Trecho do livro “como ser um bom pai” de James B. Stenson

O consenso a respeito do assunto

Após muitas décadas de psicologia ruim, o mundo moderno finalmente está descobrindo que a pornografia faz mal para as pessoas. A Igreja já dizia o mesmo faz tempo, mas só agora a cultura secular está compreendendo esta sombria verdade. Em um caso raro de consenso, maior parte dos estudiosos tem chegado à conclusão de que a pornografia distorce a visão das pessoas em relação ao outro sexo, atua como uma droga, cuja dependência geralmente piora com o tempo, e tem o potencial de arruinar relacionamentos.

Em resposta a esses dados, grupos das mais variadas áreas do espectro cultural têm oferecido argumentos para convencer os céticos, programas de autoajuda para romper com o mau hábito e até mesmo comunidades para as pessoas compartilharem seus esforços e ajudarem umas às outras. São inúmeros os recursos de qualidade disponíveis para o homem e a mulher que lutam contra o vício da pornografia, sendo muitos valiosos inclusive para quem não sofre com esse mau hábito, já que frequentemente esses materiais trazem insights profundos sobre a natureza humana e o modo de cultivar relacionamentos saudáveis.

Não obstante tudo isso, o problema da pornografia continua a fazer estrago, especialmente nos homens. Hoje, eles podem até dispor de mais recursos que os ajudem a lidar com o vício, mas, ao mesmo tempo, o acesso a conteúdo pornográfico se tornou muito mais fácil com a tecnologia. Podemos apresentar todos os argumentos convincentes para mostrar que a pornografia é algo ruim, mas a verdade é que as pessoas não sentem que seja assim, dado o fato de ela estar por toda parte. No fim das contas, como uma coisa pode ser tão ruim se tantos homens fazem e se é tão acessível?

Ainda que muitos argumentos contra a pornografia realmente ajudem algumas pessoas, a maior parte deles geralmente têm o efeito de varrer o assunto para debaixo do tapete. A vasta maioria dos homens, religiosos ou não, assiste a pornografia, mas guarda silêncio quanto a isso. Assim como as campanhas antitabagistas, campanhas contra a pornografia têm estigmatizado a prática, sem no entanto eliminá-la de fato. Um fumante agora, para dar uma tragada, precisa ir para o seu carro e ficar longe dos outros; o viciado em pornografia faz a mesma coisa.

O sintoma sutil da pornografia

Há uma diferença chave, no entanto, entre esse tipo de adicção e o vício em pornografia: os sintomas do primeiro aparecem e são difíceis de esconder. O fumante, o alcóolatra, o dependente químico tem um cheiro diferente, um aspecto diferente e se comporta diferentemente das outras pessoas. O viciado em pornografia, ao contrário, não parece em nada diferente dos outros, o que torna o seu problema difícil de detectar.

Parte disso também se deve ao fato de que são tantas as pessoas a sofrer com o vício em pornografia que os sintomas acabaram normalizados. Se todas as pessoas cheirassem a cigarro, ninguém iria realmente notar o odor. Quando tantos homens transformam as mulheres em objeto e têm problemas de intimidade, a maioria das pessoas simplesmente assume que isso faz parte de sua natureza.

Outra razão pela qual as pessoas têm dificuldades de detectar uma adicção — particularmente quem a tem — é que o principal sintoma se encerra no mais profundo da alma humana. Muitas discussões sobre castidade abordam os problemas externos como a química corporal, as mentiras contadas a quem se ama, o declive escorregadio para assistir a material mais pesado, a psiquê deformada, mas poucos mencionam o enorme impacto que a pornografia provoca em nosso espírito.

Muitos dirão que a pornografia emascula o homem, é verdade, mas o que isso significa? Significa que ela suga do homem o seu desejo pela excelência, a sua vontade de ser melhor, a sua busca por algo transcendente. Em termos práticos, o homem que assiste a pornografia não vai querer se sair bem na escola ou no trabalho, não vai procurar melhorar a sua saúde e a sua força física, não vai querer ler e trabalhar a sua mente, não fará muito caso de suas amizades e relacionamentos e terá poucos objetivos pessoais (se os tiver). Em suma, ele ficará paralisado.

Em sua Introdução à Vida Devota, São Francisco de Sales chama o homem de “o sexo mais vigoroso”, mas a pornografia reverteu essa realidade. Os homens abandonaram seus papéis como provedores e protetores, deixando-os serem assumidos pelas mulheres. Antes, eles dominavam o ambiente acadêmico e definiam a cultura e as tradições; agora, as mulheres se graduam em maior número e a cultura geral se encontra feminizada [1].

Os homens disciplinavam a si mesmos e os seus filhos; hoje, pouquíssimas pessoas sequer conhecem o significado de disciplina. Os homens costumavam passar tempo juntos e formar grandes amizades; agora, eles vivem desiludidos e isolados. Os homens costumavam rezar, ler e escrever; agora, eles “vegetam” em frente a uma tela (de TV, de computador ou de celular). O homem foi criado, enfim, para a grandeza, para a magnanimidade, mas agora, na maioria das vezes, o que ele faz é simplesmente chafurdar na mediocridade.

Rompendo com o mau hábito

Por debilitar o espírito humano, a própria fonte do desejo de adquirir a virtude e eliminar o vício, o hábito de assistir a pornografia é incrivelmente difícil de vencer. A superação de qualquer vício requer uma vontade determinada e a ajuda dos outros, mas a pornografia elimina as duas coisas tornando o homem, de modo secreto, fraco e desmotivado.

Não se trata, porém, de algo impossível. Um homem pode romper com isso se tomar medidas sérias para tanto. Isso significa que ele deve, em primeiro lugar, evitar todas as ocasiões de pecado — qualquer coisa que tenha uma tela e acesso a Internet. Programas de TV e filmes com conteúdo picante, bem como quaisquer revistas ou outros meios com imagens impróprias. Talvez seja necessário livrar-se do próprio smartphone e usar um computador somente para fins profissionais. Se for o caso, assim seja! Uma medida como essa também ajuda a tornar as pessoas ao redor responsáveis por essa mudança.

Eliminar todas essas coisas não vai necessariamente prevenir recaídas, mas elas diminuirão e o terreno estará preparado para uma desintoxicação. Levará um bom tempo, é certo, para as imagens que foram armazenadas na memória irem embora. A ociosidade tende a propiciar que essas imagens venham à tona, pelo que ter umhobby ou dedicar-se a uma atividade também constituem peças chave para frear esses impulsos.

Finalmente, é preciso rezar com frequência. Nada melhor para apagar a chama da luxúria que lembrar a Natividade de Nosso Senhor, a suave humildade de Nossa Senhora ou a Paixão de Cristo. A graça de Deus dará forças a qualquer um que esteja em busca de purificação. Outra boa prática, muito recomendada, é dizer três Ave-Marias ao dormir e ao acordar, todos os dias.

Com o tempo e com muito esforço, a adicção pode e deve diminuir. Mesmo aqueles que duvidavam perceberão a mudança. À medida em que vai perdendo, então, esse compulsivo desejo de olhar porcarias, o homem vai ganhando uma clareza de mente e um controle até então desconhecidos, os quais o ajudarão a crescer e a encontrar felicidade. Ele perceberá, em suma, qual a sua verdadeira natureza e entrará no caminho para ser aquilo para o qual desde sempre foi criado: um homem de Deus!

Notas

  1. Entendam-se corretamente as palavras do autor. Não se trata de uma crítica à ação das mulheres na sociedade contemporânea, mas à omissão dos homens. Assim como uma família, para crescer bem, demanda a complementaridade dos sexos, a ausência da presença masculina na sociedade também deixa muitos aspectos a desejar. Para um melhor conhecimento a respeito do papel da mulher no lar e no convívio social, leia-se o documento, do Papa São João Paulo II, Mulieris Dignitatem

Fonte Original do artigo: AQUI

Dra. Elizabeth Kipman Cerqueira é médica, especialista em logoterapia

Namoro exige maturidade? Por quê?

– No namoro, estão envolvidos sentimentos, por vezes intensos, ele se inicia motivado por forte atração recíproca envolvendo autoestima, ciúme, desejo de posse, conquista e sedução.É preciso lidar com estas situações e viver o namoro como uma fase de conhecimento interpessoal e descoberta de valores capazes de fundamentar uma convivência de compromisso recíproco. É preciso não girar em torno de si próprio, mas ter capacidade de olhar o outro, respeitá-lo, ajudá-lo a crescer. Isto exige um crescimento por toda a vida, porém um mínimo de maturidade é exigido para iniciar um namoro.

O Adolescente está preparado para exercer essa maturidade?

De modo geral o adolescente não está preparado para assumir o namoro como um compromisso recíproco que exige responsabilidade em relação a si mesmo e ao outro. Sobretudo com a influência da “cultura desencanada” de hoje, o namoro já supõe a livre intimidade física, uma certa indiferença pelo outro, uma vez que o pensamento é centrado em si e em aproveitar os momentos buscando novas experiências. Há a baixa tolerância para adiar satisfações imediatas e a decidir pelo impulso. Ele ainda não teve tempo para o autoconhecimento e terá muita dificuldade para conhecer outra pessoa diferente dele. A tendência será de se fechar num círculo de emoções intensas e frágeis onde o restante do mundo é ignorado.

Como os pais devem proceder para orientar os filhos adolescentes no campo afetivo?

– A orientação para o campo afetivo se encontra dentro do conjunto da formação pessoal. É impossível orientar apenas para o namoro sem orientar para a responsabilidade, discernimento de valores e exercício da vontade. Justamente o oposto de agir apenas pelos impulsos centrados em si mesmo. É preciso que reconheçam a existência de limites. É preciso dizer “não” quando necessário, apresentando os critérios que motivaram a negativa. É preciso confiar que eles têm o potencial para o desenvolvimento pessoal, mas que precisam de tempo, de vivência para atingir uma maturidade mínima que os conduz diante das diferentes motivações afetivas positivas e negativas. É preciso não aderir à superficialidade da afirmativa corrente: “O jovem precisa disto – apenas lhe forneça a camisinha”. Esta afirmativa desvaloriza o jovem, reduzindo-o apenas a um resultado inconsciente de impulsos que usa do outro como objeto. O jovem aspira ao grande, ao belo, ao amor, à honestidade, à sinceridade. Precisa que os pais o auxiliem a exteriorizar estas aspirações em atos pessoais.

Que critérios os pais podem utilizar para estabelecer uma idade a partir da qual possam permitir e orientar os filhos para o namoro?

-A percepção deve vir da própria vida em família e da vida diária: pela participação nas responsabilidades em casa; no esforço para superar as competições com os irmãos; na abertura para colaborar; no respeito às pessoas sobretudo aos próprios pais; na seriedade com o estudo; na sinceridade em reconhecer os erros e em corrigi-los; na capacidade em suportar frustrações inevitáveis, consciência dos próprios atos mesmo sem a vigilância de outrem, etc. Também é necessário o esclarecimento através de diálogo sincero sobre o namoro, relacionamento sexual, relacionamento interpessoal, diferenças do homem e da mulher na cultura atual. Buscar apresentar valores religiosos positivamente fundamentados e não como elementos coercitivos. Não há propriamente uma idade, há sinais de um mínimo de maturidade. Entretanto, dificilmente estes sinais se manifestam antes de 14 a 15 anos. A planta necessita de tempo para sair do solo e a fruta necessita de tempo para amadurecer. Mesmo tomando todo o cuidado, sem uma postura rígida, mas com a exigência firme nascida da ternura, o resultado irá depender da liberdade de escolha do filho. Porém, os pais terão feito a sua parte.

O que a senhora diria para os adolescentes que pensam iniciar um namoro?

-Considerando que já apresentem aquele mínimo de maturidade até para entender as colocações seguintes. Diria: nascemos do Amor que nos amou desde sempre, do centro do Amor maior do que todo o universo que é o coração de nosso Deus Uno e Trino. Vocês são convidados a entrar nesta ciranda de Amor a partir da participação com os que estão mais próximos de vocês: família e amigos. Ao iniciar um namoro, estão optando por iniciar uma vida adulta. É isto mesmo o que desejam? A decisão do namoro não é um jogo de sedução e posse, de autoafirmação. O namoro é tempo de alegrias e tristezas, de provas e de lutas, de ajuda mútua, de conhecimento e de colocação de limites. Os sonhos e fantasias não constroem a felicidade. Antes, a felicidade é o resultado de atitudes conscientes e fortes a partir dos valores que vocês escolhem. E, sobretudo, o namoro é tempo de conhecimento recíproco e não de posse recíproca definitiva. Sobre estas bases, no Deus-Amor, vivam a alegria da ternura, do respeito um pelo outro que faz crescer para a vida!

Este é um problema difícil de ser reconhecido por quem passa por ele. A relação entre um homem com sua mãe é importante para a construção da identidade e dos relacionamentos com os outros. Portanto, a sombra de uma mãe controladora pode ter sérias implicações quando o adulto quiser alcançar sua independência e felicidade. 

Geralmente, os filhos adultos de mães controladoras vivem em uma esfera de silêncio e em contínuas contradições. Isso se deve, principalmente, ao peso de nossa cultura à ideia segundo a qual as crianças são obrigadas a silenciarem suas emoções para parecem fortes. 

No fim das contas, ser criado e conviver com uma pessoa emocionalmente indisponível, com o clássico resplendor do egoísmo, cheia de queixas e com muita necessidade de controle pode deixar sequelas graves. Vejamos algumas delas: 

  • uso recorrente da mentira e da negação. O filho que cresceu sob a influência de uma mãe controladora não teve tempo de construir uma identidade própria, autêntica e forte. Deste modo, uma mecanismo de sobrevivência muito comum a estes homens é a mentira. A mentira serve, para ele, como proteção, para esconder suas emoções e sobreviver a duras penas em qualquer contexto;
  • contenção emocional. Os filhos adultos de mães controladoras vivem se anulando emocionalmente. Ao suprimir, desde o início, a energia emocional da criança para colocar ela própria como prioridade, a mãe faz com que a criança pense que mostrar sentimentos pode ser vergonhoso e perigoso;
  • hostilidade. Uma mãe controladora gera sempre um apego inseguro. Se, neste vínculo mãe-filho, a criança não foi valorizada, é possível que, quando adulto, desenvolva comportamentos agressivos ou hostis. Deste modo, o homem que cresceu nesta dinâmica pode demonstrar reações superdimensionadas em certas ocasiões. É quando se evidenciam a falta de controle e a tendência a manifestar a própria raiva;
  • Relacionamentos frustrados. As mães controladoras consideram que seus filhos são propriedades delas. Esse vínculo tóxico tem graves implicações no desenvolvimento afetivo do menino, no seu amadurecimento psicológico, na sua independência e na sua capacidade de tomar decisões. Uma consequência evidente é a clara dificuldade para estabelecer intimidade e conexão emocional autêntica com a futura esposa. 

Conclusão: é importante ter presente que o amor verdadeiro busca o bem-estar da pessoa amada, principalmente quando se trata do próprio filho. Educar no amor e na liberdade é algo essencial, que começa a se desenvolver em casa, já nos primeiros meses de vida. 

Autor do artigo Javier Fiz Pérez

Muitos se deixam dominar pelo instinto sexual por julgá-lo irresistível ou porque desconhecem a força da própria vontade. Outros, pela persuasão errônea de que a resistência pode acarretar enfermidades ou que seguir tal instinto é prova de virilidade. Muitíssimos, porque esperam encontrar nesta satisfação a felicidade a que todos almejamos. Há também aqueles que maldizem o instinto sexual, esquecendo que ele é bom e que Deus o criou com uma finalidade própria. Não aceitam que o pecado original tornou esse instinto desregrado, e que devemos, pela graça e pelo esforço, colocá-lo em seu devido lugar.

1º. Antes de tudo, se dominavam idéias errôneas neste ponto, é preciso corrigi-las lendo algum livro de educação sexual sadio e aprovado pela Igreja.

2º – Para fazer contrapeso ao influxo inconsciente da afetividade do deleite, procuraremos arraigar afetividades e tendências contrárias, acostumando o corpo ao trabalho, à vida dura, a à mortificação e à dor (dignificadas pela fé) e afastando-o da comodidade e do prazer. Os esportes sadios e varonis ajudam bastante.

Um jovem de família rica confessou-me que lhe parecia impossível a castidade quando vivia em sua casa rodeado de comodidades e de presentes. Quando esteve em uma ocasião com muitas privações e trabalhos nunca teve tentação carnal.

3º – Devemos evitar pessoas, objetos, leituras, conversas e espetáculos que tragam associações de imagens ou tendências menos puras.  Querer a castidade com esses incitamentos é pretender caminhar sem cair por terrenos inclinados e escorregadios. É preciso evitar que se suscitem tais incitamentos por objetos proibidos.

4º – Quando aparecerem as tendências más ou pensamentos, resistir logo no primeiro momento “quando ainda são fracas”, contrapondo-lhes outras imagens (sensações conscientes, concentrações voluntárias, atos que ocupem a atenção) e outras tendências, por exemplo, querer evitar o inferno, ganhar o céu, querer dar gosto a Jesus Cristo, salvar almas, etc.

Um jovem muito casto e virtuoso ao encontrar-se com amigas ou parentes, via-se logo perturbado e assaltado por pensamentos impuros sem saber como evita-los. Bastou-nos aconselhar-lhe que associasse conscientemente outras imagens à idéia de mulher, por exemplo, à excelência da mãe que dá filhos para o céu, o Espírito Santo que mora nela pela graça, a sublimidade da Virgem Mãe de Deus etc. [para os homens com AMS vale o mesmo conselho: excelência do pai que dá filhos para o céu, o Espírito Santo que mora nele pela graça, a sublimidade de São José]. Poucos dias depois, voltou para agradecer-nos. Esta nova associação de idéias induzida voluntariamente havia acabado com as outras subconscientes e instintivas e sentia-se agora tranquilo e feliz.

5º – Para resistir melhor, evitemos colocar-nos em estado de inferioridade psíquica (alcoolismo, romantismo afetivo, sonolência, divagação cerebral). Neste estado, ficam soltas a imaginação e a afetividade subconsciente e como que adormecidas a vontade e a razão. Permanece todo o homem entregue à mercê do primeiro impulso. Este brotará fácil e violentamente, sobretudo se se juntou a tudo isso uma posição excessivamente cômoda que, por associação inconsciente do sentido do tato, desperta os baixos instintos. Teremos, ainda assim, poder para resistir e por isso seremos responsáveis pelo ato, mas… o atacante é forte e o defensor não está em guarda.

O Santo Cura de Ars fugia da sensação de comodidade como quem foge do fogo.

6º – Não encaremos esta luta heróica de um modo negativo: “Não se pode fazer isto; é preciso evitar aquilo”, mas sim de forma positiva: como um sacrifício que generosamente oferecemos a nosso Deus Crucificado, para amá-lo, agradá-lo, obedecer-lhe e imitá-lo. Esta luta positiva alegra e anima; a negativa deprime.

7º – Motivemos devidamente e elevemos à sua excelsa dignidade este instinto. Por ele quer Deus fazer depender do homem Seu poder de criar almas imortais e quer que isto se faça na entrega total de um ser para outro ser com o qual se completa e faz feliz por um amor desinteressado. Esta entrega a outra pessoa que vai completa-la e satisfazê-la emocionalmente é uma concretização aqui sobre a terra, da união íntima, espiritual e sublime com o Deus de infinito Amor e com felicidade divina que Ele nos prepara no céu. Por isto deu à união conjugal o caráter sagrado pelo sacramento do Matrimônio. Querer a satisfação sexual, excluído a finalidade dela, é burlar a intenção de Deus, nosso Pai e frustrar Seus planos divinos.

8º – Contra as idéias motoras que impelem à realização do ato, opor o sentimento de que podemos evita-lo, por exemplo: mando a meus pés que não vão àquele lugar, ou a minhas mãos que estejam cruzadas sobre o peito por um tempo determinado, para fortalecer meu caráter, para agradar a Nosso Senhor, para merecer o Céu (não diga “para evitar o pecado” pois tal evocação despertaria as idéias e impulsos que tratamos de dominar). Estes atos assim concretizados sentir-se-ão como possíveis e a vontade poderá querê-los.

9º – Uma vez feito tudo o que podíamos, dada a dificuldade especial desta matéria, resta-nos ainda recorrer a Deus para conseguir forças sobrenaturais pela oração, pela confissão e pela comunhão. Esta graça pedida com humildade, confiança e perseverança nunca nos será negada. A experiência de muitos séculos em todas as raças e homens de toda condição intelectual e social demonstra que estes meios sobrenaturais vencem a dificuldade especial de guardar a castidade.

[extraído do livro Controle Cerebral e Emocional, do Padre Narciso Irala] via Courage

Nota do Blogueiro
O ideal da masculinidade cristã passa longe do machismo, aquela concepção de uma suposta superioridade do homem em relação a mulher, tão crida historicamente, e ainda no presente, para justificar atitudes e comportamentos inaceitáveis na relação homem mulher, como a violência, por exemplo.
Muito dessa concepção é presente em filmes, especialmente os mais antigos, que, se trazem muita coisa sobre a saudável masculinidade, também trazem certos “ranços” que devem ser purificados à luz do modelo perfeito de masculinidade que é Jesus e da cosmovisão cristã
O presente artigo precisa ser lido à luz desse novo olhar, na busca dessa saudável relação homem mulher, sem preconceito nem negação daquilo que é inerente e natural a cada um, capaz de sair da rivalidade infantil para a complementação e enriquecimento mutuo cultivada na colaboração e diferenças entre os dois sexos. 
***

Na época do desbravamento do oeste americano, principalmente entre 1860 até o fim do século, um herói poderia surgir de uma pequena história que percorre grandes distâncias. Um homem podia se tornar uma lenda atirando em outro homem pelas costas, apenas para ser reconhecido como “o gatilho mais rápido” porque um bêbado viu o ocorrido de um ângulo errado, ainda assim seria referido como um homem bravo ou poderoso por causa de boatos.

O surgimento das “lendas” é um tema bem influente e bastante usado em filmes de faroeste, até os dias de hoje com o lançamento de 3:10 to Yuma, dirigido por James Mangold, um filme sobre um homem que está tentando provar seu valor para sua família e para si mesmo. Essa fórmula atua como uma trama central em diversos filmes de faroeste, com homens “construindo a sua própria reputação” e então a discussão do quanto de verdade há em suas histórias, o quanto suas vidas eram honestas, e o que garantiu seu lugar na memória dos outros que conviveram com eles.

No entanto, isso também é uma demonstração em potencial do que é ser homem em tal situação — o que é respeitado e o que é temido na época da história é sempre usado como pano de fundo de um personagem nesses contos. Servindo ao propósito da discussão do que caracteriza um homem, os filmes de faroeste são o parâmetro perfeito para revisar o que um homem da sociedade moderna, da época de lançamento do filme, é ou foi.

Roger Ebert, um conceituado crítico de filmes do Chicago Sun Times, escreveu uma resenha para o remake do clássico do faroeste de 1957, 3:10 to Yuma (esse feito em 2007), elogiando-o muito e lhe deu quatro estrelas. Ele afirma que “em tempos difíceis, os americanos sempre se voltam para o faroeste para acertar o compasso. Tempos dificílimos, pedem um ótimo filme de faroeste.”

Devido ao fato da maioria dos filmes de faroeste focarem em protagonistas masculinos, essa bússola moral pode ser um norte para jovens e idosos que os assistem, e ser a fonte das idéias de masculinidade predominantes de seu tempo. Essa afirmativa fornece a ideia de que os filmes de faroeste passam valores morais, e ajudam a estabelecer um protótipo para um homem basear sua ideia de masculinidade, a ideia de quais são as obrigações de um homem, quais são as suas responsabilidades como homem, e o que ele deve fazer em termos de violência para proteger os mais fracos que ele, exceto em momentos de dilema moral.

Os filmes seguintes são usados para demonstrar a idéia do faroeste no imaginário popular da masculinidade durante certos períodos nos Estados Unidos e sua relevância histórica.

Muitos dos melhores filmes de faroeste funcionavam como contos de moralidade [e virtude] para homens de todas as idades, estrelado por grandes heróis do cinema como Gary Cooper, Jimmy Stewart, John Wayne e Clint Eastwood. Os 3 filmes utilizados nesse ensaio que foram estrelados por esses homens são High Noon, The Man Who Shot Liberty Valance, e The Outlaw Josey Wales.

Estes filmes citados abaixo serão utilizados neste artigo como modelos para o arquétipo, e para fomentar a discussão sobre a forma como a imagem masculina se aplica a época em que foi feito o filme.

Matar ou Morrer (1952)

Contrário as denotações óbvias de que “o que usa o chapéu branco é o mocinho, o que usa o chapéu preto é o vilão,” os homens dos filmes de faroeste tendem a ser personagens relativamente complexos os quais amadureceram enquanto o seu tempo na indústria cinematográfica prosseguiu — anos mais tarde o uso do chapéu preto pelo mocinho ajudava a ressaltar a sua natureza de anti-herói. Normalmente há três variações de herói e de sua situação. A primeira seria um homem com o mesmo nível de habilidade que seus antagonistas, protegendo as pessoas do seu vilarejo de seus inimigos, como em High Noon, um filme feito em 1952. Esse primeiro homem seria o de “chapéu branco.”

Situado em uma pequena cidade no Sudoeste à beira da guerra civil, o xerife Kane, interpretado por Gary Cooper, é um homem de muita responsabilidade. O que lhe falta em covardia ele compensa em idade, ele está ficando velho demais para esse negócio e sua nova esposa, uma jovem Quaker, quer que ele largue suas armas por bem e deixe a cidade com ela para viverem uma vida pacífica. Ele volta à cidade [quando estava quase livre das responsabilidades como xerife] na véspera de sua lua de mel para proteger os civis covardes de uma gangue de bandidos arruaceiros e violentos empenhados em obter vingança. Há um conflito pessoal entre Kane e o chefe da quadrilha, um bandido [chamado Frank Miller] que retornou a cidade após ter sido expulso , mas o foco principal é sobre a dedicação de Kane pela lei e “seu povo.”

Este filme é uma definição clara do arquétipo do homem da lei – um enfoque raramente explorado nos filmes ocidentais após a década de 1950. Estes filmes de faroeste foram produzidos quando o próprio país era um lugar de conformidade, fortes valores familiares, e um consenso de “excepcionalismo moral.”

Este último objetivo moral deve ser destacado neste filme especificamente, pois Kane não iria fugir da responsabilidade, como ele expressa veementemente no filme, até mesmo quando as pessoas que ele desejava proteger o mandam ir embora da cidade, especificamente a cena em que Kane está tentando recrutar muitos dos habitantes de uma só vez na Igreja da cidade.

Há um argumento entre os habitantes sobre a necessidade de que cada um se preocupe consigo mesmo e ignore os problemas atuais crescentes em sua própria cidade. Kane se recusa a aceitar que é assim que as coisas devem ser, e mantém sua palavra de proteger a cidade.

O desejo de se manter em seu posto em nome da honra e da justiça é o tema principal nesse filme, levado até o limite com o abandono que o xerife sofre quando o resto da cidade se recusa a aderir sua causa. High Noon é um aviso dos perigos de ser permissivo com os crimes, sejam eles domésticos ou internacionais. Em um dado momento, há poucas pessoas dispostas a fazer o que é correto — a força da alegoria reside no internacionalismo, nos Estados Unidos como uma espécie de polícia mundial de última instância. Will Kane é como os Estados Unidos que vai até ONU suplicar por ajuda para deter o avanço do comunismo, tem seu pedido negado, e acaba tendo que se virar sozinho para resolver a questão por ser a coisa certa a se fazer.

O xerife Kane retrata sua masculinidade, a sua necessidade de ser um homem de convicções, de forma clara e objetiva neste filme, que termina com ele enfrentando os bandidos sozinho, e derrotando todos eles praticamente sozinho. É claro que este filme deve ter demonstrado alguma forma de liderança masculina, como era o filme mais assistido na Casa Branca, entre 1954 a 1986. Para esclarecer sua proeminência dessa declaração, o filme ganhou quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator (para Gary Cooper). Isso mostrou o poder da propriedade como uma forma de comunicar a sua mensagem para o público alvo, o que claramente teria sido muito mais ineficaz se o herói principal fosse desagradável em sua necessidade masculina de ser dominante e no controle de seu próprio destino.

Outro fator extremamente notável em termos de masculinidade em High Noon não é a batalha de Kane com seu antagonista, mas com as duas mulheres do filme que tentam convencê-lo a ficar ou sair da cidade. Tem sido documentado que há duas contrapartes femininas específicas para um herói masculino em um faroeste: a mulher loira, uma gentia que deseja a paz, requer uma grande quantidade de proteção e que representa a civilização, e a mulher morena que é a ligação do herói a uma natureza mais selvagem.

Em High Noon, esta dualidade feminina é representada com precisão pela nova esposa de Kane, Amy, a qual os habitantes da cidade lhe dizem para “considerar” em sua decisão de ficar e lutar ou sair e viver, e sua ex-amante, a mulher mexicana Helen. Amy implora para ele deixar a cidade e fugir com ela, e desistir de qualquer forma violenta, mesmo que os seus fins sejam para a proteção ou a resolução de problemas. Ela ameaça deixar a cidade no trem do meio-dia, com ou sem ele, caso ele não a procure. Helen, seu antigo caso amoroso, explica em uma conversa com o assistente de Kane, e mais tarde a Amy, como Will Kane é mais homem do que qualquer um na cidade para cumprir seu dever e recusar-se a deixar a cidade por vontade própria, e que além disso, se ele morrer, a cidade morre com ele. Enquanto suas tentativas de reunir outros moradores em um destacamento para proteger a cidade, em um nível mais alegórico para definí-lo como um herói abandonado, seu conflito com sua nova esposa e o contraste dado por Helen Ramirez ajuda a definir o que o coloca no molde de um “homem.” Seu heroísmo é fortemente sentido o suficiente ainda para que, com a ajuda das palavras de Ramirez, Amy decidisse ajudá-lo na batalha final, auxiliando-o brevemente no tiroteio e indo contra seu próprio dogma. Os dois personagens terminam por sair da cidade, em um ato de desprezo.

O faroeste continuou a evoluir, e em 1962 estavam sendo explorados outros tipos de “heróis.” The Man Who Shot Liberty Valance, que estreou no mesmo ano, é um sólido ponto de ruptura entre o representante da lei, seus impulsos violentos e sua necessidade de se fazer cumprir a lei.

O Homem que Matou o Facínora (1962)

Estrelado por dois dos principais atores mais famosos da época, The Man Who Shot Liberty Valance se trata de dois tipos muito diferentes de heróis. Neste filme, uma outra variação do herói de filme de faroeste pode ser visto não especificamente em qualquer personagem, mas ao longo das interações entre os dois personagens principais. Esta variação é composta por um homem que tenta proteger a cidade, apenas para enfrentar sua própria destruição através de sua perda de conexão com a civilização em evolução, semelhante ao Kane em High Noon, ou morte. O que o torna mais relevante neste filme é que há uma noção do “fim de uma era,” com o personagem violento cuja habilidade selvagem é rejeitada pelas pessoas da cidade no final, e o personagem que é contra a violência em geral, acaba recorrendo a ela para se salvar. Este filme apresenta-se como uma exaltação as tradições culturais, estabelece as bases para a necessidade de glorificar o passado da história dos Estados Unidos, em vez de embarcar nos delírios da contracultura dos anos 60.

Marcando o final dos filmes de faroeste do pós-guerra, este filme dirigido por John Ford foi o último do gênero que fez até sua aposentadoria, pendurar as chuteiras e tentar aceitar que as pessoas discordavam das idéias de uma guerra violenta para resolver os seus problemas, ainda que estivessem sob a ameaça de um conflito armado inevitável e o medo resultante disso.

O personagem de John Wayne, Tom Doniphon, é parte de uma raça de herói em extinção, o homem armado da fronteira. Ele não chega a impedir o progresso, mas ele espera que com o uso de uma arma para resolver problemas não terá de se juntar ao modernismo da sociedade, refletindo precisamente sobre o fim dos heróis da Segunda Guerra Mundial e a visão deles sobre o “progresso.”

O outro personagem é um advogado iniciante chamado Ranson Stoddard, interpretado com naturalidade por James Stewart, que demonstra a necessidade de ser civilizado e afastar-se da violência para resolver problemas, mas no final das contas continua “corrompido” ao usar uma arma para salvar a própria pele. Apesar de recorrer a violência no final, ele pertence a um grupo conhecido como “pioneiros,” homens que buscam transformar o ambiente selvagem — ao invés de se integrar a ele — em uma nova ordem social. Stoddard maravilhou a cidade com a criação de um curso de alfabetização, chegando ao ponto de educar um negro chamado Pompey que era o braço direito de Tom Doniphon. Sua finalidade em relação ao progresso neste filme contém um ângulo pró-direitos civis, com uma citação feita no filme fazendo referência ao movimento dos direitos civis da época, quando Stoddard reage ao constrangimento de Pompey por ter se esquecido da Proclamação de Emancipação, afirmando tranquilamente que muitos outros também se esqueceram. Este personagem é um arquétipo do homem ocidental, que ocorre raramente, trazendo a civilização com ele para as regiões remotas do país, domando a fronteira com um livro ao invés de uma arma.

Esses dois personagens possuem um forte contraste em suas visões de mundo, um vilão implacável chamado Liberty Valance [situado na cidade de Shinbone], um bêbado raivoso interpretado por Lee Marvin, está assassinando os agricultores para o bem dos fazendeiros em uma tentativa pessoal de atrasar o progresso. Enquanto ele obstrui o “progresso” de Ranson Stoddard, seus métodos excessivamente violentos e malignos não fazem dele um amigo de Tom Doniphon. Ambos querem livrar a cidade de Valance, mas eles têm métodos completamente contraditórios: para Stoddard o ideal é processar, para Doniphon a idéia é resolver o problema na bala. O filme tem um tom cômico e quase auto-satírico, exibindo um estilo negligente, que enfatiza as reações entre os dois protagonistas principais e como seus personagens diferem em opinião.

Uma cena hilária mostra o fazendeiro rústico interpretado por Wayne humilhar completamente o personagem de Stewart por sua incapacidade de usar uma arma. Ele o leva para sua fazenda e, em uma tentativa de simulação para treiná-lo, assusta Stoddard com truques extravagantes [porém inúteis] com a arma, simplesmente para mostrar o que ele está enfrentando.

Josey Wales – O Fora da Lei (1976)

No entanto, há um lado heróico em Doniphon, como ele é um dos últimos “mocinhos durões” remanescentes, e tem muitas batalhas com Valance que não resultam em trocas de tiro, mas causam um conflito de egos que ilumina a tela com a exuberância do que significa ser homem. Este filme marcou o surgimento desse tipo de personagem defensor da lei e da ordem, com The Man Who Shot Liberty Valance proporcionando o canto do cisne, permitindo que este arquétipo de personagem não caisse no ostracismo com o declínio do gênero do faroeste. O filme termina com a revelação de que Tom Doniphon tinha atirado em Valance para proteger Stoddard, mas não recebeu nenhum crédito por isso. Stoddard usa o seu crédito para se tornar um senador estadual, e mobiliza tempos de mudança e de progresso dentro da cidade de Shinbone. Não havia mais para onde desenvolver o arquétipo do defensor da lei e da ordem nos filmes de faroeste, então um terceiro arquétipo de herói entra em cena; mais corajoso, mais cruel, e com motivações atípicas ao gênero.

Doze anos após a saudação de despedida de John Ford, o faroeste americano tinha começado a diminuir em popularidade, com The Man Who Shot Liberty Valance em 1962 sendo apenas um dos cerca de 11 filmes de faroeste feitos.

Os faroestes com renegados foras-da-lei elevou novamente a popularidade do gênero em 1967 com os filmes de Sergio Leone — personagens violentos, ambíguos, conhecidos por matar à primeira vista e que só se importam com seu próprio ganho material, em grande parte como simples formas de entretenimento.

No entanto, de volta nos Estados Unidos, alguns filmes ainda tentam encontrar um contexto social com o qual trabalhar. The Outlaw Josey Wales é um filme que o próprio Clint Eastwood classifica como uma reação ao ponto de vista social da fase final da Guerra do Vietnã, usando a era de Reconstrução da América do pós-Guerra Civil e da insatisfação dos sulistas como alegoria para a hostilidade do público americano para com os veteranos do pós-Guerra do Vietnã [que não receberam boas vindas e nem sequer um obrigado pelos serviços prestados]. Nascido fora desta desconfiança social e política havia o anti-herói americano, encontrado principalmente em Filmes Noir, mas uma presença constante nos faroestes da época, como The Wild Bunch, dirigido em 1969 por Sam Peckinpah. E popuarizado em todo o mundo por Sergio Leone na “Trilogia dos Dólares.” Semelhante a um personagem criado com competência no primeiro grande filme de Eastwood, A Fistful of Dollars, dirigido por Sergio Leone, ele eleva o arquétipo do anti-herói em busca de vingança a outro patamar, Josey Wales foi concebido em uma história que mostra os maus-tratos a soldados em uma guerra que não foi acordada, usando o Oeste americano como um cenário de guerra a la Vietnã. Este herói era um homem feito, de poucas palavras, habilidades admiráveis, e relutante em fazer amizade com aqueles ao seu redor, pouco importando o quanto queiram sua companhia.

Isso traz a tona a revelação de um terceiro arquétipo masculino principal dos filmes de faroeste: o vingador que busca vingança contra alguém que o ofendeu — neste caso, os soldados ianques conhecido como pés vermelhos que massacraram sua família. O herói vai passar por muitos contratempos para alcançar seu objetivo, mas no final terá completado alguns feitos que inicialmente não se esperariam dele: como descobrir que ele está do mesmo lado das pessoas da cidade ou de pacifistas errantes que não têm a sede selvagem de sangue em seus próprios corações.

Nesse filme, o personagem de Eastwood, se associa a um punhado de personagens complexos, incluindo um Chefe indígena “reformado” interpretado por Chef Dan George, uma jovem índia que acidentalmente se vê em débito por ter sua vida salva por ele, e uma família de viajantes com que ele compartilha uma conexão silenciosa por ter matado um de seus parentes. Escoltando relutantemente, e cuspindo constantemente, Josey acolhe esse “bando” ao longo do caminho enquanto persegue sua vingança. O filme segue a tradição de sucessos como Butch Cassidy and the Sundance Kid, de 1969, que dava um destaque notório a inversão do padrão típico de filmes de faroeste, fazendo dos foras-da-lei os protagonistas principais. Transformando os homens ressentidos e desapontados de seu vínculo com o governo, e que procuravam se livrar disso, nos protagonistas a partir desse ponto em diante.

Ao longo do filme a uma transformação do personagem principal de um solitário singular e letal em um protetor da família e dos ideais, salvando a família no final do filme, que também ajuda-o em sua luta pela vingança. Ironicamente, isso leva ao início desta pesquisa. Josey Wales tem usado suas habilidades selvagens para reunir-se não só com a natureza, mas também com aqueles que o rodeiam, que necessitam de sua proteção, e que não temem a sua autoridade, porque ele é um indivíduo livre na grandiosa tradição ocidental. Os aspectos históricos deste trabalho cinematográfico como alegoria a uma desconfiança em relação ao governo da época, misturado com a necessidade de se fortalecer o núcleo familiar e se proteger das autoridades abusivas, como proclama Eastwood em uma introdução que ele criou, especialmente, para os telespectadores que fossem assistir o filme em DVD. Há um lado anti-autoritário em Wales que é implicitamente visível — ele quer ser conhecido como o personagem que se volta contra o governo, o qual ele não pode mais confiar.

Ao longo dos 55 anos de existência do faroeste, entre seus altos e baixos de popularidade, sua variedade de personagens e as diferentes fórmulas em suas tramas, este gênero de filme sempre foi uma fonte primária para a visão americana da masculinidade. Mesmo que se trate de um retorno à natureza, uma necessidade da violência, o desejo de talhar o próprio nome nas memórias daqueles ao seu redor como um protetor, aproveitador ou um assassino em série, esses filmes têm mostrado como os homens desses tempos estavam aptos a ser. A declaração de Ebert em 3:10 to Yuma prova ser exata: quando em tempos de um dilema moral, os homens jovens e velhos, das mais variadas profissões e cargos, vão olhar mais provavelmente para um personagem de virtuosismo austero para definir a sua própria atitude em relação a sua época. Fora isso, como demonstrado por esses filmes será criado um personagem que reflete esse período de tempo, que se realiza em um ambiente que se tornou a marca registrada dos ídolos americanos.

Os filmes de ação dos anos 80, um legado da Era Reagan, se inspiram bastante nos personagens e tramas de filmes de faroeste, geralmente enfatizando a importância do indivíduo e seu papel crucial no mundo. O indivíduo tomar as rédeas de seu destino é uma mensagem poderosa e inspiradora, servir a um propósito e optar por seguir as próprias aspirações o leva a grandes feitos.

Em filmes como Rambo, Máquina Mortífera, Comando para Matar vemos nitidamente a importância do indivíduo e o que ele pode fazer pelo seu país. Indivíduos que superaram suas próprias dificuldades como pessoa e perseveraram como heróis. Os protagonistas geralmente têm como características mais marcantes o vigor, a virilidade, a perseverança e a assertividade.

Hoje as feministas movidas pelo delírio da ideologia de gênero atacam não só os referenciais de masculinidade dos filmes de faroeste [seja em artigos ou na promoção de filmes como Brockback Mountain] como também os de filmes de ação dos anos 80 não apenas por serem referência de masculinidade mas por representarem os ideais da Era Reagan, coisa que desejam apagar da história a qualquer custo.

Fonte original AQUI

A genética não explica tudo

A maioria dos homossexuais tem o sentimento de ter nascido assim, enquanto outros não o aceitam e percebem que sua homossexualidade talvez advenha de um fracasso no acesso à heterossexualidade. Outros ainda vivem por meio da homossexualidade uma experiência provisória no desenvolvimento de sua sexualidade a fim de se reassegurar com relação a si mesmos. E há também aqueles em quem ela pode se manifestar tardiamente na vida, depois de recalcamentos e de ter conhecido uma sexualidade heterossexual. Observam-se igualmente indivíduos que podem alternar entre uma e outra em função de eventos de sua existência.

A homossexualidade pode assim se mostrar como uma forma de organização da personalidade que recorre a realidades psíquicas vividas por cada pessoa durante a infância e a adolescência, como a não-diferenciação, o narcisismo, a idealização da própria imagem corporal, a identificação com o genitor do mesmo sexo, etc. Freud mostrou que algumas expressões homossexuais eram a manifestação de um conflito inconsciente que a pessoa tentava resolver ou do qual procurava se defender por meio dessa solução.

A psicanálise situa o problema da origem da homossexualidade, dessa maneira, em outro plano, e o próprio Freud considerou sem interesse o dilema entre o inato e o adquirido. Ele evidenciou a relativa autonomia da vida psíquica em sua interação com a vida biológica e com o ambiente. Por conseguinte, acentuou mais a importância dos fatores internos que levam o indivíduo a a se organizar em função das tarefas psíquicas que ele deve organizar a partir da infância. São esses fatores que favorecem ou não as diferentes operações de integração sexual, operações que, quando não realizadas, fazem a libido fixar-se no próprio indivíduo, que toma a si mesmo como objeto através dos outros.

A tese do caráter inato da homossexualidade é muito antiga, e não pôde ser provada, mesmo que hoje se deseje sustentar sua origem orgânica por meio de um discurso genético ou neurobiológico.Como se poderiam explicar comportamentos homossexuais transitórios ou reacionais se a homossexualidade fosse inata? Como explicar que indivíduos se liberem de práticas homossexuais depois de uma psicoterapia e se tornem capazes de viver de outra maneira se essa tendência estivesse inscrita em sua estrutura genética? Voltemos mais uma vez a essa questão.

A maioria dos cientistas não conclui pela causa neurobiológica exclusiva para justificar a orientação sexual, nem pela causa unicamente genética para explicar os comportamentos humanos decorrentes de outras realidades (psicológicas, sociais etc.).

Uma corrente filosófica que insiste nos determinismos genéticos segue essa direção na América do Norte. A partir de experiências de laboratório, perquisadores tentam provar a existência dos “genes” da violência, da homossexualidade, da delinquência, do alcoolismo, havendo mesmo os que desejam explicar esta ou aquela tendência a partir da forma do crânio ou da dimensão da hipófise. Esse desvio é inquietante, porque a descoberta de um gene que predispõe, por exemplo, a uma tendência ou a uma patologia não significa que ela vá se manifestar.

O gene não age sozinho. O ambiente, a educação, os eventos que marcam uma existência, a maneira como o sujeito resolve ou não seus conflitos de base para elaborar sua personalidade são fatores que contribuirão para a orientação da personalidade.Porém, sobretudo, se se conseguirem isolar os aspectos genéticos de predisposições hipotéticas da sexualidade (o que não se sabe fazer hoje), não é um gene, mas dez, trinta, oitenta ou mais de cem que é preciso considerar potenciais, não determinismos a partir dos quais o indivíduo deva necessariamente se desenvolver.

A genética não dá conta de tudo, e os genes, repitamo-lo, não determinam o destino dos indivíduos. Ao querer crer nessa tese mecanicista da psicologia humana a partir de uma visão parcial e sobremodo reduzida, deixa-se de lado a complexidade da organização humana e a originalidade de seu funcionamento. Nesse caso, a pessoa humana é concebida como simples montagem celular e como o produto das reações químicas dessa montagem.

Assim, conclusões simplistas e apressadas são lançadas à opinião pública, e não correspondem nem às conclusões dos cientistas, nem, menos ainda, à problemática genética. Essas falsas esperanças científicas acalentam uma visão da vida humana que dependeria de um ‘fatum’ que poderia ser alterado graças a manipulações genéticas, e quem sabe à terapia gênica, e que não incidiria sobre patologias identificáveis mas sobre a organização da personalidade, ou ainda sobre suas tendências sexuais. Como é concebível tal perspectiva? ‘O problema é que não se sabe quase nada dos mecanismos bioquímicos dos problemas psíquicos. Dispomos apenas de hipóteses que seria desonesto fazer passar por certezas. Mesmo quando se identificarem receptores envolvidos nesta ou naquela patologia, não se diz que se encontrará a prótese química capaz de suprir uma eventual deficiência. Os ansiolíticos não agem sobre um centro hipotético de ansiedade, se é que tal centro existe. Cometeu-se o erro de alinhar a psiquiatria à medicina somática. O cérebro é um órgão dotado de grande complexidade que funciona de maneira global e dispõe de uma extraordinária plasticidade. Não podemos, ao contrário do que ocorre em outras disciplinas médicas, identificar as lesões, repertoriar e quantificar os sintomas que elas ocasionam e propor um tratamento curativo ou preventivo.

A necessidade de dizer que se nasce homossexual e de procurar prová-lo com o argumento genético é no mínimo discutível. Não seria uma maneira de esvaziar toda a dimensão psicológica da sexualidade?

Trecho do livro do Padre Tony Anatrella, “A diferença interdita – sexualidade, educação, violência”

* Sinopse do livro: Nunca nossa sociedade reivindicou tão vigorosamente para seus membros o direito à diferença: diferença de gostos, de culturas e valores, diferença de gostos, de culturas e valores, diferenças de escolhas de vida, de maneiras de amar, de modelos de família… Contudo, nunca o acesso a uma verdadeira diferença foi tão difícil. Vivemos na esteira das aspirações fusionais de Maio de 1968. Recusa da função do Pai, enfraquecimento da relação educativa, interioridade em crise, retorno dos terrores primitivos, são numerosos os sintomas daquilo que fabrica aos poucos uma sociedade indiferenciada em que os papéis e os espaços se confundem. O adulto faz às vezes da criança, a figura paterna desaparece por trás da figura da mãe, a violência se banaliza, a intimidade está na praça.