Autora: Cristiane Lasmar

As mensagens feministas dirigidas aos meninos devem ser entendidas como parte de um projeto político e ideológico mais amplo, o programa de ataque à masculinidade está em curso em praticamente todos os países ocidentais.

Vou me concentrar aqui no modo como esse programa é posto em prática na educação das crianças, começando por esclarecer quais são as disposições infantis que estou chamando de “masculinas” e que o projeto feminista tanto se esforça por neutralizar.

Sabemos que, durante a vida intrauterina, o cérebro dos meninos é banhado por uma quantidade muito maior de testosterona do que o das meninas, e que isso determina, em ampla medida, a forma masculina de estar no mundo. Não é difícil perceber, por exemplo, que, em média, os meninos desenvolvem a coordenação ampla antes das meninas, ao passo que estas se antecipam no desenvolvimento da linguagem e da coordenação fina. E que, desde a mais tenra idade, a maioria dos meninos manifestam mais interesse imediato por objetos do que por pessoas, preferem brinquedos que possuem barulho e movimento, e mostram-se ávidos por brincadeiras que envolvam exploração, confronto corporal e dispêndio explosivo de energia.

A maior propensão dos meninos a recorrer à violência física para resolver conflitos também faz parte desse pacote. Quem os educa tem, portanto, diante de si, a importante tarefa de ajudá-los a mitigar e canalizar o seu potencial agressivo para formas de ação civilizadas e socialmente produtivas. Esse esforço de culturalização das disposições naturais masculinas é absolutamente necessário e jamais houve sociedade que deixasse de realizá-lo. Mas o que vem acontecendo no Ocidente contemporâneo é algo sem precedentes. Temos reprimido, em nossos meninos, todo tipo de comportamento que manifeste vigor combativo e espírito abertamente competitivo, sufocando assim traços essenciais de sua masculinidade. Em suma, os meninos estão sendo impedidos de ser meninos plenamente. E, quando resistem, seu modo de ser é problematizado, estigmatizado. Em muitos casos, chega a ser tratado como algo patológico.

É verdade que não se pode culpar a “ideologia de gênero” por absolutamente tudo. Alguns fatores sociológicos também contribuem para esse cerco à masculinidade. Um deles é a intensificação do padrão de vida urbano. A residência em apartamentos, a impossibilidade de brincar na rua ou em quintais, em contato íntimo com a natureza, assim como o fato das crianças precisarem estar sob a vigilância constante de um adulto, tudo isso restringe as suas possibilidades de experimentar situações não premeditadas de aventura, competição e confronto.

A oportunidade de se movimentar amplamente ficou restrita à prática de esportes em clubes e academias, ou seja, a eventos de curta duração, atividades rotinizadas e supervisionadas diretamente por professores e instrutores, sem uma liberdade real. Em muitos casos, porém, nem isso é concedido aos meninos. Uma boa parte das crianças vive a triste realidade do sedentarismo absoluto. Durante o tempo em que não estão na escola, ficam paralisadas diante das telas dos aparelhos eletrônicos, assistindo por horas a fio às aventuras de personagens virtuais que lutam, correm e se arriscam. Tudo o que lhes resta é o exercício vicário da masculinidade.

Outro fator importante que concorre para esse processo é a dinâmica própria da escola. Por seu caráter universalista e homogeneizante, a escola moderna não pode permitir a expressão plena das individualidades dos alunos, e precisa mantê-los quietos pelo maior período de tempo possível. Além disso, com o fenômeno da judicialização crescente das relações sociais, as escolas têm se tornado alvo potencial de processos por parte dos pais, o que leva os gestores a tentar reduzir o risco de acidentes a zero, aprofundando o controle sobre a corporalidade exuberante dos meninos. Eles não podem brincar de luta, envolver-se em competições espontâneas e, em muitos casos, não são nem mesmo autorizados a correr no recreio. Devem ficar sentados por horas a fio, mimetizando a duras penas o comportamento das meninas, que, embora mais conversadeiras, são, em geral, mais maduras e capazes de se manter quietas e concentradas quando necessário. Por serem mais empáticas, elas também têm mais facilidade para desenvolver relações de cumplicidade com os professores.

Além de não possuírem meios para dar expressão às suas necessidades de movimento, ação e competição, os meninos ainda recebem poucos estímulos imaginativos na escola. Os professores são, em sua maioria, mulheres, e os currículos escolares têm se distanciado cada vez mais da sensibilidade masculina típica. Pensemos, por exemplo, na nova onda de desenvolver nos alunos “competências sócio- emocionais”. Não é preciso ser PHD em desenvolvimento infantil para saber que esse tipo de conteúdo será, já de saída, muito mais atraente para as meninas, as quais têm mais facilidade e desenvoltura para falar de seus próprios sentimentos, e gostam de fazê-lo. Não obstante, a matéria é introduzida como se atendesse a uma necessidade geral e irrestrita, e sem nenhuma consideração relativa às diferenças entre os sexos. É claro que isso não ocorre por desconhecimento ou descaso. O objetivo é exatamente o de transformar a sensibilidade dos meninos, da mesma forma como acontece com a seleção da literatura a ser trabalhada em sala de aula. Onde estão as histórias de batalhas, aventuras e heroísmo que tanto encantam a imaginação masculina? Foram substituídas por narrativas politicamente corretas e eivadas de ideologia de gênero.

Em condições normais, esses dois fatores de cerco à masculinidade – a vida urbana e a dinâmica escolar – poderiam ser relativamente contornados pela adoção de estratégias de compensação e adaptação por parte da família e da própria escola. Porém, as chances de se encontrar caminhos alternativos que beneficiem os meninos têm sido limitadas pela interferência de um terceiro fator, que é dentre todos o mais perverso, justamente por impedir o ajuste dos outros dois. Refiro-me à influência nefasta do discurso feminista que apresenta o modo de ser masculino como potencialmente “tóxico”, como algo de que os homens precisam se livrar, para o bem das mulheres e para o seu próprio bem. Nesse ponto, já não estamos mais falando de um constrangimento à masculinidade criado por circunstâncias históricas e sociológicas, e sim de um juízo de valor ideológico e politicamente interessado.

O discurso da “masculinidade tóxica” já se embrenhou em todos os níveis da atividade educacional, impregnando a visão de mundo de boa parte das famílias e de quase todos os gestores e agentes escolares. Em seu nome, os meninos têm sido submetidos a um processo de desvirilização de amplas consequências individuais e sociais. Um exemplo é a redução significativa de suas chances de sucesso escolar. Ao exercer tamanha pressão sobre a masculinidade, a educação atual coloca os meninos em notória desvantagem acadêmica em relação às meninas. Eles são os campeões nos índices de suspensão, expulsão e reprovação. Entre a população menos favorecida economicamente, essa situação tem resultados cruéis. Diminui as chances de mobilidade social e, em casos de maior vulnerabilidade, pode levar à marginalização e à exclusão social.

Do ponto de vista individual, abafar a expressão da sensibilidade natural dos meninos e impedir que ela se desenvolva em formas socialmente legítimas e valorizadas, significa despersonalizá-los e restringir as suas perspectivas de vida.

Do ponto de vista coletivo, significa deixar de prepará-los para assumir as suas responsabilidades futuras como cidadãos e pais de família. Em muitas ocasiões cruciais, e para certas atividades específicas permanentes, uma comunidade precisa contar com a energia viril, do mesmo modo como uma família precisa contar com um homem que seja capaz de assumir riscos e obrigações pesadas para provê-la e protegê-la. É nas situações de calamidade, nos eventos de emergência, e no enfrentamento das ameaças externas, que nos damos conta do quanto a força física, a intrepidez e a objetividade masculinas são predicados imprescindíveis e admiráveis. Como escreveu C. Hoff Sommers, no livro já citado: “A história nos ensina que a masculinidade sem moralidade pode ser letal. Mas quando a masculinidade é imbuída de moralidade, ela se torna poderosa e construtiva, e uma dádiva para as mulheres (grifo meu). ”

Mas os promotores da “ideologia de gênero” não estão preocupados com nada disso. O que nós percebemos como um problema sério, para eles é o corolário de um projeto que foi laboriosamente posto em prática ao longo de cinco décadas e cujos efeitos começam a se tornar mais visíveis agora. O cenário que temos hoje diante de nossos olhos – meninos pressionados em sua masculinidade, meninas confusas em relação à sua feminilidade – vem sendo idealizado, planejado e executado desde o início da segunda onda feminista nos anos 60, quando as universidades, as escolas e os meios de comunicação começaram a ser ocupados por agentes dedicados à pauta da desconstrução.

Em suma, o projeto de desvirilização dos meninos é a outra face do projeto de desfeminilização das meninas. As meninas são convencidas de que a sua feminilidade as transforma em vítimas dos homens. Ressentidas, elas se desfeminilizam para competir com eles. Os meninos são convencidos de que a sua masculinidade os torna algozes das mulheres. Culpados pela dor que alegadamente lhes causariam, eles se desvirilizam para tentar agradá-las. E, desse modo, chega-se mais perto da desestruturação da família heterossexual monogâmica, por meio do ataque a um de seus principais fundamentos, a complementariedade entre os sexos.

Um vídeo produzido pela página polonesa idź Pod Prąd tem feito sucesso nas redes sociais. Postado em 5 de fevereiro, o vídeo já teve mais de 650 mil visualizações e 6,9 mil compartilhamentos apenas na página que o postou e traz o depoimento de várias mulheres polonesas contra o feminismo.

“O feminismo tira do homem a oportunidade de ser forte, guiar o caminho e proteger a mulher. E tira da mulher as suas características naturais, como graciosidade, beleza, sensibilidade e o direito de ser frágil. O feminismo força a mulher a provar que pode ser igualzinha aos homens”, diz umas das mulheres que aparecem na produção.

Uma mulher diz que “é maravilhoso pedir ajuda a meu marido e saber que sempre posso contar com ele”. “Não consigo imaginar uma situação em que eu precise proteger meu esposo. Ser esposa e futura mãe faz com que eu me sinta realizada”, diz outra. “Desenvolva suas paixões, respeite a si mesma, respeite o seu corpo e, acima de tudo, comece a pensar”.

“Deus criou você de um jeito tão lindo. Deixe assim”, diz outra mulher. “Uma mulher não tem que mudar nada. Ela sabe que é uma mulher. Não sente falta de nada”. Outra afirma que o feminismo “é não-feminino”.

“O feminismo é idiota. É contra o bom senso”, diz outra participante. “Acho que hoje em dia as mulheres perderam a sua feminilidade, porque tentam se colocar no lugar dos homens”, afirma outra. O vídeo promove o slogan “Sou uma mulher, #NãoUmaFeminista”.

Página

A página idź Pod Prąd, que significa “Contra a corrente”, diz que oferece “pontos de vista que estão em conflito com as opiniões comumente promovidas”. “O mais importante, no entanto, é que queremos descrever a realidade não da perspectiva da teologia, dos dogmas ou do ensino variável das igrejas, mas com base na Palavra de Deus, a Bíblia”, diz o texto de apresentação da página.

“Deus não encaminhou as Sagradas Escrituras para a casta dos sacerdotes ou professores de teologia. Ele os escreveu como uma carta endereçada diretamente a você!”, diz o texto. “Por muitos anos em nossa terra natal, a noção de cristão foi fortemente desacreditada”, o que se deve, segundo a página, à ação de “fariseus religiosos” que ostentam o título de cristãos.

“Gostaríamos de dizer que não estamos interessadas no mundo projetado pelas feministas. Pouco nos importam a ideologia de gênero, as teorias queer, o ecologismo e suas outras ideias esquerdistas. Não queremos que nos digam o que devemos ser”, diz o texto que acompanha o vídeo. “É hora de mostrar às feministas que a sua ideologia é estúpida e danosa para todas as mulheres. É hora de mostrar às mulheres normais que há milhões de nós”.

Fonte: Sempre Família

Assista ao vídeo (em polonês)

Não é de hoje que somos bombardeados com reportagens e falas de ‘especialistas’ que querem nos ensinar com que brinquedos nossos filhos e filhas precisam brincar, que cores de roupa devem usar, e que elogios podemos dirigir a eles. Porém, de uns tempos para cá, a agenda da desconstrução começou a ganhar contornos mais perturbadores. Crianças supostamente “transgênero” têm sido exibidas nas mídias impressa e eletrônica, em ritmo praticamente diário, como se fossem provas vivas de que ser menino ou menina nada tem a ver com o sexo de nascimento. Não há um só dia em que não nos deparemos com matérias permeadas por essa narrativa, cujas falácias e imposturas pretendo demonstrar aqui.

É necessário começar dizendo o óbvio. Existem, sim, diferenças inatas entre meninos e meninas, e essas diferenças apontam para tendências em termos de comportamento e estilos de desenvolvimento. Não obstante, o modo de ser e de se desenvolver de cada criança será resultado da interação entre tais diferenças inatas, o temperamento individual, e a forma como ela reage aos estímulos que recebe do ambiente. Nesse sentido, em termos de suas escolhas lúdicas e modos de se comportar, algumas meninas podem assemelhar-se mais aos meninos com quem convivem do que à média das meninas de sua idade, preferindo, inclusive, brincar somente com eles. E o mesmo pode acontecer a alguns meninos. Esses casos, perfeitamente normais, não representam contudo maioria.

O importante é ter sempre em mente que, quaisquer que sejam as preferências e o modo de ser de uma criança, privá-la da certeza de ser menino ou menina é uma das maiores violências que se pode cometer contra a sua infância. Pois, ao contrário do que querem nos fazer crer os promotores da ideologia de gênero, não há desejo, figurino, tratamento hormonal ou intervenção nos órgãos genitais capaz de anular as implicações do fato de se possuir em todas as células do corpo um par de cromossomos sexuais. Nos últimos tempos, porém, esse assunto vem sendo tratado de modo tão leviano que se um menino insistir em brincar de boneca, ou em calçar os sapatos da mãe, logo aparecerá algum incauto para classificá-lo como “transgênero” e sugerir que ele seja encaminhado para uma clínica especializada para fazer a sua “transição”.

Além de irresponsável, o discurso sobre as supostas “crianças transgênero” é cheio de incoerências. Os promotores da ideologia de gênero insistem na ideia de que as alegadas diferenças entre meninos e meninas resultam, não de uma realidade naturalmente constituída, e sim de um processo de socialização que reforçaria os “estereótipos sexuais da sociedade ocidental”. Entretanto, são eles próprios os primeiros a projetar nas crianças ditas “transgênero” os atributos que em outros contextos de militância se esforçam por dissolver. Como justificar, no registro de uma narrativa que se diz tão libertária e avessa a “estereótipos”, que um menino atraído pelo universo feminino precise “virar” menina? E que, para tanto, seja estimulado a pintar as unhas e vestir-se de princesa ?

Vejam o malabarismo: quando os comportamentos e preferências das crianças se conformam aos chamados “estereótipos sexuais da sociedade ocidental”, eles são vistos como males a serem combatidos. Mas quando se trata de decidir que uma criança é “transgênero”, os supostos “estereótipos sexuais” tornam-se critérios válidos. E o mais grave: os formuladores desse discurso têm plena consciência da contradição. Eles costumam se referir a essa forma de manipular os conceitos como “essencialização estratégica”. E qual é a estratégia? Criar um contingente de crianças e jovens confusos em relação à sua própria identidade sexual.

O discurso sobre as crianças “transgênero” revela, ainda, uma profunda ignorância a respeito de aspectos cruciais do desenvolvimento infantil. Até os seis ou sete anos de idade, a capacidade imaginativa da criança é praticamente ilimitada. Ela pode se imaginar princesa, super-herói, sereia, cachorro, borboleta, nuvem, o que quer que seja, sem prejuízo algum do fato de saber-se menino ou menina. Essa efervescência da imaginação é, em boa parte, impulsionada pelo comportamento mimético, que nos primeiros anos de vida funciona como um poderoso mecanismo de aprendizagem. Toda criança saudável passa boa parte de seu tempo a imitar os coleguinhas, os adultos com os quais convive, os personagens das histórias. E não há nenhuma barreira que a impeça de, sendo um menino, imitar um personagem real ou fictício do sexo feminino, e vice-versa.

Mas é claro que nenhum processo de identificação se faz sem modelos. Se a criança nunca viu a imagem de um soldado, por exemplo, jamais poderá pretender-se um. Nesse sentido, quanto mais modelos positivos e inequívocos de homem e mulher ela tiver à sua disposição, mais fácil será o seu processo de auto identificação. Para a grande maioria das crianças criadas num ambiente razoavelmente bem provido de modelos, a formação da subjetividade sexual se dá de maneira natural e tranquila, embora sempre modulada pelas idiossincrasias individuais.

Quando os desejos de uma criança por brinquedos, roupas e coleguinhas do sexo oposto se tornam exclusivos e vêm acompanhados de sofrimento psíquico, prejuízo no desenvolvimento social e afetivo, e veementes expressões de desgosto com a sua própria anatomia sexual, não se deve descartar a possibilidade de que ela seja portadora de um transtorno intitulado “disforia de gênero”. Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, a prevalência dessa condição mental é de 0,005% a 0,014% em indivíduos do sexo masculino, e 0,002% a 0,003% em indivíduos do sexo feminino. Ou seja, trata-se de um transtorno muito raro.

Além de ser raro, na maior parte dos casos o transtorno tende a desaparecer. As taxas de resolução da “disforia de gênero” antes da idade adulta variam, mas chegam à proporção de 97,8%  em meninos, e de 88% em meninas. Diante desses dados, não há absolutamente nenhuma justificativa para outra atitude a não ser a de apoiar afetivamente a criança enquadrada nesse diagnóstico e ajudá-la a se reconciliar psicologicamente com o seu sexo biológico. Porém, na narrativa disseminada na mídia com a conivência de parte da classe médica, esses dados têm sido escamoteados, quando não ativamente distorcidos, o que leva muitas famílias a acreditar que se trata de um quadro muito mais frequente e definitivo. Desencadeiam-se assim temores, ansiedades e condutas absolutamente equivocadas.

Em resumo, o ponto importante é que dizer “criança portadora de disforia de gênero” não é o mesmo que dizer “criança transgênero”. O primeiro termo refere-se a um diagnóstico clínico que, na maioria dos casos, é temporário, ao passo que o segundo denota uma atribuição de identidade, feita por terceiros, com sérias repercussões sociais e psicológicas.

A distância entre ser portador de “disforia de gênero” e ser “transgênero” só pode ser percorrida por uma pessoa adulta, autoconsciente, dotada de discernimento e responsabilidade para tomar decisões que afetarão a sua vida de maneira estrutural e, provavelmente, irreversível. Por tudo isso, podemos considerar mudança de nome, travestismo, e tratamento hormonal para bloqueio da puberdade em crianças como procedimentos abusivos e inteiramente condenáveis. E não só do ponto de vista ético.

Nas numerosas matérias de jornais e revistas impressas e eletrônicas que nos chegam cotidianamente, praticamente não se fala nas altas taxas de suicídios entre pessoas que se submetem a tratamento hormonal e fazem cirurgia de redesignação sexual. Tampouco nos graves riscos que a utilização de hormônios do sexo oposto – passo subsequente ao bloqueio da puberdade – representa para a saúde global e reprodutiva. Tamanho silêncio a respeito de dados extremamente relevantes não deve levantar imediatamente a suspeita de má-fé?

Na verdade, como não somos ingênuos e estamos perfeitamente cientes do objetivo por trás do discurso proselitista da mídia sobre as ditas “crianças transgênero”, bem como de suas fontes bilionárias de financiamento, essa omissão infame não deve nos surpreender. Pois ela apenas corrobora o que já sabemos: nesse ponto, assim como em praticamente todos os outros que compõem a agenda da ideologia de gênero, os interesses político-ideológicos prevalecem sobre a preocupação com o bem-estar dos indivíduos envolvidos.

O que se pretende com toda essa propaganda é induzir os pais e a escola a questionar a identidade sexual das crianças até que todas, ou praticamente todas, acabem se tornando em alguma medida disfóricas em relação à sua própria natureza. Angústias e inseguranças infantis, que podem ter as mais variadas origens, vão sendo assim capitalizadas e imediatamente traduzidas no idioma da identidade sexual. E aí eu pergunto: quem vai pagar a conta quando, daqui a duas ou três décadas, essa geração de crianças perceber que foi submetida a um experimento social que lhe tirou, na melhor das hipóteses, a possibilidade de dar plena expressão à sua condição sexuada?

Fonte Original

Fontes médicas consultadas:

Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th edition, American Psychiatric Association.

“Gender Ideology Harms Children”. American College of Pediatricians. September 2017.

 

O propósito mais perverso da chamada “ideologia de gênero” é promover a dissolução das noções de feminino e masculino, minando o padrão conjugal de complementariedade entre os sexos.

O programa consiste, basicamente, em desfeminilizar as meninas e desvirilizar os meninos. Neste artigo, vou tratar especificamente do caso das meninas, que estão sendo expostas sem nenhuma defesa a uma torrente de mensagens desfeminilizantes vindas da mídia, da escola, e da indústria cultural. No final das contas, descontados todos os vernizes e recadinhos secundários, o conteúdo dessas mensagens é o seguinte: “para que sua existência seja validada pela sociedade, você precisa abrir mão de sua feminilidade.”

Um dos alvos prioritários desse discurso é a escolha da profissão. É bem sabido que as mulheres têm as suas carreiras prediletas. Em geral, predominam as profissões ligadas à docência e à saúde, à organização doméstica, ao cuidado de terceiros, e ao atendimento ao público em geral. Obviamente, nem todas as mulheres se encaixam nesse esquema. E, embora haja também áreas profissionais atraentes para ambos os sexos, a diferenciação vocacional é uma realidade inquestionável, que pode ser explicada pelo simples fato de homens e mulheres serem diferentes.

Os promotores da ideologia de gênero insistem, porém, que a maior propensão das mulheres a buscar preferencialmente certas atividades resulta de um modelo de educação machista e impositivo, que as levaria a se conformar aos “estereótipos femininos tradicionais”. Ora, um tal raciocínio seria válido se estivéssemos discutindo casos como o das meninas da Índia, do Paquistão, da China ou da maioria dos países muçulmanos. Mas no Ocidente contemporâneo, principalmente nas zonas urbanas, esse viés já não existe há muito tempo. Ao contrário, todo o esforço da escola e da mídia, ao longo das últimas décadas, tem sido no sentido de borrar as diferenças entre os sexos e tratá-los como perfeitamente intercambiáveis. Ou seja, o que vem ocorrendo é o oposto do que quer nos fazer crer esse discurso vitimista.

As meninas vêm sendo bombardeadas, de longa data, com uma intensa propaganda feminista cujo objetivo é lhes convencer não só de que devem colocar a vida profissional no centro de suas atenções, como também de que as profissões tidas como masculinas são mais interessantes que as outras. E, ainda assim, a maioria continua buscando profissões tradicionalmente femininas. O velho e batido argumento de que somos eternas vítimas de um sistema social opressor, que restringe as nossas opções, cai por terra à luz dos fatos reais.

O caso dos países nórdicos é particularmente exemplar. Em 2008, a Noruega foi eleita o primeiro país do mundo em igualdade de oportunidades para homens e mulheres. Trata-se da educação mais igualitária do mundo. Mas, como bem demonstrou o jornalista Harald Eia no documentário “O Paradoxo da Igualdade”, apesar de todos os esforços no sentido de se eliminar qualquer fator material ou simbólico que possa infletir as escolhas de futuro dos estudantes, apenas 10% dos enfermeiros noruegueses são homens, ao passo que apenas 10% dos engenheiros são mulheres. Ou seja, as escolhas profissionais das mulheres norueguesas não podem ser explicadas por nenhum tipo de discriminação.

Mas a forma especificamente feminina de estar no mundo não se atualiza apenas na escolha da profissão. Ela se revela também no tipo de relação que as mulheres estabelecem com a carreira. Mesmo quando exercem profissões tidas como masculinas, elas costumam colocar mais limites do que os homens à quantidade de tempo e de energia que disponibilizarão para o trabalho fora de casa. E isso porque sabem que as suas possibilidades de realização existencial plena dependem de serem capazes de construir um lar estruturado e harmônico. A verdade é que a maioria das mulheres não quer abrir mão de cuidar pessoalmente dos filhos, mesmo que a profissão seja um aspecto importante de suas vidas.

Qualquer pessoa esclarecida sabe que a coletividade só tem a ganhar com a presença e a atuação das mulheres na esfera pública. Foi com isso em vista que, no final do século XIX e início do XX, mulheres corajosas e inteligentes lideraram, na Europa e nos Estados Unidos, movimentos em prol da ampliação dos direitos e dos espaços de atuação social femininos. Porém, estando em perfeita sintonia com a perspectiva das mulheres que representavam, as primeiras “feministas” sabiam que as conquistas femininas precisavam ser conciliáveis com as conveniências da vida familiar. Caso contrário, não seriam conquistas, e sim mera permuta infeliz de papéis. Duas coisas fundamentais eram levadas em consideração. Primeiro, o fato das crianças precisarem da atenção de suas mães. Segundo, que parte significativa do bem-estar subjetivo das mulheres está atrelada às suas obrigações morais para com a família.

A partir dos anos 60, porém, houve uma ruptura e uma mudança de rumo. Com o respaldo intelectual de figuras então já consagradas, como a filósofa francesa Simone de Beauvoir, o chamado “feminismo da segunda onda” abraçou falsos pressupostos, dentre os quais o mais nocivo foi o de que cuidar dos filhos representa uma atividade menor. Em “O Segundo Sexo”, Beauvoir afirmou que a maternidade é uma espécie de maldição que pesa sobre a mulher, tornando-a “escrava da espécie” e confinando-a ao domínio da imanência. Ela desprezava a vocação materna com todas as suas forças e acreditava que qualquer possibilidade de transcendência feminina dependia da saída e do abandono do lar. Em certa ocasião, esse ícone do feminismo foi capaz de dizer a seguinte frase: “Nenhuma mulher deveria ser autorizada a ficar em casa e criar os filhos. A sociedade deveria ser totalmente diferente. As mulheres não deveriam ter essa escolha, precisamente porque se a tiverem, muitas vão fazer isso.”

Guardadas algumas pequenas diferenças individuais que não afetavam o conjunto da obra, as feministas da segunda onda comungavam dessa visão estreita de liberdade feminina e nutriam a mesma aversão à maternidade e ao trabalho doméstico. Elas ignoraram por completo, ou fingiram ignorar, o aporte de inteligência, vigor e inspiração necessário ao trabalho cotidiano de uma boa mãe. Não compreenderam que não pode haver maior expressão de poder criativo do que fomentar, dia após dia, noite após noite, durante anos a fio, a existência de outro ser. Aliás, elas não foram nem sequer capazes de enxergar a maternidade como uma responsabilidade social de amplas consequências. E assim, com base na opinião de mulheres nada razoáveis, que projetaram a imagem de uma nova sociedade movidas pelos seus ressentimentos em relação aos homens, e olhando apenas para o seu próprio umbigo, foi construída uma ideologia política falaciosa, individualista e autoritária.

Ao tratar a maternidade como um fardo e atacar a figura da “mãe de família”, o feminismo se distanciou do universo feminino e fechou os olhos, de maneira covarde e perversa, para as necessidades das crianças. Fez estragos significativos na vida de pelo menos duas gerações de mulheres, transformando-as em pessoas angustiadas, existencialmente partidas, que correm atrás de um prejuízo que na verdade nunca tiveram. A boa notícia é que mesmo tendo sido impregnadas conceitualmente pelos slogans e palavras de ordem feministas, e a despeito de toda a tensão introduzida em suas vidas, a maioria das mulheres ainda mantêm o coração conectado ao projeto familiar, mesmo que de maneira um tanto quanto aflita. Por outro lado, não podemos deixar nos perguntar: até quando a feminilidade resistirá a tantas forças antagônicas?

Nos últimos anos, temos assistido a uma intensificação do proselitismo feminista em novas bases, com a introdução da ideologia de gênero no domínio da educação das crianças. Talvez pelo fato do discurso da auto vitimização e da acusação aos homens não ter sido suficiente para tirar as mulheres da rota do casamento e da família, a estratégia foi modificada e aprofundada. Na pauta feminista atual, influenciada pelo desconstrucionismo radical de autores ligados ao Movimento Queer, como Judith Butler, inclui-se o objetivo de solapar os próprios fundamentos da auto identificação sexual das meninas, privando-as do acesso a conceitos, imagens e símbolos que lhes permitam dar sentido cultural e expressar de maneira positiva a sua condição feminina.

Essa agenda está em andamento. Em muitos lugares, as meninas já não têm mais modelos positivos de feminilidade para imitar. Não podem mais se vestir de princesa, cuidar da boneca ou brincar de casinha sem que isso seja politicamente problematizado. Não devem dizer que sonham em se casar e ter filhos, sob pena de serem ridicularizadas. Só têm acesso a formas de literatura que questionem os chamados “estereótipos tradicionais”. E estão crescendo sem recursos cognitivos e culturais que lhes possibilitem desenvolver uma percepção clara de si mesmas como meninas e futuras mulheres. Aliás, em algumas escolas, já não se usa mais pronomes femininos para se referir a elas. Com tantas mensagens e injunções contrárias, é bem possível que, de tão sufocada, um dia a sua feminilidade natural já não tenha mais forças para emergir e direcionar suas escolhas.7

Fonte Original: Por Cristiane Lasmar

Por CRISTIANE LASMAR

Neste artigo vou falar sobre os meninos. Mais precisamente, sobre o modo como as suas disposições naturais vêm sendo depreciadas pela cultura feminista que domina a cena educacional contemporânea.

As meninas são educadas para a auto vitimização e a desfeminilização, e crescem com a falsa percepção de que os homens são inimigos potenciais. Os meninos, por sua vez, são levados a acreditar que aquilo que neles é mais espontâneo e específico, ou seja, a sua masculinidade, é nociva ao mundo e, principalmente, às mulheres.

As mensagens feministas dirigidas aos meninos devem ser entendidas como parte de um projeto político e ideológico mais amplo, cujos fundamentos, objetivos e métodos já foram dissecados por autoras como Christina Hoff Sommers, no livro “The War Against Boys” (2000) e Suzanne Venker, em “War on Men” (2013). Embora descrevendo o fenômeno a partir dos dados relativos à sociedade americana, essas análises descortinaram as bases do programa de ataque à masculinidade que está em curso em praticamente todos os países ocidentais. Vou me concentrar aqui no modo como esse programa é posto em prática na educação das crianças, começando por esclarecer quais são as disposições infantis que estou chamando de “masculinas” e que o projeto feminista tanto se esforça por neutralizar.

Sabemos que, durante a vida intra-uterina, o cérebro dos meninos é banhado por uma quantidade muito maior de testosterona do que o das meninas, e que isso determina, em ampla medida, a forma masculina de estar no mundo. Não é difícil perceber, por exemplo, que, em média, os meninos desenvolvem a coordenação ampla antes das meninas, ao passo que estas se antecipam no desenvolvimento da linguagem e da coordenação fina. E que, desde a mais tenra idade, a maioria dos meninos manifestam mais interesse imediato por objetos do que por pessoas, preferem brinquedos que possuem barulho e movimento, e mostram-se ávidos por brincadeiras que envolvam exploração, confronto corporal e dispêndio explosivo de energia.

A maior propensão dos meninos a recorrer à violência física para resolver conflitos também faz parte desse pacote.

Quem os educa tem, portanto, diante de si, a importante tarefa de ajudá-los a mitigar e canalizar o seu potencial agressivo para formas de ação civilizadas e socialmente produtivas. Esse esforço de culturalização das disposições naturais masculinas é absolutamente necessário e jamais houve sociedade que deixasse de realizá-lo.

Mas o que vem acontecendo no Ocidente contemporâneo é algo sem precedentes. Temos reprimido, em nossos meninos, todo tipo de comportamento que manifeste vigor combativo e espírito abertamente competitivo, sufocando assim traços essenciais de sua masculinidade. Em suma, os meninos estão sendo impedidos de ser meninos plenamente. E, quando resistem, seu modo de ser é problematizado, estigmatizado. Em muitos casos, chega a ser tratado como algo patológico.

É verdade que não se pode culpar a “ideologia de gênero” por absolutamente tudo. Alguns fatores sociológicos também contribuem para esse cerco à masculinidade. Um deles é a intensificação do padrão de vida urbano. A residência em apartamentos, a impossibilidade de brincar na rua ou em quintais, em contato íntimo com a natureza, assim como o fato das crianças precisarem estar sob vigilância constante de um adulto, tudo isso restringe as suas possibilidades de experimentarem situações espontâneas de aventura, competição e confronto. A oportunidade de se movimentarem amplamente ficou restrita à prática de esportes em clubes e academias, ou seja, a situações de curta duração, rotinizadas e supervisionadas diretamente por professores e instrutores, ou seja, sem uma liberdade real. Em muitos casos, porém, nem isso é concedido aos meninos. Uma boa parte das crianças vive a triste realidade do sedentarismo absoluto. Durante o tempo em que não estão na escola, ficam paralisadas diante das telas dos aparelhos eletrônicos, assistindo por horas a fio as aventuras de personagens virtuais que lutam, correm e se arriscam. Tudo o que lhes resta é o exercício vicário da masculinidade.

Outro fator importante que concorre para esse processo é a dinâmica própria da escola. Por seu caráter universalista e homogeneizante, a escola moderna não pode permitir a expressão plena das individualidades dos alunos, e precisa mantê-los quietos pelo maior período de tempo possível. Além disso, com o fenômeno da judicialização crescente das relações sociais, as escolas têm se tornado alvo potencial de processos por parte dos pais, o que leva os gestores a tentar reduzir o risco de acidentes a zero, aprofundando o controle sobre a corporalidade exuberante dos meninos. Eles não podem brincar de luta, envolver-se em competições espontâneas e, em muitos casos, não são nem mesmo autorizados a correr no recreio. Devem ficar sentados por horas a fio, mimetizando a duras penas o comportamento das meninas, que, embora mais conversadeiras, são, em geral, mais maduras e capazes de se manter quietas e concentradas quando necessário. Por serem mais empáticas, elas também têm mais facilidade para desenvolver relações de cumplicidade com os professores.

Além de não possuírem meios para dar expressão às suas necessidades de movimento, ação e competição, os meninos ainda recebem poucos estímulos imaginativos na escola. Os professores são, em sua maioria, mulheres, e os currículos escolares têm se distanciado cada vez mais da sensibilidade masculina típica. Pensemos, por exemplo, na nova onda de desenvolver nos alunos “competências socioemocionais”. Não é preciso ser PHD em desenvolvimento infantil para saber que esse tipo de conteúdo será, já de saída, muito mais atraente para as meninas, as quais têm mais facilidade e desenvoltura para falar de seus próprios sentimentos, e gostam de fazê-lo. Não obstante, a matéria é introduzida como se atendesse a uma necessidade geral e irrestrita, e sem nenhuma consideração relativa às diferenças entre os sexos. E é claro que isso não ocorre por desconhecimento ou descaso. O objetivo é exatamente o de transformar a sensibilidade dos meninos, da mesma forma como acontece com a seleção da literatura a ser trabalhada em sala de aula. Onde estão as histórias de batalhas, aventuras e heroísmo que tanto encantam a imaginação masculina? Foram substituídas por narrativas politicamente corretas e eivadas de ideologia de gênero.

Em condições normais, esses dois fatores de cerco à masculinidade – a vida urbana e a pedagogia escolar – poderiam ser relativamente contornados pela adoção de estratégias de compensação e adaptação por parte da família e da própria escola. Porém, as chances de se encontrar caminhos alternativos que beneficiem os meninos têm sido limitadas pela interferência de um terceiro fator, que é dentre todos o mais perverso, justamente por impedir o ajuste dos outros dois. Refiro-me à influência nefasta do discurso feminista que apresenta o modo de ser masculino como potencialmente “tóxico”, como algo de que os homens precisam se livrar, para o bem das mulheres e para o seu próprio bem. Nesse ponto, já não estamos mais falando de um constrangimento à masculinidade criado por circunstâncias históricas e sociológicas, e sim de um juízo de valor ideológico e politicamente interessado.

O discurso da “masculinidade tóxica” já se embrenhou em todos os níveis da atividade educacional, impregnando a visão de mundo de boa parte das famílias e de quase todos os gestores e agentes escolares. Em seu nome, os meninos têm sido submetidos a um processo de desvirilização de amplas consequências individuais e sociais. Um exemplo é a redução significativa de suas chances de sucesso escolar. Ao exercer tamanha pressão sobre a masculinidade, a educação atual coloca os meninos em notória desvantagem acadêmica em relação às meninas. Eles são os campeões nos índices de suspensão, expulsão e reprovação. Entre a população menos favorecida economicamente, essa situação tem resultados cruéis. Diminui as chances de mobilidade social e, em casos de maior vulnerabilidade, leva à marginalização e à exclusão social.

Do ponto de vista individual, abafar a expressão da sensibilidade natural dos meninos e impedir que ela se desenvolva em formas socialmente legítimas e valorizadas, significa despersonalizá-los e restringir as suas perspectivas de vida. Do ponto de vista coletivo, significa deixar de prepará-los para assumir as suas responsabilidades futuras como cidadãos e pais de família. Em muitas ocasiões cruciais, e para certas atividades específicas permanentes, uma comunidade precisa contar com a energia viril, do mesmo modo como uma família precisa contar com um homem que seja capaz de assumir riscos e obrigações pesadas para provê-la e protegê-la. É nas situações de calamidade, nos eventos de emergência, e no enfrentamento das ameaças externas, que nos damos conta do quanto a força física, a intrepidez e a objetividade masculinas são predicados imprescindíveis e admiráveis. Como escreveu C. Hoff Sommers, no livro já citado: “A história nos ensina que a masculinidade sem moralidade pode ser letal. Mas quando a masculinidade é imbuída de moralidade, ela se torna poderosa e construtiva, e uma dádiva para as mulheres (grifo meu).”

Mas os promotores da “ideologia de gênero” não estão preocupados com nada disso. O que nós percebemos como um problema sério, para eles é o corolário de um projeto que foi laboriosamente posto em prática ao longo de cinco décadas e cujos efeitos começam a se tornar mais visíveis agora. O cenário que temos hoje diante de nossos olhos – meninos pressionados em sua masculinidade, meninas confusas em relação à sua feminilidade – vem sendo idealizado, planejado e executado desde o início da segunda onda feminista nos anos 60, quando as universidades, as escolas e os meios de comunicação começaram a ser ocupados por agentes dedicados à pauta da desconstrução.

Em suma, o projeto de desvirilização dos meninos é a outra face do projeto de desfeminilização das meninas. As meninas são convencidas de que a sua feminilidade as transforma em vítimas dos homens. Ressentidas, elas se desfeminilizam para competir com eles. Os meninos são convencidos de que a sua masculinidade os torna algozes das mulheres. Culpados pela dor que alegadamente lhes causariam, eles se desvirilizam para tentar agradá-las. E, desse modo, chega-se mais perto da desestruturação da família heterossexual monogâmica, por meio do ataque a um de seus principais fundamentos, a complementariedade entre os sexos.

Uma ativista do grupo feminista Femen tentou arrancar a imagem do menino Jesus do presépio montado na Praça São Pedro, no Vaticano, hoje (25). Sem nada cobrindo o corpo da cintura para cima, ela invadiu o cenário de Natividade gritando “Deus é mulher”. Ela tinha essa mesma frase pintada em suas costas.

Acabou sendo impedida pela polícia quando já estava com a estátua em mãos. Segundo o Femen, tratava-se de um ato defendendo “o direito das mulheres ao próprio corpo”. As feministas ligadas ao grupo já fizeram diversos protestos contra a defesa da Santa Sé da proibição do aborto e da contracepção.

Em nota publicada em sua página oficial, as feministas acusam a religião cristã de ser “um forte ataque medieval à liberdade das mulheres e a seus direitos naturais”, insistindo que “uma criança não vem de um deus, mas de uma mulher”. 

A mulher que foi detida pela polícia é a ucraniana Alisa Vinogradova. Seu objetivo, segundo o Femen é “completar a vitória sobre o patriarcado”. Havia cerca de 50 mil pessoas na praça onde cerca de duas horas mais tarde o papa Francisco entregara sua tradicional mensagem de Natal, “Urbi et Orbi”.

Outra feminista do mesmo grupo já havia tentado roubar a imagem de Jesus do presépio do Vaticano, em 2014. Com informações das agências.

Tudo começou com um livro didático. Um manual escolar assinado por Sophie Le Callennec, professora francesa de geografia e história, desencadeou um debate nacional ao ser o primeiro a adotar a chamada linguagem inclusiva, que busca evitar as fórmulas sexistas. O volume em questão, intitulado Questionar o Mundo, publicado em setembro e dirigido a alunos de Educação Moral e Cívica do 3º ano do primário, motivou uma onda de indignação e dividiu políticos e intelectuais a respeito da necessidade de integrar ou não essas regras de gênero no uso comum da língua.

A polêmica chegou na semana passada à Academia Francesa. Seus 40 imortais difundiram na última quinta-feira um comunicado onde se declaravam contrários ao uso de uma linguagem igualitária. “Diante desta aberração inclusiva, a língua francesa se encontra, a partir de agora, em perigo mortal. Nossa nação é responsável perante as gerações futuras”, afirmou o organismo, fundado em 1763.

Apesar de tudo, Le Callennec não fez mais do que seguir os conselhos formulados pelo Governo francês em 2015. O Conselho Superior para a Igualdade, subordinado ao Executivo, publicou na época um guia prático “para uma comunicação pública sem estereótipos de sexo”, que recomendava citar sempre os dois gêneros, ordenando alfabeticamente o resultado – escreve-se “agriculteurs et agricultrices” (agricultores e agricultoras), mas “femmes et hommes” (mulheres e homens) – e feminizar os substantivos que se refiram a ofícios ou cargos públicos, uma tarefa pendente para o idioma francês.

Além disso, o guia recomendava incorporar um sufixo feminino a todo substantivo masculino, separando-o tipograficamente dentro de cada palavra. Se esta gramática não sexista acabou não se firmando, isso pode ser por causa da complexidade dessa última proposta. Se num escrito em português é possível substituir a palavra alunos por alunos(as), alunxs ou alun@s, em francês é mais difícil, porque nem sempre basta alterar uma vogal, e porque o resultado é menos fácil de ler. Diante da falta de uma normativa compartilhada, geralmente são usados hifens, barras, parênteses, maiúsculas e até três tipos de pontuação. Assim, o resultado para se referir às cidadãs e cidadãos pode ser citoyen/ne/s, citoyen.ne.s, citoyen-NE-s, citoyenNEs, citoyen(ne)s ou, o mais habitual de todos, citoyen·ne·s.

Na verdade, a Associação Francesa de Normalização, encarregada de propor a padronização tipográfica, estuda introduzir esse ponto médio nos teclados do país em 2018. A intenção inicial era reconhecer seu uso em línguas como o catalão e o occitano, mas a adesão crescente a essa gramática alternativa não pode ser alheia a tal gesto. Utilizam-na, cada vez mais, autoridades públicas, o mundo das ONGs e certos meios de comunicação, como a revista lésbica Well Well Well.

Apesar de tudo, a resistência a adotá-la continua sendo férrea e, certamente, majoritária. Desde a aparição do livro da discórdia, a imprensa ‘conservadora’ vem insultando o método. O Figaro o qualificou de “blablablá”, e o semanário Le Point, que lhe dedica sua capa nesta semana, reescreveu em linguagem inclusiva trechos de Molière e de Proust, talvez para sublinhar o caráter ridículo do invento. Por sua vez, o filósofo Raphaël Enthoven tachou essa escrita como “agressão à sintaxe” e “novilíngua” orwelliana, expressando o sentimento de outros intelectuais franceses.

Uso infernal

A escritora Catherine Millet também não acredita que sua adoção seja necessária. “Tentei pronunciar algumas palavras e é infernal. Não é uma língua oral, e a oralidade vem antes da escrita” afirmou ao Le Monde. A autora franco-iraniana Abnousse Shalmani também acha que seu uso não favorece nenhum tipo de equidade. “Línguas como o farsi e o turco não têm masculino e feminino e isso não faz com que essas sociedades sejam mais igualitárias”, afirmou.

O ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer, argumentou que a escrita inclusiva do francês “fragmenta as palavras” e “fere a língua”, apesar de se considerar “um homem feminista”. Por sua vez, a ministra da Cultura, Françoise Nyssen, se disse favorável a uma feminização sistemática dos substantivos, mas não à utilização da ortografia inclusiva. “Como será compressível às crianças com dificuldades de aprendizagem, como os disléxicos?”, disse ao Le Point. O tiro de misericórdia foi disparado pelos acadêmicos, que consideram que o francês está jogando pedras contra seu próprio telhado. A dificuldade adicional que significaria aprendê-lo e entendê-lo, se a tendência inclusiva se transformar em regra, jogaria “a favor de outras línguas que aproveitarão a ocasião para prevalecer no planeta”. Em outras palavras, a arqui-inimiga chamada inglês.

A discussão na Espanha

A Real Academia Espanhola aprovou um estudo em 2012 sobre as diretrizes para se avançar na linguagem inclusiva e não sexista. A opinião manifestada à época não mudou. O diretor da RAE, Darío Villanueva, a resume assim: “Somos favoráveis à sensibilização dos falantes no que se refere à linguagem sexista, mas sobre a estrutura gramatical mantemos o que dissemos em 2012”. Ou seja, condenam o uso machista de alguns termos, mas não defendem a duplicidade de gênero para que homens e mulheres sejam representados no discurso.

“Isso é um falso debate”, diz a doutora em Filologia Românica Eulalia Lledó. “Porque as diretrizes não são regras, somente propostas de usos. E não sei por que alguns acadêmicos ficam tão irritados com o uso da forma dupla para visibilizar as mulheres porque existe até no Antigo Testamento e em Mío Cid. É só retirar de um filão. Fico feliz ao ver cada vez mais formas genéricas na imprensa”.

El País


Noticia de 2016, sempre atualizada.

Fonte: Guy Franco

Professor de uma universidade do Canadá vem sendo perseguido pelos estudantes por se recusar a – veja só – usar pronomes de gênero neutro.

Para manter o padrão, procuro oferecer aos leitores o melhor da polêmica mundial. Uma delas vem da BBC e parece retirada de algum romance distópico de George Orwell: um professor de uma universidade do Canadá vem sendo perseguido pelos estudantes por se recusar a – veja só – usar pronomes de gênero neutro.

A julgar pela reação dos universitários, parece que Jordan Peterson, professor de psicologia da Universidade de Toronto, é suspeito de cometer alguma ofensa terrível, e estaria pronto para arruinar a vida dos estudantes universitários. Mas depois descobrimos que o maior crime dele foi este: dizer em vídeo que se recusava a usar os pronomes “ze” e “zir” no lugar de “she” e “he”. Já disse antes, as melhores peças humorísticas da atualidade são escritas por acadêmicos.

Mas voltemos ao caso: alguns alunos trans e não-binários exigem de Jordan Peterson o uso de pronomes novos criados pelo movimento de correção política. Ne, ve, ze, zie, zir, xe – os pronomes abundam. A polêmica também.

Diz Peterson: “Se a pessoa trans quer ser chamada de “ele” ou “ela”, meu bom senso é o de abordá-la de acordo com o gênero que a pessoa se apresenta.” Diz ainda: “Eu estudei o autoritarismo por um bom tempo – por 40 anos – e ele começa nessa tentativa de as pessoas controlarem a ideologia e a língua dos outros. De maneira alguma vou usar palavras inventadas por pessoas que estão tentando fazer o mesmo – sem chance.”

O objetivo agora é outro: não basta chamar a mulher trans de “ela” e o homem trans de “ele”, como o professor Peterson sempre fez. Segundo a mais nova moda, há uma infinidade de outros gêneros não catalogados. E cada um exige o uso de um pronome diferente. O que implica, claro, não ofender os alunos com doses de inglês arcaico e reacionário; este que encontramos nos livros de Agatha Christie.

Se a coisa ficasse pelos corredores da universidade, seria apenas uma boa ideia de sketch humorístico. O problema é que o caso já chegou ao Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, que emitiu uma advertência ao professor. Também estudantes e docentes já disseram que a atitude de Jordan Peterson é considerada inaceitável, emocionalmente perturbadora e dolorosa. E até o escritório dele sofreu atos de vandalismo.

Na tentativa de impedir qualquer ofensa a minorias desfavorecidas, muitas vezes os movimentos de correção política acabam convertendo-se na mais repugnante forma de autoritarismo.

Autor do artigo: Pedro Henrique Alves

A origem:

Os resquícios mais longínquos desta ideologia encontram-se em Karl Marx, em seu livro (assinado por Friedrich Engels, dado à morte de Karl Marx antes do término do livro): “A origem da família, da propriedade privada e do Estado” (ENGELS, 2014), livro onde ele pretende explicar a origem da realidade familiar através de um viés de liberdade sexual extremada; Marx escreve este livro a partir das deduções de um antropólogo denominado na obra como: “Morgan”, da Ancient Society. Segundo o livro, nas primeiras civilizações não haviam famílias consolidadas aos moldes que hoje conhecemos, o que de fato havia era uma vida sexual sem restrições. Os homens mantinham relações sexuais com todas as mulheres da aldeia — ou tribo. Culminando que os filhos não sabiam quem eram seus pais (obviamente o filho sabia quem era sua mãe, porém, desconhecia quem era o seu pai biológico), sendo criados todos na aldeia em uma “línea igualdade”, segundo o próprio Karl Marx.

Para Marx, nesta sociedade havia uma verdadeira igualdade e justiça, sendo o “Estado” (tribo) responsável pela educação das crianças. Ainda baseado nestes estudos, Marx infere que quando o homem começa a tomar para si certa demarcação territorial, por conta da agricultura, ele encontra a necessidade de doar os frutos de seus trabalhos a alguém, que geralmente designava-se ao sexo oposto que ele desejara, criando assim o princípio do “matrimônio”. Com terras demarcadas, uma família sendo estruturada e a mulher sendo tomada como “posse” pelo homem, Karl Marx deduz que: o patrimônio (propriedade privada) é fruto do matrimônio; o matrimônio é a “base” do patrimônio para Karl Marx. Sendo assim, para Marx, se quisermos uma correta e eficiente revolução, chegando ao âmago do problema, rumando à igualdade plena, temos que destruir as raízes da propriedade privada, ou seja, o matrimônio, a família tradicional.

Após isso, muitos marxistas entenderam os apontamentos de Marx: a revolução comunista não viria por meios econômicos, mas sim por meios culturais. O primeiro, após Karl Marx, a sublinhar enigmaticamente isso foi o filósofo marxista Karl Korsch, onde, na 3ª internacional (congresso mundial sobre a filosofia marxista) de 1923, afirmou que a revolução comunista deveria atacar as “subestruturas” da propriedade privada, ou seja, o matrimônio como antes Marx havia apontado. Max Horkheimer (um dos fundadores da escola de Frankfurt) posteriormente lança um ensaio intitulado “Autoridade e Família”, em que na mesma linha de Marx e Korsch, mostra que a autoridade — o que os marxistas denominam: patriarcado — , e por consequência a posse de bens, surgem no seio familiar. Se o que se quer é desmantelar a propriedade privada, deve-se, antes, desmontar a unidade familiar, origem e sustentáculo da aristocracia capitalista — na visão comunista alinhada às últimas percepções de Karl Marx.

O desenrolar de uma ideia:

Muitos marxistas seguiram em direções contrárias às indicações deixadas nesse último livro de Marx. Optaram eles pelas revoluções armadas, tendo por foco tomarem os poderes econômicos de determinados países — o que, anteriormente, Marx havia sublinhado em seus escritos como sendo o caminho para o proletariado assumir o poder político-econômico. Isso ocorreu, principalmente, em seu livreto: “O manifesto do partido comunista” (MARX, 2012).

Entretanto, outros entenderam o que o alemão havia apontado no final de sua vida, isto é: a revolução deve vir por meio da derrubada da unidade familiar.

Entendendo isso, nasce do meio das escolas marxistas um impulso direcionado à sexualidade e à“libertação” sexual feminina; a primeira marxista determinada a angariar visibilidade e fazer uma espécie de manifesto que apontaria para uma liberdade sexual extremada, foi a feminista Kate Millet. Em seu livro: “Política Sexual” (MILLETT, 1969, 1970), ela mostra como deve ser a vida sexual libertadora de uma sociedade socialista, porém, esse livro não foi encarado com tanto louvor pela academia e sociedade, tratava-se apenas de um impulso inicial para a revolução sexual que os marxistas pretendiam. Essa obra assemelha-se mais a um manifesto do que propriamente um tratado filosófico-político.

A primeira a fazer um ensaio que despertasse seguidores e defensores, de fato, desta variável marxista foi: Shulamith Firestone, socióloga e filósofa que propôs, através de seu livro: “Dialética do Sexo”(FIRESTONE, 1970), a derrubada de todo e qualquer sistema familiar tradicional. Lutou, também, contra o pudor sexual tradicional da sociedade, que dizia ela ser um sistema de opressão contra as mulheres; Shulamith considerava que a mulher possuía um sistema opressor por natureza, isto é, seu aparelho reprodutor. Dizia ela que: libertando a mulher da sua tarefa “socialmente imposta” de reprodutora da espécie acabaríamos também com a unidade social, a família, chegando, por fim, em um oásis social libertador.

Citarei algumas frases de seu livro “Dialética do Sexo”(obra que é possível encontrar para download na internet), as citações seguintes encontram-se na conclusão do livro, onde ela faz uma síntese de suas ideias conclusivas, a ver:

“Assim, libertar as mulheres de sua biologia significaria ameaçar a unidade social, que está organizada em torno da reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico, a família. Nossa segunda exigência surgirá também como uma contestação básica à família, desta vez vista como uma unidade econômica” (FIRESTONE, 1970, p. 235. Grifos meus)

“Com isso atacamos a família numa frente dupla, contestando aquilo em torno de que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres, e sua conseqüência [sic], a dependência física das mulheres e das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia de poder, contudo, nós a destruiremos ainda mais” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

“A total integração das mulheres e das crianças em todos os níveis da sociedade. Todas as instituições que segregam os sexos, ou que excluem as crianças da sociedade adulta, p.ex., a escola moderna, devem ser destruídas” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

“Liberdade para todas as mulheres e crianças usarem a sua sexualidade como quiserem. Não haverá mais nenhuma razão para não ser assim” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

Além desta conhecida autora do feminismo, Firestone. Há aquela que é considerada a mãe das feministas, talvez, quase que unanimemente chamada de pilar central do feminismo, Simone de Beauvoir. Como nossa intenção não é suscitar a crença religiosa de meus leitores em minhas palavras, citarei

Simone para que vejam que minhas afirmações posteriores não serão infundadas:

“Em minha opinião, enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas.” (BEAUVOIR, 1975, p. 20. Tradução livre)

Cito textualmente as palavras destas autoras, pois, como já disse, mas faço questão de reafirmar, não nutro a esperança que confiem em mim, numa espécie de fé cega. Pelo contrário, peço que todos que lerem esse artigo busquem tais referências citadas, para constatarem os fatos aqui apresentados com suas próprias conclusões.

A estratégia: Denominação do conceito Gênero.

Contudo, somente estes escritos citados anteriormente, e os apoios de nomes importantes nos meios acadêmicos e midiáticos, não foram o suficiente para diminuir o poder e a união familiar. Teriam, então, de ajustar a estratégia, mas o foco a ser atacado já estava delimitado: a família. Percebendo que a revolução não viria pelo simples ataque aberto à família, e principalmente após o fracasso das revoluções armadas do século XX, os(as) marxistas-feministas entenderam que o modus operandi da revolução era falho no seguinte ponto: a sociedade já estava profundamente enraizada em seu modelo familiar, perceberam que ela não abriria mão deste modelo a não ser que fosse convencido (doutrinado) internamente que esse modelo é ruim, falido e/ou “opressor”. Como bem sabemos, a mudança estrutural de bases acontece de dentro para fora e não de ataques externos, e qual é a forma mais basal de uma instituição? Segundo Michel Foulcaut: o discurso.

Resumindo, o que mantém uma instituição (Igreja, família, religião) firme em suas convicções são seus discursos, suas defesas conceituais. A Igreja católica manteve-se em pé, pois, seus discursos (apologias) foram mais fortes que os de seus inimigos. Na obra fictícia de George Orwell: 1984 (ORWELL, 2009), o governo totalitário — SOCING — só consegue parar os revolucionários que ameaçavam sua hegemonia quando, de forma doutrinadora, esses revolucionários ficaram convencidos que os conceitos que embasavam seus princípios, no fim, não existiam. Eles aceitam, por fim, que a contradição e a verdade são realidades conciliáveis.

Posteriormente, veremos como a contradição começará a ser aceita, também, por aqueles que defendem o gênero poliforme.

Em uma estratégia similar, os marxistas, baseando-se no pensamento do filósofo Jacques Derrida, conhecido por sua teoria desconstrucionista, montam uma verdadeira confusão conceitual partindo da palavra: “gênero”; Derrida ensina que: nenhum discurso se mantém em pé se conseguirmos desmontar seus significados originais (conceitos) através de um processo dialético de embate, ou seja, jogando palavras contra palavras até que através de uma confusão de termos os conceitos originais sejam rejeitados. Tal desconstrucionismo pode ser realizado, também, através de criação e propagação de novos termos que se pretendem afirmar, e reafirmar, uma ideia ideológica posta a priori. Lembremos do que dissemos acima: as instituições são, em suma, seus próprios discursos. Sem esses — conceitos — elas desmoronam. A estratégia, então, torna-se a desconstrução dos discursos(os conceitos, princípios e defesas) que mantêm a família em pé.

Todavia, faltava alguém que juntasse todas estas ideias expostas e as compilasse, de fato, em uma nova ideologia/doutrina, para que, enfim, a tão sonhada revolução sexual — que tem por meta a revolução política — fosse realizada. Essa pessoa foi Judith Butler. Feminista e conhecida por ser a teórica mais profunda da “teoria de gênero”, Butler, em seu livro “Problemas de gênero” (BUTLER, 2003), concebe uma interpretação da sexualidade no mínimo assustadora. Para Judith Butler devemos acabar com toda e qualquer classificação sexual, não podemos, e nem devemos, considerar que as pessoas são naturalmente homens ou mulheres, pois, para a autora, a sexualidade é totalmente arbitrária e modificável conforme o ambiente e os anseios emocionais de cada um. O que determina aquilo que somos, enquanto gênero sexual, diz Judith, são nossas vontades e desígnios psicológicos e/ou culturais. São nossas inclinações psicológicas momentâneas e os pedantes desígnios culturais que definem a que gênero pertencemos. A nossa natureza sexual nada mais é que um dos múltiplos gêneros possíveis. A essa sua doutrina denominam: “sexualismo” ou “teoria de gênero”, e as pessoas que se identificam com o sexo que naturalmente possuem (nascença) ela denomina-os: “cisgênero”. (Judith tem como base o experimento de John Money realizado na década de 60, o famoso caso Reimer. Tal fato será contado no próximo tópico, apesar de ser cronologicamente anterior a teoria de Judith. Assim o fiz, pois, considerei mais didático expor a conceituação antes do experimento prático da ideologia de gênero).

Judith Butler conseguiu implantar seus conceitos revolucionários sobre a sexualidade em um documento chamado “Princípio de Yogyakarta”, é um documento que possui estratégias de implementação e interpretação dos princípios dos direitos humanos na área de orientação sexual e identidade de gênero. No documento de 2006, no qual as ideias de Judith foram incrementadas, lê-se o seguinte no preâmbulo do texto documental referente a definição dada sobre “ideologia de gênero”: “ENTENDENDO ‘identidade de gênero’ como estando referida à experiência interna, individual e profundamente sentida que cada pessoa tem em relação ao gênero, que pode, ou não, corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo-se aí o sentimento pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive o modo de vestir-se, o modo de falar e maneirismos.” (PRINCÍPIOS, 2015, grifos meus)

Gênero, por fim, seria a definição de algo indefinível, pois, seria a relativização de um princípio que está à mercê da subjetividade temporal e arbitrária dos sentimentos pessoais de alguém; pautadas em nenhum princípio natural, advogam os defensores de tal ideologia que o sexo é relativo à psique (entenda-se sentimentos e inclinações mentais) das pessoas. Ignorando qualquer enfrentamento factual da realidade sexual biológica e genética naturalmente definida.

O experimento: O caso David Reimer — A ideologia na prática.

A ideologia de gênero já foi testada pelo psicólogo neozelandês John Money. No final da década de 60, ao chegar as mãos de John Money um caso de mutilação genital do ainda bebê Bruce Reimer, após uma operação cirúrgica desastrosa, o psicólogo decide, junto a família do garoto, que iria colocar em prática sua embrionária ideia de gêneros socialmente construídos.

Para ele a sexualidade de alguém pode ser moldada conforme a criação social que o paciente receberá. Assim sendo, se Bruce nunca soubesse que havia nascido menino supostamente ele não teria problemas em “ser mulher”. Muda-se, então, cirurgicamente o sexo de Bruce, que passa a chamar-se Brenda; Brenda (Bruce) recebe doses cavalares de hormônios femininos desde muito cedo, passa a ser criada(o) como menina, desde roupas, tratamento escolares, brinquedos e costumes. Além de métodos pedagógicos naturalmente usados com meninas, Brenda (Bruce) foi sendo doutrinada a ser mulher. Todo ano ela(e) visitava John Money em sua clínica, onde ele fazia uma verdadeira tortura psicológica no pequeno Bruce(Brenda), torturas essas que incluía abaixar suas roupas íntimas e fazê-la(o) repetir: “sou menina”. Isso foi relatado por seu irmão e seus pais para a “BBC”. Esse mesmo canal televisivo que fez um longo documentário contando toda a história de Bruce. (link do documentário nas referências)

Porém, Brenda (Bruce), não se reconhecia como menina — para a frustração de Money que já havia anunciado em vários periódicos científicos seu suposto “sucesso” no caso Brenda Reimer. Desde muito cedo Brenda (Bruce) se recusava a participar de brincadeiras femininas, suas roupas e brinquedos não as satisfaziam, tendo naturalmente atitudes masculinas. Na adolescência começou a enfrentar sérias crises psicológicas levando-a(o) à depressão e, posteriormente, a múltiplas tentativas de suicídio. Seus pais, por fim, decidem contar-lhe toda a verdade aos 14 anos, ele, sentindo-se melhor, começou a ter uma vida condizente com seu sexo biológico, agora sob o nome de David Reimer. Reconstruiu cirurgicamente seu órgão genital, chegando a se casar.

Por outro lado, em sua família os resquícios do experimento de John Money deixaram fendas profundas e irreparáveis; seu pai desenvolveu um quadro avançado de alcoolismo e depressão, seu irmão tornou-se usuário de drogas, vindo a morrer em 2002 poroverdose por alta ingestão de antidepressivos, sua mãe, com crises profundas de depressão, por inúmeras vezes tentou se suicidar. David, encontrando-se em meio a uma enorme confusão psicológica causado por anos de confusão sexual, doutrinação psicológica, aliado a um casamento conturbado dado a seus problemas na infância, em 2004 suicidou-se em uma mercearia perto de sua residência com um tiro na cabeça.

Em uma entrevista à BBC de Londres ele afirma:

“Eu não sou um professor de nada, mas você não acorda uma manhã decidindo se é menino ou menina, você apenas sabe”. (DR, 2015)

Conclusão:

Temos dois grandes tópicos a serem avaliados. Primeiro, a conceituação. A “mãe” da ideologia de gênero, Judith Butler, define “gênero” como sendo uma escolha singular e arbitrária de uma pessoa, referente a sua sexualidade. Escolha essa que é definida tão somente pela própria pessoa. Essa escolha de gênero sexual se torna uma verdade irrefutável após alguém defini-la como sendo “verdade”, apesar de sê-la totalmente relativa às vontades e anseios passageiros. Sendo assim, a “verdade” e a sexualidade de alguém está a mercê de suas intempéries emocionais.

Poderá, então, a partir da ideologia de gênero, uma pessoa que passou quarenta anos de sua vida sendo homem, em um belo dia acordar “sentindo-se mulher” e, assim, todo seu passado masculino será apagado, e, a partir daquele momento, torna-se-á mulher? Pois, a este nome: “mulher” não haveria mais nenhuma ligação biológica e natural que a desse firmeza de conceituação essencial, haveria apenas escolhas sentimentais arbitrárias de cada indivíduo.

Esta parte do texto pode parecer empolado, mas não por mea culpa, a própria conceituação assim o é. A própria definição de gênero dada por Butler carece de lógica estrutural, sendo assim, como responsabilizar-me-ei por não ser claro na explicação de uma ideia que não possui clareza?

Segundo o experimento factual da ideologia de gênero: o caso de David Reimer, que é, por si, autodeterminante para tais considerações, tal definição defendida por Butler é uma verdadeira tolice com aparência de sapiência.

O caso de David Reimer acabou sendo um grande revés aos que apoiaram e ainda apoiam tal ideologia; o caso tornou-se a prova factual de que esta ideologia é profundamente falha. Muitas feministas e apoiadores dessa causa afirmam que há inúmeros erros neste caso de David Reimer, mas nunca conseguiram, satisfatoriamente, mostrar onde se errou ou como poderia ter sido diferente. Não podemos negar que John Money foi competente em colocar as premissas daquilo que ele acreditou ser a “teoria de gênero”, ou seja: a “mobilidade” sexual humana estruturada numa criação cultural determinada. Mesmo que, após a conclusão das premissas, a teoria tenha se mostrado um fracasso retumbante, os seus partidários mantém-se relutante ao negar o óbvio: a teoria de gênero, na prática, falhou e falhou muito.

David Reimer foi, de fato, a prova do fracasso desta ideologia, além, é claro, da própria lógica e da genética que comprovam 100% a irresponsabilidade científica e a irracionalidade dessa teoria. Não há outra constatação possível a não ser que essa “teoria de gênero” seja apenas um novo modus operandi para uma revolução política e cultural. Visando, é claro, a hegemonia da ideologia comunista — como no início mostramos. Como bem previu Karl Marx, derrubando o pudor sexual ,e, posteriormente a família, a sociedade tenderia a ficar maleável aos quereres ideológicos de qualquer revolucionário.

Para os que me chamarão de conspirador, lunático ou apocalíptico, apenas deixo-vos com os estudos, aprofundamentos, referências e o sincero desejo de que busquem a verdade por trás dos acalorados “vitimismos”. Gritos histéricos e discursos emocionais decorados deviam ser ignorados, já que tal teoria se pretende a cientificidade. Não peço, de forma alguma, que acreditem em mim ou que encare esse texto como um dogma, desejo apenas que busquem com sinceridade e imparcialidade a origem dessa ideia que aqui tratamos. Busquem as fontes, questionem-se: de onde emanam tais ideias?

Por fim, como é de praxe em meus textos, o desafio continua. Você que duvida que o feminismo quer uma revolução comunista e que a causa feminista seja apenas o meio para outros fins, desafio a irem em algum congresso feminista ou socialista e erguerem um cartaz com a seguinte escrita: “Sou feminista, mas não socialista (ou comunista)”. Depois venha aqui nos contar sua aventura!

Para finalizar, dou voz a David Reimer:

“Você vai sempre encontrar pessoas que vão dizer: bem, o caso do David Reimer podia ter tido sucesso. Eu sou a prova viva, e se você não vai tomar minha palavra como testemunho, por eu ter passado por isso, quem mais você vai ouvir?” (DR, 2015)

Referências:

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 10ª Ed. Rio de janeiro: Civilização brasileira, 2003

DR Money andthe Boy with No Penis. BBC: London, 2010. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/sn/tvradio/programmes/horizon/dr_money_qa.shtml. Acesso em: 22/07/2014.

ENGELS, Frederich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. 1ª ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2014.

FIRESTONE, Shulamith. A dialética do sexo: um estudo da revolução feminista. Rio de Janeiro: Labor do Brasil, 1976. Edição original: 1970.

MARX, Karl; ENGELS, Friederich. O manifesto do partido comunista, 1ª ed. São Paulo: Companhia da letras & Penguin, 2012.

MILLETT, Kate. Política sexual, 1ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 1969, 1970. ORWELL, George. 1984, 1ª Ed. São Paulo: Companhia das letras, 2009.

PRINCÍPIOS de Yogyakarta: sobre a aplicação da legislação internacional de direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero. Disponível em: http://www.clam.org.br/pdf/principios_de_yogyakarta.pdf . Acesso em: 22/07/2015

Simone de Beauvoir, “Sex, Society and the Female Dilemma — A Dialogue between Simone de Beauvoir and Betty Friedan”, Saturday Review, 14.06.1975, p. 20.

(Vídeo do documentário de Bruce Reimer) — Dr Money e o Menino Sem Pênis — Documentário — https://www.youtube.com/watch?v=zrMY_bH5QAg

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“Eu tenho uma filha de dois anos e oito meses que ama rosa, enlouquece com bonecas e princesas, brinca de mãe e filho o dia inteiro e chora quando entra numa loja de brinquedos querendo um ferro e uma tábua de passar roupas! Socorro!

Confesso que, cada vez que vejo esse movimento todo dela, eu me arrepio da cabeça aos pés. Parece piada que minha filha aja de maneira tão contrária a tudo que eu acredito; mais ainda, de maneira contrária a tudo que eu prego no meu dia a dia, a tudo que eu acredito que seja uma construção social das mais cruéis que segregam meninas e traçam pra elas um único e fatídico destino, a tudo que fuja do roteiro traçado por essa construção que seja carregado de culpa e julgamentos! 

Não acredito que existam brinquedos de menina ou brinquedos de meninos. Quando minha filha nasceu, eu não comprei um brinquedo. Bom, ela tinha um irmão de três anos, a casa já estava cheia de brinquedos e ela não precisava de nada além daqueles que ali já habitavam. 

Assim ela ficou, sem brinquedos novos até completar um ano, se não me engano. Foi ali que chegaram as primeiras bonecas, não sei quem deu, não me lembro, mas me lembro com perfeição quando ela, com um ano de idade, pegou uma boneca no colo e ninou. 

Fiquei muito espantada, mas sabia que ela estava reproduzindo o que fazíamos com ela, mas e as princesas? Pode ser influência das amiguinhas da escola. E a cor rosa? E a predileção por saias e saias que rodem? E a paixão por panelinhas e fogão? E o ferro e a tábua de passar, minha gente?! Acredito que seja tudo repetição do que ela vê à sua volta, mas ela também vê (e muito) outras coisas… até porque quando senti esse movimento, a minha primeira ação foi apresentar a ela outras opções, para que ela pudesse perceber que além do mundo de fadas, bonecas, saias, panelinhas e princesas existe muita coisa legal com que ela também pode brincar. 

Não, não adianta, ela gosta desse mundo, esse é o mundo de brincadeiras que ela, com quase três anos, escolheu pra chamar de seu. 

Eu, como mãe, acredito que devo continuar dando outras opções para que ela sempre saiba que o mundo pode ser mais que uma única coisa e que ela pode sim ser o que quiser: astronauta, bailarina, bombeira, princesa, médica, fada, engenheira, cozinheira, professora, princesa, passadeira… não importa, o que importa é ela conquistar a liberdade de ser o que ela quiser.

Taís Araújo, Atriz da Rede Globo.

Abaixo, comentário do Rodrigo Constantino

” Então quer dizer que não importou tanto a “construção social”, menos ainda a “construção familiar”, pois a menininha só quer saber de bonecas? Taís Araújo entrou em contato, pelo visto pela primeira vez, com a biologia. Uma aula prática que sua filhinha, com menos de 3 anos, proporcionou-lhe. Deram uma boneca para ela e pronto: todo aquele esforço de fazê-la gostar de tudo, das mesmas coisas que o irmão mais velho, foi por água abaixo.

Se Taís Araújo acompanhasse mais o mundo animal, saberia que nem tudo é “construção social”, que a biologia é coisa séria, não uma invenção machista opressora. Saberia que há uma tendência natural de as fêmeas serem mais protetoras da prole, e os machos de protegerem as fêmeas. Saberia que isso não é um absurdo inventado por terríveis e maquiavélicos homens insensíveis. Desconfiaria mais do feminismo.

Acompanho uma família de patos aqui perto da minha casa. Alimentei os 6 filhotinhos desde o começo. Por conta do furacão Irma, alguma coisa, tipo uma fita, invadiu o cantinho deles, e grudou na pata da patinha mãe. Fui me aproximar dela para tentar retirar o troço, que deve incomodar bastante, mas imediatamente o pato macho se aproximou emitindo sons supostamente ameaçadores. Eu entendi o recado: “Não mexe que ela é minha”.

Feministas não gostam disso, mas tenho certeza de que, no fundo, Taís Araújo apreciaria uma atitude dessas vindo de seu marido Lázaro Ramos. Um ato de coragem protetora. Já quando eu me aproximo demais dos filhotes, é a patinha que sai em sua defesa, deixando claro que fará de tudo para protegê-los. A mãe protege os filhos e o pai protege a mãe: parece uma configuração bizarra? Só para feministas, pois no reino animal não é tão incomum assim.

A atriz vive imersa na bolha politicamente correta, no Projaquistão, onde tudo que é “progressista” é lei religiosa, e para quem conservadorismo é doença mental. Para essa turma, “ideologia de gênero” é ciência, e ciência é invenção de machistas opressores. Talvez Taís Araújo devesse ver esse documentário norueguês, que derruba esse mito da “identidade de gênero”, inclusive com uma das feministas afirmando categoricamente que não liga para os fatos. Isso mesmo. No vídeo, a “filósofa do gênero” Catherine Egeland, uma das entrevistadas, chega a afirmar que “não se interessa nem um pouco” por esse tipo de ciência e que “é espantoso que as pessoas se interessem em pesquisar essas diferenças”. Espantoso que as pessoas se interessem a pesquisar! É a ideologia acima de qualquer coisa, de tudo, dos fatos, da ciência, da busca pela verdade.

As feministas querem o “empoderamento” da mulher, e Taís Araújo quer a felicidade da filha. Louvável. Resta saber: se a pequena escolher ser uma boa mãe e boa esposa, apesar de toda a ideologia, ela será julgada por isso ou terá seus desejos respeitados, pela mãe e pela sociedade? Pergunta legítima, pois hoje, especialmente no Projaquistão, sabemos que uma mulher que escolhe “virar homem” tem mais respeito e admiração do que uma mulher que escolhe ser dona de casa…

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À medida que a nossa sociedade desaprende a masculinidade e feminiza cada estágio da vida masculina, os meninos pagam um preço enorme. Deixe-me compartilhar com vocês duas notícias preocupantes – e, creio eu, intimamente ligadas.

A primeira vem como cortesia de Mark Perry, do American Enterprise Institute. Em um gráfico, ele destaca a diferença dramática e crescente entre os sexos no ensino superior. Em suma, as mulheres dominam:

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A segunda vem de Emma Green do The Atlantics. Detalhando os resultados de uma pesquisa conduzida por sua revista e pelo Public Religion Research Institute, ela observa que 61 por cento dos homens brancos da classe trabalhadora vêm a universidade como uma “aposta arriscada”. O relatório de Green continha esta explicação: “A narrativa duradoura do sonho americano é que, se você estudar, obter uma educação universitária e trabalhar duro, você pode subir na vida”, disse Robert P. Jones, CEO do PRRI. “A pesquisa mostra que muitos americanos da classe trabalhadora branca, especialmente os homens, já não vêm esse caminho disponível para eles… É este sentimento de fatalismo econômico, mais do que apenas dificuldades econômicas, que foi o fator decisivo no apoio a Trump entre os eleitores da classe trabalhadora branca.

“Não se engane, se esses números mostrassem uma diferença educacional equivalente (e crescente) na direção oposta, a esquerda feminista declararia uma emergência cultural. Na verdade, declarou uma emergência cultural apesar do desempenho educacional dominante das mulheres. Como observa Perry, nossas faculdades estão cheias de iniciativas de “centros de mulheres” e “equidade de gênero” que são dedicadas exclusivamente ao sucesso feminino (ou quase exclusivamente). Quando vai parar de existir uma crise para as mulheres no campus? Quando já atingem dois terços da população do ensino superior? Quando três de cada quatro graduados da faculdade são mulheres?

Nossa sociedade está desaprendendo a masculinidade, feminizando cada estágio da vida masculina, e os meninos estão pagando um preço enorme. Considere a feminização do lar – ocorrendo em duas frentes simultaneamente. Em primeiro lugar, e mais importante, a dissolução da família traz um aumento da ausência do pai, e por mais que nossa cultura louve as mães solteiras (e às vezes – mas nem sempre – as mães fazem esforços realmente heroicos para preencher a lacuna), os meninos precisam de pais.

É simples assim. Homens e mulheres em geral têm diferentes papéis a desempenhar na vida de seus filhos, e um menino vê em um bom pai os frutos de uma masculinidade corretamente canalizada e devidamente vivida. Ele tem nele um modelo, muitas vezes um herói, que vive na maior proximidade possível. Mas além da ausência do pai, está a feminização crescente da própria família mesmo aquela com dois pais. Modelos de vida doméstica intencionalmente elaborados para quebrar antigos estereótipos e normas culturais cada vez mais tratam os pais não como “mãe e pai”, mas como “Progenitor 1 e Progenitor 2.” [*] As crianças não são irmão e irmã, mas “Criança 1 e Criança 2.” Já não existem caminhos diferentes para meninos e meninas, mas caminhos únicos para seres especiais esvoaçantes como flocos de neve.

Quem vai dizer o que é masculino? Quem vai dizer o que é feminino? No entanto, a única coisa que sabemos é que os estereótipos das características masculinas de agressão, risco e trabalho duro e jogos de alta energia são “tóxicos” e precisam ser medicados ou educados fora de casa.

Acrescente-se à casa feminizada, a escola feminizada, com sua tolerância zero, medo mortal de qualquer coisa remotamente marcial e sua implacável ênfase na compaixão e nutrição ao invés de exploração e aventura (a menos que o aventureiro seja uma mulher). Nós amamos a Terra. Não a conquistamos. Escola primária é um lugar de abraços, não de conflito, e brincar é ser pacífico acima de tudo. Não mais se encenam batalhas. Não mais armas de brinquedo. Não mais desenhos de tanques ceifando hordas nazistas. E quando a natureza se impõe contra os desejos do ideólogo? Aí entram a medicação e a educação.

Finalmente, os jovens se graduam para um trabalho cada vez mais feminizado. Parte disso é uma função do politicamente correto, e parte dela é simplesmente uma função da economia em mudança. Não precisamos de tantas costas e braços fortes para fazer a América grande. Há mais cubículos, mais pessoas digitando, e mais pessoas falando. É ótimo ser loquaz.

Em lugar de ensinar os homens a canalizar sua agressividade e espírito aventureiro de maneiras produtivas, pedimos-lhes para sufocar suas naturezas mais verdadeiras.

A força é estritamente opcional. Oh, e quando os homens que trabalham nos cubículos tentam arrumar seus espaços para hobbies, esportes e outras atividades, eles são muitas vezes objetos de zombaria. Por que um contador precisa de um Ford F-150? Olhe para aquele advogado comprando uma motosserra. Ele não sabe como ele é ridículo?

Em lugar de ensinar os homens a canalizar sua agressividade e espírito aventureiro de maneiras produtivas, pedimos-lhes para sufocar suas naturezas mais verdadeiras. Em vez de ensiná-los a proteger os outros, mentimos e declaramos que toda violência é má. Em vez de dizer a verdade de que homens e mulheres são diferentes, tentamos transformar homens em mulheres. Privilegiamos as histórias daqueles que achavam opressivas as normas tradicionais de gênero (como os gays e seus primos metrossexuais) e comemoramos o fim da masculinidade tradicional que vinha servindo melhor à grande maioria dos homens e dos meninos.

Não é possível preservar a masculinidade enquanto se demonstra compaixão por aqueles que não se conformam? Precisamos queimar tudo? Há poucos pontos de vista mais profundamente significativos do que ver um filho crescer com um bom pai, para vê-lo assumir as melhores características do seu pai, ao mesmo tempo forjar seu próprio caminho. É importante ver e saber que durante toda a vida desse jovem, seu pai não estava apenas o protegendo e nutrindo, ele também estava desafiando-o, empurrando-o para ser mais forte mentalmente, fisicamente e emocionalmente. Para esse fim, é hora de lembrar que a força é uma virtude, corretamente canalizada, a agressão cria e preserva a civilização em si, e não há nada de inerentemente tóxico sobre a masculinidade. A feminização de tudo não apenas atrapalha nossos meninos. No longo prazo, destruirá nossa nação.

David French

Nota do tradutor, Heitor De Paola:

[*] Parent 1 and Parent 2.

Publicado originalmente para o website National Review

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A catedral de Buenos Aires se tornou o cenário de atos de violência perpetrados por manifestantes feministas na noite de 08/03.

Para comemorar o dia da mulher as feministas resolveram despejar o seu amor a Igreja. O confronto iniciou quando quatro ativistas com os rostos cobertos jogaram pedras e objetos cortantes na fachada da catedral argentina e acenderam uma fogueira diante da tela de proteção montada para evitar danos ao edifício.

Sob gritos de “Iglesia, basura, vos sos la dictadura” (“Igreja, lixo, vocês são a ditadura”), manifestantes também picharam a tela de proteção com frase como “aborto legal”. Desta vez, a imprensa que é sempre tão amiga foi hostilizada. Os jornalistas do Todo Noticias, Canal 26 e C5N foram agredidos sob a justificativa de que os meios de comunicação estariam a favor da Igreja.

Um jovem católico que levava uma bandeira da Santa Sé foi agredido e empurrado por algumas feministas. Devido a hostilidade do movimento, algumas manifestantes tentaram afasta-lo para legitimar o movimento de intolerância religiosa.

A polícia, que estava entre a tela de proteção e a igreja, interveio com bombas de gás lacrimogênio e realizou algumas detenções, além de ter apagado o fogo.

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A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu nesta terça-feira, 29, uma nova jurisprudência e não viu crime na prática de aborto realizada durante o primeiro trimestre de gestação – independentemente do motivo que leve a mulher a interromper a gravidez.

A decisão da 1ª Turma do STF valeu apenas para um caso, envolvendo funcionários e médicos de uma clínica de aborto em Duque de Caxias (RJ) que tiveram a prisão preventiva decretada. Mesmo assim, o entendimento da 1ª Turma pode embasar decisões feitas por juízes de outras instâncias em todo o País.

Durante o julgamento desta terça-feira, os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber se manifestaram no sentido de que não é crime a interrupção voluntária da gestação efetivada no primeiro trimestre, além de não verem requisitos que legitimassem a prisão cautelar dos funcionários e médicos da clínica, como risco para a ordem pública, a ordem econômica ou à aplicação da lei penal.

“Em temas moralmente divisivos, o papel adequado do Estado não é tomar partido e impor uma visão, mas permitir que as mulheres façam a sua escolha de forma autônoma. O Estado precisa estar do lado de quem deseja ter o filho. O Estado precisa estar do lado de quem não deseja – geralmente porque não pode – ter o filho. Em suma: por ter o dever de estar dos dois lados, o Estado não pode escolher um”, defendeu o ministro Barroso.

Para que serve o Congresso? Reparem que sequer vem ao caso aqui se posicionar contra ou a favor do aborto. Isso não deveria importar tanto nesse momento. E o fato de pouquíssima gente pensar assim demonstra como os brasileiros têm pouco apreço pela democracia. O STF está usurpando o papel dos legisladores, e isso é despotismo “esclarecido”, ou, no caso, muito pouco esclarecido.

Um caso em Duque de Caxias acaba criando jurisprudência para o país todo, e eis que o aborto se torna legal até o terceiro mês de gestação, não por decisão dos representantes do povo num árduo processo de debates, mas pela canetada mágica de três ministros!

Barroso diz que não cabe ao estado tomar partido, mas tomou, e tomou por meio do STF, não do Congresso. Cabe ainda perguntar: e quem toma o partido do feto humano na barriga da mãe? Quem fala em “liberdade de escolha” ignora os direitos do próprio embrião humano.

O tema do aborto divide muita gente. Não vou entrar na questão em si, apenas constatar que julgo abominável o esforço de banalização de uma prática tão traumática por parte das feministas e “progressistas”. Que um assunto tão delicado assim, que envolve o futuro de vidas humanas, seja decidido de maneira tão concentrada e com total descaso pelo poder Legislativo é algo realmente chocante.

O STF precisa urgentemente regressar ao seu papel de guardião das leis, e não de formulador das leis, que definitivamente ninguém lhe concedeu. Chega desse ativismo judicial que joga no lixo a Constituição e a própria democracia.

Rodrigo Constantino

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No dia 15 de outubro, um pequeno grupo de cidadãos de Campinas se reuniu para uma tarefa de limpeza: apagar pichações que ensinavam a fazer um aborto.

Leiam o relato de Gabriel Vince, que organizou a ação. Espero que inspire outras pessoas a seguir este exemplo e agir.

***

Uma das coisas que mais impressionam na esquerda radical é a militância pelo aborto e sua eficiência na lavagem cerebral de seus seguidores. Conseguir que dediquem tempo, recursos e, em alguns casos, a própria vida a uma causa que desafia a própria natureza é espantoso.

Em minha cidade, Campinas, membros de coletivos feministas espalharam pelas ruas pichações que orientavam às mulheres como fazer um aborto.

Dispostos entre as receitas de como assassinar crianças no ventre, slogans evocando sororidade. Ausente nos dicionários de língua portuguesa, mas corrente entre a militância, a palavra remete a uma espécie de pacto entre mulheres baseado na empatia e no companheirismo. Empatia, pelo dicionário Aurélio, é a “tendência para sentir o que sentiria, se estivesse em situação vivida por outra pessoa”. O sentimento de empatia permite que sintamos as dores do próximo como se fossem nossas. Podemos, então, assumir atitudes para diminui-las, como faríamos se fossemos nós os sofredores. É por meio da empatia que exercemos a caridade. A caridade entre a militância feminista se expressa pelo incentivo à morte.

Sabemos dos pesares e dificuldades que podem acometer mulheres grávidas: rejeição familiar, abandono do cônjuge, falta de recursos. Diante dessas dificuldades, oferecer dinheiro, lar e apoio não são alternativas. Para acabar com os percalços por que poderiam passar as futuras mães, o conselho é simples: acabe com a vida. Um bebê morto não te acordará a noite, não precisará de fraldas, não exigirá que você desista de ir a uma festa e nem que pare seus estudos por um tempo. A solução parece simples; caso esteja sem recursos, é muito provável que as ‘manas’ te emprestem, contanto que os use para comprar medicamentos abortivos. É óbvio que ninguém vai se oferecer para pagar seu pré-natal.

Elas provavelmente não irão te informar sobre os estudos que relacionam o abortamento à depressão, observada em 60% dos casos, segundo a pesquisadora Mariana Gondim Mariutti Zeferino, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, nem alertar para o fato de que mulheres que passam por um aborto induzido têm 44% mais chances de desenvolver câncer de mama do que aquelas que nunca passaram pelo procedimento. A aliança estabelecida não tem como fim a vida das mulheres, sua saúde e bem-estar futuros. As feministas se associam em razão de uma causa, não umas pelas outras como seres humanos que sentem dores recíprocas e se oferecem ajuda. Na moralidade da revolução, oferecer a pessoas desesperadas uma solução criminosa com conseqüências inestimáveis é empatia e companheirismo.

O ato

A idéia de fazer o ato para apagar as pichações surgiu uma semana antes, enquanto passava pelo Centro da cidade. Comuniquei alguns amigos do Facebook sobre a presença de dois desenhos que ensinavam sobre o uso correto de um medicamento abortivo, um remédio tarja preta utilizado no tratamento de úlceras.

O principal componente desse medicamento é o misoprostrol, substância responsável por bloquear a ação da progesterona, hormônio produzido pelo corpo feminino que estabiliza o revestimento do útero. O enfraquecimento do tecido provoca a interrupção do suprimento de sangue para o bebê. Durante a gestação, a respiração é realizada através do sistema circulatório. É por isso que, neste caso, o bebê morre sufocado. A segunda parte consiste na remoção física da criança. Para isso, o medicamento abortivo em questão provocará contrações, cólicas e forte sangramento no útero. Esses mecanismos forçam a eliminação dos restos mortais, posto que fragmentos remanescentes podem provocar infecção e hemorragias. Algumas mulheres podem apresentar sangramento por mais de 30 dias após o abortamento.

Para esse trabalho, contei com o apoio dos amigos Luis Fernando Waib, Aldo Siqueira e Cíntia Salles, que se despuseram a ajudar com a doação de tinta, pincéis e trabalho. Sábado (15), nos encontramos na Catedral Metropolitana de Campinas e partimos para os locais determinados. A primeira pichação estava a pouco menos de 100 metros e a outra foi desenhada nas paredes de uma igreja evangélica, ao lado do prédio da prefeitura municipal da cidade.

Enquanto pintávamos as paredes, fomos interrompidos por duas mulheres, que nos agradeceram. Uma delas, inclusive, indicou a localização de outras pichações de mesma natureza. Sua atitude não contraria o esperado. Segundo o Datafolha, 87% dos brasileiros consideram a prática do aborto “moralmente errada”; entre as mulheres, esse número é ainda maior, chegando a 90% para as que possuem 41 anos ou mais. A mesma pesquisa revelou que pais de meninas adolescentes apoiariam que elas “mantivessem a gravidez em qualquer situação”; entre as mães, o número salta para 88%, enquanto 20% dos pais recomendariam que ela “tivesse o filho e se casasse com o pai da criança”. No caso das mães, esse número cai para 10%. Apenas 1% das pessoas aconselharia o aborto em qualquer situação. Os dados nos permitem concluir que, mesmo em situações consideradas socialmente indesejáveis, o brasileiro médio, tido por machista, preferiria que sua filha adolescente e solteira mantivesse a criança, porque considera o aborto imoral, rejeitando-o em proporção semelhante ao roubo e à corrupção.

O que podemos concluir?

O feminismo é um movimento restrito e político, que não defende os direitos femininos e não representa o desejo da maioria das mulheres.

Diante dessas verdades, aconselho a todos que se opõem à cultura da morte que organizem atos semelhantes. Eles têm o apoio da população e, sobretudo, das mulheres. Nós somos a maioria.

Gabriel Vince