A palavra “ética” é muito citada nos dias de hoje. Mas, nas discussões modernas, a palavra pode ter diferentes significados em diferentes situações. Se olharmos com cuidado, podemos ver que ela assume diferentes nuances de acordo com o contexto e a perspectiva do falante. Vejamos as diferentes perspectivas da ética, para que possamos ver a utilidade e a necessidade dos princípios éticos em nossa vida pessoal e social.

Ética como instituição

A ética é uma estrutura normativa para as práticas e princípios da sociedade, caracterizada pela sua prescritibilidade (qualidade do que é prescritível). O objetivo da ética como instituição social normativa é conectar os aspectos normativos com os desejos das pessoas, de modo a garantir o grau necessário de cooperação social para a sobrevivência, para o bem-estar e para a autorrealização dos membros da sociedade. Em outras palavras, é um sistema de princípios “institucionalizados” estabelecidos que nos dizem como devemos nos comportar como membros da sociedade a fim de melhor promover o nosso próprio bem e o da sociedade como um todo, procurando evidenciar a relação entre as normas e o resultado desejado do bem-estar.

Ética e direito

O objetivo geral da ética descrito acima está relacionado a outra grande instituição social normativa: o direito. A lei distingue-se da ética (pelo menos) nas seguintes formas: a lei é válida para os cidadãos de um território específico, sem necessariamente pretender ser um princípio universal; prescreve uma punição material para os transgressores, em vez de apenas dizer o que é certo ou errado; nos termos da lei, apenas um juiz está autorizado a aplicar a lei e a proferir uma sentença; e as normas jurídicas são respeitadas pelos cidadãos por medo da punição, não pelo valor intrínseco de fazer o que é certo.

Ética e moral

Embora de uso comum – esses dois termos são mais ou menos considerados sinônimos (as palavras gregas e latinas ethos e mores designam a mesma coisa: hábitos e costumes) – eles têm nuances diferentes. A palavra ética é geralmente usada quando se fala de princípios, enquanto a palavra moralidade se refere mais às convicções pessoais de alguém. Ao lidar com a moralidade, todos – e não apenas especialistas em moral – podem aprovar ou desaprovar, sem se engajar em uma reflexão ética. A ética pode ser descritiva, normativa ou aplicada; isto é, uma reflexão ética pode descrever o comportamento, dar-lhe diretrizes ou concentrar-se, sobretudo, na aplicação específica de teorias éticas.

A universalidade do julgamento moral

A conduta moral deveria ser justificável de um ponto de vista universal. Esta declaração é uma generalização da “regra de ouro” (“faça aos outros o que gostaria que fizessem a você”, ou “ame seu próximo como a si mesmo”), o que nos convida a “nos colocar no lugar do outro”. O princípio ético não pode ser devidamente justificado em termos de interesses especiais, particulares (egoísmo, considerações étnicas ou raciais, sexo, espécie etc.); deve ser igualmente aplicável a todos, em qualquer lugar.

Do ponto de vista moral, é irrelevante se o beneficiário de uma determinada ação sou eu, ou você, ou nossa raça (ou grupo étnico ou espécie); não posso agir de uma maneira que privilegie um grupo em detrimento de outros para vantagem pessoal ou por razões não substancialmente relevantes para o problema em questão. O que importa na moralidade é, propriamente falando, a possibilidade de transcender os interesses egoístas de grupos e facções.

Essas breves reflexões nos lembram que o bem pessoal e o bem comum estão relacionados. Não podemos favorecer um em detrimento do outro. O bem e o desenvolvimento da nossa sociedade serão sustentáveis ​​se o nosso bem pessoal for sustentável e, consequentemente, o bom comportamento de cada ser humano for uma condição necessária para garantir um futuro de progresso para nós e para as gerações futuras.

Autor: Javier Fiz Pérez

exteriorizacao_da_alma

A Igreja urge os seus fiéis a fazerem todo o esforço possível para a construção de uma consciência bem-formada. Seguir a consciência sem essa formação pode ser uma armadilha, em alguns casos, até perigosa.

***

Em Amoris Laetitia (A Alegria do Amor), o Papa Francisco insta os fiéis a consultarem a própria consciência para se orientar na tomada de decisões morais.

Muitos católicos já estão fazendo isso. De acordo com o Centro de Pesquisas Pew (Pew Research Center), 73% dos católicos “baseiam-se ‘em grande parte’ em sua própria consciência para orientarem-se em questões morais difíceis”. Os números mostram que a exortação não é simplesmente uma sugestão para um caminho a ser seguido, mas um ‘reconhecimento’  da realidade atual para muitas pessoas.

A Igreja urge os seus fiéis a fazerem todo o esforço possível para a construção de uma consciência bem-formada, o que muitas vezes é feito com o auxílio do magistério católico e através do diálogo com os outros. O estudo citado, no entanto, descobriu que a maioria dos católicos tem menos experiência com essa abordagem. Apesar da popularidade do Papa Francisco e da ampla cobertura da imprensa, somente 11% dos católicos “baseiam-se ‘em grande parte’ [no papa] para orientarem-se em questões morais difíceis”. Somente 21% disse consultar os ensinamentos da Igreja “em grande parte”, e 15% afirmou voltarem-se para a Bíblia. Muitos católicos também informaram que evitam discussões religiosas com pessoas das quais poderiam discordar (31%, número maior do que qualquer denominação cristã nos EUA).

É claro que os católicos não precisam escolher somente entre estas fontes como uma maneira de formar a própria consciência. No entanto, contar com o magistério da Igreja, com a tradição e conversões de outros fiéis companheiros – inclusive aqueles de quem discordamos – pode desafiar-nos a pensar mais profundamente sobre a nossa fé e as maneiras como ela influi em nossas decisões morais. 

Revista America

5c6da04f-3b35-40d6-b280-771163b75432

A teoria moral vigente hoje no autodenominado “mundo civilizado”, especialmente entre os mais jovens, mas sem
se limitar a eles, pode ser chamada de liberalismo moral.

Essa teoria é composta, basicamente, por dois princípios:

o Princípio da Liberdade Pessoal Absoluta, que considera moralmente permissível toda e qualquer conduta, desde que ela não cause um mal direto a quem não consentiu nessa conduta;

– o Princípio da Tolerância Absoluta, que nos obriga a tolerar toda e qualquer conduta dos outros, desde que essa conduta não cause um mal direto a quem não consentiu nela.

Essa teoria vem sendo praticada ao longo dos últimos cinquenta anos para justificar muitos comportamentos antes considerados imorais: sexo antes do casamento, coabitação entre solteiros, filhos fora do casamento, aborto, práticas homossexuais, casamento entre pessoas do mesmo sexo e suicídio assistido por médicos, entre outros exemplos.

Algumas dessas condutas são condenáveis até mesmo pelos “princípios” do próprio liberalismo moral (que finge que não percebe as próprias contradições). O aborto, por exemplo, provoca um mal direto, nada menos que letal, contra alguém que não consentiu nele: o feto. Mas os campeões de aborto contornam esta “pequena dificuldade” negando que o feto seja um ser humano. Essa negação se baseia, é evidente, em tentativas forçadas, ilógicas e anticientíficas de argumentar que um ser humano vivo não é um ser humano vivo. Ou, pior ainda, em pura e simples desonestidade e manipulação proposital. E tem funcionado: para milhões de liberais morais que aprovam o aborto, essa pseudociência tem sido psicologicamente eficaz.

A adoção generalizada do liberalismo moral no ocidente, ao longo do último meio século, implica a rejeição de uma moralidade tradicional anterior: a moral cristã, que, por exemplo, defende a alegria da entrega mútua e exclusiva entre dois cônjuges, um homem e uma mulher, comprometidos em matrimônio sólido até que a morte os separe, mantendo-se abertos à vida e à sua proteção desde a concepção até o fim natural. É dessa proposta positiva, madura e civilizatória de vida e família que surgem as posturas claras da moral cristã quanto à sexualidade, ao aborto, à eutanásia, ao adultério, etc. Não são meras e aleatórias “proibições antiquadas”. E quando se rejeita a moral cristã, rejeita-se, logicamente, o próprio cristianismo.

Muita gente defende a teoria moral liberalista e ainda assim se considera cristã, tanto entre católicos quanto entre protestantes. É uma forma bastarda de cristianismo. É um pseudocristianismo que deixou de lado muito da bagagem cristã, tanto doutrinal quanto moral. É o tipo de abordagem religiosa que vem sendo chamada de “cristianismo liberal ou progressista”, uma espécie de meio do caminho entre o cristianismo e o ateísmo prático.

Quando se trata de moralidade, este cristianismo bastardo tenta combinar, incoerente e ridiculamente, o liberalismo moral com a ética de Jesus, reduzindo a própria ética de Jesus a um único princípio genérico: o amor ao próximo. Jesus, de fato, defendeu a ética do amor ao próximo, mas não pretendeu anular a moralidade tradicional, relacionada, por exemplo, com a sexualidade centrada no acolhimento da vida. Os “cristãos progressistas”, no entanto, argumentam que Jesus, a quem consideram um “gênio religioso e da ética”, não detalhou as implicações práticas do amor ao próximo.

E assim, nós, cristãos contemporâneos, graças a muitos séculos de “experiência” e à “inteligência” que adquirimos como homens e mulheres, agora achamos que amar o próximo significa tolerar, ou mesmo apoiar, práticas como a fornicação generalizada, a coabitação entre solteiros sem nenhum comprometimento, o aborto, o casamento homossexual equiparado ao casamento natural aberto à vida e até o suicídio assistido (e induzido, em muitos casos) para doentes terminais.

Eu temo que o liberalismo moral, que já destruiu o cristianismo em grande parte do autodenominado “mundo civilizado” (embora ainda perseverem redutos encorajadores de protestantes e católicos tradicionais), acabe mais cedo ou mais tarde destruindo a própria civilização.

Pense em certos tipos de conduta que passam a ser moralmente permissíveis quando se aceitam os “princípios” do liberalismo moral:

– Relações poligâmicas: basta que sejam consensuais e entre adultos.

– Adultério: basta que o cônjuge “inocente” consinta, expressa ou implicitamente, ou, se o cônjuge não deu o seu consentimento, que o adultério permaneça bem escondido, de maneira a não ferir os seus sentimentos.

– Incesto: basta que os parceiros sejam adultos, consintam ​​e tomem as precauções para evitar a gravidez.

– Pedofilia: basta que o menor de idade passe a ser considerado mais maduro psicologicamente do que a média, ou seja, maduro o suficiente para dar o seu consentimento.

– Sexo com animais: basta que o animal não sofra nenhuma dor.

– Suicídio: basta que a pessoa que o comete esteja consciente da decisão.

– Sacrifícios religiosos de seres humanos: basta que a vítima sacrificial seja adulta e consinta.

Eu não quero dizer que o liberalismo moral nos levará necessariamente a todas essas formas de conduta. Duvido, por exemplo, que o sexo com animais se generalize. Mas imagino que as próximas décadas sofrerão um aumento considerável dos casos de adultério. Assim como os jovens de hoje já pressupõem que o cônjuge teve um número considerável de parceiros sexuais prévios (já que quase ninguém mais leva a sério a virgindade antes do casamento), os casados do futuro tenderão a achar normal que os seus cônjuges tenham relações adúlteras ocasionais. Imagino que haverá um aumento notável nas relações poligâmicas e até no incesto. E não ficaria surpreso se os duelos até a morte voltassem a ser um esporte relativamente popular, como já foram no paganismo romano.

Mas não pretendo prever o futuro. Meu objetivo, com esse texto, é apenas propor três pontos de reflexão:

– Esses desenvolvimentos podem acontecer e, por lógica, devem acontecer numa sociedade que abraça o liberalismo moral;

– O liberalismo não pode ser aplicado à moral, já que essas consequências são a própria negação do conceito de “moral”, que envolve regras de comprometimento com o genuíno bem, próprio e do próximo;

– Uma sociedade que abraça uma pseudo teoria moral que nega a própria moral destruirá a si mesma.

Autor: David Carlin

fecundacao

Dependendo de sua finalidade o exame de espermograma pode ser moral ou imoral. Quando ele é solicitado para preparar uma fertilização in vitro é imoral, pois sua finalidade também o é. Para que haja um espermograma moralmente aceitável é preciso que a finalidade seja moralmente aceitável. Este exame, quando solicitado para detectar doenças ou resolver problemas de infertilidade pode ser aceitável.

Porém, é preciso analisar também o método pelo qual o espermograma pode ser realizado. Existem métodos lícitos e ilícitos para a colheita do material e estes devem ser levados em conta também. No dia 02 de agosto de 1929, o Santo Ofício publicou o seguinte decreto que diz respeito a utilização da masturbação direta como método para a colheita do esperma. Eis:

“Pergunta: É lícita a masturbação diretamente procurada para obter esperma com que se pode descobrir e logo curar, na medida do possível, a doença contagiosa da ‘blenorragia’?”

Resposta: (confirmada pelo Sumo Pontífice em 26 de jun.): Não.” (DH 2684)

Assim, está descartada a masturbação como método para obter o esperma a ser examinado. Esse posicionamento não é novo, pelo contrário, é a posição constante da tradição da Igreja. O próprio Catecismo da Igreja Católica, no número 2352 diz que:

“Por masturbação se deve entender a excitação voluntária dos órgãos genitais, a fim de conseguir um prazer venéreo. Na linha da tradição constante, tanto o magistério da Igreja como o senso moral dos fiéis afirmaram sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado. Qualquer que seja o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das relações conjugais normais contradiz sua finalidade. (…)” (CIC 2352)

Assim, se o ato por si mesmo é desordenado, as circunstâncias não mudam a sua imoralidade e, portanto, a masturbação para obter esperma não é aceitável pela Igreja. A solução é buscar método alternativos para a colheita do material.

O primeiro método lícito é a punção, ou seja, uma pequena intervenção cirúrgica por meio da qual se colhe o esperma. O segundo é por meio da relação sexual matrimonial, no qual o esperma retido ou no fundo da vagina da esposa ou no canal da uretra do esposo é colhido. O terceiro – e controverso – método é o do ato sexual matrimonial realizado com um preservativo perfurado, no qual parte do esperma ejaculado fica retido na camisinha. Sobre este método paira dúvida sobre sua moralidade.

A conclusão, portanto, é que a colheita do material a ser examinado deve ser feita por meio de técnicas vinculadas à intervenção cirúrgica ou pelo ato sexual matrimonial. A masturbação, em qualquer circunstância, é ilícita e imoral, e, deste modo, descartada.

Padre Paulo Ricardo

maxresdefault

Embora o homem moderno negue a autoridade da consciência moral, ele não pode escapar dela. Ele é criado à imagem e semelhança de Deus, e no fundo da lei natural de seu ser a verdade continua a dialogar com ele, mesmo que ele veementemente negue a existência de Deus (no caso dos ateus) ou minimize a autoridade divina (no caso das pessoas religiosas só “de nome”, ou seja, os ateus práticos). A fim de conviver com a fragmentação interna, a qual é efeito inevitável de uma consciência violada, ele é levado a amenizar sua dor através de três maneiras distintas:

a) Ele trava uma guerra aberta contra a consciência e todas as suas restrições morais, e persegue uma agressiva quantidade de recompensas sensuais com radical obstinação – geralmente um mergulho em vários tipos de vícios e uma vida de promiscuidade sexual;

b) De modo mais passivo, ele simplesmente ignora a voz interior da consciência e se distrai dela através de prazeres sensuais e emocionais – geralmente a busca por amor sem responsabilidade e uma busca incessante por sucesso mundano (profissional, financeiro, fama etc.)

c) Ele tenta racionalizar uma forma de consciência auto-gerada, feita por ele mesmo, baseada em valores como “tolerância”, e “não-dogmatismo”. Geralmente isso produz um novo tipo perverso de moralismo, uma “presunção de estar certo”, uma “auto-verdade”, que é, paradoxalmente, bastante intolerante à verdade genuína. O seu anti-dogmatismo torna-se seu novo dogma. Aqui não há rejeição absoluta da moralidade, mas apenas uma reinvenção dela de acordo com sentimentos subjetivos.

Nenhum dos mecanismos de defesa (ou mecanismos de fuga) precisa ser consciente. De fato, eles tendem a ser, na sua maioria, processos subconscientes através dos quais uma pessoa pensa estar encontrando sua identidade pessoal, pensa estar vivendo a liberdade como princípio, descobrindo seu caminho na vida, e conseguindo daí um quinhão de felicidade. Embora a pessoa seja afligida de tempos em tempos por um sentimento de vazio interior, ela presume que o remédio para esses momentos difíceis será encontrado aumentando a dose da mesma droga que a está matando.

____________________________

Por Michael D. O’Brien

Traduzido e adaptado de:
http://www.studiobrien.com/writings_on_fantasy/twilight.html

https://www.youtube.com/watch?v=CG2yLlbocTM

104303156

Um homem precisa ter caráter se quiser ser homem realmente. E caráter é ter personalidade, é lutar pelo que acredita – por Deus, Autor da vida; pela sua vida própria, pela mulher que ama, e por uma infinidade de coisas que cada um conhece.

Caráter envolve firmeza, é ser viril em suas decisões, é dominar-se a si mesmo – pois este é o domínio mais difícil de se conseguir, e portanto o mais honrado.
Só assim se pode ser homem realmente. Homem que é Homem precisa ser Homem de caráter. Senão não é Homem. Simples assim!
 
O caráter deveria ser o sobrenome do Homem: um sinal constante de que ele é o que é, de que cumpre com a vocação à qual Deus lhe chamou no instante da concepção – a vocação de ser do sexo masculino. Ele não só aparenta ser: ele é!
 
A doença da falta de caráter nos dias atuais é degradante. Uma vergonha para os homens de nossa geração. Dá-se desculpas para tudo: para não trabalhar, para não ter um compromisso sério, para sair com mil mulheres e não amar nenhuma delas, para não ir à Igreja – nunca! -, para tratar os outros com vileza e desonestidade. Todas desculpas de homens que não são homens realmente – porque não têm caráter.
 
Por causa destas desculpas que desviam do caminho São Josemaría Escrivá ensinava:
“Pretextos. – Nunca te faltarão para deixares de cumprir os teus deveres. que fartura de razões… sem razão! Não pares a considerá-las. – Repele-as e cumpre a tua obrigação” (Caminho, n.21)
 
“Desculpa própria do homem frívolo e egoísta: ‘Não gosto de comprometer-me com nada'” 
A frivolidade é uma enfermidade entre os homens modernos. Este não querer assumir compromissos, este desrespeitar os que já foram assumidos, este ser mudano, sem domínio sobre si mesmo… tudo isto é frivolidade. E não há coisa que torne os homens menos homens e mais bestas do que ela.
 
São Josemaría advertia contra essa “doença do caráter”:
“Não caias nessa doença do caráter que tem por sintomas a falta de firmeza para tudo, a leviandade no agir e no dizer, o estouvamento…, a frivolidade, numa palavra. Essa frivolidade, que – não o esqueças – torna os teus planos de cada dia tão vazios (‘tão cheios de vazio’), se não reages a tempo – não amanhã; agora! -, fará da tua vida um boneco de trapos morto e inútil” (Caminho, n.18).
 
“Assim, bobeando, com essa frivolidade interior e exterior, com essas vacilações em face da tentação, com esse querer sem querer, é impossível que avances na vida interior” (Sulco, n.154).
Um Homem não pode permanecer a “bobear”. A frivolidade não merece cultivo. O Homem, se quiser vencer esta enfermidade do caráter, precisa assumir-se como Homem, e em conseqüência assumir os compromissos para os quais é chamado: com Deus, com a Igreja, consigo mesmo, com sua santificação pessoal, com sua família, com seu trabalho e profissão, com seus estudos, etc.
 
Somente a vitória da frivolidade poderá abrir caminho à verdadeira virilidade.
“Enquanto não lutares contra a frivolidade, a tua cabeça será semelhante a uma loja de bricabraque: não conterá senão utopias, sonhos e… trastes velhos” (Sulco, n.535).
E nada de pretextos! Nada de justificar os defeitos dizendo: “Eu sou assim mesmo…”, para não lutar contra a frivolidade própria.
“Não digas: ‘Eu sou assim…, são coisas do meu caráter”. São coisas da tua falta de caráter. Sê homem – esto vir” (Caminho, n.4)
 
“Obstinas-te em ser mundano, frívolo e estouvado porque és covarde. Que é, senão covardia, esse não quereres enfrentar-te a ti próprio?” (Caminho, n.18).Fonte: En Garde

etica-na-radiologia-2

A teologia moral torna-se acessível a todos através das potencialidades da internet. Esse é o ambicioso projeto da Associação Teológica Italiana para o Estudo da Moral (Atism), que iniciou o projeto “Moralia”, uma seção de discussão pública hospedada no site da revista italiana Il Regno. 

Entrevista com teólogo Simone Morandini, um dos iniciadores do projeto.

Em que consiste e como se estrutura o projeto Moralia?

Moralia nasceu do convite dirigido há alguns meses pelo diretor da revista Il Regno, Gianfranco Brunelli, à Atism. Na passagem online de uma significativa parte das informações da Il Regno, ele via a oportunidade de construir um espaço para os temas éticos, muitas vezes presentes na web, mas frequentemente de modo improvisado, com pouca refletividade. Daí a ideia de envolver a Atism, para valorizar a ampla rede de competências presente nela, em vista de uma apresentação o mais possível consistente e, ao mesmo tempo, atraente.

Para colaborar com a iniciativa, a presidência da Atism delegava o vice-presidente, Pierdavide Guenzi, e eu, delegado para a área norte, apoiados por Paolo Benanti e Gaia De Vecchi, para constituir um pequeno grupo de redação. A escolha foi a de ativar logo duas dimensões: a seção “Blog”, com três a quatro textos curtos por semana, muitas vezes (mas nem sempre) ligados à atualidade, que oferecessem um olhar moral sobre alguns temas do tempo; a seção“Diálogos”, que, algumas vezes por ano, disponibilizasse uma reflexão temática a mais vozes com contribuições de maior fôlego. Uma terceira seção, de fôlego ainda maior, por enquanto, permanece apenas em estado de projeto.

Foi excelente a resposta dos sócios da Atism (e também de diversos amigos não ligados à associação, mas que se disponibilizaram), que compreenderam a importância desse instrumento de comunicação e exploraram eficazmente a possibilidade de produzir posts de caráter ético, sobre uma grande variedade de assuntos. A própria redação ficou surpresa com a criatividade dos autores, que tematizaram uma ampla gama de questões que vão das novas tecnologias aos nós da bioética e da ética ambiental, mas também à acolhida aos migrantes e a relação religiões-violência. Uma atenção importante também foi dada às dinâmicas eclesiais, assim como para algumas grandes palavras da reflexão ética (conversão, discernimento, seguimento, carisma..).

Que efeitos positivos do Moralia pode ter na comunidade eclesial?

O propósito do Moralia é oferecer uma reflexão ética (e particularmente ético-teológica) em um estilo comunicativo acessível e fácil de usar. Isto é, em primeiro lugar, trata-se de disponibilizar aos membros da comunidade eclesial – mas não só – um conjunto de recursos, para apoiar e suscitar um diálogo e um debate. Também se trata de superar imagem disseminada que vê a moral como uma “triste ciência”, feita de proibições eternamente repetidas, para buscar, ao contrário, uma figura da ética como companheira na busca de sentido que atravessa a família humana.

Um objetivo, é claro, de longo prazo; a partir de agora, para ir nessa direção, foi fundamental a disponibilidade dos autores, já mais de 30, para uma produção de cerca de 70 posts entre Blog e Diálogos. Buscou-se entrelaçar, dentre outras coisas, a presença de algumas figuras históricas da ética e da teologia italiana com a valorização de alguns autores emergentes, capazes de se mover com eficácia e contundência no espaço da rede.

O Moralia representa uma oportunidade propícia para tornar acessíveis a todos as reflexões teológicas, explorando as potencialidades da web.

A ativação do Moralia foi um desafio para a própria redação: compreender qual pode ser a linguagem apropriada para a web nunca é algo banal. Como falar de questões de grande densidade moral em 3.000 caracteres? Como ser acessível a leitores acostumados à hipertextualidade (que muitas vezes também é fragmentariedade) da rede? E, por outro lado, como tornar adequadamente visíveis os conteúdos propostos? Sobre a eficácia das respostas às primeiras perguntas, seria preciso dar a palavra aos nossos leitores (mas os comentários geralmente são positivos).

Na tentativa de responder à última, por outro lado, também se tentou tornar acessível o Moralia – além do site da Il Regno – através de uma página específica no Facebook (Moralia Regno”), constantemente atualizada com os posts conforme são publicados. Ainda falta uma análise estatística adequada dos acessos aos vários postos, mas os dados parciais atualmente disponíveis certamente são satisfatórios.

O Moralia também é uma seção hospedado no site da Il Regno, histórica e importante revista que vai parar a sua publicação no fim de 2015, como comunicado pelo Centro Editorial Dehoniano. Qual será o futuro dessa seção?

Sobre o futuro do Moralia, falaremos novamente depois da pausa de verão, já que o comunicado da redação deixava em aberto margens de esperança para a revista. Certamente, esses meses de presença na web mostraram à Atism uma série de potencialidades para a comunicação moral, que não podem ser desperdiçadas.

Além do Moralia, que novos desafios esperam a Atism?

A Atism, depois do excelente seminário sobre a relação entre teologia moral e teologia pastoral, realizado em Catanzaro, no início de julho, chega, em 2016, aos 50 anos de atividade. Mas não gostaríamos tanto de realizar um evento meramente celebrativo, mas sim um momento de reflexão importante sobre a missão da associação e sobre o sentido mesmo da reflexão ética em uma sociedade cada vez mais global e marcada por uma mudança veloz. No âmbito eclesial, por outro lado, é preciso compreender bem como estar em sintonia com a dinâmica de renovação promovida pelo Papa Francisco e apoiá-la ativamente de acordo com a competência própria da associação. Os desafios para a reflexão moral realmente não faltam… Serão meses intensos e interessantes.

Mariano Luigi Guzzo, Vatican Insider

efeito-domino

É agravante a decadência moral da sociedade pela falta de consciência de muitos cidadãos, governantes e governados. Está tudo sendo reduzido a nada, o homem está deixando de ser aquilo que é pra ser coisa; é um verdadeiro dominó desmoralizante. A sociedade está perdendo a capacidade de distinguir o bem e o mal, ou não quer nem distinguir para satisfazer seus próprios instintos.

Estamos no estágio de desumanização, um mundo que pisoteia a sua própria consciência negando a sua própria humanidade. “Será inócuo encher as páginas de leis e as prateleiras de códigos, como também será inócuo encher as ruas de policiais,

enquanto a humanidade na for chamada a respeitar a própria consciência.” [1]. É isso que acontece, quando o homem exclui a própria lei da consciência. Ele fica cego, desorientado, causando uma desordem moral.

É o que vemos na sociedade e no mundo, governos querendo legalizar o assassinato de seres humanos inocentes, abrindo portas para o casamento de pessoas do mesmo sexo, a destruição do conceito de homem e mulher com a Ideologia de Gênero; a venda de fetos assassinados cruelmente. É o homem destruindo a sua própria humanidade, levando a sociedade a perder aos poucos sua alma e esperança.

“A maior crise da sociedade é a da consciência. Rouba-se, mata-se, corrompe-se, tapeia-se, prostitui-se, engana-se… como se as consciências estivessem mortas, e como se Deus não existisse.” [2] Precisamos da um salto moral, começando pelas famíliashoje tão atacadas por tantas ideologias que tentam desmontar a célula motriz da sociedade. Os pais precisam se conscientizar e fazer alguma coisa para que a educação dos seus filhos, não seja regida primeiramente pelo Estado; são os pais os primeiros educadores de seus filhos.

A escola hoje está se tornando, ou melhor, já é um lugar que invés de educar os nossos filhos para o bom caráter, está destruindo a moral dos futuros cidadãos. Os nossos filhos estão sujeitos às más influências do Estado. O silêncio aqui não adianta, ou tomamos uma posição frente ao que está acontecendo ou seremos engolidos e esfacelados por esta decadência moral. Somos homens e mulheres com consciência esabemos o que é errado e o que é certo, porém se não lutamos pelo bem moral o mal aos poucos vai escurecendo o que é bom.

Dizia um filósofo existencialista cristão, chamado Gabriel Marcel: “Quem não vive como pensa, acaba pensando como vive.”. É isso que está acontecendo na sociedade em que vivemos, acabamos pensando que o que estamos vivendo é normal; acabamos achando normal abortar bebês, homossexuais se casarem, a venda de fetos abortados etc., e sufocamos a nossa consciência às vezes reta e bem formada, na qual sabemos que tudo isso, não é normal.

Tenhamos uma tomada de consciência à frente da sociedade, e lutemos por uma sociedade consciente, justa e bem formada; que segue a razão, “de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador.”. [3]

1. Aquino, Felipe. A moral católica e os dez mandamentos.

3. Catecismo da Igreja Católica, n. § 1783.

Autor: Francisco Iury Nascimento Lopes

OPI-3001.eps

Os estudiosos sérios não costumam negar, independente de suas crenças ou convicções, os benefícios que a Igreja trouxe, enquanto guardiã da Lei Natural e da Revelação Divina, à humanidade, a partir da pregação apostólica e da formação das primeiras comunidades espalhadas pelo mundo conhecido nos primeiros séculos da nossa era.

Os valores do Evangelho foram penetrando no coração das pessoas que aderiam à fé católica e delas transbordava para a vida social mais próxima (família, amigos, vizinhos etc.) ou mais remota (as instituições sociais e políticas) como o fermento na massa, de que fala o Senhor Jesus (cf. Mt 13,33).

Certo é que se a graça de Deus acompanhava (e acompanha) a Igreja, não é menos certo que o mundo de então – assim como o de hoje – fazia grande afronta aos valores cristãos. Registra, por exemplo, Dom Estêvão Bettencourt, OSB, teólogo de renome e monge beneditino do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro (RJ), que “os destinatários greco-romanos aos quais se dirigia a pregação cristã, achavam-se em nível moral extremamente baixo: os vícios eram não somente praticados, mas até venerados nas figuras das divindades do paganismo. A sodomia, o adultério, o lenocínio, o infanticídio, a crueldade constituíam, por vezes, o espetáculo público tanto dos nobres como das massas” (Problemas de fé e moral. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2007, p. 87).

Nesse ambiente, as coisas mais absurdas ou condenáveis eram consideradas por alguns filósofos como racionais. Daí, o famoso filósofo Sêneca († 65) ter escrito com certa ênfase: “Quando matamos os cães furiosos… e submergimos as crianças fracas ou monstruosas, não o fazemos movidos pela cólera, mas pela razão”. (Sobre a ira, I, 1.5)

Os cristãos se opuseram a isso. Essa oposição entre o mundo pagão e o mundo cristão aí estão de modo muito nítido e, por isso, os estudiosos não podem, sem cometer injustiças, negar o papel da Igreja na agregação de valores à humanidade errante. O tempo, porém, passou e estamos em uma sociedade que, sem medo, podemos chamar de pós-cristã ou neopagã, dado os costumes ou leis aprovadas em mais de um país, especialmente no que ofende a vida, a família.

Nessa cultura neopagã ou “pós-cristã”, não basta apenas tornar legal pelas leis humanas – já que a lei divina natural ou positiva é intocável – o assassinato de inocentes e indefesos no ventre materno, retirar os símbolos religiosos de locais públicos, desfigurar o conceito de família como sendo o núcleo formado pelo pai, a mãe e os filhos por meio de redefinições ardilosas, a laicização do país assumindo uma postura arreligiosa e, portanto, confessional, a ideologia de gênero (não se nasce mais homem e mulher, mas apenas um ser neutro que escolhe ser homem, mulher ou nem um nem outro), a intolerância religiosa, étnica, cultural, ideológica e social, e tantas outras questões.

Não! Só isso – quanta coisa! – não basta. É necessário também forçar todos os homens ou mulheres de nossos dias a adotarem, na prática, esse novo modo de ser e de agir, ainda que para isso se desrespeite o que eles têm de mais íntimo e indevassável: a sua consciência.

Como se faz isso? – respondem porta-vozes de grupos defensores do aborto com duas constatações muito interessantes, que vale a pena ser observadas. O primeiro ponto é atacar a Igreja, a começar pelos Bispos. “O argumento dos Bispos afirma que o aborto é um assassinato, que abortar é matar; e que a vida começa na concepção. Mas esta perspectiva católica é o lugar adequado para se começar o trabalho [abortista], porque a posição católica é a mais desenvolvida. Assim, caso se consiga refutar a posição católica, ter-se-á refutado todas as demais. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente tem declarações tão bem definidas sobre a personalidade, sobre quando tem início, sobre fetos etc. Assim, caso se derrube a posição católica, se ganha”. (Pe. David Francisquini. Catecismo contra o aborto. São Paulo: Artpress, 2009, p. 61)

O segundo ponto, de acordo com uma das grandes propugnadoras do grupo pró-aborto, é o seguinte: enquanto os movimentos se limitarem a legalizar o aborto nenhuma conquista será definitiva. A vitória só será total e irreversível quando, além de se mudar a legislação, forem derrubadas as objeções de consciência de fundo moral.

O Estado do Rio de Janeiro transformou-se no primeiro no Brasil a aprovar uma lei, derrubando um veto governamental, a instituir esse grande passo, esclarecendo assim a liberdade da pessoa, não a constrangendo a praticar atos contra sua consciência. E isso também profissionalmente. Os deputados deram um passo muito importante.

“Entende-se por objeção de consciência qualquer tipo de resistência à autoridade pública por motivos íntimos, ou seja, quando o cidadão julga, de modo bem fundamentado, que as determinações da autoridade são injustas e, por isso, não merecem a obediência, mas, sim, oposição”. (Vanderlei de Lima. Obedecer antes a Deus que aos homens. Amparo: Ed. do Autor, 2013, p. 7). Com esse direito humano básico, o católico enfrenta as adversidades; sem ele (e os opositores da Igreja querem derrubá-lo), é obrigado a praticar tudo o que contraria a sua consciência – em uma das maiores ditaduras da história – ou a fugir do emprego, colocando em risco o seu futuro e o de sua família.

Daí, a importância de que a objeção de consciência seja mais bem conhecida, recomendada no cotidiano de cada um nos diversos momentos em que a voz interior lhe falar: Isso não lhe é lícito! É contrário à lei de Deus!

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

(Do site da CNBB, 10/07/15).

Via Refletindo

xtraicao-300x200.jpg.pagespeed.ic.kTSt1kVQ0V

Na mesma semana em que a Suprema Corte dos EUA oficializou a união homossexual em todo o país, uma pesquisa de opinião do Instituto Gallup mostra que a sociedade americana hoje considera “aceitáveis” comportamentos que antes rejeitava.

Antes considerados como “tabu” e moralmente inaceitáveis, vários tipos de comportamento foram, de certa forma, absorvidos e agora aceitos como algo “natural”.

Por exemplo, chegou a um índice recorde o apoio a relações de pessoas do mesmo sexo, o nascimento de um bebê fora do casamento e sexo entre um homem e uma mulher solteira. Há também uma crescente aceitação do divórcio, da pesquisa com células-tronco e da poligamia, indica o Gallup.

Se em 2001, apenas 40% das pessoas disseram não ter problemas com as relações gays, em 2015 o índice chegou a 63%, um aumento de mais de 50% em 14 anos.

Em 2001, apenas 45% das pessoas diziam que ter um bebê fora do casamento era aceitável. Agora a aceitação chega a 61%, um aumento de 16 %.

Sexo entre um homem e uma mulher solteira era vista como moralmente aceitável por 53% dos entrevistados em 2001. Agora 68% consideram isso moral, um aumento de 15%.

A aceitação do divórcio aumentou de 59% para 71 % desde 2001, um aumento de 12%. Pesquisas com células-tronco eram aceitas por 52%, agora são 64%, um salto de 12%.

A poligamia (ter mais de um cônjuge ao mesmo tempo) era “moralmente aceitável” por apenas 7% das pessoas em 2001, agora mais que dobrou, sendo aprovados por 16%, da população.

A clonagem de seres humanos tinha igualmente 7% de aceitação em 2001, chegando a 15% agora, mais de 100% de aumento. A clonagem de animais variou menos, indo de 31 para 34%. O suicídio assistido por médicos tinha aceitação 49% 14 anos atrás, alcançando o patamar de 56 % agora.

Cometer suicídio passou de 13% para 19% na aceitação moral, um aumento de quase 50%. Aceitação moral do aborto aumentou de 42 para 45% desde 2001.

Um aspecto com menor variação foi a pergunta “Você aceitaria que seu cônjuge tivesse um caso?”. Somente 7% disseram que sim em 2001; 8% aceitariam essa situação agora.

A popularidade da pena de morte foi a única que diminuiu. Tinha o apoio de 63% da população em 2001, caindo para 60% em 2015.

***

O Instituto Gallup publicou outra pesquisa que mostra uma mudança distinta na sociedade. Os americanos mostram ter o menor índice de confiança na religião organizada da história.

Antes considerada “um pilar da liderança moral na cultura da nação”, a Igreja cristã – como religião predominante – estava em primeiro lugar na confiança durante os anos 1980.

Lydia Saad, autora do relatório divulgado recentemente, explica que ao se falar em confiança, remete-se a “um juízo de valor sobre a forma como a instituição é percebida, uma marca da quantidade de respeito que lhe é devido”.

Houve um ligeiro aumento na confiança dos católicos, por exemplo, que parece ser devido à popularidade do Papa Francisco.

De modo geral, igreja/religião agora está em quarto lugar na pesquisa do Gallup. Fica atrás dos militares, empresas de pequeno porte e da polícia. Atrás dela vem o sistema de saúde, o Congresso e a mídia.

“Quase todas as organizações perderam na confiança, mas a popularidade da religião caiu mais que todas”, disse Saad.

Na primeira pesquisa do tipo, em meados da década de 1970, a confiança da sociedade em geral na igreja ou religião organizada beirava os 70%. Em 2015, o índice é de apenas 42%.

Um dos resultados mais significativos desta pesquisa é que ela corrobora com as estatísticas que mostram um abandono crescente da Igreja. O aumento dos “sem religião” é muito em consequência dessa perda de confiança, reitera Saad.

Na análise estratificada, o Instituto Gallup mostra que evangélicos e católicos tem o mesmo percentual de confiança. Cinquenta e um por cento de cada grupo diz confiar plenamente na Igreja. A sucessão de escândalos envolvendo líderes religiosos atingiu mais os evangélicos, uma vez que 73% diziam confiar na Igreja em 1985.

Por outro lado, a confiança dos católicos teve seu ponto mais baixo (41%) durante o auge dos escândalos de abuso sexual em 2002. Analistas creditam essa recuperação de 10 pontos percentuais à atuação do Papa Francisco. 

Fonte: Religion News e Prophecy News Watch 

Via Gospel Prime

eticacarater-e-moral.

 Entender o que é lei natural, o que é ética, quais os mecanismos teóricos e estruturas racionais que subjazem a este conhecimento, é muito difícil; mas saber, num dado momento, numa situação ordinária da vida, o que é um comportamento ético, é uma tarefa bem simples. Trata-se simplesmente de entender, de conhecer os fatos e as circunstâncias, que a avaliação moral decorre por conaturalidade.

Uma operação recente da polícia, noticiada em rede nacional aqui no Brasil ( http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pelo-menos-47-sao-presos-em-operacao-contra-quadrilha-de-aborto ) , desbaratou uma quadrilha de abortistas. Noticiada como “a maior rede de abortos do país”, a quadrilha contava com cinquenta e sete pessoas envolvidas, das quais nada menos do que seis médicos. As notícias dão conta de procedimentos nos quais médicos e mesmo falsos médicos “matavam crianças como se estivessem sacrificando um bezerro”. Os números são impressionantes: os procedimentos custavam de mil a sete mil e quinhentos reais, e os líderes, que foram qualificados de “açougueiros” pelos policiais, chegaram a reconhecer a existência de cinco milhões de dólares depositados numa conta na Suíça.

A consternação com este caso, que repercutiu nacionalmente, mostra que a consciência humana, ainda que bombardeada com intensa propaganda ideológica, é capaz de reconhecer o bem e o mal, e de alegrar-se com o bem e lamentar o mal, como, no caso concreto, o aborto. Isto me fez lembrar de um artigo que li recentemente, de autoria de um filósofo americano de nome estranho – J. Budziszewski – que escreveu um artigo (e posteriormente um livro) com um nome também curioso: o artigo chama-se “Denying what we can’t not know”; em tradução muito livre, seria algo como “negando o que não se pode ignorar”. É facilmente encontrado na internet.

A tese do autor é simples: partindo dos princípios éticos tradicionais, ele lembra que mesmo um bebê, de algum modo, é atraído pelo seio da mãe, e repelido, por exemplo por ruídos altos. Assim, diz ele, a avaliação moral, no ser humano, é conatural com o conhecimento factual. Buscar o bem e repelir o mal está em nós. Decerto o bebê não tem todas as noções morais, por exemplo falta-lhe a noção moral de que matar alguém é errado. Mas isso não se dá, diz o autor, em razão de uma “relatividade” moral, por exemplo, do ato de matar, mas porque o bebê desconhece tanto a noção de “pessoa” quanto a de “eliminar uma vida”. Vale dizer, tão logo alguém compreenda essas noções, não há maneira, para o ser humano, de não saber, de ignorar que matar é errado, diz Budziszewski. É isso que ele chama de “conhecimento moral por conaturalidade”.

Assim, diz ele, não somente existe algo como “o bem”, que é ontologicamente real, como existe algo como “o discernimento ético do bem”, que decorre do simples domínio, pelo ser humano, dos conceitos envolvidos no conhecimento factual de uma situação. Com isto, diz o autor, não se pode aceitar simplesmente que alguém admita que conhece os conceitos envolvidos numa dada situação, mas desconhece totalmente a avaliação moral desses conceitos. Ele nos desafia a distinguir entre aignorância, que ele diz ser extremamente rara entre adultos sadios e socializados, e a pura negação, ainda que a negação venha sob alegação, sob o pretexto de ignorância. O autor nos alerta que entender o que é lei natural, o que é ética, quais os mecanismos teóricos e estruturas racionais que subjazem a este conhecimento, é muito difícil; mas que saber, num dado momento, numa situação ordinária da vida, o que é ético, é uma tarefa bem simples. Trata-se simplesmente de entender, de conhecer os fatos e as circunstâncias, que a avaliação moral decorre por conaturalidade.

Com isso, ele nos adverte de que muito facilmente aceitamos alegações de “ignorância moral” que são insustentáveis. Se alguém sabe o que é uma vida humana e sabe o que é o ato de matar, muito facilmente pode deduzir que eliminar a vida de alguém, mesmo a título, por exemplo, de poupá-lo de uma doença terminal, está errado. Não se pode ignorar isto, diz ele. O mesmo ocorre com o aborto: sabendo-se que o bebê existe, está vivo no útero da mãe, constitui um ser diverso da própria mãe, é suficiente para saber razoavelmente que abortar está errado.

Assim, diz ele, é por isso que o grande esforço dos que defendem o aborto não é negar que sabem que, dada a noção de um bebê humano no útero da mãe, e dada a noção de que o aborto elimina a vida deste bebê, isto é errado. Vale dizer, se admitem estes dois conceitos, não podem negar que isto é errado. Não se pode ignorar que, dados tais conceitos, abortar é um ato moralmente execrável. Portanto, quem alega ignorar isto, quem não pode admitir a pura e simples imoralidade do aborto, fica com a missão espinhosa de provar, ou que o embrião não é um ser humano vivo, ou que abortar não é matar. Quando se reconhecem os dois conceitos – “ser humano” e “matar”, a conclusão de que isto é errado virá por conaturalidade.

Assim, os que insistem em defender o aborto negam a humanidade do embrião, ou negam a sinonímia entre aborto e o ato de matar. Porque, dados os dois termos, não há como negar que está errado abortar. Mas uma vez que negam aquilo que não se pode ignorar, causam uma ruptura na sua própria inteireza: comprimem a mola da estrutura moral que o ser humano carrega dentro de si, a mesma estrutura que leva o recém-nascido, naturalmente, a buscar o seio materno e a chorar na presença de ruídos altos. É o mesmo mecanismo que leva a procurar fazer o que está certo e repelir o que está errado.

Ora, apesar da negação, a mola continua existindo, e está comprimida. Como não podem ignorar as consequências morais dos seus atos, mas não admitem para si mesmos que o ato é errado, desencadeiam em si todas as consequências da prática do ato errado, mas negam que essas consequências decorram da prática do próprio ato. A ruptura leva ao mal estar, ao desconforto interior: na impossibilidade de admitir o que não poderiam ignorar, ou seja, o fato de que o seu desequilíbrio interior, o seu desconforto, decorre da própria natureza humana que se viola quando se escolhe o mal em vez do bem, passam a colocar a culpa pela sua dor interior nos ombros daqueles que teimam em afirmar que a sua escolha foi ruim, foi viciada, foi violadora da própria natureza humana que os define, e não poderia nunca trazer a paz. É como se uma criança pudesse rejeitar o seio da mãe em prol de uma garrafa cheia de bebida alcoólica, e depois, intoxicado, culpasse o médico pelo diagnóstico de ressaca.

Este episódio da operação Herodes, que desmontou a quadrilha de abortistas, mostra exatamente isto: não se pode, ao entender o que está em jogo, deixar de aflorar o repúdio à conduta destas pessoas. E este repúdio, diz Budziszewski, decorre da conaturalidade do julgamento moral com a compreensão intelectual do que está em jogo. São indissociáveis. Não se pode, no entanto, sem contaminar a própria inteireza moral do ser humano, imaginar que o aborto possa ser moralmente indefensável para estas pessoas, e ser de algum modo moralmente defensável para os genitores que o praticam. O ato aparente de “tolerância” ou “compreensão” com o alegado “desespero” da mulher que aborta não justifica, em hipótese alguma, o aborto em si.

Acolher a mulher que abortou é um dos maiores deveres cristãos. Dissuadir a mulher que pensa em abortar é um dever ainda maior. Fazer o contrário, justificá-la de algum modo em nome da “fragilidade da mulher”, ou da “pressão social”, é colaborar com a ruptura da integridade existencial dessa mesma mulher: induzi-la ao mal, se ainda não o fez, ou impedir que ela seja resgatada dele, se já o consumou. Esta é a maior consequência que decorre da atitude de quem, no campo da moral, nega aquilo que não se pode ignorar.

Por Paulo Vasconcelos Jacobina

bebes

Novos testes psicológicos confirmaram: bebês de poucos meses já evidenciam possuir senso moral e noção instintiva do bem e do mal, informou a “Folha de S.Paulo

O psicólogo canadense Paul Bloom, de Yale, em seu mais recente livro, intitulado Just Babies (“Bebês Justos” ou “Apenas Bebês”), resume décadas de pesquisas que apontam nesse sentido.

Bloom, sua colega (e mulher) Karen Wynn e outros pesquisadores reuniram evidências em favor da ideia de que os seres humanos já vêm equipados com um “senso moral” desde o berço.

Eles citam diversos testes, inclusive no laboratório de psicologia da Universidade Yale, nos EUA.

Num deles, crianças de apenas um ano assistiam a um show de marionetes no qual um dos bonecos jogava uma bola para dois companheiros.

O primeiro deles, com a devida cortesia, devolvia a bola para o primeiro boneco; o segundo agarrava a bolinha e saía correndo. Um dos meninos que assistiam ao espetáculo não teve dúvidas: deu um peteleco na cabeça do personagem “malvado”.

No experimento das marionetes, bebês de apenas três meses (os quais não têm coordenação motora suficiente para agarrar coisas, quanto mais para dar bordoadas no boneco malvado) já mostram sua aparente preferência pelo personagem bonzinho, dirigindo seu olhar preferencialmente para ele.

Crianças um pouco mais velhas, embora nem sempre recorram ao expediente de fazer justiça com as próprias mãos, em geral costumam “recompensar” o boneco gentil e punir o malvado quando têm essa oportunidade.

Por exemplo, se os pesquisadores fingem que cada boneco ganhou um doce depois do show, as crianças decidem tirar o doce do personagem que não devolveu a bola.

Boa parte dos avanços nessa área de pesquisa tem acontecido porque os cientistas descobriram maneiras engenhosas de medir as reações (o grau de surpresa ou interesse, por exemplo) de seres humanos que ainda não conseguem se expressar ou mesmo se mexer de forma controlada.

Além da direção do olhar e do tempo que os bebês passam olhando para algo (que costuma denotar surpresa, interesse e preferência), os pesquisadores também usam medidas como o ritmo dos coraçõezinhos de seus “voluntários” e a intensidade com que eles chupam chupetas com sensores, entre outros truques.

Os resultados mostram que, antes de um ano de idade, as crianças costumam preferir personagens de desenho animado que ajudam os outros aos que atrapalham ou simplesmente ficam de braços cruzados.

Com pouco mais de um ano, oferecem espontaneamente ajuda (para carregar coisas ou abrir portas, por exemplo) a adultos desconhecidos.

Outros estudos também mostram que o preconceito racial demora muito mais para se desenvolver – embora, desde cedo, os bebês prefiram pessoas que falam a mesma língua de seus pais.

Para Bloom, o conjunto dessas descobertas sugere que a maioria das crianças nasce com noções incipientes do certo e do errado, provavelmente para facilitar o aprendizado das interações sociais da nossa espécie.

Dessa maneira fica cada vez mais claro que a moral não é fruto de uma mera imposição cultural desta ou daquela religião. Pelo contrário, o senso moral, a distinção entre o Bem e o mal, a Verdade e o erro, o Belo e o feio, está inscrito no mais profundo da natureza humana.

As religiões apenas oferecem uma formulação a esse instinto moral fundamental, mais ou menos perfeita, ou até errada segundo os casos.

Precisamente, a perfeição da moral e da religião católica se evidencia também na feliz promoção e estímulo do desenvolvimento natural dessa noção anterior a qualquer conceito ou teoria.

A chamada “ideologia do gênero”, baseada no desconhecimento desse instinto moral fundamental, mostra-se mais uma vez como uma violência contra a natureza humana.