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Pe. Abuna Nirwan é um franciscano que nasceu no Iraque e, antes de ser ordenado sacerdote, estudou medicina. Foi destinado à Terra Santa e, em 2004, ganhou das Irmãs Dominicanas do Rosário uma relíquia da sua fundadora e um terço usado por ela. O padre passou a trazer a relíquia e o rosário sempre consigo.

A fundadora em questão é Santa Marie Alphonsine Danil Ghattas, cristã palestina canonizada em 2015 pelo Papa Francisco. Em 2009, quando o Papa Bento XVI aprovou o milagre para a sua beatificação, a Santa Sé pediu a exumação do corpo da religiosa. Esta missão costuma caber ao bispo local, que, para realizá-la, designa um médico. E esse médico foi justamente o padre Abuna Nirwan.

Em 2004, a relíquia e o rosário… Em 2009, a exumação… E esses dois fatos extraordinários não foram os únicos que ligaram o padre Nirwan àquela santa fundadora.

Dois anos antes da aprovação do Papa Bento à beatificação da religiosa, mais um fato simplesmente arrepiante envolvendo o pe. Nirwan e a madre Marie Alphonsine tinha sido relatado pelo padre Santiago Quemada no seu blog “Un sacerdote en Tierra Santa”.

Eis o relato:

A história que vamos contar aconteceu em 14 de julho de 2007. Abuna Nirwan foi visitar a sua família no Iraque e, para isso, precisou contratar um táxi. Ele mesmo relatou o caso na homilia de uma missa que celebrou em Bet Yalla. O padre Nirwan contou:

Não havia possibilidade de ir de avião para visitar a minha família. Era proibido. O meio de transporte era o carro. Meu plano era chegar a Bagdá e ir de lá para Mossul, onde viviam os meus pais.

O motorista tinha medo por causa da situação no Iraque. Uma família, formada pelo pai, a mãe e uma menininha de dois anos, pediu para viajar conosco. O taxista me falou do pedido e eu não vi nenhum inconveniente. Eram muçulmanos. O motorista era cristão. Ele disse que havia lugar no carro e que eles podiam ir conosco. Paramos num posto de combustível e outro homem jovem, muçulmano, também pediu para ir junto até Mossul. Como ainda restava um assento, ele também foi aceito.

A fronteira entre a Jordânia e o Iraque só abre quando amanhece. Quando o sol se levantou, uma fila de cinquenta ou sessenta carros foi avançando lentamente, todos juntos.

Seguimos a viagem. Depois de mais de uma hora, chegamos a um lugar onde estavam fazendo uma inspeção. Preparamos os passaportes. O motorista nos disse: “Tenho medo desse grupo”. Antes era um posto militar, mas uma organização terrorista islâmica havia matado os militares e tomado o controle do local.

Quando chegamos, eles nos pediram os passaportes sem nos fazer descer do carro. Levaram os passaportes a um escritório. A pessoa voltou, se dirigiu a mim e disse: ‘Padre, vamos continuar a investigação. Podem ir até o escritório mais à frente. Depois já é o deserto”. “Muito bem”, respondi. Caminhamos uns quinze minutos até chegar à cabana a que eles se referiam.

Quando chegamos à cabana, saíram dois homens de rosto coberto. Um deles tinha uma câmera em uma mão e um facão na outra. O outro era barbudo e estava segurando o alcorão. Chegaram até nós e um deles perguntou: “Padre, de onde está vindo?”. Respondi que vinha da Jordânia. Depois ele perguntou ao motorista.

Depois se dirigiu ao rapaz que vinha conosco, o agarrou por trás com os braços e o matou com o facão. Amarraram as minhas mãos por trás das costas e disseram:

“Estamos gravando isto para a Al-Jazeera. Quer dizer algumas palavras? Tem menos de um minuto”.

Eu respondi:

“Não, só quero rezar”.

Eles me deram um minuto para rezar.

Depois um deles me empurrou pelo ombro para baixo até eu ficar de joelhos e me disse:

“Você é clérigo. É proibido que o seu sangue caia no chão porque é sacrilégio”.

Por isso ele foi pegar um balde e voltou com ele para me degolar. Não sei o que rezei naquele momento. Senti muito medo e disse a Maria Alphonsine:

“Não pode ser por acaso que eu trago você comigo. Se é preciso que nosso Senhor me leve ainda jovem, estou pronto. Mas, se não é, eu te peço que ninguém mais morra”.

Ele pegou a minha cabeça, segurou meu ombro com força e levantou o facão. Uns instantes de silêncio e de repente ele perguntou:

“Quem é você?”

Respondi:

“Um frade”.

“E por que eu não consigo mexer o facão? Quem é você?”.

E, sem me deixar responder, prosseguiu:

“Padre, você e todos voltem para o carro”.

Fomos de volta até o veículo.

Daquele momento em diante, eu perdi o medo da morte. Sei que um dia morrerei, mas agora é mais claro que vai ser só quando Deus quiser. Desde aquele momento, eu não tenho medo de nada nem de ninguém. O que vier a me acontecer é porque é vontade de Deus e Ele vai me dar a força para acolher a Sua cruz. O importante é ter fé. Deus cuida dos que acreditam n’Ele”.

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Traduzido, com adaptações, de artigo publicado pelo site Religión en Libertad (em espanhol) via Aleteia

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Eram perto de mil as pessoas que participaram da vigília de Páscoa em Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, em uma tenda levantada pelos fiéis onde todo domingo celebram a Missa. Essa noite o celebrante foi o Cardeal Fernando Filoni, que em agosto já esteve no Iraque como enviado especial do Papa Francisco. Depois do dia de Páscoa, o Cardeal celebrou em Sulemainja junto a quase 400 famílias cristãs. A história de cada uma delas mostra o triste dilema dos cristãos iraquianos: enfrentar o refúgio ou a morte pelos radicais islâmicos.

ACI Digital conheceu histórias de refugiados no Iraque ao participar de uma viagem organizada pelo Pontifício Conselho Cor Unum, entre Erbil e Duhok, de 26 a 29 de março.

A precariedade dos dois milhões e meio de deslocados, assistidos por várias instituições de caridade, é realmente indescritível. A Missa é para eles o único momento para afirmar sua própria identidade. Sobre tudo, o único momento no qual se aferram à esperança de que as coisas mudarão. É o momento no qual cada um confia sua história pessoal, seus dramas e temores, diretamente a Deus.

Os idosos

Entre estas histórias está a de um casal de idosos que vive no campo de Nishtiman Bazaar, Erbil. Vieram de Karmles. Entretanto, tiveram que passar previamente o drama de ter sido capturados pelo Estado Islâmico quando tentavam escapar de suas casas.

Permaneceram cinco dias como prisioneiros do ISIS, em uma das casas onde tinham sido confinados junto a outros idosos e mulheres. Durante seu cativeiro os jihadistas lhes deram a possibilidade de converter-se ao islã, do contrário deveriam deixar o lugar ou ser assassinados. Eles decidiram partir.

Deixaram Karmles a pé junto a outras pessoas. Entretanto, no meio do calor da região foram ficando atrás, pois não podiam seguir o passo dos mais jovens. No meio da marcha o idoso feriu-se e não podiam mais caminhar devido à lesão em uma das suas pernas.

Felizmente, uma freira do grupo com quem tinham partido se deu conta que ambos se ficaram atrás e decidiu voltar para buscá-los. O homem foi posto em uma espécie de carroça até que chegaram a Erbil. Chegaram a salvo, mas o homem teve sua perna amputada.

As famílias

Além disso, está o drama das famílias, como o casal yazidí Nora de 37 anos e seu marido de 55 anos, que foram evacuados em 3 de agosto de Sinjar, onde viviam junto dos seus filhos. Agora estão refugiados em Ozal City, em um dos tantos edifícios que inacabados. Ambos tiveram que fugir a pé às 10 da manhã para alcançar as montanhas. Não levaram consigo mais que suas roupas.

Entretanto, os jihadistas do Estado Islâmico estavam no meio do caminho. As crianças estavam assustadas. Sua casa estava destruída e tudo tinha sido roubado. Permaneceram nas montanhas por nove dias, depois planejaram fugir para a Síria, também a pé. De lá foram para Zakho.

Sem comida nem água tiveram que suportar as altas temperaturas, que no Iraque podem chegar até os 50 graus. A fome, o calor e a sede os obrigaram a uma parada em Zakho, onde procuraram ajuda e puderam recuperar-se. Logo partiram para Erbil, onde a vida não é fácil. O mais velho dos filhos, de 17 anos, teve que deixar a escola para encontrar trabalho e ajudar ao sustento da família.

A vida dos refugiados não é simples. A ajuda financeira chega, mas os gastos são altíssimos. A Diocese cosntruiu três novas clínicas para ajudar estas pessoas e se projeta construir uma universidade católica, mas tudo tem um preço, como o aluguel das casas ou espaços onde vivem provisoriamente.

Por último está o caso de Gerges Fares, de 49 anos e sua família de cinco pessoas. São cristãos provenientes de Karmles, lugar que abandonaram no dia 8 de agosto e agora vivem em Ankawa em uma casa alugada.

Dois dias antes ele disse à população de Karmles que não deixassem suas casas e resistissem. Entretanto, no 8 agosto às 7 da manhã, Fares viu por sua janela que os terroristas do ISIS estavam ingressando na cidade. Reuniu a sua família, tomou alguns pertences e abandonou sua moradia.

Porém os terroristas o detiveram. Entre ameaças perguntaram-lhes por que estavam partindo. Fares respondeu que não havia água nem comida e por isso deixavam a cidade. Mas no seguinte posto de controle, jihadistas armados os ameaçaram por ser cristãos. Mesmo assim conseguiram chegar a Kazhir, controlado pelos peshmerge, um grupo de Curdos armados que resiste a invasão do ISSI, que os ajudou.

Na Missa presidida pelo Cardeal Filoni a noite de Páscoa houve este incrível cruzamento de histórias. Histórias infelizmente cotidianas em um Iraque sempre em conflito, mas além em Síria, país também atacado pelo Estado Islâmico.

Por Andrea Gagliarducci- Via ACI

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Cynthia Cheroitich é uma estudante cristã de 19 anos que sobreviveu o massacre da Universidade da Garissa (Quênia) graças a ter se escondido no armário de seu dormitório antes que entrassem os guerrilheiros do Shabab, que advertiram aos estudantes que só sairiam livres os que sabiam ler como muçulmano.

O ataque do Shabab –filial do Al Qaeda na Somália–, deixou 148 mortos e ocorreu na manhã da Quinta-feira Santa. Os jihadistas foram primeiro à sala-de-aula onde se reuniam os cristãos para rezar e logo ingressaram nos dormitórios.

Ao ouvir os disparos, Cynthia decidiu esconder-se no armário e cobrir-se com a roupa, enquanto suas duas companheiras se refugiaram debaixo das suas camas até que os terroristas disseram que saíssem.

“Disseram-lhes que se não soubessem ler na palavra muçulmana, o que quer que fosse, teriam que deitar-se”, relatou a jovem à CNN. E acrescentaram: “se souberem, vão para o outro lado”.

A jovem disse que não sabe o que aconteceu suas companheiras mas os terroristas disparavam por todos lados. “Não queria abrir meus olhos”, recordou.

Durante os dois seguintes dias continuou escondida dentro do armário e para vencer a sede teve que beber loção para o corpo. Quando chegou a polícia ela não quis sair, pois não sabia se eram oficiais ou terroristas. Ela deixou o esconderijo que a salvou do massacre às 10:00 a.m. do sábado quando ouviu um dos seus professores.

“Estava orando ao meu Deus”, disse a estudante à imprensa internacional.

O testemunho de Cynthia se soma ao de outros jovens cristãos e muçulmanos que conseguiram salvar-se do massacre, uma das piores ações cometidas pelo Shabab como represália à presença de tropas quenianas na Somália, país onde o grupo terrorista quer impor a lei islâmica.

Por sua parte, a Força Aérea do Quênia bombardeou duas bases do Shabab no sul da Somália em resposta ao ataque contra a Universidade de Garissa.

Fonte: ACI

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“Vocês me abandonaram”: a frase, pronunciada por Nora, adolescente que partiu para se juntar à jihad na Síria sem que sua família soubesse, e que agora não pode retornar, tornou-se uma obsessão para Fouad, seu irmão mais velho, de 37 anos.

A França, que tem a maior comunidade muçulmana da Europa, é também é o país de origem do maior contingente de jihadistas ocidentais. Quase mil viajaram para Síria e Iraque através das redes de recrutamento.

Quem são essas pessoas? Marginalizados, jovens de subúrbios pobres sem referências?

“Não se trata apenas de Aicha e Brahim, mas também de Jacqueline e Michel”, destaca Hassen Chalghoumi, imã da região parisiense conhecido por suas críticas ao extremismo.

Todas as regiões da França e todos os meios sociais estão envolvidos: rurais, urbanos, jovens, nem tão jovens, muçulmanos, convertidos (21%, segundo o Ministério do Interior), famílias, profissionais liberais.

Desde 23 de janeiro, data da viagem clandestina de Nora, então com 15 anos, Fouad e sua família vivem um inferno e não conseguem entender como a aluna do ensino secundário de Avignon, uma boa estudante que sonhava em ser médica, abandonou tudo.

Fouad descobriu que sua irmã tinha uma “vida dupla”, dois estilos de figurino e duas contas no Facebook: em uma registrava a vida de uma adolescente comum, na outra afirmava que desejava “viajar a Aleppo para ajudar os irmãos sírios”, referindo-se à cidade do norte da Síria.

“Se não fizer nada, terei que prestar contas a Alá”, escreveu.

Em abril, Fouad conseguiu encontrar a irmã na Síria, por meia hora na presença de seu emir, Omar Omsen, um franco-senegalês.

No Twitter, corações e fuzis kalashnikov

“Eu a encontrei em péssimo estado, com o rosto inchado”, disse.

Mas foi impossível convencer o emir a permitir que ela fosse embora. Em uma conversa por telefone antes do encontro, Nora disse ao irmão que desejava voltar para casa.

“Estou no meio de hipócritas e de covardes que aterrorizam os sírios”, havia dito a jovem.

Até meados de março, Nora dizia que era “feliz, longe dos ímpios e dos estupradores”.

Mas há dez dias, entre lágrimas, afirmou: “Sinto falta de vocês…vocês me abandonaram”.

“Hoje é uma refém, vítima de uma seita”, afirma o advogado de Fouad, Guy Guénoun.

Dounia Bouzar, diretora do centro de Prevenção contra Seitas Ligadas ao Islã, se declara preocupada com o número crescente dos que viajam para combater na jihad.

Eles passaram horas no YouTube e nas redes sociais, assistindo a imagens impactantes e mensagens que convocavam para viagens à Sham (Grande Síria) do grupo Estado Islâmico (EI) ou da Frente Al-Nosra, ligada à Al-Qaeda.

Os jovens não frequentavam as mesquitas e se isolaram de suas famílias e amigos.

“É a geração web”, resume David Thomson, jornalista da Rádio França Internacional (RFI) e autor do livro “Les Français jihadistes” (Os franceses jihadistas, em tradução livre).

“Eles não têm uma cultura particular do Islã”, afirma o advogado Martin Pradel, defensor de vários jihadistas detidos quando retornaram para a França, citando o caso de um executivo na casa dos 30 anos, com bom nível de vida e nada em comum com os adolescentes em situação de fracasso escolar dos subúrbios pobres.

O advogado ressalta a rapidez da radicalização de alguns, “em um mês” no caso de um cliente.

“Estamos descobrindo a ponta do iceberg”, afirma Guénoun, que destaca as “redes” dedicadas às viagens para a Síria dos candidatos à jihad, e ativas em toda a França.

Apesar da adesão às ideias, alguns não tomam a decisão de partir. Este é o caso de uma jovem estudante de Direito de 20 anos que declarou à AFP que aqueles que não podem viajar, “fazem a jihad onde estão”.

Ela disse acreditar que atentados serão cometidos na França, mas garante que não participará deles.

A jovem mantém contato pelas redes sociais com amigos na Síria e afirma que eles são muito felizes.

Ao ser perguntada sobre as decapitações de reféns, responde: “É triste, mas é a guerra”.

Em sua conta no Twitter, a jovem comenta as fotos dos jihadistas que aparecem com fuzis kalashnikov e junto com um gato de estimação. Seus comentários são acompanhados de vários corações.

***

Onze integrantes da mesma família são suspeitos de viajar da França para a Síria com o objetivo de combater ao lado dos jihadistas, informou à AFP uma fonte judicial.

O departamento antiterrorista do Ministério Público de Paris abriu uma investigação preliminar sobre o desaparecimento da família, após indícios que permitem pensar que os integrantes viajaram à Síria.

A França, que tem a maior comunidade muçulmana da Europa, é também o país de origem do maior número de jihadistas ocidentais na Síria e Iraque, que viajam com a ajuda de redes de recrutamento que envolveriam quase mil pessoas.

As autoridades francesas se esforçam para impedir as viagens e apresentaram ao Parlamento um projeto de lei com medidas para evitar a saída de suspeitos.

A família sob suspeita, de Nice (sul da França), teria viajado no fim de setembro.

Entre as 11 pessoas estão um homem, as duas irmãs, a mãe e os respectivos cônjuges, além de crianças, incluindo um bebê.

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2014/10/08/familia-francesa-sob-suspeita-de-viagem-a-siria-para-a-jihad.htm

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“Ao renovar o meu apelo urgente à comunidade internacional para intervir e por fim à tragédia humanitária em andamento, encorajo todos os organismos competentes das Nações Unidas, especialmente os responsáveis pela segurança, a paz, o direito humanitário e a assistência aos refugiados, a prosseguirem seus esforços, em conformidade com o Preâmbulo e os artigos pertinentes da Carta das Nações Unidas.”

A voz do Papa Francisco chega a Nova York e estremece o Palácio de Vidro, sede da ONU. Mais um apelo do Santo Padre pelo fim do “sofrimento intolerável” dos cristãos no Iraque chega aos ouvidos de Ban Ki-moon, Secretário das Nações Unidas.

Na carta de hoje, o Papa disse que estava “com o coração apertado e angustiado” diante dos “dramáticos acontecimentos dos últimos dias no norte do Iraque”. As imagens dos cristãos e outras minorias religiosas curvados pela violência e perseguição dos jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante provocam comoção no Santo Padre,  que afirma estar angustiado também pela “destruição de seus lugares de culto e do patrimônio religioso”.

Daí a decisão de enviar ao povo iraquiano o cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que já serviu no país como representante dos predecessores, Papa São João Paulo II e Papa Bento XVI. “Um gesto – reafirma o Bispo de Roma – “para manifestar a minha proximidade espiritual e expressar a minha preocupação, assim como de toda a Igreja Católica, com o intolerável sofrimento de pessoas que desejam somente viver em paz, harmonia e liberdade na terra de seus antepassados”.

Com “o mesmo espírito” com que confiou a missão ao cardeal Filoni, o Papa agora se dirige a Ban Ki-moon, para expor-lhe “as lágrimas, os sofrimentos e os gritos de desespero dos cristãos e das outras minorias religiosas na amada terra do Iraque”. E solicitar que prossigam “os esforços da ONU pela segurança, a paz, o direito humanitário e a assistência aos refugiados” no país.

Além disso, “os ataques violentos que têm se alastrado ao longo do norte do Iraque não podem não despertar as consciências de todos os homens e mulheres de boa-vontade a ações concretas de solidariedade”, que podem “proteger quantos são atingidos ou ameaçados pela violência e para assegurar assistência necessária e urgente a tantas pessoas deslocadas, bem como o seu retorno seguro às suas cidades e às suas casas”.

 A história é mestra de vida, assim, o Papa Francisco recorda “as trágicas experiências do século XX” que “obrigam a comunidade internacional, em particular através de normas e mecanismos de direito internacional, a fazer tudo o que lhe for possível para deter e prevenir novas violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas”.

Veja a carta:

Do Papa Francisco ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon sobre a situação no Iraque
Quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Boletim da Santa Sé
Tradução: Da Redação, com Rádio Vaticano

Com o coração apertado e angustiado, acompanhei os dramáticos acontecimentos dos últimos dias no norte do Iraque, onde os cristãos e as outras minorias religiosas foram obrigados a fugir de suas casas e assistir à destruição de seus lugares de culto e do patrimônio religioso. Comovido com esta situação, pedi ao Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que serviu como representante dos meus predecessores, Papa São João Paulo II e Papa Bento XVI, junto ao povo no Iraque, para manifestar a minha proximidade espiritual e expressar a minha preocupação, assim como de toda a Igreja Católica, com o intolerável sofrimento de pessoas que desejam somente viver em paz, harmonia e liberdade na terra de seus antepassados.

Neste mesmo espírito, escrevo ao senhor, secretário-geral, e lhe exponho as lágrimas, os sofrimentos e os gritos de desespero dos cristãos e das outras minorias religiosas na amada terra do Iraque. Ao renovar o meu apelo urgente à comunidade internacional para intervir e por fim à tragédia humanitária em andamento, encorajo todos os organismos competentes das Nações Unidas, especialmente os responsáveis pela segurança, a paz, o direito humanitário e a assistência aos refugiados, a prosseguirem seus esforços, em conformidade com o Preâmbulo e os artigos pertinentes da Carta das Nações Unidas.

Os ataques violentos que têm se alastrado ao longo do norte do Iraque não podem não despertar as consciências de todos os homens e mulheres de boa-vontade a ações concretas de solidariedade, para proteger quantos são atingidos ou ameaçados pela violência e para assegurar assistência necessária e urgente a tantas pessoas deslocadas, bem como o seu retorno seguro às suas cidades e às suas casas. As trágicas experiências do século XX e a elementar compreensão da dignidade humana obrigam a comunidade internacional, em particular através de normas e mecanismos de direito internacional, a fazer tudo o que lhe for possível para deter e prevenir novas violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas.

Confiante de que o meu apelo, que uno ao dos Patriarcas Orientais e de outros líderes religiosos, encontrará uma resposta positiva, aproveito a ocasião para renovar a Vossa Excelência minha mais elevada consideração.

Do Vaticano, 9 de agosto de 2014

Franciscus PP.