Dom Henrique, Bispo

Observe a sujeira e a má-fé da imprensa de modo geral quando se trata da Igreja e do Papa Bento XVI. Leia este trecho da palavra do Santo Padre, discursando para os embaixadores dos países que têm relação com a Santa Sé, no último dia 9 de janeiro:

A educação é um tema crucial para todas as gerações, pois depende dela tanto o desenvolvimento saudável de cada pessoa como o futuro da sociedade inteira. Por isso mesmo, aquela constitui uma tarefa de primária grandeza num tempo difícil e delicado. Para além de um objetivo claro, como é o de levar os jovens a um pleno conhecimento da realidade e, consequentemente, da verdade, a educação tem necessidade de lugares. Dentre estes, conta-se em primeiro lugar a família, fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher; não se trata duma simples convenção social, mas antes da célula fundamental de toda a sociedade.

Por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade. O quadro familiar é fundamental no percurso educativo e para o próprio desenvolvimento dos indivíduos e dos Estados; consequentemente, são necessárias políticas que o valorizem e colaborem para a sua coesão social e diálogo. É na família que a pessoa se abre ao mundo e à vida e, como tive ocasião de lembrar durante a minha viagem à Croácia, «a abertura à vida é um sinal da abertura ao futuro».

Mais em geral, visando sobretudo o mundo ocidental, estou convencido de que se opõem à educação dos jovens e, consequentemente, ao futuro da humanidade as medidas legislativas que permitem, quando não incentivam, o aborto por motivos de conveniência ou por razões médicas discutíveis.

Muito bem! Estas foram as palavras de Bento XVI. Nem mais nem menos. O que a Revista Veja que está nas bancas (edição 2252, 18/01/2012, na seção “Panorama”) afirmou, fazendo eco à imprensa internacional, seguindo a agência de notícias Reuters? Eis, as palavras da Veja, que se considera séria e imparcial: “Endureceu o discurso contra a união homossexual o papa Bento XVI. O pontífice disse para diplomatas de 180 países que o casamento gay é ‘uma ameaça para o futuro da humanidade’”.

Aqui está! Foi assim com o Discurso do Papa em Ratisbona, na passagem em que se referiu a Maomé; foi assim quando falou da “chaga” que é a situação dos casais em segunda união; aqui no Brasil se afirmou que o Papa dissera que os casais em segunda união seriam uma “praga”; foi assim com outras situações sérias, como a atitude do então Cardeal Ratzinger na questão dos pedófilos que estavam no meio do clero emporcalhando o nome de Cristo e da Igreja! Sempre um modo de denegrir, de truncar a verdade para tornar o Papa odioso.

Só para recordar: é claro que a Igreja e o Papa são contra a união homossexual com status de “casamento”. Ninguém é contrário a que duas pessoas do mesmo sexo, adultas e senhoras de si, livremente queiram viver juntas, inclusive com vida sexual ativa. É pecado? Certamente! É contra os preceitos cristãos? Sem dúvida nem apelação! A Igreja chamará de normal e moralmente positivo tal caminho? Nunca! Mas, ninguém pode impedir a relação entre duas pessoas homossexuais nem deve querer impor nada contra a liberdade de ninguém! A Igreja sequer é contra a que um parceiro tenha direitos de herança, benefício saúde e outros, derivados dessa união. O que os cristãos são contrários é que se dê a esta união um estatuto de matrimônio e de família, pois aí já não se trata de respeitar uma minoria, mas destruir o conceito de família próprio da maioria e no qual se estriba a própria civilização ocidental, já tão ferida e desmoralizada… O raciocínio é simples: se tudo é família; nada é família! É o conceito de família de toda a sociedade que fica prejudicado pela imposição de uma minoria que hoje é poderosíssima! Esta é a posição da Igreja, do Papa e de qualquer pessoa de bom senso.

Minha questão aqui é outra: trata-se da desonestidade da imprensa, que sempre procura, de modo capcioso, deturpar as palavras do Papa para torná-lo antipático e odioso ante a opinião pública. Não me preocupo se o Papa agrada ou não à mídia e aos “papas” da cultura secularizada atual; mas me indigna a sordidez dessa imprensa que se quer passar por isenta e honesta.

Uma sugestão? Escreva à Revista Veja protestando e pedindo uma correção! Envie a cópia do discurso do Papa. Está no site do Vaticano: www.vatican.va. É uma questão de justiça!

O Papa Bento XVI recebeu na manhã desta quinta-feira, na Sala Clementina, os Cardeais e membros da Cúria Romana para as felicitações de Natal.

Fazendo um balanço dos principais eventos que marcaram a vida da Igreja neste ano de 2011, Bento XVI escolheu uma única temática que, segundo ele, expressa o verdadeiro desafio que a Igreja é chamada a enfrentar hoje e também no futuro: a evangelização.

Como anunciar hoje o Evangelho? Como pode a fé, enquanto força viva e vital, tornar-se realidade hoje? Os fiéis, e não só eles, notam que as pessoas que frequentam regularmente a Igreja se tornam sempre mais idosas e o seu número diminui continuamente; há uma estagnação nas vocações ao sacerdócio; crescem o ceticismo e a descrença. Como, então, reverter essa tendência?

Para o Pontífice, o cerne da crise da Igreja na Europa é a crise da fé. Se não encontrarmos uma resposta para esta crise, ou seja, se a fé não ganhar de novo vitalidade, tornando-se uma convicção profunda e uma força real graças ao encontro com Jesus Cristo, permanecerão ineficazes todas as tentativas para reanimá-la.

Neste sentido, afirmou o Papa, o encontro com a jubilosa paixão pela fé na África foi um grande encorajamento. “Lá não se sentia qualquer indício desta lassidão da fé, tão difusa entre nós, não havia nada deste tédio de ser cristão que se constata sempre no meio de nós. Apesar de todos os problemas, de todos os sofrimentos e penas que existem, sem dúvida, precisamente na África, sempre se palpava a alegria de ser cristão, de pertencer à Igreja”.

Um remédio contra a lassidão do crer, segundo Bento XVI, foi a experiência da Jornada Mundial da Juventude, em Madri, na Espanha, que ele definiu “magnífica”.

Um remédio que o Papa dividiu em cinco “doses”. Em primeiro lugar, nesses eventos, há uma nova experiência da catolicidade, da universalidade da Igreja. Falamos línguas diferentes e possuímos costumes de vida diversos e formas culturais diversas; e no entanto nos sentimos imediatamente unidos como uma grande família.

Em segundo lugar, a Jornada favorece um novo modo de ser homem, de ser cristão, através do voluntariado.Cerca de 20 mil jovens fizeram o bem simplesmente porque é bom fazer o bem, é bom servir os outros. “É preciso apenas ousar o salto”, afirmou o Papa.

O mesmo comportamento Bento também encontrou na África, por exemplo nas Irmãs de Madre Teresa que se prodigalizam pelas crianças abandonadas, doentes, pobres e atribuladas, sem se importarem consigo mesmas, tornando-se, precisamente assim, interiormente ricas e livres. Este é o comportamento propriamente cristão.

O terceiro elemento que faz parte das Jornadas Mundiais da Juventude é a adoração. Em Cristo ressuscitado, está presente Deus feito homem, que sofreu por nós porque nos ama. “Entramos nesta certeza do amor corpóreo de Deus por nós, e fazemo-lo amando com Ele. Isto é adoração. E só assim posso celebrar convenientemente a Eucaristia e receber devidamente o Corpo do Senhor.”

Outro elemento importante das Jornadas Mundiais da Juventude é a presença do sacramento da Penitência. Deste modo, reconhecemos que necessitamos continuamente de perdão e que perdão significa responsabilidade.

Por fim, outra característica das Jornadas é a alegria, que brota da certeza de ser amado por Deus. Só a fé me dá esta certeza: É bom que eu exista; é bom existir como pessoa humana, mesmo em tempos difíceis. A fé nos faz felizes a partir de dentro. “Esta é uma das maravilhosas experiências das Jornadas Mundiais da Juventude.”O Papa então se dirigiu aos seus colaboradores da Cúria: “Queria agradecer do íntimo do coração a todos vocês pelo apoio que prestam para levar adiante a missão que o Senhor nos confiou como testemunhas da sua verdade, e desejo a todos vocês a alegria que Deus nos quis dar na encarnação do seu Filho. Um santo Natal!”.

Rádio Vaticano

Publicamos  trecho do diálogo entre um detento italiano e o papa.

Eis o diálogo.

“Santidade, sou Federico, falo em nome das pessoas detidas do G14, que é o departamento de enfermagem. O que os homens detidos, doentes e soropositivos podem pedir ao papa? Ao nosso papa – já sobrecarregado pelo peso de todos os sofrimentos do mundo – eles podem pedir que reze por eles? Que os perdoe? Que os tenha presente no seu grande coração?

“Sim, nós queremos pedir isso, mas, acima de tudo, que leve a nossa voz para onde ela não é ouvida. Estamos ausentes das nossas famílias, mas não da vida. Caímos e, nas nossas quedas, fizemos mal a outros, mas estamos nos levantando. Muito pouco se fala de nós, muitas vezes de modo tão feroz como se quisessem nos eliminar da sociedade. Isso nos faz sentir sub-humanos.

“O senhor é o papa de todos, e nós lhe pedimos que faça com que a nossa dignidade não seja rasgada, junto com a liberdade. Para que não seja mais dado por óbvio que recluso quer dizer excluído para sempre. A sua presença é, para nós, uma honra muito grande! Os nossos mais caros votos de Santo Natal para todos”.

A resposta do papa:


“Sim, você me disse palavras verdadeiramente memoráveis. Caímos, mas estamos aqui para nos levantarmos. Isso é importante, essa coragem de se levantar, de seguir em frente com a ajuda do Senhor e com a ajuda de todos os amigos.

“Você também disse que se fala de modo feroz de vocês. Infelizmente é verdade, mas gostaria de dizer não só isso: há também outros que falam bem de vocês e pensam em vocês. Eu penso na minha pequena família papal. Estou cercado por quatro irmãs leigas e falamos frequentemente desse problema. Elas têm amigos em diversas prisões. Também recebemos dons deles e damos, de nossa parte, o nosso dom. Por isso, essa realidade está, de modo muito positivo, presente na minha família, e eu penso que em tantas outras.

“Devemos suportar que alguns falem de modo feroz. Falam de modo feroz até contra o papa, e mesmo assim seguimos em frente. Parece-me importante encorajar a todos para que pensem bem, que tenham o sentido dos seus sofrimentos, tenham o sentido de ajudar no processo de levantar de novo. E digamos que eu farei o que é possível para convidar a todos a pensar desse modo justo, não de modo depreciativo, mas de modo humano, pensando que todos podem cair, mas Deus quer que todos cheguem a ele.

“E nós devemos cooperar com o Espírito de fraternidade e de reconhecimento também da própria fragilidade, para que possam realmente se levantar e seguir em frente com dignidade e sempre encontrar a sua própria dignidade respeitada, para que cresça, e possam, assim, também encontrar alegria na vida, porque a vida nos é dada pelo Senhor e com uma ideia própria.

“E se reconhecermos essa ideia de Deus que está conosco, até as passagens obscuras têm o seu sentido para nos nos dar mais o reconhecimento de nós mesmos, para ajudar a nos tornarmos mais nós mesmos, mais filhos de Deus, e assim sermos realmente felizes por sermos homens, por sermos criados por Deus mesmo em diversas condições difíceis. O Senhor lhes ajudará, e nós estamos perto de vocês”.

Fernando Nascimento

A imagem forjada ACIMA  para enganar tolos, foi hospedada neste link abaixo, e mostra uma foto do Papa no trono, colada maldosamente ao lado de outra foto onde uma criança come migalhas do chão:http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/318328_180951741988140_100002199467613_478259_555102286_n.jpg

A Verdade:

1- O Papa jamais poderia vender aquele trono, pois não lhe pertence, é patrimônio tombado da humanidade. O Papa fez voto de pobreza, o deslocado versículo bíblico usado alí não se lhe aplica.

2- O trono em que senta o Papa nunca foi de “ouro”. O trono é de madeira com cobertura de bronze dourado. Só os tolos pensam que tudo que reluz é ouro.

Gian Lorenzo Bernini , o maior escultor do século XVII e também um extraordinário arquiteto, em 1657 começou o Trono de São Pedro, ou Cathedra Petri, uma cobertura em bronze dourado do trono em madeira do papa, que foi terminada em 1666, ao mesmo tempo que realizava a colonata. Continuando os seus retratos em bustos de mármore, esculpiu em 1650 um de Francisco I d’Este, duque de Modena.
Fonte: http://www.arqnet.pt/portal/biografias/bernini.html

Os embusteiros que visaram o falso testemunho juntando estas fotos, fariam melhor se pegassem a criança que come migalhas do chão e a levassem a Igreja Católica, a maior Obra Caritativa do Mundo, confira: http://cotidianoespiritual.blogspot.com/2011/10/igreja-catolica-maior-obra-caritativa.html

Doações do Papa aos países pobres:http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/profilo_po/doni_po.html

Missões de caridades da Igreja:http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/attivita_po/missioni_po.html

Por Marco Tosatti, La Stampa | Tradução: Fratres in Unum.com

Vaticano está atônito, e até mesmo embaraçado; pois na viagem a África, que acaba de terminar, segundo muitos fiéis sem contato entre si, teriam ocorrido no céu fenômenos semelhantes aos que foram verificados durante as aparições mais famosas do século passado, como Fátima e Tre Fontane. Um parente de um bispo teria produzido uma documentação fotográfica ou vídeo do evento, que teria sido entregue ao Secretário de Estado, o Cardeal Tarcisio Bertone.

No dia seguinte à missa celebrada por Bento XVI no Estádio de l’Amitié, em Cotonou, até os bispos de Benim se questionaram sobre o extraordinário fenômeno que permitiu, às 8 horas da manhã, aos 80.000 fiéis presentes, ver juntos a lua e o sol, um evento raríssimo na África naquela latitude, o que causou grande assombro na multidão, como disse aos jornalistas o diretor da sala de imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi. Ainda mais porque não poucos fiéis disseram ter visto também o sol se mover e brilhar sem ofuscar, de modo a poder olhá-lo por um bom tempo sem problemas (mesmo os que baixavam os olhos e os levantavam não tinham nenhum incômodo visual).

Um fenômeno interpretado pelos africanos como um prodígio devido à presença do Papa, mas que também perturbou a mídia e muitos bispos, até porque, pelo que soubemos, não foi um fato isolado, mas se repetiu outras vezes ao longo da visita. Dom René-Marie Ehuzu, Bispo de Porto Novo e Presidente da Comissão Pastoral Social da Conferência Episcopal de Benim, também responsável pela organização da visita papal no país, declarou à AGI que “na tarde de sábado, quando o Papa, a caminho da paróquia de Santa Rita, na periferia de Cotonou, parou para saudar e abençoar os doentes do hospital localizado nas proximidades, se verificou um fenômeno semelhante, tanto que os hóspedes do hospital quiseram ir para a capela para uma oração de agradecimento”. Por todos os três dias da visita — afirmou o prelado — há testemunho de eventos similares e fotos tiradas com os celulares de testemunhas, em alguns casos sacerdotes. Pessoalmente não posso dar uma explicação, mas excluo que se trate de um fenômeno de histeria coletiva”.

“A lua está agora muito perto do sol (uma pequena crescente visível antes da alvorada), por isso é impossível vê-la junto com o sol, isto é, quando ele está alto no céu. Se era visível, é evidente que a claridade do sol foi temperada, precisamente como dizem as testemunhas. Há uma clara analogia com os muitos milagres solares ligados às aparições de Nossa Senhora”, comenta por sua vez um perito no blog “Amici di Papa Ratzinger” e, na discussão que se abriu, os fiéis italianos concordam com os seus companheiros na África, outros posts afirmando, de fato, que se tratou de um milagre: “O Papa trouxe a luz de Cristo”. “Sem a proteção e a força que vem de Deus, como ele poderia superar estes seis anos e meio de ataques ferozes?”, se pergunta Laura; e um anônimo comenta: “Jesus nos diz que o Reino de Deus está entre nós, e não o diz apenas em palavras, mas também através de sinais e prodígios. Deus, com esta Sua intervenção divina, nos chama à esperança à conversão”.

Como se sabe, o “milagre do sol” ocorreu em Fátima na seqüência das aparições marianas e mais vezes em Roma, em Tre Fontane. Na Cova da Iria, onde rezavam os pastorinhos, em 13 de outubro de 1917 – relatam as crônicas — o sol apareceu como uma gigantesca roda iridescente, que girava e irradiava cores múltiplas. Ele parou três vezes e então parecia se destacar do firmamento para se precipitar sobre a terra. Um fenômeno extraordinário, semelhante ao que ocorreu em Portugal, foi visto por milhares de fiéis em Tre Fontane em 12 de abril de 1947 e se repetiu em 1968 e 1980 (enquanto em Fátima uma réplica teria ocorrido no último 13 de maio). Em Tre Fontane, o disco solar inicialmente se comportou como em Fátima (exceto o fenômeno de parecer prestes a cair sobre a terra), mas em um segundo momento tomou a cor de uma hóstia, como se fosse coberto por uma gigantesca hóstia. Uma nota privada de Pio XII publicada recentemente pelo vaticanista Andrea Tornielli testemunha um episódio análogo nos jardins do Vaticano, que, em 1950, foi interpretado pelo Papa Pacelli em seu coração como uma confirmação da validade do dogma da Assunção de Maria, que estava prestes a proclamar.

Enquanto milhares de católicos se aglomeravam no pátio do aeroporto de Freiburg, na Alemanha, na manhã deste domingo, para ouvir o papa Bento XVI, o Vaticano desmentia informações publicadas num jornal italiano especulando sobre possível renúncia do cardeal Joseph Ratzinger, ao trono de São Pedro, em 2012, quando completa 85 anos de idade.


Papa Bento XVI fará 85 anos em 2012, mas continua comandando igreja católicaPapa Bento XVI fará 85 anos em 2012, mas continua comandando igreja católica

“Não sabemos nada sobre isso. Se for por questões físicas, informamos que o Santo Padre goza de excelente saúde”, disse o padre Federico Lombardi. As informações sobre uma possível renúncia do papa partiram do escritor católico Antonio Socci. No texto publicado na edição domicial do jornal Libero, Socci afirma que o papa estava considerando renunciar em abril de 2012, quando ele completa 85 anos. Mas o escritor não apresenta nenhum argumento ou fato recente que justificaria uma tomada de posição de Ratzinger neste sentido.

No entanto, no livro “Luz do Mundo: o Papa, a Igreja e o Sinal dos Tempos”, lançado no final do ano passado, Bento XVI admite tornar-se o primeiro pontífice a renunciar em mais de 700 anos, se ele sentir que faltam-lhe apitidões físicas, psicológicas espirituais para liderar a Igreja Católica.

Em Freiburg, o papa celebrou neste domingo a última missa da visita à Alemanha, fazendo um forte apelo por unidade entre os católicos. “A igreja na Alemanha continuará a ser uma bênção para todo o mundo católico se ela continuar fielmente unida aos sucessores de São Pedro e os Apóstolos”, disse o papa na homilia em que pede aos católicos alemães que “trabalhem juntos em harmonia”

Religión Digital

A visita do Papa a Alemanha, sua terra natal em setembro próximo desperta pouco entusiasmo entre seus conterrâneos, segundo uma pesquisa encomendada pela DPA ao instituto demoscópico YouGov.

Apenas 31,1% dos consultados estão de acordo com que Bento viaje à Alemanha entre 22 e 25 de setembro, ao passo que 8,1% reprovam a visita do Pontífice.

A maioria dos alemães pouco mais de 60%, é indiferente e não lhe parece nem bom nem ruim ou simplesmente não tem uma opinião formada, assinala a pesquisa, disse a DPA.

Pelo contrário, a maioria dos entrevistados, 65,9%, espera que a Igreja católica se transforme de maneira radical, suprima o celibato sacerdotal obrigatório e fomente o encontro do pontífice com vítimas de abusos por parte de sacerdotes.

Segundo foi informado, O Papa planeja um encontro deste tipo pelo menos a modo de gesto simbólico, mas ainda não se conhecem detalhes a respeito.

Entretanto, grupos contrários à visita do Papa enfrentam dificuldades para poder articular seu rechaço.

De acordo com informações veiculadas pelo semanário Der Spiegel, as autoridades de Berlim negaram autorização para uma chamada “Caravana do Papa” que planejava chegar até a Porta de Brandemburgo, alegando motivos de segurança.

Também as autoridades de Friburgo e de Erfurt, onde o pontífice fará escalas, proibiram marchas de protesto assim como a instalação de postos de informação.

Agrega a revista que uma aliança de 23 entidades está coletando assinaturas para solicitar que se impeça que o Papa assine o Livro Ouro da cidade.

Em Berlim, a rede de 54 organizações não afins ao Papa espera reunir entre 15.000 e 20.000 pessoas em uma manifestação de protesto no dia 22 de setembro, enquantoBento se dirige ao Parlamento alemão.

De acordo com os planos, a marcha estaria encabeçada por uma espécie de papa-móvel no qual viajaria um “antipapa” e uma “antipapisa”, seguido de carros com grupos de música e dança e blocos de bailarinos vestidos de sacerdotes e religiosas consagradas.

Vatican Insider

Um clique para se inscrever, outro para escolher em qual equipe entrar. No terceiro, o desafio já começou, e que desafio: tornar-se papa, mesmo que apenas no mundo virtual.

O jogo se chama Vatican Wars. Está online há alguns meses e já entrou na lista dos mais clicados no Facebook: gratuito, funciona somente online, sem precisar de CD. É nas redes sociais que se pode competir com usuários de todo o mundo: o objetivo, naturalmente, é subir ao sólio pontifício. Mas o cibercaminho que leva a São Pedro é pavimentado com imprevistos e obstáculos.

Os jogadores são divididos em duas equipes: Templários e Cruzados, com base nas convicções éticas e morais e, sobretudo, no objetivo: revolucionar a Igreja ou impor uma linha conservadora. Cada participante deve se mover entre emboscadas sobre temas escorregadios – do aborto aos direito no campo da bioética – e conhecer o calendário litúrgico, os santos do dia, alguma noção de teologia. Vence quem tiver as ideias mais claras, quem tiver uma visão e conseguir impô-la aos milhares de inscritos.

“Antes de lançar o jogo – explica Cheyenne Ehrlich, fundador da SGR, empresa que produziu o jogo –, fizemos muitas pesquisas entre os católicos, e foi surpreendente descobrir que 80% deles apoiaram o nosso projeto” .

As reações, por enquanto, são positivas e estão funcionando, segundo as pesquisas – informais, por assim dizer –, para entender as posições do mundo católico, embora noFacebook também haja quem critique a ambientação gótica: um mundo muito distante do atual, em que o papa navega no Twitter e a missa de domingo está ao alcance doiPad. “Será interessante verificar – continua Ehrlich – que tipo de papa as pessoas preferem”.

Certamente, não aquele representado por outro jogo que inflamou o salão da tecnologia de Colônia, Shadows on Vatican. Desenvolvido pelo Art Studio Torre del Greco, será lançado apenas em setembro, mas a pré-estreia já levantou muita poeira. O protagonista é James Murphy, um missionário norte-americano encarregado de investigar uma série de eventos que abalam a “pax vaticana”, à sombra de um pontífice quase invisível.

Mais inspirado pelos romances de Dan Brown do que pelos livros de história, os criadores de Shadows on Vatican misturam Logia P2, o assassinato de Calvi, a crise do IOR e a quadrilha de Magliana.

“Queríamos colocar debaixo da os mecanismos discutíveis de todo o sistema de poder”, dizGiandomenico Maglione, administrador da empresa que trabalhou no projeto, bem consciente de que, apesar a ambientação cinzenta das aventuras do detetive Murphy, “a Igreja não parou na Idade Média”.

É complicada a relação entre o Vaticano e os videogames. Bento XVI foi o primeiro, no Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2007, a apontar o dedo contra os programas que, “em nome do divertimento, exaltam a violência, refletem comportamentos antissociais ou vulgarizam a sexualidade humana” e os produtores que, para perseguir uma “competitividade comercial”, se reduzem a “rebaixar os padrões”.

Porém, do aplicativo para a Jornada Mundial da Juventude às páginas sociais doVaticano, foi justamente de Ratzinger que chegou a reviravolta hi-tech. “Bento XVI – diz, orgulhoso, o Pe. Diego Goso, um dos primeiros sacerdotes italianos a desembarcar no mundo online há 10 anos – inverteu uma tendência: antes, a interatividade era considerada uma perda de tempo. Graças a ele, tudo mudou”.

Os videogames também entraram no seminário, e Priestville, com 30 mil membros, é o primeiro da lista: os jogadores devem criar uma comunidade, gerenciá-la da melhor forma possível, envolver os fiéis. Uma prévia – sentados na frente do computador – da vida que está por vir.

National Catholic Reporter

Recentemente, o Papa Bento XVI visitou a Croácia, marcando a 19ª viagem ao exterior do seu pontificado.

Essa excursão me fez pensar: de todas as viagens papais que vimos ao longo dos anos, quais foram verdadeiramente memoráveis?

Ou seja, que viagens serviram para mudar a História, para recalibrar as impressões do público e/ou para deixar uma marca na igreja local? Igualmente, quais mais impressionaram por terem sido desagradáveis, tristes, ou por perderem oportunidades?

Seguem as minhas escolhas das “dez viagens papais mais importantes da História”.

A título de ressalva, restringi a seleção a viagens contemporâneas, o que resultou em 303 viagens fora de Roma – 171 para vários locais na Itália e 132 para nações estrangeiras – realizadas no último meio século pelos papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, eBento XVI.Caso contrário, seria como comparar maçãs e laranjas.

Por exemplo, o primeiro registro em uma contagem de todos os tempos teria que ser o da viagem de Pedro a Roma, tradicionalmente datada de 44 d.C., que preparou o palco para todo o desenvolvimento futuro da história do papado. A decisão de Clemente V, em 1305, de estabelecer-se em Avignon – que provocou o “cativeiro babilônico” do papado – também poderia fazer parte da lista. No entanto, foram mais mudanças do que viagens.

As “viagens papais”, como nós conhecemos hoje, são resultados do período pós-Concílio Vaticano II (1962-1965). Influenciados tanto pela facilidade das viagens modernas e pelo espírito missionário do Vaticano II, os papas passaram a se ver – conforme João Paulo IIdisse certa vez – como sucessores de São Paulo, assim como de São Pedro, se tornando uma espécie de “evangelistas-chefes” e embaixadores da boa vontade no mundo.

Todas as viagens papais são concebidas para passar essa noção de forma igual; no entanto, algumas obviamente conseguem realizar isso melhor.

Fazer uma lista como essa é um empreendimento extremamente subjetivo, em parte porque há muitas maneiras de avaliar o impacto de uma viagem – o tamanho da multidão; a cobertura da mídia; as consequências políticas; a importância por estabelecer um precedente; ou por abrir portas para futuros progressos para a igreja local, como novas vocações ou aumento da frequência às missas. Todas as viagens que compuseram a lista tiveram notas altas em pelo menos uma dessas medidas, e, as mais bem classificadas, conseguiram combinar várias.

Eis as escolhidas.

10. João XXIII, Loreto-Assis, Itália, 4 de outubro de 1962

Às vezes, o que um papa faz é significativo simplesmente pelo fato de tê-lo feito. Esse foi o caso, em outubro de 1962, quando João XXIII embarcou em um trem, na minúscula estação ferroviária do Vaticano, para visitar a Santa Casa de Loreto e a Basílica de São Francisco de Assis. Foi a primeira vez que um papa saiu de Roma desde 1857, depois da famosa declaração de Pio IX, em 1870, de que ele era um “prisioneiro do Vaticano”, para protestar contra a perda dos Estados Pontifícios.

Ao pegar o trem, João XXIII acabou com o isolamento do papado moderno. A viagem aconteceu uma semana antes da cerimônia de abertura do Vaticano II, e, simbolicamente, captou a essência evangélica do Concílio, abraçando o mundo moderno, que viria a ser expresso na Gaudium et Spes.

João XXIII passou todo o dia da viagem em sua janela, acenando para as grandes multidões ao longo dos trilhos. O trem parou várias vezes ao longo do caminho, e João XXIII dizia algumas palavras, contava piadas e distribuía bênçãos.

Um outro sinal de que mudanças estavam por vir: também estava a bordo o primeiro-ministro italiano, Amintore Fanfani, que comandou a primeira coalizão que incluía socialistas. A histórica “abertura à esquerda” não era muito popular em alguns setores do Vaticano. Assim, Fanfani foi colocado em um compartimento separado do trem, longe do papa. Contudo, no meio da viagem, os jornalistas a bordo noticiaram que Fanfani estava ao lado de João XXIII, conversando amistosamente. Parece que o papa tinha convidado o primeiro-ministro para acompanhá-lo, ignorando as objeções de seus próprios assessores. (Quando perguntado sobre isso depois, Fanfani brincou: “nihil obstat quominus” – o que significa que ele havia recebido um atestado de bons antecedentes).

Olhando para trás, o jornalista italiano Domenico Del Rio escreveu, em 2000, que a viagem de trem de João XXIII foi “a base para todas as viagens pastorais de seus dois sucessores itinerantes, Paulo VI e João Paulo II”.

9. João Paulo II, Denver (Estados Unidos), 12 a 15 agosto de 1993

Ok, talvez esta seja uma escolha levemente paroquial (afinal, eu moro aqui), mas a visita aDe nver, para a Jornada Mundial da Juventude de 1993, está na minha lista por esta razão: nenhum outro momento na história recente teve um impacto tão forte na transformação das atitudes de Roma com relação ao catolicismo nos Estados Unidos. Antecipadamente, muitos observadores previram um desastre. Os Estados Unidos, eles insistiam, é diferente da Polônia ou da Argentina, onde as anteriores Jornadas Mundiais da Juventude realizaram-se, porque não são culturas tradicionalmente católicas e não têm tradição de peregrinação. Além disso, as Montanhas Rochosas eram, na imaginação dos europeus, uma terra exótica de críticos à Bíblia e secularistas, prontos para saudar o papa ou com hostilidade ou, pior ainda, com indiferença. No entanto, meio milhão de jovens entusiasmados apareceram, e desenhou-se uma esmagadora e positiva cobertura da mídia.

A magia de João Paulo II com as multidões gerou a famosa declaração do presidente Bill Clinton: “Eu certamente odiaria concorrer contra ele para prefeito de qualquer lugar”. Depois, mandarins do Vaticano foram forçados a reavaliar seus preconceitos com os Estados Unidos como uma cultura fundamentalmente calvinista, hostil ao catolicismo e ao papado. Internamente, a viagem também colocou o ministério de jovens no mapa na igreja norte-americana.

(Como nota de rodapé, a viagem trouxe o primeiro comentário público de um papa sobre a crise dos abusos sexuais. Em discurso na McNichols Arena, João Paulo lamentou “os pecados de alguns ministros do altar.”)

8 Bento XVI, Turquia, 28 de novembro a 1º de dezembro de 2006

A mais grave crise nas relações entre cristãos e muçulmanos desde o 11 de setembro eclodiu em setembro de 2006, quando Bento XVI proferiu um discurso em Regensburg,Alemanha, no qual citou um imperador bizantino do século XIII, insinuando que Maomé”trouxe apenas coisas más e desumanas, como sua ordem para difundir pela espada a fé que pregava”.

Essa declaração provocou protestos pelo mundo islâmico, o que fez com que Bento XVIvisitasse a Turquia, dois meses depois, para um momento “ou vai, ou racha”, a fim de evitar um “choque de civilizações”. Bento XVI usou a viagem para dar sinais de reconciliação, incluindo o que ainda é, sem dúvida, a imagem mais improvável do seu pontificado: Bento e o grande mufti deIstambul, Mustafa Cagrici, diante do mirhab, na famosaMesquita Azul, em um momento de oração silenciosa.

A viagem à Turquia preparou o terreno para a posterior evolução na abordagem de Bento XVI das relações com o Islã, sobretudo da grande “aliança de civilizações” que ele propôs na Jordânia, em maio de 2009.

7. João Paulo II, Manila, Filipinas, 12 a 16 janeiro de 1995

Escritores espirituais sempre insistem que a Igreja não é a Microsoft, que a fidelidade é mais importante do que o sucesso mundano. Se as medidas quantitativas fossem tudo o que importa, no entanto, a visita de João Paulo a Manila, para a Jornada Mundial da Juventude de 1995, estaria facilmente no topo das paradas dos passeios papais triunfantes.

O número estimado de pessoas que compareceram à sua missa, no Luneta Park, no dia 15 de janeiro de 1995, foi entre quatro e cinco milhões — o maior público de um evento papal e uma das maiores concentrações pacíficas na história humana. (O único acontecimento centrado em um líder religioso comparável seria a reunião de três a dez milhões de iranianos que participaram no funeral do aiatolá Khomeini, em junho de 1989). A multidão estava tão condensada que João Paulo teve que chegar de helicóptero em vez do papamóvel.


Vista aérea do Luneta Park, em Manila, na visita de João Paulo II, em 1995

Como a viagem de Denver, dois anos antes, Manila era uma revanche da Jornada Mundial da Juventude contra o ceticismo de muitos líderes da igreja que se perguntavam se os jovens realmente responderiam. (João Paulo disse uma vez que, embora as pessoas pensem que a finalidade da Jornada Mundial da Juventude é converter a jovens, na verdade, é a de converter os bispos!)

6. Empate entre: João Paulo II, Nicarágua, 4 de março de 1983; e João Paulo II, Cuba, de 21 a 26 janeiro de 1998

Cada viagem em um ambiente difícil é um lance de dados e, às vezes, o resultado não é dos melhores. Quando João Paulo II visitou a Nicarágua, em 1983, muitos esperavam que o pontífice iria atuar como um pacificador e aliviar as tensões entre o regime sandinista, a hierarquia católica local e os rebeldes. Em vez disso, a viagem deixou o país ainda mais polarizado. (Quem merece a culpa é, naturalmente, um ponto a ser debatido).

Durante uma missa em Manágua, João Paulo II ficou visivelmente irritado com agitadores sandinistas, gritando com eles para que ficassem em silêncio. A viagem também produziu uma imagem icônica de João Paulo II repreendendo Ernesto Cardenal, um teólogo da libertação e apoiador sandinista, que se tornaria um ícone da crítica progressista católica ao papa.(foto ao lado)

Em contraste, a viagem a Cuba, em 1998, foi uma oportunidade perdida por vir em uma má hora. Ocorreu em um momento crítico, quando a pressão criada pelos holofotes da mídia global forçava Fidel a abrir o regime. Na véspera da viagem, a maioria dos meios de comunicação passaram a cobrir o que viam como uma história mais atraente: o escândalo Monica Lewinsky, que eclodiu no mesmo dia em que João Paulo tocou em Havana. (A propósito, João Paulo disse mais tarde a assessores que nenhum líder mundial havia se preparado tanto para uma viagem papal como Castro, que inclusive citou suas encíclicas durante suas reuniões privadas).

5. João Paulo II, México, 26 a 31 janeiro de 1979

João Paulo II fez 104 viagens fora da Itália, cobrindo três quartos de um milhão de milhas, mais de três vezes a distância da Terra à Lua. Sua primeiríssima viagem, para o México, estreou três características definidoras do seu papado.

Primeiro, ela ressaltou a sua coragem. Seu antecessor, João Paulo I, recusou um convite para participar de uma reunião dos bispos latino-americanos em Puebla, temendo o confronto com o regime anticlerical do México. João Paulo II não só aceitou como usava a batina por onde andava, o que tecnicamente era uma violação da lei mexicana. (Os bispos que o saudaram no aeroporto estavam em casacos e gravatas).

Em segundo lugar, a viagem estabeleceu a reputação de João Paulo II como um ímã para a humanidade. No total, estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas viram o papa durante os seis dias. Cerca de 3.600 jornalistas receberam credenciamento para cobrir a aparição do papa em Puebla – em comparação, apenas cerca de uma dúzia apareceu quando os bispos latino-americanos se reuniram em Medellín em 1978.

Em terceiro lugar, a viagem aludiu à relação ambivalente que João Paulo teria com aTeologia da Libertação. Ele denunciou a injustiça, mas também enfatizou a “primazia do espiritual”, rejeitou o marxismo e insistiu na unidade da Igreja.

(Na mesma viagem, João Paulo também visitou a República Dominicana e as Bahamas. É significativo que a sua primeira viagem levou João Paulo para o Ocidente. Ele usou suas viagens para chamar a atenção para o que considerava como cantos negligenciados do mundo).

4. Paulo VI, Terra Santa, 4 a 6 janeiro de 1964

Apesar de João Paulo II ser geralmente considerado como o “papa das primeiras vezes”, em muitos casos, foi Paulo VI que quebrou paradigmas. Viajar foi um exemplo: Paulo VI fez nove viagens ao exterior, incluindo simbolicamente todos os continentes da terra. Sua primeira aparição, enquanto o Vaticano II ainda estava em andamento, continua sendo a mais célebre. Foi a primeira vez que um papa pôs os pés na Terra Santa desde a época de São Pedro, a primeira vez que um papa deixou a Itália em quase dois séculos, e a primeira vez que um papa viajou de avião.

Substancialmente, a viagem foi importante por duas razões. Primeiro, ele estabeleceu o Oriente Médio como um foco especial de preocupação diplomática para o Vaticano, apesar de Paulo insistir repetidas vezes que a visita foi “puramente pastoral”. (É também um indicativo da distância na relação com Israel: durante suas 11 horas em solo israelense,Paulo VI nunca usou o nome do país e evitou todos os lugares de importância judaica, como o Yad Vashem).

Segundo, a viagem trouxe um grande avanço nas relações católico-ortodoxas. Paulo VI se encontrou com o patriarca ecumênico Atenágoras de Constantinopla no Monte das Oliveiras, a primeira vez que um papa e o patriarca trocaram ideias desde 1439. (Quando um repórter perguntou a Atenágoras porque ele tinha ido, ele respondeu, brincando: “Para dizer bom dia ao meu irmão papa… Fazia 500 anos que não nos falávamos!”). A dinâmica gerada pela reunião levou a um mútuo levantamento dos anátemas que tinham separado católicos e ortodoxos desde 1054. De muitas maneiras, a viagem de 1964 foi o ponto alto do pontificado de Paulo VI. Quando ele retornou ao Vaticano II, depois, foi ovacionado pelos bispos.

3. João Paulo II, Assis, 27 de outubro de 1986

No espírito de “tamanho não interessa”, a viagem de outubro de 1986 de João Paulo a Assis esteve entre os mais curtos trajetos de seu pontificado, mas também um dos mais significativos. A ideia foi a de reunir os líderes das religiões do mundo para rezar pela paz no berço do primeiro embaixador do catolicismo da unidade, São Francisco. Visto que a Igreja tem mais de 2 mil anos de história, é difícil encontrar algo verdadeiramente sem precedentes, mas esse foi um grande acontecimento: um pontífice romano ao lado de rabinos, muftis, xamãs e monges budistas, em um apelo comum para o Todo-Poderoso. O evento teve um significado duradouro por três razões.

Primeiro, emprestou um poderoso ímpeto ao diálogo inter-religioso e colaborativo. João Paulo II convocaria, mais tarde, duas outras cúpulas em Assis, em 1993 e 2002, e a Comunidade de Santo Egídio começou a organizar um encontro anual de líderes religiosos “no espírito de Assis”.

Em segundo lugar, demonstrou a capacidade única do papado de unir personalidades díspares para galvanizar a atenção da mídia e mover opiniões. O arcebispo de Canterbury,Robert Runcie, disse: “Só o ministério petrino poderia convocar uma assembleia como esta”.

Terceiro, enfatizou por que o historiador italiano e fundador da Santo Egídio, Andrea Riccardi, afirmou que João Paulo II não poderia exatamente ser entendido como um “conservador”, uma vez que ele enfrentou duras críticas da direita católica pelo fato de que Assis corria o risco de beirar o sincretismo e o relativismo religioso. Em vez disso, Riccardi propôs que João Paulo fosse recordado como “o papa da complexidade católica”.

2. João Paulo II, Terra Santa, 20 a 26 de março de 2000

Como George Weigel escreveu, a peregrinação de João Paulo II à Terra Santa no ano do Grande Jubileu pertence ao “reino do épico”. Qualquer lista de indeléveis imagens espirituais do século XX tem que incluir um frágil João Paulo II, sozinho no Muro das Lamentações, em Jerusalém, deixando uma nota manuscrita, desculpando-se por séculos de anti-semitismo cristão. (Sua frase-chave foi: “Estamos profundamente entristecidos pelo comportamento daqueles que, no decurso da história, causaram sofrimento a vossos filhos”).

O Papa também visitou o Memorial do Holocausto Yad Vashem, conheceu sete sobreviventes e disse: “Não há palavras suficientemente fortes para deplorar a terrível tragédia do Holocausto”. O primeiro-ministro israelita, Ehud Barak, descreveu a visita como “o clímax de uma jornada histórica de cura”.

Na mesma viagem, João Paulo II entrou nos territórios palestinos para se encontrar comYasser Arafat. Ele também parou no campo de refugiados Deheisheh, onde disse: “Durante o meu pontificado senti-me próximo ao povo palestino em seu sofrimento”.

Certamente a viagem teve os seus defeitos. O mais explosivo ocorreu durante um encontro inter-religioso, no Centro Notre Dame, em Jerusalém, quando um rabino e um xeique entraram em uma discussão violenta.

No entanto, tomada como um todo, a viagem simbolizou uma das conquistas mais marcantes do pontificado de quase 27 anos de João Paulo. Ele conseguiu revolucionar a relação da Igreja com o Judaísmo e Islamismo ao mesmo tempo.

1. João Paulo II, Polônia, 2 a 10 de junho de 1979

O papa polonês faria oito viagens à sua terra natal, incluindo três antes da queda do Muro de Berlim. Cada um desses retornos ajudou a ajeitar os dominós que despencavam em direção ao colapso do império soviético, mas o primeiro deles foi central. Quando o avião de João Paulo II desembarcou no aeroporto de Okecie, em 2 de junho de 1979, os sinos das igrejas soaram em todo o país, um sinal inequívoco de que os esforços para erradicar a identidade comunista da Polônia católica haviam falhado. João Paulo falou para toda a nação, fazendo 32 discursos em nove dias, e foi inundado por multidões de adoradores em todo lugar que ia.

O comentarista polonês Bogdan Szajkowski disse que a viagem foi “um terremoto psicológico, uma oportunidade de catarse política para as massas”. Vaclav Havel, mais tarde, chamou-a de “milagre”, argumentando que a viagem foi a mais importante inspiração para a resistência antissoviética do que qualquer outro líder ocidental já havia feito.

O momento icônico aconteceu durante uma missa na Praça da Vitória, em Varsóvia, na qual João Paulo II rezou em voz alta: “Que o vosso Espírito desça e renove a face da terra… a face desta terra”. Essa frase se tornou um lema não-oficial do movimento Solidariedade, que nasceu um ano depois.

O cardeal Stanislaw Dziwisz, de Cracóvia, antigo secretário de João Paulo, resumiu a experiência da seguinte forma: “Hoje, sem dúvida, podemos dizer que a sua primeira peregrinação à Polônia foi a mais importante de todas as viagens papais, porque iniciou um processo incrível de mudanças em nível global”, afirmou em 2009.

Destaques extras

Aqui estão mais oito viagens que eu decidi, por razões diversas, não cortar.

1. Bento XVI, Estados Unidos, 15 a 21 abril de 2008: Marcando a primeira vez que um papa se encontrou com vítimas de abuso sexual, a viagem dimensionou publicamente o engajamento de Bento XVI na crise.

2. João Paulo II, Chile, abril de 1987: O momento icônico da viagem foi quando João Paulo II e Augusto Pinochet estiveram de pé, juntos, na varanda do Palácio de La Moneda, em Santiago. Críticos dizem que foi uma postura ambivalente diante de ditadores latino-americanos. Defensores chamam de triunfo da diplomacia, já que, depois da visita a Pinochet, começou uma transição para um regime democrático.

3. Paulo VI, Irã, Paquistão, Filipinas, Ilhas Samoa, Austrália, Indonésia, Hong Kong e Sri Lanka, 26 de novembro a 5 de dezembro de 1970: As viagens anteriores de Paulo tinham sido tanto para lugares espiritualmente evocativos (Terra Santa,Fátima) quanto para países de maioria cristã. Nessa viagem, ele estabeleceu um precedente de divulgação para o mundo inteiro, incluindo o Islã e as grandes religiões da Ásia.

4. Bento XVI, Reino Unido, 16 a 19 setembro de 2010: De todas as viagens papais, foi a que mais surpreendeu com vibrações positivas em comparação com o fracasso que se previa de antemão.

5. João Paulo II, Zaire, Congo, Quênia, Gana, Burkina Faso, Costa do Marfim, 5 a 12 maio de 1980: A primeira viagem papal à África provocou o crescimento e o dinamismo da igreja africana no mapa. Também teve como destaque a imagem João Paulo com um cocar de penas de avestruz, segurando uma lança e um escudo, sentado em um tambor coberto de pele de leopardo.

6. João Paulo II, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, 11 a 21 maio de 1985: A rancorosa viagem para a Holanda refletiu as divisões na Igreja pós-Vaticano II. Assim como João Paulo II foi saudado por uma morna multidão em alguns lugares, foi também recebido por furiosos protestos em outros. Comentaristas apelidaram de “a pior viagem” do seu pontificado. Um deles escreveu: “Nunca antes as ruas estiveram tão vazias, e os atiradores de pedras, tão perto.”

7. João Paulo II, Irlanda e Estados Unidos, 29 de setembro a 8 de outubro de 1979: Entre outras coisas, a viagem passou a simbolizar a fermentação das mulheres no catolicismo, quando a Irmã da Divina Misericórdia, Teresa Kane,  discursou para o papa naUniversidade Católica, pedindo que as mulheres fossem “incluídas em todos os ministérios da igreja”.

8. João Paulo II, Cazaquistão e Armênia, 22 a 27 setembro de 2001: Apenas 11 dias depois do 11 de setembro, muitos observadores do Vaticano supuseram que a viagem para Cazaquistão – nação com maior número de muçulmanos por metro quadrado, como noAfeganistão, onde as bombas americanas estavam prestes a cair – seria cancelada como uma medida de segurança. Em vez disso, imagens impressionantes de solidariedade foram registradas, incluindo uma multidão de muçulmanos indo à missa campal do papa em Astana.

Atentados e segurança

Aqui vai uma observação final sobre viagens papais. Puramente baseado em experiências do passado, um dos destinos mais perigosos para qualquer papa visitar é Manila. Até agora, houve três visitas papais e duas tentativas de assassinato.

Em 1970, um pintor surrealista boliviano chamado Benjamin Mendoza y Amor vestiu uma batina e tentou esfaquear Paulo VI com um punhal, protestando contra o que descreveu como “ignorância e hipocrisia” da religião.

Em 1995, um esquema para matar João Paulo II, projetado por Ramzi Yousef, um islâmico radical e uma das figuras-chave no atentado de 1993 ao World Trade Center, deu errado.

Digo isso porque continua havendo especulação, nas Filipinas, sobre uma possível visita de Bento XVI, o que certamente torna a vida interessante do ponto de vista da segurança.

No próximo sábado, dia 11 de junho o Papa acolherá no Vaticano cerca de 1.400 ciganos europeus, por ocasião de sua peregrinação a Roma nos 75 anos do martírio e dos 150 anos do nascimento do Beato Zefferino Giménez Malla, cigano mártir da fé, de origem espanhola.

Estima-se que no mundo existam cerca de 36 milhões de ciganos, dos quais 18 milhões vivem na Índia, 15 milhões na Europa e mais de 2 milhões no continente americano: na Itália são 170 mil. A peregrinação é organizada pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, em colaboração com a Fundação “Migrantes”, da Conferência Episcopal Italiana, a Diocese de Roma e da Comunidade de Sant’Egidio.

O presidente da Comunidade de Sant’Egidio, Prof. Marco Impagliazzo falando à Rádio Vaticano recordou que é o primeiro caso na história que um Papa recebe precisamente no Vaticano, ao lado do túmulo do Apóstolo Pedro, os ciganos, os síntios e todos aqueles que se reconhecem nas populações ciganas. Para o professor isso parece algo de muito significativo, para além de histórico, pois comprova que a Igreja ama os ciganos, que o Papa ama os ciganos e que a Igreja quer que eles sejam reconhecidos como uma minoria europeia, com seus direitos e deveres.

O encontro do Papa com os ciganos tem um significado muito importante em um momento em que vários episódios de “antigitanismo” estão se espalhando em vários países europeus: a questão da não-acolhida das populações ciganas está sempre na ordem do dia. Mas há também um significado particular, porque os ciganos estão mudando: há um desejo grande de integração nas sociedades europeias. Assim, com esta audiência – frisou ainda o Professor Marco Impagliazzo – creio que a Igreja deseja incentivar essa mudança na história dos ciganos, que – na maioria – já não se sentem mais nômades, mas têm a vontade e o desejo de se integrarem.

Fonte: Rádio Vaticano