Tudo começou com um livro didático. Um manual escolar assinado por Sophie Le Callennec, professora francesa de geografia e história, desencadeou um debate nacional ao ser o primeiro a adotar a chamada linguagem inclusiva, que busca evitar as fórmulas sexistas. O volume em questão, intitulado Questionar o Mundo, publicado em setembro e dirigido a alunos de Educação Moral e Cívica do 3º ano do primário, motivou uma onda de indignação e dividiu políticos e intelectuais a respeito da necessidade de integrar ou não essas regras de gênero no uso comum da língua.

A polêmica chegou na semana passada à Academia Francesa. Seus 40 imortais difundiram na última quinta-feira um comunicado onde se declaravam contrários ao uso de uma linguagem igualitária. “Diante desta aberração inclusiva, a língua francesa se encontra, a partir de agora, em perigo mortal. Nossa nação é responsável perante as gerações futuras”, afirmou o organismo, fundado em 1763.

Apesar de tudo, Le Callennec não fez mais do que seguir os conselhos formulados pelo Governo francês em 2015. O Conselho Superior para a Igualdade, subordinado ao Executivo, publicou na época um guia prático “para uma comunicação pública sem estereótipos de sexo”, que recomendava citar sempre os dois gêneros, ordenando alfabeticamente o resultado – escreve-se “agriculteurs et agricultrices” (agricultores e agricultoras), mas “femmes et hommes” (mulheres e homens) – e feminizar os substantivos que se refiram a ofícios ou cargos públicos, uma tarefa pendente para o idioma francês.

Além disso, o guia recomendava incorporar um sufixo feminino a todo substantivo masculino, separando-o tipograficamente dentro de cada palavra. Se esta gramática não sexista acabou não se firmando, isso pode ser por causa da complexidade dessa última proposta. Se num escrito em português é possível substituir a palavra alunos por alunos(as), alunxs ou alun@s, em francês é mais difícil, porque nem sempre basta alterar uma vogal, e porque o resultado é menos fácil de ler. Diante da falta de uma normativa compartilhada, geralmente são usados hifens, barras, parênteses, maiúsculas e até três tipos de pontuação. Assim, o resultado para se referir às cidadãs e cidadãos pode ser citoyen/ne/s, citoyen.ne.s, citoyen-NE-s, citoyenNEs, citoyen(ne)s ou, o mais habitual de todos, citoyen·ne·s.

Na verdade, a Associação Francesa de Normalização, encarregada de propor a padronização tipográfica, estuda introduzir esse ponto médio nos teclados do país em 2018. A intenção inicial era reconhecer seu uso em línguas como o catalão e o occitano, mas a adesão crescente a essa gramática alternativa não pode ser alheia a tal gesto. Utilizam-na, cada vez mais, autoridades públicas, o mundo das ONGs e certos meios de comunicação, como a revista lésbica Well Well Well.

Apesar de tudo, a resistência a adotá-la continua sendo férrea e, certamente, majoritária. Desde a aparição do livro da discórdia, a imprensa ‘conservadora’ vem insultando o método. O Figaro o qualificou de “blablablá”, e o semanário Le Point, que lhe dedica sua capa nesta semana, reescreveu em linguagem inclusiva trechos de Molière e de Proust, talvez para sublinhar o caráter ridículo do invento. Por sua vez, o filósofo Raphaël Enthoven tachou essa escrita como “agressão à sintaxe” e “novilíngua” orwelliana, expressando o sentimento de outros intelectuais franceses.

Uso infernal

A escritora Catherine Millet também não acredita que sua adoção seja necessária. “Tentei pronunciar algumas palavras e é infernal. Não é uma língua oral, e a oralidade vem antes da escrita” afirmou ao Le Monde. A autora franco-iraniana Abnousse Shalmani também acha que seu uso não favorece nenhum tipo de equidade. “Línguas como o farsi e o turco não têm masculino e feminino e isso não faz com que essas sociedades sejam mais igualitárias”, afirmou.

O ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer, argumentou que a escrita inclusiva do francês “fragmenta as palavras” e “fere a língua”, apesar de se considerar “um homem feminista”. Por sua vez, a ministra da Cultura, Françoise Nyssen, se disse favorável a uma feminização sistemática dos substantivos, mas não à utilização da ortografia inclusiva. “Como será compressível às crianças com dificuldades de aprendizagem, como os disléxicos?”, disse ao Le Point. O tiro de misericórdia foi disparado pelos acadêmicos, que consideram que o francês está jogando pedras contra seu próprio telhado. A dificuldade adicional que significaria aprendê-lo e entendê-lo, se a tendência inclusiva se transformar em regra, jogaria “a favor de outras línguas que aproveitarão a ocasião para prevalecer no planeta”. Em outras palavras, a arqui-inimiga chamada inglês.

A discussão na Espanha

A Real Academia Espanhola aprovou um estudo em 2012 sobre as diretrizes para se avançar na linguagem inclusiva e não sexista. A opinião manifestada à época não mudou. O diretor da RAE, Darío Villanueva, a resume assim: “Somos favoráveis à sensibilização dos falantes no que se refere à linguagem sexista, mas sobre a estrutura gramatical mantemos o que dissemos em 2012”. Ou seja, condenam o uso machista de alguns termos, mas não defendem a duplicidade de gênero para que homens e mulheres sejam representados no discurso.

“Isso é um falso debate”, diz a doutora em Filologia Românica Eulalia Lledó. “Porque as diretrizes não são regras, somente propostas de usos. E não sei por que alguns acadêmicos ficam tão irritados com o uso da forma dupla para visibilizar as mulheres porque existe até no Antigo Testamento e em Mío Cid. É só retirar de um filão. Fico feliz ao ver cada vez mais formas genéricas na imprensa”.

El País


Noticia de 2016, sempre atualizada.

Fonte: Guy Franco

Professor de uma universidade do Canadá vem sendo perseguido pelos estudantes por se recusar a – veja só – usar pronomes de gênero neutro.

Para manter o padrão, procuro oferecer aos leitores o melhor da polêmica mundial. Uma delas vem da BBC e parece retirada de algum romance distópico de George Orwell: um professor de uma universidade do Canadá vem sendo perseguido pelos estudantes por se recusar a – veja só – usar pronomes de gênero neutro.

A julgar pela reação dos universitários, parece que Jordan Peterson, professor de psicologia da Universidade de Toronto, é suspeito de cometer alguma ofensa terrível, e estaria pronto para arruinar a vida dos estudantes universitários. Mas depois descobrimos que o maior crime dele foi este: dizer em vídeo que se recusava a usar os pronomes “ze” e “zir” no lugar de “she” e “he”. Já disse antes, as melhores peças humorísticas da atualidade são escritas por acadêmicos.

Mas voltemos ao caso: alguns alunos trans e não-binários exigem de Jordan Peterson o uso de pronomes novos criados pelo movimento de correção política. Ne, ve, ze, zie, zir, xe – os pronomes abundam. A polêmica também.

Diz Peterson: “Se a pessoa trans quer ser chamada de “ele” ou “ela”, meu bom senso é o de abordá-la de acordo com o gênero que a pessoa se apresenta.” Diz ainda: “Eu estudei o autoritarismo por um bom tempo – por 40 anos – e ele começa nessa tentativa de as pessoas controlarem a ideologia e a língua dos outros. De maneira alguma vou usar palavras inventadas por pessoas que estão tentando fazer o mesmo – sem chance.”

O objetivo agora é outro: não basta chamar a mulher trans de “ela” e o homem trans de “ele”, como o professor Peterson sempre fez. Segundo a mais nova moda, há uma infinidade de outros gêneros não catalogados. E cada um exige o uso de um pronome diferente. O que implica, claro, não ofender os alunos com doses de inglês arcaico e reacionário; este que encontramos nos livros de Agatha Christie.

Se a coisa ficasse pelos corredores da universidade, seria apenas uma boa ideia de sketch humorístico. O problema é que o caso já chegou ao Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, que emitiu uma advertência ao professor. Também estudantes e docentes já disseram que a atitude de Jordan Peterson é considerada inaceitável, emocionalmente perturbadora e dolorosa. E até o escritório dele sofreu atos de vandalismo.

Na tentativa de impedir qualquer ofensa a minorias desfavorecidas, muitas vezes os movimentos de correção política acabam convertendo-se na mais repugnante forma de autoritarismo.

Autor do artigo: Pedro Henrique Alves

A origem:

Os resquícios mais longínquos desta ideologia encontram-se em Karl Marx, em seu livro (assinado por Friedrich Engels, dado à morte de Karl Marx antes do término do livro): “A origem da família, da propriedade privada e do Estado” (ENGELS, 2014), livro onde ele pretende explicar a origem da realidade familiar através de um viés de liberdade sexual extremada; Marx escreve este livro a partir das deduções de um antropólogo denominado na obra como: “Morgan”, da Ancient Society. Segundo o livro, nas primeiras civilizações não haviam famílias consolidadas aos moldes que hoje conhecemos, o que de fato havia era uma vida sexual sem restrições. Os homens mantinham relações sexuais com todas as mulheres da aldeia — ou tribo. Culminando que os filhos não sabiam quem eram seus pais (obviamente o filho sabia quem era sua mãe, porém, desconhecia quem era o seu pai biológico), sendo criados todos na aldeia em uma “línea igualdade”, segundo o próprio Karl Marx.

Para Marx, nesta sociedade havia uma verdadeira igualdade e justiça, sendo o “Estado” (tribo) responsável pela educação das crianças. Ainda baseado nestes estudos, Marx infere que quando o homem começa a tomar para si certa demarcação territorial, por conta da agricultura, ele encontra a necessidade de doar os frutos de seus trabalhos a alguém, que geralmente designava-se ao sexo oposto que ele desejara, criando assim o princípio do “matrimônio”. Com terras demarcadas, uma família sendo estruturada e a mulher sendo tomada como “posse” pelo homem, Karl Marx deduz que: o patrimônio (propriedade privada) é fruto do matrimônio; o matrimônio é a “base” do patrimônio para Karl Marx. Sendo assim, para Marx, se quisermos uma correta e eficiente revolução, chegando ao âmago do problema, rumando à igualdade plena, temos que destruir as raízes da propriedade privada, ou seja, o matrimônio, a família tradicional.

Após isso, muitos marxistas entenderam os apontamentos de Marx: a revolução comunista não viria por meios econômicos, mas sim por meios culturais. O primeiro, após Karl Marx, a sublinhar enigmaticamente isso foi o filósofo marxista Karl Korsch, onde, na 3ª internacional (congresso mundial sobre a filosofia marxista) de 1923, afirmou que a revolução comunista deveria atacar as “subestruturas” da propriedade privada, ou seja, o matrimônio como antes Marx havia apontado. Max Horkheimer (um dos fundadores da escola de Frankfurt) posteriormente lança um ensaio intitulado “Autoridade e Família”, em que na mesma linha de Marx e Korsch, mostra que a autoridade — o que os marxistas denominam: patriarcado — , e por consequência a posse de bens, surgem no seio familiar. Se o que se quer é desmantelar a propriedade privada, deve-se, antes, desmontar a unidade familiar, origem e sustentáculo da aristocracia capitalista — na visão comunista alinhada às últimas percepções de Karl Marx.

O desenrolar de uma ideia:

Muitos marxistas seguiram em direções contrárias às indicações deixadas nesse último livro de Marx. Optaram eles pelas revoluções armadas, tendo por foco tomarem os poderes econômicos de determinados países — o que, anteriormente, Marx havia sublinhado em seus escritos como sendo o caminho para o proletariado assumir o poder político-econômico. Isso ocorreu, principalmente, em seu livreto: “O manifesto do partido comunista” (MARX, 2012).

Entretanto, outros entenderam o que o alemão havia apontado no final de sua vida, isto é: a revolução deve vir por meio da derrubada da unidade familiar.

Entendendo isso, nasce do meio das escolas marxistas um impulso direcionado à sexualidade e à“libertação” sexual feminina; a primeira marxista determinada a angariar visibilidade e fazer uma espécie de manifesto que apontaria para uma liberdade sexual extremada, foi a feminista Kate Millet. Em seu livro: “Política Sexual” (MILLETT, 1969, 1970), ela mostra como deve ser a vida sexual libertadora de uma sociedade socialista, porém, esse livro não foi encarado com tanto louvor pela academia e sociedade, tratava-se apenas de um impulso inicial para a revolução sexual que os marxistas pretendiam. Essa obra assemelha-se mais a um manifesto do que propriamente um tratado filosófico-político.

A primeira a fazer um ensaio que despertasse seguidores e defensores, de fato, desta variável marxista foi: Shulamith Firestone, socióloga e filósofa que propôs, através de seu livro: “Dialética do Sexo”(FIRESTONE, 1970), a derrubada de todo e qualquer sistema familiar tradicional. Lutou, também, contra o pudor sexual tradicional da sociedade, que dizia ela ser um sistema de opressão contra as mulheres; Shulamith considerava que a mulher possuía um sistema opressor por natureza, isto é, seu aparelho reprodutor. Dizia ela que: libertando a mulher da sua tarefa “socialmente imposta” de reprodutora da espécie acabaríamos também com a unidade social, a família, chegando, por fim, em um oásis social libertador.

Citarei algumas frases de seu livro “Dialética do Sexo”(obra que é possível encontrar para download na internet), as citações seguintes encontram-se na conclusão do livro, onde ela faz uma síntese de suas ideias conclusivas, a ver:

“Assim, libertar as mulheres de sua biologia significaria ameaçar a unidade social, que está organizada em torno da reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico, a família. Nossa segunda exigência surgirá também como uma contestação básica à família, desta vez vista como uma unidade econômica” (FIRESTONE, 1970, p. 235. Grifos meus)

“Com isso atacamos a família numa frente dupla, contestando aquilo em torno de que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres, e sua conseqüência [sic], a dependência física das mulheres e das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia de poder, contudo, nós a destruiremos ainda mais” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

“A total integração das mulheres e das crianças em todos os níveis da sociedade. Todas as instituições que segregam os sexos, ou que excluem as crianças da sociedade adulta, p.ex., a escola moderna, devem ser destruídas” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

“Liberdade para todas as mulheres e crianças usarem a sua sexualidade como quiserem. Não haverá mais nenhuma razão para não ser assim” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

Além desta conhecida autora do feminismo, Firestone. Há aquela que é considerada a mãe das feministas, talvez, quase que unanimemente chamada de pilar central do feminismo, Simone de Beauvoir. Como nossa intenção não é suscitar a crença religiosa de meus leitores em minhas palavras, citarei

Simone para que vejam que minhas afirmações posteriores não serão infundadas:

“Em minha opinião, enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas.” (BEAUVOIR, 1975, p. 20. Tradução livre)

Cito textualmente as palavras destas autoras, pois, como já disse, mas faço questão de reafirmar, não nutro a esperança que confiem em mim, numa espécie de fé cega. Pelo contrário, peço que todos que lerem esse artigo busquem tais referências citadas, para constatarem os fatos aqui apresentados com suas próprias conclusões.

A estratégia: Denominação do conceito Gênero.

Contudo, somente estes escritos citados anteriormente, e os apoios de nomes importantes nos meios acadêmicos e midiáticos, não foram o suficiente para diminuir o poder e a união familiar. Teriam, então, de ajustar a estratégia, mas o foco a ser atacado já estava delimitado: a família. Percebendo que a revolução não viria pelo simples ataque aberto à família, e principalmente após o fracasso das revoluções armadas do século XX, os(as) marxistas-feministas entenderam que o modus operandi da revolução era falho no seguinte ponto: a sociedade já estava profundamente enraizada em seu modelo familiar, perceberam que ela não abriria mão deste modelo a não ser que fosse convencido (doutrinado) internamente que esse modelo é ruim, falido e/ou “opressor”. Como bem sabemos, a mudança estrutural de bases acontece de dentro para fora e não de ataques externos, e qual é a forma mais basal de uma instituição? Segundo Michel Foulcaut: o discurso.

Resumindo, o que mantém uma instituição (Igreja, família, religião) firme em suas convicções são seus discursos, suas defesas conceituais. A Igreja católica manteve-se em pé, pois, seus discursos (apologias) foram mais fortes que os de seus inimigos. Na obra fictícia de George Orwell: 1984 (ORWELL, 2009), o governo totalitário — SOCING — só consegue parar os revolucionários que ameaçavam sua hegemonia quando, de forma doutrinadora, esses revolucionários ficaram convencidos que os conceitos que embasavam seus princípios, no fim, não existiam. Eles aceitam, por fim, que a contradição e a verdade são realidades conciliáveis.

Posteriormente, veremos como a contradição começará a ser aceita, também, por aqueles que defendem o gênero poliforme.

Em uma estratégia similar, os marxistas, baseando-se no pensamento do filósofo Jacques Derrida, conhecido por sua teoria desconstrucionista, montam uma verdadeira confusão conceitual partindo da palavra: “gênero”; Derrida ensina que: nenhum discurso se mantém em pé se conseguirmos desmontar seus significados originais (conceitos) através de um processo dialético de embate, ou seja, jogando palavras contra palavras até que através de uma confusão de termos os conceitos originais sejam rejeitados. Tal desconstrucionismo pode ser realizado, também, através de criação e propagação de novos termos que se pretendem afirmar, e reafirmar, uma ideia ideológica posta a priori. Lembremos do que dissemos acima: as instituições são, em suma, seus próprios discursos. Sem esses — conceitos — elas desmoronam. A estratégia, então, torna-se a desconstrução dos discursos(os conceitos, princípios e defesas) que mantêm a família em pé.

Todavia, faltava alguém que juntasse todas estas ideias expostas e as compilasse, de fato, em uma nova ideologia/doutrina, para que, enfim, a tão sonhada revolução sexual — que tem por meta a revolução política — fosse realizada. Essa pessoa foi Judith Butler. Feminista e conhecida por ser a teórica mais profunda da “teoria de gênero”, Butler, em seu livro “Problemas de gênero” (BUTLER, 2003), concebe uma interpretação da sexualidade no mínimo assustadora. Para Judith Butler devemos acabar com toda e qualquer classificação sexual, não podemos, e nem devemos, considerar que as pessoas são naturalmente homens ou mulheres, pois, para a autora, a sexualidade é totalmente arbitrária e modificável conforme o ambiente e os anseios emocionais de cada um. O que determina aquilo que somos, enquanto gênero sexual, diz Judith, são nossas vontades e desígnios psicológicos e/ou culturais. São nossas inclinações psicológicas momentâneas e os pedantes desígnios culturais que definem a que gênero pertencemos. A nossa natureza sexual nada mais é que um dos múltiplos gêneros possíveis. A essa sua doutrina denominam: “sexualismo” ou “teoria de gênero”, e as pessoas que se identificam com o sexo que naturalmente possuem (nascença) ela denomina-os: “cisgênero”. (Judith tem como base o experimento de John Money realizado na década de 60, o famoso caso Reimer. Tal fato será contado no próximo tópico, apesar de ser cronologicamente anterior a teoria de Judith. Assim o fiz, pois, considerei mais didático expor a conceituação antes do experimento prático da ideologia de gênero).

Judith Butler conseguiu implantar seus conceitos revolucionários sobre a sexualidade em um documento chamado “Princípio de Yogyakarta”, é um documento que possui estratégias de implementação e interpretação dos princípios dos direitos humanos na área de orientação sexual e identidade de gênero. No documento de 2006, no qual as ideias de Judith foram incrementadas, lê-se o seguinte no preâmbulo do texto documental referente a definição dada sobre “ideologia de gênero”: “ENTENDENDO ‘identidade de gênero’ como estando referida à experiência interna, individual e profundamente sentida que cada pessoa tem em relação ao gênero, que pode, ou não, corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo-se aí o sentimento pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive o modo de vestir-se, o modo de falar e maneirismos.” (PRINCÍPIOS, 2015, grifos meus)

Gênero, por fim, seria a definição de algo indefinível, pois, seria a relativização de um princípio que está à mercê da subjetividade temporal e arbitrária dos sentimentos pessoais de alguém; pautadas em nenhum princípio natural, advogam os defensores de tal ideologia que o sexo é relativo à psique (entenda-se sentimentos e inclinações mentais) das pessoas. Ignorando qualquer enfrentamento factual da realidade sexual biológica e genética naturalmente definida.

O experimento: O caso David Reimer — A ideologia na prática.

A ideologia de gênero já foi testada pelo psicólogo neozelandês John Money. No final da década de 60, ao chegar as mãos de John Money um caso de mutilação genital do ainda bebê Bruce Reimer, após uma operação cirúrgica desastrosa, o psicólogo decide, junto a família do garoto, que iria colocar em prática sua embrionária ideia de gêneros socialmente construídos.

Para ele a sexualidade de alguém pode ser moldada conforme a criação social que o paciente receberá. Assim sendo, se Bruce nunca soubesse que havia nascido menino supostamente ele não teria problemas em “ser mulher”. Muda-se, então, cirurgicamente o sexo de Bruce, que passa a chamar-se Brenda; Brenda (Bruce) recebe doses cavalares de hormônios femininos desde muito cedo, passa a ser criada(o) como menina, desde roupas, tratamento escolares, brinquedos e costumes. Além de métodos pedagógicos naturalmente usados com meninas, Brenda (Bruce) foi sendo doutrinada a ser mulher. Todo ano ela(e) visitava John Money em sua clínica, onde ele fazia uma verdadeira tortura psicológica no pequeno Bruce(Brenda), torturas essas que incluía abaixar suas roupas íntimas e fazê-la(o) repetir: “sou menina”. Isso foi relatado por seu irmão e seus pais para a “BBC”. Esse mesmo canal televisivo que fez um longo documentário contando toda a história de Bruce. (link do documentário nas referências)

Porém, Brenda (Bruce), não se reconhecia como menina — para a frustração de Money que já havia anunciado em vários periódicos científicos seu suposto “sucesso” no caso Brenda Reimer. Desde muito cedo Brenda (Bruce) se recusava a participar de brincadeiras femininas, suas roupas e brinquedos não as satisfaziam, tendo naturalmente atitudes masculinas. Na adolescência começou a enfrentar sérias crises psicológicas levando-a(o) à depressão e, posteriormente, a múltiplas tentativas de suicídio. Seus pais, por fim, decidem contar-lhe toda a verdade aos 14 anos, ele, sentindo-se melhor, começou a ter uma vida condizente com seu sexo biológico, agora sob o nome de David Reimer. Reconstruiu cirurgicamente seu órgão genital, chegando a se casar.

Por outro lado, em sua família os resquícios do experimento de John Money deixaram fendas profundas e irreparáveis; seu pai desenvolveu um quadro avançado de alcoolismo e depressão, seu irmão tornou-se usuário de drogas, vindo a morrer em 2002 poroverdose por alta ingestão de antidepressivos, sua mãe, com crises profundas de depressão, por inúmeras vezes tentou se suicidar. David, encontrando-se em meio a uma enorme confusão psicológica causado por anos de confusão sexual, doutrinação psicológica, aliado a um casamento conturbado dado a seus problemas na infância, em 2004 suicidou-se em uma mercearia perto de sua residência com um tiro na cabeça.

Em uma entrevista à BBC de Londres ele afirma:

“Eu não sou um professor de nada, mas você não acorda uma manhã decidindo se é menino ou menina, você apenas sabe”. (DR, 2015)

Conclusão:

Temos dois grandes tópicos a serem avaliados. Primeiro, a conceituação. A “mãe” da ideologia de gênero, Judith Butler, define “gênero” como sendo uma escolha singular e arbitrária de uma pessoa, referente a sua sexualidade. Escolha essa que é definida tão somente pela própria pessoa. Essa escolha de gênero sexual se torna uma verdade irrefutável após alguém defini-la como sendo “verdade”, apesar de sê-la totalmente relativa às vontades e anseios passageiros. Sendo assim, a “verdade” e a sexualidade de alguém está a mercê de suas intempéries emocionais.

Poderá, então, a partir da ideologia de gênero, uma pessoa que passou quarenta anos de sua vida sendo homem, em um belo dia acordar “sentindo-se mulher” e, assim, todo seu passado masculino será apagado, e, a partir daquele momento, torna-se-á mulher? Pois, a este nome: “mulher” não haveria mais nenhuma ligação biológica e natural que a desse firmeza de conceituação essencial, haveria apenas escolhas sentimentais arbitrárias de cada indivíduo.

Esta parte do texto pode parecer empolado, mas não por mea culpa, a própria conceituação assim o é. A própria definição de gênero dada por Butler carece de lógica estrutural, sendo assim, como responsabilizar-me-ei por não ser claro na explicação de uma ideia que não possui clareza?

Segundo o experimento factual da ideologia de gênero: o caso de David Reimer, que é, por si, autodeterminante para tais considerações, tal definição defendida por Butler é uma verdadeira tolice com aparência de sapiência.

O caso de David Reimer acabou sendo um grande revés aos que apoiaram e ainda apoiam tal ideologia; o caso tornou-se a prova factual de que esta ideologia é profundamente falha. Muitas feministas e apoiadores dessa causa afirmam que há inúmeros erros neste caso de David Reimer, mas nunca conseguiram, satisfatoriamente, mostrar onde se errou ou como poderia ter sido diferente. Não podemos negar que John Money foi competente em colocar as premissas daquilo que ele acreditou ser a “teoria de gênero”, ou seja: a “mobilidade” sexual humana estruturada numa criação cultural determinada. Mesmo que, após a conclusão das premissas, a teoria tenha se mostrado um fracasso retumbante, os seus partidários mantém-se relutante ao negar o óbvio: a teoria de gênero, na prática, falhou e falhou muito.

David Reimer foi, de fato, a prova do fracasso desta ideologia, além, é claro, da própria lógica e da genética que comprovam 100% a irresponsabilidade científica e a irracionalidade dessa teoria. Não há outra constatação possível a não ser que essa “teoria de gênero” seja apenas um novo modus operandi para uma revolução política e cultural. Visando, é claro, a hegemonia da ideologia comunista — como no início mostramos. Como bem previu Karl Marx, derrubando o pudor sexual ,e, posteriormente a família, a sociedade tenderia a ficar maleável aos quereres ideológicos de qualquer revolucionário.

Para os que me chamarão de conspirador, lunático ou apocalíptico, apenas deixo-vos com os estudos, aprofundamentos, referências e o sincero desejo de que busquem a verdade por trás dos acalorados “vitimismos”. Gritos histéricos e discursos emocionais decorados deviam ser ignorados, já que tal teoria se pretende a cientificidade. Não peço, de forma alguma, que acreditem em mim ou que encare esse texto como um dogma, desejo apenas que busquem com sinceridade e imparcialidade a origem dessa ideia que aqui tratamos. Busquem as fontes, questionem-se: de onde emanam tais ideias?

Por fim, como é de praxe em meus textos, o desafio continua. Você que duvida que o feminismo quer uma revolução comunista e que a causa feminista seja apenas o meio para outros fins, desafio a irem em algum congresso feminista ou socialista e erguerem um cartaz com a seguinte escrita: “Sou feminista, mas não socialista (ou comunista)”. Depois venha aqui nos contar sua aventura!

Para finalizar, dou voz a David Reimer:

“Você vai sempre encontrar pessoas que vão dizer: bem, o caso do David Reimer podia ter tido sucesso. Eu sou a prova viva, e se você não vai tomar minha palavra como testemunho, por eu ter passado por isso, quem mais você vai ouvir?” (DR, 2015)

Referências:

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 10ª Ed. Rio de janeiro: Civilização brasileira, 2003

DR Money andthe Boy with No Penis. BBC: London, 2010. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/sn/tvradio/programmes/horizon/dr_money_qa.shtml. Acesso em: 22/07/2014.

ENGELS, Frederich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. 1ª ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2014.

FIRESTONE, Shulamith. A dialética do sexo: um estudo da revolução feminista. Rio de Janeiro: Labor do Brasil, 1976. Edição original: 1970.

MARX, Karl; ENGELS, Friederich. O manifesto do partido comunista, 1ª ed. São Paulo: Companhia da letras & Penguin, 2012.

MILLETT, Kate. Política sexual, 1ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 1969, 1970. ORWELL, George. 1984, 1ª Ed. São Paulo: Companhia das letras, 2009.

PRINCÍPIOS de Yogyakarta: sobre a aplicação da legislação internacional de direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero. Disponível em: http://www.clam.org.br/pdf/principios_de_yogyakarta.pdf . Acesso em: 22/07/2015

Simone de Beauvoir, “Sex, Society and the Female Dilemma — A Dialogue between Simone de Beauvoir and Betty Friedan”, Saturday Review, 14.06.1975, p. 20.

(Vídeo do documentário de Bruce Reimer) — Dr Money e o Menino Sem Pênis — Documentário — https://www.youtube.com/watch?v=zrMY_bH5QAg

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“Eu tenho uma filha de dois anos e oito meses que ama rosa, enlouquece com bonecas e princesas, brinca de mãe e filho o dia inteiro e chora quando entra numa loja de brinquedos querendo um ferro e uma tábua de passar roupas! Socorro!

Confesso que, cada vez que vejo esse movimento todo dela, eu me arrepio da cabeça aos pés. Parece piada que minha filha aja de maneira tão contrária a tudo que eu acredito; mais ainda, de maneira contrária a tudo que eu prego no meu dia a dia, a tudo que eu acredito que seja uma construção social das mais cruéis que segregam meninas e traçam pra elas um único e fatídico destino, a tudo que fuja do roteiro traçado por essa construção que seja carregado de culpa e julgamentos! 

Não acredito que existam brinquedos de menina ou brinquedos de meninos. Quando minha filha nasceu, eu não comprei um brinquedo. Bom, ela tinha um irmão de três anos, a casa já estava cheia de brinquedos e ela não precisava de nada além daqueles que ali já habitavam. 

Assim ela ficou, sem brinquedos novos até completar um ano, se não me engano. Foi ali que chegaram as primeiras bonecas, não sei quem deu, não me lembro, mas me lembro com perfeição quando ela, com um ano de idade, pegou uma boneca no colo e ninou. 

Fiquei muito espantada, mas sabia que ela estava reproduzindo o que fazíamos com ela, mas e as princesas? Pode ser influência das amiguinhas da escola. E a cor rosa? E a predileção por saias e saias que rodem? E a paixão por panelinhas e fogão? E o ferro e a tábua de passar, minha gente?! Acredito que seja tudo repetição do que ela vê à sua volta, mas ela também vê (e muito) outras coisas… até porque quando senti esse movimento, a minha primeira ação foi apresentar a ela outras opções, para que ela pudesse perceber que além do mundo de fadas, bonecas, saias, panelinhas e princesas existe muita coisa legal com que ela também pode brincar. 

Não, não adianta, ela gosta desse mundo, esse é o mundo de brincadeiras que ela, com quase três anos, escolheu pra chamar de seu. 

Eu, como mãe, acredito que devo continuar dando outras opções para que ela sempre saiba que o mundo pode ser mais que uma única coisa e que ela pode sim ser o que quiser: astronauta, bailarina, bombeira, princesa, médica, fada, engenheira, cozinheira, professora, princesa, passadeira… não importa, o que importa é ela conquistar a liberdade de ser o que ela quiser.

Taís Araújo, Atriz da Rede Globo.

Abaixo, comentário do Rodrigo Constantino

” Então quer dizer que não importou tanto a “construção social”, menos ainda a “construção familiar”, pois a menininha só quer saber de bonecas? Taís Araújo entrou em contato, pelo visto pela primeira vez, com a biologia. Uma aula prática que sua filhinha, com menos de 3 anos, proporcionou-lhe. Deram uma boneca para ela e pronto: todo aquele esforço de fazê-la gostar de tudo, das mesmas coisas que o irmão mais velho, foi por água abaixo.

Se Taís Araújo acompanhasse mais o mundo animal, saberia que nem tudo é “construção social”, que a biologia é coisa séria, não uma invenção machista opressora. Saberia que há uma tendência natural de as fêmeas serem mais protetoras da prole, e os machos de protegerem as fêmeas. Saberia que isso não é um absurdo inventado por terríveis e maquiavélicos homens insensíveis. Desconfiaria mais do feminismo.

Acompanho uma família de patos aqui perto da minha casa. Alimentei os 6 filhotinhos desde o começo. Por conta do furacão Irma, alguma coisa, tipo uma fita, invadiu o cantinho deles, e grudou na pata da patinha mãe. Fui me aproximar dela para tentar retirar o troço, que deve incomodar bastante, mas imediatamente o pato macho se aproximou emitindo sons supostamente ameaçadores. Eu entendi o recado: “Não mexe que ela é minha”.

Feministas não gostam disso, mas tenho certeza de que, no fundo, Taís Araújo apreciaria uma atitude dessas vindo de seu marido Lázaro Ramos. Um ato de coragem protetora. Já quando eu me aproximo demais dos filhotes, é a patinha que sai em sua defesa, deixando claro que fará de tudo para protegê-los. A mãe protege os filhos e o pai protege a mãe: parece uma configuração bizarra? Só para feministas, pois no reino animal não é tão incomum assim.

A atriz vive imersa na bolha politicamente correta, no Projaquistão, onde tudo que é “progressista” é lei religiosa, e para quem conservadorismo é doença mental. Para essa turma, “ideologia de gênero” é ciência, e ciência é invenção de machistas opressores. Talvez Taís Araújo devesse ver esse documentário norueguês, que derruba esse mito da “identidade de gênero”, inclusive com uma das feministas afirmando categoricamente que não liga para os fatos. Isso mesmo. No vídeo, a “filósofa do gênero” Catherine Egeland, uma das entrevistadas, chega a afirmar que “não se interessa nem um pouco” por esse tipo de ciência e que “é espantoso que as pessoas se interessem em pesquisar essas diferenças”. Espantoso que as pessoas se interessem a pesquisar! É a ideologia acima de qualquer coisa, de tudo, dos fatos, da ciência, da busca pela verdade.

As feministas querem o “empoderamento” da mulher, e Taís Araújo quer a felicidade da filha. Louvável. Resta saber: se a pequena escolher ser uma boa mãe e boa esposa, apesar de toda a ideologia, ela será julgada por isso ou terá seus desejos respeitados, pela mãe e pela sociedade? Pergunta legítima, pois hoje, especialmente no Projaquistão, sabemos que uma mulher que escolhe “virar homem” tem mais respeito e admiração do que uma mulher que escolhe ser dona de casa…

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À medida que a nossa sociedade desaprende a masculinidade e feminiza cada estágio da vida masculina, os meninos pagam um preço enorme. Deixe-me compartilhar com vocês duas notícias preocupantes – e, creio eu, intimamente ligadas.

A primeira vem como cortesia de Mark Perry, do American Enterprise Institute. Em um gráfico, ele destaca a diferença dramática e crescente entre os sexos no ensino superior. Em suma, as mulheres dominam:

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A segunda vem de Emma Green do The Atlantics. Detalhando os resultados de uma pesquisa conduzida por sua revista e pelo Public Religion Research Institute, ela observa que 61 por cento dos homens brancos da classe trabalhadora vêm a universidade como uma “aposta arriscada”. O relatório de Green continha esta explicação: “A narrativa duradoura do sonho americano é que, se você estudar, obter uma educação universitária e trabalhar duro, você pode subir na vida”, disse Robert P. Jones, CEO do PRRI. “A pesquisa mostra que muitos americanos da classe trabalhadora branca, especialmente os homens, já não vêm esse caminho disponível para eles… É este sentimento de fatalismo econômico, mais do que apenas dificuldades econômicas, que foi o fator decisivo no apoio a Trump entre os eleitores da classe trabalhadora branca.

“Não se engane, se esses números mostrassem uma diferença educacional equivalente (e crescente) na direção oposta, a esquerda feminista declararia uma emergência cultural. Na verdade, declarou uma emergência cultural apesar do desempenho educacional dominante das mulheres. Como observa Perry, nossas faculdades estão cheias de iniciativas de “centros de mulheres” e “equidade de gênero” que são dedicadas exclusivamente ao sucesso feminino (ou quase exclusivamente). Quando vai parar de existir uma crise para as mulheres no campus? Quando já atingem dois terços da população do ensino superior? Quando três de cada quatro graduados da faculdade são mulheres?

Nossa sociedade está desaprendendo a masculinidade, feminizando cada estágio da vida masculina, e os meninos estão pagando um preço enorme. Considere a feminização do lar – ocorrendo em duas frentes simultaneamente. Em primeiro lugar, e mais importante, a dissolução da família traz um aumento da ausência do pai, e por mais que nossa cultura louve as mães solteiras (e às vezes – mas nem sempre – as mães fazem esforços realmente heroicos para preencher a lacuna), os meninos precisam de pais.

É simples assim. Homens e mulheres em geral têm diferentes papéis a desempenhar na vida de seus filhos, e um menino vê em um bom pai os frutos de uma masculinidade corretamente canalizada e devidamente vivida. Ele tem nele um modelo, muitas vezes um herói, que vive na maior proximidade possível. Mas além da ausência do pai, está a feminização crescente da própria família mesmo aquela com dois pais. Modelos de vida doméstica intencionalmente elaborados para quebrar antigos estereótipos e normas culturais cada vez mais tratam os pais não como “mãe e pai”, mas como “Progenitor 1 e Progenitor 2.” [*] As crianças não são irmão e irmã, mas “Criança 1 e Criança 2.” Já não existem caminhos diferentes para meninos e meninas, mas caminhos únicos para seres especiais esvoaçantes como flocos de neve.

Quem vai dizer o que é masculino? Quem vai dizer o que é feminino? No entanto, a única coisa que sabemos é que os estereótipos das características masculinas de agressão, risco e trabalho duro e jogos de alta energia são “tóxicos” e precisam ser medicados ou educados fora de casa.

Acrescente-se à casa feminizada, a escola feminizada, com sua tolerância zero, medo mortal de qualquer coisa remotamente marcial e sua implacável ênfase na compaixão e nutrição ao invés de exploração e aventura (a menos que o aventureiro seja uma mulher). Nós amamos a Terra. Não a conquistamos. Escola primária é um lugar de abraços, não de conflito, e brincar é ser pacífico acima de tudo. Não mais se encenam batalhas. Não mais armas de brinquedo. Não mais desenhos de tanques ceifando hordas nazistas. E quando a natureza se impõe contra os desejos do ideólogo? Aí entram a medicação e a educação.

Finalmente, os jovens se graduam para um trabalho cada vez mais feminizado. Parte disso é uma função do politicamente correto, e parte dela é simplesmente uma função da economia em mudança. Não precisamos de tantas costas e braços fortes para fazer a América grande. Há mais cubículos, mais pessoas digitando, e mais pessoas falando. É ótimo ser loquaz.

Em lugar de ensinar os homens a canalizar sua agressividade e espírito aventureiro de maneiras produtivas, pedimos-lhes para sufocar suas naturezas mais verdadeiras.

A força é estritamente opcional. Oh, e quando os homens que trabalham nos cubículos tentam arrumar seus espaços para hobbies, esportes e outras atividades, eles são muitas vezes objetos de zombaria. Por que um contador precisa de um Ford F-150? Olhe para aquele advogado comprando uma motosserra. Ele não sabe como ele é ridículo?

Em lugar de ensinar os homens a canalizar sua agressividade e espírito aventureiro de maneiras produtivas, pedimos-lhes para sufocar suas naturezas mais verdadeiras. Em vez de ensiná-los a proteger os outros, mentimos e declaramos que toda violência é má. Em vez de dizer a verdade de que homens e mulheres são diferentes, tentamos transformar homens em mulheres. Privilegiamos as histórias daqueles que achavam opressivas as normas tradicionais de gênero (como os gays e seus primos metrossexuais) e comemoramos o fim da masculinidade tradicional que vinha servindo melhor à grande maioria dos homens e dos meninos.

Não é possível preservar a masculinidade enquanto se demonstra compaixão por aqueles que não se conformam? Precisamos queimar tudo? Há poucos pontos de vista mais profundamente significativos do que ver um filho crescer com um bom pai, para vê-lo assumir as melhores características do seu pai, ao mesmo tempo forjar seu próprio caminho. É importante ver e saber que durante toda a vida desse jovem, seu pai não estava apenas o protegendo e nutrindo, ele também estava desafiando-o, empurrando-o para ser mais forte mentalmente, fisicamente e emocionalmente. Para esse fim, é hora de lembrar que a força é uma virtude, corretamente canalizada, a agressão cria e preserva a civilização em si, e não há nada de inerentemente tóxico sobre a masculinidade. A feminização de tudo não apenas atrapalha nossos meninos. No longo prazo, destruirá nossa nação.

David French

Nota do tradutor, Heitor De Paola:

[*] Parent 1 and Parent 2.

Publicado originalmente para o website National Review

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A catedral de Buenos Aires se tornou o cenário de atos de violência perpetrados por manifestantes feministas na noite de 08/03.

Para comemorar o dia da mulher as feministas resolveram despejar o seu amor a Igreja. O confronto iniciou quando quatro ativistas com os rostos cobertos jogaram pedras e objetos cortantes na fachada da catedral argentina e acenderam uma fogueira diante da tela de proteção montada para evitar danos ao edifício.

Sob gritos de “Iglesia, basura, vos sos la dictadura” (“Igreja, lixo, vocês são a ditadura”), manifestantes também picharam a tela de proteção com frase como “aborto legal”. Desta vez, a imprensa que é sempre tão amiga foi hostilizada. Os jornalistas do Todo Noticias, Canal 26 e C5N foram agredidos sob a justificativa de que os meios de comunicação estariam a favor da Igreja.

Um jovem católico que levava uma bandeira da Santa Sé foi agredido e empurrado por algumas feministas. Devido a hostilidade do movimento, algumas manifestantes tentaram afasta-lo para legitimar o movimento de intolerância religiosa.

A polícia, que estava entre a tela de proteção e a igreja, interveio com bombas de gás lacrimogênio e realizou algumas detenções, além de ter apagado o fogo.

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A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu nesta terça-feira, 29, uma nova jurisprudência e não viu crime na prática de aborto realizada durante o primeiro trimestre de gestação – independentemente do motivo que leve a mulher a interromper a gravidez.

A decisão da 1ª Turma do STF valeu apenas para um caso, envolvendo funcionários e médicos de uma clínica de aborto em Duque de Caxias (RJ) que tiveram a prisão preventiva decretada. Mesmo assim, o entendimento da 1ª Turma pode embasar decisões feitas por juízes de outras instâncias em todo o País.

Durante o julgamento desta terça-feira, os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber se manifestaram no sentido de que não é crime a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre, além de não verem requisitos que legitimassem a prisão cautelar dos funcionários e médicos da clínica, como risco para a ordem pública, a ordem econômica ou à aplicação da lei penal.

“Em temas moralmente divisivos, o papel adequado do Estado não é tomar partido e impor uma visão, mas permitir que as mulheres façam a sua escolha de forma autônoma. O Estado precisa estar do lado de quem deseja ter o filho. O Estado precisa estar do lado de quem não deseja – geralmente porque não pode – ter o filho. Em suma: por ter o dever de estar dos dois lados, o Estado não pode escolher um”, defendeu o ministro Barroso.

Para que serve o Congresso? Reparem que sequer vem ao caso aqui se posicionar contra ou a favor do aborto. Isso não deveria importar tanto nesse momento. E o fato de pouquíssima gente pensar assim demonstra como os brasileiros têm pouco apreço pela democracia. O STF está usurpando o papel dos legisladores, e isso é despotismo “esclarecido”, ou, no caso, muito pouco esclarecido.

Um caso em Duque de Caxias acaba criando jurisprudência para o país todo, e eis que o aborto se torna legal até o terceiro mês de gestação, não por decisão dos representantes do povo num árduo processo de debates, mas pela canetada mágica de três ministros!

Barroso diz que não cabe ao estado tomar partido, mas tomou, e tomou por meio do STF, não do Congresso. Cabe ainda perguntar: e quem toma o partido do feto humano na barriga da mãe? Quem fala em “liberdade de escolha” ignora os direitos do próprio embrião humano.

O tema do aborto divide muita gente. Não vou entrar na questão em si, apenas constatar que julgo abominável o esforço de banalização de uma prática tão traumática por parte das feministas e “progressistas”. Que um assunto tão delicado assim, que envolve o futuro de vidas humanas, seja decidido de maneira tão concentrada e com total descaso pelo poder Legislativo é algo realmente chocante.

O STF precisa urgentemente regressar ao seu papel de guardião das leis, e não de formulador das leis, que definitivamente ninguém lhe concedeu. Chega desse ativismo judicial que joga no lixo a Constituição e a própria democracia.

Rodrigo Constantino

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No dia 15 de outubro, um pequeno grupo de cidadãos de Campinas se reuniu para uma tarefa de limpeza: apagar pichações que ensinavam a fazer um aborto.

Leiam o relato de Gabriel Vince, que organizou a ação. Espero que inspire outras pessoas a seguir este exemplo e agir.

***

Uma das coisas que mais impressionam na esquerda radical é a militância pelo aborto e sua eficiência na lavagem cerebral de seus seguidores. Conseguir que dediquem tempo, recursos e, em alguns casos, a própria vida a uma causa que desafia a própria natureza é espantoso.

Em minha cidade, Campinas, membros de coletivos feministas espalharam pelas ruas pichações que orientavam às mulheres como fazer um aborto.

Dispostos entre as receitas de como assassinar crianças no ventre, slogans evocando sororidade. Ausente nos dicionários de língua portuguesa, mas corrente entre a militância, a palavra remete a uma espécie de pacto entre mulheres baseado na empatia e no companheirismo. Empatia, pelo dicionário Aurélio, é a “tendência para sentir o que sentiria, se estivesse em situação vivida por outra pessoa”. O sentimento de empatia permite que sintamos as dores do próximo como se fossem nossas. Podemos, então, assumir atitudes para diminui-las, como faríamos se fossemos nós os sofredores. É por meio da empatia que exercemos a caridade. A caridade entre a militância feminista se expressa pelo incentivo à morte.

Sabemos dos pesares e dificuldades que podem acometer mulheres grávidas: rejeição familiar, abandono do cônjuge, falta de recursos. Diante dessas dificuldades, oferecer dinheiro, lar e apoio não são alternativas. Para acabar com os percalços por que poderiam passar as futuras mães, o conselho é simples: acabe com a vida. Um bebê morto não te acordará a noite, não precisará de fraldas, não exigirá que você desista de ir a uma festa e nem que pare seus estudos por um tempo. A solução parece simples; caso esteja sem recursos, é muito provável que as ‘manas’ te emprestem, contanto que os use para comprar medicamentos abortivos. É óbvio que ninguém vai se oferecer para pagar seu pré-natal.

Elas provavelmente não irão te informar sobre os estudos que relacionam o abortamento à depressão, observada em 60% dos casos, segundo a pesquisadora Mariana Gondim Mariutti Zeferino, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, nem alertar para o fato de que mulheres que passam por um aborto induzido têm 44% mais chances de desenvolver câncer de mama do que aquelas que nunca passaram pelo procedimento. A aliança estabelecida não tem como fim a vida das mulheres, sua saúde e bem-estar futuros. As feministas se associam em razão de uma causa, não umas pelas outras como seres humanos que sentem dores recíprocas e se oferecem ajuda. Na moralidade da revolução, oferecer a pessoas desesperadas uma solução criminosa com conseqüências inestimáveis é empatia e companheirismo.

O ato

A idéia de fazer o ato para apagar as pichações surgiu uma semana antes, enquanto passava pelo Centro da cidade. Comuniquei alguns amigos do Facebook sobre a presença de dois desenhos que ensinavam sobre o uso correto de um medicamento abortivo, um remédio tarja preta utilizado no tratamento de úlceras.

O principal componente desse medicamento é o misoprostrol, substância responsável por bloquear a ação da progesterona, hormônio produzido pelo corpo feminino que estabiliza o revestimento do útero. O enfraquecimento do tecido provoca a interrupção do suprimento de sangue para o bebê. Durante a gestação, a respiração é realizada através do sistema circulatório. É por isso que, neste caso, o bebê morre sufocado. A segunda parte consiste na remoção física da criança. Para isso, o medicamento abortivo em questão provocará contrações, cólicas e forte sangramento no útero. Esses mecanismos forçam a eliminação dos restos mortais, posto que fragmentos remanescentes podem provocar infecção e hemorragias. Algumas mulheres podem apresentar sangramento por mais de 30 dias após o abortamento.

Para esse trabalho, contei com o apoio dos amigos Luis Fernando Waib, Aldo Siqueira e Cíntia Salles, que se despuseram a ajudar com a doação de tinta, pincéis e trabalho. Sábado (15), nos encontramos na Catedral Metropolitana de Campinas e partimos para os locais determinados. A primeira pichação estava a pouco menos de 100 metros e a outra foi desenhada nas paredes de uma igreja evangélica, ao lado do prédio da prefeitura municipal da cidade.

Enquanto pintávamos as paredes, fomos interrompidos por duas mulheres, que nos agradeceram. Uma delas, inclusive, indicou a localização de outras pichações de mesma natureza. Sua atitude não contraria o esperado. Segundo o Datafolha, 87% dos brasileiros consideram a prática do aborto “moralmente errada”; entre as mulheres, esse número é ainda maior, chegando a 90% para as que possuem 41 anos ou mais. A mesma pesquisa revelou que pais de meninas adolescentes apoiariam que elas “mantivessem a gravidez em qualquer situação”; entre as mães, o número salta para 88%, enquanto 20% dos pais recomendariam que ela “tivesse o filho e se casasse com o pai da criança”. No caso das mães, esse número cai para 10%. Apenas 1% das pessoas aconselharia o aborto em qualquer situação. Os dados nos permitem concluir que, mesmo em situações consideradas socialmente indesejáveis, o brasileiro médio, tido por machista, preferiria que sua filha adolescente e solteira mantivesse a criança, porque considera o aborto imoral, rejeitando-o em proporção semelhante ao roubo e à corrupção.

O que podemos concluir?

O feminismo é um movimento restrito e político, que não defende os direitos femininos e não representa o desejo da maioria das mulheres.

Diante dessas verdades, aconselho a todos que se opõem à cultura da morte que organizem atos semelhantes. Eles têm o apoio da população e, sobretudo, das mulheres. Nós somos a maioria.

Gabriel Vince

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O Cristianismo é machista? Ele rebaixa o papel da mulher?

Atenção: O autor do artigo é evangélico, sua análise, porém, é bem interessante.

Um passo em falso dado pelos neo-ateus, com o total apoio das feministas seculares, é dizer que a Bíblia é machista, que a Bíblia rebaixa a mulher, que a Bíblia a humilha, que a Bíblia só dá valor ao homem, que a Bíblia isso, que a Bíblia aquilo. É lógico que essas pessoas nunca leram a Bíblia na vida, e tem um conhecimento sobre as Escrituras tão profundo quanto Dawkins possui. Tudo o que elas sabem sobre a Bíblia são versos isolados, picotados e tirados grosseiramente do contexto por ativistas neo-ateus fanáticos, e em cima destes poucos versos elas alardeiam como se fossem profundas conhecedoras da Bíblia inteira.

A verdade é que a Bíblia é o primeiro livro antigo que valorizou a mulher. Mais do que isso: a Bíblia é o primeiro livro antigo que colocou a mulher em pé de igualdade com o homem. E mais: a Bíblia é o primeiro livro antigo que se posiciona contra todas as formas de machismo existentes amplamente nas outras culturas da época, muitas das quais perduram até os dias atuais. E mais ainda: foi o Cristianismo que superou milênios de terror contra a vida da mulher. Se você não concorda com isso, precisa urgentemente fazer um curso bíblico, ou meramente começar a folhear as páginas do Antigo e Novo Testamento.

Antes de começarmos a estudar o papel da mulher na Bíblia, comparemos com a forma que as mulheres eram ou são tratadas pelas culturas não-cristãs. A vida da mulher era realmente uma lástima antes do Cristianismo influenciar o mundo e revolucionar os valores em torno da relação entre homem e mulher. No mundo antigo, a esposa era considerada meramente uma propriedade do marido, e não tinha capacidade para ser independente. Tal visão lastimável, infelizmente, foi compartilhada até pelos homens mais ilustres da época. Aristóteles, notável filósofo grego, defendia que a mulher estava em algum lugar entre o homem livre e o escravo.

Tales de Mileto ia além e dizia:

“Agradece a Deus três coisas: primeira, haver-te feito homem e não animal; segunda, haver-te feito homem e não mulher; terceira, haver-te feito grego e não estrangeiro”

Não, isso não foi dito por pessoas comuns da época ou por uma minoria de homens machistas. Isso era o que era ensinado pelos maiores intelectuais da época, aqueles cujos discursos eram tomados como a expressão máxima da sabedoria e da verdade. Nem o grande Platão escapou disso. Ele ensinava que se um homem vivesse de forma covarde ele iria reencarnar como mulher, e depois como um pássaro. A mulher sempre foi vista no mundo antigo como inferior ao homem, e um pouco mais que um animal qualquer.

Em Roma, muitas meninas eram mortas ao nascimento por serem mulheres, pela prática conhecida do infanticídio, enquanto outras eram simplesmente abandonadas em alguma vala pública ou lixão para morrer. O infanticídio até hoje é comum entre as tribos indígenas e era comum na China até o final do século XIX, sendo bem aceita por aquele povo à época. Duas missionárias cristãs européias assim escreveram sobre a prática do infanticídio feminino na China:

“Era raro que um casal tivesse mais de uma ou duas meninas. Se nascessem, eram descartadas imediatamente. Isso era feito de diferentes formas. A menina poderia ser simplesmente oferecida como alimento a cães selvagens e lobos. Às vezes, o pai a levava à ‘torre dos bebês’, onde ela logo morreria por causa do abandono e da fome e onde seria encontrada pelas aves de rapina” E as que escapavam do infanticídio, infelizmente, não podiam esperar muita coisa. A prática do infanticídio feminino era (e continua sendo) muito comum nas civilizações em que o Cristianismo tinha (ou tem) pouca ou nenhuma influência. Aonde o Cristianismo chegou, a situação melhorou.

As missionárias Sofie Reuter e Anna Jakobsen vasculhavam todos os dias os locais de abandono para salvar as meninas chinesas da morte. Elas as criavam com o amor de Cristo e na fé cristã. Se não fosse pelo Cristianismo, que apresenta uma moral muito mais elevada do que qualquer outra cultura ou ideologia criada pelo homem, essas meninas estariam todas mortas, e muito possivelmente esta prática seria comum no ocidente também. Pergunte a essas meninas se elas não são gratas a Jesus e à fé cristã, que lhes deu a dignidade e o valor que não tinham em sua própria cultura. Foram os missionários cristãos que pediram o apoio das autoridades britânicas e erradicaram estas práticas, valorizando a vida da mulher.

Na Índia, além do infanticídio, as viúvas eram queimadas nas puras dos funerais dos seus maridos, numa prática muito comum até poucas décadas, conhecida como sati. Os hindus criam que a mulher tinha que seguir o marido até a morte, e que se este marido morresse ela deveria ser queimada em honra ao marido falecido. Prática semelhante era comum também na África, onde as esposas e concubinas do chefe da tribo eram mortas quando o marido morria. Estas práticas horrendas foram desaparecendo à medida em que o Cristianismo foi sendo disseminado em cada região do mundo.

A poligamia também foi banida em diversas culturas com a chegada do evangelho. A prática cristã de se casar apenas com uma mulher se contrasta com muitos povos que ainda persistem na crença de que o homem pode ter várias mulheres para si, que é uma forma de machismo, já que a mulher não pode fazer o mesmo e se casar com vários homens. Foi a Bíblia que ensinou o modelo ideal para o casamento. Foi o Cristianismo que elevou a dignidade das mulheres no mundo todo, e é nos países aonde o Cristianismo ainda não chegou (ou ainda tem pouca influência) que as mulheres são mais mal tratadas e têm menos direitos.

Todos os códigos legais no Oriente Médio antigo serviam para tratar a mulher como uma possessão do homem. As leis de Lipit-Ishtar, da Baixa Mesopotâmia (1930 a.C), admitiam como certa a prática de se envolver em adultério com escravas e prostitutas. Na lei hitita (16500 a.C), um pai e um filho poderiam tranquilamente ter relações com a mesma escrava ou prostituta, que isso não era considerado errado. Essa mesma lei permitia até mesmo a zoofilia: “Se um homem tem relações sexuais com um cavalo ou uma mula, isso não é ofensa”[1]. Tanto a mulher quanto os animais eram vistos como uma mercadoria ou um pedaço de carne para se fazer sexo.

Em vários países da África, uma prática comum que perdura até hoje é a denominada “circuncisão feminina”, que é quando meninas, em geral entre cinco e quinze anos, têm seu clitóris mutilado para que não tenham prazer sexual quando adultas. Um artigo do G1 diz que “sem aviso, as meninas são levadas pelas mães a um local ermo, onde encontram uma espécie de parteira que as espera com uma navalha. Sem qualquer anestesia ou assepsia, a mulher abre as pernas das garotas – muitas vezes, crianças de menos de dez anos – e corta a região genital, num procedimento que varia da retirada do clitóris ao corte dos grandes lábios e à infibulação”[2].

Somali Waris Dirie, que teve seu clitóris mutilado aos cinco anos, contou: “Desmaiei muitas vezes. É impossível descrever a dor que se sente”[3]. Um artigo da Superinteressante afirmou:

“A clitoridectomia, como é chamada, é um ritual de passagem, ou iniciação, praticado na África, Oriente Médio e sudeste asiático há dois mil anos. O objetivo é evitar que a mulher tenha prazer sexual. As vítimas em geral são bem jovens – entre uma semana e 14 anos – e os tipos de extirpação variam. Pode ser retirado desde uma parte do clitóris até os pequenos lábios da vagina. As operações são seguidas de muita dor e sangramento. Como são feitas em condições precaríssimas de higiene, com tesouras, facas e navalhas, o número de infecções é muito grande e boa parte das mulheres operadas torna-se estéril. Está provado também que a prática não traz nenhum benefício para o organismo feminino”[4]

Esta prática, lastimavelmente, é muito mais comum do que se imagina. A Organização Mundial da Saúde aponta que há entre 100 e 140 milhões de meninas e mulheres que vivem hoje sob consequências da mutilação. Em sete países africanos a prevalência da mutilação é em 85% das mulheres. É impossível não chorar com uma coisa dessas.

Quando os missionários cristãos chegaram ao Quênia, em 1930, tentaram proibir a mutilação feminina, mas a legislação da tribo prevaleceu. Nos países ocidentais cristãos esta prática não é nem cogitada, porque o Cristianismo representa o que há de mais elevado em moralidade, em especial em relação às mulheres.

Em muitos países muçulmanos até hoje a mulher é obrigada a usar uma burca que cobre literalmente todo o corpo. Em outros, uma pequena parte da face da mulher (somente os olhos, ou dos olhos até a boca) pode ficar descoberta, enquanto todo o resto do corpo precisa estar coberto com este pano. Uma opressão totalmente desnecessária[5].

Imagine o que é conviver com esta burca a todo o tempo, até quando a temperatura está escaldante, exposto ao sol. Imagine o que seria ter que usar um pano desses sob temperaturas acima de 30 ou 40 graus (em alguns países muçulmanos ultrapassa os 50), em contraste com os países cristãos, que sempre permitiram que as mulheres andassem na rua da mesma forma que os homens – sem proibições.

Outro dia desses uma mulher irariana de 25 anos, chamada Ghoncheh Ghavami, foi condenada à prisão por ter ido assistir a um jogo de vôlei[6]. Outra mulher muçulmana, desta vez no Sudão, havia sido condenada à morte por ter se casado com um cristão. Não satisfeitos com isso, eles também a sentenciaram a levar nada a menos que 100 chibatadas antes de morrer[7]. E o pior é que Meriam, a mulher que foi condenada à morte, estava grávida de oito meses[8].

Em quase todos os países árabes a mulher não pode viajar sozinha. Ela tem que viajar com o marido ou com um irmão, como se fosse uma mochila. Já houve vários casos onde uma mulher muçulmana saiu sozinha de casa, desacompanhada de um homem, e foi condenada à morte. A revista Notícias Magazine, em 21 de Outubro de 2001, elencou 33 restrições em relação à mulher no Afeganistão, sendo elas:

  • É absolutamente proibido às mulheres qualquer tipo de trabalho fora de casa, incluindo professoras, médicas, enfermeiras, engenheiras, etc.
  • É proibido às mulheres andar nas ruas sem a companhia de um mahram (pai, irmão ou marido).
  • É proibido falar com vendedores homens.
  • É proibido ser tratada por médicos homens, mesmo que em risco de vida.
  • É proibido o estudo em escolas, universidades ou qualquer outra instituição educacional.
  • É obrigatório o uso do véu completo (“burca”) que cobre a mulher dos pés à cabeça.
  • É permitido chicotear, bater ou agredir verbalmente as mulheres que não usarem as roupas adequadas (“burca”) ou que desobedeçam a uma ordem talibã.
  • É permitido chicotear mulheres em público se não estiverem com os calcanhares cobertos.
  • É permitido atirar pedras publicamente em mulheres que tenham tido sexo fora do casamento, ou que sejam suspeitas de tal.
  • É proibido qualquer tipo de maquiagem (foram cortados os dedos de muitas mulheres por pintarem as unhas).
  • É proibido falar ou apertar as mãos de estranhos.
  • É proibido à mulher rir alto (nenhum estranho pode sequer ouvir a voz da mulher).
  • É proibido usar saltos altos que possam produzir sons enquanto andam, já que é proibido a qualquer homem ouvir os passos de uma mulher.
  • A mulher não pode usar táxi sem a companhia de um mahram.
  • É proibida a presença de mulheres em rádios, televisão ou qualquer outro meio de comunicação.
  • É proibido às mulheres qualquer tipo de desporto ou mesmo entrar em clubes e locais desportivos.
  • É proibido andar de bicicleta ou motocicleta, mesmo com seus maharams.
  • É proibido o uso de roupas que sejam coloridas, ou seja, “que tenham cores sexualmente atraentes”.
  • Os transportes públicos são divididos em dois tipos, para homens e mulheres. Os dois não podem viajar no mesmo.
  • É proibida a participação de mulheres em festividades.
  • É proibido o uso de calças compridas mesmo debaixo do véu.
  • As mulheres estão proibidas de lavar roupas nos rios ou locais públicos.
  • As mulheres não se podem deixar fotografar ou filmar.
  • Todos os lugares com a palavra “mulher” devem ser mudados, por exemplo: o Jardim da Mulher deve passar a chamar Jardim da Primavera.
  • Fotografias de mulheres não podem ser impressas em jornais, livros ou revistas ou penduradas em casas e lojas.
  • As mulheres são proibidas de aparecer nas varandas das suas casas.
  • O testemunho de uma mulher vale metade do testemunho masculino.
  • Todas as janelas devem ser pintadas de modo a que as mulheres não sejam vistas dentro de casa por quem estiver fora.
  • É proibido às mulheres cantar.
  • É proibido ouvir música.
  • Os alfaiates são proibidos de costurar roupas para mulheres.
  • É completamente proibido assistir a filmes, televisão ou vídeo.
  • As mulheres são proibidas de usar as casas-de-banho públicas (a maioria não as tem em casa).

Faça uma pesquisa você mesmo. Investigue. Estude. Vá atrás das informações sobre como é a vida das mulheres naqueles países onde ninguém sabe quem é Jesus ou o que é a fé cristã. Ao invés de repetir as asneiras presentes em The God Delusion, certifique-se de como é a vida das crianças, jovens e adultas do sexo feminino nos países onde o Cristianismo teve ou tem pouca influência, onde outra religião, tradição ou cultura predomine. Depois de investigar e poder pensar e raciocinar por conta própria, conclua se o Cristianismo fez bem ou mal às mulheres, e se o mundo estaria melhor se Jesus nunca tivesse nascido.

Foi o Cristianismo, com seus milhões de missionários enviados por séculos até as faixas de terra mais distantes, que foi moldando e influenciando as mais diferentes culturas, tornando-as cada vez mais favoráveis para com as mulheres e intervindo beneficamente na construção de um mundo melhor para elas. Este ainda é um processo em andamento, pois não se muda uma cultura do dia para a noite, ainda mais em países com uma religião predominante rígida que persegue os cristãos e impede a disseminação dos valores morais encontrados no evangelho de Jesus Cristo. Mas o que já foi feito até o momento deveria ser suficiente para qualquer feminista ter vergonha em falar mal do Cristianismo ou da Bíblia.

Nos países massivamente cristãos, colonizados por cristãos e com uma população predominantemente cristã, as mulheres tem uma extraordinária liberdade e valor quando em comparado aos países que não tiveram influência cristã. Nos países cristãos as mulheres podem andar do jeito que quiserem, podem trabalhar, podem ter acesso à informação, podem ter acesso à educação, podem ter prazer e alegria, podem praticar esportes, gerenciar empresas, dividir as atividades domésticas com o marido e até se tornar presidente da república.

Até Dawkins reconheceu que o Cristianismo é uma barreira moral contra algo que ele considera “pior”. Ele disse:

“Tanto quanto sei não há Cristãos a explodir prédios. Não conheço Cristãos que façam ataques suicidas bombistas, nem conheço uma grande denominação Cristã que acredita que a apostasia deva ser punida com a morte. Eu tenho sentimentos divididos em relação ao fim do Cristianismo uma vez que o Cristianismo pode ser uma fortaleza contra algo pior”[9]

Há muito ainda que ser aprimorado? Sim. Mas o Cristianismo é, como sempre foi, uma alavanca aos direitos das mulheres, que conseguiram tudo isso por causa do Cristianismo, e não apesar do Cristianismo. Essas conquistas só foram obtidas em países predominantemente cristãos, e enfrentam forte resistência em países aonde o Cristianismo não chegou, ou onde tem pouca influência. Foram em nações cristãs que as mulheres foram gradualmente vendo seus direitos sendo conquistados, inclusive o direito da liberdade de expressão, pelo qual elas agora podem falar mal da própria fé cristã que lhes rendeu tudo isso.

Se não fosse pelo Cristianismo, talvez as feministas e humanistas em geral estivessem reclamando do mesmo jeito, mas estariam reclamando com uma burca cobrindo todo o resto, ou com uma mutilação genital, ou sem poder andar livremente nas ruas e assistir jogos de vôlei, ou sem conseguir ter acesso à educação, à informação e ao trabalho, ou sendo uma escrava de seu marido, ou sendo uma dentre várias outras esposas dele, ou sendo tratadas como um intermediário entre o homem e um animal – e isso se já não tivessem morrido pelo infanticídio ou sido abandonadas quando recém-nascidas em uma vala qualquer.

Pensando melhor, nem protestar elas poderiam fazer em um país que não tivesse sido moldado pela influência cristã – tente “protestar” no Afeganistão para ver o que acontece. Elas protestam confortavelmente em países cristãos, que dão toda a liberdade para elas se manifestarem como bem entenderem, e depois cospem no prato em que comem, acusando o próprio Cristianismo de ser “opressor”. Da mesma forma que qualquer comunista deveria ser gentilmente convidado a ir morar em Cuba ou na Coreia do Norte para ver como é o comunismo de perto, toda feminista que esbraveja contra o Cristianismo deveria fazer uma visitinha aos países não-cristãos, para ver se os cristãos são mesmo opressores.

Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

(Trecho extraído do meu livro“Deus é um Delírio?”)

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Esta semana a revista Cosmopolitan, dirigida ao público feminino e que com frequência promove uma imagem frívola da sexualidade, compartilhou o testemunho de Carmen Briceno em um artigo intitulado “Estou felizmente casada com Deus: Como uma virgem consagrada”.

Uma virgem consagrada é uma mulher que opta por consagrar sua virgindade a Deus e faz um voto de castidade. Não é uma religiosa, não vive em um convento nem usa um hábito. Permanece celibatária e leva uma vida normal como qualquer pessoa: trabalha, está com a sua família e com os seus amigos, viaja e realiza diversos trabalhos apostólicos.

A publicação é o testemunho contado por Carmen. Ela começa o seu relato narrando que é filha de um diplomático, nasceu na Venezuela, mas viveu nos Estados Unidos durante quase toda a sua vida. Indicou que seu país tem uma forte tradição católica, mas que a sua família não era muito religiosa e apenas frequentava a missa aos domingos.

Quando se mudou para Virginia conheceu uma jovem cristã e “ela foi o instrumento de como queria que fosse a minha relação com Deus” porque “vi Jesus vivo nela. Pensei. Isso é o que eu desejo”.

Carmen começou a aproximar-se mais à religião católica em 2005, na Jornada Mundial da Juventude em Colônia (Alemanha), com um grupo de 20 jovens e um sacerdote.  “Foi uma semana forte de oração, serviço e de encontro com o Papa. Nunca havia visto nada parecido. As pessoas falavam com amor de Deus e não tinham medo de expressá-lo”.

Foi durante a JMJ que ela sentiu o primeiro chamado à vocação. “Deus simplesmente me disse: Você dedicou o seu tempo a outros noivos, mas alguma vez pensou em mim? Por que não me dá uma oportunidade? Eu tinha que escutar. Tinha que dar uma oportunidade a Deus”.

Em seguida, voltou para os Estados Unidos e com a ajuda de um sacerdote, começou a aprofundar mais no que Deus queria para ela, começou a estudar a Bíblia e a procurar uma resposta para todas as perguntas que estavam surgindo.

“O sexo e a virgindade são presentes que você dá, não é algo que você perde. Não se trata de algo religioso; trata-se da beleza de ser humano. Relacionei melhor que a ideia de expressar o amor não se trata somente de sexo. Trata-se de querer o melhor para a outra pessoa”, assinalou Carmen.

Esta jovem considera que a virgindade é um grande presente e indicou que antes de discernir a sua vocação “queria esperar até o matrimônio, porque entendia o propósito do sexo”.

Ao princípio, sua decisão de ser uma virgem consagrada gerou uma tensão na relação dela com a família, mas depois “eles viram as mudanças que ocorriam em mim (…) viram-me profundamente apaixonada pela minha fé e assim eles começaram um processo de conversão”.

“Chamava-me a atenção a vida de uma virgem consagrada pelas suas lindas e antigas raízes, nos primeiros anos da Igreja, as mulheres faziam votos privados para pertencer completamente a Cristo e não se casar”.

“Essas eram as virgens mártires como Ágata e Lúcia que morreram por não querer casar-se com cidadãos romanos, porque já haviam feito seus votos a Deus. Viviam com suas famílias e se dedicavam a praticar obras de misericórdia em sua comunidade. Amavam tanto o Senhor que queriam entregar-se totalmente a Ele”.

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Logo depois de um profundo discernimento vocacional, em 2009 Carmen tomou a decisão e fez o pedido para ser uma virgem consagrada na sua diocese. Este foi aprovado e no dia 22 de agosto deste ano, vestida de noiva e com uma aliança, se casou com Jesus Cristo. “Foi um lindo dia”, recordou.

Como virgem consagrada, Carmem leva uma vida normal. Trabalhou em uma paróquia, levou grupos de adolescentes a missões internacionais e viajou pelo mundo dando palestras a jovens.

Atualmente vive das doações que recebe em suas palestras e tem uma loja online, chamada Sacred Print, onde vende agendas decoradas com personagens católicos que ela mesma desenha.

ACI Digital

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Em junho de 2013, no meio de uma onda histórica de protestos contra a corrupção brasileira e seus efeitos devastadores no bolso e na paciência dos cidadãos, foi sancionada, quase como notícia secundária, a lei que tornou o feminicídio um crime hediondo no Brasil.

É uma medida necessária, mas, passados mais de 3 anos, a mídia do país não para de noticiar assassinatos de mulheres, estupros coletivos e abusos sexuais. Parece claro que a legislação, sozinha, não resolve as manifestações mais extremas de um problema que não é meramente “disciplinar”, mas essencialmente de valores; e é vasta, muito vasta a gama de valores questionáveis envolvidos no fenômeno sociológico que leva hordas de seres humanos a se comportarem e a tratarem os outros como objetos de prazer descartável.

Poucos meses antes da aprovação da lei brasileira do feminicídio, a revista norte-americana Violence and Victims tinha publicado uma pesquisa feita pela Universidade da Geórgia, também dos Estados Unidos, sobre a relação entre a indústria da pornografia e a violência contra as mulheres. A pornografia é apenas um dos “valores” em que a nossa cultura atual não vê maiores consequências – pelo contrário, é exaltada como um “direito”, como um inofensivo recurso de lazer que não prejudica nem incomoda ninguém…

A pesquisa, como seria de esperar, foi amplamente ignorada pela mídia.

Mas o estudo norte-americano não passou despercebido para o médico e sexólogo Vincenzo Puppo, do Centro Italiano de Sexologia. Em entrevista ao jornal La Stampa, ele explicou que a pornografia causa dependência e que esse vício leva à violência:

A visualização contínua e repetida dos órgãos genitais masculinos e femininos vai diminuindo progressivamente a capacidade de excitação mental. Quando um estímulo sensorial é repetido continuamente, ele vai deixando de ser excitante com o passar do tempo. Assim, o cérebro passa a exigir estímulos sexuais mais fortes. Da pornografia ‘normal’, a pessoa passa, por exemplo, a consumir imagens de estupros, de outras violências sexuais, de sadomasoquismo, de sexo com animais, com crianças…”.

E não para por aí. A repetição contínua da visualização dessas novas imagens leva o cérebro a ir se viciando nelas também. Da dependência doentia de mais e mais cenas degradantes, associadas a excitação e prazer pessoal, tende-se ao impulso não menos doentio de passar aos atos. Assim, quando o ambiente da “mera” visualização de pornografia pesada deixa de ser suficiente para “desafogar” o vício, o dependente pode acabar explodindo em atos de violência não apenas contra mulheres, mas também, não raro, contra homens e, o que é mais terrível ainda, contra meninas e meninos.

Os alertas de especialistas em questões como esta não costumam fazer sucesso na cultura laica do “liberou geral”, por motivos óbvios: não se quer admitir que todo excesso tem consequências. É mais ou menos a mesma visão permissiva e leniente que se tem quanto ao álcool, transferindo-se a responsabilidade pela epidemia de consumo de bebida entre adolescentes e jovens para contextos externos à consciência e à vontade deles. No tocante à hipersexualização da cultura laica, as mesmas pessoas que apontam o dedo com fúria contra o “modelo machista repressivo” fecham os olhos, conivente e hipocritamente, para a relação avassaladora entre a “revolução sexual” e a transformação ainda mais acelerada de seres humanos em objeto de prazer doentio.

Numa sociedade voluntariamente formada por pessoas-objeto, é um tanto utópico exigir que as pessoas não sejam tratadas como… objetos.

Aleteia

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Amplos setores da sociedade, da academia e da mídia exaltam o já célebre “maio de 68” como um divisor de águas “positivo” para permitir a chamada “revolução sexual”.

Repassemos brevemente a história dessa “revolução” para ver como ela foi mudando a nossa cultura década após década:

Década de 1960: populariza-se a pílula e expande-se exponencialmente a independência entre o sexo e a gravidez. A atitude cultural no tocante ao sexo fora do casamento passa rapidamente das piscadelas da geração anterior à música rock e pop que louva o sexo livre, de “Let’s Do It, Let’s Fall In Love” até “Why Don’t We Do It In the Road?”. Nem todo mundo está fazendo sexo extraconjugal, mas, no final dessa década, quase todo mundo está proclamando o “direito” de fazê-lo.

Década de 1970: populariza-se o aborto e começa uma era de dramáticas ironias: o sexo é celebrado como diversão descomplicada, mas, por outro lado, é preciso matar os próprios filhos (que a natureza, essa reacionária, teima em continuar gerando mesmo quando o sexo é feito “por brincadeira”…). Os hippies fazem do sexo uma forma de “iluminação” e de “autorrealização”, enquanto os homens do tipo “machão”, de James Bond a Burt Reynolds, fazem dele uma forma de conquista.

Década de 1980: populariza-se o preservativo. Com as epidemias de doenças venéreas tornando o sexo mais perigoso do que nunca, o mantra passa a ser o do “sexo seguro”. As escolas orientam os estudantes a “dizer não” às drogas, mas lhes dão camisinhas para dizerem sim ao sexo. Produzem-se vídeos musicais e filmes direcionados especialmente a um público de adolescentes obcecados por sexo.

Década de 1990: populariza-se a lingerie sensual. A Victoria’s Secret fez sucesso com seus desfiles de moda íntima e até o presidente dos Estados Unidos é atraído pela “moda íntima” da estagiária Monica Lewinski. A roupa de baixo ainda não é o traje oficial das artistas femininas em cima dos palcos, mas cantoras como as Spice Girls e Britney Spears já começam a caminhar nessa direção.

Década de 2000: populariza-se a pornografia. O governo federal dos Estados Unidos já tinha dobrado a quantidade de leis relacionadas com atos obscenos na década de 1990, porque a internet vinha surgindo com força e recheada de um vasto arsenal de pornografia. O arsenal se multiplica espantosamente nos anos seguintes. O pornô se torna um gigantesco setor de negócios. Os homens começam a gastar muito tempo on-line sozinhos e a portas fechadas. E as mulheres, cada vez mais, também.

Década de 2010. O que vai ser popularizado agora? Já vimos a florescente indústria dos brinquedos sexuais e dos “sex shops” e sabemos que os tribunais estão ocupados em redefinir o próprio conceito de casamento, dissolvendo-o numa simples afirmação de sentimentos mais ou menos afetivos e retirando do seu núcleo a crucial missão de criar e educar solidamente os filhos.

Há segmentos das ciências sociais que avaliam as consequências da revolução sexual não como “libertadoras” e “emancipadoras”, mas sim como devastadoras para mulheres, homens, adolescentes e crianças. E é significativo que a maior mudança cultural pareça estar precisamente na degradação das mulheres, que, achando-se “livres”, comportam-se cada vez mais naturalmente como “servas” das diversas ramificações da indústria do sexo e da coisificação das pessoas, com todas as consequências mais óbvias da sensação de vazio e frustração que essa pseudolibertação envolve: depressão, estresse, alcoolismo, drogas, relacionamentos inconsistentes e descartáveis, solidão, insegurança, insatisfação permanente, instabilidade, pressão social para “estar na moda comportamental” e rejeitar “atitudes tolas, ultrapassadas e submissas”, como… amor, fidelidade, compromisso, respeito e compartilhamento decidido de uma vida real em comum.

Num ambiente desses, parece quase extraterrestre falar de algo como “pureza de coração”, que consiste, simplesmente, em ver os outros e ser visto como o que se é: como uma pessoa de dignidade infinita. A máxima tragédia da hipersexualização da nossa cultura pode ser exatamente a perda dessa pureza. Quando permitimos que os seres humanos se tornem meros objetos de prazer sexual, todos nós nos diminuímos aos olhos uns dos outros.

A década de 2010 bem que poderia popularizar esta importante mensagem: o poder das pessoas, sejam elas mulheres ou homens, não está na sua sexualidade, mas na sua humanidade.

Autor: Tom Hoops

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Estudos de gênero vs método científico.

Uma coisa que sempre me espanta é o desprezo de pessoas que leram meia dúzia de livros sobre teoria queer em relação à ciência. O feminismo contemporâneo parece especialmente suscetível a esse mal. Estava assistindo a um debate sobre feminismo, promovido pela Jovem Pan, e logo nos primeiros minutos uma das garotas me solta isto: “A biologia é coisa do século passado.”

Ê, pós-modernismo.

Se o problema ficasse por aí, nada a dizer. Acontece que o desprezo à ciência começou a ganhar novos contornos nos últimos tempos. Anne Fausto-Sterling, professora de estudos de gênero, mostrou, num artigo, como feministas podem evitar críticas quando dados estatísticos não batem com a ideologia do movimento. Em resumo, desconstruindo a ideia de autoridade: “O feminismo tem mudado a percepção de onde vem o conhecimento, de quem tem autoridade”. E acrescenta: “Um estudo que utilize abordagens feministas para alcançar o conhecimento, tais como entrevistas narrativas ou outro tipo de amostragem mais diversificada, pode produzir um conhecimento mais robusto.” Dito de outra forma: na opinião da docente, passageiros aleatórios de um vagão de metrô podem ter tanta autoridade quanto cientistas, se assim ela entender.

O resultado desastroso dessa ideia já pode ser observado pelo mundo afora. Malin Ah-King, professora de estudos de gênero, bióloga sueca e seguidora de Fausto-Sterling, nega a teoria de seleção sexual de Darwin; nega o chamado Paradigma Darwin-Bateman por motivos ideológicos. O Paradigma Darwin-Bateman afirma, entre outras coisas, que há um motivo biológico pelo qual fêmeas são mais recatadas do que machos. Para a terceira onda do feminismo, essa ideia soa absurda.

O problema de boa parte da abordagem feminista de hoje é que ela nada tem de científica. Na ânsia de justificar uma ideologia, vale passar por cima dos fatos empíricos e da tal biologia.

Se você repete que o gênero é apenas uma construção social, por exemplo, você acredita em qualquer coisa, não em ciência: pode chamar isso de licença poética, crença religiosa, esoterismo ou dar um outro nome para o bicho.

A ideia que você pode negar a biologia evolutiva quando fala da cultura humana é apenas ignorância. Existe um motivo biológico pelo qual machos e fêmeas, em geral, têm papéis diferentes no cuidado parental, o que não significa que você deva concordar com esses papéis. Eis um dos pontos mais importantes da civilização, aliás – ir além desses papéis.

Insistir no dogma que as diferenças entre homens e mulheres vêm apenas da relação opressiva de poder e do patriarcado, sem levar em conta a evolução, não apenas é falho como prejudicial para a investigação científica.

Por último, discutir a igualdade de gênero não significa tratar as pessoas como crianças, a quem contamos uma mentirinha como a história da cegonha para explicar a origem dos bebês. Reconhecer o lado sombrio da natureza humana não é o mesmo que justificá-lo. Negar a realidade não contribui nada para a civilização.

Guy Franco

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A autora feminista Alice Walker influenciou toda uma geração de mulheres. Ela sempre defendeu a ideia que a maternidade era uma forma de escravidão. Mas uma mulher não acreditou nos escritos de Alice – sua própria filha, Rebecca, de 38 anos. Aqui a também autora Rebecca descreve como foi crescer como filha de um ícone cultural, e porque sente que é tão abençoada por ser o tipo de mulher que sua mãe detestava – uma mãe.

Um dia eu estava passando o aspirador de pó na casa quando meu filho entrou correndo no quarto. “Mamãe, mamãe, deixa eu te ajudar”, ele gritou. Suas pequeninas mãos envolveram meus joelhos e seus grandes olhos marrons estavam olhando para mim. Uma grande explosão de felicidade tomou conta do meu ser.

Eu amo o jeito como sua cabeça se aninha na dobra do meu pescoço. Eu amo o jeito como seu rosto se transforma numa máscara de ansiosa concentração quando eu o ajudo a aprender o alfabeto. Mas acima de tudo, eu simplesmente amo ouvir sua voz de criança me chamando: ‘Mamãe, mamãe.”

Isso me faz lembrar quão abençoada eu sou. A verdade é que eu quase perdi a chance de me tornar mãe, por ter ser criada por uma feminista fanática que me ensinou que a maternidade era a pior coisa que podia acontecer a uma mulher.

Veja, minha mãe me ensinou que as crianças escravizam as mulheres. Eu cresci acreditando que crianças eram somente um grande peso na vida, e que a idéia da maternidade ser capaz de lhe fazer totalmente feliz era uma completa ilusão, um conto de fadas.

Na verdade, ter um filho tem sido a experiência mais gratificante de toda a minha vida. Longe de me “escravizar”, o meu filho Tenzin, de três anos e , tem aberto o meu mundo. Meu único arrependimento é ter descoberto as alegrias da maternidade muito tarde. Venho tentando ter um segundo filho há dois anos, mas até agora sem sorte.


Eu fui criada para acreditar que mulheres precisam de um homens como um peixe precisa de uma bicicleta. Mas eu sinto fortemente que a criança precisa dos dois e o pensamento de criar Tenzin sem o meu companheiro Glen, 52, seria aterrorizador.

Como filha de pais separados, eu agora sinto muito bem as consequências dolorosas de ter sido criada naquelas circunstâncias. O feminismo tem muito o que responder pela degradação do homem e por encorajar as mulheres a buscar independência, qualquer que fosse o custo para as suas famílias.

Os princípios feministas da minha mãe influenciaram todos os aspectos da minha vida. Quando eu era criança pequena, eu não tinha permissão nem de brincar com bonecas ou qualquer brinquedo que poderia fazer surgir em mim o instinto maternal. Estava impregnado em mim que ser mãe, educar uma criança e ser dona de casa era uma forma de escravidão. De acordo com ela, ter uma carreira, viajar o mundo e ser independente era realmente o que importava.

Eu amo muito a minha mãe, mas eu não a vi nem falei mais com ela desde que engravidei. Ela nunca viu meu filho, seu único neto. Meu crime? Ousar questionar sua ideologia.

Bom, então que seja assim. Talvez minha mãe seja reverenciada por mulheres de todo o mundo – muitas até podem ter um trono para ela. Mas eu honestamente creio que é hora de quebrar o mito e revelar como era de fato crescer como uma criança fruto da revolução feminista.

Meus pais se conheceram e se apaixonaram em Mississippi durante o movimento dos direitos civis. Meu pai [Mel Leventhal] era um advogado brilhante, filho de uma família judia que fugiu do holocausto. Minha mãe era a empobrecida oitava filha de um casal de lavradores da Geórgia. Quando eles se casaram em 1967, casamentos multi-raciais ainda era ilegais em alguns estados.

Os primeiros anos da minha infância foram muito felizes, apesar de que meus pais eram terrivelmente ocupados, encorajando-me para que eu crescesse rápido. Eu tinha apenas um ano quando eu fui para a creche. Até me contaram que eles me fizeram caminhar pelas ruas até a escola.


Ironicamente, minha mãe tem a si mesma como uma grande mulher maternal. Por acreditar que as mulheres são esmagadas, ela fez campanha pelos direitos feministas por todo o mundo e levantou organizações para ajudar mulheres abandonadas na África – oferecendo a si mesma como uma figura de mãe.Quando eu tinha oito, meus pais se divorciaram. Desde então eu estava entre dois mundos – a comunidade branca, rica, muito conservadora e tradicional de um subúrbio em Nova York, e a comunidade multi-racional progressista da minha mãe na Califórnia. Eu ficava dois anos com cada um – um jeito bem esquisito de fazer as coisas.

Mas, apesar dela ter cuidado de filhas por todo o mundo e ser altamente reverenciada pelo seu serviço e trabalho público, minha infância conta uma historia bem diferente. Eu estava entre uma de suas últimas prioridades – depois do trabalho, da integridade política, auto-satisfação, amigos, vida espiritual, fama e viagens.

Minha mãe sempre fazia o que ela queria – por exemplo, tirar dois meses de férias na Grécia durante o verão, me deixando com parentes quando eu era adolescente. Isso era independência ou simplesmente egoísmo?

Eu tinha 16 anos quando eu encontrei um poema, agora famoso, que me comparava com as diversas calamidades que atrapalhavam e impediam a vida de outras mulheres escritoras. Virginia Woolf era mentalmente doente e os Brontes morreram prematuramente. Minha mãe me tinha como uma “deleitosa distração’, mas ainda assim eu era uma calamidade. Aquilo foi um grande choque para mim, e muito irritante.

De acordo com a ideologia estritamente feminista dos anos ‘70, as mulheres eram primeiramente irmãs, e minha mãe escolheu me ter como sua irmã, em vez de sua filha. A partir dos meus 13 anos, eu passei a ficar vários dias sozinha enquanto minha mãe se retirava para trabalhar em seu escritório, a umas 100 milhas de distância. Ela me deixava dinheiro para comprar minha própria comida, e eu vivia uma dieta de fast food.

Irmãs juntas

Uma vizinha, não muito mais velha que eu, foi encarregada de tomar conta de mim. Eu nunca reclamei. Eu via como obrigação – meu trabalho – proteger minha mãe e nunca a distrair dos seus escritos. Nunca passou pela minha cabeça dizer que eu precisava de um pouco de seu tempo e de sua atenção.

Quando me batiam na escola – acusada de ser esnobe por ter a pele um pouco mais clara que a de minhas colegas negras – eu sempre dizia para minha mãe que tudo estava bem, que eu tinha ganho a briga. Eu não queria preocupá-la.

Mas a verdade é que eu era muito solitária e, com o conhecimento da minha mãe, eu comecei a ter relações sexuais com 13 anos. Eu acho que foi um alivio para a minha mãe, já que isso significava que eu demandaria menos atenção dela. E ela sentiu que ser sexualmente ativa me dava poder porque isso significava que eu estava no controle do meu corpo.

Agora eu simplesmente não entendo como ela pôde ser tão permissiva. Eu mal quero deixar meu filho sair de casa para um encontro com amigos e deixá-lo dormir por aí sozinho fora de casa, sendo ele ainda um garoto que acabou de sair da escola fundamental.

Uma boa mãe é atenta, coloca limites e faz o mundo ser mais seguro para a criança. Mas minha mãe não fez nenhuma destas coisas, Embora estivesse usando a pílula – algo que eu arrumei aos 13 visitando o médico com minha melhor amiga – fiquei grávida aos 14. Eu organizei um aborto sozinha. Agora eu me estremeço com essa lembrança. Eu era apenas uma pequena menina. Não me lembro da minha mãe ter ficado assustada ou triste. Ela tentou apoiar, me acompanhando com seu namorado.

Mesmo acreditando que o aborto naquele momento era a decisão certa para mim, as consequências me assombraram por décadas. Tirou minha auto-confiança e, até ter tido meu filho Tenzin, eu estava aterrorizada com a idéia de que eu nunca conseguiria ter um bebê pelo que eu fiz com a criança que eu destruí. Pois é simplesmente errado o que as feministas dizem, que o aborto não tem consequências.

Quando criança, eu estava terrivelmente confusa, porque enquanto eu estava me alimentando de uma mensagem fortemente feminista, eu na verdade desejava uma mãe tradicional. A segunda esposa do meu pai, Judy, era uma amável dona de cada com cinco crianças que ela amava loucamente.

Sempre tinha comida na geladeira e ela fazia tudo o que minha mãe não fazia, como ir aos eventos da escola, tirar mil fotografais e dizer às suas crianças a cada momento quão maravilhosas elas eram.


Minha mãe estava no pólo oposto. Ela nunca veio em nenhum evento da escola, ela nunca comprou nenhuma roupa para mim, ela sequer me ajudou a comprar meu primeiro sutiã – uma amiga foi paga para ir comprar comigo. Se eu precisava de ajuda com minha tarefa escolar, perguntava para o namorado da minha mãe.

Mudar de uma casa para a outra era terrível. Na casa do meu pai eu me sentia bem mais cuidada. Mas, se eu dissesse para minha mãe que eu tinha passado bons momentos com a Judy, ela me olhava desconsolada – fazendo-me sentir que, ao invés dela, eu estava escolhendo esta mulher branca e privilegiada. Fui ensinada a sentir que tinha que escolher um esquema de idéias, acima de outro.

Quando cheguei na casa dos 20 anos e senti pela primeira vez um desejo de ser mãe, fiquei totalmente confusa. Eu podia sentir meu relógio biológico fazendo tic-tac, mas eu sentia que, se eu o escutasse, eu estaria traindo minha mãe e tudo o que ela tinha me ensinado.

Eu tentei tirar isso da cabeça, mas durante os dez anos seguintes o desejo ficou mais intenso, e quando eu conheci o Glen, um professor, numa conferência há 5 anos atrás, eu sabia que eu tinha encontrado o homem com o qual eu queria ter um bebê. Ele é gentil, carinhoso, me apóia em tudo e, como eu soube que seria, ele é o mais maravilhoso dos pais.

Mesmo sabendo o que minha mãe sentia por bebês, eu ainda tinha esperança que quando eu lhe contasse que estava grávida, ela ficaria alegre por mim.

Mãe, estou grávida

Em vez disso, quando eu liguei para ela numa manhã de primavera de 2004, enquanto eu estava em uma de suas casas cuidando dos afazeres domésticos, e lhe contei minha novidade, e que nunca tinha estado tão feliz, ela silenciou. Tudo o que ela pôde dizer é que estava chocada. Ela então perguntou se eu poderia cuidar do jardim. Eu desliguei o telefone e chorei convulsivamente – ela tinha se recusado a dar sua aprovação com a intenção de me machucar. Qual mãe amorosa faria isso?

O pior ainda estava por vir. Minha mãe se ofendeu com uma entrevista na qual eu mencionei que meus pais não me protegiam nem se preocupavam comigo. Ela me mandou um e-mail ameaçando minar minha reputação como escritora. Eu não podia acreditar que ela seria capaz de ser tão ofensiva – particularmente quando estava grávida.

Devastada, eu lhe pedi que se desculpasse e reconhecesse o quanto ela tinha me machucado durante os anos com negligência, não me dando afeto e me culpando por coisas que eu não tinha controle – o fato de ser fruto de uma mistura de duas raças, de ter um pai rico, branco e profissional e até mesmo pelo simples fato de ter nascido.

Mas ela não voltou atrás. Em vez disso, ela me escreveu uma carta dizendo que nossa relação foi, durante muitos anos, inconseqüente, e que ela não estava mais interessada em ser minha mãe. Ela até assinou a carta com o seu primeiro nome, em vez de “mãe”.

Isso tudo foi um mês antes do nascimento de Tenzin, em Dezembro de 2004, e eu não tive contato com minha mãe deste então. Ela não fez contato nem quando ele foi levado para a unidade de terapia intensiva infantil, depois de ter nascido com dificuldades respiratórias.

E eu até ouvi falar que minha mãe me cortou de seu testamento em favor de um dos primos. Eu me sinto terrivelmente triste – minha mãe está perdendo uma grande oportunidade de estar junto de sua família. Mas eu também estou aliviada. Diferente da maioria das mães, a minha nunca teve orgulho das minhas conquistas. Ela sempre teve uma estranha competitividade que a levou a me inferiorizar em quase todos os momentos.

Quando eu entrei na Universidade de Yale – uma grande conquista – ela me perguntou porque raios eu gostaria de ser educada numa universidade ícone da masculinidade. Sempre que eu publicava algo, ela queria escrever a versão dela, tentando eclipsar a minha. Quando eu escrevi minha memória, “Negra, branca e Judia”, minha mãe insistiu em publicar a sua versão. Ela acha impossível estar fora do palco das celebridades, o qual é extremadamente irônico à luz da sua visão de que todas as mulheres são irmãs e deveriam apoiar uma às outras.

Já se passaram quase quatro anos desde o último contato com minha mãe, mas é para o melhor – não somente para a minha auto-proteção mas para o bem estar de meu filho. Eu fiz de tudo para ser uma filha leal, amorosa, mas eu não posso mais deixar que essa relação venenosa destrua a minha vida.

Eu sei que muitas mulheres estão chocadas pela minhas opiniões. Elas esperam que a filha de Alice Walkerdê uma mensagem bem diferente. Sim, sem dúvida o feminismo deu oportunidades para as mulheres. Ajudou a abrir as portas para nós em escolas, universidades e nos locais de trabalho. Mas, e os problemas que foram causou às minhas contemporâneas?

E as crianças?

A facilidade com que as pessoas se divorciam hoje em dia não leva em conta o prejuízo sofrido pela criança. Isso tudo é uma parte da incompleta empresa feminista.

E depois tem a questão de não ter criança. Até hoje, eu encontro mulheres nos seus 30 anos que estão em dúvida sobre ter uma família. Elas dizem coisas do tipo: “eu gostaria de ter uma criança. Se isso acontecer, aconteceu”. Eu digo para elas: “Vá para casa e se esforce nisso, porque sua janela de oportunidades é muito pequena”. Como eu sei muito bem.

Aí eu encontro mulheres nos seus 40 e poucos anos que estão devastadas porque gastaram duas décadas trabalhando num PhD ou se tornando sócia numa firma de advocacia, e perderam a chance de ter uma família. Graças ao movimento feminista, elas subestimaram os seus relógios biológicos. Elas perderam a oportunidade e estão lamentando.

O feminismo levou toda uma geração de mulheres a uma vida sem crianças. Isso é devastador.

Mas longe de tomar a responsabilidade por qualquer uma destas coisas, as líderes dos movimentos de mulheres se fecham contra qualquer um que ouse questioná-las – como eu aprendi com muito custo. Eu não quero machucar minha mãe, mas eu não posso ficar calada. Eu acredito que o feminismo é um experimento, e todo experimento precisa ser avaliado pelos seus resultados. E então, quando você vê os enormes erros que custaram, você precisa fazer alterações.

Eu espero que minha mãe e eu nos reconciliemos um dia. Tenzin merece ter uma avó. Mas eu estou simplesmente muito aliviada por meus pontos de vista não estarem mais sendo influenciados pela minha mãe.

Eu tenho minha própria feminilidade, e descobri o que realmente importa – uma família feliz.

– Rebecca Walker, “How my mother’s fanatical views tore us apart”, Mail Online, 23.05.2008. Fonte:http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1021293/How-mothers-fanatical-feminist-views-tore-apart-daughter-The-Color-Purple-author.html
– Traduzido por Julie Maria (http://sexualidadehumana.wordpress.com), com revisão de Daniel Pinheiro: http://pretaegorda.wix.com/blogpretaegorda#Como-o-feminismo-da-minha-m%E3e-nos-dividiu/cmbz/577883380cf2f8d6d1134971