A abordagem não é religiosa no sentido estrito do termo mas antropológica e sociológica.

Essa percepção não prejudica em hipótese nenhuma a reflexão, tem como pano de fundo a visão católica do homem e o questionamento da influência  nefasta do feminismo no esvaziamento da virilidade masculina ( Não confundir virilidade com machismo, uma deformação dessa virilidade)

O Assunto é pertinente nestes dias de questionamento por parte de certas ideologias da natureza masculina e feminina e da inaceitável defesa da “ideologia do gênero” cada vez mais presente na sociedade. 

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Por Roger Scruton
Traduzido por Andrea Patrícia

As feministas têm batido na mesma tecla em relação à posição das mulheres nas sociedades modernas. Mas e sobre os homens?

As mudanças radicais nos hábitos sexuais, padrões de trabalho e vida doméstica, viraram sua vida de cabeça para baixo. Os homens agora não encontram as mulheres como “sexo frágil”, mas como concorrentes de igualdade na esfera pública, a esfera onde os homens costumavam comandar. E na esfera privada, onde uma antiga divisão do trabalho dava orientação para aqueles que cruzassem seu limite, não há conhecimento sobre qual estratégia será a mais eficaz.

Gestos viris – abrir uma porta para uma mulher, ajudá-la num automóvel, carregar suas malas – podem desencadear rejeição ultrajante; mostra de riqueza, poder ou influência pode parecer ridícula para uma mulher que tem até mais do que ele; e o desaparecimento da modéstia feminina e da contenção sexual tornou difícil para um homem acreditar, quando uma mulher recua aos seus avanços, que ela faz isso como uma homenagem especial ao seu ‘poder’ masculino, ao invés de uma transação do dia-a-dia, em que ele, como a última, é dispensável.

A revolução sexual não é a única causa da confusão dos homens. Mudanças sociais, políticas e legais têm diminuído a esfera masculina até o ponto do desaparecimento,redefinindo toda a atividade em que os homens um dia provaram que eram indispensáveis, de modo que agora as mulheres podem fazer o trabalho também, ou pelo menos parecem fazê-lo.

As feministas têm farejado o orgulho masculino onde quer que ele tenha crescido e o arrancado impiedosamente. Sob pressão, a cultura moderna tem diminuído ou rejeitado tais virtudes masculinas como a coragem, tenacidade e bravura militar em favor dos hábitos mais suaves, mais “socialmente inclusivos”.

O advento da fertilização in vitro e a promessa de clonagem criam a impressão de que os homens não são nem mesmo necessários para a reprodução humana, enquanto o crescimento das famílias monoparentais – nas quais a mãe é o único adulto, e o Estado é muitas vezes o único provedor – fez com que a infância órfã de pai se tornasse uma opção cada vez mais comum.

Essas mudanças ameaçam fazer da masculinidade algo desnecessário, e agora muitas crianças já crescem sem reconhecer nenhuma fonte de amor, autoridade ou de orientação além da mãe, cujos homens vêm e vão como trabalhadores sazonais, vagando pelo reino matriarcal, sem perspectiva de uma posição permanente.

A infelicidade dos homens decorre diretamente do colapso de seu antigo papel social como protetores e provedores. Para as feministas, este antigo papel social era uma maneira de confinar as mulheres à família, onde elas não concorreriam pelos benefícios disponíveis lá fora. Sua destruição, elas afirmam, é, portanto, uma libertação não só das mulheres, mas dos homens, também, que agora podem escolher se querem afirmar-se na esfera pública, ou se, pelo contrário, querem ficar em casa com o bebê (que pode muito bem ser bebê de outro alguém). Esta é a idéia central do feminismo, que “os papéis de gênero” não são naturais, mas culturais, e que mudando tais papéis podemos derrubar velhas estruturas de poder e conseguir formas novas e mais criativas de ser.

O ponto de vista feminista é a ortodoxia em toda a academia norte-americana, e ele é a premissa de todo o pensamento jurídico e político entre a elite esquerdista, cujos dissidentes que se opõem colocam em perigo sua reputação ou carreiras. No entanto, uma onda de resistência a ela está ganhando força entre os antropólogos e sociobiólogos.

Típico é Lionel Tiger, que há três décadas inventou o termo “vínculo masculino” para designar algo que todos os homens precisam, e que poucos agora têm. Não foi uma convenção social que ditou o papel tradicional do homem e da mulher, Tiger sugere; em vez disso, os milhões de anos de evolução que formaram a nossa espécie fizeram-nos o que somos. Você pode fazer os homens fingirem ser menos dominantes e menos agressivos, você pode fazer com que eles finjam aceitar um papel submisso na vida doméstica e uma posição de dependência na sociedade. Mas, no fundo, no fluxo da vida instintiva que é a masculinidade em si, eles irão revoltar-se. A infelicidade dos homens, Tiger argumenta, vem deste profundo e inconfessado conflito entre faz-de-conta social e necessidade sexual. E quando a masculinidade finalmente explodir – como inevitavelmente acontecerá – será em formas distorcidas e perigosas, como as gangues de criminosos da cidade moderna ou a misoginia arrogante do malandro urbano.

Tiger vê o sexo como um fenômeno biológico, cuja profunda explicação reside na teoria da seleção sexual. Cada um de nós, ele acredita, age em obediência a uma estratégia integrada em nossos genes, que procuram a sua própria perpetuidade através do nosso comportamento sexual. Os genes de uma mulher, que é vulnerável no trabalho de parto e necessita de apoio durante os anos da educação infantil, chamam um companheiro que irá protegê-la e sua prole. Os genes de um homem exigem uma garantia de que as crianças que provê são suas, senão todo o seu trabalho é (do ponto de vista dos genes) desperdiçado. Assim, a própria natureza, trabalhando através de nossos genes, decreta uma divisão de papéis entre os sexos. Predispõe os homens para lutar por território, para proteger suas mulheres, para afastar rivais, e lutar por status e reconhecimento no mundo público – o mundo onde os homens combatem. Isso predispõe as mulheres a serem fiéis, privadas e dedicadas ao lar. Ambas as disposições envolvem o trabalho em longo prazo de estratégias genéticas – estratégias que não cabe a nós a mudar, já que somos o efeito e não a causa delas.

As feministas, obviamente, não terão nada disso. A Biologia pode certamente atribuir-nos um sexo, na forma deste ou daquele órgão. Mas muito mais importante do nosso sexo, elas dizem, é o nosso “gênero” – e gênero é uma construção cultural, não um fato biológico.

O termo “gênero” vem da gramática, onde é usado para distinguir os substantivos masculinos dos femininos. Ao importá-lo para a discussão do sexo, as feministas indicam que nossos papéis sexuais são fabricados e, portanto, maleáveis como a sintaxe. O gênero inclui os rituais, hábitos e imagens através dos quais nós representamos a nós mesmos aos outros como seres sexuais. Não se trata de sexo, mas da consciência do sexo. Até aqui, dizem as feministas, a “identidade de gênero” das mulheres é algo que os homens impuseram sobre elas. Chegou a hora das mulheres forjarem sua própria identidade de gênero, para refazer a sua sexualidade como uma esfera de liberdade, em vez de uma esfera de escravidão.

Levado ao extremo – e o feminismo leva tudo ao extremo – a teoria reduz o sexo a uma mera aparência, com o gênero como realidade. Se, depois de ter forjado sua verdadeira identidade de gênero, você encontra-se alojado no tipo errado do corpo, então é o corpo que tem de mudar. Se você acredita ser uma mulher, então você é uma mulher, não obstante o fato de você ter o corpo de um homem. Daí que os médicos, em vez de observar as operações de mudança de sexo como uma violação grosseira do corpo e, na verdade uma espécie de agressão, agora as homologa e, na Inglaterra, o Serviço Nacional de Saúde paga por elas. Gênero, na concepção radical que as feministas tem disso, começa a soar como uma perigosa fantasia, um pouco como as teorias de genética de Lysenko, o biólogo preferido de Stalin, que argumentou que características adquiridas poderiam ser herdadas, por isso o homem poderia moldar sua própria natureza, com plasticidade quase infinita. Talvez devamos substituir a velha pergunta que James Thurber colocou diante de nós no início da revolução sexual com um equivalente novo: não “O Sexo é Necessário?”, mas “O Gênero é possível?”

Em certa medida, no entanto, as feministas têm razão em distinguir sexo de gênero e dar a entender que somos livres para rever as nossas imagens do masculino e do feminino. Afinal, o argumento dos sociobiólogos descreve com precisão as semelhanças entre as pessoas e os macacos, mas ignora as diferenças. Animais na selva são escravos de seus genes. Os seres humanos na sociedade não são. Toda a questão da cultura é que ela nos faz algo mais do que criaturas de simples biologia e nos coloca no caminho para a auto-realização. Onde na sociobiologia está o ser, suas escolhas e sua realização? Certamente os sociobiólogos estão errados ao pensar que os nossos genes por si só determinam os papéis sexuais tradicionais.

Mas, assim como certamente as feministas estão erradas ao acreditar que estamos completamente livres da nossa natureza biológica e que os papéis sexuais tradicionais surgiram apenas a partir de uma luta social pelo poder em que os homens saíram vitoriosos e as mulheres foram escravizadas. Os papéis tradicionais existem, a fim de humanizar nossos genes e também para controlá-los. O masculino e o feminino eram ideais, através dos quais o animal foi transfigurado no pessoal. A moralidade sexual foi uma tentativa de transformar uma necessidade genética em uma relação pessoal. Ela já existia justamente para impedir os homens de dispersar suas sementes pela tribo, e para evitar que as mulheres aceitassem a riqueza e o poder, ao invés do amor, como o sinal para a reprodução. Foi a resposta cooperativa a um desejo profundo, tanto do homem quanto da mulher, para a “parceria”, que vai tornar a vida significativa.

Em outras palavras, homens e mulheres não são apenas organismos biológicos. Eles também são seres morais. A Biologia estabelece limites para o nosso comportamento, mas não determina isso. A arena formada por nossos instintos apenas define as possibilidades entre as quais temos de escolher se queremos ganhar o respeito, aceitação e amor um do outro.

Homens e mulheres moldaram-se não apenas com a finalidade de reprodução, mas a fim de trazer dignidade e bondade para as relações entre eles. Com esta finalidade, eles têm criado e recriado o masculino e o feminino, desde que eles perceberam que as relações entre os sexos devem ser concretizadas por meio de negociação e consenso, e não pela força. A diferença entre a moral tradicional e feminismo moderno é que a primeira pretende reforçar e humanizar a diferença entre os sexos, enquanto o segundo quer reduzir ou até mesmo aniquilá-la. Nesse sentido, o feminismo é realmente contra a natureza.

No entanto, ao mesmo tempo, o feminismo parece ser uma resposta inevitável para o colapso da moralidade sexual tradicional. As pessoas aceitam prontamente os papéis tradicionais quando a honra e a decência os sustentam. Mas por que as mulheres devem confiar nos homens, já que os homens são tão rápidos em descartar as suas obrigações? O casamento foi um dia permanente e seguro; ele oferecia a mulher status social e de proteção, muito tempo depois que ela deixasse de ser sexualmente atraente. E forneceu uma esfera na qual ela era dominante. O sacrifício que o casamento permanente exigiu dos homens tornou tolerável para mulheres o monopólio masculino sobre a esfera pública, na qual os homens competiam por dinheiro e recompensas sociais. Os dois sexos respeitavam o território do outro e reconheciam que cada um deve renunciar a algo para benefício mútuo. Agora que os homens, na esteira da revolução sexual se sentem livre para ser polígamo em série, as mulheres não têm mais um território seguro próprio. Elas não têm escolha, portanto, senão captar o que elas podem do território que um dia foi monopolizado pelos homens.

Foi uma das grandes descobertas da civilização a de que os homens não ganham a aceitação das mulheres pela exibição impetuosa de sua masculinidade em gestos agressivos e violentos. Mas eles ganham aceitação sendo cavalheiros. O cavalheiro não era uma pessoa com o gênero feminino e o sexo masculino. Ele era inteiramente um homem. Mas ele também era gentil em todos os sentidos desta palavra brilhante. Ele não era agressivo, mas corajoso, não possessivo, mas protetor, não agressivo com outros homens, mas ousado, calmo, e pronto para concordar com os termos. Ele era animado por um senso de honra, que significava assumir a responsabilidade por suas ações e proteger aqueles que dependiam dele. E o seu atributo mais importante era a lealdade, o que implicava que ele não iria negar as suas obrigações apenas porque ele estava em posição de lucrar com isso. Grande parte da raiva das mulheres com relação aos homens surgiu porque o ideal do cavalheiro está agora tão perto da extinção. O entretenimento popular tem apenas uma imagem da masculinidade para apresentar aos jovens: e é uma imagem de agressividade desenfreada, na qual armas automáticas desempenham um papel importante e em que a gentileza, sob qualquer forma aparece como uma fraqueza e não como uma força. Até que ponto isso é distante daqueles épicos do amor cortês, que colocaram em marcha uma tentativa européia de resgatar a masculinidade da biologia e remodelá-la como uma idéia moral, não precisa de elaboração.

Não foram apenas a classes superiores, que idealizaram a relação entre os sexos ou moralizaram seus papéis sociais. Na comunidade da classe trabalhadora a partir da qual a família de meu pai veio, a velha reciprocidade era parte da rotina da vida doméstica, encapsulada em mostras de reconhecida força masculina e feminina. Um desses era o ritual do envelope de salário da sexta-feira. Meu avô chegava em casa e colocava na mesa da cozinha o envelope fechado contendo o seu salário. Minha avó pegava o envelope e o esvaziava passando o conteúdo para sua carteira, devolvendo para meu avô duas moedas para ele beber. Meu avô, então, ir ao bar e bebia em um estado de auto-afirmação orgulhosa entre seus pares. Se as mulheres chegassem ao bar elas permaneciam na porta, comunicando-se através de um mensageiro com as salas cheias de fumo no interior, mas respeitando o limiar dessa arena masculina, como se fosse guardada por anjos.

O gesto do meu avô, quando ele colocava o envelope com o salário na mesa da cozinha, estava imbuído de uma graça peculiar: era um reconhecimento da importância da minha avó como uma mulher, do seu direito à sua consideração e do seu valor como mãe de suas crianças. Da mesma forma, a sua espera fora do bar até o momento final, quando ele estaria demasiado inconsciente para sofrer esta humilhação, antes de transportá-lo para casa num carrinho de mão, era um gesto repleto de consideração feminina. Era sua maneira de reconhecer a sua soberania inviolável como um assalariado e um homem.

Cortesia, boas maneiras, e fazer a corte eram muitas portas até a corte do amor, onde os seres humanos se moviam como em um desfile. Meus avós foram excluídos pelo seu modo de vida do proletariado de todas as outras formas de cortesia, razão pela qual esta era tão importante. Era a sua abertura para um encantamento que eles não poderiam obter de outra maneira. Meu avô tinha pouco de si para recomendar a minha avó, além de sua força, boa aparência e comportamento viril. Mas ele respeitava a mulher nela e desempenhou o papel de cavalheiro da melhor maneira possível, cada vez que ele a acompanhava para fora de casa. Daí a minha avó, que não gostavam dele intensamente, – pois ele era ignorante, complacente, e bêbado, e manteve-se entre o limiar de sua vida como um obstáculo inamovível para o avanço social – no entanto, o amava apaixonadamente como homem. Este amor não poderia ter durado se não fosse o mistério do gênero. A masculinidade do meu avô o separou de uma esfera de soberania própria, assim como a feminilidade da minha avó a protegia de sua agressividade. Tudo aquilo que eles conheciam como virtude havia sido aplicado a tarefa de permanecer de algum modo misterioso ao outro. E nisso eles foram bem sucedidos, como foram bem sucedidos em algumas coisas mais.

Uma divisão similar de esferas ocorreu em toda a sociedade, e em cada canto do globo. Mas o casamento era a sua instituição central, e o casamento dependia da fidelidade e da contenção sexual. Os casamentos não duraram apenas porque o divórcio era reprovado, mas também porque o casamento era precedido por um longo período de namoro, em que o amor e a confiança criavam raízes antes da experiência sexual. Este período de namoro era também o de exibição, no qual os homens mostravam sua masculinidade e as mulheres sua feminilidade. E é isso que queremos significa, ou deveria significar, a “construção social” do gênero. Por encenação, os dois parceiros preparavam-se para os seus papéis futuros, aprendendo a admirar e valorizar a separação de suas naturezas. O homem cortês deu glamour ao personagem masculino, assim como a mulher cortês deu mistério para o feminino. E algo desse glamour e mistério permaneceu depois, um tênue halo de encantamento que fez com que um encorajasse o outro ao distanciamento que ambos tanto admiravam.

O casamento não se limita a servir as estratégias reprodutivas dos nossos genes, que atendem a necessidade de reprodução da sociedade. Serve também o indivíduo em sua busca de uma vida e satisfação própria. Sua capacidade de ordenar e santificar o amor erótico vai além de qualquer coisa exigida pelos nossos genes. Como a nossa moralidade iluminista corretamente insiste, nós também somos seres livres, cuja experiência é completamente qualificada por nosso senso de valor moral. Nós não respondemos uns aos outros como animais, mas como pessoas, o que significa que, mesmo no desejo sexual, a liberdade de escolha é essencial ao objetivo. O objeto de desejo deve ser tratado, nas famosas palavras de Kant, não apenas como um meio, mas como um fim. Daí o verdadeiro desejo sexual é o desejo por uma pessoa, e não pelo sexo, concebido como um produto generalizado. Nós cercamos o ato sexual com restrições e proibições que não são de maneira alguma ditados pela espécie, precisamente de modo a concentrar os nossos pensamentos e desejos sobre o ser livre, ao invés de concentrar no mecanismo corporal. Nisto somos imensamente superiores aos nossos genes, cuja atitude em relação ao que está acontecendo é, por comparação, mera pornografia.

Mesmo quando a visão sacramental do casamento começou a minguar a humanidade ainda mantinha os sentimentos eróticos aparte, como as coisas demasiado íntimas para discussão pública, que só podem ser maculadas por sua exibição. A castidade, a modéstia, a vergonha e a paixão eram parte de um drama artificial, mas necessário. O erotismo foi idealizado a fim de que o casamento devesse perdurar. E o casamento, entendido como nossos pais e avós entendiam, era uma fonte de realização pessoal e a principal forma pela qual uma geração passou seu capital social e moral para a próxima.

Foi essa visão do casamento como um compromisso para a vida existencial, que estava por trás do processo de “construção de gênero” nos dias em que homens eram domados e as mulheres eram idealizadas. Se o casamento não é mais seguro, porém, as meninas são obrigadas a procurar outro lugar para a sua realização. E outro lugar significa a esfera pública – pois é uma área dominada por estranhos, com regras e procedimentos claros, na qual você pode se defender contra a exploração. A vantagem de habitar este espaço não precisa ser explicada a uma menina cuja mãe abandonada está sofrendo em seu quarto. Nem as suas experiências na escola ou faculdade irão ensiná-la sobre a confiança ou o respeito pelo personagem masculino. Suas aulas de educação sexual a ensinaram que os homens devem ser utilizados e descartados como os preservativos que os embrulham. E a ideologia feminista incentivou-a a pensar que só uma coisa importa – que é descobrir e realizar a sua verdadeira identidade de gênero, deixando de lado a falsa identidade de gênero que a “cultura patriarcal” tem impingido a ela. Assim como os meninos se tornam homens sem tornarem-se viris, as meninas se tornam mulheres sem tornarem-se femininas. A modéstia e castidade são descartadas como politicamente incorretas; e em cada esfera onde elas se deparam com os homens, as mulheres encontram-nos como concorrentes. A voz que acalmou a violência da masculinidade – ou seja, o chamado feminino para proteção – tem sido remetida ao silêncio.

Assim como as virtudes femininas existiam, a fim de tornar o homem gentil, a virilidade existia a fim de quebrar a reserva que fazia com que as mulheres retivessem seus favores até que a segurança estivesse à vista. No mundo do “sexo seguro”, os velhos hábitos parecem tediosos e redundantes. Em conseqüência, surgiu outro fenômeno marcante na América: a litigiosidade das mulheres para com os homens com quem elas dormiram. Parece que o consentimento, oferecido de modo livre e sem levar em conta as preliminares, uma vez assumido como indispensável, não é realmente consentimento e pode ser retirado com efeitos retroativos. As acusações de assédio ou até mesmo de “estupro no encontro” ficam sempre na reserva. O tapa na cara que é utilizado para limitar os avanços importunos é agora oferecido após o evento, e de forma muito mais letal – uma forma que não é mais privada, íntima e remediável, mas pública, regulamentada, e com a objetividade absoluta da lei. Você pode tomar isto como uma mostra de que o “sexo seguro” é realmente o sexo em sua forma mais perigosa. Talvez o casamento seja o único sexo seguro que nós conhecemos.

Quando Stalin impôs as teorias de Lysenko sobre a União Soviética como a base “científica” do seu esforço para remodelar a natureza humana e transformá-la no “Novo Homem Soviético”, a economia humana continuou escondida sob os imperativos loucos do Estado stalinista. E uma economia sexual paralela persiste na América moderna, que nenhum policiamento feminista ainda conseguiu eliminar. Os homens continuam tomando conta das coisas, e as mulheres continuam a postergar para os homens. As meninas ainda querem ser mães e obter um pai para seus filhos, os meninos ainda querem impressionar o sexo oposto com sua valentia e seu poder. As etapas para a consumação da atração podem ser curtas, mas são passos em que os papéis antigos e os antigos desejos pairam no limite das coisas.

Assim, não há nada mais interessante o antropólogo visitante que as palhaçadas dos estudantes universitários americanos: a menina que, no meio de alguma diatribe feminista de baixo calão, de repente, começa a enrubescer; ou o menino que, andando com sua namorada, estende um braço protegê-la. Os sociobiólogos nos dizem que esses gestos são ditados pela espécie. Devemos vê-los, sim, como revelações do senso moral. Eles são o sinal de que há realmente uma diferença entre o masculino e o feminino, para além da diferença entre o macho e a fêmea. Sem o masculino e o feminino, na verdade, o sexo perde seu significado.

E aqui, certamente, reside a nossa esperança para o futuro. Quando as mulheres forjam sua própria “identidade de gênero”, na forma como os feministas recomendam, elas deixam de ser atraentes para os homens – ou são atraentes apenas como objetos sexuais, e não como pessoas individuais. E quando os homens deixam de ser cavalheiros, eles deixam de ser atraentes para as mulheres. O companheirismo sexual então continua pelo mundo. Tudo o que se precisa para salvar os jovens dessa situação é que moralistas antiquados passem despercebidos pelas guardiãs feministas e sussurrem a verdade em ouvidos ansiosos e surpresos  Na minha experiência, os jovens ouvem com suspiros de alívio que a revolução sexual pode ter sido um erro, que as mulheres estão autorizadas a ser modestas, e que os homens podem acertar o alvo ao serem cavalheiros.

E é isso que devemos esperar. Se somos seres livres, então é porque, ao contrário dos nossos genes, podemos ouvir a verdade e decidir o que fazer sobre isso.

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Notas da tradução:

(1) No original “harped and harpied”, um trocadilho impossível de traduzir. Harped é o mesmo que “bater na mesma tecla” e harpied é uma brincadeira com “ave de rapina”.

Entrevista com Padre Paulo Ricardo.

Ao acompanhar muitas famílias no seu ministério sacerdotal, o senhor acredita que a figura paterna esteja mudando em nossa sociedade?

Padre Paulo: Sem dúvida nenhuma, a figura paterna está mudando na nossa sociedade, mas esta mudança não é natural. A mudança da figura do pai faz parte de toda uma engenharia social, ou seja, a ideologia dominante – que é a socialista marxista – pôs na cabeça de muita gente que os males da sociedade atual são causados por uma sociedade patriarcal, portanto, liderada por homens, heterossexuais, brancos e ricos ou seja, o “bicho-papão” da sociedade atual.
De acordo com essa concepção o culpado de tudo é o homem branco, rico, heterossexual e eu acrescento mais uma coisa: o homem cristão. Então, se você tem estas cinco qualidades saiba: você é a “peste bubônica”, você é “o culpado de tudo” [para eles]. Esse trabalho de engenharia social tenta estigmatizar os ricos, ou seja, ser rico é vergonhoso. Tenta fazer com que os cristãos sejam tímidos e tenham vergonha de ser cristãos. Eles tentam fazer com que os heterossexuais sejam cada vez mais afeminados, daí o fenômeno dos “metrossexuais”, ou seja, o “cara” tem atração por mulher, mas ele está quase pedindo desculpa por gostar de mulher e cria todo um fenômeno gay ao redor dele. Então, o “cara” gosta de mulher, mas ele tem que ter creminhos, pintar o cabelo, pôr brinquinhos, usar baby-look, calça collant, para parecer gay, no entanto, ele gosta de mulher.
E, assim, o pai tem que ser cada vez mais mãe, ou seja, é a decadência da figura paterna, porque o pai é aquela figura que está ligada a uma lei, a um limite, enquanto a mãe é ligada mais à figura acolhedora e misericordiosa. E é exatamente este tempero de limite na dose certa e a misericórdia na dose certa que faz com que a educação da criança seja resolvida e que ela seja no futuro uma pessoa equilibrada.
Acontece atualmente que, por causa desta “saraivada” de críticas contra a figura do pai e contra a sociedade patriarcal, os homens estão ficando cada vez mais com vergonha de ser pais. Existe um fenômeno, introjetado no homem de hoje, no qual ele se sente culpado por ser homem, culpado por ser pai; então ele quer ser cada vez mais delicado, cada vez mais feminino, cada vez mais “mãezinha”, e nós vemos o homem com a criancinha no colo parecendo mais uma mãe do que um pai, e daí a criança tem duas “mães”: uma com barba e outra sem barba.
Dessa forma, teremos uma criança sem limites e sem lei. O que significa isso? Isso é um pressuposto necessário para a fundação anárquica, que é, no fim das contas, o destino – digamos assim – da sociedade socialista, pois o regime marxista socialista quer implantar uma ditadura do proletariado, ou seja, do povo pobre que deveria fazer a ditadura, mas é evidente que quem a [ditadura] faz é uma classe de intelectuais com a desculpa de que um dia este governo “tirânico” e “opressor” não será mais necessário e, então, reinará a “paz” e a “liberdade”, pois não haverá governo para ninguém.
Nós temos, na sociedade, um grande medo de representar a lei, o juiz se sente culpado por representá-la, o policial se sente culpado por ser policial. Num tiroteio numa favela morrem dois policiais e um bandido, por exemplo, todas as Ongs vão ao enterro do bandido, enquanto os meios de comunicação falam da opressão da polícia militar, que está muito violenta, mas ninguém vai consolar a viúva do soldado, não existem Ongs que mandam flores para o enterro do soldado que morreu. Por quê? Porque nossa sociedade atual recrimina tudo o que representa a lei e a ordem e, dentro da família, a figura do pai representa ordem, representa a lei, representa o limite, então a figura paterna está mudando e está mudando não porque são os novos tempos, não existe espontaneidade nisso.
Isso também faz parte da ideologia marxista, pois ninguém mais do que eles fazem reuniões e mais reuniões de uma engenharia social para elaborar como uma sociedade deve ser, então eles são os artífices da nova sociedade. Eles dizem que é a história que está caminhando, que está amadurecendo, mas, na verdade, é a ideologia, é uma cortina de fumaça para esconder “a mão que atirou a pedra”. Os pais estão deixando de ser pais, mas isso é uma obra de engenharia social que começa nas universidades. Os nossos professores são treinados para embutir isso na cabeça de nossas crianças que vão crescendo revoltadas com estas figuras patriarcais e os meninos, cada vez mais tímidos, cada vez mais indecisos e com um nível de testosterona cada vez mais baixo – e isso é constatação de pesquisas (ou seja, está acontecendo alguma coisa na nossa alimentação). E o fato é que estamos numa crise de testosterona e de masculinidade na civilização ocidental.

Padre, quais as consequências desta descaracterização da figura paterna para o desenvolvimento humano e psíquico da criança e do futuro adulto?

Padre Paulo: A consequência nós já estamos vendo aí: insegurança. Porque a figura da mãe está ligada ao passado da criança, a mãe é acolhida, é a raiz de ternura, de amor e de afeto, à qual a criança sempre recorre. Mas a mãe também tem a tendência de segurar a criança em casa, enquanto o pai é a figura desafiadora, é aquela figura que provoca a criança a sair de casa, que a separa da mãe e que a lança  para o mundo.
Quando a criança tem uma figura paterna forte ela sente que tem as “costas quentes”, ou seja, ela sente que tem alguém a protegendo e a enviando para o mundo e a faz corajosa e destemida. Mas quando você tem uma figura de pai que quer acolhê-lo como uma mamãe, que não sabe ser lei, não sabe ser provocação, não sabe ser desafio para o futuro, não acontece nada disso. Qual é a pergunta típica do pai para a mãe quando a criança apronta alguma coisa: “O que este menino vai ser quando crescer?” Ou seja, o pai é a preocupação com o futuro da criança. No entanto, a sociedade está preparando jovens que saem de casa cada vez mais tarde. O “cara” já é um adulto de 30 anos e não saiu de casa, já fez 15 vestibulares e trancou todas as matrículas da faculdade. Por quê? Porque ele não sabe o que quer da vida. Tímido, fica o dia inteiro jogando video game porque não tem coragem de enfrentar o mundo que está la fora. E lá fora nós temos uma sociedade cada vez mais violenta e sem lei, sem policiamento, o que contribui mais ainda para que os pais segurem as crianças dentro de casa. No Japão se chegou a um tal ponto que existe a “síndrome do quarto”, na qual milhões de jovens passam o dia inteiro dentro de seus quartos e fazem tudo lá dentro por meio dos serviços da internet. O rapaz vive no quarto e através da internet ele pede uma pizza e tudo o que ele precisa sem pôr o pé fora do quarto.
Fonte: Canção Nova

A abstinência sexual é a atitude que se espera de todo homem católico solteiro, independente de sua orientação sexual. Isso se aplica a atração heterossexual ou homossexual. O artigo abaixo, publicado pelo “Courage” foca em homens com AMS ( atração pelo mesmo sexo) 

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Harvey, John Francis O.S.F.S. Apostolado Courage

Em resposta à dificuldade encontrada por um indivíduo que não tem conseguido, por qualquer motivo, livrar-se da condição da homossexualidade e compreende que a única maneira de viver o mandato divino da castidade é através da prática da abstinência sexual, faço as seguintes observações.

(1)  A abstinência sexual significa precisamente evitar os atos genitais (…)

(2)  Tal abstinência sexual se transforma numa forma de amor se a motivação é o amor a Jesus Cristo. Desta forma, a abstinência sexual se transforma no celibato consagrado. É o único motivo efetivo, porque nem mesmo o medo da morte faz com que as pessoas deixem de procurar a satisfação sexual.

(3)  Dever-se-ia evitar transformar a prática do celibato num fardo pesado.(…)  Deve-se fortalecer seu amor por Cristo através do hábito diário da oração mental, também conhecida como oração do coração e através da formação das amizades castas, que começam, muitas vezes, em grupos de apoio espiritual, como os do Courage.

(4)  Deve-se criar uma estratégia espiritual para lutar contra os ataques de solidão, inquietações e desânimo. É importante ter um diretor espiritual ou um amigo a quem chamar. Também pode-se ir ao Santíssimo Sacramento e falar com Nosso Senhor sobre a situação. Desta forma permanece-se no mundo real, em vez de permanecer no mundo da fantasia e do isolamento.

(5)  Como outros escritores salientaram, como o Reverendo Benedict Groeschel e William Consiglio, por exemplo, deve-se estar atento às mudanças perigosas de ânimo que, no passado, desencadearam lutas com a masturbação, a procura por parceiros sexuais ou a satisfação com pornografia. Quando estas coisas acontecem, deve-se imediatamente voltar para a realidade.

Enquanto há a dificuldade em se viver uma vida celibatária em nossa cultura hipersexualizada, tal forma de vida tem sido vivida, por meio da graça de Deus, por muitos cristãos através de toda a história da Igreja. Na tradição católica, o celibato consagrado tem sido sempre tido em alta consideração. Ao contrário da opinião corrente, não é necessário ser um monge, uma monja ou um sacerdote para viver este tipo de vida. Para aqueles que realmente querem ser celibatários, a graça de Deus está sempre presente. Deus sempre dá ao indivíduo a graça suficiente para cumprir com a lei moral, como Santo Agostinho ensinou: “Deus não ordena coisas impossíveis e, ao ordenar, Ele nos admoesta a fazer aquilo que podemos fazer e procurar a Sua graça para fazer aquilo que não podemos fazer”.

Entre os propagandistas do estilo de vida gay, o celibato é visto como uma forma de suicídio sexual, uma privação do poder de amar, mas tudo isso é um mito. O celibatário não deve renunciar jamais à habilidade de amar. Seu celibato expande a sua capacidade de amar a Deus e ao próximo. A vida dos santos celibatários e a vida de muitas pessoas celibatárias só podem ser compreendidas à luz do seu amor por Deus e pelas pessoas por elas cuidadas. Como muitos outros, os ativistas da causa gay confundem o amor humano com a satisfação sexual-genital.

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Se a orientação homossexual é uma “desordem objetiva”, como a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé afirma em sua “Carta para os Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral para Pessoas Homossexuais”, então os católicos com AMS não estão obrigados a procurar uma mudança de orientação sexual?

Eu respondo que uma obrigação não vincula em consciência exceto se a lei moral o exigir claramente e a pessoa for capaz de assumi-lo. Assim, a pessoa com tendências homossexuais está obrigada a viver a abstinência sexual através do preceito evangélico da prática da castidade, mas não há a obrigação de tomar passos em direção à mudança de sua orientação. Por mais que tal mudança seja desejável, não podemos dar nenhuma garantia, no presente estado do nosso conhecimento, de que se alguém decide seguir um certo programa e plano de vida para mudar sua orientação, de que isso certamente ocorrerá. Dessa forma, não pode ser provado que tal mudança acontecerá inevitavelmente se fizermos certas coisas, não se pode impor a obrigação de seguir certos passos para tal mudança. O princípio ético básico aplicável a esta situação é que não se pode impor uma obrigação a menos que se esteja certo que ela exista.

Mesmo que um programa particular sob a direção de um terapeuta de grande reputação tenha funcionado na maioria dos casos e poderia ser considerado como um método com grande probabilidade de ser benéfico a um determinado indivíduo, tal programa pode ainda ser visto como opcional e extraordinário para este indivíduo por várias razões, das quais não menos importante é o custo financeiro. Muito menos, então, pela questão da obrigação.

Pessoas Jovens

Pessoas jovens, no entanto, deveriam ser encorajadas a procurar a libertação da condição homossexual, porque elas têm uma maior probabilidade de serem castas agora se tiverem uma visão esperançosa do futuro. Na opinião do Dr. Jeffrey Satinover, que trabalha com Leanne Payne, a esperança da mudança é a questão principal para muitos jovens que lidam com desejos homossexuais. Não é melhor lutar para sair da condição do que resignar-se à situação como uma cruz que deverá ser carregada pelo resto da vida? Uma pessoa jovem, acreditando que não pode se livrar de sua condição é vulnerável à propaganda gay, a qual afirma que a homossexualidade é uma variante natural da heterossexualidade e que o estilo de vida gay é uma alternativa ao casamento.

A pessoa com orientação homossexual vive em ocasião de pecado num sentido especial, quer dizer, a ocasião de pecado está em seu próprio coração e mente. Ela pode encontrar-se imersa em formas homossexuais de pensar e agir. Isto significa que é necessário livrar-se da literatura e mídia homossexuais, evitar bares, cinemas e casas de banho gays; cortar grandes apegos emocionais a pessoas do mesmo sexo e afastar-se de grupos homófilos. Isto será doloroso e difícil, porque estas pessoas e locais forneceram à pessoa homossexual um pequeno alívio psicológico quanto à questão do isolamento, mas esta é a parte do preço que a pessoa tem que pagar para ganhar novamente controle sobre a sua vida interior para, assim, possuir a castidade interior, ou a castidade do coração. Remover meramente as ocasiões de pecado, no entanto, não é o suficiente; como Cristo diz, “Ora, o que sai do homem, isso é o que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”. (Mc 7: 20-23).

Pessoas mais velhas

É hora de considerar as visões dos membros mais velhos do Courage no que concerne à possibilidade de mudança de orientação. Alguns dos que tem acima de trinta anos procuram mudar a sua orientação através de terapia profissional, oração e grupo de apoio; a maioria, no entanto, está satisfeita com o desenvolvimento de uma vida de castidade interior. Muitos percebem a mudança de seus pensamentos e padrões sentimentais como algo mais difícil, pois tais hábitos tornaram-se mais entranhados ao longo dos anos.

Outros ainda sofreram uma lavagem cerebral ao aceitar, do establishment psicológico, o mito de que “é impossível mudar a sua orientação”. Desta forma, alguns se tornam desanimados após anos de terapia profissional e milhares de dólares desperdiçados naquilo que não fez com que eles se tornassem heterossexualmente disponíveis para o casamento, não percebendo nenhuma mudança significativa em suas maneiras de pensar e sentir.

Nesse momento de suas vidas, estas pessoas mais velhas têm que escolher entre voltar ao seu estilo de vida homossexual anterior ou procurar viver uma vida de abstinência sexual por amor a Cristo. Muitos membros mais velhos do Courage procuram desenvolver uma vida interior de oração com Cristo. (…)  estão decididos a viver uma vida de abstinência sexual.

Por esta razão o Courage não faz com que a mudança de orientação seja um objetivo obrigatório. Ao mesmo tempo, o Courage coloca uma grande ênfase na necessidade de se afastar completamente dos estilos homossexuais de se pensar e sentir. Pessoas que aspiram aos estudos para o sacerdócio ou a vida religiosa deveriam tomar os meios acima mencionados para repudiar o estilo de vida gay e deveriam estudar o ensinamento oficial de Igreja no que concerne a problemática do comportamento homossexual.

Outra objeção ao posicionamento de que alguém não está estritamente obrigado a mudar sua orientação sexual é que a vivência da castidade, enquanto se permanece na condição homossexual, implica em não ter uma cura completa, pois não se é espiritualmente inteiro até que se tenha adquirido a orientação heterossexual. Acredito que a melhor forma de responder a esta objeção é através da distinção entre a cura espiritual e a cura psicológica.

Com cura psicológica da homossexualidade, quero dizer que um indivíduo tornou-se agora predominantemente heterossexual nos padrões de fantasia, pensamento e emoções, enquanto pode haver vestígios da fantasia e desejo homossexuais sem tentações mais sérias direcionadas à luxúria homossexual.

Com cura espiritual,quero dizer que um indivíduo tornou-se interiormente casto, mesmo que ainda sofra ocasionalmente tentações sérias relacionadas a prazeres homossexuais, a despeito de seus esforços sinceros para evitar ocasiões de pecado; ou não se desenvolve nenhuma atração física a pessoas do outro sexo, a despeito do fato de que não se é mais atraído, de forma carnal, a pessoas do mesmo sexo.

No meu trabalho pastoral encontrei muitas pessoas que vivem uma vida de castidade interior, a despeito de diversas tentações. Estes indivíduos comungam diariamente, vivendo uma vida de comunhão com Cristo. Eles estão curados espiritualmente, mas não psicologicamente, apesar de quererem estar curados também psicologicamente. Além da questão da homossexualidade, está claro que alguns dos santos sofreram severas tentações de impureza que, pela graça de Deus, conseguiram vencer. Eles foram espiritualmente, mas não necessariamente psicologicamente curados. (…)  Em nossa fragilidade humana, a cura psicológica nem sempre acompanha a cura espiritual que vem através da graça divina.

Outra objeção feita ao posicionamento do Courage de que “não se é obrigado a participar de programas designados à mudança de orientação sexual é que alguém pode ser curado plenamente de sua orientação se essa pessoa tem uma fé mais profunda” . Esta afirmação não tem respaldo na teologia católica. E pode levar a julgamentos cruéis sobre muitos homens e mulheres que eu tenho conhecido que praticam sua fé com assiduidade, mas não conseguiram realizar a jornada em direção à orientação heterossexual, a despeito da sua vontade.

Uma objeção final à nossa posição é que é ” praticamente impossível praticar a abstinência sexual por um período extenso de tempo a menos que se tenha professado votos religiosos ou prometido viver o celibato clerical. O celibato não é, definitivamente, para o laicato católico, porque eles não possuem o carisma dado a religiosos e sacerdotes; consequentemente, na situação de pessoas com tendências homossexuais, é razoável estabelecer-se com um amante no lugar de envolver-se com a promiscuidade, com o perigo da AIDS”.  Eu já afirmei anteriormente a premissa oculta nesta objeção. Se a castidade é uma obrigação imposta a todas as pessoas em todas as vocações, então segue-se que Deus dará a cada pessoa a graça suficiente para observar este mandato divino. Dizer o contrário é contradizer o solene ensinamento da Sexta Sessão do Concílio de Trento e Santo Agostinho, como se fez referência anteriormente. É incrível como a falsa ideia de que apenas religiosos e sacerdotes possuem o carisma da completa castidade se espalhoua entre os fiéis. Deus dá o dom do celibato a todos que o pedem.

Precisamos fazer um trabalho melhor no que concerne ao ensinamento do significado positivo do celibato, não apenas entre os leigos, mas também entre os seminaristas e sacerdotes. Como já vimos, o celibatário precisa aceitar este dom interiormente e vive-lo alegremente, pois ou o celibato é um ato de amor por Cristo ou é uma concha vazia. É uma outra forma de expressão da sexualidade, como São João Paulo II salientou em Familiaris Consortio: “O Casamento e a virgindade, ou celibato, são duas formas de expressão e vida de um único mistério da aliança de Deus com o Seu povo” (nº 16).

O coração do celibatário é o cultivo da relação nupcial com Jesus Cristo. A forma como trazemos esta relação com Cristo em nosso ministério e em todas as nossas relações é discutida em muitos autores espirituais. Gostaria de recomendar três: A Coragem de Ser Casto, de Benedict Groeschel, C.F.R; Celibato, Oração e Amizade, Christopher Kiesling, O.P; e O Coração Inquieto: Reflexões sobre o Amor e a Sexualidade, Jordan Aumann, O.P., e Dr. Conrad Baars.

(Harvey, John Francis O.S.F.S. – The Truth about Homosexuality – The Cry of the Faithful – A verdade sobre a homossexualidade – o grito dos fiéis)

Resgatando uma excelente entrevista com Aquilino Polaino-Lorente, professor de Psicopatologia sobre o celibato sacerdotal

Por Carmen Elena Villa

Realizou-se na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, em 2010, o congresso “O celibato sacerdotal: teologia e vida”, organizado pela faculdade de teologia da instituição e patrocinado pela Congregação para o Clero, a propósito do Ano Sacerdotal.

Uma das conferências mais aplaudidas pelos participantes, compostos em sua maioria por diáconos e sacerdotes, foi a denominada “A realização da pessoa no celibato sacerdotal”, do professor espanhol Aquilino Polaino-Lorente.

Polaino é médico pela Universidade de Granada. Posteriormente, estudou Psicologia clínica na Complutense de Madri. É doutor em Medicina pela Universidade de Sevilha. Também se formou em Filosofia na Universidade de Navara. Ampliou seus estudos em diversas instituições de educação superior europeias e americanas. De 1978 a 2004, foi catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense e atualmente é docente da mesma disciplina na Universidade San Pablo, na capital espanhola.

Escreveu numerosos artigos e livros, especialmente sobre os problemas psicológicos infantis e juvenis, assim como familiares. É membro de academias de Medicina de várias cidades espanholas, colaborador de diversos organismos e, pelo seu trabalho e sua bagagem intelectual, já recebeu várias distinções.

O professor Polaino explicou como uma correta visão da sexualidade, na qual devem integrar-se o amor, a abertura à vida e o prazer, pode levar a entender também o sentido do celibato sacerdotal, ao qual são chamadas algumas pessoas para estarem mais disponíveis para o apostolado e para viver o amor universal.

“Deus não pede coisas impossíveis a quem chama para o seu serviço”, disse em sua intervenção, referindo-se ao tema central do congresso.

-O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Aquilino Polaino: Não é nada perigoso, porque talvez entenda muito bem como é a estrutura antropológica realista da condição humana. Tem suas dificuldades, como é lógico, já que a natureza humana está um pouco deteriorada e é preciso integrar todas as dimensões. Eu acho mais perigoso o comportamento sexual aberto, não normativo, no qual vale tudo; acho que isso tem consequências mais desestruturadores da personalidade do que o celibato bem vivido em sua plenitude, sem rupturas ou fragmentações.

-Que meios o sacerdote deve por para ser fiel ao voto do celibato durante todos os dias da sua vida?

Aquilino Polaino: A tradição da Igreja oferece muitíssimos conselhos que podem ser aplicados e que são eficazes: por exemplo, a guarda do coração e da vista. O que os olhos não veem o coração não se sente. Tampouco se trata de andar olhando para o chão, mas é possível ver sem enxergar. Isso garante a limpeza do coração e, além disso, a vivência do primeiro mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas. Em uma panela de pressão não entram mosquitos. Um coração satisfeito não anda com mesquinhez nem com fragmentações.

-Você acha que a cultura hedonista deste novo século, tão difundida na mídia, influencia no fato de que alguns sacerdotes não sejam fiéis ao voto do celibato?

Aquilino Polaino: É possível, porque a fragilidade da condição humana também é vivida pelos sacerdotes. Penso que é preciso prestar mais atenção ao imenso número de sacerdotes fiéis à sua vocação. A exceção também se dá na vida sacerdotal, mas é exceção. Ainda que no jornalismo seja muito correto focar a exceção, não podemos ser cegos aos muitíssimos sacerdotes que são leais, que vivem sua vocação plenamente, que são felizes e aos quais o mundo deve sua felicidade. Isso é que precisa ser enfatizado.

-Uma reta visão da sexualidade pode proporcionar uma reta visão da vida celibatária?

Aquilino Polaino: Sim. Penso que a sexualidade hoje é uma função muito confusa, é uma faculdade sobre a qual há mais erros que pontos de acordo sobre o que é a natureza humana e talvez seja um programa para ensinar em todas as idades, porque, como é um dos eixos fundamentais da vida humana, se não for bem atendido, se as pessoas não estiverem bem formadas, o que viverão é a confusão reinante. Isso afeta tanto seminaristas como pessoas jovens, noivos. Esta educação hoje é uma educação para a vida. É uma matéria que às vezes se ensina mal, porque são ensinados os erros e isso é confundir ainda mais, ao invés de explicar esta matéria com rigor científico que tenha fundamento na natureza humana.

-O que significa o sacerdote ser chamado a ser pai espiritual?

Aquilino Polaino: Penso que este é um dos temas pouco aprofundados. A paternidade espiritual também deve ser vivida pelos pais biológicos e muitos deles jamais ouviram falar disso. A paternidade espiritual é, de certa forma, viver todas as obras de misericórdia: consolar o triste, redimir o cativo, ser hospitaleiro, afirmar o outro no que vale, evitar-lhe problemas, estimulá-lo e motivá-lo para que cresça pessoalmente, incentivar o aparecimento de valores que ele já tem, porque vieram com sua natureza, mas talvez não tenha sabido encontrá-los nem fazê-los crescer. Penso que este mundo está órfão dessa paternidade e dessa maternidade espiritual; e acho que é uma dimensão que o sacerdote, quase sem perceber o que faz, já vive.

-A vida celibatária pode tornar esta paternidade espiritual mais fecunda?

Aquilino Polaino: Necessariamente sim, porque há mais tempo e disponibilidade. Se o objetivo final é a união com Deus, a paternidade espiritual adquire mais sentido, porque é a melhor imagem da paternidade divina no mundo contemporâneo; portanto, está como mediador e, na medida em que viver a filiação divina, também viverá muito bem a paternidade espiritual.

Zenit

Pq os homens vivem menos? Sei lá kkk

Posted by Apenas Homens 3.0 on Wednesday, January 9, 2019

“Meninos vestem azul e meninas vestem rosa”

Por Regina Beatriz Tavares da Silva*

A frase que intitula este artigo: “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”, utilizada por Damares Alves, em sua posse como Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, criou uma imensa polêmica.

Foi esclarecido pela Ministra que se tratou de metáfora, a simbolizar o acento que será dado nesta nova era ao que é natural na pessoa humana, conforme referido por Ângela Gandra Martins, Secretária da Família (v. entrevista publicada no Estadão).

No entanto, a polêmica continua na internet e nos demais meios de comunicação, o que me leva a escrever este artigo.

A frase em tela reforça o combate à ideologia de gênero na educação escolar, o que é uma meta do novo governo, que deveria ser muito bem-vinda por todos.

As polêmicas partem das confusões entre ideologia de gênero, igualdade de gêneros e direitos dos homossexuais.

Como veremos, essa confusão existe há anos.

A ideologia de gênero foi introduzida nas Conferências da Mulher, na ONU, na última década do século XX, em se mencionou inúmeras vezes a expressão “identidade de gênero”, mas sem defini-la sob o argumento de tratar-se de conceito “auto evidente”. A indefinição do conceito sempre dificulta o debate acerca do objeto de análise e aí começam as dificuldades de compreensão.

O conceito somente foi definido em 2006, em Conferência realizada em Yogyakarta, na Indonésia. O termo “identidade de gênero” foi conceituado como o sentimento profundo e a experiência de gênero de cada pessoa, que pode corresponder ou não ao sexo de nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo, o que pode envolver, se escolhido livremente, modificações da aparência ou função corporal por meio de cirurgia médica ou outros meios, e outras expressões de gênero, incluindo o nome e a vestimenta.

Aí agravam-se as confusões porque a definição é inadequada. Inadequada porque é de difícil compreensão. Inadequada porque induz a ideia de construção social da identidade de gênero.

O sexo definiria apenas os aspectos biológicos e anatômicos, enquanto o gênero seria uma definição mais ampla do papel sexual do indivíduo, de modo que a ideologia de gênero deveria desprezar o enquadramento “restrito” da designação homem ou mulher, conforme esclarece Verônica Cezar-Ferreira, Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP e Diretora de Relações Interdisciplinares da Associação de Direito de Família e das Sucessões – ADFAS, em Parecer solicitado por esta Associação (Parecer na íntegra publicado pela ADFAS).

A ideologia de gênero, devidamente combatida pelo novo governo Bolsonaro, propõe que as crianças sejam educadas sem sexo definido para que possam optar por seu gênero, ou seja, haveria o que podemos chamar de “neutralidade sexual”, com consequente esvaziamento do conceito de homem e mulher.

Procura-se, nessa ideologia, alterar o conceito da palavra “gênero” – homem e mulher –, conferindo-lhe outro significado que nega a natureza humana, construindo-se uma “nova natureza não biológica”, por meio da manipulação da juventude, ao afirmar que as pessoas nascem sem sexo definido, cabendo-lhes escolher o gênero que querem adotar quando ainda são crianças, como acentua Ives Gandra da Silva Martins, na obra “Ideologia de Gênero”, de sua coordenação em conjunto com Paulo de Barros Carvalho, publicada pela editora Noeses.

Nessa mesma obra, esta articulista teve a oportunidade de publicar, em coautoria com Augusto Cézar Lukascheck Prado e André Fernando Reusing Namorato, o artigo intitulado “Ideologia de gênero: visão totalitária que viola direitos constitucionais das crianças e dos adolescentes”, em que salientamos a necessidade de desfazer o breu que se forma entre os conceitos de ideologia de gênero, igualdade de gêneros e homossexualidade.

E esse breu, como antes referido, é por vezes oriundo de desconhecimento e em outras é intencional. Se houver conhecimento, toda a má intenção ficará prejudicada.

Igualdade é princípio fundamental na ordem democrática brasileira, de modo que certamente será respeitado pelo novo governo que tem demonstrado não pretender ferir a Constituição da República Federativa brasileira. A ideologia de gênero nada tem a ver com a defesa dos direitos das mulheres e, lastimavelmente, o combate à desigualdade entre os sexos transformou-se em apelo à ideologia de gênero, num atalho errôneo de argumentação. Do combate aos abusos contra a mulher e à dominação masculina, passou-se à defesa da ideia de neutralidade sexual na formação das crianças e dos adolescentes.

A cortina de fumaça que é feita na ideologia de gênero também gera uma errônea ideia de que quem a combate estaria a combater o homossexualismo. Os homossexuais devem ter seus direitos reconhecidos pela ordem jurídica, mas acabam sendo instrumentalizados por aqueles que pretendem a introdução desta ideologia na educação brasileira. O debate nada tem a ver com defesa dos direitos dos homossexuais, que não negam ou rejeitam seu sexo biológico. O homossexual está plenamente adaptado ao seu corpo. Tanto o homem quanto a mulher homossexual gostam de ser homens e mulheres e desejam permanecer nesta condição.

O que não é aceitável é a ideologia de gênero no seu conceito de “abstração do sexo” imposta às crianças e aos adolescentes.

A introdução desse tipo de ideologia, na educação de uma pessoa em formação, é uma violência, já que a criança não tem conhecimento de si mesma. Pretender a introdução deste debate num contexto de pessoas incapazes de enfrentá-lo não pode gerar benefício algum. O menino e a menina, submetidos a esse tipo de ideologia, não saberão a qual das duas categorias pertencem. Assim, a pretexto de resolver o problema da desigualdade, cria-se outro ainda mais grave: o problema de identidade.

Como acentuou Verônica Cezar-Ferreira, no Parecer antes citado, a pessoa humana, do ponto de vista da espécie, é macho ou fêmea; do ponto de vista biológico, homem ou mulher; e, do ponto de vista social, masculina ou feminina, de modo que casos como de “disforia de gênero”, em que a pessoa sofre transtorno caracterizado por “sentimento persistente de inadequação ao gênero imposto no nascimento”, que exigem cuidados especiais, não são a regra (Parecer na íntegra publicado pela ADFAS).

Portanto, a disforia de gênero é um transtorno de identidade, que merece toda a atenção, consideração e o devido tratamento, e jamais sua generalização com o objetivo de sua implementação na educação das crianças e dos adolescentes por meio da ideologia de gênero.

Assim, é importante destacar que a implantação da ideologia de gênero na educação brasileira poderá levar à “disforia de gênero”, transtorno raro e que merece cuidados adequados.

Essa ideologia de gênero viola os direitos da criança e do adolescente, previstos no art. 227, caput, da Constituição Federal. Na ordem constitucional, a família é protagonista na educação de uma criança, estando prevista em primeiro lugar no referido dispositivo da Lei Maior, devendo os pais exigir do Estado as melhores condições para que esse direito seja exercido.

Posição contrária viola o disposto no art. 26, n. 3, da Declaração Universal dos Direitos do Homem: “Os pais têm um direito preferencial de escolher o tipo de educação que será dada aos seus filhos.”.

O desvirtuamento da expressão gênero, como antes exposto, leva o incauto a confundir a igualdade entre homens e mulheres e a tutela dos direitos dos homossexuais com neutralidade sexual, confusão esta que, seja por desconhecimento ou seja por má fé, precisa urgentemente ser desfeita.

Daí afirmar que menino veste azul e menina veste rosa tem o significado de combate a essa perversa ideologia de gênero e de fortalecimento dos gêneros masculino e feminino com que todos nós, sejamos hetero ou homossexuais, nascemos. Ninguém vem ao mundo neutro em seu gênero, de modo que a abstração sexual como base formadora das crianças e dos adolescentes é antinatural e não pode ser admitida em nossa sociedade.

Em suma, a ideologia de gênero, desde que entendido o seu significado, não se confunde com igualdade de gêneros e direitos dos homossexuais neste estado democrático brasileiro.

*Regina Beatriz Tavares da Silva, presidente da Associação de Direito de Família e das Sucessões (ADFAS). Doutora em Direito pela USP e advogada

Entrevista com Laura Tortorella, do instituto “Mulieris Dignitatem”

Por Carmen Elena Villa

Para que o homem e a mulher entendam melhor sua identidade, é necessário que olhem para si mesmos como seres criados à imagem e semelhança de Deus. Que descubram e valorizem seus próprios dons, que são enriquecidos quando se vive a reciprocidade.

As ideologias que recortam esta visão integral e que trazem consequências, como as conferências mundial do Cairo, em 1992, sobre o crescimento da população e a de Pequim, em 1995, sobre a “saúde sexual e reprodutiva”, reduzem de maneira alarmante a dignidade do homem e da mulher e promovem cada vez mais novas manifestações da “cultura da morte”.

Sobre este tema e sobre como assumir a masculinidade e a feminilidade de maneira integral,  Laura Tortorella, do instituto Mulieris Dignitatem para estudos sobre a identidade do homem e da mulher, da Pontifícia Faculdade Teológica São Boaventura – Seraphicum, responde a essa entrevista.

Laura Tortorella é diretora do programa de pós-graduação em “Gestão das crises pessoais e interpessoais”, que procura oferecer soluções às crises do ser humano nas diferentes etapas da vida.

-A Assembleia do Conselho de Estrasburgo aprovou um documento sobre a saúde sexual e reprodutiva. A seu ver, quais serão as consequências da posta em marcha deste documento sobre a mentalidade antivida e sobre o feminismo?

Laura Tortorella: O documento fala de “saúde sexual e reprodutiva” referindo-se à possibilidade dada também aos menores, sem informar os pais, de ter acesso à contracepção, ao aborto gratuito e seguro, à esterilização, à fecundação artificial e à livre “orientação sexual”. As consequências de tal documento serão certamente alarmantes: uma aliança (feministas de outras ideologias, lobby farmacêutico), a favor da “cultura da morte”.

-Passaram-se muitos anos desde a Conferência de Pequim sobre saúde sexual e reprodutiva. Como você acha que mudou a mentalidade no mundo com relação ao aborto como direito e à concepção da mulher?

Laura Tortorella: Os programas de ação da Conferência Mundial do Cairo e depois de Pequim contribuíram para criar um clima de “cultura da morte” e o próprio documento da Assembleia do Conselho da Europa, de Estrasburgo, que mencionamos antes, encontra pontos aí.

Está claro que tais ideologias marcaram e feriram profundamente os direitos da pessoa e o direito à vida. Nestes documentos, onde se fala de “direito à saúde sexual e reprodutiva”, na verdade se solicita não tanto o direito à saúde, e sim o direito ao aborto.

Penso que só se pode usar uma arma para deter esta cultura da morte: a formação, sobretudo das novas gerações, em uma cultura da vida. Todas as nações, especialmente as latino-americanas, que ainda conservam tantos valores, deveriam fazer respeitar o valor que ainda pode servir como gancho para salvar a sociedade inteira: a família. Isso se torna mais urgente que nunca, para defender a primeira célula da sociedade dos ataques que recebe.

É justamente na família que as novas gerações podem aprender a respeitar a vida humana. Pensemos na necessidade de uma nova vida, na demonstração cotidiana do cuidado, da educação, do amor recíproco, do respeito. Pensemos no fato de que, por exemplo, na família se aprende a acolher a morte e a entender seu sentido.

-Como este documento feriu o significado de homem e mulher, e da reciprocidade entre ambos?

Laura Tortorella: Pretendendo libertar a sexualidade de cada preocupação e temor, cancelam-se termos como “maternidade”, “paternidade”, “família”, “casamento”, “responsabilidade” no âmbito da sexualidade. Deixam de ser dons e se convertem em direitos, depois se transformam em necessidades, decisões, exigências dos adultos.

Neste clima, tanto o homem como a mulher veem ofuscada a verdade sobre eles mesmos (igual dignidade e queridos por Deus um para o outro), a ser chamados a restabelecer um humanismo que volte a amar a verdade, a única que fará brotar as verdadeiras perguntas, as que levam à compreensão do sentido e que tornam o homem verdadeiramente livre.

-A partir do programa que você dirige, “Gestão das crises pessoais e interpessoais”, como se pode enfrentar esta crise à luz do Evangelho e de uma ética cristã, sem reduzir o papel do homem ou da mulher?

Laura Tortorella: Muitas são as crises que a pessoa deve enfrentar em diferentes etapas da vida. Para gestioná-las, penso na importância de uma correta antropologia: formar as pessoas sobre alguns temas fundamentais e imprescindíveis para a vida.

Esta formação tem o valor pela vida concreta da pessoa porque não tira o foco da verdade: homem e mulher, criaturas de Deus, criados à sua imagem e semelhança. Somente colocando a originalidade masculina e feminina ao serviço do homem e promovendo o diálogo frutífero, a pessoa (homem e mulher), assim como a sociedade, conseguirão encontrar as respostas às aplicações práticas completas.

Creio que a mensagem central da Mulieris Dignitatem, a reciprocidade homem-mulher, pode ser a solução para restabelecer um equilíbrio na sociedade, que leve ao reconhecimento de valores comuns de referência para construir juntos a história: “humanidade significa chamado à comunhão interpessoal”. Os tempos parecem maduros e carregados de expectativas sobre um diálogo frutífero entre homem e mulher, baseado na reciprocidade, na mesma dignidade e na comunhão que leva à resolução de problemáticas atuais inseridas em um horizonte de sentido.

-Há alguns fenômenos aceitos socialmente, como o “direito à morte”, a fecundação in vitro, o não reconhecimento da dignidade do embrião. Como estes fenômenos afetam a psicologia da mulher?

Laura Tortorella: Afetam de maneira diferente o homem e a mulher, porque não levam em consideração a proteção da vida humana. Estas são tarefas comuns para o homem e a mulher. As consequências, quando falta um desses elementos, ainda são comuns hoje: o risco de ser vistos como objetos do mundo, que sabem manobrá-lo, mas inevitavelmente permanecem sufocados.

A maternidade, por exemplo, deveria voltar a ser um bem reconhecido. É a mentalidade que deve mudar novamente, voltando a apreciar a vida humana como o primeiro valor de uma sociedade que pretende ser considerada sociedade civil. Uma nova revolução do amor e de acolhimento da vida humana!

Anos de batalha e de reivindicação das feministas e de outras ideologias causaram um colapso da vida nas areias movediças da indiferença. As consequências disso são evidentes: direito à morte, fecundação in vitro, não reconhecimento da dignidade do embrião são somente algumas das problemáticas que surgem de uma mentalidade fechada na luta antivida.

Zenit

Mulheres, não assistam. Vocês não vão entender nada… Mas como vocês não conseguem deixar de ver, boa diversão.

Posted by Cleverson Fiuza on Sunday, December 30, 2018