bloqueio no facebook

Pelo menos duas dezenas de páginas católicas denunciaram ter sido bloqueadas ou até excluídas do Facebook sem aviso prévio na noite desta segunda-feira, 17 de julho. As informações foram divulgadas pelos seus administradores em outras redes sociais ou no seu próprio site.

Entre as páginas bloqueadas, uma das mais acessadas e acompanhadas é a fanpage “Papa Francisco Brasil“, com quase 4 milhões de seguidores. Seu administrador, Carlos Renê, relatou que a fanpage “foi tirada do ar por volta das 22h do dia 17 de julho“.

Renê informou:

“O único aviso do Facebook foi uma mensagem no topo da página: ‘Your page has been unpublished’ (Sua página foi ‘despublicada’), dando uma opção para contestação. Já fiz isso, mas até agora a página permanece bloqueada”.

Até a publicação desta matéria (às 18h40 de 18 de julho), a “Papa Francisco Brasil” continuava bloqueada.

Renê acrescentou que diversas outras páginas de inspiração católica “também foram desativadas sem nenhuma explicação, bem como o perfil pessoal de alguns dos seus administradores“. Foi o caso do perfil pessoal do próprio Renê, bloqueado provisoriamente e depois reativado.

Outra fanpage católica brasileira de grande alcance a sofrer bloqueio no Facebook é a “Nossa Senhora Cuida de Mim“, que ultrapassou 3 milhões de seguidores precisamente neste mês. O blog de mesmo título informou que a restrição repentina “surpreendeu os editores e administradores da página Nossa Senhora Cuida de Mim“. A equipe comentou:

“Logo após o cancelamento, nosso site, Instagram, Twitter, Google+, entre outras redes sociais, ficaram lotados de mensagens onde fiéis e seguidores perguntavam o que poderia ter acontecido com a página que não estava no ar”.

Outras fanpages católicas, porém, não foram afetadas – ao menos até o momento. Elas aproveitaram para manifestar repúdio à censura. A página “Sou Feliz por ser Católico (a)“, por exemplo, pediu que “todos os católicos não se calem e enviem mensagem ao Facebook solicitando o retorno das páginas e o respeito ao nosso direito de crença religiosa“.

pe. Augusto Bezerra se manifestou na mesma linha: “Se isso for verdade e as páginas católicas estiverem sendo excluídas, é algo preocupante”. O sacerdote listou 21 páginas católicas bloqueadas ou excluídas do Facebook nas últimas 24 horas.

Entre outras, sofreram bloqueio as seguintes fanpages católicas:

– Papa Francisco Brasil
– Nossa Senhora Cuida de Mim
– Meu Imaculado Coração triunfará
– Clássicos da Música Católica
– Nossa Senhora
– Belezas da Igreja Católica
– Virgem Maria e Santas
– Uma oração e o coração se acalma
– God (de Portugal)
– My Mother Mary (dos Estados Unidos)

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Com informações do site ACI Digital

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A gama de informações que armazena faz do Facebook umas das organizações mais influentes do mundo. Com base nisso, a Share Lab, empresa de pesquisa e mapeamento de dados, decidiu destrinchar os algoritmos e as conexões gigantes da rede social para entender melhor as relações de poder e a estrutura social dentro da companhia.

Há cerca de dois anos, Vladan Joler e seus amigos nerds começaram a investigar de Belgrado, capital da Sérvia, o funcionamento interno de uma das corporações mais poderosas do globo.

O grupo, que inclui especialistas em análises forenses cibernéticas e visualização de dados, já havia feito pesquisas sobre o que chamam de “diferentes formas de estruturas invisíveis” por trás dos provedores de internet sérvios.

Mas Joler e seus colegas, agora trabalhando no projeto do Share Lab, já estavam de olho em um alvo maior.

“Se o Facebook fosse um país, seria maior do que a China”, disse Joler, que também é professor na Universidade Novi Sad, na Sérvia.

Ele discorre sobre os números familiares, mas impressionantes: a empresa ainda adolescente no Vale do Silício armazena 300 petabytes de dados, possui quase dois bilhões de usuários e arrecadou quase US$ 28 bilhões (R$ 96 bilhões) somente em 2016.

Joler argumenta que, apesar disso, conhecemos muito pouco sobre o que acontece no interior da empresa – embora sejamos nós, como usuários, os responsáveis por fornecer, e de forma gratuita, a maior parte do combustível que a mantém funcionando.

“Todos nós, quando fazemos um upload de alguma coisa, quando marcamos as pessoas em nossas postagens, quando comentamos, estamos basicamente trabalhando para o Facebook”, diz.

As informações geradas a partir das nossas interações alimentam os complexos algoritmos que fazem a rede social funcionar. Logo, nosso comportamento é transformado em produto, afirma Joler.

Complexidade

Mas tentar desvendar esse processo, em grande parte oculto, provou ser uma tarefa gigantesca.

“Nós tentamos mapear todos os campos e ferramentas que nos fazem interagir e alimentar o Facebook, e o que resulta disso”, diz o especialista.

“Mapeamos curtidas, compartilhamentos, atualizações de status, adição de fotos, amigos, nomes, tudo que nossas ferramentas dizem sobre nós, todas as permissões que estamos dando ao Facebook via aplicativos, como o status do telefone, a conexão Wi-Fi e a habilidade de gravar áudio.”

Toda essa pesquisa forneceu apenas uma fração do todo. Por isso, o grupo também pesquisou as aquisições do Facebook e vasculhou a sua miríade de arquivamentos de patentes.

Os resultados são surpreendentes.

Gráficos de fluxo que levam horas para serem completados mostram como os dados que damos para o Facebook são usados para calcular a nossa afinidade étnica (termo usado pela empresa), orientação sexual, afiliação política, classe social, agendamento de viagens e muito mais.

Um dos mapas mostra como tudo – dos links que postamos às páginas que curtimos e o nosso comportamento online em muitos outros cantos do ciberespaço que são de propriedade ou interagem com a empresa, como Instagram, WhatsApp ou sites que usam o Facebook meramente para o login – poderia estar alimentando um processo algorítmico gigante.

E esse processo permite ao Facebook atingir os usuários com precisão impressionante pela habilidade de identificar seus gostos alimentares, quanto tempo levam no deslocamento para o trabalho e a idade de seus filhos, por exemplo.

Privacidade

Outro mapa detalha as permissões que muitos de nós estamos dispostos a dar ao Facebook por meio de seus muitos aplicativos para celular, inclusive a habilidade de ler mensagens de texto, baixar arquivos sem permissão ou identificar a nossa localização com precisão.

Se individualmente são ferramentas poderosas, combinadas formam um motor de coleta de dados que, segundo Joler, está pronto para ser explorado.

“Se você pensar somente nos cookies, somente nas permissões do celular, ou só na retenção de metadata – cada uma dessas coisas, da perspectiva da análise de dados, é muito intrusiva.”

Há anos o Facebook afirma que a privacidade dos dados e a segurança de suas operações é um dos pilares da rede social.

As informações não podem, por exemplo, serem usadas por desenvolvedores para criar ferramentas, e a empresa afirma que obedece as leis de proteção de privacidade em todos os países. Milhares de novos funcionários foram contratados justamente com esse objetivo.

Mas Joler, apesar de admitir que sua pesquisa o tenha feito ficar paranoico sobre a informação que está sendo coletada, diz estar mais preocupado com isso no longo prazo.

Os dados vão permanecer nas mãos da empresa. Mesmo se seus atuais líderes sejam responsáveis e confiáveis, como podemos saber sobre quem estará no poder daqui a 20 anos?

Moeda de troca

Alguns analistas afirmam que o trabalho do Share Lab é valioso e impressionante.

“É provavelmente o mais completo mapeamento do Facebook que já vimos”, diz a especialista em leis e políticas da tecnologia da Cornell Tech, Julia Powles.

“A pesquisa mostra em termos frios e calculistas o quanto estamos dando em troca de termos a possibilidade de nos comunicarmos com nossos amigos.”

A escala do alcance do Facebook pode ser declarada em números brutos – mas os mapas do Share Lab o fazem de forma visceral, de um jeito que as comparações e paralelos não conseguem.

“Nós não temos analogias históricas apropriadas para as gigantes de tecnologia”, explica Powles.

Os poderes dessas empresas, segundo a pesquisadora, vão “muito além” de empresas como a Est India ou monopólios antigos como a Standard Oil.

E enquanto muitos consideram que os objetivos do império de Mark Zuckerberg sejam benignos, os seus efeitos nem sempre o são.

Segundo Powles, o Facebook “brinca com nossos impulsos psicológicos básicos” ao valorizar a popularidade acima de qualquer coisa.

Apesar disso, ela não espera que a pesquisa do Share Lab leve a um êxodo massivo do Facebook, ou a um aumento dramático no escrutínio sobre as gigantes de tecnologia.

“O que é mais impressionante é o senso de resignação, a importância da regulação, a falta de opção, a apatia do público. Que situação extraordinária para uma entidade que tem o poder da informação – não há poder maior, na verdade.”

O que o time do Share Lab quer deixar claro é a dominância extraordinária do Facebook. Mas Joler também destaca que mesmo os mapas e gráficos produzidos por eles não são capazes de fornecer um quadro preciso sobre as capacidades do gigante das redes sociais.

Não há garantias, por exemplo, de que não existam outros algoritmos em funcionamento e que são mantidos em segredo.

Joler argumenta, porém, que o trabalho de sua equipe “ainda é o único mapa que existe” de uma das grandes forças que moldam nosso mundo atualmente.

BBC Brasil

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Por meio das redes sociais e aplicativos, a internet e os dispositivos de tecnologia mais recentes e portáteis formam uma combinação eficaz que conecta nossos desejos, necessidades e inquietudes com inúmeras alternativas que fornecem algum tipo de satisfação. A combinação mencionada fortalece a nossa liberdade para escolher a oferta mais adequada, enquanto enriquece nossa existência ao vinculá-la com possibilidades um tanto quanto desconhecidas, certo? Não, definitivamente não é assim que acontece. Tristan Harris, integrante do movimento Tempo Bem Gasto (Time Well Spent), explica como grande parte da tecnologia em que participamos rotineiramente sequestra e manipula nossas mentes.

Em média, cada usuário verifica seu celular 150 vezes por dia. No entanto, tratariam-se de 150 escolhas conscientes realizadas todos os dias? Harris explica isso como um impulso tipicamente viciante, que opera sob a mesma lógica que leva o jogador inveterado a baixar repetitivamente a alavanca das máquinas caça-niqueis. Em ambos os casos, tratam-se de mecanismos – no caso dos telefones celulares, os aplicativos de mensagens de texto ou outros tipos de alertas e comunicações – desenhados para provocar este impulso, pelo qual executa-se uma ação com o objetivo de verificar se naquela oportunidade obteve-se o prêmio desejado: dezenas ou centenas de moedas ou a mensagem de texto de alguma pessoa em particular. Para oferecer uma ideia contundente sobre a eficácia desses desenhos que promovem “prêmios” variáveis, Harris informa que as máquinas caça-niqueis “ganham mais dinheiro nos Estados Unidos do que o beisebol, o cinema e os parques temáticos juntos”. Sentenciando, ele acrescenta: “Esta é a triste verdade: milhões de pessoas têm uma máquina caça-niqueis em seus bolsos”.

Aplicativos e sites digitais também manipulam mentes ao provocar nos usuários a incômoda sensação de estar perdendo algo importante ao não verificar o e-mail ou visitar a sua respectiva página ou rede social. A chance em potencial pode consistir em uma mensagem de um antigo colega do jardim de infância, o convite para uma festa ou uma oportunidade sexual, mas o que é realmente relevante é a dificuldade de não comparecer no site, efetuar o cancelamento da subscrição ou finalizar a sessão, como consequências deste mal-estar psicológico. Harris observa algo tão preciso quanto fundamental: sempre perdemos algo mais ou menos importante quando fazemos escolhas, mas viver constantemente com medo de ser deixado de lado não é algo que pode ser visto como uma boa vida. Ele adverte que as empresas de tecnologia fariam muito bem se colaborassem com seus usuários para construir relações sociais em termos de que estes escolhessem o que é melhor para suas vidas, ao invés de fazê-lo por conta do medo e da incerteza sobre o que talvez não se esteja aproveitando.

Tristan Harris alerta sobre a manipulação que ocorre nas redes sociais, no que diz respeito à aprovação social, questão altamente delicada em alguns setores, como o dos adolescentes. Por meio de algoritmos extravagantes estas redes sugerem as pessoas que são “marcáveis” em fotos e imagens, operação que ao mesmo tempo exclui outras pessoas, habilitando um processo de discriminação que pode vir a ferir auto-estimas e sentidos de pertencimento. Da mesma forma, a necessidade de atuar reciprocamente aos gestos concedidos por outros sujeitos também é manipulada, exercício emblemático do LinkedIn. A “maior rede profissional do mundo” permanentemente cria obrigações sociais e de reciprocidade entre seus usuários, que entram no site para retribuir, aceitar ou validar atitudes que, longe de terem sido emanadas conscientemente por outro usuário, são regularmente sugeridas pelo LinkedIn, que lucra com a correspondente visitação e permanência no site.

O YouTube não fica paralisado à espera de que espectador escolha o próximo vídeo, pelo contrário, notifica uma contagem regressiva que, uma vez concluída, dá lugar a uma nova projeção. Esta modalidade, que não é exclusiva do site mencionado, foi projetada para conseguir um consumo sem fim, que substitui a vontade humana, com o intuito de preservar uma atenção resignada à transmissão não escolhida. Outra formulação projetada para obter uma resposta do usuário, mais além de sua disposição genuína, diz respeito às mensagens notificadas em tempo real, que interrompem as atividades que seu destinatário esteja realizando. Os criadores destes aplicativos sabem que estas mensagens têm uma maior chance de serem respondidas imediatamente, ainda mais quando o receptor não ignora que o emissor tenha conhecimento de sua leitura (sim, aqueles malditos sinais de check do WhatsApp).

Os contratantes dos homens e mulheres que projetam estes dispositivos não se preocupam com os valores, muito menos com os desejos dos seus usuários. Eles apostam seus impulsos e os seus lucros para alcançar a supressão da consciência responsável e da liberdade. Antes de fazermos nosso próximo clique, vale a pena refletir sobre as advertências de Harris, para decidir se fazer parte disso que estamos sendo convidados é algo que realmente queremos.

Fredes L. Castro, em artigo publicado por Alai

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Foi o belo e vaidoso Narciso, personagem da mitologia grega incapaz de amar outras pessoas e que morreu por se apaixonar pela própria imagem, que inspirou o termo narcisista. O conceito foi depois reinterpretado por Freud, o primeiro que descreveu o narcisismo como uma patologia. Nos anos setenta, o sociólogo Christopher Lasch transformou a doença em norma cultural e determinou que a neurose e a histeria que caracterizavam as sociedades do início do século XX tinham dado lugar ao culto ao indivíduo e à busca fanática pelo sucesso pessoal e o dinheiro. Um novo mal dominante. Quase quatro décadas depois ganhou força a teoria de que a sociedade ocidental atual é ainda mais narcisa.

Este comportamento parece expandir-se como uma praga na sociedade contemporânea. E não só entre os adolescentes e jovens que inundam as redes sociais. “A desordem narcisista da personalidade –um padrão geral de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia– continua sendo um diagnóstico bastante raro, mas as características narcisistas estão certamente em alta”, explica a psicóloga Pat MacDonald, autora do trabalho Narcissism in the Modern World (narcisismo no mundo moderno). “Basta observar o consumismo galopante, a autopromoção nas redes sociais, a busca da fama a qualquer preço e o uso da cirurgia para frear o envelhecimento”, acrescenta em uma entrevista por telefone.

As pesquisas realizadas a partir de 2009 por Jean Twenge, da Universidade do Texas, são uma das principais referências para as hipóteses mais catastróficas. Depois de estudar milhares de estudantes norte-americanos, a psicóloga proclamou que esses comportamentos tinham aumentado no mesmo ritmo que a obesidade desde 1980” e haviam alcançado níveis de epidemia. Ela publicou dois livros –The Narcissism Epidemic (a epidemia do narcisismo), com Keith Campbell, da Universidade da Geórgia, e Generation Me (geração eu)—, nos quais afirma que os adolescentes do século XXI “se acham com direito a quase tudo, mas também são mais infelizes”.

Os traços narcisistas nem sempre são fáceis de reconhecer e, sendo moderados, não há por que serem um problema. São comportamentos egoístas, pouco empáticos, às vezes um tanto exibicionistas, de pessoas que querem ser o centro da atenção, ser reconhecidas socialmente, que costumam resistir a admitir seus erros ou mentiras e que se consideram extraordinárias (embora sua autoestima seja, na realidade, baixa). Um exemplo extremo, contado por Twenge, é o de uma adolescente que em um reality da MTV tenta justificar assim o bloqueio de uma rua para realizar sua festa de aniversário, sem se importar que haja um hospital no meio: “Meu aniversário é mais importante!”.

“A imagem conta mais do que o que fazemos, e queremos alcançar muitos sucessos sem esforço”, opina o psicanalista J.C. Bouchoux

Em outras ocasiões este tipo de comportamento é mais sutil, mais comum e, às vezes, mais prejudicial. É aquela pessoa que exige uma atenção exagerada a seus comentários e problemas e, se não consegue, conclui que é diferente dos outros e que nunca recebe o respeito que merece. Ou um chefe encantador que, de repente, faz você se sentir culpado por um projeto fracassado que era ideia dele. “Para tampar seus problemas, uma pessoa com elevado nível de narcisismo costuma buscar uma ou duas vítimas próximas, não precisa mais do que isso, mas pode tornar-lhes a vida impossível”, afirma o psicanalista francês Jean-Charles Bouchoux, autor de Les Pervers Narcissiques (os perversos narcisistas), que acaba de ser traduzido para o espanhol e vendeu mais de 250.000 exemplares na França. “Há um aumento do narcisismo porque agora a imagem conta mais do que o que fazemos e porque queremos ter muitos êxitos sem esforço”, opina.

O assunto fascina, como mostram os índices de audiência dos realities. Talvez a principal novidade sejam as redes sociais, lugar onde os millennials (nascidos entre 1980 e 1997) e os não tão millennials, os famosos e os não tão famosos, transformam o corriqueiro em algo extraordinário. Todos os dias são colocadas no Instagram 80 milhões de fotografias, com mais de 3,5 bilhões de curtidas: “Eu, comendo”, “Eu, com minha melhor amiga”, “Eu em um novo bar”. No Facebook, milhões de usuários dão detalhes de sua vida ao mundo. A Internet está nos convertendo não só em espectadores passivos, mas em narcisistas ávidos pela notoriedade fácil, obcecados por conseguir amigos virtuais e pelo impacto de nossos posts?

Convém ter muito cuidado com as fotos de si mesmo. Nem todos os que tiram selfies são narcisistas, mas um estudo realizado por Daniel Halpern e Sebastián Valenzuela, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, concluiu que as pessoas que tiraram mais fotos de si mesmas durante o primeiro ano da pesquisa mostraram um aumento de 5% no nível de narcisismo no segundo ano. “As redes sociais podem modificar a personalidade. Autorretratar-se, quando se é narcisista, alimenta esse comportamento”, explica, por telefone, Halpern. “Nas redes podemos nos mostrar como queremos que nos vejam. Essa imagem perfeita que acreditamos que os demais têm de nós pode alterar a que nós temos de nós mesmos”, adverte. Ter impacto nas redes pode causar dependência e também temor (o medo do vazio de uma postagem sem uma curtida sequer).

Além disso, o narcisismo crescente movimenta dinheiro. Um recente relatório do Bank of America Merrill Lynch calcula que o consumo relacionado com os produtos que nos fazem sentir melhor e tornam possível uma aparência à prova de selfies –chamam a isso de vanity capital– movimenta no mundo 3,7 trilhões de dólares (11,65 trilhões de reais). A lista inclui carros e outros artigos de luxo, cirurgias estéticas, vinhos de qualidade, joias e cosméticos.

Como chegamos até aqui? A inabalável corrida por conquistas pessoais exigida de jovens e adultos explica parte da ânsia narcisista. “A sociedade é hiperdemandante e hiperexigente. Agora, por exemplo, é preciso ter muitos amigos, vivemos hiperconectados. Meu pai não tinha amigos, tinha sua família, e era feliz”, explica Rafael Santandreu, psicólogo e autor de Ser Feliz en Alaska, que vincula o narcisismo –e a frustração que pode provocar– com a depressão, a ansiedade e a agressividade.

 Há causas que nascem na infância. As teorias de Twenge tocaram em um nervo cultural ao culpar pais e educadores por terem criado uma geração de narcisistas dizendo-lhes o quanto são especiais, sem se importar com suas conquistas. Um estudo europeu publicado em 2015 na revista PNAS mostra que o narcisismo está relacionado a uma educação parental que sobrevaloriza os filhos, haja ou não fundamento. “São elogiados em excesso e, com o tempo, as crianças se consideram únicas”, explica um dos autores, Eddie Brummelman, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Infantil, da Universidade de Amsterdam. “A autoestima é confundida com narcisismo. O que é preciso cultivar é a autoestima, que se consegue com carinho, apoio, atenção e limites”, acrescenta.

Quer dizer que não se deve pensar grande? Não exatamente. Cultivar certo ego saudável é benéfico. É o que afirma Craig Malkin, psicólogo clínico da Escola de Medicina de Harvard. “Um pouco de narcisismo na adolescência ajuda os jovens a suportar a tempestade e o ímpeto da juventude. Só as pessoas que nunca se sentem especiais ou as que se sentem sempre especiais são uma ameaça para elas mesmos ou o mundo. O desejo de se sentir especial não é um estado mental reservado para imbecis ou sociopatas”, afirma em Rethinking Narcissism (repensando o narcisismo).

Craig integra o grupo que considera que a maioria dos estudos sobre narcisismo não tem sido justo com os jovens e que os que falam de epidemia exageram. O Inventário da Personalidade Narcisista, um questionário básico para os pesquisadores do mundo todo, incluindo Twenge, é falho, argumenta Craig. Entre outras coisas, esta ferramenta considera negativo querer ser um líder ou alguém dizer que é decidido. “As pessoas que gostam de dizer o que pensam ou que querem liderar são claramente diferentes dos narcisistas, que costumam recorrer à manipulação e à mentira.” Um exaustivo estudo publicado em 2010 em Perspectives on Psychological Science tenta refutar a teoria da epidemia. Foi realizado com um milhão de adolescentes nos EUA entre 1976 e 2006. Os pesquisadores encontraram pouca ou nenhuma diferença psicológica entre os millennials e as gerações anteriores, a não ser mais autoestima. Em uma tentativa de relativizar o problema, o estudo é aberto com uma frase de Sócrates: “As crianças de hoje [século V a. de C.] são umas tiranas. Contradizem seus pais, engolem a comida e tiranizam os professores”.

De um lado e outro do debate, não parece haver dúvida de que é recomendável fugir das pessoas com elevados níveis de narcisismo. Kristin Dombek resume isso bem em The Selfishness of Others (o egoísmo dos outros), ensaio em que analisa a abundância no mundo virtual anglo-saxão de informações relacionadas com os narcisistas, sobre como reconhecê-los e enfrentá-los: “Um desses blogueiros dizia: o que uma pessoa deve fazer quando conhece um narcisista? Colocar os tênis e sair logo correndo”.

TEXTO ORIGINAL DE EL PAÍS

“Abrimos uma investigação por indução ao suicídio”, declarou  o chefe do Ministério Público do Norte de Nápoles, Francesco Greco, em referência à morte de T. C., uma napolitana de 31 anos. A mulher se suicidou na terça-feira da semana passada, após passar mais de um ano sendo alvo de insultos e ironias por causa de um vídeo sexual que seu ex-namorado compartilhou no Whatsapp e que foi posteriormente reproduzido em vários sites e redes sociais.

Muitos desses insultos eram por causa de uma frase que ela dizia no vídeo: “Está gravando um vídeo? Bravo”. (Imagem abaixo) A frase inspirou memes, camisetas, grupos no Facebook e piadas no Twitter.

 

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Algumas televisões locais também ironizaram o caso, saindo à rua para perguntar pela moça e pela frase. O grupo musical supostamente cômico Tapandos lhe dedicou uma canção num vídeo divulgado em maio de 2015 que superou as 130.000 exibições só no YouTube. E não é a única paródia. Até jogadores de futebol como Paolo Cannavaro e Antonio Floro Flores fizeram brincadeiras à custa dela em outro vídeo (que já foi apagado), no qual a frase era repetida dentro de um supermercado. A zoeira continuou mesmo depois da morte, como no caso de um jovem de Salerno que precisou se desculpar por um comentário sobre o suicídio dela, depois da contundente resposta contrária e da denúncia de uma jornalista e blogueira.

T.C. era insultada tanto nas ruas quanto no seu mural do Facebook, segundo o Corriere della Sera. Uma amiga dela disse a esse jornal que a jovem estava “destroçada”

Por causa do assédio, a jovem tinha se mudado de Nápoles para a Toscana e iniciara trâmites para trocar de nome. Além disso, havia movido ações contra Google, YouTube, Yahoo e Facebook, exigindo o seu direito ao esquecimento. Já em 2015 conseguira que o vídeo não aparecesse mais nos buscadores, mas continuava aparecendo com outros títulos e menções. De fato, a busca por “Stai facendo il vídeo? Bravo” continua dando mais de 200.000 resultados no Google.

O julgamento terminou na semana passada, quando foi ordenada a retirada dos vídeos e dos comentários. Entretanto, como relata a agência Efe, a mesma sentença também considerou que a mulher consentiu com as gravações, e que por isso seria condenada a pagar 20.000 euros (75.000 reais) a cinco sites por custas processuais.

Segundo a imprensa italiana, os familiares consideram que a obrigação de pagar a esses sites que contribuíram para o assédio foi o estopim do suicídio, que ela já havia tentado anteriormente por causa desses fatos. “Minha sobrinha foi assassinada pela Internet e pela indiferença de muitos”, disse uma das tias do T. C. à Efe.

O caso de T. C. não é único: uma jovem norte-americana de 18 anos se suicidou em 2008 depois que seu namorado divulgou fotos que ela lhe enviara. Em 2009, o mesmo aconteceu com outra norte-americana de 13 anos. Uma canadense de 15 anos se matou em 2012 depois de gravar um vídeo no qual contava o assédio que sofrera devido a uma foto, e apesar de ter mudado várias vezes de colégio.

Fonte: El País, 15-09-2016.

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“Ainda há muito caminho a se fazer. Falta uma educação responsável à utilização das mídias sociais. Falta a capacidade de entender que uma vida pode ser destruída quando a própria reputação é atacada.”

A opinião é da filósofa italiana Michela Marzano, professora da Universidade de Paris V – René Descartes. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 14-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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No fim, a vergonha e a dor levaram a melhor, e Tiziana se matou, enforcando-se com um lenço no porão da casa. Ela tinha apenas 31 anos de idade. E ainda tinha toda a vida pela frente.

Mas que vida?, ela deve ter pensado enquanto tentava desesperadamente sair de uma história feita de vídeos duros que nunca deveriam ter circulado on-line, de curiosidade mórbida e de insultos repetidos, de exposição em praça pública e de um direito ao esquecimento que tarda em se afirmar como tal.

Que vida?, ela deve ter pensado antes de cometer o irreparável, naquela nova casa onde ela se iludia de que poderia recomeçar tudo de novo.

Quando se faz de tudo para ser esquecido, mudando de cidade e iniciando as práticas para modificar nome e sobrenome, mas, depois, nada muda, porque os vídeos não são removidos, e a ferocidade da web não tem limites, é difícil para qualquer um acreditar ainda na vida e na possibilidade da redenção.

Acontece com todas as pessoas cometer erros, comportar-se de maneira superficial ou de não se dar conta das consequências que uma piada ou uma bravata podem ter. Acontece, pagamos a conta, às vezes também fazemos muito mal, mas, depois, levantamos e recomeçamos. Pelo menos, era assim que acontecia antes da internet. Antes, justamente.

Porque, desde que existe a internet, desde que as barreiras entre a vida privada e a vida pública entraram em colapso e desde que qualquer um se sente no direito de ofender e de insultar os outros com base em imagens, ruídos e vídeos que circulam on-line – como se os insultos e as ofensas não tivessem consequências importantes sobre a vida de uma pessoa – parece que não se pode fazer mais nada para voltar atrás, e as eventuais culpam traçam o caminho de uma vergonha sem fim, inevitável, perene.
 
É claro que, no caso de Tiziana, os juízes, no fim, reconheceram a existência de um direito ao esquecimento, contestando o fato de que esses vídeos não tinham sido removidos das mídias sociais. Mas a decisão, mais uma vez, chegou tarde demais. Exatamente tarde mais como o mundo dos adultos está se dando conta do sofrimento daqueles que, exposto em praça pública na internet, busca desesperadamente uma ajuda, gostaria de voltar atrás, gostaria de ser esquecido e recomeçar do zero.

Ainda há muito caminho a se fazer. Falta uma educação responsável à utilização das mídias sociais. Falta a capacidade de entender que uma vida pode ser destruída quando a própria reputação é atacada. Falta a consciência do fato de que certas imagens e certos vídeo que circulam on-line, independentemente da própria vontade, pode, destruir a própria identidade de uma pessoa, impedindo-a de mudar, de se transformar, de se redimir e de se tornar “outra”.

Mesmo que o valor da nossa vida seja infinitamente superior ao julgamento que uma pessoa pode fazer sobre nós, é difícil, senão até impossível, saber disso e ter consciência disso em um mundo que reduz tudo ao “diz-se que” e ao “vê-se que”.


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Um estudo sobre a interface entre a religião e as novas tecnologias comunicacionais. Esse foi o tema da conferência “E o Verbo se fez rede”: religiosidades em reconstrução no ambiente digital, em que Moisés Sbardelotto, mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela Unisinos, apresentou parte dos resultados de sua pesquisa de doutorado. 

Uma questão norteadora da pesquisa de Sbardelotto era: “O que acontece com o catolicismo quando ele se conecta em rede?”. Ele iniciou sua análise a partir do primeiro tuíte de um papa (foto acima), escrito em dezembro de 2012 por Joseph Ratzinger. O hoje papa emérito Bento XVI não tinha intimidade com as novas tecnologias; de fato, Ratzinger sempre escrevia a lápis, e seus assessores transcreviam – ou seja, ele não usava sequer máquina de escrever.

O Vaticano ingressou no Twitter por meio da conta @Pontifex – pontífice, em latim. Por trás dessa tentativa, havia um contexto de uma “Igreja bimilenar que fazia um lento esforço de aproximação com as novas tecnologias”, segundo Sbardelotto.

Uma das curiosidades sobre a conta do papa no Twitter é que ele não segue outras pessoas – “para evitar problemas políticos e diplomáticos institucionais”, de acordo com Sbardelotto. Após o fim do pontificado de Bento XVI, o primeiro tuíte de Ratzinger foi deletado da conta, assim como todos os postados por ele. Hoje, eles estão disponíveis em um arquivo na página News.va.

O Twitter também foi importante na transição entre Ratzinger e o atual papa: a notícia de sua renúncia foi dada pela primeira vez por meio dessa rede social. O furo jornalístico foi de Giovanna Chirri, da Ansa, agência de notícias italiana. Ela estava acompanhando a reunião em que Ratzinger comunicou sua decisão, e, por entender latim, compreendeu o que se passava e publicou uma mensagem informando que Bento XVI havia renunciado e deixaria o pontificado no dia 28-02-2013.

Mais recentemente, em março de 2016, o papa Francisco lançou uma conta no Instagram: @Franciscus. Ele já conta com mais de 3 milhões de seguidores.

Em sua apresentação, Sbardelotto mostrou a evolução na construção da imagem do papa Francisco, que passa a mostrá-lo cada vez mais em meio aos fiéis.

Um dos grandes desafios na aproximação do Vaticano com as novas redes é a“proximidade” e a “quebra de barreiras associadas à institucionalidade da Igreja”, de acordo com Sbardelotto. Se tradicionalmente a fala do papa se dava de forma unidirecional, hoje, a partir do momento em que ele envia sua mensagem, seja pelo Twitter ou pelo Instagram, a Igreja perde o controle sobre essa mensagem.

O pesquisador sugere que “não podemos mais pensar o catolicismo sem considerar as interações que ocorrem nas redes”. Sbardelotto falou no “surgimento de novas formas de percepção, experiência e expressão contemporâneas do religioso católico” – para além das contas oficiais do Vaticano.

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Foi com a minha geração que começaram a surgir as primeiras fraldas descartáveis. Foi nas nossas festas de aniversário que começaram a aparecer copos de plástico, garfos de plástico e pratinhos de papelão. Fomos os que começaram a levar suco em caixinhas para a escola, ao invés de precisar trazer a garrafa de volta para casa. E assim fomos aprendendo a viver uma vida descartável.

Os brinquedos iam e vinham. Tudo plástico. Não aprendemos a tomar cuidado, como foi com nossos pais e seus bonecos de porcelana. Caiu, caiu, sujou, sujou. Riscamos brinquedos com canetinha. Já já vinha um novo.

Fomos crescendo e o raciocínio não mudou muito. Não víamos muito sentido quando nossos pais falavam em costurar a mochila ao invés de comprar uma nova. Os preços dos produtos chineses já nos guiava para o consumo do novo e não para o cuidado com o velho.

O problema já seria grave se ele tivesse ficado apenas nas prateleiras de lojas e supermercado. Já seríamos perigosos o suficiente em termos ecológicos. Mas o raciocínio do descartável foi muito além dos bens de consumo.

Somos a geração dos relacionamentos descartáveis. Dos empregos descartáveis. Das paixões descartáveis. Das ideias descartáveis. Dos amigos descartáveis.

Até temos alguns amigos da vida inteira, sim. Para os quais costumamos não ter muito tempo na agenda. Mas temos sempre amigos novos. “Me adiciona no feice”. Adoro a fulana. Ela é fantástica. Estive com ela 2 vezes. Ih, ela apagou o facebook. Dois dias depois já nem lembro da fulana. Uma mina aí que eu conheci não sei onde.

Sentamos no bar, temos ideias fantásticas, começamos a debater e- espera, chegou um whatsapp aqui- que que a gente tava falando mesmo? Sei lá. As ideias não são concluídas, não são escritas num papel, não viram palavras. São, como de costume, descartadas junto com os guardanapos sujos na mesa.

Descobrimos novas bandas. Eu AMO essa banda. Ouço ininterruptamente por 7 dias. Falo para todo mundo que é a melhor banda do mundo. No oitavo dia, enjoo. Descarto. Vou procurar a próxima.

Entramos no estágio. Aparece uma viagem no verão. Pedimos as contas. Comprometimento? Ah, eles encontram outro estagiário logo. Somos contratados para um emprego. Seis meses depois aparece uma proposta que paga um pouco mais. Sei que eles contam comigo até o fim do ano, mas tenho que cuidar dos meus interesses. Meus planos. Minha vida. Eu, eu, eu. Contratos de trabalho descartáveis.

E os relacionamentos… Ah, os relacionamentos, nem se fale. Pessoas passaram a existir para preencher agenda. Se eu não tiver nada melhor para fazer, ligo para ela.

Quero você. Não quero mais. Quero você. Mas não quero me envolver. Quero você. Desde que você não me cobre. Quero você como eu quero. Queria você. Agora quero outro. Te quero de novo. Me enganei, não queria não. Noite na balada, namoro, noivado, casamento. Tudo descartável.

Pessoas viraram bitucas de cigarro. Ideias viraram copinhos de café. Paixões viraram post-it.

Somos das carreiras que nos consomem. Achamos que nosso corpo é descartável. Falta sono, sobra álcool. Achamos que o afeto pelos nossos avós mora no post de uma foto que será apagada ou esquecida. Não temos tempo para ouvi-los. Mudamos de amores como quem muda de ideia, mudamos de ideia como quem muda de roupa.

Somos a geração do raso, da água pelas canelas. Não mergulhamos fundo. Não sabemos o que é profundidade. Livros curtos, conversas rápidas. Fluidez. A gente acha que é rocha, mas a gente é gelo. E derrete, evapora, desaparece. Uma geração que trata tudo como descartável e que termina por ser, ela mesma, tão descartável quanto uma garrafa pet. Com a diferença de que a garrafa será reciclada e nós… Nós deixaremos algumas selfies como legado.

Ruth Manus

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A conta do Papa na rede social Twitter, ‘@Pontifex’,atingiu a marca de 30 milhões de seguidores, com mais de 2,2 milhões em língua portuguesa, revelou hoje a Rádio Vaticano.

No início deste ano, os seguidores eram 26 milhões; nos últimos dois meses, a conta ganhou um milhão de novos seguidores, atingindo uma média de 16 100 pessoas a cada 24 horas, precisa a emissora pontifícia.

Francisco assinou mais de 880 ‘tweets’ (alguns apenas numa língua) desde o início do pontificado em março de 2013, lançando vários apelos e resumindo catequeses, homilias e outras intervenções públicas.

A conta do Papa tem atualmente páginas em nove línguas: português, espanhol, inglês, italiano, francês, polaco, latim, alemão e árabe.

O português surge em quarto lugar em relação ao maior número de seguidores.

A mensagem mais recente de Francisco recorda “os idosos e os doentes que durante as férias ficam sozinhos com mais frequência e podem estar em dificuldade”.

Antes, o Papa tinha evocado as vítimas do atentado em Nice e seus familiares: “Peço a Deus que converta o coração dos violentos, obcecados pelo ódio”.

A conta @pontifex foi inaugurada a 12 de dezembro de 2012 por Bento XVI; o agora Papa emérito tinha cerca de 3 milhões de seguidores quando terminou o seu pontificado, após renunciar ao mesmo, no dia 28 de fevereiro de 2013.

O Twitter é a ferramenta de microblogging mais difundida no mundo das comunicações virtuais, com centenas de milhões de utilizadores.

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O Papa Francisco reuniu-se com onze “youtubers” internacionais. 

Esta foi a primeira vez que um Papa se reuniu com criadores de conteúdo para esta plataforma de vídeos. No blog oficial do YouTube pode ler-se que os jovens presentes na reunião são oriundos de dez países diferentes e juntos somam mais de 27 milhões de subscritores.

O encontro, realizado domingo, fez parte da agenda do Congresso Mundial Scholas, que se realizou no Vaticano, entre os dias 27 e 29 de maio. Da reunião saiu o compromisso de cada um dos jovens produzir pequenos “clips” refletindo aquilo que aprenderam no encontro.

“Queremos continuar a capacitar as pessoas para vir para o YouTube para contar histórias e desenvolver conexões que incentivam a empatia e compreensão entre as diversas comunidades”, escreveu Juniper Downs, responsável pela diplomacia na Google.

O Papa Francisco é ativo nas redes sociais, com contas no Twitter, Instagram e Facebook. O Vaticano tem uma conta oficial no YouTube com quase 150 mil seguidores.

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O problema do celular é o exagero que nos torna desconectados nos relacionamentos

– Amor, você ouviu o que eu disse?
– Anh?
– O que você acha sobre isso?
– Uhun…
– Uhun o quê, amor? Você entendeu?
– Peraí amor, só preciso responder umas mensagens aqui…

WhatsApp, Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat são parte das inúmeras ferramentas que possibilitam encontros virtuais entre as pessoas por meio do celular. Elas facilitam muito a vida, são usadas até no trabalho, atualizam-nos sobre o cotidiano de quem não vemos todo dia, reaproxima quem passou pela nossa infância, quem tem as mesmas necessidades que nós, enfim, muitas possibilidades de relação aparecem nessa vida conectada. Contudo, em que medida temos nos refugiado nessas conexões virtuais e nos desligado das pessoas que convivem conosco?

A realidade sem wi-fi nem sempre é tão maravilhosa e deslumbrante como as pessoas postam freneticamente nessas mídias sociais virtuais, mas é a realidade na qual se vive e é onde Deus nos plantou para que florescêssemos. E não é justo que nós negligenciemos nossos relacionamentos com quem está ao nosso lado, à espera da resposta no “zapzap”, do comentário naquela foto ou forjando um cenário para o próximo selfie.

Quer estragar um momento romântico, divertido e espontâneo? Pare tudo o que está fazendo e prepare a cena para a foto, montada para que apareçam no melhor ângulo. E repita isso várias vezes, a cada paisagem. Lá se foram minutos preciosos da viagem, do almoço e do passeio. Do que a gente estava falando mesmo? Nem importa, afinal, a foto já teve dezenas de curtidas! Ou ignore completamente quem está a sua volta, porque, afinal, você precisa se manifestar, agora, na internet, sobre esse tema que está todo mundo comentando, e comentar também, nem que seja um KKKKK, mesmo que discorde da situação, só para se mostrar engajado.

Eu não sou contra tecnologia, de jeito nenhum, sou casada com um esposo que trabalha nessa área, e lá em casa a gente está em todas essas redes e muito mais, mas me preocupa a dose diária de virtualidade que a vida vem adquirindo. Quando se percebe, é muito natural deixar as pessoas falando sozinhas enquanto você fita a tela do celular. “Desculpa, pode repetir? Eu não estava prestando atenção…”

Será que não estamos preterindo quem está ao nosso lado em busca de um ativismo virtual? Há famílias na qual todos os membros se comunicam pelo WhatsApp. Bacana, desde que isso não substitua a convivência fraterna dessas pessoas, o carinho mútuo, o amor, o afeto, o cuidado e também o compartilhamento ao vivo de tristezas, dores e dificuldades. Para provocar uma guerra, basta esquecer o carregador do celular.

Minha gente, vivemos bem sem isso, não é? Não precisamos nos fazer escravos do mundo conectado!

Eu já fiz um teste e recomendo: passe um dia completamente desconectado. Inicialmente, parecerá uma tortura, mas, ao fim do dia, você perceberá o quanto pôde cuidar das pessoas e das situações que estavam ao seu lado no dia a dia. Depois, teste ficar dois ou três dias, talvez até uma semana longe das redes virtuais. Você verá como seu tempo foi empregado em observar e agir na realidade mais próxima a você.

Ao dar um tempo nesse ambiente conectado, você voltará a ele com mais senso crítico, menos afetado pelas opiniões extremadas, e poderá dosar mais o seu tempo on-line, para que tenha também tempo de qualidade desconectado. Já percebeu como os nossos sentimentos ficam mais aflorados e acalorados na internet? Nós nos sentimos até mais corajosos para nos manifestar, dizer o que bem queremos e entender os demais à nossa maneira, levando tudo ao pé da letra e a ferro e fogo, combatendo as opiniões contrárias como se estivéssemos em guerra, como se não houvesse amanhã e, muitas vezes, magoando quem está dentro e fora do mundo virtual.

Estar on-line não é problema, o problema é o exagero que nos faz escravos da conexão virtual, negligenciando nossos relacionamentos.

Se estiver difícil vencer essa escravidão em casa, desligue a internet e pratique a frase que um restaurante divulgou bastante nas redes sociais: “Não temos wi-fi. Conversem entre vocês”.

Autora Mariella Siva, Canção Nova

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A Nova Zelândia criminalizou o cyberbullying. A nova lei é abrangente e se aplica em mensagens de teor racista, sexista, homofóbico, que envolvam críticas a uma deficiência física ou a uma religião.

Quem for considerado culpado, pode pegar até dois anos de prisão. Se comprovadamente ocorrer um suicídio por conta de mensagens eletrônicas, a pena mínima passa a ser três anos.

Dependendo do tipo de ofensa, a vítima pode pedir reparação e então serão aplicadas multas que podem chegar a U$ 134.000 (aproximadamente R$400 mil).

O cyberbullying já era proibido no país, mas agora passou a ser considerado crime. Sempre será punido caso seja constatado que causaram “aflição emocional grave” à vítima.

A partir dos 14 anos, a pessoa já terá de responder pelas declarações nas redes sociais, comentários em sites ou pelo “vazamento” de fotos e vídeos.  Uma nova agência digital montada pelo governo terá como responsabilidade analisar as denúncias de casos de cyberbullying.

Foram assinados protocolos de cooperação com as principais redes sociais, como Facebook e Twitter, que irão disponibilizar o acesso às mensagens de eventual caráter criminoso desde que o mesmo seja feito dentro de um período de 48 horas. Até agora esse tinha sido o maior empecilho uma vez que a pessoa apagava a mensagem e com isso a prova “sumia”.

Analistas internacionais acreditam que esse tipo de controle deve ser adotado por outros países num futuro próximo.

Mesmo que a medida tenha recebida ampla aceitação popular, grupos cristãos alertam que os termos da lei são muito “amplos”, o que pode criminalizar o simples compartilhamento de um versículo.

Se um muçulmano se sentir ofendido com uma mensagem sobre somente Jesus levar ao céu ou um homossexual tiver os sentimentos feridos por alguém classificar sua opção como “pecado”, ou insinuar que ele terá punição divina, um processo já pode ser aberto.

Por enquanto o governo neozelandês não fez menção de alterar os termos da lei, o que poderá gerar uma série de problemas legais para quem manifesta a fé bíblica na internet.

Fontes

Prophecy News Watch e Berean Research

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Os jovens do movimento iMision compartilham um ideal:evangelizar na internet. Para levar este ideal à prática de maneira de maneira fiel, eles elaboraram um decálogo com os aspectos que precisam ser levados em consideração na hora de evangelizar:
 
1. Na origem, Cristo
Jesus diz: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). Este é o mandato do qual nasce o chamado à evangelização, também no continente digital.
 
2. Internet, um lugar, não um meio
A rede não é só um instrumento, mas um lugar habitado. Trata-se de evangelizar na internet, não tanto de “usar” a internet para evangelizar.
 
3. O segredo: testemunho
“Para a Igreja, o primeiro meio de evangelização consiste em um testemunho de vida autenticamente cristã” (Evangelii nuntiandi, 41). Os conteúdos não evangelizam de modo autêntico sem nosso testemunho explícito do amor de Deus na rede.
 
4. Nossa força: a graça
“Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5). Só unidos a Jesus, vivendo uma verdadeira vida cristã, em fidelidade e amor à Igreja, os missionários digitais poderão dar um fruto abundante e superar a tentação do desânimo e do ativismo.
 
5. Somos povo, comunidade
Tão significativo quanto o testemunho pessoal é o testemunho comunitário. Uma comunidade de testemunhas, acolhedora e aberta, capaz de acompanhar os que caminham rumo a Cristo, tem muito mais força e impacto para iEvangelizar que os projetos pessoais isolados.
 
6. Em tudo, caridade
A soberba, a divisão e as críticas sem caridade entre cristãos provocam um escandaloso espetáculo que gera ceticismo e às vezes até ateísmos. Construir Igreja, pedir e trabalhar a comunhão é uma urgência se queremos ser apóstolos de Cristo e não escravos do mal – que divide também na rede.
 
7. Abertos a todos
iEvangelizar exige abrir-se ao diálogo com uma atitude humilde diante de todos, não somente daqueles que acolhem a fé, mas também àqueles que a desconhecem ou estão mais distantes.
 
8. Queremos dar fruto, não fazer sucesso
Buscar somente ter mais seguidores, amigos, visitas… é uma forma de idolatria. Precisamos estar alertas para não cair na armadilha do fascínio que o meio produz. Não buscamos fazer sucesso, e sim dar os frutos do Reino.
 
9. Do virtual ao presencial
A iEvangelização tem seu ponto de partida no mundo digital, mas tenta ultrapassar suas fronteiras e provocar o encontro no mundo presencial. A iEvangelização se verifica, se purifica e se potencializa com o encontro presencial.
 
10. Sempre discípulos, sempre aprendendo
Os iMissionários vivem em permanente busca das linguagens que possam tocar hoje o coração humano e anunciar Jesus. Para isso, precisamos de uma vivência responsável da fé e de uma formação contínua no âmbito da comunicação e das novas tecnologias.
 
Que tal seguir estes 10 mandamentos em sua vida digital também?

Fonte:  RADIO MARIA, Argentina.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, é o líder mundial com maior número de seguidores, aponta o estudo Twiplomacy, divulgado  pela consultoria Burson-Marsteller. São 56,9 milhões de seguidores, contra 44 milhões no ano passado. Porém, o papa Francisco, segundo na lista com maior número de seguidores, com 19,6 milhões de pessoas em suas nove contas em diferentes línguas, é considerado o mais influente.

O terceiro líder com mais seguidores no Twitter é Narendra Modi (10,9 milhões), primeiro ministro da Índia, seguido por Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, com 6,1 milhões de seguidores, e a Casa Branca, com 6 milhões.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, tem 3,3 milhões de pessoas seguindo sua conta e ocupa a terceira posição na América Latina, atrás do mexicano Enrique Peña Nieto (3,9 milhões), do colombiano Juan Manuel Santos (3,8 milhões), e da argentina Cristina Fernández de Kirchner (3,6 milhões). O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro(2,3 milhões), fecha os cinco líderes mais seguidos na região.

Contudo, no Twitter, não é apenas o número de seguidores o que importa. Para o estudo, a variável mais importante é o engajamento, medido pelo número de vezes que as mensagens são retuitadas. Nesse quesito, Obama fez história com a fotografia que marcou sua reeleição, que foi compartilhada 806 mil vezes, mas, em média, ele tem “apenas” 1.210 retuítes.

O papa Francisco, em sua conta em espanhol, tem em média 9.929 retuítes em suas mensagens, e, na conta em inglês, 7.527. O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, que sucedeu o rei Abdullah morto em janeiro deste ano, é o segundo na lista, com média de 4.419 retuítes por mensagem, que foi inflada pela mensagem do dia de sua posse, que foi compartilhada mais de 360 mil vezes. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aparece em terceiro, com 3.198 retuítes.

Luke Hurst, Newsweek.