suicidio

Novo relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde, a OMS, chama a atenção de governos para o suicídio, considerado “um grande problema de saúde pública” que não é tratado e prevenido de maneira eficaz.

Segundo o estudo, 804 mil pessoas cometem suicídio todos os anos – taxa de 11,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. De acordo com a agência das Nações Unidas, 75% dos casos envolvem pessoas de países onde a renda é considerada baixa ou média.

O Brasil é o oitavo país em número de suicídios. Em 2012, foram registradas 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres (taxa de 6,0 para cada grupo de 100 mil habitantes). Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes – alta de 17,8% entre mulheres e 8,2% entre os homens. O país com mais mortes é a Índia (258 mil óbitos), seguido de China (120,7 mil), Estados Unidos (43 mil), Rússia (31 mil), Japão (29 mil), Coreia do Sul (17 mil) e Paquistão (13 mil).

O levantamento diz ainda que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio e apenas 28 países do mundo possuem planos estratégicos de prevenção. A mortalidade de pessoas com idade entre 70 anos ou mais é maior, de acordo com a pesquisa.

Dificuldades

Para a OMS, o tabu em torno deste tipo de morte impede que famílias e governos abordem a questão abertamente e de forma eficaz. “Aumentar a conscientização e quebrar o tabu é uma das chaves para alguns países progredirem na luta contra esse tipo de morte”, diz o relatório.

O estudo da OMS aponta que os homens cometem mais suicídio que as mulheres. Nos países ricos, a taxa de mortalidade de pessoas do sexo masculino é três vezes maior que a de óbitos envolvendo o sexo feminio.

Sobre as causas, o relatório afirma que em países desenvolvidos a prática tem relação com desordens mentais provocadas especialmente por abuso de álcool e depressão. Já nos países mais pobres, as principais causas das mortes são a pressão e o estresse por problemas socioeconômicos.

Muitos casos envolvem ainda pessoas que tentam superar traumas vividos durante conflitos bélicos, desastres naturais, violência física ou mental, abuso ou isolamento.

Resposta nacional

De acordo com a OMS, uma maneira de dar uma resposta nacional a este tipo de morte é estabelecer uma estratégia de prevenção, como a restrição de acesso a meios utilizados para o suicídio (armas de fogo, pesticidas e medicamentos), redução do estigma e conscientização do público. Também é preciso fomentar a capacitação de profissionais da saúde, educadores e forças de segurança, segundo o estudo.

Para a agência, os serviços de saúde têm que incorporar a prevenção como componente central. “Os transtornos mentais e consumo nocivo de álcool contribuem para mais casos em todo o mundo. A identificação precoce e eficaz são fundamentais para conseguir que as pessoas recebam a atenção que necessitam”.

Morte de Robin Williams

suicídio do ator Robin Williams, ocorrido há menos de um mês, reacendeu o debate sobre o tema. O histórico de depressão e de dependência de álcool, características apresentadas pelo ator Robin Williams, são dois importantes fatores de risco para o suicídio.

O ator de 63 anos morreu no dia 11, depois de se enforcar com um cinto, de acordo com a polícia local. Segundo a agente do ator, Mara Buxbaum, ele estava lutando contra uma depressão severa e já tinha sido internado várias vezes em clínicas de reabilitação por problemas com drogas e álcool. A última internação foi em julho.

Segundo o psiquiatra Geraldo Possendoro, professor convidado de Medicina Comportamental da Unifesp, em mais de 90% dos casos de suicídio, a pessoa já tinha alguma doença psiquiátrica. Ele acrescenta que não é incomum que pessoas com depressão e que não são tratadas adequadamente recorram a drogas e álcool para aliviar o sofrimento.

A psicóloga Karen Scavacini, cofundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, afirma que além dos sinais diretos que a pessoa emite quando tem a intenção de se matar – falar explicitamente que quer morrer, por exemplo – alguns sinais indiretos também podem ser percebidos.

“A pessoa começa a se despedir de parentes e amigos, pode apresentar muita irritabilidade, sentimento de culpa, choros frequentes. Também pode começar a colocar as coisas em ordem e ter uma aparente melhora de um quadro depressivo grave, de uma hora para outra. Muitas vezes, isso significa que já se decidiu pelo suicídio, por isso fica mais tranquila. É a falsa calmaria”, diz. Comportamentos de risco desnecessários podem ser observados nesse período.

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“Até que ponto o suicídio poderia ser moralmente aceitável, no caso de implicar dar a vida pelo outro?” (pergunta enviada por meio da fan page da Aleteia)
 
Há atos que podem parecer semelhantes à primeira vista, mas que na realidade são radicalmente diferentes. O que aqui se pergunta é um exemplo disso. Existem casos de dar a vida por outra pessoa. Mas não sãosuicídios. E, se de alguma forma forem, então se trata de uma ação equivocada.
 
O suicídio consiste em acabar com a própria vida – com o objetivo de morrer. Então, não é propriamente um suicídio, por exemplo, o fato de uma pessoa, em uma tentativa desesperada de salvar a vida, jogar-se da janela de um apartamento ao ter o corpo em chamas e não encontrar outra saída, ainda que morra na tentativa.
 
Tampouco é considerado suicídio o fato de uma pessoa deixar que a matem para salvar a vida de outra. De fato, há alguns anos, São João Paulo II canonizou Maximiliano Kolbe, quem, sendo prisioneiro em Auschwitz, ofereceu-se para substituir outro preso que seria executado em represália por uma fuga.
 
O ato de São Maximiliano lhe custou a vida (deixaram-no morrer de fome). Ele não é considerado um “mártir da fé”, como costuma acontecer, pois não morreu por defender a sua fé, mas sim um “mártir da caridade”. De fato, ele encarnou a afirmação de Jesus, quando disse que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (João 15, 13). Mas isso não foi suicídio, pois não foi ele quem tirou a própriavida.
 
Não é difícil perceber que estas palavras do Senhor foram ditas em referência a Ele mesmo, em primeiro lugar. Então, nesta questão, o maior exemplo que temos é o próprio Jesus Cristo, que deu sua vida por nós. E a deu querendo entregá-la mesmo.
 
Suas palavras não deixam dúvidas: “O Pai me ama, porque dou a minhavida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir” (João 10, 17-18). Mas entregar sua vida consistiu em deixar que outros a tirassem, não em tirá-la Ele mesmo. Por isso, não foi um suicídio.
 
O suicídio propriamente dito não tem justificativa moral. É possível, e ocorre com frequência, que o suicida padeça de um sério transtorno mental, o que não o tornaria responsável pelos seus atos, mas isso não transforma em bom algo que em si sempre é ruim.
 
Às vezes, acontecem casos de pessoas que tiram a própria vida pensando nos outros. Por exemplo, o caso de um homem que, diante do diagnóstico de uma doença incurável que traria muitos gastos para a sua família, decide se matar.
 
Também se discute o caso do agente secreto a quem se pede que se suicide antes de ser capturado, para não revelar as informações que tem. Mas nenhum destes casos, ou outros semelhantes, têm justificativa moral.
 
O Catecismo da Igreja Católica é bastante claro ao afirmar isso, e explica o motivo: “O suicídio contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os laços de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em relação às quais temos obrigações a cumprir. Osuicídio é contrário ao amor do Deus vivo” (n. 2281).

Suicide enfant

Quase uma a cada cinco meninas adolescentes da França (20,9%) e 8,8% dos meninos de 15 anos confessaram que já tentaram se suicidar, conforme a conclusão de uma pesquisa publicada no jornal “Le Monde”.

O estudo foi publicado também pela revista de formação médica “Le Concours Médical”, edição de janeiro.

A pesquisa foi realizada em junho de 2012 com 1.817 jovens de 171 escolas das regiões de Poitou-Charentes (centro-oeste) e Alsácia (centro-leste).

A publicação do resultado da pesquisa coincidiu com o Dia Nacional para a Prevenção do Suicídio.

Segundo “Le Monde”, em 1993 só 9% das meninas e 4% dos meninos reconheciam que tentaram o suicídio. Em 1999, os tétricos números saltaram para 14,6 e 8,8%, respectivamente.

Agora se chegou a 20,9% e 8,8%. “O aumento das tentativas entre as jovens é muito impressionante”, declarou o clínico geral Philippe Binder, responsável por uma ala para adolescentes no hospital de Rochefort.

Para Xavier Pommereau, coordenador da edição de janeiro da “Le Concours Médical”, esses números confirmam a experiência hospitalar sobre o alto índice de admissão de adolescentes por tentativa de suicídio, e a diminuição da idade média que, em seus 20 anos de experiência, passou dos 17 aos atuais 15 anos.

O desfazimento da família, a frustração sentimental ligada a relações sexuais precozes, a imensa ausência da religião na vida, na escola e — também — nas igrejas, pesa decisivamente nessas desesperadas tentativas de se tirar a vida.

 Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2014/02/05/uma-a-cada-cinco-adolescentes-francesas-ja-tentou-se-matar-diz-estudo.htm

SUICIDIO PAIVA NETTO(1)

O suicídio é o assassinato de si mesmo, um ato cuja relação com a solidão é geralmente muito estreita, a ponto de lançar dúvidas sobre a verdadeira liberdade de escolha de quem o comete. O suicídio assistido é o ato de provocar a própria morte através de um terceiro, com a aprovação do sujeito.

Realismo

É o ato de dar fim voluntariamente à própria vida. Em caso de não ser possível fazê-lo ativamente e por isso apelar-se para a ação de outro, temos o suicídio assistido. O suicídio pode ser cometido ativamente, mediante fármacos ou armas ou com intervenções lesivas de vários tipos, ou passivamente, removendo-se os instrumentos necessários para a salvação da vida.

O suicídio foi condenado pela cultura ao longo dos séculos. Hoje, uma corrente pós-moderna o considera um ato de livre escolha e, por isso, digno de respeito. Com frequência, quem recorre ao suicídio está em situação de abandono ou depressão; mais raramente, em situação de sofrimento físico ou de doença terminal. O suicídio, especialmente quando muito alardeado pela mídia, acaba se tornando “contagioso” e sugestionando outros a cometê-lo.

A razão

Quem e por que recorre ao suicídio? Um estudo canadense mostra que, entre os enfermos que solicitam a morte, é alto o índice de pessoas deprimidas. Mas a depressão é tratável: assim sendo, a lei sobre a eutanásia não acabaria deixando de proteger os pacientes cujas escolhas são influenciadas pela própria depressão? Dos idosos deprimidos, de acordo com estudos, apenas 10% são encaminhados a especialistas, contra 50% dos jovens deprimidos. Não deve surpreender, portanto, que alguns deles peçam para morrer.

Como pretender a liberdade de suicidar-se no hospital ao mesmo tempo em que se lamenta o suicídio de quem se atira de uma ponte? É um paradoxo que compromete qualquer suposta liberalização: quem aprova o primeiro suicídio e desaprova o segundo nunca explicou quem está autorizado a decidir quais são as pessoas dignas do suicídio e quais não são.

Se o suicídio é liberdade, por que preocupar-se com a sua propagação?

Com que base admitir ou excluir uma pessoa do suicídio autorizado por lei? Tanto faria, afinal, aprovar todos os suicídios, mesmo o do adolescente que perde a namorada ou o da garota que vai mal na universidade.

Quem é o juiz laico do coração dos outros? A tragédia é que, em nome da solidão elevada a suprema corte e poeticamente chamada de “autonomia”, ninguém mais estará autorizado a salvar o suicida, pois qualquer interferência seria ilegal: a decisão do suicida, afinal, é seu direito.

No panorama atual, podemos esperar que aquele que salva um suicida, em vez de receber um prêmio, seja denunciado.

O sentimento

O suicídio é um grito de socorro que exige uma resposta. É urgente melhorar o atendimento para todos, especialmente para as pessoas com deficiências mentais, para as pessoas abandonadas e para as vítimas da angústia. E é urgente parar de dizer que tudo o que decidimos em nossa solidão é uma decisão correta. É muito fácil para o Estado liberar o suicídio, livrando-se da sua responsabilidade e da sua obrigação à solidariedade.

Por Carlo Bellieni

ACI

A atriz britânico-índia Jiah Khan, que participou de importantes filmes de Bollywood, o Hollywood da Índia, cometeu suicídio enforcando-se no dia 2 de junho em Mumbai (Índia), depois de não poder superar a depressão pelo aborto de seu bebê e supostos abusos do seu companheiro.

Em uma carta em que explicava as razões do seu suicídio, dirigida ao seu namorado, Suraj Pancholi, a jovem de 25 anos escreveu “abortei o nosso bebê”, o que “me magoou profundamente”.

“Tinha medo de ficar grávida, mas me entreguei completamente a ti”, escreveu em sua carta a atriz, assegurando ao seu namorado que “a dor que me causaste todos os dias destruiu cada pedacinho de mim, destruiu a minha alma”.

“Não posso comer nem dormir ou pensar ou funcionar”, disse, explicando seu suicídio ao escrever que “estou escapando de tudo. Depois de toda dor, do estupro, do abuso, da tortura que vi anteriormente, não merecia isto”.

A carta foi encontrada pela irmã caçula da atriz em uma bolsa, e foi difundida pela mãe de Jiah com a intenção de desmentir as especulações da imprensa local, que assegurava que o suicídio estava relacionado com a carreira de Jiah.

As autoridades policiais confirmaram que, tal como escreveu em sua carta, Jiah se submeteu a um aborto a inícios de 2013, o qual, de acordo à declaração do médico que a atendeu, realizou-se com pílulas.

A síndrome pós-aborto é um tipo de transtorno por estresse pós-traumático reconhecido pela ciência, e que implica sintomas como pesadelos, insônia, alcoolismo, agressividade ou depressão, psicose e suicídio.

A maior organização abortista transnacional do mundo, a International Planned Parenthood Federation reconheceu em seu Plano Trienal de Programa de Objetivos a longo prazo 1990-1993 que “a incidência do trauma pós-aborto para clientes de abortos cirúrgicos pode chegar a alcançar até 91% dos casos”.

Um estudo realizado em 1996 na Finlândia, publicado no British Medical Journal, revelou que a taxa de suicídios era seis vezes mais alta entre as mulheres que abortaram que entre aquelas que deram a luz.

ACI

Segundo informaram fontes da investigação da morte de dois idosos na localidade de Casanueva, em Granada(Espanha) à agência Europa Press, os primeiros indícios do inquérito policial indicam que o fato de que um ancião de 75 anos supostamente assassinou com uma escopeta de caça sua mulher, de 74, apontam que este não se tratou de um crime de violência de gênero, mas, ao parecer, o casal estava de acordo em acabar com suas vidas, em uma espécie de “suicídio assistido”, para não ser um “fardo para seus filhos”, como deixaram por escrito.

Também a prefeita deste distrito de Pinos Puente, Remedios Jiménez, confirmou a Europa Press que não existiam episódios prévios de maltrato nem denúncias, nem constava entre a família ou aos vizinhos que o casal discutisse frequentemente.

Segundo uma das filhas, que nesta sexta-feira, 30, falou com a prefeita, há tempos “eles tinham metido na cabeça que eram uma carga” para a família porque ambos estavam doentes. De fato a mãe estava prostrada na cama, onde foi encontrada por seus filhos.

O pai ia ser operado nesta sexta-feira da vesícula, e um de seus filhos se dirigiu à primeira hora ao seu domicílio, na rua Alhomas número 6, para ver se estavam prontos para sair. Nesse instante, quando era 7:00 a.m., o homem encontrou o seu pai morto, e, no princípio, acreditava que sua mãe estava viva, até que encontraram o cadáver.

O casal tinha quatro filhos, duas mulheres e dois homens de entre os 40 e os 50 anos, todos residentes em Casanueva ou na cidade vizinha de Zujaira. Uma das filhas era a que mais cuidava dos pais.

Às 13.00 horas desta sexta-feira convocou-se uma concentração na praça da Igreja de Zujaira e se guarda um minuto de silêncio por parte de representantes municipais e vizinhos de Casanueva-Zujaira “em solidariedade com a família” dos dois idosos falecidos no distrito de Pinos Puente.

A prefeita de Casanueva quer ademais de falar com os idosos do povo para transmitir-lhes que eles “nunca são uma carga”, que os filhos adquirem com eles um “compromisso” no momento do nascimento, que inclui os cuidados quando os pais necessitam.

“Os filhos cuidam dos nossos pais com muito carinho e amor, nunca são uma carga”, manifestou.

A Prefeitura de Pinos Puente decretou um dia de luto oficial e as bandeiras ondeiam a meia haste. Além disso ficou suspensa toda a jornada a agenda municipal-institucional.

Folha de S. Paulo

Um milhão de pessoas se suicidam por ano no mundo, um número maior que o de vítimas de guerras e homicídios, segundo relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde).

O documento do órgão da ONU foi elaborado para a décima edição do Dia Mundial de Prevenção de Suicídio, que aconteceu ontem.

As taxas de suicídio mais elevadas são a dos países do leste da Europa,(ex comunistas)  como Lituânia ou Rússia, enquanto as mais baixas se situam na América Central e do Sul, em países como Peru, México, Brasil e Colômbia.

EUA, Europa e Ásia estão na metade da escala. Não há estatísticas sobre o tema em muitos países africanos e do Sudeste Asiático.

Segundo o relatório, uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos. O número de tentativas de suicídio também é alto, com 20 milhões de tentativas por ano.

A organização diz ainda que o problema está se agravando e que o suicídio se transformou em um problema de saúde importante para a entidade.

Segundo o médico Shekhar Saxena, que apresentou o relatório à imprensa em Genebra, “o suicídio é uma das grandes causas de morte no mundo e, durante os últimos anos, sua taxa aumentou em 60% em alguns países”.

FACEBOOK

Uma nova estratégia nacional para prevenir suicídios nos EUA, especialmente entre os veteranos de guerra e jovens, recorre ao Facebook, a aplicativos de celular e a outras tecnologias.

O plano tem um novo serviço do Facebook, que permite que os usuários relatem comentários suicidas de seus amigos. O site então manda à vítima em potencial um e-mail pedindo que ela ligue para uma linha direta de apoio e ajuda e converse via chat com um conselheiro.

Folha

A procura por atendimento no CVV (Centro de Valorização da Vida) aumenta 20% durante as festas de fim de ano, de acordo com estimativas da entidade. O objetivo da instituição é atender gratuitamente pessoas que precisam de apoio emocional imediato.

Nesta época, a maior queixa das pessoas é a solidão de não ter com quem passar o Natal e o Ano-Novo, segundo a voluntária do CVV Adriana Rizzo, 41. Para ela, muitos sofrem ao ver que o mundo inteiro está em festa enquanto eles não conseguem aproveitar. “Quero que esta época passe logo para eu voltar à rotina” é um comentário feito por vários dos que ligam anonimamente à entidade em busca de ajuda.

A maior procura acontece durante a noite e aos finais de semana e o atendimento não é interrompido na véspera de Natal ou no Réveillon. Em muitos momentos, as linhas ficam congestionadas. A Folha tentou entrar em contato entre as 10h e 11h da manhã de quinta-feira (22) e por quatro vezes recebeu a informação de que todas as linhas estavam ocupadas. O mesmo fato se repetiu três vezes na noite de sábado (24).

Adriana, que é voluntária do CVV há 13 anos, conta que já foi escalada para passar uma noite de Natal atendendo ligações. Ela diz que foi gratificante passar o momento comemorativo trabalhando: “Foi interessante. Muitas pessoas ligavam para desabafar e outras que foram ajudadas por nós queriam agradecer e desejar feliz Ano-Novo”.

Para ela, não existe um conselho único para ser dado às pessoas que se sentem mal nesta época. O que ela costuma fazer é ficar aberta para ouvir tudo o que a pessoa quer e precisa falar. “O momento é dela”, diz.

As conversas não tem tempo predeterminado. A duração pode variar entre cinco minutos e uma hora, de acordo com a necessidade.

Anualmente o CVV recebe aproximadamente 1,2 milhões de ligações telefônicas, o principal canal de atendimento. Dentre elas, pouco mais da metade são pedidos de ajuda (excluindo enganos e procura por informações).

Como o anonimato é preservado, não é possivel identificar qual a faixa etária ou sexo predominante entre os que procuram o serviço.

SUICÍDIO

Desde 1962, quando a entidade foi criada, o foco do atendimento mudou. Inicialmente, o objetivo era a intervenção com pessoas que estavam prestes a se matar. Atualmente, a filosofia do grupo é dar oportunidade para que as pessoas precisando de ajuda possam desabafar e falar de seus sofrimentos antes de pensarem em suicídio.

Adriana já atendeu pessoas que falavam em suicídio. Segundo ela, após alguns minutos de conversa a pessoa costuma se acalmar. Nesse momento, cabe ao voluntário tentar entender qual o motivo do sofrimento. Mesmo assim, em muitos casos é impossível saber qual foi a decisão da pessoa e o que aconteceu depois.

Alessandro (nome fictício), 55, nunca conversou com alguém que dizia explicitamente estar disposto a se matar, apesar de algumas pessoas atendidas contarem que já tinham pensado nisso. Voluntário há um ano, ele conta que é comum que as pessoas digam que se sentem melhor ao final da ligação, após conseguir verbalizar seus problemas.

SERVIÇO

Os atendimentos do CVV são feitos 24 horas, a partir da central telefônica 141, por e-mail, Voip, por correspondência ou pessoalmente em uma das 71 unidades espalhadas pelo Brasil. O site também oferece um serviço de chat em que se pode conversar com um voluntário reservadamente.

Os atendentes são voluntários que passam por uma seleção e por um treinamento de três meses.

Fonte: O contorno da sombra

Está disponível no youtube, com legendas em português, o documentário “Jonestown: Vida e Morte no Templo do Povo”, dividido em 9 partes, num total de 86 minutos. Foi produzido em 2006 sob a direção de Stanley Nelson, e relata a tragédia ocorrida em 18 de novembro de 1978, quando o líder da igreja conhecida como Templo do Povo, Jim Jones, levou ao suicídio coletivo algo em torno de 1.000 pessoas (nunca foi possível precisar o número exato das vítimas).

Das 9 partes em que foi dividido o documentário, os dois últimos são os mais difíceis de assistir, pois mostra o áudio do momento final do suicídio, em que só de crianças mortas foram quase 300. É o retrato do pior a que a humanidade pode chegar, a profundeza do horror sem fim. Realmente, é muito difícil ter estômago para acompanhar essas duas partes finais. É a banalização do mal em essência, algo que – guardadas as devidas proporções e circunstâncias – relembra o holocausto perpetrado pelos nazistas. Em comum, talvez, ambos os acontecimentos tenham o elemento religioso como agente causador do fanatismo e da chacina.

Os 7 primeiros capitulos, entretanto, servem para ter uma ideia do perigo que representa deixar-se controlar por alguém que diz deter uma revelação divina especial e particular, que lhe permitiria manipular as mentes e os corações de uma legião de seguidores. Assim como no nazismo, os sinais prenunciavam a tragédia muito antes da fuga para a Guiana inglesa. Bastava o assédio sexual chulo e explícito de Jim Jones aos homens e mulheres que o seguiam para saber que aquilo não vinha de Deus, mas mesmo assim muitos o seguiram até o fim.

Fica claro no documentário que não houve exatamente “suicídio” de muitos dos seguidores, já que, além da tortura psicológica, a outra opção era enfrentar os tiros dos seguranças armados. Como Jim Jones já havia “ensaiado” um suicídio coletivo anteriormente – sem veneno – para testar a lealdade dos seguidores, é possível que alguém tenha pensado que era mais uma de suas loucuras. De qualquer maneira, a frase de George Santayana que estava escrita numa placa acima do “trono” de Jim Jones em Jonestown segue sendo – paradoxal e tetricamente – um conselho válido: “aqueles que não relembram o passado, estão condenados a repeti-lo”.

O  video citado foi retirado do You Tube. Veja esse outro:

http://video.google.com/videoplay?docid=3501494540295584445

No final do mês passado, uma história causou comoção na Índia.

A menina Mumpy Sarkar, de 12 anos, fazia parte de uma família muito pobre de Jhorpara, na região de Bengala. Mridul, seu pai, precisava de um transplante de córneas pois estava ficando cego. Ao mesmo tempo, a família sofria com a doença de Monojit, irmão de Mumpy, que precisava de um transplante de rins para não morrer. Como a família não tinha condições de pagar pelas cirurgias e achar doadores compatíveis é sempre um desafio, o desespero tomou conta de todos.

Mumpy acreditou que tinha a solução para todos os problemas. Ela iria se matar e seus órgãos seriam doados para seus entes queridos. Porém, o bilhete suicida em que explicou seus motivos e o desejo de ajudar o pai e o irmão só foi encontrado após ela ser cremada, como é costume na Índia. Somente então Monica, irmã mais velha de Mumpy, contou que sabia do plano da caçula que tentou inclusive convencê-la a fazer o mesmo, caso algo desse errado. Mas Monica não aceitou.

Mumpy bebeu uma grande quantidade de pesticida sozinha e morreu mesmo depois de ter sido levada a um hospital da região. ”Demoramos muito para entender os sentimentos de uma criança muito sensível”, lamenta Mridul. Sua esposa, Rita, teve de ser internada após entrar em estado de choque com a notícia.

Ao saber do ocorrido, políticos locais se comprometeram a ajudar a família oferecendo auxílio médico.

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2012186/Girl-ends-life-eyes-dad-kidney-brother-cremated-wish-known.html

Catholic News Service

Assumindo a questão do suicídio medicamente assistido no Estado norte-americano onde os eleitores o aprovaram mais recentemente, os bispos dos EUA declararam o suicídio “uma tragédia terrível, que uma sociedade compassiva deveria trabalhar para evitar”.

Aprovada por 191 a 1, no dia 16 de junho, na assembleia semestral geral dos bispos em Bellevue, cidade perto de Seattle, a declaração chamada To Live Each Day With Dignity [Viver cada dia com dignidade] é o primeiro documento sobre o suicídio assistido por partes dos bispos como um só corpo.

Ao apresentar a declaração no dia 15 de junho, o cardeal Daniel N. DiNardo, deGalveston-Houston, presidente da Comissão para Atividades Pró-Vida daConferência dos Bispos dos EUA – USCCB, disse esperar que ela combata o recente “forte ressurgimento” em atividade do movimento pelo suicídio assistido.

“Com o financiamento ampliado de ricos doadores, os defensores do suicídio assistido renovaram sua agressiva campanha em todo o país através da legislação, de processos judiciais e de propaganda pública, tendo como alvo os Estados que eles veem como mais suscetíveis à sua mensagem”, diz o documento. “Se tiverem sucesso, a sociedade vai sofrer uma mudança radical”.

O documento critica especialmente a antiga Sociedade Hemlock, “cujo próprio nome lembrava as pessoas da dura realidade da morte por envenenamento”, por ter mudado seu nome para Compassion & Choices [Compaixão e escolhas].

“É necessário falar claramente para remover esse verniz e revelar o que está em jogo, pois essa agenda não promove nem a livre escolha nem a compaixão”, diz a declaração.

O suicídio medicamente assistido foi aprovado pelos eleitores do Estado de Washingtonem novembro de 2008. Ele também é legal no Oregon, onde os eleitores o aprovaram em 1994, e em Montana, onde um tribunal estadual decidiu que ele não é contrário à política pública.

Enquanto o cardeal DiNardo estava fazendo sua apresentação preliminar do documento, representantes da Compassion & Choices realizaram uma coletiva de imprensa no mesmo hotel onde os bispos estavam reunidos.

Barbara Coombs Lee, presidente da organização, disse que o documento dos bispos representava uma tentativa de impor as crenças católicas sobre toda a população dos EUA.

“Embora respeitemos a instrução religiosa para as pessoas de fé católica, achamos inaceitável impor os ensinamentos de uma religião a todas as pessoas em uma sociedade pluralista”, disse. “Acreditamos que os cuidados do fim da vida deveriam seguir os valores e crenças do paciente, e as boas práticas médicas, mas não serem restringidos contra a vontade do paciente pela a doutrina da Igreja Católica”.

Ao responder a essa acusação durante uma coletiva realizada posteriormente, o cardeal DiNardo disse que os bispos estavam fazendo uma contribuição para um “debate público fundamental”, baseado em “nossa tradição moral e nosso senso de solidariedade para com as pessoas”.

“O caminho compassivo é o de dar assistência às pessoas”, não de incentivar a sua morte, disse. Faz parte da tradição norte-americana que, “quando alguém está em necessidade, vamos ao seu socorro”, como quando os norte-americanos responderam recentemente com uma grande ajuda aos afetados pelo tornado de Joplin, Missouri, acrescentou.

“A compaixão não é dizer ‘aqui está uma pílula'”, acrescentou o cardeal. “É mostrar às pessoas as formas pelas quais podemos ajudá-las, até o momento em que o Senhor as chama”.

No documento, os bispos dizem que o movimento pelo suicídio assistido “corre o risco, na verdade, de aumentar o sofrimento das pessoas gravemente enfermas”.

“Seu pior sofrimento, muitas vezes, não é a dor física, que pode ser aliviada com cuidados médicos competentes, mas sim os sentimentos de isolamento e de desesperança”, diz a declaração. “A percepção de que os outros – ou a sociedade como um todo – veem sua morte como uma solução aceitável ou até mesmo desejável aos seus problemas só pode ampliar esse tipo de sofrimento”.

Além disso, diz o documento, “não se pode defender a liberdade e a dignidade humanas desvalorizando a vida humana”.

“A escolha de tirar a vida de alguém é uma contradição suprema da liberdade, uma escolha para eliminar todas as escolhas”, diz o texto. “E uma sociedade que desvaloriza as vidas de algumas pessoas, acelerando e facilitando as suas mortes, acabará finalmente por perder o respeito por seus outros direitos e liberdades”.

O documento também critica a ideia de envolver médicos na ajuda a seus pacientes a cometerem suicídio, chamando isso de “uma corrupção das artes da cura”.

“Os católicos deveriam ser líderes no esforço de defender e de preservar o princípio de que cada um de nós tem o direito de viver com dignidade todos os dias das nossas vidas”, diz o documento. “A afirmação de que a ‘solução rápida’ de uma overdose de drogas pode substituir esses esforços é uma afronta aos pacientes, aos cuidadores e aos ideais da medicina”.

A declaração está disponível em um site especial da USCCB (www.usccb.org/toliveeachday), com uma grande variedade de informações sobre questões como o papel da depressão, as opiniões de peritos médicos, o suicídio assistido como uma ameaça ao bom cuidado paliativo, as lições dos Estados do Oregon e deWashington, as lições da Holanda e outros tópicos.

O documento recebeu elogios imediatos de representantes dos grupos de deficientes e de bioética católicos.

“O suicídio medicamente assistido é uma clara ameaça às vidas das pessoas com deficiência, assim como daquelas que possuem doenças terminais”, disse Janice L. Benton, diretora-executiva da National Catholic Partnership on Disabilities. “Aplaudimos os bispos católicos dos EUA pela sua declaração que defende a dignidade de toda a vida humana e oferece uma verdadeira compreensão da compaixão e da escolha”.

O National Catholic Bioethics Center emitiu um comunicado chamando o documento dos bispos de “verdadeiramente compassivo” e elogiando-o por enfrentar “o mito de que vidas perdem valor quando confrontadas com significativos desafios à saúde”.

O centro “dá as boas-vindas a esse documento profético e oportuno, que expõe as inverdades perpetradas contra os mais vulneráveis entre os que sofrem, aqueles que acreditam que sua vida não vale a pena ser vivida”, acrescentou o comunicado.

Os bispos dos Estados Unidos debaterão e votarão um documento sobre o suicídio assistido medicamente, em sua assembleia geral de primavera, que será realizada de 15 a 17 de junho, em Seattle.

O documento – “Viver cada dia com dignidade” – será a primeira declaração sobre o suicídio assistido da Conferência Episcopal dos EUA (USCCB) em bloco.

“Depois de anos de relativa inatividade após a legalização do suicídio assistido medicamente em Oregon, em 1994, o movimento pró-suicídio assistido retomou suas atividades com força”, disse o cardeal Daniel DiNardo, de Galveston-Houston, presidente do comitê da USCCB de Pro-Life Activities.

“Este esforço provocou a aprovação de uma lei parecida à de Oregon em Washington, por referendo popular, em novembro de 2008; uma decisão da corte suprema estatal essencialmente declara que o suicídio assistido não está contra da política pública em Montana, e os esforços realizados para aprovar a legislação em vários estados de Nova Inglaterra e do Oeste”, continuou o cardeal DiNardo, em uma declaração à imprensa, divulgada pela Conferência Episcopal.

A Igreja precisa responder a tempo e de forma visível a este desafio renovado, que certamente se levará a cabo em vários estados nos próximos anos”, acrescentou.

Esta resposta virá com o documento final, que será divulgado depois da reunião dos bispos no final deste mês.

Amor e misericórdia

O texto destacará que “o caminho do amor e da verdadeira misericórdia” que João Paulo II indicou na Evangelium Vitae é o modelo para aqueles que realizam cuidados paliativos. Os cuidados verdadeiramente paliativos consistem em eliminar o sofrimento, não quem sofre, explicaram os bispos em uma declaração que resume os principais pontos do documento.

Os temas que os bispos discutirão incluirão os sofrimentos e medos dos pacientes com doenças crônicas e terminais, preocupação por aqueles tentados a suicidar-se, a oposição da Igreja ao suicídio assistido e “a coerência desta postura com o princípio de igualdade e inerente aos direitos humanos e aos princípios éticos da profissão médica”.

Os bispos também tratarão dos argumentos do movimento pró-suicídio assistido, que afirmam a “escolha” do paciente e que expressam “compaixão” pelo sofrimento.

A declaração dos bispos diz que o suicídio assistido medicamente não promove a compaixão porque não se centra em eliminar o sofrimento, mas em eliminar o paciente. A verdadeira compaixão, afirmam, se dedica a enfrentar as necessidades dos pacientes e pressupõe um compromisso com seu valor.

A declaração afirma que a “compaixão” que não se baseia no respeito inevitavelmente encontra cada vez mais e mais gente cujo sofrimento se considera suficiente para ser objeto da morte assistida, como os que sofrem de doenças crônicas e deficiências.

Dignidade humana

Pacientes com doenças terminais merecem receber cuidados paliativos que afirmem a vida, que respeitem sua dignidade e valor. “O suicídio assistido não é um acréscimo aos cuidados paliativos – diz o comunicado -, mas um pobre substituto que, no final, pode ser uma desculpa para negar atenções médicas a pessoas seriamente enfermas, incluindo aquelas que nunca teriam cogitado o suicídio.

Citando exemplos dos Países Baixos, a declaração afirma que o suicídio assistido voluntário conduziu, em alguns casos, à eutanásia involuntária.

O documento também explica que a prática sufoca a liberdade dos pacientes, pressionando-os, uma vez que a sociedade declarou oficialmente que o suicídio de certas pessoas é bom e aceitável, enquanto trabalham para prevenir o suicídio de outros. Uma vez que o valor da vida da pessoa diminui, sua liberdade e autonomia diminuem também.

Quarto para membros da Dignitas, organização de Zurique para suicídio acompanhado, em Zurique.
Quarto para membros da Dignitas, organização de Zurique para suicídio acompanhado, em Zurique.

Maioria dos eleitores no cantão de Zurique, Suíça, refuta nas urnas propostas de lei que restringiriam a prática do suicídio acompanhado.

Segundo a imprensa helvética, o resultado mostra que a maioria do povo aprova a política “liberal” em relação à eutanásia.

A iniciativa popular “Não ao turismo da morte no cantão de Zurique”, votada juntamente com vários outros plebiscitos locais, foi refutada nas urnas por 218.602 eleitores, o que corresponde a 78,4% do eleitorado.

Nessa proposta, os autores pediam a proibição completa da prática do suicídio acompanhado para as pessoas que não vivem há pelo menos um ano no cantão de Zurique. Se aprovada, muitos estrangeiros e suíços residentes em outros cantões, e que costumam procurar os serviços de organizações como Exit ou Dignitas, estariam impedidos de vir ao cantão para tirar suas vidas através de coquetéis químicos especialmente preparados.

A rejeição da segunda iniciativa, intitulada “Pare com a ajuda ao suicídio” foi ainda maior nas urnas: 234.956 eleitores riscaram “não” na cédula, o que correspondeu a 84,4% do eleitorado. Ela exigia a intervenção do cantão no Parlamento federal em prol de uma proibição total do suicídio acompanhado em todo o país.

As duas iniciativas foram autoria dos partidos EDU (em português, União Democrática Federal) e EVP (Partido Evangélico Popular).

Repercussão na imprensa

O resultado dos plebiscitos em Zurique teve repercussão na imprensa nacional e internacional. No diário germanófono NZZ, o articulista avalia que o eleitorado “deu um sinal claro para a manutenção da prática liberal de lidar com o suicídio assistido” e considera que “os meios das igrejas livres, fracassaram claramente na sua proposta”.

O NZZ lembra que, há 34 anos, os eleitores do cantão de Zurique já haviam aprovado uma iniciativa que permitia a ajuda ativa ao suicídio para pessoas gravemente enfermas.

Para o articulista, não estava claro que o cantão enviaria esse sinal ao governo federal. “Pois a ajuda organizada ao suicídio se transformou nos últimos anos em um constante tema polêmico. A razão está na organização Dignitas, que fornece ajuda ao suicídio para pessoas, cujos países proíbem esse tipo de prática”.

A análise do conceituado jornal zuriquense é que “o veredito popular espelha o reconhecimento amplo do direito de autodeterminação do indivíduo.

A BBC Brasil também publicou uma nota sobre os resultados do voto cantonal, ressaltando também que o debate não termina no plebiscito de 15/05. “As pesquisas indicam que os eleitores querem uma legislação nacional mais clara, estabelecendo os casos nos quais a prática é permitida – apenas para os doentes terminais ou também para aqueles com outras doenças crônicas ou até mesmo mentais. Também há um grande desejo de que o governo estabeleça regras sobre as organizações que oferecem o suicídio assistido”, escreve. O portal afirma que o governo suíço deve propor uma nova lei sobre o tema nos próximos meses.

Reações

Bernhard Sutter, vice-presidente da organização Exit, declarou à agência suíça de notícias SDA estar satisfeito com os resultados. “Isso mostra que os fundamentalistas religiosos não teriam sucesso. Foi bom ver que os cidadãos de Zurique fundamentalmente apoiam a ajuda ao suicídio.”

Já no diário Tagesanzeiger, um dos autores da proposta não escondeu sua insatisfação. “Estamos decepcionados com o fato dos zuriquenses não terem apoiado os valores da Bíblia e a palavra de Deus”, declarou Hans Peter Häring, do partido EDU. Porém ele considerou correta a tentativa. “Foi válido ter tematizado a problemática da ajuda ao suicídio”.

Alexander Thoele, swissinfo