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Geralmente, a palavra “festa” é usada pelos católicos em referência a qualquer celebração da Igreja: dias dedicados a santos, a Nossa Senhora, a Cristo… Não há nenhum erro doutrinal em usar o termo “festa” para todos os casos, mas é recomendável aprender que, na Igreja, existe uma hierarquia de celebrações. Elas se estruturam em três tipos básicos: as memórias, as festas e as solenidades.

Solenidades

As solenidades são as celebrações de grau mais alto, reservadas aos mistérios mais importantes da nossa fé: por exemplo, a Páscoa, o Pentecostes, a Imaculada Conceição, os principais títulos de Jesus, como Cristo Rei e o Sagrado Coração, além de celebrações que honram alguns santos de particular importância na história da salvação, como é o caso das solenidades de São Pedro e São Paulo e a do nascimento de São João Batista.

Nas solenidades, assim como nos domingos, a celebração eucarística tem três leituras, a oração dos fiéis, o Credo e o Glória (inclusive quando a solenidade cai no Advento ou na Quaresma). As solenidades também têm orações próprias exclusivas: antífona de entrada, oração inicial, oração sobre as oferendas, antífona da comunhão e oração depois da comunhão. Na maioria dos casos, há também um prefácio especial.

Algumas solenidades são festas de preceito e outras não: isto depende da realidade pastoral de cada país e, portanto, do critério da respectiva conferência episcopal.

As solenidades que caem nos domingos são celebradas como tais durante o Tempo Comum e o Tempo de Natal, mas costumam ser transferidas para a segunda-feira quando caem num domingo do Advento, da Quaresma, da Semana Santa e do Tempo Pascal.

Festas

As festas, por sua vez, honram algum mistério ou título de Jesus, de Nossa Senhora e de santos particularmente relevantes, como os apóstolos, os evangelistas e outros de grande importância histórica, tais como São Lourenço.

A festa costuma ter orações próprias, mas são feitas somente duas leituras e o Glória. Diferentemente de outras festas, as dedicadas a Jesus, como a Transfiguração e a Exaltação da Santa Cruz, são celebradas também quando caem no domingo, e, nesse caso, têm três leituras, o Glória e o Credo.

Memórias

A memória é geralmente a celebração de um santo, mas pode ainda celebrar algum aspecto de Jesus ou de Maria. É o caso da memória facultativa do Santo Nome de Jesus e da memória obrigatória do Imaculado Coração de Maria.

No tocante à liturgia, não existe diferença entre a memória facultativa e a memória obrigatória. Toda memória tem ao menos uma oração própria de abertura. Quanto às leituras, elas podem ou não ser específicas: no geral, prefere-se que sejam mantidas as leituras do dia, a fim de evitar que se interrompa excessivamente o ciclo contínuo das leituras próprias de cada tempo; no entanto, há leituras específicas que devem ser usadas no caso de alguns santos, especialmente os mencionados na própria Sagrada Escritura, como, por exemplo, Marta, Maria Madalena e Barnabé.

Durante a Quaresma e em parte do Advento (de 17 a 24 de dezembro), usa-se apenas a oração coleta do santo; todo o resto é o ordinário daquele dia.

Caso especial

O dia de finados, celebrado em 2 de novembro, tem prioridade sobre o domingo apesar de não ser uma solenidade.

Variações geográficas

Há casos em que uma determinada celebração tem classificação diferente conforme a região, já que alguns santos são mais venerados em um lugar do que em outros, por exemplo. É o caso de São Bento: seu dia é memória obrigatória no calendário universal, mas é festa na Europa por ser um dos padroeiros do continente e é solenidade na diocese de Montecassino, onde está enterrado.

Há solenidades, como o Corpus Christi, que podem ser ou não de preceito conforme determinação da conferência episcopal de cada país: a decisão se baseia na realidade pastoral local. Por isso há países que mantêm a tradicional celebração na quinta-feira e como festa de preceito; outros mantêm o dia, mas não como preceito; e outros ainda, que já são a maioria, nos quais a celebração é transferida para o domingo seguinte a fim de garantir a máxima participação dos fiéis. No Vaticano, o dia do Corpo e do Sangue do Senhor continua sendo celebrado na quinta-feira, com a procissão do Santíssimo Sacramento conduzida pelo Santo Padre. Já a diocese de Roma, assim como o resto da Itália, celebram esta solenidade no domingo seguinte.

Aleteia

Convertidos
De cima para baixo e da direita para a esquerda: Cardeal Arinze, Dorothy Day, Gary Cooper, John Wayne, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) e Robert Bork

A IGREJA EM TODO o mundo acolhe milhares de novos católicos na Vigília de Páscoa todos os anos: em média, somente nos EUA mais de 100 mil adultos entram para a Igreja Católica. São pessoas de diferentes faixas etárias, que chegam com experiências de vida também muito diversas. Alguns chegam à Igreja depois de longos anos de luta pessoal; alguns vêm já no final de suas vidas; outros, ainda, são levados à conversão por causa dos exemplos de santos, dignos sacerdotes, religiosos e leigos exemplares e/ou membros da família que dão testemunho de Jesus Cristo.

No final, é claro, eles chegam à mesma conclusão que um outro famoso convertido, o Cardeal John Henry Newman: “Em relação ao cristianismo, 10 mil dificuldades não fazem duvidar”. Com certeza, muitos são encorajados em suas viagens pessoais ao catolicismo pelos modelos dos conversos famosos. Estrelas de cinema, poetas, romancistas, músicos, filósofos, cientistas e até rainhas estavam convencidos, em suas consciências, de que deveriam se tornar católicos. Eram pecadores (como todos nós) e, como um grupo tão diverso, tinham temperamentos, personalidades e fraquezas muito diferentes.
A variedade deslumbrante dos filhos da Igreja é em si mesma uma lembrança útil de que todos são chamados por Cristo, e que nenhum passado, por mais sombrio e perturbador que seja, nos torna indesejáveis ao amoroso Abraço de misericórdia e amor do Deus que é Amor e tem Misericórdia infinita.
Listamos abaixo 50 nomes dentre alguns dos mais notáveis que se converteram ao longo do século passado – e que pelo seu exemplo certamente levaram à conversão de muitos outros:
 
1. Mortimer Adler (1902-2001): Filósofo e educador norte-americano, descobriu Santo Tomás de Aquino aos seus 20 anos de idade e tornou-se uma figura importante do Movimento Neo-Tomista.
2. Cardeal Francis Arinze (1932): convertido nigeriano batizado aos 9 anos pelo Beato Cipriano Tansi. Ele tornou-se o mais jovem bispo do mundo, aos 32 anos, e mais tarde foi nomeado cardeal e prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.
3. Francis Beckwith (1960): Filósofo e teólogo, foi eleito presidente da Sociedade Teológica Evangélica, mas convertido ao Catolicismo em 2007.
4. Tony Blair (1953): Líder do Partido Trabalhista britânico e primeiro-ministro de 1997 a 2007, foi o primeiro-ministro mais jovem desde 1812. Sua esposa, Cherie, também é católica.
5. Cherry Boone (1954): Filha do famoso cantor “evangélico” Pat Boone. Casada em 1975 com o escritor Dan O’Neill, ela e seu marido se converteram ao catolicismo.
6. Robert Bork (1927-2012): juiz e jurista conservador americano mais conhecido pela viciosa luta política que bloqueou sua nomeação para a Suprema Corte dos EUA em 1987. Ele e sua esposa se converteram ao catolicismo em 2003.
7. Louis Bouyer (1913-2004): teólogo francês e um dos membros fundadores da Comissão Teológica Internacional e da revista teológica internacional Communio .
8. Dave Brubeck (1920-2012): Um dos mais renomados músicos de jazz americanos. Converteu-se em 1980 e foi encarregado de compor a Missa para Esperança .
9. Tim Conway (1933): Comediante americano mais conhecido por seu papel nos programas de televisão “McHale’s Navy” e “The Carol Burnett Show”.
10. Gary Cooper (1901-1961): Ator americano que ganhou três prêmios da Academia, incluindo “Melhor Ator” para Sargento York e High Noon . Ele teve um poderoso encontro com o Papa Pio XII em 1953 e entrou formalmente na Igreja em 1959.
11. Frederick Copleston (1907-1994): Inglês jesuíta e historiador da filosofia, ele se converteu à Igreja aos 18 anos e entrou na Companhia de Jesus em 1930.
12. Dorothy Day (1897-1980): Escritora , ativista social e co- fundadora do movimento do Trabalhador Católico com Peter Maurin. Sua causa para a canonização foi aberta em Nova York em 2000.
13. Catherine de Hueck Doherty (1896-1985): Líder canadense de justiça social e fundadora do apostolado da Casa das Madonas. Convertida da Igreja Ortodoxa Russa, sua causa de canonização foi aberta em 2000.
14. Diana Dors (1931-1984): atriz inglesa considerada uma clássica “blonde bombshell” nos filmes.
15. Cardeal Avery Dulles (1918-2008): jesuíta americano, teólogo e cardeal, filho do ex-secretário de Estado John Foster Dulles.
16. Newt Gingrich (1943): Presidente da Câmara dos Deputados dos EUA de 1995 a 1999, bem como autor, candidato presidencial e historiador.
17. Rumer Godden (1907-1998): romancista inglês mais conhecido como o autor dos romances Black Narcissus e In This House of Brede .
18. Graham Greene (1904-1991): escritor britânico mais conhecido em círculos católicos por seus romances Brighton Rock , O Poder ea Glória , O Coração da Matéria eo Fim do Caso .
19. Sir Alec Guinness (1914-2000): Ator britânico ganhador do Oscar de Melhor Ator em 1957 pela The Bridge on the River Kwai .
20. Scott Hahn (1957): Teólogo bíblico, apologista e prolífico escritor e orador. Sua esposa, Kimberly, também é um converso.
21. Susan Hayward (1917-1975): Atriz ganhadora do Oscar, que ganhou o Oscar por seu papel na prisão de morte Barbara Graham em I Want to Live! (1958).
22. Elisabeth Hesselblad (1870-1957): Sueca convertida do luteranismo e fundadora das irmãs Bridgettine, foi canonizada pelo Papa Francis em 2015.
23. Dietrich von Hildebrand (1889-1977): filósofo e teólogo alemão honrado por numerosos papas por suas imensas contribuições ao pensamento católico.
24. Katharine, duquesa de Kent (1933): A esposa do príncipe Edward, duque de Kent (um neto do rei George V e Queen Mary e primo-irmão da Rainha Elizabeth II), o primeiro membro da família real para converter desde 1701 .
25. Joyce Kilmer (1886-1918): poeta, jornalista e editor americano, mais conhecido por seu poema curto Trees (1913). Ele foi morto em 1918 no final da Primeira Guerra Mundial.
26. Russell Kirk (1918-1994): Teórico político americano e uma das figuras as mais influentes no movimento conservador americano.
27. Dean Koontz (1945): romancista prolífico que vendeu mais de 450 milhões de cópias de seus livros.
28. Clare Boothe Luce (1903-1987): A primeira mulher americana nomeada para um grande cargo de embaixador no exterior, membro da Câmara dos Deputados dos EUA de 1943 a 1947, escritora e dramaturga.
29. Cardeal Jean-Marie Lustiger (1926-2007): Arcebispo de Paris de 1981 a 2005, cardeal de 1983 e promotor do diálogo católico-judaico. Converteu-se do judaísmo.
30. Gabriel Marcel (1889-1973): filósofo francês, dramaturgo e existencialista cristão mais conhecido por seu trabalho O Mistério do Ser .
31. Jacques Maritain (1882-1973): filósofo francês, autor de mais de 60 livros e uma das figuras-chave no renascimento do tomismo nos tempos modernos. Ele e sua esposa, Raïssa, se converteram ao catolicismo em 1906.
32. Norma McCorvey (1947-2017): O autor do infame processo de 1973 Roe v. Wade que legalizou o aborto que posteriormente se tornou pró-vida.
33. Marshall McLuhan (1911-1980): Professor canadense, filósofo e teórico da mídia mais conhecido por cunhar as expressões “o meio é a mensagem” e “aldeia global”.
34. Thomas Merton (1915-1968): monge e padre trapista americano , bem como poeta, ativista social e um dos mais famosos e controversos convertidos católicos do século XX.
35. Vittorio Messori (1941): jornalista italiano mais conhecido por suas entrevistas em livro “O Relatório Ratzinger: Uma Entrevista Exclusiva sobre o Estado da Igreja” (1985) e “Cruzando o Limiar de Esperança pelo Papa João Paulo II” (1994).
36. Malcolm Muggeridge (1903-1990): jornalista, satirista e escritor britânico. Ele se tornou um católico em 1982 com sua esposa, Kitty, em grande parte pela influência de Santa Teresa de Calcutá.
37. Bernard Nathanson (1926-2011): Médico americano e membro fundador da NARAL Pro-Choice America, que se juntou ao movimento pró-vida na década de 1970.
38. Rainha Nazli (1894-1978): Rainha do Egito de 1919 a 1936 como a segunda esposa do rei Fuad e mãe do rei Farouk do Egito. Ela e sua filha, Fathia, se converteram do Islã em 1950.
39. Patricia Neal (1926-2010): Atriz vencedora do Oscar pela sua performance em Hud ( 1963). Ela se converteu ao catolicismo alguns meses antes de sua morte.
40. Richard John Neuhaus (1936-2009): Antigo pastor luterano, escritor, teólogo e fundador e editor da revista First Things .
41. Robert Novak (1931-2009): jornalista americano, colunista e comentarista político conservador.
42. Joseph Pearce (1961): escritor e biógrafo literário inglês.
43. Walker Percy (1916 -1990): escritor americano amado por seus romances que confrontam a luta do homem com a modernidade.
44. Knute Rockne (1888-1931): Treinador norueguês da equipe de futebol Notre Dame de 1918 a 1930 e considerado um dos maiores treinadores da história do esporte.
45. Adrienne von Speyr (1902-1967): Médico suíço, escritor espiritual e místico, autor de mais de 60 livros de espiritualidade e teologia.
46. Santa Teresa Benedicta da Cruz (Edith Stein) (1891-1942): filósofo judeu-alemão e freira carmelita descalça que morreu em Auschwitz. Foi canonizada por São João Paulo II em 1998.
47. Sigrid Undset (1882-1949): romancista norueguês que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1928.
48. Evelyn Waugh (1903-1966): Escritor inglês famoso por seu romance Brideshead Revisited (1945).
49. John Wayne (1907-1979): Ator premiado pela Academia, amado por seus papéis em westerns e filmes de guerra.
50. Israel Zolli (1881-1956): estudioso judeu italiano e rabino-chefe em Roma de 1940 a 1945. Amigo do Papa Pio XII, converteu-se do judaísmo ao catolicismo em 1945.
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* Matthew Bunson é editor-sénior e contribuinte sênior da EWTN News. Via ” o Fiel Católico”
Fonte:
National Catholic Register, ’50 Catholic Converts: Notable Churchgoers of the Last Century’, disp. em:
http://ncregister.com/daily-news/50-catholic-converts-notable-new-church-members-over-the-last-century

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Pois é! A Igreja Católica não se limita ao rito romano. Ela é uma grande comunhão de 24 Igrejas, sendo 1 ocidental e 23 orientais.

O ramo ocidental é representado pela tradição latina daIgreja Católica Apostólica Romana. É chamado “ocidental” por conta da localização geográfica de Roma e não porque a sua presença se restrinja a países do Ocidente: na verdade, a Igreja Católica de rito romano está presente no mundo inteiro e tem dioceses em todos os continentes, de Portugal ao Japão, do Brasil à Rússia, de Angola à China, do Canadá à Nova Zelândia.

As Igrejas católicas orientais também têm fiéis espalhados pelo mundo, mas, por razões históricas, estão mais fortemente presentes nos lugares onde surgiram. Possuem tradições culturais, teológicas e litúrgicas diferentes, bem como estrutura e organização territorial própria, mas professam a mesma e única doutrina e fé católica, mantendo-se, portanto, em comunhão completa entre si e com a Santa Sé.

Todas as 24 Igrejas que compõem a Igreja Católica são consideradas Igrejas “sui juris”, ou seja, são autônomas para legislar de modo independente a respeito de seu rito e da sua disciplina, mas não a respeito dos dogmas, que são universais e comuns a todas elas e garantem a sua unidade de fé – formando, na essência, uma única Igreja Católica obediente ao Santo Padre, o Papa, que a todas preside na caridade.

A legislação de cada Igreja “sui juris” é estudada e aprovada pelo seu respectivo sínodo, ou seja, pela reunião dos seus bispos sob a presidência do seu arcebispo-maior ou patriarca. Por exemplo, a Igreja Melquita é presidida por Sua Beatitude o Patriarca Gregório III; a Igreja Greco-Católica Ucraniana, por Sua Beatitude o Arcebispo-Maior Dom Sviatoslav Shevchuk. O rebanho dos fiéis católicos de rito latino é guiado diretamente pelo Papa Francisco, bispo de Roma, que é também o líder de toda a grande comunhão da Igreja Católica em suas diversas tradições.

É muito comum até hoje, em especial no Ocidente, confundir a Igreja Católica com o rito latino, um erro que vem acontecendo há séculos e que, ao longo da história, já causou sérios prejuízos aos católicos de ritos orientais. O que é preciso entender é que todos os católicos latinos são, obviamente, católicos; mas nem todos os católicos são católicos latinos. E esta é mais uma das tantíssimas riquezas do infinito tesouro da Igreja que é Una, Santa, Católica e Apostólica!

O Concílio Vaticano II reconheceu que todos os ritos aprovados pelas Igrejas que formam a Igreja Católica têm a mesma dignidade e direito e devem ser preservados e promovidos.

Aliás, por falar em rito, outra confusão frequente é feita entre o rito latino e o rito romano: os termos costumam ser usados como sinônimos, mas, tecnicamente, além do rito romano, também existem outros ritos latinos de certas Igrejas locais, como o ambrosiano, e os de algumas ordens religiosas, além do rito tridentino. Mas eles não estão vinculados a Igrejas autônomas “sui juris“, sendo diferentes ritos dentro da mesma tradição latina da Igreja Católica. Quanto aos ritos orientais, as diferenças são mais marcadas pela diversidade de tradições e há vínculos históricos entre os ritos e as Igrejas “sui juris” específicas que os adotam: são eles o alexandrino ou copta, o bizantino, o antioqueno ou siríaco ocidental, o caldeu ou siríaco oriental, o armênio e o maronita.

Mas quais são, afinal, as Igrejas “sui juris” que formam a Igreja Católica? Eis a impressionante lista:

DE RITO OCIDENTAL

Tradição litúrgica latina ou romana:

  1. Rito latino da Igreja Católica Apostólica Romana (sede em Roma)

DE RITOS ORIENTAIS

Tradição litúrgica alexandrina:

  1. Igreja Católica Copta (patriarcado; sede no Cairo, Egito)
  2. Igreja Católica Etíope (metropolitanato; sede em Adis Abeba, Etiópia)
  3. Igreja Católica Eritreia (metropolitanato; sede em Asmara, Eritreia)

Tradição litúrgica bizantina:

  1. Igreja Greco-Católica Melquita (patriarcado; sede em Damasco, Síria)
  2. Igreja Católica Bizantina Grega (eparquia; sede em Atenas, Grécia)
  3. Igreja Católica Bizantina Ítalo-Albanesa (eparquia; sede na Sicília, Itália)
  4. Igreja Greco-Católica Ucraniana (arcebispado maior; sede em Kiev, Ucrânia)
  5. Igreja Greco-Católica Bielorrussa (também chamada Católica Bizantina Bielorussa)
  6. Igreja Greco-Católica Russa (sede em Novosibirsk, Rússia)
  7. Igreja Greco-Católica Búlgara (eparquia; sede em Sófia, Bulgária)
  8. Igreja Católica Bizantina Eslovaca (metropolitanato; sede em Prešov, Eslováquia)
  9. Igreja Greco-Católica Húngara (metropolitanato; sede em Nyíregyháza, Hungria)
  10. Igreja Católica Bizantina da Croácia e Sérvia (eparquia; sedes em Križevci, Croácia, e Ruski Krstur, Sérvia)
  11. Igreja Greco-Católica Romena (arcebispado maior; sede em Blaj, Romênia)
  12. Igreja Católica Bizantina Rutena (metropolitanato; sede em Pittsburgh, Estados Unidos)
  13. Igreja Católica Bizantina Albanesa (eparquia; sede em Fier, Albânia)
  14. Igreja Greco-Católica Macedônica (exarcado ou exarquia; sede em Escópia, Macedônia)

Tradição litúrgica armênia:

  1. Igreja Católica Armênia (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)

Tradição litúrgica maronita:

  1. Igreja Maronita (patriarcado; sede em Bkerke, Líbano)

Tradição litúrgica antioquena ou siríaca ocidental:

  1. Igreja Católica Siríaca (patriarcado; sede em Beirute, Líbano)
  2. Igreja Católica Siro-Malancar (arcebispado maior; sede em Trivandrum, Índia)

 Tradição litúrgica caldeia ou siríaca oriental:

  1. Igreja Católica Caldeia (patriarcado; sede em Bagdá, Iraque)
  2. Igreja Católica Siro-Malabar (arcebispado maior; sede em Cochim, Índia)

Fonte: Aleteia

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Um convite à “recíproca cooperação” entre bispos e novos movimentos ou agregações, superando “toda confrontação ou justaposição estéril”, está contido na carta Iuvenescit Ecclesia (A Igreja rejuvenesce), aprovada pelo Papa Francisco e publicada hoje pela Congregação para a Doutrina da Fé do cardeal Gerhard Ludwig Müller.

Um documento – para usar as palavras do teólogo Piero Coda, que participou da coletiva de imprensa de apresentação no Vaticano – que afunda as suas raízes no Concílio Vaticano II, mas assume um caráter de particular atualidade em um momento histórico no qual Joseph Ratzinger assumiu o nome de Bento de Núrsia, e o jesuíta Jorge Mario Bergoglio, que convida os católicos a uma renovada missionariedade, assumiu o do Pobrezinho de Assis, “sinais de uma inédita e promissora tomada de consciência – desde a cúpula da Igreja – da reciprocidade entre dons hierárquicos e dons carismáticos”.

“Na época pós-conciliar, assistimos a um florescimento inesperado e explosivo de muitas dessas realidades, favorecendo também a difusão de uma reflexão sobre os carismas, como nunca antes na história da Igreja”, disse na coletiva o cardeal Müller que, com o secretário do dicastério, o arcebispo Luis Ladaria, assinou esse documento dirigido aos bispos.

“O presente texto, que já chegou a uma fisionomia definitiva depois de tantos anos de reelaboração – o estudo começou no ano 2000 –, pretende, de fato, se inserir em tal consideração dos carismas, como momento de autoridade que traça algumas linhas fundamentais, para relançar, de modo correto e adequado, a sua reflexão. Em particular, pareceu necessário oferecer aos pastores e aos fiéis uma seguro e encorajadora consideração da relação entre esses dons, que avivaram a vida da Igreja, especialmente com o surgimento, no passado recente, dos ‘movimentos’ e das novas comunidades eclesiais. O objetivo do presente documento – destacou o purpurado alemão – é promover, através de uma profunda conscientização dos elementos essenciais relacionados a dons hierárquicos e carismáticos, e para além de toda contraposição ou justaposição estéril, uma ordenada comunhão, relação e sinergia deles, em vista de um renovado impulso missionário eclesial e daquela ‘conversão pastoral’, a que o Papa Francisco nos chama continuamente.”

O texto foi aprovado pelo Papa Francisco em uma audiência do dia 14 de março passado e foi assinado no dia 15 de maio de 2016, solenidade de Pentecostes.

A carta ressalta que “a antítese entre uma Igreja institucional de tipo judaico-cristã e uma Igreja carismática do tipo paulino, afirmada por certas interpretações eclesiológicas redutoras, não encontra na realidade um fundamento adequado nas passagens do Novo Testamento. Longe de situar os carismas de um lado e as realidades institucionais de outro, ou de opor uma Igreja ‘da caridade’ a uma Igreja ‘da instituição’, Paulo reúne em uma única lista aqueles que são portadores de carismas de autoridade e ensinamento, de carismas que beneficiam a vida comum da comunidade e de carisma mais clamorosos”.

Depois de citar o papas João Paulo II (“que cunhou o conceito de ‘coessencialidade’ entre dons da Igreja), Bento XVI e Francisco, “é possível, portanto – sublinha o documento –, reconhecer uma convergência do recente Magistério eclesial sobre a coessencialidade entre dons hierárquicos e carismáticos. Uma contraposição deles, assim como uma justaposição, seria sintoma de uma errônea ou insuficiente compreensão da ação do Espírito Santo na vida e na missão da Igreja”.

Nesse sentido, “o nascimento de eventuais tensões exige, por parte de todos, a práxis de uma caridade maior, em vista de uma comunhão e de uma unidade eclesiais cada vez mais profundas”.

No texto, além disso, ressalta-se que “o celibato, exigido aos presbíteros na venerável tradição latina, também está claramente na linha do dom carismático; ele não é primariamente funcional, mas ‘representa uma conformação especial ao estilo de vida do próprio Cristo’, em que se realiza a plena dedicação de si em referência à missão conferida mediante o sacramento da Ordem”.

É necessário “evitar que se conceba como contrapoder em relação aos bispos”, sublinhou, por sua parte, o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação dos Bispos. “O texto esclarece, teologicamente e a partir da Sagrada Escritura e da vida da Igreja, que é preciso integrar melhor a dimensão carismática, abraçando as novas formas e as formas antigas ou tradicionais”.

Para aqueles que se perguntavam se o Papa Francisco é carismático demais e muito pouco hierárquico, o cardeal canadense respondeu que o pontífice, “com o seu modo de ser pastor, ajuda a todos os bispos a serem mais afiados no discernimento, no acompanhamento e na acolhida, respondendo a uma necessidade da Igreja de seguir a realidade da fé, assim como ela é vivida nos nossos dias, com as dificuldades doutrinais, disciplinares, sacramentais”.

Com esse documento, a Congregação para a Doutrina da Fé – destacou por sua parte o Mons. Piero Coda, membro da Comissão Teológica Internacional – “mostra a qualidade de dicastério que oferece esclarecimentos teológicos que alimentam o caminho da Igreja: existe uma sinergia constitutiva no mistério da Igreja entre dons hierárquicos e a contínua, multiforme e variada irrupção carismática, que não pode ser codificada, porque está nas mãos do Espírito Santo e responde, de tempos em tempos, às necessidades e às reivindicações do povo de Deus, olhando para a humanidade inteira, para as suas feridas, pedidos e interrogações”.

O teólogo recordou um discurso de 1998, no qual o então cardeal Ratzinger falava daquelas “ondas de movimentos, que revalorizam continuamente o aspecto universalista da missão apostólica e a radicalidade do Evangelho, e, justamente por isso, servem para assegurar vitalidade e verdade espiritual às Igrejas locais”.

O Mons. Coda, por fim, citou o Pe. Divo Barsotti, místico florentino que desejava o surgimento na Igreja de um movimento religioso de inusitado “poder de amor”, que, segundo ele, “deve surgir a partir dos leigos. Bento e Francisco eram leigos. A tarefa da hierarquia, a quem cabe legislar, é de controle, porque a assistência divina, indubitável, preserva a Igreja de cair no erro, mas o movimento não é realizado pela hierarquia”.

Na época atual, concluiu, “talvez haja algo de inédito, e esse documento atesta isso: o Papa Ratzinger, que quis retomar o nome de Bento de Núrsia, e o Papa Bergoglio, filho espiritual de Santo Inácio, que – primeiro papa na história – assumiu o nome do Pobrezinho de Assis, talvez sejam sinais de uma inédita e promissora conscientização – a partir da cúpula da Igreja – da reciprocidade entre dons hierárquicos e dons carismáticos. É isso que o presente documento espera, em todos os níveis, para todo o Povo de Deus”.

Na coletiva de imprensa, Carmen Aparicio Valls, professora da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana e membro da Instituição Teresiana, também ofereceu o seu testemunho.

Por Iacopo Scaramuzzi 

Fonte: Vatican Insider

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Mentes pequenas discutem pessoas enquanto grandes mentes debatem idéias. Trata-se de um lugar comum; mas todo lugar comum encerra importantes verdades. As pessoas passam e seu horizonte de atuação é muito restrito; as idéias permanecem, transcendem os homens e modificam o mundo. Discutir pessoas, destarte, é mesquinho, é pequeno, é insignificante. Quem detém pretensões um pouco mais ambiciosas precisa voltar-se para as idéias que levam as pessoas a agirem de tal ou qual maneira.

As idéias, contudo, para produzirem os seus efeitos no mundo, precisam de tempo. Raras vezes os primeiros propagadores de uma nova ideia verão todas as consequências de sua disseminação. Talvez não fosse claro, por exemplo, aos adeptos entusiasmados da revolução sexual da década de 60 que, poucos anos depois, crianças de 12 anos estariam fazendo filmes pornográficos. Por esses dias eu ouvia uma professora comentar que os anos 80 foram estranhos — eu já o comentei aqui. De fato foram tempos sinistros aqueles; considerá-los imprevisíveis, contudo, parece-me excessiva ingenuidade. O abuso sexual infantil é uma lástima sob quaisquer aspectos deplorável. Creditá-lo à Igreja Católica, no entanto, é de uma hipocrisia avassaladora . Ora, não é possível esquecer — para ficar só no exemplo talvez mais paradigmático — que, há bem pouco tempo, a sexualidade infantil mereceu o apoio entusiasmado e aberto do cinema nacional (veja foto abaixo); e de uma maneira tão constrangedora que a protagonista do filme, posteriormente, empregou sem sucesso a sua fortuna para tentar removê-lo de circulação.

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Não se diga que foi apenas uma excentricidade isolada da época: hoje mesmo, em pleno terceiro milênio, não falta quem chame de “cultura” o funk que estimula o estupro de meninas. Ora, as idéias têm consequências, por mais que o ignorem os seus propagadores. Nos dias de hoje parece haver um certo consenso de que o abuso sexual de crianças é uma coisa condenável. No entanto, somente a Igreja Católica o tem consistentemente condenado com a devida coerência! Ninguém faz mais que a Igreja contra a pedofilia. Recentemente se noticiaram novas medidas tomadas pela Santa Sé para facilitar a responsabilização de bispos que forem lenientes em casos de abusos infantis. Fui procurar; o documento que o Papa Francisco promulgou no último 4 de junho chama-se Come una madre amorevole— assim, em italiano mesmo, fugindo ao latim com que se costuma dar título aos documentos pontifícios. A Mãe Amorosa revela-se aqui implacável logo no primeiro artigo: os bispos podem ser legitimamente removidos de suas dioceses se a sua negligência provocar ou não impedir que seja provocado um grave dano a alguém.

Parágrafo primeiro: este dano pode ser físico, moral, espiritual ou patrimonial.

Parágrafo segundo: o bispo pode ser removido ainda que sua negligência não constitua culpa pessoal grave.

Parágrafo terceiro: em casos de abusos sexuais, basta que a indiligência seja grave (em oposição à molto grave do parágrafo antecedente).

Fico pensando em que hipótese um bispo pode ser negligente em matéria de abuso infantil e, ao mesmo tempo, não ser moralmente réu de culpa grave. Porque é evidente que a negligência pode configurar pecado mortal — e, para afastá-lo, é preciso que o agente ou não tenha visto com clareza a dimensão do problema, ou não dispusesse de plenas condições para o evitar. Em uma palavra: a negligência só não implica em pecado mortal se ela não for exigível. Mas, ora, se a atitude que se omitiu não era exigível, é ainda possível dizer que subsiste a própria negligência? Afinal, ser negligente é precisamente deixar de fazer algo que devia ser feito. Se devia ser feito, como é possível que não importe em culpa pessoal? Se não devia, como se pode falar ainda em negligência?

Penso que a novidade do documento reside precisamente nesta possibilidade de responsabilizar pessoas sobre as quais não é possível formar com segurança um juízo moral negativo. Fui olhar o Sacramentorum Sanctitatis Tutelae, nele, não encontrei semelhante previsão; a Graviora Delicta — que afirma ser «Congregationi pro Doctrina Fidei reservata» , entre outros, o «delictum contra sextum Decalogi praeceptum cum minore infra aetatem duodeviginti annorum a clerico commissum» — tampouco a traz. Não me recordo de a ter já visto em algum lugar — e, no entanto, ei-la reluzindo no frontispício da Madre Amorevole do Papa Francisco!

No Direito Penal secular isso provavelmente seria considerado responsabilidade objetiva — a possibilidade de se punir pessoas sem que lhes esteja caracterizado o dolo ou a culpa — e os doutrinadores contemporâneos, ciosos das garantias individuais contra a hipertrofia punitiva estatal, esmerar-se-iam por pintá-la aos olhos de todos como uma excrescência odiosa, não sossegando enquanto não a lograssem proscrever do Ordenamento Jurídico. No entanto, a justiça de Deus não deve prestar contas à justiça dos homens e, se é verdade que Leviathan não pode aplicar uma pena sem um fato típico, antijurídico e culpável, a Esposa de Cristo pode, sim, prescindir dessa culpabilidade na hora de desferir os golpes necessários à proteção dos Seus filhos.

É evidente que pode. Mais até: deve. Em se tratando de uma matéria grave como o abuso sexual de menores, mais do que estabelecer a culpa dos responsáveis importa fazer cessar o abuso e tomar medidas para que ele não se repita. Se determinado bispo não foi capaz de impedir a lepra da pedofilia de apodrecer parte do seu clero, é evidente que este bispo precisa ser substituído independente de sua culpa própria na propagação da epidemia — porque o papel do bispo é proteger os fiéis a ele confiados, e este dever é grave demais para que alguém possa eximir-se dele simplesmente dizendo “não consigo”. Ora, uma pessoa pode, perfeitamente, ser pessoalmente incapaz de enfrentar pervertidos sem que isso lhe acarrete culpa particular alguma. No entanto, tal pessoa não pode ser bispo católico. Não pode, porque de um bispo se exige mais do que de um católico comum. É bom que seja assim. Não pode não ser assim.

O abuso sexual de crianças é uma coisa terrível; nossa sociedade doente, no entanto, encontra e sempre encontrou mil modos de condescender com essa mácula! Lembremo-nos, o cinema brasileiro já filmou Amor Estranho Amor. Os nossos programas de auditório infantis já estiveram repletos de mulheres seminuas. As músicas cantadas ainda hoje por nossas crianças e adolescentes incentivam o sexo mais animalesco. O STF já há alguns anos flexibilizou a presunção de violência no estupro de vulnerável. O MEC há muito propõe aulas de educação sexual para crianças e jovens. Somente a Igreja é de uma intolerância obstinada, medieval, contra o sexo infantil. Somente a Igreja afirma, sozinha, que o sexo é sagrado e que o seu lugar é dentro do Matrimônio com vistas à formação de uma família. Somente a Igreja prega, sozinha, que é preciso fugir do pecado e das ocasiões de pecado, e que é preciso mortificar os sentidos, e que a pornografia é pecado grave, e que certas modas imodestas muito ofendem a Nosso Senhor. Somente a Igreja ensina, sozinha, que o consentimento mútuo não elide o pecado contra a castidade, e que as depravações sexuais exaltadas pelo mundo moderno não deixam de ser depravações quando são consentidas. E, agora, somente a Igreja, sozinha, determina punição independente de culpa para quem não faz cessar os abusos sexuais sofridos por menores que de algum modo estavam sob sua responsabilidade.A pedofilia é uma desgraça que cresce assustadoramente no mundo sob o impulso das concepções modernas a respeito do sexo. E somente a Igreja a combate com a coerência exigida. Somente à luz d’Ela este mal poderá ser vencido. Apenas esta Mãe Amorosa é capaz de proteger verdadeiramente os pequenos e indefesos.

Fonte Original http://www.deuslovult.org/

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O método do Sínodo sobre a Família deixa marca inclusive nas dioceses. É o que demonstra o bispo que melhor representa o estilo do Papa Francisco nos Estados Unidos. Está há menos de um ano e meio conduzindo a Arquidiocese de Chicago, mas dom Cupich (na foto) já colocou em andamento um programa pastoral ambicioso, intitulado, emblematicamente, “Renova minha Igreja”. O primeiro passo foi lançar, na Semana Santa, uma consulta muito ampla entre os fiéis, mediante um questionário on-line no sítio da arquidiocese, que cada fiel pode acessar anonimamente.


Porém, o arcebispo não pretende fazer apenas esta tarefa. Por isso, criou o questionário com 39 perguntas. E sua decisão de lançá-lo justamente na Semana Santa, mediante os boletins paroquiais, está relacionado à intenção de envolver não só os mais assíduos, como também os que vêm à Igreja só nas grandes festas.

“Sonhar grande para a Arquidiocese de Chicago” é o subtítulo que Cupich quis para o projeto que se dá com uma referência muito forte: o crucifixo de São Damião, que fala com São Francisco para lhe pedir que repare “minha casa em ruínas”. “A arquidiocese mudou significativamente durante as últimas décadas – escreveu Cupich ao explicar o espírito da iniciativa. A composição demográfica mudou radicalmente. Alguns de nossos edifícios paroquiais estão em ruínas. Temos menos sacerdotes para conduzir nossas comunidades. O resultado é que acabamos perdendo nossos recursos. Contudo, não devemos ter medo de enfrentar esta realidade, mas considerá-la um tempo de graça para traçar novas vias para viver com maior plenitude nossa missão”.

Algumas perguntas se referem especificamente à opinião sobre a própria paróquia. Convida-se os fiéis a acompanhar com suas avaliações, com algumas indicações sobre a frequência com a qual frequentam as missas aos domingos e sobre o grau de participação na vida da comunidade. Cupich indicou que um dos resultados da iniciativa será justamente a reorganização da rede das paróquias.

No entanto, a parte mais interessante do questionário é a que pede aos fiéis que descrevam detalhadamente a diocese que gostariam. Trata-se de um olhar relacionado à experiência pessoal: “Se você tivesse que mudar para uma nova cidade e escolher uma nova paróquia, quais são os aspectos que levaria em conta?”. “O que poderia incentivá-lo a se sentir mais envolvido em sua comunidade?”. “Se você se encontrasse com pessoas não católicas, com as quais pudesse falar sobre Deus, Jesus ou a vida de fé, como se comportaria?”.

A última parte do questionário pede para avaliar, levando em conta toda a diocese, a importância de uma série de desafios: a disponibilidade dos sacerdotes, o tema das finanças, a vitalidade das paróquias, a maneira como enfrentar os escândalos relacionados a abusos sexuais. E também se pede para apontar o que se considera mais importante quando se fala de renovação da Igreja: “Uma maior acolhida? Melhores homilias? Uma maior compreensão doMagistério? Ajudar a fazer crescer a relação pessoal com Cristo? Uma maior participação dos leigos? Uma administração financeira competente?”.

“Assim como nossos antepassados responderam com fé a seus sonhos e construíram a Igreja que temos hoje – comentou Cupich -, hoje nos cabe sonhar grande e assumir esta tarefa. Este esforço exige uma fé firme, ou seja, uma fé criativa, que nos reforce na consciência de que é Cristo quem nos guia. Esta é a fé que nos manterá unidos. E nos dará a firmeza necessária para tomar as decisões mais corajosas que plasmarão a Igreja de Chicago para as próximas gerações”.

Fonte: Vatican Insider

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O número de católicos batizados em todo o mundo aumentou em um ritmo mais rápido do que a população mundial, segundo estatísticas divulgadas pelo Vaticano.

Embora o número geral de sacerdotes tenha aumentado, a quantidade deles diminuiu ligeiramente na Europa e na Oceania, de acordo com o Departamento Central de Estatísticas da Igreja.

Os dados atualizados foram apresentados no “Annuario Pontificio 2016” e vão aparecer no Anuário Estatístico da Igreja, que traz números detalhados sobre os trabalhos que a Igreja realiza, a vida sacramental, as dioceses e paróquias até 31 de dezembro de 2014.

O número de católicos batizados alcançou 1,27 bilhão ou 17,8% da população mundial, informou o departamento em 5 de março.

Apesar do aumento de fiéis no planeta, o anuário observa também um aumento “menos dinâmico” de apenas 2% na Europa. Ainda que o continente seja o lar de quase 40% da população católica no mundo, a porcentagem dos seus fiéis vivendo na Europa diminuiu levemente ao longo dos últimos nove anos.

No entanto, com exceção para a Oceania, o número de católicos batizados cresceu mais rápido do que o crescimento populacional geral em cada continente.

“Sem dúvida, o continente africano continua sendo o que conta com o mais alto índice de crescimento”, lê-se no relatório; o número de católicos aí aumentou em 41%, enquanto que o número de católicos na Ásia cresceu 20%.

A porcentagem de católicos batizados como parte da população geral continua sendo a mais alta nas Américas do Norte e Sul, onde “formam quase a metade” dos católicos do mundo.

O número de bispos do mundo continuou a aumentar, alcançando 5.237 ao total em comparação com os 4.841 do ano anterior.
O número total de sacerdotes – diocesanos e ordens religiosas – era de 415.792, o que, segundo se lê no texto divulgado, é um número estatisticamente estável. Houve um firme aumento de padres diocesanos na África, Ásia e nas Américas Central e do Sul, enquanto que os números na América do Norte, Europa e Oceania continuaram a diminuir.

O número informado de diáconos permanentes – 44.566 – representou um aumento de mais de 1.000 ao longo do período anterior.
O número de irmãos consagrados (religiosos) diminuiu levemente, indo de um total de 55.253 no final de 2013 para um total de 54.559 no final de 2014.

O número de mulheres em ordens religiosas continuou a diminuir, caindo para 10.846 em 2014. As maiores quedas se deram nas Américas do Norte e Sul, na Europa e Oceania, enquanto que os números na África e na Ásia continuam a se elevar.

O número de candidatos ao sacerdócio – tanto seminaristas diocesanos como membros das ordens religiosas – que chegaram ao nível dos estudos filosóficos e teológicos mostrou uma ligeira desaceleração. O número de candidatos caiu para 116.939 no final de 2014 em comparação com os 118.251 do final de 2014.

A variação no número de candidatos em formação visando o sacerdócio varia nos continentes, lê-se no texto divulgado. Há um “declínio evidente” nos números da Europa e América do Norte, enquanto que a “África e a Ásia mostram grande vitalidade”.

Fonte: Catholic News Service.

Logo depois da impactante procissão eucarística realizada no último fim de semana em Cebu (Filipinas), da qual participaram cerca de dois milhões de fiéis, elaboramos uma lista dos eventos mais multitudinários da Igreja no mundo inteiro.

1.- Entre 6 e 7 milhões de pessoas participaram da Missa presidida pelo Papa Francisco em 18 de janeiro de 2015, no Rizal Park em Manila (Filipinas), no encerramento da sua visita histórica ao país.

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2.- Mais de 5,5 milhões de pessoas participaram na procissão anual do Nazareno Negro na cidade de Manila (Filipinas), em 2015.

3.- Mais de 4 milhões de pessoas participaram da Missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude celebrada em 1995, também em Manila (Filipinas).

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4.- Aproximadamente 3,2 milhões de pessoas participaram da festa anual do Santo Niño em Cebu, no terceiro domingo de janeiro em 2014. A multidão tomou conta das ruas de Cebu, novamente em Filipinas.

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5.-  Mais de 3 milhões de pessoas participaram da Missa final da Jornada Mundial da Juventude na praia de Copacabana (Rio do Janeiro), em julho de 2013, superando os dois milhões de pessoas que comemoram a maior festa de Ano Novo do mundo.

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6.- Entre 2 e 4 milhões de pessoas estiveram presentes no funeral de São João Paulo II, em abril de 2005.

7.- Cerca de 2 milhões de pessoas acabam de participar da maior procissão eucarística da história no encerramento do Congresso Eucarístico Internacional realizado em Cebu (Filipinas), no último fim de semana.

8.- Em outubro de 2015, aproximadamente 2 milhões de pessoas acompanharam a procissão da Virgem de Zapopan no estado de Jalisco (México).

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9- Cerca de 1,4 milhões de jovens participaram da Jornada Mundial da Juventude realizada entre os dias 16 e 21 de agosto em Madri (Espanha).

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10.- Em 29 de setembro de 1979, aproximadamente 1,25 milhões de pessoas participaram da Missa presidida por João Paulo II no Phoenix Park de Dublin (Irlanda). Essa quantidade de pessoas representava aproximadamente um terço da população do país naquela ocasião.

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11- Círio de Nazaré, dois milhões de pessoas em 2015

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12- Mais de 1 milhão de pessoas se reuniram na Praça de São Pedro para a beatificação de João Paulo II, em 2011.

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ACI

vaticano(1)A doutrina católica tem sido desafiada continuamente pelo “triunvirato” formado pelos âmbitos da universidade, da mídia e do governo. Muitos de nós, católicos, também nos vemos desafiados em nossa vida diária a deixar de lado as nossas crenças no contexto das nossas carreiras profissionais, do nosso exercício da paternidade e do nosso modo de vida.

Os católicos adultos precisam entender e abraçar decididamente a doutrina católica com seu intelecto e com a sua razão. Não podemos nos contentar em acreditar e aceitar o ensinamento da Igreja só porque os nossos pais e professores “nos disseram assim”. Neste processo, podemos entrar em conflito com alguns ensinamentos em particular devido às nossas próprias falhas, falta de boa catequese e outras razões. E, mesmo como adultos, a nossa fé pode ser desafiada quando a vida e as práticas de pessoas que respeitamos e amamos contradizem a doutrina católica. Quando isto acontece, eu tento ver a relevância da minha fé para a vida delas.

Os valores defendidos pela Igreja podem parecer duros demais e até mesmo injustos para o nosso “viva e deixe viver”. É compreensível que muita gente acredite hoje que a Igreja está fora de sintonia com o mundo moderno e que os seus ensinamentos não são mais relevantes.

Mas o que é incrível (e certamente não é intencional) é o fato de que a ciência moderna, que muitos acham que é a antítese ou pelo menos uma grande inimiga da doutrina católica, em realidade confirma a verdade, o valor e a relevância do que a Igreja tem ensinado há 2.000 anos.

Aqui vão dez exemplos:

1. A Igreja ensina que o orgulho é a raiz de todos os vícios. Estudos de psicologia mostram que o narcisismo e o pensamento irracional estão em ascensão, especialmente em nossa geração mais jovem. Este fenômeno está criando uma “comunidade” desconexa, desencantada e confusa. Os traços dos narcisistas – egocentrismo, autoestima inflada, falta de empatia, agressividade – são prejudiciais para os outros, para a sociedade e até para os próprios narcisistas.

2. A Igreja ensina que a gula e a preguiça minam os valores da alimentação e do descanso saudáveis, criando condições insalubres que ameaçam a mente, o corpo e a alma. O “Journal of the American Medical Association” relata que quase 70% dos norte-americanos estão acima do peso ou obesos, que a obesidade é uma ameaça significativa para a saúde mental e física e que, em breve, ela ultrapassará o tabagismo como a principal causa de morte no país.

3. A Igreja ensina que a luxúria nos leva a tratar o corpo humano como uma mercadoria física em vez de um aspecto da totalidade da pessoa humana – um todo inseparável, composto de corpo, mente e alma – que é a obra-prima da criação de Deus e que vai viver para sempre. Hoje, os lucros da pornografia, só nos Estados Unidos, excedem as receitas combinadas de grandes grupos de mídia como a CBS, a ABC e a NBC (Kimmel, 2008).

4. A Igreja ensina que um casamento válido é para sempre e é indissolúvel. As ciências sociais têm demonstrado que os filhos criados dentro de uma família intacta, com os pais biológicos casados um com o outro, são notavelmente mais beneficiados que as crianças que crescem dentro de outros arranjos familiares, que estão associados com muito mais frequência a diversos tipos de prejuízos sociais, psicológicos, emocionais e acadêmicos.

5. A Igreja ensina que o controle artificial da natalidade viola a lei natural. A Organização Mundial da Saúde classifica os contraceptivos orais como substâncias cancerígenas, junto com o amianto, o radônio e o plutônio, com a diferença de que os contraceptivos estão muito mais disseminados

6. A Igreja ensina que o medo impede o amor e que, acima de tudo, devemos confiar no cuidado providencial de Deus. Estudos mostram que a ansiedade é a queixa psicológica número um de jovens e adultos (ver, por exemplo, Cartwright-Hatton, McNicol e Doubleday, 2006; Muris e Steerneman, 2001). Em níveis não saudáveis, a ansiedade está associada com uma miríade de resultados negativos para a saúde.
7. A Igreja ensina que os atos homossexuais não são uma expressão saudável da sexualidade humana. Um estudo do “International Journal of Epidemiology” concluiu que o risco de transmissão do HIV é 18 vezes maior durante a relação sexual anal do que na relação sexual vaginal.

8. A Igreja ensina que toda a vida humana é sagrada desde a concepção até a morte natural e que cada pessoa é merecedora do nosso amor e cuidado. As Associações Psicológicas e Psiquiátricas Norte-Americanas condenam veementemente a discriminação contra pessoas com deficiência cujos cuidados médicos, felicidade e subsistência são frequentemente ameaçados por outros (curiosamente, porém, eles apoiam o “direito” de se abortarem pessoas com deficiência).

9. A Igreja ensina que o sexo antes do casamento prejudica a união amorosa e o bem-estar de cada indivíduo e do casal como tal. A Academia Americana de Pediatria relata que os adolescentes sexualmente ativos são mais propensos à depressão e ao suicídio e ao uso de substâncias ilícitas, além de correrem um risco significativo de contrair uma ou mais doenças sexualmente transmissíveis, muitas das quais são incuráveis.

10. A Igreja ensina que a ganância cria uma sociedade em que algumas pessoas são exploradas para gerar o lucro de outros e que os explorados sofrem demais para suprir as próprias necessidades básicas. O U.S. Census Bureau relata que continua a crescer a diferença entre ricos e pobres nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo. Este também é o caso no mundo todo: a disparidade entre o Produto Interno Bruto dos 20 países mais pobres e dos 20 mais ricos mais do que duplicou entre 1960 e 1995.

Muitas pessoas preferem evitar temas como a ganância, a luxúria, o orgulho, o controle da natalidade e a gula: acham “desagradável” levantar questões morais de qualquer espécie. Mas se nós realmente nos preocupamos com o bem-estar das nossas famílias e dos nossos amigos, agora e na eternidade, assim como com o futuro da sociedade, precisamos manter essas conversas claras nos momentos apropriados. Felizmente, podemos começar essas conversas mencionando as descobertas da ciência, que as pessoas hoje aceitam mais facilmente como verdade do que os ensinamentos de Nosso Senhor e da Igreja que Ele fundou.

Há quem diga que a Igreja não é mais relevante no século XXI. Mas, dados os graves danos que as pessoas estão infligindo a si mesmas e aos outros ao ignorarem ou negarem a doutrina católica, parece que estas verdades são mais necessárias hoje do que nunca.

Aleteia

IASD - VERDADE CHAVE

A origem das falsas religiões é uma coisa que se pode investigar em diversos planos.

Do ponto de vista do Cristianismo, munidos da Verdade Revelada, lançando os olhos sobre o fenômeno religioso a partir do terreno elevado da Igreja de Cristo que é «coluna e sustentáculo da Verdade», não podemos senão concluir que, no início das falsas religiões — que mais afastam do que aproximam de Deus –, está o Demônio, o Pai da Mentira, aquele cujo papel na história da humanidade é o de roubar, matar e destruir. É neste sentido que S. Pio de Pietrelcina dizia, de maneira jocosa, que o Protestantismo também tivera uma origem sobrenatural, uma vez que fora fundado por Satanás.

Contudo, à luz da história humana auto-referenciada, do ponto de vista do homem desterrado em cujo interior ainda pulsa o anelo pelo Paraíso Perdido, ou mesmo — por que não? — munidos apenas da teologia natural, não podemos ser tão ligeiros na divisão dicotômica do mundo entre as inspirações divinas e o bafo sulfúreo do Demônio. O homem também pode errar, e erra amiúde, por conta própria, sem que a isso precise ser conduzido tendo Lúcifer ao braço. O erro religioso de boa vontade é certamente mais comum do que o satanismo stricto sensu: há decerto mais pessoas tomando demônios por Deus do que trocando o Deus que se sabe verdadeiro pelos diabos sabidamente exsurgidos do Inferno. E isto sem nenhumas considerações de ordem soteriológica, que as condições subjetivas de cada um identificar o demônio que se lhe antolha Deus haverá de julgar. Aqui se cogita tão-somente do motor da adesão à falsa crença, não do seu valor salvífico.

Da mesma forma que não nos podemos esquecer de que só existe uma única Religião Verdadeira, da qual todas as outras são ou sombras ou caricaturas, não nos é dado também olvidar que o fato mesmo de alguém aderir a uma falsa religião significa, ao menos ordinariamente, que o problema de Deus se coloca para esta pessoa e ela o considera em alguma medida relevante. Em resumo: que Satanás espalha, sim, ídolos pelo mundo, mas só se prostra diante dos ídolos quem ao menos deseja se relacionar com o Além.

Construir «uma torre cujo cimo atinja os céus» (cf. Gn XI, 4) é pecado; mas o pecado está no meio de que se serve, não no fim que se almeja. Porque atingir os céus é um anseio natural do ser humano criado para Deus — do homem cujo coração vive inquieto enquanto n’Ele não repousa, para usar a passagem clássica de Sto. Agostinho. E em tempos onde querem sufocar este ditame da consciência, talvez não seja tão imprudente assim valorizá-lo — ainda que apenas o seu reflexo distorcido na fracassada odisseia religiosa do homem distante da Revelação.

Jorge Ferraz, Blogueiro católico.

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Segundo o Latinobarómetro, a Igreja é a instituição na qual mais confiam os latino-americanos: 69% das pessoas manifestaram que tinham muito ou alguma confiança, muito acima de seus seguidores, o rádio, com 49% e a televisão com 47%. Nos governos somente se confia 33%. E nos partidos políticos só se confia 20% da povoação.
Ao tentar explicar o porquê dessas favorabilidades, Maria Cecilia Güemes, do Centro de Estudos Políticos e Constitucionais da Espanha assinalou que “a Igreja sempre tem bom enraizamento nos espaços mais populares, e ajuda a solucionar problemas básicos de certas povoações, como a alimentação, e acompanha moral e particularmente aos fiéis”.

Após a televisão se encontram, com 44%, as Forças Armadas e os bancos e depois seguem os jornais, com 43%, e as empresas privadas, com 40%.

Apesar de que a favorabilidade tenha feito a Igreja oscilar nos últimos anos, ela sempre se manteve em primeiro lugar, com 10 pontos ou mais de vantagem sobre o segundo.

Gaudium Press

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Sumário:

• Não há dúvida de que o estrelato de Francisco não diminuiu
• É um momento de bonança para o catolicismo em muitos lugares, mas não no Ocidente
• Não é novidade: o popular João Paulo II não conseguiria reverter o declínio no número de fiéis no longo prazo
• Francisco terá de descobrir como aproveitar o seu sinal distintivo pessoal

Alguns dados surgiram recentemente e, tomados juntos, eles confirmam uma realidade inquietante para o Papa Francisco: a sua popularidade não parece estar se traduzindo em um entusiasmo notavelmente maior na Igreja que ele lidera.

Na semana passada, agências noticiosas informaram que as nove contas no Twitter do pontífice haviam alcançado um total de 26 milhões de seguidores em todo o mundo, representando um crescimento impressionante para contas papais, criadas recentemente. (Em 2012, criaram-se contas no Twitter em inglês, italiano e francês sob a liderança de Bento XVI; em pouco tempo outros idiomas foram acrescidos.)

Estes 26 milhões, a propósito, incluem 411 mil pessoas que seguem o papa em latim, dando a entender que os rumores da morte deste idioma eram exagerados. O TechnoAndroid, sítio eletrônico italiano que acompanha as tendências digitais, também informou que, em 2015, uma das hashtags mais usadas no Twitter foi #PapaFrancesco.

Tudo isso mostra que o ‘estrelado’ do pontífice não diminuiu.

Por outro lado, a União dos Ateus e Agnósticos Racionais informou, no começo de janeiro, que a demanda para o formulário que a instituição fornece para permitir que alguém se retire oficialmente da Igreja Católica alcançou o ponto mais alto de todos os tempos no ano de 2015, com 47.726, 4% acima que o ano anterior.

A Itália reconheceu legalmente um procedimento coloquialmente conhecido de “desbatismo” em 1999, exigindo que as paróquias alterem os seus registros quando alguém submete uma carta em que pede pela remoção de suas informações dos cadernos batismais.

Esta associação ateia está crescendo em toda a Itália, abrindo recentemente uma filial em Barletta-Andria-Trani, no sudoeste do país, marcando a sexta província na qual ela se faz presente. Na terça-feira (12 de jan.), a sua filial em Ravenna protestou contra uma decisão tomada pela cidade de Russi em alocar mais de 1 milhão de dólares em fundos públicos para escolas administradas pela Igreja.

Com certeza, um número de deserções menor que 48 mil no período de um ano dificilmente pode ser considerado uma crise. Isso também com certeza não acontece apenas na Igreja Católica, sendo um mal-estar europeu geral das religiões institucionais.

A Igreja da Inglaterra, por exemplo, informou recentemente que a participação nos seus cultos alcançou o nível mais baixo de toda a história, levando o arcebispo de Canterbury, Justin Welby, a refletir a respeito das dificuldades de se ministrar em uma cultura cada vez mais anticristã.

É igualmente verdadeiro que, embora o catolicismo pode estar em crise no Ocidente, o mesmo não acontece em todos os lugares. Vivemos um momento de bonança para a Igreja na África subsaariana, por exemplo, onde ela cresceu quase 7 mil por cento ao longo do século XX.

Não obstante tudo isso, a Itália é o quintal do papa e é aí onde poder-se-ia esperar que o “efeito Francisco” se fizesse mais palpável.

Em outras partes do mundo, as tentativas de encontrar evidências quantificáveis empiricamente na fé e prática católica devido ao Papa Francisco, em geral, não tiveram sucesso.

Oito meses depois da eleição de Francisco em 2013, o Pew Forum não encontrou impacto algum nos EUA, e um estudo mais recente do Pew Study descobriu que o catolicismo está perdendo mais membros no citado país do que ganhando, e isso num ritmo mais rápido do que qualquer outra denominação – tendência que o fascínio pelo papa não foi possível de deter.

A questão de fundo é que, embora as pessoas podem gostar de Francisco, isso nem sempre é o suficiente para mantê-las na Igreja ou trazê-las de volta.

Para complicar um pouco mais as coisas: para cada não católico ou ex-católico que Francisco possa vir a alcançar com o seu estilo despojado, existe um “ainda católico” que ele pode afastar.

Fomos lembrados disso nestas últimas semanas, quando no Ano Novo os italianos estiveram tuitando, mandando mensagens de textos, postando na internet uma suposta “mensagem de Ano Novo de Francisco” intitulada “Jamais desista da felicidade”. O texto continha frases do tipo autoajuda, tais como “use as suas lágrimas para irrigar a sua tolerância” e “use suas mágoas para moldar a sua paciência”.

O caso em torno desta mensagem é que ela sublinha o quão apeladora a figura do papa pode ser às pessoas e o quão ávido elas se encontram a ouvir o que ele tem a dizer.

No entanto, quando se soube que era uma brincadeira, o escritor católico italiano Bonifacio Borruso rapidamente sugeriu que Francisco não pode culpar ninguém senão a si mesmo pelo fato de as pessoas terem feito algo assim, posto se tratar do tipo de nonsense ao estilo nova era que fomos levados a esperar dele.

Tais católicos que assumem este tipo de pensamento geralmente não abandonam a Igreja, mas podem entrar em um tipo de exílio interior tão preocupante a um papa quanto as suas próprias saídas.

Com certeza, a questão fundamental de um pontífice jamais vai ser a parcela católica no mercado da fé. Conforme certa vez disse Bento XVI, ao falar sobre as perdas de fiéis às igrejas evangélicas pentecostais no Brasil: “A estatística não é a nossa divindade”.

Só para constar: dificilmente esse problema é uma novidade. São João Paulo II foi uma das figuras mais populares do planeta por quase 27 anos, mas o seu status de estrela não fez muita diferença no declínio a longo prazo dos fiéis nos países ocidentais.

Conforme certa vez disso o falecido cardeal italiano Roberto Tucci: “Tenho a impressão de que as pessoas gostam do cantor, não da música”.

Por outro lado, Francisco usou a sua homilia na Festa da Epifania, em 6 de janeiro, para pedir por um renovado espírito missionário.

“Anunciar o Evangelho de Cristo não é uma opção que podemos fazer entre muitas”, disse ele, “nem é uma profissão”. Em vez disso, anunciar o Evangelho “é a sua própria natureza”.

Claramente, ele não estava falando sobre vencer campeonatos de popularidade, mas sim em trazer as pessoas de volta à igreja.

Nesse sentido, um desafio que o pontífice pode enfrentar em 2016 é o de descobrir como o seu sinal distintivo pessoal poderá ser “remanejado”, por assim dizer, a fim de ter um maior valor missionário direto na Igreja.
Caso contrário, o dizer de Tucci sobre o dilema de João Paulo II – as pessoas acolhendo o cantor, mas não sua música – pode acabar fazendo parte da caracterização do papado de Francisco também.

John L. Allen Jr – Crux

pio

 Padre Pio sofreu ao longo de sua vida a incompreensão e a hostilidade de muitos. No entanto, todos reconhecem hoje que foi um grande homem e um santo frade.

Para tentar entender e explicar como e por que o frade de Pietrelcina provocou reações tão controversas, Renzo Allegri publicou o livro La passione di Padre Pio (A Paixão de Padre Pio), publicado pela Mondadori.

Para desvendar o significado do que aconteceu com o pe. Pio, o famoso escritor investigou milhares de documentos guardados no arquivo secreto do Vaticano e também do Santo Ofício.

Allegri também trabalhou nos documentos dos arquivos da Ordem dos Frades Capuchinhos da Província Capuchinha de Foggia e arquivos privados de leigos, que tiveram papeis importantes neste caso. Muitos desses documentos são inéditos.

Renzo Allegri já escreveu outros nove livros sobre São Pio de Pietrelcina, todos publicados pela Mondadori, todos best seller, todos traduzidos para várias línguas.

O escritor disse que este último livro “é o mais importante porque coloca o dedo na ferida do mal, ou seja, Satanás que, para arruinar a obra de Deus, constrói armadilhas diabólicas que podem enganar até mesmo os representantes da Igreja. Uma questão extremamente importante e também atual”.

***

O que havia de tão estranho no Pe. Pio a ponto de levantar dúvidas do Santo Ofício?

Renzo Allegri: Os estigmas. O Santo Ofício começous a se interessar no Pe. Pio em 1919, depois que se espalhou a notícia de que no corpo daquele jovem capuchinho apareceram os estigmas, ou seja, as feridas da Paixão e Morte de Jesus. O evento, chocante e intrigante, ocorreu no dia 23 de setembro de 1918, na solidão de um conventinho no Gargano. Tinha sido mantido em segredo porque os próprios confrades do Pe. Pio não conseguiam dar-lhe um significado. Só em maio de 1919, a notícia começou a circular, acabou nos jornais e as pessoas acorreram em massa. Foi o jornal de Nápoles, Il Mattino, que então era muito prestigiado, que intuiu a importância explosiva do fato. O diretor do jornal mandou a São Giovanni Rotondo um dos seus mais conhecidos jornalistas, que, na metade de junho, realizou uma reportagem detalhada sobre o que acontecia ao redor do Pe. Pio, e Il Mattino publicou em duas páginas, com um título marcante: Padre Pio, o “santo” de São Giovanni Rotondo faz um milagre na pessoa do chanceler do país, presente um enviado especial do “Mattino”. O caso estourou. Os jornais se interessaram maciçamente, até no exterior. O pequeno convento foi sitiado pelos peregrinos. As autoridades civis, preocupadas com a presença de tantas pessoas, especialmente doentes, naquele lugar sem banheiros, temia epidemias e enviaram ofícios para o Ministério da Saúde. Mas nada e ninguém conseguia parar o fluxo de peregrinos. As pessoas simples, impressionadas pelas chagas que lembravam a Paixão de Jesus, pelas conversões, pelas curas que aconteciam se convenceram que estavam diante de um fortíssimo sinal do sobrenatural. O Santo Ofício, pelo contrário, Supremo Tribunal Eclesiástico para a defesa da Doutrina, temia que aquelas pessoas fossem vítimas de superstição e escolheu uma atitude crítica, de oposição, que manteve sempre.

Os estigmas do Pe. Pio eram verdadeiros?

Renzo Allegri: As pessoas simples não duvidavam. Mas as pessoas cultas e os eclesiásticos tinham as suas dúvidas. E desde o começo o clero local, vendo no Pe. Pio um rival que tirava os feis das suas paróquias, afirmavam que era tudo uma farsa, um truque para ganhar dinheiro.

Os superiores do Pe. Pio perceberam que tinham de lançar luz sobre o assunto, para evitar escândalos irreparáveis. Tratando-se de feridas, recorreram aos médicos. O primeiro juízo foi dado pelo médico local, o dr. Angelo Maria Merla, que conhecia há anos o Pe. Pio. A sua opinião se baseava em uma observação elementar: aquelas feridas que sangravam, de acordo com o conhecimento médico, deveriam ou cicatrizar ou transformar-se em gangrena. Já que não acontecia, aquilo era um fenômeno acima da ciência médica.

Os superiores do Pe. Pio dirigiram-se, então, a um especialista mais qualificado, o professor Luigi Romanelli, chefe do hospital de Barletta. Também este excluiu “qualquer origem natural”. A notícia do fenômeno se espalhava sempre mais. Era conhecida também em Roma, no Vaticano. O Superior Geral dos Frades Capuchinhos pediu conselho para um representante do Papa e decidiram juntos enviar a São Giovanni Rotondo, um luminar de renome internacional, o professor Amico Bignami, ordinário de Patologia geral na Universidade “La Sapienza”. Este era ateu e maçom declarado. Visitou os estigmas do Pe. Pio em meados de julho 1919 e, de acordo com suas convicções, descartou qualquer possível referência sobrenatural e disse que aquelas feridas “deviam” ser certamente provocadas pelo próprio Pe. Pio. Ordenou impedir ao religioso de intervir nelas, enfaixando-as e sigilando as ataduras. Disse que teriam fechado em dez dias. Mas não aconteceu.

Em seguida, foi pedida a intervenção de um outro ilustre especialista, o dr. Giorgio Festa, que em Roma tinha um laboratório científico muito famoso. Este realizou a sua investigação em Outubro de 1919, concluindo que as feridas do Pe. Pio fugiam do controle médico. Escreveu no seu informe: “Têm uma origem que o nosso conhecimento está muito distante de explicar”.

No final de 1919, todos os médicos que haviam visitado o Padre Pio, oficialmente ou por iniciativa privada, estavam convencidos do caráter sobrenatural do fenômeno. Todos, exceto um: o professor Bignami. E o Santo Ofício sempre abraçou e apoiou a tese do Professor Bignami.

Quem eram os adversários do Pe. Pio e por que o perseguiam e caluniavam?

Renzo Allegri: As primeiras cartas de acusação contra o Pe. Pio que chegaram ao Santo Ofício (e ainda estão conservadas no Arquivo Vaticano), datam de Junho de 1919, ou seja, logo após a difusão da notícia dos estigmas. Eram cartas anônimas, assinadas por um “grupo de fieis”. O conteúdo mostra que foram escritas por clérigos. Diziam que os estigmas eram uma fraude, inventada pelo Pe. Pio e pelos seus confrades para atrair as pessoas e arrecadar dinheiro. Afirmavam que os frades levavam uma vida cômoda e alegre, causando escândalos com festas noturnas, frequentadas também por jovens mulheres. Em algumas cartas se afirmava que no convento também houve brigas sangrentas entre os frades, com tiros e pauladas, e que foi necessário a intervenção da polícia. Mas uma investigação posterior provou que era tudo falso.

As cartas anônimas se multiplicaram e se tornaram uma arma para o clero local e para o arcebispo de Manfredonia, que assumiram aquelas vozes, apoiaram-nas, aumentaram-nas, tornando para eles os verdadeiros registros das acusações contra o Pe. Pio. O arcebispo de Manfredonia, monsenhor Pasquale Gagliardi, tinha amigos poderosos no Vaticano. Por isso, as falsas acusações contra o Pe. Pio que ele endossava com cartas pessoais, eram acolhidas no Vaticano como autênticas, com todas as consequências do caso.

Esta situação perdurou por anos, durante os quais o Pe. Pio sofreu condenações e proibições de todo tipo. A injusta perseguição foi interrompida por alguns leigos, que fizeram uma guerra implacável aos caluniadores e no final recorreram à autoridade civil, denunciando-os. Alguns deles foram processados e condenados. O bispo de Manfredonia destituído. Mas no Santo Ofício a desconfianção ao Pe. Pio permaneceu sempre. O padre morreu com cinco condenações do Santo Ofício, nunca retratadas, e dezenas de ações disciplinares. Durante a sua vida, sofreu 70 “visitas apostólicas”, que são autênticas investigações judiciais ordenadas pelas máximas autoridades eclesiásticas nos casos de gravíssimas transgressões das leis eclesiásticas, ou para averiguar crimes, sacrilégios, desvios doutrinários e coisas assim.

 Por que o Pe. Agostino Gemelli acusou o pe. Pio de ser um sujeito histérico e inconscientemente psicopata? Como ele chegou a fazer um julgamento tão duro?

Renzo Allegri: Em todas as biografias do Pe. Pio, Gemelli é indicado como o inimigo número um do religioso. Mas, examinando os documentos, as coisas são diferentes.

Padre Gemelli é digno de grande admiração. É uma das figuras mais marcantes da história do século XX, tanto no âmbito religioso quanto no científico. No entanto, é historicamente provado que cometeu um grave erro com relação ao Pe. Pio. Cometeu esse erro em 1920 e depois não teve mais a coragem de reconhece-lo e repará-lo.

Em abril de 1920, o Padre Gemelli já era um clérigo de grande prestígio. Médico, psiquiatra, fundador da psicologia experimental, era também teólogo e especialista, justamente de teologia mística. Veio de uma família burguesa maçônica. Desde jovem tinha sido ateu e rebelde. Na universidade foi aluno do professor Camillo Golgi, Prêmio Nobel de medicina em 1906, que o considerava o seu herdeiro. Depois da conversão, acontecida em 1903, o jovem médico tornou-se religioso franciscano e foi ordenado sacerdote. Em um par de anos, tornou-se o mais qualificado representante da cultura católica. O único que, nas discussões científicas, podia estar entre os maiores cientistas.

Nunca se soube o motivo que o levou a querer ao Pe. Pio em abril de 1920. Nos seus relatórios referiu sempre versões contraditórias. No primeiro relatório, de abril de 1920, afirmou que foi por devoção e para pedir ao Pe. Pio conselhos e orações pela Universidade Católica que estava fundando. Em um relatório escrito em 1926 disse que foi por pedido do bispo de Foggia. Em seguida, afirma que aquela visita foi pedida pelo próprio Santo Ofício.

Em todos os seus relatórios declara ter visitado os estigmas do Pe. Pio. Afirmação totalmente falsa. Pe. Gemelli nunca viu os estigmas do Pe. Peio e nunca fez visita médica ao religioso.

Chegou a São Giovanni na tarde do 17 de abril de 1920, acompanhado por seis pessoas, monsenhores e religiosos, seus amigos e admiradores, que foram, depois, testemunhas qualificadas do que aconteceu. Pe. Pio demonstrou rapidamente uma aversão instintiva pelo Gemelli e nem foi cumprimenta-lo, como, de fato, fazia com os visitadores importantes. No dia seguinte, no 18 de abril, Gemelli não conseguiu ser recebido pelo Pe. Pio. Na tarde, o superior do convento, que fazia de elo entre os dois, disse que poderia encontra-lo pela manhã, quando o padre teria descido à sacristia para celebrar a Missa. Gemelli estava indignado por aquele tratamento, mas se adaptou. Na manhã do 19, aproximou-se do Pe. Pio na sacristia, pedindo-lhe um encontro para visitar os estigmas. Pe. Pio lhe perguntou se tinha a autorização do Santo Ofício. Gemelli respondeu que não, e Pe. Pio foi embora imediatamente.

O encontro, segundo o testemunho sob juramento das testemunhas, não durou mais de um minuto. Gemelli estava furioso. Decidiu ir embora imediatamente. E naquela tarde enviou o seu primeiro informe ao Santo Ofício dando terríveis juízos sobre o Pe. Pio e sobre os seus estigmas.

A sua tese, expressa e apoiada então nos informes sucessivos, era sempre a mesma: Pe. Pio era um pobre históerio que fazia os próprios estigmas com ácido fênico ou outras substâncias. Os seus juízos escritos naqueles informes eram totalmente negativos: “O Pe. Pio é um psicopata…”.

“É um sujeito de inteligência muito limitada, que tem os traços característicos de uma deficiência mental de notável grau, com consequente estreitamento do campo da consciência.”

“Nem seus escritos, nem o que se diz, nem o que ele fala revelam um ânimo apaixonado por Deus. É um bom religioso tranquilo, calmo, manso, mais por obra da deficiência mental do que por obra da virtude”. E sobre os estigmas escreveu: “Do exame que realizei surge a legítima suspeita de que se trate de características conhecidas de auto-mutilação.” “Um caso de sugestão em um sujeito doente como é o Pe. Pio, e que levou àquelas características de psitacismo que são típicas da estrutura histérica”.

Dado que Gemelli era a autoridade máxima no setor, tanto pela sua preparação científica quando pela teológica, os seus juízos foram recebidos pelo Santo Ofício como “verdades científicas absolutas e irrefutáveis”.

Padre Gemelli escreveu o seu primeiro relatório sobre o impulso da ira provocada pela rejeição do Pe. Pio ao falar com ele. Mais tarde, voltou ao argumento somente duas vezes, quando foi acusado de ter inventado tudo. Em uma dessas vezes escreveu: “Nunca falei com ninguém sobre o Pe. Pio; nunca manifestei a minha opinião sobre ele. Só falei com os oficiais do Santo Ofício e com o cardeal secretário”.

Provavelmente, Gemelli estava convencido do que escreveu sobre o Pe. Pio. Tinha julgado-o segundo os critérios da “Psicologia Experimental”, na qual se achava o principal perito. Era um converso. Há anos lutava contra a maçonaria e o ateísmo. Ostentava todas as formas religiosas de clareza duvidosa. Sempre tinha derrubado todos os fenômenos de estigmatização, exceto o de São Francisco de Assis. No caso do Pe. Pio, tornou-se vítima da sua raiva e zelo. Pe. Pio, que era um grande santo, se deu conta disse nunca expressou nada hostil contra Gemelli. Luigi Villa, que foi muito amigo do Pe. Gemelli e por 15 anos foi assistente espiritual na Universidade Católica, revelou em uma entrevista que Gemelli, antes de morrer escreveu uma carta ao Pe. Pio pedindo-lhe perdão. E se fala que o Pe. Pio foi encontra-lo por meio de bilocação. Mas a verdade é que, ainda hoje, depois de tanto tempo, muitos, especialmente intelectuais, falando sobre o Pe. Pio afirmam: “Padre Gemelli o achava um psicopata.”

Qual foi a relação dos Pontífices com o pe. Pio?

Renzo Allegri: Foi uma relação substancialmente positiva. Também no período da grande perseguição do Pe. Pio por parte do Santo Ofício, os Papa não estiveram envolvidos.

Tinham percebido que algo grande estava acontecendo com aquele religioso. Papa Bento XV estava convencido de que ele era um santo. Pio XI, sendo um grande amigo do Padre Gemelli, no início de seu pontificado apoiou as ideias de Gemelli, mas, em seguida, dissociou-se várias vezes das decisões dos cardeais do Santo Ofício. Pio XII, recém-eleito Papa, disse: “Deixai em paz o Pe. Pio”. João XXIII era um defensor do Padre Pio, mas em 1960, perante uma montanha de documentos que foram trazidos a ele pelo general dos Capuchinhos – documentos que depois viram que eram falsos – mas que acusavm o padre de delitos contra os votos de pobreza, de castidade e de obediência, se assustou e ordenou mais uma visita apostólica que, dada a idade do religioso, foi das mais severas e dolorosas. Em seguida, o Papa João entendeu que foi enganado e retratou os seus juízos. Paulo VI foi sempre um defensor do Pe. Pio. Papa Wojtyla, testemunha direta de estupendos milagres, foi o promotor e apoiador do processo de beatificação.

Porque o Santo Ofício manteve uma atitude de condenação por tanto tempo?

Renzo Allegri: O Santo Ofício é o dicastério mais importante da Igreja. A sua tarefa, desde a sua fundação em 1542, é a defesa da ortodoxia. Não existe, ao longo dos séculos, uma única disposição do Santo Ofício que tenha sido retratada. Portanto, também com relação ao Pe. Pio, uma vez emitido os Decretos de condenação, não foram mais alterados.

Hoje o Pe. Pio foi reconhecido na sua santidade e é uma testemunha do Jubileu da Misericórdia. Quem, como, quando e por que foi possível reconhecer a verdade sobre a vida do Padre Pio?

Renzo Allegri: Foram os milagres, contínuos, incessantes, poderosos que Deus obrou por meio do Pe. Pio que reverteram as convicções negativas que o Santo Ofício tinha expressado por décadas com relação a este religioso. Os confrades do Pe. Pio começaram a recolher os documentos sobre a santidade do seu confrade logo depois da morte. Mas, a Igreja, de modo oficial, não podia fazer nada porque estava impossibilitada pelas sentenças do Santo Ofício. Foi a eleição à Papa de Karol Wojtyla que mudou de repente a situação. Wojtyla tinha conhecido o Padre Pio em 1948. Tinha sido conquistado por ele, tinha sempre continuado a segui-lo e, em 1962, foi testemunha direta de um retumbante milagre acontecido por pedido seu. Recém-eleito Papa quis o processo de beatificação do Pe. Pio, o apoiou contra todos e foi ele a proclamá-lo beato em 1999 e depois santo em 2002.

Qual é a sua opinião sobre tudo isso?

Renzo Allegri: Escrevi o meu primeiro artigo sobre o Padre Pio em setembro de 1967. Naquela ocasião pude encontrar o Padre e falar com ele. O vi novamente em abril de 1968. Alguns meses depois da sua morte fui encarregado pelo jornal, onde eu trabalhava, de fazer uma investigação com o título “Em defesa do Pe. Pio”. Em seguida escrevi centenas de artigos e dez livros, adquirindo vários documentos sobre a perseguição em que o Pe. Pio foi submetido ao longo da sua vida. A opinião que tive tudo isso se resume nas palavras que me disse em uma entrevista o cardeal Giuseppe Siri em 1984: “A luta cruel feita contra o Pe. Pio, também pela Igreja, é a maior armadilha diabólica de Satanás contra a própria Igreja”. Com um longo e detalhado discurso, o cardeal me explicou que Satanás, sendo um puro espírito, é capaz também de prever o futuro. Conhecendo, portanto, a grandeza e a importância imensa da missão que Deus tinha designado àquele seu filho, fez de tudo para destruí-la. E para conseguir melhor o seu objetivo, procurou envolver nas suas tramas também os próprios vértices da Igreja. “A vida e a história humana do Pe. Pio – disse o cardeal Siri – são o espelho da luta contínua, implacável, sem medir esforços, em ato de forma contínua e constante, entre a Força do Bem e a do Mal”.

Fonte: Zenit