A humildade é vista por muitos como uma virtude de valor questionável, porque muitas vezes é mal interpretada como humilhação.

A humildade incompreendida pode ser absolutamente perigosa quando entendida de uma maneira contrária ao seu significado original na espiritualidade bíblica e na tradição judaico-cristã.

As pessoas com baixa autoestima geralmente interpretam a humildade como uma forma de agressão e desdém para consigo mesmo. Pode até ser uma forma de hipocrisia, ou uma desculpa para a preguiça, quando nos subestimamos intencionalmente. Evitamos a dificuldade de alcançar nosso potencial total, negando que somos capazes disso.

Que a humildade não é

A humildade não deve ser confundida com baixa autoestima, timidez, sentimentos de inferioridade ou autodegradação. Embora ser humilde exija reconhecer nossas próprias dificuldades, limitações e limites, isso não significa fazer uma demonstração deles.

Humildade significa viver na verdade, aceitando que não somos perfeitos. A humildade não tem a ver com nos colocarmos para baixo, mas com realismo.

Muitas pessoas pensam que são humildes, quando, na realidade, estão constantemente reclamando e falando sobre quão desafortunadas são, concentrando-se inteiramente em si mesmas, o que é uma forma oculta de orgulho.

A verdadeira humildade não significa olhar constantemente para a nossa própria pequenez e comparar-nos aos outros. Fazer essas comparações significa constantemente nos voltarmos para nós mesmos e apenas ver os outros como uma ameaça.

Pessoas humildes não precisam sentir que são melhores que as outras. Ao mesmo tempo, nem sempre cedem ao que os outros querem, nem se deixam oprimir; elas simplesmente têm uma perspectiva ampla e profunda da realidade, na qual elas veem seu próprio lugar sem ter que debater quem está melhor ou pior.

A humildade não é uma virtude a ser conquistada para alcançar a autoperfeição, o que na verdade leva ao orgulho; em vez disso, trata-se de reconhecer a verdade sobre você e estar em paz com ela.

A frase comum “em minha humilde opinião” não é nada além de orgulho disfarçado. Quando a humildade se torna explícita, não é mais humildade.

Quando alguém diz: “Eu sou apenas uma pessoa humilde”, ele não está sendo humilde. A humildade não se anuncia; é praticada em silêncio.

Se alguém é humilde, outras pessoas podem dizer, mas ninguém pode se rotular como “uma pessoa humilde”. É por isso que as pessoas humildes geralmente não se destacam; elas não buscam publicidade – especialmente para não se promoverem como “humildes”.

Humildade é autenticidade

A psicologia contemporânea usa o termo “autenticidade” mais que a humildade. Significa viver a verdade sobre si mesmo, ser honesto consigo mesmo e com os outros.

A humildade é um sinal de maturidade psicológica e espiritual e de liberdade interior. Em vez de uma série de comportamentos que devemos adotar, a humildade é um modo de ser e de se relacionar com os outros. É caracterizada pela maneira como uma pessoa se aceita e se valoriza.

Na tradição cristã, a humildade é centralizar nossas vidas em Deus e não em nós mesmos. Significa aceitar que não somos o centro do universo e que o mundo não gira em torno de nós.

A humildade era entendida pelos antigos mestres da espiritualidade cristã como um valoroso autoconhecimento que nos torna mais humanos e mais conscientes de nossa própria pequenez e limitações, sem pretender ser algo que não somos. De fato, Santo Agostinho diz que “toda humildade consiste em conhecer a si mesmo”.

No entanto, humildade não é resignação. São João Crisóstomo descreveu a humildade como “a mãe de todas as virtudes”, como fundamento e raiz, porque só podemos forjar a virtude se primeiro reconhecermos e aceitarmos em que áreas somos fracos e precisamos crescer.

As pessoas humildes querem melhorar a si mesmas e podem fazer isso porque não mentem para si mesmas ou para os outros; elas vivem na verdade. Elas não são orgulhosas, porque reconhecem seus defeitos de boa vontade; elas não são pessimistas, porque acreditam que podem mudar em resposta ao chamado de Deus à santidade e com a ajuda de Sua graça. Não ter medo de ver e reconhecer nossos erros nos torna capazes de crescer e amadurecer.

Ao mesmo tempo, pessoas verdadeiramente humildes se regozijam no bem de outras pessoas e na grandeza que as cerca. Elas estão completamente livres de complexos de inferioridade e da necessidade de se comparar com os outros. Pessoas humildes são livres; elas não têm uma necessidade urgente de elogios, reconhecimento ou aplausos por suas virtudes, porque sabem quem são e que valem a pena.

A verdadeira humildade, portanto, é uma fonte de confiança, coragem e liberdade. Pessoas humildes não vão implorar por reconhecimento e não desanimam quando não entendem, porque a felicidade delas não depende da opinião de outras pessoas. Em contraste, as pessoas orgulhosas são muito sensíveis às críticas e são facilmente feridas e desencorajadas. Chesterton considerava o humor como o fundamento natural da humildade, porque aqueles que podem rir de si mesmos estão livres de todo orgulho.

Pessoas humildes têm um bom efeito sobre as pessoas ao seu redor

Ser verdadeiramente humilde e viver autenticamente faz com que outras pessoas se sintam confortáveis. Elas sabem que não precisam andar em cascas de ovos porque as pessoas humildes nem sempre são defensivas ou tentam se impor aos outros.

Pessoas humildes sabem reconhecer quando estão erradas, pedir perdão, procurar ajuda e reconhecer publicamente seus próprios erros. Elas são fáceis de lidar porque não sentem a necessidade de impor sua opinião ou estarem certas o tempo todo. Elas não têm medo de críticas, porque não precisam proteger uma imagem falsa de si mesmas. Pessoas humildes são gratas, capazes de reconhecer a generosidade de outras pessoas, e são empáticas, sabendo como ser compassivas com as deficiências de outras pessoas.

Em suma, longe de nos tornar pessoas negativas e improdutivas que se denigrem e nunca percebem o seu potencial, a verdadeira humildade nos torna mais humanos, livres, maduros, compassivos e gratos.

Autor: Miguel Pastorinho

Quando decidimos nos casar, nossa alegria e foco devem estar nessa decisão que muda a vida. No entanto, muitas vezes permitimos que nossa atenção se concentre na celebração do casamento sem prestar atenção suficiente ao fato de que o casamento não é apenas o dia da celebração matrimonial.

A decisão de se casar muda vidas permanentemente. Por causa de sua importância e consequências, é essencial que aquilo que um casal declara como sua intenção – estar unido no casamento por toda a vida – realmente expresse a verdade do que eles realmente pretendem viver.

Liberdade é a chave: Entrar no pacto do casamento requer liberdade. Implica escolher uma pessoa com quem desejamos compartilhar nossa vida em uma união de amor. Também pressupõe a escolha de viver em um tipo concreto de relacionamento para viver essa união, já que o casamento tem uma natureza distinta que o distingue de outras formas de relacionamentos amorosos.

Às vezes, há circunstâncias na vida de uma pessoa que limitam sua liberdade – por exemplo, um distúrbio psicológico ou mental, ou um sério desafio emocional que dificulta a tomada de decisões com a verdadeira liberdade.

Alguns indivíduos são movidos por impulsos ou medos que parecem incapazes de resistir. Outras vezes, existem circunstâncias externas ou pressões que podem levar uma pessoa a fazer algo que não quer fazer. Pode até acontecer que informações cruciais sobre o outro cônjuge estivessem escondidas ou fossem desconhecidas pelo outro – e se fosse conhecido, a decisão de se casar não teria sido tomada.

Frutuoso e para a vida: O casamento implica escolher um tipo de união que tenha suas próprias características especiais: implica em se comprometer a viver um amor que seja de livre vontade, fiel, frutífero e vitalício – tanto nos bons como nos maus dias.

Se um dos parceiros (ou ambos) não quiser uma união como essa e preferir, por exemplo, um relacionamento que pode ser encerrado, ou um que esteja aberto a relacionamentos com outras pessoas, há uma indicação clara de que essa pessoa realmente não quer entrar no vínculo do casamento. Embora a pessoa esteja dizendo “sim” com seus lábios, com sua vontade ela está decidindo que seu “sim” é para algum outro tipo de união – não o casamento.

Aqui é onde podemos começar a entender o que queremos dizer com a declaração de nulidade de um casamento. Somente a decisão livre, voluntária e consciente de ambas as partes pode criar um vínculo matrimonial entre elas.

Se existe alguma circunstância que impeça um ou ambos de escolher livremente, ou se um ou ambos realmente pretendem se comprometer com uma união desprovida de qualquer das características essenciais de um vínculo matrimonial, o pacto não é efetuado, e eles não têm o casamento efetivado realmente – independentemente de aparências externas. Embora pareçam casados, na verdade não são.

“Anulação”, ou melhor, nulidade: A Igreja Católica afirma que um homem e uma mulher contraíram o santo matrimônio somente se ambas as partes realmente pretendiam e eram capazes de fazê-lo, de acordo com os quatro critérios mencionados acima – a intenção e a capacidade de entrar em uma união em livre vontade, fiel, frutífera e vitalícia.

Esse respeito pela liberdade pessoal é tão forte na Igreja que as coisas não mudam simplesmente com o passar do tempo; se você é mesmo casado, é casado; mas se você realmente não contraiu casamento, então você ainda não é verdadeiramente casado, independentemente da passagem do tempo.

Há sempre uma presunção de validade tanto aos olhos da lei civil como eclesiástica, desde que ambos os cônjuges digam “sim” ao expressar sua intenção de se casar, e desde que respondam positivamente às questões relativas à sua liberdade, sua intenção de se casar pelo resto de suas vidas e, em um casamento católico, sua intenção de aceitar filhos. Assim, um casamento é considerado válido até que se prove o contrário.

Nos casos em que existem razões suficientes para acreditar que este não é o caso, é necessário concluir um processo formal para investigar e confirmar essa crença e solicitar e obter uma declaração de nulidade – ou uma “anulação”, como é frequentemente chamada.

Isso só será concedido se for adequadamente comprovado, com base nos resultados, que o vínculo matrimonial na verdade não ocorreu; isto é, que o Sacramento do Santo Matrimônio não foi realmente celebrado e a pessoa, tendo sido declarada solteira, está livre para se casar na Igreja (depois que toda e qualquer união civil tenha sido declarada nula).

Muitas vezes, quando ouvimos sobre os procedimentos de nulidade do casamento, achamos difícil entender o que eles são e como a “anulação” difere do divórcio.

Certamente, nem todos os casos de separação ou divórcio correspondem a um casamento nulo. No entanto, se compreendêssemos de dentro o que as pessoas que iniciaram o processo de nulidade passaram, entenderíamos que muitas vezes as coisas não são como parecem.

Mais importante ainda, se isso ocorre em nossas próprias vidas, entender a verdade sobre nossa própria situação pode ser uma tremenda ajuda para curar as feridas causadas por um casamento desfeito e nos permitir encarar o futuro com base na verdade de nossa situação.

Fonte: Aleteia

O que é o bem? Existe um critério objetivo de bondade que nos permita discernir, sem medo de errar, entre o bem e o mal?

É difícil que haja uma pergunta mais importante do que essa: “O que é o Bem?; Que coisas são boas?” No mais profundo de si mesmo, o Homem abriga o desejo de ser bom, de fazer coisas boas: quando escolhe o mal é porque ficou ofuscado pela pequena parte de bem com que o mal se reveste. Deus – Bem infinito, que faz o bem e o põe em toda criatura – é Quem dá a todas as suas obras essa capacidade de atuar na direção do bem e, assim, incrementá-lo.
Todos temos uma espécie de instinto para descobrir o bem. Sabemos que “o bem é bom” e que “o mal é mau”. Na prática, porém, muitas vezes aparece o problema: “isto é bom?”, “é bom fazer isto?”. A resposta nem sempre é imediata ou certa: às vezes pode exigir um longo e árduo estudo. Mas sendo tão importante acertar quando está em jogo a nossa própria bondade, o nosso bem, compreendemos que esse estudo deve ser rigoroso, científico, de modo que a conclusão apoie-se em argumentos sólidos e irrefutáveis.

Assim nasce a ciência que chamamos de Ética (vem se ethos, que em grego quer dizer costume, modo habitual de agir). A Ética investiga aquilo que é bom fazer, para que – fazendo-o – alcancemos a maior perfeição humana possível e, portanto, satisfaçamos os nossos mais profundos desejos, ou seja: alcancemos a felicidade.

Quando se diz que algo “é ético” ou “não é ético”, o que se está dizendo é que é ou não bom. Contudo, embora todos concordemos em afirmar que a nossa conduta deve ser “ética”, nem sempre concordamos sobre se essa ou aquela coisa em concreto é ou não é “ética”. O que para alguns parece ser “ético”, para outros é uma monstruosidade. Assim, por exemplo, alguns afirmam que é “ético” provocar o aborto quando a gravidez resultou de um estupro, enquanto outros dizemos que fazer isso é cometer um dos piores crimes – mais grave até do que o terrorismo –, negando ao não-nascido inocente o direito mais elementar de qualquer pessoa: o direito à vida.

Esse exemplo nos permite entender a enorme importância que tem estarmos esclarecidos sobre o que é e sobre o que não é “ético”: sobre quais coisas são as realmente “boas”. Não é uma questão trivial que possamos deixar para que outros resolvam. Trata-se de uma questão de vida ou morte, e que deve ser encarada com toda a seriedade e rigor.

É possível chegar a um conhecimento certo sobre “o que é bom” – pelo menos em seus aspectos fundamentais – ou estamos condenados a uma eterna dúvida, a meras opiniões sem fundamento racional? Existe um critério objetivo de bondade que nos permita discernir, sem medo de errar, entre o bem e o mal? O bom senso sempre afirmou que sim, mas é conveniente que compreendamos porque, e também porque alguns enxergam as coisas de modo diferente.

É claro que o bem – o que é bom – é assim porque contém alguma perfeição que o torna apetecível, desejável. Aristóteles dizia que “o bem é algo que todos desejam”. Mas por que todos desejamos o bem? Porque vemos nele algo que nos beneficia, algo que “nos faz bem”, que nos aperfeiçoa, que nos melhora, que satisfaz as nossas necessidades, que nos faz mais felizes. Cabe dizer que o bem é uma perfeição que me aperfeiçoa: uma perfeição aperfeiçoadora (essas considerações – tão óbvias que parecem um simples lugar-comum – não são vãs).

O BEM É RELATIVO

Deve-se notar que nem tudo aquilo que aperfeiçoa um determinado sujeito aperfeiçoa igualmente todos os outros. O adubo animal serve como nutriente para as plantas, mas não para os homens. A alfafa é boa, saborosa e sadia: mas para as vacas, não para nós. Portanto é claro que o bem é relativo: é relativo a um sujeito ou a um determinado grupo de sujeitos, mais ou menos numeroso.

Essa “relatividade” do bem levou muitos a pensar que o bem não é algo “objetivo”, isto é: que o bem não está aí fixo, independente do meu pensamento. Cada um poderia considerar como sendo bom “aquilo que lhe pareça”: cada qual seria livre para considerar boa uma coisa ou a coisa oposta, decidindo por conta própria sobre o bem e o mal. Cada um seria – afirma-se – um “criador de valores”, já que a bondade das coisas não estaria nelas mesmas, mas na minha subjetividade, no meu pensamento, nos meus desejos ou opiniões. Esse é um grave erro no qual muitos incorrem, mas esse erro não é novo: é tão velho quanto a Humanidade. Adão e Eva não quiseram reconhecer que o bem estava onde Deus o tinha posto, pretendendo encontrá-lo onde eles, com sua má vontade, queriam que estivesse.

O BEM É OBJETIVO

Embora o bem seja “relativo” (algo é bom sempre “para alguém”), em termos estritos é a coisa menos subjetiva e opinável que existe. A bondade do ar que respiramos, da água que bebemos, do calor e da luz do sol que nos dá a vida, etc., etc… não é coisa que tenhamos inventado ou criado, não é uma bondade “opinável”: é algo que já está aí, independentemente das nossas avaliações.

De modo similar conhecemos os valores da justiça, da liberdade, da paz, da fraternidade: valores objetivos que não teria sentido negar. Mesmo se os negasse porque não me apetecem, ainda assim continuariam sendo valiosos para os outros. Essa minha inapetência seria um sintoma claro de alguma doença que tenho no corpo ou na alma.

É também importante notar – ao contrário do que foi muito difundido por certos filósofos – que se uma maçã me apetece, não é porque eu tenha conferido a ela o bom sabor. A maçã não se torna saborosa simplesmente por que sou eu quem a saboreio. Ainda que para outro ela seja insossa – talvez porque ele esteja doente –, a bondade da maçã não é produto da minha subjetividade: é a própria maçã que tem por si mesma a aptidão para causar um bom sabor e uma boa nutrição. Se assim não fosse, alguém poderia encontrar o mesmo sabor no fel ou até no lixo.

Está claro que existem bens e valores objetivos. Mas caberia perguntar se todos os bens são objetivos. A resposta é que de fato todos o são. Isso porque na prática as coisas e as ações humanas, queiramos ou não, sempre aperfeiçoam ou prejudicam: inclusive aquelas que – em teoria – poderiam razoavelmente ser consideradas indiferentes, como por exemplo passear.

Portanto, a “relatividade” do bem não significa que o bem é bom porque a minha vontade assim o deseja, mas que a minha vontade deseja o bem porque ele é bom. A bondade primeiramente está na coisa e só depois pode (ou não) estar no meu capricho, nas minhas opiniões ou nas minhas preferências. O que é bom para mim pode ser mau para outro; por exemplo, um remédio ou um trabalho determinado. Isso não depende do meu parecer. Do que depende então? Depende precisamente daquilo que eu sou, depende do meu ser, e isso já não é um produto da minha vontade, nem uma questão opinável. Embora os defeitos e qualidades que eu possuo agora tenham sido fruto dos meus atos voluntários anteriores, o que eu cheguei a ser, o que eu sou agora, é neste momento independente da minha vontade, e de modo igualmente independente da minha vontade haverá coisas que serão boas ou más para mim.

O bem depende, pois, do ser (do ser real, objetivo, que está aí) e do modo de ser. E se há algo que o Homem nunca poderá deixar de ser é precisamente isso: ser Homem. As características pessoais ou individualizantes próprias de cada um nunca esfumam ou anulam a natureza humana; são, pelo contrário, perfeições (ou defeitos) dessa natureza peculiar que todos compartilhamos: uma natureza que nos permite falar de “gênero humano” ou de “espécie humana”, e também de um bem objetivo comum a toda a Humanidade.

Como vimos, existem bens relativos a pessoas singulares. Mas é igualmente certo que existem bens relativos à natureza humana comum, e portanto relativos a todos e a cada um dos indivíduos da nossa espécie. É por isso que há leis ou normas morais objetivas, universais e permanentes, que afetam todos os homens, em qualquer tempo e lugar. O que prejudica a natureza forçosamente prejudicará a pessoa, porque a pessoa não é alheia à natureza: é o sujeito dessa natureza determinada.

A naturezas diversas correspondem bens diversos. O que é bom para o animal ou para o anjo pode não ser bom para o Homem. Por isso, para sabermos o que é bom para o Homem – para todos e cada um –, é indispensável conhecermos antes a resposta à grande pergunta: O que é o Homem? “Que sou eu, meu Deus? – exclamava Santo Agostinho – A minha essência, qual é?” (1)
A Ética (ciência sobre os bens do Homem) supõe a Antropologia Filosófica (que estuda o que é o Homem). Na História do Pensamento encontram-se éticas diferentes porque há diferentes conceitos sobre o Homem, e portanto diferentes conceitos sobre os bens.

O QUE É O HOMEM?

Para alguns, o Homem nada mais é do que um conjunto de corpúsculos, embora complexo e maravilhoso (Carl Sagan, o famoso cosmólogo norte-americano, por exemplo, dizia isso); muitos o consideram como pura química, ou como mero conjunto de instintos fatalmente determinados, ou como um simples número dentro da espécie zoológica. Todas essas são diferentes manifestações da visão materialista do Homem.

Pelo fato de negar – de modo dogmático, certamente – a realidade da alma espiritual e imortal, todo materialismo torna-se incapaz de conhecer o que o Homem na verdade é, e por esse mesmo motivo também não pode saber o que realmente é bom ou “ético”. Quando um materialista pensa no Homem como um simples animal evoluído – em quem não há nada que não seja redutível a elementos materiais –, não consegue pensar no bem sem reduzi-lo ao que é material e sensitivo; e além disso tenderá a conceder um valor absoluto aos assuntos econômicos. Escapa-lhe o que é mais valioso: o espírito, em que está a imprescindível raiz do entendimento e da vontade livres.

Por isso os termos “liberdade”, “justiça”, “paz”, “amor”, etc. no materialismo carecem de conteúdo humano, confundem-se com as sombras de tais coisas que parecem existir nos animais. O próprio conceito de “pessoa” é esvaziado, ficando o Homem reduzido a um “número” cuja função é servir a “espécie” (chamada de “sociedade”). Se a “espécie” assim o exigir, não haverá nenhum inconveniente em sacrificar o “indivíduo”: poder-se-á com toda paz saqueá-lo, ou trancafiá-lo num hospital psiquiátrico ou eliminá-lo. O que conta é somente o bem da “espécie”, como na Zoologia.

Tal é a tremenda conclusão do coletivismo, especialmente o marxista.

Se realmente queremos o que é bom para nós mesmos e para a Sociedade – que está composta não por meros indivíduos, mas por pessoas de valor único e irrepetível –, então temos de ter a honradez de contemplar o Homem em toda sua integridade. Não basta ver somente um corpo dotado de sentidos e instintos. Isso equivale a não ver o Homem, da mesma forma que aquele que vê somente uma das seções – a vertical ou a horizontal – de um cilindro não vê o cilindro: confunde-o com um círculo ou com um quadrado, e pode até chegar à conclusão de que o cilindro é um círculo quadrado, um absurdo, portanto, que só pode existir como uma vã ilusão mental. Pode-se chegar inclusive a negar a possibilidade de existirem cilindros, da mesma forma como foi negado que exista a alma humana imortal. Esquartejou-se o Homem, cortando-o pela metade, até o momento em que o “sábio”, diante da platéia e da mesa de dissecação, sentencia: “como não vejo a alma em parte alguma, ela não existe” (aplausos). O mesmo fez aquele astronauta soviético, que declarou triunfante que Deus não existe porque não viu ninguém lá em cima, no seu passeio pelo espaço.

O Homem é um “cilindro” muito peculiar: é infinito em altura, não tem topo, não tem limite superior, e por isso só uma “seção” totalmente “vertical” é capaz de revelar sua dimensão transcendente à matéria. Mas não é difícil descobrir essa dimensão usando um pouco de bom senso. Mais adiante voltaremos ao assunto. Não deixa de ser certeira aquela frase gráfica de Unamuno, mesmo sendo ele um homem confuso quanto à religião: “o que chamam de espírito parece-me muito mais material (quer dizer “perceptível”, “claramente cognoscível”) do que aquilo que chamamos de matéria; sinto minha alma mais importante e mais sensível que meu corpo”.

Foi dito – e com toda a razão – que o materialismo é o mais curioso esforço jamais feito pelo espírito humano na tentativa de provar a não-existência do espírito humano. Isso porque “só um ser pensante – ou seja: espiritual – pode pôr-se a «demonstrar», mediante argumentos, o materialismo” (2). O materialismo, deslumbrado pela semelhança morfológica entre o Homem e o macaco, confunde os dois. Ocorre aquilo que observa Johannes Torelló: “objetos de estudo essencialmente diferentes, ao serem projetados pelo cientista contra um plano inferior, aparecem-lhe como sendo iguais. Assim, a projeção de uma esfera, a de um cilindro e a de um cone são a mesma: um círculo ambíguo e tentador aos olhos de espíritos simplistas, capazes de concluir que no fundo um cilindro, uma esfera e um cone são realmente a mesma coisa”.

É certo que temos um corpo e uns sentidos que reclamam satisfações para as suas necessidades vitais. Mas antes de qualquer coisa possuímos algo que excede tudo o que procede da matéria: o entendimento, ávido e insaciável de verdade. Já desde criança o homem sadio começa a “exasperar” os adultos com as suas intermináveis perguntas: “Mamãe, o que é isso?”, “para que serve aquilo?”, e sobretudo “por que?”, “por que?”, “por que?”… É que o menino ou a menina está buscando desde já uma resposta última e definitiva, que não remeta a outro “por que”, que seja algo assim como o grande “Porquê” que tudo explique, que seja a Verdade Primeira e a Origem de todas as outras verdades. A criança pergunta por Deus, procura Deus, precisa de Deus desde que sua inteligência desperta para o “uso da razão”. É o que diz a célebre oração de Santo Agostinho: “Criaste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansar em Ti.” (3)

A única coisa capaz de saciar e aquietar o entendimento é o conhecimento de Deus: não um conhecimento qualquer, mas todo o conhecimento de que seja capaz. Somente assim alcança a sua perfeição suprema, a sua plena felicidade.

A vontade, por outro lado, é uma ilimitada capacidade de amar o bem (não “infinita” mas “ilimitada”, porque por muito que ame sempre quer amar mais), que não se conforma com qualquer bem: deseja o ótimo, o máximo bem. Quando a vontade põe o seu amor numa criatura e a possui de algum modo, logo fica satisfeita; mas em seguida percebe que aquilo não é o máximo: que resta um vazio ainda sem preencher, que ainda está longe de alcançar a plenitude de bem e de amor que buscava. Isso porque todos nós – sabendo-o ou não – queremos a Deus, buscamos a Deus, temos fome de Deus como Verdade primeira e Bem infinito, como Sabedoria e Amor plenos: somente nEle – no amoroso conhecimento de Deus – encontra-se a perfeição, a plenitude humana, a felicidade sem sombras. Esse é o nosso fim, o nosso máximo bem comum objetivo.

A FELICIDADE PERFEITA E O BEM SUPREMO

Agora que sabemos – não detalhadamente mas com profundidade – o que é o Homem, sabemos também qual é o seu bem fundamental e indispensável. Independentemente do que eu queira ou pense, do que me apeteça ou do que eu escolha, o meu Bem é Deus. Assim encontramos um critério objetivo de bondade: no mundo, será bom para mim – bom moralmente, bom em sentido “ético” – aquilo que me aproxime de Deus (ou pelo menos não me afaste dEle), e será mau para mim aquilo que me afaste de Deus, ainda que me apeteça. Aquilo que me aproxima de Deus será também uma perfeição do meu ser pessoal; o contrário, aquilo que me afasta dEle, sempre e sem dúvida será prejudicial ao que há de mais íntimo em mim.Essa é já uma conclusão de suma importância. Mas por outro lado é claro que surge uma nova pergunta: na prática, o que me aproxima de Deus e o que me afasta dEle? A luz natural da razão é um dom que todos recebemos e que nos permite descobrir quais são as exigências fundamentais do ser humano, cujo conjunto é a lei natural, formulada sinteticamente no Decálogo pelo próprio Deus.

Assim se entendem bem aquelas palavras de João Paulo II: “A lei moral é a lei do Homem, porque é a lei de Deus”. Com efeito, “a verdade expressa pela lei moral é a verdade do ser, tal como é pensado e querido por Deus que nos criou”. É por isso que “há uma profunda consonância entre a parte mais verdadeira de nós próprios e aquilo que Deus nos manda, apesar de que – usando as palavras do Apóstolo – sinto nos meus membros outra lei que repugna a lei do meu espírito(Rom 7, 22). (4)”

Se em nossa mente não existisse a sombra do pecado original e se a nossa vontade não tivesse sido debilitada, conheceríamos bem a nós mesmos e, conseqüentemente, conheceríamos sem nenhuma dúvida o que é bom: teríamos uma visão clara da lei moral. Acontece que encontrar essa lei nos custa trabalho, até porque também nos custa trabalho vivê-la. Mas Deus, na sua infinita Misericórdia, veio em nosso auxílio – fez-se Homem! – para nos dizer com palavras humanas qual é o caminho que nos faz de verdade homens perfeitos e felizes: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6). E não nos oferece apenas uma felicidade natural: mediante a Sua Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição, abriu-nos as portas para nada menos do que a vida íntima de Deus Uno e Trino. Colocou à nossa disposição a Sua própria Felicidade: o máximo, não já relativamente ao Homem, mas em absoluto.

E para que todos os homens possam conhecer facilmente – sem disputas ou dúvidas angustiosas, sem esforços hercúleos – quais são as coisas que nos aproximam de Deus e quais as que nos afastam dEle, fundou a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. Dotada de um Magistério autorizado, assistido sempre pelo Espírito Santo – o Espírito da Verdade –, a Igreja é capaz de traçar, a cada momento, o mapa certo e seguro dos caminhos do bem. Temos aí – especialmente os católicos, mas também de algum modo todos os outros – o grande critério, a grande luz, a grande segurança para discernir o bem do mal. Assim podemos conhecer essa “norma suprema da vida humana”, que o Concílio Vaticano II recorda como “a própria lei divina, eterna, objetiva e universal, pela qual Deus ordena, dirige e governa o Universo e os caminhos da comunidade humana.” (5)

NOTAS:

(1) SANTO AGOSTINHO, Confissões, X, 17
(2) CORNELIO FABRO, Dios, Madrid, Ed. Rialp, 1961, p. 203
(3) SANTO AGOSTINHO, o.c., I, l
(4) Audiência geral, 27-VII-1983
(5) Decreto Dignitatis humanae, nº 3.

Fonte: Arvo.net

 

Entre as centenas de campanhas publicitárias natalinas que percorrem a tevê e a internet nesta época do ano, o anúncio de uma marca de licores espanhola está dando o que falar. O vídeo da Ruavieja sublinha, de modo comovente, como a correria com as nossas tarefas e a onipresença das novas tecnologias tomam o lugar da nossa convivência com as pessoas que amamos.

A produção do vídeo reuniu de surpresa sete duplas de amigos e parentes com muita estima uns pelos outros. “Para ser sincero, acho que ele é o único amigo que tenho. Amigo de verdade”, diz no vídeo Juan Pedro, amigo de Juan Luis. Jone, por sua vez, diz ao amigo Raúl: “Dá para dizer que a minha vida mudou graças a você”. “Se você não estivesse por aqui, não sei o que faria sem você”, diz María Jesús ao filho Ramón.

Logo, eles reconhecem que não se veem tanto quanto gostariam. “Sempre houve a incerteza de quando nos veremos de novo”, diz Juan Pedro. “É a distância. Ele mora em Barcelona e eu em Madri”, explica María Jesús. No vídeo, o psicólogo Rafael Santandreu, que conduziu a conversa com as duplas, explica que nosso cérebro está programado para não pensar no tempo que nos resta. “Assim, temos a sensação de que sempre teremos a oportunidade de fazer as coisas que nos fazem felizes”, diz ele.

“O contato com as pessoas com quem nos importamos está se transferindo para as redes sociais. Como consequência, cada vez passamos menos tempo com as pessoas que amamos e mais tempo olhando para telas”, diz o vídeo. Em seguida, Santandreu conta que é possível calcular quanto tempo cada dupla ainda passará junta, com base em dados como a idade de cada um e a frequência com que se veem. Quando ele revela os números, a reação é comovente.

“É muito pouco”, diz, chorando, María Jesús, vendo que lhe restam 81 dias e 6 horas com o filho, que afirma: “Esperava anos, não dias”. “Que terrível, hein?”, exclama Juan Luis ao saber que passará mais 3 dias e 6 horas com o amigo. “Não pode ser verdade”, diz Ana, amiga de Silvia, ao ver que, pelos dados, vão passar juntas apenas mais 44 dias e 15 horas. O vídeo ainda compara esses números com dados levantados por pesquisas segundo as quais passaremos 10 anos dos próximos 40 olhando para telas.

No hotsite criado para a campanha, é possível fazer o cálculo e descobrir quando tempo você ainda vai passar com as pessoas que ama, inserindo a sua idade, a do seu amigo ou parente e a frequência com que se veem. Clique aqui e confira.

Produção

Os realizadores do vídeo, Telmo Pagalday e Kerman Romeo, trabalharam durante dois anos na produção – que teve mais de 6 milhões de visualizações no YouTube em menos de três dias. “O vídeo fala de um tema que todos conhecem. Isso é o que impactou as pessoas”, avaliam eles. Os participantes foram selecionados através das redes sociais e não tinha muita ideia do que aconteceria na produção.

Eles participaram das entrevistas sem saber que era para um anúncio e sem saber que estavam sendo filmados. “Estávamos filmando e – uau! – de repente víamos os câmeras emocionados, a equipe chorando”, contam os realizadores, que também ficaram impactados com as histórias. “Agora Juan Pedro e Juan Luis nos escrevem por Facebook para dizer que estão se vendo mais”, divertem-se.

Fonte: Sempre Família 

Veja o vídeo em espanhol abaixo.

Assistindo a um vídeo no YouTube, me deparei com essa uma explicação:  ‘só a ostra que sofre é que faz pérola’. Porque, para fazer a pérola, a ostra precisa ter alguma coisa que a irrite, um grãozinho de areia que a faça sofrer. Então, ao invés de eliminá-lo, ela envolve aquele ponto agudo cortante por uma substância lisa. E a ostra vai produzir a pérola para deixar de sofrer.

Não defendo a dor nem o sofrimento, mas acredito que, já que não podemos evitá-los, devemos aprender com eles. E no fim agradecê-los por terem feito de nós pessoas mais fortes. Por permitirem que, de um jeito inesperado, nos tornássemos capazes de usar a sabedoria a nosso favor, tirando algum proveito da dor. Por nos mostrarem que, em algum lugar dentro de nós existe uma força que nos sustenta quando tudo o mais desmorona.

Uma das orações mais bonitas que existem é a Oração da Serenidade. Criada durante a Segunda Guerra Mundial, fala de aceitação, coragem e sabedoria. Não à toa é recitada em grupos de recuperação de vícios, pois sintetiza de forma muito bonita como podemos encontrar equilíbrio e harmonia naqueles momentos em que a vida nos tira o chão.

A parte mais conhecida da oração diz assim: “Concede-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma das outras”. Mas também gosto do trecho da oração completa que fala assim: “Aceitando esse mundo tal como ele é, e não como eu queria que fosse”.

O mundo tal como ele é nem sempre é como a gente desejaria, ou sonharia que fosse. Por isso, é preciso discernimento para entender onde nossa energia e boa intenção podem frutificar ou não. É preciso sabedoria para recuar, para aceitar o que não dá para mudar, para talvez, quem sabe, seguir por outro caminho.

Porém, o que vejo por aí é muita gente dando murro em ponta de faca, se enfurecendo com a vida, com Deus, com as pessoas… quando deveria apenas confiar. Outras vezes, me deparo com o contrário: tanta coisa a ser feita, tantas mudanças positivas a nosso alcance, e falta ânimo e coragem para começar.

Aceitar é um gesto de humildade, de reconhecer nossa pequenez diante de Deus, e também um ato de fé, ao admitir que há um propósito maior para a dor, que eu não entendo nem consigo explicar, mas no qual acredito e confio.

Quando uma ostra produz uma pérola, ela entende – e aceita – que não há como expelir o grão de areia que tanto a machuca. Assim, busca dentro dela recursos para que possa vencer a dor dignamente. Buscando uma saída, produz uma pérola. Essa é uma belíssima analogia da sabedoria da natureza que poderia inspirar a sabedoria humana, tão rara nos dias atuais.

Não adianta vivermos ressentidos com o sofrimento que a vida nos impõe. Não somos vítimas de uma conspiração divina para nos punir. Certas coisas acontecem aleatoriamente, e se não aprendemos a entrar no ritmo da vida, sofremos mais. Temos que perdoar os infortúnios, e seguir sem nos sentirmos magoados com a existência.

É preciso aprender a ser forte sem perder a delicadeza. Aprender a tolerar as mudanças de planos, os desvios de rota e a quebra de contratos com paz no coração e absolvição das próprias culpas. É preciso acreditar que, ainda que a vida nos machuque repetidas vezes, temos a possibilidade de desgastar-nos ou afiarmo-nos, tudo depende do metal de que somos feitos…*

*Essa frase é referência á célebre frase de George Bernard Shaw: “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.”

Aleteia

Todo mundo tenta evitar companhias tóxicas; no entanto, isso pode ser um pouco complicado. Quando a pessoa tóxica é manipuladora e encantadora ao mesmo tempo, fica muito difícil identificá-la como tal.

Geralmente não gastamos o nosso tempo procurando problemas em nossos amigos, dessa forma, só percebemos que estamos lidando com uma pessoa tóxica depois de certo tempo, e isso pode levar meses ou até anos.

A seguir estão 6 sinais que podem ajudá-lo a detectar uma companhia tóxica:

1. Exibem desrespeito de forma casual

Isso pode se manifestar através de pequenas atitudes, como um revirar os olhos ou falar com a garçonete em um tom mais condescendente. É também bem típico desse tipo de pessoa burlar regras que não sejam tão comprometedoras como, por exemplo, tirar uma selfie num evento em que é claramente proibido tirar fotos; é como se elas quisessem mostrar que são melhores que as outras, outro exemplo é deixar o prato sujo em cima da mesa, confiante de que alguém vai tirar para ela, essas são pequenas atitudes que demonstram a falta de consideração que elas têm pelos outros. Esses sinais podem servir de alertas para que você se afaste, pois ela pode tratar os seus sentimentos da mesma forma que deixa a roupa jogada no chão do banheiro.

2. São especialistas em colocar a culpa nos outros

Esse tipo de pessoa evita assumir a responsabilidade em qualquer tipo de conflito e habilmente transfere a culpa para os outros: Se a esposa não tivesse incomodado ele para ir cortar a grama, ele não teria tropeçado e se machucado; se o chefe não fosse tão idiota, ele já teria conseguido o aumento desejado. Essa mentalidade não se aplica apenas às pessoas de seu círculo de amizades, mas também às figuras de autoridade. Esse tipo de pessoa sempre reclama de todas as multas que recebe no trânsito, como se nenhuma delas tivesse sido sua culpa.

3. São ótimas em se gabar

Essas pessoas são obsessivas por si mesmas. Geralmente acham que são as melhores naquilo que fazem, vivem se gabando por praticar mil atividades e ter vários hobbies. Gostam de se gabar na frente de outras pessoas, principalmente porque isso faz com que elas cresçam e você diminua na frente dos outros, isso faz elas se sentirem bem, infla o seu ego. O problema é que isso faz mal a você.

4. Gostam de interromper

Interromper os outros é provavelmente o sinal mais irritante, e é o indício de um problema mais profundo. Isso significa que, para ela, as palavras dela são muito mais importantes do que as dos outros. Isso só evidencia que essa pessoa é extremamente egocêntrica e com pouca consideração aos sentimentos e pensamentos alheios. A escolha pela interrupção também sinaliza que ela não estava ouvindo o que você estava falando, só estava na verdade esperando a sua vez de falar.

5. Sentem a necessidade de ser o centro das atenções

“Gosto de ser o centro das atenções. Meu ego gigante anseia por isso”, disse Paul Shaffer, brincando com a necessidade do seu amigo de ser o centro das atenções. No entanto, isso não é brincadeira, é um sinal de toxicidade. Pessoas que precisam da validação constante de outras pessoas, provavelmente não são seguras de si mesmas. Esta insatisfação e autoaversão é a raiz da maioria dos comportamentos tóxicos. Sua própria validação não é suficiente, porque ela não valoriza a sua própria perspectiva. Ela sempre irá implorar pela aprovação dos demais, a não ser que aprenda a amar a si mesma.

6. Sempre têm algo ruim para falar sobre os outros

Elas são extremamente críticas com relação aos outros. O passatempo favorito delas é fazer observações negativas sobre as outras pessoas. Talvez ela sequer conheça o alvo de suas críticas, mas isso não a impede de criticar. Elas gostam de julgar os outros porque assim não precisam olhar para si mesmas. Ao rebaixar os outros, o seu ego é construído da maneira mais tóxica possível.

(via Psiconlinews)

Quando o mundo soube da dramática situação dos 12 meninos tailandeses presos numa caverna em condições de dificílimo resgate, não faltaram, lamentavelmente, os muitos dedos apontados contra o técnico de futebol que os levou até o local para comemorar o aniversário de um dos garotos, todos treinados por ele.

Agora, com a operação de resgate em andamento, algumas informações a respeito dele estão comovendo o planeta:

1 – Ekapol Chanthawong tem 25 anos e é treinador voluntário de futebol. Ele não ganha nada para treinar os meninos, que amam o esporte.

2 – Esta foi a terceira vez que o time visitou a mesma caverna, que é aberta ao acesso de grupos. Todas as visitas foram planejadas. Da primeira vez, o grupo ficou próximo da entrada, numa espécie de reconhecimento básico. Na segunda vez, com mais equipamentos, chegaram um pouco mais longe. Para esta terceira vez, o grupo levou ainda mais equipamentos, lanternas e comida, porque pretendiam passar mais horas no interior da caverna.

3 – Ekapol conta com grande apreço dos meninos do time e dos seus familiares, sendo reconhecido por eles como um amigo de confiança. Esta proximidade, aliás, foi fundamental para que o jovem pudesse exercer a autoridade moral imprescindível para manter o controle emocional dos meninos durante esse drama.

4 – Ekapol foi monge budista. Habituado em seus tempos de mosteiro a exercitar o domínio da mente e o jejum, ele guiou os meninos em momentos de meditação para controlar a ansiedade e manter a calma. Este exercício está sendo apontado por analistas internacionais como fundamental para a sobrevivência do grupo.

5 – Durante os 9 dias que se passaram até a chegada dos primeiros socorristas, Ekapol ficou em jejum: ele não se alimentou para deixar o máximo possível de comida para os meninos.

6 – Ekapol é o mais desnutrido e fragilizado fisicamente de todo o grupo.

7 – Em mensagem enviada às famílias, o jovem de 25 anos demonstrou sentimento de culpa por ter levado os meninos ao local e pediu desculpas.

8 – As famílias declararam que não o consideram culpado e que veem o caso como uma fatalidade.

9 – Ekapol foi o último a ser resgatado.

Fonte: Aleteia

Veja que bela síntese do que vemos nos dias de hoje em nossa sociedade:
” Em seu esforço de criar um novo homem, tudo o que a modernidade conseguiu foi inventar jovens sem heroísmo e sem coragem; velhos sem sabedoria e sem maturidade; mulheres sem caridade, sem beleza e sem graciosidade; e homens sem virilidade, sem honra e sem senso de dever.
 
Os modernos criaram uma vida sem vitalidade e sem propósito, produzindo uma sociedade adoentada e incapaz de transcender o animalismo sensorial mais rasteiro.
 
Se nascemos nesta época de degeneração e decadência, no entanto, não nos cabe lamentar ou nos refugiar em algum tipo de saudosismo lamurioso, mas sim agir e viver como quem compreende que a grandeza da civilização tem muito menos a ver com as riquezas que ela legou aos nossos antepassados do que com os esforços que nossos antepassados fizeram para enriquecê-la — se algum dia nossa decadência for revertida, certamente não será pela ação de políticos ou de instituições, mas pela virtude das personalidades e pela revigoração das famílias, por meio da grandeza do coração materno, da força da honra paterna, da exuberância do espanto juvenil e da indispensável ajuda divina”.
Autor: Filipe G. Martins, via Redes Sociais

É impressionante como algumas pessoas que raramente lêem a Bíblia são rápidas no gatilho na hora de citar um versículo bíblico quando discutem com cristãos: “Não julgueis” ( Mt 7, 1).

Essa frase é utilizada muitas vezes para calar-nos e impedir-nos de tocar em questões morais. “Você não deve dizer aos outros o que é certo ou errado! Afinal de contas, Jesus disse: ‘Não julgueis!’”

A Bíblia, porém, refere-se ao julgamento de diferentes maneiras. Antes de mais nada, nós nunca deveríamos julgar a alma de outra pessoa. É isso o que Jesus critica ao dizer: “Não julgueis.” Somente Deus sabe em que condições espirituais as pessoas se encontram e como elas se relacionam com Ele.

Por outro lado, ao mesmo tempo que nos proíbe julgar os outros, Jesus não nos diz que é pecado usar a inteligência para discernir o certo do errado. De fato, a Bíblia nos exorta a formar bons e sábios juízos a respeito de muitas coisas na vida. São Paulo, por exemplo, diz que “o homem espiritual julga todas as coisas” (1Cor 2, 15).

O problema é que muitas pessoas têm medo de dizer que algo é moralmente errado porque não querem parecer “intransigentes”, “sentenciosas”, e nós precisamos ajudá-las a perceber que há uma grande diferença entre fazer um julgamento moral, por um lado, e julgar a alma de alguém, por outro.

Ora, eu posso usar a minha inteligência para fazer um simples julgamento? Se percebo que está chovendo, formulo o seguinte juízo: “Tenho de levar o guarda-chuva”; se, pelo contrário, estiver nevando, julgo de outra maneira: “Preciso me agasalhar”. Devo ser considerado um “preconceituoso sem coração” por fazê-lo? É claro que não; Deus me deu uma inteligência, e quer que eu a utilize.

De modo parecido, posso usar a minha razão para fazer um julgamento sobre as ações de outras pessoas? Se eu vir a minha filhinha correndo em direção à rua, posso julgar assim: “Isso não será bom para ela, porque talvez seja atropelada”? Se eu o fizer, não estarei dizendo que minha filha é uma pessoa horrível, condenada ao fogo do inferno; estarei apenas observando que ela está prestes a fazer algo que lhe pode ser prejudicial.

Mas sigamos em frente. Posso usar a minha inteligência para avaliar as ações morais de outra pessoa? Suponhamos que haja uma jovem universitária que tem-se deitado com um rapaz depois do outro. Posso empregar minha razão e julgar: “Isso não é bom para ela”? Posso fazer o seguinte julgamento: “Ela não vai ser feliz se continuar vivendo assim, pois nunca encontrará o amor duradouro que tanto deseja. Ela foi feita para algo melhor do que isso”? É claro que posso!

Mas não nos esqueçamos: fazê-lo não é julgar a sua alma. Ela pode muito bem estar fazendo algo objetivamente errado; mas eu, em todo caso, não tenho acesso à situação pessoal dela perante Deus. Não conheço o seu passado, a sua vida, as suas mágoas. O estado de uma alma aos olhos de Deus é algo reservado apenas a Deus e a essa alma. O Catecismo da Igreja Católica explica como diversos fatores podem entrar em jogo nas decisões livres do homem de tal maneira que a sua culpabilidade pode ser diminuída e limitada (cf., por exemplo, CIC, § 1860).

Só Deus enxerga o quadro inteiro. Talvez essa moça venha de uma família mal estruturada e nunca tenha vivido um amor autêntico; talvez tenha sido abusada; talvez lhe tenham ensinado que isto, fazer sexo casual, significa “ser uma mulher livre e autônoma”. Essa jovem não precisa que eu a condene ao inferno; ela precisa conhecer o amor de Deus, a sua misericórdia e os planos que Ele tem para a vida dela.

Ao mesmo tempo — e isto é imprescindível —, se eu me importo verdadeiramente com ela, não deveria dizer-lhe algo sobre o modo como tem vivido? Se ela fosse, por exemplo, uma amiga próxima ou até mesmo um parente, não deveria falar-lhe dessas coisas?

Eu não estaria julgando a sua alma — isso é algo entre ela e Deus. Mas amar é querer o bem do outro, buscar o que é o melhor para a outra pessoa; e se eu realmente a amo, não haverá prova maior desse amor do que procurar endireitá-la, mostrar-lhe o bom caminho.

Eu devo, é claro, ser prudente, falar no tempo e do modo conveniente, com fina delicadeza, humildade e compaixão. Mas ficar sentado de braços cruzados, sem nunca compartilhar com ela a verdade, não é por certo uma grande prova de amor. É como se eu visse a minha filha de dois anos a ponto de tocar a boca quente do fogão e lhe dissesse: ” Olha, eu não faria isso; mas não quero julgar. Faça o que a fizer feliz“.

Imagine ainda que a minha filha, que ainda não sabe falar, está prestes a jogar-se na piscina e eu lhe digo: “Bom, se é o que deseja fazer… Eu, pessoalmente, não o faria; mas não quero lhe impor minhas opiniões. A vida é sua”. Seria isso um gesto de amor? Evidentemente não.

Essa postura nos revela mais uma tragédia do relativismo moral: ele nos impede de amar as pessoas. Ele pode tornar-nos indiferente às necessidades das pessoas que Deus colocou em nossa vida. Em vez de tratar com amor e solidariedade os irmãos que vemos tropeçar na vida, fazemo-nos apáticos e desentendidos. Imitamos o exemplo de Caim, que disse: “Sou porventura eu o guarda de meu irmão?” (Gn 4, 9). Isso não é amor.

Saiamos logo da cultura do relativismo e mostremos mais amor às pessoas que fazem parte de nossa vida, partilhando com elas a verdade.

Publicado originalmente em National Catholic Register. Traduzido por Equipe Christo Nihil Praeponere

O Reino Unido nomeou pela primeira vez na história, uma ministra da Solidão, para enfrentar o que a primeira-ministra britânica, Theresa May, descreveu como “a triste realidade da vida moderna”, que afeta milhões de britânicos.

Tracey Crouch, também encarregada de Esporte e Sociedade Civil, vai acumular o cargo como parte de uma estratégia mais ampla para combater a solidão no país, problema associado a demência, mortalidade prematura e pressão sanguínea alta.

                                   Tracey Crouch, a primeira ministra da Solidão do Reino Unido

“Para muitas pessoas, a solidão é a triste realidade da vida moderna”, disse May. “Quero enfrentar esse desafio pela nossa sociedade e para que todos nós possamos agir para combater a solidão enfrentada pelos mais velhos, pelos cuidadores, por aqueles que perderam seus entes amados – pessoas que não têm ninguém para conversar ou compartilhar seus pensamentos e experiências”, acrescentou a premiê.

Mais de 9 milhões de pessoas dizem viver permanentemente ou frequentemente sozinhas, de uma população de 65,6 milhões, de acordo com a Cruz Vermelha Britânica. A instituição descreve a solidão e isolamento como uma “epidemia oculta”, afetando pessoas de todas as idades e em todos os momentos de suas vidas, como durante a aposentadoria, na morte do parceiro ou na separação.

A nomeação ministerial segue uma recomendação de um comitê criado pela deputada assassinada Jo Cox, uma legisladora do Partido Trabalhista que foi morta em 2016 por um extremista de direita, nas vésperas do referendo sobre o Brexit. O caso chocou o Reino Unido.

A Comissão Jo Cox para a Solidão, criada pela deputada pouco antes de ela ser morta, pediu para que fosse designado um ministério para tratar do problema. “Jo estaria nas nuvens”, escreveu o viúvo da deputada, Brendan Cox.

“Jo experimentou e testemunhou a solidão através de sua vida, especialmente quando começou a estudar na Universidade de Cambridge e esteve separada de sua irmã Kim, pela primeira vez”, escreveu a Fundação Jo Cox no Twitter.

“Ela ficaria encantada com o novo cargo de Tracey Crouch como ministra da Solidão e diria ‘vamos ao trabalho!'”, acrescentou a organização.

Fonte: DW

Algumas pessoas são tão pobres que não têm nada além de dinheiro…

Não é de hoje que o luxo, a riqueza e o conforto são atrativos e valorizados nos meios sociais. Com o advento das mídias, incluindo-se a internet, a ostentação, por si só, tornou-se algo rentável, como que um meio de vida.

Existem pessoas que sobrevivem e ganham muito dinheiro, inclusive, apenas vivendo e se mostrando, estampando capas de revistas, programas de televisão, perfis que bombam nas redes sociais, por serem ricas e, consequentemente, famosas.

Nesse contexto, não raro se confundem os valores, deixando-se a essência de lado, enquanto se supervalorizam as aparências, ou seja, o que se tem sobrepõe-se ao que se é, porque o que se vê torna-se referência em quaisquer julgamentos sobre o outro.

Basta perceber que os cantores atuais também trabalham a imagem, seus corpos e cabelos, pois devem vender muito além de sua voz. Parece que qualquer talento necessariamente precise atrelar-se a um corpo esguio, uma vez que a mídia pede isso.

Nessa lógica materialista, as pessoas acabam sendo tomadas como objetos que podem ser comprados e usados. Infelizmente, tudo vem se tornando mercadoria: pessoas, sentimentos, casamento, empregos, como se o único meio de ocuparmos um lugar ao sol fosse pela sua compra.

Compram-se votos, cargos, vaga na faculdade, compram-se amizades, testemunhos, compra-se amor. Sobra pouco para quem não tem grana, mas o que sobra é, ao menos, real.

Nada substitui a satisfação e o contentamento proporcionados pelas conquistas que alcançamos com nossos próprios méritos, pelo que somos verdadeiramente e oferecemos afetivamente. Tudo o que chega com sinceridade e vontade fica e enriquece, pois soma e agrega valores nobres que dinheiro algum corrompe.

Quem fica junto pelo que temos dentro de nós traz intensidade, inteireza e completude. Serão os abraços reconfortantes, faça sol ou caia chuva torrencial, sem hesitações, sem meias verdades. Serão o corpo e a alma.

Tentar conquistar algo ou alguém por outros meios que não a nossa verdade nos igualará ao nível de quem se vende. Temos, portanto, que aprender a valorizar além das aparências, apreciando o melhor que cada um possui dentro de si.

É preciso cautela com o que brilha demais, afinal, lembremo-nos das mariposas: atraídas pela luz das lâmpadas, acabam antecipando o próprio fim.

(via Psiconlinews)

O respeito é aquela atitude fundamental que, por assim dizer, se pode apontar como mãe de toda a vida moral, porque é ela que, antes de mais nada, permite abeirar-se do mundo e abrir os olhos para os valores que encerra.

Os valores éticos são o que há de mais elevado entre todos os valores naturais. Acima da genialidade, da sensatez, da vida próspera, acima da formosura da natureza e da arte, acima da estrutura perfeita e da força de um Estado, estão a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Um ato de autêntico perdão, uma renúncia magnânima, um amor ardentemente abnegado encerram um significado e magnitude, uma transcendência e perenidade muito maiores do que todos os valores da nossa civilização. Os valores éticos são o âmago do mundo; a sua negação, o pior dos males: pior do que o sofrimento, a doença, a morte, pior do que a ruína das culturas mais florescentes.

Assim o reconheceram já todos os grandes espíritos, um Sócrates e um Platão, insistindo sempre em que é melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la. Mas é sobretudo no cristianismo que esta preferência pelos valores éticos toma o lugar de uma concepção fundamental.

Os valores morais são sempre valores da pessoa. Inerentes unicamente ao homem, só no homem se podem realizar. Uma coisa material, digamos uma pedra, uma casa, não pode ser moralmente boa ou má; nem pode sê-lo um ser vivo, como, por exemplo, uma árvore ou um cão. De modo semelhante, as invenções, as obras do espírito humano – os livros científicos, as obras de arte – também não podem ser sujeitos de valores morais: não lhes é dado serem leais, humildes, cordiais. Podem, quando muito, como sedimento do espírito humano, refletir indiretamente esses valores.

Só o homem, como ser livre, no uso da sua responsabilidade, pode ser moralmente bom ou mau na sua ação e nos seus negócios, no seu querer e no seu esforço, no seu amor e ódio, na sua alegria e tristeza, e nas suas atitudes fundamentais duradouras. Eis por que o ser do próprio homem, a personalidade penetrada de valores éticos – o homem humilde, puro, veraz, fiel, justo, dedicado – é mais transcendente do que a criação de bens culturais.

Mas de que modo chega o homem a participar desses valores morais? Acaso se formam por si sós, como a beleza do semblante, como a inteligência de que foi dotado, como um temperamento vivo? Não: têm origem em atitudes livres e conscientes; exigem uma colaboração essencial. A sua presença depende de uma dedicação consciente e livre. E quanto mais o homem se abrir aos valores éticos, quanto mais pura e incondicionalmente se dedicar a eles, tanto mais rico será também ele próprio em valores morais.

Um homem é incapaz de ser moralmente bom se estiver cego para o valor moral das outras pessoas, se não distinguir o valor inerente à verdade do não-valor inerente ao erro, se não entender o valor que há numa vida humana ou o não-valor de uma injustiça. Se alguém se interessa apenas por saber se determinada coisa o satisfaz ou não, se lhe é agradável, em vez de se interrogar sobre o seu significado, a sua beleza, a sua bondade, ou sobre o que vem a ser em si mesma; numa palavra, se não se interessa por saber se essa coisa é valiosa, é-lhe impossível ser moralmente bom.

A alma de todo o comportamento eticamente bom reside na dedicação àquilo que objetivamente é valioso, no interesse por uma ação na medida em que esta encerra valores morais. Suponhamos dois homens que testemunham uma injustiça sofrida por um terceiro. Um, interessado apenas na sua satisfação pessoal, não se importa nada com o ocorrido, dizendo de si para si: antes ele do que eu. O outro, em contrapartida, prefere sofrer pessoalmente a injustiça a ver o terceiro padecê-la. Este é que tem um comportamento moralmente bom; aquele, um comportamento imoral, porquanto passa indiferente pela questão dos valores.

Fazer ou deixar de fazer o que é agradável, mas indiferente do ponto de vista dos valores, isso fica à discrição de cada um; se uma pessoa come ou não um prato saboroso, isso é lá com ela. O que é valioso, porém, exige de nós uma resposta afirmativa, assim como o não-valioso nos exige uma recusa.

Aqui já não se pode adotar um comportamento qualquer; impõe-se dar a resposta correta. Ajudar alguém que passa necessidade não é uma questão de gosto; quem não o faz torna-se culpado de ignorar o valor objetivo da ajuda. Só o homem que entende que há coisas belas e boas em si mesmas é que capta a exigência sublime dos valores, o seu apelo a deixar-se guiar por eles e a submeter-se à sua lei. Só esse homem é capaz de ultrapassar o seu horizonte subjetivo e de crescer moralmente, entregando-se ao que é significativo e vencendo a limitação de sempre perguntara si próprio o que é que o satisfaz. Só esse homem pode tornar-se propriamente portador de valores éticos.

Ora, isso só se verifica no homem respeitador. O respeito é aquela atitude fundamental que, por assim dizer, se pode apontar como mãe de toda a vida moral, porque é ela que, antes de mais nada, permite abeirar-se do mundo e abrir os olhos para os valores que encerra. Por isso, quando se fala sobre as atitudes éticas fundamentais, isto é, sobre atitudes que fundamentam toda a vida moral, temos de falar em primeiro lugar do respeito.

O homem desrespeitoso, atrevido, é incapaz de toda e qualquer dedicação e subordinação. Ora se torna escravo da soberba, daquela contração do eu que o encerra em si mesmo e o mergulha em cegueira, levando-o a perguntar constantemente: Terá subido de ponto o meu prestígio, terá aumentado o meu poder?; ora se faz escravo da avidez com que reduz o mundo inteiro a uma mera ocasião de prazer. Por isso não consegue criar no seu íntimo aquele silêncio, aquela atitude receptiva que permite compreender o que há de peculiar e valioso em cada situação e em cada homem. Trata tudo com a impertinência e a indelicadeza de quem só repara em si mesmo e só se escuta a si mesmo, sem cuidar do mais que existe. Não sabe manter distância alguma em relação ao mundo.

Esta falta de respeito apresenta duas modalidades, conforme se baseie na soberba ou na avidez. A primeira, a falta de respeito que procede da soberba, é a insolência. O homem deste tipo, com uma sobranceria petulante, abeira-se de tudo sem se dar ao incômodo de entender a fundo coisa alguma. É o sabichão enfadonho que, sem mais, tudo julga descobrir e conhecer de antemão. É o homem para quem nada pode haver de superior a si mesmo, nada que ultrapasse o seu horizonte ou encerre algum segredo. É o homem a quem Shakespeare, no seu Hamlet, avisa que há mais coisas entre céu e terra do que sonha a vossa filosofia. É o homem ignorante, obtuso, do gênero daquele Wagner, fâmulo do Fausto, todo satisfeito por ver quanto progrediu.

Um homem destes não sabe nada da amplidão e da profundeza do mundo, do sentido misterioso e da plenitude incomensurável do belo e do bom, de que nos falam cada raio de sol e cada planta, e que se desvendam no sorriso inocente de uma criança e nas lágrimas de arrependimento do pecador. Para o seu olhar estreito, arrogante, o mundo achatou-se, tornou-se unidimensional, insípido, insignificante. Está cego para os valores e para o mundo. Passa por eles ignorando-os.

A outra modalidade de falta de respeito, a do ávido embotado, é igualmente cega para os valores. Só lhe interessa saber se uma coisa lhe é ou não agradável, se lhe dá prazer, se lhe traz alguma utilidade, se precisa dela. Em tudo se limita a ver o aspecto que se prende com o seu interesse ocasional, imediato. Tudo quanto há se cifra para ele num meio de atingir os seus fins egoístas. Gira eternamente no círculo da sua estreiteza, sem dele sair jamais. Daí o não conhecer também a felicidade profunda e verdadeira que só brota da dedicação a valores puros, do contato com aquilo que em si é belo e bom.

Não se dirige com insolência a tudo o que existe, como o primeiro tipo, mas é como ele falto de abertura e de distância; porque, como apenas procura o que num dado momento lhe é útil e necessário, tudo passa por alto. Não logra jamais o silêncio interior, não consegue abrir-se, não se deixa presentear. Também ele vive num eu espasmodicamente contraído. O seu olhar resvala em tudo estupidamente, sem penetrar no verdadeiro sentido e valor de qualquer assunto. É também míope, e põe-se tão perto de tudo, que lhe escapa o conhecimento da verdadeira essência das coisas; deste modo, não concede a nada do que existe o espaço necessário para que se desenvolva na sua peculiaridade e plenitude, e o mundo fecha-lhe por seu turno a sua amplitude, profundeza e altura.

Quem é respeitador encara o mundo de uma maneira inteiramente diferente. Descontraído, sem espasmos, livre da soberba e da avidez, longe de encher o mundo com o seu eu, cede ao que existe a sua vez, para deixá-lo desenvolver-se na sua peculiaridade. Percebe a dignidade e a nobreza do que existe, simplesmente por existir em face do nada; percebe o valor que possui cada pedra, cada fio de água, cada talo de erva, enquanto é real, enquanto é criação que possui o seu ser próprio; percebe que cada coisa é o que é, que é algo independente da pessoa do observador e subtraído ao seu arbítrio, ao contrário de qualquer simples quimera ou aparência.

Eis por que, em vez de fazer da criação um simples meio para si e para os seus eventuais objetivos e fins egoístas, toma-a a sério em si mesma, dando-lhe a vez de se mostrar na sua peculiaridade. Cala-se para deixar falar o existente.

Esta atitude de abertura ao existente como tal, embebida da disposição de apreciar algo de mais elevado que o próprio arbítrio e prazer, faz do homem um vidente de valores. A quem se há de abrir a sublime beleza de um pôr-do-sol ou de uma Nona Sinfonia de Beethoven, a quem senão àquele que respeitosamente se abeira dela, abrindo-se interiormente ao respectivo ser que nela existe? Para quem há de reluzir o milagre que palpita na vida e desabrocha em qualquer planta, para quem senão para aquele que a contempla cheio de respeito? Em contrapartida, o mundo, cheio de sentido e de finalidades organizadas, nunca se desvenda na sua beleza e misteriosa dignidade a quem se limita a ver nele gêneros alimentícios ou um ganha-pão, isto é, qualquer coisa de que se pode servir e que lhe aproveita.

O respeito é o pressuposto imprescindível de todo o conhecimento profundo, e sobretudo de todo o deixar-se enriquecer e elevar pelos valores, de toda a subordinação à sua majestade. Assim no-lo pode confirmar o comportamento moral nas mais diversas esferas da vida.

Com efeito, a atitude fundamental de respeito está na base de todo o gênero de comportamentos éticos do homem para com o seu próximo e para consigo.

Só o indivíduo respeitador pode descobrir toda a magnitude e profundidade de cada homem enquanto pessoa espiritual, enquanto ser livre e responsável, o único entre os seres conhecidos que é capaz de compreender e comunicar-se com os outros seres, adotando perante as coisas uma posição cheia de sentido; o único destinado a tornar-se um recipiente de bondade, pureza, fidelidade, humildade. Como há de alguém abrir-se realmente a um outro, como há de sacrificar-se por ele, se não faz ideia da preciosidade e da abundância que se encerram numa alma humana, se não tem nenhum respeito por essa criação?

Além disso, esta atitude fundamental de respeito é pressuposto de todo o verdadeiro amor, sobretudo do amor ao próximo, porque nenhum amor é possível sem a compreensão dos valores que a pessoa traz consigo. O respeito pelo ser amado é parte constitutiva de cada amor. A capacidade de escutar a peculiaridade do outro, em vez de violar essa peculiaridade ao sabor dos próprios desejos, a capacidade de tomar a sério o ser amado e de lhe dar largas para que se possa expandir – todos estes elementos, que compõem a estrutura do amor autêntico, derivam do respeito.

Que seria do amor de mãe sem o respeito pela criança em formação, por todas as possibilidades de valor nela latentes, peias preciosidades da sua alma? E não é nesta atitude fundamental de respeito que repousa a justiça para com os demais, a estima pelos seus direitos, pela liberdade das suas resoluções, bem como a limitação dos caprichos próprios e a compreensão das pretensões alheias? O respeito pelo vizinho é por sua vez o fundamento de toda a verdadeira convivência, da reta incorporação no matrimonio, na família, na nação, no Estado, na humanidade; é ainda o fundamento da submissão à autoridade legítima, do cumprimento dos deveres morais para com a comunidade como um todo e para com os membros individuais que a compõem. A falta de respeito rompe e corrompe a comunidade.

Mas o respeito é também a alma do reto comportamento ético noutras esferas da vida. É o que sucede, por exemplo, na esfera da pureza. O respeito pelo segredo da união conjugal, pela profundidade, delicadeza e caráter rotundamente definitivo dessa intimíssima entrega, constitui o pressuposto da pureza. É o respeito que, antes de mais, permite compreender como é pavoroso invadir abusivamente esse campo íntimo, compreender até que ponto há nessa invasão uma profanação e uma degradação de si mesmo e dos outros. O respeito pelo milagre da origem da nova vida, na mais estreita união amorosa entre dois seres humanos, fundamenta o horror a todas as demolições da misteriosa conexão que existe entre o amor e a formação de um novo homem, permitindo compreender quanto elas são injuriosas, artificiais ou impertinentes.

Onde quer que se ponham os olhos, onde quer que no homem deva florescer a vida moral, o respeito é sempre o fundamento e simultaneamente um elemento essencial dessa vida.

Sem essa atitude fundamental, não há nenhum amor verdadeiro, nenhuma justiça, nenhuma consideração, nenhuma auto-educação, nenhuma pureza, nenhuma veracidade; mas, sobretudo, nenhuma profundidade.

Sem o respeito, o homem torna-se mesmo trivial e fútil, porque não entende a profundidade que se esconde nos seres, porque para ele não há mundo algum por trás ou acima do visivelmente palpável.

Por isso, também só para o homem respeitador se abre a esfera da religião. O sentido e o valor que se encerram no mundo como um todo, só aos seus olhos se revelam. Assim, o respeito surge como atitude ética fundamental, no início de todo o conhecimento, de toda a vida moral, de toda a religião. O respeito é, portanto, a base de todo o comportamento reto do homem para consigo mesmo, para com o próximo, para com todas as esferas da criação e sobretudo para com Deus.

Fonte: Atitudes éticas fundamentais, Editora Quadrante. São Paulo, 1995, 3-12.

Uma nova e preciosa página na história da NBA! Dois de seus grandes atletas – Magic Johnson e Isiah Thomas – ficaram 26 anos separados pelo ódio, pelas acusações, maledicências e aspereza. Porém, diante das câmeras da NBA TV, selaram a reconciliação com um encontro, um abraço e muitas lágrimas.

O enfrentamento entre Magic Johnson e Isiah Thomas começou em 1991, quando Magic Johnson anunciou que era portador do vírus HIV. Na época, Isiah Thomas deu declarações questionando a vida sexual de Magic, que provocou um escândalo descomunal, inclusive nos vestiários das equipes.

Vingança e ambição

Não foram somente as declarações que levantaram a barreira entre os dois gigantes do esporte. Além disso Magic Johnson – segundo reconheceu mais tarde – fez de tudo para que Isiah Thomas não fosse convocado para os Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. Ele o vetou, com a aprovação de Larry Bird, que era capitão da equipe, assim como Magic. A vingança estava servida. Isiah Thomas ficou de fora do Dream Team.

Foi uma história repleta de feridas, inclusive a que Magic Johnson lançou ao publicar o livro “When the game was ours” (Quando o jogo era nosso), em que fez várias acusações contra seu rival.

Deus foi bom por nos unir outra vez

Depois de 26 anos, o reencontro diante das câmeras não poderia ser mais emotivo. Magic Johnson se dirigiu a Isiah Thomas nestes termos:

“Eu gostaria de te dizer que este é um dia excelente. Minha mulher, meu pai e minha mãe me diziam que eu tinha que voltar a conversar com você. Por isso, quando me chamaram, não tive dúvidas, e disse: claro vamos fazer isso. Só de sentar de frente pra você e poder reviver esses momentos de diversão, excelência, de trabalho duro, de sonhar alto (…) Você é meu irmão, por isso, deixe eu te pedir perdão por ter te magoado e por ter ficado separado de você. Deus é bom por nos unir outra vez”

As palavras de Magic Johnson duraram 58 segundos. Depois, os jogadores choraram e se abraçaram.

O perdão foi mais forte que a mágoa que separou estes gigantes por 26 anos. Talvez seja a melhor história de Natal do basquete.

Veja!