A busca pelo prazer parece ser o principal motor de muitas pessoas. Essa busca frenética pelo deleite sexual sem limites, da qual vários se tornam escravos e dependentes, começa com uma lacuna na educação, algo necessário para a maturidade, que é a aprendizagem sobre como lidar com os próprios impulsos.

O alerta é mundial. Um estudo realizado com 3,2 mil jovens de 13 a 17 anos de cinco países europeus (Bulgária, Chipre, Inglaterra, Itália e Noruega) mostrou que 28% das mulheres e 21% dos homens dizem ter sido objeto de abuso sexual.

Outro estudo realizado na Inglaterra com 700 adolescentes de 12 e 13 anos mostrou que um em cada 5 recebeu imagens pela internet que o chocou ou perturbou. Do total, 12% dos entrevistados admitiram participar de alguma forma em um vídeo de sexo explícito.

A mulher é a que mais sai perdendo. Na maior parte dos conteúdos ‘adultos’ disponíveis nas plataformas digitais, vence o conteúdo misógino e machista, em que homens obrigam as mulheres a posturas desprezíveis, segundo pesquisas internacionais, como a realizada na Universidade de Leicester, na Inglaterra, pela pesquisadora Heather Brunskell-Evans. Um relato nu e cru dessa realidade é descrito no livro recém-lançado nos Estados Unidos Girls and Sex”, de Peggy Orenstein, feito a partir de entrevistas com 70 meninas, em que ela mostra como elas são instigadas pelos próprios colegas a se submeterem sexualmente – e postarem tudo nas redes sociais. E elas não têm recursos afetivos para lutar contra isso.

A solução mais aceita até agora, e citada nesses estudos, é a educação sexual que respeite o desenvolvimento emocional e psíquico de cada pessoa, que é diferente. A questão é como abordar o tema e identificar as fases. Nesse debate, considerar a pornografia como normal não tem sido a melhor saída.

A “educação” pela pornografia

A pornografia influencia na plasticidade do cérebro até formar um novo “mapa cerebral” e, por isso, a exposição ao material pornográfico na infância pode gerar consequências para toda a vida, explica o psiquiatra canadense Norman Doidge em um capítulo do livro “Os custos sociais da pornografia” (The Social Costs of Pornography: A Collection of Papers, editado por James R. Stoner e Donna M. Hughes). Isso acontece por uma série de fatores, como as características das imagens aliadas ao estado vulnerável do cérebro em momentos de excitação mental, e os mecanismos de recompensa fácil.

Segundo ele, a conexão rápida com a internet “satisfaz todos os pré-requisitos necessários para uma mudança neuroplástica”. Por isso, com a popularização das cenas eróticas, o que antes era considerada “pornografia suave” hoje nem mais é considerado pornográfico; e o que era “pornografia grave” é norma atual e tem uma tendência perigosa à violência e ao domínio sobre o outro.

No começo, descreve o psiquiatra, a pessoa sente repugnância a certas práticas e conteúdos. Com o tempo, se acostuma e procura doses cada vez mais fortes para alcançar os mesmos resultados. A consequência do consumo frequente seria a perda do prazer nas relações sexuais reais e sadias.

A “educação dos afetos”

O caminho para quebrar esse círculo vicioso que assalta os ambientes de crianças e jovens é complexo

A chave está em ajudar que as crianças desenvolvam a capacidade de dizer não aos impulsos que firam os direitos humanos próprios ou dos outros, ou ao menos que as levem por caminhos distintos da sua vontade. Explicando melhor: mesmo querendo passar no vestibular, por exemplo, um estudante pode passar horas perdendo tempo porque não é capaz de ir contra outros apelos que o impedem de estudar – ainda que seja muito inteligente e perceba a necessidade de estudar. Se ele não aprendeu, desde pequeno, a ter um domínio político sobre seus sentimentos – político, porque precisa também perceber o momento de relaxar – será refém deles e não alcançará seus objetivos – no caso, entrar na universidade. Esse exemplo pequeno pode ser reproduzido em outros âmbitos da vida.

Como os instintos básicos são fortes – comer, dormir, reproduzir -, as crianças aprendem a lidar com eles aos poucos, pelo conhecimento e exemplo de pessoas que ela admira e se espelha. A escola pode tentar suprir um ambiente familiar deficiente e, por outro lado, a família deve dar apoio quando a criança frequenta uma escola de ambiente hostil.

Não há respostas fáceis, para já, urge a discussão sobre o que seria uma educação sexual oportuna, que dê às crianças e aos jovens as armas que precisam para lidar de forma sadia com a própria afetividade.

Afetos sadios

Os impulsos humanos são controláveis se houver convicções firmes e um exercício constante para ser capaz de dizer “não” ao que pode causar dano. Confira algumas dicas para pais e escolas:

* É na infância que se aprende sobre o próprio valor. Por isso, é bom elogiar atos bons e nominar a sua conduta: “você foi muito valente”, “gostei muito da sua iniciativa”, “esta foi uma atitude muito generosa”.

* Levar a criança a estar segura do amor dos pais, mesmo com os seus erros e defeitos, fazendo-a perceber que pode se esforçar por melhorar.

* Motivá-la a controlar os impulsos: adiar um doce porque o irmão não pode comer, primeiro fazer a lição para depois brincar, etc.

* Ajudar que aceite a negativa para a compra de um brinquedo novo.

* Ensinar o real valor das coisas: as pessoas valem mais que as coisas.

* Ajudar a criança a interpretar as emoções alheias.

* Favorecer o auto conhecimento: quando está triste, alegre, com raiva, medo, entusiasmo, esperança.

* Ajudar a criança a administrar as próprias frustrações.

* Ensinar desde cedo sobre a vida moral e os valores: a justiça, a verdade, o bem, a compaixão.

Ensinar a se posicionar com as opiniões que aprende na família.

Ao corrigir, não ser rude e não humilhar a criança.

* Primeiro compreender e depois aconselhar ou repreender.

Expressar a contrariedade em relação à atitude do filho e nunca à personalidade.

* Elogiar os atos verdadeiramente bons e não qualquer atitude.

Não ser pais permissivos, que permitem tudo e, assim, criam filhos frágeis; e nem autoritários, que resulta em filhos submissos.

* Manter a harmonia conjugal para dar segurança afetiva aos filhos.

* Nunca banalizar os sentimentos da criança.

Sempre ensinar em casa e na escola sobre o bem e o mal através de situações reais, filmes, livros, etc.

* Oportunizar a intimidade afetiva em casa, na família. Entrar em assuntos pessoais com respeito, acolhendo as emoções da criança.

* Ensinar sobre a resolução de conflitos, sobre saídas positivas para os problemas.

*O “não” educa: dizer por que a criança não deve fazer algo e estimular que ela escolha algumas coisas em detrimento de outras, posicionando-se afirmativa ou negativamente e fundamentando o seu pensamento.

* Colaborou: Lélia Cristina de Melo, formada em Psicologia pela PUCPR, Diretora de Formação e Divulgação do Colégio do Bosque Mananciais.

O mundo carece de boas referências masculinas. A todo momento, a mídia nos propõe ideais de virilidade completamente desordenados. Ora é o “pegador”, ora é o frouxo efeminado e tíbio.

Hoje em dia, nossa educação não nos prepara para as coisas sólidas. Para o amor, para o compromisso e sacrifício. Mas ainda assim, o nosso coração anseia por essas coisas. É nossa natureza, fomos criados para o amor.

Se você anseia por doar sua vida na família, como pai e esposo, esse texto é uma humilde contribuição para sua caminhada. A família começa a ser construída no namoro.

O chamado ao matrimônio é uma nobre vocação. E como todo chamado de Deus, demanda que você escute e saia do seu lugar. Um namoro santo demanda sair de si mesmo, combater as próprias limitações, com oração, mortificação e prática das virtudes. Demanda autoconhecimento, discernimento, prudência. Demanda, enfim, uma busca pela conversão.

Façamos um pequeno itinerário.

AVISOS PRÉVIOS

São João Bosco disse uma vez que não se deve pedir uma mulher a Deus antes que Ele faça de você um homem. É uma verdade, mas como saber se sou um homem, e não um menino?

Há critérios bastante objetivos. O homem precisa ter disposição para sacrificar-se e doar-se. Olhe para sua rotina, seu dia a dia, as coisas que ocupam sua mente. Faça o exame de consciência: “Vivo para mim? Para meus hobbies e lazeres? Para o descanso? Busco fugir do trabalho e das responsabilidades?”.

Se sua maior preocupação é o futebol com a rapaziada, o novo filme da Marvel ou o bar, é hora de trabalhar um pouco o interior.

Outro conselho importante era dado por Santo Afonso Maria de Ligório. Ele dizia que namorar sem possibilidade de se casar a médio prazo, não convém. E aqui precisamos fazer algumas considerações.

Você tem condições de nos próximos anos estar pelo menos exercendo um ofício profissional, ainda que no começo? Não há necessidade de estar pronto para sustentar um lar, mas você poderá ter perspectivas de estar ao menos buscando isso, caminhando na vida profissional?

Você teria condição de catequizar uma criança, ou pelo menos estar trabalhando na própria formação pessoal? Reforçamos que você não precisa estar pronto, acabado (isso talvez nunca estejamos) mas você ao menos está trilhando esse caminho?

Rapazes de dezesseis anos, adolescentes que leem esse texto: não é o momento para namorar agora. Psicólogos afirmam que até os 18 anos nós nem ao menos podemos dizer que temos personalidade estruturada. Essa é a fase de se formar para o sacrifício e a virtude

Também é o momento de fazer um sério discernimento vocacional. É preciso saber quem você é aos olhos de Deus. Se perguntar: “Senhor, que queres de mim?”. Com direção espiritual. Retiros. Vida de oração cotidiana. Não faz sentido namorar sem indícios de que Deus talvez te chame a isso.

Fez um discernimento vocacional? Começou uma séria formação cristã? E uma séria formação humana, virtuosa, em uma profissão?

Agora podemos pensar em namorar.

A ESCOLHA DA NAMORADA

O namoro em si não faz sentido se não for colocado diante da possibilidade do matrimônio. O professor Carlos Ramalhete diz que namorar é procurar alguém para “ficar velhinho junto”. Então não namore uma moça que não permite essa perspectiva. Isso carrega muitos fatores subjetivos e particulares, mas há coisas que se aplicam a todo homem católico.

Por exemplo: não faz sentido namorar uma menina que não abrace a proposta do matrimônio católico. O sacramento pede três requisitos: indissolubilidade, abertura a vida e compromisso em criar os filhos na fé. Isso limita muitas coisas.

Uma menina virtuosa, que busca a castidade, é uma pessoa de boa vontade… mas é comprometida com uma igreja protestante. Você acha que ela aceitaria criar os filhos na fé? Não faz sentido começar um relacionamento.
É possível uma não católica estar sinceramente disposta a isso, e revelaria uma forte abertura de coração à conversão, mas é um caso de extrema exceção.

Por isso, ao procurar uma moça, comece pela Igreja. Na sua paróquia, em um movimento que você participa. Busque se cercar de boas amizades católicas, e certamente você irá se esbarrar com boas meninas.

Mas assim como o homem deve ter maturidade humana, a mulher em questão deve ter certa maturidade. Todos nós temos defeitos, e não dizemos para aguardar uma mulher perfeita, mas é bom saber se a menina tem noção do que é a vocação, tem desejo de buscar sinceramente as virtudes (apenas o esforço em buscá-las, não devemos esperar perfeição de ninguém), é pessoa comprometida com a Igreja e cultiva uma vida de piedade.

Essas coisas são visíveis durante um relacionamento de sincera amizade. Por isso, cultive amizades. Não tema a “friendzone”: não faz sentido namorar uma menina que você acabou de conhecer. Namore uma moça que no convívio com os amigos deu sinal de ter maturidade.

Há os fatores pessoais, que devem ser levados em consideração: se sua profissão te fará viajar por períodos longos, não é prudente namorar uma menina que não lida bem com ausências prolongadas. Ainda que gostos comuns não sejam fatores decisivos (no namoro, aprendemos a gostar de coisas novas, é natural) também não é inteligente namorar alguém com quem você não tenha nenhum gosto comum. É raro isso acontecer entre duas pessoas de Igreja, mas há personalidades que são muito díspares.

Um conselho é justamente pedir conselhos. Um amigo do convívio comum de ambos, que possui uma visão de fora, pode dar a opinião.É bom pedir essas opiniões (mas não muitas) de terceiros. Várias vezes vemos casais que não combinam em nada, no calor da paixão, perderem tempo tentando algo.

Faça boas amizades, conheça boas meninas, e uma vez que surja o momento, peça a opinião de um amigo próximo. Parece que vai dar certo entre você e a moça?

Então, como começo?

CORTEJANDO COMO HOMEM

A verdade é que existem muitas ótimas mulheres. Normalmente se você não consegue é porque não está procurando nos lugares certos (ou é um adolescente, e esse realmente não é o momento para isso).

Mas se você encontrou um ambiente saudável e mesmo assim não consegue, talvez esteja faltando um pouco de virtude.

Sim. Talvez falte paciência para ouvi-la (será que você não está sempre falando de si e do que te interessa, numa autopropaganda vaidosa?). Talvez falte prudência (você acabou de conhecer a menina! Não precisa forçar a barra na intimidade!). Talvez falte, mesmo, certa coragem (meu amigo, mulheres cristãs querem um homem de iniciativa. Com prudência, paciência, mas ainda assim, que “chegue” nela!).

Talvez te falte cavalheirismo. Não é uma ferramenta de conquista de mulheres, mas se você não reconhece a dignidade da mulher e lhe trata com respeito e reverência, não queira que elas te achem interessante.

Faça um discernimento. Discernimento humano: avalie a situação. Há um clima legal, de amizade natural (não force a barra!) entre vocês? Ela demonstrou interesse? (sim, precisamos ficar atentos aos sinais: elas NÃO são objetivas). Então um pouco de ousadia e criatividade cai bem.
Você é um homem de Deus. Suas intenções são retas. Você está buscando formar-se um bom marido e pai, capaz de proteger e prover sua casa, e criar seus filhos. Com obras. Com atos. Se segue esse caminho, e você tem boa amizade com a moça em questão, e ela já deu sinais de interesse, arrisque. Leve-a para um encontro a dois. Não espere a situação surgir: faça o convite. Tenha iniciativa. Dê alguma lembrancinha, mostre que se lembra dela, que é amável a presença dela. Você não está mentindo! Deixe-a saber que é querida. Que você se importa com ela e quer mesmo o Céu para ela.

As mulheres querem segurança. Dê segurança emocional mostrando a ela o que ela tem de bom, com elogios sinceros. Mostre segurança conduzindo o relacionamento: fale a verdade, diga os motivos que te levam a querer avançar em um relacionamento com ela. Mostre que é um homem que reflete sobre a vida, que tem seriedade.

E se ela simplesmente não quiser, paciência, meu amigo. Ela é livre para isso, e um homem precisa saber lidar com desapontamentos. Seja homem! Não a destrate por isso. Faz parte da vida, e isso irá moldar o seu caráter. Siga em frente.

Mas deu certo? Então vamos ao namoro, em si.

O NAMORO: O QUE É, COMO FUNCIONA

Se você seguiu esse roteiro tanto quanto pôde, não há grandes mistérios na condução de um namoro. Façamos apenas alguns apontamentos.

O namoro não é apenas “para se conhecer”. É verdade que é bom conhecer mais sobre o outro, e entre pessoas que dialogam (e diálogo sempre será fundamental) isso é inevitável. Mas o fim último do namoro não é se conhecer. As pessoas mudam! Quando vocês casarem, irão mudar. Quando vierem os filhos, irão mudar novamente.

O namoro é o momento de crescer junto. Lançar as bases da família. Se aqui falamos da importância de se crescer como homem antes de procurar uma namorada, agora o homem e a mulher amadurecidos devem crescer juntos e lançar as bases sólidas de uma futura família.

Você irá precisar se superar e “renunciar a si mesmo” dia após dia. O namoro é uma grande fonte de santificação. Você vai precisar aprender a abrir mão. A se desculpar. A ter paciência. A perdoar. Você vai precisar desenvolver uma delicadeza que nem sempre é natural para o homem. E há muita caridade em fazer as coisas com delicadeza.

Porque você precisará corrigir. Quem ama, corrige. Mas corrigir caridosamente, amavelmente, e sabendo que a mulher é outra pessoa.

O namoro não é lugar para você buscar amparo emocional. Muitas vezes, a mulher virtuosa é um amparo que nos leva a Deus, o Pai das consolações, fonte de todo amparo. Mas namoro não é feito para isso, é apenas uma graça que ele as vezes concede.

J. R. R. Tolkien bem disse em carta ao seu filho, Michael, que a Santíssima Eucaristia é a fonte de consolo, força e amparo. A mulher, segundo ele, é apenas nossa “companheira de naufrágio”, em um mundo ferido pelo pecado. Também ela é pecadora e limitada, e nós devemos todos os dias querer levar sua alma para Deus.

Isso demanda uma vida de oração. A vida de oração pessoal espera-se que você tenha desenvolvido antes do namoro (mas nunca é tarde para começar!), mas o namoro também pede a oração comum. Vocês estão querendo passar toda a vida juntos! Construir uma família! Aprendam a rezar juntos. Criem o compromisso com o santo terço. Participem de adorações eucarísticas. Meditem a Palavra e conversem com o outro sobre os frutos da própria meditação. Frequentem juntos a santa missa. Façam romarias e novenas pedindo as graças que precisam. Intercedam um pelo outro.

A castidade não será possível sem vida de oração. Pessoal e conjunta. Além disso, a fuga das ocasiões é fundamental. Mas sem oração, logo começamos a procurar ocasiões. Então não deixem de rezar juntos. E nas quedas, se levantem e procurem o santo remédio da confissão, que permite continuar de onde paramos. Sem desespero, pois isso é coisa do demônio.

Se são capazes de rezar juntos, e um leva o outro a Deus, é o melhor indicativo de um namoro santo. Se são capazes de se perdoar mutuamente, se são pacientes um com o outro, se o tempo passa e vocês conseguem ver frutos concretos de crescimento, então é sinal de que a coisa está bem encaminhada e o namoro caminha para o fim.
Pois o namoro não é fim em si mesmo. É o caminho para o altar.

QUANDO NOIVAR

Um piedoso sacerdote disse uma vez: “antigamente os casais queriam construir algo juntos. Hoje, as pessoas querem cada uma construir a vida sozinhas e depois pensam em casar”.

Se vocês têm o mínimo para começar a vida juntos, podem noivar. Mas não falamos somente do mínimo material.
Garantir um teto sobre a cabeça e comida na mesa é um desafio, sem dúvidas. Mas a verdade é que hoje em dia vivemos em um contexto materialmente muito mais favorável do que viveram nossos pais, avós, bisavós e toda a humanidade antes de nós.

As condições mínimas também abarcam uma perseverança na oração, uma paciência com as principais fraquezas do outro, capacidade de perdoar, propósito firme de educar os filhos na fé.

O namoro deve ser uma escola de tudo isso. Se tem isso, o material é secundário. Olhem o exemplo da Sagrada Família.

São José, tendo sua oficina em Nazaré, construído sua casa, havia garantido o material necessário para a família. Tão logo Jesus nasce, ele precisa deixar tudo isso para trás e ir morar em terra estrangeira para proteger Cristo de Herodes.

Se Maria e José não fossem santos completamente entregues nas mãos de Deus, não seriam amparados pela providência e não conseguiriam passar por essa missão.

Assim é a vida humana. Necessariamente há imprevistos. Todos estamos sujeitos à necessidade, e nessa hora, o que nos ampara é a providência, e o alimento para manter as virtudes heroicas que esses momentos pedem é o sacramento e a oração.

Não temam o noivado. O Papa pediu na exortação apostólica Amoris Laetitia que os jovens casais não temam uma cerimônia simples. Uma grande festa cara não é fundamental para o casamento. Ser gerente da empresa não é. Um salário de 15 mil e um mestrado também não.

Que Deus ajude todos os jovens casais a viverem essa santa vocação. Homens, olhem para Cristo e seu pai nutrício, São José. Eles serão seus guias nessa jornada!

(Por Daniel Alves, via Homem Católico)

Crianças que sofrem abuso sexual, físico e emocional podem apresentar não apenas cicatrizes físicas e emocionais, mas também genéticas.

Um novo estudo, feito pela Universidade de British Columbia, no Canadá, e pela Universidade Harvard, nos EUA, e publicado na Translational Psychiatry, revela ainda que a marca genética do abuso é tão profunda que produz alteração no DNA e pode, pelo menos em tese, ser transmitida para gerações futuras.

Há muito tempo, especialistas sabem que pessoas que sofreram abusos na infância carregam por toda vida os danos emocionais decorrentes do trauma. Mas queriam checar se o dano poderia chegar aos genes. O trabalho foi baseado na comparação de marcadores químicos presentes no DNA de 34 homens adultos que tinham sofrido diferentes tipos de abuso. Pesquisadores acreditam que esses marcadores – as ‘cicatrizes moleculares’ – poderão ser usados no futuro até mesmo como prova de que crianças sofreram abusos em casos policiais e judiciais.

As alterações constatadas no DNA são criadas por um processo chamado metilação. Segundo especialistas envolvidos no estudo, a melhor metáfora para entender esse processo é imaginar que ele funciona como uma espécie de interruptor do tipo ‘dimmer’ nos genes, determinando em que grau um gene em particular é ativado ou não. Esses mecanismos de ‘ligar’ e ‘desligar’ genes são estudados no campo conhecido como epigenética. Acredita-se que há uma forte influência de fatores externos, relacionados ao ambiente e às experiências de vida, na expressão genética.

De acordo com os especialistas, as pessoas expostas a abusos continuados apresentam uma liberação acima da média do hormônio cortisol, o chamado hormônio do estresse. Originalmente, o hormônio é liberado para induzir uma resposta imediata do organismo, conhecida como ‘lutar ou fugir’ – e foi muito útil aos nossos ancestrais para escapar de predadores por exemplo. O nível do cortisol cai imediatamente quando a situação de perigo se dissipa. No entanto, em casos de abusos continuados, a liberação excessiva do hormônio provoca as alterações genéticas – as metilações fora de padrão.

Os cientistas decidiram buscar por sinais de metilação em espermatozoides, na premissa de que o estresse na infância deixaria marcas genéticas no indivíduo que poderiam, inclusive, ser repassadas a seus descendentes, como já havia sido demonstrado em estudo com animais.

“Os resultados encontrados em camundongos foram assustadores”, contou a coautora do estudo, em entrevista ao Estado, Nicole Gladish, da Universidade British Columbia. “Filhotes de roedores submetidos a choques herdaram dos pais as marcas genéticas e apresentavam reações de medo quando achavam que seriam submetidos a uma descarga elétrica.”

Os pesquisadores encontraram uma diferença significativa na metilação de vítimas e não vítimas de abuso em 12 regiões dos genomas dos homens. Oito das regiões do DNA eram mais de 10% diferentes e uma região em particular mostrou uma diferenciação de 29%. O estudo não demonstra consequências físicas a longo prazo porque ainda não está claro como a metilação nessas regiões genéticas afeta a saúde dos indivíduos. O que se sabe até agora, segundo Nicole, é que as alterações afetaram genes ligados a função cerebral e ao sistema imunológico.

Os cientistas também não sabem se, no caso de humanos, as alterações sobreviveram ao processo de fertilização e seriam repassadas à geração seguinte, como ocorreu com os camundongos.

“Quando o espermatozoide encontra o óvulo, há um grande volume de rearrumação genética e muita da metilação é temporariamente apagada”, explicou, em comunicado, Andrea Roberts, de Harvard, co-autora do estudo. “Mas encontrar uma assinatura molecular no esperma nos leva um passo mais próximo de determinar se o abuso das crianças pode afetar até mesmo a saúde dos descendentes da vítima.”

A longo prazo, os marcadores genéticos poderiam servir até mesmo como prova em casos policiais. “A metilação começa a ser vista como uma ferramenta potencialmente útil em investigações criminais, por exemplo, ao oferecer aos investigadores dados como a idade aproximada de uma pessoa que deixou para trás alguma amostra de DNA”, lembrou o principal autor do estudo, Michael Kobor, geneticista e professor da British Columbia University. “É razoável que as correlações que encontramos entre a metilação e o abuso possam oferecer um porcentual de probabilidade de que o abuso possa, de fato, ter ocorrido.”

Limitações

Para a geneticista brasileira Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo, os resultados da pesquisa vêm “se somar a uma série de evidências obtidas nos últimos anos de que experiências que a gente vive causam modificações no nosso DNA”. “É um trabalho interessante, pela primeira vez mostra que há alteração no espermatozoide. Mas tem limitações, como ter avaliado um número pequeno de indivíduos. É uma primeira evidência, mas ainda não sabemos o que ela pode representar”, afirma Lygia.

Ela explica que quando o espermatozoide fecunda o óvulo, algumas dessas marcas epigenéticas no DNA costumam ser apagadas no embrião. “São necessárias mais pesquisas para sabermos se isso ocorre ou não nesse caso. Sabemos que o abuso infantil gera uma série de alterações psicológicas na pessoa que o sofreu e que isso é resultado das alterações epigenéticas que acontecem. Talvez isso não fique restrito à pessoa abusada e as marcas biológicas desse abuso sejam transmitidas à próxima geração, assim como se viu acontecer com camundongos. Mas esse estudo ainda não mostra que isso acontece, nem se isso permaneceria no embrião.”

Números

Estatísticas sobre o número de crianças que sofrem abuso no Brasil são muito deficientes. Não há uma base de dados centralizada. Os últimos números disponíveis do Disque Denúncia, por exemplo, revelam 16 mil relatos de violência sexual contra menores em 2016. Um outro dado do Sistema Único de Saúde mostra que 57% das vítimas de violência sexual que chegam aos hospitais têm entre 0 e 14 anos – um total de 13 mil pessoas. Especialistas acreditam que o número de casos deve ser muito maior. Nos Estados Unidos, por exemplo, são 6,6 milhões de registros por ano, segundo a Agência de Proteção à Infância.

Fonte: Estado de S. Paulo

O consenso a respeito do assunto

Após muitas décadas de psicologia ruim, o mundo moderno finalmente está descobrindo que a pornografia faz mal para as pessoas. A Igreja já dizia o mesmo faz tempo, mas só agora a cultura secular está compreendendo esta sombria verdade. Em um caso raro de consenso, maior parte dos estudiosos tem chegado à conclusão de que a pornografia distorce a visão das pessoas em relação ao outro sexo, atua como uma droga, cuja dependência geralmente piora com o tempo, e tem o potencial de arruinar relacionamentos.

Em resposta a esses dados, grupos das mais variadas áreas do espectro cultural têm oferecido argumentos para convencer os céticos, programas de autoajuda para romper com o mau hábito e até mesmo comunidades para as pessoas compartilharem seus esforços e ajudarem umas às outras. São inúmeros os recursos de qualidade disponíveis para o homem e a mulher que lutam contra o vício da pornografia, sendo muitos valiosos inclusive para quem não sofre com esse mau hábito, já que frequentemente esses materiais trazem insights profundos sobre a natureza humana e o modo de cultivar relacionamentos saudáveis.

Não obstante tudo isso, o problema da pornografia continua a fazer estrago, especialmente nos homens. Hoje, eles podem até dispor de mais recursos que os ajudem a lidar com o vício, mas, ao mesmo tempo, o acesso a conteúdo pornográfico se tornou muito mais fácil com a tecnologia. Podemos apresentar todos os argumentos convincentes para mostrar que a pornografia é algo ruim, mas a verdade é que as pessoas não sentem que seja assim, dado o fato de ela estar por toda parte. No fim das contas, como uma coisa pode ser tão ruim se tantos homens fazem e se é tão acessível?

Ainda que muitos argumentos contra a pornografia realmente ajudem algumas pessoas, a maior parte deles geralmente têm o efeito de varrer o assunto para debaixo do tapete. A vasta maioria dos homens, religiosos ou não, assiste a pornografia, mas guarda silêncio quanto a isso. Assim como as campanhas antitabagistas, campanhas contra a pornografia têm estigmatizado a prática, sem no entanto eliminá-la de fato. Um fumante agora, para dar uma tragada, precisa ir para o seu carro e ficar longe dos outros; o viciado em pornografia faz a mesma coisa.

O sintoma sutil da pornografia

Há uma diferença chave, no entanto, entre esse tipo de adicção e o vício em pornografia: os sintomas do primeiro aparecem e são difíceis de esconder. O fumante, o alcóolatra, o dependente químico tem um cheiro diferente, um aspecto diferente e se comporta diferentemente das outras pessoas. O viciado em pornografia, ao contrário, não parece em nada diferente dos outros, o que torna o seu problema difícil de detectar.

Parte disso também se deve ao fato de que são tantas as pessoas a sofrer com o vício em pornografia que os sintomas acabaram normalizados. Se todas as pessoas cheirassem a cigarro, ninguém iria realmente notar o odor. Quando tantos homens transformam as mulheres em objeto e têm problemas de intimidade, a maioria das pessoas simplesmente assume que isso faz parte de sua natureza.

Outra razão pela qual as pessoas têm dificuldades de detectar uma adicção — particularmente quem a tem — é que o principal sintoma se encerra no mais profundo da alma humana. Muitas discussões sobre castidade abordam os problemas externos como a química corporal, as mentiras contadas a quem se ama, o declive escorregadio para assistir a material mais pesado, a psiquê deformada, mas poucos mencionam o enorme impacto que a pornografia provoca em nosso espírito.

Muitos dirão que a pornografia emascula o homem, é verdade, mas o que isso significa? Significa que ela suga do homem o seu desejo pela excelência, a sua vontade de ser melhor, a sua busca por algo transcendente. Em termos práticos, o homem que assiste a pornografia não vai querer se sair bem na escola ou no trabalho, não vai procurar melhorar a sua saúde e a sua força física, não vai querer ler e trabalhar a sua mente, não fará muito caso de suas amizades e relacionamentos e terá poucos objetivos pessoais (se os tiver). Em suma, ele ficará paralisado.

Em sua Introdução à Vida Devota, São Francisco de Sales chama o homem de “o sexo mais vigoroso”, mas a pornografia reverteu essa realidade. Os homens abandonaram seus papéis como provedores e protetores, deixando-os serem assumidos pelas mulheres. Antes, eles dominavam o ambiente acadêmico e definiam a cultura e as tradições; agora, as mulheres se graduam em maior número e a cultura geral se encontra feminizada [1].

Os homens disciplinavam a si mesmos e os seus filhos; hoje, pouquíssimas pessoas sequer conhecem o significado de disciplina. Os homens costumavam passar tempo juntos e formar grandes amizades; agora, eles vivem desiludidos e isolados. Os homens costumavam rezar, ler e escrever; agora, eles “vegetam” em frente a uma tela (de TV, de computador ou de celular). O homem foi criado, enfim, para a grandeza, para a magnanimidade, mas agora, na maioria das vezes, o que ele faz é simplesmente chafurdar na mediocridade.

Rompendo com o mau hábito

Por debilitar o espírito humano, a própria fonte do desejo de adquirir a virtude e eliminar o vício, o hábito de assistir a pornografia é incrivelmente difícil de vencer. A superação de qualquer vício requer uma vontade determinada e a ajuda dos outros, mas a pornografia elimina as duas coisas tornando o homem, de modo secreto, fraco e desmotivado.

Não se trata, porém, de algo impossível. Um homem pode romper com isso se tomar medidas sérias para tanto. Isso significa que ele deve, em primeiro lugar, evitar todas as ocasiões de pecado — qualquer coisa que tenha uma tela e acesso a Internet. Programas de TV e filmes com conteúdo picante, bem como quaisquer revistas ou outros meios com imagens impróprias. Talvez seja necessário livrar-se do próprio smartphone e usar um computador somente para fins profissionais. Se for o caso, assim seja! Uma medida como essa também ajuda a tornar as pessoas ao redor responsáveis por essa mudança.

Eliminar todas essas coisas não vai necessariamente prevenir recaídas, mas elas diminuirão e o terreno estará preparado para uma desintoxicação. Levará um bom tempo, é certo, para as imagens que foram armazenadas na memória irem embora. A ociosidade tende a propiciar que essas imagens venham à tona, pelo que ter umhobby ou dedicar-se a uma atividade também constituem peças chave para frear esses impulsos.

Finalmente, é preciso rezar com frequência. Nada melhor para apagar a chama da luxúria que lembrar a Natividade de Nosso Senhor, a suave humildade de Nossa Senhora ou a Paixão de Cristo. A graça de Deus dará forças a qualquer um que esteja em busca de purificação. Outra boa prática, muito recomendada, é dizer três Ave-Marias ao dormir e ao acordar, todos os dias.

Com o tempo e com muito esforço, a adicção pode e deve diminuir. Mesmo aqueles que duvidavam perceberão a mudança. À medida em que vai perdendo, então, esse compulsivo desejo de olhar porcarias, o homem vai ganhando uma clareza de mente e um controle até então desconhecidos, os quais o ajudarão a crescer e a encontrar felicidade. Ele perceberá, em suma, qual a sua verdadeira natureza e entrará no caminho para ser aquilo para o qual desde sempre foi criado: um homem de Deus!

Notas

  1. Entendam-se corretamente as palavras do autor. Não se trata de uma crítica à ação das mulheres na sociedade contemporânea, mas à omissão dos homens. Assim como uma família, para crescer bem, demanda a complementaridade dos sexos, a ausência da presença masculina na sociedade também deixa muitos aspectos a desejar. Para um melhor conhecimento a respeito do papel da mulher no lar e no convívio social, leia-se o documento, do Papa São João Paulo II, Mulieris Dignitatem

Fonte Original do artigo: AQUI

Este é um problema difícil de ser reconhecido por quem passa por ele. A relação entre um homem com sua mãe é importante para a construção da identidade e dos relacionamentos com os outros. Portanto, a sombra de uma mãe controladora pode ter sérias implicações quando o adulto quiser alcançar sua independência e felicidade. 

Geralmente, os filhos adultos de mães controladoras vivem em uma esfera de silêncio e em contínuas contradições. Isso se deve, principalmente, ao peso de nossa cultura à ideia segundo a qual as crianças são obrigadas a silenciarem suas emoções para parecem fortes. 

No fim das contas, ser criado e conviver com uma pessoa emocionalmente indisponível, com o clássico resplendor do egoísmo, cheia de queixas e com muita necessidade de controle pode deixar sequelas graves. Vejamos algumas delas: 

  • uso recorrente da mentira e da negação. O filho que cresceu sob a influência de uma mãe controladora não teve tempo de construir uma identidade própria, autêntica e forte. Deste modo, uma mecanismo de sobrevivência muito comum a estes homens é a mentira. A mentira serve, para ele, como proteção, para esconder suas emoções e sobreviver a duras penas em qualquer contexto;
  • contenção emocional. Os filhos adultos de mães controladoras vivem se anulando emocionalmente. Ao suprimir, desde o início, a energia emocional da criança para colocar ela própria como prioridade, a mãe faz com que a criança pense que mostrar sentimentos pode ser vergonhoso e perigoso;
  • hostilidade. Uma mãe controladora gera sempre um apego inseguro. Se, neste vínculo mãe-filho, a criança não foi valorizada, é possível que, quando adulto, desenvolva comportamentos agressivos ou hostis. Deste modo, o homem que cresceu nesta dinâmica pode demonstrar reações superdimensionadas em certas ocasiões. É quando se evidenciam a falta de controle e a tendência a manifestar a própria raiva;
  • Relacionamentos frustrados. As mães controladoras consideram que seus filhos são propriedades delas. Esse vínculo tóxico tem graves implicações no desenvolvimento afetivo do menino, no seu amadurecimento psicológico, na sua independência e na sua capacidade de tomar decisões. Uma consequência evidente é a clara dificuldade para estabelecer intimidade e conexão emocional autêntica com a futura esposa. 

Conclusão: é importante ter presente que o amor verdadeiro busca o bem-estar da pessoa amada, principalmente quando se trata do próprio filho. Educar no amor e na liberdade é algo essencial, que começa a se desenvolver em casa, já nos primeiros meses de vida. 

Autor do artigo Javier Fiz Pérez

Muitos se deixam dominar pelo instinto sexual por julgá-lo irresistível ou porque desconhecem a força da própria vontade. Outros, pela persuasão errônea de que a resistência pode acarretar enfermidades ou que seguir tal instinto é prova de virilidade. Muitíssimos, porque esperam encontrar nesta satisfação a felicidade a que todos almejamos. Há também aqueles que maldizem o instinto sexual, esquecendo que ele é bom e que Deus o criou com uma finalidade própria. Não aceitam que o pecado original tornou esse instinto desregrado, e que devemos, pela graça e pelo esforço, colocá-lo em seu devido lugar.

1º. Antes de tudo, se dominavam idéias errôneas neste ponto, é preciso corrigi-las lendo algum livro de educação sexual sadio e aprovado pela Igreja.

2º – Para fazer contrapeso ao influxo inconsciente da afetividade do deleite, procuraremos arraigar afetividades e tendências contrárias, acostumando o corpo ao trabalho, à vida dura, a à mortificação e à dor (dignificadas pela fé) e afastando-o da comodidade e do prazer. Os esportes sadios e varonis ajudam bastante.

Um jovem de família rica confessou-me que lhe parecia impossível a castidade quando vivia em sua casa rodeado de comodidades e de presentes. Quando esteve em uma ocasião com muitas privações e trabalhos nunca teve tentação carnal.

3º – Devemos evitar pessoas, objetos, leituras, conversas e espetáculos que tragam associações de imagens ou tendências menos puras.  Querer a castidade com esses incitamentos é pretender caminhar sem cair por terrenos inclinados e escorregadios. É preciso evitar que se suscitem tais incitamentos por objetos proibidos.

4º – Quando aparecerem as tendências más ou pensamentos, resistir logo no primeiro momento “quando ainda são fracas”, contrapondo-lhes outras imagens (sensações conscientes, concentrações voluntárias, atos que ocupem a atenção) e outras tendências, por exemplo, querer evitar o inferno, ganhar o céu, querer dar gosto a Jesus Cristo, salvar almas, etc.

Um jovem muito casto e virtuoso ao encontrar-se com amigas ou parentes, via-se logo perturbado e assaltado por pensamentos impuros sem saber como evita-los. Bastou-nos aconselhar-lhe que associasse conscientemente outras imagens à idéia de mulher, por exemplo, à excelência da mãe que dá filhos para o céu, o Espírito Santo que mora nela pela graça, a sublimidade da Virgem Mãe de Deus etc. [para os homens com AMS vale o mesmo conselho: excelência do pai que dá filhos para o céu, o Espírito Santo que mora nele pela graça, a sublimidade de São José]. Poucos dias depois, voltou para agradecer-nos. Esta nova associação de idéias induzida voluntariamente havia acabado com as outras subconscientes e instintivas e sentia-se agora tranquilo e feliz.

5º – Para resistir melhor, evitemos colocar-nos em estado de inferioridade psíquica (alcoolismo, romantismo afetivo, sonolência, divagação cerebral). Neste estado, ficam soltas a imaginação e a afetividade subconsciente e como que adormecidas a vontade e a razão. Permanece todo o homem entregue à mercê do primeiro impulso. Este brotará fácil e violentamente, sobretudo se se juntou a tudo isso uma posição excessivamente cômoda que, por associação inconsciente do sentido do tato, desperta os baixos instintos. Teremos, ainda assim, poder para resistir e por isso seremos responsáveis pelo ato, mas… o atacante é forte e o defensor não está em guarda.

O Santo Cura de Ars fugia da sensação de comodidade como quem foge do fogo.

6º – Não encaremos esta luta heróica de um modo negativo: “Não se pode fazer isto; é preciso evitar aquilo”, mas sim de forma positiva: como um sacrifício que generosamente oferecemos a nosso Deus Crucificado, para amá-lo, agradá-lo, obedecer-lhe e imitá-lo. Esta luta positiva alegra e anima; a negativa deprime.

7º – Motivemos devidamente e elevemos à sua excelsa dignidade este instinto. Por ele quer Deus fazer depender do homem Seu poder de criar almas imortais e quer que isto se faça na entrega total de um ser para outro ser com o qual se completa e faz feliz por um amor desinteressado. Esta entrega a outra pessoa que vai completa-la e satisfazê-la emocionalmente é uma concretização aqui sobre a terra, da união íntima, espiritual e sublime com o Deus de infinito Amor e com felicidade divina que Ele nos prepara no céu. Por isto deu à união conjugal o caráter sagrado pelo sacramento do Matrimônio. Querer a satisfação sexual, excluído a finalidade dela, é burlar a intenção de Deus, nosso Pai e frustrar Seus planos divinos.

8º – Contra as idéias motoras que impelem à realização do ato, opor o sentimento de que podemos evita-lo, por exemplo: mando a meus pés que não vão àquele lugar, ou a minhas mãos que estejam cruzadas sobre o peito por um tempo determinado, para fortalecer meu caráter, para agradar a Nosso Senhor, para merecer o Céu (não diga “para evitar o pecado” pois tal evocação despertaria as idéias e impulsos que tratamos de dominar). Estes atos assim concretizados sentir-se-ão como possíveis e a vontade poderá querê-los.

9º – Uma vez feito tudo o que podíamos, dada a dificuldade especial desta matéria, resta-nos ainda recorrer a Deus para conseguir forças sobrenaturais pela oração, pela confissão e pela comunhão. Esta graça pedida com humildade, confiança e perseverança nunca nos será negada. A experiência de muitos séculos em todas as raças e homens de toda condição intelectual e social demonstra que estes meios sobrenaturais vencem a dificuldade especial de guardar a castidade.

[extraído do livro Controle Cerebral e Emocional, do Padre Narciso Irala] via Courage

A genética não explica tudo

A maioria dos homossexuais tem o sentimento de ter nascido assim, enquanto outros não o aceitam e percebem que sua homossexualidade talvez advenha de um fracasso no acesso à heterossexualidade. Outros ainda vivem por meio da homossexualidade uma experiência provisória no desenvolvimento de sua sexualidade a fim de se reassegurar com relação a si mesmos. E há também aqueles em quem ela pode se manifestar tardiamente na vida, depois de recalcamentos e de ter conhecido uma sexualidade heterossexual. Observam-se igualmente indivíduos que podem alternar entre uma e outra em função de eventos de sua existência.

A homossexualidade pode assim se mostrar como uma forma de organização da personalidade que recorre a realidades psíquicas vividas por cada pessoa durante a infância e a adolescência, como a não-diferenciação, o narcisismo, a idealização da própria imagem corporal, a identificação com o genitor do mesmo sexo, etc. Freud mostrou que algumas expressões homossexuais eram a manifestação de um conflito inconsciente que a pessoa tentava resolver ou do qual procurava se defender por meio dessa solução.

A psicanálise situa o problema da origem da homossexualidade, dessa maneira, em outro plano, e o próprio Freud considerou sem interesse o dilema entre o inato e o adquirido. Ele evidenciou a relativa autonomia da vida psíquica em sua interação com a vida biológica e com o ambiente. Por conseguinte, acentuou mais a importância dos fatores internos que levam o indivíduo a a se organizar em função das tarefas psíquicas que ele deve organizar a partir da infância. São esses fatores que favorecem ou não as diferentes operações de integração sexual, operações que, quando não realizadas, fazem a libido fixar-se no próprio indivíduo, que toma a si mesmo como objeto através dos outros.

A tese do caráter inato da homossexualidade é muito antiga, e não pôde ser provada, mesmo que hoje se deseje sustentar sua origem orgânica por meio de um discurso genético ou neurobiológico.Como se poderiam explicar comportamentos homossexuais transitórios ou reacionais se a homossexualidade fosse inata? Como explicar que indivíduos se liberem de práticas homossexuais depois de uma psicoterapia e se tornem capazes de viver de outra maneira se essa tendência estivesse inscrita em sua estrutura genética? Voltemos mais uma vez a essa questão.

A maioria dos cientistas não conclui pela causa neurobiológica exclusiva para justificar a orientação sexual, nem pela causa unicamente genética para explicar os comportamentos humanos decorrentes de outras realidades (psicológicas, sociais etc.).

Uma corrente filosófica que insiste nos determinismos genéticos segue essa direção na América do Norte. A partir de experiências de laboratório, perquisadores tentam provar a existência dos “genes” da violência, da homossexualidade, da delinquência, do alcoolismo, havendo mesmo os que desejam explicar esta ou aquela tendência a partir da forma do crânio ou da dimensão da hipófise. Esse desvio é inquietante, porque a descoberta de um gene que predispõe, por exemplo, a uma tendência ou a uma patologia não significa que ela vá se manifestar.

O gene não age sozinho. O ambiente, a educação, os eventos que marcam uma existência, a maneira como o sujeito resolve ou não seus conflitos de base para elaborar sua personalidade são fatores que contribuirão para a orientação da personalidade.Porém, sobretudo, se se conseguirem isolar os aspectos genéticos de predisposições hipotéticas da sexualidade (o que não se sabe fazer hoje), não é um gene, mas dez, trinta, oitenta ou mais de cem que é preciso considerar potenciais, não determinismos a partir dos quais o indivíduo deva necessariamente se desenvolver.

A genética não dá conta de tudo, e os genes, repitamo-lo, não determinam o destino dos indivíduos. Ao querer crer nessa tese mecanicista da psicologia humana a partir de uma visão parcial e sobremodo reduzida, deixa-se de lado a complexidade da organização humana e a originalidade de seu funcionamento. Nesse caso, a pessoa humana é concebida como simples montagem celular e como o produto das reações químicas dessa montagem.

Assim, conclusões simplistas e apressadas são lançadas à opinião pública, e não correspondem nem às conclusões dos cientistas, nem, menos ainda, à problemática genética. Essas falsas esperanças científicas acalentam uma visão da vida humana que dependeria de um ‘fatum’ que poderia ser alterado graças a manipulações genéticas, e quem sabe à terapia gênica, e que não incidiria sobre patologias identificáveis mas sobre a organização da personalidade, ou ainda sobre suas tendências sexuais. Como é concebível tal perspectiva? ‘O problema é que não se sabe quase nada dos mecanismos bioquímicos dos problemas psíquicos. Dispomos apenas de hipóteses que seria desonesto fazer passar por certezas. Mesmo quando se identificarem receptores envolvidos nesta ou naquela patologia, não se diz que se encontrará a prótese química capaz de suprir uma eventual deficiência. Os ansiolíticos não agem sobre um centro hipotético de ansiedade, se é que tal centro existe. Cometeu-se o erro de alinhar a psiquiatria à medicina somática. O cérebro é um órgão dotado de grande complexidade que funciona de maneira global e dispõe de uma extraordinária plasticidade. Não podemos, ao contrário do que ocorre em outras disciplinas médicas, identificar as lesões, repertoriar e quantificar os sintomas que elas ocasionam e propor um tratamento curativo ou preventivo.

A necessidade de dizer que se nasce homossexual e de procurar prová-lo com o argumento genético é no mínimo discutível. Não seria uma maneira de esvaziar toda a dimensão psicológica da sexualidade?

Trecho do livro do Padre Tony Anatrella, “A diferença interdita – sexualidade, educação, violência”

* Sinopse do livro: Nunca nossa sociedade reivindicou tão vigorosamente para seus membros o direito à diferença: diferença de gostos, de culturas e valores, diferença de gostos, de culturas e valores, diferenças de escolhas de vida, de maneiras de amar, de modelos de família… Contudo, nunca o acesso a uma verdadeira diferença foi tão difícil. Vivemos na esteira das aspirações fusionais de Maio de 1968. Recusa da função do Pai, enfraquecimento da relação educativa, interioridade em crise, retorno dos terrores primitivos, são numerosos os sintomas daquilo que fabrica aos poucos uma sociedade indiferenciada em que os papéis e os espaços se confundem. O adulto faz às vezes da criança, a figura paterna desaparece por trás da figura da mãe, a violência se banaliza, a intimidade está na praça.