Homem segundo o coração de Deus

Medo de enfrentar a responsabilidade da fase adulta cresce entre homens. Peter Pan!?

O desejo de crescer e ser um adulto do dia para a noite já esteve presente na mente da maioria das crianças. Do outro lado, estão os que pensam e agem como o personagem da Disney, Peter Pan, o menino que quer ser criança para sempre. Esse medo de crescer acaba, portanto, não se restringindo apenas aos contos de fadas. Negar-se a amadurecer é, atualmente, uma realidade também para muitos adultos.

Chegar à vida adulta é um dos processos mais difíceis pelos quais temos de passar. Segundo o psicólogo e professor da Faculdade de Ciências Humanas do Centro de Estudos Superiores de Maceió/AL (CESMAC) e autor do artigo “Grupo de homens: repensando o papel masculino na sociedade contemporânea”, Fábio Ribeiro Machado,o medo de assumir responsabilidades, da perda do porto seguro que é a infância e de todo o choque que o crescer representa, são sentimentos comuns na adolescência, período no qual um turbilhão de sentimentos e de novas experiências traz insegurança e uma série de conflitos internos.

Novos Peter Pans

No século 21, ser um Peter Pan é comum a muitos homens que não conseguem atingir um estado de maturidade para encarar sentimentos e responsabilidades próprias de sua idade. São ansiosos e narcisistas, caracterizando, o que os especialistas chamam de ‘Síndrome de Peter Pan’, termo definido pelo psicólogo americano Dan Kiley, nos anos 1980.

Fábio Ribeiro Machado revela que, para esconder a dificuldade de encarar com maturidade as situações da vida, esses homens utilizam como defesa uma falsa alegria que, no início, é encarada pela sociedade como uma qualidade. São simpáticos e comunicativos, causando boa impressão principalmente nas mulheres. No entanto, a convivência mostra que nem tudo é como parece.

Super-protetoras

Trintões e quarentões que se negam a sair da zona de conforto da casa dos pais, não querem assumir responsabilidades, vestem-se e se comportam como adolescentes, abominam o casamento e dedicam grande parte do tempo à academia e ao cuidado com a aparência física, são prováveis candidatos a Peter Pans modernos. Quem não tem um na família ou já viu algum deles por aí?

Tripp, um trintão interpretado por Matthew McConaughey em “Armações do amor”, apesar de ter um trabalho, não quer nem pensar em deixar a casa dos pais. Relacionamentos de uma noite só, esportes radicais, motos, barcos e noitadas com os amigos são seus passatempos preferidos. O simpático solteirão não quer ter responsabilidades, muito menos um casamento, ou seja, Tripp, é um típico Peter Pan.

Assim como na maioria dos casos, é grande a influência da família, principalmente da figura materna. A mãe de Tripp é só mimos e faz tudo o que ele quer. Para Fábio Machado, a educação machista que a maioria das mães ainda dá aos filhos é um importante fator para o desenvolvimento da síndrome.

A prevalência masculina não se dá apenas por conta do amadurecimento feminino que ocorre mais cedo, mas também devido ao contexto social. A falta da figura do pai na sociedade moderna faz com que os meninos se transformem em homens sem nenhuma preparação. “Sem conhecer a dinâmica interior de um homem amadurecido e saudável, os meninos são forçados a buscar a sua ideia de individualidade em imagens muitas vezes distorcidas e idealizadas pela mídia”, explica Fábio Machado.

Adulto imaturo

A carreira profissional desses homens, muitas vezes é prejudicada, fazendo com que eles só trabalhem sob pressão. Narcisistas e explosivos, acham que os empregos são indignos a eles e entram constantemente em conflito com seus superiores. Fábio Machado explica que eles tendem a ter relacionamentos amorosos pouco duradouros e com mulheres mais novas ou imaturas. Se casados, as esposas terão de ser verdadeiras “mães”.

A aceitação do problema é uma das fases mais difíceis, porém, com a ajuda dos familiares e de um psicoterapeuta, esses homens podem chegar a um amadurecimento emocional e a uma consequente melhora na convivência social.

Atitudes infantis

É importante não confundir a Síndrome de Peter Pan com o Infantilismo. Este último caracteriza-se por uma espécie de sensação de bem-estar ao ter atitudes infantis como usar fraldas, mamadeiras e chupetas, vestir-se, comer e brincar como um bebê. Na maioria das vezes, esses atos são praticados secretamente, pois o indivíduo infantilizado tem vergonha de si. Ao contrário da Síndrome de Peter Pan, na qual há apenas o comprometimento da conduta e do modo de encarar a realidade, no infantilismo há uma regressão do adulto ao estágio infantil levando em conta a aparência e o comportamento.

Cuidados na infância

A família é o centro da formação psicossocial de um indivíduo. Um lar bem estruturado e algumas atitudes dos pais podem ajudar a evitar dificuldades de amadurecimento na fase adulta;

Os filhos não devem dormir constantemente na cama com os pais;

O pais devem deixar que os pequenos tenham fantasias, mas devem deixar claro os limites existentes entre a realidade e a ficção;

O berço precisa ser trocado pela cama assim que as crianças começarem a andar;

A chupeta e a mamadeira devem ser retiradas após os dois anos de idade;

As fraldas devem permanecer, no máximo até os três anos;

Deve-se tomar cuidado com atitudes e mimos proporcionados pelos avós e cuidadores.

Fonte: Diário do Nordeste


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