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São muitos os atletas profissionais que, aposentados após o auge do sucesso nos gramados, quadras e piscinas, se mantêm ligados ao mundo do esporte: vários trocam a camisa de jogo pela prancheta de técnicos, por exemplo.

Mas um astro do futebol europeu decidiu trilhar uma estrada bem menos percorrida. Uma estrada que talvez o tenha levado a fazer o gol mais bonito de sua vida: Philip Mulryne, ex-meio-campista do Manchester United e da seleção da Irlanda do Norte, foi ordenado sacerdote da Ordem Dominicana no dia 9 de julho de 2017, aos 39 anos de idade.

O atleta protagonizou uma carreira de sucesso no futebol profissional, jogando ao lado de David Beckham e namorando a modelo Nicola Chapman no auge do estrelato. Philip jogou 161 partidas entre 1999 e 2005. De acordo com o Irish Central, ele estava na lista dos favoritos dos torcedores, mesmo que também tenha tido, segundo o Catholic Herald, os seus momentos de rebeldia: em 2005, por exemplo, ele foi cortado da seleção da Irlanda do Norte porque fugiu da concentração e saiu para beber.

Seu ex-colega Paul McVeigh ficou surpreso ao saber que Philip estava se preparando para ser sacerdote após mais de dez anos de atuação profissional em campo:

Para meu espanto, e provavelmente de todo o resto da fraternidade futebolística, o Phil decidiu treinar para ser padre católico… Eu ainda mantinha contato com ele e sabia que ele tinha dado uma guinada na vida, que estava envolvido em muitas iniciativas de caridade, ajudando pessoas sem-teto toda semana. Mesmo assim, foi um choque completo que ele tenha sentido que o chamado dele era esse… Eu tenho certeza de que isso não é uma coisa que ele levou na superficialidade“.

Pouco depois de se aposentar do futebol, aos 31 anos de idade, Philip realmente se dedicou a uma série de obras de caridade. Seus amigos consideram que o bispo de Down e Connor, dom Noel Treanor, pode ter tido influência na vida do jovem, encorajando-o a pensar na vocação ao sacerdócio.

Quando fez a sua profissão simples dos votos religiosos, em 2013, Philip falou brevemente sobre a sua vocação e as razões que o levaram à ordem dominicana:

Esta, para mim, é uma das principais razões que me atraíram à vida religiosa: me entregar totalmente a Deus na profissão dos conselhos evangélicos, tomá-lo como nosso exemplo e, apesar das nossas fraquezas e defeitos, confiar nele, que vai nos transformar pela sua graça; e assim, ser transformado para comunicar a todos com quem nos encontrarmos a alegria de conhecer a Deus… Este é, para mim, o ideal da vida dominicana e uma das principais razões que me atraíram a esta ordem“.

De acordo com a ACI Digital, a ordenação sacerdotal do agora Padre Mulryne aconteceu na Igreja de St. Saviour, em Dublin, e foi presidida pelo Arcebispo dominicano Augustine Di Noia, secretário assistente da Congregação da Doutrina da Fé, que viajou à Irlanda especialmente para esta cerimônia.

Mulryne ingressou no Seminário Diocesano de Belfast, estudou durante dois anos Filosofia na ‘Queens University’ e no ‘Maryvale Institute’. Em seguida, foi para o Pontifício Colégio Irlandês, em Roma, para estudar Teologia por um ano na Universidade Gregoriana, antes de discernir o chamado à vida religiosa.

Philip entrou para a Casa do Noviciado Dominicano em Cork, na Irlanda, em 2012. Em 2013, quando recebeu o hábito dominicano, Philip Mulryne disse que seu objetivo na vida religiosa é “ser completamente de Deus com a profissão dos conselhos evangélicos”.

“Apesar de nossas faltas, sabemos que Ele nos transforma com a sua graça e, ao sermos transformados, podemos comunicar a alegria aos outros”, ressaltou.

Com informações de Aci Digital

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é um sacerdote da Arquidiocese de Washington, DC. Presbiteriana Renovada, ele se converteu ao catolicismo, enquanto freqüentava a Universidade de Princeton.

Meu grande erro foi assistir a uma missa católica. Tudo começou inocentemente, visitando uma amiga católica que participou de uma universidade do sul, uma jovem mulher que eu queria impressionar pelo meu desejo grande de espírito de ir à igreja com ela. Mas a minha vida nunca mais foi a mesma desde que daquele domingo de abril de 1992 No dia seguinte, retornando para Nova Jersey onde frequentava a faculdade, eu tinha oito horas para refletir a experiência daquela Missa. Ele tinha feito uma impressão indelével, e ao retornar para o dormitório, perguntei a um amigo católico sobre me levar para o padre de sua paróquia. Eu tinha algumas perguntas que precisavam ser respondidas.

Eu cresci em uma família presbiteriana, bastante consistente, e eu sempre tinha abrigado um interesse na religião. Os negócios do meu pai nos levaram no estrangeiro, quando eu era muito jovem, e a maior parte da minha infância foi passada em países da América Latina. A maioria dos meus amigos que eram “sérios” sobre religião eram de fato católicos, então eu cresci tocado por uma visão favorável da Igreja. Quando vivemos no Brasil, participei de uma escola católica de língua Inglesa, e eu lembro vividamente de ser uma das poucas crianças que não tinham condições de receber a Sagrada Comunhão durante a missa semanal. Era aquela fome de receber Nosso Senhor, da graça da conversão e da fé para crer na presença real de Cristo na Eucaristia.

Até o momento em que cheguei da faculdade, no entanto, eu acho que eu era um produto típico da nossa época: ambicioso para ganhar o mundo e ter prazeres, amigável, evasivo, não-dogmático, tolerante a uma falha, ignorante das realidades sobrenaturais, insensível ao movimento do Espírito Santo. Todas as coisas consideradas, eu talvez não tenha sido um grande pecador, mas também não estava remotamente interessado em me tornar um santo. Eu era, em outras palavras, um “cara legal”. Então veio essa experiência inesquecível da Missa.

Depois desse ímpeto inicial, não havia nada muito teatral no meu caminho de conversão. Minha vida continuou como normal, mas salpicada por momentos de recolhimento. Muitas dessas experiências foram acionadas por minha leitura. Tendo falado com o pároco do meu amigo, eu comecei a ler muito, e eu descobri que muitas das minhas impressões sobre o catolicismo, sobre suas crenças, práticas e história, foram imprecisas e muitas vezes completamente erradas e injustas. Para minha surpresa, descobri que os católicos não fazem, de fato, a adoração a Maria; que as crianças, cuja única culpa é ser não nascido, no entanto, têm o direito de viver; que a história católica não é uma faixa de ignorância pontuada por momentos de luz, mas sim uma afirmação fantasticamente rica e diversificada e orgulhosamente de bondade e beleza, sombreada apenas pela fragilidade humana que todos nós compartilhamos.

Como o meu “mito destroçado” a leitura continuou, descobri que estes e os meus outros preconceitos, nunca antes questionados, começaram a vacilar, então balançar, então entrar em colapso. Cada vez, a minha convicção presumida em que eu segurava se tornou menos estridente, até que um dia eu percebi que eu estava me aproximando de um tópico no sentido inverso: onde meus pontos de vista diferentes dos da Igreja, eu esperava que a Igreja fosse certa, e que eu estava errado. Foi quando eu pensei para mim com admiração: “Eu não posso acreditar. Acho que é tudo verdade!” A ironia dessas palavras não me bateram na hora, porque é claro que foi precisamente então que eu podia acreditar! Eu entrei no programa de formação (o Rito de Iniciação Cristã de Adultos) na igreja paroquial e, alguns meses mais tarde, na Vigília Pascal de 1993, foi recebido na plena comunhão da Igreja Católica e confirmado.

Durante este período de preparação, eu nunca vou esquecer uma das minhas conversas com o padre que, eventualmente, me trouxe para a Igreja. Como eu estava me preparando para sair, ele casualmente comentou que, depois da minha conversão, Deus pode pedir ainda “algo mais” de mim. Isso é – e eu entendi o que ele quis dizer – Deus pode me pedir para ser padre. Resmunguei uma resposta, e um pouco ressentido que ele tinha colocado um fardo para mim, antes de eu ser ainda um católico! Não era o tipo de coisa que pessoas descoladas, sem compromisso, como eu jamais sonharia em fazer a outro ser humano! Como eu sabia pouco, quão pouco eu entendi a profundidade da sua caridade para mim. E como sou grato hoje pela coragem do sacerdote; embora ele tenha ido para o Senhor, todos os dias eu rezo por ele em agradecimento. Na verdade, 10 anos depois de sua sugestão indesejável, ele me viu vestido como um diácono, na Basílica de São Pedro.

Ao terminar a faculdade, entrei para ser Candidato na escola e começou uma temporada de quatro anos na Marinha, onde servi em um cruzador e um contratorpedeiro da Frota do Atlântico. Felizmente, na faculdade eu tinha conhecido algumas maravilhas católicas da Opus Dei que me encorajaram a promover uma vida de oração, a recepção contínua dos sacramentos, a leitura espiritual, e devoções. Que a formação da vida interior ficava me aterrada ao longo desses emocionantes quatro anos de serviço militar.

Ao me aproximar do fim do meu tempo na Marinha, refleti novamente na sugestão do padre a considerar a vocação para o sacerdócio, mas ainda não estava completamente pronto para dar o salto. Mais uma vez eu tinha uma namorada séria e, ao mesmo tempo, no fundo, eu sabia que o Senhor estava me chamando para ser seu sacerdote, eu tentei um último “prazo final” em torno dele. Peguei o matéria aplicada na faculdade de direito, e quando a carta de aceitação veio do meu “tiro longo” a escola, eu estava em êxtase. Quando a euforia passou, no entanto, eu olhava para a letra e percebi que eu nunca iria assistir. Sem mais hesitação, eu recusei, enviei a minha candidatura para o Seminário da Arquidiocese de Washington, e embarquei na viagem mais gratificante e emocionante da minha vida.

Mais do que qualquer outro sentimento, o meu coração está cheio de gratidão. Gratidão a Deus pela minha vida, pela graça da conversão, pela minha fé. Gratidão a minha família para o seu amor, pela minha educação, pelo seu apoio inabalável e incentivo. Gratidão aos muitos sacerdotes e leigos que têm sido referidas testemunhas finas da fé católica e que me apoiaram a cada passo do caminho. Acima de tudo, no entanto, sou grato pelo grande dom e bênção de um chamado ao sacerdócio. O que uma incrível vida – uma vida de íntima união com Cristo, de agir como um poderoso canal da graça de Deus, de ter um papel privilegiado na vida de Seu povo. Deus me deu uma escolha, uma escolha real, e eu estava livre para voltar a vocação. Ele não quer discípulos relutantes. Nem por um momento, no entanto, eu me arrependi de minha resposta. Eu nunca fui mais feliz na minha vida, eu nunca olhei para trás, e não há nada que eu prefira fazer. Rezo todos os dias que o Senhor irá conceder o privilégio de uma chamada para o sacerdócio em muitos generosos, homens firmes para ser pais de almas. Nunca antes, creio eu, tem lá um tempo melhor, uma causa mais nobre, ou uma colheita mais abundante de almas famintas de verdade, de amor puro e sem mácula, para a verdadeira felicidade e paz no coração.

Aquele sacerdote que me pediu para considerar um chamado ao sacerdócio foi entendido. Ele sabia que a felicidade de cada homem, em última análise, encontra-se em seguir o plano de Deus para sua vida. Essa é a grande, abertura do desconhecido segredo para o mundo moderno, em que tantas pessoas freneticamente buscam “felicidade” em todos os lugares errados. Ele queria para mim o que cada amigo verdadeiro cristão deve querer para nós: a serenidade e a alegria incontida de um discípulo generoso de Jesus Cristo. Para mim, o caminho do discipulado significava tornar-se padre, mas primeiro queria abraçar a beleza, a verdade, e a alegria do catolicismo. A Igreja Católica tem sido um guia seguro, uma luz em tempos de escuridão, e um alicerce de apoio para mim por mais de metade da minha vida. Eu não posso nem imaginar a vida sem os sacramentos da Eucaristia e da Confissão, sem a mão firme da sua doutrina, sem a garantia de que ela nos une de forma única para Cristo. E que, em poucas palavras, é por isso que eu sou católico.

Pe. Carter Griffin é um sacerdote da Arquidiocese de Washington, DC. Presbiteriana Renovado, ele se converteu ao catolicismo, enquanto freqüentava a Universidade de Princeton. Depois de se formar em 1994, atuou por quatro anos como oficial da linha de superfície da Marinha dos Estados Unidos antes de entrar no seminário. Ele participou do Seminário Mount St. Mary, em Emmitsburg, Maryland para dois anos de filosofia seguida pelo Colégio Norte-americano em Roma por cinco anos de teologia. Pe. Griffin foi ordenado sacerdote em 2004 e serviu como padre-secretário do arcebispo de Washington antes de iniciar estudos de doutoramento em Roma em 2008 sua tese de doutorado, “Sobrenatural paternidade através do celibato sacerdotal: Execução em Masculinidade”, foi publicado em 2010 . Atualmente é vigário paroquial da paróquia de São Pedro, no Capitol Hill, e foi recentemente transferido como Diretor Vocacional da Arquidiocese de Washington e do Vice-Reitor da nova John Paul II Seminário da Arquidiocese Santíssimo.

De: whyimcatholic.com   

Via Front Católico

Jaime Maldonado-Aviles, a former neuroscientist at Yale, decided to become a priest at Catholic University's Theological College in Washington. MUST CREDIT: Washington Post photo by Linda Davidson.
Jaime Maldonado-Aviles deixou o pós-doutorado em Yale para entrar no seminário. Outros cientistas estão seguindo o mesmo caminho. (Foto: Linda Davidson/The Washington Post)

O jornal O Globo, reproduzindo noticiário do Washington Post, conta a história de um neurocientista que, no meio do pós-doutorado em Yale, largou tudo para se tornar padre, matriculando-se em um seminário. E o jornal continua dizendo que Jaime Maldonado-Aviles está longe de ser um caso isolado. Entre os seminaristas, pelo menos em Washington e algumas outras instituições, há cada vez mais “vocações tardias” oriundas do ambiente científico.

Como não poderia deixar de ser, ninguém mostra estar embasbacado ou perplexo com o fato de um cientista não apenas ter fé, mas também abraçar o sacerdócio. “Eles parecem se encaixar muito bem, é tudo que eu posso dizer. Não parece haver uma luta terrível para que eles tragam seus antecedentes científicos aqui. Ninguém lhes pede para abandoná-los”, diz um recrutador de um seminário que só aceita maiores de 30 anos, ou seja, pessoas que provavelmente já tinham uma carreira estabelecida antes de descobrir sua vocação. E não tinha como ser diferente mesmo, apesar do que revistas como Superinteressante ou Galileu continuem tentando colocar na nossa cabeça.

A reportagem não diz se esses seminaristas, uma vez ordenados, abandonarão completamente suas pesquisas para se dedicar exclusivamente ao sacerdócio, ou se darão continuidade ao que faziam antes, talvez por meio da docência. Mas eles parecem conscientes de que seus antecedentes lhes dão um papel especial dentro da Igreja. Maldonado-Aviles “considera sua missão ajudar os católicos a entender os cientistas, e os cientistas a entenderem os católicos”, diz o texto. O Post diz que ele tem mergulhado em temas de bioética (essa parte o Globo cortou da sua versão) para dialogar com outros cientistas.

A história de Maldonado-Aviles me lembra dos padres-cientistas que entrevistei recentemente, do irmão trapista Gabriel e de outros padres e seminaristas que conheço (recentemente, conversando com o padre redentorista Joaquim Parron, ele me contou que um dos seminaristas tinha vindo da Física). Independentemente de seguirem, de algum modo, com sua carreira científica ou de a deixarem totalmente, essas pessoas enriquecem a Igreja com seus conhecimentos. Claro, também os leigos o fazem quando fomentam uma relação saudável entre a ciência e sua fé, mas pessoas que estão em posições de liderança, cujas opiniões são levadas em consideração pelos fiéis, podem fazer um grande bem ou causar um grande estrago. A perspectiva que um padre-cientista (ou “padre ex-cientista”) traz é preciosa; não podemos desperdiçá-la.

Fonte: Tubo de ensaio

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Para além de um veto aos homossexuais. A Santa Sé incentiva uma visão integral na formação dos futuros sacerdotes. Para isto, acaba de publicar O dom da vocação presbiteral, um texto de 90 páginas que constitui a ratio fundamentalis da instituição sacerdotal. Os elementos básicos que devem orientar a formação de presbíteros.

Embora o texto tenha reafirmado a explícita instrução de que se evite aceitar os gays nos seminários, na realidade aponta para algo mais. Foi o que explicou um de seus artífices, o secretário para os Seminários da Santa Sé, Jorge Carlos Patrón Wong. Em entrevista ao Vatican Insider, pediu para superar visões reducionistas e rótulos.

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O que este novo documento propõe?

Inclui as principais linhas para a formação presbiteral nos seminários e também para os sacerdotes, porque uma das coisas originais deste texto é que une o caminho disciplinar desde o batismo, tudo o que uma criança e um jovem aprendem no seguimento de Jesus, a descoberta de sua vocação dentro da pastoral vocacional, sua formação permanente, na vida e ministério dos sacerdotes.

Como se chegou a sua redação?

Durante três anos, foram consultados cardeais, bispos, reitores e formadores dos cinco continentes, as congregações nacionais de seminários, todas as conferências episcopais do mundo e dicastérios da Cúria Romana. É um documento sinodal de amplo impacto.

Qual é a principal novidade?

A unidade, o fio condutor é ser discípulo e missionário de Jesus, até a certo ponto começar a se configurar com o coração do Cristo bom pastor, um bom pastor que está perto de seu povo, que é servidor, que é sacerdote, que faz de sua vida uma entrega de serviço e que conduz o povo com a sua simplicidade de vida. É um documento que reúne as experiências positivas da Igreja com a novidade pastoral que o Papa Francisco dá a esta Igreja próxima. O sacerdote de hoje conduz, mas também caminha com o seu povo, está a serviço do Evangelho, sempre deve estar muito perto de Deus e de seu povo. A unidade na vida do sacerdote é amar a Deus e a seu povo com toda a alma, com toda a vida, com todas suas forças.

Quando o documento foi publicado, a imprensa destacou que o Vaticano reafirmou seu veto ao ingresso de homossexuais nos seminários. O texto propõe algumas mudanças?

Não há mudanças no direito canônico, há uma continuidade ainda que, sim, exista uma novidade, que está no acompanhamento pessoal e no discernimento, pessoal e grupal. São temas que o Papa Francisco propõe. A partir daí, busca-se fazer avaliações que incluem a vida afetiva, a vida humana, de relações, a vida espiritual, o valor apostólico e o intelectual, mas de uma maneira integral. Desse modo, evitamos reducionismos, visões curtas. Infelizmente, as pessoas que não estão trabalhando na formação sacerdotal podem ter visões reducentes e temáticas. Centrar-se nesta da homossexualidade é isso. Nós desejamos uma leitura mais ampla da pessoa que é chamada a ser um servidor de seu povo. Não podemos reduzir os candidatos a estes títulos e muito menos a quem experimenta um chamado de Deus para ser seu servidor.

Por que fazer o documento, se não são introduzidas mudanças?

Na realidade, existe toda uma novidade: pela primeira vez, integra a espiritualidade, a pastoral, o desenvolvimento humano, acompanhamento, discernimento, ciências humanas e experiências vividas. Um documento de 90 páginas, que contou com a contribuição de pessoas que vivem e trabalham, hoje, com aqueles que serão sacerdotes. Quando se lê o texto, se encontra refletido o sacerdócio de hoje e de amanhã.

Quais são os defeitos ou fracassos na formação de sacerdotes que o documento pode ajudar a sanar?

Todos, incluindo os jovens, vivemos em um mundo que reduz nossa vida a elementos que não são totais. Todos nós sofremos isto. São supervalorizados alguns aspectos da pessoa humana. A resposta dos seminários deve ser integral, todo o homem, tocado pela experiência humana e espiritual de Jesus. O documento é muito personalista e muito comunitário, traz o mais avançado de todas as ciências humanas para colocar o seminarista e sacerdote nessa formação permanentemente, para melhorar a cada dia.

Como este documento será aplicado?

O último documento da Santa Sé sobre este tema data de 1971 e foi publicado em latim. Hoje, este novo texto está na internet e é possível baixar em sete idiomas. Todos poderão lê-lo, inclusive os seminaristas, sacerdotes e bispos. A partir de agora, pedimos a cada conferência episcopal que prepare um texto semelhante, mas de caráter nacional, com linhas mestras para cada país, nas quais todos estejam envolvidos. Nós simplesmente faremos o serviço de aprovação, mas haverá muita liberdade. Desse modo, estamos diante de um processo de renovação, em movimento, que é o desejo do Papa Francisco. Será um tempo positivo, propositivo, esperançoso. Os próprios seminaristas e formadores nos disseram: “Isto é o que desejávamos: uma plataforma certa, segura, integral para correr todos os riscos”.

O que o Papa disse deste trabalho?

Muito aprovado. Não só o leu, como também trouxe contribuições concretas e pontuais. Uma vez me telefonou para pedir que eu ampliasse a ênfase sobre o discernimento: o sacerdote como um homem de discernimento, não apenas em sua vida, mas em todas as situações que deve enfrentar para ajudar seu povo. Outra vez, fez-me notar a importância da comunidade, da família e da Igreja que forma a pessoa, e da pessoa que forma comunidade. Insistiu muito no acompanhamento e no estímulo aos futuros sacerdotes.

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Um decreto sobre a formação de sacerdotes publicado pelo Vaticano recorda a exigência de abstinência sexual e a proibição de homossexuais no exercício do sacerdócio.

“A Igreja, respeitando as pessoas envolvidas, não pode admitir no seminário e nem nas ordens sagradas os que praticam a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiem o que se conhece como cultura gay”, destaca o documento, publicado nesta quinta-feira pelo Osservatore Romano, diário oficial do Vaticano.

Este novo guia completo, aprovado pelo Papa, atualiza uma versão emitida há 46 anos, mas a não admissão de padres com tendências homossexuais foi tratada pela Igreja Católica em 2005. O documento faz exceção para as “tendências homossexuais que sejam unicamente a expressão de um problema transitório como, por exemplo, uma adolescência ainda não terminada”.

O documento recorda a necessidade de uma “imposição voluntária da continência”. Seria “gravemente imprudente admitir o sacramento a um seminarista que não haja atingido uma afetividade madura, serena e livre, casta e fiel ao celibato”, determina o decreto, acrescentando que os futuros padre também necessitam compreender “a realidade feminina”.

“Tal conhecimento e aquisição de familiaridade com a realidade feminina, tão presente nas paróquias e em muitos contextos eclesiais, é conveniente e essencial para a formação humana e espiritual do seminarista”, diz o documento.

Após o escândalos sobre abusos sexuais, o guia possui um artigo destinada à “proteção dos menores”. Segundo o documento, no programa de formação inicial de sacerdotes serão inseridos lições, seminários ou cursos para transmitir de maneira adequada a proteção de menores de idade, “dando ênfase nas áreas de possível exploração ou violência, como, por exemplo, o tráfico de crianças, o trabalho infantil e o abuso sexual”.

O guia aborda numerosos temas, como a revolução digital: “é necessário observar a prudência que se impõe quanto aos riscos inevitáveis de se frequentar o mundo digital, incluindo as diferentes formas de dependência que se possam tratar por meios espirituais e psicológicos adequados”.

Ao mesmo tempo, “é oportuno que as redes sociais formem parte da vida cotidiana do seminário”, pois convém aproveitar “as possibilidades das novas relações interpessoais, de encontro com os demais, de confrontação com o próximo e de testemunho da fé”.

Fonte: O Globo

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A Congregação para o Clero (Santa Sé) publicou um novo decreto orientador para a formação de futuros padres católicos, na qual é sublinhada a importância da “formação integral” e da maturidade psíquica, sexual e afetiva.

A ‘Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis´é atualizada 46 anos depois, procurando unir de “modo equilibrado as dimensões humana, espiritual, intelectual e pastoral, através de um caminho pedagógico gradual e personalizado”.

O documento retoma a instrução de 2005 sobre a admissão aos seminários e ao sacerdócio de “pessoas com tendências homossexuais”.

A Igreja, pode ler-se, respeitando as pessoas envolvidas, “não pode admitir ao seminário nem às ordens sagradas os que praticam a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiem o que se conhece como cultura gay”.

Os orientadores dos seminários são chamados a ter em atenção a necessidade de avaliar se um seminarista atingiu a “afetividade madura, serena e livre, casta e fiel ao celibato”, exigida pela Igreja Católica.

O novo decreto, promulgado na solenidade da Imaculada Conceição, defende ainda que deve ser prestada “máxima atenção ao tema da tutela dos menores e dos adultos vulneráveis”, evitando admitir ao seminário pessoas ligadas a “delitos ou situações problemáticas” relacionadas com abusos sexuais.

O cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero, disse ao jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, que a nova ‘ratio’ procura “superar alguns automatismos que foram criados no passado”, e propor um “caminho de formação integral que ajude a pessoa a amadurecer em todos os aspectos”, com atenção à dimensão “humana, espiritual e pastoral”.

Para este responsável, as três palavras-chave para a compreensão do documento são “humanidade, espiritualidade e discernimento”.

O texto realça a importância de não limitar a avaliação ao percurso académico dos candidatos ao sacerdócio.

“Um discernimento global, realizado pelos formadores sobre todos os âmbitos da formação, consentirá a passagem para a etapa sucessiva somente daqueles seminaristas que, mesmo tendo superado os exames previstos, tenham alcançado o grau de maturidade humana e vocacional requerido em cada fase”, pode ler-se.

O novo decreto, intitulado ‘O dom da vocação presbiteral’, de mais de 80 páginas, está disponível na internet.

Agencia Ecclesia

 

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Aos 25 anos, Orzú Saidshoev se tornou o primeiro sacerdote nascido no Tajiquistão, um novo país de maioria muçulmana, onde segundo cifras oficiais há pouco mais de 300 habitantes católicos.

O Padre Orzú foi ordenado sacerdote no último dia 25 de junho na pequena cidade de Montefiascone, na Itália, e nas próximas semanas viajará como missionário à Rússia com a sua congregação, Instituto do Verbo Encarnado, uma das poucas organizações católicas que existem no país.

A República do Tajiquistão é um pequeno país da Ásia Central que tem uma população de 8 milhões de habitantes, dos quais 95% professam o islamismo. Em 1991, tornou-se independente da União Soviética. Seu território fez limite com o Afeganistão, Uzbequistão, Quirguistão e China.

“Sinto um pouco de temor, pois tenho uma responsabilidade muito grande de ser o primeiro (sacerdote nascido no Tajiquistão) e também muita alegria porque é um caminho muito alegre, um caminho de santidade para salvar as almas. É muito importante, como fizeram os missionários da Argentina que estavam no Tajiquistão, evangelizaram a missão e graças a eles eu estou aqui”, disse o presbítero ao Grupo ACI durante uma visita a Roma.

A pequena população católica do Tajiquistão tem “duas paróquias, uma delas na capital Duchambe, também temos três sacerdotes missionários da Argentina, três irmãs de nosso Instituto e quatro irmãs da congregação da Madre Teresa de Calcutá”.

Para o jovem sacerdote, a convivência com os muçulmanos sempre foi “mais ou menos boa porque nós somos muito poucos”.

“Não temos muitos problemas com isso. Eles nos respeitam e nós também os respeitamos”, embora reconheça que apesar desta boa relação, “não posso evangelizar em lugares públicos, nem posso usar a batina”, explicou.

“Peço a graça de perseverar neste caminho que não é fácil, é muito difícil, e também peço a graça de poder salvar muitas almas, para ganhar as almas e levá-las ao céu. Isso é a principal missão do ministério sacerdotal e assim também peço a graça de que no Tajiquistão possa haver muitos cristãos e possam se converter”, assegurou o sacerdote.

Na sua ordenação, esteve presente a sua mãe, que viajou do Tajiquistão para acompanhar o seu filho durante a celebração. “Estou muito feliz, tudo saiu bem. Quando voltar para a casa, compartilharei a minha alegria com meus amigos e minhas irmãs”, indicou.

Fonte: Rádio Vaticano

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Em vários países, multiplicou-se o número de falsos sacerdotes que se valem da boa fé dos fiéis para “oferecer seus serviços” em troca de dinheiro fácil.

Apenas o sacramento da Ordem Sacerdotal consagra aquele que o recebe, configurando-o de modo particular com Jesus Cristo e capacitando-o para atuar na própria pessoa de Cristo para o bem de todo o povo de Deus.

Na seguinte nota, é detalhado como identificar um falso sacerdote e as medidas preventivas para evitar ser enganado.

Como reconhecê-lo?

1. Os falsos sacerdotes não têm paróquia nem território designado porque não pertencem à Igreja Católica, portanto, não se encontram nos registros das dioceses.

2. Saem “oferecendo seus serviços” (missas, sacramentos) e é comum que deem de presente cartões de apresentação para que possam entrar em contato com eles.

3. Costumam atuar em lugares longínquos à paróquia da cidade como em pequenas comunidades onde não há sacerdotes. É necessário saber que os sacerdotes católicos não podem celebrar casamentos, batizados e, em geral, oficiar Missas fora da paróquia ou um templo público reconhecido.

4. Criam laços de amizade com os paroquianos e ministram “sacramentos” sem ter em conta os impedimentos.

5. Cobram dinheiro ao final da Missa que celebram “solicitando uma contribuição econômica”.

6. Pedem donativos para algum lar, orfanato ou asilo que não existe. Em alguns casos, até oferecem seus serviços aos próprios sacerdotes para ajudá-los na festa paroquial ou na Semana Santa.

7. Uma grande porcentagem deles são pessoas que estudaram no seminário, mas por diversas razões foram expulsos; outros serviram em alguma paróquia como sacristãos ou simplesmente encontraram uma forma de extorquir os fiéis e até os mesmos presbíteros porque conhecem as celebrações litúrgicas.

Medidas preventivas

1. Buscar na nossa paróquia orientações sobre os requisitos necessários para a celebração dos sacramentos.

2. Em caso da perda de um familiar, recorrer à paróquia mais próxima ao velório ou à nossa própria paróquia para solicitar os serviços correspondentes.

3. Nunca aceitar sacerdotes que se fazem conhecer por cartões de apresentação ou que oferecem “serviços a domicilio”.

4. Exigir do sacerdote a credencial expedida pela diocese correspondente.

5. Se não é possível encontrar um sacerdote, é obrigação dos fiéis se abster das celebrações dos impostores pois não têm nenhuma validez.

6. Deve-se denunciar o falso sacerdote imediatamente às autoridades eclesiásticas.

7. Advertir outros fiéis a ter cuidado com o impostor.

Fonte: ACI

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Quando o americano Chase Hilgenbrinck começava a se destacar no futebol profissional, Deus o chamou ao sacerdócio. Deixou sua carreira no Chile e com muito esforço foi ordenado presbítero em 2014. Dentro de alguns dias, voltará ao país sul-americano para celebrar uma Missa e compartilhar seu testemunho.

Na sua visita ao Chile, onde jogou profissionalmente durante três anos, o Pe. Hilgenbrinck visitará Chillán, a 400 quilômetros ao sul de Santiago. Ali celebrará uma Missa na paróquia Santa Ana no sábado, 7 de maio às 20h.

Há alguns anos, Chase compartilhou seu testemunho no programa ‘Nuestra Fé em vivo’ com Pepe Alonso, no canal EWTN, e contou que durante o tempo que esteve no Chile, no princípio, “me sentia muito sozinho e não foi o que esperava de um jogador de futebol profissional. Pensei que haveria fama, com amigos, com muitas pessoas. Ao final, sabia que estava brigando por um lugar em uma equipe onde não me conheciam. Não foi fácil”.

Um dia, prosseguiu, “rezando em uma igreja encontrei minha paz. No inverno do Chile, com muita chuva, estava congelado, sentado sozinho na igreja da Assunção. Estava rezando frente ao tabernáculo, sozinho frente ao Senhor. Rezava por estar cômodo, por ter mais paz, para que tudo desse certo no futebol. E justo aí, em silêncio, eu escutava no fundo de meu coração, escutava em inglês: ‘be my priest’ (serás meu sacerdote). E não conseguia acreditar”.

Essa experiência, explicou Chase, “era muito incômoda e não queria escutá-lo. Eu lhe dizia (a Deus) não sabe o que está dizendo, mas eu estava convencido, não era algo que eu mesmo podia ter sonhado, nunca havia pensando nisto e não o queria. Sabia que era o chamado do Senhor”.

“Eu o escutava e continuava com minha vida, mas as coisas começaram a estar bem”, recordou.

O sacerdote, então Vigário Paroquial de St. Mary Parish e capelão da equipe da Alleman High School em Rock Island, na diocese de Peoria, é filho de Mike Hilgenbrinck, que faleceu de câncer há algum tempo, e Kim, que era contadora.

A cada domingo, seus pais o levavam junto com seu irmão Blaise à Missa. Ambos eram coroinhas da Holy Trinity Church em Bloomington, Illinois.

Uma reportagem em 2008 na ESPN assinala que, “inclusive quando era adolescente, as crianças procuravam Chase para que se aconselhar. Sua mãe recorda uma ocasião em que uma companheira grávida o procurou em sua casa. ‘Nós lhe dissemos, ‘Chase, você não é o suficientemente mais velho para dar conselho sobre estas coisas. Esta jovem deve falar com um adulto’”.

Ambos jogavam futebol desde pequenos, mas Chase era melhor e de fato chegou a estar na seleção nacional sub17 dos Estados Unidos.

Quando chegou à Universidade de Clemson, Chase continuou jogando futebol, mas não deixou de lado a sua fé. Uma jovem e um sacerdote lhe perguntaram se alguma vez havia pensado servir plenamente a Deus. “No fundo pensava que não, de jeito nenhum. Ainda não percebia”, recorda.

O jovem se graduou no Clemson em 2004 e foi convidado para jogar no Chile. Ali passou por várias equipes como o Huachipato e o Ñublense durante três anos.

No Chile continuou ajudando os outros. Uma vez, recordam seus pais, obteve um prêmio por ter sido o “jogador da equipe”. Com o dinheiro, comprou materiais esportivos e os doou a uma escola pobre.

“Como estava sozinho em outro país, com uma cultura e idioma diferente, procurei muito dentro de minha alma”, disse Hilgenbrick ao Catholic Post da diocese de Peoria há alguns anos.

Com a oração, os sacramentos, inclusive a confissão, foi fortalecendo sua relação com Cristo e os temores ou “barreiras” ao seu redor começaram a cair.

Em 2007, quando já estava decidido sobre sua vocação, escreveu ao diretor de vocações de Peoria, Pe. Brian Brownsey.

O sacerdote lhe pediu um grande desafio. Tinha que escrever uma autobiografia de 20 páginas e enviar respostas a várias perguntas.

Chase não havia dito nada a ninguém acerca do tema de sua vocação: nem a sua namorada, nem a sua família com quem rezava ante a imagem da Virgem Maria quando era criança para pedir pelas futuras esposas dele e do seu irmão. Quando voltou para os Estados Unidos, já havia terminado com a sua namorada.

No dia que terminou o seu desafio, Chase chamou o seu irmão e pais, pediu para que comprassem champanhe e logo se encontrassem na Igreja Holy Trinity. Contou-lhes em frente à imagem da Virgem. “Sua reação? Foram muito amorosos e me apoiaram”.

“Quando uma pessoa joga futebol deve ser melhor a cada dia. E o mesmo acontece com a fé. Tem que melhorar cada dia mais e procurar as oportunidades para aprofundar a relação com Cristo”, compartilhou com Catholic Post.

Antes de ingressar no St. Mary’s Seminary, Chase jogou em duas equipes: no Colorado Rapids e no New England. O contrato com a segunda equipe acabava no dia 1º de julho, a mesma data na qual esperavam o ingresso dos novos seminaristas, algo que ele entendeu como um sinal providencial.

“Quero ser uma luz para Cristo. Isto se trata Dele, não de mim”, afirma.

ACI

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Flores, frutos, fungos e folhas secas. Depois: sacerdotes rígidos que “mordem”; seminaristas quase sádicos, porque, no fundo, “doentes mentais”; mães que dão “palmadas espirituais” e bispos que só viajam e se preocupam pouco dos problemas na diocese e que, talvez, fariam melhor em “se demitirem”. Essas são as imagens e as metáforas que pontilham o “compêndio” sobre a formação e o ministério dos sacerdotes que Francisco desenhou hoje durante a sua longa audiência aos participantes do Congresso na Pontifícia Universidade Urbaniana, promovido pela Congregação para o Clero por ocasião do 50º aniversário dos Decretos Conciliares Optatam totius e Presbyterorum ordinis. Dois decretos que – diz o papa – são “uma semente” lançada pelo Concílio “no campo da vida da Igreja” e que durante estas cinco décadas “cresceram, se tornaram uma planta vigorosa, embora com algumas folhas secas, mas, especialmente com muitas flores e frutos que adornam a Igreja de hoje”. Juntos, esses dois são “duas metades de uma realidade única: a formação dos sacerdotes, que dividimos em inicial e permanente, mas que constitui por si só uma única experiência de discipulado”.

Os padres são homens, não formados em laboratório

“O caminho de santidade de um padre começa no seminário!”, destaca Bergoglio, identificando três fases tópicas: “tomados dentre os homens”, “constituídos em favor dos homens”, presentes “no meio dos outros homens”. “Tomados dentre os homens” no sentido de que “o sacerdote é um homem que nasce em um certo contexto humano; ali aprende os primeiros valores, absorve a espiritualidade do povo, se acostuma às relações”. “Até mesmo os sacerdotes têm uma história”. Não são “fungos” que “surgem de repente na Catedral no dia da sua ordenação”, diz Francisco. É importante, por isso, que os formadores e os próprios sacerdotes tenham em conta tal história pessoal ao longo do caminho de formação. “Não se pode ser sacerdote acreditando que se formou em um laboratório”, acrescenta de improviso, “não, começa na família com a tradição da fé e todas as experiências da família”. É necessário, portanto, que toda a formação “seja personalizada, porque é a pessoa concreta que é chamada ao discipulado e ao sacerdócio”.

Família primeiro centro vocacional. “Não se esqueçam mães e avós”

Acima de tudo, devemos lembrar o fundamental “centro de pastoral vocacional” que é a família: “igreja doméstica e primeiro e fundamental lugar de formação humana”, onde pode germinar “o desejo de uma vida concebida como caminho vocacional”. “Não se esqueçam das vossas mães e das vossas avós”, exorta Francisco. Depois, elenca os outros contextos comunitários: “escola, paróquia, associações, grupos de amigos”, onde – diz – “aprendemos a estar em relação com pessoas concretas, nos fazemos modelar da relação com eles, e nos tornamos o que somos também graças a eles”.

“Um bom sacerdote”, portanto, “é antes de tudo um homem com a sua própria humanidade, que conhece a sua própria história, com as suas riquezas e as suas feridas, e que aprendeu a fazer as pazes com ela, alcançando a serenidade de fundo, própria de um discípulo do Senhor”, destaca Francisco. Por isso, “a formação humana” é necessária para os sacerdotes, “para que aprendam a não serem dominados pelos seus limites, mas, sim, a construir sobre os seus talentos”.

“Sacerdotes neuróticos? Não pode… Que passem por um médico para tomar remédio”

Além do mais um padre em paz consigo mesmo e com a sua história “saberá difundir serenidade ao seu redor, também nos momentos difíceis, transmitindo a beleza da relação com o Senhor”. Não é normal, de fato, “que um sacerdote seja triste muitas vezes, nervoso ou duro de caráter”, observa o Papa Francisco: “Não está bem e não faz bem, nem ao sacerdote, nem ao seu povo. Mas se você tem uma doença e é neurótico, vá a um médico! A um médico clínico que te dará um comprimido que te fará bem. Também dois! Mas, por favor, que os fieis não falem das neuroses dos padres. E não batam nos fieis”.

Os sacerdotes são, de fato, “apóstolos da alegria” e com a sua atitude podem “favorecer ou obstruir o encontro entre o Evangelho e as pessoas”. “A nossa humanidade é o vaso de barro’ onde guardamos o tesouro de Deus”; é necessário, por isso, cuidar “para transmitir bem o seu precioso conteúdo”. Nunca um sacerdote deve “perder a capacidade de alegria. Se a perde existe algo errado”, recomenda o Santo Padre.

E admite que “honestamente” tem medo dos rígidos: “é melhor ficar longe dos sacerdotes rígidos, eles mordem”, diz com ironia. “Lembro-me daquilo que disse Santo Ambrósio no século IV; onde há a misericórdia está o espírito do Senhor. Onde há a rigidez, estão só os seus ministros. E o ministro sem o Senhor se torna rígido. E isso é um perigo para o povo de Deus”.

“Nunca, jamais, perder as próprias raízes!”

Além disso, um padre – comenta Francisco – “não pode perder as suas raízes, é sempre um homem do povo e da cultura que o gerou”. “As nossas raízes nos ajudam a recordar quem somos e de onde Cristo nos chamou. Nós, sacerdotes, não caímos do céu, mas somos chamados por Deus, que nos tira ‘dentre os homens’, para constituir-nos em ‘favor dos homens’”.

A este respeito, o Papa contou uma anedota: “Na Companhia, alguns anos atrás, havia um bom padre, bom, jovem, dois anos de sacerdócio… entrou em crise, falou com o padre espiritual, com os superiores, os médicos: ‘vou embora, não aguento mais’. Eu conhecia a sua mãe, pessoa humilde, não uma dessas ‘mulherzinhas’… e lhe disse: ‘Por que você não vai até a sua mãe e lhe conta tudo?’. E ele foi, passou um dia com a mãe. Voltou assim. A mãe lhe deu dois tapas espirituais, lhe disse 3 ou 4 verdades, colocou-o no seu lugar, e seguiu adiante. Por quê? Porque voltou à raiz”.

“Ore como você aprendeu a rezar quando criança”

Assim, “no seminário – explicou o Papa – você deve fazer a oração mental. Sim, sim, isso deve ser feito, aprender. Mas, antes de tudo, reze como te ensinou a sua mãe, cmo aprende a rezar de criança. Até com as mesmas palavras. Comece a rezar assim, depois avançarás na oração”.

Pastores, e não os funcionários

As raízes, então. “Este é um ponto fundamental da vida e do ministério dos sacerdotes”, diz Francisco. O outro é que “se torna sacerdotes para servir os irmãos e as irmãs”. Porque “não somos sacerdotes para nós mesmos e a nossa santificação é intimamente ligada à do nosso povo, a nossa unção à sua unção”. Saber e recordar que somos “constituídos para o povo”, ajuda o sacerdote “a não pensar em si, a ser crível e não autoritário, firme mas não duro, alegre mas não superficial”. Em suma, “pastores, não funcionários”. Muito menos o sacerdote é “um profissional da pastoral ou da evangelização, que chega e faz o que deve – talvez bem, mas como se fosse um trabalho – e depois vai embora viver uma outra vida”. Não, não, “o que nasceu do povo, com o povo deve permanecer”. O sacerdote está sempre “no meio dos outros homens” e “vira-se sacerdote para estar no meio do povo”, reitera Bergoglio.

Bispos compromissados e viajantes: “Se você não está a fim de permanecer na diocese, peça demissão”

Portanto, a “proximidade” é um requisito básico, que também é necessário para os “irmãos bispos”. “Quantas vezes – diz o Papa – escutamos queixas dos sacerdotes: ‘Mas liguei para o bispo porque eu tenho um problema, a secretária me disse que ele está muito ocupado, que está viajando, que só pode me atender dentro de três meses! Um bispo sempre ocupado, graças a Deus. Mas se você, bispo, recebe o chamado de um padre e não pode encontra-lo porque tem muito trabalho, pelo menos pegue um telefone e ligue para ele. E pergunte ‘mas é urgente, não é urgente?’, de forma que ele sente que você está próximo”.

Infelizmente, porém “há bispos que parecem afastar-se dos sacerdotes”, onde “proximidade” também pode ser um telefonema”, um simples sinal “de amor paterno, de fraternidade”, mais prioridade do que uma conferência em tal cidade” ou uma viagem à América”.  do que a” conferência na cidade “ou” uma viagem na América. “” Mas escute, eh! “, diz Francisco, “o decreto de residência de Trento ainda está vigente e se você acha que não consegue ficar na diocese, peça demissão! E roda o mundo fazendo outro apostolado muito bom… Mas se você é bispo daquela diocese: residência”

O bem que padres e bispos podem fazer “vem principalmente da proximidade deles e de terno amor pelas pessoas”. Porque não são “filantropos ou funcionários”, na verdade, mas “pais e irmãos” que devem garantir “entranhas de misericórdia, olhar amoroso”. “A paternidade de um sacerdote faz muito bem” no sentido de “fazer experimentar a beleza de uma vida vivida segundo o Evangelho e o amor de Deus que se concretiza através de seus ministros.”

“Se não é possível absolver, pelo menos dê uma benção”

Porque “Deus não rejeita nunca”. E aqui uma outra “palmada” do Papa, tudo no improviso: “Penos nos confessionários – diz -, sempre e possível achar caminhos para dar a absolvição. Algumas vezes não é possível absolver. Mas tem padres que dizem: ‘Não, isso não se pode fazer, vá embora!’. Este não é o caminho… Se você não pode dar a absolvição explique: ‘Deus te ama muito. Para chegar a Deus existem muitos caminhos. Eu não posso te dar a absolvição, então, te dou a benção. Volte, volte sempre aqui que eu, cada vez, te darei a benção como sinal de que Deus te ama. E aquele homem, aquela mulher, sairá cheio de alegria porque encontrou o ícone do Pai que não rejeita nunca”.

Um padre não tem “espaços privados”

Francisco, portanto, convidou a um “bom exame de consciência” útil para orientar a própria vida e os próprio ministério a Deus: “Se o Senhor voltasse hoje, onde me encontraria? O meu coração está aonde? No meio das pessoas, orando com e para as pessoas, envolvido com as suas alegrias e sofrimentos, ou, no meio das coisas do mundo, dos trabalhos terrenos, dos meus ‘espaços’ privados?”. Atenção – diz ele – porque “um padre não pode ter um espaço privado ou está com o Senhor. Acho que os sacerdotes que conheci na minha cidade, quando não havia nenhuma secretária telefônica, dormiam com o telefone debaixo da mesa e quando as pessoas ligavam, se levantavam e iam dar a unção. Ninguém morria sem os sacramentos… Nem mesmo no descanso tinham um espaço privado. Isso é ser apostólico”.

“Olhos abertos nas admissões nos seminários. Atrás dos rígidos existem transtornos mentais”

Um último pensamento, antes de concluir, Francisco o faz também improvisando sobre o tema difícil do discernimento vocacional e a admissão ao seminário. Temos que “procurar a saúde daquele jovem”, recomenda, a “saúde espiritual, material, física, psíquica”. Outra anedota: “Uma vez, recém-nomeado mestre de noviços, ano ’72, fui levar pela primeira vez à psiquiatra os resultados do teste de personalidade que se fazia como um dos requisitos do discernimento. Ela era uma boa mulher e uma boa cristã, mas em alguns casos era inflexível: “Esse não pode”. “Mas, doutora, é um jovem tão bom!”. “Mas saiba, padre – explicava a psiquiatra ao futuro Papa – existem jovens que sabem inconscientemente que são psicologicamente enfermos e procuram para as suas vidas estruturas fortes para defende-los e assim poderem seguir em frente. E estão bem até o momento em que se sentem bem estáveis, depois, ali começam os problemas…”.

“Você não pensou no porquê existem tantos policiais torturadores?”, Perguntava a mulher, “entram jovens, parecem sadios, mas quanto se sentem seguros a doença começa a sair”. Polícia, exército, clero, são, de fato, “as instituições fortes que estes doentes inconscientes procuram”, observa o Papa Francisco, “e depois, muitas doenças que todos nós conhecemos”. “É interessante – acrescenta -: quando um jovem é muito rígido, muito fundamentalista, eu não confio. Detrás daquilo existe algo que ele mesmo não sabe”.

Portanto, uma clara advertência: “Cuidado com as admissões para os seminários, olhos abertos.”

Zenit

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De vez em quando, surge na mídia algum caso de sacerdote homossexual que levanta a bandeira dos chamados “direitos gays”, incluindo entre eles o “direito ao sacerdócio”.

Para começar, o sacerdócio católico não é um “direito” para ninguém: nem para homossexuais, nem para heterossexuais. O sacerdócio católico é uma vocação, um chamado pessoal e intransferível, feito por Cristo.

O próprio Cristo confiou ao primeiro papa, São Pedro, a missão de cuidar do seu rebanho na terra, afirmando que “o que ele atasse na terra, ficaria atado no céu”. Desde as origens, os primeiros cristãos formaram em torno a Pedro uma assembleia (em grego, ekklesía, termo que passou para o latim como ecclesia e para o português como igreja), um rebanho cujo pastoreio cabia aos apóstolos, com Pedro à cabeça, presidindo a assembleia dos cristãos. Nessa missão confiada por Cristo a Pedro e transmitida aos seus sucessores, uma série de medidas práticas foram sendo adotadas pela Igreja presidida pelo papa, sempre com base na reflexão conscienciosa da mensagem de Cristo contida nos Evangelhos. Entre essas medidas, originadas do Evangelho e preservadas pela Igreja, está a de confirmar o chamado ao sacerdócio mediante exigências concretas: que o sacerdote seja homem, batizado e heterossexual. Homem porque o próprio Cristo se fez homem, no pleno sentido antropológico de “fazer-se homem”, e porque, ao eleger seus ministros, Cristo ordenou somente homens. Batizado porque o sacerdote deve ser um membro vivo da Igreja. E heterossexual porque o sacerdote é chamado a ser “pai”, sublimando a paternidade biológica e transformando-a numa paternidade espiritual, que inclui a consciente e livre renúncia à paternidade biológica através da opção pelo celibato, a exemplo do próprio Cristo Sacerdote.

A Congregação para a Educação Católica esclareceu no documento “Sobre os critérios de discernimento vocacional em relação às pessoas com tendências homossexuais antes da sua admissão ao seminário e às ordens sagradas” (4 de novembro de 2005). Esse documento diferencia os “atos homossexuais” das “tendências homossexuais”. Os atos implicam o exercício ativo da homossexualidade, enquanto as tendências implicam somente o impulso homossexual.

Em seguida, o documento faz outra diferenciação a respeito das “tendências homossexuais”: as “profundamente arraigadas” e as que são “expressão de um problema transitório”. E declara: “Respeitando profundamente as pessoas em questão, a Igreja não pode admitir ao seminário e às ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente arraigadas ou apoiam a assim chamada ‘cultura gay’”. Já os homens com tendência homossexual transitória poderiam ser admitidos nos seminários se essas tendências ficassem “claramente superadas ao menos três anos antes da ordenação diaconal”.

Quanto aos padres já ordenados que se revelam homossexuais, o papa Bento XVI esclarece no livro-entrevista “Luz do Mundo”, publicado em 2010:

“A homossexualidade não é compatível com a vocação sacerdotal. Do contrário, o celibato não teria nenhum sentido como renúncia. Seria um grande perigo se o celibato se tornasse, por assim dizer, uma ocasião para introduzir no sacerdócio pessoas que, de qualquer modo, não gostariam de se casar, porque, em última instância, também a sua postura perante o homem e a mulher está de alguma forma modificada, desconcertada, e, em todo caso, não se encontra na direção da criação de que falamos. A Congregação para a Educação Católica emitiu faz alguns anos uma disposição no sentido de que os candidatos homossexuais não podem ser sacerdotes porque a sua orientação sexual os distancia da reta paternidade, da realidade interior da condição de sacerdote. Por isso, a seleção dos candidatos ao sacerdócio deve ser muito cuidadosa. Tem-se que aplicar a máxima atenção para que não se confunda o celibato dos sacerdotes com a tendência à homossexualidade (…) [A existência de sacerdotes com tendências homossexuais] faz parte das dificuldades da Igreja e os comprometidos têm que procurar, pelo menos, não praticar ativamente essa inclinação, a fim de permanecerem fiéis ao compromisso interior do seu ministério”.

Ser sacerdote, portanto, não é um “direito” de ninguém; e exercer a eventual tendência homossexual não é direito de nenhum sacerdote, assim como tampouco a tendência heterossexual, dado que todos os sacerdotes católicos são chamados, por vocação, também ao celibato.

Esta é a resposta que os católicos devem saber dar quando a mídia resolve fazer campanha para reinventar o que Cristo estabeleceu, aproveitando-se das fraquezas de sacerdotes que não foram coerentes com a vocação que livremente se comprometeram a abraçar. Ninguém pode alegar que não sabia das renúncias e sacrifícios exigidos pelo sacerdócio.

Fonte: Aleteia

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O Vigário Emérito para a Diocese de Roma, ex-presidente da Conferência Episcopal Italiana e colaborador próximo dos Papas São João Paulo II e Bento XVI, o Cardeal Camillo Ruini, afirmou que em seus mais de 60 anos como sacerdote nunca se sentiu desumanizado por viver a abstinência sexual a que estão obrigados todos os presbíteros na Igreja. O comentário desterra a afirmação do sacerdote polonês, Chryzstof Charamsa, que se declarou homossexual pouco antes do Sínodo para as Famílias, quem afirmou que a abstinência que a Igreja indica para os homossexuais é uma opção “desumana”.

Assim indicou o emblemático Cardeal de 84 anos de idade em uma entrevista concedida ao jornal “Il Corriere della Sera”, ao ser perguntado sobre o que foi dito pelo sacerdote Chryzstof Charamsa, quem afirmou que este é o momento para que a Igreja “entenda que a solução que lhes propõe (aos homossexuais), a abstinência total da vida de amor, é desumana”.

Sobre a afirmação de Charamsa – o sacerdote polonês que trabalhava na Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano que revelou ser um homossexual ativo e ter um companheiro –, o Cardeal Ruini assegurou que “como sacerdote eu também tenho a obrigação da abstinência e em mais de 60 anos nunca me senti desumanizado nem privado de uma vida de amor, que é algo muito maior que o exercício da sexualidade”.

O emblemático Purpurado italiano disse que depois da revelação de Charamsa, o que ele experimentou é “uma impressão de pena, também de surpresa, sobretudo pelo momento que escolheu”. Vale recordar que sua entrevista foi publicada no dia 03 de outubro, véspera do início do Sínodo dos Bispos para a Família.

Em sua opinião, o caso do sacerdote polonês gay “certamente não será do agrado dos (padres) sinodais, mas não terá nenhuma influência substancial”.

Depois de recordar que o Papa Francisco “se expressou em diversas ocasiões claramente e em oposição ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo”, o Cardeal disse que se existe um lobby gay no Vaticano e que isto “é algo sobre o qual é necessário fazer uma limpeza”.

“Pessoalmente, compartilho o comentário do Cardeal Parolin, depois do referendo na Irlanda: ‘o matrimônio homossexual é uma derrota para a humanidade’, porque ignora a diferença e a complementariedade entre homem e mulher, fundamental do ponto de vista não só físico, mas também psicológico e antropológico”.

O Cardeal Ruini disse também que as uniões homossexuais são “uma verdadeira ruptura que contrasta com a experiência e a realidade. A homossexualidade sempre esteve ali, mas ninguém jamais pensou em fazer com isso um matrimônio”.

ACI

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Vaughn Treco, marido, avô de dois e ex-sacerdote anglicano, foi ordenado para o diaconato e sacerdócio católicos no começo de maio com a aprovação do Papa Francisco. (é o quarto, da esquerda para a direita, de joelhos)

A sua ordenação como padre católico casado é permitido como uma exceção ao que, em geral, se exige para o celibato.

Vaughn Treco serve dentro das fronteiras geográficas da Arquidiocese de St. Paul e Minneapolis como membro do Ordinariato Pessoal da Cátedra de São Pedro como sacerdote para uma comunidade de ex-anglicanos.

A pequena comunidade de 10 pessoas se reúne aos domingos, na Holy Family Church, região periférica da cidade de St. Louis Park, Minnesota. Chamados de Sociedade de São Beda, o Venerável, eles estão sob os cuidados do irmão beneditino John-Bede Pauley, da Abadia de St. John, Collegeville, também Minnesota.

“Estas pessoas vêm trabalhando como uma sociedade, e a minha tarefa é fazê-la crescer tornando-se uma paróquia”, disse Vaughn Treco ao The Catholic Spirit, jornal diocesano.

“Gosto de trabalhar na criação de novas igrejas”, acrescentou. ”Já fiz este trabalho antes”.

Vaughn Treco, 52, foi ordenado para o diaconato transitório com outros diáconos também transitórios do Seminário St. Paul. O bispo ordenante foi Dom John Nienstedt, em uma cerimônia no 2 de maio, na Basílica de St. Mary, em Minneapolis. O bispo auxiliar Dom Andrew Cozzens o ordenou ao sacerdócio católico em 3 de maio na Holy Family Church.

Em carta dirigida aos sacerdotes da arquidiocese convidando-os para participar da ordenação sacerdotal, Cozzensexplicou as circunstâncias que levaram Vaughn Treco ao sacerdócio católico.

Vaughn Treco “chega com um rico histórico teológico, na qualidade de ex-diretor de formação para a sua diocese anglicana”, lê-se na carta. “Há alguns anos ele preencheu todos os requerimentos para a sua ordenação ao sacerdócio na Igreja Católica. Desde então, tem esperado pelo lugar certo para servir à Igreja”.

O Monsenhor Jeffrey Steenson, presidente do Ordinariato Pessoal da Cátedra de São Pedro, contatou Vaughn Trecoem 2014 para falar sobre a necessidade de um sacerdote em servir uma pequena comunidade em Minnesota.

“Visto que esta comunidade existia dentro das fronteiras da Arquidiocese de St. Paul e Minneapolis, o Mons. Steenson e eu começamos a falar sobre a ordenação de Vaughn Treco para servi-la”, escreveu Cozzens. “Com a permissão do arcebispo, no ano passado trabalhei com o Mons. Steenson para que a ordenação se tornasse realidade, e agora ultrapassamos o último obstáculo”.

Agora que foi ordenado, Vaughn Treco pode, a critério do arcebispo e com a permissão de Steenson, também servir em outras atividades da arquidiocese, disse Cozzens. “Por exemplo, ele pode ser um vigário paroquial em uma de nossas paróquias também. Tudo isso ainda está por ser determinado pelo arcebispo”.

Vaughn Treco converteu-se ao catolicismo em 2000.

“Quanto mais perto eu lia as Escrituras, mais parecia que o ensinamento da Igreja Católica concordava com elas”, disse ele.

Nascido em Nassau, nas Bahamas, e criado em uma família profundamente religiosa de Irmãos de Plymouth [1],Vaughn Treco estudou em um seminário evangélico no estado de Illinois, concluindo um mestrado em teologia.

Em 1991, ele lançou e desenvolveu a New Providence Community Church, nas Bahamas, uma igreja evangélica com a missão de levar Cristo aos jovens com formação universitária. Após descobrir o que descreveu como discrepâncias no ensinamento evangélico, ele e sua esposa, Norma, se juntaram à Igreja Episcopal Carismática.

Vaughn Treco trabalho na Igreja Catedral do Rei, em Olathe, Kansas, onde foi ordenado em 1997. Era o teólogo do arcebispo da Igreja Episcopal Carismática e diretor do seminário até ouvir as fitas cassetes de Scott Hahn: “Answers to Common Objections” [Respondendo a objeções comuns, em tradução livre].

Em entrevista à Eternal Word Television Network, disse que, após escutar as fitas cassetes durante o fim de semana, perguntou-se: “Se eu acredito em todas estas coisas, por que não sou católico romano?”

Nove meses depois, em 1999, ele dava início ao Ritual de Iniciação Cristã de Adultos e se tornaria católico em 2000.

Desde então, tem trabalhado, no ministério pastoral católico, como diretor do setor de preparação e enriquecimento para o matrimônio na Diocese de Arlington, Virgínia; e como ministro da juventude paroquial. Ele criou o “parishREACH”, um apostolado que forma e instrumentaliza paróquias católicas para evangelizar, de forma mais eficaz, homens, mulheres e famílias dentro de suas comunidades locais.

Durante três anos, Vaughn Treco realizou estudos teológicos católicos, em nível de pós-graduação, na cidade de Arlington e completou um outro programa, de seis meses de duração, em teologia católica no ano de 2013, em Houston.

O Culto Divino do Ordinariato da Cátedra de São Pedro – o que era antes chamado de missa em “uso anglicano” – “lembra uma espécie de complexidade tridentina”, explicou Vaughn Treco.

“A principal diferença é que a liturgia toma suas pistas linguísticas e tradições da Comunhão Anglicana”.

Os católicos acostumados com o Rito Latino, aquele regularmente celebrado nas paróquias, podem achar sentimental (lírico) o Culto Divino do ordinariato, e perceber um caráter poético na oração, que Vaughn Treco descreve como “mais penetrante”.

Nota:

[1] Irmãos de Plymouth são diversos grupos cristãos adenominacionais com origem em reuniões entre protestantes em Dublin na Irlanda por volta de 1825.

Fonte: Bob Zyskowski- Catholic News Service

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Notícias positivas para a Igreja estadunidense. Em 2015, espera-se que sejam ordenados 595 novos padres: um aumento de quase 25% (24,7% para ser exato) em relação ao ano passado.

A notícia foi dada pela Conferência dos Bispos dos Estados Unidos, que, de qualquer maneira, prefere manter uma atitude prudente. Dom Michael F. Burbidge, bispo de Raleigh, Carolina do Norte e presidente da Comissão para o Clero, a Vida Consagrada e as Vocações, considera que os números podem dar esperança, e inauguram a reflexão sobre a possibilidade de aumentos no futuro: “É muito esperançoso observar o ligeiro aumento no número de ordenações deste ano nosEstados Unidos”. Observou também, com respeito aos futuros padres, “as influências positivas encontradas durante o tempo do discernimento para o chamado”. Os candidatos indicaram que “o apoio das famílias, dos padres da paróquia e das escolas católicas foi muito importante nesse processo”.

Em média, os futuros padres tinham em torno de 17 anos quando consideraram pela primeira vez a possibilidade de escolher esta vocação. A maior parte (sete de cada 10) recebeu o apoio de um padre da paróquia (45%) e de suas mães (40%). Obviamente, as diferentes influências não se excluem mutuamente. Em geral, os futuros padres viveram pelo menos 15 anos na diocese ou na eparquia na qual depois realizaram a formação para o sacerdócio.Em 2014, os padres ordenados nos Estados Unidos foram 477. Os números atuais foram recebidos com entusiasmo, porque parecem confirmar a estabilidade de um investimento de tendência que se manifestou nos últimos anos, com algumas exceções (em 2013 os candidatos foram 499) e que parece ter colocado um ponto final a uma tendência negativa permanente. Se em 1965 houve 994 ordenações, esse número foi diminuindo drasticamente: em 1975 foram 771, em 1983 foram 533 e em 2005 houve apenas 454, segundo o Center for Applied Research in the Apostolate (CARA). Em 2010, as ordenações diocesanas foram 459.

Um problema característico dos Estados Unidos são as “dívidas” contraídas para estudar, ou seja, os financiamentos obtidos para cursar estudos e que os estudantes terão que pagar quando tiverem concluído os mesmos. “Mais de 26% dos padres ordenados contraíram uma dívida educativa na hora de entrar no seminário: uma média de 22.500 dólares”, declarou o Pe. W. Shawn McKnight, diretor-executivo do Secretariado. No futuro, será necessário encontrar uma maneira de ajudar os futuros padres no trabalho de redução da dívida.

A idade média dos padres ordenados em 2015 é de 31 anos. São um pouco mais jovens em relação aos seus colegas de 2014, mas se segue confirmando o modelo dos anos anteriores, ou seja, a entrada ao sacerdócio com mais de 30 anos.

As duas terças partes (69%) dos “ordenados” são estadunidenses de origem cáucaso-europeia; 10% têm origens asiáticas ou das ilhas do Pacífico e 14% são hispânicos. Um quarto deles nasceu fora dos Estados Unidos: Colômbia,México, Filipinas, Nigéria, Polônia e Vietnã. Viveram, em média, 12 anos nos Estados Unidos. A maior parte deles é católica desde a infância e apenas 7% se converteram mais tarde.

Os pais de 84% dos futuros padres são católicos e 37% têm um parente que é padre ou religioso. Mais da metade foi a uma escola primária, a uma escola superior ou a um “college” católicos. Seis de cada 10 tiveram um emprego antes de entrar no seminário. Sete de cada 10 rezavam regularmente o Terço e praticavam a adoração eucarística antes de entrar no seminário.

A reportagem é de Marco Tosatti e publicada por Vatican Insider.