tvuffhewx7uozrjp8hc_kmaxq44el3zantwz-bwto8kdhz8womjrameovl6q3ykg6foffgqb5dqnmy4at-hsm4utzmj8sw

O trabalho dignifica o ser humano e é o meio para proporcionar o bem-estar material à família. Mas nem sempre é fácil, para o homem e para a mulher, chegar a esse equilíbrio trabalho-família, levando em consideração as exigências do mundo empresarial do mundo de hoje.

As seguintes recomendações pretendem servir de reflexão sobre o negócio mais importante da vida: a família.

Ser eficientes durante o horário comercial: durante a jornada de trabalho, é preciso dedicar a ela toda a concentração e empenho possíveis, de maneira que sejam as horas mais produtivas possíveis e, assim, poder terminar tudo e tempo de ir para casa com calma.

Estabelecer limites e prioridades: a família é o cliente mais importante; portanto, deve ocupar seu lugar na agenda com caráter prioritário e sem opção de ser trocada por assuntos do trabalho.

Para garantir que este compromisso seja inamovível, sugere-se estabelecer encontros com data e hora, como se fosse um compromisso profissional. Isso envolve, além disso, aprender a defender este espaço; muitas vezes, será preciso saber dizer “não” a eventos ou convites que não são determinantes para a vida profissional e, ao contrário, são de grande proveito no lar.

Não levar trabalho para casa:  somente em circunstâncias extremas, que o exijam. É preciso aprender a concluir as tarefas laborais para poder curtir a família, sobretudo nesta era das comunicações, na qual é preciso saber “desconectar-se”: desligar o celular, não ficar revisando e-mails, afastar-se um pouco do computador, para não acabar deteriorando o espaço familiar.

Compartilhar os triunfos e as fracassos: não é justo chegar ao lar mal-humorado devido às dificuldades do trabalho. O cônjuge é um apoio e a pessoa mais indicada para escutar e talvez dar um conselho quando estas situações se apresentam, mas sempre com respeito, confiança e amor.

Contar ao cônjuge sobre as preocupações do trabalho: grandes ou pequenos, elas podem tirar o sono; contar ao cônjuge sobre tais dificuldades permitirá que a compreensão e a empatia fluam no casal, evitando, assim, muitos conflitos. É preciso levar em consideração que, diante de um comportamento agressivo ou retraído sem explicações, a imaginação não demora em começar a voar…

Estar em casa de corpo e alma: alguns pais caem no erro de chegar em casa para assistir televisão ou ficar navegando na internet. Quando se está em casa, é preciso dedicar tempo de qualidade, tanto ao cônjuge como aos filhos. O jantar, por exemplo, é um momento especial para que todos estejam juntos à mesa e comentem as experiências que cada um viveu no dia.

Se não é possível ter uma refeição diária juntos, é preciso buscar outro espaço que permita o diálogo e o lazer em família. O importante é evitar que todos cheguem em casa e fiquem trancados nos respectivos quartos. Cuidado: é preciso lutar por ser uma família “unida”, e não uma família apenas “junta”.

Tempo a sós com o cônjuge: este não é apenas um conselho, mas o resultado de diversas pesquisas que demonstram que um encontro semanal com o esposo(a), sem filhos nem distrações, une o casal e o fortalece – e isso acaba sendo benéfico para os filhos também.

LAFAMILIA.INFO

workaholic-848x423

“Eu trabalho para viver ou vivo para trabalhar?”: está é uma pergunta que a maioria das pessoas se faz em algum momento da vida. É que, em algumas ocasiões, o trabalho pode se tornar tão absorvente, que leva a descuidar de outras áreas do desenvolvimento (pessoal, familiar, social, física, espiritual).

O trabalho é fonte de conhecimento, aprendizagem e autorrealização; é um canal de serviço e uma forma de conseguir o sustento pessoal e familiar. É uma das principais atividades da vida humana, se considerarmos a quantidade de tempo e esforço dedicados ao trabalho.

Porém, por diversos fatores, o trabalho pode se tornar uma adição, uma dependência. Em que consiste isso?

O que é e o que não é a adição ao trabalho

Uma coisa é esforçar-se por fazer bem o trabalho, ser eficiente e enfrentar com responsabilidade as próprias funções; outra coisa é criar uma relação de dependência com o trabalho, até torná-lo um obstáculo para a vida familiar e social, prejudicando o âmbito físico, mental e emocional da pessoa.

O termo “worhaholic” vem do inglês, surge na década de 70 e consiste na junção das palavras “trabalho” (work) e “alcoolismo” (alcoholism). Introduz os traços característicos do comportamento alcoólico ao âmbito do trabalho.

A pessoa dependente do trabalho se caracteriza por uma excessiva dedicação laboral como se fosse seu único objetivo vital, bem como por um desinteresse por tudo o que não seja seu trabalho e por sua incapacidade de deixar de trabalhar.

Perfil do workaholic

Algumas das manifestações mais frequentes da pessoa dependente do trabalho são as seguintes (observe se você possui 3 ou mais delas):

– Pensar no trabalho quando não se está trabalhando.
– Não tirar férias.
– Ansiedade e insegurança diante das responsabilidades laborais.
– Compromisso excessivo e compulsivo com a atividade profissional.
– Para as mulheres: aumento de poder/autoritarismo dentro do casamento; renúncia a ter filhos para evitar ter de conciliar trabalho e maternidade; multiplicação do trabalho total realizado como consequência de não poder eliminar suas responsabilidades no lar e na educação dos filhos.
– Personalidades obsessivas que controlam seu ambiente e evitam situações de novidade, para diminuir sua insegurança pessoal.
– Impossibilidade de abandonar uma tarefa inconclusa no final do dia.
– Incapacidade de recusar novas tarefas no trabalho.
– Não dispor de um sistema estável de prioridades.
– Ser acusado por seus familiares de que mostra mais interesse pelo trabalho que por eles.
– Ser competitivo em qualquer atividade, inclusive quando pratica algum esporte em família.
– Impaciência.
– Sentimento de culpa quando não está trabalhando.
– Seus “hobbies” têm a ver com sua profissão.
– Esperar que todos trabalhem como ele.
– Dificuldade de envolver-se em atividades dos outros.
– Sentir certo prazer ao relatar o quanto e quão duramente se trabalha.

Em busca do equilíbrio

A adição ao trabalho poderia ser entendida como consequência da mudança social experimentada na forma de avaliar o trabalho, pois este é cada vez mais associado a elementos como poder, status, sucesso de felicidade, e isso leva a fazer da atividade laboral o centro da vida das pessoas.

É necessário, então, esclarecer dois tipos de balanço/equilíbrio: trabalho-família e trabalho-lazer. Se o resultado desses dois balanços for desarmônico, conclui-se que existe uma possível adição ao trabalho.

A regra de ouro nesta abordagem está focada em buscar o equilíbrio saudável e necessário, pois, sem dúvida, existe uma maneira de desenvolver-se nos diversos âmbitos da vida, sem ter de sacrificar nenhum deles.

Fonte: Aleteia

12-x-36
Por Albino Luciani
Último artigo publicado pelo cardeal Luciani no Il Gazzetino, de Veneza, a 25-VII-1978, antes de ser eleito o Papa João Paulo I; versa sobre São Josemaría Escrivá, Fundador do Opus Dei.

Em 1941, o espanhol Víctor Garcia Hoz, depois de confessar-se, ouviu o sacerdote dizer-lhe: “Deus o chama pelos caminhos da contemplação. Ficou desconcertado. Sempre tinha ouvido dizer que a contemplação era assunto de santos destinados à vida mística, e que somente a conseguiam uns poucos eleitos, gente que, além disso, se afastava do mundo. Ora, naquela época – escreve García Hoz –, eu já estava casado, tinha dois ou três filhos e a esperança – confirmada depois – de ter mais, e trabalhava para levar avante a minha família.

Quem era aquele confessor revolucionário, que saltava olimpicamente as barreiras tradicionais, propondo metas místicas até aos casados? Era Josemaria Escrivá de Balaguer, sacerdote espanhol, falecido em Roma em 1975, aos setenta e três anos de idade. É conhecido, sobretudo, por ser o Fundador do Opus Dei, associação (1) estendida por todo o mundo, da qual os jornais se ocupam com freqüência, mas com muitas imprecisões. O próprio Fundador disse o que são na realidade e o que fazem os sócios do Opus Dei.

Somos – declarava em 1967 – uma pequena percentagem de sacerdotes, que anteriormente exerciam uma profissão ou um oficio laical; um grande número de sacerdotes seculares de muitas dioceses do mundo e a grande multidão formada por homens e mulheres – de diversas nações, de diversas línguas, de diversas raças – que vivem do seu trabalho profissional, casados a maior parte deles, solteiros muitos outros, e que, ao lado dos seus concidadãos, tomam parte na grave tarefa de tornar mais humana e mais justa a sociedade temporal: na nobre lide dos afãs diários, com responsabilidade pessoal experimentando com os outros homens, lado a lado, êxitos e malogros, tratando de cumprir os seus deveres e de exercer os seus direitos sociais e cívicos. E tudo com naturalidade, como qualquer cristão consciente, sem mentalidade de gente seleta, fundidos na massa dos seus colegas, enquanto procuram descobrir os fulgores divinos que reverberam nas realidades mais vulgares” (2)

Com palavras mais simples, as realidades vulgares são o trabalho que nos cabe fazer diariamente; os brilhos divinos que reverberam são a vida santa que temos de levar. Escrivá de Balaguer, com o Evangelho, dizia constantemente: Cristo não quer de nós somente um pouco de bondade, mas muita bondade. Contudo, quer que o consigamos não por meio de ações extraordinárias, mas com ações comuns; o que não deve ser comum é o modo de realizar essas ações. No meio da rua, no escritório, na fábrica, fazemo-nos santos, desde que cumpramos o nosso dever com competência, por amor de Deus e alegremente, de forma que o trabalho diário não seja a tragédia diária, mas o sorriso diário.

Há mais de trezentos anos, São Francisco de Sales ensinara coisas semelhantes. Do púlpito, um pregador condenara publicamente ao fogo o livro em que o Santo explicava que, respeitadas certas condições, o baile podia ser lícito, um livro que continha até um capítulo inteiro dedicado à honestidade do leito conjugal. Sob certos aspectos, contudo, Escrivá supera São Francisco de Sales. Este também propunha a santidade para todos, mas parece que ensina somente uma espiritualidade dos leigos, ao passo que Escrivá oferece uma espiritualidade laical. Ou seja, Francisco sugere quase sempre aos leigos os mesmos meios utilizados pelos religiosos, com as oportunas adaptações. Escrivá é mais radical: fala até mesmo de materializar – no bom sentido – a santificação. Para ele, o que deve transformar-se em oração e santidade é o próprio trabalho material.

O lendário barão de Münchausen contava a fábula de uma lebre monstruosa, com dois grupos de patas: quatro debaixo da barriga e quatro sobre o lombo. Perseguida pelos cachorros, e sentindo-se quase alcançada, dava uma reviravolta e continuava a correr com as patas que estavam descansadas. Para o Fundador do Opus Dei, seria um monstro a vida dos cristãos que pretendessem ter dois grupos, dois tipos, de ações: um feito de orações, para Deus; outro, feito de trabalho, diversões e vida familiar, para si mesmos. Não – diz Escrivá –, a vida é única e tem de ser santificada no seu conjunto. Por isso fala de espiritualidade materializada.

Fala também de um justo e necessário anticlericalismo, no sentido de que os leigos não devem roubar métodos e funções aos padres e aos frades, nem vice-versa. Creio que herdou esse anticlericalismo de seus pais, e especialmente de seu pai, um cavalheiro sem mancha, trabalhador infatigável, cristão convicto, apaixonadíssimo por sua mulher e sempre sorridente. Recordo-o sempre sereno – escreveu o seu filho –; a ele devo a vocação: por isso sou «paternalista». Outra pincelada anticlerical vem-lhe provavelmente das pesquisas que fez para a sua tese de doutorado em Direito Canônico, no mosteiro das monjas cistercienses de Las Huelgas, perto de Burgos. Ali, a abadessa foi, ao mesmo tempo, senhora, superiora, prelado, governadora temporal do mosteiro, do hospital, dos conventos, das igrejas e das vilas dependentes, com jurisdição e poderes régios e quase episcopais. Outro monstro, por causa dos múltiplos oficios contrapostos e superpostos. Amassados assim, esses trabalhos não reuniam condições para ser trabalho de Deus, como pretendia Escrivá. Porque – dizia – como é que o trabalho pode ser de Deus se está mal feito, com pressa e sem competência? Como pode ser santo um pedreiro, um arquiteto, um médico, um professor, se não é, na medida das suas possibilidades, um bom pedreiro, um bom arquiteto, um bom médico ou um bom professor? Na mesma linha, Gilson tinha escrito em 1949: Dizem-nos que foi a fé que construiu as catedrais na Idade Média; estamos de acordo…, mas também a geometria. Para Escrivá, fé e geometria, fé e trabalho realizado com competência vão de braço dado; são as duas asas da santidade.

Francisco de Sales confiou a sua teoria aos livros. Escrivá fez o mesmo, utilizando retalhos de tempo. Quando lhe ocorria uma idéia ou uma frase expressiva, talvez enquanto conversava, puxava do bolso a agenda e escrevia rapidamente uma palavra, meia linha, que mais tarde usava para um livro. A par dos seus divulgadíssimos livros, dedicou uma atividade intensíssima a propagar a sua grande empresa de espiritualidade e organizou a associação do Opus Dei. Dê um prego a um aragonês – diz o refrão – e ele o cravará com a própria cabeça. Pois bem, eu sou aragonês – escreveu – e precisamos ser teimosos. Não perdia um só minuto. A princípio, na Espanha, durante e depois da guerra civil, depois de dar aulas aos universitários, passava a fazer a comida, a esfregar o chão, a arrumar as camas e a atender os doentes. Tenho na minha consciência – e o digo com orgulho – milhares de horas dedicadas a confessar crianças nos bairros pobres de Madrid. Vinham com ranho até a boca. Era necessário começar por limpar-lhes o nariz, para poder limpar depois aquelas pobres almas. Assim escreveu, demonstrando que vivia de verdade o sorriso diário. E também: Ia deitar-me morto de cansaço. Quando me levantava, pela manhã, ainda cansado, dizia para mim mesmo: «Josemaria antes de almoçar, você tirará uma sonequinha». Mas, assim que saía à rua, contemplando o panorama dos trabalhos que me esperavam naquele dia, acrescentava: «Josemaría, enganei-o de novo».

Mas o seu grande trabalho foi fundar e desenvolver o Opus Dei. O nome veio por um acaso. Isto é uma obra de Deus, disse-lhe alguém. Eis o nome exato, pensou: a obra não é minha, mas de Deus. Opus Dei. Viu crescer essa obra diante dos seus olhos, até estender-se por todos os continentes: começou então o trabalho das suas viagens intercontinentais para as novas fundações e para dar conferências. A extensão, o número e a qualidade dos sócios do Opus Dei fez com que alguns pensassem não se sabe em que intenções de poder e férrea obediência de grupo. A verdade é o contrário: só existe o desejo de fazer santos, mas com alegria, com espírito de serviço e de grande liberdade.

Somos ecumênicos, Santo Padre, mas não aprendemos o ecumenismo de Vossa Santidade, atreveu-se a dizer um dia ao Papa João XXIII. Este sorriu: sabia que, desde 1950, o Opus Dei tinha permissão de Pio XII para receber como cooperadores os não católicos e os não cristãos.

Escrivá fumava quando era estudante. Quando entrou no seminário, deu de presente os cachimbos e o tabaco ao porteiro e não voltou a fumar. Mas no dia em que foram ordenados os três primeiros sacerdotes do Opus Dei, disse: Eu não fumo, e vocês três também não: Álvaro (3), é necessário que você comece a fumar; desejo que os outros não se sintam constrangidos e que fumem, se gostam. Às vezes, acontece que um sócio, a quem o Opus Dei somente incentiva a tomar livre e responsavelmente as suas decisões, também na política, vem a ocupar um cargo importante. Isso é assunto que diz respeito somente a ele, não ao Opus Dei. Quando, em 1957, uma alta personalidade felicitou Escrivá porque um sócio tinha sido nomeado ministro na Espanha, recebeu esta resposta mais propriamente seca: Que me importa que seja ministro ou varredor de rua? O que importa é que se santifique com o seu trabalho. Esta resposta contém todo o pensamento de Escrivá e o espírito do Opus Dei: que cada qual se santifique com o seu trabalho, ainda que seja de ministro, se tem esse cargo: que seja santo de verdade. O resto pouco interessa.

NOTAS

(1) Na ocasião em que o artigo foi escrito, o Opus Dei ainda não tinha sido erigido em Prelazia pessoal, uma figura jurídica prevista pelo Concílio Vaticano II e recolhida no Código de Direito Canônico promulgado em 1983 pelo Papa João Paulo 11, e os seus membros ainda eram designados pelo termo, hoje superado, de sócios (N. do E.).

(2) Josemaria Escrivá, Questões atuais do cristianismo, 3ª ed., Quadrante, São Paulo, 1985, n. 119.

(3) D. Álvaro dei Portillo (1914-1994) foi, de 1935 a 1975, o colaborador mais próximo do Bem-aventurado Josemaría Escrivá. Por ocasião do falecimento do Fundador do Opus Dei, foi eleito seu primeiro sucessor. Ao erigir a Obra em Prelazia pessoal, em 28 de novembro de 1982, o Papa João Paulo II nomeou-o Prelado e, alguns anos mais tarde, conferiu-lhe a ordenação episcopal (N. do E.).

Fonte: João Paulo I, O Papa do sorriso. Editora Quadrante, 1a Edição, 2000.

Tradução: Quadrante

Zenit

A diferença de tratamento e de oportunidades entre homens e mulheres na sociedade diminuiu significativamente em diversas áreas, tais como o acesso à saúde e à educação, mas, não acontece o mesmo no campo do trabalho. Enquanto isso, hoje, tem havido uma grande mudança: os jovens trabalhadores ao contrário de antes, pensam como as mulheres, que a carreira não é tudo na vida.

O indicam os dados do estudo Closing the gap, publicado no The Economist do passado 26 de Novembro, e analizado num artigo do diário vaticano L’Osservatore Romano.

A diferença entre homens e mulheres, diz o estudo, ainda se registra principalmente nas oportunidades de carreira e de salário.

O dossiê constata que, depois da euforia dos anos 90, os resultados atuais deixam uma frustração forte. Em particular surge a dificuldade de conciliar trabalho e maternidade, especialmente quando se considera que a tarefa das crianças não deva ficar exclusivamente a cargo das mulheres.

Além disso, nota-se uma forte ausência feminina na gestão empresarial. Isto, apesar de vários estudos terem mostrado que as mulheres na chefia de empresas ou de seu conselho de administração levaram a resultados muito bem sucedidos.

O estudo realizado pelo The Economist, explica algumas razões que criam a diferença, e indica como primeira coisa que o mundo do trabalho é organizado com regras criadas há várias décadas atrás, nascidas com uma ideia de paridade, diferentes das existentes quando o marido trabalhava e a mulher ficava em casa.

As novas regras, portanto, davam o mesmo tratamento a ambos, o que o estudo indica como errado porque o problema não é resolvido aplicando as mesmas regras, já que as mulheres são diferentes.

Segundo: porque é errado pensar que ser mãe não afeta a carreira, ainda que tenham menos filhos ou os tenham mais tarde. É só pensar que é neste período que as suas colegas iniciam a programar suas carreiras.

Terceiro: as mulheres podem se tornar inimigas de si mesmas, ao não ter as devidas possibilidades no campo laboral: são muito escrupulosas, menos seguras e se autopromovem menos, não costumam dar sua opinião se não estão absolutamente seguras.

E por último, a discriminação mais sutil: enquanto os trabalhadores são promovidos pelas suas potencialidades, as trabalhadoras, ao contrário, o são pelo que realmente conseguem, ou seja, que avançam mais lentamente.

O estudo dá uma indicação importante: os homens jovens, que entram no mundo do trabalho, o vem de maneira diferente do concebido pelos seus pais.

Estão menos obcecados pela carreira e mais interessados em encontrar um equilíbrio razoável entre o trabalho e o resto de sua vida e é isso o que as mulheres querem já faz um tempo, diz o semanário. Um novo fator que os empregadores não poderão ignorar.

O artigo da jornalista italiana Giulia Galeotti, publicado no jornal Vaticano, analisa os dados e indica que o estudo também mostra que não vale o modelo masculino, tomado como indicador pela emancipação feminina dos anos sessenta.

E que a realidade revela que as mulheres não renunciam do que elas são, e que, além do mais, ensinam algo aos homens: o equilíbrio entre o trabalho e o resto da vida. E conclui que “depois de tantas afirmações teóricas de admiração e reconhecimento, os homens decidem aplicar à sua vida uma parte importante da opção que move a existência feminina.”

Zenit

Nesta entrevista, o professor Gabriel Ginebra, doutor em administração de empresas, fala da sua obra “Gestión de Incompetentes: un enfoque innovador de la gestión de personas”, http://www.librosdecabecera.com/gestion-de-incompetentes
, um livro que está causando impacto nos ambientes do management.
O reconhecimento da incompetência, a sua própria e a dos outros, é o princípio da aprendizagem, segundo o seu livro. É verdade?

Gabriel Ginebra: É o princípio socrático da sabedoria do “Só sei que nada sei”, e a cada dia verificamos o oposto em empresários, intelectuais e políticos que, cegados por suas realizações, recusam-se a admitir erros e a aprender. O atual ambiente de crise tem deixado muito exposto, mas muitos ainda têm de cair do cavalo.

Por outro lado, só cooperaremos plenamente e criaremos equipe se estivermos convencidos – e é muito difícil – de que os nossos colegas são superiores em muitos aspectos. Este é o fundamento ontológico de toda a organização, como disse Chester Barnard, há quase um século. Em um mundo de hipercompetentes, todos sabem tudo e ninguém precisa de ninguém, um mundo de deuses, mas solitários. E não estou me referindo às lendas gregas, mas a reinos e lendas que habitam as nossas instituições políticas, midiáticas e empresariais.
Então eu sou incompetente, você é incompetente… Onde vamos parar assim?

Gabriel Ginebra: Seria bom chegar a empresas povoadas por pessoas comuns, onde os talentos são descobertos entre as pessoas de todo estilo de vida, se pode ser um profeta na própria terra. Onde chamar-se “Pereira” ou “da Silva” dê prestígio: é com esses bois que vamos arar. É preciso pensar em mudar as pessoas antes de pensar em mudar de pessoas. Como digo no livro, somos mais incompetentes do que imaginamos, mas temos mais potencial do que acreditamos.

O discurso da excelência leva, no entanto, à exclusão do empregado que comete um erro, condenando-nos a um constante recomeçar com inexperientes. Há uma cultura do medo, em que a simples chamada de atenção do chefe nos põe em guarda, como uma bola de neve de verdades maquiadas que se convertem em processos empresariais mentirosos. Na supervisão de segurança das usinas nucleares de Fukushima, foram falsificados 200 relatórios. Consideravam-se invulneráveis.

Seu conselho é: coloque uma criança em seu escritório. O que poderíamos melhorar ao seguir a sua sugestão?

Gabriel Ginebra: As crianças são completamente encantadoras, mas também são perfeitamente incompetentes. Sua simples presença impõe o valor absoluto de uma pessoa e destaca o papel relativo da atividade econômica. Paciência, entusiasmo, expressividade, originalidade, aprendizagem, bom humor são alguns dos valores que irradia uma criança pequena.

As crianças deveriam estar mais presentes nos escritórios, mas também os idosos, os que não têm estudos, os que não têm tanto talento, os tímidos, aqueles que não sabem outros idiomas, as mães que pararam de trabalhar por alguns anos. Se não fizermos isso, perderemos muito talento: lembranças, experiências, contatos etc.

Estas propostas estão em sintonia para compreender a empresa como uma comunidade de pessoas, como sugere a última encíclica do Papa; e o projeto de Economia da Comunhão, do Movimento dos Focolares, trabalha nisso há anos. Se você prestar atenção, a família é um modelo no qual há um esforço por buscar o talento de cada um.

Nas empresas, há muito mau humor, tédio, cansaço… O que está faltando?

Gabriel Ginebra: Falta paz. Raimon Panikkar disse que a felicidade é inversamente proporcional à aceleração. Os líderes vivem estressados sem responsabilizar-se por sua consequência, perdendo horizonte. Falta tempo para pensar, para olhar os trabalhadores nos olhos, embora o site da empresa declare que as pessoas são o principal ativo. Queremos fazer muitas coisas, rápido demais, e assim estaremos sempre atrasados. Em nossas sociedades ricas, o estresse crônico é patológico.

Desenvolvo o conceito de “Líder Pacífico” – espero que este seja o meu próximo livro. Um diretivo que se preocupa com o ritmo, que pratica a sabedoria do tempo para cada coisa, que “faz o que deve e está no que faz”, como resumiu São Josemaría a santidade.

Um líder prudente, que busca as virtudes esquecidas do silêncio, sorriso, generosidade, ordem, perseverança, sinceridade… humildade. Que reconhece os próprios erros e tolera os defeitos dos outros. Que domina seu ofício e ama o seu trabalho.
Você é pai de uma família numerosa, de sete filhos. Em que aspectos lhe serve a sua capacidade organizativa e logística familiar aplicada à empresa?

Gabriel Ginebra: É interessante a relação que você faz. No filme “O Negociador”, Kevin Spacey organiza com êxito o resgate 50 reféns, enquanto não consegue que seu filho de 8 anos consiga sair do seu confinamento na pia da casa.

Meus amigos me perguntam como eu consigo ter sete filhos e escrever livros. Eu gosto de responder que o número máximo de filhos que alguém pode suportar é um a menos do que já tem. Embora as pessoas na rua apontem o dedo para você e possam até admirá-lo secretamente, faz tempo que eu tenho a sensação de andar ultrapassado, de viver de tentativas, de não estar fazendo algo bom. O fato de escrever um livro de Gestão de Incompetentes não exclui que eu me considere um deles. Minha esposa diz que o Gabriel ela vê no livro é muito melhor do que o Gabriel com quem mora. Eu concordo com ela.

Como se consegue chegar ao fim do mês?

Gabriel Ginebra: Com a crise, na verdade acho que, se eu for parar para pensar, não chegamos. Alguém já disse que a nova definição de proletário deveria ser: Autônomo pai de família numerosa. Mas também temos a experiência magnífica de comprovar que o Pai-Nosso funciona. O “pão nosso de cada dia” acaba chegando, mas Deus, como roteirista do thriller, faz que as coisas aconteçam só no último minuto.

O desafio de criar um só filho é muito superior à capacidade de qualquer casal. Eu acho que é essa a lição de fundo aqui dos tempos difíceis em que vivemos.
(Miriam Díez i Bosch)

Numa ocasião em que dava uma palestra para um grupo de advogados, fizeram-me a seguinte pergunta: “Qual é a coisa mais importante que você já fez na vida?”

A resposta veio-me à mente de imediato, mas não a dei, pois as circunstâncias não eram apropriadas. Como advogado que trabalha na indústria do espetáculo, sabia que queriam ouvir histórias da minha convivência com as celebridades.

A coisa mais importante que já fiz na vida passou-se no dia 8 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um amigo que já não via há muito. Entre uma tacada e outra, falávamos sobre as nossas vidas. Ele contou-me que a sua esposa acabara de ter um filho.

Enquanto jogávamos, chegou o pai do meu amigo, muito consternado, dizendo que o seu bebê deixara de respirar e fora levado às pressas para o hospital. Instantaneamente, o meu amigo subiu no carro do pai e partiram. Por um momento, fiquei onde estava, sem conseguir mover-me, mas logo comecei a perguntar-me que deveria fazer:

“Acompanhá-lo até o hospital? Mas, se a minha presença não vai servir de nada? A criança certamente deve estar recebendo os cuidados necessários da parte dos médicos e das enfermeiras e nada do que eu faça mudará alguma coisa.

“Oferecer-lhe meu apoio moral? Isso talvez. Mas acontece que tanto ele como a sua esposa têm uma família numerosa, e com certeza estarão agora rodeados de parentes, que lhes darão o apoio e o conforto necessários, pouco importando o que eu faça”.

Quando dei a partida no carro, lembrei-me de que o meu amigo havia deixado a sua caminhonete estacionada próximo ao campo, com as chaves no contato. Decidi, pois, fechar o carro e ir ao hospital para entregar-lhe as chaves.

Como havia imaginado, a sala de espera estava repleta de familiares que consolavam o meu amigo. Entrei sem fazer barulho e fiquei perto da porta, pensando no que fazer. Não demorou muito e apareceu um médico que se aproximou da família e, em voz baixa, lhes comunicou o falecimento do bebê.

Durante o que pareceu uma eternidade, o meu amigo e a sua esposa abraçaram-se, chorando, rodeados por nós, em meio ao silêncio e à dor. O médico perguntou-lhes se desejavam ficar alguns momentos com o filho. O casal pôs-se de pé e começou a andar resignadamente até a porta.

Ao ver-me ali, num dos cantos da sala, a mãe abraçou-me e começou a chorar. Também o meu amigo refugiou-se em meus braços e disse: “Obrigado por estar aqui”.

Passei o resto da manhã sentado na sala de urgências do hospital, observando o meu amigo e a sua esposa tomarem o filho nos braços e despedirem-se dele.

Essa foi a coisa mais importante que já fiz na vida.

Esta experiência ensinou-me três coisas:

Primeira: o fato mais importante da minha vida aconteceu quando não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer. Nada do que aprendi na Universidade e nos seis anos já decorridos então de exercício da minha profissão, nem toda a racionalidade de que usei para analisar as minhas alternativas, foram-me úteis nessas circunstâncias. Uma desgraça sobreveio a duas pessoas e eu era incapaz de remediá-la. Só o que pude fazer foi acompanhá-las e esperar o desenlace. Entretanto, estar presente naqueles momentos em que alguém precisava de mim era o principal.

Segunda: estou convencido de que a coisa mais importante que já fiz na vida por pouco não deixou de ocorrer precisamente devido àquilo que aprendi na Universidade e na vida profissional, como o conceito de ser sempre racional que me inculcaram. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, já não tenho dúvidas que deveria ter entrado no carro sem titubear e acompanhado o meu amigo ao hospital.

Terceira: aprendi que a vida pode mudar num instante. Todos sabemos disso intelectualmente, mas acreditamos que as desgraças só acontecem com os outros. Desta forma, fazemos planos e concebemos o nosso futuro como algo tão real que parece que vai acontecer. No entanto, quando chega o amanhã, deixamos de prestar atenção àqueles que passam ao nosso lado e esquecemos que o desemprego, uma doença grave ou um acidente, um motorista bêbado e milhares de outras coisas podem alterar este futuro num piscar de olhos.

Há ocasiões em que faz falta para certas pessoas viverem uma tragédia, para que encarem as coisas de outra perspectiva. Desde aquele dia passei a buscar um equilíbrio entre o trabalho e a vida; aprendi que nenhum emprego, por melhor que seja, compensa a perda das férias, o afastamento dos amigos ou uma data festiva longe da família.

E aprendi que o mais importante na vida não é ganhar dinheiro, nem ascender na escala social, nem receber honras… O mais importante na vida é o tempo que dedicamos a cultivar uma amizade.

Emy Montoya

***

Esse testemunho coloca as coisas no seu devido lugar.Não podemos nos deixar levar pela vida corrida e,quase prisioneiros do ritmo stressado daquilo que é importante mas não essencial,sermos levados pela pressa e pela busca do sucesso.

A propósito disso,certa ocasião a Beata Madre Teresa de Calcutá disse,cercada de apelos por entrevistas e homenagens,que Deus” não a havia chamado para ser um sucesso, mas para ser fiel!”

De maneira especial creio que esse testemunho fala de forma muito especial a nós homens,sempre muito ocupados trabalhando para manter a vida  e corrermos o sério – e real – risco de vivermos sem ter vivido.