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O arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa Savino, emitiu hoje um comunicado, em nome da Igreja Católica, a condenar o uso excessivo de parte das forças de segurança contra manifestantes opositores.

“Com serena indignação e firmeza, quero expressar a minha condenação aos atos de repressão que o Governo, através da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar), alguns corpos policiais e grupos armados paramilitares, têm realizado nestes 80 dias de protestos políticos”, afirma.

Segundo Jorge Urosa Savino, o povo venezuelano, amparado pela Constituição, “manifesta-se contra a gravíssima situação de fome, carência de medicamentos e bens essenciais, assim como contra o desconhecimento da Assembleia Nacional, a detenção de pessoas por serem adversários do Governo e a eliminação das eleições previstas na Constituição e nas leis”.

“A isso soma-se a convocatória, sem consultar o povo soberano, feita pelo Presidente (Nicolás) Maduro para uma nova Assembleia Constituinte setorial e desvirtuada, com bases tendenciosas e parcializadas, que não respeitam a universalidade nem a proporcionalidade do voto”, frisa.

Segundo o arcebispo, as manifestações opositoras “têm sido, quase todas, atacadas pelo Governo, de diversas maneiras e o resultado quase 70 pessoas assassinadas pela ação repressiva”.

“Isso é totalmente ilegal e anti-constitucional e merece a mais ampla condenação. De igual maneira, a morte de alguns pessoas causadas por alguns opositores”, sublinha.

Jorge Urosa Savino vinca que “a violência é má, venha de onde vier e tem ocorrido em todo o país” e “em Caracas, recentemente, tem-se visto o assassinato de muitos jovens, entre eles Juan Pablo Pernalete, Miguel Castillo, Neolamar Lander, Fabian Urbina, e na tarde de quinta-feira, David Vallenilla, abatido a sangre frio”.

“Por toda essa repressão, ao longo do país, expresso a minha mais contundente condenação à ação violenta e ilegal das autoridades do Governo, que estão a dirigir o controlo das manifestações. Reitero o meu apelo urgente ao fim imediato da repressão das manifestações do povo”, sublinha.

Para a Igreja Católica, “o Governo, em vez de reprimir, deve resolver os problemas que angustiam o povo e que o têm levado às ruas”.

“O Governo deve desistir do propósito de impor um sistema totalitário e antidemocrático. Esse é o apelo que fazemos aos bispos venezuelanos e que, noutros termos, tem também feito o papa Francisco”, vinca.

Na Venezuela, as manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde 01 de abril último, depois de o Supremo Tribunal de Justiça divulgar duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parlamento.

Entre queixas sobre o aumento da repressão, os opositores manifestam-se ainda contra a convocatória a uma Assembleia Constituinte, feita a 01 de maio último pelo Presidente Nicolás Maduro.

O número oficial de mortos é de 76.

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Papa Francisco convocou os bispos da Venezuela para uma reunião urgente no Vaticano. A definição da data deverá acontecer nas próximas horas. Enquanto isso, a crise se aprofunda nas ruas de Caracas e em outras cidades.

Em Roma, ninguém confirmou a data, mas os bispos da Venezuela já estão prontos para o encontro que deverá acontecer com urgência, dado o particular interesse do Papa Francisco na busca de soluções para a grave crise que atravessa este país sul-americano. Enquanto prosseguem as manifestações e aumenta a lista de mortos – em sua grande maioria jovens – em mais de 70 dias de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, a Santa Sé intensifica seu trabalho em todos os flancos.

Os detalhes da data estão sendo analisados, mas a reunião deve acontecer, segundo revelaram ao Vatican Insider fontes do episcopado venezuelano. Ao mesmo tempo, o novo encontro entre uma comissão da conferência episcopal e funcionários do governo de Maduro, após a primeira reunião mantida dias atrás, é mantido em sigilo.

Desde jornadas de oração com exposição do Santíssimo e assembleias extraordinárias no pleno dos bispos, até diligentes e inéditas ações diplomáticas, mantêm a Igreja ocupada em todos os níveis. Somente nos últimos 15 dias foram recebidos no Vaticano – para falar sobre o caso venezuelano – dirigentes políticos da oposição e alguns cardeais, embora alguns mantenham comunicação através de diferentes meios com a Secretaria de Estado.

Sobre essas reuniões, a Santa Sé não informou oficialmente nem divulgou fotografias. Soube-se delas apenas através das pessoas diretamente interessadas. No dia 31 de maio, Julio Borges, presidente da Assembleia Nacional, e Stalin González, chefe da Fração Parlamentar da Unidade Democrática tiveram um encontro com o secretário de Estado vaticano, Pietro Parolin.

Segundo indicou González no seu perfil do Twitter, a Santa Sé “tem conhecimento de que os protestos no país são organizados por um povo que busca respeito à Constituição”. “Nós confiamos e acreditamos que a Santa Sé quer uma imediata solução para a crise e para os sofrimentos vividos pelos venezuelanos”, acrescentou.

No último fim de semana, o núncio apostólico em Caracas, Aldo Giordano, reiterou a preocupação do Papa e garantiu que ele quer ajudar, o que deve ser um motivo de esperança para os venezuelanos. Disse que o serviço diplomático da Santa Sé é integrado por “operadores de paz” e ratificou a especial proximidade de Francisco, que “acredita profundamente nos milagres”.

Algo similar disse, por sua vez, o bispo Mario Moronta no sábado durante um ato eclesial em San Antonio del Táchira, região situada na fronteira com a Colômbia: “Assim como Pietro Parolin é um homem que não põe empecilhos, mas abre portas para construir pontes onde for necessário, assim é também Aldo Giordano na busca da paz para a Venezuela”.

“Converso com frequência com o núncio apostólico. Mantemos correspondência. E ele o faz também com o Papa Francisco, que está bem informado sobre o que estamos fazendo na Venezuela. Também conhece todas as dificuldades e a permanente ação da Igreja”, acrescentou. Ao confirmar que “o Papa convocou a Conferência Episcopal da Venezuela para uma reunião no Vaticano”, o também vice-presidente do episcopado assinalou que “vivemos momentos difíceis; mas queremos paz, convivência e fraternidade”.

Augurou que será uma ocasião “para atrair bênçãos para a Venezuela” e que se falará também sobre a situação da fronteira, onde diariamente atendem dezenas de milhares de pessoas que atravessam a ponte binacional para mitigar a crise.

Recentemente, o plenário dos bispos emitiu uma contundente exortação pastoral. Nela, reiteraram como “ilegal” e “inconveniente” a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

O comunicado ratificou o chamado ao cumprimento da Constituição e aderiu ao pedido de eleições como uma solução para a crise, após reiterar que a população venezuelana espera o cumprimento das condições aceitas, mas descumpridas: abertura de canal humanitário, eleições gerais, libertação de presos políticos e respeito à Assembleia Nacional.

Posteriormente, uma comissão da Conferência Episcopal presidida por seu presidente, Diego Padrón, recebeu uma equipe de alto nível do governo encabeçada pelo ministro e vice-presidente Elías Jaua, que prometeu levar o pedido pessoalmente a Maduro.

Embora se tenha anunciado a possibilidade de uma segunda reunião em circunstâncias diferentes, sem a presença das câmeras e dos “excessos de protocolo”, mantém-se sigilo a este respeito; assim como sobre a abertura ou não do canal humanitário através da Cáritas, ao que o governo ainda reage com resistências.

Neste contexto, as marchas continuam e aumenta a repressão à espera de um desenlace que freie a escalada de mortes nas ruas venezuelanas. Enquanto isso, a procuradora-geral da República, Luisa Ortega Díaz, ratificou sua posição contra a Constituinte, considerada pelos bispos como “desnecessária” e pelo Parlamento como um “golpe de Estado”, uma “evidência da ruptura da ordem constitucional na Venezuela”.

Vatican Insider

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“Cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo”.

Os jesuítas venezuelanos já disseram que basta. Diante da escalada da violência na Venezuela, que na noite passada reivindicou mais seis vítimas, e a situação de fome e necessidade pela qual o país está vivendo, a companhia de Jesus, por meio de seus diversos órgãos, denunciou que “vivemos em um Estado sequestrado e violado por um governo ditatorial”, enquanto fala-se de “repressão indiscriminada e sistemática contra a população civil” por parte do poder Executivo de Maduro.

“Como cristãos, cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo”, denunciam os jesuítas que se somam à “mensagem clara e corajosa” de bispos do país.

O primeiro a reagir foi Luis Ugalde, S.J., Diretor do Centro de Estudos Religiosos da Companhia de Jesus (CERPE), que qualifica a situação na Venezuela de “moralmente inaceitável”.

Para Ugalde, “é evidente que vivemos em um Estado com uma constituição democrática, mas que é sequestrado e violado por um governo ditatorial”, referindo-se à decisão do Tribunal Supremo de Justiça (que posteriormente voltou atrás) de anular os poderes da Assembleia Nacional.

“O país e o mundo estão agora mais esclarecidos: a democracia foi violada com um golpe mortal contra a soberania do povo cujos votos foram queimados na fogueira dos usurpadores”, diz Ugalde, que salienta que “este grave crime tem criminosos que precisam ser punidos”, e que “não puni-los é estar em cumplicidade com o golpe”.

“Nós não estamos diante de uma disputa de poderes e de uma diferença de interpretação entre juristas, mas estamos diante de um golpe que priva o povo de sua soberania”, diz o jesuíta, que se posiciona ao lado dos bispos do país, que consideram que “essa distorção é moralmente inaceitável”. Ugalde vai além e afirma que “é um dever de consciência rejeitar o golpe e a Constituição convoca o povo da Venezuela para ignorar qualquer decisão que a viole”.

Por outro lado, a revista SIC e o Centro Gumilla, órgão da Companhia de Jesus na Venezuela, publicaram um editorial intitulado “É uma ditadura” em que qualificam os últimos movimentos do poder Executivo de Nicolás Maduro como “um claro golpe de Estado e um desmascaramento definitivo do governo como uma ditadura”.

Para a revista, “as situações de fome, de repressão, de falta de cuidado e de suprimentos médicos básicos, que definimos como uma crise humanitária em um país onde tais circunstâncias são inexplicáveis e no fundo podem ser lidas como uma política expressa de submissão da população, cujo objetivo era e é evitar o levante popular frente a um auto-golpe”.

Na mesma linha, “as contínuas prisões de diversos políticos venezuelanos” são denunciadas, assim como “o desprezo em que a comunidade internacional tem tratado esta temática venezuelana”. Para a revista, “enfrentamos uma ditadura como cidadãos e como cristãos. Estamos conscientes das disposições dos artigos 333 e 350 da Constituição que nos exigem a fazer tudo o que dependa de nós para a restituição das liberdades. Trata-se da ação cidadã através de protestos pacíficos, desarmados, sem violência e em resistência ao abuso de poder. Trata-se de usar a palavra e a razão, apesar de que seja difícil encontrar seus caminhos em tempos tão turbulentos. Trata-se de não cair nas chantagens da força, reivindicar nossos direitos e o direito de uma solução democrática e eleitoral”.

“Como cristãos, – acrescenta – cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo. A fome ainda está presente, a falta de medicamentos, as operações violentas da OLP, o mal desempenho dos serviços públicos ou o seu desaparecimento, a insegurança, e fatores que se somam e agravam outros problemas que já vêm de longa data”, enquanto critica o último passo dado pelo Tribunal Superior de Justiça (que provocou os últimos incidentes), que é “uma nova temporada nesta Viacrucis do povo venezuelano, uma desapropriação a mais, um novo espinho, outro golpe neste caminho tortuoso que já leva alguns anos”.

“Queremos caminhar para a verdadeira liberdade que pressupõe reconhecer a todos como membros de uma comunidade política que respeita os direitos do próximo, que permite verdadeiros caminhos de desenvolvimento, que promove uma solidariedade autêntica”, conclui o editorial, pedindo “respeito pelo Estado de Direito, a separação de poderes, a legitimidade do Parlamento como instância de controle e decisão democrática”.

Finalmente, as autoridades da Universidade Católica Andrés Bello ofereceram uma conferência de imprensa para estabelecer uma posição sobre o desempenho dos organismos de segurança do Estado frente aos protestos registrados no país, na semana passada, contra as sentenças do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que desabilitaram a Assembleia Nacional a favor da restituição da ordem constitucional.

A reunião foi presidida pelo reitor, Francisco José Virtuoso, o Cardeal Jorge Urosa Savino – Arcebispo de Caracas e Chanceler da UCAB – e o Padre Rafael Garrido – Provincial da Companhia de Jesus na Venezuela e Vice-Chanceler desta casa de estudos – que leram um comunicado em que denunciaram a implantação de uma “repressão indiscriminada e sistemática contra a população civil” e o “uso irresponsável e ilegal da força” pelo poder Executivo Nacional.

No documento, as autoridades asseguraram que a Universidade Católica “não deve e nem pode permanecer em silêncio frente a violação dos direitos humanos e da impunidade”. Eles qualificaram como “abomináveis” as ações repressivas como o uso de armas de fogo, o disparo de bombas de gás lacrimogêneo em direção a hospitais e centros comerciais e o lançamento deste tipo de projéteis por helicópteros do Estado.

Os representantes da UCAB exigiram que o governo nacional cessasse a criminalização das manifestações pacíficas e as prisões arbitrárias, advertiram que não “se pode sacrificar os direitos humanos sob o pretexto de restaurar a ordem pública” e pediram para investigar “de maneira independente e exaustiva” os excessos cometidos no controle da ordem pública, porque “constituem graves infrações do direito internacional e podem constituir crimes contra a humanidade”.

Eles também lembraram que o protesto é um direito consagrado pela Constituição Nacional e convocaram aqueles que desejam exercê-la “no âmbito do respeito às leis e aos cidadãos, evitando qualquer tipo de violência que deturpe os mais nobres propósitos”.

Segue o texto completo do comunicado, que também está disponível para download aqui.

Religión Digital

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O diálogo entre o Governo e a oposição vai ganhando forma lentamente na Venezuela. O Vaticano confirmou em agosto que aceita ser intermediário em eventuais negociações. O cardeal Pietro Parolín, secretário de Estado do papa Francisco, informou mediante carta ao secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, que a Igreja Católica concorda em intervir na crise e pede às duas partes um convite formal para começar o diálogo, circunstância que ainda não ocorreu.

A incorporação do Vaticano à comissão de facilitadores de um diálogo depende da solicitação e da instalação formal das negociações entre esses adversários políticos na Venezuela. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, confirmou que o Vaticano enviou a carta à Unasul, mas não revelou se encaminhará uma petição oficial de mediação da Igreja Católica. Em julho, o Governo e a oposição aprovaram uma possível arbitragem da Santa Sé.

Até agora os facilitadores do diálogo são o ex-presidente de Governo da Espanha (primeiro-ministro) José Luis Rodríguez Zapatero, e os ex-presidentes Martín Torrijos, do Panamá, e Leonel Fernández, da República Dominicana. Jesús Torrealba, secretário-geral da coalizão oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD), afirmou nesta quarta-feira que enviará uma resposta ao Vaticano. “A carta chega em um momento em que o governismo tentou empanar a imagem da oposição. Nós estamos dispostos a conversar com quem quer que seja para conseguir que sejam respeitados os cronogramas do referendo revogatório para mudar de presidente na Venezuela”, explicou a este jornal.

Na terça-feira, o chavismo revelou um segredo da oposição. Jorge Rodríguez, prefeito de Caracas, afirmou que o Governo manteve dois encontros privados com quatro representantes da MUD. “Foram reuniões preparatórias para um possível diálogo. Nunca deixamos de exigir que sejam respeitados os períodos de tempo do referendo revogatório na Venezuela”, confirmou Torrealba. O anúncio caiu como uma bomba nos meios políticos por causa da recusa do Governo de aceitar a exigência da oposição de sentar-se em uma mesa de diálogo se for realizado este ano o referendo revogatório para deporMaduro. Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda e ex-candidato presidencial, respondeu que tinha “reservas” quanto às últimas decisões da MUD, mas as respalda por pertencer a esse partido. “Se há um milímetro de negociação turva que comprometa o país, eu vou dizer”, alertou.

Acesse aqui Carta enviada do Vaticano à Unasul

Maduro dá estratégicos passos na direção do diálogo como saída para a crise. Mas os possíveis acordos entre a oposição e o Governo desmoronaram por causa da resistência dos governistas de libertarem os presos políticos, reconhecerem a crise econômica e respeitarem os prazos de um referendo revogatório. Por isso, muitos opositores criticam as reuniões secretas com o Executivo. E embora a carta do Vaticano seja a primeira manifestação direta de sua disponibilidade para mediar um possível diálogo, o Governo da Venezuela precisa formalizar essa petição.

O conflito político não parece minguar. A oposição advertiu que não abandonará as ruas até obter uma data para a arregimentação dos 20% de assinaturas do eleitorado, necessárias para a ativação do referendo revogatório. Se a consulta se realizar depois de 10 de janeiro e a MUD obtiver mais votos do que os conseguidos por Maduro nas presidenciais, ocorridas em abril de 2013, o vice-presidente da República, Aristóbulo Istúriz, ficaria no comando do país até o final do mandato.

A popularidade de Maduro continua em queda por causa da crise econômica, as últimas prisões de dirigentes políticos, a escassez de remédios e alimentos e os empecilhos impostos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) — controlado pelo chavismo — para realizar este ano o referendo revogatório. O prefeito Rodríguez, o encarregado pelo oficialismo da verificação das assinaturas do referendo, introduziu ações contra a MUD por cometer supostas fraudes no processo. A oposição respondeu com protestos multitudinários para pressionar o Poder Eleitoral. 

Fonte: El País

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O papa Francisco “segue com atenção” a situação na Venezuela e escreveu ao chefe de Estado Nicolas Maduro, disse  o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Lombardi escusou-se a divulgar o conteúdo da carta de Francisco para Maduro, mas afirmou que o papa escreveu sobre “a situação do país”.

A Venezuela é já há algum tempo uma das preocupações do Vaticano e do papa, que se referiu ao país, em várias ocasiões, no passado. Lombardi lembrou uma das últimas intervenções de Jorge Bergoglio, no Domingo de Páscoa, antes da benção “Urbi et Orbi”, apelou ao diálogo na Venezuela perante “as difíceis condições em que vive a população”.

Francisco pediu a quem “tem nas mãos o destino do país” para “trabalhar a favor do bem comum, procurando espaços de diálogo e de colaboração entre todos”. O papa defendeu a “cultura do encontro, a justiça e o respeito recíproco” para “garantir o bem-estar espiritual e material” dos venezuelanos.

O Vaticano, que desempenhou um papel fundamental no restabelecimento das relações entre os governos dos Estados Unidos e Cuba, também quer contribuir para a paz na Venezuela, tal como afirmou em abril passado o núncio no país, monsenhor Aldo Giordano. “Estou aqui para comunicar ao país o afeto, a proximidade do papa Francisco, o papa é um protagonista da paz no mundo e estamos aqui para colaborar para a paz no nosso querido país (…) a nunciatura está aqui para contribuir para o bem do povo da Venezuela”, disse, na altura, Giordano, de acordo com um comunicado.

Fonte: Correio da Manhã

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Mais uma vez os bispos venezuelanos denunciam a gravíssima situação do país. Em nota publicada dia 27, os prelados pedem que ninguém se deixe manipular rumo à violência social, não aceitar a corrupção daqueles que especulam, permitir que a Cáritas possa dar a sua ajuda neste momento, especialmente com remédios.

O bispos condenam também os casos de linchamentos e solicitam a todos responsabilidade e respeito da institucionalidade.

“Nunca antes tínhamos sofrido a extrema carência de bens e produtos básicos para a alimentação e a saúde, junto com outros males como o crescimento da delinquência assassina e desumana, o racionamento instável da luz e da água e a profunda corrupção em todos os níveis do Governo e da sociedade. A ideologização e o pragmatismo manipulador intensificam esta situação”, afirma a nota.

Leia a nota completa, em espanhol, nesse link

Cardinal Jorge Urosa Savino of Venezuela conducts a Mass in honor of the late Venezuelan President Hugo Chavez in Rome

O arcebispo de Caracas, dom Jorge Urosa Savino, pediu uma “sentença mais justa” para Lepoldo López, o líder do partido oposicionista Vontade Popular, condenado por um tribunal venezuelano a 13 anos e nove meses de prisão por incitamento à desordem pública. “A sentença foi incorreta e negativa para o país (…). Não é justo que, simplesmente por promover manifestações pacíficas contra o governo, atribuam a López a culpa de toda uma série de delitos e instigação e crimes”, afirmou o arcebispo.

Dom Jorde Urosa disse esperar que uma “sentença mais justa” saia assim que o tribunal analise um recurso de apelação interposto pelos advogados de López. Segundo o o cardeal, o processo teve “muitíssimas irregularidades” e as acusações “não têm fundamento”. Ele condenou “a maneira cruel” como o oposicionista vem sendo tratado desde a prisão. “Diz-se que López instigou atos de violência, mas ficou demonstrado que o seu discurso, sendo de oposição, não é violento, é pacífico, no quadro da Constituição e das leis.”

O cardeal falou também sobre as pessoas que morreram durante as manifestações de protesto ocorridas no ano passado na Venezuela, afirmando que elas foram atacadas por funcionários do governo e por grupos armados. “Deploro a morte de pessoas inocentes, que não estavam nas manifestações, e de pessoas que foram agredidas por alguns manifestantes. Isso eu condeno.”

Leopoldo López, que está detido há mais de um ano e meio na prisão militar de Ramo Verde, foi condenado na noite de quinta-feira pelos crimes de instigação pública, associação delinquente, danos à propriedade e incêndio na sequência de atos de violência ocorridos no final de protesto convocado por representantes da oposição venezuelana em 12 de fevereiro de 2014. Além de López, foram condenados quatro estudantes, também oposicionistas. Segundo dados não oficiais, em fevereiro do ano passado, pelo menos 42 pessoas foram assassinadas durante os protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

(Com Agência Brasil)

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A crise econômica na Venezuela golpeia novamente à Igreja Católica: a produção de hóstias caiu cerca de 60 por cento durante o último mês, afetando três estados do país sul-americano.

Giovanni Luisio Mass, encarregado da fabricação das hóstias por parte da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Jerusalém, no estado de Anzoátegui, explicou aos meios locais que há um mês aumentou a escassez da farinha de trigo sem fermento, a qual necessitam para fabricar as hóstias.

Segundo informou a TV Caracol, a produção mensal de hóstias diminuiu de 80 mil a 30 mil. Esta queda, indicou Mass, afetou todos os templos dos três estados venezuelanos. Acrescentou que somente podem enviar 1500 hóstias às Igrejas do norte do país, pois não têm a farinha suficiente para fabricar as 8000 que estavam acostumados a enviar.

Do mesmo modo, várias Igrejas junto às comunidades se organizaram para conseguir a farinha de trigo necessária para as hóstias.

A grave crise econômica

A Venezuela enfrenta um desabastecimento que vai desde alimentos, papel higiênico e remédios a peças para automóveis, chocolate, petróleo e ferro de passar roupa. Conforme expressou o Banco Central da Venezuela, no ano passado o preço dos alimentos subiu cerca de 92 por cento e durante os últimos dez anos a inflação subiu 1250 por cento.

Segundo o jornal colombiano ‘El Tiempo’ e ‘GDA’ (Grupo de Jornais da América), desde o ano 2003 o Governo elaborou uma lista de 165 produtos cujo preço é regulado pelas autoridades: azeite de cozinha, sabão, leite, farinha, carnes, cereais, papel higiênico, produtos de limpeza, detergente, fraldas, pasta de dente, açúcar, entre outros.

Esta medida ocasionou uma diferença entre os custos de produção e provocou um grande aumento nos preços, levando várias empresas à falência.

O Governo também estabeleceu políticas para controlar as vendas, como por exemplo a distribuição de ingressos para entrar por turnos aos supermercados e colocaram sensores de impressões digitais nas lojas, a fim de evitar que “ultrapassem” na quantidade de produtos adquiridos.

Segundo informou a BBC, diariamente os venezuelanos são obrigados a enfrentar grandes filas nos supermercados, mas muitas vezes não encontram os produtos de que necessitam e vão a outro e novamente devem enfrentar uma enorme fila. No melhor dos casos, quando encontram o produto que querem, o preço normalmente está muito elevado.

Em média, um venezuelano demora cinco horas semanais para fazer compras.

A BBC cita a pesquisa venezuelana Datanálisis, a qual afirma que em cerca de 80 por cento dos supermercados existe uma escassez de produtos básicos. Por isso, o mercado negro cresceu ou o “bachaqueo” – lugar no qual os produtos custam quatro vezes mais caros –, e 65 por cento das pessoas que estão nas filas dos supermercados são revendedores.

CHÁVEZ SE SUBE A LOS ALTARES CASEROS

Durante o III Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela – o partido de Hugo Chávez e do atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro -, a militante María Estrella Uribe, uma delegada do grupo político, decidiu homenagear o falecido ditador do país, parodiando a oração cristã do Pai Nosso, a qual foi transformada em um idolátrico e desrespeitoso Chávez nuestro.

O texto, de autoria da própria delegada, justificado como um “compromisso espiritual”, pede que Chávez os livre da “tentação do capitalismo”, da “maldade da oligarquia” e do “crime do contrabando”. Após um “amém”, a petição termina com aplausos e brados de “Viva Chávez”, de toda a assembleia do partido.

A Arquidiocese de Caracas, por meio do Cardeal Jorge Urosa Savino, manifestou repúdio à declaração e pediu que os membros do partido evitassem a divulgação do texto como sinal de respeito à oração dos cristãos. “O Pai Nosso, a oração por excelência dos cristãos do mundo inteiro, vem dos próprios lábios de Nosso Senhor (…), e por isso é intocável. Assim como a ninguém é permitido mudar a letra do Hino Nacional para honrar uma pessoa, tampouco a ninguém é lícito mudar o Pai Nosso ou qualquer outra oração cristã”, escreveu o prelado. Ele também ressaltou que “ quem dissesse essa nova e indevida versão do Pai Nosso (…) estaria cometendo o pecado de idolatria, por atribuir a uma pessoa humana qualidades ou ações próprias de Deus”.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, defendeu o texto da delegada do partido, alegando perseguição por parte da Igreja. “Por que você persegue e submete ao escárnio público a companheira María Uribe? Por que é chavista, pobre, mulher, revolucionária? Por que ama a Chávez?”, questionou. O presidente do país, Nicolás Maduro, também criticou a declaração do Arcebispo de Caracas, repetindo tenazmente a “oração” a Chávez e evocando a Inquisição para intimidar a Igreja: “Exijo respeito à liberdade de criação na Venezuela. Senhores da Inquisição, exijo respeito ao espírito criador e basta de tanta perseguição a Chávez”.

De fato, em um país marcado pelas restrições às liberdades mais elementares e pela adoção de uma estratégia política unipartidária e antidemocrática, a única liberdade que Maduro e o PSUV parecem reinvidicar é a de calar a Igreja, tomar as suas rédeas e fundar uma nova religião. Tudo isso maquiado com um discurso vitimista, típico da mentalidade revolucionária: “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é.”

Não é a primeira vez que os membros do partido compõem uma oração ao falecido presidente Chávez, atribuindo a ele, como bem lembrou o Cardeal Urosa, “qualidades ou ações próprias de Deus”, e ressuscitando o culto pagão e idolátrico aos mortos. É sabido que vários seguidores de Chávez não se têm contentado em escrever orações, como chegaram a criar templos em algumas cidades venezuelanas, a fim de “celebrar sua memória”.

Olhando para o triste estado de quem abandona “o nome três vezes santo de Deus” ( Mit Brennender Sorge, 13), “cultuando e servindo a criatura em lugar do Criador” (Rm 1, 25), é impossível não lembrar a dramática experiência do nazifascismo, que assombrou a Europa em meados do século XX. Em 1937, ainda antes de estourar a Segunda Guerra Mundial, o Papa Pio XI, “mit brennender Sorge”, isto é, “com ardente preocupação”, lançava, do alto da cátedra de São Pedro, palavras que, infelizmente, ainda se podem aplicar à realidades de nossos dias:

“Se a raça ou o povo, se o Estado ou uma forma determinada do mesmo, se os representantes do poder estatal ou outros elementos fundamentais da sociedade humana têm na ordem natural um lugar essencial e digno de respeito, contudo, quem os arranca desta escala de valores terrenais, elevando-os à suprema norma de tudo, até dos valores religiosos, e, divinizando-os com culto idolátrico, perverte e falsifica a ordem criada e imposta por Deus, está longe da verdadeira fé e de uma concepção de vida conforme a esta.”Mit Brennender Sorge, 12)

A autora da versão idolátrica do Pai Nosso, María Uríbe, conta em seu favor “um passado de revolução”, no qual deixou a seus filhos pequenos para ir à política e tornar-se “guerrilheira urbana”. Ela também reivindica, para sua paródia, uma posição que chama de “humanista”. “Todos esses valores de Gandhi, da madre Teresa, estão traduzidos no humanismo que Chávez também nos transmitiu”, declarou.

É uma pena que, ao contrário da caridade verdadeiramente sobrenatural que moveu a beata Madre Teresa de Calcutá, o “humanismo” de María Uríbe, dos revolucionários venezuelanos e de todos os marxistas ateus, não dê em nada senão na destruição do próprio homem. É o que dizem as almas saturadas da idolatria política, mas sedentas do único e verdadeiro Deus. É o que declaram as numerosas pilhas de corpos vítimas dos regimes comunistas. Realmente, se Ele não existe, tudo é permitido.

Que Nossa Senhora de Coromoto interceda pela Venezuela e livre também o nosso país do flagelo do socialismo.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Veja!

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O arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa Savino, criticou hoje com veemência a versão do pai-nosso criada por seguidores do falecido presidente Hugo Chávez e avisou que rezá-la significa cometer pecado de idolatria. Urosa pediu que o governo e o partido evitem a difusão dessa “prece”, que pode provocar novos motivos de divisão do povo venezuelano.

Os participantes da I Oficina de Projeção do Sistema de Formação Socialista, organizada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, hoje no poder), apresentaram nesta segunda-feira a “oração do delegado”, uma versão chavista do pai-nosso. O texto começa com a frase “Chávez nosso que estás no céu”.

No comunicado, assinado juntamente com os bispos auxiliares, o cardeal declara que “esta prece é voltada ao falecido presidente Chávez em vez de se dirigir a Deus, que é o nosso Pai Celestial. O pai-nosso, oração por excelência dos cristãos do mundo inteiro, provém dos próprios lábios de nosso Senhor Jesus Cristo, que o rezou no Sermão da Montanha. Por isso, é um texto intocável”.

“Assim como a ninguém é permitido mudar a letra do Hino Nacional para honrar alguma pessoa, é igualmente ilícito a quem quer que seja mudar o pai-nosso ou qualquer outra oração cristã, como o credo. Os símbolos, orações e elementos religiosos católicos devem ser respeitados”.

Quem rezar esta oração, alertou o cardeal, “cometerá o pecado da idolatria, por atribuir a uma pessoa humana as qualidades ou ações próprias de Deus”.

O comunicado completa: “O pai-nosso faz parte do patrimônio sagrado da Igreja católica e de todas as Igrejas cristãs do mundo inteiro. Não é lícito modificá-lo, manipulá-lo, instrumentalizá-lo”.

E finaliza: “Nós, católicos, exigimos que o pai-nosso seja respeitado. Pedimos aos dirigentes do governo e do Partido Socialista PSUV que evitem a difusão desta suposta ‘oração’, para que não haja mais um motivo de divisão entre o povo venezuelano”.

Por Sergio Mora

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O presidente da Conferência episcopal explica que deve ser o Governo que solicite a participação da Santa Sé na mesa de diálogo

O presidente da Conferência Episcopal da Venezuela (CEV), mons. Diego Padrón, disse que o Governo de Nicolás Maduro não fez “um pedido formal” ao Vaticano para ser mediador na crise política que o país enfrenta nas últimas semanas. “Enquanto não haja um pedido formal do Governo, que até agora não aconteceu, não é possível dizer nada concreto”, afirmou monsenhor Padrón.

Em uma entrevista com Shirley, programa do canal de notícias Globovisión, o prelado da Venezuela reconheceu que “ainda não se materializou” essa mediação “porque não é que realmente o Vaticano tenha se oferecido como mediador”, mas que em função da situação do país “e tendo recebido o pedido” da aliança de partidos opositores “a resposta foi positiva”.

O arcebispo de Cumaná explicou que, neste cenário, o secretário de Estado e antigo núncio na Venezuela, o cardeal Pietro Parolín, “está disposto a intervir”, mas reiterou que tem que ser o Governo que solicite essa mediação.

Pessoalmente, mons. Padrón destacou a importância de estabelecer um diálogo entre o Governo e a oposição. Neste sentido, observou que “caso não se dê“ as condições para o diálogo “é preciso busca-las”.

“Ambos os setores devem reconhecer-se, não se pode ir dialogar sem ter uma agenda clara, é preciso superar a desconfiança, mas o bem do país exige ações concretas”, acrescentou.

Na sua opinião, a paz no país “será o resultado de um longo caminho”. “A oposição deve fazer uma análise mais aprofundada das ‘guarimbas’ e quais são as causas que estão por trás, (…), mas a imposição do Plano da Pátria tem sido causa fundamental do que estamos vivendo”, sentenciou.

O prelado venezuelano referiu-se também às relações da Igreja com o presidente da República, Nicolás Maduro, e indicou que, embora “não sejam quentes” como o eram quando estava no poder Hugo Chávez, o atual mandatário “atenuou o tom”.

As declarações do presidente da CEV ocorrem depois de que os membros da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) e o Governo manifestaram a sua aprovação à ideia de que um representante do Vaticano sirva de “terceiro de bona fide” no diálogo entre as partes.

Este acordo foi alcançado perante uma comissão de ministros da União de Nações Sul-Americanas (Unasur), que visitou recentemente o país para acompanhar e ajudar na solução do conflito.

Venezuela vive uma crise política há quase dois meses, o que foi manifestado em uma onda de protestos que deixou pelo menos 39 mortos, centenas de feridos e presos.

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Habitantes de Colonia Tovar, no estado da Aragua, (Venezuela), denunciaram um ataque realizado esta semana contra a igreja São Martinho de Tours, o principal templo da região por membros do grupo Juventude Bicentenária de La Vitória, auspiciado pelo governo de Nicolás Maduro.

Segundo a informação do Jornal El Unviersal, Jesus Rodríguez, habitante do lugar, indicou que por volta das 2:00 p.m. (hora local) membros da Juventude Bicentenária chegaram ao, enquanto, em meio às celebrações do carnaval, os habitantes se reuniam em outros lugares para os bailes típicos.

Por sua parte, o grupo de simpatizantes de Maduro afirma que o ataque à igreja foi perpetrado por foliões da própria localidade.

Através de sua conta na rede social Twitter, o Pe. José Palmar, espancado dias atrás por agentes da Guarda Nacional Bolivariana, qualificou o ataque como um “sacrilégio”.

“É inaceitável a destruição feita na Igreja de Colonia Tovar. Ao massacre se soma o sacrilégio”, escreveu.

Desde ontem à noite, o governo dispôs de 100 policiais e 10 membros da Guarda Nacional na localidade.

Um dia antes, no sábado 1 de março, em Colônia Tovar houve uma manifestação pacífica, criticando a insegurança e desestabilização que vive o país.

Na marcha participaram idosos, crianças e mulheres grávidas.

As autoridades responderam com violenta repressão, disparando bombas lacrimogêneas, sem dar tempo a que os manifestantes colocassem a salvo as mulheres grávidas e os mais vulneráveis.

ACI

Por-que-se-protesta-na-VenezuelaEm sentido anti-horário, os motivos:
 
I. CENSURA
 
1) Sem papel, não há jornal.
 
Destaco trechos da matéria da Folha: Falta de papel ameaça jornais na Venezuela
 
“Em menos de dois meses, seremos um país sem jornais impressos, algo que nunca se viu no mundo.” A frase é de Miguel Otero, diretor do “El Nacional”, um dos mais importantes jornais venezuelanos, com sede em Caracas.
 
Na última semana, o “Nacional” anunciou em editorial que, devido a travas burocráticas impostas pelo governo Nicolás Maduro, só tem papel para imprimir jornal nas próximas seis semanas.
 
Desde outubro último, dez diários do interior fecharam, e 21 anunciaram que podem fazer o mesmo caso recursos para a compra de insumos não sejam liberados pela Cadivi (Comissão de Administração de Divisas). O “El Universal”, rival do “El Nacional”, também disse passar pelas mesmas dificuldades.
 
Os jornais venezuelanos dependem de papel importado, principalmente do Canadá (cerca de 80%). Para obtê-lo, as empresas devem pedir ao órgão permissão para comprar dólares.
 
Além disso, é necessário obter uma autorização que justifique a compra de produto importado.
 
“São trâmites demorados, que requerem muita antecedência. O governo demora a liberar a compra. Uma vez aprovada, não libera o recurso. Nessa espera, os jornais fazem reformas, acabam com suplementos, para resistir até quando puderem. Muitos não vão conseguir”, afirmou à Folha Carlos Carmona, proprietário e diretor do jornal “El Impulso”, de Barquisimeto.
 
Desde 2003, há um controle estatal do câmbio que impede a livre compra e venda de divisas, administradas exclusivamente pela Cadivi.
 
Nos últimos meses, o “Nacional” eliminou os suplementos de moda e de literatura. O “Impulso” passou de quatro cadernos para dois. Em editorial, o jornal, o mais antigo da Venezuela, anunciou que só tem como circular até o começo de fevereiro.
 
“É um ataque por via indireta, porém óbvia. Equivale a cortar o suprimento de água de um pequeno vilarejo”, disse em entrevista à Folha o jornalista americano Jon Lee Anderson (autor de “Che “”Uma Biografia”). “Maduro está imitando a China comunista, o stalinismo.Não entendo bem o que quer fazer. Associado ao fato de ser inábil para lidar com a economia, isso não leva a Venezuela a um futuro promissor”, completa. (…)
 
2) Emissora NTN24 foi retirada do ar pela Comissão Nacional de Telecomunicações por transmitir os fatos que aconteceram na marcha do Dia da Juventude, em 12 de fevereiro.
 
Mesmo assim, acrescento eu, a NTN24 continua denunciando na internet as canalhices da ditadura Maduro, como a agressão que Marvinia Jimenez, de 35 anos, sofreu de uma guarda nacional bolivariana [assista à cena aos 2min10seg do vídeo abaixo, ou no vídeo específico sobre o caso – aqui]; e a suposta pressão que a juíza Raclenys Tovar Guillen, que emitiu a ordem de prisão de Leopoldo Lopez, sofreu para condenar o líder opositor sob a ameaça de perder o emprego, segundo revelou sua amiga de infância Gabriela, venezuelana que mora nos Estados Unidos, mostrando aos repórteres da emissora sua conversa com a juíza via Whatsapp.
 
A matéria original está aqui, mas a análise posterior com a comprovação de que o número do telefone da juíza no Whatsapp era dela mesmo segue no vídeo abaixo, aos 9 minutos. (Abaixo,no final do artigo)

II. ESCASSEZ

A cesta básica custa 8590 bolívares, quase três vezes o salário mínimo de 3270.
 
Faltam produtos básicos, inclusive papel higiênico.
 
A inflação, vale lembrar, chegou a 56,2% em 2013.
 
III. INSEGURANÇA
 
Foram cerca de 25 mil homicídios em 2013.
 
Em 92% dos casos denunciados, os assassinos permanecem impunes.

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A vítima famosa da semana foi o ex-campeão mundial de boxe Antonio Cermeño, de 45 anos, encontrado morto por agentes policiais nesta terça-feira em estrada do estado de Miranda. Seus familiares, sequestrados junto com ele na véspera, conseguiram fugir quando o bando parou para reabastecer a caminhonete em um posto a caminho da cidade de Guarenas, mas Cermeño foi levado e assassinado, segundo informação do Ministério Público.
 
IV. JUSTIÇA PARA AS PESSOAS ASSASSINADAS DURANTE AS MANIFESTAÇÕES

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Robert Redman

José Mendez

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Asdrúbal Rodríguez

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Wilmer Carballo

…e Arturo Alexis Martínez (58), o caso mais misterioso de assassinato durante os protestos, pelo qual, naturalmente, a dupla de psicopatas Nicolás Maduro e Diosdado Cabello (o presidente da Assembleia Nacional) culpa as “balas fascistas” da oposição. Assista aos vídeos aqui aqui, se quiser ter uma ideia do jeitinho singelo de ser dos discípulos de Chávez. O site El Impulso.com apresentou o depoimento de uma suposta testemunha que desmentiria a versão oficial – aqui.
 
As acusações do governo de violência por parte dos opositores felizmente ganham também reações debochadas, como o título deste vídeo em que uma manifestante “fortemente armada ataca” a polícia do estado de Falcón. Será que Maduro vai prendê-la também?

Na Veja.comCasos de tortura são relatados em meio a repressão na Venezuela

Trechos da matéria: “A tortura é a pior forma de violência do Estado. Os jovens venezuelanos torturados mostram que a máscara de democracia do regime caiu”. Com estas palavras, a deputada opositora María Corina Machado denuncia os casos de tortura relatados na Venezuela desde o início da onda de protestos contra o governo, há mais de duas semanas. A ONG Foro Penal Venezuelano tem documentados dezoito casos. “Todas estas pessoas tiveram seu direito de defesa violado. Não foi permitido que entrassem em contato com seus advogados eforam forçados a assinar um documento reconhecendo que, sim, foram atendidos por advogados”, afirmou o diretor da organização, Alfredo Romero.

Um dos relatos mais abomináveis é o de um estudante de 21 anos que disse ter sido agredido e violado por um cano de fuzil por integrantes da Guarda Nacional Bolivariana, em Valência, no estado de Carabobo, na noite do dia 13. “Ele chegou em sua casa com muitos hematomas e escoriações após deixar a prisão”, disse a deputada, que conversou com a mãe do jovem.

“Bateram muito em mim, nas costelas, na cabeça. Caí no chão e me chutaram”, contou o jovem em entrevista à imprensa local. “Quando chegamos ao Comando da Guarda Nacional em Tocuyito [cidade vizinha de Valência] passamos por um cão e ordenaram para ele me morder” – prossegue o relato. “Abaixaram minha calça e colocaram o cano de um fuzil em meu ânus”.

(…) Os casos compilados pela ONG incluem um vasto repertório de crueldades: sacos na cabeça, choques elétricos, espancamentos com bastões de madeira.(…)

Serão estas as “melhores intenções” que, nesta quarta-feira, Lula atribuiu em Cuba a Maduro?

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De resto:
 
Maduro antecipou o carnaval para esvaziar os protestos, mas o povo segue firme na luta.

Manifestações por cidade Venezuela

O prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, afirmou que a Venezuela não está para festas: “Maduro, quando [você] disser que NÃO seguirá o modelo de Cuba e que liberará poderes sequestrados e presos políticos, conversaremos”; “Maduro, se [você] clama pela paz, desarme os grupos [chavistas] e detenha a Guarda Nacional que maltrata os cidadãos”; “Com carnaval ou sem carnaval, aqui a escasez continua, a insegurança segue desenfreada. Com carnaval ou sem carnaval, continuamos nas ruas.”

Mortos Venezuela Cartaz Carnaval

O presidente da Federación de Centros Universitarios da Universidad Central de Venezuela, Juan Requesens, segue na mesma linha: “Nós não descansaremos nas jornadas de carnaval, o movimento estudantil se estenderá desde cedo”, disse ele ao El Impulso, indicando que há cerca de 650 detidos, 20 torturados e 500 feridos em decorrência dos protestos dos últimos dez dias. “Olhem, senhor Maduro, Diosdado Cabello, [Jorge] Arreaza, somos estudiantes a pé, nossas armas são os livros: aqui não há, em parte alguma, ninguém pedindo dinheiro.”
 
Eis aí uma das diferenças básicas entre os protestos na Venezuela (contra o socialismo) e no Brasil (em geral a favor de medidas socialistas): os estudantes venezuelanos realmente estudam.
 

 

 

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/02/27/por-que-se-protesta/