O amistoso em Viena seria a estreia internacional da recém-formada seleção feminina de futebol do Vaticano, mas se transformou num protesto contra a Igreja.

Surpreendidas pelas provocações das adversárias, as jogadoras do time feminino de futebol do Vaticano deixaram o campo em Viena antes do início do jogo com as austríacas do Mariahilf.

O amistoso seria a estreia internacional da recém-formada seleção feminina de futebol do Vaticano, mas se transformou num protesto contra a Igreja. Durante o hino do Vaticano, algumas meninas austríacas levantaram suas camisetas expondo frases a favor do aborto e proclamando mensagens pró-LGBT, em controvérsia com as posições da Igreja. Das arquibancadas surgiram também faixas polêmicas.

Time acaba de ser criado

O protesto surpreendeu as jogadoras do Vaticano e toda a equipe técnica, que estavam prontas para uma simples festa. Em conjunto com o diretor esportivo, tomaram a dolorosa decisão de não jogar a partida para não continuar a instrumentalização de um evento para o qual haviam se preparado com alegria.

O time de futebol feminino do Vaticano jogou no último dia 26 de maio seu primeiro jogo contra as meninas da ‘Primavera de Roma’: apesar de perderem de 10 a zero, o evento foi uma bela manifestação de amizade e esporte.

Vatican News

O Prefeito da Educação Católica apresenta o novo documento “Homem e mulher os criou”: “Há uma emergência educacional, devemos superar os slogans. Respeitamos e exigimos respeito”

“Sobre gênero, devemos encontrar vias de diálogo, sem cair em slogans e extremismos. Mas devemos fazê-lo a partir de nossa identidade e sabendo traduzir em argumentos da razão também a luz que vem da fé, porque a confusão é grande e nas escolas há o risco de se impor como científico um único pensamento. Nós respeitamos todos, mas pedimos para sermos respeitados”. São estas as palavras do cardeal Giuseppe Versaldi, prefeito da Congregação para a Educação Católica, que junto com o arcebispo Vincenzo Zani, secretário do Dicastério, assinou o documento “Homem e mulher os criou”.

Ele foi entrevistado pelo Vatican News.

Eminência, qual é o propósito do documento?

É importante nos deter no subtítulo: ‘Para um diálogo sobre a questão do gênero na educação’. O nosso não é um documento doutrinário, mas é bastante metodológico: como educar as jovens gerações para abordar essas questões numa época em que há tanta confusão sobre isso. Estamos testemunhando o risco de que seja imposto nas escolas como científico um pensamento único que não podemos aceitar. Ao mesmo tempo, devemos ser capazes de dialogar, de nos renovar e de valorizar o que de bom emergiu das pesquisas sobre gênero.

Como nasce esse novo texto?

A ocasião e o estímulo para prepará-la vieram das visitas ad limina dos bispos de todo o mundo, também das viagens que realizamos e especialmente das escolas e universidades. Uma ideologia de gênero está se difundindo e o ensino da Igreja é rotulado como retrógrado. Por isso era necessário tentar estabelecer um diálogo educacional sobre esse tema.

Em que bases vocês trabalharam?

Tentamos fazer isso no plano da razão, com argumentos racionais, e não com slogans ou de maneira fideísta. Para nós, a razão é iluminada pela fé e a fé não é contrária à razão. Sobre a questão do gênero, no entanto, é possível estabelecer um diálogo com base em argumentos que não requerem a adesão à fé católica, através de três atitudes: escutar, raciocinar e propor. Existem argumentos racionais que esclarecem a centralidade do corpo como subjetividade que comunica a identidade do ser. Sob tal luz, se entende o dado biológico da diferença sexual entre homem e mulher. A formação da identidade é baseada na alteridade e na família o confronto com a mãe e o pai facilita a criança na elaboração de sua própria identidade-diferença sexual. O gênero “neutro” ou “terceiro gênero”, por outro lado, aparece como uma construção fictícia.

Quais são os pontos de encontro?

Primeiro, devemos distinguir entre a ideologia de gênero que é apresentada como científica e que também se difunde nas escolas, das pesquisas sobre gênero. Embora não aceitemos a ideologia, reconhecemos pontos de encontro nas pesquisas sobre gênero para crescer na compreensão recíproca. Cito dois exemplos: a mesma dignidade entre homem e mulher, depois das formas de injusta subordinação que marcaram séculos da nossa história. Depois, há a educação das crianças e dos jovens para respeitar cada pessoa em sua condição peculiar e diferente – deficiência, raça, religião, tendências afetivas – combatendo toda forma de bullying e discriminação injusta. Outro ponto importante diz respeito aos valores da feminilidade evidenciados na reflexão sobre gênero: tem havido muito foco no aspecto físico da sexualidade, ofuscando aspectos culturais que aprofundam a natureza, porém sem se opor a ela. Esse aprofundamento do valor da feminilidade também está bem fundamentado nos documentos dos últimos Pontífices.

Vamos focar nos aspectos mais críticos. Quais são?

As teorias de gênero, especialmente as mais radicais, afastam-se do dado natural chegando a uma opção total para a decisão do sujeito emocional. Assim, a identidade sexual e, consequentemente, também a família se tornam “líquidas” e “fluidas”, fundadas no desejo do momento mais do que no dado natural e sobre a verdade do ser. Deseja-se apagar a diferença sexual, tornando-a irrelevante para o desenvolvimento da pessoa.

A quais resultados esperam chegar com este novo texto?

Ao propor a via do diálogo fundado nos argumentos da razão, respeitamos os posicionamentos distantes dos nossos e pedimos o respeito pelos nossos. Não somos nós que escolhemos os alunos das escolas e das universidades católicas, são as famílias e os estudantes que escolhem essas escolas e essas universidades, sabendo que são católicas. Não podemos desconsiderar a nossa identidade aderindo a um pensamento único que gostaria de abolir a diferença sexual reduzindo-a a um mero dado ligado às circunstâncias culturais e sociais. Devemos evitar os dois extremos: aquele do pensamento único e da ideologia que procede por slogan, e aquele segundo o qual nas nossas escolas somente deveriam vir aqueles que compartilham a fé católica e pensam como nós. Devemos buscar vias de diálogo e responder à emergência educacional sobre esses temas. O documento é uma contribuição nesse sentido.

Vatican News

O ator britânico Tom Ellis se tornou conhecido por interpretar o personagem Lucifer Morningstar na série “Lúcifer”, lançada em 2016 pela rede Fox e adquirida em 2018 pela Netflix.

No final de maio, Ellis postou em seu perfil no Twitter a seguinte mensagem:

“Obrigado a todas as pessoas que têm nos perguntado sobre os presentes de casamento ou sobre doações a instituições de caridade em minhas próximas núpcias com @MoppyOpps. É muito gentil. Se você quiser fazer uma doação para a @PPFA #plannedparenthood, ficaremos muito gratos”.

tom ellis
@tomellis17

Thank you to all the people that have been asking about wedding gifts or charitable donations for my upcoming nuptials with @MoppyOpps that is so kind. If you would like to make a donation to @PPFA

we would be very grateful 

Que organização é essa?

Planned Parenthood, instituição que ele “recomenda”, é o maior conglomerado abortista do planeta Terra. Essa rede internacional de clínicas de aborto não apenas lucra com o extermínio de milhões de bebês por ano como também é alvo de graves denúncias de ex-funcionários no tocante a procedimentos e métodos, além de já ter sido acusada até de tráfico de partes de fetos abortados, num escândalo que, embora tenha sido registrado em vídeo, acabou sendo relativamente bem abafado após pouco tempo. Seria o caso de se questionar o que haveria de “caridade” nos negócios de uma organização de tal natureza.

Reação de sacerdote brasileiro

pe. Gabriel Vila Verde, sacerdote brasileiro que usa ativamente as redes sociais para esclarecer aspectos da nossa fé, se manifestou no Facebook a respeito da sugestão literalmente luciferiana do ator:

“O ator que fez o papel de Lúcifer no famoso seriado que muitos católicos assistem, agora está pedindo, como presente de casamento, doações para uma clínica de aborto. Se nota que ele ainda está cumprindo bem o seu papel. Encarnou verdadeiramente a personagem da série.

‘Ai daqueles que ao mal chamam de bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas’ (Isaías 5,20).

https://www.facebook.com/gabriel.vilaverde/posts/2225671070886825

Um anúncio deste último 3 de junho tem gerado polêmica no México: a Secretaria de Educação Pública, órgão do governo socialista do presidente Andrés Manuel López Obrador, apresentou durante um evento na capital do país o chamado “uniforme neutro“, informando que, de agora em diante, as meninas poderão ir à escola de calça e os meninos de saia.

A novidade foi divulgada pelo secretário de Educação Pública, Esteban Moctezuma Barragán, e por Claudia Sheinbaum, da prefeitura da Cidade do México, o primeiro município em que a medida será implementada. Claudia, do mesmo partido do presidente, declarou:

“A época em que as meninas tinham que usar saia e os meninos tinham que usar calça eu acho que já passou para a história. Isso é uma parte da equidade, da igualdade”.

Ideologia de gênero contra reais benefícios para os alunos

União Nacional dos Pais de Família questiona a medida e considera que se trata de mais um passo na implementação da ideologia de gênero. Seu presidente nacional no México, Leonardo García, declarou à agência ACI Digital:

“Pode parecer algo inofensivo, mas pode passar depois para banheiros neutros e linguagem neutra, na qual não possa mais usar o masculino e o feminino. Isso colocaria em risco a integridade dos alunos. Não queremos ideologias, queremos respeito. E o apelo é a todos os pais, para que fiquem atentos e participem de tudo o que acontece em cada comunidade escolar dos nossos filhos. A melhor decisão tem que ser acordada com os pais de família. Não podemos ficar de fora.

É fato que ninguém quer nenhum tipo de discriminação na escola, nem em qualquer setor da sociedade. Como união de pais, nós sempre pedimos respeito a qualquer pessoa sem distinção. No entanto, ficamos surpresos, sim, de que o próprio secretário de Educação Pública esteja se preocupando com os uniformes e não com temas de mais relevância, como, por exemplo, fornecer água para milhares de escolas que não contam com sistemas de distribuição, ou acesso à eletricidade, pavimentação e instalações adequadas. Ainda há muitos estudantes em nosso país que não têm o básico nas escolas. Chama a nossa atenção ver que eles se preocupam com uniformes escolares neutros e não com questões de qualidade”.

Papel da família

Leonardo García acrescenta, enfático:

“A decisão de como educar nestes aspectos deve sempre recair nos pais de família. Nós somos os pais de família, os primeiros e principais educadores dos nossos filhos, e temos o direito e o dever de decidir sobre a educação que eles vão receber. Isso é protegido pela Constituição e por tratados internacionais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Seria uma interferência indevida por parte da Secretaria de Educação Pública e do Estado introduzir as teorias ideológicas no conteúdo da educação sexual ensinada nas escolas. A educação sexual cabe aos pais, não ao Estado.

A ideologia de gênero tenta desenraizar a sexualidade da sua natureza para explicá-la de acordo com a cultura: ‘sexualmente somos construídos pelo nosso ambiente’. Isto se opõe à biologia, à fisiologia, à anatomia, à genética, às neurociências. O problema é que o Estado se intrometa em nossa vida sob a hegemonia da ideologia de gênero, hoje refletida nesse absurdo de uniformes neutros

Com informações da ACI Digital

Desta terça (28) até quinta-feira (30), o Vaticano, centro espiritual e político da Igreja Católica, sedia um evento inusitado, se considerarmos seus princípios. Trata-se da Understanding Unbelief, apresentada como a maior conferência mundial sobre ateísmo. O programa, financiado pela Fundação John Templeton, é organizado por quatro instituições acadêmicas, todas do Reino Unido. Na coordenação está a Universidade de Kent. E colaboram as universidades Conventry, Queen’s e de Saint Mary. 

Este evento não se realizaria no Vaticano se não fosse por uma efeméride: trata-se do 50º aniversário de uma conferência semelhante realizada no Vaticano”, afirmou à BBC News Brasil o antropólogo Jonathan Lanman, diretor do Instituto de Cognição e Cultura e professor da Universidade Queen’s Belfast, um dos organizadores do evento, Ele contou que um dos pesquisadores entrou em contato com o Vaticano e então “eles concordaram em revisitar os temas da ‘incredulidade'”.

A conferência de 1969, a primeira do gênero sobre o tema, ocorreu como consequência da abertura provocada pelo Concílio Vaticano II, ocorrido de 1962 a 1965.  O papa Paulo 6º (1897-1978) era um entusiasta do diálogo com outros cristãos, judeus e adeptos de outras religiões. E também criou um secretariado próprio para ouvir a quem chamava de “descrentes” – segundo suas palavras, o ateísmo era “um dos assuntos mais sérios de nosso tempo”

O evento desta semana tem a chancela do Pontifício Conselho para a Cultura, dicastério criado em 1982 pelo papa João Paulo 2º (1920-2005)

Há 50 anos, a primeira conferência foi, segundo o sociólogo Rocco Caporale (1927-2008), que escreveu um livro sobre ela (‘The Culture of Unbelief: Studies and Proceedings From the First International Symposium on Belief Held at Rome’), uma primeira oportunidade para que a Igreja pudesse debater várias questões da “cultura da não-crença” e sobre como estudá-la. Caporale relata que uma das principais percepções dos participantes do simpósio de 1969 foi a de que “o crer e o não crer são uma completa terra incógnita”. Mas dessa vez, o pesquisadores poderão se debruçar sobre os dados de um estudo realizado pelas universidades britânicas de Kent, Conventry, Queen’s e Saint Mary. Trata-se de uma pesquisa conduzida em seis países sobre o que é ser ateu hoje. No total, foram entrevistadas 6,6 mil pessoas – seguindo criteriosa amostragem científica – do Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, China, Japão e Dinamarca. O relatório, que será publicado nesta terça (28), trouxe oito pontos-chave para entender o fenômeno da não-crença no mundo:

Ateus – aqueles que não acreditam em Deus – e agnósticos – os que não sabem se existe Deus ou não, mas não acreditam que haja uma maneira de descobrir – não são homogêneos. Eles aparecem em grupos diferentes nos países pesquisados. “Por conseguinte, há muitas maneiras de ser incrédulo”, pontua o documento. 

Em todos os seis países, a maioria dos que não acreditam em Deus se identifica como “sem religião”. Na hora de se autorrotularem, os incrédulos que preferem ser chamados de “ateu” ou “agnóstico” não são a maioria. Muitos classificam-se como “humanistas”, “pensadores livres”, “céticos” ou “seculares”.

Os ateus do Brasil e da China são os menos convencidos de que sua crença sobre a não-existência de Deus está correta. Não crer em Deus não significa necessariamente não acreditar em outros fenômenos sobrenaturais, ainda que os ateus sejam mais céticos em relação a estes do que as populações gerais. Entre os ateus, o percentual de pessoas que acham que o universo é “em última instância, sem sentido” é maior do que no restante da população. Mas, ainda assim, em número muito inferior ao de metade dos pertencentes ao grupo.

Quando confrontados com questões relacionadas a, segundo o relatório, “valores morais objetivos, dignidade humana e direitos correlatos, além do valor profundo da natureza”, as posições dos ateus são semelhantes ao do restante da população. Por fim, quando perguntados sobre quais são os valores mais importantes da vida, houve uma “concordância extraordinariamente alta entre incrédulos e populações gerais”.

Da mesma maneira que nem todos os que se descrevem como “sem religião” são ateus – muitos cultivam uma espiritualidade própria – a pesquisa mostrou que nem todos os ateus são “sem religião”. No caso do Brasil, por exemplo, 73% dos incrédulos se identificam como “sem religião”, enquanto 18% se dizem cristãos. Na Dinamarca, 63% dos ateus se dizem “sem religião” – 28% são cristãos. A explicação para isso pode ser por conta da tradição familiar. Com exceção dos chineses e dos japoneses, a maioria dos ateus entrevistados disseram que romperam uma religião de família – é o caso de 85% dos incrédulos brasileiros e 74% dos norte-americanos.. Em todos os países ouvidos, a grande maioria dos ateus veio de famílias cristãs (79% dos brasileiros, 63% dos norte-americanos, 60% dos dinamarqueses). A questão dos rótulos também traz variações – muitas vezes motivadas por receio de preconceitos. 

Para os chineses desse grupo, 20% se dizem ateus e 18% racionalistas. Japoneses, britânicos e dinamarqueses preferem ser classificados como “não-religiosos” (34% e 27% e 17%, respectivamente) e norte-americanos se definem como “agnósticos” (26%). Já no grupo dos que afirmam que “Deus não existe” – tecnicamente ateus – 30% dos brasileiros se autodenominam ateus, 14% sem religião. Situação semelhante aparece na pesquisa realizada com norte-americanos – 39% assumem-se ateus. E entre os chineses, há um equilíbrio entre os que preferem ser chamados de racionalistas, ateus e livres-pensadores (respectivamente com 22%, 21% e 19%). 

A crença na ciência como o melhor modelo para atingir o conhecimento apareceu como homogênea entre crentes e incrédulos em todos os países aferidos, exceto Brasil e Estados Unidos. No caso brasileiro, os métodos científicos são considerados o melhor caminho para 71% dos não-crentes – contra 43% da população em geral. Entre os norte-americanos, o número é de 70% entre os incrédulos e despenca para apenas 33% da população em geral. “Essas descobertas mostram de uma vez por todas que a imagem pública do ateu é, na melhor das hipóteses, uma simplificação. E, na pior das hipóteses, uma caricatura bruta”, ressalta Lois Lee, pesquisadora de estudos religiosos da Universidade de Kent , “Em vez de confiar em suposições sobre o que significa ser ateu, podemos agora trabalhar com uma compreensão real das diferentes visões de mundo que a população ateísta inclui. As implicações para a política pública e social são substanciais .” “Nossos dados vão de encontro a estereótipos comuns sobre os incrédulos”, afirma Lanman. “Uma visão comum é que os incrédulos não teriam um senso de moralidade e propósito objetivos, nutrindo um conjunto de valores muito diferente do restante da população. Nossa pesquisa mostra que nada disso é verdade.

Fonte Original UOL

O mundo inteiro voltou seus olhos para a França esta semana. Uma catedral pegou fogo! Toda a preocupação humanista que se viu na mídia secular não é capaz de atingir a dimensão deste incidente; é preciso olhá-lo com os olhos da Fé. Porque uma catedral não é um monumento histórico: é um símbolo sagrado, é uma síntese da humanidade, é algo tão caro ao mundo que conhecemos que se pode até mesmo dizer — como ouvimos nos últimos dias — que uma catedral é um arquétipo da própria civilização.

Na segunda-feira santa, à tarde, caíram-me como uma bomba as notícias sobre o incêndio de Notre-Dame. Nas imagens que me chegavam pela internet eu não via apenas um prédio antigo que queimava: era toda a civilização em chamas, abandonada ao descaso, caindo aos pedaços, desmoronando sob os nossos olhares impotentes. O primeiro sentimento, quase imediato, quase instintivo, foi, assim, o de tristeza. Por tudo o que perdemos, pela tragédia que se abateu sobre nós.

À tristeza seguiu-se — confesso-o embaraçado — o desespero. Primeiro porque parecia que tudo iria cair, que o fogo iria destruir tudo, que a incompetência e a impiedade dos homens iriam colocar tudo a perder. O tempo passava e a catedral queimava e parecia que não iria restar pedra sobre pedra; quando a flecha da torre desmoronou — e nós o vimos quase ao vivo pela internet –, parecia que, com ela, todo o edifício viria abaixo.

E, depois, havia o sentido simbólico por trás de tudo, maior, muito maior do que o telhado centenário que ruía: era a própria Fé Católica que se consumia e virava cinzas no coração da Filha Primogênita da Igreja. Era como se os Céus nos estivessem mandando um recado, e a destruição de Notre-Dame fosse uma terrível e providencial metáfora da destruição do Catolicismo no mundo.

Até porque Notre-Dame era, desde há muito, uma sobrevivente. Olhávamos para aquele edifício, ainda que não o soubéssemos verbalizar, com um misto de reverência e admiração: no contraste entre a Paris medieval e a França moderna, qualquer um podia perceber que aquele mundo não mais existia. Notre-Dame estava lá, encrustada no meio da cidade, no coração da Île-de-France, inundada de turistas, como uma testemunha silenciosa de um tempo áureo há muito perdido nas brumas da História. Por aqui passou uma raça de homens superiores, a velha catedral nos dizia, e os seus arcos e ogivas vertiginosos se impunham ao homem moderno como vestígios de um tempo de glória. E quando os católicos já há muito se haviam calado, aquelas pedras medievais permaneciam ecoando ao mundo as glórias do Deus Altíssimo.

Como não enxergar na queda da catedral a mais perfeita e lógica decorrência natural do abandono da Fé nas almas?

E, no entanto, a vigília espiritual em que imediatamente nos pusemos fez aquele desespero arrefecer. O passar das horas nos deu notícia de que nem tudo caiu na Sé de Paris; poder-se-ia até mesmo dizer que caiu muito pouco, somente o telhado, apenas o pináculo. O espetáculo era terrível para quem via de fora; por dentro, no entanto, a Catedral sobrevivia.

Toda a estrutura da Igreja resistiu ao fogo, assim como o altar-mor, com a Pietà ladeada por dois reis de França, Luís XIII e Luís XIV. Foi preservada também a maior parte dos vitrais, estátuas, púlpitos, mesmo os bancos. O órgão não foi destruído. A majestosa rosácea — cujos vidros coloridos, segundo se ouviu dizer, foram fabricados pelos antigos alquimistas — também continua lá. Por fora, a destruição parecia total. Mas apenas por fora. Apenas parecia.

E tudo isso, apesar de toda a dor, de toda a tragédia, nos encheu de esperança. O incêndio nos revelou algo de mais profundo sobre a nossa história, sobre as nossas raízes: é que nós tendemos a aquilatar as coisas pela estatura do nosso tempo. Aquele fogo que nós vimos segunda-feira teria reduzido a pó qualquer coisa construída nas últimas décadas; mas ele não pôde ombrear-se ao gênio da antiga Cristandade. Pensávamos que Notre-Dame fosse tão frágil quanto um Shopping Center; contudo, a velha catedral se mostrou tão inquebrantável quanto a Fé dos que a construíram. Vimos o fogo, e Notre-Dame havia caído; entramos por seus pórticos, e Notre-Dame estava de pé.

E, assim, aquele simbolismo funesto que entrevíamos à primeira vista se inverte por completo, dando lugar a um alento de esperança: no interior do templo sagrado, no coração da catedral, a Cruz permanece de pé, refulgente, mesmo em meio ao fogo e à destruição. A Fé Católica fincada um dia no coração da França é firme, é forte, como as paredes juncadas de gárgulas que resistem a incêndios: afinal de contas, não vimos os franceses, muitos deles jovens!, cantando e rezando de joelhos diante do incêndio? Essa manifestação espontânea de Fé, em meio à impiedade generalizada das nossas metrópoles, não é um milagre tão portentoso quanto os vitrais de Notre-Dame resistindo ao fogo?

As catedrais legadas por nossos antepassados são mais fortes do que acreditamos. E mais forte, muito mais sólida do que as paredes de pedra, é a Fé Católica pela qual os mártires verteram o seu sangue e de cuja vivacidade os santos deram testemunho com a própria vida. O que recebemos do passado é mais duradouro do que aquilo que encontramos no presente. Notre-Dame resistiu ao fogo no centro da França; como seria possível que a Fé Católica não sobrevivesse aos assaltos do mundo no coração dos franceses? Não é a Fé da Igreja muito mais indestrutível do que as antigas catedrais? Se estas resistem aos séculos, como poderia aquela vir a perecer?

Obrigado, Notre-Dame! A Semana Santa iniciou com a catedral em chamas. Que saibamos discernir os sinais dos céus. Que possamos nos arrepender e fazer penitência por nossos pecados; que possamos seguir os passos de Nosso Senhor. Com os olhos fitos na Ressurreição d’Aquele que venceu o mundo. Com a certeza de que as portas do Inferno não prevalecerão jamais contra a Igreja.

Fonte Original AQUI

O glioma é o tipo mais comum de tumor cerebral maligno primário nos Estados Unidos; glioblastoma sendo o tipo mais comum de glioma em adultos. Embora as diferenças entre os sexos nas taxas de incidência e sobrevivência do glioma fossem conhecidas, os pesquisadores não investigaram se as diferenças genéticas baseadas no sexo poderiam lançar luz sobre potenciais diferenças no perfil de risco do glioma entre homens e mulheres.

Agora, uma equipe da Escola de Medicina da Universidade Case Western Reserve, em conjunto com um consórcio internacional de pesquisadores, descobriu que homens e mulheres têm diferentes fatores de risco genético para o desenvolvimento de glioma.

A pesquisa foi publicada recentemente em Relatórios Científicos. O estudo envolveu o trabalho de mais de 35 investigadores representando mais de 30 universidades, institutos e agências governamentais em todo o mundo.

“Análises estratificadas por sexo em estudos como esse podem revelar novos insights sobre as diferenças sexuais conhecidas no glioma e fornecer associações de risco genético previamente desconhecidas”, disse Jill Barnholtz-Sloan, professora designada de pesquisa sobre tumor cerebral na Case Western Reserve.

“Esta descoberta pode fornecer uma avenida [de informações] para obtermos uma melhor compreensão das diferenças sexuais na incidência de tumores cerebrais, e também pode sugerir vários mecanismos e vias da doença”, completa.

O consórcio analisou as diferenças genéticas entre todos os pacientes com glioma, glioblastoma e não glioblastoma com base no sexo. Drª. Quinn Ostrom surgiu com a ideia para o estudo, enquanto ela era uma assistente de pós-graduação de Barnholtz-Sloan. Ostrom agora está fazendo pós-doutorado em epidemiologia do câncer no Baylor College of Medicine, em Houston, Texas.

Os pesquisadores encontraram três regiões no genoma onde existiam diferenças genéticas significativas entre homens e mulheres, e essas diferenças também variavam por sexo e tipo de tumor (glioblastoma vs. não-glioblastoma).

“Há um que está claramente associado a um risco aumentado em homens, um em que está claramente associado a um risco aumentado em mulheres, e em um que está aparecendo tanto em homens como em mulheres, mas parece ter uma associação mais forte em mulheres”, disse Barnholtz.

Embora esteja no início o processo de compreensão das fontes genéticas de diferenças baseadas no sexo em tumores cerebrais malignos, a análise recente pode ajudar a definir caminhos para um teste genético que ajude os médicos avaliar o risco de câncer no cérebro.

“Ficamos surpresos ao encontrar uma grande região no genoma associada ao glioma e especificamente glioblastoma apenas em mulheres”, disse Barnholtz-Sloan.

“Esta região não havia sido associada anteriormente com gliomas, embora outros estudos associados ao genoma tenham identificado associações nessa região para uma variedade de características, incluindo várias doenças auto-imunes, bem como o aumento da idade na menarca”, relata.

Se o aumento da exposição ao estrogênio ao longo da vida diminuir o risco de glioma, como alguns supõem, é possível que variantes que aumentem a idade da menarca (potencialmente diminuindo a exposição total ao estrogênio) possam aumentar o risco de glioma em mulheres.

Comentário:

A citação de um estudo como esse para reforçar a diferença biológica dos sexos é uma tentativa bem simples de revelar a diferença entre pensamento científico e ideologia.

A máxima feminista da atualidade, corroborada com a ideologia de gênero, está no desprezo pelas diferenças sexuais. Está em fazer parecer que a “autopercepção” e a construção de gêneros são os elementos mais importantes e determinantes na qualidade de vida de uma pessoa, quando não é.

A realidade objetiva dos fatos nos faz entender que precisamos tratar com objetividade o que é, de fato, objetivo. Não com fantasias ou elucubrações infindáveis de “subjetividades” que escapam ao senso de realidade.

Se a ideologia, e não o pensamento científico, fosse levada a cabo em todas às áreas da ciência, estudos como o citado acima jamais existiriam, pois o tal “pesquisador” jamais iria considerar o caráter objetivo – e imutável – das diferenças sexuais.

Por: Ansley Gogol

Leia para sair da bolha

Nossos dias estão lotados de distrações. Leitores pouco cautelosos correm o risco de ceder à tentação de tentar acompanhar, em tempo real, todas as polêmicas do dia na internet. Acabam lendo muito, mas aprendendo pouco. Em tempos de excesso de informação, quem não tem um plano para organizar suas leituras será inevitavelmente soterrado por elas. É preciso tomar cuidado, porém, para não cair em outra armadilha: a de evitar todos os textos que não nos agradam.

Em excesso, a disciplina na leitura corre o risco de virar alienação. Esse mal acomete fãs de livros com muita frequência. Por mais que se orgulhem de ler “de tudo – até bula de remédio”, na prática há muitos leitores que resistem a mudar seus hábitos. Conheço muitos leitores de não-ficção que não têm paciência para a ficção, e vice-versa. Alguns só leem alta literatura e torcem o nariz para os best-sellers sem piedade. Outros se prendem a um gênero, como a literatura fantástica ou policial, e jamais dão uma chance a outros temas. Há até quem só dê atenção para os clássicos e acham absurda a ideia de perder tempo com literatura contemporânea.

Para leituras na internet, fugir da monotonia é ainda mais difícil. As redes sociais e sites de busca são feitos para mostrar aquilo que queremos ler. Quanto mais demonstramos atenção por um autor ou um assunto, maior a chance de depararmos com eles no futuro. Textos que ignoramos ou rejeitamos aparecem com menos frequência.

No Facebook, muitas vezes aceleramos o processo ao “limpar” a timeline e remover  pessoas ou páginas com quem discordamos em assuntos polêmicos. Em seu livro O filtro invisível, o americano Eli Pariser faz um alerta contra esse hábito. O risco é ficar preso numa bolha em que nada ataca nossas convicções e não descobrimos nada novo. Não há mal nenhum em não saber tudo sobre o último escândalo político, não participar de todos os bate-bocas no Facebook ou não acompanhar em tempo real o cotidiano das celebridades. Os livros que mais gostamos de ler são prioridade. A leitura, antes de tudo, deve ser um prazer. Ler notícias que não nos interessam ou comprar um livro muito diferente do que costumamos ler, ou seja, se aventurar em territórios desconhecidos, pode ser importante.

Quando sentir que suas leituras estão se tornando monótonas, tente dar uma chance a um texto que você jamais leria. O exercício exige paciência. Quem só está acostumado a ler clássicos pode levar algum tempo para se acostumar com um best-seller atual. Por mais que o impulso inicial seja largar o livro, resista. Tente se acostumar com o desconhecido. Talvez você se surpreenda e descubra novas paixões. A leitura serve para nos tirar da bolha. Quem não desafia a própria ignorância é incapaz de aprender.

Fonte Original AQUI

O cardeal Robert Sarah (foto acima) prefeito desde 2014 da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, afirmou nesta semana que “diluir a doutrina moral católica não vai atrair os jovens” – e isso vale também para os ensinamentos católicos sobre a sexualidade humana.

Ao falar durante o Sínodo dos Jovens no Vaticano, o cardeal nascido em Guiné, na África, declarou, no último dia 16 de outubro, o que considera que a Igreja tem de fazer:

Propor corajosamente o ideal cristão que corresponde à doutrina moral católica e não diluí-lo, escondendo a verdade para atrair os jovens ao seio da Igreja”.

O cardeal Sarah observou que os ensinamentos da Igreja até podem não ser compartilhados por todos, mas ninguém pode acusá-la de não ser clara. No entanto, essa clareza nem sempre chega a todos os fiéis:

“Falta clareza por parte de alguns pastores ao explicarem a doutrina”.

E este fato, segundo o purpurado, exige “um profundo exame de consciência”.

Ele mencionou a passagem evangélica do jovem rico para destacar a radicalidade de Jesus, que lhe disse para vender tudo, doar aos pobres e então segui-Lo.

“Jesus não aliviou nenhuma das suas exigências no seu chamado”.

E a Igreja também não deveria aliviá-las, reforçou em seguida o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Sarah recordou ainda que os jovens ambicionam “justiça, transparência na luta contra a corrupção e respeito à dignidade humana”. É um grave erro “subestimar o alto idealismo dos jovens”, além de uma falta de respeito que “fecha as portas para um processo real de crescimento, maturidade e santidade. Ao respeitarmos e promovermos o idealismo dos jovens, podemos conseguir que eles se tornem o recurso mais precioso de uma sociedade que quer crescer e melhorar”.

O cardeal guineense tem acumulado elogios e conquistado grande respeito de jovens católicos ansiosos por clareza e firmeza na exposição e na preservação da doutrina católica.

Do convento para a televisão. Assim foram os últimos dias da Irmã Juliana Cruz, uma religiosa que pertence à ordem das Irmãs Dominicanas da Virgem do Rosário de Fátima de Porto Rico.

Apaixonada pela culinária de seu país, ela ficou famosa depois de participar do MasterChef Latino. A irmã não chegou à final da competição, mas a passagem pelo programa a motivou a lançar uma revista eletrônica que mistura culinária e evangelização.

“A revista ‘SisterChef‘ surge para atender a uma demanda de milhares de pessoas que me seguiram pelas redes sociais durante a minha participação no MasterChef Latino. Agora, eu terei a oportunidade de interagir e compartilhar com elas os meus temperos”, disse a religiosa. Os vídeos serão publicados no Facebook, Instagram, YouTube e Twitter.

O que nasceu primeiro, a religiosa dominicana ou a cozinheira?

IRMÃ JULIANA CRUZ, O. P.: A cozinheira, pois aprendi a cozinhar em casa. Desde criança, recebia instruções sobre como fazer as coisas de uma maneira única e perfeita. Foi em casa que meu pai e minha mãe me educaram e me formaram. Meus grandes mestres na cozinha também foram meus pais e minhas irmãs. Venho de uma família grande; os mais velhos iam ensinando os menores e assim por diante.

Por que decidiu se juntar às irmãs dominicanas?

Minha vocação religiosa surgiu da formação que recebi em casa. Madre Dominga Guzmán, fundadora da Congregação, dizia que a fé é semeada pelos pais nos corações dos filhos. Assim aconteceu comigo. Há 35 anos, algumas irmãs chegaram para trabalhar com algumas famílias em minha cidade e eu gostei deste estilo de vida, por isso decidi me juntar a elas.

Como é a vida no convento? A senhora também cozinha lá?

Cozinho quando eu posso. Mas, depois da minha participação no MasterChef, passei a cozinhar mais no convento.

A senhora ganhou fama nas redes sociais e nos meios de comunicação por causa do programa. Como chegou até lá e o que a experiência lhe ensinou?

Cheguei ao programa porque as irmãs me escolheram para representar a Congregação. Para mim, foi um grande compromisso, pois não era só a Irmã Juliana que estava lá, mas uma irmã dominicana de Fátima, uma religiosa. Por isso, sempre que tive a oportunidade, levei a mensagem de que há opções de vida na vida consagrada. A participação no MasterChef me levou a aprofundar ainda mais a minha fé e a minha vocação, reconhecendo as maravilhas de Deus em cada um de nós, já que, em Sua misericórdia, ele escolhe os instrumentos para levar Sua mensagem de salvação.
Naquela ocasião, ele me escolheu. Eu, que não sou das redes sociais e não amo os meios de comunicação. Mas estou aceitando minha opção de vida e esquecendo meus gostos pessoais para levar a mensagem que Deus quer que eu leve.

Como a senhora conseguiu conciliar a vida contemplativa com um reality show?

Sempre tive muito presente em mim que sou religiosa e que tinha que levar minha vida consagrada acima de tudo. Durante o programa, não tive oportunidade de viver minha vida comunitária. Mas sempre estive em silêncio e oração. No período do programa, me impus uma disciplina maior do que tenho no convento, já que assumi um compromisso que não me permitia luxos ou comodidade.

A senhora se imagina algum dia preparando um prato para o Papa Francisco? Tem alguma sugestão de cardápio?

Preparar um prato para o Papa Francisco? Morreria de emoção! O prato ficaria salgado, pois eu iria chorar o tempo todo… Mas, se eu tivesse esta oportunidade, sem dúvida recomendaria um prato porto-riquenho, uma boa sopa com carne de frango deste país para rejuvenescer e dar força física, já que o Santo Padre já tem a força do Espírito Santo com ele.

Aleteia

Um livro publicado recentemente nos Estados Unidos pretende mostrar uma realidade sobre a Igreja Católica pouco difundida. O título da obra já expõem a tese defendida: “Heroísmo e Gênio: de como os sacerdotes católicos ajudaram a construir – e podem ajudar a reconstruir – a civilização ocidental”.

“Durante este período, os sacerdotes católicos, somando-se a tantos homens de heroísmo e gênio em suas filas e também devido a suas posições de liderança, se converteram nos pioneiros e construtores insubstituíveis da cultura e da ordem sociopolítica cristã. ‘Heroísmo e Gênio’ apresenta alguns destes homens formidáveis”, diz na apresentação do livro.

O Padre William J. Slattery, autor do livro, ressalta o modo como a Igreja Católica construiu uma nova civilização inspirada pela Fé. “A construção e a conservação da civilização ocidental, em meio ao desgaste e terremotos culturais, é uma saga que se estende ao longo de mil e seiscentos anos”, explica na obra.

Segundo o professor da Universidade de Phoenix, Robert Curtis, esta perspectiva é surpreendente e profunda. “Em todos lugares que olhamos na história, desde os momentos de povoar regiões até os descobrimentos científicos, os momentos de conquista, os sacerdotes católicos estão ali: aplicando a razão, buscando as verdades menos conhecidas da criação de Deus e exigindo justiça”.

Após o colapso de Roma, o trabalho dos sacerdotes foi de suma importância para unificação cultural da Europa e a construção da civilização ocidental. Os sacerdotes ofereceram aos governos conceitos de dignidade humana e liberdade, além de desenvolver o conceito de cavalaria e ordens monásticas.

Os sacerdotes também praticaram e impulsionaram as artes, a música e a ciência, “sempre na vanguarda do desenvolvimento humano, sempre buscando revelar a criação de Deus”, comentou Curtis.

Dentre os sacerdotes famosos estão o Beato Fra Angélico, de enorme transcendência nas artes plásticas, o grande compositor Antônio Vivaldi e os cientistas Copérnico e George Lamaitre. São Tomás de Aquino e Santo Alberto Magno foram os sacerdotes que defenderam conceitos como, por exemplo, os direitos de propriedade individual.

O professor Curtis ressalta que “tudo isto é apenas a superfície do que os sacerdotes têm feito pela civilização ocidental. O que os sacerdotes podem fazer por nós hoje é conduzir-nos de volta a este mesmo caminho, recordando-nos que Deus nos fez quem somos e que se insistimos em fazê-lo sozinhos – como humanistas seculares – não teremos uma oportunidade”. (EPC)

Fonte: Gaudium Press

“Dar o melhor de si” é o nome do novo documento do Dicastério para os Leigos, Família e Vida do Vaticano, publicado no último dia 1 de Junho.

Apresentado pelo Cardeal Kevin Farrell, Prefeito do Dicastério, o documento, que é o primeiro na história da Igreja dedicado ao esporte, pretende ajudar atletas e equipes a entenderem a relação entre dar o melhor de si no esporte e também na fé cristã.

Padre Alexandre Awi Mello, Secretário do Dicastério para os Leigos, Família e a Vida, afirmou que documentos como esse, apresentado pelo Dicastério, são pontos de diálogo da Igreja com a sociedade. “A Igreja quer com este documento estimular a prática do esporte e os valores esportivos que estão também presentes no evangelho. O Papa Francisco dá tanta importância para o mundo do esporte, ele sempre manda mensagens para os esportistas, (…) por isso o documento recolhe todas essas informações não só do Papa, mas de todos os Papas anteriores, desde Pio X”, contou.

“Assim temos a possibilidade de ajudar o mundo do esporte a cultivar ainda mais os valores da Igreja, e a Igreja a estimular ainda mais a Pastoral do Esporte e todos aqueles que, no âmbito eclesial, trabalham com esportistas”, comentou o sacerdote.

Em carta divulgada pelo Vaticano, também nesta sexta-feira, 1, o Papa Francisco manifestou alegria em receber a notícia da publicação do documento que tem como título uma frase de sua autoria, dita aos jogadores de futebol e dirigentes do time “Villareal”, da Espanha, em fevereiro do ano passado, 2017.

O Santo Padre destacou na carta o importante papel da Igreja no mundo do esporte e como o esporte pode ser um instrumento de encontro, formação, missão e santificação. “A Igreja é chamada a ser sinal de Jesus Cristo no mundo, também através do esporte praticado em oratórios, paróquias, escolas e associações… Toda ocasião é boa para levar a mensagem de Cristo”, frisou.

Francisco aproveitou a oportunidade para retomar o chamado a santidade, tema de sua última exortação, Gaudete et exsultate. “Dar o melhor de si no esporte também é um chamado para aspirar à santidade. Durante o recente encontro com os jovens em preparação para o Sínodo dos Bispos, expressei a convicção de que todos os jovens presentes lá fisicamente ou através de redes sociais tinham o desejo e a esperança de dar o melhor de si mesmos. Usei a mesma expressão na recente Exortação Apostólica lembrando que o Senhor tem um modo único e específico de chamar a santidade para cada um de nós”, afirmou.

O pontífice prosseguiu citando a necessidade humana de aprofundar e estreitar a relação que existe entre o esporte e a vida: “O esforço para se superar em uma disciplina atlética também serve como um estímulo para sempre melhorar como pessoa em todos os aspectos da vida. Essa busca nos coloca no caminho que, com a graça de Deus, pode nos levar àquela plenitude de vida que chamamos de santidade”.

“O esporte é uma fonte muito rica de valores e virtudes que nos ajudam a melhorar como pessoas. Como o atleta durante o treinamento, a prática esportiva nos ajuda a dar o melhor de nós, a descobrir nossos limites sem medo e a lutar para melhorar a cada dia. Deste modo, todo cristão, na medida em que se santifica, torna-se mais frutífero para o mundo”, reforçou o Papa. O Santo Padre prosseguiu sua reflexão afirmando aos esportistas cristãos que a santidade deve ser um esporte vivo como meio de encontro, de formação, de personalidade, de testemunho e de proclamação da alegria de ser cristão.

“Que este documento produza frutos abundantes tanto no compromisso eclesial como no cuidado pastoral do esporte, como para além da esfera da Igreja. A todos os esportistas e agentes pastorais que se reconhecem na grande ‘equipe’ do Senhor Jesus”, peço-lhe que orem por mim”, concluiu Francisco.

Doutor Alexandre, escritor e coordenador geral do Movimento de Vida Cristã no Peru, comentou a publicação do documento e os efeitos positivos que ele causará em sociedade. “Esse ponto de encontro da sociedade, que é o esporte, (…) deve ser esse jogo limpo, de torcermos por um time, pela seleção, mas sempre priorizando o amor pelo próximo”. O escritor encerrou: “É um convite da Igreja para que vivamos esta unidade no corpo, na alma e no espírito”.

Fonte: Canção Nova

Essa interrogação e as variações e implicações que dela derivam são respondidas agora por uma nova pesquisa longa e precisa realizada pelo Pew Research Center, entre abril e agosto de 2017, e tornada pública no original em inglês nos últimos dias.

O Pew Research Center é um think tank estadunidense, com sede em Washington, que fornece informações sobre problemas sociais, opinião pública e tendências demográficas sobre os Estados Unidos e o mundo em geral. Realiza sondagens de opinião pública, pesquisas demográficas, análises de conteúdo das mídias e outras pesquisas no campo das ciências sociais empíricas.

O texto que aqui publicamos é uma síntese elaborada pelo próprio centro e é tirada de um relatório acompanhado no original por inúmeros gráficos ilustrativos.

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A Europa ocidental, berço do protestantismo e historicamente sede do catolicismo, tornou-se uma das regiões mais seculares do mundo. Embora a grande maioria dos adultos afirme que recebeu o batismo, hoje muitos deles não se definem como cristãos. 

Porém, na maioria dos casos, os adultos entrevistados se consideram cristãos de fato, mesmo que raramente frequentem a Igreja.

A pesquisa mostra que os cristãos não praticantes (como são definidas no relatório as pessoas que se declaram como cristãs, mas que participam nas funções religiosas apenas algumas vezes por ano) representam a cota mais ampla da população na região em questão.

Em todos os países, exceto na Itália, são mais numerosos do que os cristãos praticantes (ou seja, aqueles que participam das funções religiosas pelo menos uma vez por mês). Os cristãos não praticantes são mais numerosos do que aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião (ou seja, pessoas que se identificam como ateias, agnósticas ou “de nenhuma religião em particular”) na maioria dos países incluídos na pesquisa.

Com a palavra, os dados

O estudo do Pew Research Center, realizado sobre mais de 24.000 entrevistas telefônicas com adultos selecionados aleatoriamente, incluindo cerca de 12.000 cristãos não praticantes, revela que a identidade cristã continua sendo uma marca significativa na Europa ocidental, mesmo entre aqueles que raramente frequentam a Igreja.

Não se trata simplesmente de uma identidade “nominal” sem relevância prática. Ao contrário, o ponto de vista dos cristãos não praticantes sobre a religião, a política e a cultura é muitas vezes diferente do dos cristãos praticantes e/ou adultos que não se reconhecem em nenhuma religião.

A identidade cristã na Europa ocidental, de fato, está associada a opiniões mais negativas em relação aos imigrantes e às minorias religiosas. No geral, aqueles que se professam cristãos, frequentam a igreja ou não, são mais propensos a expressar opiniões negativas contra os imigrantes, assim como aos muçulmanos e aos judeus, em comparação com aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião.

Por exemplo, 63% dos cristãos praticantes na Itália afirmam que o Islã é fundamentalmente incompatível com a cultura e os valores italianos, opinião compartilhada por 51% dos cristãos não praticantes. Entre os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião, ao contrário, a porcentagem de entrevistados que considera que o Islã é fundamentalmente incompatível com a cultura e os valores do próprio país é inferior (29%).

Na Europa, observa-se uma distribuição análoga em relação às limitações para o vestuário das mulheres muçulmanas em público: os cristãos são mais propensos do que as pessoas com “nenhuma religião” a afirmar que as mulheres muçulmanas deveriam poder não usar qualquer indumentária religiosa.

Os cristãos praticantes, os cristãos não praticantes e as pessoas que não se reconhecem em nenhuma religião também diferem em termos de atitude em relação ao nacionalismo.

Os cristãos não praticantes são menos propensos do que os cristãos praticantes a expressar pontos de vista nacionalistas. Porém, são mais propensos do que os entrevistados com “nenhuma religião” a afirmar que a própria cultura é superior às outras e que é necessário ter pais de um país para compartilhar sua identidade nacional (por exemplo, é necessário ter uma tradição familiar espanhola para ser realmente espanhóis).

Na Itália, por exemplo, a maioria dos cristãos praticantes (57%) concorda com a afirmação “os meus compatriotas não são perfeitos, mas a nossa cultura é superior às outras”. Esse percentual cai para 49% entre os cristãos não praticantes, mas, contudo, permanece superior aos 14% dos italianos adultos que não se reconhecem em nenhuma religião que compartilha esse ponto de vista.

Imigrantes e minorias

A pesquisa, que foi realizada após uma escalada dos fluxos migratórios dirigidos à Europa e provenientes de países de maioria muçulmana, fez muitas outras perguntas sobre a identidade nacional, o pluralismo religioso e a imigração.

A maioria dos europeus ocidentais se declara disposta a aceitar muçulmanos e judeus no seu bairro e na própria família, e, em grande parte, não concorda com as afirmações negativas sobre esses grupos. Além disso, no geral, o número de entrevistados que afirmam que os imigrantes são honestos e trabalham duro é maior do que os da opinião contrária.

No entanto, existe um modelo que emerge de modo claro e coerente: os cristãos, tanto praticantes quanto não praticantes, são mais propensos do que os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião na Europa ocidental a expressar opiniões desfavoráveis em relação aos imigrantes e às minorias e pontos de vista nacionalistas.

Há também outros fatores que estão fora da identidade religiosa e que estão intimamente ligados a essas posições. Por exemplo, o nível de educação mais alto e o conhecimento direto de uma pessoa muçulmana tendem a se associar a uma maior abertura em relação à imigração e às minorias religiosas.

Além disso, a identificação com a direita política está fortemente conectada com posições anti-imigração. Dito isso, mesmo empregando técnicas estatísticas para levar em conta esses e muitos outros fatores, incluindo idade e sexo, os europeus ocidentais que se identificam como cristãos são mais inclinados a expressar sentimentos negativos sobre os imigrantes e sobre as minorias religiosas do que aqueles que não se reconhecem em nenhuma religião.

Pontos de divergência

Os cristãos não praticantes, os cristãos praticantes e os adultos que não se reconhecem em nenhuma religião mostram outros pontos divergência importantes nessa área geográfica:

– embora afirmando não acreditar em Deus “como descrito na Bíblia”, muitos cristãos não praticantes tendem a acreditar em algum outro poder superior ou força espiritual. Pelo contrário, a maioria dos cristãos praticantes afirmam acreditar na descrição bíblica de Deus. E uma clara maioria dos adultos que não se reconhecem em nenhuma religião não acredita em nenhum tipo de poder superior ou força espiritual no universo.

os cristãos não praticantes tendem a expressar posições mais positivas do que negativas em relação às Igrejas e a outras organizações religiosas, declarando que desempenham uma função socialmente útil, ajudando os pobres e fortalecendo os laços dentro das comunidades. Suas atitudes em relação às instituições religiosas não são favoráveis como as dos cristãos praticantes, mas, em comparação com os europeus que não se reconhecem em nenhuma religião, os cristãos não praticantes são mais propensos a afirmar que as Igrejas e as outras organizações religiosas contribuem positivamente com a sociedade.

– a grande maioria dos cristãos não praticantes, como aquela das pessoas que não se reconhecem em nenhuma religião na Europa ocidental, é favorável ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os cristãos praticantes são mais conservadores sobre essas questões, embora, dentro desse segmento, haja um apoio substancial (em alguns países, majoritário) ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

– quase todos os cristãos praticantes que são pais ou tutores de menores (com menos de 18 anos) afirmam criá-los de acordo com os princípios cristãos. Entre os cristãos não praticantes, um percentual ligeiramente inferior, que ainda representa a imensa maioria, afirma criar os próprios filhos como cristãos. Por outro lado, os pais que não se reconhecem em nenhuma religião geralmente criam seus filhos sem religião.

Esses são alguns dos principais resultados da nova pesquisa do Pew Research Center. O estudo, financiado pelo The Pew Charitable Trusts e pela John Templeton Foundation, faz parte de um projeto maior do Pew Research Center voltado a compreender a mudança religiosa e o seu impacto nas sociedades em todo o mundo.

Fonte: Settimana News