Não basta ter o sacramento, é preciso vivê-lo e colocá-lo em prática. Homem e mulher se unem sexualmente como uma celebração do amor entre eles, como uma coroação do amor expresso na vida, em companheirismo, em assumir, defender e tomar partido do que a outra pessoa está passando. A primeira palavra a tratarmos é celebração. Sim, o ato sexual dos cônjuges é a hora do júbilo por todo amor experimentado e proporcionado ao amado. Deve ser um momento de contentamento um com o outro, de felicidade, porque se pode contar com alguém que esteve ao seu lado e, principalmente, porque há alguém amado a quem você pode se doar.

A união conjugal tem de ser esse acontecimento de festejo pela amizade – a melhor amizade do mundo, diga-se de passagem – de um para com o outro, e não uma festa exterior, como nos moldes das comemorações visíveis, mas no coração dos esposos, que exultam de alegria, porque estão juntos no que já aconteceu e em tudo o que vier. É uma festa íntima.

Logo em seguida, vem a palavra cumplicidade. Essa palavra se aplica quando decidimos fazer parte da felicidade do outro e fazer de tudo para que ela aconteça. Quando se é mais que parceiro, mas um apoiador, aliado ativo, participante do que é projeto do outro e, porque não dizer, ser o melhor amigo.

E, por último, a palavra é reciprocidade. Ou seja, quando percebemos que o outro também está envolvido da mesma forma com a nossa felicidade. Se somente um dos cônjuges entender e estiver investindo na cumplicidade, em amar seu cônjuge, ainda não haverá tanta reciprocidade. É preciso haver participação mútua na vida do outro.

Na Palavra de Deus, quando Ele criou ambos, homem e mulher, Ele nos fez como um “auxílio” um para o outro. A esse respeito, vai dizer São João Paulo II: “o conceito de ‘auxílio’ exprime, também, essa reciprocidade na existência”

Entendemos, portanto, que, desde as pequenas coisas do dia a dia, como os afazeres do casal, a divisão de tarefas e os papéis de cada um, quando o casal se ajuda, quando ambos são solícitos um ao outro, quando demonstram interesse no par e, principalmente, quando ambos aprendem a encontrar satisfação pessoal em servir o amado, em fazer bem ao outro, a união íntima de marido e mulher se torna muito mais satisfatória. É a festa da amizade recíproca.

Trecho extraído do livro “Ato Conjugal – Beleza e transcendência”

(Via Canção Nova)

Vamos falar sobre vícios?

Naturalmente, quando se ouve essa palavra vem na cabeça imediatamente as palavras álcool e drogas. Entretanto, com a evolução cultural e tecnológica novas formas de vícios foram se estabelecendo enquanto outras puderam ser evidenciadas e tratadas em nossa sociedade. O maior exemplo desse fenômeno é a pornografia. Não obstante, o vício em pornografia é apenas uma das formas de um de vício mais abrangente raramente admitido em nossa cultura: os vícios sexuais.

Os vícios sexuais são também chamados de dependência do amor e do sexo. Nome estranho e até engraçado. Mas amor vicia? E sexo causa dependência? Não. Claro que não. O amor verdadeiro, enquanto virtude que se realiza na saída de si para o encontro com as necessidades do outro, não. Mas o amor enquanto sentimento, emoção ou carência comumente propagandeado, sim. Da mesma forma, o sexo como sinal de doação mútua e expressão do amor virtude também não vicia. Já o sexo cujo o fim último e exclusivo é o prazer, sim.

O termo dependência do amor e do sexo é o termo utilizado por grupos de recuperação como o DASA (Dependentes do Amor e do Sexo Anônimos) e o DAS (Dependentes de sexo anônimo). Este termo inclui também sexo anônimo (sexo com desconhecidos em ambientes comumente utilizados para isso), prostituição, masturbação,  pornografia, o voyeurismo (flertar, ou olhar excessivamente com desejos sexuais para o corpo de outra pessoa, espionar pessoas enquanto trocam de roupas, …), e ainda a fantasia sexual (uso incessante da imaginação para a obtenção de prazer sexual e/ou combustível para masturbação). E ainda podemos mencionar as (co)dependências afetivas ou “apaixonamentos”, que poderiam ser traduzidas como relações românticas problemáticas que originam facilmente uma dependência emocional. Como vemos, essas não são substâncias que se compram de traficantes, em bares ou clandestinamente. São comportamentos obsessivos que levam à mesma sensação das drogas convencionais: o prazer, dopamina no cérebro, a fantasia, a usura, a fuga da realidade.

No que diz respeito ao universo masculino, muitos poderiam dizer: “Ah, mas eu não vejo nenhum problema em me masturbar.” “Se a mulher for bonita, não me controlo, tenho que olhar.” “Eu mereço, sou homem, eu preciso.” “Sou solteiro, não tenho outra opção para descarregar os hormônios.” “Ah, mas eu não consigo me controlar.” Podemos muitas vezes utilizar racionalizações para adaptar nosso desequilíbrio aos nossos valores e crenças. Na manutenção de nossos impulsos, podemos ainda “negociar” com nossa consciência dizendo “só hoje… só 15 minuto… essa é a última vez… uma vez não mata ninguém.” Aos poucos e sem se perceber este vai se tornando dependente e prisioneiro dessas práticas. 

O primeiro passo para sair desse emaranhado de correntes é reconhecer a situação em que se encontra. Mas como saber se meus “hábitos”, meus “deslizes” são vícios?  Como saber se sou dependente do amor e do sexo?  Algumas palavras-chave são: autoconhecimento, humildade e honestidade. O questionário de 40 perguntas de autodiagnostico disponibilizado pelo grupo DASA pode dar uma ajuda neste sentido. O auxílio de uma outra pessoa disposta a ajudar também é indispensável: um amigo, psicólogo, padre, pastor do grupo de oração, ou alguém que já passou pela mesma situação.

O problema dos vícios sexuais (assim como todos os outros) é sem dúvida bastante extenso e inabordável em um único artigo. Espero falar mais nos posts que se sucederam sobre os mecanismos que funcionam “por baixo” dos vícios e sobre os caminhos de recuperação.

Deus abençoe.

L. Machado

Pornografia, Masturbação e Sexo: A ponta do Iceberg

Comunidades de recuperação mundialmente conhecidas como AA (Alcóolicos Anônimos) e NA (Narcóticos anônimos), que detém um conhecimento insondável sobre o tema, compreendem o vício como uma doença si. O que diferencia o viciado em sexo do viciado em álcool é apenas a droga de uso.

O princípio que rege os vícios de qualquer pessoa é o mesmo. A ansiedade pelo resultado do vestibular ou a frustração por uma oportunidade de trabalho perdida pode levar uma pessoa a comer compulsivamente mesmo sem nenhuma fome. Da mesma forma, o mesmo contexto ansioso ou frustrante pode levar uma outra pessoa a passar a madrugada inteira consumindo pornografia, ou numa mesa de bar. O estresse, a solidão, o medo, a angústia, o desespero, a decepção ou o cansaço podem levar um viciado a se gastar horas intermináveis em sua droga de uso. Mas o que o vício esconde? Na verdade, a droga (a masturbação, a pornografia, …) é apenas “a ponta do iceberg”. O que mecanismo que está submerso nas águas da nossa humanidade é mais complicado.

A ação de uso de uma prática sexual no âmbito do vício não é motivada em sua base por algo associado à droga em si. São situações não relacionadas que levam isso se … DESENVOLVER

Vitor Frankl, médico psiquiátrico e psicólogo sobrevivente dos campos de concentração nazistas, constatou em seus estudos e observações que os vícios e as dependências encontram espaço em nossa vida ao nos defrontamos com o sentimento de falta de sentido de vida (missão, propósito de vida, meta, planos praticáveis, visão de futuro atraente…), o vazio existencial.

Frankl afirma que o desejo sexual em muitas dessas situações ganha proporções enormes, o que seria uma busca por ocupar o vazio deixado pelas frustrações de realização de sentido.

O psicólogo Richard Cohen, amparado pelo conhecimento das comunidades de dependentes anônimos, resume os estados que levam um viciado (em sexo) ao uso de sua droga pelo acrônimo FISC (Faminto, irritado, sozinho, cansado). Esse são os padrões essenciais que precedem uma recaída no vício. Esses estados são na prática estados de dor. Poderíamos dizer então que todas as vezes que alguém recai no uso de alguma droga, este estava na verdade tentando amenizar uma dor. Dor por uma fome física ou de afetos (carência); dor por uma irritação, mágoa ou decepção; dor por uma solidão, sensação de abandono, esquecimento, isolamento ou falta de relações; ou dor por um cansaço sem sentido, cansaço sem “recompensa”, cansaço excessivo que não permite nem mesmo descanso.

E como sair desse “beco sem saídas”? A nossa fé, a moral cristã, que muitos de nós trazemos nos direciona, mas não necessariamente é a solução. Não se deixa um vício apenas por se saber que não é correto ou por ser pecado. E também não se sai de uma prisão dessas apenas cortando a droga de uso (embora seja o primeiro passo, claro).  O oposto” do vício não é a recuperação (abstinência), mas a relação. o indivíduo opta pela droga de uso por perceber a realidade ao seu redor como não superável, não praticável, não acessível, desprovida de sentido ou motivações. As relações saudáveis com nossos semelhantes nos localizam em nossa história, nos dão sentido e direção.

Jacques Phelippe, Frade e escritor, diz que toda tentativa de ascese espiritual, todo processo de transformação de vício em virtude é vão se não há um esforço considerável na compreensão da própria psiquê. Em outras palavras, por traz dos descontroles e vícios existem necessidades legítimas que precisam reconhecidas, compreendidas e atendidas de forma sadia. Sem esse autoconhecimento qualquer caminho de recuperação pode estar comprometido. Eliminar a droga de uso é o primeiro passo, mas há um processo de amadurecimento, conversão e mudança de caráter que precisa acompanhar essa abstinência afim de solidificá-la.

Embora seja difícil, a superação de um vício é possível e começa por pedir ajuda, reconhecer que tem problemas, que é limitado e que não consegue vencer sozinho, mas que deseja mudar. Poderia dizer que, especificamente na recuperação dos vícios sexuais, a vida espiritual sadia e autêntica, o acompanhamento psicológico (e talvez psiquiátrico), os grupos de apoio e comunidades de 12 passos (DASA, AA, NA, …), e a adesão a um projeto de vida (missão pessoal, responsabilidade, tarefa, desafio, futuro, …) sãos as ferramentas que podemos dispor. Entretanto, é necessário dizer que não existe caminho das pedras, chave genérica ou mágica. Cada um de nós precisa, à luz do conhecimento de sua própria história e sonhos, se responsabilizar pela sua situação e futuro e fazer as escolhas que lhe cabem em sua jornada pessoal

L. Machado,

 

 

O desejo de crescer e ser um adulto do dia para a noite já esteve presente na mente da maioria das crianças. Do outro lado, estão os que pensam e agem como o personagem da Disney, Peter Pan, o menino que quer ser criança para sempre. Esse medo de crescer acaba, portanto, não se restringindo apenas aos contos de fadas. Negar-se a amadurecer é, atualmente, uma realidade também para muitos adultos.

Chegar à vida adulta é um dos processos mais difíceis pelos quais temos de passar. Segundo o psicólogo e professor da Faculdade de Ciências Humanas do Centro de Estudos Superiores de Maceió/AL (CESMAC) e autor do artigo “Grupo de homens: repensando o papel masculino na sociedade contemporânea”, Fábio Ribeiro Machado,o medo de assumir responsabilidades, da perda do porto seguro que é a infância e de todo o choque que o crescer representa, são sentimentos comuns na adolescência, período no qual um turbilhão de sentimentos e de novas experiências traz insegurança e uma série de conflitos internos.

Novos Peter Pans

No século 21, ser um Peter Pan é comum a muitos homens que não conseguem atingir um estado de maturidade para encarar sentimentos e responsabilidades próprias de sua idade. São ansiosos e narcisistas, caracterizando, o que os especialistas chamam de ‘Síndrome de Peter Pan’, termo definido pelo psicólogo americano Dan Kiley, nos anos 1980.

Fábio Ribeiro Machado revela que, para esconder a dificuldade de encarar com maturidade as situações da vida, esses homens utilizam como defesa uma falsa alegria que, no início, é encarada pela sociedade como uma qualidade. São simpáticos e comunicativos, causando boa impressão principalmente nas mulheres. No entanto, a convivência mostra que nem tudo é como parece.

Super-protetoras

Trintões e quarentões que se negam a sair da zona de conforto da casa dos pais, não querem assumir responsabilidades, vestem-se e se comportam como adolescentes, abominam o casamento e dedicam grande parte do tempo à academia e ao cuidado com a aparência física, são prováveis candidatos a Peter Pans modernos. Quem não tem um na família ou já viu algum deles por aí?

Tripp, um trintão interpretado por Matthew McConaughey em “Armações do amor”, apesar de ter um trabalho, não quer nem pensar em deixar a casa dos pais. Relacionamentos de uma noite só, esportes radicais, motos, barcos e noitadas com os amigos são seus passatempos preferidos. O simpático solteirão não quer ter responsabilidades, muito menos um casamento, ou seja, Tripp, é um típico Peter Pan.

Assim como na maioria dos casos, é grande a influência da família, principalmente da figura materna. A mãe de Tripp é só mimos e faz tudo o que ele quer. Para Fábio Machado, a educação machista que a maioria das mães ainda dá aos filhos é um importante fator para o desenvolvimento da síndrome.

A prevalência masculina não se dá apenas por conta do amadurecimento feminino que ocorre mais cedo, mas também devido ao contexto social. A falta da figura do pai na sociedade moderna faz com que os meninos se transformem em homens sem nenhuma preparação. “Sem conhecer a dinâmica interior de um homem amadurecido e saudável, os meninos são forçados a buscar a sua ideia de individualidade em imagens muitas vezes distorcidas e idealizadas pela mídia”, explica Fábio Machado.

Adulto imaturo

A carreira profissional desses homens, muitas vezes é prejudicada, fazendo com que eles só trabalhem sob pressão. Narcisistas e explosivos, acham que os empregos são indignos a eles e entram constantemente em conflito com seus superiores. Fábio Machado explica que eles tendem a ter relacionamentos amorosos pouco duradouros e com mulheres mais novas ou imaturas. Se casados, as esposas terão de ser verdadeiras “mães”.

A aceitação do problema é uma das fases mais difíceis, porém, com a ajuda dos familiares e de um psicoterapeuta, esses homens podem chegar a um amadurecimento emocional e a uma consequente melhora na convivência social.

Atitudes infantis

É importante não confundir a Síndrome de Peter Pan com o Infantilismo. Este último caracteriza-se por uma espécie de sensação de bem-estar ao ter atitudes infantis como usar fraldas, mamadeiras e chupetas, vestir-se, comer e brincar como um bebê. Na maioria das vezes, esses atos são praticados secretamente, pois o indivíduo infantilizado tem vergonha de si. Ao contrário da Síndrome de Peter Pan, na qual há apenas o comprometimento da conduta e do modo de encarar a realidade, no infantilismo há uma regressão do adulto ao estágio infantil levando em conta a aparência e o comportamento.

Cuidados na infância

A família é o centro da formação psicossocial de um indivíduo. Um lar bem estruturado e algumas atitudes dos pais podem ajudar a evitar dificuldades de amadurecimento na fase adulta;

Os filhos não devem dormir constantemente na cama com os pais;

O pais devem deixar que os pequenos tenham fantasias, mas devem deixar claro os limites existentes entre a realidade e a ficção;

O berço precisa ser trocado pela cama assim que as crianças começarem a andar;

A chupeta e a mamadeira devem ser retiradas após os dois anos de idade;

As fraldas devem permanecer, no máximo até os três anos;

Deve-se tomar cuidado com atitudes e mimos proporcionados pelos avós e cuidadores.

Fonte: Diário do Nordeste