“Existem pelo menos 6.500 diferenças genéticas entre homens e mulheres. Hormônios e cirurgia não podem mudar isso”. A afirmação foi feita pela pediatra Michelle Cretella, que recentemente publicou um artigo sobre os perigos da ideologia de gênero para crianças e como tal doutrinação tem enganado, até mesmo “especialistas” na sociedade atual.

Segundo a profissional, que é presidente da Faculdade Americana de Pediatria, os tratamentos de transição de gênero com uso de hormônios e bloqueadores de puberdade podem causar diversos problemas nas crianças e adolescentes, como problemas de memória, doenças cardíacas,acidentes vasculares cerebrais, diabetes, câncer e até mesmo os muitos problemas emocionais. Porém tudo isto tem sido ignorado por boa parte dos terapeutas atualmente.

“O sexo biológico não é atribuído, mas sim determinado na concepção pelo nosso DNA e está estampado em cada célula de nossos corpos. A sexualidade humana é binária. Você tem um cromossomo Y normal, que se desenvolve em um homem, ou não, e você se transformará em uma fêmea. Existem pelo menos 6.500 diferenças genéticas entre homens e mulheres. Hormônios e cirurgia não podem mudar isso“, destacou.

“Uma identidade não é biológica, é psicológica. Tem a ver com o pensamento e o sentimento. Pensamentos e sentimentos não são biologicamente definidos. Nosso pensamento e sentimento podem ser factualmente corretos ou factualmente incorretos”, acrescentou.

Michelle continuou seu artigo mostrando a incoerência entre as formas como o fator “transgênero” é tratado atualmente por muitos médicos.

“Se eu entrar no consultório do meu médico hoje e disser: ‘Oi, eu sou Margaret Thatcher’, meu médico vai dizer que eu estou delirando e me me passará uma receita de antipsicóticos. No entanto, se, em vez disso, eu entrasse e dissesse: ‘Eu sou um homem’, ele diria: ‘Parabéns, você é transgênero”, afirmou.

Citando outro exemplo, Michelle destacou a falta de critérios médicos para julgar de forma adequada o desejo de automutilação de uma pessoa que se diz “transgênero”.

“Se eu dissesse: ‘Doutor, eu sou suicida porque me sinto como um amputado preso em um corpo normal, corte minha perna’, eu seria diagnosticada com transtorno de integridade corporal. Mas se eu entrasse no consultório do médico e dissesse: ‘Eu sou um homem, quero agender um horário para uma mastectomia [remoção do seio] dupla’, meu médico prontamente me atenderia. Ora, veja bem, se você quer cortar uma perna ou um braço, está mentalmente doente, mas se você quer cortar os seios – no caso das mulheres – mesmo eles estando saudáveis ​​ou o pênis – no caso dos homens – você simplesmente é transgênero e ‘não há problema com isso”, destacou.

Estudo de caso

Apresentando o caso de um de seus pacientes, Michelle alertou sobre como a “identidade transgênero” tem sido diagnosticada precocemente nos dias de hoje.

“Eu tinha um paciente – que vamos chamar de Andy – e entre as idades de 3 e 5 anos, ele passou a brincar cada vez mais com meninas e brinquedos de meninas. Depois disso, ele passou a dizer que era uma menina. Eu encaminhei os pais e Andy para um terapeuta. Às vezes, a doença mental de um dos pais ou o abuso que a criança sofreu são fatores, mas, mais comumente, a criança perdeu a percepção da dinâmica familiar e internalizou uma falsa crença”, disse.

“No meio de uma sessão, Andy deixou o carrinho de brinquedo, segurou uma Barbie nas mãos e disse: ‘Mamãe e papai, vocês não me amam quando sou um menino”, relatou a pediatra.

Buscando descobrir o contexto em que o garoto vivia, Michelle descobriu que uma certa dificuldade na família levou o pequeno Andy a achar que ele “teria que se tornar uma menina” para ser amado por seus pais, mas um tratamento eficiente resolveou a questão..

“Quando Andy tinha 3 anos, sua irmã com necessidades especiais nasceu e isto exigiu significativamente mais atenção dos pais. Andy percebeu isso como se seus pais preferissem uma filha e passou a pensar algo como: ‘Se eu quiser que eles me amem, eu tenho que ser uma menina”. Com a terapia familiar, Andy superou isso”, explicou Michelle.

“A questão é que se fosse nos dias de hoje, os pais de Andy receberiam a seguinte orientação: ‘Isso é o que Andy realmente é. Vocês devem garantir que todo mundo o trate como uma menina ou então ele vai se suicidar”, lembrou a pediatra. “À medida que Andy chegasse à puberdade, os ‘especialistas’ o colocariam em um tratamento com bloqueadores de puberdade para que ele continuasse a se passar por uma menina”.

Michelle alertou que estes bloqueadores de puberdade estão sendo recomendados para crianças e adolescentes antes mesmo de serem testados com segurança, o que é muito perigoso.

“[Para estes ‘especialistas’] não importa que nunca tenhamos testado bloqueadores de puberdade em crianças biologicamente normais. Não importa que, quando os bloqueadores são usados ​​para tratar o câncer de próstata nos homens e problemas ginecológicos nas mulheres, eles causam problemas de memória. É como se dissessem: ‘Não precisamos de testes. Precisamos inibir o desenvolvimento físico da criança agora, ou ela vai se matar”, afirmou.

“Mas isso não é verdade. Em vez disso, quando suportados em seu sexo biológico através da puberdade natural, a grande maioria das crianças com disforia de gênero melhoram. No entanto, crianças que estão confusas com relação ao seu gênero são ​​quimicamente castradas com bloqueadores da puberdade. Em seguida, muitas delas são permanentemente esterilizadas, adicionando hormônios cruzados, que também as colocam em risco de doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes, câncer e até mesmo os muitos problemas emocionais que os especialistas em gênero estão se desdobrando para tratar”, acrescentou.

Michelle finalizou seu artigo, alertando sobre o abuso psicológico que configura a ideologia de gênero sobre as crianças e adolescentes.

“Iludir todas as crianças da pré-escola para a frente com a mentira de que elas poderiam estar presas no corpo errado destrói o alicerce, a noção de realidade de uma criança. Se elas não podem confiar na realidade de seus corpos físicos, em quem ou no quê eles podem confiar? A ideologia de gênero nas escolas é o abuso psicológico que muitas vezes leva a castração química, esterilização e mutilação cirúrgica”, disse.

Fonte original

Uma noite, eu tive um sonho: um sonho que efetivamente expôs os cantos anteriormente ocultos da minha imaginação católica totalmente estereotipada. Mas não era o típico sonho cheio de esperanças e desejos. Foi um pesadelo pessoal. Nesse sonho eu era mãe solteira. E me senti tão completamente real.

O enredo do sonho aconteceu em uma jangada na água, flutuando na grande companhia de amigos e familiares. Todos a bordo pareciam estar cientes da situação, menos eu. De repente, uma garota, com aproximadamente 10 anos, me disse que eu não significava nada para ela. Ela tinha cabelos ruivos, e ela era minha filha.

Felizmente e infelizmente, foi apenas um sonho. Mas além do fato de que me fez perceber meus medos estranhos e o tique-taque do meu relógio biológico, isso me permitiu, pela primeira vez, me colocar no papel de mais velha e sábia na dupla mãe-filha.

Eu deixei a fantasia, ou melhor, as memórias, me levarem. Lembrei-me de quando fui ao cabeleireiro com minha mãe na 5ª série e pedi um corte “igual o da minha mãe”. Lembrei-me do meu primeiro café fora, que minha mãe me convidou em um domingo durante os meus anos de ensino médio. Ela sempre tomava café depois da igreja. Eu preferia ler livros, ou praticava algum instrumento (para a escola de música), mas desde aquele dia, eu sempre fiz isso enquanto desfrutava de uma pequena xícara de café preto. Eu me lembro da série de TV The Gilmore Girls, que teve um impacto em mim.

E então comecei a me sentir triste por não ser mãe solteira. Depois disso, pensei que queria muito transmitir à minha filha algumas coisas que me ensinavam a gostar de ser mulher, mesmo que parecessem totalmente independentes da fé.

  1. Não ler livros mal escritos

Claro, todo mundo tem suas próprias preferências. Mas, para além da lista dos deveres espirituais, você não deve ser guiado pelo conjunto de valores apresentados por qualquer autor. Uma indicação muito melhor de um livro digno é a qualidade – da linguagem, da sintaxe e da trama. Afinal, ler um bom livro  não interfere na leitura das Escrituras. Portanto, se minha filha vier me pedir sugestões, vou sugerir a ela Zadie Smith e Virgina Woolf, porque se você irá ler, você deve ler apenas o melhor dos melhores.

  1. Ser feminina é grandioso

Quando adolescente, passei vários anos lendo revistas políticas. Em vez de títulos como  Vogue Allure, aos 15 anos comprei o Wprost, um semanário político-social polaco, e também um popular semanário católico. Inacreditável.

Não me interpretem mal; eu não tenho nenhum problema com qualquer uma destas mulheres da moda e publicações de estilo de vida. Eu respeito seu trabalho. Mas eu ficaria orgulhosa se minha filha olhasse através da Vogue sabendo que não é menos ambiciosa do que ler textos políticos. “Você poderia ser como eu”, eu diria para minha filha. “Porque feminino significa grandioso. E feminino também significa seu”.

  1. Não se concentrar na modéstia

Sei que para pessoas mais religiosas isso não soará tão bem, mas tenho medo da palavra modéstia. Eu a ouvi no contexto errado muitas vezes. É, ainda, muitas vezes distorcida. Gostaria que minha filha respeitasse outras pessoas e soubesse que ela é tão – nem mais e nem menos – valiosa como qualquer outra pessoa porque somos todos iguais.

Mas eu não quero que ela descubra que ela não deve dizer algo, ou não deve tentar mais do que alguém, porque isso não é modesto e não há humildade suficiente em tal comportamento.

Eu preferiria que ela ouvisse: “Lembre-se de que cada meta é alcançável. Tudo o que você precisa é trabalhar duro, ser consistente, e às vezes ser teimosa e autossuficiente. Não fale muito de si mesma e use o fato de que você prefere estar na sombra. Deixe os tesouros para pessoas realmente importantes. Seja paciente e fale alto sobre o que é importante para você”.

  1. Não seja confundida sobre a definição de feminismo

Li recentemente um artigo sobre a metamorfose de Alicia Keys. Começa com uma citação: “Qualquer garota que não é feminista é apenas louca”. Alguns dias depois, Molly Daley, que promove métodos naturais de planejamento familiar, falou com For Her (essa conversa está disponível aqui). Talvez eu esteja confusa, mas tanto quanto estou preocupada, ambos falam sobre a mesma coisa: amor-próprio, autoestima, e sobre desfrutar de quem e o que você é.

Chame isso do que quiser, mas é isso que o feminismo significa para mim. Independência interna, responsabilidade pessoal pelos riscos que você toma, e uma escolha consciente do seu caminho. Para os cristãos, Jesus será a fonte de tudo; para os ateus, é a crença em si mesmos que os guiará. Cada um quebra moldes diferentes.

Espero que minha filha, que “algum dia” eu terei, um dia seja forte o suficiente para ser ela mesma, por conta própria, não se elevando e não precisando de elogios excessivos; que ela fará o que a faz feliz, guiada pelo que é mais importante. E eu espero que ela sonhe.

Afinal, você nunca sabe onde um único sonho surpreendente irá levá-lo.

Jola Szymanska

O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) entrou com uma ação civil pública requerendo que a Sociedade Inteligência e Coração (SIC), dona do Colégio Santo Agostinho, pague indenização por dano moral coletivo por entender que a instituição expôs os alunos “a situação de risco”, ao abordar a “ideologia de gênero” nas aulas.

A reportagem do jornal O Tempo destaca que “a ação solicita valor correspondente às mensalidades e à matrícula do ano de 2017 de todos os alunos matriculados na 3ª a 6ª série do ensino fundamental, das unidades de Belo Horizonte e Nova Lima e Contagem, na região metropolitana.”

Segundo a matéria, “a polêmica começou em julho de 2017, quando mais de 125 pais de alunos do Colégio Santo Agostinho elaboraram uma notificação extrajudicial exigindo que conteúdos relacionados a gênero e sexualidade fossem proibidos em sala de aula. Em novembro do ano passado, os pais dos alunos fizeram uma representação no Ministério Público, questionando a inclusão de “ideologia de gênero” na proposta pedagógica do colégio.”

Naquela ocasião, “os promotores Celso Penna Fernandes Júnior e Maria de Lurdes Rodrigues Santa Gema consideram que houve ‘ensino de matérias, uso de práticas, de material e de dinâmicas indevidos, inadequados ou incompatíveis com a respectiva idade’.”

O Colégio Santo Agostinho soltou uma nota. Leia a íntegra:

Estimada comunidade escolar,

Em 2017, o Colégio Santo Agostinho recebeu uma notificação extrajudicial de um grupo de pais, questionando uma suposta abordagem de temas relacionados a ideologia de gênero em nossa proposta pedagógica. Concomitantemente, esse grupo fez uma representação no Ministério Público Estadual contra a nossa instituição alegando o mesmo tema. Agora, fomos surpreendidos por uma ação judicial proposta pelo Ministério Público sob a falsa alegação de divulgar a “Ideologia de Gênero”.

Cópia dessa ação civil está circulando em grupos de WhatsApp como se fosse algo novo, com suposta condenação definitiva, o que não é verdade. Em relação a isso gostaríamos de esclarecer, novamente, que não contemplamos, em nosso projeto pedagógico, a “Ideologia de Gênero”. A ação judicial contém alegações absurdas, desconectadas da realidade e sem correspondência com a verdade. O Colégio Santo Agostinho já está tomando as medidas judiciais cabíveis, seja para nos defender contra as falsas alegações a nós atribuídas, seja para responsabilizar as pessoas e os agentes que estão divulgando essas mentiras.

A SIC – Sociedade Inteligência e Coração, mantenedora do Colégio Santo Agostinho e de Obras Sociais, está há mais de 84 anos em Minas Gerais. Atende a 8.500 alunos nas unidades do Santo Agostinho e 3.500 alunos em escolas 100% gratuitas. Ao longo de sua história, formou milhares de jovens que hoje estão nas universidades ou atuando no mercado de trabalho nas mais diversas profissões. Todos eles carregam, desde a década de 30, a indelével marca de terem sido estudantes agostinianos.

O Colégio viu a cidade se transformar e consolidou-se como uma instituição forte e com excelente reputação na sociedade mineira, além de ser referência no ensino de qualidade. Nossa história é consistente, carrega tradição, é pautada nos valores cristãos e nos grandes referenciais da civilização. Por lidar com tantas crianças e jovens, nossa conduta prima pelo respeito à diversidade e à pluralidade presentes na nação brasileira.

Consideramos a família o núcleo mais importante na formação da identidade de uma criança. O Colégio Santo Agostinho jamais almejou ocupar as responsabilidades que são da alçada dos pais.

Alguns grupos e indivíduos distorcem a proposta da nossa instituição e tentam nos difamar. Então nos perguntamos: a quem isso pode interessar?

Enfatizamos que o Colégio Santo Agostinho não tem projeto algum sistematizado e arquitetado “para confundir a cabeça das crianças e jovens”, como se alega no referido processo. A escola se ocupa em oferecer meios para que cada um que aqui se inscreve se sinta seguro e acolhido em suas realizações, alegrias, mas também nas suas dores. Não negamos a escuta a quem nos procura. Alguns problemas que chegam até nós são complexos: desemprego dos pais, violência doméstica, automutilação, depressão, entre outros dramas presentes em nossa sociedade. Nem tudo são flores para muitos de nossos jovens. Procuramos atuar sempre junto com as famílias, às quais oferecemos estrutura de atendimento individualizado.

O mundo mudou e a sociedade também. A escola não está incólume a tudo isso. Ela interfere e sofre a interferência do seu entorno. No mar agitado, ela busca o farol; no meio dos ruídos, busca os sinais. A experiência e a tradição nos ajudam a lidar com as contradições, as diferenças, os extremos e as incertezas. A escola não é a inimiga, e tampouco os professores; somos parceiros das famílias na formação humana e cidadã de seus filhos, pautada nos valores cristãos, católicos e agostinianos.

Que os estudantes, ex-estudantes, famílias, professores e funcionários do Colégio Santo Agostinho, com suas vidas e valores possam testemunhar a seriedade e idoneidade dos nossos centros educativos.

Fonte: 247

Um estudo do Pew Research Center divulgado no fim de outubro confirma o que uma observação atenta já previa: existe um racha entre Europa Ocidental e Europa Oriental quando o assunto é a opinião da população sobre o aborto e o casamento gay. Foram entrevistadas quase 56 mil pessoas maiores de idade em 34 países, entre 2015 e 2017.

Na Suécia, por exemplo, 88% da população é favorável ao casamento gay. Os números também são altos na Dinamarca (82%), na Holanda (86%), na Bélgica (82%), na Espanha (77%), no Reino Unido (77%), na Alemanha (75%), na Suíça (75%), na França (73%), na Áustria (72%) e na Noruega (72%).

Do outro lado do continente, o único país da Europa Oriental que pontua mais de 50% da população favorável ao casamento gay é a República Tcheca, com 65%. Na Geórgia e na Armênia, apenas 3% da população é favorável. Na Rússia e na Moldávia, são 5%, e na Ucrânia, 9%. A Sérvia e a Lituânia pontuam 12%. A Hungria, a Grécia, a Romênia e a Bulgária tampouco chegam aos 30%. Na Croácia o índice é de 31% e na Polônia, 32%.

Os países mais divididos em ambas as partes do continente são Portugal (59%), Itália (59%) e Eslováquia (47%). Nenhum país da Europa Oriental permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, enquanto quase todos os países da Europa Ocidental legalizaram a prática.

Se levarmos em consideração apenas a população jovem – entre 18 e 34 anos – o cenário não muda muito. Na Rússia, por exemplo, se 90% da população adulta é contrária ao casamento homoafetivo, esse número chega a 86% quando considerada apenas aquela faixa de idade. Na Polônia, o número cai de 59% para 50% e na Ucrânia de 85% para 82%. Em nenhum país do continente o percentual de jovens contrários ao casamento de pessoas do mesmo sexo é mais expressivo do que aquele considerando toda a população adulta.

Aborto

Quando o tema é aborto, a divisão se mantém, embora de modo um pouco menos marcado do que em relação ao casamento gay. 94% dos suecos e 92% dos dinamarqueses consideram que a prática deve ser legalizada em todos ou na maioria dos casos. Acima de 70%, estão também Finlândia (87%), Bélgica (84%), Holanda (84%), França (81%), Noruega (81%), Reino Unido (81%), Alemanha (76%), Suíça (73%), Áustria (73%) e Espanha (72%).

Na Europa Oriental, cinco países se destacam ao fugir à regra e alinhar-se com os países ocidentais. República Tcheca (84%), Estônia (81%), Bulgária (80%), Hungria (70%) e Eslováquia (70%) têm maiorias bastante expressivas favoráveis ao aborto. A opinião é majoritária também na Sérvia, na Croácia, na Armênia, na Letônia, e na Lituânia.

Os países cuja maioria da população se opõe ao aborto em todos ou na maioria dos casos estão todos na Europa Oriental. Na Geórgia, são 85% da população, e na Moldávia, 79%. Completam a lista Rússia (56%), Ucrânia (55%), Bielorrússia (54%), Polônia (52%) e Grécia (52%). O país ocidental mais contrário ao aborto é Portugal, onde 34% da população concorda que a prática deveria ser ilegal em todos ou na maioria dos casos.

Fonte: Sempre Família

As autoridades da China lançaram uma ofensiva contra as cruzes e outras estruturas da Igreja em três dioceses do país neste mês de outubro, apenas dias depois do Acordo Provisório assinado com o Vaticano para a nomeação de bispos.

Na Diocese de Guizhou, no sudeste do país, em 15 de outubro, as autoridades ordenaram a retirada de algumas estruturas e várias cruzes, por considerá-las uma violação às leis de planejamento. As cruzes tinham sido erguidas como parte de uma peregrinação.

Embora a Igreja tenha pagado uma multa em 20 de outubro, as autoridades indicaram que também confiscarão o dinheiro arrecadado na peregrinação.

UCANews informou que em 12 de outubro, as autoridades também ordenaram destruir duas cruzes na igreja de Luoyang, na Diocese de Henan.

Em 3 de outubro, as autoridades mandaram retirar uma cruz em outra igreja local, porque era muito grande e “podia ser vista de uma estação de trem próxima”.

Posteriormente, em 11 de outubro, uma cruz e uma parede na igreja de Whenzhou, na Diocese de Zhejiang, foram destruídas por cerca de 40 trabalhadores.

Uma fonte anônima disse a UCANews que as cruzes foram retiradas porque isso já tinha sido feito em outros templos de outras confissões religiosas e, portanto, as igrejas católicas não podiam estar isentas da medida.

Um católico de nome John disse que a destruição de cruzes parece ser o início de uma agenda mais ampla para eliminar os símbolos religiosos. “Isso é o cristianismo em conformidade com a sinização. Em outras palavras, em linha com o socialismo”, acrescentou.

As medidas adotadas pelas autoridades chineses responsáveis por essas regiões ocorrem depois que, em 22 de setembro, o Vaticano anunciou a assinatura do Acordo Provisório com a China para a nomeação de bispos.

Graças ao acordo, dois bispos chineses puderam participar do Sínodo dos Jovens que acontece no Vaticano até o dia 28 de outubro. Os prelados aproveitaram a oportunidade para convidar o Papa Francisco para visitar a China.

No voo de regresso de sua viagem à Lituânia, Letônia e Estônia no final de setembro, o Papa Francisco disse aos jornalistas: “Eu sou o responsável” pelo acordo.

Sobre os bispos que não estavam em comunhão com a Igreja até antes do acordo, como Dom Guo Jincai que participa do Sínodo, Francisco disse que “foram estudados caso por caso. Para cada bispo fizeram um expediente e estes expedientes chegaram à minha escrivaninha. E eu fui o responsável por assinar cada caso dos bispos”.

Sobre o acordo, Francisco indicou que “a coisa se faz em diálogo, mas, quem nomeia é Roma, quem nomeia é o Papa. Isto é claro. E rezamos pelos sofrimentos de alguns que não entendem ou que têm em suas costas muitos anos de clandestinidade”.

No dia 26 de setembro, o Pontífice dirigiu uma mensagem aos católicos da China e à Igreja universal na qual solicitou “gestos concretos e visíveis” aos bispos aos quais levantou a excomunhão.

Estão publicadas as “novas medidas” para controlar os sites de atividade religiosa na Internet na China.

É proibido difundir cerimônias religiosas por streaming (ao vivo na internet), orações, pregar e queimar incenso. Quem quiser abrir um site religioso, deve pedir permissão às autoridades e ser julgado moralmente saudável e politicamente confiável. Não é permitido converter nem difundir material religioso. Mas o despertar religioso na China já é incontrolável.

De agora em diante, será proibido evangelizar on-line. A Administração Estatal para os Assuntos Religiosos emitiu regras para as atividades religiosas via internet que proíbem a difusão de cerimônias religiosas por streaming (ao vivo na internet), incluindo a oração, a pregação e até mesmo a queima de incenso.

As novas regras também proíbem alguns conteúdos sensíveis: é proibido postar a menor crítica à liderança do Partido e à política religiosa oficial; promover a participação de menores em cerimônias religiosas, usar a religião para derrubar o sistema socialista.

As novas regras estão publicadas no site de informações jurídicas do governo chinês sob o título “Medidas para a gestão de informações religiosas na Internet”. Ainda estão na forma de minuta, e aguardam comentários do público, mas como quase sempre acontece, o rascunho é na prática o texto definitivo. As “Medidas…” estão divididas em cinco capítulos e contêm um total de 35 artigos. Os cinco capítulos tratam de regras gerais, aprovação de serviços de informações religiosas on-line, da gestão, das responsabilidades legais e algumas disposições suplementares.

Nelas, é estabelecido, por exemplo, que qualquer pessoa que queira abrir um site religioso deve solicitar permissão às autoridades e ser julgada moralmente saudável e politicamente confiável.

Organizações e escolas que recebem a licença podem transmitir suas instruções pela Internet apenas em sua rede interna, onde o acesso só é permitido com nome e senha registrados. As regras enfatizam que tais organizações não podem tentar converter alguém e não podem distribuir textos religiosos ou outro material.

As novas medidas são muito mais restritivas e analíticas em relação às Novas regulamentações sobre as atividades religiosas, implementadas em fevereiro (mas tornadas públicas em setembro de 2017, como rascunho, e em outubro como texto definitivo).

Os Novos Regulamentos (v. os artigos 68 e 45) proibiam conteúdos que “minam” a coexistência de religiões e pessoas não-religiosas, ou que anunciam o extremismo religioso, ou que não apoiam os princípios de independência e autogoverno das religiões. Mas admitiam a distribuição ao público de informações e material religioso, em conformidade com a lei.

As novas “Medidas …” parecem ter sido projetadas para impedir a difusão de ensinamentos religiosos na internet e bloquear o crescente interesse espiritual na sociedade chinesa, onde o despertar religioso já é incontrolável.

Para controlar o tumultuoso crescimento religioso na China, o presidente Xi Jinpingalguns anos atrás lançou uma campanha de “sinicização” para assimilar as religiões na cultura chinesa e, principalmente, para submetê-las à hegemonia do Partido Comunista, tornando-as um instrumento político.

A China é o país com maior presença da Internet, mas também é o local onde as informações on-line estão sujeitas a um dos controles mais eficientes e absolutos.

Fonte: Asia News

Carta do Arcebispo Metropolitano à Igreja em Goiânia

Caros irmãos, caras irmãs

A vida em uma sociedade se constrói tendo como base a sua cultura, pois cada cultura possui um quadro de valores, passados de geração em geração, que formam as pessoas, suas convicções, seu modo de agir e de se relacionar. Os valores de uma determinada cultura se perpetuam de geração em geração,principalmente por meio da autoridade da família, da escola e da Igreja. Essa constatação não deve, porém, nos fazer esquecer que, desde que foi inventada, na década de 1930, a televisão vem se tornando não só um potente meio de comunicação, mas também um eficaz instrumento para influenciar a formação da cultura pois, por meio de seus programas, também propõe valores ou contravalores, que influenciam o modo de viver das pessoas.

Quando, por meio desse canal formativo, são transmitidos bons conteúdos,como às vezes acontece, as pessoas são edificadas e a sociedade se constrói positivamente. Entretanto, esse meio de formação pode se tornar um instrumento eficaz de ideologização e convencimento que termina por produzir um processo de destruição das pessoas e da sociedade. Nos últimos tempos, dois programas da televisão brasileira foram usados para semear confusão e mentira, acabando por ferir a sensibilidade de muitos brasileiros.

O primeiro deles é a série Malhação, da Rede Globo de Televisão. Em um de seus capítulos, dois jovens aparecem ensinando como “não pagar mico quando o assunto é gênero e sexualidade”. Jogando com as palavras “sexo biológico, identidade de gênero, expressão de gênero e orientação sexual” e explicando-as segundo a compreensão da falsária Ideologia de Gênero, os artistas defendem a liberdade sexual e a diversidade, sem qualquer vínculo com a verdade sobre a pessoa, que está expressa no e pelo corpo. Essas ideias acabam por promover o liberalismo das experiências sexuais, sem qualquer vínculo com uma ordem moral, ou seja, terminam defendendo que, em nome da liberdade, no campo da sexualidade tudo é possível.

Infelizmente, os contravalores transmitidos por esse e outros programas televisivos estão atrelados a outros tantos males devastadores, defendidos pela Ideologia de Gênero em todos os seus matizes e propostas. Um deles é a legalização do aborto, que voltou à cena principal em virtude da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 442 (ADPF 442) ajuizada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em nome da liberdade, defendem tratar o problema em questão sem considerar que estão em jogo duas vidas a serem protegidas, a da mulher gestante e a do bebê, propondo que se escolha tirar a vida inocente e indefesa do nascituro.

O segundo programa televisivo em questão é a novela bíblica da Record TV, chamada Jesus. Na novela, a Santíssima Virgem Maria, a mãe de Jesus, é apresentada de modo discordante com as afirmações feitas na Sagrada Escritura e na Doutrina da Igreja Católica. Ela é figurada como Mãe de outros filhos, negando a sua Virgindade perpétua, isto é, negando que ela era virgem antes do parto e se manteve virgem durante e depois do parto, sendo Mãe apenas do seu Unigênito, Jesus. Além disso, o modo como Maria se comporta na sua relação com José ofusca a sua pureza e, por isso, fere sua dignidade de Mãe de Deus e Imaculada desde a sua concepção. Esse modo de apresentar Nossa Senhora fere frontalmente a sensibilidade do povo brasileiro, na sua maioria católico e devoto de Nossa Senhora Aparecida.

A televisão deveria servir para a edificação de uma nação, mas infelizmente isso não acontece com frequência. Por isso, convido todos os católicos e pessoas de boa vontade a sermos prudentes e críticos no uso desse instrumento, não assistindo qualquer programa e não aceitando acriticamente as afirmações feitas através desse meio de comunicação. Convido, de modo ainda mais vivo, a sermos rigorosos no discernimento sobre a permissão para o acesso das crianças e dos adolescentes aos programas de televisão. Essas duas etapas da vida, fundamentais na formação do caráter da aquisição dos valores, são as mais vulneráveis ao processo de ideologização que marca o Brasil atualmente. Por isso, devemos cuidar para que nossos filhos, se estritamente necessário, tenham acesso somente a conteúdos que correspondem à verdade sobre o homem e que possam edificá-los na verdadeira fé da Igreja.

Em face aos programas mencionados e a todos os fatos ligados a eles, desejo manifestar minha perplexidade e minha reprovação. Sinto-me no dever de pastor de denunciar e repudiar tudo que fere a verdade sobre o homem e sobre a nossa fé, a fim de que nossas famílias possam ser fortalecidas e possamos construir, juntos, um Brasil melhor, em que elas sejam respeitadas. Rezemos a Jesus e a Nossa Senhora para que nosso país reaja contra esta tentativa de desconstruir o ser humano, tal como a natureza no-lo faz ver e a teologia da criação no-lo ensina.

Goiânia, 10 de agosto de 2018.

Dom Washington Cruz, CP

Arcebispo Metropolitano de Goiânia

Buracos de bala nas paredes, janelas e em imagens de santos da igreja da Divina Misericórdia de Manágua são o testemunho da violenta repressão das forças do governo aos estudantes opositores, em um dos episódios mais violentos da crise política que já deixou mais de 280 mortos em três meses de protestos na Nicarágua.

O dano material mais icônico está na imagem de Cristo, que tem três perfurações de bala, incluindo uma no peito, de onde parecem emanar raios de luz.

“Esta imagem (do Cristo da Divina Misericórdia) foi trazida da Polônia e é uma réplica da original. Agora vai ficar assim, porque estes três buracos representam o sofrimento do povo”, declarou o vigário Erick Alvarado.

Estudantes da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN) se refugiaram na Igreja no sábado passado, após a desocupação pela força do centro educacional, e ficaram cercados no templo durante cerca de 12 horas, ao lado de sacerdotes e jornalistas, sob o fogo das forças governamentais.

O incidente deixou dois mortos e dezenas de feridos.

“Isto (os danos) vai ficar como lembrança de tudo o que vivemos”, declarou Alvarado, que narrou os momentos de terror que passou ao lado dos estudantes.

A igreja da Divina Misericórdia, próxima à UNAN, ficou lotada nesta sexta-feira, durante a jornada de orações e jejum convocada pela Igreja católica a favor do diálogo entre governo e oposição.

Foi a primeira missa de desagravo após o ataque e no momento em que o presidente Daniel Ortega acusa os bispos – mediadores do diálogo – de “golpistas” comprometidos com uma “conspiração” contra o governo.

“Foi uma noite de terror. As duas da madrugada cortaram a energia e ficamos no escuro, e todos se jogaram no chão por medo dos tiros…”, recordou Alvarado.

“Temi por minha vida, em certo momento pensei que era meu último dia”, disse o padre Alvarado, que apenas olhava a imagem do Cristo crucificado e rezava com o rosário em suas mãos.

“Jamais pensei que poderiam atacar uma Igreja, a casa de Deus”, comentou Alvarado, que conseguiu sair do local após 12 horas de cerco, graças à mediação do cardeal Leopoldo Brenes e de organismos de direitos humanos.

Aleteia

 

 

 

A Igreja Católica denunciou uma nova agressão contra a Nicarágua, após um grupo de desconhecidos ter incendiado a sede da Cáritas, em meio a uma crise que deixou mais de 351 mortos, em protestos contra o presidente Daniel Ortega.

“Incêndio registrado tarde da noite nos escritórios da Cáritas, no município de Sébaco (norte). Rechaçamos este e outros fatos que durante as últimas semanas prejudicaram o povo nicaraguense e a igreja”, informou a Diocese de Matagalpa em suas redes sociais.

A Igreja Católica e seus mais altos representantes, que participam no diálogo nacional entre o Governo e a sociedade civil para buscar uma saída para a crise, sofreu diversos tipos de agressões por parte de grupos situacionistas, desde a deflagração social de abril passado.

O ataque mais recente foi ontem contra o veículo em que viajava o bispo de Estelí(norte), o nicaraguense Abelardo Mata, por um grupo de parapoliciais que se mantinham postados na estrada que conduz de Manágua a Masaya, denunciou um magistrado de um Tribunal de Apelações.

O mais comentado ocorreu na Paróquia da Divina Misericórdia, ao sul de Manágua, que durante 13 horas, neste final de semana, foi atacada com armas de guerra pelas “forças combinadas” do Governo, por servir de abrigo a estudantes universitários que fugiam das balas e que acabou em duas mortes.

“Recordamos que tais atos não contribuem para a paz e unicamente prejudicam e aumentam o estado de crise em que vive o país. Além disso, a Igreja sempre, apesar dos obstáculos, destacamentos e ameaças, continuará acompanhando o povo”, reiterou aDiocese de Matagalpa.

No último dia 9 de junho, forças situacionistas e parapoliciais, encapuzadas e fortemente armadas, invadiram a basílica de Diriamba para agredir o núncio Stanislaw Waldemar Sommertag, o cardeal Leopoldo Brenes, o bispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez, e outros dois sacerdotes, enquanto resgatavam os paramédicos das ameaças desse grupo.

A sede da Cáritas, localizada a 101 km ao norte de Manágua, foi incendiada por homens em motocicletas e encapuzados, segundo as testemunhas.

O clero nicaraguense tem sofrido todo o tipo de ofensas através das redes sociais por pessoas que defendem Ortega, e que consideram que os sacerdotes estão contra o seu Governo.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) responsabilizou o Governo da Nicarágua por “assassinatos, execuções extrajudiciais, maus-tratos, possíveis atos de tortura e detenções arbitrárias cometidas contra a população majoritariamente jovem do país”.

As denúncias da CIDH são apoiadas pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos e pela maioria do Congresso Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA), mas o Governo nicaraguense nega. A Nicarágua atravessa uma crise sociopolítica, a mais sangrenta desde os anos 1980, com Ortega também como presidente.

Os protestos contra Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, começaram no dia 18 de abril passado, por algumas falidas reformas da seguridade social e se tornaram uma exigência de renúncia do mandatário, após onze anos no poder, com acusações de abuso e corrupção.

Religión Digital

País vive o pior banho de sangue desde a guerra civil. Protestos contra o Governo já deixaram um saldo de 351 mortos.

A Nicarágua terminou a semana mergulhada em uma nova onda de protestos contra o Governo de Daniel Ortega. Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas para pedir a destituição do ex-guerrilheiro sandinista.

O país está mergulhado em sua pior crise política desde o final da guerra civil de 1990. A repressão praticada pelo Governo de esquerda a manifestações contra seu mandato já deixou desde 19 de abril deste ano um saldo de 351 mortos, sendo 306 civis e 22 menores de 17 anos. Os dados da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPHD) também apontam que 261 pessoas estão, neste momento, desaparecidas ou sequestradas. Ortega nega as acusações e afirma que os protestos são uma cortina de fumaça para as ‘intenções da direita’, que quer tirá-lo do poder.

A onda de protestos começou no final de abril, quando multidões começaram a tomar as ruas contra as reformas impostas por decreto pelo sandinista para a Previdência Social. Eles se opunham à mudança que reduzia as aposentadorias em 5% e aumentava as contribuições das empresas e dos trabalhadores para resgatar o Instituto Nicaraguense de Seguridade Social (INSS). Após três dias de dura repressão aos atos, dez pessoas já haviam sido mortas pelas forças militares, policiais e paramilitares, grupos irregulares armados que defendem o Governo.

Ao longo dos dias, os protestos não davam sinais de que iriam recuar. E se juntavam ao descontentamento de nicaraguenses da região do Caribe, onde milhares de camponeses se opõem ao Governo por conta da entrega da concessão ao empresário chinês Wang Jing da construção um Canal Interoceânico, um projeto visto como ameaça a milhares de famílias da região. Igreja e empresários se juntaram aos pedidos da população e exigiam a revogação da reforma.

Em 22 de abril, após cinco dias de intensos atos, Ortega finalmente voltou atrás e cancelou a Reforma da Previdência. Ao menos 41 pessoas haviam morrido, segundo os dados da época do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos. Mas os protestos não recuaram. A forte repressão gerou um imenso mal-estar e desencadeou novas ações, que exigiam a paz no país e o fim do regime sandinista. Em 29 de abril, centenas de milhares de pessoas foram às ruas convocados pela Igreja. Ao lado dos bispos, familiares dos assassinados na repressão contra os manifestantes e milhares de camponeses.

Em 13 de maio, confrontos na cidade de Masaya, que começaram no bairro indígena de Monimbó, voltaram a levantar o terror da repressão. Moradores relatavam que os grupos paramilitares estavam armados com fuzis Kalashnikov e disparavam impunemente, apesar da presença da polícia. Em Manágua, capital do país, estudantes se entrincheiravam na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua e na Universidade Politécnica, mesmo depois de terem sido atacados por forças do Governo, num saldo de 2 mortos e pelo menos 16 feridos. A cifra de mortos já passava de 50.

Mais dispersos, os protestos continuaram. Até esta nova onda de protestos mais recente, em 10 de julho, Ortega intensificou a repressão e ao menos 17 pessoas morreram em 24 horas no país. Dois dias depois, o país mergulhou em novos protestos de grande magnitude. E a conta de mortos já atingia 365 pessoas, segundo Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPHD).

Ortega afirma que não deixará o poder e acusa os políticos de direita de orquestrarem os protestos para retirá-lo do poder. Para ele, os protestos contra seu Governo são um reflexo de que “o demônio está mostrando as unhas”. O esquerdista, por sua vez, é acusado pelos seus opositores de querer se perpetuar ao poder a qualquer custo. Ele está há 11 anos à frente do país, ao lado de sua mulher, que é vice-presidente. Sua última vitória, em 2016, foi contestada pela oposição, que a acusou de fraudulenta. Mas Ortega soube se segurar ao poder por meio de alianças pragmáticas. Se aproximou da Igreja ao encampar políticas “pró-família”, como leis rigorosas contra o aborto. E organizou uma agenda pró-mercado, para aproximar o empresariado. “Uma sofisticada estratégia — alimentada até recentemente pela farta ajuda econômica da Venezuela — que deixou a oposição dividida e desorganizada”, analisa Oliver Stuenkel, professor adjunto de Relações Internacionais na FGV em São Paulo.

Com o aumento da repressão, as forças que se aglutinaram a seu favor foram se rompendo ao longo do caminho. Ele recebeu sinais claros da Igreja de que deveria deixar o poder. Mesmo sinal que recebeu do empresariado. A Organização dos Estados Americanos (OEA) apoiou nesta semana um documento crítico à repressão no país em que se afirma que estão sendo cometidas “práticas de terror, com detenções em massa e assassinatos”, conforme adiantou o jornal Folha de S.Paulo.

A ação se soma a um pedido feito no início deste mês pelo alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, para que o país ponha fim à violência e desmobilize os indivíduos armados pró-Governo. E também à sanções unilaterais já impostas pelos Estados Unidos. Novas sanções poderiam ser um peso muito grande para o país, de economia frágil e altamente dependente de uma Venezuela em crise.

Fonte: El País

O bispo de Estelí, Juan Abelardo Mata, sofreu um atentado a tiros, neste domingo, do qual saiu ileso, conforme informou um colaborador do religioso, que apontou que a vítima buscou refúgio na casa de um familiar.

A agressão por parte de efetivos parapoliciais ocorreu no setor da localidade de Nindirí, no departamento (província) de Masaya, a uns 30 quilômetros ao sudeste de Manágua, capital da Nicarágua, onde Mata presidiu uma missa, acrescentou Roberto Petray, em declarações ao canal de televisão 100% Noticias.

Quase simultaneamente, na próxima Catarina, o sacerdote Jairo Velásquez foi atacado a golpes, por efetivos parapoliciais, quando estava na casa paroquial da igreja Santa Catalina, informou José Alberto Velásquez, irmão do religioso.

No caso de Mata, um dos cinco bispos que atuam como mediadores e avalistas no Diálogo Nacional entre governo oposição, no marco da violenta crise que afeta a Nicarágua, os parapoliciais dispararam contra a caminhonete na qual se deslocava, apontou Petray.

“Eles não se aproximaram, apenas alvejaram o carro”, apontou Petray, destacando que o bispo se refugiou na casa de um familiar, em Nindirí. O veículo recebeu impactos de bala em vidros e pneus, informou.

O arcebispo de Manágua e presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua(CEN), cardeal Leopoldo Brenes, lamentou a agressão e exortou os nicaraguenses a manter as orações pelos bispos.

“Agradecemos a todos por estar preocupados com ele. Peço de todo o coração que continuemos orando imensamente pelos bispos e sacerdotes para que possam cumprir a missão encomendada sob a proteção de Nossa Senhora do Carmo”, disse em um comunicado.

O bispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez, um firme crítico do governo nicaraguense presidido por Daniel Ortega, confirmou, na rede social Twitter, que Mata não foi atingido pelas balas.

“Acabo de falar com dom Juan Abelardo Mata. Após um incidente sofrido em Nindirí, graças a Deus estão bem e fora de perigo”, tuitou Báez.

Por sua parte, o irmão do sacerdote agredido em Catarina, citado pelo jornal local El Nuevo Diario, relatou que, além de bater no religioso, os agressores causaram danos materiais na casa paroquial.

“Ele me disse que lhe bateram (…), está intimidado e não pode falar muito. Eu lhe perguntei se queria que eu fosse até ele e me disse que não, depois, perguntei-lhe se estava cercado de policiais e me disse que sim”, informou José Alberto Velásquez, que acrescentou:  “disse-me que levaram o seu tablet e um servidor de seu computador”.

Além disso, fez um chamado aos grupos parapoliciais para que se abstenham de agredir o sacerdote e de atacar a Igreja.

“Por favor, desistam de perseguir a igreja, deixem o meu irmão. Ele está lá, com seus fiéis, não existe motivo para que agridam as pessoas. Lá (no templo) não há armas, apenas as batinas e os santos”, destacou.
    
As agressões se somaram a fatos violentos que vários sacerdotes, até mesmo alguns bispos, sofreram na semana passada.

Os acontecimentos deste domingo vieram um dia depois que, em uma Mensagem Pastoral, a CEN afirmou que a violação aos direitos humanos que vem sendo registrada na Nicarágua, no marco da violenta crise sociopolítica deflagrada há quase três meses, não tem precedente.

Houve um aumento da repressão e a violência efetivadas por forças policiais, grupos paramilitares e civis pró-governamentais armados contra manifestantes opositores, conforme denunciaram, no texto, os 10 integrantes da CEN.

São ações extremamente condenáveis como as agressões a religiosos, jornalistas, e defensores dos direitos humanos, assim como ataques a templos católicos, advertiram.

A mensagem foi emitida em razão de que, no marco de um ataque de aproximadamente 18 horas de duração – da tarde da sexta-feira até a manhã de sábado -, grupos paramilitares dispararam, reiteradamente e em rajadas, armas de alto calibre contra a sede da Universidade Nacional autônoma da Nicarágua (UNAN) de Manágua, baleando vários dos aproximadamente 100 estudantes no interior e matando a dois. O ataque à UNAN se dá no marco da crise sociopolítica deflagrada no dia 18 de abril, por causa de um falido decreto presidencial que pretendia reformar o sistema de aposentadorias do Instituto Nicaraguense de Seguridade Social (INSS).

Retirado o decreto, o protesto generalizado se centrou na massiva exigência popular de que Ortega e sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, renunciem a seus respectivos cargos, uma demanda que o casal governante se nega a acatar.

Religión Digital

O Pavilhão dos Padres’, do jornalista Guillaume Zeller, fala sobre o campo de Dachau, onde sacerdotes católicos foram exterminados pelos nazistas.

Primeiro a ser inaugurado e um dos últimos a ser fechado, o campo de concentração de Dachau, a 17 quilômetros a noroeste de Munique, na Baviera, foi um dos mais terríveis laboratórios de tortura e morte do nazismo de Adolf Hitler. Em 12 anos de funcionamento, entre 22 de março de 1933 e 29 de abril de 1945, abrigou milhares de prisioneiros políticos da Alemanha e de países ocupados.

Opositores ao regime, combatentes da resistência, religiosos de vários credos, comunistas, homossexuais, deficientes e judeus superlotaram os 30 pavilhões erguidos em uma antiga fábrica de munição, para se tornarem modelo de outros centros de detenção. Heinrich Himmler fez ali um estágio, antes de se tornar o poderoso e cruel executor da política racial nazista. Também passaram por lá outros líderes do projeto de extermínio, como Adolf Eichmann e Rudolf Hoss.

A partir de 1938, começaram a chegar a Dachau os primeiros sacerdotes católicos. Do total de 2.720 enviados para o campo, 1.034 foram assassinados até 1945, no fim da 2.ª Guerra Mundial. Desembarcaram sucessivamente padres vindos da Áustria, de outras cidades da Alemanha, da antiga Checoslováquia, da França e de outros países, principalmente da Polônia. É a história desses prisioneiros que o jornalista Guillaume Zeller conta no livro O Pavilhão dos Padres, publicado em 2015 em Paris e lançado agora no Brasil pela editora Contexto. Zeller é diretor do Canal+, rede de televisão francesa, e autor do livro Oran, 5 Juillet 1962, sobre a guerra na Argélia.

É um relato preciso, com nomes, datas, depoimentos e descrições dos sofrimentos impostos aos prisioneiros. Dois deles, Pierre Metzger e Gérard Pierré, sobreviventes do pavilhão 26, onde se concentravam os sacerdotes, encabeçam a lista de agradecimentos do autor às pessoas que colaboram para a edição de ‘O Pavilhão dos Padres’. Além transcrever depoimentos sobre o horror de Dachau com chocante realismo, Zeller faz uma análise das relações da Igreja Católica com o nazismo, desde antes de Hitler conquistar o controle do partido e da Alemanha, em 5 de março de 1933. Os bispos alemães apoiaram o regime de início, mas mudaram de posição ao avaliar os riscos de sua ideologia.

O Vaticano assinou uma concordata com a Alemanha, quatro meses depois, com a pretensão de evitar um endurecimento do governo nazista. A Igreja recebeu garantias de respeito e liberdade, desde que renunciasse a qualquer atividade política.

Sacerdotes foram presos e torturados por terem protegido judeus. Na Noite dos Cristais, quando os nazistas invadiram residências e depredaram lojas de judeus, padre Bernhard Lichtenberg declarou na igreja Santa Edwiges de Berlim: “Lá fora, a sinagoga está ardendo, mas também é uma casa de Deus.” Detido em outubro de 1941, morreu em 5 de novembro de 1943, durante sua transferência para Dachau. Em 1994, foi reconhecido “Justo entre as Nações” pelo memorial de Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Jerusalém.

Na Itália, invadida pelos alemães em julho de 1943, após a derrota do fascismo de Mussolini, 28 padres foram deportados. O frade dominicano Giuseppe Girotti foi mandado para Dachau, onde morreu, por ter protegido judeus, fornecendo-lhes documentos falsos e esconderijos. Também foi considerado “Justo entre as Nações” em Israel e seu decreto de beatificação foi assinado pelo papa Francisco em março de 2013.

A Congregação para as Causas dos Santos estuda vários casos de beatificação e canonização de religiosos do campo de Dachau. Alguns deles poderiam canonizados e juntar-se ao polonês São Maximiliano Kolbe e à alemã Santa Edith Stein, judia convertida, mártires do campo de Aushwitz, na Polônia.

Fonte:  O Estado de S. Paulo

Muitos dizem que vivemos em uma era pós-moderna que rejeitou a metafísica. Isso não é completamente verdade. Nós vivemos em uma era pós-moderna que promove uma metafísica alternativa. Conforme eu explico em When Harry became Sally (“Quando Harry se tornou Sally”, obra sem edição em português), no centro do momento transgênero há ideias radicais sobre o ser humano – em particular, que as pessoas são o que afirmam ser, apesar das evidências contrárias. Um menino transgênero seria um menino, não simplesmente uma menina que se identifica como um menino. É compreensível o motivo pelo qual ativistas fazem esse tipo de afirmação. Um argumento sobre as identidades transgênero será muito mais persuasivo se levar em consideração quem alguém é, não somente como alguém se identifica. E, assim, a retórica do momento transgênero atinge asserções ontológicas: as pessoas são do gênero que preferem. Essa é a alegação.

Ativistas do movimento transgênero não admitem que essa é uma afirmação metafísica. Como não querem debater no nível filosófico, disfarçam suas teses como sendo questões científicas e médicas. E eles já conquistaram diversas associações profissionais a favor de sua causa. A Associação Americana de Psicologia, em um panfleto intitulado “Respostas às suas perguntas sobre pessoas transgênero, identidade de gênero e expressão de gênero”, diz que “transgênero é um termo ‘guarda-chuva’ para pessoas cuja identidade de gênero, expressão de gênero ou comportamento não estão em conformidade com o que é tipicamente associado ao sexo que lhes foi designado no nascimento”. Perceba a linguagem politizada: o sexo de uma pessoa é “designado no nascimento”. Em 2005, até mesmo a “Campanha por Direitos Humanos” se referia ao “sexo de nascimento” e “sexo físico”.

A frase “sexo designado no nascimento” é preferida pelos ativistas porque dá espaço para defender que a “identidade de gênero” seria a base real do sexo de uma pessoa. Em declaração durante o julgamento, na Carolina do Norte, sobre a lei estadual de 2016 que busca suspender os “banheiros unissex” (exigindo que os usuários frequentem o banheiro de acordo com o sexo que consta na sua certidão de nascimento), a médica Deanna Adkins afirmou que, de uma perspectiva médica, “o que determina apropriadamente o sexo é a identidade de gênero”. Adkins é professora na Escola de Medicina da Universidade Duke e diretora do Centro Duke para Cuidados de Gênero de Crianças e Adolescentes (que abriu em 2015). Adkins argumenta que a identidade de gênero não apenas seria a base escolhida para a determinação do sexo, mas também “a única determinante do sexo” apoiada pelos médicos. Qualquer outro método é “má ciência”, ela diz. “É contra a ciência médica usar cromossomos, hormônios, órgãos reprodutivos internos, genitálias externas ou características sexuais secundárias para sobrepor a identidade de gênero para propósitos de classificar alguém como masculino ou feminino.”

Essa é uma afirmação impressionante, não apenas porque o argumento recentemente era que gênero seria apenas uma construção social, enquanto o sexo seria uma realidade biológica. Agora, militantes afirmam que a identidade de gênero é uma questão de destino, enquanto o sexo biológico é a construção social.

Adkins não diz se ela pretende aplicar esta regra a todas as espécies de mamíferos. Por que o sexo deveria ser determinado diferentemente em humanos do que em outros mamíferos? E, se a ciência médica crê que a identidade de gênero determina o sexo em humanos, o que isso significa para o uso de medicamentes que possuem efeitos diferentes em homens e mulheres? A dose correta de substâncias depende do sexo do paciente ou da sua identidade de gênero?

Mas o que é exatamente essa “identidade de gênero”, tida como o verdadeiro determinante do sexo? Adkins define como “a sensação interna de um indivíduo de pertencer a um gênero em particular, como masculino ou feminino”. Perceba a função da palavra “como”, implicando que as opções não são necessariamente limitadas a masculino e feminino. Outros ativistas são mais exatos ao admitir que a identidade de gênero não precisa ser restrita à escolha binária de masculino ou feminino, mas pode incluir os dois ou nenhum. A Associação Americana de Psicologia, por exemplo, define “identidade de gênero” como “a sensação interna de uma pessoa em ser masculino, feminino ou outra coisa”.

Adkins defende que ser transgênero não é uma doença mental, mas simplesmente “uma variação normal de desenvolvimento”. E ela afirma, ainda, que profissionais médicos e de saúde mental especializados em disforia de gênero estão de acordo com essa visão.

Catecismo transgênero

Essas noções sobre sexo e gênero estão agora sendo ensinadas para crianças pequenas. Ativistas criaram gráficos apropriados para crianças com este propósito, como o “Boneco Genderbread” (trocadilho com os biscoitos de gengibre, chamados em inglês de “gingerbread”, e a palavra “gender”, gênero). O boneco ( veja abaixo) ensina que, quando se trata de sexualidade e gênero, as pessoas têm cinco características diferentes, cada uma delas seguindo um espectro.

 

 

Há a “identidade de gênero” que é “como você, na sua mente, define o seu gênero, baseado em como você se ajusta (ou não) com o que entende serem as opções de gênero”. O gráfico lista “4 (de infinitas)” possibilidades de identidade de gênero: “estado de mulher”, “estado de homem”, “dois espíritos” ou “genderqueer” (“gênero queer”, que incluiria infinitas expressões de gênero e sexualidade).

A segunda característica é “expressão de gênero” que é “a forma como você apresenta o gênero através de suas ações, vestimentas e comportamento”. Além do “feminino” e “masculino”, as opções são “machão” (butch), “mocinha” (femme), “andrógino” ou “gênero neutro”.

Em terceiro está o sexo biológico definido como “as características físicas de sexo com as quais você nasce e se desenvolve, incluindo a genitália, formato do corpo, tom de voz, hormônios, cromossomos, etc.”.

As duas características finais tratam da orientação sexual: “sexualmente atraído por” e “romanticamente atraído por”. As opções incluem “Mulheres/Fêmeas/Feminilidade” e “Homens/Machos/Masculinidade”. O que parece um tanto binário.

O Boneco Genderbread tenta localizar essas cinco características no corpo: identidade de gênero no cérebro, atração romântica e sexual no coração, sexo biológico na pélvis e expressão de gênero em todo o corpo.

O Boneco apresentado aqui é a versão 3.3, que incorpora ajustes feitos em resposta a críticas de versões anteriores. Mas mesmo este desenho viola o dogma atual. Alguns ativistas reclamaram que o boneco parece masculino demais.

Uma falha mais séria aos olhos de muitos ativistas é o uso do termo “sexo biológico”. A revista Time recebeu críticas para a mesma transgressão em 2014 após publicar um perfil de Laverne Cox, “a primeira pessoa assumidamente trans” a aparecer na capa.

 

Pelo menos, os membros da Time ganharam crédito por tentar serem “bons aliados, explicando o que muitos veem como uma questão complicada”, escreveu Mey Rude em um artigo intitulado Está na hora de as pessoas pararem de utilizar a construção social do ‘sexo biológico’ para defender a sua transmisoginia”. (Está difícil acompanhar o momento transgênero.) Mas a Time foi julgada culpada por utilizar “uma compreensão simplista e desatualizada da biologia para perpetuar ideias perigosas sobre mulheres trans” e falhar em reconhecer que o sexo biológico “não é algo com o qual realmente nascemos, é algo que médicos ou nossos pais nos designam no nascimento”.

Hoje, “aliados” que gozam de boa reputação na causa transgênero não utilizam o Boneco Genderbread em suas salas de aula, mas optam pelo “Unicórnio do Gênero”, criado pela ONG Recursos Educacionais Trans para Estudantes (TSER, na sigla em inglês). Ele tem uma forma corporal que não parece masculina ou feminina e, ao invés de um “sexo biológico”, ele tem um “sexo designado no nascimento”. Essas são mudanças significativas em relação ao Boneco e foram feitas para que o novo gráfico pudesse “representar melhor a distinção entre gênero, sexo designado no nascimento e sexualidade”.

De acordo com a TSER, “sexo biológico é uma palavra ambígua que não possui uma escala e nenhum significado além de ser relacionado a algumas características sexuais. Ele também é prejudicial para pessoas trans. Ao invés desse termo, preferimos ‘sexo designado no nascimento’, que fornece uma descrição mais precisa do que o sexo biológico pode estar tentando comunicar”. O “Unicórnio do Gênero” é provavelmente o gráfico que as crianças encontrarão nas escolas. Esses são os dogmas com os quais eles serão catequizados e terão de professar a outros.

Enquanto militantes afirmam que as possibilidades para a identidade de gênero são amplas – homem, mulher, ambos, nenhum –, eles também insistem que a identidade de gênero é inata ou estabelecida em uma idade precoce e, depois disso, imutável. O médico George Brown, professor de psiquiatria e membro do conselho diretivo da “Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero” (WPATH, na sigla em inglês), afirmou três vezes à corte federal na Carolina do Norte que a identidade de gênero “é normalmente estabelecida muito cedo na vida, entre dois e três anos de idade”. Dirigindo-se à mesma corte, Deanne Adkins defendeu que “evidências sugerem fortemente que a identidade de gênero é inata ou fixada nos primeiros anos de vida e que, além disso, a identidade de gênero tem uma forte base biológica”. (Em nenhum momento ela citou fontes ou pesquisas para tais afirmações).

Contradições transgênero

Se as afirmações apresentadas nesse ensaio parecem confusas, não se sinta sozinho. O pensamento de militantes da causa transgênero é confuso e cheio de contradições internas. Eles nunca reconhecem estas contradições. Em vez disso, de forma oportunista, confiam em qualquer afirmação que lhes seja útil naquele momento.

Atenção: estou falando sobre ativistas do movimento trangênero. A maior parte das pessoas que sofrem de disforia de gênero não é militante e, muitos deles, rejeitam as afirmações dos ativistas. Muitos até foram vítimas de ativistas, como eu mostro em meu livro. Muitos que sentem angústia sobre o seu sexo corporal sabem que eles não são realmente do sexo oposto e não desejam fazer a “transição”. Eles querem receber ajuda para encontrarem a própria identidade e aceitar o seu eu corporal. Eles não acham que as suas sensações de disforia de gênero definem a realidade.

Mas os ativistas da causa transgênero acham. Independentemente de se identificarem como “cisgênero” ou “transgênero”, os militantes promovem uma visão de mundo altamente subjetiva e incoerente.

Por um lado, eles afirmam que o verdadeiro “eu” é algo diferente do corpo físico, em uma nova forma de dualismo gnóstico e, ao mesmo tempo, eles aceitam uma filosofia materialista em que apenas o mundo material existe. Eles dizem que gênero é puramente uma construção social enquanto afirmam que uma pessoa pode estar “presa” no gênero errado. Eles dizem que não há diferenças significativas entre um homem e uma mulher e ainda assim baseiam-se em rígidos estereótipos sexuais para argumentar que “identidade de gênero” é real, enquanto a personificação humana não é. Eles afirmam que a verdade é o que a pessoa diz que é, e ainda assim acreditam que há um verdadeiro eu a ser descoberto dentro da pessoa. Eles promovem um individualismo expressamente radical em que as pessoas são livres para fazer o que quiserem e definir a verdade como quiserem, mas ao mesmo tempo eles tentam impiedosamente forçar a aceitação da ideologia transgênero.

É difícil ver como essas posições contraditórias podem ser combinadas. Se forçarmos demais qualquer lado da ideologia transgênero, toda a estrutura se desmonta. Mas aqui estão algumas questões que podemos colocar:

Se o gênero é uma construção social, como a identidade de gênero pode ser inata e imutável? 

Como a identidade de alguém pode ser fruto de uma construção social determinada biologicamente no útero?

Como a identidade de alguém pode ser imutável a respeito de uma construção social constantemente em transformação? 

E se a identidade de gênero é inata, como ela pode ser “fluida”? 

O desafio para militantes é oferecer uma definição plausível de gênero e identidade de gênero que seja independente do sexo corporal.

Há um gênero binário ou não? De alguma forma, ele existe e não existe, de acordo com ativistas do movimento transgênero. Se as categorias de “homem” e “mulher” são objetivas o suficiente para que as pessoas se identifiquem com elas e sejam homens ou mulheres, como pode o gênero também ser um espectro, onde as pessoas podem se identificar como ambos, nenhum ou algo intermediário?

O que significa ter uma sensação interna de gênero? Como se sente o gênero? Que significado nós podemos dar ao conceito de gênero ou sexo – e assim, que “sensação” interna podemos ter do gênero – além do corpo de um sexo particular? Além do fato de possuir um corpo masculino, como “se sente” ser um homem? Além do fato de possuir um corpo feminino, como “se sente” ser uma mulher? Como se sente ser ambos, homem e mulher, ou ser nenhum? O desafio para os ativistas do movimento é explicar como são essas sensações e como alguém pode saber se ele ou ela “se sente” como do sexo oposto, ou nenhum, ou ambos.

Mesmo que ativistas trans pudessem responder essas perguntas sobre sensações, isso ainda não abordaria a questão da realidade. Por que sentir-se como um homem – o que quer que isso signifique – faz de alguém um homem? Por que nossas sensações determinam a realidade na questão do sexo, mas em mais nada? Nossas sensações não determinam nossa idade ou altura. E poucas pessoas aceitam a reivindicação de Rachel Dolezal de se identificar como uma mulher negra, visto que ela claramente não é. Se aqueles que se identificam como transgêneros são do sexo com os quais eles se identificam, por que isso não se aplica a outros atributos ou categorias de ser? E as pessoas que se identificam como animais ou pessoas fisicamente aptas que se identificam como deficientes? Todas essas identidades percebidas internamente determinam a realidade? Se não, por que não? E essas pessoas deveriam receber tratamento médico para transformar seus corpos de acordo com suas mentes? Por que aceitar a “realidade” transgênero, mas não a realidade “transracial”, “trans-espécie”, “trans-deficiente”? O desafio para ativistas é explicar por que o sexo “real” de uma pessoa é determinado por uma “identidade de gênero” interna, mas a idade, altura, raça e espécie não são determinadas por um senso interno de identidade.

É claro, um militante da causa transgênero poderia responder que uma “identidade” é, por definição, apenas um senso interno de si. Mas, se esse é o caso, a identidade de gênero seria apenas uma revelação de um segredo, de como alguém se sente. Dizer que alguém é transgênero, então, diz apenas que a pessoa tem sensações de que ele ou ela é do sexo oposto. A identidade de gênero, entendida assim, não tem nenhuma relação com o significado de “sexo” ou qualquer outra coisa. Mas ativistas da causa afirmam que a “identidade de gênero” percebida internamente por uma pessoa é o “sexo” daquela pessoa. O desafio para ativistas é explicar como a simples sensação de ser masculino ou feminino (ou ambos, ou nenhum) faz de alguém masculino ou feminino (ou ambos, ou nenhum).

Ideólogos trans ignoram evidências contrárias e interesses concorrentes; depreciam práticas alternativas e buscam abafar vozes céticas e acabar com qualquer discordância. O movimento tem de continuar remendando e escorando suas crenças, policiando os fiéis, coagindo os hereges e punindo os apóstatas porque assim que seus furiosos esforços fraquejarem por um momento ou alguém os rebater, toda a farsa é exposta

Identidade de gênero pode soar muito como identidade religiosa, que é determinada por crenças. Mas essas crenças não determinam a realidade. Alguém que se identifica como um cristão acredita que Jesus é Cristo. Alguém que se identifica como muçulmano acredita que Mohammed é o último profeta. Mas Jesus é ou não é Cristo, e Mohammed é ou não é o Último Profeta, independentemente do que qualquer um acredita. Então, também, uma pessoa é ou não um homem, independentemente do que qualquer um – incluindo a própria pessoa – acredita. O desafio para ativistas do movimento transgênero é apresentar um argumento que justifique por que as crenças de transgêneros devem determinar a realidade.

Determinar a realidade é o centro da questão e aqui, também, nós encontramos contradições. Por um lado, ativistas querem a autoridade da ciência enquanto fazem afirmações metafísicas, dizendo que a ciência revela a identidade de gênero como sendo inata e imutável. Por outro, eles negam que a biologia é destino, insistindo que as pessoas são livres para ser quem desejam ser. Qual deles é o correto? A nossa identidade de gênero é biologicamente determinada e imutável ou autocriada e mutável? Se é o primeiro caso, como explicamos pessoas cuja identidade de gênero muda com o tempo? Essas pessoas têm um senso de gênero errado em um momento ou outro? E se a identidade de gênero é autocriada por que algumas pessoas devem aceitá-la como realidade? Se somos livres para escolher a nossa própria realidade de gênero por que alguns impõem a sua ideia de realidade sobre outros apenas porque eles se identificam como transgênero? O desafio para militantes é articular alguma concepção de verdade que possa fundamentar a forma como compreendemos o bem comum e como a sociedade deveria ser ordenada.

Conforme eu documento de forma aprofundada em When Harry Became Sally, as afirmações de ativistas do movimento transgênero são confusas porque elas são filosoficamente incoerentes. Ativistas confiam em afirmações contraditórias de acordo com o discurso necessário no momento para avançar em suas posições, mas a sua ideologia segue evoluindo, e até mesmo aliados e organizações LGBT podem ficar para trás conforme o “progresso” acontece. No centro da ideologia está a radical afirmação de que sensações determinam a realidade. A partir dessa ideia surgem demandas extremas para a sociedade lidar com afirmações subjetivas da realidade. Ideólogos trans ignoram evidências contrárias e interesses concorrentes; depreciam práticas alternativas e buscam abafar vozes céticas e acabar com qualquer discordância. O movimento tem de continuar remendando e escorando suas crenças, policiando os fiéis, coagindo os hereges e punindo os apóstatas porque assim que seus furiosos esforços fraquejarem por um momento ou alguém os rebater, toda a farsa é exposta. É isso que acontece quando seus dogmas são tão contrários às verdades diárias, óbvias e simples. Um futuro transgênero não é “o lado certo da história”, e ainda assim militantes convenceram os mais poderosos setores de nossa sociedade a concordar com suas demandas. Embora as argumentações dos ativistas sejam manifestamente falsas, será preciso um trabalho real para impedir que tais ideias perigosas se espalhem.

Ryan T. Anderson é fundador e editor da Public Discourse. Ele é autor do livro When Harry became Sally: Responding to the Transgender Moment, do qual esse ensaio foi adaptado.

©2018 Public Discourse. Publicado com permissão. Original em inglês. Via Jornal Gazeta do Povo