Homem segundo o coração de Deus

Conheça alguns caminhos seguros que podem ajudá-lo na superação dos vícios sexuais.

Deixar uma vida de vícios sexuais não é fácil. Aliás, é difícil deixar qualquer vício, não fosse assim não seria um vício. Se você leu os posts anteriores sobre quando seus hábitos sexuais se tornaram um vício e sobre os mecanismos por baixo dos vícios, você já está mais situado na realidade em que habita e o que você talvez precise deixar para trás.

Gostaria de complementar com alguns caminhos e ferramentas de recuperação disponíveis, encontrados por muitos que já trilharam esse caminho. A correta ordem em que uma ou outra ferramenta deve ser utilizada, ou o valor que esta tem, depende de cada um. Não existe mapa da mina, mas existe um processo: o seu processo.

Os bloqueadores

Existem vários softwares gratuitos, para celular e computador, que possibilitam bloquear conteúdos pornográficos (textos, imagens e vídeos) e aplicativos de relacionamentos. São exemplos: o k9 Web protector (bloqueador de conteúdos adultos) e o Spin Web Browser
(filtra tudo) que você pode utilizar no lugar do navegador padrão do seu celular.

Você também pode ativar o “controle dos pais” na Play Store e Apple Store para restringir a instalação de aplicativos de relacionamentos adultos, entre outros. A maioria desses aplicativos e bloqueios (em smartphones e computadores) fazem uso de senhas, então você pode criar senhas aleatórias e grandes (impossíveis de lembrar), escreva-as num papel e use-as para a configuração e bloqueio dos aplicativos, depois desfaça-se do papel com a senha. Da mesma forma com o computador. E isso não é a solução, é parte dela. Um bom começo certamente.

Os 12 passos para a sobriedade

Inicialmente desenvolvidos pelo grupo de autoajuda Alcoólicos Anônimos (AA), os 12 passos para a sobriedade são a base de um programa espiritual de recuperação de vícios e comportamentos adictivos. Já foram adaptados para diversos outros propósitos como transtornos alimentares, dependência química, co-dependência e vícios sexuais. O programa toma como base elementos basilares presentes em várias religiões, mas não é
um programa religioso, e sim espiritual. Em síntese, enfoca a conscientização das condições em que se encontra, crença em Deus, rendição, reconciliação e serviço aos outros.

Grupos de ajuda

Grupos como os Dependentes de Amor e Sexo Anônimo (DASA) fazem uso dos 12 passos como itinerário de recuperação dos vícios sexuais e afetivos. Grupos no formato do DASA acontecem primeiramente em reuniões presenciais (semelhantes ao AA e NA) e fomentam a prática de apadrinhamento (mais experientes acompanham os mais novos). Adicionalmente, o DASA oferece reuniões onlines, via Skype, onde os participantes não se identificam, nem por nome nem por foto ou vídeo. Uma plataforma, em Inglês, chamada In The Room, oferece reuniões online semanalmente com participantes de todo o mundo.  Outros grupos, como o Jornada PMO, oferecem apoio via aplicativos de mensagens, chats. Nestes grupos, os membros, também anonimamente, compartilham suas histórias, lutas diárias, buscam e/ou oferecem ajuda. 

Accountability

Uma palavra de difícil tradução para o português, mas que os grupos de 12 passos conhecem muito bem. Accountability quer dizer “prestação de contas”. É uma prática extremamente eficiente que fomenta vulnerabilidade, troca de confiança, e transparência por parte da pessoa que sofre com os vícios. Fazer prestação de contas quer dizer se reportar regularmente (toda semana, mês, ou quando precisar) à alguém de confiança e
contar os progressos e recaídas, mas sobretudo as recaídas. Como se fosse uma confissão, mas não em troca de uma absolvição. Assumir que caiu, é como se denunciar, assumir um roubo. Pronto. A recaída já não é mais segredo e não tem o poder de conduzir a pessoa à zonas mais profundas do seu vício.

A terapia

A terapia é o espaço ideal para se trabalhar nos mecanismos que funcionam nas profundezas do vício. O vício não é apenas a masturbação, pornografia, voyeurismo, prostituição, sexo online, sexo anônimo, adultérios…. Essas são as drogas ou padrões de uso.  O vício em si está para além, tem raízes numa incapacidade de lidar com a realidade, sentimentos e emoções, não aceitação de si mesmo e dos outros; em um desejo frustrante de controlar a vida, num perfeccionismo, e sobretudo em uma falta de conexão e apreço pela realidade presente. E nesse processo de autoconhecimento e reestruturação interior, um bom terapeuta é de grande ajuda.

A espiritualidade

Sem dúvida a prática sadia de uma religião, uma sólida relação com Deus, pode e deve ser o pano de fundo do processo de recuperação de uma pessoa que sofre com algum tipo de vício. O homem que pecou estava essencialmente procurando a felicidade. Por alguma razão (gatilho), perdeu a esperança de que com Deus poderia de fato ser feliz e buscou ser feliz com as próprias mãos. Aí surge o vício, pois há concupiscência no homem. O correto entendimento e conhecimento de Deus possibilita ao homem a rendição total aos seus braços, à sua condução. Entende-se então que nem
mesmo as recaídas podem nos separar do nosso Amado – nosso Pai – que é misericordioso por excelência e, portanto, inclinado a perdoar. Na prática, uma rotina de oração, um acompanhamento por um padre ou diretor espiritual, e a vivência dos sacramentos (principalmente eucaristia e confissão, para os católicos) são elementos de grande valor na superação dos vícios sexuais. O mais importante: relações sadias e um propósito de vida. 

Estudos desenvolvidos no Canadá e na Holanda, combinados com as experiências vividas por soldados da guerra do Vietnam, possibilitaram a psicólogos concluírem que: oposto do vício não é a sobriedade, mas sim a conexão (Johann Hari, Ted Talk). Percebeu-se que tanto ratos em clausura quanto os soldados da guerra do Vietnam não se entregam ao uso de substâncias químicas quando dispõem de relações sadias, de um ambiente propício a conexão com seus semelhantes e de um propósito de vida, mesmo após se exporem ao uso de substâncias aditivas, como a morfina. De fato, não é novidade que não somos ilhas e que nascemos para a relação. Trazemos dentro de nós uma necessidade de estar conectado de forma sadia com Deus, com nosso próprio eu e com o outro. Nascemos para dar e receber amor. Trabalho, família, estudo, serviço voluntário… dessas mesmas relações nascem os propósitos de vida, o sentimento de que vale a pena viver, de que temos algo a realizar. Assim como uma árvore não come dos próprios frutos, nem se deleita com a sobra que cria, ninguém é chamado a viver para si.

Autor: L. Machado


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