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Papa Francisco convocou os bispos da Venezuela para uma reunião urgente no Vaticano. A definição da data deverá acontecer nas próximas horas. Enquanto isso, a crise se aprofunda nas ruas de Caracas e em outras cidades.

Em Roma, ninguém confirmou a data, mas os bispos da Venezuela já estão prontos para o encontro que deverá acontecer com urgência, dado o particular interesse do Papa Francisco na busca de soluções para a grave crise que atravessa este país sul-americano. Enquanto prosseguem as manifestações e aumenta a lista de mortos – em sua grande maioria jovens – em mais de 70 dias de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, a Santa Sé intensifica seu trabalho em todos os flancos.

Os detalhes da data estão sendo analisados, mas a reunião deve acontecer, segundo revelaram ao Vatican Insider fontes do episcopado venezuelano. Ao mesmo tempo, o novo encontro entre uma comissão da conferência episcopal e funcionários do governo de Maduro, após a primeira reunião mantida dias atrás, é mantido em sigilo.

Desde jornadas de oração com exposição do Santíssimo e assembleias extraordinárias no pleno dos bispos, até diligentes e inéditas ações diplomáticas, mantêm a Igreja ocupada em todos os níveis. Somente nos últimos 15 dias foram recebidos no Vaticano – para falar sobre o caso venezuelano – dirigentes políticos da oposição e alguns cardeais, embora alguns mantenham comunicação através de diferentes meios com a Secretaria de Estado.

Sobre essas reuniões, a Santa Sé não informou oficialmente nem divulgou fotografias. Soube-se delas apenas através das pessoas diretamente interessadas. No dia 31 de maio, Julio Borges, presidente da Assembleia Nacional, e Stalin González, chefe da Fração Parlamentar da Unidade Democrática tiveram um encontro com o secretário de Estado vaticano, Pietro Parolin.

Segundo indicou González no seu perfil do Twitter, a Santa Sé “tem conhecimento de que os protestos no país são organizados por um povo que busca respeito à Constituição”. “Nós confiamos e acreditamos que a Santa Sé quer uma imediata solução para a crise e para os sofrimentos vividos pelos venezuelanos”, acrescentou.

No último fim de semana, o núncio apostólico em Caracas, Aldo Giordano, reiterou a preocupação do Papa e garantiu que ele quer ajudar, o que deve ser um motivo de esperança para os venezuelanos. Disse que o serviço diplomático da Santa Sé é integrado por “operadores de paz” e ratificou a especial proximidade de Francisco, que “acredita profundamente nos milagres”.

Algo similar disse, por sua vez, o bispo Mario Moronta no sábado durante um ato eclesial em San Antonio del Táchira, região situada na fronteira com a Colômbia: “Assim como Pietro Parolin é um homem que não põe empecilhos, mas abre portas para construir pontes onde for necessário, assim é também Aldo Giordano na busca da paz para a Venezuela”.

“Converso com frequência com o núncio apostólico. Mantemos correspondência. E ele o faz também com o Papa Francisco, que está bem informado sobre o que estamos fazendo na Venezuela. Também conhece todas as dificuldades e a permanente ação da Igreja”, acrescentou. Ao confirmar que “o Papa convocou a Conferência Episcopal da Venezuela para uma reunião no Vaticano”, o também vice-presidente do episcopado assinalou que “vivemos momentos difíceis; mas queremos paz, convivência e fraternidade”.

Augurou que será uma ocasião “para atrair bênçãos para a Venezuela” e que se falará também sobre a situação da fronteira, onde diariamente atendem dezenas de milhares de pessoas que atravessam a ponte binacional para mitigar a crise.

Recentemente, o plenário dos bispos emitiu uma contundente exortação pastoral. Nela, reiteraram como “ilegal” e “inconveniente” a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

O comunicado ratificou o chamado ao cumprimento da Constituição e aderiu ao pedido de eleições como uma solução para a crise, após reiterar que a população venezuelana espera o cumprimento das condições aceitas, mas descumpridas: abertura de canal humanitário, eleições gerais, libertação de presos políticos e respeito à Assembleia Nacional.

Posteriormente, uma comissão da Conferência Episcopal presidida por seu presidente, Diego Padrón, recebeu uma equipe de alto nível do governo encabeçada pelo ministro e vice-presidente Elías Jaua, que prometeu levar o pedido pessoalmente a Maduro.

Embora se tenha anunciado a possibilidade de uma segunda reunião em circunstâncias diferentes, sem a presença das câmeras e dos “excessos de protocolo”, mantém-se sigilo a este respeito; assim como sobre a abertura ou não do canal humanitário através da Cáritas, ao que o governo ainda reage com resistências.

Neste contexto, as marchas continuam e aumenta a repressão à espera de um desenlace que freie a escalada de mortes nas ruas venezuelanas. Enquanto isso, a procuradora-geral da República, Luisa Ortega Díaz, ratificou sua posição contra a Constituinte, considerada pelos bispos como “desnecessária” e pelo Parlamento como um “golpe de Estado”, uma “evidência da ruptura da ordem constitucional na Venezuela”.

Vatican Insider

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“Cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo”.

Os jesuítas venezuelanos já disseram que basta. Diante da escalada da violência na Venezuela, que na noite passada reivindicou mais seis vítimas, e a situação de fome e necessidade pela qual o país está vivendo, a companhia de Jesus, por meio de seus diversos órgãos, denunciou que “vivemos em um Estado sequestrado e violado por um governo ditatorial”, enquanto fala-se de “repressão indiscriminada e sistemática contra a população civil” por parte do poder Executivo de Maduro.

“Como cristãos, cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo”, denunciam os jesuítas que se somam à “mensagem clara e corajosa” de bispos do país.

O primeiro a reagir foi Luis Ugalde, S.J., Diretor do Centro de Estudos Religiosos da Companhia de Jesus (CERPE), que qualifica a situação na Venezuela de “moralmente inaceitável”.

Para Ugalde, “é evidente que vivemos em um Estado com uma constituição democrática, mas que é sequestrado e violado por um governo ditatorial”, referindo-se à decisão do Tribunal Supremo de Justiça (que posteriormente voltou atrás) de anular os poderes da Assembleia Nacional.

“O país e o mundo estão agora mais esclarecidos: a democracia foi violada com um golpe mortal contra a soberania do povo cujos votos foram queimados na fogueira dos usurpadores”, diz Ugalde, que salienta que “este grave crime tem criminosos que precisam ser punidos”, e que “não puni-los é estar em cumplicidade com o golpe”.

“Nós não estamos diante de uma disputa de poderes e de uma diferença de interpretação entre juristas, mas estamos diante de um golpe que priva o povo de sua soberania”, diz o jesuíta, que se posiciona ao lado dos bispos do país, que consideram que “essa distorção é moralmente inaceitável”. Ugalde vai além e afirma que “é um dever de consciência rejeitar o golpe e a Constituição convoca o povo da Venezuela para ignorar qualquer decisão que a viole”.

Por outro lado, a revista SIC e o Centro Gumilla, órgão da Companhia de Jesus na Venezuela, publicaram um editorial intitulado “É uma ditadura” em que qualificam os últimos movimentos do poder Executivo de Nicolás Maduro como “um claro golpe de Estado e um desmascaramento definitivo do governo como uma ditadura”.

Para a revista, “as situações de fome, de repressão, de falta de cuidado e de suprimentos médicos básicos, que definimos como uma crise humanitária em um país onde tais circunstâncias são inexplicáveis e no fundo podem ser lidas como uma política expressa de submissão da população, cujo objetivo era e é evitar o levante popular frente a um auto-golpe”.

Na mesma linha, “as contínuas prisões de diversos políticos venezuelanos” são denunciadas, assim como “o desprezo em que a comunidade internacional tem tratado esta temática venezuelana”. Para a revista, “enfrentamos uma ditadura como cidadãos e como cristãos. Estamos conscientes das disposições dos artigos 333 e 350 da Constituição que nos exigem a fazer tudo o que dependa de nós para a restituição das liberdades. Trata-se da ação cidadã através de protestos pacíficos, desarmados, sem violência e em resistência ao abuso de poder. Trata-se de usar a palavra e a razão, apesar de que seja difícil encontrar seus caminhos em tempos tão turbulentos. Trata-se de não cair nas chantagens da força, reivindicar nossos direitos e o direito de uma solução democrática e eleitoral”.

“Como cristãos, – acrescenta – cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo. A fome ainda está presente, a falta de medicamentos, as operações violentas da OLP, o mal desempenho dos serviços públicos ou o seu desaparecimento, a insegurança, e fatores que se somam e agravam outros problemas que já vêm de longa data”, enquanto critica o último passo dado pelo Tribunal Superior de Justiça (que provocou os últimos incidentes), que é “uma nova temporada nesta Viacrucis do povo venezuelano, uma desapropriação a mais, um novo espinho, outro golpe neste caminho tortuoso que já leva alguns anos”.

“Queremos caminhar para a verdadeira liberdade que pressupõe reconhecer a todos como membros de uma comunidade política que respeita os direitos do próximo, que permite verdadeiros caminhos de desenvolvimento, que promove uma solidariedade autêntica”, conclui o editorial, pedindo “respeito pelo Estado de Direito, a separação de poderes, a legitimidade do Parlamento como instância de controle e decisão democrática”.

Finalmente, as autoridades da Universidade Católica Andrés Bello ofereceram uma conferência de imprensa para estabelecer uma posição sobre o desempenho dos organismos de segurança do Estado frente aos protestos registrados no país, na semana passada, contra as sentenças do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que desabilitaram a Assembleia Nacional a favor da restituição da ordem constitucional.

A reunião foi presidida pelo reitor, Francisco José Virtuoso, o Cardeal Jorge Urosa Savino – Arcebispo de Caracas e Chanceler da UCAB – e o Padre Rafael Garrido – Provincial da Companhia de Jesus na Venezuela e Vice-Chanceler desta casa de estudos – que leram um comunicado em que denunciaram a implantação de uma “repressão indiscriminada e sistemática contra a população civil” e o “uso irresponsável e ilegal da força” pelo poder Executivo Nacional.

No documento, as autoridades asseguraram que a Universidade Católica “não deve e nem pode permanecer em silêncio frente a violação dos direitos humanos e da impunidade”. Eles qualificaram como “abomináveis” as ações repressivas como o uso de armas de fogo, o disparo de bombas de gás lacrimogêneo em direção a hospitais e centros comerciais e o lançamento deste tipo de projéteis por helicópteros do Estado.

Os representantes da UCAB exigiram que o governo nacional cessasse a criminalização das manifestações pacíficas e as prisões arbitrárias, advertiram que não “se pode sacrificar os direitos humanos sob o pretexto de restaurar a ordem pública” e pediram para investigar “de maneira independente e exaustiva” os excessos cometidos no controle da ordem pública, porque “constituem graves infrações do direito internacional e podem constituir crimes contra a humanidade”.

Eles também lembraram que o protesto é um direito consagrado pela Constituição Nacional e convocaram aqueles que desejam exercê-la “no âmbito do respeito às leis e aos cidadãos, evitando qualquer tipo de violência que deturpe os mais nobres propósitos”.

Segue o texto completo do comunicado, que também está disponível para download aqui.

Religión Digital

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Habitantes de Colonia Tovar, no estado da Aragua, (Venezuela), denunciaram um ataque realizado esta semana contra a igreja São Martinho de Tours, o principal templo da região por membros do grupo Juventude Bicentenária de La Vitória, auspiciado pelo governo de Nicolás Maduro.

Segundo a informação do Jornal El Unviersal, Jesus Rodríguez, habitante do lugar, indicou que por volta das 2:00 p.m. (hora local) membros da Juventude Bicentenária chegaram ao, enquanto, em meio às celebrações do carnaval, os habitantes se reuniam em outros lugares para os bailes típicos.

Por sua parte, o grupo de simpatizantes de Maduro afirma que o ataque à igreja foi perpetrado por foliões da própria localidade.

Através de sua conta na rede social Twitter, o Pe. José Palmar, espancado dias atrás por agentes da Guarda Nacional Bolivariana, qualificou o ataque como um “sacrilégio”.

“É inaceitável a destruição feita na Igreja de Colonia Tovar. Ao massacre se soma o sacrilégio”, escreveu.

Desde ontem à noite, o governo dispôs de 100 policiais e 10 membros da Guarda Nacional na localidade.

Um dia antes, no sábado 1 de março, em Colônia Tovar houve uma manifestação pacífica, criticando a insegurança e desestabilização que vive o país.

Na marcha participaram idosos, crianças e mulheres grávidas.

As autoridades responderam com violenta repressão, disparando bombas lacrimogêneas, sem dar tempo a que os manifestantes colocassem a salvo as mulheres grávidas e os mais vulneráveis.

ACI

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O sacerdote venezuelano José Palmar foi espancado por policiais e agentes da Guarda Nacional, ao tentar impedir que estes ataquem a um grupo de estudantes que ia em direção à Defensoria do Povo da cidade de Maracaibo.

Conforme informa a imprensa local, a agressão aconteceu na Praça da República. Depois de ser espancado, o sacerdote foi ajudado por estudantes e dirigentes da manifestação.

Devido à gravidade das lesões e afetado pelas bombas de gás lacrimogênio, o Pe. Palmar teve que ser levado a uma clínica para ser atendido.

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Uma jornalista e mãe de família venezuelana compartilhou a experiência do profundo drama que a Venezuela atravessa nestes dias, entre os multitudinários protestos pacíficos de estudantes e as violentas repressões do governo.

Em um artigo publicado hoje no jornal El Universal, María Denisse Capriles recordou que em um dos cartazes que os jovens venezuelanos usaram durante as passeatas se lê “nos tiraram tanto, que acabaram tirando-nos o medo”, e assegurou que os jovens que hoje protestam contra o governo perderam o medo à morte.

“Eu nunca pensei viver o que estou vivendo nestes momentos. Quando era estudante de jornalismo queria ser repórter de guerra, e nunca tive medo à morte. Hoje eu gostaria de mudar-me por causa dos meus filhos e não sofrer a angústia que possam matar a algum deles nas ruas. Mas isso não é possível, o que estamos vivendo é quase como o que vemos nos filmes, coisas que ninguém nunca imaginou viver”.

Até a data, a repressão do governo contra os estudantes cobrou cinco vítimas mortais. A mais recente delas é Génesis Carmona, Miss Turismo 2013, de apenas 22 anos, que recebeu um tiro na cabeça durante uma manifestação em 18 de fevereiro, e faleceu ontem ao meio dia.

María Denisse Fanianos de Capriles assegurou que “todas as mães venezuelanas sabem que há anos ficamos com o coração apertado, e começamos a rezar, cada vez que nos despedimos de nossos filhos para que Deus os proteja da delinquência”.

“Passamos noites acordadas esperando vê-los entrar pela porta. E até que não a fecham e passam a chave, não podemos descansar. Quando eram pequenos era muito fácil, os colocávamos no berço ou na cama e santa paz, mas quando passam dos 16 a coisa é muito diferente”.

A violência e os crimes no país não deixaram de crescer. No sábado passado, 15 de fevereiro, dois menores que tinham entre 13 e 15 anos entraram no colégio Dom Bosco de Valência e assassinaram a um sacerdote e a um religioso, ambos salesianos. As autoridades suspeitam que tenha sido um roubo.

A jornalista assinalou que os venezuelanos “fomos acostumando-nos a ter muito trabalho, a sofrer, a chorar de impotência, a ser desprendidos até do indispensável, a ter muita paciência… Isso fez-nos fortes, muito fortes!”.

“E hoje me dou conta que os nossos filhos absorveram tudo isso. Nossos jovens estão demonstrando uma fortaleza tão impressionante que nunca acreditei que fosse ver algo parecido. Mas penso que o que nunca podemos acostumar-nos é que nos matem um filho. A pessoa pode leva-lo com fortaleza, mas que difícil é isso meu Deus!”.

María Denisse assinalou que agora entende que “meus filhos, e muitos filhos da Venezuela, não têm nem medo à morte, porque eles sabem que isto aqui é um passo, e que logo lhes chegará a grande recompensa, porque viveram diante de Deus e deixaram semeadas boas coisas nesta terra”.

“No dia 12 de fevereiro, quando os meus meninos foram sozinhos para a concentração, estavam particularmente emocionados. Com as suas duas garrafinhas de água, um celular para comunicar-nos e tirar fotos, a carteira de identidade no bolso e a graça de Deus. Era tudo o que levavam”, recordou.

“Eu os abracei com força e me despedi deles (novamente) como se fosse a última vez. Mas desta vez foi diferente porque saíam para defender a sua Venezuela”.

Seus filhos, recordou, “como às duas da tarde chegaram direto à cozinha para almoçar porque vinham mortos de fome. Minutos mais tarde, quando estávamos vendo a reportagem do RTN Notícias, ficamos sabendo que um jovem tinha morrido no mesmo lugar onde eles tinham estado minutos antes, isso me deu uma dor de cabeça terrível. Logo o sinal deste canal foi cortado. Fui para a cama cedo porque estava esgotada e comecei a rezar”.

“No dia 13 de madrugada quando me levantei para revisar o Twitter porque é o único que nos resta para informar-nos, o primeiro que vi foi a foto de Roberto Redman que dizia: ‘Amava Ávila e seu país, e morreu por ele’. Comecei a chorar desconsolada porque senti como se ele fosse meu filho, porque agora todos os filhos da Venezuela os sinto como meus. E é que de tanto sofrer o nosso coração se torna gigante. E como me dizia uma amiga a quem lhe contei o que senti nesse momento: ‘Chora amiga, que as lágrimas são a oração dos olhos’”.

A jornalista venezuelana assegurou que “não é nada fácil estar na nossa pele. Estamos sofrendo muito, mas ao mesmo tempo estamos felizes porque sabemos que se não lutarmos pelo nosso país e ‘gritamos que é de todos’ (como dizia minha amiga cubana) o vamos perder definitivamente”.

“O que me impressiona muito é a coragem que os nossos jovens mostraram. Meu marido e eu nos sentamos várias vezes com eles para explicar-lhes que o protesto é bom sempre que for pacífico; e que é necessário ser muito prudentes porque os grupos armados têm armas até nos dentes e disparam a quem seja, como seja e onde seja”.

A jornalista reconheceu que inicialmente, “como mãe que sou, tentei que os meus meninos não saíssem, mas isso é impossível”.

“Uma amiga me contava que seu filho lhe gritava: ‘Eu saio, queira ou não queira, eu tenho que defender o meu país’. Isso acontece porque eles estão cansados, estão fartos de ver tanta mentira, ineficácia, corrupção, injustiça. Estão fartos de sofrer e de nos ver sofrer! Eles também veem em nós tantos cabelos brancos e ‘rugas aceleradas’ (como disse Henrique Capriles), que temos por causa de tanto trabalho, tanta dor e tanta angústia”.

“Aos meus amados jovens venezuelanos digo algo: hoje mais que nunca estou imensamente orgulhosa de sua geração, para mim única no mundo! Vocês serão a nossa salvação, com a ajuda de Deus e da Santíssima Virgem de Coromoto. E nada de medo, meus filhos de minha pátria, porque ‘Se Deus está conosco, a que teremos medo?’”, concluiu.

 Recentemente, o Bispo de Cidade Guayana (Venezuela), Dom Mariano José Parra Sandoval exortou os estudantes venezuelanos a que protestem pacificamente nestes dias no país e a que mantenham o seu protesto no marco da lei, assegurando-lhes que “têm a arma da razão e o poder da sabedoria”.

Fonte: ACI