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Martina Purdy era uma conhecida jornalista da seção política da rede de notícias BBC, entretanto, em outubro de 2014 fez um anúncio que surpreendeu seus colegas de trabalho e líderes políticos: deixaria sua carreira para entrar no convento e ser religiosa contemplativa. Agora, Irmã Martina conta como foi a história da sua conversão.

“Não é uma vida que tivesse escolhido por mim mesma. O Senhor a escolheu para mim. É uma vida bastante satisfatória. Estou alegre”, afirmou a então religiosa em uma entrevista com a imprensa local, através da qual confessou que reza por todos os políticos.

Em um artigo publicado por Belfast Telegraph, Irmã Martina – membro das Irmãs da Adoração – indicou que sua transição foi um processo lento e que logo após seu anúncio teve um encontro privado com o Primeiro-ministro da Irlanda do Norte, Peter Robinson; e o Primeiro Vice-ministro Martin McGuinness. Os líderes políticos “queriam entender como foi o meu chamado”.

Além disso, um político o qual não revelou o nome, mas descrito como um bom contato, enviou-lhe uma mensagem de texto que dizia “não compreendo”.

A conversão de Martina Purdy não foi brusca. No programa radiofônico The Talkback, da BBC Radio Ulster, recordou que embora tenha tido uma “sólida formação católica”, dizia que não queria “absolutamente” ser religiosa. Entretanto, pouco a pouco começou a sentir que o jornalismo já não era para ela.

“Não digo que era infeliz”, indicou, mas “surpreendentemente estava ficando mais alegre, mas era uma alegria que vinha da oração”.

Além disso, confessou que sua vida passada, dedicada às compras e a sair com os amigos, era cada vez menos satisfatória, e cada vez que entrevistava os políticos “sentia que queria rezar por eles mais do que fazer-lhes perguntas”.

Deste modo, foi experimentando uma transformação lenta, mas tão intensa que a desafiava a optar pela vida religiosa. “Eu ainda negociava com o Senhor”, assinalou.

Entretanto, um dia, caminhando por Drumalis Retreat, perto de Larne, deparou-se em frente a uma pequena árvore que estava sem folhas, mas era linda. Martina começou a perguntar-se como esta árvore estaria cheia de folhas e frutas. “Percebi que me haviam oferecido uma transformação”, expressou.

Posteriormente, a então jornalista deu de presente todos seus pertences, inclusive as suas roupas –muitas destas para a obra de caridade –, e vendeu seu automóvel. “Não quero nada. Não preciso de nada… Vivo como uma filha de Deus”, afirmou. Além disso, assinalou que as pessoas a conheciam bem, não ficaram impressionadas pela decisão que havia tomado em ser religiosa.

Agora, como religiosa, continua ligada ao mundo das comunicações, pois escreve no jornal do convento e twiteia o Evangelho. Há uma “fome espiritual” do lado de fora, afirmou.

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O Padre Thomas Rosica, assistente da Sala de Imprensa da Santa Sé para os meios de fala inglesa, assinalou uma série de erros na recente entrevista com o Papa Francisco publicada pelo jornal italiano La Repubblica, como o fato de que o ateu Eugenio Scalfari, que realizou a entrevista, não gravou nem fez nenhuma anotação da mesma.

A entrevista, que foi realizada no dia 24 de setembro e publicada no dia 1º de outubro, gerou certa inquietação entre os católicos e gerou também uma série de titulares descontextualizados em diversos jornais no mundo.

A respeito disto e em uma declaração em 5 de outubro, em representação do Padre Federico Lombardi e da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Pe. Rosica explicou que “Eugenio Scalfari não gravou a entrevista com o Papa Francisco nem tampouco fez anotações, por isso o texto foi uma reconstrução posterior dos fatos”.

O sacerdote canadense disse que “tais textos correm o risco de ocultar alguns detalhes importantes ou confundir eventos relatados durante a entrevista oral. Scalfari assinalou que mostrou o texto ao Papa Francisco para a sua aprovação, mas não fica claro quão atentamente o Santo Padre o leu”.

Embora “o Padre Federico Lombardi, SJ, assegure a ‘integridade’ geral da entrevista de Scalfari”, prossegue o Padre Rosica, “entretanto alguns detalhes menores e imprecisos causaram desconcerto entre vocês (jornalistas). Um deles se refere à suposta dúvida de parte do Papa Francisco ao aceitar a sua eleição ao pontificado e a chamada ‘experiência mística’ do Santo Padre no dia da sua eleição, em 13 de março de 2013”.

O sacerdote recordou que o que aconteceu nesse dia logo depois da eleição, o Papa já contou no último dia 16 de março no seu encontro com os jornalistas que cobriram este importante evento.

O Padre Rosica assinala que “Scalfari sugere na sua entrevista que o Cardeal Bergoglio, aflito pela sua eleição, precisou de tempo para refletir sobre o que tinha acontecido antes de aceitar o papado. Os cardeais que testemunharam o momento declararam categoricamente que o recém-eleito papa nunca saiu da Capela Sistina para um período de reflexão antes de aceitar finalmente o papado, exceto quando foi à ‘sacristia do pranto’ para receber as vestimentas”.

“Nunca houve nenhuma mostra de dúvida ou de necessidade de reflexão séria sobre a eleição que aconteceu, nem para pensar o que tinha recaído sobre ele!”, exclamou

Sobre a chamada “experiência mística” do Papa Francisco citada na entrevista de Scalfari, que também é diretor do diário La Reppublica, o Padre Rosica assinala que “muito provavelmente se refere ao momento de oração na Capela Paulina. Esse momento está muito claramente explicado em uma entrevista exclusiva concedida à Salt and Light Catholic Television Network no Canadá por Mons. Dario Viganò, Diretor do Centro Televisivo Vaticano” realizada no fim de junho deste ano.

Esta entrevista a Mons.Viganò, explica o Padre Rosica, diretor da Salt and Light, serve como um testemunho “mais uma vez da profunda espiritualidade e da paz que são tão evidentes na pessoa do Papa Francisco, antes, durante e depois dos históricos eventos de 13 de março de 2013 na Capela Sistina”.

convergência de mídias
A mídia secular volta e meia escolhe um assunto tratar e deixar clara a sua posição diante de determinada situação. Para eles um assunto que sempre está em pauta para ser bombardeado é a Igreja Católica e sua tradição.Em meio à cultura do imediatismo, a tradição da Igreja é sempre vista como algo ultrapassado. Deste modo, ela é quase sempre o foco das atenções dos grandes, e também dos pequenos, veículos de comunicação mundanos.Se for traçada uma linha desde janeiro até hoje, vamos perceber o que sempre foi falado. Primeiro a renúncia de Bento XVI: enquanto ele dizia que seu pontificado teve “águas agitadas”, a imprensa secular afirmava que o Papa não aguentava os escândalos envolvendo o IOR (Banco do Vaticano) e a perda de fiéis. Após a eleição de Francisco, quantos elogios a imprensa fez ao novo pontífice. E, novamente, quantas críticas infundadas e comparações sem nexo os veículos seculares inventaram para tentar denegrir a imagem de Bento XVI.

Estamos em setembro. No próximo mês, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza a Semana Nacional da Vida (1 a 7 de outubro). Há poucos dias desse evento, um programa de determinada emissora, cujo nome não vou mencionar, levou ao ar o tema do aborto. A Igreja celebra e promove a vida, já a mídia secular, muitas vezes, promove, enaltece e busca propagar a cultura de morte. Para variar, ainda dizem que ao ser contra o aborto a Igreja está cometendo um crime.

É importante saber que há nos veículos de comunicação de massa uma grande capacidade de influenciar o pensamento, falar e agir da população. Sem muita dificuldade eles fazem as pessoas mudarem de opinião. Você já dever ter escutado alguém dizer que é contra alguma coisa e no outro dia, após essa pessoa ter assistido um jornal ou programa de TV, afirmar que agora é a favor. Aí vem a pergunta: o que tem o rádio, a TV, a internet de tão poderosos?

A resposta é complexa e infelizmente não sou apto para responder essa pergunta. Porém, um conselho cabe muito bem: é preciso aprender a moderar as informações que chegam da mídia até nós, principalmente as que vão contra o que diz a Igreja. Para assuntos católicos, busque os veículos católicos.

 Fonte: Aleteia

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Encontro marcado para 25 de setembro no Templo de Adriano, em Roma

 O Pátio dos Gentios, iniciativa para o diálogo entre crentes e não crentes promovida pelo Pontifício Conselho para a Cultura, dedicará uma manhã inteira ao mundo do jornalismo e da comunicação. A manifestação “O Pátio dos Jornalistas” está agendada para a quarta-feira 25 de setembro no Templo de Adriano, em Roma, das 9h às 13h30.

O evento será aberto por uma conversa com o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, junto com o fundador do jornal La Repubblica, Eugenio Scalfari.

Haverá debate entre protagonistas da informação e diretores dos maiores jornais italianos, com a participação de

Emilio Carelli (Sky Tg24),

Mario Calabresi (La Stampa),

Virman Cusenza (Il Messaggero),

Ferruccio De Bortoli (Corriere della Sera),

Ezio Mauro (La Repubblica),

Roberto Napoletano (Il Sole 24 Ore),

Constanze Reuscher (Die Welt),

Marcello Sorgi (TG1La Stampa),

Marco Tarquinio (Avvenire) e Giovanni Maria Vian (L’Osservatore Romano).

O objetivo é estabelecer uma reflexão entre os protagonistas da informação, crentes e não crentes, sobre questões importantes como a sociedade, a comunicação e o jornalismo, a liberdade e a responsabilidade na informação, a objetividade e a verdade, os vícios e virtudes do jornalismo, a cultura e a fé, o crer e o comunicar.

O Eterno e o ‘Tempo da Imprensa’
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 A desculpa para escrever este texto – que publico sem revisão por falta de tempo – é a enésima vez que um Papa (ou Bispo, ou padre, ou leigo católico conhecido como tal) diz uma coisa e a imprensa faz uma tempestade alucinada num dedal d’água, berrando aos sete ventos que “o Vaticano/Papa/Bispo mudou e agora é a favor de camisinhas/aborto/sodomia”.
Isto *sempre* acontece, e é *sempre* seguido por leigos nem-tão-engajados-assim, modernistas de direita e outras figuras da periferia católica rasgando as vestes, como se o absurdo que a imprensa disse fosse verdade.
E o Papa, Bispo, padre ou leigo engajado passa a ter mais trabalho para lidar com aqueles que com os judeus, pagãos, protestantes e orientais, que normalmente prestam mais atenção no que ele tenha a dizer quando querem saber qual é a dele.Isto acontece por uma razão simplíssima: o universo mental e o modo de lidar com a realidade da Igreja e da imprensa simplesmente não poderiam ser mais diferentes. Infelizmente, todavia, há muita gente que raciocina de modo mais semelhante ao da imprensa que ao da Igreja se manifestando nesta ocasião e em outras semelhantes.Vejamos quais são estes modos de ver o mundo, estes universos mentais tão díspares.

A imprensa é heraclítica. Para ela, só há mudança, devir, novidade.A novidade é a notícia, e é ela, e só ela, que interessa. O resultado é evidente quando se examina qualquer jornal, revista, noticiário, etc.: o que permanece não é notícia. Diz o ditado que quando um cachorro morde um homem, isso não é notícia; só é notícia o homem que morde o cachorro, justamente por ser diferente, ***novo***.

As milhares de crianças que nascem saudáveis não são notícia, mas se nascer um bebê com quatro braços, a imprensa em peso vai noticiar. A mais séria de modo comedido, a mais popularesca fazendo comparações com divindades hinduístas. Do mesmo modo, na política é notícia o que muda, o que sai do padrão. Na vida cotidiana, o crime, o incêndio, a tragédia.

A Igreja, por outro lado, é a portadora de uma mensagem eterna. Para a Igreja, estamos há dois mil anos na Plenitude dos Tempos; a Revelação já foi toda dada e concluída, e nada mais acontecerá de realmente importante até o fim dos tempos. Em outras palavras, a eternidade penetrou no tempo, dando-nos todos a possibilidade de adentrar a eternidade. E o papel da Igreja é este: ajudar-nos a adentrar a eternidade.

Vale notar os dois lados desta equação da vida eclesial: um é a eternidade, que não muda jamais.

A verdade, que é sempre a mesma. A natureza humana, que é sempre a mesma. O outro é a aplicação disto a cada um de nós. A Igreja conhece o ser humano como ninguém mais, sabe perfeitamente como cada coisa nos afeta, o que nos faz bem, o que nos faz mal, etc. Mesmo alguém que não tenha Fé pode perceber isto; afinal, dois mil anos prestando atenção no ser humano fatalmente a levariam a acumular algum conhecimento!!!

Os seguidores de religiões naturais tradicionais (como o hinduísmo, o budismo e algumas formas do islã), bem como os judeus ortodoxos, aliás, concordam em quase tudo com a Igreja no tocante ao ser humano, justamente por terem se dedicado, ao longo dos séculos, a estudá-lo.
Um clérigo católico experiente (padre, Bispo ou Papa) e ortodoxo há de ter passado algumas décadas a cuidar desta equação, a ajudar individualmente pessoa após pessoa a se tornar alguém melhor. Ele há de ter tido notícia de horrores inimagináveis, ouvidos no confessionário. Ele há de ter visto pessoas que caem após anos e anos de melhora. Não apenas a feiura dos nossos desejos desabridos, mas a ***falta de originalidade*** deles está profundamente gravada na maneira dele de ver o mundo.O primeiro sodomita, pedófilo, adúltero ou zoófilo há de espantar o padre recém-ordenado, que só havia estudado aquilo num compêndio de teologia moral. Ao longo dos anos, contudo, o que lhe salta aos olhos é a semelhança entre todos eles, o modo como toda tentação é parecida. É nesta hora que lhe é valioso o compêndio de teologia moral, que lhe lembra que por mais que um furto e um adultério sejam tão semelhantes, o efeito deles sobre a alma humana é diferente.

Trata-se, assim, de alguém que dedicou a vida a ajudar pessoas presas no tempo, pessoas que acham que aquela tentação – que é exatamente igual à do próximo! – é uma novidade absoluta, a adentrar a eternidade e deixa-la para trás. Para isto, ele tem um arsenal de técnicas mais que comprovadas pelo tempo, a serem aplicadas na direção espiritual e no aconselhamento. Sempre pessoa a pessoa, sempre tendo a eternidade como objetivo.Mas, afinal, o que levaria alguém a querer melhorar? O que levaria alguém a buscar a santidade – que nada mais é que a sanidade! –, ao invés de buscar mais dinheiro, mais sexo, mais ‘Aifones’ do último tipo, ou sei lá o que se vende hoje em dia como desejável?!Mysterium Fidei, este é o Mistério da Fé.

A Fé é uma graça divina. Em bom português, isto significa que ela é um presente de Deus ao homem, não uma decisão humana. A decisão – que existe! – é simplesmente de aceitar, ou não, a Fé que Deus oferece. Contra esta decisão há todo tipo de apego ao temporal (dinheiro, poder, sexo, Aifones… basicamente, tudo o que se perde na morte). A favor, contudo, há a perfeição divina. Há a ação dos Santos. Há os milagres (hoje, dia de São Januário, é o dia de um milagre que se repete regularmente há coisa de dezessete séculos!). Há a Verdade.

Parece um jogo ganho de antemão, mas sabemos todos – e mais ainda o sabe quem sentou por horas a fio, dia após dia, ano após ano, em um confessionário, ouvindo a horrenda banalidade do mal que se repete de coração em coração – que é tão fácil trocar nossa herança por um prato de lentilhas. Ou por um belo par de seios, ou por um empreguinho legal, ou um carro novo.

O que nos há de atrair a Deus, contudo, é sempre Ele mesmo. Em última instância, estamos falando de corresponder ao amor divino, um amor eterno, que ama cada indivíduo e ajuda – através da Igreja – cada indivíduo a se livrar daquilo que o torna menos ele mesmo. O pecado, afinal, é a negação de si mesmo. Quando eu peco, estou sendo falso em relação a mim mesmo. Se eu traio minha mulher, estou sendo menos o marido dela (que eu sou!) e mais um adúltero genérico, exatamente igual a todo e qualquer patético frequentador de casas de suingue ou bordéis.

Para a imprensa, contudo – e aí voltamos ao tema deste texto, que já parecia esquecido –, nada disso existe ou importa. Existe apenas a titilação da novidade, inclusive e especialmente a falsa novidade da última apresentação da mesma tentação velha e desgastada.

No momento, estamos na transição entre a titilação da sodomia – que está rapidamente deixando de ser titilante pelo excesso de repetição, a não ser que se trate de lesbianismo (mocinhas núbeis (tem) um apelo maior que o de rapazes fazendo o mesmo) – para a da pedofilia (que está passando de coisa medonha a coisa excitante do momento).

Mas tanto faz. Tanto uma quanto a outra são a mesma coisa, a mesmíssima e velhíssima prática de desviar-se do fim de um ato para arrancar dele um prazer que deveria ser a recompensa, não o objetivo. No fundo, dá no mesmo fornicar, entregar-se à sodomia, pedofilia ou zoofilia ou simplesmente, como faziam os romanos, comer e vomitar para poder comer mais. Ou comer produtos “diet” em megadoses, como se faz hoje em dia. É a mesma busca do prazer sem suas consequências, da recompensa sem o prêmio.

Quando, então, a imprensa e o clero – no momento, o Papa Francisco – tentam se comunicar, o que temos é um diálogo de surdos.

O Papa vai responder às perguntas que lhe são colocadas a partir do ponto de vista da eternidade (“sub species aeternitatis”), enquanto a imprensa vai buscar basicamente ***novidades***. Ora, por definição, não há novidades. A Revelação se concluiu com a morte do último dos apóstolos (aos curiosos, trata-se de S. João, no final do Século I; ele era adolescente quando da Crucifixão).

Desta forma, a imprensa vai buscar sempre os pontos em que a maluquice daquele momento, daquele segundo, daquela etapa microscópica dos interesses demagógicos e vacilantes de uma sociedade em decadência está em conflito com a eternidade, e tentar vender a falsíssima idéia de que há alguma novidade, de que a Igreja “finalmente mudou”, como se isso fosse possível. Há alguns dias, era um burocrata da Santa Sé que deu vazo a delírios da imprensa, torcendo suas palavras para usá- las como se ele negasse o celibato dos sacerdotes (e, mais ainda, como se esta suposta negação mudasse algo na doutrina da Igreja!). Agora, é uma série de delírios interpretativos absoluta e completamente bizarros acerca de algumas declarações do Santo Padre em uma entrevista, ignorando não só o contexto mas as próprias palavras dele para falar sandices acerca de aborto, sodomia e o que mais vier.

Temos, assim, de um lado, um clérigo falando da Eternidade. Do outro, um jornalista buscando a titilação do momento, o devir, a mudança.

Ora, como poderia haver algum diálogo?! Como poderia haver alguma comunicação??!!

A imprensa vai, sempre, tentar torcer as palavras dos clérigos. Não é por maldade, mas porque o “radar” deles só registra mudança, movimento. E os falsos positivos do radar são muitos; não sei você, caro leitor, mas em todos os temas que domino por força dos estudos ou da ação profissional, ao ver o que é publicado nos jornais a respeito, fico chocado com a má qualidade das informações.

Ao tratar da Igreja, então, que se lhe é tão radicalmente contrária em sua visão de mundo, é praticamente impossível que a imprensa faça uma leitura que tenha algum sentido. Tudo, sempre, vai retornar àquilo em que o fabulário geral do delírio cotidiano se afasta mais visivelmente do que é Eterno: no momento, é aborto, sodomia e camisinhas; daqui a alguns anos, pedofilia e zoofilia entrarão no jogo.

O que a Igreja prega, contudo, não é nem aborto, nem camisinhas, nem sodomia. Nem – por mais incrível que isso possa parecer a meus queridos coleguinhas jornalistas – a negação deles. A Igreja prega o Eterno. Estes temas, tão titilantes e palpitantes para o jornalista que simplesmente não consegue entender como cargas d’água alguém pode diferir da sabedoria coletiva do PSOL e das Organizações Globo, para a imensa maioria dos católicos mais sérios e comprometidos com a Fé, simplesmente não se registram no radar.

Eu mesmo, por exemplo, sou casado. Não tenho a menor intenção de cometer adultério, e creio que não fosse sequer saber como se usa uma camisinha (tomei jeito antes delas virarem coisa normal) se resolvesse cometê-lo. Tanto melhor: assim tenho ainda mais razões para não o cometer!…

A sodomia simplesmente não me atrai. Como, contudo, eu tenho cá minhas tentações, quem seria eu para brigar com alguém, ou mesmo para simplesmente trata-lo de modo diferente, por ele ter esta tentação?! Simplesmente não é da minha alçada.

Aborto, para mim, é exatamente igual a qualquer outra forma de homicídio: espero sinceramente jamais sofrer esta tentação, e espero ter forças para perdoar quem nela caia.

Nenhum destes temas jamais foi objeto de uma homilia que eu tenha ouvido numa Missa, por ser, para qualquer católico, algo evidente. Ao contrário, as boas homilias que ouvi, as que me fizeram sentar mais reto no banco para prestar mais atenção, falaram de como lidar com o que nos tenta, de como Deus Se nos revelou e Se nos revela, dos Sacramentos, dos Mandamentos, do amor conjugal de Cristo pela Igreja, etc.

Reduzir a Igreja à sua oposição a este ou aquele tema titilante da moda é simplesmente perder a Igreja de vista. É mais que evidente que isto ou aquilo é errado. Não é por a sociedade pregar isto ou aquilo como certo, contudo, que eles são errados: é por serem armadilhas velhíssimas, enferrujadas e cheias de teias de aranha, com as quais nós tentamos fugir da Eternidade que nos chama, e que é tão maior que tudo isso.

Quem, assim, reclama do Papa ou de qualquer clérigo por não tratar a imprensa como a imprensa quer ser tratada, por não cair em uma guerrinha imbecil de “pundits” e frases de efeito, simplesmente não entendeu a que vem a Igreja. E quem usa as imbecilidades que a imprensa publica sobre a Igreja para rasgar as vestes e entregar-se a escândalo farisaico, por vezes até condenando abertamente o Santo Padre, deveria calar a boca e voltar-se à eternidade. Num confessionário, e depois numa igreja vazia e sem luzes elétricas, de joelhos diante do Santíssimo. Do Eterno. De Deus, que não passa.

Na Festa de São Januário do Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2013,

Na Quinta São Tomás, no Carmo de Minas,

Carlos Ramalhete,

Um pobre pecador, que mendiga uma sua Ave-Maria

Fonte:
Carlos Ramalhete

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Dom Pietro Parolin (Foto: Osservatore (CC BY-SA 3.0)

Nesta semana importantes meios de comunicação secular – jornais, TV, rádio e outros veículos de impressa comuns – disseram que o Papa Francisco estudava a possibilidade de por fim ao celibato na igreja. Isto baseados numa declaração não do pontífice, mas do atual Núncio Apostólico na Venezuela e Secretário de Estado nomeado, Dom Pietro Parolin, concedeu ao jornal venezuelano “El Universal”.

Em contraponto a essas informações autoridades eclesiais afirmaram que o papa em nenhum momento pensou nisso.

Durante a entrevista, o Arcebispo que assumirá a Secretaria de Estado em outubro, falou sobre vários temas e amistosamente evitou que o ponto de vista do jornalista fosse imposto. Tais como a convocação de um Concílio Vaticano III ou comunhão com teologias reformistas com a de Hans Küng, teólogo dissidente suíço.

A ACI Digital publicou em seu site um trecho da entrevista e a frase usada como base para os boatos da semana. Leia.

Jornalista: O celibato não é….

Dom Parolin: Não é um dogma da Igreja e se pode discutir porque é uma tradição eclesial.

Esta foi a frase sobre a qual os meios construíram não apenas a hipótese de que o futuro Secretário de Estado “abria a porta” à discussão sobre o celibato; mas que mesmo Papa Francisco o estava fazendo.

Em efeito, um comentarista consultado pela influente rede televisiva norte-americana NBC, Thomas Groome, professor de teologia de Boston College, assinalou que “dificilmente Parolin teria feito este comentário se não tivesse a impressão de que o Papa estaria aberto a ter esta conversação”.

Entretanto, Groome e outros peritos consultados pelos meios seculares ignoraram a primeira parte da entrevista de El Universal, onde Dom Parolin assinala claramente que ainda está por familiarizar-se com os objetivos do Pontífice.

“A verdade”, diz Parolin na entrevista, “é que não falei muito com ele e penso que quando tiver a graça e a oportunidade, perguntarei a ele o porquê desta eleição. Assim não saberia dizer qual foi a razão pela qual o Papa pensou em mim. Posso dizer, entretanto, que me sinto muito afim a sua maneira de entender a Igreja e, sobretudo, a seu estilo de simplicidade e de proximidade às pessoas, a seu ânimo de escutá-las e de tentar, seriamente, que a Igreja possa voltar a ter uma presença significativa no mundo de hoje”.

Consultado sobre a entrevista concedida pelo futuro Secretário de Estado, o porta-voz da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, assinalou que “o que o Arcebispo Parolin falou é totalmente consistente com o ensinamento da Igreja”.

Em efeito, para a Igreja, o celibato sacerdotal é uma disciplina, não um dogma. Portanto, a diferença do dogma, pode teoricamente mudar.

Entretanto, os meios seculares internacionais ignoraram importantes passagens da mesma entrevista, em que Dom Parolin explicou o valor do celibato.

Segue abaixo uma parte de como continuou a pequena passagem da entrevista citada no mundo inteiro:

Jornalista: “A que época se remonta o celibato?”

Dom Parolin: “Aos primeiros séculos. Depois, a implementação se aplicou durante todo o primeiro milênio, mas a partir do Concílio de Trento se insistiu muito nisso. É uma tradição e esse conceito permanece na Igreja porque ao longo de todos estes anos ocorreram acontecimentos que contribuíram para desenvolver a revelação de Deus. Esta finalizou com a morte do último apóstolo (São João). O que aconteceu depois foi um crescimento na compreensão e atuação da revelação.

Jornalista: A propósito do celibato…

Dom Parolin: O esforço que a Igreja fez para estatuir o celibato eclesiástico deve ser considerado. Não se pode dizer, simplesmente, que pertence ao passado. É um grande desafio para o Papa porque ele possui o ministério da unidade e todas essas decisões devem assumir-se como uma forma de unir à Igreja, não de dividi-la. Então se pode falar, refletir e aprofundar sobre estes temas que não são de fé definida e pensar em algumas modificações, mas sempre ao serviço da unidade e tudo segundo a vontade de Deus. Não se trata do que eu gosto, mas sim de sermos fiéis ao que Deus quer para a sua Igreja.

Em outra passagem da mesma entrevista, quando o jornalista tenta apresentar o Papa Francisco como um “revolucionário” que trará mudanças radicais, o Arcebispo Parolin esclarece:

“Assim é. Mas essas mudanças não podem colocar em perigo a essência da Igreja, que tem uma continuidade na história proveniente de sua fundação por Jesus Cristo. Então se deve ser fiel. A Igreja nunca poderá mudar ao ponto de adaptar-se completamente ao mundo. Se o fizesse e se perdesse nele, já não cumpriria sua missão de ser sal e luz para todos”.

Mais adiante Dom Parolin continua: “E quero destacar o tema da continuidade porque às vezes parece (e não sei se exagero) que o Papa Francisco vai revolucionar tudo, mudar tudo”.

Jornalista: “Não é isso o que se espera dele?”

Dom Parolin: “Espera-se que ele ajude à Igreja a ser Igreja de Jesus e a cumprir a sua função. Isso é o que devem fazer todos os papas. Mas a Igreja tem uma Constituição, uma estrutura, uns conteúdos que são os da fé e que ninguém pode mudar”.

Em meio da tormenta de titulares mediáticos sobre o suposto “fim do celibato”; a jornalista da revista “Time”, Elizabeth Dias, escreveu um breve, mas incisivo comentário com o título: “por que a política sobre o celibato para os sacerdotes católicos não vai mudar proximamente”.

Dias explica que Dom Parolin não fez mais que explicar a antiga e tradicional diferença na Igreja entre dogma e disciplina. O celibato é, em efeito, uma disciplina. Entretanto, a jornalista de “Time” recorda que nenhuma disciplina importante mudou na história recente da Igreja; e conclui assinalando que, por essa razão, “Dom Parolin destaca que ‘as mudanças não podem colocar em perigo a essência da Igreja, que tem uma continuidade na história proveniente de sua fundação por Jesus Cristo’”.

Com informações da ACI DIgital

Alcançando um novo recorde, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Rio2013 chegou a 5.500 inscrições dejornalistas do mundo inteiro, e superou os números da JMJ realizada em Madri em 2011, que teve cerca de 5.000 profissionais da comunicação.

A inscrição dos jornalistas foi encerrada no dia 20 de junho. A organização da JMJ deste ano calcula que cerca de 2 mil deles são da imprensa internacional. A confirmação do registro ainda depende da aprovação de organismos federais. As autorizações serão divulgadas em breve.

Segundo a coordenadora das inscrições de jonalistas, Josery Pantoja, o número de solicitações de credenciais mostra que a JMJ é um evento com repercussão no mundo inteiro. “A JMJ vai muito além da mídia religiosa: o mundo inteiro vai acompanhar a JMJ”, enfatizou.

Além disso, a participação da imprensa será determinante para apresentar ao mundo o conceito da JMJ, segundo Josery: “Esta quantidade de jornalistas mostra que vamos levar ao mundo o sentido desta Jornada: serenidade, paz e amor ao próximo”.

A participação da imprensa internacional neste processo é essencial, de acordo com a coordenadora da assessoria de imprensa internacional, Inés San Martín: “É impressionante a variedade de veículos de comunicação que virão à JMJ“.

E comentou que existem muitos representantes da mídia inglesa, espanhola, alemã, italiana, polonesa e até chinesa e japonesa. Os jornalistas vêm de todos os continentes.

“Acho que esta JMJ será histórica”, destacou Inés.

A cobertura internacional também será importante para garantir que os que não possam ir ao Rio de Janeiro façam uma experiência da JMJ.

“Já superamos Madri e contamos com muitos meios de comunicação que não foram a Madri – explicou. Isso significa que, inclusive aqueles jovens do mundo inteiro que não poderão vir até o Rio de Janeiro, poderão compartilhar as experiências da JMJ por meio da imprensa internacion
al.”

Fonte: Reinaldo Azevedo

Vejam esta imagem do Globo Online da noite desta segunda:

É para lermos os dois títulos como um conjunto, embora remetam a textos distintos: “Arábia Saudita faz campanha contra violência machista; enquanto isso, Igreja excomunga em SP padre que defende amor entre bissexuais”. Vamos ver.

É uma peça de proselitismo político-ideológico. Como costuma acontecer nesses casos, busca-se a adesão, não o convencimento; trabalha-se com o choque, não com os fatos; apela-se à simplicidade máxima, não aos matizes. Em síntese: trata-se de propaganda, não de informação.

Vamos aos muitos erros. E começo pelo ex-padre. Alguém no Globo viu o que esse rapaz andou postando no Youtube quando ainda era padre? Sim, de fato, ele disse que não existe infidelidade quando marido e mulher mantêm relacionamentos extraconjugais abertos. Ele tem o direito de pensar isso, mas não como padre — porque, como padre, ele fala em nome da Igreja, e a visão da Igreja é outra. Beto também acha que maridos podem se apaixonar por outros homens, e mulheres, por outras mulheres. De novo: se todos souberem de tudo, não haveria o que reclamar. Sim, ele tem o direito de pensar isso, mas não como expressão — e um padre é isto! — da Igreja Católica. A razão é simples. Ela pensa outra coisa.

Vamos pegar o caso do Globo Online — que nem é uma Igreja, até onde se sabe. Por ali, algum jornalista pode escrever uma reportagem defendendo, deixem-me ver…, a luta armada? Isso mesmo: em nome da liberdade de expressão, um barbudinho recalcitrante qualquer mandaria ver: “A democracia já evidenciou ser uma falácia das elites para reproduzir a exclusão. Chegou a hora de tomarmos nas mãos o nosso destino. E terá de ser pela via armada”. Pode??? Ou, deixem-me ver, um jornalista da TV Globo poderia fazer, em um de seus programas, um editorial em favor do “controle social da mídia”? Que tal? Por que não?

Felizmente, e espero que nem o Globo nem a Globo mudem a orientação, nada disso é possível. Como o jornal é favorável à democracia representativa, salvo engano, jornalistas que defendam a luta armada não escrevem por ali — não em favor da luta armada ao menos. Como a Globo, felizmente, defende a liberdade de opinião —  dentro dos parâmetros do regime democrático —, não teremos de assistir, na emissora, a editoriais em favor da censura.

Mais: a Globo e o Globo têm manuais de redação e princípios de ética jornalística. Suponho que não possam ser transgredidos e ignorados por seus profissionais. Quem o fizer acabará, isto é metáfora, “excomungado”. E assim porque as Organizações Globo são reacionárias? Não! Porque são empresas privadas que se orientam segundo determinados fundamentos. Só pertence ao grupo quem quer e quem o grupo quer. Suponho que se admita por ali que a milenar Igreja Católica também tem o direito de fazer algumas exigências a quem pertence à sua hierarquia.

Erro específico

O tal Beto não foi excomungado da Igreja por defender o amor entre bissexuais. É mentira! Em reiteradas entrevistas, ele deixou claro só cumprir as orientações com as quais concorda. Aquelas de que discordava, ele ignorava — anunciando isso. Mais: o dito-cujo usava o púlpito para fazer suas pregações. Fico cá a imaginar um âncora de um dos programas da Globo a esculhambar, no ar, os princípios que orientam a empresa. Tudo em nome da “liberdade de expressão”! Seria aceitável?

Arábia Saudita

Em poucos países do mundo a desigualdade de direitos entre homens e mulheres é tão grande como na Arábia Saudita. Atenção! Isso não quer dizer que as condições de vida da mulher saudita estejam  entre as piores do mundo! O wahabismo, variante do islamismo sunita vigente no país, faz com que as mulheres sejam, por lei, tuteladas por homens: pais, maridos, irmãos. Não faz tempo, ficamos sabendo que uma mulher foi punida por dirigir um automóvel. Elas não podem sair às ruas sem a companhia de um responsável.

Muito bem. Um grupo de sauditas deu início a uma campanha — ATENÇÃO!!! — não em favor da igualdade entre homens e mulheres (isso é impensável!), mas CONTRA O ESPANCAMENTO das pobres-coitadas! Faz sentido?

Por mais que haja um esforço mundial para esconder o que está no Al Corão e mais ainda para provar que o Profeta era mais generoso com as mulheres do que o judaísmo ou o cristianismo, o fato inequívoco é que a Sura 4:34 autoriza que o marido bata na sua mulher. Se elas não for obediente, ele deve, primeiro, admoesta-la; na segunda vez, abandonar o leito; na terceira, bater.


Um líder religioso sunita do Baherin, ali pertinho da Arábia Saudita, explicou que isso tem de ser feito com método, tá pessoal? Pode bater, sim, mas sob certas condições.

Volto ao texto do Globo

Atenção! A palavra “machista” é algo que faz sentido no mundo ocidental, na nossa cultura. Na Arábia Saudita, há não mais do que um grupo que resolveu se manifestar contra a agressão física às mulheres. Uma campanha antimachista, convenham, teria como horizonte a igualdade entre os sexos. Ou por outra: não teve inicio uma “Primavera Feminista” na Arábia Saudita. Lembro que havia punição no Brasil para senhores que exageravam no castigo físico aos escravos. E eles não eram abolicionistas.

O que a peça editorial do Globo Online sugere é que a Arábia Saudita passaria por um momento iluminista, enquanto a Igreja Católica, por uma fase obscurantista. O iluminismo, então, no país árabe estaria numa inédita campanha contra o “machismo” (ISSO É FALSO!!!), e as trevas católicas se revelariam da excomunhão de um padre favorável ao bissexualismo (FALSO TAMBÉM).

Assim, duas distorções — sobre a Igreja e sobre a Arábia Saudita — produziram um terceira: uma suposta Arábia Saudita a caminho das Luzes e uma suposta Igreja a caminho das trevas.

Por Reinaldo Azevedo

Como não poderia deixar de acontecer, inúmeras reações à circular arbitrária do Conselho Federal de Medicina apoiando o aborto vieram a público nos últimos dias. Também não causa qualquer surpresa que a patota abortista, sempre muito bem orquestrada, entre em campo para tentar conter o vazamento.

Como quase sempre acontece, a grande mídia nacional — com exceções dignas de nota, como é o caso do jornal Gazeta do Povo, de Florianópolis — posiciona-se a favor da matança de seres humanos indefesos e inocentes.

O Jornal “Folha de São Paulo” parece ser o decano desta turna midiático-abortista, seguindo como poucos a cartilha do esquerdismo-abortismo internacional. Este é o mesmo jornal que no passado recente divulgou inverdades sobre o medicamento popularmente conhecido como “pílula do dia seguinte”cujo uma de suas colunistas escreveu um dado totalmente fora da realidade ao falar sobre o aborto.

Mas o caso da Folha de São Paulo parece mesmo ser crônico e é provável que nem mesmo uma lavagem com creolina faça efeito por lá, pois o abortismo está já em fase adiandíssima, naquela fase onde qualquer cuidado com a realidade é praticamente desnecessária.

É exatamente esta a sensação que qualquer pessoa honesta e minimamente conhecedora do problema do aborto tem ao ler editorial publicado neste jornal dando apoio à desastrada circular do CFM.

Ao classificar de “corajosa” a iniciativa do CFM, a Folha devia explicar melhor um tal adjetivo, pois eu acho muito difícil classificar assim uma atitude que em última instância levará à morte cruel de seres inocentes, frágeis e que sequer têm voz para clamarem por sua defesa. É isto que é coragem para a Folha de São Paulo? Que coragem o Conselho Federal de Medicina demonstra ao dar apoio para que um crime hediondo cometido contra um ser humano indefeso  seja encarado como algo virtuoso?

E a Folha de São Paulo, como parece ser seu estilo, já no 2o. parágrafo do editorial, informa seus leitores que“interrupção voluntária da gravidez já é permitida em casos de estupro ou de risco para a vida da mãe”, o que é uma desinformação. O aborto em tais casos, no Brasil, segundo nosso Código Penal, não é punível, o que é bem diferente de dizer que a prática é permitida. Mas pode ser que o editorialista da Folha encare tal coisa como mero detalhe, afinal não a vida dele que está em jogo, não é mesmo?

Mas seguindo mais à frente o editorialista saiu-se com a seguinte pérola:

“Equiparar o aborto ao assassinato de um ser humano soa excessivo. Neurologistas dizem que o feto é incapaz de sentir dor antes das 12 semanas de vida. Ainda assim, não há como negar que se trata de vida -vida humana- o que o aborto vai interromper.”

Eu sempre acho que é muito fácil para quem está vivo escrever algo deste tipo. Retalhar o corpo de um ser humano pequenino para retirá-lo do útero de sua mãe não deve ser comparado a um assassinato pelos padrões da Folha de São Paulo? Ok. Fornecer remédios, verdadeiras bombas hormonais, para que as mães despejem seus filhos privada abaixo, para a Folha, é um excesso comparar isto a um assassinato? Então tá.

Mas isto é o que então? O editorial se cala, preferindo reduzir nossa humanidade, ao que parece, à nossa capacidade de sentir dor. Talvez a Folha encare medicamentos analgésicos como “supressores temporários de humanidade” ou algo do tipo.

Como abortistas sempre se enrolam em suas próprias teias, o editorialista nem precisou de novo parágrafo para admitir que o que vai ser morto — detesto eufemismos e “interromper” é apenas isto, um eufemismo — é mesmo um ser humano. Ou seja, para a Folha, a morte de um ser humano inocente e indefeso provocada por um outro ser humano não se configura um assassinato, seria um “excesso” utilizarmos este termo. Então tá, novamente.

É evidente que o editorial teria que tentar esclarecer tais afirmações, mas a coisa toda só fica mais e mais patética, como sempre acontece toda vez que a militância abortista tenta justificar sua visão distorcida do que seja a preservação da vida humana.

Ao falar de “vida humana em potencial”, um termo bem caro aos abortistas, a Folha esquece de dizer o que seria acrescentado ao ser já concebido que o faria se tornar uma vida humana plena. O que seria? A capacidade de sentir dor? Isto beira o ridículo… Mais ainda quando se sabe que este “cuidado” para que o ser humano a ser abortado não sinta dor nem é o equivalente a uma coceirazinha ética dos abortistas, pois este aborto “indolor” para o nascituro serve apenas como justificativa perante o natural e profundo horror da população em geral à tal prática. Isto tem nada de humanismo por parte dos abortistas, é puro cálculo tático.

Mas então o que seria acrescentado a esta tal “vida humana em potencial” para que ela se torne plenamente humana? A Folha não diz… E nem vai dizer, pois isto é apenas uma peça de ficção. A verdade é que a única coisa acrescentada a um ser já concebido para que ele se desenvolva a partir do encontro entre o espermatozóide e o óvulo são nutrientes. Apenas isto. Com os nutrientes necessários, que serão recebidos da mãe, teremos um nascimento dentro de alguns meses. Será então que para a Folha de São Paulo a receita mágica responsável pela transição de vida humana em potencial para vida humana plena é a adição de nutrientes? É sério isto?

O fato é que a Folha faz toda esta ginástica para evitar ter de falar o que é óbvio a todos: que o fato de sermos humanos faz parte de nossa essência. Não se é mais ou menos humano a partir da concepção ou conforme a gestação vai avançando, assim como não deixamos jamais de sermos humano. Somos humanos, mas nunca fomos “potencialmente” humanos, passamos a ser plenamente humanos a partir da concepção.

Mas, como não poderia deixar de ser, a Folha não perde muito tempo tentando justificar filosoficamente sua tese, parte logo para a parte mais cara aos abortistas em geral: a fabricação de dados. Eis o trecho em questão:

“Calcula-se em cerca de 1 milhão o número de abortos realizados anualmente no Brasil. Realizados ilegalmente, no mais das vezes em condições precárias, respondem por quase duas centenas de óbitos maternos por ano.”

Quem calculou este dado? A Folha não diz… Onde está disponível tal dado? A Folha não diz… Onde está disponível a informação de mais de 200 mortes maternas anuais devido a abortos feitos em condições precárias? A Folha não diz, e nem vai dizer, pois os dados disponíveis mostram que estes números são bem diferentes do que a grande imprensa insiste em levar ao público. Eis os dados referentes a mortes devidas a abortos disponíveis na página do DATASUS, órgão do próprio governo:

Informações obtidas em 23/03/2013

O dado que é relevante está na última linha (O07), “Falha de tentativa de aborto”, e este número passa longe das tais 200 mortes anuais. O que a Folha fez foi juntar todas as causas de mortes maternas relacionadas a aborto e relacionar este número aos abortos ilegais, o que é absurdo, pois há abortos espontâneos, gravidezes ectópicas, etc., que têm nenhuma relação com abortos provocados.

Mas se falta competência à Folha para procurar a informação correta, não lhe falta disposição para amplificar a voz da militância abortista, pois o trecho abaixo parece ter saído da campanha eleitoral do PT, batendo na tecla de justificar o aborto por motivos de Saúde Pública.

“É nesse sentido que não falta razão aos que consideram o aborto como, primordialmente, um problema de saúde pública. Problema que poderia ser muito minimizado, por certo, caso houvesse campanhas de maior informação e de acesso a métodos bem menos traumáticos, como a chamada pílula do dia seguinte.”

Fizesse a Folha seu serviço bem feito, poderia ter se dado ao trabalho de obter também na página do DATASUS uma tabela com as diversas causas de morte maternas e veria que a coisa que mais falta aos que consideram o aborto um problema de Saúde Pública é exatamente o que ela alega que eles possuem: razão.

Eis uma tabela esta informação disponível no DATASUS:

Informação obtida em 23/03/2013

Que coisa… O tal “problema de Saúde Pública” aparece na 29a. posição entre as causas de óbitos maternos! Entre as campeãs da mortandade materna estão causas que poderiam ser resolvidas com um pré-natal de qualidade paras as mães, as devidas condições higiênicas nos hospitais, a disponibilização de mais hospitais para a população, o melhor treinamento do pessoal da área médica, etc. Se a Folha e seus parceiros abortistas estão mesmo tão preocupados com a saúde das mulheres como dizem que estão, não era de se esperar que esta turma desse muita atenção também às outras causas que mais matam as mães brasileiras? Ou será que as únicas mulheres que este pessoal quer salvar são as que procuram abortas seus filhos?

Mas nada disto parece ter sensibilizado a Folha, nada disto faria a Folha ficar bem com a patota do abortismo nacional. Em vez de cobrar do governo que gaste o necessário para resolver o problema da saúde da população, para que dê a devida atenção à saúde materna, a Folha resolveu se juntar à turba abortista e virar seus canhões de retórica vazia e desinformação para os frágeis e indefesos bebês ainda não nascidos.
Quanta coragem, não?

Fonte: http://contra-o-aborto.blogspot.com.br/2013/03/folha-de-sao-paulo-apoiando-o-aborto.html

ACI

Peter Seewald, o jornalista alemão que escreveu o livro-entrevista com o Papa Bento XVI publicado com o título de “Luz do mundo”(foto) , assinalou em um artigo no jornal italiano Il Corriere della Sera, onde descreve o Santo Padre como um pensador e um fiel radical, cuja humilde espada é a simplicidade do amor.

“Um pensador radical, esta era minha impressão, e um crente radical que ainda na radicalidade de sua fé não toma a espada, mas outra arma muito mais potente: a força da humildade, da simplicidade e do amor”, escreve.

Para o jornalista, apesar do cansaço, Bento XVI é um homem de paradoxos, vontade inquebrável, linguagem singela, voz forte, mansidão e rigor.

“Pensa muito bem, mas dispõe atenção aos detalhes. Encarna uma nova inteligência para reconhecer e revelar os mistérios da fé. É um teólogo, mas defende a fé do povo ante a religião dos acadêmicos… Um pensador que reza, e para quem, os mistérios de Cristo representam a realidade determinante da criação e da história do mundo”.

“Um amante do homem que, ante a pergunta de quantos caminhos levam a Deus, não duvida em responder: ‘Há tantos quanto os homens”.

Ninguém antes do Papa deixou ao povo de Deus uma obra tão imponente sobre Jesus –acrescenta- referindo-se à trilogia Jesus de Nazaré.
“É o maior teólogo alemão de todos os tempos”, categorizou.

Seewald assinala que a última entrevista que manteve com o Pontífice, foi há dez semanas no Palácio Apostólico, com o propósito de prosseguir a reconstrução de sua biografia. Naquela ocasião falaram, entre outras coisas, sobre a relação de Bento XVI com seus pais; de quando dissertou do exército hitleriano; e dos discos que escutava para aprender idiomas.

Durante o encontro, recorda que notou ao Santo Padre mais cansado do habitual, “a audição tinha diminuído, já não via do olho esquerdo, e o corpo se estava emagrecendo”, e “se tornou muito delicado, ainda mais amável e humilde, totalmente reservado. Não parecia doente, mas o cansaço que se apoderou de sua pessoa, corpo e alma, não podia ser ignorado por mais tempo”, acrescenta.

A primeira entrevista que uniu ambos, foi em novembro de 1992, na sede da Congregação para a Doutrina da Fé, quando o Papa ainda era o Cardeal Ratzinger.

Seewald explica que se precaveu desde o começo de sua sensibilidade sobre o conceito atual de progresso: “perguntava-se sobre se realmente se podia medir a felicidade do homem em função do produto interno bruto”, escreve.

Quatro anos depois, tiveram várias jornadas de trabalho para falar sobre o projeto de um livro dedicado à fé, à Igreja, ao celibato, entre outros temos; e explica que em sua atitude, sempre demonstrou um traço de humildade.

“Meu interlocutor não caminhava pela habitação dando voltas como costumam fazer os professores. Não havia nele o mais mínimo traço de vaidade, nem de presunção”. Além disso, o Papa “sempre levou a vida modesta de um monge, o luxo lhe era estranho e era completamente indiferente a um ambiente com um conforto superior ao estritamente necessário”, afirma.

“Impressionava-me sua superioridade, o pensamento que não ia de acordo ao passado do tempo e ao mesmo tempo, deixava-me surpreso de escutar as respostas pertinentes aos problemas de nossos tempos que aparentemente não tinham virtualmente solução, extraídos de grande tesouro de revelação, da inspiração dos Padres da Igreja e das reflexões desse guardião da fé que se sentava ante mim”, relata.

Os Vatileaks não foram motivo de renúncia para o Papa

O escritor explicou que também entrevistou o Papa em agosto passado em sua residência do verão de Castel Gandolgo, onde falaram sobre a fuga de documentos de caráter privado do Vaticano, mais conhecido como o caso Vatileaks.

“Este evento não fez que o Papa perdesse a bússola, nem lhe fez sentir o cansaço do seu cargo, ‘porque isto sempre pode acontecer’. O importante para ele era que durante o caso no Vaticano, se garantisse a independência do poder judicial, e que o monarca não possa dizer: eu me encarrego disto!’”, escreve Seewald.

“Não me deixo levar por uma espécie de desespero ou de dor universal”, “simplesmente me parece incompreensível. Inclusive tendo em conta a pessoa –Paolo Gabriele, ex-mordomo de Papa–, não entendo o que esperava. Não consigo entender sua psicologia”, disse Bento XVI em referência a seu ex-mordomo processado, condenado e posteriormente perdoado pelo Papa pelo caso Vatileaks.

Ante sobre que se podia esperar de seu pontificado, o Papa respondeu ao Seewald “De mim? Do meu (pontificado) não muito. Sou um homem ancião e as forças estão me abandonando. Acredito que basta o que tenho feito”, em referência a um hipotético retiro, acrescentou “depende do que me imponha minha energia física”.

Pequenos detalhes que comportam uma profunda mensagem

O escritor destaca também que o Papa é um homem de pequenos detalhes que encerram uma profunda mensagem. Como por exemplo que seu primeiro ato fosse uma carta dirigida à comunidade judia; que tirasse a tiara de seu emblema, símbolo do poder terrestre da Igreja; ou que nos sínodos para os bispos pedisse falar também com os hóspedes de outras religiões.

“Pela primeira vez um Papa visitou uma sinagoga alemã, e pela primeira vez um Papa visitou o mosteiro de Martin Lutero, um ato histórico sem igual”, adverte.

Outra mensagem é a supressão de beijar a mão ao Pontífice. Em uma ocasião, “um ex-aluno seu se ajoelhou para beijar-lhe o anel, tirou-o do braço e lhe disse: ‘comportemo-nos normalmente’, escreve assombrado Seewald.

Peter Seewald considera que Bento XVI é um homem de tradição, confia naquilo que está consolidado, mas sabe distinguir entre o que é verdadeiramente eterno e o que é válido só pela época em que saiu à luz.

“E se for necessário, como no Caso da Missa Tridentina, une o antigo ao novo, para que unidos não se reduza o espaço litúrgico, mas na verdade se amplie”, adiciona.

Para Seewald, o Papa foi apresentado pela imprensa internacional como um persecutor quando na verdade foi um perseguido, uma espécie de “bode expiatório ao qual atribuir qualquer injustiça”, assinala.

“Entretanto, ninguém jamais o escutou lamentar-se. Ninguém escutou dizer uma palavra maldosa ou um comentário negativo sobre outras pessoas”.

Bento XVI “se vai, mas seu legado permanece. O sucessor deste muito humilde Papa da era moderna seguirá seus passos. Terá outro carisma, seu próprio estilo, mas uma mesma missão… incentivar aqueles que unem o patrimônio da fé, que permanecem valentes, anunciam uma mensagem, e dão testemunho autêntico”, conclui.

Carlos Alberto de Franco * – O Estado de S.Paulo

Uma megacobertura. Não há outra palavra para definir o volume de informação a respeito da Igreja Católica. A surpreendente renúncia de Bento XVI, os bastidores do conclave, o impacto da eleição do primeiro pontífice da América Latina e a próxima Jornada Mundial da Juventude, encontro do papa Francisco com os jovens, em julho no Rio de Janeiro, puseram a Igreja no foco de todas as pautas.

A cobertura do Vaticano é um case jornalístico que merece uma análise técnica. Algumas patologias, evidentes para quem tem olhos de ver, estiveram presentes em certas matérias da imprensa mundial: engajamento ideológico, escassa especialização e pouco preparo técnico, falta de apuração, reprodução acrítica de declarações não contrastadas com fontes independentes e, sobretudo, a fácil concessão ao jornalismo declaratório.

Poucos, por exemplo, se aprofundaram no verdadeiro sentido da renúncia de Bento XVI e na qualidade de seu legado. O papa emérito, intelectual de grande estatura e homem de uma humildade que desarma, sempre foi julgado com o falso molde de um conservadorismo exacerbado. Mas, de fato, foi o grande promotor da realização do Concílio Vaticano II, o papa que mais avançou no diálogo com o mundo islâmico, o pontífice que empunhou o bisturi e tratou de rasgar o tumor das disputas internas de poder e o câncer dos desvios sexuais.

Sua renúncia, um gesto profético e transgressor, foi um ato moderno e revolucionário. Bento XVI não teve nenhum receio de mostrar ao mundo um papa exausto e sem condições de governar a Igreja num período complicado e difícil. Foi sincero. Até o fim. Ao mesmo tempo, sua renúncia produziu um vendaval na consciência dos cardeais. A decisão, inusual nas plataformas de poder, foi a chave para o início da urgente e necessária reforma da Igreja. O papa emérito, conscientemente afastado das bajulações e vaidades humanas e mergulhado na sua oração, está sendo uma alavanca de renovação da Igreja.

Nada disso, no entanto, apareceu na cobertura da mídia. Faltaram profundidade, análise séria, documentação. Ficamos, todos, focados nos boatos, nas intrigas, na ausência de notícia. Falou-se, diariamente, do relatório dos cardeais ao papa emérito denunciando supostos escândalos no Vaticano. Mas ninguém na mídia, rigorosamente ninguém, teve acesso ao documento. Os jornais, no entanto, entraram de cabeça no mundo conspiratório. Suposições, mesmo prováveis, não podem ganhar o status de certeza informativa.

Escrevia-me, recentemente, um excelente jornalista. “Acordei hoje cedo, li os jornais e me perguntei: sou só eu a me indignar muito com a proliferação de ‘informações’ inverificáveis, oriundas de fontes off the record ou de documentos ‘sigilosos’ sobre os quais não há nenhum outro dado que permita verificar sua realidade e consistência? Ninguém se questiona sobre tantos ‘furos’, ‘obtidos’ por jornalistas que escrevem a distância ‘reportagens’ tão nebulosas, redigidas em uma lógica claramente sensacionalista? Ninguém mais se preocupa com a checagem de informações, com a credibilidade das fontes?” Assino embaixo do seu desabafo.

A enxurrada de matérias sobre abuso sexual na Igreja é outro bom exemplo desses desvios. Setores da mídia definiram os abusos com uma expressão claramente equivocada: “pedofilia epidêmica”. Poucos jornais fizeram o que deveriam ter feito: a análise objetiva dos fatos. O exame sereno, tecnicamente responsável, mostraria, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que o número de delitos ocorridos é muitíssimo menor entre padres católicos do que em qualquer outra comunidade. O conhecido sociólogo italiano Massimo Introvigne mostrou que, num período de várias décadas, apenas cem sacerdotes foram denunciados e condenados na Itália, enquanto 6 mil professores de Educação Física sofriam condenação pelo mesmo delito. Na Alemanha, desde 1995, existiram 210 mil denúncias de abusos. Dessas 210 mil, 300 estavam ligadas ao clero, menos de 0,2%. Por que só nos ocupamos das 300 denúncias contra a Igreja? Mas e as outras 209 mil? Trata-se, como já afirmei, de um escândalo seletivo.

Claro que alguns representantes da Igreja – padres, bispos e cardeais – têm importante parcela de culpa. Na tentativa de evitar escândalos públicos, esconderam um problema que é inaceitável. Acresce a tudo isso o amadorismo, o despreparo e a falta de transparência da comunicação eclesiástica. O novo pontífice precisa enfrentar a batalha da comunicação. E o papa Francisco dá toda a impressão de que está decidido a estabelecer um diálogo direto e produtivo com a imprensa. O desejo de se reunir com os jornalistas na grande sala de audiência Paulo VI foi muito sugestivo.

A Igreja, com sua história bimilenar e precedentes de crises muito piores, é um fenômeno impressionante. E, obviamente, não é um assunto para ser tocado com amadorismo, engajamento ou preconceito. A má qualidade da cobertura da Igreja é, a meu ver, a ponta do iceberg de algo mais grave. Reproduzimos, frequentemente, o politicamente correto. Não apuramos. Não confrontamos informações de impacto com fontes independentes. Ficamos reféns de grupos que pretendem controlar a agenda pública. Mas o jornalismo de qualidade não pode ficar refém de ninguém: nem da Igreja, nem dos políticos, nem do movimento gay, nem dos fundamentalistas, nem dos ambientalistas, nem dos governos. Devemos, sim, ficar reféns da verdade e dos fatos.

Há espaço, e muito, para o bom jornalismo. Basta cuidar do conteúdo e estabelecer metodologias e processos eficientes de controle de qualidade da informação.

* Carlos Alberto de Franco é doutor em Comunicação pela Unversidade de Navarra e diretor do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS). E-mail: difranco@iics.org.br.