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Bom dia:

Nós realmente não nos conhecemos, mas eu me sinto obrigado a escrever-lhe esta carta, tendo em vista nossa breve conversa depois da missa de domingo passado.

Sei que você se recordará de mim: sou aquele homem exausto, sem banho, que derramava o lanche, com alguns brinquedos pelo colo, sujo de vômito, equilibrista das chupetas daquele circo montado no banco da frente onde você estava na igreja.

Somos o motivo pelo qual as pessoas perdem a homilia. Somos o “amém” gritado aos quatro ventos no momento errado; o aperto de mãos com a cara feia na hora da paz…

Não tenho certeza de que você saiba disso, mas nós temos total consciência do modo como impactamos na experiência da missa dos demais.

Talvez não lhe pareça, mas cada vez que um de nossos filhos fala alto, deixa cair algo, brinca nos bancos ou enche a fralda, nós nos envergonhamos terrivelmente e suplicamos que isso não esteja distraindo os outros de sua oração íntima com Deus.

Percebo agora que provavelmente isso não fique evidente, porque no domingo passado você se sentiu inspirada pelo Espírito Santo (suponho) para vir me dizer que eu estava lidando mal com a situação.

“Você não sabe que há um lugar onde as crianças podem ficar? Será que você não poderia sair da próxima vez com a criança que fala alto? Por que você não diz aos seus filhos que eles não podem ficar dançando nos bancos durante o Evangelho? Acaso não sabe que as pessoas estão tentando rezar?”

Eu me sinto mal por não ter lhe respondido de forma mais ampla quando você veio com tais comentários. Para ser sincero, senti-me tão mal com seus comentários que não pude dizer mais do que “sinto muito”.

A caminho do carro, no entanto, minha cabeça começou a pulsar com todas as coisas que eu queria lhe dizer.

Oxalá lhe houvesse dito que os olhares tortos e os comentários críticos sobre as crianças fazem os pais refletir se deveriam mesmo trazer os filhos na missa.

Quisera lhe recordar Marcos 10, onde os discípulos repreendem os pais por terem levado os filhos até Jesus. Quem sabe você se recorda da reação de Jesus: “deixai vir a mim as crianças”.

Eu estava indignado.

Pudesse eu lhe recordar as palavras do Papa Paulo VI na Gaudium et Spes, em que nos recorda que “os filhos são realmente o maior presente do casamento”.

O motivo pelo qual todos temos de mudar nosso pensamento é que as crianças são maravilhosas justamente pelas razões que a aborrecem na missa.

Elas nos distraem, nos incomodam, nos dificultam a concentração em nossas prioridades, e por tudo isso fazem um trabalho duro para que sejamos santos.

Pudesse eu ter-lhe dito que os meus filhos, que tanto a aborrecem, podem ser exatamente o que Deus quer para você; uma forma de ajudá-la a superar o seu egoísmo e se santificar. Sei que isso é o que meus filhos fazem por mim.

Por fim, gostaria de lhe dizer que nossa fé católica é pró-vida. Talvez isso lhe seja inconveniente, mas as crianças barulhentas e os bebês exigentes são o resultado mais maravilhoso de uma vida “pró-vida”.

Quando penso em Jesus olhando para nossa paróquia, eu o imagino com um grande sorriso quando vê a homilia ser interrompida por algum ruído dos pequeninos.

Enquanto me preparo para ir este domingo à missa, me asseguro de ter em mente essas respostas para lhe dar quando a encontrar.

Mas eis que me dou conta de algo.

Talvez você não seja a senhora mal-humorada que odeia as crianças que eu imagino. Talvez suas queixas no fundo não tenham nada a ver com minha família. Talvez exista alguma dor profunda dentro da senhora que a tenha conduzido a me criticar.

Uma passagem da carta de São Paulo aos Filipenses me ajuda a recordar que devo suprimir, humildemente, os pensamentos sobre mim, considerando os demais mais importantes do que eu mesmo, cada um cuidando não só dos próprios interesses, mas também dos outros.

Fico pensando que seu comentário possa vir de algum sofrimento devido a uma experiência de infertilidade. Ou da tristeza de um marido distante, frio e indiferente. Ou do remorso por não ter feito da missa uma prioridade para os seus filhos, que talvez agora estejam distantes da fé…

Mas não fiz nada disso.

Pensei só em mim mesmo. Pior ainda, me desgastei pensando em como colocar a senhora no seu devido lugar.

Dessa forma, se vou sugerir a Deus que coloque à sua frente uma família bagunceira, também terei de admitir que Ele faça o mesmo comigo, colocando a senhora em minha vida.

Estará em mim a capacidade de aceitar o que Ele quer me oferecer através da senhora, aceitando isso como uma oportunidade que Deus me oferece de melhorar minha relação com Ele.

Eu sei que isso não é fácil, mas quero proceder assim.

Rezo pela senhora, e lhe peço que também reze por mim. Como pôde ver, eu preciso muito.

Tommy Tighe

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Uma pesquisa recente desenvolvida por pesquisadores de diferentes universidades norte-americanas constatou o que o bom senso já era capaz de supor. Frequentar atividades religiosas desde a infância é um dos hábitos mais eficazes para evitar o uso de drogas ou abuso de álcool na adolescência e juventude.

O estudo foi liderado pela doutora Michelle Porche e publicado num congresso acadêmico sobre superação de vícios, na Chester University, Reino Unido. Os pesquisadores concluíram que uma infância religiosa contribui para que o futuro jovem não tenha comportamentos de risco e acrescenta que “a religiosidade pode ser especialmente protetora durante o período de transição da adolescência à fase adulta”.

Não basta, contudo, simplesmente “crer”, destaca a pesquisa. A religiosidade prática, que inclui a participação frequente em celebrações, cultos ou missas, por exemplo, é o que está relacionada ao desenvolvimento de hábitos mais saudáveis e menor propensão aos vícios. “Uma maior assistência à Igreja nesses períodos da vida [infância e adolescência] pode proteger o jovem do uso precoce de álcool e contra o desenvolvimento de problemas relacionados com o alcoolismo”, diz o texto da pesquisa.

O levantamento usou como amostra 900 jovens de 18 a 29 anos. Nas conclusões, os pesquisadores propõem que as igrejas intensifiquem seu trabalho com jovens nos temas álcool e drogas, além de sugerir que os profissionais de saúde que lidam com dependentes químicos adotem elementos de prática espiritual com os pacientes que não se opuserem.

É possível fazer o download da íntegra do estudo em inglês aqui.

Fonte

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Sob as asas indulgentes de pais pretensamente diligentes e amorosos, desenvolve-se uma espécie humana incapaz de conviver com a frustração; insaciável em suas necessidades de atenção; dependente de cuidados, básicos ou sofisticados; impossibilitada de enxergar outro ponto de vista que não o seu; voraz e corruptível. A superproteção familiar impede o indivíduo de criar suas próprias ferramentas de sobrevivência, interlocução, compaixão e convivência. Estamos criando uma geração de fracos tiranos ou de tiranos fracos, capazes de qualquer artifício para terem seus desejos atendidos.

Perigosa estratégia essa de trocar autoridade amorosa por permissividade vazia. Substituir a presença física e real por bens materiais contribui para a formação de indivíduos que não hesitariam em sacrificar pessoas para conseguir coisas. Será que somos tão distraídos emocionalmente a ponto de abrigarmos monstros egoístas sob nossas próprias asas e não nos darmos conta disso?

O inegável cenário de violência em que a maioria de nós vive, cria elementos mais do que concretos para que alimentemos um justificado temor pela segurança de nossas crianças. É fato que muitos de nós teve a oportunidade de fazer pequenas incursões pelos arredores de casa, experimentando a cada nova aventura, o sabor da conquista da maturidade. Há cerca de 40 anos atrás, mesmo em cidades grandes e movimentadas, era comum as crianças “maiorzinhas” (10 ou 12 anos), irem sozinhas à padaria, à banca de jornal, à casa de algum amigo mais próximo ou mesmo à escola. Ouvíamos de nossos pais alguns conselhos como “Não fale com estranhos!” ou “Não aceite ‘nada’ de estranhos, como balas ou chocolates!”. Nossos pais temiam pela nossa segurança e procuravam nos preparar para enfrentar alguns perigos previsíveis. É claro que, mesmo naquela época, ouvíamos notícias de crianças sequestradas; abusadas; até mesmo desaparecidas e mortas. Mas a verdade é que esses acontecimentos eram uma exceção. Hoje, não são mais. O perigo é real, isso é indiscutível. Há muito tempo as crianças deixaram de ter medo do “homem do saco” para ter medo do bandido armado.

Assim, nossas crianças muitas vezes são privadas de experiências de vida em detrimento de sua segurança e integridade física. Até aí, nada de errado. Cabe aos pais garantir que seus filhos recebam proteção, atenção e amor. Os problemas começam quando a dosagem desses atributos perde o valor original e extrapola os limites de uma educação descolada do mundo real, onde há o enfrentamento de situações adversas e imprevistas. É bastante frequente observarmos que os responsáveis sofrem com a dificuldade de estabelecer o que é cuidado, o que é exagero, o que é pseudo-cuidado e o que é negligência.

É importante termos em vista que a maneira como nos enxergamos na infância, baseia-se na forma como somos tratados pelos adultos responsáveis por nós. As experiências sociais da infância determinam a maneira como vamos interagir com o mundo na fase adulta. A consciência do nosso valor pessoal é construída na interação, primeiro com nossa família nuclear, independente de como ela seja formada; depois, na interação com os outros. Os adultos responsáveis pela nossa educação darão o tom às nossas percepções de respeito, ética, compaixão e liberdade.

Quando somos crianças, aceitamos como correto o modelo oferecido pelos adultos que são responsáveis por nós. Crianças tratadas com agressividade e intolerância acabam acreditando que merecem esse tratamento e o reproduzirão. Crianças negligenciadas crescem com a dolorosa sensação de que suas necessidades não são importantes. Adultos demasiado exigentes, críticos e autoritários fazem a criança sentir-se inadequada, incapaz e indigna de confiança; quando não são ouvidas, elas crescem inseguras e dependentes. O pseudo-cuidado, que caracteriza aquela presença física, porém ausente de atenção (adultos que não desgrudam do celular, por exemplo), provoca na criança uma confusa sensação a respeito de seu papel na relação e do espaço que ela ocupa; ela se percebe como desimportante e até incômoda. O cenário em si já é complicado; no entanto, há ainda a confusão estabelecida entre atenção afetiva e superproteção. Engana-se quem acredita que a superproteção garante um saudável desenvolvimento para a criança. As crianças superprotegidas acreditam que os adultos resolvem tudo por elas e atendem todas as suas vontades porque elas são incapazes. Adultos superprotetores formam crianças desconfiadas de suas próprias capacidades e habilidades, além de dependentes do cuidado e da aprovação do outro. Já adultas, elas acreditarão que o mundo será exatamente assim: sempre pronto a satisfazer seus desejos e compreender suas demandas.

A superproteção pode representar um bloqueio para o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo das crianças. Adultos responsáveis excessivamente protetores fazem com que os pequenos sintam-se pouco estimulados a interagir com o mundo. A timidez, por exemplo, é uma consequência de posturas repressoras apresentadas na educação familiar. Outro ponto importante é o fato inegável de que as crianças superprotegidas terão dificuldades para adquirir autonomia; lidar com o medo; enfrentar situações imprevistas; tomar iniciativas ou decisões. Além da possibilidade de virem a se tornar adultos reclusos ou distantes da realidade, que julgam injusto terem de batalhar para alcançar o que desejam e não serem premiados por cumprir com suas responsabilidades e compromissos.

É de extrema importância que, no caso de termos decidido assumir a responsabilidade pela educação de uma criança, termos em mente que a nossa postura em relação à sua formação, contribuirá fortemente para o tipo de adulto que ela virá a ser. Precisamos entender que somos modelos em nossas atitudes, muito mais do que em nossos discursos. Criança precisa de escuta ativa; afeto; limites claros e justos; honestidade nas relações; aceitação de suas limitações; incentivo diante das dificuldades; valorização das habilidades; satisfação de suas necessidades de alimento, sono, descanso e brincadeira; liberdade assistida e orientada. Parece muito?! Mas, não é. No fundo, elas não precisam ser colocadas sob nossas asas. Elas precisam que sejamos inteiros o suficiente para ensiná-las a voar com suas próprias, respeitando o espaço aéreo das demais.

Autora: Ana Macarini – Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. 
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Abigail é um bebê que tem causado comoção em toda a internet. Com 18 semanas de gestação o casal descobriu que a bebê tinha Síndrome de Down, foi um susto, mas não encaram isso como um bicho de sete cabeças. 
“Nós estávamos empolgados e honrados de ter uma criança com necessidades especiais“, Erika escreve em seu blog.
Mas na 30ª semana, os médicos disseram que a bebê era portadora de um câncer raro no cérebro e que ela não teria muito tempo de vida. 
“O neurocirurgião recomendou que nós levássemos Abigail para casa e a cobríssemos de amor”, comentou os pais. 
Foi então que os pais tiveram a brilhante ideia de realizar um ensaio fotográfico para que pudessem de lembrar de Abigail e levá-la sempre em seus corações. Mas o que há por trás disso tudo é muito mais poderoso e emocionante do que o impacto causado pelas imagens.
 
“Nós enchemos essa pequena com amor e beijos e continuaremos fazendo isso em todos os momentos que tivermos. Nós não queremos perder nossa filha. Nós queremos vê-la rindo, dançando, brigando com sua irmã, andando de bicicleta, indo para a escola. Nós queremos ver a vida dela. Mas provavelmente sua vida será de semanas ou meses, não anos. Nossos corações estão quebrados com dor pelo tempo que não temos”, disse o casal.
Confira algumas fotos do ensaio abaixo: 
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Atualizando a notícia:
Você se lembra do caso da bebê Abigail, que tem síndrome de Down e nasceu com um tumor aparentemente inoperável no cérebro? Seus pais, Erika e Stephen Jones, fizeram até um ensaio para registrar seu tempo com a pequena, já que, segundo os médicos, ele não seria muito longo…

Mas hoje, com 2 meses de vida, a bebê contrariou todas as expectativas e segue feliz e risonha, com muita vida pela frente.

Seus pais souberam que a filha tinha um tumor fatal quando Erika ainda estava grávida. Por isso, desde que Abigail nasceu, eles se programaram para curtir ao máximo os momentos que teriam com ela. Mas os dias foram passando e o casal começou a perceber que a bebê estava se desenvolvendo a crescendo forte a cada dia. “Ela comia, ganhava peso e parecia ótima”, contou Erika à WCVB, de Boston. “Definitivamente, não parecia estar morrendo de forma alguma”.

Por isso, o casal, que vive no estado da Flórida, decidiu procurar por uma segunda opinião e encontrou, em Boston, o neurocirurgião Alan Cohen, do Boston Children’s Hospital. “Há alguns tumores que, às vezes, parecem malignos mas não são”, explicou o médico. Cohen acreditou que não havia evidências suficientes para crer que Abigail teria tão pouco tempo de vida. “Eu disse (aos pais): ‘Por que vocês não vêm até aqui, nós damos uma olhada e talvez possamos tirar isso daí”.

Dito e feito.

Abigail foi submetida a uma operação para retirar o tumor. E tudo correu bem: “Quando o Dr. Jones saiu da cirurgia e disse que tinha removido todo o tumor, foi como se Abigail tivesse nascido de novo!”, declarou Erika.

Vida longa à pequena Abigail!

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Curiosidades/noticia/2015/10/bebe-com-tumor-dito-inoperavel-e-curada.html

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Desde o dia em que a foto do seu lindo rostinho, chupeta na boca e olhar assustado na Sala do Sínodo, apareceu na mídia do mundo inteiro, ele se tornou a estrela da assembleia sinodal de 2015: Davide Paloni, 4 meses, rebatizado o ‘Padre sinodal mais jovem da história’. Logo a atenção mundial se concentrou sobre seus pais: papai Massimo e mamãe Patrizia fotografada no Vaticano com carrinho e mamadeira.

Sobre eles, muito se escreveu na primeira semana do Sínodo: os 12 filhos (seis homens e seis mulheres: “Davide empatou o placar”); a partida para a Holanda, 11 anos atrás; a experiência de família missionária do caminho Neocatecumenal, em Maastricht. Contudo, só encontrando pessoalmente esses dois jovens pais de Roma – ele com 45 anos, ela com 41, podemos compreender realmente como é uma pessoa que saboreou o amor de Deus em sua vida.

Dá para perceber no modo sereno de falar e de relacionar-se com os outros. Na tranquilidade da mãe Patrizia enquanto toma conta do pequeno recém-nascido (durante toda a entrevista não parou de balançar Davide, que chorava) e, a distância, dos demais 11 filhos que ficaram na Holanda: ”Ajudam-se mutuamente – diz – os mais velhos acompanham os mais novos, os ajudam nas tarefas escolares.  Há uma grande harmonia e também uma grande alegria.” Mas sobretudo impressiona a alegria que brota dos olhos de Massimo quando conta que a escolha – para todos absurda – de abandonar sua vida agitada, seu trabalho de gerente, a fim de mudar-se para um país estrangeiro e anunciar o Evangelho, chegando a trabalhar até como faxineiro para sobreviver, preencheu a sua vida e a de toda a sua família.

“A nossa experiência de missão brota da gratidão ao Senhor por tudo aquilo que realizou em nossas vidas. Deus veio em nosso auxílio nos momentos difíceis da nossa vida e do nosso casamento…”, explica a Zenit. Massimo, filho de missionários – diga-se de passagem, sempre na Holanda – oriunda da paróquia de São Luís Gonzaga, dos Parioli, bairro nobre de Roma, já estava acostumado à missão.

Para os filhos, inicialmente, a “aterrissagem” foi mais difícil. “Partimos quando ainda eram pequenos. Cinco nasceram em Roma, os demais em Maastricht”. No entanto, diz o chefe de família, “foi belo, porque também nas primeiras dificuldades, como aprender o idioma, integrar-se na escola, na sociedade etc., entenderam que havia um sentido na missão que estávamos vivendo, que não estávamos sofrendo em vão e que existia um bem maior”.

A esses filhos – o mais velho com 19 anos, e os demais com idades diferentes, Massimo e Patrizia transmitem a fé: “Juntos, rezamos as Laudes no domingo de manhã, quando, à luz da Palavra de Deus, temos um diálogo com eles, para compreender se há problemas, crises, para pedir-nos perdão e reconciliar-nos: os pais com os filhos, e os filhos entre eles. É também uma oportunidade para passar a nossa experiência”.

Essa experiência, Massimo compartilha-a um pouco também conosco. “Trabalhava como gerente da Hewlett-Packard. Tinha carro, computador, smartphone da firma, viajávamos para assistir a jogos esportivos internacionais, todas ‘coisinhas muito lindas’… No dia anterior à nossa partida, devolvi tudo. Depois, “ao chegar à Holanda, pensei: ‘logo encontrarei um trabalho, tenho um bom currículo, falo tantas línguas’. Deus, porém, mostrou-nos que é Ele quem leva adiante a missão, conforme o tempo dele e do jeito dele. Pois, no começo, tive de me arranjar: trabalhei como faxineiro por um tempo; depois, trabalhei num call center… Mais tarde, o trabalho de evangelização aumentou, e, hoje, somos catequistas itinerantes, com dedicação exclusiva à evangelização”.

“E do que vocês vivem?”, é a pergunta que surge espontânea. “De providência”, responde, à queima-roupa, Massimo, “manifestada concretamente na ajuda da nossa comunidade”. “Partimos verdadeiramente sem nada: tínhamos alguns colchões; as caixas de mudança nos serviam de criados-mudos”, narra Patrizia. “Contudo tem sido extraordinário, porque nos tornamos espectadores das surpresas de Deus. Um dia, por exemplo, nos chamou uma imobiliária que nos disse: ‘Apareceu aqui uma pessoa que viu que vocês não têm guarda-roupa. Venham aqui para escolher o guarda-roupa de sua preferência…’. Para não falar das sacolas de compras anônimas que encontrávamos do lado de fora da casa”.

Os holandeses – que, segundo os estereótipos, são tolerantes até que você não invade o território deles– acolheram com entusiasmo esse “timão” itinerante. “Ficam favoravelmente impressionados com a nossa família”, atesta o casal. “Quando nos veem, nos interrogam. Surge, então, a oportunidade para dar-lhes o nosso testemunho e uma palavra”.

Os Paloni receberam uma acolhida positiva também no Sínodo. “Fantástico!”, exclama Massimo, “todos nos reservaram uma recepção excepcional, começando pelo Papa, que, quando nos viu, ficou contentíssimo, nos sorriu e abençoou toda a família; depois, a Secretaria, os bispos, os cardeais e os demais participantes. Acolheram-nos como a Jesus”.

O mérito é também de Davide. Mamãe e papai sorriem: “Este menino provoca alegria, ternura… Chamam-no de “o menino sinodal”, dizem com orgulho. “Achamos que Deus quis que estivesse presente na assembleia”. “Patrizia – explica o marido – já estava grávida quando a Secretaria, por intermédio da nunciatura holandesa, entrou em contato conosco, mas não tínhamos calculado os tempos e não nos demos conta de que Davide haveria de nascer tão próximo à data do Sínodo… Acho que, dentro das suas limitadas possibilidades, Davide esteja desempenhando um ótimo serviço, pois manifesta a beleza da família”.

“E vocês, que serviço estão prestando ao Sínodo?”, perguntamos-lhes. “Estamos aqui como família missionária, trazendo a nossa experiência. Na nossa intervenção, falaremos da nossa vida e da nossa fé, e do que há por trás, de como tudo começou, de como crescemos graças ao Caminho Neocatecumenal, que nos ajudou a compreender e viver em profundidade a doutrina da Igreja”. “Sobretudo o que a Igreja nos ensina com a Humanae Vitae”, continua Massimo, explicando como a abertura à vida tenha sido para eles “não um peso, mas uma graça que nos deu muita alegria”. “Somos pessoas normais que vêm de um caminho de iniciação cristã, que nos ajudou a aprofundar e desenvolver a nossa fé. Isso permitiu que pudéssemos nos abrir à vida, apesar do nosso egoísmo, dos nossos defeitos…”.

O Sínodo será, portanto, a oportunidade para “dar glória a Deus, falando dos presentes que Deus nos deu, diante dos representantes das Igrejas do mundo inteiro”. Mas será também a ocasião para receber alguma coisa: “É verdadeiramente interessante ouvir pessoas tão qualificadas debater sobre um tema fundamental como a família”, diz Patrizia. “Percebe-se que os pastores têm um forte desejo de ajudar a família, de promovê-la. Há um grande zelo. Isso é o que, até agora, nos marcou mais”. Também, prossegue, “impressionou-me tamanha comunhão que se criou com as demais famílias. Cada uma traz uma experiência diferenciada, por sua origem e por seu caminho de fé, mas nos une um mesmo espírito. Somos tantas famílias, e nunca nos encontramos antes; conhecemo-nos há poucos dias, mas, imediatamente, Deus criou entre nós a comunhão”.

“E entre todas essas numerosas famílias, vocês acham que são como que um modelo?”. “De jeito nenhum – afirma Massimo – eu certamente não… No mundo, há tantas famílias como a nossa. E, se em nós alguém enxerga algo bonito ou exemplar, é por graça de Deus e não por nosso mérito”.

Lila May Schow tem apenas 5 anos e mora em Oregon, nos Estados Unidos.A pequena foi diagnosticada com estágio quatro de um câncer (neuroblastoma) que incide no sistema nervosa central.

Em 3 anos, Lila passou por diversos tratamentos para combater a doença que incluíram quimioterapia, radioterapia, cirurgias, transplantes, etc. Uma luta que, com certeza, causou muito sofrimento à menina e a seus pais.

A família se apoiou em todas as esperanças, mas os médicos decidiram se abrir com sinceridade: Lila não seria capaz de suportar mais tratamentos e não teria muito tempo de vida.

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Foi assim que os pais, Heidi Hall e Ryan Schow, realizaram o último aniversário de sua filha- uma comemoração especial realizada por meio de doações e com direito a personagens de desenhos infantis.

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O papa irá participar do Encontro Mundial das Famílias, que será realizado de 22 a 27 setembro de 2015, na Filadélfia. Esta será a primeira visita do Papa Francisco aos Estados Unidos.  Os papas têm frequentemente ido ao Encontro Mundial das Famílias, que tem acontecido em todo o mundo a cada três anos desde 1994. As reuniões são organizadas pela diocese local juntamente com o Pontifício Conselho para a Família. A última foi em Milão, em 2012, e contou com 1 milhão de pessoas na celebração da missa papal.

A reunião também se encaixa bem no desejo do Papa Francisco de ter uma conversação de um ano na Igreja sobre a família em preparação para o Sínodo dos Bispos, em outubro de 2015.

Com base na experiência do passado, a reunião terá um caráter tríplice: catequese, celebração e oração.

Catequese

A preparação para a parte catequética ou ensinamento do Encontro Mundial das Famílias já está em pleno andamento. A arquidiocese da Filadélfia encomendou um catecismo preparatório, O amor é a nossa missão: A família plenamente viva, que está disponível em inglês e espanhol, com planos de aula do Ensino Fundamental ao Ensino Médio.

De acordo com o site do encontro, o catecismo é “uma coleção sobre aquilo que os católicos acreditam sobre o propósito humano, matrimônio e família. A catequese, como o Encontro Mundial das Famílias, é para pessoas de todas as idades em todas as fases da vida”.

Ela apresenta “o que a Igreja Católica ensina tradicionalmente, então não é algo novo”, mas enfatiza que “o amor é a nossa missão, e é através do amor a Deus e aos outros que seremos plenamente vivos”.

Os tópicos do catecismo, conforme descrito no site do encontro, serão refletidos nos temas da reunião:

1. Criados para a alegria. Somos mais do que um acidente da evolução. Somos maiores do que a soma de nossa biologia. Deus existe. Ele é bom. Ele nos ama. Ele nos fez à sua imagem para compartilharmos de sua alegria. Ele tem uma participação ativa em nossas vidas. Ele enviou seu único Filho para restaurar nossa dignidade e nos levar para casa com ele.

2. A missão do amor. Deus trabalha através de nós. Temos uma missão. Estamos no mundo para um propósito – para receber o amor de Deus e para mostrar o amor de Deus aos outros. Deus busca curar o universo fragilizado. Ele nos pede para sermos suas testemunhas e seus ajudantes nesse trabalho.

3. O significado da sexualidade humana. O mundo corpóreo, terreno e tangível é mais do que uma matéria inerte ou uma massa de modelar para a vontade humana. A Criação é sagrada. Tem significado sacramental. Ela reflete a glória de Deus. Isso inclui os nossos corpos. Nossa sexualidade tem o poder de procriar e tem a dignidade de ter sido criada à imagem de Deus. Precisamos viver em conformidade.

4. Dois se tornam um. Não fomos feitos para vivermos sozinhos. Os seres humanos necessitam uns dos outros e se completam. A amizade e a comunidade satisfazem esse anseio com laços de interesse comum e de amor. O casamento é uma forma excepcionalmente íntima de amizade que chama um homem e uma mulher para amarem-se na forma da aliança de Deus. O casamento é um sacramento. O amor conjugal é fecundo e oferecido sem reserva. Este amor é a imagem da fidelidade de Jesus à Igreja.

5. Criando o Futuro. O casamento deve ser fértil e acolher novas vidas. As crianças moldam o futuro, assim como elas mesmas estão sendo moldadas em suas famílias. Sem crianças, não pode haver futuro. Filhos criados com amor e orientação são a base para um futuro amoroso. Crianças feridas pressagiam um futuro ferido. As famílias são a base para todas as comunidades maiores. As famílias são igrejas domésticas, lugares onde os pais ajudam as crianças a descobrir que Deus as ama e tem um plano para a vida de cada um.

6. Todo amor produz frutos. Nem todos são chamados ao matrimônio. Mas cada vida é chamada a ser fértil. Toda vida tem o poder e a necessidade de nutrir uma vida nova – se não for através de gerar e criar os filhos, então, através de outras formas vitais de autodoação, construção e serviço. A Igreja é uma família de vocações diferentes, distintas, mas que necessitam e apoiam umas às outras. O sacerdócio, a vida religiosa e a vocação laical celibatária enriquecem e são enriquecidos pelo testemunho do estado matrimonial. Os diferentes modos de ser casto e celibatário fora do casamento são formas de doar a própria vida ao serviço de Deus e à comunidade humana.

7. Luz em um mundo escuro. Na melhor das hipóteses, a família é uma escola de amor, justiça, compaixão, perdão, respeito mútuo, paciência e humildade em meio a um mundo escurecido pelo egoísmo e pelo conflito. Dessa forma, a família ensina o que significa ser humano. No entanto, muitas tentações surgem de forma a tentar nos convencer a esquecer que homem e mulher são criados para aliança e comunhão. Por exemplo, a pobreza, a riqueza, a pornografia, a contracepção, os erros intelectuais filosóficos, entre outros podem criar contextos que desafiam ou ameaçam a vida familiar saudável. A Igreja resiste a essas coisas a fim de proteger a família.

8. Um lar para os corações feridos. Muitas pessoas, especialmente hoje, enfrentam situações dolorosas resultantes da pobreza, deficiência, doença e vícios, desemprego e a solidão da idade avançada. Mas o divórcio e a atração pelo mesmo sexo impactam a vida da família de diferentes mas poderosas maneiras. Famílias e redes de famílias cristãs devem ser fontes de misericórdia, segurança, amizade e apoio para aqueles que lutam com essas questões.

9. Mãe, mestre, família: a natureza e o papel da Igreja. A Igreja tem formas institucionais, porque ela precisa trabalhar no mundo. Mas isso não esgota a sua essência. A Igreja é a Noiva de Cristo, um “ela”, não um “isso”. Nas palavras de São João XXIII, ela é nossa mãe e mestra, nossa consoladora e guia, a nossa família da fé. Mesmo quando o seu povo e os líderes pecam, ainda precisamos da sabedoria da Igreja, dos seus sacramentos, apoio e proclamação da verdade, porque ela é o corpo de Jesus no mundo; a família do povo de Deus em larga escala.

10. Escolhendo a vida. Deus nos fez por uma razão. Seu amor é a nossa missão de vida. Esta missão nos permite encontrar a nossa verdadeira identidade. Se escolhermos abraçar esta missão, vamos ter uma nova perspectiva sobre muitas questões, não apenas sobre a família. Para viver a missão da Igreja doméstica significa que as famílias católicas, às vezes, vivem como minorias, com valores diferentes de sua cultura circundante. Nossa missão de amor vai exigir coragem e força. Jesus está chamando, e podemos responder, escolhendo uma vida de fé, esperança, caridade, alegria, serviço e missão.

Durante o encontro, também haverá catequese. Importantes palestrantes irão definir um tema seguido por sessões lideradas por outros palestrantes. A agenda inclui a participação, dentre outros, dos seguintes palestrantes:

• Pe. Robert Barron, “Vivendo como a imagem de Deus: Criados para a alegria e o amor”
Cardeal Sean O’Malley, “A Luz da Família em um Mundo das Trevas”
• Helen Alvaré, “Criando o Futuro: A fertilidade do amor cristão”
• Juan Francisco de la Guardia Brin e Gabriela N. de la Guardia, “Um dom de Deus: o significado da sexualidade humana”
Cardeal Luis Antonio Tagle, “A Família: Lar dos Corações Feridos”
Cardeal Robert Sarah, “A Alegria do Evangelho da Vida”

Celebração e oração

O Encontro Mundial das Famílias é mais do que um evento educacional. Ele é também uma celebração da vida familiar, das famílias e de suas contribuições para o mundo. Os católicos gostam de festa, e as famílias católicas de todo o mundo se reunirão na Filadélfia para comemorar com seus estilos distintos e costumes próprios, porém ainda assim como membros de uma mesma família católica, a qual chamamos de Igreja.

Parte dessa celebração será em oração e liturgia, com a celebração da missa todos os dias. 

Fonte: National Catholic Reporter

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Como qualquer observador de pássaros pode dizer-lhe, por vezes, as coisas mais óbvias são as mais difíceis de se ver, e o casamento não é exceção. É por isso que tantas pessoas estão levando o casamento de volta aos seus princípios. Tendo já explorado todas as possibilidades do que um casamento pode ser  – hetero ou gay, permanente ou temporário, sexuado ou assexuado, monogâmico ou polígamo, adicionando ou subtraindo ad infinitum – redescobrimos uma compreensão do casamento que é tão antiga (sem tecnologia sexual, sem operações, sem Supremos Tribunais) que é  nova outra vez.

Pegue seus  Binóculos: Duas Visões

Seja novo na observação de pássaros ou um perito experiente, pode-se dizer com segurança que todo mundo acredita em igualdade no casamento: acreditamos que os governos devem tratar igualmente todos os casamentos. O que nós podemos discordar é o que é um casamento. Ken Myers, locutor da Mars Hill Áudio Journal, observou que quando um governo toma medidas para proteger ou preservar ou evitar alguma atividade ou problema, ele deve primeiro ser capaz de definir a coisa em questão. Assim, quando um governo decide proteger as terras pantanosas, por exemplo, ele deve primeiro definir o que é uma terra pantanosa, o que qualifica um determinado espaço como sendo uma “terra pantanosa”.  Assim também com o casamento. Se um governo deve fornecer apoio público para o casamento, tal governo deve ter alguma definição do que é o casamento.

Então, o que constitui um casamento? Os autores de O que é o Casamento? observaram que o debate é essencialmente entre duas visões de casamento: a visão conjugal e a visão revisionista.

Por que o casamento existe?

A visão conjugal dá uma resposta: bebês. Casamento existe porque os seres humanos se reproduzem sexualmente, e a descendência humana é melhor criada com a mãe e pai biológicos. Embora nem todos os casamentos produzam descendentes, e embora o casamento tenha muitos outros bens e fins, o casamento é diferente em espécie de outros relacionamentos, porque outros relacionamentos não concebem e criam filhos tão adequadamente. O casamento surgiu porque os seres humanos se reproduzem sexualmente, e porque as crianças humanas exigem uma quantidade incalculável de nutrição e educação. Assim, o casamento é a instituição que une um homem e uma mulher como marido e mulher para ser mãe e pai de todas as crianças que nascem dessa união.

Contra isso, a visão revisionista é que, independentemente do que era antes, o casamento é hoje um vínculo emocional amoroso, um “companheirismo sexual romântico” ou “parceria doméstica”, uma coisa diferente de outros relacionamentos não em espécie, mas em grau, pela intensidade de realização emocional ou sexual. No fraseado do advogado do mesmo sexo John Corvino, o casamento é uma relação com “Sua Pessoa  Preferida”.

Então. É casamento entre homossexuais, heterossexuais, ou ambos? É casamento monogâmico ou polígamo? É casamento a união conjugal de um marido e uma esposa para toda a vida, normalmente para a procriação e provisionamento de progênie, pela vitalidade e saúde da sociedade … ou é o casamento simplesmente uma ligação sexual romântica entre quem, quando e por quanto tempo lhes apetecer?

Vamos dizer que um grupo de pessoas, todo misturado, afirma que são casados. São estes pombinhos realmente casados? É este um casamento real ou uma imitação? Aqui estão quatro perguntas simples que irão ajudá-lo a identificar um casamento real, quando você vê um.

1) O casamento pode  ser consumado?

Por que o casamento é sexual? O casamento é uma ampla cooperação na vida doméstica, mas o assentamento não é a característica distintiva do casamento. Ao contrário de amizades, que são uma relação de corações e mentes, e ao contrário de colegas da faculdade que simplesmente compartilham um espaço de vida, o que faz um casamento tão especial e único é que ele também é uma relação corporal. Robert P. George lembra que, historicamente, um casamento não era considerado válido até que tivesse sido consumado pelo ato que preenche as condições de comportamento da procriação, até que o marido e a esposa tivessem se tornado “uma só carne”.

Como duas pessoas podem tornar-se “uma só carne”? Dois seres humanos tornam-se genuinamente uma só carne no ato gerador. Nós digerimos os alimentos, nós caminhamos, nós pensamos, como indivíduos separados. Mas a reprodução sexual é diferente. A relação sexual é um ato único, mas é realizado por dois seres humanos, não como indivíduos, mas como pares, como macho e fêmea. Acasalamento nem sempre produz filhos: nossa lei sempre entendeu isso, e nunca tratou a infertilidade como uma barreira para o casamento ou como um fundamento de anulação legal; mas tem sempre tratado a falta de consumação como base para uma anulação legal. Um casamento não está completo até que seja consumado.

O casamento é diferente de outros tipos de uniões sexuais ou românticas não apenas em grau de intensidade, mas diferente em espécie: ele pode produzir e criar uma prole.

Isso não quer dizer que a intimidade sexual e o prazer não são significativos em si mesmos, pois mesmo quando a concepção não é alcançada, a união corporal o é. Dois homens, duas mulheres, e grupos não podem alcançar a união do corpo porque não existe nenhuma função para a qual seus corpos podem ser coordenados. Embora parceiros do mesmo sexo possam se envolver em atos que levam ao orgasmo, eles não podem tornar-se um princípio reprodutivo único; eles não podem se unir de uma forma que até mesmo casais inférteis podem unir-se em atos que preencham as condições de comportamento de procriação.

E é  só por que um homem e uma mulher podem se tornar um par acasalado, e não porque os seres humanos desejam intimidade ou amizade ou liberação da tensão sexual – foi que o casamento veio a existir. No entanto, o raciocínio da Suprema Corte Americana transforma o casamento em uma especialmente intensa relação emocional com sua Pessoa Preferida, e uma definição de tal modo subjetiva, tão dependente de sentimentos pessoais, gostos ou opiniões, é dificilmente viável para a sociedade. O casamento é mais do que se empoleirar.

O que nos resta agora que a Suprema Corte abandonou a definição conjugal do casamento e abraçou a ideia do casamento como um companheirismo sexual romântico com sua Pessoa Preferida? Nós não podemos explicar por que o casamento deve ser uma relação sexual. Nós não podemos explicar porque duas pessoas não poderiam muito bem considerar a característica central  da integração de seu casamento misturar coquetéis juntos ou pescar ou  algum outro interesse que não seja sexual.

Mas por que, então, deve o estado ser envolvido em tudo? Governo não é normalmente investido em relacionamentos de amigos comuns, ou irmãos, ou primos, ou jogadores de tênis, ou clubes de leitura das pessoas. Ainda mais, se o casamento é apenas um compromisso com Sua Pessoa Preferida, por que um casamento deveria sexual?

O governo se preocupa com a civilização, e o casamento é a base da civilização. O governo não se preocupa com as parcerias românticas das Pessoas  Preferidas.  Como autor Ryan T. Anderson coloca, o governo não está no “negócio de companheirismo intenso.” Historicamente, o governo tem se preocupado com o casamento porque o casamento está ligado à procriação e educação dos filhos de uma forma muito natural e fundamental que é boa para a sociedade.

Aqui está uma visão panorâmica: Cada criança é gerada por um homem e nascida de uma mulher, e cada criança tem o direito de ser criado por sua mãe e pai biológicos. Quem somos nós para privá-la preventivamente desse direito através da normalização do casamento entre homossexuais?

2) ‘É’ Dois?

Um bando de gansos pode ter qualquer número. Não é assim com o casamento. Por que o casamento é um vínculo de duas pessoas, e não cinco ou oito? Mais uma vez, por mais estranho que possa parecer para nós hoje, a resposta curta é: bebês. Quantas pessoas são necessárias para fazer um bebê?

É verdade: o marido e a mulher compartilham uma vida comum que não é apenas física, mas também financeira, emocional, moral, intelectual e espiritual. Mas a abrangência desta partilha é distinta de outros tipos de relacionamentos na sua adequação exclusiva para gerar e educar os filhos.

Casamento, historicamente entendido, é uma união reconhecida pela sociedade que formaliza direitos legais e obrigações entre o marido e a mulher, os pais e a criança, e a família e a comunidade. Este reconhecimento não é apenas necessário para o benefício dos cônjuges, mas especialmente para o benefício de todas as crianças o casamento pode produzir.

Três ou quatro pessoas podem optar por estimular sexualmente um ao outro, mas eles não podem tornar-se um princípio de reprodução única. A ideia de que o casamento é a união conjugal de um marido e uma esposa emerge da natureza humana e, portanto, é universal. Apenas um homem e uma mulher podem tornar-se “uma só carne”.

A definição revisionista do casamento não pode explicar por que o casamento deve ser a união de duas e apenas duas pessoas, e não três ou mais pessoas nas chamadas “relações poliamorosas”, já que três ou cinco pessoas podem sentir um vínculo emocional próximo e podem decidir que eles gostam de expressar seus sentimentos emocionais para com o outro em um jogo sexual mutuamente aceitável.

Diga-me com quem andas e eu te direi quem és. É natural que as pessoas com os mesmos gostos e interesses sejam encontradas juntos. Mas o casamento não é um agrupamento de qualquer número de pessoas por qualquer número de razões porque cada criança humana tem uma única mãe biológica e um pai biológico, e se não houver uma tragédia (ou abuso ou abandono ou morte), é melhor para as crianças humanas serem criadas por seus pais biológicos.

Marido e mulher são sexualmente complementares. Isto é o que os torna tão adequados para uma vida compartilhada como cônjuges e para ser os pais de seus filhos, conferindo-lhes o benefício natural de ambas as contribuições maternas e paternas para criação dos filhos.

Além disso, tentar ser 100 por cento comprometido com mais de uma pessoa em um “casamento polígamo” nunca poderia resultar em um relacionamento verdadeiramente igual. Apesar das melhores intenções, múltiplos amantes e crianças de vários cônjuges sempre levam à concorrência e desarmonia dentro da “família”. É por isso que a monogamia (estar casado com uma pessoa de cada vez) é uma boa ideia.

3) É Exclusivo?

“De quem é esta criança?” É uma pergunta importante para qualquer sociedade, e o voto de fidelidade ajuda a responder a essa pergunta. Historicamente, a infidelidade sexual tem sido motivos para divórcio porque a infidelidade sexual ameaça a única coisa que torna o casamento tão único e tão distinto de outros tipos de relacionamentos: fazer bebês. Por exemplo, se uma mulher é sexualmente infiel a seu marido e uma criança é concebida, uma questão muito problemática surge: quem é o pai?

George Gilder apresenta um argumento convincente em seu livro ‘Os Homens e o Casamento’ que, quando uma criança nasce, a mãe está sempre lá. Biologia cuida disso. Mas será que o pai está  lá? Será que o pai biológico fica com a mãe biológica e ajuda tal mãe a criar e nutrir seu filho, conferindo-lhe a enorme vantagem de ser criado no vínculo comprometido da união que trouxe aquela criança à vida?  A biologia não cuida disso. Se isso acontecer, é porque a cultura faz isso acontecer. E a maneira como uma cultura assegura aos seus filhos o benefício de um pai e uma mãe em uma ligação comprometida,  é o casamento.

Assim, o casamento é sexualmente exclusivo. Jurando fidelidade, cada parceiro torna público que eles não estão mais sexualmente disponíveis para os outros. Fidelidade não só incentiva os cônjuges se comprometer a criar os filhos que este casamento produziu em união estável, mas também garante o compromisso emocional do vínculo. Ciúme conjugal é real, e fidelidade ajuda a preservar a confiança e a paz –  para os pais e as crianças.

De acordo com a visão revisionista do casamento, não há motivo ou princípio – opinião, talvez, mas nenhum princípio – por que os casamentos devem ser sexualmente fechado, em vez de abertos. Melhor um pássaro na mão do que dois voando; é melhor se contentar com o que você tem que correr o risco de perder tudo, buscando mais. Um ditado, no entanto, não é um princípio. De acordo com a ideologia de casamento gay, não há um princípio pelo qual  deve haver fidelidade e não promiscuidade além de sentimentos. Mas os sentimentos aumentam e diminuem, e o casamento é “até que a morte nos separe”.

4) É permanente?

“Até que a morte nos separe.” Quem iria prometer algo tão … permanente? Porque os seres humanos não são tubarões. Casamento inclui historicamente um voto de permanência, porque as crianças que vêm a existir como resultado da reprodução sexual humana não são como tubarões bebês, que simplesmente nadam para longe de suas mães assim que nascem. Crianças humanas precisam ter suas fraldas trocadas, eles precisam ser amamentadas, envolvidas, amadas e educadas. A ideia de que o casamento é permanente está ligada à natureza humana.

A estabilidade do vínculo conjugal é benéfica para os próprios cônjuges, pois um compromisso com uma ligação ao longo da vida é um incentivo para poder dar a seu casamento o melhor, mas é especialmente benéfico para os seus filhos. O sentimento de pertença e segurança de uma criança está diretamente ligado à estabilidade do casamento de seus pais. Ainda mais, uma criança beneficia-se enormemente das contribuições na educação,  tanto a materna e paterna. Pais biológicos têm um incentivo único para educar bem seus filhos. Muitos pais não conseguem fazer o melhor que podem, é claro, mas não há nenhum outro vínculo que pode ser invocado como proporcionando uma maior possibilidade de que as crianças vão ser criadas por pessoas comprometidas com elas do que o vínculo parental.

E a parentalidade  nunca pára. Mesmo quando as crianças se tornam adultos e voam do ninho, o fato é que elas ainda têm uma mãe e pai biológicos, e que o vínculo comprometido dessa união é um bem  positivo em suas vidas. Exceto no caso de abuso, abandono, ou a infidelidade sexual, a estabilidade e a harmonia do casamento ao longo da vida são bons tanto para o marido quanto a esposa e os filhos que possam ter.

Se não se admite que o casamento e os filhos estão ligados, nenhuma conta pode ser prestada, de acordo com o entendimento revisionista de por que o casamento deve envolver um compromisso de permanência em vez de ser uma parceria temporária durante o tempo que dura o amor. Mas um diamante é para sempre. E o casamento é para a vida.

A Descaracterização do Casamento

É uma amizade ou um caso de amor? É uma irmandade ou uma parceria ou um casamento? É hora de levar seu caso para o próximo nível, e estas quatro perguntas ajudarão a uma identificação rápida. A decisão da Suprema Corte dos EUA não é uma pequena emenda que simplesmente ajuda as pessoas homossexuais a considerar as suas relações como casamentos. Estamos a falar de um erro de identificação  fundamental – uma abolição – do casamento, porque seria abolir todas as normas e critérios históricos e princípios do matrimônio que o tornam tão conveniente e frutífero e saudável para o grande projeto de educação infantil e desenvolvimento humano.

Este guia admite plenamente que um casamento de verdade não é necessariamente um casamento bom ou feliz. O grau em que os casais respeitam e amam uns aos outros é diferente, e o nível de apoio mútuo varia tanto quanto o nível de entusiasmo. Mas mesmo os piores  casamentos são mais reais do que as imitações. Não importa a  boa intenção  e felicidade que outros tipos de relacionamentos podem ter, se eles não são um vínculo entre um homem e uma mulher como marido e mulher para serem sexualmente fiéis, comprometidos por toda a   vida, e  serem mãe e pai para todas as crianças nascidas desta união, então eles não são um casamento.

Acho que todos podemos concordar que a nova definição de casamento é bastante indefinida. Dois indivíduos? Cinco mulheres? Uma mulher e dois gatos? Irmãs coabitando? O pessoal do clube do livro que sente que eles estão sendo tratados como cidadãos de segunda classe? A equipe de futebol que quer adotar uma criança? Ei, amor é  amor!

Amor é amor, e banalidade é banalidade. A questão, no chamado “debate sobre o casamento gay” não é sobre se os gays se amam, mas sobre se o amor é suficiente para fazer de qualquer relacionamento um casamento. É por isso que o Manual do Observador do Casamento não é diretamente sobre quem consegue se casar, mas sobre o que é o casamento.

O casamento é um dos nossos maiores recursos naturais. Se redefinimos o casamento para ser algo diferente de uma união conjugal de marido e mulher para a procriação e educação dos filhos, o significado do casamento simplesmente se dissolve. Tudo isso, é claro, será visto como intolerante e de mente fechada e insano, mas no final o casamento é a única coisa que mantém a humanidade indo adiante.

TYLER BLANSKI

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As estatísticas mostram claramente os benefícios que as pessoas casadas experimentam: maiores rendimentos, maior apoio emocional, e uma vida mais saudável e longa.
Tendo como base décadas de dados estatísticas sobre casamento, a professora da Universidade de Chicago, Linda Waite e a pesquisadora Maggie Gallagher afirmam, no livro “The Case for Marriage”, que: “A evidência de quatro décadas de pesquisa é surpreendentemente clara: um bom casamento é, para homens e mulheres, a melhor aposta para uma vida longa e saudável”. A professora Waite considera que “a relação entre casamento e óbito já atingiu o estatuto de verdade, tendo sido observada através de numerosas sociedades e entre os diversos grupos sociais e demográficos”.De fato o Dr. Robert Coombs, da UCLA, também monitorou cuidadosamente estatísticas mostrando que o casamento impacta no bem-estar. “Praticamente todos os estudos de mortalidade e estado conjugal mostram que os solteiros de ambos os sexos têm maiores taxas de mortalidade, seja por acidente, doença ou ferimentos auto-infligidos, e isso é encontrado em todos os países que mantém estatísticas de saúde precisas”, explica o Dr. Coombs.Hoje nos Estados Unidos há cerca de 5 milhões de casais coabitando. No entanto, as ciências sociais mostram claramente que um relacionamento de coabitação entre parceiros não pode replicar os benefícios do casamento. A coabitação não consegue alcançar os mesmos resultados benéficos como o casamento, porque nela não há compromisso e fidelidade.

Os pesquisadores Michael Newcomb e P.M. Bentler encontraram notáveis reduções na qualidade relacional e na estabilidade: “Concubinos experimentaram dificuldade significativamente maior em suas uniões com respeito a adultério, álcool, drogas e independência do que os casais que não tinham coabitado. Aparentemente, isso torna o casamento precedido de coabitação uma experiência mais propensa a problemas, muitas vezes associados a outros estilos de vida desviante – por exemplo, o uso de drogas e álcool, relações sexuais mais permissivas, e uma aversão à dependência – do que casamentos não precedidos de coabitação”.

Mas com empenho e fidelidade, de acordo com Glenn Stanton em “Why Marriage Matters”, as estatísticas sobre casamento provam que ele:

* Fornece os níveis mais altos de prazer sexual e satisfação para os homens e mulheres
* Protege contra o sentimento de solidão
* Protege as mulheres da violência doméstica e em geral
* Reforça a capacidade dos pais de criar os filhos
* Ajuda os pais a serem profissionais melhores e mais confiáveis
* Aumenta o rendimento individual e a poupança

Como a melhor aposta para uma vida longa e saudável, o casamento é o meio exclusivo, poderoso, e comprovado através do qual o mundo pode revolucionar os males sociais e nossa perspectiva para o futuro.

Traduzido de “Abstinence and Marriage Partnership”:
http://www.ampartnership.org/MarriageStatistics.asp

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Parece que não há como escapar da ampla aceitação da homossexualidade e casamento gay nos EUA. Desde que os ativistas começaram a se beneficiar com leis “antidiscriminatórias”, a indústria de entretenimento acompanha o fluxo de pensamento dominante.

O estudioso de mídia Jeff Johnston é cristão e fez um alerta ao site LifeSiteNews. Ele deseja que os pais se preparem, pois, um número crescente de personagens gays e transexuais são mostrados em programas de televisão infantis.

Como exemplo, cita a controvérsia das personagens Korra e Asami, em “Avatar: A Lenda de Korra”, cujo último episódio mostrava claramente que elas viviam um relacionamento lésbico.

Ao mesmo tempo, surgiu uma grande polêmica na Austrália por causa do desenho animado “Shezow”, que chegou no Brasil mês passado pela Netflix. A história gira em torno de um “um menino de 12 anos que encontra um ‘anel mágico” que o transforma em uma menina”.

Sucesso entre pré-adolescentes, “Hora da Aventura”, exibido pelo Cartoon Network tem “fortes narrativas” relacionadas a questão de gênero, alerta Johnson. O criador da série, Pendleton Ward, já declarou que as duas personagens femininas, Marcelline e Princesa Bubblegum, foram namoradas.

A tendência não é apenas nos desenhos animados. O Disney Channel introduziu ano passado no popular seriado “Boa Sorte, Charlie” um casal homossexual formado por duas mulheres que tem um filho.

Johnston lembra que esse são apenas alguns exemplos, mas a tendência é esperar que os programas de televisão feitos para crianças devem mostrar cada vez mais o que “já está em nossa cultura.” Ele pediu aos pais que monitorem o que seus filhos estão vendo, não apenas na televisão, mas também em livros, jogos e filmes.

Para Johnston muitas dessas produções trazem “mensagens sexualmente confusas” que podem ser prejudiciais para quem não possui maturidade de entender plenamente o que está vendo. “Essas mensagens apenas criam confusão e geram insegurança. Nossas crianças não estão preparadas para lidar com esses temas adultos”, enfatizou.

 Christian Today

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Entrevista com Julie Lythcott-Haims

A ex-reitora de Stanford diz que o overparenting, a obsessão dos pais de guiar e proteger seus filhos, criou uma geração de “adultos-crianças” despreparados para o mundo

No início dos anos 2000, então reitora da Universidade de Stanford [Estados Unidos], Julie Lythcott-Haims começou a notar algo curioso no comportamento de seus alunos. Estudantes de 20 e poucos anos, que em breve estariam formados e trabalhando nas melhores empresas, compareciam à sua sala invariavelmente acompanhados do pai ou da mãe. E, quando ela lhes perguntava o que queriam de seu futuro, olhavam para os pais em busca de uma resposta.

Foi a partir dessa experiência – e da sua própria , como mãe – que ela passou a estudar o overparenting, expressão americana para o hábito de proteger excessivamente os filhos. O fenômeno surgiu quando a geração do pós-guerra, tratada com rigidez pelos pais, mas influenciada pela contracultura dos anos 60 de 70, decidiu criar suas crianças de forma diferente – menos rigor e mais amor, menos cobranças e mais compreensão.

Os exageros na aplicação da fórmula, argumenta ela, ajudaram a produzir uma geração de adultos incapazes de decidir por conta própria e com dificuldades de se adequar ao mercado de trabalho.

A senhora afirma que esta é a primeira geração de “adultos-crianças” da história. Como eles são?

Julie Lythcott-Haims: Trata-se de pessoas que não se sentem capazes de tomar as próprias decisões nem de lidar com contratempos e decepções. Ao primeiro sinal de problemas, pegam o telefone ou teclam para os pais para pedir orientação. Ora, um adulto é, por definição, alguém capaz de refletir e descobrir como lidar com determinada situação.

Mas adultos também pedem orientações e conselhos. A diferença é a frequência com que os adultos-crianças fazem isso?

Julie: A diferença é que fazem isso ao primeiro sinal de que algo não deu certo. A atitude de um adulto é refletir sobre uma questão, chegar a algum diagnóstico e aí, talvez, entrar em contato com alguém em quem confie e dizer: “Estou com dificuldade para resolver essa situação. O que você acha?”. Dessa forma o pensamento e a estratégia do indivíduo passam a ser parte de algo que ele elaborou. Essencialmente, um adulto coloca questões a si mesmo antes de colocá-las a seus pais.

Como pensam esses “adultos-crianças”?

Julie: Eles têm pouco confiança em si mesmos. “Sou incapaz de fazer isso sozinho” é o pensamento recorrente – afinal, durante toda a vida, alguém sempre fez tudo por eles. Na psicologia, isso se chama “desamparo aprendido”, algo que vem da falta de conexão entre esforço e resultado. Nesses meus treze anos como orientadora em Stanford, vi muitos alunos que padecem desse mal – a ponto de não saberem sequer pedir orientações na rua.

E isso vale também para situações profissionais?

Julie: Sim, sobretudo para situações profissionais. Numa empresa, as coisas não orbitam em torno do empregado e suas necessidades – o empregado não é o centro do mundo. O que se espera dele é que contribua para o crescimento da empresa e dos colegas – seja útil, ajude antes que lhe peçam, antecipe o que precisa ser feito. Ocorre que os pais desses “adultos-crianças” sempre determinaram o que eles tinham de fazer, e isso os impediu de desenvolver esse tipo de habilidade – pensar por si próprios e planejar o próximo passo. As consequências de uma vida excessivamente gerenciada pelos pais se refletem de maneira muito acentuada no trabalho.

Mas as próprias empresas não se adaptaram a esses “adultos-crianças”, de certa forma?

Julie: Sim, o exemplo perfeito aqui são as startups [1] do Vale do Silício, que oferecem infinitos mimos a seus empregados. Eles trabalham muito duro, mas todo o ambiente é voltado para satisfazer a suas necessidades, incluindo a de diversão. A comida é preparada por chefs ótimos, as roupas de todo são lavadas lá. Eu me pergunto: por que tantos adultos dessa geração vão para a “terra das startups” e o mundo da tecnologia? Porque o local de trabalho foi adaptado para ser uma extensão da casa da infância deles. Mas o que acontece se alguém começa sua vida profissional num lugar assim e depois vai para um lugar tradicional? Certamente ficará muito desapontado. E talvez não consiga se adaptar.

A senhora fala em três tipos de pecado dos pais: o “superdirecionamento”, a “superproteção” e a “superajuda”. Pode explicá-los?

Julie: Os pais superprotetores são aqueles que acreditam que qualquer coisa pode machucar seus filhos e, por isso, preferem que eles estejam sempre dentro do seu campo de visão. Tomam sempre o partido das crianças contra quem quer que seja – o juiz do jogo de futebol ou o professor que as criticou – e costumam dizer que todo esforço dos filhos é “perfeito”. Os que pecam pelo “superdirecionamento” são os que definem o que seus filhos devem estudar, como devem brincar, que atividades devem praticar e em que nível, que faculdades valem a pena, que curso é melhor fazer, que carreira precisam seguir. Eles não só resolvem os problemas dos filhos como moldam seus sonhos. O tenista Andre Agassi é um exemplo típico dessa criação.

Por quê?

Julie: Eu o cito apenas porque ele mesmo já disse: “Meus pais direcionaram demais minha vida”. E isso fica claro quando se lê a autobiografia do esportista. O pai de Agassi era tão convencido de que o filho deveria ser jogador de tênis que transformou isso na missão de sua vida. Mas o garoto não amava o esporte. Então, o que temos? Uma estrela do tênis, mas um tanto infeliz. Isso é comum quando as pessoas seguem trajetória profissional forçada pelos pais – ou, simplesmente, para agradar-lhes.

E como se caracterizam os pais da categoria que a senhora chama de “superajuda”?

Julie: São os que acompanham as crianças em todas as atividades, no esporte ou na escola, e agem como seu concierge [2], até quando já são quase adultos. A mãe de uma estudante do 2º ano de Stanford, por exemplo, ligava todo dia para acordá-la, e ainda tinha na própria agenda todos os deveres e provas dela, para evitar que a filha perdesse os compromissos.

Como os pais podem saber se caíram na armadilha de confundir amor demais com cuidado excessivo?

Julie: Em primeiro lugar, eles têm de aceitar o fato de que seu trabalho, como pais, é sair desse cargo algum dia. E que o objetivo é criar aquela pequena pessoa para que ela seja capaz de se cuidar. Não se trata de largar os filhos no meio da floresta para que se virem. Mas, no século XXI, cuidar de si próprio significa escrever seu currículo sozinho, fazer uma entrevista de trabalho, arrumar um emprego. E ter as habilidades necessárias para manter-se empregado, ser capaz de trabalhar duro e em equipe, ganhar um salário, pagar suas contas, ser gentil com os demais, descobrir como ir de um lugar a outro, cozinhar… E tudo isso sem ter de, a toda hora, perguntar à mamãe ou ao papai como se faz. Imaginar que algo pode fazer com que você um dia não esteja mais aqui para ajudar seu filho é um bom exercício: “E se alguma coisa acontecer comigo?”. Nenhum de nós quer imaginar isso, mas é nosso dever como pais mamíferos prepara nossa cria para esse triste dia.

E no dia a dia?

Julie: Não há dúvida de que os pais devem dar tanto amor quanto puderem aos filhos. As crianças querem ter certeza de que são amadas e valorizadas. Mas não é cruel pedir que os filhos auxiliem nos afazeres domésticos, por exemplo. Isso vai ajudá-los a se desenvolver. O objetivo deve ser dar oportunidades para que desenvolvam sua independência. Eu me lembro da primeira vez que pedi ao meu filho que fosse ao supermercado para comprar algo que eu tinha esquecido. Ele não queria ir. Falei que precisava da ajuda dele, que o percurso não era longo, que ele já tinha ido mais longe com os amigos. Ele foi e, quando voltou, estava orgulhoso de si mesmo. Foi uma conquista para ele e para mim. Pode parecer algo menor, mas para as crianças sempre há uma primeira vez. O papel dos pais é encontrar as oportunidades de oferecer a elas a chance de aprender.

E como descobrir o limite a partir do qual dar independência a um filho pode expô-lo a riscos?

Julie: É difícil, mas é preciso deixar que as crianças vivam para que virem adultas. Não podemos segurá-las em nossos braços a vida inteira, cobri-las com plástico-bolha e mandá-las para o mundo inteiramente protegidas de tudo. Temos de fortalecer seu caráter, sua determinação, seu senso de “eu me machuquei, mas estou bem”. Pode soar cruel, mas é bom que as crianças se machuquem na infância, e não falo apenas no sentido físico. Porque é o único modo de se tornarem resistentes e capazes de lidar com as questões quando crescerem. É um equilíbrio sensível. Não á um manual que descreva cada passo. Mas é preciso que os filhos se tornem resistentes, preparados também para as coisas mais difíceis que estão por vir.

No Brasil, existe a “geração canguru”, composta de adultos de 25 a 34 anos que ainda moram na casa dos pais. Isso tem a ver com essa superproteção?

Julie: Não conhecia esse termo, é maravilhoso. Em tese, não há nada de errado no fato de filhos nessa idade morarem com os pais se não tiverem dinheiro para morar sozinhos em um lugar desejável, por exemplo. O que está errado é se os filhos, nessa idade, não se comportarem como adultos – não ganharem um salário, não contribuírem financeiramente para a casa. Resumindo, se moram lá e se comportam como se tivessem 11 anos, sem levantar um dedo para ajudar, sem gatar seu dinheiro nem sequer para ajudar no supermercado.

Há também os “nem-nem”, que nem estudam nem trabalham.

Julie: Não estudar e não trabalhar é um desastre. Não somente para aquela pessoas e sua família, mas para o país em que elas vivem. São pessoas que não vão contribuir para a sociedade, não vão pagar impostos, não serão cidadãos úteis. É um conceito assustador.

Como os “adultos-crianças” vão criar os próprios filhos?

Julie: Não faço ideia, porque a geração do milênio foi a primeira a ser superprotegida em massa. Os primeiros grupos de crianças que tinham a agenda toda feita pelos pais são os dos nascidos em torno de 1980. Logo, eles agora têm 35 anos. Muitos já têm filhos, mas ainda não sabemos como seus filhos estão se virando no mundo. Realmente espero que essa geração empurre o pêndulo de volta para a outra direção, para criar adultos competentes, confiantes e corajosos.

Bob Dylan escreveu que “não há sucesso como o fracasso”. Até que ponto concorda com isso?

Julie: O que todos os tipos de pais que protegem em excesso têm em comum é o medo do fracasso. Eles têm medo de que, se seus filhos passarem por um fracasso, a vida deles seja arruinada. E eles estão errados. Para aprender, é necessário tentar, fracassar, aprender com isso. E aí tentar de novo, fracassar de novo e aprender de novo, até finalmente ser bem-sucedido. São os pequenos fracassos da infância que desenvolvem as habilidades, as competências e a confiança dos adultos. O fracasso é talvez o melhor professor da vida, e ficamos mais fortes quando somos desafiados.

N O T A S

[ 1 ] – Startup: é uma empresa com um histórico operacional limitado. Essas empresas, geralmente recém-criadas, estão em fase de desenvolvimento e pesquisa de mercados. O termo tornou-se popular internacionalmente durante a bolha da internet, quando um grande número de empresas ponto com foram fundadas..

[ 2 ] – Concierge é um termo originário do francês que significa “porteiro”. Em hotéis, o concierge é um profissional que tem um balcão na entrada do hotel (conciergerie, em francês, ou conciergeria), responsável por assistir os hóspedes em qualquer pedido que estes tenham, dos mais extravagantes ao mais simples como chamar um táxi, dar informações sobre o próprio hotel e seus serviços ou sobre a cidade e seus pontos turísticos, venda de passeios na região, locação de carros, reservas e indicações de restaurantes, ligar para farmácia, floricultura ou tabacaria. Desempenha um papel de ajuda a todos integrantes do hotel, fazendo tarefas quando solicitadas (Fonte: Wikipédia).

Fonte: Revista VEJA – Edição 2437 – Ano 48 – nº 31 – 5 de agosto de 2015 – Pgs. 15, 18-19. Edição impressa.

Título do livro em inglês:
“Como criar um adulto:
liberte-se da armadilha da overparenting e prepare
seu filho para o sucesso”

(Sem edição no Brasil por enquanto)

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O casal formado por David e Sarah Olson tinha o sonho de conceber mais um membro para sua família. O terceiro filho que o casal queria era algo difícil de conseguir através do método de concepção tradicional. Eles foram avisados por seu médico que se uma terceira gravidez acontecesse, esta seria complicada, que o bebê teria grandes chances nascer com a espinha bífida (assim como seu segundo filho, Levi) e sofrer de paralisia.

A decisão em adotar foi tomada pelo casal, que foi convencido ao ler o livro “Love Does”, de Bob Goff, que aborda a jornada da adoção.

Para arcar com as dificuldades do processo, o casal criou uma campanha, pedindo ajuda para os custos que a adoção requeria. Foi então que os Olson voaram até Tallahassee, na Flórida, para conhecer a nova integrante da família: Tilly Pearl.

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Todas as imagens © Kristen Anne