Homem segundo o coração de Deus

Faminto, irritado, sozinho e cansado. Indo no subterrâneo da origem do vício sexual.

Pornografia, Masturbação e Sexo: A ponta do Iceberg

Comunidades de recuperação mundialmente conhecidas como AA (Alcóolicos Anônimos) e NA (Narcóticos anônimos), que detém um conhecimento insondável sobre o tema, compreendem o vício como uma doença si. O que diferencia o viciado em sexo do viciado em álcool é apenas a droga de uso.

O princípio que rege os vícios de qualquer pessoa é o mesmo. A ansiedade pelo resultado do vestibular ou a frustração por uma oportunidade de trabalho perdida pode levar uma pessoa a comer compulsivamente mesmo sem nenhuma fome. Da mesma forma, o mesmo contexto ansioso ou frustrante pode levar uma outra pessoa a passar a madrugada inteira consumindo pornografia, ou numa mesa de bar. O estresse, a solidão, o medo, a angústia, o desespero, a decepção ou o cansaço podem levar um viciado a se gastar horas intermináveis em sua droga de uso. Mas o que o vício esconde? Na verdade, a droga (a masturbação, a pornografia, …) é apenas “a ponta do iceberg”. O que mecanismo que está submerso nas águas da nossa humanidade é mais complicado.

A ação de uso de uma prática sexual no âmbito do vício não é motivada em sua base por algo associado à droga em si. São situações não relacionadas que levam isso se … DESENVOLVER

Vitor Frankl, médico psiquiátrico e psicólogo sobrevivente dos campos de concentração nazistas, constatou em seus estudos e observações que os vícios e as dependências encontram espaço em nossa vida ao nos defrontamos com o sentimento de falta de sentido de vida (missão, propósito de vida, meta, planos praticáveis, visão de futuro atraente…), o vazio existencial.

Frankl afirma que o desejo sexual em muitas dessas situações ganha proporções enormes, o que seria uma busca por ocupar o vazio deixado pelas frustrações de realização de sentido.

O psicólogo Richard Cohen, amparado pelo conhecimento das comunidades de dependentes anônimos, resume os estados que levam um viciado (em sexo) ao uso de sua droga pelo acrônimo FISC (Faminto, irritado, sozinho, cansado). Esse são os padrões essenciais que precedem uma recaída no vício. Esses estados são na prática estados de dor. Poderíamos dizer então que todas as vezes que alguém recai no uso de alguma droga, este estava na verdade tentando amenizar uma dor. Dor por uma fome física ou de afetos (carência); dor por uma irritação, mágoa ou decepção; dor por uma solidão, sensação de abandono, esquecimento, isolamento ou falta de relações; ou dor por um cansaço sem sentido, cansaço sem “recompensa”, cansaço excessivo que não permite nem mesmo descanso.

E como sair desse “beco sem saídas”? A nossa fé, a moral cristã, que muitos de nós trazemos nos direciona, mas não necessariamente é a solução. Não se deixa um vício apenas por se saber que não é correto ou por ser pecado. E também não se sai de uma prisão dessas apenas cortando a droga de uso (embora seja o primeiro passo, claro).  O oposto” do vício não é a recuperação (abstinência), mas a relação. o indivíduo opta pela droga de uso por perceber a realidade ao seu redor como não superável, não praticável, não acessível, desprovida de sentido ou motivações. As relações saudáveis com nossos semelhantes nos localizam em nossa história, nos dão sentido e direção.

Jacques Phelippe, Frade e escritor, diz que toda tentativa de ascese espiritual, todo processo de transformação de vício em virtude é vão se não há um esforço considerável na compreensão da própria psiquê. Em outras palavras, por traz dos descontroles e vícios existem necessidades legítimas que precisam reconhecidas, compreendidas e atendidas de forma sadia. Sem esse autoconhecimento qualquer caminho de recuperação pode estar comprometido. Eliminar a droga de uso é o primeiro passo, mas há um processo de amadurecimento, conversão e mudança de caráter que precisa acompanhar essa abstinência afim de solidificá-la.

Embora seja difícil, a superação de um vício é possível e começa por pedir ajuda, reconhecer que tem problemas, que é limitado e que não consegue vencer sozinho, mas que deseja mudar. Poderia dizer que, especificamente na recuperação dos vícios sexuais, a vida espiritual sadia e autêntica, o acompanhamento psicológico (e talvez psiquiátrico), os grupos de apoio e comunidades de 12 passos (DASA, AA, NA, …), e a adesão a um projeto de vida (missão pessoal, responsabilidade, tarefa, desafio, futuro, …) sãos as ferramentas que podemos dispor. Entretanto, é necessário dizer que não existe caminho das pedras, chave genérica ou mágica. Cada um de nós precisa, à luz do conhecimento de sua própria história e sonhos, se responsabilizar pela sua situação e futuro e fazer as escolhas que lhe cabem em sua jornada pessoal

L. Machado,

 

 


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