Pope Francis meets with Rabbi Edgar Gluck, Chief Rabbi of Galicia, center, during a private audience at the Vatican on May 8, 2017. Photo courtesy of L'Osservatore Romano

O Pontífice teve uma audiência de 45 minutos no Vaticano como o grupo, dirigido pelo rabino Edgar Gluck.

Um vídeo na página web de Yeshiva World News, e também publicado no YouTube, mostra que o Papa se mexe ao som da música, enquanto os membros da delegação dançam com a canção Largos años lhe saciarán.

Yeshiva World News citou o filho de Gluck, Zvi, que fazia parte da delegação, dizendo que o Pontífice se comprometeu em trabalhar para que sejam promulgadas “normas mais rigorosas contra a destruição de cemitérios judeus para construir ruas ou casas”.

Zvi Gluck, fundador e diretor de Amudim, uma organização dedicada a ajudar as vítimas judias do abuso e o vício, também tuitou que o Pontífice prometeu “tolerância zero” ao abuso sexual contra crianças e manifestou: “Temos que manter as crianças seguras”.

Nascido na Alemanha, Edgar Gluck, de 80 anos, divide seu tempo entre o Brooklyn e a Polônia, onde tem o título de rabino-chefe da Galícia. Nos Estados Unidos, onde há muito tempo foi politicamente ativo, foi cofundador de Hatzolah, um dos mais importantes corpos de ambulâncias voluntárias da comunidade judaica e em Israel.

Aurora Israel, 09-05-2017.

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O nome de Janusz Korczak não é bem conhecido fora da Polônia e Europa, mas este homem é um verdadeiro herói! Janusz Korczak era um escritor infantil, pedagogo e pediatra judeu-polonês. Ele escreveu mais de 15 livros, dois deles foram traduzidos para o inglês.

Em 1911, ele se tornou diretor de um orfanato em Varsóvia, Polônia. Esta instituição foi criada como projeto dele mesmo e tinha o intuito de dar amparo a crianças judaicas.

Quando a Segunda Guerra Mundial começou, Korczak queria servir o exército polonês, mas ele era muito velho para tal atividade.

Quando Varsóvia foi tomada pelos nazistas, ele estava na cidade. Em 1940, quando o Gueto de Varsóvia foi criado, seu orfanato se mudou para lá e Korczak não abandonou seu projeto.

Em 5 de agosto de 1942, os soldados nazistas chegaram ao orfanato para levar as crianças para o campo de concentração de Treblinka. A Korczak havia sido oferecida a opção de ficar no “lado ariano” de Varsóvia, mas ele recusou a oferta — ele não podia deixar seus “filhos” — e disse que iria com as crianças.

As crianças estavam vestidas com suas melhores roupas e cada uma levou um brinquedo ou livro favorito. Ele embarcou no trem com seus órfãos e ninguém o tinha visto desde então.

Korczak morreu com seus “filhos” em uma câmara de gás em Treblinka. Ele não traiu seus princípios mesmo diante da morte. Este homem maravilhoso escolheu morrer, mas não abandonar seus órfãos.

Devemos sempre nos lembrar de seu grande coração!

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De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center, nos EUA, os judeus são o grupo religioso mais instruído do mundo, com uma média de mais de 13 anos de escolaridade formal. O estudo revela que os judeus têm, em média, quatro anos a mais de escolaridade do que o grupo mais próximo, os cristãos. Os muçulmanos e os hindus são os grupos religiosos com o menor nível educacional, cada um com cerca de 5 anos e meio de escolaridade formal. Veja no infográfico abaixo:

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Os judeus lideram em várias outras categorias. Homens e mulheres judeus têm em média o mesmo número de anos de escolaridade formal; já as mulheres hindus, no outro extremo, estudam 2,7 anos a menos que os homens. 61% dos judeus têm formação de nível superior; a média global é de 14%. E 99% dos judeus tiveram alguma educação formal. Entre os judeus de 25 a 34 anos, as mulheres possuem mais instrução do que os homens. Nesta faixa etária, elas têm mais de 14 anos de escolaridade formal em média, e quase 70% frequentam ou frequentaram o ensino superior. Já os homens têm uma média de 13,4 anos de escolaridade formal, e 57% têm ensino superior.

Fonte: Alef News.

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Esta entrevista foi concedida com exclusividade para o jornal L’Unità, publicada no dia 28 de janeiro de 2008. À distância de mais de seis anos, muitas das considerações do intelectual e escritor Elie Wiesel, prêmio Nobel da Paz em 1986, que faleceu no último sábado, parecem proféticas e enquadram o presente de modo até mesmo surpreendente.

Ele fala daqueles que querem “classes separadas para crianças imigrantes e barreiras” imigratórias, de sociedades multiétnicas… Com referências a líderes que hoje não estão mais no poder, nós a repropomos na íntegra: ela vale tanto hoje quanto na época.

* * *

“Recordar é um investimento no futuro e não só um tributo à memória das vítimas de um trágico passado. Não podemos, não devemos esquecer o que aconteceu nos campos de concentração nazistas. E que, no fundo do Holocausto, havia o propósito de aniquilar os judeus, culpados de existir: aqueles que continuam a negar isso infligem às vítimas dos campos de extermínio uma segunda morte. Como não ver que, no desejado esquecimento da memória, há quem tente construir uma nova prática de intolerância?”

Quem fala é Elie Wiesel, prêmio Nobel da Paz de 1986, que, nos campos de extermínio de Auschwitz (lá, ele perdeu a mãe, o pai e a irmãzinha) e de Buchenwald, passou 11 meses. Recordar não só é um tributo aos milhões de mulheres e homens aniquilados nos campos de concentração.

“O antissemitismo e o ódio racial – reflete Wiesel – também marcam o início do século. Não posso perdoar os torturadores e aqueles que exaltam os seus gestos.”

“Estamos deixando para as novas gerações um mundo cheio de medo”, acrescenta o grande escritor da memória. “O que faremos? Vamos transformá-lo em uma fortaleza?”

***

Professor Wiesel, em Roma, reapareceram frases contra os judeus, que negam a Shoá. A um jovem de hoje que lhe perguntasse o que foi o Holocausto, que resposta o senhor daria?

Foi o Mal absoluto. Eis o que ele foi. O que caracterizou aquele período foi uma determinação absoluta em planejar e levar a cabo a aniquilação de um povo. Isto foi o Holocausto, nisto consiste a sua novidade em relação ao passado: pela primeira vez na história, se pretendia eliminar um povo completamente da face da Terra. Os judeus não foram perseguidos e exterminados por motivos específicos, porque acreditavam ou não em Deus, porque eram ricos ou pobres, ou porque professavam ideologias inimigas: não, os judeus eram mortos, humilhados, torturados pelo simples fato de serem judeus. Porque eram culpados de existir: esse é o horror indelével da Shoá.

A memória do Holocausto parece se perder: há quem afirme que isso é bom, que recordar só serve para perpetuar antigas divisões.

Não, não, sou absolutamente contrário. Esquecer as vítimas significa nada mais do que lhes infligir uma segunda morte! Uma verdadeira reconciliação, além disso, não pode ocorrer senão a partir da recordação, preservando a memória daquilo que foram aqueles anos. É verdade: hoje, há quem exalte o esquecimento, quem considere que chegou a hora de arquivar o passado. Nessa operação, eu sinto o dever moral de me rebelar, ontem como hoje: porque por nenhuma razão no mundo é possível apagar a distinção entre o carnífice e a sua vítima. E ainda hoje o Holocausto ensina que, quando uma comunidade é perseguida, todo o mundo é atingido.

A desconfiança em relação ao diferente parece hoje se concentrar nos Rom [os chamados “ciganos”]…

Novamente, seria preciso nos agarrarmos à memória: eu lembro que, nos campos de concentração nazistas, morreram milhares e milhares de Rom. Eles morreram junto com milhões de judeus. Não pretendo entrar em polêmicas políticas. O que eu quero dizer é que a Europa tem uma dívida para com a população Rom. Essa consciência deveria orientar a definição de políticas de integração, o que, naturalmente, não significa justificar comportamentos criminosos que dizem respeito à pessoa, ao indivíduo, e não à etnia de pertença.

Deixe-me acrescentar que a multietnicidade própria das sociedades modernas não deve ser vivida como um perigo, mas sim como um valor, uma oportunidade comum de crescimento. Mas, para que essa aspiração se transforme em realidade completa, é necessário dar vida a uma cultura da solidariedade, que é algo mais rico e exigente do que uma cultura da tolerância. Ouço falar de salas separadas para crianças imigrantes, de barreiras… Mas uma sociedade multiétnica plenamente democrática, deve derrubar os guetos e não criar novos. A inclusão não é inimiga de uma compreensível necessidade de segurança.

Para quem viveu a experiência dos campos de concentração nazistas, qual o sentido da palavra “perdão”?

Atenção! a resposta de Elie Wiesel não é cristã, Jesus fala do perdão de forma muito profunda e abrangente. Não o julgamos, ele fala a partir daquilo que viu e viveu. Sendo Judeu, não teve acesso ao conhecimento da graça em Jesus como entendemos nós, cristãos.

É a pergunta que acompanhou a minha existência de sobrevivente. Mas palavras como perdão ou misericórdia não encontram lugar no inferno de Auschwitz, de Buchenwald, de Dachau, de Treblinka… Não, não é possível perdoar os torturadores de antigamente e aqueles que ainda hoje exaltam os seus gestos. Nesses 63 anos, eu rezei muitas vezes a Deus, e a oração é a mesma que eu rezava quando estava preso no campo de concentração: “Deus de misericórdia, não tenha misericórdia pelos assassinos de crianças judias, não tenha misericórdia daqueles que criaram Auschwitz, e Buchenwald, e Dachau, e Treblinka, e Bergen-Belsen… Não perdoa aqueles que assassinaram aqui”. Mas isso não significa condenar para sempre o povo alemão, porque nós, judeus, as vítimas, não acreditamos na culpa coletiva. Só o culpado é culpado. Os nossos algozes queriam apagar a nossa identidade, antes de nos negar a vida, para nos reduzir apenas a números, aqueles marcados a fogo nos nossos braços. Mas não conseguiram: mataram seis milhões de judeus, mas não conseguiram apagar a nossa identidade.

Do passado a um presente inquietante. O senhor usou palavras muito duras contra o presidente iraniano Ahmadinejad. Por quê?

Por que ele, ao ridicularizar as verdades historicamente comprovadas, ao ofender a memória dos sobreviventes do Holocausto ainda vivos, glorifica a arte da mentira. Como número um dos negacionistas do mundo, como antissemita por uma mente perturbada, ele declara que a “solução final” de Hitler nunca existiu. E não para por aí. De acordo com  Ahmadinejad, não houve um Holocausto no passado, mas haverá no futuro. Elucubrações de um fanático? Sim, mas o fanático se dirige a multidões que aplaudem as suas ideias. Palavras vazias? Ele não fala por nada. Parece empenhado em manter as suas “promessas”. Seria um erro duvidar da sua determinação. Uma pessoa não prega o ódio por nada. Eu pertenço a uma geração que aprendeu a levar a sério as palavras do inimigo. Até porque essas palavras são acompanhadas por fatos: quem está por trás da organização terrorista do Hezbollah? O Irã. O Irã lhes fornece todas as armas mais sofisticadas e oficiais que treinam as suas milícias. O Hezbollah não quer o nascimento de um Estado palestino ao lado do Estado de Israel. O seu único objetivo – e do presidente iraniano – é a destruição de Israel. É por isso que eu defendo que Ahmadinejad não pode ter um lugar no panorama dos líderes políticos internacionais. Ele deveria se tornar “persona non grata” pelo que ele está fazendo com o seu país, o seu povo, a toda a humanidade.

Israel. O que ele representa para você?

A aurora dos nossos sonhos. A afirmação do direito do povo judeu a ter um lar nacional próprio. Um direito defendido a um caro preço nesses 60 anos.

Israel, um dia, poderá viver em paz com os palestinos?

É a esperança que eu sei que compartilho com a grandíssima maioria dos israelenses conscientes de que não existe outra solução senão a de dois Estados que vivam lado a lado, optando pela paz. Mas, para que isso possa acontecer, é necessário que os palestinos compreendam que não é com o ódio e a

A reportagem é de Umberto De Giovannangeli, publicada no jornal L’Unità

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O Papa Francisco irá visitar o campo de extermínio nazista de Auschwitz no dia 29 de julho, no terceiro dia de sua visita à Polônia durante a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia.


É quase impossível deixar de ouvir estas palavras ecoarem neste local, onde o Papa Francisco se fará presente no final de julho por ocasião de sua ida à Polônia para a Jornada Mundial da Juventude.No infame campo alemão de concentração e extermínio nazista de Auschwitz, entre outras coisas encontra-se, logo na entrada, uma citação do pensador espanhol George Santayana: “Aqueles que não lembram do passado estão condenados a repeti-lo”.

Ao chegarem em Auschwitz sob o regime nazista, grávidas, crianças, idosos e enfermos eram declarados impróprios para o trabalho e, portanto, incapazes de sobreviver, sentença dada por um médico nazista, o que significava que eram “atirados” para dentro das câmaras de gás. A grande maioria dos demais não sobrevivia mais do que um ano, por consequência de maus-tratos, fome, frio, desolação, doenças não tratadas e trabalho escravo.

Ainda hoje, o sofrimento destas pessoas é palpável nas marcas deixadas em suas mãos, pelo desespero de escapar à morte. Em geral, essa não tardava a chegar.

Duas crianças foram submetidas a experimentos tão inimagináveis que os guias que explicam alguns dos detalhes mais sórdidos da “vida” dos prisioneiros se recusam a dizê-los, inclusive ignorando a pergunta quando ela lhes é feita diretamente.

Mais de 1 milhão de judeus de toda a Europa, 150 mil poloneses, 25 mil ciganos, 15 mil soviéticos e 25 mil prisioneiros de outros grupos étnicos foram deportados para Auschwitz pelos alemães, que mataram 1,1 milhão deles. 90% destes que morreram eram judeus.

O sofrimento foi tal que, quando visitou o local em 2006 o Papa Bento atreveu-se a questionar a Deus em meio ao que ele descreveu como um silêncio estupefato: “Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto?”

“[Tenho] pedido … ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante”, disse ele.

Bento também reconheceu que “como filho daquele povo [alemão]”, ele não “não podia deixar de vir aqui”.

São João Paulo II, polonês, religioso que cresceu na cidade vizinha de Wadowice, proferiu palavras semelhantes quando visitou o local pela primeira vez em 1979, embora já tinha estado em Auschwitz várias vezes antes.

“Não podia deixar de vir aqui como papa”, disse ele.

Francisco vai seguir os passos de seus antecessores neste mês de julho, quando viajará para a cidade de Cracóvia no intuito de se juntar a centenas de milhares de jovens, vindos de mais de 180 países, na Jornada Mundial da Juventude.

De acordo com o Pe. Antonio Spadaro, editor de uma revista jesuíta em Roma e um confidente do Papa Francisco, este, assim como João Paulo II e Bento XVI, “acha que essa escala é algo obrigatório, poder-se-ia dizer fundamental”.

Da mesma forma como aconteceu com Bento, durante a sua visita Francisco compartilhará uma oração inter-religiosa com líderes da comunidade judaica local.

Spadaro acredita que Francisco está inclinado a questionar a humanidade, como fez em 2014, quando visitou o Memorial do Holocausto Yad Vashem, em Israel. “Adão, onde você está?”, perguntou Francisco na ocasião. “Homem, quem é você? Não o reconheço mais. O que você fez? De quais horrores você foi capaz? Por que você caiu tão baixo?”

“Em Auschwitz, ele fará esta pergunta de novo para lembrar os homens e mulheres de que o que se fez aqui é incompreensível”, afirmou Spadaro ao sítio Crux minutos depois de uma visita ao campo de extermínio.

Por outro lado, acrescentou o padre jesuíta, “na relação com Deus, Auschwitz é o ícone de um mundo que não conhece a misericórdia”.

Spadaro, que tem sido um amigo próximo do pontífice argentino desde o começo de seu pontificado, deu dois outros motivos pelos quais a visita de Francisco a Auschwitz é tão importante.

Um é o fato de que fazer esta visita durante a Jornada Mundial da Juventude irá lhe dar a possibilidade de brilhar a luz da misericórdia sobre os jovens de todo o mundo, de forma que eles possam levá-la de volta a seus países.

Isso, por sua vez, tem a ver com a terceira razão citada por Spadaro: mostrar a importância da misericórdia divina e o seu amor a um mundo onde divisões, violência e nacionalismos extremos parecem estar florescendo.

“Ao redor do mundo, figuras políticas estão surgindo por prometerem construir muros”, afirmou o religioso, lembrando as cercas de arame farpado que estão sendo construídas em toda a Europa para manter imigrantes do lado de fora.

Segundo ele, “o Jubileu da Misericórdia representa a resposta a este drama: um mundo sem misericórdia, sem Deus, que é Auschwitz”.

Segundo o Pe. Manfred Deselaers, sacerdote alemão que trabalha no Centro para o Diálogo e a Oração em Oświęcim [nome em polonês para Auschwitz], nos últimos 20 anos “essa máquina da morte” não é somente um lugar em que se pode ficar chocado pela memória do mal, embora isso, disse ele, aconteça definitivamente aqui.

“Ele é também um lugar onde se pode vir em busca de reconciliação. Ele pode ser um lugar positivo, para o diálogo e o encontro”, dois conceitos-chave no pontificado de Francisco.

Na qualidade de padre e alemão, tendo se encontrado com centenas de sobreviventes judeus e poloneses, Deselaers disse ter aprendido que estas pessoas “não querem que usemos esta situação como um motivo para ficarmos deprimidos”.

“Pelo contrário”, falou. “Elas querem que aprendamos com isso, aprendamos a respeitar uns aos outros, a fazer amizades que ajudem a construir um mundo melhor”.

“Isso daqui é uma escola para os jovens. Aqui eles aprendem a valorizar o outro, e isso cria a consciência neles de que nós temos a responsabilidade de aprender a viver uns com os outros”, declarou Deselaers.

Deselaers também acredita que a visita de Francisco a Auschwitz, com a juventude católica a espera de sua mensagem, pode ter um impacto positivo no longo prazo.

“Confiamos que a Palavra de Deus tem a última palavra, também sobre Auschwitz”, acrescentou Deselaers. “E esperamos que a memória desse horror não destrua a confiança em Deus e na humanidade, e que nos convide a amarmos mais, a confiarmos mais e acurar as feridas”.

A esperança que as quase duas milhões de pessoas que visitam o lugar estejam conscientes sobre os perigos de a história se repetir é o que move Agata Andrzejewski, dia após dia, a contar a história, no museu dos visitantes, do que aconteceu.

“Importa conhecer sobre estas pessoas, lembrar as suas histórias, para que isso não ocorra novamente. Espero que nós aprendamos, que lembremos, para que não repitamos a história”, disse.

Fonte: Crux-  tradução de Isaque Gomes Correa.

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“O passado nos deve servir de lição para o presente e para o futuro. A Shoah nos ensina que se necessita sempre a máxima vigilância para poder intervir oportunamente em defesa da dignidade humana e da paz”. Papa Francisco conclui seu discurso na Sinagoga de Roma, com uma memória das vítimas e sobreviventes do extermínio nazista. É o terceiro papa a entrar no Grande Templo da capital italiana, a cidade da qual é bispo.

Bergoglio chegou, no domingo, dez minutos antes, sem comitiva ou acompanhantes, no Ford Focus azul de sempre. Foi recebido pela presidente da Comunidade hebraica romana, Ruth Dureghello, pelo presidente da União das Comunidades hebraicas Italianas (Ucei), Renzo Cattegna, e pelo presidente da Fundação do Museu da Shoah, Mario Venezia. Francisco deixou uma grande cesta com flores brancas sobre a lápide que recorda a deportação dos judeus romanos em 1943. Em seguida, ele andou na Via Catalana e repetiu a homenagem em frente à lápide que recorda a Stefano Gaj Taché, a criança assassinada durante o ataque terrorista de 1982. Ele permaneceu um momento com os familiares do menino assassinado.

Poucos minutos depois, ele abraçou o rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, e entrou na Sinagoga. Por quase meia hora, sem qualquer pressa, Francisco percorreu todo o templo, apertando as mãos e abraçando os presentes, destacando assim o mais característico desta terceira visita: a cordialidade e a amizade.

A presidente da Comunidade hebraica romana Ruth Durighello não escondeu sua emoção: “hoje escrevemos uma vez mais a história”. Ela lembrou das palavras de Francisco contra o antissemitismo e contra os que negam a Israel o direito de existir. Ela advertiu que “a paz não se conquista semeando o terror com facas na mão, não se conquista derramando sangue nas ruas de Jerusalém, de Tel Aviv, de Ytamar, Beth Shemesh e de Sderot… Todos nós devemos dizer ao terrorismo que se detenha. Não só o terrorismo em Madrid, Londres, Bruxelas e em Paris, mas também esse que atinge todos os dias a Israel. O terrorismo nunca pode ser justificado”.

A Presidente também lembrou que o terrorismo islâmico já atacou Roma, pois em 1982 matou o pequeno Stefano Gaj Taché. Disse que não é possível permanecer indiferente ao derramamento de sangue. Ela concluiu, expressando a certeza de que “A fé não gera ódio, a fé não derrama o sangue, a fé pede diálogo” e “esta consciência, que não pertença exclusivamente a nossas religiões, que possa ser encontrada também a colaboração do Islã”.

Em seguida, o Rabino Di Segni explicou que na “tradição jurídica rabínica, um ato repetido três vezes torna-se hábito ‘chazaqà‘, costume fixo. É decididamente sinal concreto de uma nova era”. Um evento “cujo alcance irradia em todo o mundo com uma mensagem benéfica”.

Também lembrou o Jubileu na traição hebraica, indicando que não passou desapercebido o momento inicial em que, ao abrir a Porta Santa, foi recitada a fórmula litúrgica “abram as portas da justiça”: “para o hebreu que escuta, é algo conhecido e familiar, é uma citação dos Salmos” que “citamos na nossa liturgia festiva”. Um sinal de como “os caminhos divididos e tão diferentes dos dois mundos religiosos compartilham como sendo uma parte do patrimônio comum que ambos consideram sagrado”.

Todos nos “esperamos – disse o Rabino – um momento quem sabe o quão longe na história em que as divisões se resolverão”. “Aclamamos ao Papa – concluiu – para insistir em que as diferenças religiosas, que devem ser mantidas e respeitadas, não devem ser justificativa para o ódio e a violência, mas que deve existir, pelo contrário, amizade e cooperação, e que as experiências, os valores, as tradições, as grandes ideias que nos identificam devem estar a serviço da coletividade”.

Ao tomar a palavra, o Papa agradeceu em hebraico, “Todá rabbá“, pela recepção calorosa. Bergoglio lembrou que “já em Buenos Aires costumava ir às sinagogas e encontrar as comunidades ali reunidas, seguir de perto os festivais e comemorações hebraicas”. A “ligação espiritual” que “favoreceu o nascimento de amizades genuínas e também inspirou um diálogo comum”. Bergoglio citou o “vínculo único e distinto” entre judeus e cristãos, que “devem sentir-se irmãos, unidos pelo mesmo Deus e por um rico patrimônio espiritual em comum”.

Francisco retomou a expressão criada por João Paulo II para os judeus: “Irmãos mais velhos”. “De fato – ele disse – vocês são nossos irmãos e irmãs mais velhos na fé. Todos nós pertencemos a uma única família, a família de Deus, que acompanha e protege-nos como seu povo”.

Juntos, como judeus  e como católicos, somos chamados a assumir as nossas responsabilidades para esta cidade, oferecendo nosso apoio, principalmente espiritual, e favorecendo a resolução dos diversos problemas atuais”. Citando o documento conciliar “Nostra aetate”, o Papa insistiu no “não” para “qualquer forma de antissemitismo” e condenou “qualquer injúria, discriminação e perseguição que dela derivam”.

Também recordou a importância do trabalho de aprofundamento teológico: “Os cristãos, para compreenderem a si mesmos, não podem deixar de se referir às raízes hebraicas, e a Igreja, apesar de professar a salvação pela fé em Cristo, reconhece a irrevogabilidade da Antiga Aliança e o amor constante e fiel de Deus por Israel”.

O Papa convidou a não “perder de vista os grandes desafios que o mundo hoje deve enfrentar. É o de uma ecologia integral já é uma prioridade, e como cristãos e judeus podemos e devemos oferecer à humanidade a mensagem da Bíblia sobre o cuidado da criação. Conflitos, guerras, violências e injustiças abrem profundas feridas na humanidade e chamam-nos a fortalecer o compromisso com a paz e a justiça”.

“A violência do homem contra o homem – lembrou Francisco – está em contradição com qualquer religião digna desse nome, e em particular com as três grandes religiões monoteístas. Cada ser humano, como uma criatura de Deus, é nosso irmão, independentemente da sua origem ou religião”. E “ali onde a vida está em perigo, somos chamados para protegê-la ainda mais. Nem a violência nem a morte nunca terão a última palavra diante de Deus, que é o Deus do amor e da vida. Devemos pedir insistentemente a Ele para nos ajudar a praticar na Europa, na Terra Santa, no Oriente Médio, na África e em cada parte do mundo a lógica da paz, da reconciliação, do perdão e da vida”.

Para concluir, Bergoglio recordou o extermínio dos judeus: “Seis milhões de pessoas, só porque eles pertenciam ao povo judeu, foram vítimas da mais desumana barbaridade, cometida em nome de uma ideologia que pretendia substituir o homem no lugar de Deus. Em 16 de outubro de 1943, mais de mil homens, mulheres e crianças da comunidade judia de Roma foram deportados para Auschwitz. Hoje eu quero lembrar deles de modo particular: seus sofrimentos, suas angustias, suas lágrimas que jamais devem ser esquecidas. E o passado deve-nos servir de lição para o presente e para o futuro. O Holocausto ensina-nos que é necessária sempre a máxima vigilância para poder intervir oportunamente em defesa da dignidade humana e da paz. Eu gostaria de expressar minha proximidade a cada testemunha do Shoah ainda vivo, e dirijo a minha saudação especial a todos os (sobreviventes) que estão presentes aqui hoje. Shalom alechem!”.

Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider

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Não é só uma declaração sobre o que é possível realizar juntos pela paz e pela justiça no mundo. Mas sim uma reflexão sobre a atualidade da Nostra aetate e sobre a natureza das relações com os cristãos a partir da tradição judaica. É um salto de qualidade importante que está contido em um novo documento hebraico intitulado “Fazer a vontade do Pai Nosso nos céus: rumo a uma colaboração entre judeus e cristãos”.

O documento traz a assinatura de 25 rabinos de expressão do judaísmo ortodoxo e vem à tona em um momento particularmente significativo: justamente nessa quinta-feira, o Vaticano apresentou o novo documento da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, intitulado Por que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (Rm 11, 29). Reflexões sobre questões teológicas concernentes às relações católico-judaicas por ocasião do 50º aniversário da Nostra aetate (n. 4)”.

O que sugere que a concomitância entre os dois textos é algo mais do que uma simples coincidência é o fato de que um dos signatários do documento judeu – o rabino David Rosen, diretor para as questões inter-religiosas do American Jewish Committee, uma das maiores instituições judaicas mundiais – esteve em Roma nessa quinta-feira ao lado do cardeal Kurt Koch, para a apresentação do documento vaticano.

Para além desse gesto, também é significativa a composição do grupo dos 25 rabinos, todos de expressão do judaísmo ortodoxo: nada menos do que 13 dos signatários, de fato, vivem em Israel, enquanto os outros residem nos EUA ou na Europa (há também o ex-rabino-chefe da França, René Samuel Sirat). Mas, entre os nomes mais conhecidos, está sobretudo o de Benny Lau, rabino muito conhecido em Jerusalém, sobrinho do ex-rabino-chefe de Israel, Yisrael Meir Lau, além de descendente de Samson Raphael Hirsch, um dos gigantes do pensamento judaico do século XIX.

E justamente a referência – tipicamente judaica – aos grandes mestres da própria tradição salta logo aos olhos ao se percorrer o documento. O ponto de partida é a Shoá, a grande tragédia de 70 anos atrás, momento culminante da inimizade entre cristãos e judeus: “Olhando para trás – escrevem os rabinos – aparece claramente que a incapacidade de ir além do desprezo e de se comprometer com um diálogo construtivo pelo bem da humanidade enfraqueceu a resistência às forças malvadas do antissemitismo que arrastaram o mundo ao homicídio e ao genocídio”.

Mas essa não foi a última palavra: “Reconhecemos – continua o texto – que, a partir do Concílio Vaticano II, o ensinamento oficial da Igreja Católica sobre o judaísmo mudou de maneira radical e irrevogável. A promulgação da Nostra aetate há 50 anos deu espaço a um processo de reconciliação entre as nossas duas comunidades. Apreciamos a afirmação da Igreja sobre a unicidade da posição de Israel na história sagrada e em relação à redenção final do mundo. Os judeus de hoje já experimentaram o amor sincero e o respeito por parte de muitos cristãos, através de iniciativas de diálogo, de encontros e de conferências em todo o mundo”.

Segundo os signatários, porém, isso também deve levar os judeus hoje a se interrogar sobre quem são os cristãos no desígnio de Deus sobre o mundo: “Como já fizeram Maimônides e Yehudah Halevi – continua o documento – reconhecemos que o cristianismo não é nem um incidente nem um erro, mas um fruto da vontade divina e um dom para as nações. Separando entre si o judaísmo e o cristianismo, Deus quis criar uma separação entre companheiros com diferenças teológicas significativas, não uma separação entre inimigos”.

Daí o convite a um olhar teologicamente novo sobre a colaboração com os cristãos: “Agora que a Igreja Católica reconheceu a Aliança eterna entre Deus e Israel, nós, judeus, podemos reconhecer o perdurável valor construtivo do cristianismo como nosso parceiro na redenção do mundo, sem nenhum medo de que essa comunhão possa ser explorada para finalidades missionárias. Como afirma a Comissão Bilateral entre o Grão-Rabinato de Israel e a Santa Sé, sob a liderança do rabino Shear Yashuv Cohen, ‘não somos mais inimigos, mas inequivocamente companheiros na articulação dos valores morais essenciais para a sobrevivência e o bem-estar da humanidade’. Nenhum de nós pode desempenhar sozinho a missão que lhe foi confiada por Deus neste mundo”.

O texto dos 25 rabinos também contém outras referências importantes para a tradição judaica: por exemplo, cita uma frase do rabino Naftali Zvi Berliner, outro grande pensador judeu do século XIX, segundo o qual, “quando os filhos de Esaú forem conduzidos por uma alma pura a reconhecer o povo de Israel e as suas virtudes, então nós também seremos conduzidos a reconhecer que Esaú é nosso irmão”. E acrescenta ainda: “A colaboração entre nós não diminui de modo algum as diferenças que permanecem entre as duas comunidades e as duas religiões. Cremos que Deus se serve de muitos mensageiros para revelar a Sua verdade, enquanto afirmamos os imperativos éticos fundamentais que todos os povos têm diante de Deus e que o judaísmo sempre ensinou através da doutrina da aliança universal de Noé”.

“Imitando Deus, judeus e cristãos devem ser modelos de serviço, amor incondicional e santidade”, concluem os 25 rabinos. “Somos todos criados à imagem santa de Deus, e judeus e cristãos permanecerão fiéis à Aliançadesempenhando juntos um papel ativo na redenção do mundo.”

Giorgio Bernardelli, publicada no sítio Vatican Insider

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Os funcionários da alfândega no porto de Haifa, em Israel, encontraram uma carga curiosa esta semana. Cerca de 4 mil bonecos que representam palestinos atiradores de pedras. Eles usam a roupa típica dos terroristas, com o rosto coberto por máscara e um lenço preto e branco.

Possuem mensagem em árabe com os dizeres “Jerusalém é nossa” e “Jerusalém, estamos chegando”. Além de vestirem-se com as cores da bandeira palestina carregam uma pedra em suas mãos.

Essa imagem é comum no Estado judeu, pois jovens palestinos costumeiramente apedrejam alvos israelenses, como carros, ônibus e pessoas. Por vezes são apenas danos materiais, mas ocasionalmente fazem vítimas.

Tzipi Hotovely, vice-ministra das Relações Exteriores de Israel afirmou: “Os palestinos continuam a educar seus filhos sobre ódio e violência por todos os meios possíveis, neste caso usando bonecos”. Segundo ela, o objetivo claro é “envenenar as mentes de crianças inocentes”.

Ela faz questão de dizer que Israel irá apresentar uma queixa sobre a questão ao Comitê da ONU sobre os Direitos da Criança (CRC). Hotovely explica: “O mundo deve perceber que, enquanto não houver uma mudança dramática no sistema de educação palestino e na narrativa da liderança palestina que espalha nada além de medo e ódio, não podemos ter qualquer diálogo com os nossos vizinhos”.

Os bonecos estavam em containers importados dos Emirados Árabes Unidos. Uma triagem de rotina, utilizando raios-X mostrou que o carregamento continha muitos bens não declarados, incluindo ‘os bonecos de incitamento’.

Para quem acredita que esse tipo de ação palestina não tem efeito prático, fica claro que está dentro da campanha desenvolvida nos últimos meses que pede uma nova intifada e envolve diretamente a posse do Monte do Templo.

Os palestinos têm usado redes sociais e vídeo no Youtube para incitar os jovens a matarem judeus. Existe também uma clara campanha de ódio que pode ser vista inclusive nas lojas de roupas localizadas em territórios palestinos.

Para ensinar desde cedo as crianças, até os programas de TV infantis instigam abertamente o ódio aos judeus.

Fonte:  Tazpit e Usa Today

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Segundo uma pesquisa realizada pela Consultoria Smith Co. encomendada pela ONG “Hiddush – Pela Liberdade e Igualdade Religiosa”, o número de judeus progressistas é igual ao número de judeus ultraortodoxos em Israel.

O estudo foi feito com 800 indivíduos adultos, sendo todos eles judeus, que identificaram se fazem parte ou não de denominações religiosas no país.

O resultado mostra que 9% dos judeus israelenses pertencem as correntes progressistas do judaísmo e 8% são judeus ultraortodoxos. Pela primeira vez na história o Judaísmo Progressista é igual em tamanho populacional em relação ao setor ultraortodoxo.

O estudo também mostra que 4% se identificou como judeu conservador, e 5% como judeu reformista. Além disso, 50% da população não pertence oficialmente ou não se considera parte de nenhuma corrente religiosa ou denominação do judaísmo, e que 21% se identificam como Judeus Religiosos Nacionais ou Religiosos Sionistas (Dati Leumi).

“Esta é a primeira vez que nossa pesquisa categorizou os judeus em relação às correntes religiosas”, disse Shahar Ilan, vice-presidente de pesquisa e informação do Hiddush.

“Estes resultados foram uma grande surpresa para nós, pois descobrimos que a população judaica progressista tem tamanho suficiente para ser analisada estatisticamente, e até se iguala à influente população ultraortodoxa”, disse Ilan à Agência Tazpit.

Esta é a primeira vez que uma pesquisa demográfica fala sobre as correntes conservadoras e reformistas em Israel, até então os números desses públicos eram considerados muito pequenos para passar por um estudo adequado.

Mas com a pesquisa divulgada no Ano Novo Judaico é possível afirmar que ao contrário do que se imagina, 8% dos imigrantes da Europa Ocidental e da América do Norte que vão morar em Israel não são da ala progressistas, e sim das correntes reformistas ou conservadoras. Já os imigrantes da Ásia e países árabes são 9% do judaísmo progressistas. Já entre os judeus israelenses nativos, 10% fazem parte do judaísmo progressista.

“Estes números e proporções dos judeus israelenses pertencentes ao Judaísmo Progressista sugerem que talvez agora os políticos precisem levar também este setor da população em consideração”, concluiu Ilan.

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A polícia israelense anunciou nesta quinta-feira a detenção de 16 colonos judeus depois de um incêndio que danificou o santuário de Tabgha, construído no local onde a tradição diz que Jesus realizou o milagre da multiplicação dos pães.

– Na área perto da Igreja foram presos 16 jovens como parte de uma investigação para verificar se eles estão envolvidos no incidente que ocorreu na madrugada – disse o porta-voz da polícia, Luba Samri.

Segundo a polícia, os 16 jovens vivem em assentamentos judaicos na Cisjordania, dez deles em Yitzhar, conhecida como um reduto militante.Foram escritas na Igreja frases contra a “idolatria” e contra os ídolos( veja fotos abaixo)

Fotografias divulgadas pelas autoridades mostram o teto, o chão e portas da igreja atingidos pelo fogo. O santuário de Tabgha já havia sido cenário de um ataque em abril de 2014, pouco antes da visita do papa Francisco à Terra Santa.

O ministro da Segurança Pública, Gilad Erdan, denunciou o ataque como um “ato de covardia” e ordenou que a polícia investigasse o incidente.

– Nós não vamos deixar ninguém perturbar a coexistência entre religiões e etnias em Israel. Atacar o princípio da tolerância entre as religiões é um golpe para os valores mais importantes em Israel, e nós não vamos tolerar ato como estes – disse Erdan.

Nos últimos anos, mesquitas e igrejas foram alvo de ataques semelhantes em Israel e são frequentemente atribuídos a extremistas judeus.

A igreja católica romana, também conhecida como a Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, foi construída sobre as ruínas de uma igreja bizantina do século V. O santuário é marcado pelo tradicional milagre de Jesus e está localizado em Tabgha, na costa do Mar da Galiléia, no Norte de Israel. Seu piso de mosaico bizantino atrai milhares de visitantes de todas as crenças a cada ano.

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Correu o mundo na semana passada a imagem de uma senhora de 81 anos de idade abraçando e beijando um senhor de 93. Tal encontro não teria nada de surpreendente, não fosse ela a judia Eva Kor submetida quando criança a “experimentos científicos” promovidos pelos nazistas. E não fosse o ancião um dos carrascos da SS julgado agora na Alemanha pela cumplicidade na morte de 300 mil judeus, entre eles os pais e irmãs de Eva, assassinados nas câmaras do campo de extermínio de Auschwitz – aliás, ele se tornou conhecido como o “contador de Auschwitz” pelo fato de administrar objetos de valor pilhados das vítimas.

O fato de Eva abraçá-lo não significa que ela o absolva, trata-se tão somente de gesto de generosidade humana de uma senhora após 70 anos do final da guerra. “O perdão é a maior vingança de todas”, escreveu ela em uma crônica no jornal inglês “The Times”. “Mas friso que perdoar não significa deixar de responsabilizá-lo por seus atos”.

Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz

Revista Isto É

Nas areias de Hungtington Beach, na Califórnia (EUA), Joshua Kaufman beijou a mão de Daniel Gillespie, desceu a seus pés e disse: “Eu queria te dizer isso por 70 anos. Eu te amo. Eu te amo tanto…”.

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Gillespie, hoje com 87 anos, serviu como soldado do exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial e participou da operação que resgatou mais de 35 mil prisioneiros do campo de concentração de Dachau, na Alemanha, em 29 de abril de 1945. Entre eles, Kaufman.

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O emocionante encontro foi organizado pelo diretor Emanuel Rotstein e fará parte do documentário “Liberators of Dachau” (Libertadores de Dachau, em português), que será mostrado no canal History Channel em maio deste ano. Kaufman foi detido no campo de concentração como um trabalhador escravo em uma fábrica de munição. Durante o regime nazista, ele perdeu sua mãe e três irmãs no campo de Auschwitz. A ação dos norte-americanos o salvou da tortura e, sobretudo, da morte. “Eu vi a bandeira branca voando na torre de observação e percebi que a tortura tinha chegado ao fim. Quando os norte-americanos escancararam as portas, meu coração pulou. Eu saí do inferno para a luz. Por isso e, por ele, eu sou eternamente grato“, disse o sobrevivente ao History Channel.

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Joshua Kaufman antes de ser prisioneiro e hoje, aos 87 anos

Para Gillespie, libertar os prisioneiros em Dachau foi uma experiência intensa. “Foi o choque mais profundo da minha vida. Essa libertação transformou minha vida para sempre“, disse o ex-soldado. Para um californiano que sempre teve tudo em abundância, entender como os nazistas deixavam seus prisioneiros passando fome e à mercê da morte não foi tarefa fácil. “Uma e outra vez essas questões ficavam na minha cabeça. E, ao mesmo tempo, eu ficava incrivelmente enraivecido“, completou.

Daniel Gillespie quando era soldado e hoje, aos 87 anos

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Passada a guerra, Kaufman foi morar nos Estados Unidos, onde se casou, teve quatro filhas e até hoje trabalha como encanador. Gillespie deixou o exército e se tornou um vendedor de sucesso, casou e teve oito filhos. Embora morem há uma hora de distância um do outro, os dois nunca poderiam imaginar se reencontrar depois de tanto tempo.

(Fotos: © History Channel)
Fonte: Hypeness

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Após a abertura ao diálogo cristão-judeu que se intensificou com o papado de Bento XVI, muito se tem discutido a respeito da canonização de Pio XII. Durante décadas o Papa Pacelli foi criticado massivamente por grupos judeus e pela imprensa mundial, que o acusaram de omissão frente à grande Shoah (holocausto nazista).

Heroicidade do Papa

O velho ditado popular diz: “só o tempo mostrará a verdade”. E é isso que tem ocorrido com o “Caso Pio XII”. O prestigiado historiador judeu David Dalin, numa entrevista a ZENIT em 2011, afirmou: “Durante o século XX o povo judeu não teve um amigo maior do que Pio XII”, e acrescentou: “Durante a Segunda Guerra Mundial, Pio XII salvou mais vidas judias do que qualquer outra pessoa, inclusive mais que Raoul Wallenberg ou Oskar Schindler”.

Dalin afirma estar interessado na verdade histórica dos fatos, embora reconheça que nem todos os jornalistas compartilham da mesma intenção. O historiador hebreu afirma que tais jornalistas “se inspiraram na obra teatral “O Vigário”, de Rolf Hochhuth, que não tem valor histórico, mas que lança polêmicas acusações contra este Papa”. Acredita que deveriam dar valor a obras mais sérias como a de Pinchas Lapide, que foi cônsul geral de Israel em Milão, e documentou “como Pio XII favoreceu o salvamento de pelo menos 700 mil judeus de mãos nazistas”, afirmou David Dalin.

O que Pio XII fez para ajudar o povo hebreu?

Na entrevista à agência de notícia católica, falou David : “Não ficou em silêncio, falou em voz alta contra Hitler e quase todos viram nele um opositor do regime nazista”.

Durante o período em que a Itália foi invadida por tropas nazistas, mais intensamente em Roma, “Pio XII deu secretamente instrução ao clero católico para que salvasse todas as vidas humanas possíveis, com todos os meios. Deste modo, salvou milhares de judeus italianos da deportação”, afirmou Dalin.

Dizem os dados que pelos 3 mil judeus foram abrigados na residência papal de Castel Gandolfo. O impacto desta obra realizada a mando de Pio XII se confirma de maneira estatística: 80% dos judeus europeus morreram naquele período e, graças à ação do Papa Eugenio Pacelli, 80% de judeus italianos foram salvos.

Mesmo nas menores cidades italianas, como foi o caso de Salvaro, cidade norte-italiana, à beira do rio Reno, a ação do Santo Padre teve sua repercussão. O padre Martino Capelli, servo de Deus dos Padres Dehonianos, escondeu da Gestapo muitos judeus; sendo, inclusive, fuzilado pelos nazistas ao lado de algumas pessoas do “Povo Eleito”.

A questão da suposta omissão de Pio XII

O foco das críticas ao Papa Pio XII está no seu “silêncio mortal”. Sobre isso, o renomado historiador judeu afirmou: “seu silêncio foi uma eficaz estratégia orientada para proteger o maior número de judeus possível da deportação. Uma denúncia explícita e dura contra os nazistas por parte do Papa teria sido um convite à represália e teria piorado a situação dos judeus em toda a Europa”. Esta atitude tomada pelo Santo Padre nos remonta à atitude do bispo de Münster que queria se pronunciar, em território alemão, de maneira explícita contra perseguição nazista aos judeus, porém recebeu orientações dos “responsáveis das comunidades judaicas de sua diocese, que lhe suplicaram que não o fizesse, pois provocaria uma repressão mais dura contra eles”, concluiu David Dalin sua entrevista.

Fonte: Reparatoris