Homem segundo o coração de Deus

Como lidar de forma humana com o impulso sexual sem pecar?

Talvez a palavra mais rica de significado dentro da pergunta seja a palavra “humana”. Falar de impulso sexual é falar de algo que pertence a nossa humanidade e, de forma diferenciada, em toda a  criação.

Sexo tem a ver com geração de vida, mas não é de qualquer geração que falamos. Para nós cristãos, geração de vida é o fruto do amor conjugal que une um homem a uma mulher, é fruto do nosso amor humano. Gerar para  nós não é apenas cumprir um ‘desígnio evolutivo’ de multiplicação da espécie, como se aplica aos animais irracionais, vai alem disso, é uma expressão do amor! Desculpe a comparação, mas não somos meros reprodutores. Essa expressão, aliás, se aplica a animais, nunca a seres humanos como definição. A reprodução é uma consequência natural do encontro sexual, mas por detrás dela existe o encontro de duas pessoas unidas no amor que estão a gerar uma pessoa dotada de um corpo e de uma alma e, portanto, com uma dignidade inalienável.

Não se pode também separar “impulso” de “atração” que por sua vez está ligada à palavra ” sexualidade” que expressa nossa condição humana. Quando Deus pensou em nós, pensou em nós como seres sexuados, ou seja, capazes de amar como homem ou mulher! ele não nos criou como anjos, mas como homens, feridos pelo pecado, mas sempre homens!

É nesse contexto que devemos entender o “impulso sexual”, como um elemento constitutivo da sexualidade que precisa ser integrado dentro dela. Não desprezado nem descontextualizado.

Impulso, como o nome diz, aponta para algo alem dele. Em si mesmo não é pecado, embora possa ser em algumas circunstâncias, desordenado, ou seja, fora da ordem natural. O que legitima o impulso também não é só para o que ele aponta, mas sua harmonia com a lei natural que lhe sustenta e o legitima. O impulso está a serviço da atração sexual que por sua vez conduz ao encontro conjugal potencialmente gerador de vida.

Em resumo

1- Na busca da saudável convivência com os impulsos não se abdica da sexualidade, mas na renúncia da expressão genital física que ele sugere, incompatível com a realidade de jovem solteiro

2 – Perceber a sexualidade apenas na perspectiva moral a reduz a “posso, não posso. ” ao invés de “devo” não “devo’. Preciso, uma vez identificando o desejo que o impulso aponta, significá-lo, em um primeiro momento de forma amoral: O que meu corpo quer expressar? A resposta a essa pergunta nos ajuda a lidar melhor com o impulso, dando-lhe nome e entendendo-o

3- A sexualidade é inerente a minha condição humana. Não é saudável a “aversão puritana do sexo” nem sua “ idolatria”, mas a busca de uma serena convivência e integração diante de seus apelos. Isso inclui os impulsos e paixões.

4- A integração é a melhor forma de lidar com os apelos e desejos de nossa humanidade, ela supõe um nível razoável de maturidade psicoespiritual Integração é o processo que permite que todos os diversos aspectos da personalidade humana funcionem juntos, sem o domínio desordenado de um sobre os outros e sem a diminuição de valor de algum aspecto em relação a outros.

O que indica a integração ou não da sexualidade em uma pessoa é o sentido que a sexualidade ocupa em sua vida e isso independe da prática de relações sexuais. A vida sexual promíscua, por exemplo, não pode ser tida como integrada, por mais relações sexuais que a pessoa tenha, da mesma forma que a vida celibatária apenas por obediência extrínseca também não pode ser tomada como integrada. O que entendemos por “extrínseca” é a vida de fora para dentro, ao invés de ser de dentro para fora. Apenas a ‘repressão’, sem a integração, tende a provocar sofrimento e crises ou uma vida de aparências, com práticas e fugas sexuais escusas, culposas, dissociadas.

É necessária uma formação integral e um trabalho pessoal que possibilite o desenvolvimento de uma espiritualidade integradora da afetividade e da sexualidade, para não haver uma cisão entre a oração e a vida.

Parte da resposta foi inspirada nesse artigo


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