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Pesquisar o Sudário de Turim do ponto de vista científico é importante, mas não se pode perder de vista a mensagem desse objeto tão particular e que desperta tantas paixões. O químico Enrico Simonato, secretário do Centro Internacional de Sindonologia, em Turim, e codiretor-adjunto do Museu do Sudário, na mesma cidade. Ele conversou com o Tubo de Ensaio por telefone e e-mail, explicou por que mesmo os defensores do Sudário não podem se deixar obcecar pela questão da autenticidade, contestou algumas das tentativas de provar que o pano é uma falsificação medieval e tratou da possibilidade de se fazer novos testes no tecido.

Quais são os elementos que apontam mais fortemente para a autenticidade do Sudário?

Eu teria muito cuidado com essa palavra, “autenticidade”, porque ela tem significados diferentes. O que sabemos de certo é que o Sudário é uma peça antiga, feita de linho, que envolveu o corpo de um homem que foi flagelado e crucificado, ferido no lado com uma lança e na cabeça com vários pequenos instrumentos pontiagudos. Isso é científico, um tipo de “autenticidade”. Podemos avançar e perguntar quem era esse homem. Aí entram a história, a arqueologia, que nos dão uma enorme, quase irrefutável possibilidade de que se trate daquele homem historicamente conhecido por Jesus de Nazaré. Considerando tudo que sabemos, a possibilidade de o Homem do Sudário ser outra pessoa é ínfima. Até aí estamos em terreno científico.

Mas uma coisa que a ciência não pode fazer é atestar que o Sudário é evidência da ressurreição de Cristo, até porque a ressurreição é um evento que não segue as leis da natureza. Você não pode repeti-la, e a repetição é parte essencial do método científico. Essa seria umaoutra acepção de “autenticidade”. Podemos aceitá-la usando as regras da religião? Podemos. Mas não pelas regras da ciência. Ambas são aplicáveis a aspectos diferentes do Sudário, o que não podemos é misturá-las. Do ponto de vista científico, sabemos, por exemplo, que a imagem não é uma pintura e que há manchas de sangue humano tipo AB. Mas não sabemos a idade do pano, nem a maneira como a imagem foi formada.

De qualquer modo, vejo que existe hoje uma obsessão pela autenticidade, que corre o risco de desviar a atenção da mensagem do Sudário. Ele é, acima de tudo, uma imagem referente a algo específico que só ocorreu uma vez na história. Quando se expõe o Sudário, as pessoas que o veem não ficam ali pensando nos aspectos científicos da imagem, se é tridimensional, se funciona melhor no negativo, se a trama do linho é em espinha de peixe; elas veem a mensagem sobre o homem cuja figura está ali. Vamos pesquisar o Sudário cientificamente? Vamos, mas não percamos de vista que o mais importante é a mensagem.

Mas não faltam tentativas de provar que o Sudário é falso…

Claro. O curioso disso é que, se formos jogar o jogo do “falso ou verdadeiro”, quem alega que o Sudário é falso está em uma posição bem mais complicada. Se o Sudário for falso, nem por isso um cristão vai mudar de religião. Pensará que é um belo ícone, que sua história daria um bom filme, mas isso não vai destruir sua fé. Agora, para um ateu ou agnóstico, se o Sudário se mostrar verdadeiro, seu mundo desaba. Ele será forçado a rever tudo em que acreditava.

Fato é que as polêmicas existem desde o século 14, quando o bispo Pierre d’Arcis escreveu a famosa carta alegando que o Sudário era uma pintura e que um seu antecessor teria até mesmo conhecido o autor. Mais recentemente, tivemos a alegação de Walter McCrone sobre o uso de pigmentos conhecidos na era medieval, mas os trabalhos de John Heller e Alan Adler, além do exame do Sudário sob ultravioleta e fluorescência, mostraram que a quantidade de pigmento encontrada era inexpressiva e insuficiente para formar a imagem.

Temos também as tentativas de criar réplicas do Sudário. Mesmo as que a olho nu parecem bastante fiéis se mostram falhas no exame microscópico. As de Luigi Garlaschelli, por exemplo, afetam o tecido de forma muito mais profunda que a imagem do Sudário real, que é bem superficial. Quem chegou mais perto de reproduzir a superficialidade da imagem foi Paolo Di Lazzaro. Ele não estava tentando provar que o Sudário é falso, só queria entender como se formou a imagem. Ele usou um pedaço pequeno de pano submetido a laser ultravioleta e concluiu que, para se formar uma imagem com o tamanho do Sudário, não haveria ultravioleta suficiente nas fontes conhecidas. Nem preciso dizer que é algo que não está nem à nossa disposição, quanto mais de um falsário medieval.

E, obviamente, há o famoso teste de carbono-14, que deu como resultado para o “ano de fabricação” do Sudário um intervalo entre 1260 e 1390.

Na sua opinião, o que houve naquele teste? Fraude, erro não intencional, contaminação da amostra?

A acusação de fraude é muito grave e me parece fantasiosa. Não há provas de que algo assim tenha ocorrido. Eram três laboratórios renomados, com pesquisadores que não arriscariam sua reputação dessa forma.

Já a possibilidade de contaminação é muito grande. Qualquer acréscimo de carbono à amostra, por causas naturais ou artificiais, já modifica o resultado, e isso é muito fácil de ocorrer com tecidos. Tanto que uma das empresas mais confiáveis em datação por carbono-14, a Beta Analytic, não faz datação de tecidos a não ser como parte de uma pesquisa multidisciplinar e tomando uma série de precauções. Agora, veja: se eles têm essa atitude com qualquer tecido, imagine no caso do Sudário, que foi manipulado várias vezes durante suas exibições públicas, passou por incêndios e foi molhado (a área usada para a amostragem do carbono-14 tinha água usada para apagar o incêndio de 1532).

E o Sudário não é o único caso de divergência entre a datação por carbono-14 e as evidências apresentadas por outras pesquisas. Isso já ocorreu com outros objetos. O carbono-14 é um bom método, mas que tem seus limites.

Coletiva para o anúncio dos resultados do teste de carbono-14 no Sudário, em 1988

Coletiva para o anúncio dos resultados do teste de carbono-14 no Sudário, em 1988: resultados muito contestados. (Imagem: Reprodução)

Deveria haver uma nova tentativa de datação do Sudário?

Não, mas não digo isso porque sou avesso à análise científica do Sudário, e sim porque mesmo hoje a datação por carbono-14 ainda não é confiável o suficiente para avaliar tecidos. Basta ver o que acabamos de dizer: mesmo empresas renomadas se recusam a fazer esses testes e mostram que o risco de resultados errôneos é grande.

Há aspectos do Sudário que não foram analisados em testes anteriores e que valeria a pena pesquisar com a tecnologia atual?

Algo que não foi estudado ainda é a concentração de lignina e vanilina no pano, e que poderia dar uma pista sobre a idade do Sudário. Mas esse indicador também é sujeito a mudanças devido a contaminação; a lignina é afetada pelo calor, e temos de lembrar do incêndio de Chambery, em 1532. Assim, não creio que um eventual teste seria tão mais confiável que a datação por carbono-14. Além disso, cada novo exame afeta o Sudário do ponto de vista físico-químico, então há as questões ligadas aos procedimentos e ao cuidado que se deve ter para preservar o pano.

Qual é o status atual da discussão sobre a história do Sudário anterior ao século 14? Há quem defenda, como Ian Wilson, que o Sudário e a Imagem de Edessa, ou Mandylion, são o mesmo objeto; outros, como Andrea Nicolotti, negam essa associação.

A maioria dos historiadores está em uma posição intermediária entre essas duas: não é possível afirmar com certeza, mas há indícios. Eu digo que a história do Sudário é um enorme quebra-cabeças: de sua aparição na França em diante, nós já montamos tudo. O problema é o que vem antes. Ali nós ainda estamos separando as peças pela cor, juntando os marrons, os verdes, os azuis. Não estamos totalmente no escuro porque temos as peças, mas não conseguimos encaixá-las ainda. Existem algumas pistas, como a mudança radical na iconografia a partir da descoberta da Imagem de Edessa: Jesus passa a ser representado com traços que são semelhantes aos da imagem do Sudário, barba e tudo o mais. Não é evidência definitiva, pelo menos não de um ponto de vista científico, mas é um indicador.

Se o Sudário e o Mandylion não forem o mesmo objeto, voltaríamos à estaca zero sobre esse período da história do Sudário…

Sem dúvida, mas isso é realmente um problema tão grande? O fato de não haver registro histórico do Sudário nesse intervalo de 13, 14 séculos não significa que o Sudário não existisse. Por acaso, antes de 1922 alguém duvidava da existência do faraó Tutancâmon só porque sua tumba ainda não tinha sido encontrada? Se a hipótese do Mandylion não se confirmar, os historiadores e arqueólogos só terão um desafio a mais.

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Na noite de 11 para 12 de abril de 1997, pavoroso incêndio ameaçou destruir para sempre uma das mais preciosas relíquias do mundo católico: o Santo Sudário de Turim, mortalha que envolveu por três dias o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, após sua Crucifixão até sua Ressurreição.
Só depois de longo e extenuante combate do corpo de bombeiros, o sacrossanto Linho pôde ser salvo das chamas. Além do Palácio Real, o incêndio destruiu quase completamente a capela de Guarino Guarini — contígua à Catedral de Turim — onde se encontrava a relíquia.

Alguns órgãos da imprensa italiana levantaram suspeitas de o incêndio ter sido criminoso.

Naquele momento dramático, em que tudo parecia perdido, assistimos a uma das mais belas cenas de heroísmo: o bombeiro Mario Trematore lançou-se destemidamente entre as chamas, e com uma grossa barra de ferro golpeou repetidas vezes o vidro à prova de bala que protegia a relíquia, recuperando-a em seguida. Instantes depois, a cúpula inteira da capela desabou.

Com o recuo de uma década, e tendo presente a comoção do mundo católico em vista daquela tragédia que quase se consumou, Catolicismo pediu a seu correspondente em Milão, Sr. Roberto Bertogna, que entrevistasse o Sr. Mario Trematore, a fim de que este narrasse a nossos leitores o emocionante resgate, bem como as lembranças mais significativas que tal acontecimento deixou vincadas em sua alma.

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* * *

Catolicismo — O Sr. poderia descrever para nossos leitores o motivo que o levou a enfrentar o incêndio, sabendo bem que corria risco de morte atroz em meio às chamas?


Mario Trematore —
Na vida, o cristão tem como obrigação principal dar testemunho de sua fé e reconhecer em Jesus Cristo a sua salvação, a presença que transforma o precário acontecer da existência humana na História. Presença reavivada cada dia pela lembrança de que, morrendo na Cruz, Jesus Cristo envolveu todos aqueles que crêem n’Ele. Cristo morre crucificado cada dia nos tantos acontecimentos que compõem a história do mundo, para ressurgir sempre mais presente no mistério da fé aos olhos dos homens.

Sua mão providente nos acompanha sempre. E foi essa mão que me moveu a enfrentar as chamas que ameaçavam a mais preciosa relíquia do mundo cristão. Com efeito, naquela afanosa noite passada na catedral, lutando contra as chamas para salvar o Santo Sudário, a força que me compelia a cumprir aquela missão emanava de uma voz interior, que seguramente provinha do Alto.

Catolicismo —O que o Sr. pensava no momento em que golpeava o resistente vidro do relicário que protegia o Santo Sudário?


Mario Trematore —
Naquele apuro, quando tudo parecia perdido e a força do fogo tornava impotente todo recurso humano, continuava a esperar até o fim, e o pensamento transformava-se em ação. De uma parte, surge inesperadamente o medo de morrer, e por um breve tempo vêm à memória as pessoas mais caras e as mais belas recordações: a doçura de minha mulher Rita, o sorriso de meu filho Iacopo, a graça de minha filha Chiara.

De outra, pensava também naquele Lençol e o dever de salvá-lo. Jesus Cristo o havia deixado para a humanidade como um extraordinário sinal do mistério do Verbo encarnado e do Deus que assume toda a condição humana. Prova convincente de um significado: do amor que responde ao amor, e não da dor e daquilo que custa. Um testemunho visível da Sua Ressurreição e do infinito amor de Deus ao homem.

Catolicismo —Enquanto deparava com as chamas, o Sr. chegou a pensar que a salvação do Sudário poderia depender da fé e da coragem de alguém, e que aquela obrigação recaía sobre o Sr.?

Mario Trematore —Na noite de 11 de abril de 1997, não podia certamente pensar que tocava a mim, com os meus colegas, salvar o Santo Sudário. Naquele momento eu sentia a angústia e a preocupação de milhões de fiéis. A capela do Guarino ruía em pedaços, sob o incessante calor das chamas.
Uma das pilastras principais que sustentava a cúpula já havia se esmigalhada ao calor do fogo. Não havia muito tempo para pensar. De um momento para outro podia cair a cúpula. Precisava fazer alguma coisa. O quê? Cada tentativa para apagar aquele maldito fogo fracassava, e assim não me restou senão rezar uma oração que havia aprendido num passado longínquo, um passado de menino com os olhos grandes e os cabelos encaracolados: “Pai Nosso, que estais no Céu…”

O modo pelo qual Deus escolhe seus instrumentos é sempre surpreendente e insondável. Deus quer ter necessidade de nossos braços e de nossas mãos para cumprir sua obra. Fico pasmo como Ele tenha querido ter necessidade dos meus braços e das minhas mãos para salvar o Santo Sudário.

Recordando aqueles momentos dramáticos, estou convencido de que o homem, reconhecendo o amor de Deus, lança-se sobre Ele com uma sensibilidade que nasce da consciência de um dever: que a grande evidência daquela Face não se perca pela fragilidade de quem crê, mas permaneça sinal de esperança para todos, pois disto tem necessidade cada homem.

Catolicismo — O Sr. teve o reconhecimento de tantas pessoas importantes e menos importantes, inclusive de João Paulo II. Sente-se um herói?

Mario Trematore —O homem não se basta a si mesmo e tem necessidade de Cristo. Falar de heroísmo pode satisfazer meu ego, mas favorece o orgulho, uma falta de confiança no Criador. Não podemos esquecer o exemplo de Jesus Cristo no Domingo de Ramos. O Filho de Deus, Ele mesmo Deus, entrou em Jerusalém montado num burrico, e não num carro dourado puxado por bonitos cavalos de raça.

Quem nos criou decidiu cada coisa, ainda que para nós nem tudo seja compreensível. Ainda que –– com a força das minhas mãos e uma barra de ferro, além da ajuda de meus colegas –– tenha salvo o Santo Sudário, Jesus Cristo teria reemergido daqueles escombros conosco ou sem nós.

Catolicismo — Hoje, qual o papel de Nosso Senhor Jesus Cristo em sua vida?

Mario Trematore — Eu O sinto ao meu lado, como um companheiro de viagem, mesmo nas coisas mais simples que faço. Quando caminho pela rua, faço compras, passeio pelo centro de Turim — nesses últimos anos, ainda mais bonito —, quando vou pegar os filhos na escola e quando trabalho.


A Ele faço minhas confidências, peço conselhos, junto a Ele eu me indigno com os males do mundo, e Ele me carrega quando os pés já cansados não conseguem caminhar. Aprendi e tenho certeza de que nunca estou só. Diante do que possa acontecer em minha vida, haverá sempre Alguém com o qual poderei contar. É nessa presença constante de Nosso Senhor Jesus Cristo que encontramos a própria condição que torna o homem completamente livre.

O encontro com Nosso Senhor Jesus Cristo, através do resgate do Sudário, foi uma experiência extraordinária e me permitiu entrar em uma relação íntima com Ele. Trata-se de uma relação humanamente difícil, imperiosa, e por vezes dolorosa, pois é capaz de colocar em discussão muitas certezas.

Compreender o mal e rejeitar a indiferença para com ele a cada dia de nossas vidas, enfrentando nosso egoísmo, nossos impulsos e paixões desregradas. Amar Nosso Senhor Jesus Cristo não nos impede de sofrer. Em Lourdes, a Virgem Maria disse a Santa Bernadette: “Nesta vida prometo-lhe ensinar a amar, mas não necessariamente a ser feliz”.

É esclarecedora a passagem do Evangelho na qual Cristo foi tentado pelo demônio a transformar pedra em pão. Com efeito, Ele tinha três modos de proceder:

1º) Transformar o demônio em pedra, e com isso teria resolvido todos os problemas, seus e nossos;

2º) transformar a pedra em pão, mas desse modo Ele não teria agido como Filho de Deus, pois o verdadeiro senhor teria sido o demônio, cuja ordem Cristo teria obedecido;

3º) Cristo respondeu escolhendo o caminho mais difícil e mais doloroso, isto é, o martírio e a crucifixão, para não criar qualquer fissura que traísse o Seu amor pelo Pai.

A fragilidade do homem não recusa o pecado, aliás o pecado aliena a liberdade humana e separa o homem do encontro com Deus.

Cada cristão é submetido a essas fraquezas muitas vezes em sua vida. Não é o caso de desanimar, mas de lutar para não nos separarmos de todo o bem que Cristo nos ensinou: aprender a amar, não através dos olhos da própria cultura, mas com o coração aberto a Nosso Senhor Jesus Cristo e ao próximo.

Catolicismo — O que o Sr. recomenda aos leitores de Catolicismo para aumentar a devoção ao Santo Sudário?

Mario Trematore — Não é verdade que o racionalismo, o uso da razão como medida da realidade, seja o modo mais correto para nos aproximar da fé. Pelo contrário, quando a razão é usada de modo autêntico, escancara a alma à percepção de algo de grande que há em nós, de um mistério do qual tudo depende.

É esta “abertura do coração” que gostaria de sugerir a todos. Finalmente, peço a Nossa Senhora que todos encontrem uma ocasião, talvez um feriado prolongado, para virem a Turim venerar o Santo Sudário, mesmo que ele não seja visível (não há um ostensório solene para ele ficar exposto), mas encontra-se numa capela da nave lateral da catedral, dignamente guardado para a veneração de todos. Temos a mesma necessidade: tocar com as mãos, como São Tomé, para que o cêntuplo seja realizado, aqui e agora, e transforme as nossas vidas.

Gostaria de lembrar o que disse o Papa João Paulo II a respeito do Santo Sudário, por ocasião de sua visita a Turim: “Uma relíquia insólita e misteriosa, singularíssima testemunha — se aceitamos os argumentos de tantos cientistas — da Páscoa, da paixão, da morte e da ressurreição. Testemunha muda, mas ao mesmo tempo surpreendentemente eloqüente!”.

Catolicismo — Hoje sabemos que o Sr. não é mais um bombeiro…

Mario Trematore — Ser bombeiro era a minha paixão. Mas os anos passam e o corpo envelhecido não suporta mais o estresse e o cansaço de trabalho tão pesado e perigoso. Assim, em outubro de 2003 deixei o Corpo de Bombeiros.

Como sou diplomado em arquitetura, retomei a profissão de arquiteto, ocupando-me de projetos arquitetônicos, com especialização em segurança nos setores de risco correlatos à construção e ao curso das obras, no cargo de diretor técnico externo da Engineering Boesso, além de diretor didático do setor formativo regional da Apitforma de Turim, órgão credenciado junto à região do Piemonte, que opera nas tipologias formativas pós-universitárias.

Mas no fundo de meu coração resta um sonho, e espero que o Senhor me ajude a realizá-lo: projetar uma igreja. Cada igreja é uma casa de Deus, e não pode ser senão bela, como afirmava em 1400 Leon Battista Alberti, renomado arquiteto italiano, no seu “De re aedificatoria”.

“Senti dentro de mim qualquer coisa superior que me guiava”

Ao ser perguntado em que momento decidira intervir, arriscando a vida para, num gesto de audácia e heroísmo, resgatar o Sudário das chamas, Mario Trematore declarou à imprensa:

“Quando decidi intervir? Quando vi que tudo estava para desabar. Nesse momento disse aos meus rapazes: vamos, temos de salvar o Sudário.

“Em certo momento senti algo dentro de mim, qualquer coisa superior que me guiava. E como se tivesse encontrado força naquele símbolo, o símbolo do Sudário, peguei uma marreta e comecei a golpear o vidro antibalas. Golpeava, golpeava e golpeava, mas aquele vidro não caía. Talvez lhe tenha golpeado cem vezes antes de destruí-lo.

“Finalmente cedeu. Devo ter feito isso num quarto de hora, nem um ladrão teria sido tão veloz. E sabe por que? Porque tinha uma convicção fortíssima e graças a ela me crescia a força.

“Tive um pouco de medo. Mas naquele momento creio que Deus me deu força para salvar o Santo Lençol. De outra forma não teria conseguido romper aquele vidro que resiste até a projéteis”.

“Se tivesse sido um outro objeto, um quadro de valor inestimável, quem sabe, de Giotto ou de Miguel Angelo, não teria movido um dedo. Nós nos arriscamos muito, muitíssimo, talvez tenhamos sido até inconscientes, mas devíamos salvar o Sudário”.

 

Vídeo do incêndio e do resgate

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Fala o Dr. Pierluigi Baima Bollone, professor de Medicina Legal na Universidade de Turim e médico forense que avaliou as amostras de sangue do tecido
Quando era criança e ouvia falar do Santo Sudário de Turim, o Dr. Pierluigi Baima Bollone, professor de Medicina Legal na Universidade de Turim, ficava empolgado. Ele não imaginava que uma comissão de especialistas haveria de levantar a hipótese da presença de traças de soro no Santo Lenço e que ele seria o primeiro patologista capaz de analisá-las. Foi em 1978, avaliando uma dúzia de fios tirados do Sudário e uma microcrosta de frações de milímetros extraída por uma equipe de cientistas suíços.

“Assim descobri que se tratava de sangue humano. Depois, com a ajuda de alguns especialistas em DNA, eu pude identificar algumas de suas características”, disse o professor em entrevista ao site Vatican Insider. “Eu era um jovem médico forense que se interessava por microvestígios. O Pe. Coero-Borga me perguntou se eu conseguiria esclarecer se as manchas do Santo Sudário eram verdadeiramente de sangue”, conta ele.

O médico aceitou o desafio e analisou as amostras com microscópio ótico, depois com um eletrônico e assim chegou à maravilhosa descoberta.

“Foi um momento que jamais poderei esquecer. Estava com outros médicos patologistas na biblioteca do Palácio Real, que tinha as janelas bloqueadas com sacolas negras que tínhamos posto. O Sudário estava estendido sobre uma grande mesa, iluminado por uma luz rasante com uma inclinação de 45 graus para retirar os fragmentos de pano, e nos sentávamos um por vez sobre um cavalete. Quando foi a minha vez, tive a impressão de que a imagem virava um corpo. Era como se eu a visse em três dimensões, e pensei que meus olhos estivessem aprontando comigo”.

Desde então, os estudos do prof. Bollone sobre o Sudário nunca cessaram.

“Com a ajuda de Grazia Mattutino, uma das mais importantes criminologistas, meus estudos estão indo para frente. Há certo tempo, conseguimos individuar partículas de ouro e de prata que devem ter pertencido ao relicário que continha o Santo Sudário durante o incêndio acontecido em Chambéry em 1532. O Santo Sudário, para mim, é mais do que um simples objeto de estudo. Além de contribuir para a minha formação humana, ele condicionou positivamente toda a minha atividade profissional posterior. Minha educação e meu senso da espiritualidade não têm nada a ver com as minhas convicções sobre o Santo Sudário. Por motivos racionais e científicos, estou convencido de que o Lençol de que estamos falando é o próprio que envolveu Jesus Cristo há dois mil anos. Eu diria isto ainda que fosse ateu. E, entre os pesquisadores que acreditam na autenticidade do Santo Sudário, encontram-se numerosos judeus, protestantes e agnósticos”.

Diante de alguém que diz ser uma falsificação, o Prof. Bollone explica que respeitaria a sua convicção, mas “lhe diria que está enganado, enunciando-lhe detalhadamente todas as razões que postulam sua absoluta veracidade”.

“Até porque, pelo cálculo de probabilidades, a chance de o Santo Sudário ser falso é de 1 em 225 bilhões”.

Do blog Ciência Confirma a Igreja

Santo Sudário montagem tridimensional, por Thierry Castex

Na Universidade de Milão, conhecida também como la Statale, o Prof. Giampietro Farronato leciona Ortodontia.

À frente de uma equipe de especialistas – que incluiu Bruno Barberis, Louis Fabrizio Rodella, John Pierucci Labanca; Mauro, Alessandra e Massimo Majorana Boccaletti – o professor fez uma autopsia do Santo Sudário.

O resultado do trabalho foi publicado num livro rico e intrigante: “Autopsia do Homem do Sudário”, editado por Elledici (Leumann, Turim, 2015), apresentado na igreja de San Gottardo em Corte, no evento “Escola Catedral” promovido pela confraria-empresa responsável há séculos pela manutenção da catedral de Milão.

O Prof. Farronato, em entrevista concedida ao jornalista Marco Respinti, declarou que “a medicina forense ainda não havia dito tudo sobre o caso. Então nós decidimos agir”. A medicina forense analisa os sinais que podem ser encontrados no corpo ou no cadáver, para que depois a polícia e o juiz ajam com base no laudo médico legal.

O Professor prossegue: “A ideia de realizarmos um estudo anatômico profundo do Sudário remonta a uns três anos, a partir de fotografias tomadas por Secondo Pia em 1898 e os resultados dos estudiosos que vieram antes de nós”. Indagado sobre a ideia que ele e sua equipe fizeram do crime, o Prof. Farronato respondeu:

“Obviamente o cenário do assassinato não existe mais. Nós investigamos o crime apenas através das marcas deixadas no cadáver. O que hoje é muito.

O Dr Giampietro Farronato liderou a equipe de médicos legistas que fez a autopsia
O Dr Giampietro Farronato respondeu
pela equipe de médicos legistas que fez a autopsia.

“A anatomia do corpo foi reconstruída por nós com dados morfológicos registrados no linho. Fizemos uma reconstituição total e completa da face”.
E assim, o professor foi descrevendo o seu fascinante trabalho:

“Praticamente tratamos a imagem do Sudário como a ‘máscara’ forense que habitualmente se monta para descrever os ferimentos no corpo, vivo ou morto.

“Eu e Alessandra Majorana exploramos as pegadas tornando-as mais legíveis para examiná-las melhor medicamente. Com o software de gestão de imagens mais inovador disponível, nós mudamos a orientação direita-esquerda, o claro e o escuro”.

Depois, ele aplicou os métodos utilizados para tornar legível a tomografia computadorizada Cone Beam, a ressonância magnética e outros exames tridimensionais para a obtenção de um diagnóstico odontológico legal completo, campo em que a sofisticação e a precisão atingem os detalhes mais diminutos.

Aquilo que poderia parecer science fiction, na verdade, para Farronato trata-se de um método científico, não de um filme, capaz de realçar detalhes que conduziram a sua equipe a medições muito precisas.

Perguntado pelo jornalista se ao estudar uma imagem num desgastado pano, velho de séculos, se se podia analisar o rosto como se fosse um cadáver de carne, o professor respondeu: “Foi como se estivéssemos diante de um paciente que vai ser submetido a uma correção terapêutica de tipo ortodôntico ou cirúrgico, como pontes, implantes dentários, operações maxilofaciais, coisas assim.

“Para o rosto estudado por meio da aplicação, pela primeira vez, de métodos científicos, como cefalometria craniana, que destaca as alterações estruturais presentes no Homem do Sudário, os dados obtidos foram: assimetria nos seios frontais, no osso zigomático; desvio do septo nasal; e assimetria da mandíbula com um deslocamento atribuível a traumas ocorridos num período próximo ao decesso”.

À pergunta sobre o que diz a ciência do Homem do Sudário que é objeto de uma disputa antiga, às vezes até veemente, o Prof. Farronato responde:

“A ciência diz que se trata de uma impressão deixada pelo cadáver de um homem verdadeiramente submetido antes de morrer a torturas, flagelações e espancamentos, coroado de espinhos e, finalmente crucificado.

“Isso determinou a morte daquele homem com uma correspondência total às narrações dos Evangelhos, até na sucessão do tempo em que foram infligidas as torturas, inclusive a natureza da lançapost-mortem cravada em seu lado (cf. Jo. 19:33-34)”.

O professor informou ainda que estudos científicos realizados em março de 2015, coordenados pelo Prof. Giulio Fanti e processados pela Universidade de Pádua, acompanhado de três métodos de datação químicos e mecânicos, levaram a uma nova datação do linho: entre 283 a. C. e 217 d. C. período compatível com a vida de Jesus na Palestina.

Mas o modo de formação da imagem permanece um mistério indissolúvel.

Inquirido se se tratava de Jesus, ele respondeu com espírito:

“O homem de fé não pode dirigir à ciência perguntas para as quais a ciência não pode dar respostas”.

Por sua vez, Alessandra Majorana, professora da Universidade de Brescia, em declarações para o site especializado Ortodontia33, explicou que foi a primeira análise do Santo Sudário do ponto de vista morfológico e traumatológico utilizando software de última geração. “De nossa pesquisa – disse a professora – resultaram parâmetros e dados novos, únicos e inesperados sobre o tipo de trauma. Os exames odontológicos visaram os tecidos moles e a estrutura esquelética do rosto.

“Do ponto de vista odontológico, o homem jovem impresso no Sudário apresentava uma dentição completa. Do ponto de vista ósseo as medições cefalométricas revelaram uma mandíbula fortemente desviada para a esquerda muito provavelmente como resultado dos espancamentos antes da crucificação”.

Para a Profa. Majorana, o trabalho não levou em consideração a narração religiosa, mas numa passagem do Evangelho de S. João, relatando as horas que precederam a crucificação, o evangelista descreve os golpes no rosto de Jesus dados com uma vara:

“Na realidade, no Evangelho fala-se de uma bofetada, mas o original em aramaico fala-se de uma varada, corpo contundente compatível com o pesado trauma constatado por nossa análise”.

Ela constatou ainda outras consequências dos golpes, como a fratura da cartilagem nasal, trauma também confirmado pela análise da imagem elaborada graficamente para isolar as marcas de líquidos orgânicos como o sangue e o suor impressos no tecido.

“Da imagem processada resulta que não há sinais de sangramento nasal, pelo que se pode supor que a fratura da cartilagem aconteceu pelo menos um par de horas antes da morte”, concluiu a especialista.

Luis Dufaur

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O Santo Sudário de Turim tem diferentes significados para muitas pessoas: alguns o veem como um objeto de veneração, outros como uma curiosidade medieval e outros inclusive como uma simples falsificação. Para um cientista judeu, entretanto, a evidência o levou a vê-la como um ponto de encontro entre fé e ciência.

“O Sudário desafia (as crenças fundamentais de muitas pessoas) porque existe uma forte inferência de que nela existe algo além da ciência”, assinalou Barrie Schwortz, um dos principais peritos cientistas sobre o Sudário de Turim.

Embora admitisse que não tinha a certeza de que estivesse em jogo algo diferente da ciência na investigação da qual fez parte, Schwortz esclareceu: “não foi exatamente isso que me convenceu, foi na verdade a ciência que me levou a este convencimento”.

Segundo a tradição, o Santo Sudário de Turim foi usado para cobrir o corpo de Cristo logo após sua crucificação. Este manto venerado durante séculos pelos cristãos, foi objeto de diversas investigações científicas a fim de comprovar sua autenticidade e origem.

A imagem sobre o tecido mostra um homem –na parte dianteira e traseira– que foi torturado brutalmente e que possuía as marcas nos punhos e pés próprios da crucifixão romana.

Schwortz, fotógrafo técnico e perito nesta relíquia, foi membro do Projeto de Investigação do Sudário de Turim, que reuniu em 1978 famosos cientistas com o fim de examinar o manto.

Nesta época, Schwortz era judeu não-praticante e recusou-se a fazer parte da equipe, pois estava cético quanto à autenticidade do Sudário, alegando que esta não era mais que uma pintura bem elaborada. Entretanto, estava intrigado pelas investigações científicas realizadas nele.

Apesar de sua resistência, Schwortz recorda que foi convencido por um colega a permanecer no projeto –ele era católico, especialista em imagens da Nasa– que fazendo uma brincadeira lhe disse “Você não acha que Deus não gostaria de ter um dos seus escolhidos na nossa equipe?”.

Logo, Schwortz estava diante de um dos grandes mistérios da imagem, a qual até hoje impressiona seus examinadores.

Para este projeto, a equipe desenhou um instrumento específico para avaliar raios X, isto permitia que as luzes e sombras de uma imagem fossem esticadas ou projetadas verticalmente no espaço, com base na sua intensidade proporcional de claros e escuros.

Em uma fotografia normal, o resultado seria uma imagem distorcida. Entretanto, o sudário mostrou uma perfeita revelação 3-D natural de uma forma humana. Isto significa que “existe uma correlação entre a densidade da imagem, as luzes e sombras desta e a distância do tecido ao corpo”.

“A única maneira de que isto possa acontecer é por algum tipo de interação entre o tecido e o corpo”, explicou o perito. “Isto não pode ser projetado. Não é uma fotografia: pois estas não contêm esse tipo de informação, assim como as obras de arte”.

Esta evidência o levou a acreditar que a imagem do Sudário tenha sido produzida de uma maneira que supera as capacidades, inclusive da tecnologia moderna.

“Não há maneira que um falsificador medieval tenha tido o conhecimento para inventar algo como isto, e criá-lo por meio de um método que não possamos reconhecer atualmente, em uma época da história humana muito orientada à imagem”.

“Imagina que no teu bolso está uma câmara e um computador conectados entre si a um pequeno dispositivo”, explicou.

“O Sudário se transformou em um dos elementos mais estudados da história humana, e a ciência moderna não tem uma explicação de como foram geradas suas propriedades químicas e físicas”.

Enquanto a imagem do Sudário de Turim foi a evidência mais convincente para Schwortz, o perito explicou ainda que isto era somente uma parte de toda a informação científica que afirma sua autenticidade.

“Realmente é uma acumulação de milhares de pedacinhos de evidência que, ao serem reunidos, são esmagadores em favor de sua autenticidade”.

Apesar destes dados, muitos céticos questionam a evidência sem terem visto os fatos. Por esta razão, Schwortz criou o site www.shroud.com este é um recurso para os dados científicos sobre o Sudário.

Não obstante, Schwortz lamentou o fato de que existem muitos que ainda questionam a evidência, que acreditam que o sudário seja mais que uma pintura medieval bem elaborada.

“Acho que a razão pela qual os céticos negam a ciência apontam a que se eles aceitarem algo disso suas crenças básicas seriam dramaticamente desafiadas, e teriam que voltar atrás e reconfigurar o que eles são e o que acreditam”, sustentou Schwortz. “É muito mais fácil rejeitá-lo e não preocupar-se por isso. Assim, não precisam enfrentar suas próprias percepções “.

“Acredito que algumas pessoas preferem ignorar ao invés de serem desafiados”, disse.

Schwortz sublinhou que a ciência indica que o Santo Sudário corresponde ao sudário pertencente a um homem que foi enterrado conforme tradição judia, depois de ser crucificado de forma coerente com aquela narrada no Evangelho. Entretanto, esclareceu que isto não é prova da ressurreição: “e aqui é onde entra a fé”.

“É uma imagem relacionada à pré-ressurreição, pois se fosse uma imagem pós-ressurreição estaria relacionada a um homem vivo – não morto”, explicou Schwortz, e disse ainda que a ciência não pode provar o tipo de imagem que seria produzida por um corpo humano que ressuscitou dentre os mortos.

“O Sudário é uma prova da fé, não da ciência. Pois chegamos a um ponto onde a ciência se detém e as pessoas devem decidir por si mesmas”.

“A resposta à fé não será um pedaço de tecido, mas possivelmente essa resposta está nos olhos e nos corações daqueles que põem seu olhar nela”, precisou.

A respeito do ponto de encontro entre fé e ciência, Schwortz tem somente uma opinião: nunca se converteu ao cristianismo, mas continua sendo um judeu praticante. E isto, diz o perito, faz com que seu testemunho como cientista seja mais credível.

“Acho que desta maneira sirvo melhor a Deus, através do meu envolvimento com o Santo Sudário, ao ser a última pessoa no mundo da qual as pessoas esperariam que desse uma palestra sobre o que é, efetivamente, a relíquia cristã mais fundamental”.

“Acredito que Deus em sua infinita sabedoria sabia melhor que eu, e me colocou aí por alguma razão”, refletiu o perito.

ACI

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A “fotografia” de uma crucificação

A tradição da Igreja e os resultados da pesquisa científica afirmam que, com altíssima probabilidade, o corpo cuja imagem foi impressa no tecido de Turim pertence a Jesus. De fato, o tecido mostra um homem adulto, de aproximadamente 40 anos, cerca de 1.80m, que mostra os sinais da flagelação e da crucificação, ao qual foi tributada uma sepultura honrosa.

A imagem que emerge do Santo Sudário é a de um cadáver martirizado, com a cabeça e a nuca feridas por um conjunto de objetos pontiagudos; os joelhos e o septo nasal escoriados e manchados de terra, como depois de uma queda; uma ampla ferida no lado, que foi aberta depois do falecimento; as munhecas e os pés atravessados por pregos; e as escápulas marcadas provavelmente por uma viga pesada.

A imagem que ficou estampada no tecido sindônico nos fala de um corpo que manifesta todos os sintomas do rigor mortis, a particular rigidez muscular que se dá após a morte: a cabeça está flexionada de forma forçada sobre o peito, sem que haja sinais de uma sustentação abaixo da nuca; e igualmente os membros superiores e inferiores têm uma posição nada natural. Em particular, a perfuração das munhecas e dos pés, a postura contraída do tórax e dos músculos das pernas, as escoriações deixadas por um grande suporte rígido sobre as costas mostram que o homem foi ajustiçado por meio da crucificação.

Antes de ser flagelado, ele foi desnudado e, de fato, sobre quase toda a superfície corporal, exceto no rosto, foram contadas 120 lesões paralelas, duas a duas, provocadas quase certamente por um chicote composto por um cabo ligado a duas tiras, ou longas tiras de coro que terminavam com dois pequenos pesos de chumbo. Neste caso, é preciso lembrar que ele recebeu 60 golpes. 

A maior parte dos especialistas concorda em considerar que o homem do Sudário tinha 1.80m de altura. Os sinais de envelhecimento que se manifestam no seu rosto induzem a afirmar que ele tinha cerca de 40 anos. O septo nasal apresenta uma fratura e a parte direita do rosto está completamente intumescida. O sangue encontrado sobre o tecido, como demonstrou o cirurgião Pierluigi Baima Bollone, é humano, do grupo AB – o estatisticamente mais raro; na Europa, corresponde a 5% da população, enquanto entre os judeus a porcentagem é muito mais elevada – e contém uma grande quantidade de bilirrubina, algo típico em quem sofreu uma morte violenta. Na região do crânio, aparecem marcas de 20 feridas infligidas por objetos punçantes, iguais, dispostos na parte superior da cabeça, formando uma espécie de capacete.

As hemorragias dependem, em alguns casos, de feridas que o homem sofreu estando vivo, e de outras feitas após a sua morte. O exame de fluxo sanguíneo indica que o homem foi envolvido no tecido em um momento preciso – não mais que duas horas e meia depois de ter morrido. Na região das escápulas, as marcas aparecem aumentadas e ulceradas, como se ele tivesse transportado um grande objeto rígido – dado este que faz pensar no transporte do patibulum, a viga de madeira que pesava mais de 50kg e que era carregada pelo condenado até o lugar da execução; ela teria formado o braço horizontal da cruz e seria içada sobre um pau fincado na terra, chamado stipes.

Algumas anomalias – o transporte do patibulum, a utilização de pregos para as mãos e pés, a coroa de espinhos, o fato de que o corpo não tenha acabado em uma fossa comum –, além de tornar esta crucificação um caso muito particular, fazem pensar que se tratou de uma execução particularmente dura.

As lesões que aparecem são numericamente muito superiores às previsíveis em um condenado que deveria sofrer a execução capital. A flagelação mostra uma dura obstinação, um severo castigo. Segundo o costume romano, o número de chicotadas estava limitado pela proibição de matar o condenado, enquanto, entre os judeus, o número de chicotadas era limitado a 40, um número sagrado, como se lê em Deuteronômio 25, 3. Por isso, quando usavam o chicote com três extremos, os judeus só davam 39 chicotadas, para não expor-se ao perigo de ultrapassar este número limite.

Além disso, a imagem estampada no tecido demonstra que o corpo sofreu duas formas de violência não relacionadas com o costume romano: a presença das feridas puntiformes sobre o crânio e na nuca, além da ferida feita com uma arma punçante e afiada entre a quinta e a sexta costela.

Outra anomalia é que o ajustiçado não teve os ossos das pernas quebrados: o Deuteronômio proibia de deixar os cadáveres na cruz durante o pôr do sol, e a prática de fraturar as pernas (crurifragium) apressava a morte e permitia retirá-los antes do anoitecer.

A marca de sangue mais vistosa entre todas corresponde à verificada na parte direita do tórax, provocada por uma ampla ferida de fora a fora, possivelmente causada por uma lança. O sangue se apresenta dividido em seus dois componentes, isto é, a parte do soro e a parte corpuscular (glóbulos vermelhos): a divisão, chamada de “dessoração”, se produz somente depois da morte – por isso, a ferida que provocou a rasgadura do tórax foi realizada quando o homem já estava morto. A ferida foi feita antes de que o corpo chegasse ao rigor mortis, ou seja, antes de que começasse o processo natural de decomposição (depois de 36-48 horas).

Do tipo de tecido de linho e de como o cadáver foi tratado, podemos deduzir que o homem recebeu uma sepultura – apesar de ter sido muito honrosa – sem a purificação ritual prevista pela lei judaica.

Ao contrário do que previam os costumes funerários dos judeus, mencionados no Talmude, o cadáver separado da cruz, nu, sem ser lavado nem barbeado, foi depositado sobre um longo tecido. No entanto, o homem do Sudário, de acordo com a cultura judaica, foi sepultado em um linho branco, inclusive de grande valor. O Sudário havia sido tecido, de fato, com uma técnica chamada de “espinha de peixe”, utilizada certamente já antes da era cristã, mas da qual restam poucos exemplares, sobretudo em linho. O tecido apresenta a torção em Z, muito rara e complexa, na qual as fibras são obrigadas a retorcer-se no sentido contrário ao que tomariam espontaneamente secando-se ao sol.

O sudário pode ter sido produzido em ambiente judaico, pois, nas análises, não foram encontrados traços de fibras de origem animal, em observância à lei mosaica (Dt 22, 11), que prescrevia a separação entre a lã e o linho. Em último caso, parece que foram encontrados vestígios de algodão, identificadas como Gossypium herbaceum, difundido no Oriente Médio na época de Cristo. Este tipo de tecido deveria ser muito apreciado e ritualmente puro, pois com ele, segundo os costumes do judaísmo antigo, eram confeccionadas as cortinas do templo de Jerusalém, além de ser utilizado pelo Sumo Sacerdote – presidente do Sinédrio, que era o conselho supremo que governava comunidade judaica – para envolver-se após ter sido submergido 5 vezes no banho ritual obrigatório, no dia em que se celebrava o rito da Expiação (Yom Kippur), a festa mais sagrada. É raro, portanto, que o corpo de um condenado a um suplício infame, do qual eram isentos os cidadãos romanos – e que era reservado aos traidores, aos desertores e mais frequentemente aos escravos –, fosse envolvido em um sudário extremamente caro, para que fosse tirado pouco tempo depois, ao invés de ser jogado diretamente em uma fossa comum ou ser largado como alimento para as feras.

O lugar em que o homem do Sudário foi sepultado ou no qual o lenço esteve exposto durante mais tempo pode ser identificado por dois elementos: o pólen que ficou preso no tecido e que pertence a várias espécies vegetais existentes apenas no Oriente Médio (mais exatamente, concentradas em uma área que cerca a região de Jerusalém); e os restos de terreno encontrados, que contêm aragonite, um mineral não muito abundante, mas difundido nas imediações de Jerusalém.

As análises sobre o tecido sindônico permitiram comprovar a presença tanto de pólen europeu (em quantidade menor) como de pólen de plantas de vivem na região de Constantinopla, na estepe de Anatólia e nas ribeiras do Mar Morto. Estudando os diversos traslados da tela sindônica, comprováveis nos testemunhos cristãos mais antigos, os especialistas em botânica encontraram correspondências com o trajeto do Sudário, que parte de Jerusalém, passando depois pela Palestina, Edessa, Constantinopla, Lirey, Chambery, até chegar a Turim, em 1578.

 O especialista Max Frei, após ter recolhido amostras de plantas durante a época de florescimento nas regiões geográficas nas quais a Síndone pode ter estado, identificou pólen de 58 plantas diferentes sobre o misterioso tecido, do qual nenhuma era uma espécie anemófila, ou seja, transportada pelo vento: algumas delas crescem unicamente em um território do mundo, que é a área que cerca Jerusalém. Posteriormente, Uri Baruch, examinando os preparados de Frei, confirmou a presença de Gundelia tournefortii – à qual pertencem 50% do pólen encontrado no Sudário –, de Zygophyllum dumosum e de Cistus creticus, plantas que vivem e florescem juntas. Depois, a identificação de outras 4 espécies, além daquelas três, levou o professor de botânica Avinoam Danin a afirmar que a sepultura talvez tenha acontecido entre os meses de março e abril.

 Este indício – a presença de flores – dá a entender que este cadáver foi depositado com honras não permitidas em absoluto para os condenados à morte, que, segundo a norma, deveriam permanecer durante 12 meses no espaço infamante de um pequeno sepulcro público antes de que os seus restos fossem entregues aos seus parentes.

 Além disso, em algumas amostras tomadas na região dos pés, havia restos de terra: o homem havia, portanto, caminhado descalço durante um tempo. As mesmas marcas foram encontradas em correspondência com a ponta do nariz e com o joelho esquerdo, que aparece visivelmente entumescido, como se o homem tivesse caído ao chão, machucando violentamente também o rosto, sem a possibilidade de se proteger com as mãos (talvez por estar impedido pelo patibulum). O especialista em cristalografia Joseph A. Kohlbeck e o físico Ricardo Levi-Setti observaram que estas amostras de terra contêm aragonite (um tipo de carbono cálcico), mineral raro, mas presenta na composição do terreno de Jerusalém.

 Por meio da reconstrução da marca de duas moedas e de algumas inscrições encontradas sobre a tela do Santo Sudário, é possível formular a hipótese de que o homem foi sepultado entre os anos 29 e 30 d.C.

 Depois de algumas análises levadas a cabo a partir de 1951, o Pe. Francis Filas afirmou ter identificado sobre a pálpebra direita do rosto sindônico marcas extremamente similares às existentes na cara de uma moeda, um dilepton lituus, que apresenta no verso o símbolo o “lituo” – ou seja, de uma espécie de cajado de pastor, presente em todas as moedas de Pilatos, cunhadas depois de 29 d.C. –, rodeado pela inscrição grega TIBEPIONƳ KAIƩAPOƩ: uma moeda que remonta, portanto, à época de Tibério.

Pierluigi Baima Bollone e Nello Balossino, por meio da elaboração da imagem bidimensional do arco superciliar esquerdo, mostraram, no entanto, a presença de sinais de remitiam provavelmente a um lepton simpulum, uma moeda de bronze que, além da reprodução no verso de uma copa ritual com a asa (simpulo), recolhe também a inscrição TIBEPIONƳ KAIƩAPOƩ LIS, que remonta ao ano XVI do imperador Tibério, que corresponde aos anos 29-30 d.C.

A presença de pequenas moedas, reflexo de um uso pagão que entrou no costume judaico, foi confirmada pelo achado de moedas nas cavidades orbitais de caveiras encontradas em Jericó, que remonta à época de Cristo, e em Boquet, no deserto de Judá, do início do século II A.C.

Ainda que a Igreja nunca tenha se pronunciado oficialmente e de forma definitiva sobre a identidade do homem representado no Sudário, ela incentiva a pesquisa científica sobre o tecido de Turim e todos os estudos realizados até agora convergem em uma resposta: o corpo misteriosamente estampado só pode ser, com uma probabilidade altíssima, o de Cristo, depois de ser tirado da cruz.

Tudo parece conduzir as investigações à Palestina do século I. Além disso, existe uma concordância substancial entre o relato dos evangelhos sobre a Paixão de Cristo e as informações extraídas do Sudário; tanto é assim, que algumas particularidades divergem da típica crucificação romana do século I.

– A cruel flagelação, exagerada, antes de uma crucificação (fala-se de 60 chicotadas). Jesus é flagelado no rosto e no corpo (Mt 27,26-30; Mc 15,15-19; Lc 23,16; Jo 19,1-3);

– A coroação de espinhos (não temos documentos que relatem um costume similar nas crucificações, nem entre os romanos, nem entre outros povos). Jesus foi revestido pelos soldados romanos com a coroa de espinhos e da capa púrpura para ser ridicularizado como rei dos judeus (Mt 27,29; Mc 15,17; Jo 19,2);

– O transporte do patibulum, o pau horizontal da cruz (nas crucificações, sobretudo nas massivas, costumavam preferir árvores ou cruzes ocasionais). Jesus transportou a sua própria cruz até o Gólgota (Mt 27,31-32; Mc 15,20-21; Lc 23,26; Jo 19,17).

– A suspensão na cruz com os pregos, ao invés das usuais cordas – uma particularidade que parece ser reservada a crucificações oficiais. No Evangelho de João, no episódio do apóstolo Tomé, diz-se que Jesus tinha os sinais da crucificação nas mãos, enquanto Lucas faz referência tanto às mãos quanto aos pés (Lc 24,39-40; Jo 20,25 e 20,27);

– A ausência de crurifragium, a fratura das pernas infligida para acelerar a morte. As pernas de Jesus não foram quebradas como as dos ladrões crucificados ao seu lado, porque ele morreu de forma insolitamente rápida, tanto que Pilatos se surpreendeu (Mc 15,44; Jo 19,32-33);

– A ferida no lado, feita depois da morte, um fato absolutamente raro. Jesus foi ferido com uma lança no lado, por um centurião, para confirmar que já estava morto. Da ferida saiu água misturada com sangue (Jo 19,34);

– A falta da unção, barba feita e vestes do cadáver, como era costume na época, e a sepultura precipitada. Jesus foi envolvido nu em um tecido e depositado em um sepulcro, logo depois de ser tirado da cruz, porque a noite se aproximava e era a vigília da Páscoa judaica, que coincidia, nesse ano, com o Shabbat, o dia de descanso da semana, no qual era proibido todo tipo de trabalho manual (Mt, 27,57-61; Mc, 15,42-47; Lc, 23,50-56; Jo 19,38-42);

– A envoltura do cadáver em um tecido precioso e a deposição em um túmulo próprio, ao invés de terminar em uma fossa comum. José de Arimateia, um rico membro do Sinédrio, obteve de Pilatos o corpo de Jesus, comprou o linho no qual ele foi envolvido e o sepultou num lugar que ele mesmo mandou escavar na rocha (Mt 27, 57-60; Mc 15, 42-46; Lc 23, 50-54; Jo 19, 38-41);

– O breve tempo de permanência no tecido. Jesus morreu tendo aproximadamente 37 anos, muito provavelmente na sexta-feira, 7 de abril do ano 30 d.C., por volta das 15h, depois de apenas 3 horas de agonia. Seu corpo permaneceu no túmulo desde as 18h, mais ou menos do mesmo dia, até as 6h do domingo, 9 de abril, quando Maria de Magdala, junto a outras mulheres, encontrou o sepulcro vazio (Mt 28,1-10; Mc 16,1-8; Lc 24,1-10; Jo 20,1-10).

Mirko Testa- Aleteia

Alessandro Paolo Bramanti  02

Alessandro Paolo Bramanti é especialista em engenharia eletrônica na Universidade de Pavia, Itália, onde fez o doutorado em investigação. Posteriormente doutorou-se em física da matéria na Universidade de Salento.

Ele trabalha para uma multinacional no campo da nanotecnologia, publicou numerosos trabalhos e é co-inventor de patentes internacionais em sua especialidade.

Também estudou o Santo Sudário e no ano 2010 publicou com o Dr. Daniele De Matteis o livro Sacra Sindone. Un mistero tra scienza e fede (Santo Sudário: um mistério entre ciência e fé).

Em entrevista ao jornal “La Croce”, ele argumentou em favor da afirmação de que “o homem do Santo Sudário é Jesus de Nazaré”.

Pergunta: Para muitos o Santo Sudário é uma prova da ressurreição de Cristo. O senhor é homem de ciência. Por que o Santo Sudário é tido como um milagre por muitos cientistas?

A ciência é como um explorador, livre para se mover num país – o das leis naturais – que é grande, mas não infinito, porque está rodeado por um muro que ela não pode superar com suas forças.Alessandro Paolo Bramanti: O milagre é uma exceção às leis da natureza. E, posto que todo o mundo material deve obedecer às leis naturais sem possibilidade de ignorá-las ou modificá-las, o milagre postula uma intervenção superior, quer dizer, da parte do autor das próprias leis naturais.

Mas se o explorador, por causa dessa incapacidade, afirmasse que não há nada além do muro, adotaria uma conduta irracional e, em último caso, um pouco ridícula.

Consideremos o Santo Sudário. É um objeto material e, enquanto tal, obedecendo sem dúvida alguma às leis naturais… incluindo as de envelhecimento e sensibilidade ao calor, por exemplo, como infelizmente constatamos na cor amarelada do linho e nas queimaduras dos incêndios a que esteve exposto ao longo dos séculos.

Sem embargo, também está marcado por uma intervenção exterior; algo que não provém da matéria, inclusive onde os fatores materiais deixaram uma marca profunda. Essa dupla imagem sanguínea é inexplicável à luz de qualquer fenômeno físico conhecido.

Pergunta: Vamos aos pormenores. O Santo Sudário analisado pela engenharia …

Um corpo sem vida aparece como que “fotografado” no Santo Sudário. E sem dúvida é assim, pois apresenta os sinais do rigor mortis (rigidez da morte), excluindo qualquer hipótese de coma ou morte aparente.

Mas um corpo sem vida não pode deixar pegadas, nem sequer algo vagamente similar a isso. E em toda a natureza não há nada de comparável. Por essa razão, muitos cientistas admitem honestamente o inexplicável do Santo Sudário.

Até agora todas as tentativas de imitação do Santo Sudário resultaram em fiasco, inclusive, portanto, uma análise superficial, sendo muito interessante observar a obstinação dos céticos.

Eles caçoam da credulidade daqueles que acreditam que o Santo Sudário é autêntico, mas logo perdem muito tempo e recursos tentando fabricar um igual, só para demonstrar que é falso! Dir-se-ia que no fundo eles estão carcomidos pela dúvida.

Bramanti: Se o Sudário não é autêntico, deve ter sido feito por um falsificador experiente, desejoso de se enriquecer com o comércio de relíquias falsas. Aliás, esta é a teoria daqueles que negam a autenticidade do Santo Sudário: um fabricante imaginário de relíquias, que se mantém no anonimato por razões óbvias, forjou o objeto em sua oficina para vendê-lo logo, talvez junto com muitos outros, numa espécie de mercado negro do sagrado, fazendo acreditar que é genuíno.

Esse personagem provavelmente considerava o Sudário como sua obra-prima, a culminação de sua carreira como falsário sacrílego!

Mas o engenheiro é uma espécie de inventor especializado: sua atitude é de quem desenha e constrói aplicando as leis naturais em seu benefício…

Diante do Santo Sudário, tenta imaginar qual foi o engenhoso método de fabricação por meio do qual o falsificador conseguiu imprimir sobre o linho a imagem de um crucificado.

Especialmente o engenheiro doutorado em física, ligado ao mundo do microscópico e do nanoscópico, é motivado especialmente pela curiosidade…

Como é que a imagem do Sudário foi criada por uma mudança na estrutura das fibras têxteis?

Com quais instrumentos e através de que fenômeno físico se pode causar semelhante modificação?

No último século, abundantes estudos científicos sobre o Santo Sudário apresentaram muitas hipóteses teóricas, realizaram experimentos para denunciar sua falsidade e tentaram reproduzi-lo. Mas ninguém obteve resultados satisfatórios… A ciência reconhece-se vencida

Porém, fica sempre uma pergunta: se parece inconcebível fabricar um objeto tão refinado com o conhecimento atual, qual é a possibilidade de que tenha existido um suposto falsificador?

Pergunta: Alguns no entanto sustentam que não somos capazes de reproduzir muitas obras de arte do passado, e nem por isso se diz que sejam milagres …
Bramanti: Há uma diferença profunda. Conhecemos bem a natureza física dessas obras de arte: elas são “simplesmente” capas de substâncias coloridas depositadas sobre o lenço, ou “simplesmente” blocos de pedra entalhada, modelada. A singularidade dessas obras é de ordem artística, não científica. Porém nós não sabemos qual é a natureza física do Santo Sudário.
Pergunta: O Santo Sudário do ponto de vista da Física …

Bramanti: O físico considera a teoria científica que seja capaz de explicar todos os dados. Mas neste caso a ciência encontra-se na escuridão, anda às apalpadelas.
Então, só ficam duas atitudes possíveis.

Primeira. O físico adota a objeção clássica dos céticos: talvez de futuro possamos explicar a existência do Sudário de modo científico. Então constataremos que ele foi o resultado de uma combinação de elementos físicos muito pouco provável, mas inteiramente natural. Pode ser

Este “pode ser” na mente de muitos céticos converte-se até num cômodo “sem dúvida”, com o qual eles se aferram à ilusão de ter liquidado o problema.

Segunda. O físico que considera os dados como um todo. Então percebe que o Sudário foi estudado mais do que qualquer outro objeto no mundo por um número impressionante de especialistas de diferentes disciplinas. E que todos os dados convergem para dizer que a gente está diante do autêntico lençol que envolveu a Cristo…

Neste ponto, se a mente do físico não é suficiente, ele deve assumir a mente do homem cuja capacidade supera com superioridade a mera ciência.

O homem do Santo Sudário é Jesus de Nazaré. Esse homem é o único de quem se anunciou durante mais de dois mil anos até hoje que ressuscitou.

E sua ressurreição, por tudo quanto se sabe, não foi discutida, nem logo após a sua morte. O anúncio foi feito antes [no antigo Testamento]. Isso é assim e de tal maneira, que naquela noite, no túmulo, soldados romanos fizeram guarda para evitar um simulacro de ressurreição.

O Santo Sudário de Turim leva a impronta desse homem, uma marca que fala não só de sua morte, mas também de uma misteriosa subtração à morte.

É a imagem de um cadáver que desapareceu antes de se corromper, deixando uma marca indelével. É uma imagem física única, tão única como o próprio homem.

Mas se, mesmo diante das provas, a mente humana recusa a priori a possibilidade de o Santo Sudário ser um testemunho mudo da Ressurreição, ela age por uma escolha deliberada que nada tem a ver com a ciência.

Luis Dufaur

Para Schwortz é 'um documento da Paixão e da tortura que Jesus sofreu' Foto da exposição 'O homem do Sudário', Curitiba

Barrie Schwortz é uma das maiores autoridades mundiais sobre o Santo Sudário. Como técnico em fotografia, ele participou no primeiro grande exame em profundidade dessa preciosa relíquia em 1978, na equipe do famoso Shroud of Turin Research Project (STRUP).

O STRUP inaugurou uma longa série de análises e aprofundamentos do ponto de vista das mais variadas ciências, que revelou – aliás, continua revelando – detalhes surpreendentes e nunca antes imaginados sobre o Homem do Sudário.

A convergência dos resultados dessa imensa série de exames é tão espantosa que ficou muito difícil negar que o Homem do Sudário não seja outro que Nosso Senhor Jesus Cristo.

Barrie Schwortz é um hebreu não praticante que aceitou com relutância participar do STRUP. Ele estava plenamente convencido de que o Santo Sudário era alguma fraude montada na Idade Média.

Mas após muitos anos de pesquisa e reflexão, passou a acreditar em sua autenticidade.

Preocupado com a informação imprópria veiculada pela mídia sobre o Sudário de Turim, ele criou um site onde difunde a verdadeira história da relíquia e os resultados dos testes de que ela vem sendo objeto.

Barrie Schwortz concedeu uma entrevista com valiosas informações ao Catholic World Report (CWR). Reproduzimos alguns excertos:

CWR: quais são alguns dos argumentos mais impressionantes em favor da autenticidade do Sudário?

Barrie Schwortz: Há 37 anos, quando fui à Itália com a equipe do STRUP, eu achava que era algo falso, algum tipo de pintura medieval. Mas após apenas 10 minutos de análise, percebi que não era uma pintura.

Exposi_o_extraordin_ria_do_Santo_Sud_rio_come_ou_no_dia_19_de_abril_e_vai_durar_at_24_de_junho_de_2015
Exposição extraordinária do Santo Sudário começou no dia 19 de abril e vai durar até 24 de junho de 2015.

Enquanto fotógrafo profissional, fui procurar as pinceladas. Mas não havia tinta nem pinceladas!
Durante mais de 17 anos eu me recusei a aceitar que o Santo Sudário fosse autêntico. O argumento que me fez mudar de ideia está relacionado com o sangue.
O sangue no Sudário é avermelhado. Porém, o sangue num pano de roupa, em poucas horas fica marrom ou preto.
Eu conversei pelo telefone com Alan Adler, um químico especialista em sangue, e manifestei-lhe minhas reservas. Ele ficou chocado e perguntou: “Mas você não leu o meu estudo?”
Ele havia detectado uma alta proporção de bilirrubina no Sudário, fato que explica por que o sangue ficou vermelho.

Barrie Schwortz:

“Durante mais de 17 anos eu me recusei a aceitar que o Santo Sudário fosse autêntico”.

“Não é que uma só evidência prova a autenticidade do Sudário. Mas todo o conjunto das evidências sim, prova isso”.

“A explicação mais plausível é de que o Sudário foi usado para envolver o corpo de Jesus”.

“O Sudário é, literalmente, um documento da Paixão e da tortura que Jesus sofreu”.

Se um homem é ferido e não bebe água, seu fígado começa a produzir bilirrubina. Isso faz com que o sangue fique vermelho para sempre.

Para mim foi como achar a última peça do quebra-cabeça. Eu não tinha mais argumentos contra.

Essa foi a evidência final que me convenceu. Não é que uma só evidência prova a autenticidade do Sudário. Mas todo o conjunto das evidências sim, prova isso.

Um dos meus testemunhos favoritos em favor da autenticidade do Sudário é de minha mãe, que é judia. Ela veio da Polônia e só estudou na escola. Ela assistiu a uma de minhas palestras. Depois, voltando de carro para casa, após ficar em silêncio um longo tempo, eu lhe perguntei:

– Mãe, no que está pensando?

Ela respondeu:

– Barrie, é evidente que é autêntico. Eles não o teriam conservado durante 2.000 anos se não fosse.

Pela lei judia, um sudário manchado de sangue devia ser mantido no túmulo. Tirando-o dali, você de fato assumiria o risco de violar a lei.

Para mim, a explicação mais plausível sobre o Sudário, do ponto de vista da ciência e de meus fundamentos pessoais judeus, é de que o pano foi usado para envolver o corpo de Jesus.

CWR: Quais são algumas das falsidades mais comuns que se falam do Sudário? 

Schwortz:Tomaria horas compor essa lista. Parece existir uma cacofonia constante de insensatez funcionando contra o Sudário.

CWR: O que é que fala o Sudário sobre os sofrimentos físicos de Cristo?

Schwortz: Ele é, literalmente, um documento da Paixão e da tortura que Jesus sofreu. Seu rosto foi duramente golpeado, está inchado sobretudo em volta dos olhos. Eu sou fã de boxe profissional. A imagem do Sudário me lembra de um boxeador que perdeu a luta.

O homem foi severamente açoitado. Isso se observa não só nas feridas nas costas, mas podem-se ver as tiras de couro que o atingiram, envolvendo o corpo, e que bateram pela frente também.

De um ponto de vista forense, a imagem do Sudário fala mais do que as representações comuns que vemos na arte.

Ele tem um ferimento de lança no lado. Suas pernas não estão quebradas, como era geralmente o caso quando os homens eram crucificados. Sua cabeça e o couro cabeludo estão cobertos de feridas.

Mais uma vez: na arte muitas vezes vemos a coroa de espinhos como se fosse um pequeno círculo que se assemelha a folhas de louro em torno da cabeça de Cristo. Mas isso não é realista. Os soldados na verdade puseram um espinheiro sobre sua cabeça e o esmagaram sobre ela.

Vemos a parte externa de uma mão, indicando que os pregos não foram cravados pelo centro da palma da mão, mas uma polegada mais perto do pulso.

Isso faz sentido para um soldado romano crucificando 20 ou mais pessoas ao mesmo tempo. É o lugar perfeito para se colocar um prego que vai segurar, e então você pode passar para a sua próxima vítima.

Em relação aos pés, é impossível para nós julgar se foi usado um único prego para ambos os pés, ou se foi usado um em cada pé.

Nós temos os restos reais de duas vítimas da crucifixão, e nesses casos foram usados dois pregos, um em cada pé.

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O Santo Sudário será exposto ao público a partir do domingo em Turim. Um milhão de pessoas já reservaram sua entrada para este acontecimento excepcional.

O sudário foi exibido pela última vez em 2010.

Como ocorreu há cinco anos, o Santo Sudário estará exposto na catedral da capital de Piemonte. Mas, desta vez, poderá ser visitado durante dois meses, quase um mês e meio a mais do que da vez passada, afirmou neste sábado (18) diante da imprensa o prefeito de Turim, Piero Fassino.

“A mostra do Santo Sudário é um grande acontecimento de natureza religiosa e civil”, comemorou Fassino, que afirmou que receberá “de braços abertos” as centenas de milhares de peregrinos que devem chegar durante os próximos 67 dias.

A peça de linho de 4,36 m de altura por 1,10 m de largura na qual, segundo a tradição, ficou gravada a imagem do corpo de Cristo com as marcas da crucificação e sobretudo de seu rosto, foi descoberta em meados do século XIV na igreja colegial de Nossa Senhora, em Lirey, perto de Troyes (França).

A família real de Saboya, que havia reinado na Itália até 1946, presenteou o Vaticano com o Santo Sudário em 1983. A Santa Sé nunca se pronunciou sobre sua autenticidade.

Em 2010, sua exposição ao público durante 43 dias na catedral de Turim atraiu 2 milhões de pessoas, incluindo o Papa Bento XVI, que o descreveu como um “ícone extraordinário” que correspondia “totalmente” com o relato da morte de Cristo do Novo Testamento.

O Papa Francisco irá a Turim nos dias 20 e 21 de junho.

Fonte: G1

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O cientista italiano Giuseppe Baldacchini, especialista no Santo Sudário, afirma que o também chamado Sudário de Turim ainda não tem explicação científica e considera que a imagem impressa no tecido é verdadeira.
 
O Santo Sudário é o fragmento de tecido que envolveu o corpo de Jesus Cristo depois de sua crucificação. O tecido tem impresso o rosto e o corpo maltratados de um homem que coincide com a descrição do Senhor.
 
Em declarações à Rádio Vaticano, o especialista afirmou que como fiel da Igreja Católica “estou extremamente interessado, porque se como acredito, o Sudário é verdadeiro, todos os sinais presentes na imagem concordam muitíssimo com o que está escrito no Evangelho a respeito da Paixão e Morte de Jesus Cristo. Portanto, isto deveria fazer-nos refletir sobre a veracidade deste tecido, que costuma ser colocada em dúvida por muitas pessoas”.
 
Por outro lado, como cientista e especialista em física, assegurou que tem uma enorme curiosidade por explicar a natureza do Santo Sudário. “É tudo verdadeiramente fascinante, porque quando não se consegue resolver um problema, nós gostamos de chegar até o final até encontrar as razões do por que deste fenômeno”, expressou.
 
O professor assinalou que estão procurando novas hipóteses para dar uma explicação à criação da imagem, e embora se tenha chegado à conclusão de que teria sido formada por um “flash” fora do comum, a ciência ainda não conseguiu explicar a origem desta luz.
 
“Meus estudos como físico me permitiu fazer várias hipóteses sobre a possibilidade que a imagem se deva a uma explosão de energia. E esta hipótese foi verificada em um laboratório com o uso de fontes de laser muito particulares”.
 
“Depois de um longo trabalho demostramos que na realidade, em certas condições, esta fonte laser pode produzir as imagens similares ao Sudário. É claro que com esta fonte vem simulada uma explosão de luz. Então ficou corroborado com medidas científicas que um relâmpago de luz havia produzido este Sudário”, disse.
 
Segundo a história da Igreja, os primeiros cristãos levaram consigo o Sudário para preservá-lo da perseguição. Desde Jerusalém e ao longo dos séculos, atravessaram Edesa, Constantinopla, Atenas, Lirey, Chambery e finalmente, chegaram a Turim, onde hoje em dia, foi objeto de numerosas investigações, e onde encontraram que este trajeto descrito pela história da Igreja, coincide com a procedência dos 57 tipos de pólen que aparecem incrustados no tecido.
 
Durante a sua permanência na França em 1632, o Sudário foi recuperado de um incêndio na França. Isto não permite aos cientistas de hoje datar com segurança a sua origem, já que as mudanças químicas que se produzem em uma reação química como a combustão, falsificam os resultados da prova de datação com Rádio C-14.
 
Estudos em tecidos do primeiro século expostos às mesmas condições físicas e químicas que sofreu o Sudário, demonstraram que depois da prova de C-14, variavam sua datação em diversos séculos, além disso, com resultados muito próximos aos provados no Sudário, cuja datação a situariam no décimo quarto século depois de Cristo.
 
O Sudário de Turim será exposto em 2015
 
De 19 a 24 de junho deste ano haverá a exposição de maneira extraordinária o Sudário de Turim. O Papa Francisco visitará o Santo Sudário em 21 de junho, e além disso, aproveitará a ocasião para recordar São João Bosco, que estará sendo comemorado pelo bicentenário de seu nascimento.
 
Em referência ao Sudário de Turim, o Papa Francisco afirmou que “o homem do Sudário nos convida a contemplar Jesus de Nazaré… e nos leva a subir o Monte Calvário… a submergirmos no silêncio eloquente do amo”.
Fonte: ACI

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O Custódio Pontifício do Sudário de Turim, o Arcebispo italiano Cesare Nosiglia, afirmou que o Santo Sudário que, segundo a tradição, foi o pano que envolveu o corpo de Jesus Cristo depois de sua paixão, é uma catequese vivente sobre a fé.

O Arcebispo de Turim apresentou na Sala de Imprensa da Santa Sé a nova exposição do Santo Sudário, que acontecerá no próximo ano, entre dos dias 19 de abril e 24 de junho sob o lema “O Amor maior”.

Em uma entrevista concedida ao Grupo ACI, Dom Nosiglia assegurou que “todo aquele que vem para rezar e para vê-lo sai impressionado. Tenho certeza de que isso acontece porque é Deus quem olha para eles, quem os chama, há uma mensagem que chega ao coração e à consciência… este sudário é uma catequese vivente que só a fé explica”.

O Prelado afirma que o Santo Sudário descreve perfeitamente a paixão de Jesus narrada pelos Evangelhos. “Encontramos os sinais do Senhor martirizado no Sudário, desde o rosto até a coroa de espinhos, a flagelação em todo o corpo, tanto nas costas como no resto do corpo… depois de tantas investigações que foram feitas e ainda há por fazer”.

“Ninguém conseguiu até agora dar uma resposta que defenda uma posição, só a fé dá a possibilidade de acolher esta realidade da paixão do Senhor, é o Evangelho apresentado em sua realidade crua, mas também em sua beleza e sua profundidade”, disse.

Em 5 de novembro, ao final da Audiência Geral na Praça São Pedro, o Papa Francisco anunciou que visitará Turim (Itália), no dia 21 de junho de 2015 para venerar o Santo Sudário.

Na arquidiocese italiana já começaram os preparativos. “Esperamos que o Papa nos confirme na fé, precisamos de uma injeção de fé em um mundo cada vez mais afastado do evangelho e da tradição cristã. Com a fé em Jesus podemos redescobrir o sentido da humanidade e a sua plenitude”, assinalou Dom Nosiglia.

O Papa Francisco enviou no dia 30 de março de 2013 uma mensagem por ocasião da exposição televisiva do Santo Sudário na Itália, onde animou a deixar-nos olhar pelo homem do Sudário como uma realidade que nos questiona até o mais profundo do coração.

“Este rosto tem os olhos fechados, é o rosto de um defunto e, entretanto, misteriosamente nos olha e, no silêncio, nos fala. Como isso é possível? Como é possível que o povo fiel, como vós, queira parar diante deste ícone de um homem flagelado e crucificado?”

“Esta imagem –gravada no tecido– fala ao nosso coração e nos leva a subir o monte do Calvário, a olhar o madeiro da cruz, a submergir-nos no silêncio eloquente do amor”, expressou o Santo Padre.

Segundo a história da Igreja, os primeiros cristãos levaram consigo o Santo Sudário para preserva-lo da perseguição. Desde Jerusalém e ao longo dos séculos, o Sudário passou por Edesa, Constantinopla, Atenas, Lirey, Chambery e finalmente, chegou a Turim, onde hoje em dia, foi objeto de numerosas pesquisas.

As pesquisas demonstram que este percurso descrito pela história coincide com a procedência dos 57 tipos de pólen que estão incrustados no tecido.

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Na noite de 11 para 12 de abril de 1997, pavoroso incêndio ameaçou destruir para sempre uma das mais preciosas relíquias do mundo católico: o Santo Sudário de Turim, mortalha que envolveu por três dias o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, após sua Crucifixão até sua Ressurreição.

Só depois de longo e extenuante combate do corpo de bombeiros, o sacrossanto Linho pôde ser salvo das chamas. Além do Palácio Real, o incêndio destruiu quase completamente a capela de Guarino Guarini — contígua à Catedral de Turim — onde se encontrava a relíquia.

Alguns órgãos da imprensa italiana levantaram suspeitas de o incêndio ter sido criminoso.

Naquele momento dramático, em que tudo parecia perdido, assistimos a uma das mais belas cenas de heroísmo: o bombeiro Mario Trematore lançou-se destemidamente entre as chamas, e com uma grossa barra de ferro golpeou repetidas vezes o vidro à prova de bala que protegia a relíquia, recuperando-a em seguida. Instantes depois, a cúpula inteira da capela desabou.

A revista  “Catolicismo” pediu a seu correspondente em Milão, Sr. Roberto Bertogna, que entrevistasse o Sr. Mario Trematore, a fim de que este narrasse a nossos leitores o emocionante resgate, bem como as lembranças mais significativas que tal acontecimento deixou vincadas em sua alma.

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Catolicismo — O Sr. poderia descrever para nossos leitores o motivo que o levou a enfrentar o incêndio, sabendo bem que corria risco de morte atroz em meio às chamas?

Mario Trematore — Na vida, o cristão tem como obrigação principal dar testemunho de sua fé e reconhecer em Jesus Cristo a sua salvação, a presença que transforma o precário acontecer da existência humana na História. Presença reavivada cada dia pela lembrança de que, morrendo na Cruz, Jesus Cristo envolveu todos aqueles que creem n’Ele. Cristo morre crucificado cada dia nos tantos acontecimentos que compõem a história do mundo, para ressurgir sempre mais presente no mistério da fé aos olhos dos homens.

Sua mão providente nos acompanha sempre. E foi essa mão que me moveu a enfrentar as chamas que ameaçavam a mais preciosa relíquia do mundo cristão. Com efeito, naquela afanosa noite passada na catedral, lutando contra as chamas para salvar o Santo Sudário, a força que me compelia a cumprir aquela missão emanava de uma voz interior, que seguramente provinha do Alto.

Catolicismo —O que o Sr. pensava no momento em que golpeava o resistente vidro do relicário que protegia o Santo Sudário?

Mario Trematore — Naquele apuro, quando tudo parecia perdido e a força do fogo tornava impotente todo recurso humano, continuava a esperar até o fim, e o pensamento transformava-se em ação. De uma parte, surge inesperadamente o medo de morrer, e por um breve tempo vêm à memória as pessoas mais caras e as mais belas recordações: a doçura de minha mulher Rita, o sorriso de meu filho Iacopo, a graça de minha filha Chiara.

De outra, pensava também naquele Lençol e o dever de salvá-lo. Jesus Cristo o havia deixado para a humanidade como um extraordinário sinal do mistério do Verbo encarnado e do Deus que assume toda a condição humana. Prova convincente de um significado: do amor que responde ao amor, e não da dor e daquilo que custa. Um testemunho visível da Sua Ressurreição e do infinito amor de Deus ao homem.

Catolicismo — Enquanto deparava com as chamas, o Sr. chegou a pensar que a salvação do Sudário poderia depender da fé e da coragem de alguém, e que aquela obrigação recaía sobre o Sr.?

Mario Trematore — Na noite de 11 de abril de 1997, não podia certamente pensar que tocava a mim, com os meus colegas, salvar o Santo Sudário. Naquele momento eu sentia a angústia e a preocupação de milhões de fiéis. A capela do Guarino ruía em pedaços, sob o incessante calor das chamas.

Uma das pilastras principais que sustentava a cúpula já havia se esmigalhada ao calor do fogo. Não havia muito tempo para pensar. De um momento para outro podia cair a cúpula. Precisava fazer alguma coisa. O quê?

Cada tentativa para apagar aquele maldito fogo fracassava, e assim não me restou senão rezar uma oração que havia aprendido num passado longínquo, um passado de menino com os olhos grandes e os cabelos encaracolados: “Pai Nosso, que estais no Céu…”

O modo pelo qual Deus escolhe seus instrumentos é sempre surpreendente e insondável. Deus quer ter necessidade de nossos braços e de nossas mãos para cumprir sua obra. Fico pasmo como Ele tenha querido ter necessidade dos meus braços e das minhas mãos para salvar o Santo Sudário.

Recordando aqueles momentos dramáticos, estou convencido de que o homem, reconhecendo o amor de Deus, lança-se sobre Ele com uma sensibilidade que nasce da consciência de um dever: que a grande evidência daquela Face não se perca pela fragilidade de quem crê, mas permaneça sinal de esperança para todos, pois disto tem necessidade cada homem.

Catolicismo — O Sr. teve o reconhecimento de tantas pessoas importantes e menos importantes, inclusive de João Paulo II. Sente-se um herói?

Mario Trematore — O homem não se basta a si mesmo e tem necessidade de Cristo. Falar de heroísmo pode satisfazer meu ego, mas favorece o orgulho, uma falta de confiança no Criador. Não podemos esquecer o exemplo de Jesus Cristo no Domingo de Ramos. O Filho de Deus, Ele mesmo Deus, entrou em Jerusalém montado num burrico, e não num carro dourado puxado por bonitos cavalos de raça.

Quem nos criou decidiu cada coisa, ainda que para nós nem tudo seja compreensível. Ainda que –– com a força das minhas mãos e uma barra de ferro, além da ajuda de meus colegas –– tenha salvo o Santo Sudário, Jesus Cristo teria reemergido daqueles escombros conosco ou sem nós.

Catolicismo — Hoje, qual o papel de Nosso Senhor Jesus Cristo em sua vida?

Mario Trematore — Eu O sinto ao meu lado, como um companheiro de viagem, mesmo nas coisas mais simples que faço. Quando caminho pela rua, faço compras, passeio pelo centro de Turim — nesses últimos anos, ainda mais bonito —, quando vou pegar os filhos na escola e quando trabalho.

A Ele faço minhas confidências, peço conselhos, junto a Ele eu me indigno com os males do mundo, e Ele me carrega quando os pés já cansados não conseguem caminhar.

Aprendi e tenho certeza de que nunca estou só. Diante do que possa acontecer em minha vida, haverá sempre Alguém com o qual poderei contar. É nessa presença constante de Nosso Senhor Jesus Cristo que encontramos a própria condição que torna o homem completamente livre.

O encontro com Nosso Senhor Jesus Cristo, através do resgate do Sudário, foi uma experiência extraordinária e me permitiu entrar em uma relação íntima com Ele. Trata-se de uma relação humanamente difícil, imperiosa, e por vezes dolorosa, pois é capaz de colocar em discussão muitas certezas.

Compreender o mal e rejeitar a indiferença para com ele a cada dia de nossas vidas, enfrentando nosso egoísmo, nossos impulsos e paixões desregradas. Amar Nosso Senhor Jesus Cristo não nos impede de sofrer. Em Lourdes, a Virgem Maria disse a Santa Bernadette: “Nesta vida prometo-lhe ensinar a amar, mas não necessariamente a ser feliz”.

É esclarecedora a passagem do Evangelho na qual Cristo foi tentado pelo demônio a transformar pedra em pão. Com efeito, Ele tinha três modos de proceder:

1º) Transformar o demônio em pedra, e com isso teria resolvido todos os problemas, seus e nossos;

2º) transformar a pedra em pão, mas desse modo Ele não teria agido como Filho de Deus, pois o verdadeiro senhor teria sido o demônio, cuja ordem Cristo teria obedecido;

3º) Cristo respondeu escolhendo o caminho mais difícil e mais doloroso, isto é, o martírio e a crucifixão, para não criar qualquer fissura que traísse o Seu amor pelo Pai.

A fragilidade do homem não recusa o pecado, aliás o pecado aliena a liberdade humana e separa o homem do encontro com Deus.

Cada cristão é submetido a essas fraquezas muitas vezes em sua vida. Não é o caso de desanimar, mas de lutar para não nos separarmos de todo o bem que Cristo nos ensinou: aprender a amar, não através dos olhos da própria cultura, mas com o coração aberto a Nosso Senhor Jesus Cristo e ao próximo.

Catolicismo — O que o Sr. recomenda aos leitores de Catolicismo para aumentar a devoção ao Santo Sudário?

Mario Trematore — Não é verdade que o racionalismo, o uso da razão como medida da realidade, seja o modo mais correto para nos aproximar da fé. Pelo contrário, quando a razão é usada de modo autêntico, escancara a alma à percepção de algo de grande que há em nós, de um mistério do qual tudo depende.

É esta “abertura do coração” que gostaria de sugerir a todos. Finalmente, peço a Nossa Senhora que todos encontrem uma ocasião, talvez um feriado prolongado, para virem a Turim venerar o Santo Sudário, mesmo que ele não seja visível (não há um ostensório solene para ele ficar exposto), mas encontra-se numa capela da nave lateral da catedral, dignamente guardado para a veneração de todos. Temos a mesma necessidade: tocar com as mãos, como São Tomé, para que o cêntuplo seja realizado, aqui e agora, e transforme as nossas vidas.

Gostaria de lembrar o que disse o Papa João Paulo II a respeito do Santo Sudário, por ocasião de sua visita a Turim: “Uma relíquia insólita e misteriosa, singularíssima testemunha — se aceitamos os argumentos de tantos cientistas — da Páscoa, da paixão, da morte e da ressurreição. Testemunha muda, mas ao mesmo tempo surpreendentemente eloqüente!”.

Catolicismo — Hoje sabemos que o Sr. não é mais um bombeiro…

Mario Trematore — Ser bombeiro era a minha paixão. Mas os anos passam e o corpo envelhecido não suporta mais o estresse e o cansaço de trabalho tão pesado e perigoso. Assim, em outubro de 2003 deixei o Corpo de Bombeiros.

Como sou diplomado em arquitetura, retomei a profissão de arquiteto, ocupando-me de projetos arquitetônicos, com especialização em segurança nos setores de risco correlatos à construção e ao curso das obras, no cargo de diretor técnico externo da Engineering Boesso, além de diretor didático do setor formativo regional da Apitforma de Turim, órgão credenciado junto à região do Piemonte, que opera nas tipologias formativas pós-universitárias.

Mas no fundo de meu coração resta um sonho, e espero que o Senhor me ajude a realizá-lo: projetar uma igreja. Cada igreja é uma casa de Deus, e não pode ser senão bela, como afirmava em 1400 Leon Battista Alberti, renomado arquiteto italiano, no seu “De re aedificatoria”.