Agência Fides –

São 2.141 os cristãos vítimas de agressões, ataques e perseguições em 2011, sem contar suas famílias, parentes e amigos, alvos indiretos.

Prevê-se que as perseguições, obra de grupos de extremistas hinduístas, aumentarão em 2012. Este é o cenário traçado pelo novo Relatório 2011 sobre as Perseguições na Índia, publicado hoje por “Catholic Secular Forum” (CSF), Organização ecumênica fundada por católicos indianos, com o apoio do Cardeal Oswald Gracias, Arcebispo de Mumbai.

O Relatório, enviado por CSF à Agência Fides, traça um quadro com contornos obscuros, no qual a violência anticristã dos hinduístas radicais é definida “um vírus que infesta a sociedade”. A perseguição, de fato, “se tornou mais difusa, e cobre quase todos os Estados do país”.

Um mínimo de 1.000 famílias cristãs foram atingidas por esses ataques: o Relatório denuncia “uma campanha premeditada” contra alvos fracos e, devido a sinalizações já recebidas, prevê um aumento em 2012. O texto evidencia 250 entre os crimes mais graves e levanta questões sobre a liberdade de fé, sobre o abuso dos direitos humanos e dos direitos constitucionais. Segundo CSF, os episódios registrados são somente aqueles trazidos à luz e denunciados pela imprensa: se fossem contabilizados os casos não registrados, o número total poderia triplicar.

Em primeiro lugar nos episódios de perseguição, o Relatório classifica como “Estado canalha” o Karnataka, grande Estado da Índia meridional. Aqui se verificaram em 2011 mais de mil ataques aos cristãos, “uma média de 3-5 ataques por dia”. Outros Estados citados foram Orissa, Gujarat, Madhya Pradesh, Chhattisgarh.

As principais vítimas são as crianças e as mulheres. As crianças, “observadores inermes dos crimes”, sofrem os efeitos como a privação de educação elementar, desnutrição, a vida nos campos para refugiados, o medo e a insegurança financeira, o abuso e o trabalho infantil.

As mulheres também são vulneráveis: freiras, irmãs, mulheres ou filhas de pastores ou de líderes das comunidades são vítimas de estupros e moléstias sexuais.

O juiz Michael F. Saldanha, comentando o Relatório, pediu a atenção nacional e internacional, afirmando que “a polícia, a burocracia e a magistratura dão a impressão de ter abdicado de seu dever”. Segundo o prof. Ram Puniyani, estudioso dos grupos de extremistas hinduístas, “os afiliados do Hindutva (ideologia hinduísta, ndr) dirigiram claramente sua atenção aos cristãos, sobretudo autóctones, encontrando nas comunidades alvos fáceis, com escasso temor de que possam se rebelar”.

Segundo os grupos extremistas hinduístas, os missionários cristãos convertem com a força, a fraude e a sedução e, portanto, “são uma ameaça ao Hinduísmo”. Essas teses, disse o prof. Puniyani, é desmentida pelos fatos, já que a porcentagem dos cristãos na Índia diminuiu: eram 2,60% da população em 1972, 2,44% em 1981, e 2,30% em 2001.

Uma mulher de 28 anos foi presa por extremistas islâmicos do grupo Al Shabbab por ter se convertido ao cristianismo. Após um mês presa em um campo-prisão do grupo islâmico ela foi chicoteada em praça pública antes de ser libertada.

Sofia Osman recebeu a punição de 40 chibatadas por acreditar em uma “religião estrangeira”. Depois do açoitamento amigos da mulher afirmaram: “Sofia foi chicoteada durante 3 horas, mas ela não disse para nós depois quais foram outras humilhações ela passou enquanto esteve presa”.

Uma testemunha ocular afirmou ao Compass que punição fez com que Sofia sangrasse muito e perdesse a consciência. Centenas de pessoas assistiram à punição recebida pela cristã.

“Após ser solta e receber a punição, ela estava sendo tratada em sua própria casa pelos seus familiares. Ela não estava conseguindo conversar com ninguém e parecia muito confusa”, disse uma fonte próxima da família que pediu: “Por favor, orem para que a sua recuperação seja rápida”.

Segundo o Portas Abertas Sofia é cristã há mais de quatro anos e fazia parte de uma igreja subterrânea que fica em uma região dominada pelo maior grupo extremista islâmico do país, o Al Shabbab.

A organização internacional Portas Abertas publicou a lista dos países em que os cristãos foram mais perseguidos em 2011. Encabeçada por um país comunista, a Coreia do Norte, a lista revela, entretanto, que os maiores algozes do cristianismo têm sido os países islâmicos. Somente dois países latinoamericanos freqüentam a lista, Colômbia e Cuba, por razões diversas. A lista ainda não contempla o tipo de perseguição que se verifica nos países ocidentais, a de matriz secularista.

Vamos à primeira parte da lista:

1º Coreia do Norte – comunista

Local no planeta onde ser cristão é mais difícil. Os cristãos são presos, torturados e mortos. No entanto, a Igreja está crescendo: há cerca de 400.000 cristãos no país. População: 24 milhões e 500 mil.

2º Afeganistão – muçulmano

Os cristãos que falam sobre sua fé enfrentam violência e ameaças de morte. Mas apesar de todos os perigos, o cristianismo continua a crescer: ainda são 0,01% da população de 30 milhões.

3º Arábia Saudita – muçulmano

A liberdade religiosa não existe nesse reino islâmico. Todos os envolvidos em reuniões religiosas não muçulmanas podem ser presos, deportados ou torturados. Numa população de 28 milhões, os cristãos contam poucos milhares, a maioria de estrangeiros.

4º Somália – muçulmano

Os poucos cristãos são fortemente perseguidos, e devem praticar sua fé em segredo. Alguns foram forçados a fugir para viver em outros países. Há pouco mais de 1 mil cristãos numa população de 9 milhões.

5º Irã – muçulmano

Os cristãos relatam violência física, ameaças e discriminação por causa de sua fé. Muitos cultos têm sido monitorados pela polícia secreta. Os cristãos são 0,4% numa população de 78 milhões.

6º Maldivas – muçulmano

Todos os cidadãos devem ser muçulmanos, e qualquer outra religião é proibida. Os cristãos são discriminados pelo governo e sociedade. Não é permitido construir igrejas ou importar materiais religiosos. Numa população de 400 mil, apenas trabalhadores estrangeiros são cristãos.

7º Uzbequistão – muçulmano

Cristãos têm suas casas invadidas, materiais cristãos são confiscados. Muitos líderes foram interrogados e agredidos pela polícia. Ainda assim, a Igreja continua a crescer. Os cristãos já somam 9% numa população de 28 milhões.

8º Iêmen – muçulmano

Em um dos países menos evangelizados no mundo, os cidadãos não podem mudar de religião. Os que se convertem ao cristianismo enfrentam oposição e possível pena de morte. Os cristãos são apenas 0,01% numa população de 24 milhões.

9º Iraque – muçulmano

A perseguição não se dá de forma sistemática. No entanto, quase todos os grupos independentes (alheios ao governo) se posicionam contra a minoria cristã. Há conversão forçada ao islã, sequestros e vandalismo nas igrejas. Os cristãos são 3% em 28 milhões de habitantes.

10º Paquistão – muçulmano

Grupos extremistas incitam o ódio contra os cristãos, o que resulta em prisões, agressões, sequestros, estupros e ataques a casas e igrejas. Os cristãos são 2,5% numa população de 170 milhões.

11º Eritreia

Mais de 2.800 cristãos estão na prisão, e seus familiares não têm notícias deles há meses e anos. O governo exige que os grupos religiosos se registrem, mas não aprova nenhum registro, desde 2002, além dos quatro principais grupos religiosos: a Igreja Ortodoxa da Eritreia, a Igreja (luterana) Evangélica da Eritreia, o Islã e a Igreja Católica Romana. Os demais grupos religiosos não têm permissão para se reunir ou atuar livremente no país e quando o fazem são perseguidos. Os cristãos somam 45% numa população de 6 milhões.

12º Laos – comunista

Todos os cristãos estão sob vigilância e as atividades da Igreja são limitadas. Os cristãos são 1,5% numa população de 7 milhões.

13º Nigéria

Constitucionalmente, a Nigéria é um Estado laico com liberdade religiosa. Durante quase 40 anos, o governo no norte deu tratamento preferencial a muçulmanos, discriminando os cristãos. Pouco foi feito para pôr um fim à perseguição e, como resultado, muitas igrejas foram queimadas e cristãos, mortos. Os cristãos são 40% numa população de 155 milhões.

14º Mauritânia – muçulmano

Não há igreja liderada por mauritanos. Os cristãos do país não conhecem muito do cristianismo e têm princípios bastante influenciados pelo islamismo. Há missionários no país, mas todos eles estão envolvidos com o trabalho de ONGs, ou possuem um emprego secular para garantir seu sustento. Os cristãos não chegam a 1% numa população de 3 milhões e 500 mil.

15º Egito – muçulmano

O cristianismo abrange em torno de 11% da população egípcia de 85 milhões, sendo considerada a maior população cristã nos países árabes. Sua participação percentual está crescendo lentamente, em função dos nascimentos em lares cristãos. A cada ano, o contingente cristão sofre baixas devido à emigração e à conversão ao islamismo.

16º Sudão – muçulmano

Desde a divisão do país, tornou-se majoritariamente muçulmano, pois a população cristã se concentra no sul. Os cristãos são hoje 3% numa população de 30 milhões.

17º Butão – budista

Os cristãos são forçados a se reunir secretamente. Aqueles que se convertem ao cristianismo enfrentam oposição da família e da comunidade. Os cristãos são apenas 1,4% em 708 mil habitantes.

18º Turcomenistão – muçulmano

Os cristãos são presos e multados. Casas e locais de culto sem registro são invadidos pela polícia. Apesar de tudo isso, a Igreja continua a crescer. Os cristãos – na maioria ortodoxos – são 9% numa população de 5 milhões.

19º Vietnã – comunista

A igreja vietnamita ocupa uma posição minoritária, abrangendo cerca de 7 milhões de pessoas ou 8% numa população de 90 milhões. Desse total, seis milhões são católicos, enquanto a maior parte dos protestantes pertence às minorias étnicas tribais. A constituição do país prevê liberdade religiosa, mas na verdade o governo restringe algumas atividades. Embora ainda persistam certas restrições às liberdades individuais, a nação tem aumentado gradualmente suas relações com o resto do mundo.

20º Chechênia – muçulmano

A Chechênia é a única “província” (a Rússia não reconhece o Estado Checheno) muçulmana no Cáucaso. Organizações islâmicas políticas e religiosas pressionam a sociedade para aderir à fé muçulmana. Elas implementam as suas próprias leis em um “país” onde a autoridade do governo central é favorável ao islamismo. Numa população de 1 milhão e 200 mil, poucos milhares são cristãos.

21º China – comunista

Os cristãos são 11% numa população de 1 bilhão e 350 milhões de habitantes. O governo procura controlar a religião através de “associações patrióticas” e persegue os que não se submetem a seu controle.

22º Qatar – muçulmano

Abandonar o islamismo é considerado apostasia e aqueles que se convertem ao cristianismo enfrentam perseguição severa. Os cristãos são 8,5% numa população de 1 milhão e 500 mil.

23º Argélia – muçulmano

Cerca de um terço dos cristãos da Argélia é estrangeiro. Apesar de haver milhares de cristãos argelinos, eles representam menos que 0,5% numa população de 35 milhões e organizam cultos em reuniões secretas nos lares.

24º Comores – muçulmano

A constituição do país prevê liberdade religiosa, mas o código penal proíbe de forma estrita o proselitismo de outras religiões que não o islamismo. Os líderes cristãos africanos dizem que Comores é a região do mundo mais difícil para se evangelizar, e quem for pego evangelizando pode ser preso e multado. Os cristãos são discriminados em todos os setores da sociedade, mas não há restrições quanto à prática religiosa particular. Os cristãos são 2% numa população de 800 mil.

25º Azerbaijão – muçulmano

Alarmadas com o crescimento da Igreja, as autoridades aumentaram a pressão sobre os cristãos. Os cristãos são 5% numa população de 9 milhões.

Christian Post

O cristianismo pode ser erradicado de países como Afeganistão e Iraque dentro de poucos anos, diz Leonard Leo, presidente da Comissão Norte-americana Pela Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), agência governamental que defende a liberdade religiosa em todo o globo.

Os cristãos egípcios, acrescenta, possivelmente terão um destino semelhante.

Em uma entrevista recente, ele discutiu o futuro das minorias religiosas nos países de maioria muçulmana, especialmente no Iraque, Afeganistão, Egito e Paquistão.

“A situação é quase a mesma em toda a região do Oriente Médio”, disse. “A fuga dos cristãos daquela região não tem precedentes e cresce a cada ano”.

Desde que a guerra no Iraque começou, em março de 2003, as tropas dos EUA continham o que ameaçava tornar-se uma guerra civil. Mas a situação foi catastrófica para a comunidade cristã, pois a violência contra os cristãos aumentou.

Isso inclui um ataque, em outubro 2010, a uma igreja em Bagdá, quando 58 fiéis foram mortos. Calcula-se que 900 mil cristãos fugiram do país desde então, segundo aponta um estudo recente do Grupo Minority Rights International.

O especialista em liberdade religiosa acusa o governo iraquiano de não tomar as medidas adequadas para proteger os cristãos ou processar aqueles que os atacaram. Ele acrescentou que as minorias religiosas sempre foram parte importante da sociedade iraquiana e seu desaparecimento seria um “problema sério”.

As tropas dos EUA saíram do Iraque em 15 de dezembro, e a retirada final do Afeganistão está muito próxima de acontecer.

O relatório anual da agência que trata da liberdade religiosa mostra que no Iraque continuam ocorrendo “violações sistemáticas, contínuas e flagrantes dessa liberdade”. Pelo menos metade da comunidade cristã iraquiana deixou o país desde a invasão dos EUA. Em 2003, estima-se que havia cerca de 1,2 milhão de católicos, assírios ortodoxos, armênios (católicos e ortodoxos) além de evangélicos no Iraque.

Hoje, líderes comunitários estimam que o número de cristãos gira em torno de 500 mil.

No Afeganistão, “as condições para a liberdade religiosa continuam problemáticas, apesar de alguns avanços nesse sentido desde a queda do regime talibã, no final de 2001″, diz o relatório da USCIRF. A Constituição que foi elaborado com a ajuda do governo dos Estados Unidos ainda permite que o governo afegão negue a liberdade religiosa para as pessoas das religiões minoritárias, incluindo o cristianismo.

No Egito, de acordo com Leo, a violência e a discriminação contra os cristãos pode inspirar uma migração em massa da população copta daquela nação. Isso significa que os muçulmanos radicais poderão atingir seu objetivo.

“Com o que está acontecendo no Egito e as incertezas atuais, há muito pouco incentivo para que um cristão permaneça na sua terra”, disse Leo. “Não me surpreenderia em nada vermos no Egito o que ocorre em um grande número de outros países, onde as pessoas simplesmente vão embora.”

Mesmo no governo de Mubarak, as autoridades não estavam cuidando das minorias adequadamente. Leonard Leo teme que as novas leis no Egito possam restringir ainda mais as igrejas, o que poderia espantar os membros mais jovens da comunidade copta.

Outros países citados pelo relatório USCIRF, onde as comunidades religiosas minoritárias estão enfrentando ameaças incluem o Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão.

Zenit

O escritório provincial dos Redentoristas na capital Saigon recusou uma visita de cortesia, com motivo do Natal e do Ano Novo, de uma delegação do Gabinete de Assuntos Religiosos do governo vietnamita. Quem relatou isso, ontem, quarta-feira, 14 dezembro, foi a agência de informações das Missões Estrangeiras de Paris, Eglises d’Asie.

A secretaria provincial da Congregação dos Redentoristas enviou de fato uma carta oficial ao Gabinete de Assuntos Religiosos e de Minorias Étnicas Ho Chi Minh City (antiga Saigon). Na carta, os líderes da província vietnamita dos Redentoristas anunciaram que este ano não receberão a delegação para os Assuntos Religiosos, encarregada por apresentar as tradicionais felicitações do governo durante o Natal e o Ano Novo. A carta explica também as razões da decisão.

Como lembra Eglises d’Asie, trata-se de uma tradição consolidada desde os primórdios da República Democrática do Vietnã em 1954. Cada ano, poucos dias antes do Natal, delegações de vários órgãos governamentais transmitem seus bons votos para as principais instituições religiosas da região. Esta visita anual de cortesia foi comunicada aos Redentoristas pelas autoridades em uma carta. Liderando a delegação esteve o vice-diretor para os Assuntos Religiosos de Saigon, especificava a carta, que também foi adicionado ao programa da visita.

No dia antes da visita, terça-feira, 13 de dezembro, o secretário provincial da Congregação dos Redentoristas enviou ao Gabinete de Assuntos Religiosos um nova carta, anunciando que os responsáveis dos Redentoristas recusavam receber a delegação oficial.

A carta explica o motivo da decisão com as seguintes palavras: “Durante o ano passado, nós enviamos muitas cartas ao Gabinete de Assuntos Religiosos e das Minorias Étnicas da cidade, relativas à proibição de deixar o país, para uma viagem ao exterior, notificada ao nosso superior provincial, Padre Pham Trung Than, e ao secretário da congregação, padre Dinh Huu Thoai, e também as construções iniciadas sem autorizações nas propriedades religiosas pertencentes à Congregação dos Redentoristas (…)

Até agora, não recebemos nenhuma resposta do seu gabinete, que portanto não fez o que era seu dever mínimo. Acreditamos, portanto, que a visita e a apresentação das suas felicitações, por ocasião do Natal e Ano Novo, não fariam outra coisa do que tornar menos alegre a celebração das festas”.

Os três eventos mencionados na carta dos Redentoristas são bem conhecidos. No 10 de julho passado, os agentes da Segurança Pública da cidade de Ho Chi Minh City impediram ao Padre Vicente Pham Trung Thanh de embarcar no avião para Cingapura e a mesma proibição foi notificada ao secretário dos Redentoristas. Os outros dois casos referem-se às propriedades da congregação em Saigon, confiscadas pelo Estado após a mudança de regime em 1975, nas quais as autoridades começaram certos trabalhos sem consulta prévia com os líderes religiosos

Relatório do Departamento de Estado sobre liberdade religiosa dos EUA indica que no Afeganistão não tem mais nenhuma igreja cristã aberta para o público, como também nenhuma escola de ensino cristãos.-

O Afeganistão tem visto uma redução na liberdade religiosa na última década, especialmente desde que as tropas americanas têm atuado lá. Embora a última conhecida igreja cristã foi demolida no ano passado, Todd Nettleton com Voz dos Mártires diz: “Eu acho que há um elemento de abertura que talvez não estivesse lá, particularmente durante o tempo em que o Talibã estava no controle, foi um lugar muito difícil de evangelizar, um lugar muito difícil de entrar. “

As conclusões do relatório não é  surpresa. Afeganistão ocupa a terceira posição no Aberto Watch List Doors World, uma compilação dos países onde a perseguição aos cristãos é o pior.

Mais uma vez, citando opiniões negativas sociais e suspeita de atividade cristã e ocidental como as causas por trás da “segmentação de grupos cristãos e indivíduos, incluindo muçulmanos convertidos ao cristianismo”, o relatório observa que “a falta de capacidade de resposta do governo e proteção para esses grupos e indivíduos contribuiu para a deterioração da liberdade religiosa. “

Constituição do Afeganistão declara: “A religião do Estado da República Islâmica do Afeganistão é a religião sagrada do Islã.” Seguidores de outras religiões possam exercer sua fé e os ritos religiosos “dentro dos limites das disposições da lei”. No entanto, o problema é “nenhuma lei pode ser contrária às crenças e provisões da religião sagrada do Islã”.

Devido à força da oposição, Nettleton diz que os cristãos não são de forma imprudente seguir a Cristo: “Há um risco, e nós vimos relatórios no início deste ano de um cristão ser morto; vimos cristãos que haviam sido presos pelo governo afegão porque eles tinham deixado o islã e seguir outra religião “.

A coisa mais importante agora, Nettleton diz, é “orar para os cristãos afegãos terem grande sabedoria, mas também para ter ousadia em compartilhar sobre Jesus Cristo com seus familiares, com os seus amigos, com seus vizinhos.”

Igreja Católica em Kerala
Igreja Católica em Kerala

A igreja de Nossa Senhora de Vailankanni, no estado de Kerala, sul da Índia, foi invadida e depredada por fanáticos anti-católicos, informou a agência Zenit.

Os vândalos destruíram o altar, ornamentos sagrados e confessionários, além de ameaçarem os fiéis que acudiram em grande número quando ouviram o tumulto.

Os fanáticos hinduístas e islâmicos estão perdendo a cabeça vendo o progresso do catolicismo. 20% da população do estado de Kerala já é católica.

Veneração pública da Cruz,
Kuravilangadu, Kerala

O bispo diocesano D. Stanley Roman explicou que “há uma comunidade católica muito viva e numerosa. Por isso, tínhamos a intenção de construir uma igreja maior. O projeto alarmou os grupos extremistas hinduístas”, além dos islâmicos.

O bispo precisou tranqüilizar o povo católico que estava prestes a dar o troco aos agressores e o convidou a suportar com paciência as violências. “Agiremos segundo a lei”, sublinhou.

Foi essa a conduta dos primeiros católicos no tempo das perseguições romanas. No fim, o império pagão caiu de podre e a Igreja Católica emergiu triunfante das catacumbas.

Luis Dufaur

A Irmã Ana Verônica, oblata de São Francisco de Sales em Paris (Foto abaixo), foi convocada juntamente com vários outros professores de Filosofia ao Liceu Carnot, da capital francesa. O objetivo da reunião era combinar a correção de muitas provas da matéria que tinham ficado sem corrigir no fim do ano escolar.

Ela se apresentou como de costume: com o hábito completo do instituto religioso a que pertence.

Sua presença foi pretexto para um rebuliço. Professores laicistas e socialistas exigiram das autoridades do Liceu a expulsão da religiosa. Pretextavam que ela ofendia a laicidade e, de forma caricata e ofensiva, compararam seu hábito com o véu islâmico.

As autoridades nada fizeram, pois sabiam que o procedimento da religiosa era irrepreensível do ponto de vista legal.

Os professores laicistas exigiram que ela tirasse o hábito. “V. poderia ser mais discreta!”, desabafou uma professora laicista.

– “Eu não posso fazer melhor nem pior. Eu devo levá-lo”, respondeu a jovem religiosa.

Os jornais fizeram estardalhaço com o fato e o secretariado geral do ensino católico exigiu que a irmã Ana Verônica desse prova de “juízo” e comparecesse usando roupas civis.

Com tom sereno e respeitoso, mas firme, a freira respondeu a seus detratores em carta publicada pelo jornal parisiense “La Croix”, de 13-07-2011:

Nós repetimos claramente que jamais tiraremos nosso hábito. …

“Um hábito religioso é o sinal da resposta a um chamado para se consagrar a Deus, que nem todos os batizados recebem.

“Desde 8 de setembro de 2004, data de minha entrada na vida religiosa, minha vida mudou muito e o hábito não é mais que a expressão visível disso.

“Comparecer agora de outra maneira, sem o hábito religioso, é uma coisa impossível para mim, pois eu não uso mais outros vestidos que não sejam os de minha consagração religiosa.

“Eu não sou religiosa por horas.

“Fazemos a profissão para viver seguindo Cristo até a morte.

“Esta consagração religiosa inclui todas as dimensões de nosso ser: corpo, coração, alma e espírito.

“O jovem homem rico do Evangelho recuou diante do apelo de Jesus para segui-Lo, quando Ele posou seu olhar sobre ele.

Religiosas em procissão na Polônia

“Isso significa que a decisão de se consagrar a Deus não é fácil de tomar. Ela pressupõe certas renúncias…

O hábito religioso é sinal desse fato. Ele pode, portanto, ser um sinal de contradição. Nós sabemos que nosso hábito não deixa indiferentes as pessoas. Ele é um testemunho da presença de Deus.

Por meio dele nós relembramos, de modo silencioso mas eloqüente, que Deus existe neste mundo que se obstina a não querer pensar nem sequer na possibilidade da transcendência divina.

“Mas, Jesus nos diz no Evangelho que o servidor não é maior que seu mestre. Vós conheceis a continuação? “Se eles me perseguiram, eles vos perseguirão também” (Jn 15, 20).

E Jesus acrescentou: “As pessoas vos tratarão assim por causa de Mim, porque eles não conhecem Aquele que me enviou” (Jn 15, 21).

A carta da corajosa irmã Ana Verônica causa viva impressão na França.

No Brasil, o PNDH-3 pretende banir os símbolos religiosos dos locais públicos e instalar um laicismo – na realidade, um anti-catolicismo mal disfarçado – como o francês. Para atingir sua finalidade extremada, não poderá deixar de tentar proibir as próprias vestes talares dos religiosos e das religiosas.

3 milhões de mortos por ressistirem ao comunismo
3 milhões de mortos por ressistirem ao comunismo

Os regimes comunistas do Camboja não apenas tiraram a vida de dois milhões de pessoas, como também roubaram da nação a sua cultura e sua história: hoje os jovens formam famílias sem laços com seu patrimônio nacional.

Esta é uma das razões pelas quais a educação é uma prioridade para a Igreja católica no país, afirma Dom Olivier Schmitthaeusler, vigário apostólico de Phnom Penh desde outubro passado.

O programa de televisão Deus chora na Terra, da Catholic Radio and Television Network (CRTN), em colaboração comAjuda à Igreja que Sofre, conversou com este bispo francês de 40 anos sobre a sua vida na terra missionária do Camboja.

– O senhor foi nomeado bispo Phnom Penh há pouco tempo. Como foi a sua reação? Foi uma surpresa?

Dom Schmitthaeusler: Uma surpresa e um susto, porque eu sou muito jovem. Tinha 39 anos, talvez fosse naquele momento o bispo mais jovem do mundo. Era como Jeremias: “Senhor, eu sou muito jovem. O que é que eu posso fazer?”. Então eu me lembrei de Maria, que disse: “Eis aqui a escrava do Senhor”. E aceitei.

O senhor já vive no Camboja há treze anos. Escolheu o Camboja ou foi uma proposta da Sociedade de Missões Estrangeiras?

Dom Schmitthaeusler: Eu sou membro das Missões Estrangeiras de Paris e recebi o meu destino quando me ordenei diácono. Depois da minha ordenação, o superior geral anunciou: “O padre Olivier vai para o Camboja”.

– O senhor sentiu medo?

Dom Schmitthaeusler: Eu fiquei surpreso. E ao mesmo tempo aquilo me deixou muito feliz. Eu já tinha ficado no Japão durante três anos, quando era seminarista. Eu amo a Ásia, e, quando recebi esta missão, me encheu de felicidade ir para o Camboja.

– O senhor trabalhou durante mais de dez anos em paróquias rurais. O que o senhor aprendeu do povo cambojano?

Dom Schmitthaeusler: Para mim foi uma experiência maravilhosa, principalmente por causa dos lugares onde eu estive. Era uma Igreja muito pequena. Quando eu cheguei, só existia um cristão. Nós começamos do nada. Construímos a igreja e organizamos um grupo de jovens. Fizemos o primeiro batismo em 2003 e agora temos um total de 98 pessoas batizadas e 35 catecúmenos que vão ser batizados no ano que vem. Também começamos uma pequena escola, que é uma creche e uma escola de ensino médio. Temos um centro de teares de seda, também. O povo khmer é muito acolhedor e me deu as boas-vindas de braços abertos. Foi uma experiência magnífica para a minha vida sacerdotal. Vai ser bem difícil eu ir embora.

– O povo cambojano tem 96% de budistas. Como é que as aldeias próximas reagiram quando o senhor começou a evangelizar?

Dom Schmitthaeusler: Nesta aldeia nós temos muita sorte. Deus está conosco. As pessoas nos aceitaram muito bem porque nós temos uma creche, e os pais, todos budistas, mandam os filhos para a nossa escola. Também temos um programa parecido com os escoteiros, e todo domingo de manhã temos mais de 300 crianças que participam de uma hora de formação.

– E os pais não têm medo que os filhos se convertam?

Dom Schmitthaeusler: Faz 6 anos que nós estamos fazendo isso, e todo ano aumenta o número, então eu acho que é um bom sinal. Começamos uma nova paróquia a uns 40 quilômetros e no começo tivemos problemas, especialmente com os jovens.

– Por quê?

Dom Schmitthaeusler: Porque durante dois anos, com auto-falantes, os pagodes budistas divulgaram informações errôneas sobre a Igreja católica, dizendo que se as crianças frequentassem a Igreja católica, elas não iam ser autorizadas a se casar, nem iriam conseguir ajudas das ONGs. No Natal de 2006, nós convidamos todos os avós da aldeia. Eles ficaram muito felizes e viram que a Igreja católica é muito aberta e acolhe a todos. Viramos bons amigos. É interessante também que, nesta aldeia, todos os  domingos temos de dez a vinte pessoas da comunidade budista que vêm para a igreja ver o que nós fazemos. Eles assistem à missa e escutam a homilia. A relação é muito interessante.

– A cultura é muito budista. Ser khmer é ser budista, e abraçar outra fé equivale a rejeitar a cultura e a identidade khmer. Isto é verdade?

Dom Schmitthaeusler: Eu acho que no Camboja, durante os quatro anos do reinado de terror de Pol Pot, foi destruído tudo. A cultura e toda forma de religião, como o budismo e o catolicismo. Depois, nos dez anos de ocupação comunista vietnamita, depois do khmer vermelho, continuou sem ser permitida nenhuma forma de religião. Durante os últimos vinte anos, os cambojanos começaram a reconstruir as suas tradições, assim como as práticas religiosas, e agora, acredito eu, as pessoas são mais abertas do que antes. Isso é um grande benefício, principalmente para a Igreja católica.

Quando os jovens viram cristãos, por exemplo, durante o batismo, nós convidamos os pais deles e os avós para participar. Faz dois anos, tivemos um funeral. O funeral é muito importante para os budistas. E eles têm a impressão de que os católicos não têm muito interesse pela morte, não têm respeito pelos mortos, especialmente pelos pais mortos. Todos eles estavam esperando para ver o que é que nós íamos fazer durante a cerimônia do funeral. E depois eles ficaram muito impressionados. Eu segui a tradição deles para os funerais, que inclui os sete dias de velório da tradição budista. Procurei convencê-los de que nós, católicos, não desprezamos os mortos, que temos orações pelos mortos e acreditamos e esperamos a ressurreição. Foi uma oportunidade para sermos testemunhas de Cristo e uma oportunidade para os budistas verem o que nós fazemos.

– O que atrairia um budista a abraçar o cristianismo e se tornar cristão?

Dom Schmitthaeusler: Nós começamos com os jovens. Os jovens são missionários muito eficazes: porque o meu amigo vai na igreja, eu também gostaria de ir, mesmo sem entender bem o que é a Igreja. Esta é a primeira fase.

A segunda fase é o descobrimento da caridade. Nós temos mostras de caridade em todas as nossas igrejas. É a caridade dos católicos com todos, não só com os outros católicos, mas com todos sem preconceitos, especialmente com os pobres. É disto que eles são testemunhas, e é o que vai atraí-los: abrir o coração para amar a todos.

A terceira fase, que é muito importante, é o encontro com Jesus. Mas é claro que isso leva o seu tempo, porque é uma experiência nova, mas, através da oração e da leitura da Escritura, eles se encontram com Jesus. É um processo passo a passo. Normalmente recebemos muitos jovens, na minha igreja temos cerca de cem todo domingo, mais de sessenta budistas. Desses sessenta, vinte ou trinta vão continuar na formação.

Vamos voltar ao tempo do khmer vermelho. Houve uma destruição massiva de igrejas e a proibição absoluta da prática religiosa. Como vocês encaram este problema hoje?

Dom Schmitthaeusler: Esse período de 1975 a 1979 foi marcado pela destruição massiva das propriedades da Igreja e pela morte de padres e religiosos. Tivemos dois bispos mortos; um foi assassinado e o outro morreu doente. O primeiro bispo khmer da história do Camboja. E não vamos esquecer os dois milhões de khmeres mortos. Os missionários começaram a voltar em 1989; o primeiro, depois de 30 anos. A primeira celebração foi na Páscoa e participaram 1.500 pessoas. Alguns eram neo-conversos, porque os missionários eram muito ativos nos campos de refugiados da fronteira tailandesa, e alguns que eram católicos antes do regime de Pol Pot. A nova Igreja católica no Camboja começou com 1.500 pessoas.

Você está começando a reconstruir não só a comunidade, mas também a infraestrutura. Como vai esse processo?

Dom Schmitthaeusler: Em Phnom Penh só temos uma igreja, que antes de Pol Pot era o seminário menor. Nós a compramos faz vinte anos e ela vai ser a principal igreja de Phnom Penh. Temos outra que construímos há quatro anos, mas eu sou um bispo sem catedral, porque a catedral de Phnom Penh foi destruída uma semana depois da ocupação do khmer vermelho, em 1975. Então está tudo em processo. Existe ainda uma revitalização dos cristãos. No ano passado nós fizemos uma análise dos últimos vinte anos de evangelização, de 1989 até 2009, e existe um desejo nas pessoas de ter uma igreja, uma catedral, e isto é um sinal de esperança. E mostra que a presença física é importante.

– Que cicatrizes ainda restam nas pessoas depois de Pol Pot?

Dom Schmitthaeusler: As cicatrizes começaram antes de Pol Pot. Houve uma guerra civil nos setenta, durante a época de Lon Nol, e a ocupação vietnamita depois de Pol Pot. Foi um período muito longo. Não houve transmissão da tradição cultural, dos valores e da história durante aquele tempo todo, e a transmissão de uma geração à seguinte é muito importante. A preocupação principal naquele período era simplesmente sobreviver! Procurar comida, procurar refúgio. Ninguém tinha tempo para transmitir as tradições culturais, os valores e a história. Para os jovens é um desafio começar uma família, porque eles perderam o nexo e o conhecimento do patrimônio deles. No Camboja, 60% da população tem menos de 20 anos. Eles não conheceram a guerra civil, o regime de Pol Pot, nem a sua própria cultura. Isso é um desafio para o governo e também para a Igreja.

– Qual é a prioridade nesta situação?

Dom Schmitthaeusler: A educação é a prioridade no Camboja. Os recursos humanos foram destruídos e agora temos que reconstruir tudo. É prioridade para a Igreja também, porque a educação faz parte da formação, e, para mim, começando uma nova missão na diocese de Phnom Penh, a educação é uma prioridade porque agora nós convivemos com a primeira geração de cristãos. Eles foram batizados há vinte, dez ou cinco anos, e a educação é o caminho para eles aprofundarem as raízes cristãs e culturais, para virarem líderes na Igreja e nas famílias deles e para construírem melhor uma família cristã. Nós temos hoje dois seminaristas, o que é muito, já que só existem 14.000 cristãos. Dois seminaristas é uma boa proporção. Precisamos formar boas famílias para fomentar as vocações. Então, o primeiro objetivo é a formação e a educação em geral. Começamos com uma creche e agora temos 25 na diocese. Também temos uma escola técnica segundo a tradição de Dom Bosco.

– Como está sendo a reconciliação depois desse período terrível, com dois milhões de assassinados?

Dom Schmitthaeusler: A maior parte das pessoas nem pensa nisso, ou não está interessada nisso. A reconciliação é um conceito só nosso. A vida é difícil para a maioria do povo khmer e eles se concentram em correr atrás. Eles olham para o futuro, não para o passado.

– Então a Igreja não tem o objetivo de encarar este problema?

Dom Schmitthaeusler: Nós tratamos desse problema com os nossos serviços de comunicação social. No ano passado fizemos um encontro com um dos juízes internacionais e focamos em reunir os católicos que sobreviveram àquele período. No ano passado, na nossa escola católica, tivemos uma jornada para falar sobre o período do khmer vermelho. Convidamos os sobreviventes para falar. Depois fomos para um lugar que é um local para a memória, os chamados campos da morte. Fizemos orações com os monges e os padres. Tentamos pouco a pouco manter a memória daquela época negra, porque eu acho que é importante recordar, e isso é um desafio para o país, porque não podemos esquecer.

– O rei assistiu à missa de exéquias do papa João Paulo II. Como é a relação hoje com o governo?

Dom Schmitthaeusler: A relação é especialmente boa entre o governo e a Igreja católica. Temos um Ministério de Culto e Religião, como em todos os outros países comunistas. Eu fui vigário geral da diocese de Phnom Penh durante três anos e tenho uma boa relação com o governo. Somos sempre bem-vindos.

– Mas não é fácil. O senhor não pode fazer visitas de porta em porta. Como isso afeta o seu trabalho de evangelização se existem limites para visitar as famílias das aldeias?

Dom Schmitthaeusler: Não é bem assim. Nós não vamos de porta em porta como os mórmons nem temos permissão para usar sistemas de microfones e megafones para fazer proselitismo. E eu entendo isso. Alguns protestantes usaram grandes cartazes para citar passagens bíblicas e isso não é permitido. Eu posso visitar as famílias das aldeias sem restrição nenhuma. Explicamos para o governo o que é a fé católica e sempre usamos o termo católico, e não cristão.

– O que provoca uma reação tão negativa do governo ao se estabelecer uma seita cristã ou protestante?

Dom Schmitthaeusler: Há muitas seitas cristãs no Camboja e para o governo é difícil saber quem é quem. Estão contentes conosco porque temos uma estrutura clara: o Papa, os bispos e os sacerdotes.

– Quais são atualmente as necessidades de seu país e da Igreja Católica?

Dom Schmitthaeusler: A necessidade de formação e ajudar nosso povo a se encontrar com Deus, isso é muito importante. Ter tempo para rezar em silêncio, para se relacionar com Jesus e com Deus – este é um grande desafio em um país budista.


Charge sobre Beato João Paulo II: a “nota discordante” de “Il Misfatto”

Um dia quase perfeito, esplêndido e ensolarado, para Roma e para o mundo. Assim poderia ser resumido o domingo 1º de maio, ou seja, o dia em que o Papa João Paulo II foi beatificado. A liturgia solene celebrada na Praça de São Pedro atraiu a Roma, de acordo com algumas estimativas, cerca de 1,5 milhão de fiéis e peregrinos de todo o mundo, do distante México até a Polônia, terra natal do novo Beato.

Tudo se desenvolveu com grande ordem e sem incidentes, mas não podia faltar a habitual “nota discordante”. Disso se encarregou a dupla de jornalistas que dirige o jornal independente Il Fatto Quotidiano, Antonio Padellaro e Marco Travaglio, que – coincidências da vida -, precisamente no dia 1º de maio, publicaram, em sua charge no Il Misfatto, uma caricatura muito irreverente – segundo alguns, diretamente uma blasfêmia – do Papa Wojtyla.

O desenho, assinado pelo cartunista de quadrinhos eróticos, o italiano Milo Manara, representa o falecido Papa no Paraíso, onde repousa em uma nuvem e está rodeado por três mulheres-anjos, muito atraentes, com atitude provocadora e expressão maliciosa. Enquanto uma voz diz “Fizeram de você um santo! Acabou o passeio grátis!”, a legenda que acompanha o desenho também é muito irreverente: “Na terra não o deixavam morrer (mas depois lhe deram esse prazer, não como ao pecador Welby). No paraíso não o deixam viver”, lê-se, em alusão à doença e agonia do Papa polonês e à chamada “morte doce” de Piergiorgio Welby, em dezembro de 2006. Eloquente é também o título: “Não há paz para Wojtyla”, que se lê em letras grandes.

Estamos na mesma. Enquanto os católicos comemoram a beatificação de Karol Wojtyla, conhecido também como “o gigante de Deus” ou “João Paulo II, o Grande”, algumas pessoas têm que tirar sarro dos seus sentimentos ou ofender suas sensibilidades, tudo em nome do direito à sátira e à liberdade de expressão (muitas vezes entendida como liberdade para insultar). Isso levanta uma questão: Il Fatto teria colocado em sua charge uma imagem irreverente, fazendo referência a outras religiões, como a muçulmana? Provavelmente não, porque teria irrompido um pandemônio, com uma “fatwa” contra o cartunista e a redação. Basta lembrar o clamor provocado pela caricatura do profeta Maomé publicada em setembro de 2005, em um dos jornais dinamarqueses mais conhecidos, o Jyllands-Posten.

É incômodo constatar que, para os autores ou os que apoiam obras blasfemas, os cristãos deveriam permanecer em silêncio diante das provocações. Parece que a única reação que se consente é a de “oferecer a outra face”. É revelador o episódio que teve lugar recentemente na França. No último Domingo de Ramos, um pequeno grupo de jovens destruiu, com marteladas, uma das obras da exposição “Je crois aux miracles. 10 ans de la Collection Lambert“, aberta em 10 de dezembro em outra “cidade dos papas”, Avignon, e que encerrou no domingo, 8 de maio. Como observa Christine Sourgins no site Décryptage (20 de abril), o grupo foi descrito pela mídia como um “comando católico”, “termo militar que permite colocar todos no mesmo saco, com os islamitas”. Ou seja: um cristão que reage a mais uma provocação termina, ipso facto, na categoria de extremista ou terrorista.

A obra de arte “destruída” é do artista americano Andres Serrano e se chama “Piss Christ” (Cristo de urina). Esta é a fotografia de um pequeno crucifixo imerso em urina (do artista), misturada com líquido seminal. O artefato remonta a 1987 e faz parte da série “Inmersions”, que inclui, por exemplo, uma Última Ceia imersa em fluidos fisiológicos. De acordo com Serrano, que se proclama “cristão”, o objetivo é chamar a atenção para a situação da AIDS. Desde o início, a obra – que ganhou em 1989 o prêmio Awards in the Visual Arts – tem provocado fortes polêmicas, nos EUA e na Austrália, onde foi questionada em 1997 pelo arcebispo de Melbourne, Dom George Pell.

O “ataque” à obra, considerada blasfema, no qual também se viu afetada outra fotografia de Serrano, “Soeur Jean Myriam“, provocou reações diversas, incluindo a do ministro da Cultura francês, Frédéric Mitterrand. De acordo com o sobrinho do falecido presidente socialista François Mitterand, a ação atenta “contra um princípio fundamental”, ou seja, “a liberdade de criação e de expressão consagrada na Constituição” (Décryptage). O próprio Mitterand admitiu, no entanto, que uma das obras danificadas “poderia chocar certo público”. Uma declaração surpreendente, é claro, porque, como sempre lembra Sourgins, historiadora da arte e autora de “Les Mirages de l’Art contemporain” -, “a obra realmente choca”.

Que os jovens tenham feito justiça com as próprias mãos, recorrendo à violência e destruindo duas das exposições, é certamente discutível. Porque isso significa “entrar em uma lógica arriscada”, como observou Thibaut Dary, colaborador leigo da diocese de Nanterre (Décryptage, 21 de abril), que sugeriu outra resposta: “Kiss Cristo,” a de beijar Jesus na cruz, como acontece na liturgia da Sexta-Feira Santa.

A lista de obras de arte contemporânea que desprestigiam o cristianismo, em particular o catolicismo, é muito longa. Por exemplo, a “Rã crucificada”, do artista alemão Martin Kippenberger, uma rã verde (de fato, muito feia), crucificada, enquanto tem na mão (ou pata) direita uma cerveja e na esquerda, um ovo. Outro exemplo poderia ser o crucifixo obsceno feito por Federico Solmi, de Bolonha. O trabalho apresentado como a “renovação” de um crucifixo de 1200, representa uma figura nua na cruz (o próprio artista, sorrindo maliciosamente), com o turbante na cabeça, a cruz no peito e o órgão sexual ereto, saindo da roupa íntima.

Também fora do Ocidente não faltam as provocações artísticas anticristãs. Uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, com um cigarro na mão direita e uma lata de cerveja na esquerda, publicada em um livro didático do Ensino Fundamental, abalou a comunidade cristã da Índia no ano passado. Ainda em 2010, foi possível “admirar”, em um shopping da capital chinesa Pequim, um Cristo crucificado com o rosto do personagem da Disney “por excelência”, Mickey Mouse.

Não há dúvida. A arte contemporânea muitas vezes procura provocação em vez de beleza, inclusive o escândalo. Que um dos alvos favoritos seja a cruz ou Jesus crucificado, convida à reflexão. Talvez isso signifique que “o escândalo da cruz” – como São Paulo escreveu em sua Epístola aos Gálatas (5,11) – continua suscitando reações, também adversas, no mundo da arte contemporânea. Mas isso deve acontecer necessariamente de maneira vulgar ou algo pior?

(Paul de Maeyer)

G1

Moradores observam prédio pertencente a cristãos e que foi incendiado por muçulmanos neste domingo (8) em Imbaba, subúrbio do Cairo (Foto: AP)

O número de mortos em confrontos entre muçulmanos e cristão coptas em um subúrbio do Cairo, capital do Egito, subiu de 10 para 12, segundo balanço divulgado neste domingo (8) pelo Ministério da Saúde.

Pelo menos 232 pessoas ficaram feridas, várias gravemente, após os embates da noite da véspera no bairro de Imbaba.

O incidente aconteceu quando grupos muçulmanos atacaram a igreja de Mar Mina, por acreditarem que os cristãos mantinham presa ali uma mulher que tinha se convertido ao Islã para se casar com um jovem dessa fé.

Em entrevista à televisão, o governador da província de Giza, que inclui setores da Grande Cairo e onde está localizdo o bairro de Imbaba, Ali Abdel Rahman, disse que o Exército e a polícia tinham conseguido acalmar a região.

Os muçulmanos agressores pertencem à corrente dos salafistas, uma das mais rigorosas do Islã e que a cada dia está ganhando mais terreno no Egito.

Os cristãos egípcios, majoritariamente coptas, representam cerca de 10% da população do país.

Periodicamente há incidentes armados entre cristãos e muçulmanos no Egito por razões religiosas, especialmente no sul do país.

Governo

O ministro da Justiça, Mohamed el-Guindy, prometeu que o governo vai aumentar a segurança nos locais de culto e endurecer as leis que criminalizam ataque a locais de adoração. 

Mais cedo, o Exército do Egito, que interinamente governa o país após a queda do ditador Hosni Mubarak, disse que 190 pessoas iriam ser julgadas por um tribunal militar após os confrontos.

Um dos temas que geram tensões em países muçulmanos contra as minorias cristãs é, sem dúvida, o das conversões. Em um artigo publicado em 29 de agosto de 2007 pela agência ‘AsiaNews’, o estudioso do Islã e jesuíta egípcio Samir Khalil Samir falou de uma “obsessão real e verdadeira pelas conversões” no mundo islâmico.

Como recordou o Pe. Samir, docente na Universidade de São José, em Beirute, há pelo menos 7 países muçulmanos – principalmente a Arábia Saudita, Irã e Nigéria – nos quais se aplica a pena de morte para aqueles que se convertem do islamismo a outras religiões. A conversão é considerada, de fato, “como um ato de apostasia que merece a morte”.

Outros países, entre os quais o “moderado” Egito, condenaram à prisão por insultar o islã ou por ter causado escândalo (‘fitna’), ao tornar pública a mudança de religião. Outra estratégia para se livrar de um convertido incômodo é forçá-lo a emigrar, como no caso do escritor e teólogo egípcio Nasr Hamed Abu Zaid, que sofreu uma “fatwa”, podendo escapar, nos anos 90, para a Holanda.

Assim, concluiu recentemente, com sucesso, um caso muito dramático e simbólico para o nível de perseguição aos convertidos do islamismo no Egito. Trata-se de Maher Ahmad El-Mo’otahssem Bellah El-Gohary, de 53 anos, e de sua filha de 17, Dina Mo’otahssem ( Foto acima). Conforme relatado por ‘Compass Direct News’ (21 de abril), após um inferno que durou vários anos, o homem chegou a Paris, com sua filha, no último dia 30 de março, partindo de Damasco.

Na capital francesa, onde pediram asilo, El-Gohary se dirigiu, em 18 de abril passado, à embaixada americana para pedir asilo também nos EUA, onde já mora com sua segunda esposa (ela também é uma convertida). Os dois cônjuges não se viam desde março de 2009.

Esta situação se desbloqueou graças a uma autorização obtida através dos tribunais para os expatriados, após a “Revolução de 25 de Janeiro”, e graças à queda do presidente Hosni Mubarak. Fugiram para Damasco em 22 de fevereiro, e lá El-Gohary e sua filha também se sentiram ameaçados. Depois de uma recepção muito fria na embaixada dos EUA em Damasco, o convertido se dirigiu, graças ao conselho da embaixada da Santa Sé, para a França, para solicitar um visto de entrada que lhe foi concedido no mesmo dia. “Eu realmente valorizo o que o embaixador francês fez por nós – disse El-Gohary. Ele nos salvou.”

A aproximação do cristianismo de El-Gohary (ou Peter Athanasius, como também é conhecido) começou há quase 40 anos, quando ele frequentava a academia de polícia e dividia o quarto com um aluno pertencente à minoria copta. Os episódios de “bullying” com relação ao seu companheiro cristão suscitaram o interesse do jovem, que não conhecia o cristianismo. Como geralmente acontece nesses casos, cresceu em El-Gohary o desejo de ler a Bíblia, decisão que causou em seus pais um forte desgosto – seu pai é um policial de alto cargo -, porque a consideravam “um livro verdadeiramente péssimo” (CDN, 25 de maio de 2010).

Sua decisão de seguir a Cristo, tomada após uma visão luminosa, acompanhada por um forte sentimento de paz, expôs El-Gohary a pressões cada vez maiores de “bullying” dentro da academia, até mesmo por parte dos seus superiores. Enquanto ele decidia abandonar sua carreira na polícia, sua conversão também levou a uma crise em seu casamento com uma muçulmana, que pediu e obteve o divórcio.

A vida de El-Gohary, que enquanto isso se casou com outra muçulmana (mas que acabou se convertendo), transformou-se em um pesadelo em agosto de 2008, quando denunciou o governo egípcio, exigindo o direito de mudar sua filiação religiosa no documento de identidade. O objetivo era impedir que sua filha fosse considerada “apóstata” e se visse forçada a acompanhar na escola os cursos de religião islâmica ou forçada a casar-se com um muçulmano. No Egito, os filhos são registrados na carteira de identidade com a religião do pai; e as mulheres muçulmanas são proibidas de se casar com um homem de outra religião.

Esta ação suscitou um clamor tal, que pai e filha foram forçados a se esconder e viver em locais secretos. Sofreram agressões verbais (inclusive dos alto-falantes das mesquitas) e físicas (alguns lançaram uma substância ácida na jaqueta de sua filha, felizmente sem causar dano). Mesmo as atividades mais simples, como ir ao supermercado para fazer compras ou visitar uma igreja, tornaram-se perigosas.

Em maio de 2009, o Conselho de Estado decidiu que, mudando de religião, El-Gohary violou a lei islâmica e poderia até sofrer a pena de morte. Em 13 de junho, confiscaram seu passaporte no aeroporto internacional do Cairo, impedindo-o de sair do país. Em 9 de março do ano seguinte, o Tribunal de Justiça do Conselho de Estado, em Gizé, recusou-se a devolver-lhe o documento.

“Eu acho que é uma forma de punição, para dar exemplo a outros muçulmanos, que pretendem se converter”, comentou El-Gohary, falando sobre as ações tomadas em relação a ele (CDN, 25 de maio de 2010). Não obstante, o homem não cedeu e decidiu continuar em sua luta. “Eu quero mostrar às pessoas – disse ele – a quantidade de perseguições que convertidos do islamismo sofrem aqui, e que esta perseguição vem ocorrendo há mais de 1.400 anos.”

A situação foi descrita como “muito, muito difícil” por El-Gohary. Especialmente para a filha adolescente, que passou os últimos anos sem amigos ou colegas, a vida marcada pelo isolamento tem sido muito pesada. “Tenho muito, muito medo – admitiu a jovem há um ano. Eu não entendo por que me tratam assim”, disse a menina, cujo sonho é se tornar estilista.

Eu escolhi esta religião porque eu gosto dela. Por que me tratam assim?”, disse Dina, que, em novembro de 2009, escreveu uma carta ao presidente dos EUA, Barack Obama, para chamar a atenção para a perseguição dos cristãos no Egito.

Também para Dina, a fuga do Egito – definida por seu pai como “um milagre de Deus” – e a chegada à França marcam o fim de um longo pesadelo e o início de uma nova vida. Sem dúvida, uma boa notícia nesta época de Páscoa.

(Paul De Maeyer)

Por padre John Flynn, L.C.

Um recente relatório publicado por Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) faz trilha da perseguição sofrida pelos cristãos em muitos países. O documento considera de modo especial a situação, verdadeiramente difícil, nos países do Oriente Médio.

No prólogo do informe ‘Perseguidos ou esquecidos? Um relatório sobre os cristãos oprimidos pela sua fé: edição 2011′, o patriarca latino de Jerusalém, arcebispo Foaud Twal, comenta que “calvário não é um nome que pertence só à arqueologia e à antiguidade”.

“É uma realidade contemporânea que descreve, em diferentes graus, o sofrimento de muitas igrejas no Oriente Médio, nas quais ser cristão significa aceitar que você deve fazer um grande sacrifício”, afirma.

Na introdução, o autor do informe, John Pontifex, apresenta a questão do que ele chama de brutalidade a sangue frio sofrida pelos cristãos com a indiferença do Ocidente.

“Esta falta de reconhecimento dos crimes contra o cristianismo não poderia ser mais trágica, ao ter lugar em um momento em que em países chave a violência e a intimidação dos fiéis piorou de forma evidente”, destaca.

Pontifex indica que há uma onda de violência em crescimento em muitos países muçulmanos. Ele atribui isso ao fato de que os cristãos são uma espécie de vítimas dos muçulmanos radicais na expressão da hostilidade destes pelo Ocidente.

Também é um desejo manifesto de alguns extremistas fazer desaparecer completamente o cristianismo de suas nações.

Ataques

O relatório examina cerca de 30 países. O Egito é o país com a maior população cristã do Oriente Médio, cerca de 10 milhões. Esta cifra tão elevada não tem evitado a onda de atos violentos contra eles nos últimos anos.

Têm-se registrado incidentes graves, como o ataque de janeiro de 2010 à Missa de Natal copta ortodoxa de meia-noite, e a explosão de um carro bomba no exterior da Igreja dos Santos, uma igreja copta ortodoxa em Alexandria, em janeiro deste ano.

O relatório observa também que a conversão ao cristianismo ainda está proibida por lei, apesar da Constituição garantir a liberdade de crença e religião.

Apesar das dificuldades legais – um convertido não consegue alterar o status de seu documento de identidade – AIS assinala que o número de conversões está aumentando.

Outro problema dos cristãos no Egito é a negação dos pedidos para construir novas igrejas ou renovar as existentes. A obtenção de permissão oficial para uma nova igreja pode levar 30 anos e é necessária a aprovação pessoal do presidente.

Passando à Argélia, o relatório assinala que nos últimos tempos tem-se registrado um aumento dos processos e intimidações contra os cristãos convertidos que se baseiam em acusações de proselitismo, o que violaria as leis.

Ainda que o Islã seja a religião oficial do Estado, AIS indica que a Constituição também defende o direito à liberdade de pensamento e de prática religiosa, dentro de determinadas limitações.

Um dos problemas na Argélia é que 95% dos cristãos do país são estrangeiros. Como resultado, são vistos como estranhos e costumam levantar suspeita.

No Irã, ainda que o Estado reconheça o cristianismo, seu status legal é precário, indica o relatório. Os membros das minorias religiosas são, de fato, cidadãos de segunda classe. Além disso, não lhes é permitido difundir suas crenças ou manifestá-las fora dos lugares de culto.

Em uma carta dirigida em novembro passado ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, o Papa pediu um diálogo sobre o status da Igreja no Irã.

Conversões

A apostasia – ou renúncia – ao Islã é proibida por lei e passível de detenção. Segundo informes recentes, o número de cristãos assírios nativos diminuiu de 100 mil nos anos 70 para 15 mil hoje.

O Iraque é outro país onde o número de cristãos diminuiu notavelmente. Segundo AIS, os bispos do país estimam que o número caiu de 900 mil para menos de 200 mil.

O êxodo aumentou ainda mais após o ataque de 31 de outubro passado à catedral católica síria de Nossa Senhora da Salvação, em Bagdá, e o massacre de ao menos 52 pessoas.

Segundo o relatório, crê-se que entre 2003 e 2010 mais de 2 mil cristãos foram assassinados pela violência, sendo a maioria por causa da fé.

A população cristã dos territórios da Terra Santa também diminuiu drasticamente. O relatório explica que quando o Papa visitou a região em 2009, o arcebispo Fouad Twal, patriarca latino de Jerusalém, publicou estatísticas que mostravam que os cristãos palestinos de Jerusalém tinham diminuído de 52% em 1922 para menos de 2% hoje.

Se a tendência continuar, a cifra atual de 10 mil cristãos reduzirá à metade em uma década. Em Belém, o número de cristãos caiu de 85% da população em 1948 para 12% em 2009.

O relatório destaca ainda que o governo israelense dificultou o acesso a vistos para sacerdotes, religiosos e seminaristas estrangeiros. Os vistos agora têm validade de um ano, em vez de dois, como era antes.

Os cristãos enfrentam dificuldades também nas áreas sob a Autoridade Palestina, tanto na Cisjordânia como na Faixa de Gaza. Desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza em junho de 2007, os cristãos têm sido pressionados a se submeterem a práticas muçulmanas, como o uso do véu por mulheres em locais públicos.

Morte

O relatório não se limita de modo algum ao Oriente Médio. Mais longe, no Afeganistão, descreve como, no verão de 2010, um grupo de ex-muçulmanos teve de fugir para a Índia depois de ser condenado à morte após sua conversão ao cristianismo.

Em geral, no ano passado, houve uma piora dramática na atitude para com os não-muçulmanos, o que fez com que os cristãos tentassem passar despercebidos para evitar ser acusados de proselitismo. Infelizmente, segundo o relatório, a situação é susceptível de deteriorar ainda mais.

O vizinho Paquistão é outro berço da hostilidade contra os cristãos. Muitos dos problemas decorrem da lei da blasfêmia. As ofensas contra o Alcorão recebem a sentença de prisão perpétua e os insultos contra o profeta Maomé são punidos com a pena de morte.

O relatório cita dados da Comissão Nacional Justiça e Paz da Igreja Católica, afirmando que entre 1986 e 2010 houve 210 acusações contra cristãos. As pessoas usam a acusação de blasfêmia como uma desculpa para vinganças pessoais. Segundo o relatório, desde 2001 pelo menos 50 cristãos foram mortos por aqueles que usaram a blasfêmia como pretexto.

A Indonésia é um país que registou o crescimento do fundamentalismo islâmico desde 2009, diz o relatório. Nos últimos tempos têm-se registrado atos de violência, desde a queima e destruição de igrejas até o cancelamento por parte das autoridades dos serviços de Páscoa, sob pressão de extremistas. Das 32 províncias, Aceh é a única totalmente regida pela lei islâmica – a sharia. No entanto, o relatório indica que as autoridades de 16 províncias adotaram uma legislação baseada na sharia.

O relatório também trata de outros países, desde Coreia do Norte, Cuba até a Venezuela. O texto fornece evidências claras de que os cristãos enfrentam uma ameaça muito real de extremistas muçulmanos, algo que recebe pouca atenção, e nenhuma solução.