por direito ao trono de Davi (Is 9.7; cf. Lc 1.32-33) e diz que Ele autenticará Seu papel como Messias ao curar os cegos, os surdos e os aleijados (Is 29.18; Is 35.5-6; cf. Mt 11.3-5; Lc 7.22).

“Ele também estabelecerá a Nova Aliança (Is 55.3-4; cf. Lc 22.20) e um dia estabelecerá um Reino Messiânico sobre o qual reinará e no qual será adorado (Is 9.7; Is 66.22-23; cf. Lc 1.32-33; Lc 22.18,29-30; Jo 18.36)”. (apud O Evangelho Segundo Isaías”)

Ele viveu no reino de Judá entre os séculos VIII e VII a.C., durante os reinados de Ozias, Jotão, Acaz e Ezequias. Também participou na defesa de Jerusalém cercada pelo rei assírio Senaqueribe.
Mas, só até agora, comemorou Eilat Mazar, pesquisadora do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém:Mas, fora desta enorme contribuição registrada na Bíblia que constata documentalmente sua existência, não se tinha evidências arqueológicas, portanto materiais, da vida do profeta.

“Nós encontramos a marca de um selo do século VIII a.C. que deve ter sido feita pelo próprio profeta Isaías a apenas três metros de onde havíamos descoberto uma impressão de selo do rei Ezequias de Judá.”

A descoberta foi anunciada por Eliat em seu artigo “Esta é a assinatura do profeta Isaias?” (“Is This the Prophet Isaiah’s Signature?”) publicado na revista Biblical Archaeology Review.

O selo, ou mais propriamente “bula”, foi encontrado num sítio arqueológico em Ophel, área entre o Monte do Templo e a Cidade de Davi, usada na antiguidade como complexo residencial da família real em Jerusalém.

Os arqueólogos encontraram 34 pequenas peças de argila com impressões de “bulas”, com os nomes de seus donos.

Vista geral de Jerusalém com o campo arqueológico de Ophel, local do achado.

Os pedaços de argila tinham apenas um centímetro de diâmetro.

Entre as peças, uma traz o nome do rei Ezequias.

Mas o artefato mais interessante tinha a inscrição “Yesha’yah”, o nome de Isaías em hebraico antigo, acompanhado pelas letras “N”, “V” e “Y”, as três primeiras da palavra “profeta” em hebraico.

O nome de Isaías está claro, mas há discussão sobre uma letra que faltaria para ter certeza da palavra “profeta”.

Para a Dra. Mazar, o lugar exato da letra foi perdido junto com a metade faltante da “bula”.

A inscrição completa deveria dizer “Pertencente a Isaías profeta”.

A Dra. Mazar aponta casos semelhantes verificados em outras descobertas.

E se a interpretação for correta teríamos a primeira prova material extra bíblica da existência do profeta e de que era reconhecido como tal durante sua vida, de acordo com matéria publicada pela “National Geographic”.

O selo, ou bula, com o nome do profeta Isaías, desenterrado em Ophel.

O Antigo Testamento conta episódios em que Ezequias procurou Isaías, indicando que o profeta lhe era bastante próximo e que seria um dos principais conselheiros reais.

“Se for o caso de a peça ser realmente do profeta Isaías, então não seria surpresa encontrá-la perto de uma pertencente ao rei Ezequias dada à relação simbiótica entre o profeta Isaías e o rei Ezequias descrita na Bíblia”, acrescentou Mazar.

A Bíblia é o maior testemunho escrito da Antiguidade. Ela contém a palavra revelada e a ela devemos um assentimento de Fé, inclusive do ponto de vista histórico.

A veracidade inclusive histórica da Bíblia foi confirmada – e continua sendo-o – em inúmeras descobertas de valor científico que confortam às inteligências e corações de boa fé que possam ter dúvidas a respeito.

(via Ciência confirma Igreja)

Um grupo de arqueólogos acredita que a recente descoberta de um grande edifício nas colinas do vale de Hebron, em Israel, indica que o Rei Davi foi uma figura histórica real e que dirigiu um reino judeu.

Até agora, não havia prova arqueológica de que o Rei Davi (que aparece no Antigo Testamento) tivesse existido realmente, já que não havia indícios de prédios públicos relacionados à sua figura.

Porém, um artigo do Haaretz.com informa que os arqueólogos da Universidade Bar-llan afirmam que a estrutura monumental e o assentamento ao redor descobertos perto das colinas de Hebron, nas terras baixas centrais de Israel, representa uma possível prova da existência de edifícios públicos da era de Davi (século X a.C.).

Segundo o Haaretz, o edifício – que os arqueólogos chamaram de “casa do governador” – foi construído para uma longa duração, em estilo da arquitetura monumental:

 “Ele contém alvenaria e foi erguido sobre fundações profundas, usando materiais de construção de qualidade. Um investimento assim na construção seria algo específico de uma sociedade complexa e uma entidade política forte”.

As paredes eram de pedras talhadas com ferramentas que permitiam que elas se encaixassem. As provas de rádio-carbono da cerâmica encontrada nas fundações indicam que a casa foi construída entre os séculos XI e X a.C..

 “Isso é relevante para data em que houve uma evolução da complexidade social e para o debate sobre a historicidade do Reino de Davi e Salomão”, escrevem os arqueólogos Avraham Yair Faust e Sapir  em um artigo publicado no início de 2018 pela revista de arqueologia, Radiocarbon.

As descobertas se devem à ajuda de ratos-toupeira, que cavaram o subsolo, desenterrando vestígios de ocupação humana.

 “Os ratos nos alertaram que havia um pequeno assentamento onde ninguém nunca imaginou”, disse Faust ao Haaretz.

Segundo informa o Haaretz:

“Está claro que a casa do governador, a estrutura monumental no topo da colina, havia sido destruída pelos assírios. Ele [o arqueólogo] diz: eles encontraram pontas de flechas no pátio. Com base no local em que foram achadas essas pontas, os arqueólogos conseguiram deduzir de onde as flechas foram disparadas: mais precisamente, um lugar desprovido das atividades do rato-toupeira”, diz Fausto.

“No entanto, outros arqueólogos pediram cautela antes de afirmar que o local recentemente descoberto foi necessariamente da era de Davi”, afirma Haaretz.

O doutor Ido Koch, da Universidade de Tel Aviv afirma que a “casa do governador” não tem escritos para indicar que foi parte de um reino judeu.

“Nas descobertas do século X, não há nada com [a palavra] ‘Jerusalém’ escrito nelas, e enquanto [não houver] sinais de administração ou escrita no estilo judaico”, disse ele ao Haaretz, “ ligar o assentamento ao reino de Jerusalém seria pura especulação”.

Fonte: Aleteia

O Parlamento Português aprovou no dia 13 de abril uma lei que permite a mudança de sexo no registo civil aos 16 anos apenas mediante requerimento e sem necessidade de recorrer a qualquer relatório médico, o que desencadeou uma resposta enérgica da Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP), que considera que a dispensa de um parecer médico se reveste de uma enorme gravidade em termos de saúde pública e afirma que a lei tem mais fundamento na ideologia de gênero que na ciência ou na medicina.

Segundo um recente comunicado da Associação, “a lei aprovada exclui a medicina, não tem qualquer base científica, já que não se apoia em qualquer diagnóstico médico de disforia de género, e dispensa o tratamento médico necessário para estes casos”.

“A história ensina-nos que sempre que a medicina se subjugou à ideologia, os resultados foram desastrosos para a humanidade, pelo que a AMCP apela ao Sr. Presidente da República para que vete esta lei”, asseveram os médicos católicos.

Além disto, a AMCP diz que é estranho que seja permitida a mudança de sexo “numa idade em que se considera que os cidadãos não têm ainda maturidade para votar, conduzir um automóvel ou ingerir bebidas alcoólicas”.

“Nesta idade o córtex pré-frontal (envolvido nas respostas emocionais e na tomada de decisões) ainda não atingiu o desenvolvimento completo, pelo que não existem condições neurobiológicas de maturidade para uma tomada de decisão desta natureza”, diz o comunicado da ACMP.

“Esta lei, agora aprovada, não é baseada propriamente em novas descobertas científicas, nem tão-pouco foi pedida pelos médicos portugueses, mas é suportada por uma ideologia: a ideologia de gênero. Esta teoria assenta na ideia radical de que os sexos masculinos e femininos não passam de uma construção mental, cabendo à pessoa escolher a sua própria identidade de gênero”, asseveram os médicos católicos de Portugal.

“A ideologia de gênero é uma construção cultural, um produto da cultura e do pensamento humano, sendo totalmente desvinculada da biologia. A ciência — e a medicina em particular — não aceita a supremacia absoluta da dimensão psicológica/sociocultural sobre a identidade sexual. O ideal é que haja uma harmonia entre ambas, não sendo ético provocar desordens psicopatológicas artificiais, através da difusão de uma ideologia radical destinada a criar um “homem novo””, conclui o texto.

ACI

[Nota de Crux: O Irmão Jesuíta Guy Consolmagno é diretor do Observatório do Vaticano, fundado no século XVIII e refundado em sua forma atual em 1891. Consolmagno é visto por muitos como uma referência em como o Vaticano, discute regularmente a relação entre fé e razão. A Fundação do Observatório do Vaticano também tem um blog. Recentemente, Consolmagno fez uma palestra no Sheen Center, em Nova York, chamada ‘Jesuítas e Jedi: ciência e espiritualidade na era de Star Wars’]

 

***

No evento no Sheen Center, aprendi um pouco sobre sua história e descobri como o senhor acabou se tornando o “astrônomo do Papa”. Poderia contar um pouco desse background aos leitores do Crux?

Daria um livro! (O nome do livro é “Brother Astronomer”…)

Cresci em uma família católica comum dos anos 50 e aprendi ciência e religião com as Irmãs de Caridade de Nossa Senhora Rainha dos Mártires. Fui para o colégio jesuíta da Universidade de Detroit, pensei em ser padre, mas percebi que não tinha a personalidade certa para isso e acabei no MIT, principalmente por causa da biblioteca de ficção científica!

Aos trinta, minha fé entrou em crise; não a fé na minha religião, mas na ciência. Então, em vez de “perder tempo” estudando as luas de Júpiter, entrei no Corpo de Paz. Mas meus alunos no Quênia eram fascinados por ciência, e o entusiasmo deles me lembrava que a astronomia é um alimento para a alma.

Depois de lecionar numa pequena universidade – uma delícia – entrei para os jesuítas como irmão, pensando que poderia lecionar em algum colégio jesuíta. Mas me mandaram para Roma para continuar na astronomia… e em 2015 o Papa Francisco me nomeou diretor do Observatório.

O senhor disse que estudar o cosmos é um ato de adoração. Poderia dizer mais sobre o que quer dizer com isso?

Adoração é uma maneira de chegarmos mais perto de Deus; e é isso que fazemos quando estudamos o cosmos. Não preciso que a Bíblia me dê as respostas às minhas perguntas científicas, mas dependo da autoridade das Escrituras para ter certeza que essas respostas podem ser encontradas e que vale a pena buscá-las.

Me inspiro, em particular, no salmista que escreveu que “Os céus manifestam a glória de Deus” e por São Paulo, que nos lembra de que “as coisas invisíveis, desde a criação do mundo, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas”. Conhecemos a personalidade de Deus ao nos familiarizarmos com seu modo de criação… um modo elegante, racional e cheio de alegria!

Há muitos mal-entendidos sobre a relação da ciência e da Igreja Católica, sobretudo historicamente. Quais mal-entendidos acha que é particularmente importante corrigir?

Quando as pessoas dizem que a Igreja vai contra a ciência, respondo “cite três”, pedindo três exemplos. Elas sempre começam com Galileu, que normalmente significa que não sabem nada sobre Galileu… sua vida e sua época, seus argumentos ou a natureza da oposição contra ele. Nunca leram o que ele escreveu nem o que seus companheiros e inimigos escreveram. Alguns podem mencionar Giordano Bruno. Uma olhada rápida na página da Wikipédia sobre ele geralmente já abre um pouco seus olhos. E não conseguem pensar num terceiro exemplo. (A Igreja nunca condenou a evolução, por exemplo; e dois papas, Pio XII e João Paulo II, especificamente, endossaram a ideia).

Enquanto isso, a lista de cientistas importantes que eram católicos vai de Alberto Magno a Roger Bacon, Ampere, Volta, Pasteur, Mendel e Lemaître… e também Copérnico e Galileu! Novamente, é possível ver na Wikipédia uma lista de ganhadores católicos do Prêmio Nobel.

Uma das partes de que mais gostei no evento no Sheen Center foi a exposição de seus pensamentos sobre inteligência artificial. O senhor acha que é possível que tal máquina chegue a ser considerada uma pessoa?

 Na prática, temos muito tempo pela frente antes de que algo que produzimos com metal e semicondutores possa dar conta do recado. Minha suspeita – e posso estar errado! – é que os computadores digitais em si nunca serão capazes de replicar o cérebro humano; pelo estilo errado, acredito. Lembro da piada que diz que o cérebro humano ainda é o computador mais sofisticado a que temos acesso e, além disso, é o único que pode ser produzido por trabalhadores não qualificados.

O senhor escreveu um livro entitulado Você batizaria um extraterrestre? (em inglês, Would You Baptize an Extraterrestrial?). O senhor batizaria?

Só se ele pedisse.

Fonte: Crux

Estamos diante de uma reconstituição do corpo real de Jesus Cristo!

“Esta estátua é a representação tridimensional do Homem do Sudário, em tamanho natural, feita com base em medidas milimétricas tomadas do pano em que o corpo de Cristo foi envolvido após a crucificação”.

Quem explica é Giulio Fanti, professor de medições mecânicas e térmicas na Universidade de Pádua e estudioso da relíquia, uma das mais enigmáticas e apaixonantes do mundo cristão (e também do mundo incrédulo). Com base em suas medições, o professor fez a reconstituição em 3D que, a seu ver, permite afirmar que essas são as reais características do Cristo crucificado.

“Consideramos que finalmente estamos diante de uma imagem precisa de como era Jesus nesta terra. A partir de agora não será mais possível retratá-lo sem levar em conta este trabalho”.

O professor concedeu à revista italiana Chi a conversa exclusiva em que afirmou:

“Segundo os nossos estudos, Jesus era um homem de extraordinária beleza. Longilíneo, mas muito robusto, tinha 1m80 de altura, quando a altura média naquele tempo era de cerca de 1m65. E tinha uma expressão real e majestosa” (cf. Vatican Insider).

Mediante os estudos e a projeção tridimensional, Fanti pôde também computar as numerosas feridas no corpo do Homem do Sudário:

“No Sudário eu contei 370 feridas de açoites, sem considerar as laterais, que o pano não revela porque envolveu apenas a parte anterior e a posterior do corpo. Mas podemos supor pelo menos 600 golpes. Além disso, a reconstrução tridimensional permitiu observar que, na hora da morte, o Homem do Sudário pendeu para a direita, porque o ombro direito foi deslocado de modo tão grave que lesou os nervos” (cf. Il Mattino di Padova).

É notório que, nesse homem torturado, vemos sinais inquestionáveis de sofrimento. Os olhos da fé enxergam nele o homem por excelência, aquele que foi apresentado pela arrepiante frase “Ecce Homo”, “Eis o homem”; aquele que foi visto manso e majestoso diante de Pilatos, mas que sofreu terrível flagelação, espancamentos, coroação de espinhos, subida ao Calvário carregando aos ombros a própria cruz, crucificação como inocente e morte pela nossa redenção.

Acreditar na autenticidade do Sudário não é obrigatório para nenhum cristão. Mas o carácter excepcional daquele pano fúnebre e seus séculos e séculos de mistério fascinante e desafiador provoca o nosso entendimento e as nossas certezas, tal como fez aquele Nazareno que desafiou as nossas certezas ao amar os seus perseguidores, a perdoá-los do alto da cruz e derrotar a morte para sempre.

Aleteia

Embora o Santo Sudário de Turim (Itália) seja o objeto mais importante relacionado a Jesus que permanece até hoje, a Espanha também tem entre os seus tesouros duas relíquias importantes de Cristo.

Estas relíquias são o Sudário de Oviedo, pano que cobriu o rosto de Jesus e o Lignum Crucis, um pedaço da cruz do Senhor.

Estas relíquias foram estudadas em profundidade e permitem aproximar-se um pouco mais da Paixão de Cristo.

O Sudário de Oviedo

Segundo a tradição, o sudário que cobria o rosto de Jesus está guardado na Catedral de Oviedo e é exposto ao público apenas três vezes por ano: na Sexta-feira Santa; no dia 14 de setembro, dia da Santa Cruz; e em 21 de setembro, festa do Apóstolo São Mateus, padroeiro da cidade espanhola.

Os apóstolos veneraram em Jerusalém as relíquias da Paixão, incluindo o Sudário, durante os primeiros anos do cristianismo. Com a invasão dos persas no século VII, conseguiram salvá-lo e foi levado à Espanha.

Jorge Manuel Rodríguez Almenar, presidente do Centro Espanhol de Sindonologia, explicou em diversas ocasiões que os estudos mostram que todos os elementos do Sudário de Oviedo coincidem com os do Santo Sudário.

O último estudo realizado pela Universidade Católica de Murcia, na Espanha, concluiu que ambos os panos envolveram a mesma pessoa. Também precisou que o homem do Santo Sudário e do Sudário de Oviedo sofreu a mesma ferida no lado.

Algo que está de acordo com o que foi relatado no Evangelho de João, quando diz: “Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água”.

Lignum Crucis: Uma relíquia da Cruz de Cristo

O mosteiro franciscano de Santo Toribio de Liébana, na Cantábria, guarda há mais de 1200 anos um grande pedaço da Cruz de Jesus.

Esta relíquia é conhecia pelo seu nome em latim Lignum Crucis, que significa lenho ou madeira da Cruz. Este objeto sagrado corresponde à madeira horizontal do lado esquerdo.

Santa Helena, mãe do imperador Constantino, decidiu conservar as relíquias da Paixão do Senhor. Uma delas foi a Cruz, que chegou à Espanha no século XVI, com os restos de Santo Toribio, que tinha sido custódio dos lugares santos em Jerusalém.

Em 1958, realizaram alguns testes para comprovar a sua autenticidade e “confirmaram que a madeira é de uma árvore que existe na Terra Santa e que tem uma idade superior a 2000 anos”, assegurou ao Grupo ACI o Pe. Juan Manuel Núñez, superior do convento de Santo Toribio de Liébana.

Além disso, o DNA da relíquia coincide com o de outros pedaços menores da cruz conservados em diferentes lugares do mundo.

“A maior prova de veracidade das Lignum Crucis são todas as conversões que ocorrem no sacramento da confissão no mosteiro”, afirma o sacerdote.

Segundo o Pe. Nunez, o Lignum Crucis fala, “através de uma linguagem silenciosa, do amor de Deus que se entrega ao coração de todos os homens. Um amor que ficou marcado para sempre na Cruz e que diz a todos: ‘Embora não saibam lê-lo aqui diz como e quanto os amo’”.

Desde o século XVI se celebra o Ano Jubilar Lebaniego Santo Toribio de Liébana. Este Ano Santo ocorre cada vez que o dia 16 de abril (festa de Santo Toribio) cai em um domingo. Como o dia 16 de abril de 2017 coincide com o Domingo de Ressurreição, o início deste Ano Santo começará no dia 23 de abril.

Fonte: ACI Digital