É bem conhecido que a fé religiosa e espiritualidade ajudam o estado mental de pessoas que sofrem de depressão e até poderia retardar a evolução de tumores. Esta não é uma hipótese, a confirmação experimental vem de uma pesquisa publicada pela revista Cancer em uma grande amostra de pacientes que apresentavam tumores. Ainda não está claro, contudo, como a fé pode influenciar na evolução dos tumores, se ajuda a mudar a atitude psicológica com a qual se enfrenta a doença ou se influencia o funcionamento neurobiológico e imunológico, fortalecendo as defesas.

É um tema apaixonante aprofundado por Boris Cyrulnik, psiquiatra francês de origem judaica, que sobreviveu em sua infância às perseguições nazistas.

O livro Psychothérapie de Dieu [Psicoterapia de Deus, em tradução livre  (imagem da capa acima- Odile Jacob: 2017)] explora em vários capítulos a crescente influência das religiões no mundo ocidental. E essa religiosidade diz respeito a cristãos, judeus e muçulmanos que vivem uma experiência totalizadora que afeta as práticas da vida cotidiana e a sua visão de mundo. E enquanto a religião tem suas próprias cerimônias de culto, a espiritualidade geralmente indica uma vivência e uma jornada interior que não necessita de uma prática religiosa.

A adesão e o pertencimento à religião são construídos dia a dia desde a infância, como a linguagem, escreve Cyrulnik. De fato, através do exemplo e das orientações dos pais, as crianças introjetam a fé que se torna parte integrante de sua identidade. No filme de Woody Allen ‘Crimes e Pecados ‘o protagonista, que pertence a uma família judaica praticante, relata que, quando criança os pais lhe repetiam “Deus olha o tempo todo o que você faz”: “Talvez por isso – comenta ironicamente – tenha me tornado oftalmologista”.

O sentimento religioso está entrelaçado desde o início com um apego amoroso aos pais e ajuda a sentir-se mais seguro. Quando precisam ser enfrentadas tarefas exigentes ou se sofrem traumas e adversidades, nos voltamos para Deus com a esperança de que sua intervenção possa ser decisiva. E também quando nos sentimos sozinhos e desesperados, a relação emocional com Deus pode ser reconfortante, ajudando a reencontrar a própria segurança pessoal.

Mas o sentimento religioso não afeta apenas a mente, o corpo também é envolvido. Nas práticas religiosas, os fiéis ajoelham-se e deitam-se no chão, batem no peito, movem-se ritmicamente com o corpo, quase a reforçar com um envolvimento total a própria participação religiosa. O próprio cérebro é chamado em causa quando nos dirigimos à religião, principalmente quando se atingem experiências de ascetismo e êxtase.

Talvez no livro não seja suficientemente aprofundado o envolvimento do cérebro na vivência religiosa, embora estudos interessantes tenham sido publicados nos últimos anos. Estes incluem um estudo italiano que documentou quais áreas cerebrais são ativadas quando há uma imersão na meditação e se entra em um mundo transcendente, no qual se perde a noção do tempo e se atinge uma fusão ideal. Não seria uma única área cerebral que explicaria a espiritualidade, existiria a intervenção de grandes áreas cerebrais que interagem entre si, desde o córtex frontal até o córtex temporal e parietal. O maior valor do livro consiste em abordar os significados da experiência religiosa com espírito crítico, mas também profundamente respeitoso, também porque as religiões estão assumindo cada vez mais relevância no mundo contemporâneo.

Fonte: La Repubblica

A ofensiva de críticas e calúnias forçou a criação de um setor médico para apurar a autenticidade das curas sobre bases estritamente científicas.

Para cortar o passo às más interpretações iniciais, em 28 de julho de 1858 — ou seja, doze dias após a última aparição — o bispo diocesano, D. Laurence, nomeou uma “comissão encarregada de constatar a autenticidade e a natureza dos fatos que têm acontecido… numa gruta no oeste da cidade de Lourdes”.

Foi o ponto de partida do atual Bureau Médico de Lourdes.

Com ele, o espírito naturalista e de orgulho revolucionário haveria de sofrer outro revés.

Pois o Bureau passou a constatar, com base em critérios muito rígidos, que o inexplicável naturalmente — o milagre — acontece para aqueles que apelam à graça da Virgem Santíssima, que esmaga sob seus pés o pai de todas as revoltas, Satanás.

O atual Bureau Médico de Lourdes apura, apenas do ponto de vista médico, se as curas alegadas pelos fiéis são explicáveis ou não pela ciência.

Se não o são, o Bureau encaminha a conclusão do inquérito ao Bispo da diocese do miraculado.

O Prelado então decide se reconhece oficialmente ou não o milagre.

As atribuições estão muito claramente definidas. O Bureau se pronuncia apenas do ponto de vista médico, jamais do ponto de vista religioso-sobrenatural. Por isso, não fala em milagre, mas em cura inexplicável pela ciência.

Por sua vez, os Bispos não se pronunciam do ponto vista médico. Eles apenas proclamam que houve milagre, quando julgam isso oportuno.

Portanto, a constatação pelo Bureau, de cura que vai além de quanto a medicina conhece, é o primeiro e indispensável passo para o reconhecimento oficial do milagre.

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O milagre mais recente foi reconhecido em 2018

Confira o mais recente dos 70 milagres confirmados em Lourdes – entre milhares de alegações de milagres que a Igreja descartou por constatar que eram curas cientificamente explicáveis. O milagre número 70 foi oficialmente divulgado em fevereiro de 2018, após nada menos que 10 anos de estudos e avaliações:

Dom Jacques Benoit-Gonnin, bispo de Beauvais, na França, anunciou oficialmente o reconhecimento do 70º milagre atribuído à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes.

Trata-se da cura milagrosa da irmã Bernadette Moriau, uma religiosa que atualmente tem 79 anos de idade. Ela não conseguia andar sem ajuda e peregrinou ao santuário mariano em 2008. Após anos de avaliações e estudos por parte de médicos, cientistas e autoridades católicas responsáveis pela análise de supostos milagres, a confirmação de que esta cura é cientificamente inexplicável foi tornada pública de modo oficial neste domingo, 11 de fevereiro, dia em que a Igreja celebra Nossa Senhora de Lourdes e o Dia Mundial dos Enfermos.

A religiosa, que pertence à congregação das Franciscanas Oblatas do Sagrado Coração de Jesus, sofria de um tipo de estenose espinhal que afeta o conjunto de nervos localizado ao final da medula espinhal. A doença, que é conhecida como “síndrome da cauda equina”, afetava a irmã Bernadette desde o final dos anos 1960.

Em vídeo postado no YouTube, a religiosa relata:

“Em fevereiro de 2008, o meu médico me convidou a fazer uma peregrinação diocesana de 3 a 7 de julho (…) Eu nunca tinha estado em Lourdes. Quando estava doente, visitei o santuário com a alegria de todos os peregrinos, porque naquele ano celebramos os 150º aniversário das aparições de Nossa Senhora. Na gruta, eu senti a presença misteriosa de Maria e da pequena Bernadette (…) Não pedi a cura, mas a conversão do coração e a força para seguir o meu caminho”.

Quatro dias depois de terminar a peregrinação a Lourdes, a freira teve “uma sensação de calor e uma melhora em todo o meu ser. Eu me senti bem”. A experiência aconteceu durante a adoração ao Santíssimo Sacramento, em sua comunidade religiosa.

O bispo de Beauvais explicou, em comunicado oficial, que, naquele mesmo dia, quando a irmã Bernadette acabou a oração e voltou para o quarto, deixou de lado todos os equipamentos e começou a andar imediatamente, sem ajuda e com total autonomia. “As irmãs testemunharam este acontecimento“.

Depois de consultar seu médico, a religiosa procurou a Comissão Médica Internacional de Lourdes, que, conforme o protocolo adotado para todos os casos de supostos milagres de cura ocorridos no santuário, passou a realizar uma série de testes, estudos e exames que duraram 8 anos. Em sua assembleia de 18 e 19 de novembro de 2016, a comissão apresentou a conclusão de que a cura da religiosa é “inexplicável no estado atual dos nossos conhecimentos científicos”.

O bispo relatou que foi oficialmente informado sobre os estudos da comissão médica em fevereiro de 2017, quando deu prosseguimento ao minucioso protocolo da Igreja para as avaliações de milagres desse tipo, submetendo aqueles estudos à consideração de uma comissão diocesana. Após essa análise e as oportunas reflexões sobre as conclusões médicas e a relação entre a cura e a peregrinação realizada pela irmã Bernadette a Lourdes, dom Jacques reconheceu o caráter milagroso da cura “como um sinal dado por Deus através da intercessão de Nossa Senhora de Lourdes“.

O bispo, que não conhecia a religiosa antes da cura inexplicável, se declarou feliz com o milagre, comentando:

Poder expressar conscientemente que Deus interveio é algo que me supera. De fato, para a Igreja, um milagre é uma ação de Deus que diz algo sobre Ele e o seu desígnio para a humanidade. Muitas vezes o milagre é realizado através da intercessão de um santo que é invocado. Neste caso, Deus age através da intercessão da Virgem Maria, venerada em Lourdes“.

Luis Dufaur

Testemunho da miraculada (em Francês)

Alguns dos sofrimentos de Nosso Senhor estampados no Santo Sudário

  • Cinquenta perfurações na fronte, na testa e na nuca foram produzidas pela Coroa de espinhos. Galhos espinhosos muito duros foram grosseiramente trançados, amarrados sobre a cabeça por um punhado de juncos torcidos, e fincados por violentos golpes de porrete.
  • A divina Face está inchada pelas contusões devido às bofetadas, aos socos, aos golpes de bastões e às quedas; o nariz está fraturado: a cartilagem se descolou do osso (o qual não se quebrou); a fronte está contundida; a sobrancelha esquerda, o lábio superior e as maçãs do rosto estão tumefatos.
  • No Corpo martirizado de Nosso Divino Redentor podem contar-se pelo menos 120 golpes de açoite.
  • Os flageladores eram dois, um de cada lado. Nosso Senhor estava amarrado a uma coluna e foi flagelado no Corpo inteiro.
  • O flagelo romano era composto de duas ou três correias de couro que terminavam em pequenos ossos de pontas agudas ou em pequenas travas de chumbo com duas bolas nas extremidades.
  • O ombro direito e o omoplata esquerdo estão machucados pelo peso da Cruz *, que rolando e esfregando-se na carne viva, durante a subida ao Calvário, reabriu, afundou e alargou as feridas da flagelação, até constituir uma só chaga sangrenta.
  • O peito muito saliente denota a terrível asfixia suportada durante as três horas de agonia, e que acabou causando a morte.
  • As feridas dos cravos estão nos pulsos e não nas palmas das mãos.
  • Ao perfurar o pulso, o prego secciona em parte o nervo mediano, causando dores que normalmente fariam desmaiar a vítima, e contrai o polegar para o interior da palma da mão.
  • Os dois joelhos estão chagados devido às quedas durante a subida do Calvário.
  • Um só prego foi suficiente para fixar os pés sobre o madeiro da Cruz; os joelhos foram levemente dobrados, o pé direito aplicado sobre a Cruz e o esquerdo sobre ele.
  • O golpe de lança produziu no sagrado lado uma larga ferida que ficou aberta, pois Nosso Senhor já estava morto. Dela manou sangue em abundância, vindo da aurícula direita do Coração e água da cavidade pleural.
  • Nota: Segundo os estudos feitos por médicos desde Barbet em 1933 até hoje, e confirmados pelos estudos científicos de 1978 realizados pela equipe norte-americana, os condenados à cruz eram obrigados a carregar não a cruz inteira, mas a trave transversal, ou “patibulum”. Esta era encaixada na parte vertical, ou “stipes”, que ficava já fixada no local das execuções. Isso veio confirmar as afirmações feitas por arqueólogos e exegetas de que Nosso Senhor carregou o “patibulum”, a parte transversal, cujo peso foi avaliado em 50 kg. aproximadamente. 

Digitalização de página da Revista Catolicismo

Afirmar que o cristianismo persiste por dois mil anos, alicerçado exclusivamente na coluna da fé, é na melhor das hipóteses ignorância; na pior, desonestidade intelectual. E infelizmente, desconhecimento e improbidade estão em voga na desconstrução do cristianismo, por exemplo: toda pessoa minimamente informada, sabe que existe uma gigantesca probabilidade do universo ter surgido de um evento denominado Big Bang, mas poucas apreendem que antes deste evento não havia matéria, espaço e tempo, ou que tal teoria foi proposta por um padre jesuíta, doutor em astrofísica e amigo de Albert Einstein (1879 – 1955), Pe. Georges Lemaître (1894 – 1966).

Sendo altamente aceitável que a natureza (matéria, espaço e tempo) surgiram do nada [1], similarmente ao que está narrado em Gênesis, não é razoável considerar a hipótese de que o Big Bang possa ter sido gerado por algo incorpóreo, atemporal e não causado, portanto, que transcenda a natureza?

No livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, os autores Norman Geisler e Frank Turek demonstram que além da cosmologia, diversos outros abundantes fatores apontam claramente para a existência do Deus Cristão. Como acima foi sumarizado o conceito cosmológico, leia abaixo alguns parágrafos do capítulo que destrói o darwinismo:

Johnny, com 16 anos de idade, desceu de seu quarto e correu para a cozinha atrás de uma tigela de seu cereal favorito: Alpha Bits, aqueles flocos de cereal com o formato de letras do alfabeto. Quando chegou à mesa, foi surpreendido por ver que a caixa do cereal estava aberta, o conteúdo fora derramado e as letras formavam a mensagem LEVE O LIXO PARA FORA — MAMÃE em sua tigela.

Lembrando-se de uma recente aula de biologia do ensino médio, Johnny não atribuiu a mensagem à sua mãe. Além do mais, ele aprendeu que a vida em si é meramente um produto do acaso, das leis naturais. Se era esse o caso, pensou Johnny, por que não seria possível que uma simples mensagem como “Leve o lixo para fora — Mamãe” não fosse o produto do acaso e das leis naturais? Talvez o gato tivesse derrubado a caixa ou um terremoto tivesse chacoalhado a casa. Não fazia sentido chegar a qualquer conclusão. Johnny não queria levar o lixo para fora de jeito nenhum. Ele não tinha tempo para as tarefas da casa. Estava em suas férias de verão e queria ir para a praia. Mary estaria lá.

Uma vez que Mary era a garota de quem Scott também gostava, Johnny queria chegar à praia mais cedo para surpreender Scott. Mas quando Johnny chegou, viu Mary e Scott caminhando de mãos dadas pela praia. Enquanto os seguia a distância, olhou para baixo e viu um coração desenhado na areia com as palavras “Mary ama Scott” rabiscadas no meio. Por um momento, Johnny sentiu seu coração afundar. Mas as lembranças de sua aula de biologia o resgataram do desespero profundo.

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É desonestidade ou cegueira proposital sugerir que mensagens como “Leve o lixo para fora — Mamãe” e “Mary ama Scott” são obras de leis naturais. Contudo, essas conclusões são perfeitamente compatíveis com os princípios ensinados na maioria das aulas de biologia do nível médio e das universidades hoje em dia. É nesses lugares que os biólogos naturalistas afirmam dogmaticamente que mensagens muito mais complicadas são produtos de leis naturais. Eles fazem essa afirmação na tentativa de explicar a origem da vida.

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Desde a década de 1950, o avanço da tecnologia tem capacitado os cientistas a descobrirem um pequeno mundo de impressionante projeto e espantosa complexidade. Ao mesmo tempo que os nossos telescópios estão vendo muito mais longe no espaço, nossos microscópios estão olhando cada vez mais fundo nos componentes da vida. Enquanto as nossas observações espaciais estão se rendendo ao princípio antrópico da física, nossas observações da vida estão cedendo ao impressionante princípio antrópico da biologia.

Para demonstrar o que queremos dizer, vamos considerar a assim chamada vida “simples” — um animal unicelular conhecido como ameba. Os naturalistas evolucionistas afirmam que essa ameba unicelular (ou alguma coisa semelhante a ela) se formou por meio de geração espontânea (sem intervenção inteligente) num pequeno lago aquecido em algum lugar da Terra, quando ela ainda estava em seus primórdios. De acordo com a teoria, toda a vida biológica evoluiu baseando-se nessa ameba inicial, sem nenhum tipo de orientação inteligente. Naturalmente, esta é a teoria da macroevolução: do infantil para o réptil e do réptil para o gentio; ou do angu até tu, passando pelo zoológico.

Aqueles que acreditam nessa teoria da origem da vida são chamados de muitos nomes: naturalistas, evolucionistas, materialistas, humanistas, ateus ou darwinistas. Independentemente da maneira pela qual chamamos aqueles que acreditam nessa teoria, o ponto principal para nós é este: “Sua teoria é verdadeira?”. Parece-nos que não.

Esqueça as afirmações darwinistas de que os homens descendem dos macacos ou que os pássaros evoluíram dos répteis. O problema principal para os darwinistas não é explicar de que maneira todas as formas de vida estão relacionadas (embora, isso ainda é um grande problema). O problema principal para os darwinistas é explicar a origem da primeira vida. Para que a macroevolução naturalista seja verdade, a primeira vida precisa ter sido gerada espontaneamente com base em elementos químicos inanimados. Infelizmente, para os darwinistas, a primeira vida — na verdade, qualquer forma de vida — não é de forma alguma “simples”. Isso ficou muitíssimo claro em 1953, quando James Watson e Francis Crick descobriram o DNA, a química que codifica instruções para a construção e a replicação de todas as coisas vivas.

Figura 1

O DNA tem uma estrutura em forma de hélice que se parece com uma escada torcida. Os lados da escada são formados por desoxirribose e fosfato, e os degraus da escada consistem em ordens específicas de quatro bases de nitrogênio. Essas bases de nitrogênio recebem o nome de adenina, timina, citosina e guanina, comumente representadas respectivamente pelas letras A, T, C e G [figura 1]. Essas letras compõem o que é conhecido como o alfabeto genético de quatro letras. Esse alfabeto é idêntico ao alfabeto ocidental em termos de sua habilidade de comunicar uma mensagem, exceto pelo fato de que o alfabeto genético tem apenas quatro letras, em vez das 26 que conhecemos no alfabeto ocidental. Assim como uma ordem específica das letras numa frase transmite uma mensagem singular, a ordem específica de A, T, C e G dentro de uma célula viva determina uma composição genética singular daquela entidade viva. Outro nome para essa mensagem ou informação, quer esteja numa frase quer no DNA, é “complexidade específica”. Em outras palavras, ela não é apenas complexa, mas também contém uma mensagem específica.

A incrível complexidade específica da vida torna-se óbvia quando alguém considera a mensagem encontrada no DNA de uma pequena ameba unicelular (uma criatura tão pequena que centenas delas poderiam ser colocadas uma ao lado da outra num espaço de 1 centímetro). Richard Dawkins, cientista darwinista convicto e professor de zoologia na Universidade de Oxford, admite que a mensagem encontrada apenas no núcleo de uma pequena ameba é maior do que os 30 volumes combinados da Enciclopédia Britânica, e a ameba inteira tem tanta informação em seu DNA quanto mil conjuntos completos da mesma enciclopédia! Em outras palavras, se você fosse ler todos os A, T, C e G na “injustamente chamada ameba ‘primitiva” (como Darwin a descreve), as letras encheriam mil conjuntos completos de uma enciclopédia!

Precisamos enfatizar que essas mil enciclopédias não consistem em letras aleatórias, mas em letras numa ordem muito específica — tal como as enciclopédias reais. Portanto, aqui está a principal pergunta para os darwinistas como Dawkins: mensagens simples como “Leve o lixo para fora — Mamãe”, “Mary ama Scott” e “Beba Coca-Cola” exigem um ser inteligente, então por que a mensagem dessas mil enciclopédias não exigiria um também?

Obviamente, a obra de Geisler e Turek não tem a presunção de permutar fé por ciências, mas os autores selam o conceito proferido por Albert Einstein: A ciência sem a religião é aleijada; a religião sem a ciência é cega”.

E, como o crivo científico é limitado [2], capítulos que visam provar a divindade de Jesus Cristo, como o nono (“Possuímos testemunho antigo sobre Jesus?”), utilizam critérios investigativos frequentemente utilizados por historiadores.

Enfim, qualquer virtuoso ateísta que leia este livro precisará ter mais fé que a maioria dos cristãos para manter-se em sua cosmovisão, do contrário, ao ser questionado sobre a existência de Deus, responderá como Henry Millero problema não é se eu acredito em Deus, mas se Deus acredita em mim.

Escrito por Eric M. Rabello.

Via Culturateca

Notas:

  1. Até mesmo renomados ateus, como o astrofísico Lawrence Krauss, assumem que o universo surgiu do nadaRetornar
  2. Além do exemplo incorporado no parágrafo que referencia esta nota, outros limiares são intransponíveis para as ciências. Algumas conjunturas clássicas são: a matemática e a lógica são pressupostas pelas ciências, portanto, não são passíveis de provas; a estética não é avaliável cientificamente (a beleza de um quadro não pode ser provada pelas ciências, – formosas combinações entre cores e formas apenas geram protótipos ou plágios); a ética foge do domínio científico (é impossível comprovar cientificamente que os nazistas estavam errados); por fim, a própria crença de que o método cientifico descobre a verdade não pode ser comprovada cientificamente. 

‘Decolando na liberdade; aterrissando na escravidão’

Aviões, sobretudo de grande porte, são constituídos por muitos componentes, mas para alçarem grandes voos também dependem de fatores externos como o clima, que é inegociável, e controladores que permanecem em solo, os quais são negociáveis.  Algo análogo ocorre com nossa liberdade. Viver em país democrático, gozar de boa saúde e não ter “rabo preso” são elementos que elevam nossa liberdade, no entanto, não optamos por nascer em determinada região (ou, talvez, em permanecer nela), também não somos capazes de evitar certas doenças, por mais cautelosos que possamos ser. Na verdade, até mesmo nossos relacionamentos interpessoais são mais negociáveis do que controláveis.

Há, porém, situações que parecem mais intuitivas no campo da aerodinâmica, do que no âmbito da liberdade (ou da ausência dela). Ninguém imagina que uma aeronave seja capaz de voar com uma única asa, também não é crível que os assentos sejam indispensáveis para que os aviões se mantenham pelos céus, mesmo que sejam vitais para que esses aparelhos cumpram adequadamente as funções para as quais foram projetados. Porém, comumente vemos pessoas que “embarcam” nos conceitos do “Estado laico”, ou até mesmo nos avanços tecnológicos (normalmente essenciais e admiráveis), crentes de que eles terão como destino uma maior liberdade – nada mais absurdo!

Em um pais democrático, caso 86,8% da população considere que determinado assunto seja proibitivo para crianças, não é coerente proibi-lo aos menores? No entanto, este é o percentual exato de cristãos no Brasil [1] e, mesmo assim, sob o incentivo de que o Estado é leigo, existem recorrentes tentativas de impor nas escolas (incluindo privadas) a ‘Ideologia de Gênero’, e não é o único exemplo. Outro, talvez mais emblemático, seja o do aborto. Contudo, é evidente que o Estado, sobretudo em nossa cultura, não deve impor, por exemplo, o catolicismo. Ao contrário, deve possibilitar que mesmo crenças dotadas de poucos adeptos possam naturalmente cativar mais pessoas, e até, talvez, tornar-se predominante, a ponto de eleger políticos que possam representar a respectiva doutrina.

Talvez você questione: “mas religiões cristãs não restringem a liberdade de seus fiéis?”. Uma resposta correta, todavia, muito sucinta, seria: “não!”. E por mais absurda ou surpreendente que possa soar, tal negação é injusta, porque todo cristão que exerça sua doutrina também acabará blindando sua liberdade por causa do uso racional do livre-arbítrio.

E quase todos nós presumimos que somos soberanos em nossas escolhas, acreditamos que temos total poder para tomar decisões corretas, como não consumir entorpecentes, ou optar por algo errôneo, como ingerir drogas. Portanto, cremos que somos portadores do livre-arbítrio, e, se realmente somos, o elegemos como aliado ou opositor.

Agora considere a história fictícia do Senhor Robert, que, influenciado por seu avô, Dr. Erasmus, certa vez tomou a decisão de visitar uma antiguíssima construção, aparentemente uma espécie de penitenciária. Para solucionar o enigma, Sr. Roberts resolveu livremente entrar naquilo que parecia ser uma cela. Na sequência, optou por trancar as grades e lançar as chaves para bem longe daquele que foi seu último aposento [2]. Histórias análogas, porém reais, são comuns.

Todos nós sabemos que o consumo de drogas é opcional e que, depois de consumi-las, delas nos tornaremos escravos. Também sabemos que o mesmo ocorre com a gula, o álcool, o sexo desregrado e uma infinidade de outras coisas, muitas das quais teologicamente podem ser resumidas pela palavra “pecado”. Por outro lado, é considerável que ninguém se torne dependente de, por exemplo, ser generoso ou estar sóbrio [3].

Em suma, a liberdade provém não só da vontade como também da razão. Battista Mondin (1926 – 2015) em sua obra “Quem é Deus? Elementos da teologia filosófica”, simplificou tal fato de modo implacável: “Se não houver orientação da razão, não há liberdade e nem vontade, mas simplesmente instinto [4]”.

Neste ponto é válido questionar: como a razão, sobretudo em função da ética, pode ser balizada em um Estado laico? Afinal, como exemplificado, um Estado leigo não é norteado pela religião da maioria e, portanto, acaba sendo direcionando pelo materialismo, o qual coloca a razão, a vontade e o instinto em pé de igualdade.

Certa vez, Olavo de Carvalho proferiu o que pode elucidar o cerne do problema aqui exposto. Não utilizando exatamente das próximas palavras, ele afirmou que: “se somos desprovidos de almas, nossos pensamentos e nossas ações são apenas resultantes de processos eletroquímicos, neste caso, condenar pessoas não teria sentido, por exemplo, se um terrorista detonar um carro-bomba, ele será tão culpado ou tão inocente quanto a própria bomba – não há reações eletroquímicas morais ou imorais [5]”!

Ainda objetivando a compreender o problema do materialismo, conjeture que você tenha sido transportado para 5 de janeiro de 1919, a data da fundação do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Com isso, presuma também que você tenha a chance de aniquilar o nazismo da história, bastando, para tanto, expor cientificamente aos seguidores de Hitler e ao próprio Hitler que o arianismo é uma absurdidade – você iria falhar – mesmo que incluísse na bagagem todo o atual conhecimento cientifico e tecnológico. Neste caso a ciência é impotente! Aliás, foi a não comprovada Teoria  ( não é por acaso que a chamam de teoria. Tem muitas perguntas ainda sem resposta )da Evolução que ofereceu toda a pujança de que os nazistas precisavam. Por outro lado, o cristianismo certamente poderia estancá-los!

Hitler era cristão? Não! Se palavras seguramente revelassem a índole das pessoas, tribunais seriam desnecessários; se ações momentâneas obrigatoriamente expusessem a ideologia dos indivíduos, sempre votaríamos em candidatos virtuosos. Mas, na maioria das vezes, apenas as colheitas resultantes de um longo processo de plantio são capazes de desnudar corações. E bastam um pouco de estudo e o mínimo de sinceridade para reconhecer que o mundo se tornou menos sanguinário depois e por consequência da vinda de Cristo.

É inacreditável a determinação com que as pessoas dessa religião se ajudam umas às outras nas suas necessidades. Não se poupam em nada. O seu primeiro legislador meteu-lhes na cabeça que eles eram todos irmãos!”, Luciano de Samósata (ca. 130-200) : escritor pagão (focava em escárnios e sátiras relativas ao cristianismo. [*]

É fato corroborado que a sacralidade da vida humana, de viés notoriamente católico, fez muito mais do que “apenas” abolir duelos entre gladiadores e consolidar os hospitais do modo como hoje são estabelecidos. Muitas pessoas, incluindo cristãos, desconhecem o fato de que antes de Cristo, os pobres, os fracos e os doentes eram tratados com desprezo e, às vezes, completamente abandonados. Difícil imaginar, entretanto, a ideia de ajudar aos outros sem expectativa de reciprocidade era pouco justificável.

O historiador Thomas E. Woods Jr., em sua obra “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização ocidental”, documentou: [Platão, por exemplo, disse que um pobre homem cuja a doença o tornasse incapaz de continuar a trabalhar deveria ser abandonado à morte. Sêneca escreveu: “Nós afogamos as crianças que nascem débeis e anormais”]. Ainda no mesmo livro, Woods faz referência ao sociólogo Rodney Stark, por ter declarado que a filosofia clássica “considerava a piedade e a compaixão como emoções patológicas, defeito do caráter que os homens racionais deviam evitar. Dado que a piedade implicava prestar uma ajuda ou alívio imerecidos, era contrária à justiça [6].

Certa vez, num debate televisivo, Olavo de Carvalho exclamou: “quanto menos religiosidade autêntica, mais moralismo civil!”, mas Mario Sergio Cortella, o moderador, ficou surpreso [7]. Provavelmente, naquele dia muitos não notaram que, criar leis para que suicídios sejam evitados entre reais seguidores de Cristo, é tão útil quanto legislar para que endividados não queimem dinheiro. Jesus não “plantou” regras no papiro para colhê-las nos corações dos homens; mas agiu “em verdade e espírito”, influenciando e doando as “sementes” de seu próprio coração!

Crenças todos temos! O comandante de um voo crê na equipe de manutenção; a clientela de um restaurante crê na equipe de cozinheiros. Porém, presumir que o cristianismo persiste por mais de dois mil anos, alicerçado exclusivamente na coluna da fé, é, na melhor das hipóteses, ignorância; na pior, desonestidade intelectual. E motivos para aceitá-lo vão além dos morais.

big bang e outras descobertas relativamente recentes, como estudos arqueológicos, são bons exemplos dos vestígios do Deus cristão. Entretanto, aqueles que não consideram tais fatos depositam fé em algo futuro, possivelmente baseado na ciência e na tecnologia, itens atualmente tão úteis e tão admiráveis que ignoramos o que já em 1943, na obra “A Abolição do homem, C. S. Lewis alertou:

“Consideremos três exemplos típicos: o avião, o rádio e os anticoncepcionais. Numa comunidade civilizada, em tempos pacíficos, qualquer um que tenha dinheiro pode fazer uso dessas três coisas. Mas não se pode dizer estritamente que quem o faz está exercendo seu poder pessoal ou individual sobre a Natureza. Se eu pago para que alguém me leve a algum lugar, não se pode dizer que eu seja um homem que dispõe de poder. Todas e cada uma das três coisas que mencionei podem ser negadas a alguns homens por outros homens — por aqueles que vendem, ou por aqueles que permitem que sejam vendidas, ou por aqueles que possuem os meios de produzi-las, ou por aqueles que as produzem. Aquilo que chamamos de poder do Homem é, na realidade, um poder que alguns homens possuem, e que por sua vez podem ou não delegar ao resto dos homens [8]”.

No mesmo capítulo, Lewis ainda alerta:

“E, quanto aos anticoncepcionais, existe paradoxalmente um sentido negativo no qual todas as possíveis gerações futuras são os pacientes ou objetos de um poder exercido por aqueles que já vivem”.

Muitos de nós já ficamos encantados com shows aéreos, nos quais, literalmente, vemos aviões riscando os céus e comumente em voos invertidos. É muito provável que, para os pilotos, as apresentações também sejam empolgantes, mas certamente eles precisam de muito mais concentração, sobretudo quando voam de cabeça para baixo, afinal, todos os comandos são invertidos, ou seja, ao ordenar que a aeronave suba, ela desce; ao ordenar que o avião vire à esquerda, a proa da aeronave se move para a direita!

Muitos em nossa sociedade ficam em êxtase com nossas decadências e deprimidos com nossas ascendências. Coitados, eles não estão concentrados, eles não sabem que somos todos “tripulantes” e, sobretudo, eles não sabem que estamos de cabeça para baixo!

Escrito por Eric M. Rabello.

Notas:

  1. Conforme censo realizado pelo IBGE em 2010 e divulgado em 2017. Linkhttps://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/sociais/populacao/9662-censo-demografico-2010.html?edicao=9749&t=resultados. Se preferir, acesse artigo com as mesmas informações dispostas de modo conciso, em: https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/o-ibge-e-a-religiao-cristaos-sao-86-8-do-brasil-catolicos-caem-para-64-6-evangelicos-ja-sao-22-2/
  2. Em alusão ao naturalista britânico Charles Robert Darwin, mais conhecido apenas por Charles Darwin, e seu avô materno, Erasmus Darwin (real precursor da Teoria da Evolução das Espécies). 
  3. Referência: https://www.youtube.com/watch?v=gW-u4a8I97U
  4. Quem é Deus? Elementos da teologia filosófica”. Primeira edição (1997) e quinta reimpressão (2015). Editora Paulus, ISBN 88-7030-725-5. Pag. 389. 
  5. Mais detalhes sobre este mesmo aspecto podem ser obtidos no quarto capítulo da obra “Fundamentos inabaláveis”, escrita por Norman Geisler e Peter Bocchino. Publicado pela Editora Vida, sob ISBN 978-85-7367-623. 
  6. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”. Terceira edição (2010). Editora Quadrante, ISBN 978-85-7465-125-5. Págs. 161 e 191. 
  7. Referência: https://www.youtube.com/watch?v=YsN-EhlL5V8
  8. A abolição do homem”. Segunda edição. Editora WMF Martins Fontes, ISBN 978-85-7827-541-9. Pags. 52 e 53. 

O físico e matemático belga, que combinou ciência e fé em seus trabalhos, foi o primeiro a falar da origem do universo em expansão e com um passado infinito

O cientista e sacerdote católico belga Georges Lemaître com grande humildade foi capaz de corrigir o próprio Albert Einstein. Estamos falando do padre da Teoria do Big Bang, que tentou demonstrar a origem do universo.

Sem renunciar à sua fé católica, Lemaître falou de um passado infinito do universo, mas que não entrava em contradição com sua crença em um Deus criador do mundo, já que tanto Aristóteles quanto São Tomás de Aquino mostraram que a criação de um universo não precisaria de um começo no tempo.

Sua precocidade para a ciência, destacando-se em matemática e física, era paralela à sua vocação, já que aos 9 anos ele decidiu que seria sacerdote. Ele alcançou sucesso em ambos os âmbitos graças ao conselho de seu pai para que primeiro estudasse e depois fosse ordenado padre. Ele conseguiu bolsas de estudo, viajou pelo mundo e obteve reconhecimento, mas sua humildade permitiu que as honras e fama de suas descobertas e contribuições para a astronomia e astrofísica fossem creditadas a outros.
Talvez a definição mais precisa de Lemaître e suas descobertas tenha sido dada pelo próprio Albert Einstein, ao escutá-lo em uma conferência na Califórnia. Em pé, ele afirmou que a teoria da origem do universo “é a mais bela e satisfatória explicação da Criação que em algum momento eu tenha escutado”.

Georges Henri Joseph Édouard Lemaître nasceu em 17 de julho de 1894, na localidade belga de Charleroi. Ele era o mais velho entre os quatro irmãos e desde muito cedo mostrou sua precocidade em matemática e física, mas também em sua vocação pessoal, anunciando a seus pais, aos nove anos de idade, que queria ser padre.

Encorajado por seu pai, Georges Lemaître decidiu estudar primeiro, antes de entrar no seminário, e matriculou-se na Escola Superior Jesuíta do Sagrado Coração, em Charleroi, onde destacou-se em química, física e matemática. Em 1910, seu pai conseguiu um novo emprego e mudou-se com a família para Bruxelas. O jovem Lemaître, já com 16 anos, matriculou-se em outra escola jesuíta, o Colégio Saint Michel, onde seus professores descobriram suas habilidades excepcionais em matemática e física.

Embora ainda gostasse da ideia de se tornar padre, Georges decidiu estudar engenharia em vez de teologia. Em 1911 ingressou na Universidade Católica de Lovaina para fazer o curso de engenharia. Em julho de 1913, obteve o diploma e começou a trabalhar como engenheiro de minas.

A Primeira Guerra Mundial forçou-o a parar seus estudos e servir como voluntário no exército belga, alcançando o posto de Primeiro-Sargento. Por sua bravura, foi condecorado com a medalha da Cruz de Guerra, além de ter sido expulso de uma missão após ter dito ao instrutor que seus cálculos balísticos estavam errados. No entanto, as atrocidades vistas na guerra amplificaram sua vocação sacerdotal. Algum colega de aula viria a recordar posteriormente que sua vocação de fé e da ciência se mantinham em tamanha sincronia que ele era visto por aí lendo o livro de Gênesis da Bíblia da mesma maneira que lia artigos de equações de físicos franceses.

Retomou seus estudos e em 1920, aos 26 anos, foi premiado com a mais alta distinção, um doutorado em Ciências Matemáticas por sua tese ‘A aproximação de funções reais de várias variáveis’. Georges Lemaître também obteve um bacharelado em filosofia baseado no sacerdote italiano do século XIII, São Tomás de Aquino.

Seu passo seguinte foi dar início à sua caminhada para tornar-se padre, ao ingressar naCasa de Saint Rombaut, em outubro de 1920. Seus professores, notando seu interesse contínuo em matemática e física, sugeriram que ele estudasse o trabalho de Albert Einstein. Lemaître assim o fez, aprendendo sobre o cálculo do tensor e a relatividade geral dos livros escritos pelo famoso astrônomo matemático Arthur Eddington.

Em 1922, Lemaître apresentou a tese ‘A Física de Einstein’, que rendeu-lhe uma bolsa de estudos do governo belga e a possibilidade de ir para a Universidade de Cambridge (Inglaterra), como pesquisador de astronomia. Quase em paralelo, foi ordenado sacerdote em setembro de 1923, aos 29 anos. No entanto, ao invés de exercer como padre em uma paróquia ou colégio, Lemaître utilizou a bolsa para estudar a teoria da relatividade geral e trabalhar pessoalmente com Eddington, que sugeriu a Lemaître que começasse a trabalhar em um doutorado sobre o universo.

Eddington pediu a Lemaitre que aplicasse as regras da relatividade geral ao conteúdo de seu trabalho para ver quais seriam os resultados. Lemaître descobriu duas soluções para o problema de Eddington: a primeira consistia em uma proposta feita por Einstein, em 1917, de um universo fechado, estável e estático, cuja densidade de energia em massa fosse constante; a segunda estava relacionada com a proposta de Willem de Sitter, também em 1917, de um universo cujo comportamento em grande escala fosse dominado pela constante cosmológica (a densidade de energia do espaço vazio).

Georges Lemaître cruzou o Atlântico para conduzir pesquisas na Universidade de Harvard e também matriculou-se como aluno para um doutorado em Física no MIT(Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Durante sua estada nos Estados Unidos, viajou muito e conheceu os mais importantes astrônomos e físicos do país, incluindoForest Ray Moulton, William Duncan MacMillan, Vesto Slipher, Edwin Hubble e Robert Millikan.

Georges retornou à Bélgica no verão de 1925 e, apoiado e recomendado por Eddington, foi nomeado professor associado de matemática na Universidade Católica de Lovaina. Em 1927, defendeu sua tese no MIT: ‘O campo gravitacional em uma esfera fluida de densidade invariante uniforme, segundo a teoria da relatividade’.

Neste novo papel de pesquisador e divulgador, Georges Lemaître realizou a derivação do que hoje é conhecida como a Lei de Hubble, que relata a velocidade com que uma galáxia se afasta e a sua distância. A famosa Conferência Solvay de 1927 contou com a presença da maioria dos principais físicos. Einstein também participou e falou com Lemaître, dizendo-lhe que suas ideias já haviam sido apresentadas por Friedmann, em 1922. Além disso, disse-lhe que, por mais que acreditasse que suas soluções para as equações da relatividade geral estivessem matematicamente corretas, traziam soluções que não eram fisicamente possíveis. Especificamente, Einstein disse-lhe: “Seus cálculos estão corretos, mas sua compreensão da física é abominável”.

Einstein não estava sozinho ao achar as ideias de Lemaître inaceitáveis. Pelo contrário, essa era a opinião de quase todos os cientistas. No entanto, em 1929, Hubble publicou um trabalho que apresentava grandes evidências de um universo em expansão, contradizendo a teoria de um universo estático, até então aceita.

Eddington e outros membros da Real Sociedade Astronômica (Royal Astronomical Society) começaram a trabalhar para tentar resolver o problema originado pela discrepância entre a teoria e a observação, com uma parte da teoria de Lemaître que os cientistas – incluindo Eddington – acharam impossível de aceitar: como foi que o universo teve um começo em um tempo finito no passado, da mesma forma que a religião católica defende no livro de Gênesis?

Lemaître respondeu às objeções a sua teoria em um documento publicado na revista Nature, em maio de 1931. “Se o mundo começou com um único quantum, as noções de espaço e tempo não teriam nenhum significado no princípio; só começariam a ter algum significado sensato quando o quantum original fosse dividido em um número suficiente de quanta. Se esta sugestão estiver correta, o começo do mundo aconteceu um pouco antes do começo do espaço e do tempo”. Em realidade, Lemaître sempre expressou que era importante manter uma separação entre as idéias científicas e as crenças religiosas sobre a criação.

Esta foi a primeira formulação explícita da Teoria do Big Bang, atualmente aceita e que naquele momento também era aceita pela maioria dos cientistas e a qual Georges chamou de “hipótese do átomo primordial”. Em 1933, Einstein e Lemaître disponibilizaram-se a ministrar uma série de conferências na Califórnia. Depois de ouvir Lemaître explicar sua teoria em um desses seminários, Einstein levantou-se e disse: “Esta é a mais bela e satisfatória explicação da Criação que em algum momento eu tenha escutado”.

As ideias de Georges Lemaître chegaram à imprensa popular, que o descreveu como o principal líder do momento. Um artigo no ‘New York Times’ mostrou uma foto dele e Einstein com a legenda: “Eles têm um profundo respeito e admiração um pelo outro”. E é o fato de que Lemaître tenha sido tanto um cientista quanto um padre católico que gerou certo fascínio na imprensa popular, até o ponto em que um jornalista escreveu acerca dele: “Não há conflito entre religião e ciência, repete Lemaître diversas vezes… Seu ponto de vista é interessante e importante não apenas porque ele é um padre católico ou um dos principais matemáticos e físicos de nosso tempo, mas porque ele é ambos”.

O maior opositor das hipóteses de Lemaître foi o astrônomo inglês Fred Hoyle, um dos arquitetos do modelo Estacionário. Na verdade, foi ele quem deu seu nome à teoria do Big Bang em uma entrevista de rádio para a BBC e o fez de maneira depreciativa.

Para o sacerdote belga Georges Lemaître, a história do universo divide-se em três períodos: o primeiro é chamado de “a explosão do átomo primitivo”, segundo o qual há cinco bilhões de anos existia um núcleo de matéria hiperdensa e instável que explodiu sob a forma de super-radioatividade. Esta explosão propagou-se durante um bilhão de anos e os astrônomos percebem até hoje seus efeitos sobre os raios cósmicos e as emissões X.

Depois vem o período de equilíbrio ou o universo estático de Einstein. Ele afirma que, após a explosão, estabelece-se um equilíbrio entre as forças de repulsão cósmicas na origem do acontecimento e as forças de gravitação. É durante esta fase de equilíbrio – que dura dois bilhões de anos – que se formam nós que dão origem às estrelas e galáxias.

Finalmente, acontecem os períodos de expansão, iniciados há 2 bilhões de anos, que demonstrariam que o universo está se expandindo a uma velocidade de 170 quilômetros por segundo de maneira indefinida.

Em 1948, George Gamov propôs uma nova descrição do começo do universo. E, embora ele seja considerado atualmente como o pai da teoria do Big Bang, as linhas mestras já estavam presentes de uma maneira muito clara na cosmologia de Lemaître.

O renomado padre belga obteve vários cargos na Pontifícia Academia das Ciências, sendo assessor pessoal do papa Pio XII e presidente da mesma em 1960. Em 1979, durante o discurso do Papa São João Paulo II à Pontifícia Academia das Ciências, por ocasião da comemoração do nascimento de Albert Einstein, ele citou algumas palavras de Lemaître sobre a relação entre a Igreja e a ciência:

“Por acaso a Igreja poderia ter necessidade de ciência? Não: a cruz e o Evangelho lhe bastam. Mas nada que seja humano é alheio ao cristianismo. Como poderia a Igreja se desinteressar na mais nobre das ocupações estritamente humanas: a investigação da verdade?”

Ao fim da sua vida, Georges Lemaître dedicou-se cada vez mais aos cálculos numéricos. Seu interesse pelos incipientes computadores e pela informática acabou por fasciná-lo completamente.

Ele morreu na cidade belga de Lovaina, em 20 de junho de 1966, aos 71 anos, dois anos depois de ter escutado a notícia da descoberta da radiação cósmica de fundo de microondas cósmicas, que era a prova definitiva de sua teoria astronômica fundamental do Big Bang.

O nome em uma cratera na Lua e em um veículo espacial da Agência Espacial Europeia (a ATV5), que nem sequer existe mais, são dois reconhecimentos quase insignificantes para a estatura humana e sua contribuição para a compreensão da origem do universoque nos acolhe.

Fonte: El País

De Federico Piana e Jackson Erpen para o Vatican News

A notícia girou o mundo. Metade das manchas de sangue impressas no sudário não seria compatível com a postura de um homem crucificado e outras nem sequer encontrariam resposta de posição quer na cruz como no túmulo.

Aparentemente ‘uma bomba’, com um pedigree respeitável: a assinatura da Universidade de Liverpool, que publicou o estudo no Journal of Forensic Sciences. Os dois pesquisadores autores do trabalho, Matteo Borrini da mesma universidade e Luigi Garlaschelli, do Comitê Italiano para o Controle de pseudociências, tentaram simular a perda de sangue de um manequim colocado sobre uma toalha: os resultados não deram a mesma evidência do Sudário. A esse ponto, as manchetes da mídia em todo o mundo não hesitaram em afirmar: metade das manchas de sangue não são verdadeiras.

Investigação não crível: não há rigor científico

Chegando aos ouvidos da professora Emanuela Marinelli, estudiosa do Sudário de renome mundial, a ‘bomba’ não a fez saltar da cadeira, antes pelo contrário. Ao telefone, não parece abalada, mas questionada sim. “Você leu o resumo da pesquisa? Não há nada de científico.

Mas parece a você um critério científico pegar um manequim desses utilizados para expor roupas em vitrines de uma loja e com uma esponja embebida em sangue artificial fixada em um pedaço de madeira pressionar sobre o lado direito do boneco para ver onde caem os filetes de sangue?

Este material não tem o rigor científico de outras pesquisas como aquelas realizadas há quarenta anos sobre os cadáveres de homens mortos por hemopericárdio (presumivelmente como Jesus, ndr), posicionados verticalmente e pontos com um bisturi entre a quinta e a sexta costela, assim como fez com a lança o soldado romano. Provas que tiveram resultados diferentes dos de Borrini e Garlaschelli”, explica tudo de uma vez a professora.

Grupos ideológicos financiam pesquisas pseudocientíficas para dizer que o Sudário é falso

Então, alguém pode perguntar-se por que uma instituição do calibre da Universidade de Liverpool decidiu validar e publicar uma pesquisa que apresenta dúvidas em relação às metodologias fundamentais empregadas, capazes de minar sua credibilidade.

A resposta de Marinelli é espetacular. E abre a janela para um outro cenário, mais nebuloso:

para tentar valorizar a tese de que o  Sudário é falso, grupos ideológicos financiam, sem poupar esforços, pesquisas pré-concebidas, pré-construídas. “Basta pagar e as pesquisas são realizadas – explica Marinelli. E também há quem as publica para você. É inegável que por trás de algumas delas, se escondem grupos que querem fazer acreditar que o Sudário é uma falsidade histórica.

Um exemplo para todos: existe um belo documentário chamado “A Noite do Sudário”. Bem, este documentário nunca foi transmitido pela RAI, porque contém uma afirmação que talvez possa não agrada a alguém. E esta afirmação é representada por uma carta em papel timbrado da Cúria de Turim, que o cardeal Anastasio Ballestrero, na época custódio do Sudário, enviou ao seu consultor científico, o engenheiro Luigi Gonella, com a qual sustentava firmemente que em matéria de datação por carbono 14 (mais tarde refutada por várias pesquisas sucessivas, ndr), houve a mão da maçonaria que queria a todo custo provar que o Sudário era da época medieval”.

Em suma, há uma dificuldade em relação a um “verdadeiro Sudário da parte daqueles que querem negar não somente a Cristo, mas também a sua ressurreição”. Como dizia o cardeal Giacomo Biffi: para um católico, descobrir que o Sudário é falso, não muda nada. Tudo muda, no entanto, para um ateu. E talvez disto tenha medo quem procura a todo  custo demonstrar sua falsidade.

Custódio Pontifício do Sudário

Também o Custódio Pontifício do Sudário, Dom Cesare Nosiglia, ofereceu uma reflexão:

“No decorrer dos séculos, e com maior frequência nos últimos anos, existiram muitas tentativas de questionar a autenticidade do Sudário.

Tiveram seu momento de publicidade, com manchetes e artigos de jornais, que davam por válida sua pesquisa e suas conclusões, mas em muitos casos, demonstraram-se cientificamente duvidosas.

Os estudos e as pesquisas – quando conduzidas com critérios científicos e sem hipóteses pré-concebidas – estimulam um debate sereno e construtivo, confirmando o que afirmava São João Paulo II: “O Sudário é uma constante provocação para a ciência e a inteligência.”

Caberá também desta vez a outros cientistas e estudiosos promover um debate e eventualmente contestar no plano científico ou experimental a validade e solidez da pesquisa realizada. É, de qualquer forma, um debate que diz respeito aos estudiosos e cientistas que querem desafiar-se nesta empresa.

Acredito, todavia, que deve ser reiterado um princípio fundamental que deve guiar quem deseja tratar com método rigorosamente científico questões complexas como esta: é o princípio da neutralidade, porque se se parte de um preconceito e a pesquisa é orientada para demonstrá-lo, facilmente se chegará a confirmá-lo. Neste caso, não são mais os fatos que contam, mas as ideias pré-concebidas, frustrando assim aquela neutralidade própria da ciência em relação às convicções pessoais.

No entanto, tudo isso não afeta minimamente o significado espiritual e religioso do Sudário como um ícone da paixão e morte do Senhor, como o definiu o ensinamento dos Pontífices. Ninguém pode negar a evidência de que contemplar o Sudário é como ler as páginas do Evangelho que nos falam sobre a paixão e morte na cruz do Filho de Deus.

Portanto o Sudário, que mesmo não sendo objeto da fé, ajuda porém a própria fé, porque abre o coração daqueles que se aproximam dele e o contemplam, para se tornarem conscientes do que foi a paixão de Jesus na cruz e, portanto, daquele amor maior que Ele nos demostrou ao sofrer terrível violência física e moral pela salvação do mundo todo. Esta sempre foi e continua sendo a razão pela qual milhões e milhões de fiéis de todo o mundo veneram, rezam e contemplam o Sudário e dele obtém esperança para sua vida cotidiana”.

Centro Internacional de Sindonologia

Também pronunciou-se em mérito, o vice-diretor do Centro Internacional de Sindonologia de Turim, Prof. Paolo Di Lazzaro.

“O artigo publicado no Journal of forensic sciences refere-se aos experimentos realizados pelos professores Borini e Garlaschelli em 2014, sobre os quais já se havia discutido na época, com a integração de novas tentativas experimentais. Mesmo contendo vários elementos de interesse, acredito que as modalidades pelas quais esses experimentos foram conduzidos, exigiriam integrações e atenções específicas para serem considerados cientificamente válidas e com alguma autoridade.

As medições de dosagem de sangue no laboratório são realizadas usando um voluntário com boas condições de saúde, em cuja pele limpa o sangue foi derramado contendo um anticoagulante. Estas condições de contorno são muito diferentes daquelas contidas no Sudário. Não levam em consideração a presença na pele do homem do Sudário de poeira, sujeira, suor, hematomas da flagelação e tampouco a acentuada viscosidade do sangue devido à forte desidratação. Não é possível pensar em reproduzir condições realistas do gotejamento de sangue no corpo de um crucificado sem considerar todos esses fatores que afetam significativamente o caminho do sangue escorrendo”.

Pode haver um conflito entre a má ciência e a boa teologia, ou entre a má teologia e a boa ciência, mas é impossível haver um conflito entre a boa ciência e a boa teologia, pela simples razão de que Deus é o autor de ambas.

Uma pesquisa genética extremamente importante confirmou que o melhor da ciência é perfeitamente coerente com o melhor da teologia. Amas tem sua origem no criador.

Neste artigo do site http://www.phys.org, uma pesquisa genética abrangente revela novos aspectos da evolução, relata o autor Marlowe Hood sobre um estudo de cinco milhões de imagens instantâneas de genes — chamados de “códigos de barras do DNA” — que estão depositados no banco de dados do GenBank, que é gerenciado pelo governo dos EUA.

Esses códigos de barras de DNA foram retirados de cerca de 100.000 espécies de animais por pesquisadores de todo o mundo. Os resultados foram publicados na semana passada por Mark Stoeckle, da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, e David Thaler, da Universidade de Basel, na Suíça. 

Praticamente todos os seres vivos vieram a existir mais ou menos ao mesmo tempo“O resultado mais surpreendente do estudo, talvez, é que nove entre dez espécies na Terra hoje, inclusive os seres humanos, vieram a existir entre 100.000 e 200.000 anos atrás. Essa conclusão é muito surpreendente, e eu lutei contra ela o mais que pude,” disse Thaler à AFP.

Essa reação é compreensível: Como alguém explica o fato de que 90% da vida animal, geneticamente falando, é mais ou menos da mesma idade?

“Surpreendente,” realmente. Mais como vulcanicamente explosivo. E a questão é absolutamente profunda: como a evolução pode ser verdadeira quando a evidência científica, baseada nas melhores pesquisas genéticas, revela que todos os seres vivos vieram à existência mais ou menos ao mesmo tempo?

Se esse estudo é válido, a evolução não pode ser verdade, porque a evolução procura nos convencer de que todos os seres vivos vieram a existir através de um processo tedioso que levou milhões e milhões de anos e consistiu de pequenos avanços incrementais na vida animal produzidos por mutações genéticas benéficas que são praticamente desconhecidas no mundo natural.

Os pesquisadores estão aos tropeços tentando encontrar uma explicação evolucionária remotamente plausível para o surpreendente fato de que todos os seres vivos têm a mesma idade. Os vírus, as eras glaciais, os novos competidores e a perda de fontes de alimentos são todos apresentados, de modo hábil, mas pouco convincente, para dar uma cobertura darwiniana a uma teoria que é, de modo óbvio, fatalmente falha.

Eis está a citação de proporções sísmicas: “Ao analisar os códigos de barras em 100.000 espécies, os pesquisadores descobriram um sinal revelador de que quase todos os animais surgiram mais ou menos na mesma época que os seres humanos.”

Como realmente explicamos o fato de que toda vida animal é da mesma idade?

O estudo revela outra descoberta chocante, que também é fatal para a teoria da evolução. Embora a evolução darwinista exija um número incontável de formas transicionais, formas que estão em algum lugar entre uma forma de vida e outra, o registro fóssil não possui fósseis transicionais para os quais uma posição confiável possa ser justificada, nem um só.

O próprio Darwin reconheceu o problema dos elos perdidos em sua própria época, e acreditava otimistamente que o tempo resolveria esse problema — ele imaginou que, à medida que mais e mais fósseis fossem descobertos, finalmente seriam encontrados elos perdidos. Infelizmente para Darwin, a verdade é que temos menos elos hoje do que na época dele, já que os avanços da ciência têm revelado que as formas outrora consideradas de transição não são de forma alguma formas de transição.

Como Stephen Jay Gould, um dos mais proeminentes paleontólogos do mundo, disse: “A extrema raridade das formas de transição no registro fóssil persiste como o segredo comercial da paleontologia.”

Isso prepara o terreno para a segunda citação absolutamente revolucionária do artigo. “E ainda — outra descoberta inesperada do estudo — espécies têm limites genéticos muito claros, e não há nada de interessante no espaço intermediário.” Em outras palavras, a razão pela qual nenhuma forma de transição foi encontrada é bem simples: não há nenhuma.

Existem limites genéticos fixos entre uma forma de vida e outra e entre uma espécie e outra, e absolutamente nenhuma evidência genética de quaisquer supostos “elos perdidos.”

 

Julio Severo , via  BarbWire: The Truth Prevails: Science Confirms Genesis AGAIN

 “Nós encontramos a marca de um selo do século VIII a.C. que deve ter sido feita pelo próprio profeta Isaías a apenas três metros de onde havíamos descoberto uma impressão de selo do rei Ezequias de Judá”

O profeta Isaías é um dos maiores profetas do Antigo Testamento. O nome Isaías significa “Deus ajuda” ou “Deus é auxílio” e viveu entre 765 a.C. e 681 a.C.

Numa visão do trono de Deus no Templo rodeado de serafins, um anjo lhe purificou os lábios com brasas ardentes enquanto a voz de Deus lhe ordenava levar Sua mensagem ao povo.

Em seu livro, incluído na Bíblia, Isaías é o profeta que mais fala sobre o Messias prometido, Nosso Senhor Jesus Cristo, descrevendo-o como “servo sofredor” que morreria pelos pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com justiça.

O capítulo 53 profetiza nossa Redenção pelo Messias:

“Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas”. (Is 53:5)

Ele também profetizou que Nosso Senhor nasceria de Maria Virgem:

“o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco [Emanuel]” (Is 7,14).

No Novo Testamento há centenas de citações ou referências às suas predições, fato reconhecido até por não católicos:

“O Livro de Isaías contém muitas referências diretas e indiretas ao Messias, chamando-O de ‘Renovo do Senhor’” (Is 4.2), “rebento do tronco de Jessé” (Is 11.1), “meu servo [de Deus]” (Is 42.1), e “o meu escolhido [de Deus], em quem a minha alma se compraz” (Is 42.1).

“A Palavra declara que Ele é o herdeiro por direito ao trono de Davi (Is 9.7; cf. Lc 1.32-33) e diz que Ele autenticará Seu papel como Messias ao curar os cegos, os surdos e os aleijados (Is 29.18; Is 35.5-6; cf. Mt 11.3-5; Lc 7.22).

“Ele também estabelecerá a Nova Aliança (Is 55.3-4; cf. Lc 22.20) e um dia estabelecerá um Reino Messiânico sobre o qual reinará e no qual será adorado (Is 9.7; Is 66.22-23; cf. Lc 1.32-33; Lc 22.18,29-30; Jo 18.36)”. (apud O Evangelho Segundo Isaías”)

Ele viveu no reino de Judá entre os séculos VIII e VII a.C., durante os reinados de Ozias, Jotão, Acaz e Ezequias. Também participou na defesa de Jerusalém cercada pelo rei assírio Senaqueribe.
Mas, só até agora, comemorou Eilat Mazar, pesquisadora do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém:Mas, fora desta enorme contribuição registrada na Bíblia que constata documentalmente sua existência, não se tinha evidências arqueológicas, portanto materiais, da vida do profeta.

“Nós encontramos a marca de um selo do século VIII a.C. que deve ter sido feita pelo próprio profeta Isaías a apenas três metros de onde havíamos descoberto uma impressão de selo do rei Ezequias de Judá.”

A descoberta foi anunciada por Eliat em seu artigo “Esta é a assinatura do profeta Isaias?” (“Is This the Prophet Isaiah’s Signature?”) publicado na revista Biblical Archaeology Review.

O selo, ou mais propriamente “bula”, foi encontrado num sítio arqueológico em Ophel, área entre o Monte do Templo e a Cidade de Davi, usada na antiguidade como complexo residencial da família real em Jerusalém.

Os arqueólogos encontraram 34 pequenas peças de argila com impressões de “bulas”, com os nomes de seus donos.

Vista geral de Jerusalém com o campo arqueológico de Ophel, local do achado.

Os pedaços de argila tinham apenas um centímetro de diâmetro.

Entre as peças, uma traz o nome do rei Ezequias.

Mas o artefato mais interessante tinha a inscrição “Yesha’yah”, o nome de Isaías em hebraico antigo, acompanhado pelas letras “N”, “V” e “Y”, as três primeiras da palavra “profeta” em hebraico.

O nome de Isaías está claro, mas há discussão sobre uma letra que faltaria para ter certeza da palavra “profeta”.

Para a Dra. Mazar, o lugar exato da letra foi perdido junto com a metade faltante da “bula”.

A inscrição completa deveria dizer “Pertencente a Isaías profeta”.

A Dra. Mazar aponta casos semelhantes verificados em outras descobertas.

E se a interpretação for correta teríamos a primeira prova material extra bíblica da existência do profeta e de que era reconhecido como tal durante sua vida, de acordo com matéria publicada pela “National Geographic”.

O selo, ou bula, com o nome do profeta Isaías, desenterrado em Ophel.

O Antigo Testamento conta episódios em que Ezequias procurou Isaías, indicando que o profeta lhe era bastante próximo e que seria um dos principais conselheiros reais.

“Se for o caso de a peça ser realmente do profeta Isaías, então não seria surpresa encontrá-la perto de uma pertencente ao rei Ezequias dada à relação simbiótica entre o profeta Isaías e o rei Ezequias descrita na Bíblia”, acrescentou Mazar.

A Bíblia é o maior testemunho escrito da Antiguidade. Ela contém a palavra revelada e a ela devemos um assentimento de Fé, inclusive do ponto de vista histórico.

A veracidade inclusive histórica da Bíblia foi confirmada – e continua sendo-o – em inúmeras descobertas de valor científico que confortam às inteligências e corações de boa fé que possam ter dúvidas a respeito.

(via Ciência confirma Igreja)

O papa São João Paulo II afirmava que a Universidade católica tem em vista os “grandes problemas da sociedade”, estando em causa o “significado da investigação científica e da tecnologia, da convivência social, da cultura. Porém, mais profundamente ainda, está em causa o próprio significado do homem” (Alocução ao Congresso Internacional sobre as Universidades Católicas, no. 3).

Características da Escola superior católica

A Universidade católica deve-se deixar guiar por suas características identificadoras que são as que se seguem, conforme alguns pontos do documento sobre as universidades católicas, Ex Corde Ecclesiae, do papa São João Paulo II.

Conforme o documento, na Universidade católica,

1. a inspiração cristã deve orientar as pessoas e toda a comunidade universitária;

2. a reflexão sobre o conhecimento humano será iluminada pela fé católica;

3. estará presente a fidelidade ao pensamento cristão, conforme a Igreja o apresenta;

4. haverá a contribuição institucional à comunidade eclesial e à humanidade no caminho ‘rumo ao objetivo transcendente que dá significado à vida”;

5. a investigação deve objetivar a integração do conhecimento, o diálogo entre a fé e a razão, uma preocupação ética e uma perspectiva teológica;

6. os princípios, as atitudes e os ideais católicos são impregnadores e modeladores das “atividades universitárias de acordo com a natureza e a autonomia próprias de tais atividades”;

7. a teologia e a filosofia guiam os “estudiosos universitários” para a determinação da “relativa posição e o significado de cada uma das diversas disciplinas no quadro de um visão da pessoa humana e do mundo iluminada pelo Evangelho e, portanto, pela fé em Cristo, Logos, como centro da criação da história humana”;

8. o empenho da Universidade católica, na causa da verdade, é a sua forma de serviço “à dignidade do homem e à causa da Igreja”, distinguindo-se por “sua livre investigação de toda a verdade acerca da natureza, do homem e de Deus” (I, nos. 8, 13, 15, 14, 16, 4, 27);

9. a Universidade católica tem a obrigação de ser instrumento cada vez mais eficiente do progresso cultural, contribuindo para o estudo e solução dos graves problemas contemporâneos, “reservando especial atenção às suas dimensões éticas e religiosas” e deverá “ter a coragem de proclamar verdades incômodas, verdades que não lisonjeiam a opinião pública, mas que, no entanto são necessárias para salvaguardar o autêntico bem da sociedade”; ela contribuirá para “o diálogo ecumênico” e o “diálogo inter-religioso”.

10. A Universidade católica tem o dever de promover o diálogo entre “o pensamento cristão e as ciências modernas”, o que exige “pessoas particularmente preparadas em cada uma das disciplinas, que sejam dotadas também de adequada formação teológica e capazes de enfrentar as questões epistemológicas no plano das relações entre a fé e a razão”;

11. “o pesquisador cristão deve mostrar como a inteligência humana se enriquece da verdade superior, que deriva do Evangelho”, sendo que, segundo a sua especificidade, a Universidade católica, conforme o papa Paulo VI, “contribui para manifestar a superioridade do espírito, que nunca pode, sem o risco de perder-se, consentir em por-se a serviço de outra coisa que não seja a procura da verdade.” (I, nos. 29, 32, 47, 46);

12. os alunos das universidades e faculdades católicas descubram que “a fé e a razão colaboram para uma só verdade” e “se formem de fato como homens de grande saber, preparados para enfrentarem tarefas de maior responsabilidade na sociedade e para serem no mundo testemunhas da fé.” (Gravissimum Educationis, no. 10);

13. a Universidade católica “goza de autonomia institucional que é necessária para cumprir suas funções com eficácia, e garante aos seus membros a liberdade acadêmica na salvaguarda do indivíduo e da comunidade no âmbito das exigências da verdade e do bem comum.” (I, no. 12);

14. “Os Bispos têm a responsabilidade particular de promover as Universidades Católicas e, especialmente, de segui-las e assisti-las na sustentação e na consolidação da sua identidade católica também no confronto com as autoridades civis. Isto será obtido mais adequadamente, criando e mantendo relações estreitas, pessoais e pastorais, entre a Universidade e as Autoridades eclesiásticas, relações caracterizadas por confiança recíproca, colaboração e leal diálogo contínuo.

Embora não entrem diretamente no governo interno da Universidade, os Bispos “não devem ser considerados agentes externos, mas participantes da vida da Universidade Católica. (I, no. 28).

O Código de Direito Canônico prescreve que “Cabe à autoridade competente, de acordo com os estatutos, o dever de providenciar que nas universidades católicas sejam nomeados professores que sobressaiam, não só pela idoneidade científica e pedagógica, como também pela integridade da doutrina e probidade da vida, de modo que, faltando-lhe esses requisitos, sejam afastados do cargo, observando-se o modo de proceder determinado nos estatutos. As Conferências dos Bispos e os Bispos diocesanos interessados têm o dever e o direito de supervisionar para que nessas universidades se observem fielmente os princípios da doutrina católica.” (Cânon 810, pars. 1-2).

A Sagrada Congregação para a Educação Católica, por sua vez, afirma “que a natureza da revelação judeu-cristã é absolutamente incompatível com qualquer relativismo epistemológico, moral ou metafísico, com qualquer materialismo, panteísmo, imanentismo, subjetivismo ou ateísmo”. (O Ensino da Filosofia nos Seminários, p. 12).

É essencial à identidade institucional da Universidade católica o seu vínculo com a Igreja, originando desta relação a sua fidelidade à “mensagem cristã, o reconhecimento e a adesão à autoridade magisterial da Igreja em matéria de fé e moral”.

15. Os membros católicos da comunidade universitária são convocados à “fidelidade pessoal à Igreja, com tudo quanto isto comporta” e dos “membros não católicos, enfim, espera-se o respeito do caráter católico da instituição na qual prestam serviço, enquanto a Universidade, por seu lado, respeitará a sua liberdade religiosa.” A Igreja, porque aceita “a legítima autonomia da cultura humana e especialmente das ciências, reconhece a liberdade acadêmica de cada um dos estudiosos na disciplina da sua competência, de acordo com os princípios e os métodos da ciência, a que ela se refere, segundo as exigências da verdade e do bem comum.” (Ex Corde Ecclesiae, I, nos. 4, 27, 29).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no documento Diretrizes e normas para as Universidades Católicas segundo a Constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae” (Universidades Católicas), expressa que a Universidade católica constitui uma comunidade acadêmica que, com a inspiração na pessoa e na mensagem de Jesus Cristo e na fidelidade à Igreja, desenvolve refletida, sistemática e criticamente, o ensino, a pesquisa e a extensão e se consagra à evangelização e à formação integral de seus membros – alunos, professores e funcionários – bem como ao serviço qualificado do povo contribuindo para o aumento da cultura, a afirmação ética da solidariedade, a promoção da dignidade transcendente da pessoa humana e ajudando a Igreja em seu anúncio e serviço ao Reino de Deus. (Art. 4. Ex Corde Ecclesiae, I, nos. 5,12, 14, 15, 22-24, 30-32, 43, 48-49).

O documento da CNBB afirma que a Universidade católica tem como missão o serviço à humanidade e à Igreja e, para isto,

1. garanta, perene e institucionalmente, a mensagem de Cristo no universo científico e cultural, desenvolvendo o diálogo entre a razão e a fé, entre o Evangelho e a cultura;

2. contribua, conforme a própria identidade, para a solução dos graves problemas contemporâneos;

3. dedique-se, sem limites, à luz da inteligência e da Revelação, à investigação do universo e da sua relação essencial com Deus, verdade Suprema;

4. contribua para o aprofundamento do conhecimento e valor da pessoa humana;

5. esteja a serviço e ensino da verdade, fundamento da liberdade, justiça e dignidade humana;

6. crie condições para o diálogo ecumênico e inter-religioso. (Art. 5º.) As mesmas Diretrizes afirmam, ainda, que as universidades católicas devem;

7. distinguir-se pela excelência organizacional e pelo ensino, pesquisa e extensão, pela qualificação humana, profissional, acadêmica e religiosa da direção, professores e de outros cooperadores;

8. desenvolver um ambiente de amor fraterno e solidariedade, de mútuo respeito e de diálogo;

9. na sua organização e nas suas normas, garantir os meios para “expressão, preservação e promoção da identidade católica” (Art. 23.);

10. explicitar a identidade e os seus princípios essenciais em seus estatutos e que eles sejam publicados na comunidade universitária;

11. estudar a ética cristã em todas as áreas do ensino, em particular na profissional;

12. apresentar a Doutrina social da Igreja e tê-la como o referencial cristão, com os seus valores, para a análise da sociedade e da cultura modernas;

13. ter a Teologia presente, promovendo o diálogo entre fé e razão, e que haja, na Universidade, uma faculdade ou instituto de Teologia, ou, minimamente, disciplinas teológicas”. (CDC, cânon 811, pars. 1-2);

14. contratar os professores de disciplina teológica e afins com “titulação e qualificação acadêmicas equivalentes às exigidas dos demais professores da Universidade” e que “tenham o mandato do Bispo da diocese na qual está a sede jurídica da Universidade.” (Art. 37, CDC, cânon 812);

15. procurar caminhos para o acesso à educação superior dos menos favorecidos e promover a extensão universitária;

16. respeitar a liberdade de consciência e de religião dos membros da comunidade universitária;

17. exigir deles, entretanto, “que igualmente reconheçam e respeitem o caráter católico da Universidade, abstendo-se nela de qualquer atividade ou atitude, em oposição à doutrina, à moral e às diretrizes da Igreja” e que seja “o pessoal adequado e em sua maioria católico, capaz de garantir e promover a identidade da instituição.” (Art. 29, 30; Ex Corde Ecclesiae, II, art. 4, par. 4).

O documento da Congregação para a Educação Católica, Decreto de Reforma dos Estudos Eclesiásticos, afirma que, “Para chegar ao conhecimento rigoroso e coerente do homem, do mundo e de Deus, tal dimensão exige que o ensino da filosofia seja baseado no “patrimônio filosófico perenemente válido, que se desenvolve através da história e, ao mesmo tempo, seja aberto para acolher os contributos que as investigações filosóficas forneceram e continuam a fornecer. Entre aquelas verdades fundamentais, algumas possuem um caráter central e, particularmente atual: a capacidade de alcançar uma verdade objetiva e universal e um válido conhecimento metafísico; a unidade corpo-alma no homem; a dignidade da pessoa humana; as relações entre a natureza e a liberdade; a importância da lei natural e das “fontes da moralidade”, em especial do ato moral; a necessária conformidade da lei civil e da lei moral.” (no. 11; CDC, cânon 251).

O papa Francisco, referindo-se à educação e aos educadores católicos, declara:

1. Valor do diálogo na educação: (…) “Com efeito, as escolas e as Universidades católicas são frequentadas por numerosos estudantes não cristãos, ou até não crentes. Os institutos de educação católicos oferecem a todos uma proposta educacional que visa o desenvolvimento integral da pessoa e que corresponde ao direito de todos, de aceder ao saber e ao conhecimento. Mas igualmente são chamados a oferecer a todos – no pleno respeito pela liberdade de cada um e dos métodos próprios do ambiente escolar – a proposta cristã, ou seja, Jesus Cristo como sentido da vida, do cosmos e da História.” (…)

2. Preparação qualificada dos formadores: “Nas escolas católicas, o educador deve ser antes de tudo muito competente, qualificado e, ao mesmo tempo, rico de humanidade, capaz de permanecer no meio dos jovens com um estilo pedagógico, para promover o seu crescimento humano e espiritual. Os jovens têm necessidade de qualidade de ensino e igualmente de valores, não apenas enunciados, mas testemunhados. A coerência é um fator indispensável na educação dos jovens. Coerência! Não se pode fazer crescer, não se pode educar, sem coerência: coerência e testemunho. (…) Portanto, é preciso investir a fim de que professores e dirigentes possam manter alto o seu profissionalismo e também a sua fé e a força das suas motivações espirituais. E, ainda nesta formação permanente, tomo a liberdade de sugerir a necessidade de retiros e de Exercícios espirituais para os educadores. É preciso promover cursos sobre esta temática, mas também é necessário fazer cursos de Exercícios espirituais e retiros para rezar, pois a coerência é um esforço, mas principalmente uma dádiva e uma graça. E devemos pedi-la! (…).”

3. O areópago das culturas atuais: “O cinquentenário da Declaração conciliar, no 25º. Aniversário da Ex Corde Ecclesiae e a atualização da Sapientia christiana impelem-nos a meditar seriamente sobre as numerosas instituições de formação espalhadas pelo mundo inteiro e sobre a sua responsabilidade de manifestar uma presença viva do Evangelho nos campos da educação, da ciência e da cultura. É necessário que as instituições acadêmicas católicas não se isolem do mundo, mas saibam entrar intrepidamente no areópago das culturas contemporâneas e estabelecer um diálogo, conscientes do dom que podem oferecer a todos.” (Discurso na Plenária da Congregação para a Educação Católica, 13/2/2014). O papa Francisco, aos membros do Parlamento europeu de Estrasburgo, afirma que Ao lado da família, temos as instituições educativas: escolas e universidades. A educação não se pode limitar a fornecer um conjunto de conhecimentos técnicos, mas deve favorecer o processo mais complexo do crescimento da pessoa humana na sua totalidade. Os jovens de hoje pedem para ter uma formação adequada e completa, a fim de olharem o futuro com esperança e não com desilusão. (Discurso ao Parlamento europeu, 25/11/2015).

O Documento de Aparecida afirma que 1. “A Escola católica é chamada a uma profunda renovação. Devemos resgatar a identidade católica de nossos centros educativos por meio de um impulso missionário corajoso e audaz, de modo que chegue a ser uma opção profética plasmada em uma pastoral participativa. Tais projetos devem promover a formação integral da pessoa, tendo seu fundamento em Cristo, com identidade eclesial e cultural, e com excelência acadêmica. Além disso, há de gerar solidariedade e caridade para com os mais pobres. O acompanhamento dos processos educativos, a participação dos pais de família neles e a formação de docentes, são tarefas prioritárias da pastoral educativa. (no. 337) 2. “As atividades fundamentais de uma universidade católica deverão vincular-se e harmonizar-se com a missão evangelizadora da Igreja. Elas se realizam através de uma pesquisa realizada à luz da mensagem cristã, que colocam os novos descobrimentos humanos a serviço das pessoas e da sociedade”; 3. As universidades católicas possuem “responsabilidades evangélicas” que são, entre outras, “o diálogo entre fé e razão, fé e cultura, e a formação de professores, alunos e pessoal administrativo através da Doutrina Social e Moral da Igreja, para que sejam capazes de compromisso solidário com a dignidade humana, de serem solidários com a comunidade e de mostrarem profeticamente a novidade que representa o cristianismo na vida das sociedades latino-americanas e caribenhas. Para isso, é indispensável que se cuide do perfil humano, acadêmico e cristão dos que são os principais responsáveis pela pesquisa e docência.” (no. 342) 4.

“É necessária uma pastoral universitária que acompanha a vida e o caminhar de todos os membros da comunidade universitária, promovendo um encontro pessoal e comprometido com Jesus Cristo e múltiplas iniciativas solidárias e missionárias. Também se deve procurar uma presença próxima e dialogante com membros de outras universidades públicas e centros de estudo.” (no. 343).

O Código de Direito Canônico estabelece que “O Bispo Diocesano tenha grande cuidado pastoral com os estudantes, até mesmo criando uma paróquia, ou pelo menos mediante sacerdotes estavelmente indicados para isso; providencie que junto às universidades, mesmo não-católicas, haja centros universitários católicos que sejam de ajuda, sobretudo espiritual, à juventude.” (Cânon 813). O Código estabelece, ainda, que “As prescrições estabelecidas para as universidades aplicam-se, com igual razão, aos demais institutos de estudos superiores.”(Cânon 814).

O Departamento de Cultura e Educação do Conselho Episcopal Latino-americano apresenta um texto, cujo título é Ide e ensinai… A identidade e missão da escola católica diante dos desafios atuais à luz do Documento de Aparecida. A publicação é coordenada pelo Secretário Geral da Conferência Episcopal colombiana, dom Juan Vicente Córdoba Villota, bispo auxiliar de Bucaramanga. Dom Juan Córdoba declara que “O livro tem o objetivo de promover nos centros educacionais católicos autênticos discípulos missionários para reforçar e manter a identidade e a missão da escola católica”.

Observa-se que os documentos, que expressam a identidade e a missão da Universidade católica, têm, como pressuposto antropológico, a concepção do ser humano como pessoa. O conceito de pessoa, fundamentado na fé e na razão, exprime, necessariamente, uma concepção integral, includente e dialógica da criatura humana. A compreensão do ser humano como pessoa, entre outras referências, é essencial para a compreensão e a missão das universidades católicas e pode constituir, também, um ponto comum e orientador do diálogo interdisciplinar, dos projetos acadêmicos e administrativos da comunidade educacional.

Sinais de corrupção da identidade da Escola superior católica

Dado o que identifica, essencialmente, a Escola católica de nível superior, tendo-se em vista o bem para as pessoas vinculadas à escola e para a sociedade, deve-se observar alguns sinais, entre outros, que indicam a corrupção da Universidade, para se prevenir ou para se restaurar a identidade da instituição.

1. Pessoas, não qualificadas conforme a identidade e a missão da instituição, presentes em funções magisteriais, de coordenação, direção e administrativas. Estas pessoas, de forma mais ou menos consciente e, por vezes, verdadeiros militantes, transformam a natureza das instituições católicas de ensino em instrumentos adversos à fé e à moral da Igreja. Por outro lado, ao contratado e aos alunos e alunas não se expõem qual é a missão e a identidade da Escola e o compromisso que elas incidem sobre as pessoas vinculadas à instituição.

2. Ideologias infiltradas nas aulas, reuniões, nos eventos, nos diversos ambientes da escola por agentes travestidos de educadores que são, na verdade, manipuladores de consciências a serviço de uma causa. São pessoas, por vezes, também já instrumentalizadas e conduzidas por uma mentalidade processada no ambiente de que procedem. Propagação da ditadura do relativismo, na expressão do papa Bento XVI. Relativismos, no plural, como o gnosiológico, o ético, o religioso com repercussões, especialmente, na consciência dos valores da pessoa humana e da pessoa como valor quanto à sua constituição, dignidade, origem e fim último. Manifestam-se a dissociação e o conflito entre “verdade” e “liberdade”. O papa São João Paulo II afirma que, “Uma vez que se privou o homem da verdade, é pura ilusão pretender torná-lo livre. Verdade e liberdade, com efeito, ou caminham juntas, ou juntas miseravelmente perecem.” (Fides et ratio, 91). A confusão sobre a identidade do ser humano reflete-se, inevitavelmente, nas concepções dos direitos e deveres humanos. O que é “humano” para ser direito e dever? E os direitos de Deus? O papa Francisco, ao membros do Conselho da Europa, declara que Além disso, é preciso ter presente que, sem esta busca da verdade, cada um torna-se a medida de si mesmo e do seu próprio agir, abrindo a estrada à afirmação subjetivista dos direitos, de tal modo que o conceito de direito humano, que de per si tem valência universal, é substituído pela ideia de direito individualista.(Discurso ao Conselho da Europa, 25/11/2014).

3. Planos, projetos, ementas, referências e eventos conflitam com o projeto educativo da Intituição católica de ensino. As disciplinas e a prática educativa se opõem à identidade dos respectivos cursos se eles, nos seus objetivos, conteúdos e métodos, são coerentes com a identidade da instituição que, por sua vez, corresponde ao que a Igreja convoca quanto à educação integral da pessoa humana. A educação integral compreende a síntese dinâmica entre a fé e a razão. Esta síntese conduz à reflexão sobre fé e cultura que abrange, entre outros temas, fé e política, fé e ciência, fé e técnica, fé e arte. Não basta, entretanto, observar somente o que está expresso em planos e projetos. A experiência existencial humana cotidiana é que revela, mais profunda e extensamente, a realidade da instituição.

4. Presença de pseudofilosofias e as filo ideologias, disfarçadas de filosofia, reducionismos deformadores de toda ordem como o imanentismo, o gnosticismo, o fideísmo, o individualismo, o coletivismo, o tecnicismo, o cientificismo, incluindo o positivismo, o culturalismo, o psicologismo, o historicismo, o sociologismo, o economicismo. O papa Francisco declara que o gnosticismo é “uma fé fechada no subjetivismo (…), que enclausura a pessoa na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos, e o neo pelagianismo autorreferencial e prometeico de quem, no fundo, só confia nas próprias forças” de diferentes tipos. (Evangelii Gaudium, 94). Confundem-se autonomia com soberania, secularização com secularismo, pluralidade com pluralismo. Não se conhece a diferença entre inovar por aprofundamento e por substituição, o que pode levar a tragédias pessoais e sociais.

5. Há agravantes quando a corrupção da identidade da escola superior católica chega aos cursos de filosofia e teologia. A desconsideração e, inclusive, a constestação das orientações e normas da Igreja, com fundamentos na razão e na fé, comprometem a qualidade da formação do futuro clero e dos discentes não seminaristas. Elementos, entre outros, imanentista, relativista, subjetivista, empirista, agnóstico, gnóstico, ateu ou idólatra e niilista são introduzidos com sofismas e linguagem sedutora. O papa São João Paulo Paulo II afirma que “O niilismo, antes mesmo de estar em contraste com as exigências e os conteúdos próprios da palavra de Deus, é negação da humanidade do homem e também de sua identidade. De fato, é preciso ter em conta que olvidar o ser implica inevitavelmente a perda de contato com a verdade objetiva e, consequentemente, com o fundamento sobre o qual se apóia a dignidade do homem.” (Fides et ratio, no. 91). No mesmo documento, ele afirma que “Esta (a fé), enquanto virtude teologal, liberta a razão da presunção – uma típica tentação a que os filósofos facilmente estão sujeitos.” (no.76). Confundem-se pensar e conhecer. As questões de sentido último da vida humana e do mundo passam para um segundo plano ou são ignoradas ou negadas. A razão humana se reduz à experimentação e ao fenômeno. Ela não vai do parecer ao ser. A filosofia do ser é a matriz filosófica estabelecida pelo magistério. (Fides et ratio, no. 76).

6. Não se tem consciência da intrínseca relação entre a filosofia e a teologia (Fides et ratio, nos.75-8), o que pode resultar no comprometimento das vocações e, inclusive, na formação discente em geral. Propagam-se o fideísmo, que pode levar para os fundamentalismos de todo tipo, inclusive, o político, e os relativismos noético e ético. Não se promovem o discernimento e a consciência entre a falsidade e a verdade, na abordagem das diversas correntes do pensamento filosófico e de seus representantes, Afinal, conforme o subjetivismo, tudo não é uma questão de opinião, de ponto de vista?

7. A unidade, a verdade, o bem e a beleza, constituintes e expressões do ser, não são os fundamentos das decisões e procedimentos, particularmente da ação magisterial. O papa São João Paulo II refere-se, na Fides et ratio, trezentas e cinquenta vezes à verdade. São Paulo declara que “vai chegar um tempo em os homens não suportarão a sã doutrina, mas, sentido cócegas nos ouvidos, reunirão em volta de si mestres conforme suas paixões. Deixando de ouvir a verdade, eles se voltarão para fábulas.” (2 Tm 4,7).

8. Resistências e dificuldades quanto ao diálogo interdisciplinar. Subestimação e exclusão das disciplinas e iniciativas que refletem sobre os valores fundamentais e de sentido da existência humana, desencaminhando-se para utilitarismos e hedonismos. Os discentes chegam egoístas por limites e inclinação pessoais e saem, em geral, egocêntricos e egoístas por inclinação e princípio.

9. Procedimentos antipersonalistas, nos processos de ensino e aprendizagem, que contribuem para dificultar o desenvolvimento do ser pessoal dos discentes, da sua consciência quanto aos valores da existência, de sua forma de pensar e agir. Os alunos e alunas são conformados a uma sociedade em retrocesso civilizatório, em vários aspectos, e são contestados quanto às próprias convicções verdadeiramente axiológicas e sofrem a perda da consciência de valores que trouxeram de sua educação, inclusive, familiar.

10. Formação condicionada pelo mercado e reduzida à futura profissão. Os alunos e alunas são considerados, ainda que inconscientemente, mais como produtos do que pessoas em processo educacional. O formando não desenvolve uma consciência discernidora da realidade e do valor do mundo, do homem e de Deus. Concepções antropológicas individualista e coletivista, como referências, resultam no obscurecimento e confusão da consciência quanto aos valores éticos, políticos que, de fato, visem o bem integral e comum, o que compromete a realização pessoal, social e profissional dos alunos e alunas, inclusive de professores. O papa Francisco afirma que “A crise financeira que atravessamos nos faz esquecer que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano. Criamos novos ídolos.” (Evangelii Gaudium, no. 55).

11. Qualidade do ensino e aprendizagem aquém do que deveria e poderia ser. Facilitação aos discentes para se manter e ampliar a quantidade dos alunos. A qualidade sobrepõe-se à qualidade.

12. Inexistência de uma pastoral abrangente e profunda que trabalhe com a fé e a razão, inclusive com os docentes, e ausência do serviço religioso católico a todos os membros da comunidade educativa, particularmente aos discentes. Ausência de sinais da fé católica. Dificuldades e distorções do verdadeiro diálogo e anúncio ecumênicos e inter-religiosos.

13. A verdadeira motivação é substituída pelo interesse e temor, o que leva à dissimulação, ao fingimento, a narcisismos. Ambiente em que se encontram o carreirismo, a competição por cargos e status, ameaças ostensivas ou veladas, injustiças nos relacionamentos e nos procedimentos administrativos, assédio moral, feudos, nepotismo, relacionamentos afetivos e sexuais ontoantropoaxiologicamente impróprios entre as pessoas do ambiente escolar. Além de outras consequências, processam-se uma corrupção da consciência ética das pessoas, enfermidades físicas e psíquicas, progressivas frustrações pessoal e profissional e esterilização do processo educativo verdadeiro e integral.

14. Não investimento na formação permanente dos agentes pedagógicos, especialmente dos docentes, conforme a fé e a razão, incluindo o aperfeiçoamento profissional. A razão, entretanto, compreendida de forma integral e, não, setorizada, reducionista, e a fé também integral, portanto, católica. Hostilidades, resistências explícitas ou disfarçadas dos destinatários dessa formação.

15. Contratuação de docentes com menor titulação para se reduzirem gastos. Agentes sem liderança e autoritários que se identificam por controle e cobrança. Procedimentos de admissão e demissão incompatíveis com as características católicas fundamentais da instituição. O tempo e o exercício pedagógicos prejudicados por autoritarismo e excessos burocráticos. Ao inverso, desleixo administrativo. Estruturas e meios são, indevidamente, reduzidos. Inconsciência de que a gestão e a administração devem estar a serviço dos objetivos da identidade da escola católica. Redução de custos a todo custo. O Prefeito da Congregação para os Consagrados, Cardeal João Braz Aviz, declara que “(…) Além disso, é necessário que determinados critérios de administração evoluam dentro da Igreja, porque a gestão não pode ser do tipo capitalista, mas evangélica.” (Entrevista, L’osservatore Romano).

16. As pessoas conscientes e que mantêm a fidelidade à identidade da instituição escolar católica, por vezes já minoria, sofrem variadas formas de procedimentos coativos e, inclusive, assédio moral. O espaço para a pessoa cristã fica cada vez mais reduzido. À título de “não impor”, contestam-se e até se proíbem o “expor” e o “propor” identificadores da instituição. Quem pensa e age conforme a identidade e missão da escola é acuado e considerado “diferente”. A sua avaliação se pauta, prioritária e negativamente, por sua convicção e adesão à identidade.

17. Inconsciência, debilidade, omissão, incompetência, conivência ou cumplicidade daquelas pessoas, inclusive do ministério ordenado, que deveriam, por princípio, direito e obrigação, garantir e promover a identidade da instituição escolar católica.

18. Desconsideração e insensibilidade às expectativas das famílias dos discentes.
Qual a realidade atual das escolas católicas, a começar dos anos iniciais? O que corresponde, de fato, aos seus princípios e normas? O que fazer? Constituir grupos e associações que contribuam para que as nossas Escolas católicas, particularmente as de ensino superior, recuperem, quando for o caso, e aprofundem a consciência de sua identidade e realizem a missão para a qual são fundadas?

O agir não se motive pela convenção, conveniência, coerção e não seja conforme a letra sem espírito. As ações procedam da convicção com fundamento na fé e na razão, “como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade sobre si próprio”. (Fides et ratio, Preâmbulo). É Ele quem doa, aumenta a fé e ilumina a razão.

REFERÊNCIAS

Cardeal João Braz Aviz. L’osservatore Romano, 7-14/8/ 2014, nos. 32-33, p. 6

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO, trad. Oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, São Paulo: Loyola, 1983

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Diretrizes e Normas para as Universidades Católicas segundo a constituição apostólica “Ex Corde Ecclesiae” – Decreto Geral. Documentos da CNBB 64, São Paulo: Ed. Paulinas, 2000

CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA (Dos seminários e dos Institutos de estudos). Decreto de reforma dos estudos eclesiásticos de filosofia. Documentos da Igreja. CNBB, 2011

O Ensino da Filosofia nos Seminários, Roma, Typis Polyglotti Vaticanis, 1979.

CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento de Aparecida- Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, 2ª. ed., Brasília: CNBB; São Paulo: Paulus, Paulinas, 2007 Gravissimum Educationis. Compêndio do Vaticano II – Constituições, decretos, declarações, 7ª. ed., Petrópolis (RJ): Vozes, 1968

João Paulo II. Fides et ratio. São Paulo: Loyola, 1998

Constituição apostólica sobre as Universidades Católicas (Ex Corde Ecclesiae), São Paulo: Paulinas, 1990

Alocução ao Congresso Internacional sobre as Universidades Católicas, 25 de abril de 1989, n. 3 AAS (1989), p. 1218, in Constituição apostólica sobre as universidades católicas, I, 7

Papa Francisco. Evangelii Gaudium – A alegria do Evangelho. Documentos pontifícios 17, Ed. CNBB, 2013
Discurso ao Parlamento europeu, L’Osservatore Romano, no. 48, 27/11/2015, p. 11

Discurso ao Conselho da Europa, L’Osservatore Romano, no. 48, 27/11/2015, p. 12

Prof. Dr. Paulo Cesar da Silva
Graduação em Letras, Filosofia, Teologia, mestrado e doutorado em Filosofia. Livros, capítulos e artigos publicados. Professor universitário.

Fonte: Prof Felipe Aquino

[Nota de Crux: O Irmão Jesuíta Guy Consolmagno é diretor do Observatório do Vaticano, fundado no século XVIII e refundado em sua forma atual em 1891. Consolmagno é visto por muitos como uma referência em como o Vaticano, discute regularmente a relação entre fé e razão. A Fundação do Observatório do Vaticano também tem um blog. Recentemente, Consolmagno fez uma palestra no Sheen Center, em Nova York, chamada ‘Jesuítas e Jedi: ciência e espiritualidade na era de Star Wars’]

 

***

No evento no Sheen Center, aprendi um pouco sobre sua história e descobri como o senhor acabou se tornando o “astrônomo do Papa”. Poderia contar um pouco desse background aos leitores do Crux?

Daria um livro! (O nome do livro é “Brother Astronomer”…)

Cresci em uma família católica comum dos anos 50 e aprendi ciência e religião com as Irmãs de Caridade de Nossa Senhora Rainha dos Mártires. Fui para o colégio jesuíta da Universidade de Detroit, pensei em ser padre, mas percebi que não tinha a personalidade certa para isso e acabei no MIT, principalmente por causa da biblioteca de ficção científica!

Aos trinta, minha fé entrou em crise; não a fé na minha religião, mas na ciência. Então, em vez de “perder tempo” estudando as luas de Júpiter, entrei no Corpo de Paz. Mas meus alunos no Quênia eram fascinados por ciência, e o entusiasmo deles me lembrava que a astronomia é um alimento para a alma.

Depois de lecionar numa pequena universidade – uma delícia – entrei para os jesuítas como irmão, pensando que poderia lecionar em algum colégio jesuíta. Mas me mandaram para Roma para continuar na astronomia… e em 2015 o Papa Francisco me nomeou diretor do Observatório.

O senhor disse que estudar o cosmos é um ato de adoração. Poderia dizer mais sobre o que quer dizer com isso?

Adoração é uma maneira de chegarmos mais perto de Deus; e é isso que fazemos quando estudamos o cosmos. Não preciso que a Bíblia me dê as respostas às minhas perguntas científicas, mas dependo da autoridade das Escrituras para ter certeza que essas respostas podem ser encontradas e que vale a pena buscá-las.

Me inspiro, em particular, no salmista que escreveu que “Os céus manifestam a glória de Deus” e por São Paulo, que nos lembra de que “as coisas invisíveis, desde a criação do mundo, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas”. Conhecemos a personalidade de Deus ao nos familiarizarmos com seu modo de criação… um modo elegante, racional e cheio de alegria!

Há muitos mal-entendidos sobre a relação da ciência e da Igreja Católica, sobretudo historicamente. Quais mal-entendidos acha que é particularmente importante corrigir?

Quando as pessoas dizem que a Igreja vai contra a ciência, respondo “cite três”, pedindo três exemplos. Elas sempre começam com Galileu, que normalmente significa que não sabem nada sobre Galileu… sua vida e sua época, seus argumentos ou a natureza da oposição contra ele. Nunca leram o que ele escreveu nem o que seus companheiros e inimigos escreveram. Alguns podem mencionar Giordano Bruno. Uma olhada rápida na página da Wikipédia sobre ele geralmente já abre um pouco seus olhos. E não conseguem pensar num terceiro exemplo. (A Igreja nunca condenou a evolução, por exemplo; e dois papas, Pio XII e João Paulo II, especificamente, endossaram a ideia).

Enquanto isso, a lista de cientistas importantes que eram católicos vai de Alberto Magno a Roger Bacon, Ampere, Volta, Pasteur, Mendel e Lemaître… e também Copérnico e Galileu! Novamente, é possível ver na Wikipédia uma lista de ganhadores católicos do Prêmio Nobel.

Uma das partes de que mais gostei no evento no Sheen Center foi a exposição de seus pensamentos sobre inteligência artificial. O senhor acha que é possível que tal máquina chegue a ser considerada uma pessoa?

 Na prática, temos muito tempo pela frente antes de que algo que produzimos com metal e semicondutores possa dar conta do recado. Minha suspeita – e posso estar errado! – é que os computadores digitais em si nunca serão capazes de replicar o cérebro humano; pelo estilo errado, acredito. Lembro da piada que diz que o cérebro humano ainda é o computador mais sofisticado a que temos acesso e, além disso, é o único que pode ser produzido por trabalhadores não qualificados.

O senhor escreveu um livro entitulado Você batizaria um extraterrestre? (em inglês, Would You Baptize an Extraterrestrial?). O senhor batizaria?

Só se ele pedisse.

Fonte: Crux

O Dr. Francis Collins, coordenador do maior projeto de biotecnologia, que decodificou o genoma humano, e também Diretor do Instituto Nacional Americano de Pesquisa do Genoma Humano, considera que os milagres são uma “possibilidade real” e descartou que a ciência seja usada para refutar a existência de Deus, porque está confinada a seu mundo “natural”.

Segundo informações do site Caminayven.com, o cientista explicou que em seu livro “A linguagem de Deus”, aponta que “uma das grandes tragédias de nosso tempo é esta impressão que foi criada de que a ciência e a religião têm de estar em guerra” e precisa que o descobrimento do genoma humano lhe permitiu “vislumbrar o trabalho de Deus”.

“Quando dá um grande passo adiante é um momento de regozijo científico porque você esteve nesta busca e parece que encontrou. Mas é também um momento onde, ao menos, sinto proximidade com o Criador no sentido de estar percebendo algo que nenhum humano sabia antes, mas que Deus sempre soube”, indica Collins e explica que as descobertas científicas levam o homem a aproximar-se do Senhor.

“Quando você tem pela primeira vez diante de si estes 3,1 trilhões de letras do ‘livro de instruções’ que transmite todo tipo de informação e todo tipo de mistérios sobre a humanidade, é incapaz de contemplar página após página sem se sentir sobressaltado. Não posso ajudar, mas sim admirar estas páginas e ter uma vaga sensação de que isso está me proporcionando uma visão da mente de Deus”, diz o Dr. Francis Collins.

Ele foi ateu até os 27 anos, quando como jovem médico lhe chamou a atenção a força de seus pacientes mais delicados. “Tinham terríveis doenças das quais com toda probabilidade não escapariam, e ainda, em vez de se queixarem a Deus, pareciam apoiar-se em sua fé como uma fonte de consolo. Foi interessante, estranho e inquietante”.

Em seguida ele leu “Mere Christianity” (Cristianismo Puro e Simples) de C. S. Lewis, que o ajudou a se converter. Dr. Collins explica que o argumento de Lewis, que Deus é uma possibilidade racional era algo “que não estava preparado para ouvir. Estava muito feliz com a ideia de que Deus não existia e de que não tinha interesse em mim. Mas mesmo assim, não podia me afastar”.

Este é mais um belo testemunho de um cientista de nossos dias, que vem comprovar que não existe antagonismo entre a Ciência e a fé, uma vez que ambas vem de Deus.

O Papa João Paulo II começou a Encíclica “Fé e razão” dizendo que: “A fé e a razão são as duas asas com as quais o espírito humano alça voo para contemplar a verdade”. Isto mostra a importância que ambas têm uma para a outra. O grande cientista francês Louis Pasteur, da Sorbonne, pai da microbiologia, dizia que “a pouca ciência afasta de Deus, mas a muita ciência aproxima de Deus”.

Muitos gigantes da ciência, em todos os tempos, se curvaram humildemente diante do Criador. Entre eles podemos citar homens profundamente religiosos como Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johann Keppler, Isaac Newton, Louis Pasteur, Blaise Pascal, André Marie Ampère; Max Planck (1858-1947), prêmio Nobel de Física em 1918, pela descoberta do “quantum” de energia; Andrews Millikan (1868-1953), prêmio Nobel de Física, em 1923, pela descoberta da carga elétrica elementar; Antoine Henri Becquerel (1852-1908), Nobel de Física em 1903, descobridor da radioatividade; Erwin Schorödinger (1887-1961), prêmio Nobel de Física em 1933, pelo descobrimento de novas fórmulas da energia atômica.

A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II mostrou bem claro a harmonia entre a fé e a ciência:

“Se a pesquisa metódica, em todas as ciências, proceder de maneira verdadeiramente científica e segundo as leis morais, na realidade nunca será oposta à fé: tanto as realidades profanas quanto as da fé originam-se do mesmo Deus. Mais ainda: Aquele que tenta perscrutar com humildade e perseverança os segredos das coisas, ainda que disto não tome consciência, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todas as coisas, fazendo que elas sejam o que são” (GS,36).

S. Agostinho diz no Sermão, 126,3: “Eleva o olhar racional, usa os olhos como homem, contempla o céu e a terra, os ornamentos do céu, a fecundidade da terra, o voar das aves, o nadar dos peixes, a força das sementes, a sucessão das estações. Considera bem os seres criados e busca o seu Criador. Presta atenção no que vês e procura quem não vês. Crê naquele que não vês, por causa das realidades que vês. E não julgues que é pelo meu sermão que és assim exortado. Ouve o Apóstolo que diz: “As perfeições invisíveis de Deus tornaram-se visíveis, desde a criação do mundo, pelos seres por ele criados” (Rom 1,20).”

O Concilio Vaticano I (1870) afirmou o conhecimento natural de Deus, contra a agnosticismo, o fideismo e o tradicionalismo absoluto:

“A mesma santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas, “pois sua realidade invisível tornou-se inteligível desde a criação do mundo, através das criaturas”‘ (Rm 1,20).

Prof. Felipe Aquino

No dia 12 de fevereiro, completou-se 209 anos do nascimento de Charles Darwin, o reconhecido cientista que propôs a teoria da evolução através da seleção natural, um processo de transformação das espécies por meio de mudanças produzidas em gerações sucessivas.

O trabalho de Darwin, que foi divulgado em 1859, é aceito hoje por praticamente todos os cientistas. Entretanto, esta teoria é compatível com a fé católica?

Pe. Jorge Loring, em seu livro ‘Para Salvar-te’, afirmou sobre a teoria de Darwin que, embora “o corpo possa vir por evolução”, não ocorreria o mesmo com a alma de uma pessoa, porque esta “é espiritual”.

“Há muitos teólogos católicos que defendem esta teoria, que não é condenada pela Igreja. A partir da fé e da filosofia, não há inconveniente em admitir a teoria da evolução”, acrescentou.

Por sua parte, Pe. Mariano Artigas, doutor em filosofia, física e teologia, adverte em seu livro ‘As fronteiras do evolucionismo’ que o fato da evolução “é uma hipótese e não há algo cientificamente indiscutível. Afirma-se, mas não se prova”.

Em 1950, o Papa Pio XII afirmou na encíclica Humani Generis que o Magistério da Igreja não proíbe “que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente”. Porém, enfatizou que “a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus”.

O próprio Darwin disse ao final de seu livro ‘A origem das espécies’ que “é grandioso o espetáculo das forças variadas da vida que Deus infundiu nos seres criados, fazendo-os se desenvolver em formas cada vez mais belas e admiráveis”.

Pew Research Center reuniu 6 fatos sobre o que as pessoas pensam em relação à evolução.

Segundo o estudo Religious Landscape Study, aproximadamente 6 de cada 10 adultos norte-americanos (62%) dizem que os seres humanos evoluíram com o tempo. Entretanto, 33% do total expressa a crença de que os seres humanos e outros seres vivos evoluíram exclusivamente devido aos processos naturais.

Um quarto dos adultos norte-americanos (25%) diz que a evolução foi guiada por um ser supremo.

A mesma pesquisa indicou que 34% dos norte-americanos rejeitam completamente a evolução.

2. A maioria dos cientistas acredita que os seres humanos evoluíram com o tempo

De acordo com uma pesquisa de 2014 sobre ciência e sociedade, enquanto 98% dos cientistas da ‘Associação Norte-americana para o Avanço da Ciência’ acreditam que os seres humanos evoluíram com o tempo, apenas dois terços (66%) dos norte-americanos, em geral, acreditam que os cientistas estejam de acordo sobre a evolução.

O público em geral que rechaça a evolução está dividido sobre se existe um consenso científico a respeito do tema: ‘47% diz que os cientistas estão de acordo com a evolução e 46% diz que não.

3. Decisões judiciais proíbem o ensinamento do Design Inteligente em escolas públicas

A teoria do Design Inteligente aponta a uma inteligência superior que deve ter criado a complexidade do sistema da criação.

Apesar dos esforços de muitos estados e cidades norte-americanas por proibir o ensino da evolução em escolas públicas e ensinar alternativas à evolução, os tribunais negaram nas últimas décadas os planos de estudo que se desviam da teoria evolutiva.

4. As igrejas protestantes são mais propensas a rechaçar a evolução nos EUA

Segundo o estudo Religious Landscape Study, uma sólida maioria (57%) de protestantes assegura que os seres humanos e outros seres vivos sempre existiram em sua forma atual.

Estas opiniões se refletem em grande medida nas posições das grandes igrejas protestantes, assim como, em muitos casos, na maioria de seus membros.

5. A maioria dos norte-americanos afirma que ciência e religião costumam estar em conflito

Segundo uma pesquisa de 2015, a maioria dos norte-americanos (59%) afirma que a ciência e a religião estão frequentemente em conflito. Entretanto, os que são mais praticantes de sua religião são menos propensos que outros a ver este “choque”.

Entre os que vão à igreja ao menos uma vez por semana, a metade (50%) considera que a religião e a ciência estão em conflito, em comparação aos que raramente ou nunca vão à igreja (73%).

Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas (68%) diz que suas próprias crenças religiosas pessoais não chocam com a doutrina científica aceita.

6. Comparado aos Estados Unidos, em outros países a evolução é mais rejeitada

Na América Latina, aproximadamente 4 de cada 10 habitantes de vários países – incluindo Equador, Nicarágua e República Dominicana – dizem que os seres humanos e outros seres vivos sempre existiram em sua forma atual.

Isso ocorre mesmo quando os ensinamentos oficiais do catolicismo, que é a religião majoritária na região, não rejeitem a evolução.

Por outro lado, os muçulmanos em muitas nações estão divididos. Entretanto, a maioria dos países, como Afeganistão, Indonésia e Iraque, rejeitam a evolução.

ACI