Há sete anos alguém disse que a socióloga norte-americana Amber Case (Portland, 1987) vinha do futuro para nos contar em que poderíamos nos transformar se nos deixássemos seduzir, sem reservas, pela tecnologia. Foi depois de uma palestra TEDxque Case, também definida como ciberantropóloga, chamou a atenção para como os humanos estavam deixando coisas importantes demais nas mãos da tecnologia.

A capacidade de memorizar, de recordar, de nos comunicarmos, de estabelecer empatia. Na época, o uso do WhatsApp não era tão generalizado, não existia Instagram e tampouco o conceito de branding aplicado aos indivíduos. Hoje, com tudo isso sobre a mesa, ela defende voltar ao básico, aos objetos que duram; buscar espaços de reflexão e a tecnologia tranquila. Só assim, ao nos lembrarmos de quem somos, poderemos voltar a nos conectar com nós mesmos. “A natureza é a melhor designer, temos de voltar a nos inspirar nela para viver”, disse em sua última visita a Madri para a apresentação da nova edição da revista Telos, da qual é capa

O que estamos fazendo de errado?

Quando me levanto pela manhã devo me perguntar se dedico tempo a mim mesma, se posso meditar, desenhar, se escrevo. Mas o fato é que o meu dia a dia está tomado pelas notificações do telefone, do computador. Então, que tempo de reflexão me reservo?

E como resolvemos isto?

Dando-nos espaços para pensar e vivendo experiências reais. Estamos conscientes da quantidade de alertas que nos cercam? Silencie o telefone, desative as notificações. Ponha o celular no modo avião e decida você mesmo quando quer interagir com ele. Recupere o despertador! Carregue um jornal com você, anote o que você faz, as pessoas com quem cruza, o que lhe chama a atenção. O cérebro sofre com a conexão constante. Faça uma experiência se você não acredita: depois de várias horas navegando, seria capaz de recordar o que viu e como se sentiu?

Entendo que a resposta é não…

Não, pois é, não fica nada na cabeça. E você se perguntará: mas como pode ser, o que eu estive fazendo durante três horas?

A tecnologia está fundindo o nosso cérebro?

tecnologia não é ruim, mas seu uso está nos desconectando e escravizando. Chegamos a olhar o celular entre 1.000 a 2.000 vezes por dia. Temos que começar por redefinir nossa relação com a tecnologia: é uma ferramenta, muito útil, mas tem que nos tornar livres. O celular é o novo cigarro: se fico entediada, dou uma olhada nele. Não mande mensagens vazias de emoção, convide seus amigos para um jantar na sua casa.

Você observa alguma reação na sociedade diante dessa hipnose, ou vamos de mal a pior?

Sim. Há cada vez mais casos de gente que precisa escapar disto, que explodiu pela depressão, pela ansiedade. Muitos colegas da tecnologia foram morar em fazendas, muitos inclusive as compraram! As pessoas precisam ter a experiência de que estão vivendo algo real. E não é questão de romper com a tecnologia, e sim de usá-la desse jeito. Talvez possamos começar agora e nos poupar de ir parar numa fazenda.

Ou num retiro que agora estão na moda…

Sim, quando fazemos algum retiro, aí é que nos damos conta de que temos tempo para pensar (e muitas vezes não gostamos do que vemos; nos angustia). Mas deveríamos poder fazer isso diariamente, não condicionar esses espaços a ter dinheiro e poder pagar um retiro. Vivemos constantemente em atenção parcial, nunca estamos presentes, portanto não temos tempo de reflexão.

Os horários de trabalho também não ajudam…

revolução industrial nasceu com esse conceito de que, haja o que houver, você precisa trabalhar mais de 10 horas por dia, mas com os celulares, além disso, você sai e continua trabalhando. Daí a importância de desativar as notificações. Ou por acaso não merecemos ter liberdade? O que somos, robôs sem direitos humanos? Isto é uma loucura, e não deveria ser permitido. A França já limitou.

Mas então as empresas poderiam dizer que não somos produtivos, ou diretamente que nós não gostamos de trabalhar…

Nem o trabalho nem a eficiência melhoram a qualidade de vida. Ser eficiente deveria ser ter que trabalhar menos. E não só trabalhamos mais, como também não estamos presentes, perdemos a noção do tempo… Mau chefe o que considera que as horas trabalhadas tornam você mais ou menos produtivo. Venderam-nos que a tecnologianos tornaria a vida mais fácil, mas atualmente trabalhamos muito mais e temos menos tempo de liberdade.

E esperamos as férias para ter essa liberdade…

O problema das férias, quando se trabalha dessa maneira, é que na desconexão a pessoa encara uma vida que não quer. Repensa sua existência inteira, promete que vai estruturá-la, mas volta para o trabalho e volta a não ter tempo. E o sistema nos exige ser criativos, inovadores, criar o futuro, mas as pessoas, sem espaços nem tempo, sofrem de ansiedade e depressão. É preciso parar, e não só nas férias. Antes conseguíamos, por exemplo, ler um livro, mas cada vez se lê e se retém menos, o cérebro se distrai.

A Internet ajuda a nos conectarmos com mais gente, a estarmos menos sozinhos…

sensação de estar conectado é como uma miragem perigosa. Você se sente só, mas sente que faz parte de um coletivo, por isso não dedica tempo a você mesma. E quando finalmente você tem tempo para você… se sente péssima, porque lhe faltam experiências autênticas. Por estarmos conectados com outros o tempo todo, nos esquecemos de que nós também contamos e que merecemos tempo em silêncio, conectando com nós mesmos.

Mas as redes ajudam a romper a rotina, a ver outras paisagens, países, restaurantes…

Nas redes temos que nos adequar, contar a todo mundo como aparentamos ser felizes. Mas não é autêntico, ninguém se lembra de você quando não publica nas redes sociais. A Internet é como Hollywood: lá, sem filme de sucesso você não existe, e, no meu caso, se eu não publicar não interesso a ninguém. Sinto falta das redes do começo da Internet, com pequenas comunidades com gostos afins, onde você ainda podia ser muito mais autêntico sendo anônimo.

Todos carregamos o peso de precisar ser a personalidade que decidimos construir, e você não pode sair dali, precisa alimentar as suas redes. Não gosto da concentração da Internet que existe. Defendo uma rede mais distribuída, não monopolizada, com relações mais autênticas entre as comunidades. Onde se possa controlar melhor o abuso, porque uma empresa grande não se importa e não vai lhe proteger. E, sobretudo, onde não caibam as notícias falsas.

Esse negócio das notícias falsas parece incontrolável a esta altura…

Claro, porque os anunciantes se importam com as visitas, mas a coisa mudaria muito se eles levassem em conta a veracidade de uma informação antes de colocar o seu anúncio ali. Se realmente se importassem, não pagariam ao veículo que publica notícias falsas.

O que necessitamos para viver de um jeito mais autêntico?

Precisamos de mais humanidade nos serviços com relação ao público. E precisamos recuperar o valor das coisas, coisas que durem muito tempo e que sirvam para todos, não só para os jovens com alto poder aquisitivo, pois parece que agora só se fabrica para esse setor. A melhor tecnologia tem que ser a que dure mais e a de melhor qualidade, não a que muda rápido.

Ouvindo você falar parecesse que não leva em conta que o sistema foi feito para fabricar, usar e jogar fora…

Sim, mas o mercado precisa se repensar, porque os recursos naturais se esgotam. Se procurarmos a qualidade, os preços subirão, mas o que você comprar durará mais. As calm technologies estão dentro desse movimento de parar para viver melhor, mais devagar, de forma mais orgânica, mais natural…

A chave está em voltar a viver na natureza?

Se levássemos a natureza em conta, se a imitássemos, se nos inspirássemos nela, faríamos melhores criações e seríamos muito mais felizes. Ela é a melhor designer, sempre foi. Neste mundo industrial, estamos muito isolados, mas ainda podemos aprender muito com a tecnologia para melhorar nossa qualidade de vida.

Fonte: El Pais

Desde a morte do pai, em 2013, *Mariana lutou contra a depressão e viu o quadro piorar ao mergulhar por horas a fio no Facebook. “Era como uma fuga, uma anestesia para esquecer problemas”. Significava também “procrastinar tarefas da casa e os estudos”. “Checava o celular o tempo inteiro. Estava viciada”.

Já na vida de *Luísa, 47 anos, o smartphone entrou como alternativa para relaxar à noite, após um longo dia de trabalho. Em poucos anos, virou o centro de conflitos com as filhas e o marido. “Reclamavam que eu tinha virado um zumbi, que fingia prestar atenção em conversas quando, na verdade, estava pensando em algo que li ou esperando mais uma curtida no Instagram. Era capaz de debater temas no Facebook, mas não conversava com minhas filhas”, disse Luísa à BBC Brasil.

A dependência tecnológica, que inclui o “uso abusivo” da internet, redes sociais, jogos e celulares, não é dimensionada no Brasil, mas já chega como problema a especialistas.

“Não existe nenhum órgão dizendo que há uma preocupação nacional sobre isso, mas diferentes segmentos observam que a tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes. Há aumento de queixas de pacientes nos hospitais universitários, nas clínicas de psicologia, de psiquiatria e em escolas”, diz o PHD em psicologia e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Nabuco de Abreu.

Destaque para o Brasil

O Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, o quarto maior volume do mundo, atrás de Estados Unidos, Índia e China, mostra relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Em 2016, o país foi considerado o segundo que mais usa o WhatsApp, em um levantamento do Mobile Ecosystem Forum (MEF). O primeiro lugar ficou com a África do Sul.

Embora não haja indicadores de quantos, em meio a esse batalhão, são considerados dependentes, estudos dão pistas sobre os riscos.

Uma pesquisa que a consultoria Deloitte divulgou em outubro sobre o uso de celular no dia a dia do brasileiro – com 2 mil entrevistados – mostra, por exemplo, que dois em cada três pais dizem acreditar que seus filhos usam demasiadamente o smartphone. Mais da metade dos que estão em um relacionamento veem excessos por parte dos parceiros e 33% admitem ficar online de madrugada para ver mídias sociais.

“Temos, comparativamente a outros países, uma quantidade de tempo de uso da tecnologia bastante expressiva e aumentando”, alerta Nabuco, também autor do livro Internet addiction in Children and Adolescents (em tradução livre: O vício em internet entre crianças e adolescentes).

“Detox digital”

A preocupação vai além, no entanto, do tempo gasto. Se concentra, principalmente, na relação do usuário com esse tipo de ferramenta, diz Eduardo Guedes, pesquisador e membro do Instituto Delete – primeiro núcleo do Brasil especializado em “desintoxicação digital” na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Essa relação, segundo ele, pode ser dividida em uso consciente, quando o virtual não atrapalha a vida real; uso abusivo, quando atividades online são priorizadas em detrimento das offline; e uso abusivo dependente, quando o virtual atrapalha o real e há perda de controle.

O Instituto pesquisa o impacto das tecnologias desde 2008 e já ofereceu atendimento gratuito a cerca de 500 pessoas, nem todas com dependência diagnosticada.
Frases como “desliga o computador e vai dormir”, “sai do Face e vai trabalhar”, “fecha o WhatsApp e come o jantar” e “larga o celular para não bater o carro” são usadas para chamar a atenção no site que divulga os serviços.

Narcisismo?

A sensação de prazer despertada nos usuários é uma das possíveis explicações para a dependência. “Falar de si gera um prazer equivalente a se alimentar, ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão falando de si nas redes sociais, com feedback instantâneo”, complementa Guedes. “Em uma conversa normal, em 30% do tempo normalmente se fala sobre si”.

Os dados são de uma pesquisa da Universidade de Harvard segundo a qual esse comportamento gera um mecanismo de recompensa no cérebro, graças à liberação de dopamina, além de endorfina, ocitocina e serotonina, hormônios ligados ao prazer.

Mas esse prazer é temporário, observa Guedes. “E vira problema quando passa a ser a fonte exclusiva de prazer, quando a pessoa passa a viver para postar a foto e deixa de aproveitar o momento”.

Gianna Testa, integrante da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que o “sistema de recompensa” do usuário é muito afetado por estímulos – ou pela ausência deles – criados pelo reconhecimento virtual nas redes sociais, como medida de aceitação e sucesso.

O efeito seria comparável ao da dependência de substâncias químicas no sistema nervoso central.

“Hoje é muito claro em adolescentes, por exemplo, o quanto a autoestima depende do número de curtidas, do sucesso que eles têm nas redes sociais”, observa a especialista, também sócia da ASEAT, uma assessoria de segurança e educação em alta tecnologia, de Brasília.

Como medir o vício?

Segundo Guedes, um conjunto de cinco critérios são observados para avaliar se o uso da tecnologia deixou de ser saudável. O primeiro deles mede quão importante o celular se tornou para trazer a sensação de “refúgio de prazer ou segurança”. Quanto maior a importância da ferramenta, mais grave a condição do usuário.

“Uma pessoa que terminou um casamento, que está com baixa autoestima, por exemplo, muitas vezes posta uma foto e isso ajuda a melhorar. É um gatilho positivo. Mas, se ela só trabalha a autoestima por meio da rede, isso pode gerar isolamento, desprezo pelas relações na vida real e até depressão”, exemplifica. Em tímidos, o uso abusivo pode levar pode levar à fobia social.

Outro termômetro é a relevância da tecnologia no dia a dia. Ir ao banheiro ou para a cama, por exemplo, e levar o celular junto pode parecer inofensivo, mas, em alguns casos, indica distúrbio.

Outros dois indicadores na avaliação do vício são se a pessoa tolera eventos ou ambientes em que terá de ficar desconectada e se, em caso de “abstinência” no uso do celular, a experiência se torna insuportável, com efeitos físicos e psicológicos sobre o indivíduo. Pacientes com o distúrbio relatam temor de ficarem distantes das redes e mau humor, mãos tremendo, ansiedade, agressividade e tristeza quando a falta da tecnologia se concretiza.

“Há também quem use tanto o celular que, quando está sem, ele precisa ter algo nas mãos, para ficar mexendo”, diz Guedes. Segundo ele, o efeito é semelhante ao vivido por ex-fumantes, que sentem a necessidade de movimentar uma caneta entre os dedos para simular os gestos que se acostumaram a fazer quando fumavam.

O quinto critério mede o quanto a dependência causa conflitos na vida real. É o caso, por exemplo, de filhos que reclamam a atenção dos pais dividida com a internet até que eles próprios começam a encontrar nas telas refúgio, gerando, em consequência, novos conflitos no ambiente familiar.

É algo que Luísa viveu e vive.

“Minhas filhas já não reclamam tanto de mim. Agora, eu é que reclamo delas. Mas isso quando não estamos todos mergulhados no celular, eu, meu marido e minhas duas filhas, cada um no seu mundo. Essa cena é comum na nossa casa, em restaurantes… Às vezes tento botar ordem na casa, pegar os celulares, mas não dura muito. Não tem atrapalhado estudos, carreiras, mas, sem dúvida, nossa vida familiar. Eu, por exemplo, frequentemente, deixo o celular embaixo do travesseiro e volto a ele assim que meu marido dorme. Sinto falta de ar, um certo nó na garganta quando estou longe do meu aparelho”, conta.

Jogos online

Não são só os dependentes de celular que estão sujeitos a esses sintomas. “Muito estresse, falta de concentração e uma ansiedade terrível” pegavam em cheio o estudante Antônio*, de 25 anos, quando tentava se livrar sozinho da vontade descontrolada de jogar.

O jogo virou parte da sua vida quando tinha 4 anos de idade. Movido por um espírito de competitividade “muito grande”, acabava fisgado por computador, celular, videogame e o que mais permitisse entrar na disputa. Ficou dependente.

“Não almoçava, não estudava e preferia ficar em casa”, diz. Para Antônio, o problema ficou evidente apenas quando pessoas próximas passaram a observar que “a convivência estava difícil” e o assunto virou “motivo de estresse”. E também de separação. “Eu jogava escondido da minha esposa, tinha dificuldade de conversar e nosso relacionamento acabou terminando”. O casal chegou a fazer terapia e reatou. Há um ano, teve o primeiro filho. Ele está na terceira tentativa de parar.

“80% dos indivíduos que são dependentes de videogame, de internet, apresentam depressão”, diz Nabuco.

Segundo o especialista, um grupo de estudiosos defende que a dependência tecnológica seria um sintoma secundário em um indivíduo que já tem depressão, transtorno bipolar de humor e fobia social.

Outros acadêmicos argumentam que embora haja a coexistência de outro transtorno psiquiátrico, estamos lidando, certamente, com uma nova “classificação diagnóstica”. Seria possível, portanto, que a tecnologia cause e não apenas agrave um problema.

Jovens e crianças: público mais vulnerável

Jovens e crianças são mais vulneráveis, diz Cristiano Nabuco de Abreu, porque só atingem a maturação total do cérebro a partir dos 21 anos e, com isso, demoram mais a desenvolver funções como o “freio comportamental” – por meio do qual seria possível evitar situações de risco ou atos por impulso.

Uma das preocupações dos especialistas é o acesso precoce aos gadgets. “Muitos pais entregam o celular ou o tablet ao filho, usam os dispositivos como babá eletrônica, e acham bonito. Mas quanto mais precoce esse contato, mais chances de atraso no desenvolvimento da criança”.

O caso mais chocante que Nabuco atendeu foi o de uma mãe descrevendo que o filho não almoçava e não dormia, por exemplo, sem estar com o celular. “O problema maior era quando eles iam ao shopping, o menino largava a mão dela e corria para balconistas nas lojas para pedir colo e então acessar o teclado dos computadores que ali estavam. Sabe quantos anos ele tinha? 2 anos e 4 meses”.

A dependência mais comum entre os meninos é o uso de jogos eletrônicos. Nas meninas, principalmente adolescentes, a dependência de redes sociais é mais comum.

São Paulo e Rio oferecem tratamento gratuito

Em São Paulo e no Rio de Janeiro há atendimento gratuito para a população, no Hospital das Clínicas da USP e no Instituto Delete. “O grande objetivo não é fazer com que as pessoas se livrem da tecnologia. O que a gente quer é que elas retomem o controle desse uso”, diz Nabuco, do Hospital das Clínicas.

Oito em cada dez pacientes, segundo ele, chegam ao final do tratamento sem sintomas. Os demais, muitas vezes reiniciam a terapia. O tratamento envolve reuniões em grupo para conversas com psicólogos e psiquiatras e, se for preciso, o uso de medicamentos para combater transtornos associados à dependência.

No Instituto Delete, o método usado envolve desde a identificação das raízes do problema até a adoção de técnicas de respiração e “ressensibilização”. “O foco não é proibir o uso, mas criar estratégias para a pessoa ter prazer em atividades na vida real”, complementa Eduardo Guedes.

A busca por mais equilíbrio envolve tratamento e também uma consciência maior do problema. Mariana* iniciou terapia para “desintoxicar”. Faz sessões em grupo por uma hora e meia, uma vez por semana. “Considero que percorri uns 40% desse caminho, em um processo lento e com recaídas”, calcula.

Um pesquisador do tema disse à BBC Brasil ter sido procurado por operadoras de telefonia celular que estariam preocupadas com o uso abusivo dos aparelhos e em busca de possíveis soluções.

Procuradas pela BBC Brasil, Claro, Oi, Vivo e TIM – as principais operadoras de telefonia no país – não confirmaram se planejam medidas como enviar mensagens a clientes para alertar sobre possíveis riscos do uso abusivo, assim como ocorre na indústria de cigarros e bebidas. Por meio do SindiTelebrasil, sindicato que representa o setor, afirmaram, no entanto, que “sempre defenderam o uso consciente desses serviços, respeitando a liberdade de escolha, as necessidades, convicções, crenças e hábitos de cada indivíduo”.

O Ministério da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para todos os tipos de transtorno mental, incluindo depressão e vícios em álcool e outras drogas, mas que não tem dados específicos sobre os problemas ligados à tecnologia.

*Os nomes reais dos entrevistados foi trocado para proteger sua privacidade.

Fonte: BBC Brasil

“Os menores constituem mais de um quarto dos 3,2 mil milhões de utilizadores de Internet no mundo. Esta geração de mais de 800 milhões de jovens é exposta a formas completamente novas de dano e abuso, como a provocação online, a intimidação na rede, a extorsão sexual, a sedução para a exploração sexual.

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Pontifícia Universidade Gregoriana promoveu Congresso internacional sobre “a dignidade do menor no mundo digital”, em Roma.

Uma lacuna crescente entre adultos e adolescentes. De um lado, pais e professores ignoram os imensos mistérios da rede; de outro, os adolescentes a usam constantemente, mas não falam com ninguém sobre aquilo que vivem e experimentam lá dentro. Porque se envergonham ou temem não ser entendidos.

O verdadeiro problema é que o mundo dos adultos não está suficientemente consciente de quanto tempo os adolescentes passam navegando no mundo digital, do que fazem assim que cruzam o limiar do mundo digital e, especialmente, quais conteúdos, imagens, propostas encontram.

Uma lacuna de conhecimentos, experiências e utilização dos meios que está se desenvolvendo no momento errado, porque, nunca como agora, os adolescentes precisam da ajuda e do apoio dos adultos.

A baronesa Joanna Schields dedicou a sua vida para explorar esse mundo e para cuidar dele tanto como ministra do governo britânico para a segurança na internet, quanto fundando em 2014 a WePROTECT, que, ao longo do tempo, tornou-se uma das maiores plataformas de ação para combater todas as formas de abuso e exploração online.

Ela foi co-promotora, junto com o Centro de Proteção da Criança da Pontifícia Universidade Gregoriana, do primeiro congresso global sobre “A proteção dos menores no mundo digital”, que, de 3 a 6 de outubro, reuniu em Roma os maiores especialistas do setor, médicos, psicólogos, estudiosos das novas tecnologias, mas também representantes do governo e das religiões.

Participaram no evento mais de 140 especialistas de todo o mundo, tanto do mundo acadêmico, como dos negócios e da sociedade civil, mas também líderes políticos e representantes religiosos de diversas partes do mundo.

No encerramento do congresso foi emitida uma declaração sobre a dignidade dos menores no mundo digital que será apresentada no decurso de uma audiência com o Papa Francisco.

O que mais preocupa vocês?

O mais importante que surgiu a partir desse congresso é o impacto que o mundo digital tem sobre a vida e o crescimento das crianças. Tomemos a pornografia e a pornografia extrema. Vimos como a exposição a imagens extremas na internet tem um sério impacto sobre a ideia que os jovens estão construindo sobre a sexualidade. Alguns especialistas nos mostraram como o cérebro dos adolescentes ainda não está totalmente desenvolvido, está evoluindo em direção ao pensamento complexo, ainda estão na fase de crescimento, talvez a mais importante e decisiva para o futuro deles. Expô-los a imagens de violência extrema, à pornografia, assim como a ideias radicais, embora as reações possam ser diferentes, significa, contudo, estimulá-los a realidade que terão um impacto definitivo, tanto do ponto de vista emocional quanto fisiológico.

O mundo dos adultos está ciente disso?

Toda nova inovação traz consigo novidades, evoluções e consequências sobre a vida das pessoas que só com o tempo serão estudadas e analisadas. É certo que as crianças apresentam hoje uma capacidade de interagir com os novos meios tecnológicos que é muito mais desenvolvida tanto em relação aos seus pais, quanto aos seus professores. E essa lacuna entre o mundo dos adultos e o mundo dos nossos filhos está evoluindo precisamente no momento menos oportuno. Porque é justamente agora que as nossas crianças precisam do nosso apoio, e a maioria de nós não têm nem o conhecimento, nem a preparação, nem os meios necessários para apoiá-los. Nós sequer temos ideia a que os adolescentes podem ser expostas assim que cruzam o limiar da web, e, por causa dessa ignorância, eles têm medo de conversar a respeito com os seus pais. Eles têm medo de conversar também com os professores, porque se envergonham, talvez não querem ser julgados, sabem que o que eles viram ou fizeram é errado e, por isso, não confiam em ninguém.

Soluções?

Eu faço parte do governo britânico como ministra da segurança na internet. As pessoas geralmente nos perguntam: o que vocês pretendem fazer? As novas tecnologias da informática abrem a um mundo que não conhece fronteiras entre os países. Isso faz com que nenhum governo possa pensar em legislar e, portanto, controlar o que acontece no ciberespaço. Por isso, precisamos de uma abordagem coordenada para uma ação global de proteção dos menores na web, que envolva governos, empresas, organizações não governamentais, sociedade civil. E é exatamente isso que este congresso tentou fazer, reunir todos os sujeitos envolvidos, trazer à tona os desafios, buscar soluções.

Você também participou do congresso como representante do governo britânico. Que impressão teve ao colaborar e participar de uma iniciativa que foi promovida e organizada pela Igreja Católica?

Eu acho que é algo maravilhoso. A Igreja está tentando dizer: “Nós também temos um papel a desempenhar e queremos fazer parte desse projeto, queremos fazer parte da solução”.

A Igreja, como você sabe muito bem, infelizmente, conheceu em seu interior fatos muito graves de abusos sexuais.

Sim, é claro. Mas eu acho que o fato de estar envolvida nessa frente, o fato de se sentir tão fortemente envolvida faz parte do seu processo de cura. É importante que hoje a Igreja sinta e viva esse trabalho de proteção e de segurança dos menores como um compromisso e uma responsabilidade para o futuro. É sinal de uma Igreja não curvada sobre o seu passado, mas aberta para construir um futuro novo.

E o que você acha do papel do Papa Francisco?

papa está muito comprometido com o mundo digital. Ele também faz um uso inteligente dele, por exemplo, utilizando o Twitter para difundir a sua mensagem, mas também está ciente daquilo que as crianças precisam no mundo digital. Ele falou muitas vezes das novas tecnologias, enfatizando sempre as suas potencialidades e pedindo que sejam cada vez mais inclusivas, para que todos possam ter acesso às oportunidades que oferecem. Mas, se, por um lado, as novas tecnologias abrem possibilidades extraordinárias, por outro, devem garantir proteção para todos. E é por isso que estamos aqui. Reunir esses dois aspectos, promoção das novas tecnologias e proteção dos jovens, para que, no centro da revolução digital, estejam o bem-estar e a segurança.

Fonte: Servizio Informazione Religiosa (SIR)

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Qual o impacto que a inteligência artificial tem – e terá – sobre a humanidade? Filósofos, cientistas e acadêmicos debateram esta questão durante uma conferência que aconteceu recentemente na Embaixada da Itália na Santa Sé, em Roma, como parte da série de eventos culturais do “Courtyard of the Gentiles” (Átrio dos Gentios), uma iniciativa organizada pelo Vaticano.

O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura (www.cultura.va), participou do encontro e destacou alguns dos novos desafios que a inteligência artificial traz.

– As capacidades extraordinárias que estão sendo dadas às máquinas podem acabar mudando a condição humana tal como a conhecemos: correr, cozinhar, dirigir, ler, escrever, compor e até aprender da experiência são atividades que as máquinas poderão fazer de forma autônoma. Devemos considerar as grandes possibilidades que esses avanços abrem, bem como os riscos significativos e muito reais.

– O cardeal Ravasi explicou que o Papa Francisco, em Laudato Sì, apresentou a questão do paradigma tecnocrático, em que – o Papa explica – “aqueles com o conhecimento, e especialmente os recursos econômicos” para usar o poder que nos dá a tecnologia, têm “uma dominação impressionante sobre toda a humanidade e o mundo inteiro. Nunca a humanidade teve tal poder sobre si mesmo, mas nada garante que isso será usado com sabedoria, particularmente quando consideramos como isso está sendo usado atualmente”.

Além disso, é um paradigma que faz do progresso científico um meio de poder e dinheiro, sem muita consideração pelo certo ou o errado. “Não podemos pretender ter uma ética sólida, uma cultura e espiritualidade verdadeiramente capazes de estabelecer limites e ensinar autocontrole”, adverte Papa Francisco. É por isso que, na opinião de Ravasi, devemos refletir sobre tecnologia a partir de várias disciplinas e perspectivas. “Um verdadeiro cientista nunca é apenas um técnico… ele é alguém que considera todo o panorama… em que estamos imersos”, enfatizou.

– A inteligência humana veio em primeiro lugar. Devemos lembrar que outros tipos de inteligência foram criados por um tipo original de inteligência: a dos seres humanos. Ravasi questionou o significado do termo “inteligência artificial” e abriu um debate sobre se esse conceito é ou não um paradoxo.

– Não estamos lidando com “personalidade”, mas com “razão”. Ravasi critica o termo “pessoa eletrônica”. Na realidade, ele disse, o conceito de personalidade não é aplicável à inteligência artificial; “a consciência é prerrogativa da pessoa humana, que está na origem da razão e do pensamento”.

– Houve descobertas “extraordinárias e impressionantes”, sobretudo no campo da atenção à saúde: De acordo com o Pe. Benanti – que também participou do Átrio e foi citado pelo cardeal em uma entrevista à Rádio Vaticano – precisamos destacar a utilidade e as vantagens de ter inteligência artificial para gerenciar a informação da saúde, para fins que serão muito vantajosos para a humanidade. No entanto, existem dois grandes riscos: a perda de emprego e o uso indevido da tecnologia de forma a ampliar a distância entre os ricos e os pobres. Ou, o uso da tecnologia pode atingir o objetivo de eliminar a morte e, consequentemente, transformar a condição humana? Esta questão, intimamente relacionada com as reflexões do cardeal Ravasi, foi proposta por Alberto Cortina, autor do livro Human, or Posthuman, publicado por Fragmenta.

– Quando a ciência progride, é irreversível, mas precisamos nos perguntar sobre o papel da consciência, que sempre foi considerada uma característica distintiva dos seres humanos, o que os torna responsáveis por suas próprias ações, capazes de distinguir entre o bem e o mal. Um cérebro artificial capaz de imitar o comportamento humano está longe de ter liberdade autêntica, explicou Ravasi, e sublinhou que mesmo o famoso astrofísico Stephen Hawking alertou contra o uso desenfreado da tecnologia.

“Até que as pessoas vejam robôs nas ruas matando pessoas, elas não sabem como reagir porque isso parece ilusão”, advertiu Elon Musk, CEO da Tesla, em julho, no National Governors Association Summer Meeting. Musk insistiu na necessidade de regular a inteligência artificial antes que “seja muito tarde”.

Quem garante o uso ético dessa tecnologia? O cardeal levantou esta questão e reiterou que é necessário reunir tecnologias e áreas humanísticas de estudo, como filosofia e teologia. A tecnologia não pode regular a si mesma. O mundo das humanidades tem um papel importante a desempenhar; filosofia, cultura, teologia e religião se concentram em estudar o único verdadeiro assunto de liberdade e responsabilidade, que é a pessoa humana.

Aleteia

robos-sexuais

Um grupo de especialistas em robótica acaba de divulgar um sério problema. Tanto a vasta literatura científica sobre o assunto como os relatórios de grandes organizações carecem de dados sobre o sexo entre humanos e máquinas.

“Ainda é um assunto muito novo e, definitivamente, precisamos de ciência sobre esse tema”, admite Noel Sharkey, professor emérito de robótica e inteligência artificial da Universidade do Sheffield (Reino Unido). “Já há várias empresas que desenvolvem robôs para o sexo e queríamos estudar a questão sem entrar em julgamentos para desenvolver um documento que possa ajudar os políticos a verem o que realmente está acontecendo”, diz o cofundador da Fundação para uma Robótica Responsável.

Sharkey é coautor do relatório junto com Aimee van Wynsberghe, professora de ética e tecnologia da Universidade de Delft (Holanda) e outros dois especialistas nesse campo.

O documento, intitulado Nosso Futuro Sexual com os Robôs, revisa toda a literatura científica sobre o tema – a imensa maioria artigos de filósofos, sociólogos e outros especialistas sobre ética – e também recorre a testemunhos de jornalistas, trabalhadores sexuais e a duas entrevistas com diretores de duas empresas de robôs sexuais.

O trabalho analisa os produtos existentes e explora os extremos mais polêmicos desse mercado incipiente, como a criação de robôs sexuais que reproduzem crianças. “Esse é, sem dúvida, o maior problema que encontramos”, diz Sharkey.

As escassas pesquisas sobre o tema fornecem dados muito divergentes. Entre 9% e 75% dos consultados estariam dispostos a fazer sexo com robôs. Em outra pesquisa, 86% opinavam que os robôs poderiam satisfazer os desejos sexuais. Os homens parecem duas vezes mais propensos a aceitar essa possibilidade e até chegam a mostrar sinais de nervosismo ao tocar as partes íntimas de bonecas sexuais. Esses estudos foram realizados nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Holanda, não há dados de outros países e o texto aponta que esse tipo de produto seria proibido em países islâmicos.

O relatório analisa os quatro modelos de “robôs sexuais” disponíveis no mercado, que custam entre 5.000 e 15.000 dólares (algo entre 17.000 e 50.000 reais). Muitos dizem ser equipados com sistemas de inteligência artificial, mas são sistemas muito básicos, incapazes de qualquer coisa que se pareça com uma conversa normal, diz Sharkey.Algumas bonecas têm várias personalidades programadas, como a chamada Roxxxy Gold, que inclui Wendy Selvagem e Farrah Frígida, que resiste ao ato sexual, uma espécie de estupro simulado que preocupa os autores do relatório.

“Claramente esses produtos tendem a fazer das mulheres um objeto, passam a ideia de que seus corpos são um produto, mas nisso repetem o que a imensa indústria da pornografia já faz”, reflete Sharkey.

Os usos mais polêmicos desses robôs, diz, será em possíveis terapias. O trabalho analisa as opiniões de vários especialistas sobre a possibilidade de uma boneca sexual ajudar estupradores. Também aponta um dedo acusador para a empresa Trottla, fundada pelo japonês Shin Takagi, um “pedófilo confesso” cuja companhia fabrica bonecas sexuais de meninas. O relatório cita uma entrevista do japonês ao The Atlantic: “Estou ajudando as pessoas a expressar seus desejos de forma legal e ética. Não vale a pena viver se tiver que viver com o desejo reprimido”.

No Canadá, o comprador de uma dessas bonecas foi detido em um aeroporto e está sendo acusado de posse de pornografia infantil em um caso que continua nos tribunais, diz o relatório. Enquanto isso, nos Estados Unidos e outros países, esse tipo de boneca poderia ser legal. As tecnologias atuais permitem cobrir um molde com um tipo silicone que simula com grande realismo a pele humana.

A técnica foi usada para criar uma réplica de Scarlett Johansson e Iroshi Ishiguro,um famoso criador de robôs, fez um que imita sua filha de quatro anos. “Isso demonstra que seria possível criar uma reconstrução realista de qualquer criança como um robô sexual”, alerta o texto. Esse é um problema que “exige atenção” e que provavelmente requereria leis internacionais para proibir a criação desses robôs, considera o relatório.

Há controvérsias sobre uma eventual contribuição desses robôs na prevenção de crimes sexuais, mas grande parte dos especialistas acredita que só serviriam para exacerbar os comportamentos que se tenta evitar. A maioria concorda que esses usos seriam problemáticos por vários motivos e que, ao final, poderiam reforçar o desejo de violentar. “Trata-se de uma experiência muito perigosa. Deveria ser proibido”, opina Sharkey.

O especialista em robótica não acredita que, nos próximos cinco ou 10 anos, haverá robôs que se tornem “uma companhia real”, sentimental ou sexual, mas admite que o avanço acelerado da tecnologia traz uma grande incerteza. “É possível que todo esse mercado fique reduzido a um nicho dedicado a uma minoria fetichista, mas também existe a possibilidade de o sexo com robôs mudar a forma como nos relacionamos e se tornar a norma. Há muita incerteza e o que precisamos é muito mais ciência sobre o tema”, conclui.

El País

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A cena é familiar. Estamos em uma refeição em família, ou um almoço de negócios, e todos estão verificando suas notificações, respondendo mensagens e constantemente usando seu telefone celular – e, normalmente, a maioria está usando o WhatsApp.

O professor e jornalista Fernando Martínez Vallvey é professor de Comunicação na Pontifícia Universidade de Salamanca, Espanha (www.upsa.es), e especialista em jornalismo digital. Ele nos fala sobre a relação entre grosseria e este novo elemento em nossas vidas chamado WhatsApp.

Vício do instantâneo?

A comunicação é uma parte muito importante da vida das pessoas: é uma necessidade vital. Precisamos nos comunicar com outras pessoas para fins práticos, como trabalhar, fazer lição de casa ou brincar com outras pessoas; também é essencial para lidar com assuntos imateriais, espirituais ou transcendentes como o amor, a arte etc. A comunicação nos permite dar aos outros sem perder; a comunicação com os outros nos ajuda a resolver problemas, torna a nossa vida mais fácil e nos proporciona companheirismo. A comunicação é um dom, e uma maneira de nos completar como indivíduos, complementando nossas personalidades, em nossas vidas do dia a dia.

Com base nesse fato, podemos ver que qualquer forma de comunicação que atenda constantemente a essas necessidades será bem recebida pela maioria das pessoas. É fantástico saber a localização de uma pessoa que vamos buscar; lembrar alguém de uma tarefa que eles têm que fazer; ou enviar uma mensagem romântica – e tudo isso facilmente, rapidamente e de graça.

Isso atinge o status de uma obsessão quando você se sente vazio e como se estivesse perdendo algo se já faz algum tempo desde que você recebeu uma notificação em seu telefone. É quando a comunicação, que é uma coisa boa, torna-se perigosa. Nos sentimos vazios. Poderíamos comparar isso com comer compulsivamente. Comer é bom: precisamos comer para ter energia para fazer o trabalho físico e viver; mas se comemos mais do que precisamos… É quando os problemas começam. Cada pessoa deve buscar o equilíbrio entre seu bem-estar interior (sua capacidade de se sentir em paz consigo mesmo) e sua relação com os outros. Por que essa forma de comunicação é viciante? Porque não custa nada e dá muito.

Constantemente usando o WhatsApp e as redes sociais à mesa, no transporte público, no cinema… Está tornando as pessoas grosseiras?

É verdade que há ocasiões em que estamos dando tanta atenção aos nossos telefones celulares que nem sequer estamos conscientes que estamos sendo grosseiros; por exemplo, podemos não pedir perdão quando incomodamos alguém que está sentado ao nosso lado no transporte público, ou talvez não saibamos cumprimentar alguém que conhecemos quando passamos na rua. É mais grave quando a forma como nos comunicamos usando o nosso telefone é um incômodo para outras pessoas. Claro, o que essa obsessão faz é nos tornar menos atentos ao que acontece à nossa volta. Perdemos o contato com o que está acontecendo na frente de nós, porque estamos focados no que está acontecendo longe. Isto tem algumas de suas piores consequências quando, por exemplo, uma refeição compartilhada é constantemente interrompida e a conversa entre as pessoas ao redor da mesa é impedida porque alguém está constantemente conversando com outras pessoas que estão fisicamente ausentes. Outra forma de grosseria se manifesta nas salas de aula, quando os alunos nunca param de olhar para suas telas, e não prestam atenção ao que seu professor ou colega de turma está dizendo.

WhatsApp e escrita: estamos indo de mal a pior?

Comunicação por WhatsApp é muito semelhante à comunicação oral; Consequentemente, as pessoas tendem a não colocar muito esforço na forma como elas escrevem. Problemas básicos surgem devido a uma falta de pontuação correta. Por exemplo, muitas pessoas não usam uma vírgula para separar os nomes das pessoas que estão falando com o resto da frase; em outros casos, eles não usam vírgulas ou períodos e o destinatário da mensagem tem que ler o texto várias vezes para entendê-lo corretamente – e se eles não fizerem esse esforço, pode haver um problema real e prático na sua comunicação. No que diz respeito a ortografia, há menos problemas do que o que costumava acontecer com SMS, porque agora não há limite para o número de caracteres que podemos usar, e agora temos autocorreção. No entanto, alguém que não sabe soletrar ainda comete erros no WhatsApp, no papel, ou na página de alguém no Facebook.

Algum tipo de guia ou manual de maneiras ao usar o WhatsApp será criado, explicando a maneira correta de usá-lo na escola, no trabalho, em diferentes momentos do dia…?

Eu não sei se isso vai acontecer, embora eu seja a favor de todos nós colocarmos alguns limites em certas coisas, como fazemos em outras áreas da vida (como comer compulsivamente, como já mencionado). Muitos problemas surgem na comunicação. Famílias que almoçam na frente da televisão, por exemplo; isso também é um problema. Se a sua família quer se comunicar uns com os outros, falar sobre o que aconteceu durante o dia, ou naquela manhã… simplesmente não ligue a televisão. No que diz respeito às diretrizes, talvez devêssemos pensar em termos gerais sobre como podemos ser mais educados com os outros: prestar atenção quando estamos juntos, arrumar tempo para ajudá-los, não se fechar dos outros em nosso próprio pequeno mundo… Normas de boas maneiras nos dão muitos princípios que devemos aplicar todos os dias, em vários momentos e em muitas áreas da vida. A violência doméstica, por exemplo. Uma pessoa bem-educada sabe que devemos respeitar os outros: especialmente, aqueles que amamos. Consequentemente, não podemos atingi-los fisicamente, nem prejudicá-los psicologicamente. Se todos praticarmos melhores maneiras em todas as áreas da vida, faremos o mesmo com relação ao uso de nossos celulares.

Portanto, até que ponto a maneira como eu uso meu telefone constitui grosseria para com os outros, incomodando-os em um momento ou outro? Essa é a pergunta que devemos fazer a todos nós mesmos para começar a estabelecer um padrão para as maneiras, como devemos fazer em todas as áreas da vida.

Miriam Diez Bosch

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Por meio das redes sociais e aplicativos, a internet e os dispositivos de tecnologia mais recentes e portáteis formam uma combinação eficaz que conecta nossos desejos, necessidades e inquietudes com inúmeras alternativas que fornecem algum tipo de satisfação. A combinação mencionada fortalece a nossa liberdade para escolher a oferta mais adequada, enquanto enriquece nossa existência ao vinculá-la com possibilidades um tanto quanto desconhecidas, certo? Não, definitivamente não é assim que acontece. Tristan Harris, integrante do movimento Tempo Bem Gasto (Time Well Spent), explica como grande parte da tecnologia em que participamos rotineiramente sequestra e manipula nossas mentes.

Em média, cada usuário verifica seu celular 150 vezes por dia. No entanto, tratariam-se de 150 escolhas conscientes realizadas todos os dias? Harris explica isso como um impulso tipicamente viciante, que opera sob a mesma lógica que leva o jogador inveterado a baixar repetitivamente a alavanca das máquinas caça-niqueis. Em ambos os casos, tratam-se de mecanismos – no caso dos telefones celulares, os aplicativos de mensagens de texto ou outros tipos de alertas e comunicações – desenhados para provocar este impulso, pelo qual executa-se uma ação com o objetivo de verificar se naquela oportunidade obteve-se o prêmio desejado: dezenas ou centenas de moedas ou a mensagem de texto de alguma pessoa em particular. Para oferecer uma ideia contundente sobre a eficácia desses desenhos que promovem “prêmios” variáveis, Harris informa que as máquinas caça-niqueis “ganham mais dinheiro nos Estados Unidos do que o beisebol, o cinema e os parques temáticos juntos”. Sentenciando, ele acrescenta: “Esta é a triste verdade: milhões de pessoas têm uma máquina caça-niqueis em seus bolsos”.

Aplicativos e sites digitais também manipulam mentes ao provocar nos usuários a incômoda sensação de estar perdendo algo importante ao não verificar o e-mail ou visitar a sua respectiva página ou rede social. A chance em potencial pode consistir em uma mensagem de um antigo colega do jardim de infância, o convite para uma festa ou uma oportunidade sexual, mas o que é realmente relevante é a dificuldade de não comparecer no site, efetuar o cancelamento da subscrição ou finalizar a sessão, como consequências deste mal-estar psicológico. Harris observa algo tão preciso quanto fundamental: sempre perdemos algo mais ou menos importante quando fazemos escolhas, mas viver constantemente com medo de ser deixado de lado não é algo que pode ser visto como uma boa vida. Ele adverte que as empresas de tecnologia fariam muito bem se colaborassem com seus usuários para construir relações sociais em termos de que estes escolhessem o que é melhor para suas vidas, ao invés de fazê-lo por conta do medo e da incerteza sobre o que talvez não se esteja aproveitando.

Tristan Harris alerta sobre a manipulação que ocorre nas redes sociais, no que diz respeito à aprovação social, questão altamente delicada em alguns setores, como o dos adolescentes. Por meio de algoritmos extravagantes estas redes sugerem as pessoas que são “marcáveis” em fotos e imagens, operação que ao mesmo tempo exclui outras pessoas, habilitando um processo de discriminação que pode vir a ferir auto-estimas e sentidos de pertencimento. Da mesma forma, a necessidade de atuar reciprocamente aos gestos concedidos por outros sujeitos também é manipulada, exercício emblemático do LinkedIn. A “maior rede profissional do mundo” permanentemente cria obrigações sociais e de reciprocidade entre seus usuários, que entram no site para retribuir, aceitar ou validar atitudes que, longe de terem sido emanadas conscientemente por outro usuário, são regularmente sugeridas pelo LinkedIn, que lucra com a correspondente visitação e permanência no site.

O YouTube não fica paralisado à espera de que espectador escolha o próximo vídeo, pelo contrário, notifica uma contagem regressiva que, uma vez concluída, dá lugar a uma nova projeção. Esta modalidade, que não é exclusiva do site mencionado, foi projetada para conseguir um consumo sem fim, que substitui a vontade humana, com o intuito de preservar uma atenção resignada à transmissão não escolhida. Outra formulação projetada para obter uma resposta do usuário, mais além de sua disposição genuína, diz respeito às mensagens notificadas em tempo real, que interrompem as atividades que seu destinatário esteja realizando. Os criadores destes aplicativos sabem que estas mensagens têm uma maior chance de serem respondidas imediatamente, ainda mais quando o receptor não ignora que o emissor tenha conhecimento de sua leitura (sim, aqueles malditos sinais de check do WhatsApp).

Os contratantes dos homens e mulheres que projetam estes dispositivos não se preocupam com os valores, muito menos com os desejos dos seus usuários. Eles apostam seus impulsos e os seus lucros para alcançar a supressão da consciência responsável e da liberdade. Antes de fazermos nosso próximo clique, vale a pena refletir sobre as advertências de Harris, para decidir se fazer parte disso que estamos sendo convidados é algo que realmente queremos.

Fredes L. Castro, em artigo publicado por Alai

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O Papa Francisco sempre surpreende com a escolha de carros. Primeiro foi quando ele parou de utilizar um papamóvel blindado, depois escolheu um Fiat 500L em seu giro pelos Estados Unidos e até um Renault 4L. Agora, para dar o exemplo, decidiu aceitar um dos muitos presentes que recebe diariamente: um carro elétrico. Desta maneira, transformou-se no primeiro líder mundial a utilizar um veículo 100% sustentável.

O presente, um Nissan Leaf, foi doado pelo Wermuth Asset Management, um grupo de investimentos alemão especializado em energia renovável. A princípio, de acordo com o jornal alemão Der Spiegel, a empresa tinha dado ao papa um Tesla Model S, mas Francisco pediu um modelo mais simples.

A aceitação do novo carro eco-friendly faz parte de um esforço mais amplo do Vaticano para comunicar uma mensagem sobre a importância de proteger o meio ambiente. De fato, os últimos rumores da casa sagrada do cristianismo asseguram que o banco do Vaticano deixará de investir em negócios relacionados aos combustíveis fósseis. Esta campanha, no entanto, começou com Bento XVI, que, em 2008, decidiu instalar 2.400 painéis solares no pequeno estado romano.

O Leaf é o carro sustentável mais vendido do mundo, especialmente nos Estados Unidos, Japão – país de origem – e Europa. Nos últimos cinco anos, o grande volume de vendas evitou a emissão de 328.482 toneladas de CO2.

“O fato de que o Papa comece a utilizar um carro 100% elétrico é uma grande notícia para o mundo”, disse o chefe de investimentos Wermuth Jochem Wermuth ao jornal italiano La Repubblica.

E acrescentou: “É um exemplo a ser seguido por outros chefes de Estado e por qualquer pessoa no mundo”.

“Hoje, já não é apenas moralmente correto, mas, além disso, é mais barato ter um carro elétrico, comparado a um carro de motor a combustão”, revelou a empresa.

Por Infobae

REUTERS2002736_ArticoloA última vez que a Capela Sistina foi fotografada integralmente para a posteridade, foi em tempos em que a fotografia digital estava em sua infância e palavras como “pixel” eram cogitados principalmente por nerds de computador e cientistas da NASA.

Agora, depois de décadas de avanços tecnológicos na arte de fotografar, salas escuras digitais e técnicas de impressão, um projeto que durou cinco anos  –  num total de 270.000 frames que mostram os afrescos de Michelangelo e outros mestres, em detalhes impressionantes – vai ajudar nas restaurações futuras.

O mestre renascentista terminou de pintar o teto em 1512 e o enorme painel do “Juízo Final” por trás do altar entre 1535 e 1541.

“No futuro, isso vai nos permitir conhecer o estado de cada centímetro da capela, como é hoje, em 2017”, disse Antonio Paolucci, ex-Diretor dos Museus Vaticanos e especialista de renome mundial.

A última vez que todos os afrescos da Capela Sistina foram fotografados foi entre 1980 e 1994, durante um projeto de restauração, que limpou-os pela primeira vez em séculos.

As fotos tiradas foram incluídas em um novo conjunto de três volumes, de 870 páginas, limitado a 1.999 cópias e comercializado para bibliotecas e colecionadores.

O conjunto, que custa cerca de 12.000 euros (US$ 12.700), foi uma produção conjunta dos Museus do Vaticano e Scripta Maneant editores, da Itália.

Na pós-produção foram usadas técnicas de computador, incluindo “stitching” de frames. Os fotógrafos que fotógrafos trabalharam durante 65 noites, das 19 horas às 2 da manhã, período em que a Sistina estava fechada aos visitantes.

O projeto era conhecido por poucas pessoas, até ter sido revelado na noite de sexta-feira  (24/02).

O trabalho contemplou toda a Capela, incluindo o mosaico do piso e os afrescos do século XV.

Mais de 220 páginas foram impressas em escala 1: 1, incluindo “A Criação de Adão” e o rosto de Jesus no Juízo Final.

Cada volume pesa cerca de 9 kg e páginas desdobráveis medem 60 por 130 cm.

As antigas fotos, tiradas durante a última restauração, ainda faziam uso de rolos de filme.

“Nós usamos um software especial de pós-produção para obter a profundidade, intensidade, calor e nuance de cores com uma precisão de 99,9 por cento”, revelou Giorgio Armaroli, chefe de Scripta Maneant.

“Futuros restauradores usarão estas como padrão”, disse ele, acrescentando que cada página foi impressa seis vezes.

Pinceladas são claramente visíveis como são as “bordas” que delineiam seções, conhecidas como “giornate”, ou dias.

Os fotógrafos utilizaram andaimes portáteis a 10 metros de altura e lente telescópica especial. Os resultados foram armazenados nos servidores do Vaticano, ocupando 30 terabytes de informação.

Rádio Vaticano


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Um estudo sobre a interface entre a religião e as novas tecnologias comunicacionais. Esse foi o tema da conferência “E o Verbo se fez rede”: religiosidades em reconstrução no ambiente digital, em que Moisés Sbardelotto, mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela Unisinos, apresentou parte dos resultados de sua pesquisa de doutorado. 

Uma questão norteadora da pesquisa de Sbardelotto era: “O que acontece com o catolicismo quando ele se conecta em rede?”. Ele iniciou sua análise a partir do primeiro tuíte de um papa (foto acima), escrito em dezembro de 2012 por Joseph Ratzinger. O hoje papa emérito Bento XVI não tinha intimidade com as novas tecnologias; de fato, Ratzinger sempre escrevia a lápis, e seus assessores transcreviam – ou seja, ele não usava sequer máquina de escrever.

O Vaticano ingressou no Twitter por meio da conta @Pontifex – pontífice, em latim. Por trás dessa tentativa, havia um contexto de uma “Igreja bimilenar que fazia um lento esforço de aproximação com as novas tecnologias”, segundo Sbardelotto.

Uma das curiosidades sobre a conta do papa no Twitter é que ele não segue outras pessoas – “para evitar problemas políticos e diplomáticos institucionais”, de acordo com Sbardelotto. Após o fim do pontificado de Bento XVI, o primeiro tuíte de Ratzinger foi deletado da conta, assim como todos os postados por ele. Hoje, eles estão disponíveis em um arquivo na página News.va.

O Twitter também foi importante na transição entre Ratzinger e o atual papa: a notícia de sua renúncia foi dada pela primeira vez por meio dessa rede social. O furo jornalístico foi de Giovanna Chirri, da Ansa, agência de notícias italiana. Ela estava acompanhando a reunião em que Ratzinger comunicou sua decisão, e, por entender latim, compreendeu o que se passava e publicou uma mensagem informando que Bento XVI havia renunciado e deixaria o pontificado no dia 28-02-2013.

Mais recentemente, em março de 2016, o papa Francisco lançou uma conta no Instagram: @Franciscus. Ele já conta com mais de 3 milhões de seguidores.

Em sua apresentação, Sbardelotto mostrou a evolução na construção da imagem do papa Francisco, que passa a mostrá-lo cada vez mais em meio aos fiéis.

Um dos grandes desafios na aproximação do Vaticano com as novas redes é a“proximidade” e a “quebra de barreiras associadas à institucionalidade da Igreja”, de acordo com Sbardelotto. Se tradicionalmente a fala do papa se dava de forma unidirecional, hoje, a partir do momento em que ele envia sua mensagem, seja pelo Twitter ou pelo Instagram, a Igreja perde o controle sobre essa mensagem.

O pesquisador sugere que “não podemos mais pensar o catolicismo sem considerar as interações que ocorrem nas redes”. Sbardelotto falou no “surgimento de novas formas de percepção, experiência e expressão contemporâneas do religioso católico” – para além das contas oficiais do Vaticano.

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Aproveitando as novas possibilidades de comunicação em tempo real, o Papa Francisco prega, desde ontem, quinta, 02 de junho, o primeiro dia de retiro pela televisão e a internet para sacerdotes de todo o mundo. O retiro consiste em três meditações de uma hora cada que serão transmitidas pela televisão e em “streaming” em sete idiomas, incluindo o espanhol.

Os seis mil sacerdotes que chegaram a Roma vindos de todas as partes do mundo como peregrinos no Ano Santo da Misericórdia poderão assistir ao vivo as meditações do Papa às 10h às 12h e às 14h nas grandes basílicas de Santa Maria Maior, São João de Latrão e São Paulo Extramuros. Um sacerdote espanhol definiu-o como “o primeiro retiro Urbi et Orbi”.

Francisco se deslocará de uma basílica a outra enquanto os sacerdotes participantes o escutam todo o dia no mesmo lugar, seja pessoalmente ou em telões.

As três sessões serão transmitidas ao vivo por televisões católicas de muitos países, com tradução simultânea. Qualquer sacerdote poderá acompanhá-las em qualquer lugar e em um dos sete idiomas graças ao “streaming” da página da internet oficial do Jubileu da Misericórdia (www.im.va).

O Jubileu dos Sacerdotes começou na quarta-feira à tarde, mas sua forte presença já era notada pela parte da manhã entre os 20 mil peregrinos que participaram da Audiência Geral. Utilizando uma linguagem forte, o Papa advertiu todos os fiéis que “quem se crê justo, mas julga e despreza os outros, é um corrupto e um hipócrita”.

Francisco precavia diante da falsa oração do fariseu da parábola que vai ao Templo de Jerusalém mas, em vez de falar com Deus, faz a memória de seus méritos: “é o exemplo do corrupto que finge rezar, mas está se comportando como um pavão na frente do espelho”.

À margem do texto escrito, o Bispo de Roma destacava esse erro com perguntas e respostas muito breves: “Pode-se rezar com arrogância? Não! Pode-se rezar com hipocrisia? Não!”

Pelo contrário, o publicano “que não tinha coragem de levantar os olhos e batia no peito” recorria a uma oração brevíssima: “Ó Deus, tem piedade de mim que sou pecador”.

O Papa convidou todos os peregrinos para repeti-la juntos três vezes, e acrescentou que “Deus sente uma fraqueza pelos humildes. Diante de um coração humilde, Deus abre totalmente o seu coração”.

A reportagem é de Vicente Boo e publicada por ABC.

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Não é novidade instituições religiosas terem produtos comerciais com suas marcas. Já existem no país, por exemplo, cartões de créditos ligado a igrejas. Mas nessa quinta (1), foi lançada uma empresa que deve redimensionar o conceito de mercado de nicho no Brasil.

Trata-se da primeira operadora de telefonia celular evangélica. A Mais AD, que pertence à Assembleia de Deus, utilizará uma rede virtual baseada na estrutura de antenas e satélites da rede Vivo.

A nova operadora deixa claro que seu alvo são os consumidores que professam a fé cristã. O material de divulgação afirma que o objetivo do projeto é “conectar ainda mais todos os cristãos. Principalmente com a Palavra de Nosso Senhor”. Ressalta ainda que oferecerá serviços “com conteúdos aprovados por líderes evangélicos”.

Os planos oferecidos incluem voz, dados e SMS, como as demais operadoras. Entre os diferenciais estão os aplicativos exclusivos, como o +Comunhão, +Louvor, +Aprendizado, +CPAD (da editora de mesmo nome) e jogos com temática evangélica. A página da internet destaca a imagem de José Wellington Bezerra da Costa (presidente da CGADB).

Como as demais operadoras, ligações e SMS entre usuários da Mais AD são ilimitados. Essa é aposta da empresa para fidelizar os cerca de 18 milhões de membros de suas quase 40 mil igrejas espalhadas pelo país.

Segundo o jornal Valor Econômico, a projeção é atrair 1,2 milhão de clientes no primeiro ano de operação vendendo chips por R$10.
O lançamento da Mais AD é uma parceria com a Movttel, empresa que conta com o executivo especializado em reestruturações empresariais Ricardo Knoepfelmacher, ex-presidente da Brasil Telecom, que mais tarde fundiu-se com a Oi. O diretor-geral será Raul Aguirre, com passagem pela operadora Virgin Mobile Latin America e também pela Oi.

Não foi revelado o montante investido pela igreja nem que percentagem ela detém e quanto pertence à Movttel. Também não se sabe de que maneira os lucros da empresa serão revertidos para fins de evangelização, motivação principal das igrejas evangélicas em todo o mundo.

Fonte: Gazeta do Povo

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Dom Anthony Muheria, Bispo de Kitui, Quênia, deixou uma importante tarefa aos estudantes universitários de seu país, assim como aos membros do pessoal educativo: no lugar de fazer-se escravos da tecnologia, recuperar a capacidade de admiração da beleza, em especial aquela que se descobre na natureza e na arte.

O Bispo indicou que existem na natureza realidades assombrosas como a perfeição de engenharia de um formigueiro que conta com ar-condicionado natural ou o diálogo entre uma ave e um texugo para ir em busca de mel. “Necessitamos redescobrir a beleza da música e descobrir a Beleza mesma, porque é uma porta à Verdade”.”Estamos grandemente desafiados pela ausência de capacidade de assombro que a tecnologia e a conectividade digital produziram na sociedade”, lamentou o prelado. “Parece que não temos tempo, ou perdemos a capacidade de ficarmos em admiração diante de um pôr do sol ou um amanhecer, ou de contemplar a beleza da natureza e as paisagens, de maravilhar-nos diante das pequenas coisas que nos rodeiam”.

O prelado também se referiu à importância de transcender os aspectos práticos da vida acadêmica para ocupar-se da formação autenticamente humana dos estudantes. “Se lhes vamos ensinar somente a passar exames estaríamos traindo o espírito mesmo da universidade, estaríamos desumanizados, restando-lhe perfeição a sua mesma humanidade”, advertiu.

Dom Muheria culminou sua alocução à comunidade universitária recordando o dever de preservar a identidade católica da mesma e a transmissão dos valores e qualidades que permitem transformar aos jovens em líderes virtuosos, éticos e retos. (GPE/EPC)

Fonte:gaudiumpress.org