Igreja nos EUA

Os membros do quase todos os principais cristãos passaram a ter uma maior aceitação da homossexualidade ao longo dos últimos anos. Os dados fazem parte de uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew, que comparou dados de 2007 com outra pesquisa similar feita em 2014

A comparação mostra a velocidade que o assunto tem se infiltrado em todas as camadas da sociedade. Questionados se “a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade”, o maior número de pessoas que concordaram é católico. 58% disseram “sim” em 2007 e hoje são 70%, o maior índice entre os entrevistados.

A aceitação entre os cristãos pertencentes a igrejas ortodoxas, subiu de 48 para 62%.  Os evangélicos “liberais” que aceitam eram 56% em 2007 e agora são 66%.  Entre os chamados conservadores, 26% davam apoio em 2007 e agora são 36%. Na média entre todos os cristãos, eram 44% sete anos atrás e agora são 54%.

Seitas que afirmam ser cristãs como mórmons e Testemunhas de Jeová, parecem mais resistentes a mudança e os percentuais subiram em proporção menor.

A pesquisa mostra que o aumento nos percentuais deve-se, sobretudo, a geração mais jovem.  De acordo com os analistas da Pew, mais da metade de todos os entrevistados com menos de 20 anos veem a homossexualidade com “naturalidade”. Foram entrevistados 35 mil americanos, dentro de uma pesquisa ampla, que também mostrou a diminuição da “fé em Deus” como um todo.

Os americanos que afirmam crer em Deus são 89%, enquanto sete anos atrás eram 92%. Nunca foi tão grande o índice de pessoas “sem religião”, cerca de 23%. O número de pessoas que deixaram de ver a Deus como uma pessoa e passaram a descrevê-lo como “força impessoal”, chega a um quarto da população (26%).

 The Blaze

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De vez em quando, surge na mídia algum caso de sacerdote homossexual que levanta a bandeira dos chamados “direitos gays”, incluindo entre eles o “direito ao sacerdócio”.

Para começar, o sacerdócio católico não é um “direito” para ninguém: nem para homossexuais, nem para heterossexuais. O sacerdócio católico é uma vocação, um chamado pessoal e intransferível, feito por Cristo.

O próprio Cristo confiou ao primeiro papa, São Pedro, a missão de cuidar do seu rebanho na terra, afirmando que “o que ele atasse na terra, ficaria atado no céu”. Desde as origens, os primeiros cristãos formaram em torno a Pedro uma assembleia (em grego, ekklesía, termo que passou para o latim como ecclesia e para o português como igreja), um rebanho cujo pastoreio cabia aos apóstolos, com Pedro à cabeça, presidindo a assembleia dos cristãos. Nessa missão confiada por Cristo a Pedro e transmitida aos seus sucessores, uma série de medidas práticas foram sendo adotadas pela Igreja presidida pelo papa, sempre com base na reflexão conscienciosa da mensagem de Cristo contida nos Evangelhos. Entre essas medidas, originadas do Evangelho e preservadas pela Igreja, está a de confirmar o chamado ao sacerdócio mediante exigências concretas: que o sacerdote seja homem, batizado e heterossexual. Homem porque o próprio Cristo se fez homem, no pleno sentido antropológico de “fazer-se homem”, e porque, ao eleger seus ministros, Cristo ordenou somente homens. Batizado porque o sacerdote deve ser um membro vivo da Igreja. E heterossexual porque o sacerdote é chamado a ser “pai”, sublimando a paternidade biológica e transformando-a numa paternidade espiritual, que inclui a consciente e livre renúncia à paternidade biológica através da opção pelo celibato, a exemplo do próprio Cristo Sacerdote.

A Congregação para a Educação Católica esclareceu no documento “Sobre os critérios de discernimento vocacional em relação às pessoas com tendências homossexuais antes da sua admissão ao seminário e às ordens sagradas” (4 de novembro de 2005). Esse documento diferencia os “atos homossexuais” das “tendências homossexuais”. Os atos implicam o exercício ativo da homossexualidade, enquanto as tendências implicam somente o impulso homossexual.

Em seguida, o documento faz outra diferenciação a respeito das “tendências homossexuais”: as “profundamente arraigadas” e as que são “expressão de um problema transitório”. E declara: “Respeitando profundamente as pessoas em questão, a Igreja não pode admitir ao seminário e às ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente arraigadas ou apoiam a assim chamada ‘cultura gay’”. Já os homens com tendência homossexual transitória poderiam ser admitidos nos seminários se essas tendências ficassem “claramente superadas ao menos três anos antes da ordenação diaconal”.

Quanto aos padres já ordenados que se revelam homossexuais, o papa Bento XVI esclarece no livro-entrevista “Luz do Mundo”, publicado em 2010:

“A homossexualidade não é compatível com a vocação sacerdotal. Do contrário, o celibato não teria nenhum sentido como renúncia. Seria um grande perigo se o celibato se tornasse, por assim dizer, uma ocasião para introduzir no sacerdócio pessoas que, de qualquer modo, não gostariam de se casar, porque, em última instância, também a sua postura perante o homem e a mulher está de alguma forma modificada, desconcertada, e, em todo caso, não se encontra na direção da criação de que falamos. A Congregação para a Educação Católica emitiu faz alguns anos uma disposição no sentido de que os candidatos homossexuais não podem ser sacerdotes porque a sua orientação sexual os distancia da reta paternidade, da realidade interior da condição de sacerdote. Por isso, a seleção dos candidatos ao sacerdócio deve ser muito cuidadosa. Tem-se que aplicar a máxima atenção para que não se confunda o celibato dos sacerdotes com a tendência à homossexualidade (…) [A existência de sacerdotes com tendências homossexuais] faz parte das dificuldades da Igreja e os comprometidos têm que procurar, pelo menos, não praticar ativamente essa inclinação, a fim de permanecerem fiéis ao compromisso interior do seu ministério”.

Ser sacerdote, portanto, não é um “direito” de ninguém; e exercer a eventual tendência homossexual não é direito de nenhum sacerdote, assim como tampouco a tendência heterossexual, dado que todos os sacerdotes católicos são chamados, por vocação, também ao celibato.

Esta é a resposta que os católicos devem saber dar quando a mídia resolve fazer campanha para reinventar o que Cristo estabeleceu, aproveitando-se das fraquezas de sacerdotes que não foram coerentes com a vocação que livremente se comprometeram a abraçar. Ninguém pode alegar que não sabia das renúncias e sacrifícios exigidos pelo sacerdócio.

Fonte: Aleteia

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Gualtiero Bassetti, natural da Toscana, arcebispo metropolitano de Perugia, participa do Sínodo porque Francisco o nomeou como Padre sinodal. Ele está entre os cardeais italianos mais próximos de Jorge Mario Bergoglio.

Eminência, por que uma parte da Igreja se opõe à abertura do papa sobre a Eucaristia aos divorciados recasados?

Como eu venho de Marradi e sou um toscano de alma, gostaria de lhe perguntar, com uma brincadeira, de qual Sínodo estamos falando: do da mídia ou do da Igreja Católica? O Sínodo se ocupa da família, da sua vocação, da sua beleza, das suas feridas e da sua capacidade de ainda ser o fundamento da sociedade.

Este Sínodo é um dom para a humanidade inteira, um lugar de debate e certamente não é uma sala parlamentar, como disse o papa, ou um talk show de televisão. Sentimos sobre nós, ao contrário, todo o peso dessa reflexão. Mas o jugo torna-se leve com Jesus Cristo ao lado. O sopro do Espírito Santo não falta e não faltará! Aliás, ele vem depois de 35 anos desde o último Sínodo para a família. De 1980 até hoje, um tsunami varreu a sociedade inteira, e nós, como pastores e como padres, temos o dever de cuidar das famílias.

Qual a profundidade da fissura na Igreja entre os conservadores e os progressistas, ou é uma interpretação jornalística errada?

Relatar as divisões, verdadeiras ou supostas, dentro da Igreja é desde sempre um assunto de grande sucesso na opinião pública. Na realidade, sempre houve uma pluralidade de pontos de vista na Igreja, sobre os mais variados assuntos. Temos testemunhos disso nos Evangelhos e nas cartas de São Paulo.

Mas a unidade da Igreja é uma realidade que vai além das divisões de que você fala. É a realização do testamento de Jesus: ut omnes unum sint, “para que todos sejam um”. Portanto, eu deixaria as “sínteses”, os “progressistas” e os “conservadores” para os políticos e para a sua digníssima atividade. A este Sínodo, ao contrário, foi pedido que se fale com parrésia. É o estilo do Papa Francisco, que pediu um debate franco e aberto. Talvez nunca como agora se tinha realizado um Sínodo tão debatido.

Creio firmemente que todos os Padres sinodais estão aqui com a única intenção de oferecer um serviço para a família em um dos momentos mais difíceis da sua história. Como disse o Santo Padre no domingo de manhã em São Pedro, o que se precisa é “uma Igreja que educa ao amor autêntico, capaz de tirar da solidão, sem esquecer a sua missão de Bom Samaritano da humanidade ferida”.

O que o senhor pensou quando leu a história do padre polonês Charamsa, que declarou a sua homossexualidade e se apresentou à imprensa com o seu companheiro?

Esse fato, para mim, foi uma fonte de grande sofrimento. Tanto para as pessoas envolvidas quanto pelo modo em que foi tornado público. A homossexualidade é uma coisa muito séria e complexa para ser tratada em uma coletiva de imprensa em uma enoteca às vésperas do Sínodo. Esse tipo de saídas públicas não fazem bem a ninguém. As minhas orações, como sempre, continuarão sendo dirigidas a todos. Mas o silêncio e o discernimento, nestes casos, são mais do que um conselho fraterno.

A Igreja pode acolher os casais homossexuais e os divorciados recasados sem comprometer a doutrina?

A Igreja acolhe as pessoas, todas, sem exceção, a exemplo de nosso Senhor, que não desprezou o fato de se aproximar da pecadora ou do publicano. Mas a Igreja tem uma Palavra sua a anunciar, o seu caminho que leva ao Pai a indicar. É um itinerário exigente, que requer contínua conversão e que vale para todos! Muitas pessoas homossexuais vivem na Igreja serenamente, sem dramas. Também para as pessoas divorciadas e recasadas se podem imaginar serviços e tarefas que as faça se sentir membros de uma comunidade, apesar do peso de um matrimônio fracassado.

O senhor acredita que o papel na política dos bispos italianos é justamente menos eficaz do que no passado ou a Igreja deve influenciar as decisões do governo italiano?

Os bispos não fazem política, mas anunciam o Evangelho, e a Igreja não é e nunca foi o sindicato dos católicos. Os católicos, porém, tem uma missão: a de serem o sal da terra. Eles têm algo a oferecer ao mundo. Ou seja, eles têm uma visão altíssima do homem e do mundo. Eles pensam que ambos são dons que devem ser protegidos e preservados com o máximo cuidado.

Na base de tudo, está o conceito de pessoa, porque Deus se fez homem. Quando falamos de cristianismo, não estamos nos referindo a um ideal ou a uma filosofia, mas nos referimos sempre a um fato: ao mistério da Encarnação. Deus se encarnou e veio entre os pobres e foi reconhecido primeiramente pelos pastores, isto é, pelos últimos, pelos rejeitados da sociedade. Jesus nasce como um descarte em uma estrebaria de Belém e certamente não no Hotel Garden de Jerusalém. E, além disso, como um refugiado, vai para o Egito.

Por isso, os católicos têm uma visão do mundo a oferecer para a política, que se baseia na valorização da dignidade humana em todos os momentos da existência e que parte dos mais fracos: os pobres, os migrantes, os concebidos, as crianças, as famílias, os trabalhadores temporários, os desempregados, os escravos modernos, os povos em guerra. E, depois, como consequência, a liberdade religiosa, a liberdade de educação, a paz, uma economia justa, um Estado não opressivo.

A reportagem é de Carlo Tecce, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 06-10-2015.

Ruini

O casamento homossexual é uma ‘derrota da humanidade’ porque ignora a diferença e a complementaridade entre homem e mulher, fundamental do ponto de vista não só físico, mas também psicológico e antropológico. A humanidade, através dos milênios, conheceu a poligamia e a poliandria, mas não por acaso o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo é uma novidade absoluta: uma verdadeira ruptura que contrasta com a experiência e com a realidade. A homossexualidade sempre existiu; mas ninguém jamais pensou em fazer disso um matrimônio.”

Cardeal Ruini, que impressão o senhor teve diante do Mons. Charamsa? ( que assumiu publicamente sua homossexualidade recentemente em entrevista coletiva)

Uma impressão de pena, mais ainda do que de surpresa, principalmente pelo momento que ele escolheu.

A entrevista ao jornal Corriere della Sera teve uma repercussão muito ampla. Isso vai influenciar o Sínodo?

Certamente não vai agradar aos Padres sinodais, mas não terá nenhuma influência substancial.

O Mons. Charamsa diz: “Que a Igreja entenda que a solução proposta aos fiéis gays, a abstinência da vida de amor, é desumana”. O que o senhor gostaria de lhe responder?

Eu lhe diria muito simplesmente: como padre, eu também tenho a obrigação de tal abstinência e, em mais de 60 anos, nunca me senti desumanizado, nem mesmo desprovido de uma vida de amor, que é algo muito maior do que o exercício da sexualidade.

No entanto, pareceu que o papa abriu ao diálogo quando disse “Quem sou eu para julgar um homossexual que busca a Deus?”.

Essa talvez tenha sido a palavra mais mal compreendida do Papa Francisco. Trata-se de um preceito evangélico – não julgar se não quiser ser julgado – que devemos aplicar a todos, incluindo evidentemente os homossexuais, e que nos pede para ter respeito e amor por todos. Mas o Papa Francisco se expressou clara e negativamente sobre o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.

Existe um “lobby gay” na cúpula da Igreja? O próprio papa disse isso, mesmo que em um encontro informal.

Ouve-se muita fofoca sobre isso. Se forem verdadeiras, é uma coisa triste, que é preciso fazer uma limpeza. Pessoalmente, porém, não tenho elementos para falar sobre lobby gay e não gostaria de caluniar pessoas inocentes.

Diga a verdade: além do respeito e também da obediência, o Papa Bergoglio deixa vocês, cardeais ligados à temporada de Wojtyla e de Ratzinger, perplexos.

Não tenho dificuldade para reconhecer que, entre o Papa Francisco e os seus antecessores mais próximos, há diferenças, até mesmo notáveis. Eu colaborei por 20 anos com João Paulo II, depois, mais brevemente, com o Papa Bento XVI: é natural que eu compartilhe a sua sensibilidade. Mas eu gostaria de acrescentar algumas coisas.

Os elementos de continuidade são muito maiores e importantes do que as diferenças. E, desde que eu era estudante no colégio, aprendi a ver no papa, antes, a missão de sucessor de Pedro e só depois a pessoa individual; e a aderir com o coração, além das palavras e das ações, ao papa assim entendido. Quando João XXIII sucedeu a Pio XII, as mudanças não foram menores; mas, já na época, a minha atitude foi essa.

Em Francisco, o senhor revê o Papa João XXIII?

Em vários aspectos, sim. É preciso ser cego para não ver o enorme bem que o Papa Francisco está fazendo para a Igreja e para a difusão do Evangelho.

Francisco é um papa “de esquerda”? As diferenças não são só no estilo, o senhor não acha?

É claro que as diferenças não são apenas de estilo. Mas não afetam a missão de princípio e o fundamento visível da unidade da fé e da comunhão de toda a Igreja. Quanto ao fato de ser de esquerda, o próprio Papa Francisco falou sobre isso várias vezes, dizendo que se trata simplesmente de fidelidade ao Evangelho, não de uma escolha ideológica. Ultimamente, ele também acrescentou, brincando, que é “um pouco esquerdinha”… se eu me lembro das palavras exatas.

Existe o risco de que o papa seja instrumentalizado no plano ideológico, como teme o cardeal Scola?

O fato de que certas posições do papa sejam enfatizadas e que outras passem quase despercebidas é mais do que um risco: é um fato. Em vez de falar de instrumentalizações, eu falaria de esquemas aplicados às personalidades públicas; esquemas aos quais a mídia se afeiçoa e dificilmente renuncia. Isso também aconteceu comigo: sempre me colocavam no esquema.

Por exemplo?

Sobre o casamento gay, eu tomei a posição mais aberta que se podia tomar e foi julgada como a mais fechada.

O senhor disse que se podiam reconhecer os direitos individuais.

E agora juristas como Mirabelli dizem isso. Todos os direitos individuais podem ser reconhecidos, e muitos já foram reconhecidos.

Mas a Itália ainda não tem uma lei sobre as uniões civis. As normas que são discutidas no Parlamento remetem ao modelo alemão, não ao francês e espanhol: nada de casamento, nada de adoções. Por que um católico não poderia votar nelas?

Justamente o modelo alemão prevê que os casais homossexuais tenham, na prática, todos os direitos do casamento, exceto o nome. E o projeto de lei em discussão no Parlamento abre uma fresta também à adoção. Sabemos muito bem, e alguns defensores da proposta dizem isto claramente, que, uma vez aprovada, logo se chegará aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e às adoções.

Pessoalmente, eu compartilho o comentário do cardeal Parolin, depois do referendo na Irlanda: “O casamento homossexual é uma derrota da humanidade”. Porque ignora a diferença e a complementaridade entre homem e mulher, fundamental do ponto de vista não só físico, mas também psicológico e antropológico. A humanidade, através dos milênios, conheceu a poligamia e a poliandria, mas não por acaso o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo é uma novidade absoluta: uma verdadeira ruptura que contrasta com a experiência e com a realidade. A homossexualidade sempre existiu; mas ninguém jamais pensou em fazer disso um matrimônio.

Haverá também na Itália um movimento de protesto contra as uniões civis?

Os sinais já apareceram com a manifestação do dia 20 de junho na Piazza San Giovanni [em Roma]. A organização foi mínima, e o feedback me impressionou muito: falou-se de 300 mil pessoas. Se se seguir em frente por um certo caminho, dificilmente faltarão os protestos.

O senhor disse ao jornal Corriere della Sera que a onda libertária vai refluir, assim como refluiu a onda marxista. Como o senhor pode ter tanta certeza?

Eu nunca disse que refluirá, mas que poderia refluir. A possibilidade e a esperança, não a certeza, de uma mudança de direção é sugerida pelo contraste entre a onda libertária e o bem da humanidade, que não é uma soma de sujeitos fechados em si mesmos, mas uma grande rede em que cada um precisa dos outros. Espanta-me que os governantes, que deveriam trazer no coração a coesão, não se dão conta de que, desse modo, terão sociedades desintegradas.

É possível readmitir à comunhão os divorciados recasados?

Não. Os divorciados recasados não podem ser readmitidos à comunhão não por uma culpa pessoal particularmente grave deles, mas pelo estado em que objetivamente se encontram. O matrimônio anterior continua existindo de fato, porque o matrimônio sacramento é indissolúvel, como disse o Papa Francisco no voo de volta da América. Ter relações sexuais com outras pessoas seria objetivamente um adultério.

É possível pensar em exceções caso a caso?

Eu não gosto da palavra “exceções”. Parece querer dizer que, para alguns, se concede que se prescinda da norma que lhes diz respeito. Se, ao contrário, o sentido é de que cada pessoa e cada casal devem ser considerados concretamente, para ver se essa norma lhes diz respeito ou não, esse é um princípio geral que sempre deve ser levado em consideração, não só para o matrimônio, mas para todo o nosso comportamento.

Abstratamente, portanto, é possível que um divorciada recasado receba a comunhão?

Sim, se o matrimônio é declarado nulo.

As novas disposições sobre essas questões não correm o risco de atenuar o vínculo, de introduzir uma espécie de divórcio católico?

O risco só pode existir se as novas disposições não forem aplicadas com seriedade. É preciso melhorar acima de tudo a preparação dos juízes. Introduzir sub-repticiamente uma espécie de divórcio católico seria uma péssima hipocrisia, muito prejudicial para a Igreja e para a sua credibilidade. Mas a decisão do Papa Francisco, que muitos de nós – incluindo eu – desejávamos, não tem nada a ver com uma hipocrisia desse tipo.

Se a falta de fé de um dos esposos pode levar à declaração de nulidade, não se abrem espaços muito amplos?

Claro. E por essa razão o Papa Bento XVI, apesar de estar convencido de que a fé é necessária para o matrimônio sacramental assim como para todo outro sacramento, foi muito prudente ao tirar consequências práticas desse princípio. O Papa Francisco também se limitou a indicar a falta de fé como uma das circunstâncias que podem permitir o processo mais breve perante o bispo, quando essa falta de fé gera a simulação do consentimento ou produz um erro decisivo quanto à vontade de se casar. Brincando, eu poderia dizer que quem foi mais longe nesse caminho fui eu, na minha contribuição para o livro dos 11 cardeais que está sendo publicado nestes dias…

Uma família de migrantes em cada paróquia: isso o convence? Ou o senhor compartilha as perplexidades do arcebispo de Bolonha?

O cardeal Caffara evidenciou as condições sem as quais a acolhida se torna difícil e pode até ser contraproducente. Tentar implementá-las é um serviço e não um obstáculo à acolhida.

Caffara defende que é preciso acolher os migrantes “conhecidos”.

Conhecidos no sentido de identificados. Digamos a verdade: muitos até mesmo na Igreja não acolhem ninguém; muito acolhem assim, alla garibaldina [impetuosamente, sem cautelas]. Seria preciso encontrar uma via do meio.

Cardeal italiano Camillo Ruini, ex-presidente da Conferência Episcopal Italiana, em entrevista a Aldo Cazzullo, publicada no jornal Corriere della Sera.

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No próximo dia 2 de outubro, Roma acolherá o primeiro congresso para a pastoral de cuidados a homens e mulheres que experimentam tendências homossexuais. Este congresso contará com a presença de bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas, fiéis leigos e todos aqueles que queiram acolher e acompanhar pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo.

O título deste congresso é “Viver na verdade do amor” e “Os Caminhos do Verdadeiro Amor. Enfoques Pastorais para acolher e acompanhar as pessoas que vivem com tendências homossexuais” na Universidade Pontifícia de Santo Tomás de Aquino. O evento viria acontecer na véspera do Sínodo da Família, a ser realizado entre os dias 04 e 25 de outubro.

Entre os presentes estarão o Cardeal Roberth Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que recentemente foi nomeado Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum e o Cardeal George Pell, Prefeito da Secretaria de Economia da Santa Sé e membro do Conselho para a reforma da cúria do Papa Francisco, ambos autores de livros sobre a temática do Congresso.

Entre os peritos estarão Dom Livio Melina, Presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para estudos sobre o matrimônio e a família, um dos maiores conhecedores de teologia moral e bioética.

Também participarão deste congresso, o Dr. Paul McHugh, da Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA); o Dr. Timothy Lock, psicólogo clínico; e a Dra. Jennifer Morse, do Instituto Ruth.

O congresso contará com testemunhos de católicos que vivem a homossexualidade em sua vida cotidiana e estarão disponíveis alguns livros publicados a respeito, entre eles os do Cardeal Sarah e do Cardeal Pell.

Os apresentadores abordarão a complexa realidade das tendências homossexuais através das ciências empíricas e sociais, a experiência pessoal da homossexualidade, o testemunho da Sagrada Escritura, assim como da tradição, do magistério e da doutrina da Igreja.

Os organizadores, Courage International (apostolado da Igreja Católica que busca atender a pessoas com atração homossexual e ensinar-lhes a viver a castidade) e Ignatius Press (maior editora católica dos Estados Unidos), afirmam que pretendem dar “uma resposta à importante pergunta antes do Sínodo a respeito de como a Igreja deve fazer a pastoral de cuidado das pessoas com tendências homossexuais e suas famílias”.

“A conferência não trata do tema da homossexualidade como uma questão cultural ou política do dia (sem esquecer que é assim), mas como uma realidade pessoal na vida de homens e mulheres individuais”, asseguram.

A entrada será gratuita e a pessoa que deseja poderá cadastrar-se em: www.TruthandLove.com

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Papa Francisco fala dentro de avião durante sua viagem de volta dos EUA para Roma nesta segunda-feira (28) (Foto: Tony Gentile/Reuters)

O Papa Francisco disse nesta segunda-feira (28) que funcionários públicos têm o “direito humano” de se recusarem a realizar alguns trabalhos, como emitir licenças de casamento para homossexuais, caso isso viole sua consciência.

Falando a repórteres na volta para casa após uma viagem de 10 dias aos Estados Unidos e Cuba, Francisco também repetiu sua condenação a padres que abusaram sexualmente de crianças, dizendo que as vítimas foram “esmagadas pelo mal”.

Embora o pontífice argentino tenha comentado sobre temas que são motivo de debates políticos nos Estados Unidos durante sua visita, ele nunca se referiu especificamente aos controversos casamentos de pessoas do mesmo sexo, que a Igreja é firmemente contra.

No voo de volta a Roma, ele foi perguntado se apoiava indivíduos, como funcionário do governo, que se recusam a acatar algumas leis, como a emissão de licenças para casamentos gays.

“A objeção de consciência deve estar em toda estrutura jurídica porque é um direito”, disse Francisco.

Anteriormente neste mês, uma funcionária municipal do Estado norte-americano de Kentucky, Kim Davis, foi presa após se recusar a emitir uma licença matrimonial para um casal gay, contrariando decisão da Suprema Corte dos EUA que legalizou casamentos do mesmo sexo.

Fonte: Reuters

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A irmã Mônica Astorga, carmelita descalça que mora em Neuquén, acompanha há 10 anos um grupo de travestis e transexuais que decidiram, com sua ajuda, abandonar a prostituição e as drogas para iniciar um caminho de recuperação e reinserção social.

Em 2005, uma travesti chamada Romina foi até a paróquia de Nossa Senhora de Lourdes para oferecer um dízimo. Ao saber que o dinheiro provinha da prostituição, o padre a encaminhou ao mosteiro das carmelitas. Foi então que conheceu a irmã Mônica.

Mônica conversou durante uma hora com a travesti. Romina contou que ela e muitas das suas amigas queriam deixar a prostituição, mas não tinham outra opção. A religiosa a convenceu a levar suas amigas a um encontro com ela. Alguns dias depois, rezaram juntas e compartilharam suas experiências de vida, suas dores.

“Fomo rezar, e depois lhes perguntei sobre os sonhos que tinham, porque uma pessoa sem sonhos não tem vida. Então me contaram sobre seu desejo de ser cabeleireiras, cozinheiras, ter seu próprio negócio. Katty, outra travesti, disse-me que queria ter uma cama limpa para morrer. Por quê? Porque a expectativa de vida para uma travesti é de 40 anos de idade”, contou a religiosa, em uma entrevista gravada com o produtor Juan Martín Ezratty.

A religiosa se sentiu tocada e decidiu ajudar. Entrou em contato com as autoridades da Cáritas e com o bispo diocesano e começou um projeto de salão de beleza e uma cooperativa de costura, enquanto providenciava uma casa para suas reuniões. Katty, aquela que queria uma cama para morrer, agora dirige a casa, o curso de costura e hospeda as travestis da rua.

“Eu faço isso com fé. Procuro colocar Deus em suas vidas, que se sintam amadas por Deus, por Jesus, que o vejam como um Amigo, que as ama como elas são”, resumiu a religiosa.

Ao longo do seu trabalho, a freira teve muitos obstáculos: “Já me perguntaram por que havia travestis na Igreja… Mas a Igreja é para todos. Jesus esteve com quem? Com os pecadores, oras! O que me importa é que vivam dignamente, que não tenham necessidade de passar as noites com frio, com temperaturas abaixo de zero. O que ofereço é um espaço para rezar, para encontrar um emprego… O resto é obra de Deus, que é muito misericordioso”.

Segundo relatou a carmelita, o Papa Francisco conhece este trabalho e a incentiva a continuar. “Em uma carta, ele me pediu para não abandonar este trabalho que o Senhor colocou no meu caminho. E se ofereceu para me acompanhar no que eu precisar”.

A religiosa fez um pedido a toda a sociedade para que seja consciente do dano que estas pessoas sofrem. “Em qualquer família é possível que haja pessoas que se assumam como homossexuais. Peço-lhes que as recebam com todo o amor que merecem, que não as rejeitem, porque essa rejeição pode acabar levando as pessoas à prostituição. Tudo isso pode ser evitado com o acolhimento das famílias”, opinou a freira.

Fonte: Aleteia

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Como qualquer observador de pássaros pode dizer-lhe, por vezes, as coisas mais óbvias são as mais difíceis de se ver, e o casamento não é exceção. É por isso que tantas pessoas estão levando o casamento de volta aos seus princípios. Tendo já explorado todas as possibilidades do que um casamento pode ser  – hetero ou gay, permanente ou temporário, sexuado ou assexuado, monogâmico ou polígamo, adicionando ou subtraindo ad infinitum – redescobrimos uma compreensão do casamento que é tão antiga (sem tecnologia sexual, sem operações, sem Supremos Tribunais) que é  nova outra vez.

Pegue seus  Binóculos: Duas Visões

Seja novo na observação de pássaros ou um perito experiente, pode-se dizer com segurança que todo mundo acredita em igualdade no casamento: acreditamos que os governos devem tratar igualmente todos os casamentos. O que nós podemos discordar é o que é um casamento. Ken Myers, locutor da Mars Hill Áudio Journal, observou que quando um governo toma medidas para proteger ou preservar ou evitar alguma atividade ou problema, ele deve primeiro ser capaz de definir a coisa em questão. Assim, quando um governo decide proteger as terras pantanosas, por exemplo, ele deve primeiro definir o que é uma terra pantanosa, o que qualifica um determinado espaço como sendo uma “terra pantanosa”.  Assim também com o casamento. Se um governo deve fornecer apoio público para o casamento, tal governo deve ter alguma definição do que é o casamento.

Então, o que constitui um casamento? Os autores de O que é o Casamento? observaram que o debate é essencialmente entre duas visões de casamento: a visão conjugal e a visão revisionista.

Por que o casamento existe?

A visão conjugal dá uma resposta: bebês. Casamento existe porque os seres humanos se reproduzem sexualmente, e a descendência humana é melhor criada com a mãe e pai biológicos. Embora nem todos os casamentos produzam descendentes, e embora o casamento tenha muitos outros bens e fins, o casamento é diferente em espécie de outros relacionamentos, porque outros relacionamentos não concebem e criam filhos tão adequadamente. O casamento surgiu porque os seres humanos se reproduzem sexualmente, e porque as crianças humanas exigem uma quantidade incalculável de nutrição e educação. Assim, o casamento é a instituição que une um homem e uma mulher como marido e mulher para ser mãe e pai de todas as crianças que nascem dessa união.

Contra isso, a visão revisionista é que, independentemente do que era antes, o casamento é hoje um vínculo emocional amoroso, um “companheirismo sexual romântico” ou “parceria doméstica”, uma coisa diferente de outros relacionamentos não em espécie, mas em grau, pela intensidade de realização emocional ou sexual. No fraseado do advogado do mesmo sexo John Corvino, o casamento é uma relação com “Sua Pessoa  Preferida”.

Então. É casamento entre homossexuais, heterossexuais, ou ambos? É casamento monogâmico ou polígamo? É casamento a união conjugal de um marido e uma esposa para toda a vida, normalmente para a procriação e provisionamento de progênie, pela vitalidade e saúde da sociedade … ou é o casamento simplesmente uma ligação sexual romântica entre quem, quando e por quanto tempo lhes apetecer?

Vamos dizer que um grupo de pessoas, todo misturado, afirma que são casados. São estes pombinhos realmente casados? É este um casamento real ou uma imitação? Aqui estão quatro perguntas simples que irão ajudá-lo a identificar um casamento real, quando você vê um.

1) O casamento pode  ser consumado?

Por que o casamento é sexual? O casamento é uma ampla cooperação na vida doméstica, mas o assentamento não é a característica distintiva do casamento. Ao contrário de amizades, que são uma relação de corações e mentes, e ao contrário de colegas da faculdade que simplesmente compartilham um espaço de vida, o que faz um casamento tão especial e único é que ele também é uma relação corporal. Robert P. George lembra que, historicamente, um casamento não era considerado válido até que tivesse sido consumado pelo ato que preenche as condições de comportamento da procriação, até que o marido e a esposa tivessem se tornado “uma só carne”.

Como duas pessoas podem tornar-se “uma só carne”? Dois seres humanos tornam-se genuinamente uma só carne no ato gerador. Nós digerimos os alimentos, nós caminhamos, nós pensamos, como indivíduos separados. Mas a reprodução sexual é diferente. A relação sexual é um ato único, mas é realizado por dois seres humanos, não como indivíduos, mas como pares, como macho e fêmea. Acasalamento nem sempre produz filhos: nossa lei sempre entendeu isso, e nunca tratou a infertilidade como uma barreira para o casamento ou como um fundamento de anulação legal; mas tem sempre tratado a falta de consumação como base para uma anulação legal. Um casamento não está completo até que seja consumado.

O casamento é diferente de outros tipos de uniões sexuais ou românticas não apenas em grau de intensidade, mas diferente em espécie: ele pode produzir e criar uma prole.

Isso não quer dizer que a intimidade sexual e o prazer não são significativos em si mesmos, pois mesmo quando a concepção não é alcançada, a união corporal o é. Dois homens, duas mulheres, e grupos não podem alcançar a união do corpo porque não existe nenhuma função para a qual seus corpos podem ser coordenados. Embora parceiros do mesmo sexo possam se envolver em atos que levam ao orgasmo, eles não podem tornar-se um princípio reprodutivo único; eles não podem se unir de uma forma que até mesmo casais inférteis podem unir-se em atos que preencham as condições de comportamento de procriação.

E é  só por que um homem e uma mulher podem se tornar um par acasalado, e não porque os seres humanos desejam intimidade ou amizade ou liberação da tensão sexual – foi que o casamento veio a existir. No entanto, o raciocínio da Suprema Corte Americana transforma o casamento em uma especialmente intensa relação emocional com sua Pessoa Preferida, e uma definição de tal modo subjetiva, tão dependente de sentimentos pessoais, gostos ou opiniões, é dificilmente viável para a sociedade. O casamento é mais do que se empoleirar.

O que nos resta agora que a Suprema Corte abandonou a definição conjugal do casamento e abraçou a ideia do casamento como um companheirismo sexual romântico com sua Pessoa Preferida? Nós não podemos explicar por que o casamento deve ser uma relação sexual. Nós não podemos explicar porque duas pessoas não poderiam muito bem considerar a característica central  da integração de seu casamento misturar coquetéis juntos ou pescar ou  algum outro interesse que não seja sexual.

Mas por que, então, deve o estado ser envolvido em tudo? Governo não é normalmente investido em relacionamentos de amigos comuns, ou irmãos, ou primos, ou jogadores de tênis, ou clubes de leitura das pessoas. Ainda mais, se o casamento é apenas um compromisso com Sua Pessoa Preferida, por que um casamento deveria sexual?

O governo se preocupa com a civilização, e o casamento é a base da civilização. O governo não se preocupa com as parcerias românticas das Pessoas  Preferidas.  Como autor Ryan T. Anderson coloca, o governo não está no “negócio de companheirismo intenso.” Historicamente, o governo tem se preocupado com o casamento porque o casamento está ligado à procriação e educação dos filhos de uma forma muito natural e fundamental que é boa para a sociedade.

Aqui está uma visão panorâmica: Cada criança é gerada por um homem e nascida de uma mulher, e cada criança tem o direito de ser criado por sua mãe e pai biológicos. Quem somos nós para privá-la preventivamente desse direito através da normalização do casamento entre homossexuais?

2) ‘É’ Dois?

Um bando de gansos pode ter qualquer número. Não é assim com o casamento. Por que o casamento é um vínculo de duas pessoas, e não cinco ou oito? Mais uma vez, por mais estranho que possa parecer para nós hoje, a resposta curta é: bebês. Quantas pessoas são necessárias para fazer um bebê?

É verdade: o marido e a mulher compartilham uma vida comum que não é apenas física, mas também financeira, emocional, moral, intelectual e espiritual. Mas a abrangência desta partilha é distinta de outros tipos de relacionamentos na sua adequação exclusiva para gerar e educar os filhos.

Casamento, historicamente entendido, é uma união reconhecida pela sociedade que formaliza direitos legais e obrigações entre o marido e a mulher, os pais e a criança, e a família e a comunidade. Este reconhecimento não é apenas necessário para o benefício dos cônjuges, mas especialmente para o benefício de todas as crianças o casamento pode produzir.

Três ou quatro pessoas podem optar por estimular sexualmente um ao outro, mas eles não podem tornar-se um princípio de reprodução única. A ideia de que o casamento é a união conjugal de um marido e uma esposa emerge da natureza humana e, portanto, é universal. Apenas um homem e uma mulher podem tornar-se “uma só carne”.

A definição revisionista do casamento não pode explicar por que o casamento deve ser a união de duas e apenas duas pessoas, e não três ou mais pessoas nas chamadas “relações poliamorosas”, já que três ou cinco pessoas podem sentir um vínculo emocional próximo e podem decidir que eles gostam de expressar seus sentimentos emocionais para com o outro em um jogo sexual mutuamente aceitável.

Diga-me com quem andas e eu te direi quem és. É natural que as pessoas com os mesmos gostos e interesses sejam encontradas juntos. Mas o casamento não é um agrupamento de qualquer número de pessoas por qualquer número de razões porque cada criança humana tem uma única mãe biológica e um pai biológico, e se não houver uma tragédia (ou abuso ou abandono ou morte), é melhor para as crianças humanas serem criadas por seus pais biológicos.

Marido e mulher são sexualmente complementares. Isto é o que os torna tão adequados para uma vida compartilhada como cônjuges e para ser os pais de seus filhos, conferindo-lhes o benefício natural de ambas as contribuições maternas e paternas para criação dos filhos.

Além disso, tentar ser 100 por cento comprometido com mais de uma pessoa em um “casamento polígamo” nunca poderia resultar em um relacionamento verdadeiramente igual. Apesar das melhores intenções, múltiplos amantes e crianças de vários cônjuges sempre levam à concorrência e desarmonia dentro da “família”. É por isso que a monogamia (estar casado com uma pessoa de cada vez) é uma boa ideia.

3) É Exclusivo?

“De quem é esta criança?” É uma pergunta importante para qualquer sociedade, e o voto de fidelidade ajuda a responder a essa pergunta. Historicamente, a infidelidade sexual tem sido motivos para divórcio porque a infidelidade sexual ameaça a única coisa que torna o casamento tão único e tão distinto de outros tipos de relacionamentos: fazer bebês. Por exemplo, se uma mulher é sexualmente infiel a seu marido e uma criança é concebida, uma questão muito problemática surge: quem é o pai?

George Gilder apresenta um argumento convincente em seu livro ‘Os Homens e o Casamento’ que, quando uma criança nasce, a mãe está sempre lá. Biologia cuida disso. Mas será que o pai está  lá? Será que o pai biológico fica com a mãe biológica e ajuda tal mãe a criar e nutrir seu filho, conferindo-lhe a enorme vantagem de ser criado no vínculo comprometido da união que trouxe aquela criança à vida?  A biologia não cuida disso. Se isso acontecer, é porque a cultura faz isso acontecer. E a maneira como uma cultura assegura aos seus filhos o benefício de um pai e uma mãe em uma ligação comprometida,  é o casamento.

Assim, o casamento é sexualmente exclusivo. Jurando fidelidade, cada parceiro torna público que eles não estão mais sexualmente disponíveis para os outros. Fidelidade não só incentiva os cônjuges se comprometer a criar os filhos que este casamento produziu em união estável, mas também garante o compromisso emocional do vínculo. Ciúme conjugal é real, e fidelidade ajuda a preservar a confiança e a paz –  para os pais e as crianças.

De acordo com a visão revisionista do casamento, não há motivo ou princípio – opinião, talvez, mas nenhum princípio – por que os casamentos devem ser sexualmente fechado, em vez de abertos. Melhor um pássaro na mão do que dois voando; é melhor se contentar com o que você tem que correr o risco de perder tudo, buscando mais. Um ditado, no entanto, não é um princípio. De acordo com a ideologia de casamento gay, não há um princípio pelo qual  deve haver fidelidade e não promiscuidade além de sentimentos. Mas os sentimentos aumentam e diminuem, e o casamento é “até que a morte nos separe”.

4) É permanente?

“Até que a morte nos separe.” Quem iria prometer algo tão … permanente? Porque os seres humanos não são tubarões. Casamento inclui historicamente um voto de permanência, porque as crianças que vêm a existir como resultado da reprodução sexual humana não são como tubarões bebês, que simplesmente nadam para longe de suas mães assim que nascem. Crianças humanas precisam ter suas fraldas trocadas, eles precisam ser amamentadas, envolvidas, amadas e educadas. A ideia de que o casamento é permanente está ligada à natureza humana.

A estabilidade do vínculo conjugal é benéfica para os próprios cônjuges, pois um compromisso com uma ligação ao longo da vida é um incentivo para poder dar a seu casamento o melhor, mas é especialmente benéfico para os seus filhos. O sentimento de pertença e segurança de uma criança está diretamente ligado à estabilidade do casamento de seus pais. Ainda mais, uma criança beneficia-se enormemente das contribuições na educação,  tanto a materna e paterna. Pais biológicos têm um incentivo único para educar bem seus filhos. Muitos pais não conseguem fazer o melhor que podem, é claro, mas não há nenhum outro vínculo que pode ser invocado como proporcionando uma maior possibilidade de que as crianças vão ser criadas por pessoas comprometidas com elas do que o vínculo parental.

E a parentalidade  nunca pára. Mesmo quando as crianças se tornam adultos e voam do ninho, o fato é que elas ainda têm uma mãe e pai biológicos, e que o vínculo comprometido dessa união é um bem  positivo em suas vidas. Exceto no caso de abuso, abandono, ou a infidelidade sexual, a estabilidade e a harmonia do casamento ao longo da vida são bons tanto para o marido quanto a esposa e os filhos que possam ter.

Se não se admite que o casamento e os filhos estão ligados, nenhuma conta pode ser prestada, de acordo com o entendimento revisionista de por que o casamento deve envolver um compromisso de permanência em vez de ser uma parceria temporária durante o tempo que dura o amor. Mas um diamante é para sempre. E o casamento é para a vida.

A Descaracterização do Casamento

É uma amizade ou um caso de amor? É uma irmandade ou uma parceria ou um casamento? É hora de levar seu caso para o próximo nível, e estas quatro perguntas ajudarão a uma identificação rápida. A decisão da Suprema Corte dos EUA não é uma pequena emenda que simplesmente ajuda as pessoas homossexuais a considerar as suas relações como casamentos. Estamos a falar de um erro de identificação  fundamental – uma abolição – do casamento, porque seria abolir todas as normas e critérios históricos e princípios do matrimônio que o tornam tão conveniente e frutífero e saudável para o grande projeto de educação infantil e desenvolvimento humano.

Este guia admite plenamente que um casamento de verdade não é necessariamente um casamento bom ou feliz. O grau em que os casais respeitam e amam uns aos outros é diferente, e o nível de apoio mútuo varia tanto quanto o nível de entusiasmo. Mas mesmo os piores  casamentos são mais reais do que as imitações. Não importa a  boa intenção  e felicidade que outros tipos de relacionamentos podem ter, se eles não são um vínculo entre um homem e uma mulher como marido e mulher para serem sexualmente fiéis, comprometidos por toda a   vida, e  serem mãe e pai para todas as crianças nascidas desta união, então eles não são um casamento.

Acho que todos podemos concordar que a nova definição de casamento é bastante indefinida. Dois indivíduos? Cinco mulheres? Uma mulher e dois gatos? Irmãs coabitando? O pessoal do clube do livro que sente que eles estão sendo tratados como cidadãos de segunda classe? A equipe de futebol que quer adotar uma criança? Ei, amor é  amor!

Amor é amor, e banalidade é banalidade. A questão, no chamado “debate sobre o casamento gay” não é sobre se os gays se amam, mas sobre se o amor é suficiente para fazer de qualquer relacionamento um casamento. É por isso que o Manual do Observador do Casamento não é diretamente sobre quem consegue se casar, mas sobre o que é o casamento.

O casamento é um dos nossos maiores recursos naturais. Se redefinimos o casamento para ser algo diferente de uma união conjugal de marido e mulher para a procriação e educação dos filhos, o significado do casamento simplesmente se dissolve. Tudo isso, é claro, será visto como intolerante e de mente fechada e insano, mas no final o casamento é a única coisa que mantém a humanidade indo adiante.

TYLER BLANSKI

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Na Holanda existe agora a multi-parentalidade gay ou as famílias homossexuais polivalentes. É disso que se trata e tomem cuidado para não se perderem entre os laços de “parentesco”.

Jaco e Sjoerd são um par de homens homossexuais “casados”  um com o outro (foto acima). Eles também têm um outro parceiro homossexual, Sean, que tem relações sexuais com ambos. Jaco e Sjoerd gostariam de se casar com Sean, mas, infelizmente, segundo eles dizem, tanto a poligamia heterossexual como homossexual ainda é proibida na Holanda: “Jaco e eu somos casados há oito anos. Infelizmente, não podemos casar com Sean, caso contrário, já o teríamos feito em um piscar de olhos”. Mas, prosseguindo, Daantje e Dewi são um par de lésbicas. Elas também são “casadas”. Os cinco se conhecem há anos. O par de lésbicas resolveu ter um filho através de uma sexta pessoa. Agora eles querem que esta criança seja educada por todos os cinco homossexuais. Assim, eles se dirigiram até o cartório para assinar um contrato regular de educação multigenitorial gay: “Cinco pais com direitos e deveres iguais, divididos em duas famílias: estas são as condições do contrato que todos nós assinamos e apresentamos ao escrivão”.

Mas, para os Países Baixos, este tipo de contrato não é juridicamente legal. No entanto, dado que cinco cabeças gay pensam melhor que uma só hetero, especialmente quando se trata de política igualitária, as duas “famílias” encontraram uma brecha. Na Holanda existe a possibilidade de que a mãe biológica nomeie para substituir o pai biológico ou cônjuge (também gay), um outro genitor legal. E assim Jaco foi nomeado genitor legal, em vez de Dewi. “Queríamos fazer de modo a ter certeza de que haveria um genitor legal em ambas as famílias, porque dividiremos também a educação”, disse essa última.

Esse caso holandês, que parece ter sido retirado do teatro do absurdo, é realmente muito ilustrativo porque abre os nossos olhos para a verdadeira revolução que a ideologia de gênero desencadeou tanto na antropologia como na estrutura familiar. Por trás de tudo se esconde uma lógica tão demente quanto férrea, que, se aceita, não fará outra coisa senão legitimar a multi-homo-parentalidade.

Primeiro: por que restringir o casamento a duas pessoas, se o ponto cardeal é o afeto? Três amigos não poderiam se querer bem o suficiente para querer se casar? Em segundo lugar, se dois gay — prossegue o argumento – podem buscar terceiros para ter uma criança, por que ela teria que ficar necessariamente restrita a uma só família?

Terceiro, se “família” é também aquela feita por um casal gay, porque a família não pode ser ainda composta por cinco gays?

Em quarto lugar, se uma criança pode vir ao mundo com a participação de quatro ou cinco pessoas, incluindo aí mães e pais biológicos, as mulheres que alugam o útero e outras que “doam” o DNA mitocondrial, por que tal criança não poderia ser educada por mais pessoas? Quanto mais pessoas o melhor, certo? Repetimos: se parte de você as premissas, deverá também aceitar as conclusões.

Estas quatro questões provocativas podem fundir-se em uma única reflexão. O caso ocorrido na Holanda encontra o seu coração pulsante em uma só palavra: “desejo”. O desejo, por sua própria natureza, se expande ao infinito. Se você deixá-lo correr à rédea livre, pode ter certeza de que ele jamais retornará ao seu ponto de partida, mas o levará para longe, muito longe.

E, de fato, essa história de genitores elevada à enésima potência tem um dinâmica centrífuga e no centro desta homo-lavanderia está o desejo. Um homem quer ter um relacionamento sexual com outro homem. Os dois querem “se casar”. Este par de “cônjuges” conhece um terceiro e tem em mente expandir a “família”. Os três conheçem um casal de lésbicas e querem ampliar ainda mais a “família”. O casal de lésbicas quer também se “casar” e, em seguida, querem um bebê. Todos os cinco desejam apaixonadamente ver crescer o bebê. E não tem ninguém para freá-los em suas intenções, porque agora se acredita que esses desejos são sacrossantos. Alguém do lado oposto diz que o certo seria proibir todas essas coisas, pois esses tipos de desejos não deveriam ser incentivados. Liberal sim, mas até um certo ponto. Um ponto bem plantado nas profundezas da loucura.

La Nuova Bussola Quotidiana

Via Fratres In Unum

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Parece que não há como escapar da ampla aceitação da homossexualidade e casamento gay nos EUA. Desde que os ativistas começaram a se beneficiar com leis “antidiscriminatórias”, a indústria de entretenimento acompanha o fluxo de pensamento dominante.

O estudioso de mídia Jeff Johnston é cristão e fez um alerta ao site LifeSiteNews. Ele deseja que os pais se preparem, pois, um número crescente de personagens gays e transexuais são mostrados em programas de televisão infantis.

Como exemplo, cita a controvérsia das personagens Korra e Asami, em “Avatar: A Lenda de Korra”, cujo último episódio mostrava claramente que elas viviam um relacionamento lésbico.

Ao mesmo tempo, surgiu uma grande polêmica na Austrália por causa do desenho animado “Shezow”, que chegou no Brasil mês passado pela Netflix. A história gira em torno de um “um menino de 12 anos que encontra um ‘anel mágico” que o transforma em uma menina”.

Sucesso entre pré-adolescentes, “Hora da Aventura”, exibido pelo Cartoon Network tem “fortes narrativas” relacionadas a questão de gênero, alerta Johnson. O criador da série, Pendleton Ward, já declarou que as duas personagens femininas, Marcelline e Princesa Bubblegum, foram namoradas.

A tendência não é apenas nos desenhos animados. O Disney Channel introduziu ano passado no popular seriado “Boa Sorte, Charlie” um casal homossexual formado por duas mulheres que tem um filho.

Johnston lembra que esse são apenas alguns exemplos, mas a tendência é esperar que os programas de televisão feitos para crianças devem mostrar cada vez mais o que “já está em nossa cultura.” Ele pediu aos pais que monitorem o que seus filhos estão vendo, não apenas na televisão, mas também em livros, jogos e filmes.

Para Johnston muitas dessas produções trazem “mensagens sexualmente confusas” que podem ser prejudiciais para quem não possui maturidade de entender plenamente o que está vendo. “Essas mensagens apenas criam confusão e geram insegurança. Nossas crianças não estão preparadas para lidar com esses temas adultos”, enfatizou.

 Christian Today

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Devido a sua importância no cenário político e cultural do mundo atual, o que acontece nos Estados Unidos acaba influenciando muitos outros países. Após a aprovação do casamento gay pela Suprema Corte, muito tem se especulado qual seria o próximo passo do movimento LGBT.

Existe uma verdadeira “guerra jurídica e cultural” no momento, que de muitas maneiras é influenciada pela campanha eleitoral que está em andamento, apesar de as eleições ocorrerem apenas em 2016. Por isso, muito tem se comentado se o próximo governo manterá as “políticas inclusivas”.

A corrente liberal, fortalecida com as decisões tomadas pela administração Obama, deseja ver todos que não se adequarem a nova lei igualitária forçados a mudar de ideia. Os primeiros alvos parecem ser as instituições cristãs.

Historicamente, várias das melhores universidades americanas foram fundadas e mantidas por igrejas. Muitas deixaram de ser confessionais, mas um número considerável permanece fiel a seus ideais desde a fundação.

Várias Universidades cristãs persistem com suas declarações de fé, na qual o casamento é definido como a união entre um homem e uma mulher. Quando um aluno se matricula nessas universidades confessionais, geralmente precisa assinar em concordância.

Como as universidades não oferecem alojamentos para gays nem permitem relacionamentos homossexuais nem de alunos nem de professores, existem processos na justiça de organizações que exigem mudanças nesse sentido. Esse tipo de perseguição fiscal está ocorrendo de forma bem similar também no Canadá.

Como consequência da mudança na lei federal, por conta da decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou a proibição do casamento entre homossexuais em 14 estados, instituições cristãs não sabem ainda qual será o impacto sobre suas políticas internas.

Especialistas dizem que a decisão não poderia forçar uma instituição privada a mudar suas crenças ou práticas, pois violariam a liberdade de culto. Contudo, pode acabar com o status de isenção fiscal que todas as instituições cristãs possuem como extensão da lei que beneficia igrejas. Além disso, muitas universidades e hospitais confessionais recebem benefícios do governo americano.

Em junho, antes da Suprema Corte julgar a questão, administradores de dezenas de universidades e faculdades cristãs assinaram uma “carta aberta” onde expressavam sua “profunda preocupação com a possível perda de status de isenção fiscal”.

Para a maioria delas, isso pode significar o fechamento já que teriam de aumentar as mensalidades para compensar os novos custos e isso implicaria em perda massiva de alunos.

Contribui para isso a recente declaração do procurador-geral Donald Verrilli, de que seria “um problema” decidir sobre as punições a instituições que se mostram contrárias à lei que sanciona o casamento gay.

De acordo com o MLive, Frank Ravitch, professor de direito da Universidade do Michigan, acredita que esse tipo de proibição viola os direitos fundamentais dos cidadãos americanos. Ele acredita que qualquer processo fará com que a Universidade seja obrigada a mudar as regras ou perderá imediatamente suas isenções fiscais.

Organizações que lutam em favor dos direitos dos homossexuais já pediram que a Suprema Corte se manifeste sobre o fim da isenção de impostos para igrejas. O motivo seria que elas descumprem uma decisão federal ao não reconhecer – nem realizar – o casamento de pessoas do mesmo sexo.

A influente revista Time publicou uma coluna assinada por Mark Oppenheimer na seção “Religião”. Ele afirmou que “Agora é a hora de acabar com isenções fiscais para Instituições religiosas”.

Seu argumento é que com o dinheiro extra que seria arrecadado, o governo dos EUA poderia investir em obras de assistência social, justamente por reconhecer que as igrejas são responsáveis por muitos deles, suprindo uma lacuna que sucessivas administrações deixaram no cuidado aos pobres.

Autor: Jarbas Aragão, autor

Via Gospel Prime

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A fala do juiz John Roberts, um dos 4 votos contrários à legalização do casamento gay na Suprema Corte dos EUA, pode abrir espaço para a legalização da poligamia. Na ocasião, ele justificou sua contrariedade alegando que os mesmos argumentos a favor de tais uniões poderiam ser usados para legalizar a poligamia.

A lógica é que se um casal homoafetivo alega que “sofreria o estigma de saberem que sua família é, de alguma forma, inferior”, por que o mesmo raciocínio não se aplica a uma família formada por três (ou mais) pessoas criando filhos?

Correntes do mormonismo, seita que pregava a poligamia até ela ser criminalizada nos EUA, comemoraram. A nova legislação sobre igualdade de casamento já permitiu que mórmons fundamentalistas do estado de Montana entrassem com pedido de uma certidão de casamento civil para o marido e a segunda esposa.

Nathan Collier casou com sua primeira esposa, Victoria, em 2000. Ele acabou se envolvendo com a irmã dela, Christine, e os três passaram a viver juntos. Embora tenham realizado uma cerimônia religiosa em 2007, a união deles não é reconhecida pela justiça americana.

“Só queremos garantir amparo legal a uma família amorosa, forte, funcional e feliz”, explica Nathan. Inspirado pela decisão da Suprema Corte no mês passado, alega que sofre uma violação dos seus direitos civis.

Para quem acha que este tipo de situação não pode ser comparada com o casamento gay, ano passado Kody Brown (foto acima) um mórmon que vive com suas quatro esposas e 16 filhos, obteve uma vitória na ação que movia há 3 anos contra o estado de Utah.

O juiz federal Clark Waddoups decidiu a favor dos Brown, considerando que a proibição de poligamia, prevista na lei, violava direitos constitucionais de liberdade religiosa. Isso fez com que muitos mórmons defendessem que a poligamia foi “descriminaliza” no estado.

Estima-se que existem mais de 20 mil famílias mórmons vivendo nesta situação e que poderiam “se legalizar”.

Além dos mórmons, estima-se que existam até 100 mil famílias muçulmanas na mesma situação nos EUA. Permitida pela Alcorão, a poligamia é normal nos países que vivem sob a lei religiosa islâmica.

Longe do aspecto religioso, o influente site sobre política americana Politico.com publicou uma extensa matéria sobre o tema, defendendo a prática como o “próximo passo do liberalismo social”. O argumento central é que os homossexuais já viviam maritalmente antes da legalização. Ou seja, adeptos do ‘poliamor’ também deveriam lutar pelos seus direitos e quebrar o ‘tabu’. É apenas uma questão de tempo até que cheguem na Suprema Corte.

O casamento gay viveu um processo similar, sendo gradualmente aceito em um estado depois do outro até finalmente ser aceito nacionalmente.

Segundo uma pesquisa do Gallup sobre valores morais, a poligamia era considerada moralmente aceitável por 7% da população em 2003. Na reedição da pesquisa em 2015, o percentual saltou para 16%.

Culturalmente, as mudanças nos Estados Unidos acabam se refletindo em grande parte do mundo. Vide o significativo número de brasileiros, inclusive muitos católicos desavisados, que coloriram suas fotos no Facebook para comemorar a decisão da Suprema Corte.

Fonte:  Charisma News

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

CONSIDERAÇÕES
SOBRE OS PROJETOS
DE RECONHECIMENTO LEGAL
DAS UNIÕES ENTRE PESSOAS
HOMOSSEXUAIS

 

INTRODUÇÃO

1. Diversas questões relativas à homossexualidade foram recentemente tratadas várias vezes pelo Santo Padre João Paulo II e pelos competentes Dicastérios da Santa Sé.(1) Trata-se, com efeito, de um fenômeno moral e social preocupante, inclusive nos Países onde ainda não se tornou relevante sob o ponto de vista do ordenamento jurídico. A preocupação é, todavia, maior nos Países que já concederam ou se propõem conceder reconhecimento legal às uniões homossexuais, alargando-o, em certos casos, mesmo à habilitação para adotar filhos. As presentes Considerações não contêm elementos doutrinais novos; entendem apenas recordar os pontos essenciais sobre o referido problema e fornecer algumas argumentações de caráter racional, que possam ajudar os Bispos a formular intervenções mais específicas, de acordo com as situações particulares das diferentes regiões do mundo: intervenções destinadas a proteger e promover a dignidade do matrimônio, fundamento da família, e a solidez da sociedade, de que essa instituição é parte constitutiva. Têm ainda por fim iluminar a atividade dos políticos católicos, a quem se indicam as linhas de comportamento coerentes com a consciência cristã, quando tiverem de se confrontar com projetos de lei relativos a este problema.(2) Tratando-se de uma matéria que diz respeito à lei moral natural, as seguintes argumentações são propostas não só aos crentes, mas a todos os que estão empenhados na promoção e defesa do bem comum da sociedade.

I. NATUREZA
E CARACTERÍSTICAS IRRENUNCIÁVEIS
DO 
MATRIMÔNIO

2. O ensinamento da Igreja sobre o matrimônio e sobre a complementaridade dos sexos propõe uma verdade, evidenciada pela reta razão e reconhecida como tal por todas as grandes culturas do mundo. O matrimônio não é uma união qualquer entre pessoas humanas. Foi fundado pelo Criador, com uma sua natureza, propriedades essenciais e finalidades.(3) Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas.

3. A verdade natural sobre o matrimônio foi confirmada pela Revelação contida nas narrações bíblicas da criação e que são, ao mesmo tempo, expressão da sabedoria humana originária, em que se faz ouvir a voz da própria natureza. São três os dados fundamentais do plano criador relativamente ao matrimônio, de que fala o Livro do Gênesis.

Em primeiro lugar, o homem, imagem de Deus, foi criado «  homem e mulher  » (Gn 1, 27). O homem e a mulher são iguais enquanto pessoas e complementares enquanto homem e mulher. A sexualidade, por um lado, faz parte da esfera biológica e, por outro, é elevada na criatura humana a um novo nível, o pessoal, onde corpo e espírito se unem.

Depois, o matrimônio é instituído pelo Criador como forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da faculdade sexual. «  Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne  » (Gn 2, 24).

Por fim, Deus quis dar à união do homem e da mulher uma participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a mulher com as palavras: «  Sede fecundos e multiplicai-vos  » (Gn 1, 28). No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimônio.

Além disso, a união matrimonial entre o homem e a mulher foi elevada por Cristo à dignidade de sacramento. A Igreja ensina que o matrimônio cristão é sinal eficaz da aliança de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 32). Este significado cristão do matrimônio, longe de diminuir o valor profundamente humano da união matrimonial entre o homem e a mulher, confirma-o e fortalece-o (cf. Mt 19, 3-12; Mc 10, 6-9).

4. Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimônio e a família. O matrimônio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os atos homossexuais, de fato, «  fecham o ato sexual ao dom da vida. Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar  ».(4)

Na Sagrada Escritura, as relações homossexuais «  são condenadas como graves depravações… (cf. Rm 1, 24-27; 1 Cor 6, 10; 1 Tm 1, 10). Desse juízo da Escritura não se pode concluir que todos os que sofrem de semelhante anomalia sejam pessoalmente responsáveis por ela, mas nele se afirma que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados  ».(5) Idêntico juízo moral se encontra em muitos escritores eclesiásticos dos primeiros séculos,(6) e foi unanimemente aceite pela Tradição católica.

Também segundo o ensinamento da Igreja, os homens e as mulheres com tendências homossexuais «  devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Deve evitar-se, para com eles, qualquer atitude de injusta discriminação  ».(7) Essas pessoas, por outro lado, são chamadas, como os demais cristãos, a viver a castidade.(8) A inclinação homossexual é, todavia, «  objetivamente desordenada  »,(9) e as práticas homossexuais «  são pecados gravemente contrários à castidade  ».(10)

II. ATITUDES PERANTE O PROBLEMA
DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS

5. Em relação ao fenômeno das uniões homossexuais, existentes de facto, as autoridades civis assumem diversas atitudes: por vezes, limitam-se a tolerar o fenômeno; outras vezes, promovem o reconhecimento legal dessas uniões, com o pretexto de evitar, relativamente a certos direitos, a discriminação de quem convive com uma pessoa do mesmo sexo; nalguns casos, chegam mesmo a favorecer a equivalência legal das uniões homossexuais com o matrimônio propriamente dito, sem excluir o reconhecimento da capacidade jurídica de vir a adotar filhos.

Onde o Estado assume uma política de tolerância de facto, sem implicar a existência de uma lei que explicitamente conceda um reconhecimento legal de tais formas de vida, há que discernir bem os diversos aspectos do problema. É imperativo da consciência moral dar, em todas as ocasiões, testemunho da verdade moral integral, contra a qual se opõem tanto a aprovação das relações homossexuais como a injusta discriminação para com as pessoas homossexuais. São úteis, portanto, intervenções discretas e prudentes, cujo conteúdo poderia ser, por exemplo, o seguinte: desmascarar o uso instrumental ou ideológico que se possa fazer de dita tolerância; afirmar com clareza o carácter imoral desse tipo de união; advertir o Estado para a necessidade de conter o fenómeno dentro de limites que não ponham em perigo o tecido da moral pública e que, sobretudo, não exponham as jovens gerações a uma visão errada da sexualidade e do matrimónio, que os privaria das defesas necessárias e, ao mesmo tempo, contribuiria para difundir o próprio fenómeno. Àqueles que, em nome dessa tolerância, entendessem chegar à legitimação de específicos direitos para as pessoas homossexuais conviventes, há que lembrar que a tolerância do mal é muito diferente da aprovação ou legalização do mal.

Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência.

III. ARGUMENTAÇÕES RACIONAIS
CONTRA O RECONHECIMENTO LEGAL
DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS

6. A compreensão das razões que inspiram o dever de se opor desta forma às instâncias que visem legalizar as uniões homossexuais exige algumas considerações éticas específicas, que são de diversa ordem.

De ordem relativa à reta razão

A função da lei civil é certamente mais limitada que a da lei moral.(11) A lei civil, todavia, não pode entrar em contradição com a recta razão sob pena de perder a força de obrigar a consciência.(12) Qualquer lei feita pelos homens tem razão de lei na medida que estiver em conformidade com a lei moral natural, reconhecida pela recta razão, e sobretudo na medida que respeitar os direitos inalienáveis de toda a pessoa.(13) As legislações que favorecem as uniões homossexuais são contrárias à recta razão, porque dão à união entre duas pessoas do mesmo sexo garantias jurídicas análogas às da instituição matrimonial. Considerando os valores em causa, o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem comum, como é o matrimônio.

Poderá perguntar-se como pode ser contrária ao bem comum uma lei que não impõe nenhum comportamento particular, mas apenas se limita a legalizar uma realidade de facto, que aparentemente parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém refletir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento homossexual como fenômeno privado, e o mesmo comportamento como relação social legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do ordenamento jurídico. O segundo fenômeno, não só é mais grave, mas assume uma relevância ainda mais vasta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para o bem ou para o mal. «  Desempenham uma função muito importante, e por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume  ».(14) As formas de vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gerações, a compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões homossexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores morais fundamentais e desvalorizar a instituição matrimonial.

De ordem biológica e antropológica

7. Nas uniões homossexuais estão totalmente ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimônio e da família, que poderiam dar um fundamento racional ao reconhecimento legal dessas uniões. Estas não se encontram em condição de garantir de modo adequado a procriação e a sobrevivência da espécie humana. A eventual utilização dos meios postos à sua disposição pelas recentes descobertas no campo da fecundação artificial, além de comportar graves faltas de respeito à dignidade humana,(15) não alteraria minimamente essa sua inadequação.

Nas uniões homossexuais está totalmente ausente a dimensão conjugal, que representa a forma humana e ordenada das relações sexuais. Estas, de facto, são humanas, quando e enquanto exprimem e promovem a mútua ajuda dos sexos no matrimônio e se mantêm abertas à transmissão da vida.

Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adoção significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática seria gravemente imoral e pôr-se-ia em aberta contradição com o princípio reconhecido também pela Convenção internacional da ONU sobre os direitos da criança, segundo o qual, o interesse superior a tutelar é sempre o da criança, que é a parte mais fraca e indefesa.

De ordem social

8. A sociedade deve a sua sobrevivência à família fundada sobre o matrimônio. É, portanto, uma contradição equiparar à célula fundamental da sociedade o que constitui a sua negação. A consequência imediata e inevitável do reconhecimento legal das uniões homossexuais seria a redefinição do matrimônio, o qual se converteria numa instituição que, na sua essência legalmente reconhecida, perderia a referência essencial aos factores ligados à heterossexualidade, como são, por exemplo, as funções procriadora e educadora. Se, do ponto de vista legal, o matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrimônios possíveis, o conceito de matrimônio sofrerá uma alteração radical, com grave prejuízo para o bem comum. Colocando a união homossexual num plano jurídico análogo ao do matrimônio ou da família, o Estado comporta-se de modo arbitrário e entra em contradição com os próprios deveres.

Em defesa da legalização das uniões homossexuais não se pode invocar o princípio do respeito e da não discriminação de quem quer que seja. Uma distinção entre pessoas ou a negação de um reconhecimento ou de uma prestação social só são inaceitáveis quando contrárias à justiça.(16) Não atribuir o estatuto social e jurídico de matrimônio a formas de vida que não são nem podem ser matrimoniais, não é contra a justiça; antes, é uma sua exigência.

Nem tão pouco se pode razoavelmente invocar o princípio da justa autonomia pessoal. Uma coisa é todo o cidadão poder realizar livremente atividades do seu interesse, e que essas atividades que reentrem genericamente nos comuns direitos civis de liberdade, e outra muito diferente é que atividades que não representam um significativo e positivo contributo para o desenvolvimento da pessoa e da sociedade possam receber do Estado um reconhecimento legal especifico e qualificado. As uniões homossexuais não desempenham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções pelas quais o matrimônio e a família merecem um reconhecimento específico e qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões são nocivas a um recto progresso da sociedade humana, sobretudo se aumentasse a sua efetiva incidência sobre o tecido social.

De ordem jurídico

9. Porque as cópias matrimoniais têm a função de garantir a ordem das gerações e, portanto, são de relevante interesse público, o direito civil confere-lhes um reconhecimento institucional. As uniões homossexuais, invés, não exigem uma específica atenção por parte do ordenamento jurídico, porque não desempenham essa função em ordem ao bem comum.

Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples facto de conviverem, o efectivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui porém uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social.(17)

 

IV. COMPORTAMENTOS DOS POLÍTICOS CATÓLICOS
PERANTE LEGISLAÇÕES FAVORÁVEIS
ÀS UNIÕES HOMOSSEXUAIS

10. Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria. Na presença de projetos de lei favoráveis às uniões homossexuais, há que ter presentes as seguintes indicações éticas.

No caso que se proponha pela primeira vez à Assembleia legislativa um projeto de lei favorável ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de manifestar clara e publicamente o seu desacordo e votar contra esse projeto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um ato gravemente imoral.

No caso de o parlamentar católico se encontrar perante uma lei favorável às uniões homossexuais já em vigor, deve opor-se-lhe, nos modos que lhe forem possíveis, e tornar conhecida a sua oposição: trata-se de um ato devido de testemunho da verdade. Se não for possível revogar completamente uma lei desse gênero, o parlamentar católico, atendo-se às orientações dadas pela Encíclica Evangelium vitae, «  poderia dar licitamente o seu apoio a propostas destinadas a limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos negativos no plano da cultura e da moralidade pública  », com a condição de ser «  clara e por todos conhecida  » a sua «  pessoal e absoluta oposição  » a tais leis, e que se evite o perigo de escândalo.(18) Isso não significa que, nesta matéria, uma lei mais restritiva possa considerar-se uma lei justa ou, pelo menos, aceitável; trata-se, pelo contrário, da tentativa legítima e obrigatória de proceder à revogação, pelo menos parcial, de uma lei injusta, quando a revogação total não é por enquanto possível.

 

CONCLUSÃO

11. A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.

O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida a 28 de Março de 2003 ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou as presentes Considerações, decididas na Sessão Ordinária desta Congregação, e mandou que fossem publicadas.

Roma, sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 3 de Junho de 2003, memória de São Carlos Lwanga e companheiros, mártires.

Joseph Card. Ratzinger
Prefeito

Angelo Amato, S.D.B.
Arcebispo titular de Sila
Secretário


(1) Cf. João Paulo II, Alocuções por ocasião da recitação do Angelus, 20 de Fevereiro de 1994 e 19 de Junho de 1994; Discurso aos participantes na Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para a Família, 24 de Março de 1999; Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2359, 2396; Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, 29 de Dezembro de 1975, n. 8; Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986; Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992; Conselho Pontifício para a Família, Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais da Europa sobre a resolução do Parlamento Europeu em matéria de cópias homossexuais, 25 de Março de 1994; Família, matrimónio e «  uniões de facto  », 26 de Julho de 2000, n. 23.

(2) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenho e comportamento dos católicos na vida política, 24 de Novembro de 2002, n. 4.

(3) Cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n. 48.

(4) Catecismo da Igreja Católica, n. 2357.

(5) Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, 29 de Dezembro de 1975, n. 8.

(6) Cf. por exemplo, S. Policarpo, Carta aos Filipenses, V, 3; S. Justino, Primeira Apologia, 27, 1-4; Atenágoras, Súplica em favor dos cristãos, 34.

(7) Catecismo da Igreja Católica, n. 2358; cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986, n. 10.

(8) Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2359; Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986, n. 12.

(9) Catecismo da Igreja Católica, n. 2358.

(10) Ibid., n. 2396.

(11) Cf. João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 71.

(12) Cf. ibid., n. 72.

(13) Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I-II, q. 95, a. 2.

(14) João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 90.

(15) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Donum vitae, 22 de Fevereiro de 1987, II. A. 1-3.

(16) Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 63, a. 1, c.

(17) Deve, além disso, ter-se presente que existe sempre «  o perigo de uma legislação, que faça da homossexualidade uma base para garantir direitos, poder vir de facto a encorajar uma pessoa com tendências homossexuais a declarar a sua homossexualidade ou mesmo a procurar um parceiro para tirar proveito das disposições da lei  » (Congregação para a Doutrina da Fé, Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992, n. 14).

(18) João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 73.