Homem segundo o coração de Deus

Homem ou menino?

Sem dinheiro e com a firme convicção de realizar o impossível, Ernest Shackleton começa pelo óbvio: arrumar uma tripulação para, junto com ele e com um barco antigo, serem os primeiros homens a pisar no ponto mais ao sul do planeta.

O anúncio, publicado nos jornais de Londres, em 1900, começava com uma chamada forte: “Procuro homens para viagem arriscada. Salário baixo, frio congelante, longos meses de completa escuridão, perigo constante, retorno duvidoso. Honra e reconhecimento em caso de sucesso”. Anos depois, coroado pela glória dos heróis, o capitão da expedição Nimrod comentou “…a julgar pelo volume de cartas recebidas, parecia que todos os homens ingleses estavam dispostos a me acompanhar”.

Durante a infância de muitos com mais de 30 anos, aprendíamos claramente a diferença entre o homem e o menino. Mas o que é um homem em relação a um menino? O entendimento tradicional era de que o homem é quem assume uma responsabilidade sobre os outros – sobre a sua família, seu emprego, sobre seu país e, claro, sobre si mesmo. Ser homem era ser guiado por ideais e valores superiores a si mesmo. Ele conduziria sua vida com dignidade. E ele seria rijo, forte, constante.

Quando eu era garoto, na década de 1980, sem que ninguém expressamente precisasse me definir, eu já sabia o que um homem deveria ser. E eu sabia o que os outros, para não mencionar os meus pais, esperavam de mim como homem. Não precisava ser dito explicitamente que eu teria que ganhar a vida, sustentar-me o mais rapidamente possível e sustentar a família depois disso. Nessa época, chamávamos nossos pais de “pai”, aos padres de “padre”, e aos médicos de “doutor”. Éramos corrigidos quando, por algum motivo ou distração, um destes era chamado pelo primeiro nome, pura e simplesmente.

Porém, em algum ponto da década de 1990, os ideais de masculinidade e feminilidade foram amplamente confundidos. O feminismo, como movimento, declarou guerra aos conceitos mais básicos de feminilidade e masculinidade. E, para grande parte da população, foi vitorioso. Com efeito, graças ao conceito feminista de que macho e fêmea são essencialmente os mesmos, um número incontável de meninos que estão chegando hoje à idade adulta foi tratado como se esta diferença não fosse importante. A eles foram negados brinquedos masculinos, tais como soldadinhos de brinquedo e suas formas masculinas de diversão foram banidas.

De tal forma, nossa atual sociedade está toda encardida com os prejuízos dos meninos que nunca aprenderam a serem homens. Como resultado, esses mesmos, hoje, não têm amigos fora da realidade virtual, fogem apavorados do casamento, morrem de medo de ter filhos e escondem-se na internet ou na casa das mães até os 40 anos.

Em contraponto, homens fortes transformam o mundo em que vivem, começam e terminam um trabalho, movem coisas pesadas. Eles fazem as coisas assustadoras, feias e sujas que as mulheres não conseguem, não podem ou não precisam fazer. E este é, provavelmente, o tipo de marido que queremos para nossas filhas.

Por Gustavo Costa, Professor


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