Quantas vezes já ouvimos dizer que é antinatural e inclusive perigoso “reprimir os impulsos sexuais “?

S. Lewis, homem de mente excepcional, esclareceu algo que é importante entender:

Quando você diz “não” e coloca limites a outros e a si mesmo; quando, por um conjunto de princípios, você escolhe rejeitar alguns dos desejos ou impulsos da sua própria natureza, não está em perigo de criar uma repressão, como se você fosse uma panela de pressão que está prestes a explodir.

O autor explica que você está apenas aprendendo a controlar sua “natureza” (no sentido do desejo natural), para poder orientar e dirigir todas as suas forças e energias a um só objetivo: amar e ser amado de verdade e para sempre.
 
O que Lewis diz sobre essa ideia de “repressão” que as pessoas repetem por aí?
 
“As pessoas muitas vezes não entendem o que a psicologia quer dizer com ‘repressão’.  Ela nos ensinou que o sexo ‘reprimido’ é perigoso. Nesse caso, porém, ‘reprimido’ é um termo técnico: não significa ‘suprimido’ no sentido de ‘negado’ ou ‘proibido’. Um desejo ou pensamento reprimido é o que foi jogado para o fundo do subconsciente (em geral na infância) e só pode surgir na mente de forma disfarçada ou irreconhecível. Ao paciente, a sexualidade reprimida não parece nem mesmo ter relação com a sexualidade.
 
Quando um adolescente ou um adulto se empenha em resistir a um desejo consciente, não está lidando com a repressão nem corre o risco de a estar criando. Pelo contrário, os que tentam seriamente ser castos têm mais consciência de sua sexualidade e logo passam a conhecê-la melhor que qualquer outra pessoa.
 
A virtude – mesmo o esforço para alcançá-la – traz a luz; a libertinagem traz apenas brumas.” (“Cristianismo puro e simples”, Livro III, 5)
 
Dizer “não”, estabelecer limites claros, aprender a dominar seus impulsos, não é repressão, em absoluto.
 
Um exemplo pode nos ajudar a entender melhor todo este tema.
 
Seria “repressão” dominar um cavalo selvagem, colocar-lhe rédeas, para fazer dele um campeão nas corridas, saltos, e um fiel companheiro? Seria repressão colocar rédeas em sua própria natureza quando ela lhe pede para seguir seus impulsos?
 
Não dominar seus impulsos só o levará a arruinar sua vida e a de outros. O domínio pessoal, no entanto, levará você às grandes vitórias. Não vemos isso em tantos atletas que “se reprimem” para alcançar seus objetivos mais nobres?

Fonte: Opcion V

Não basta ter o sacramento, é preciso vivê-lo e colocá-lo em prática. Homem e mulher se unem sexualmente como uma celebração do amor entre eles, como uma coroação do amor expresso na vida, em companheirismo, em assumir, defender e tomar partido do que a outra pessoa está passando. A primeira palavra a tratarmos é celebração. Sim, o ato sexual dos cônjuges é a hora do júbilo por todo amor experimentado e proporcionado ao amado. Deve ser um momento de contentamento um com o outro, de felicidade, porque se pode contar com alguém que esteve ao seu lado e, principalmente, porque há alguém amado a quem você pode se doar.

A união conjugal tem de ser esse acontecimento de festejo pela amizade – a melhor amizade do mundo, diga-se de passagem – de um para com o outro, e não uma festa exterior, como nos moldes das comemorações visíveis, mas no coração dos esposos, que exultam de alegria, porque estão juntos no que já aconteceu e em tudo o que vier. É uma festa íntima.

Logo em seguida, vem a palavra cumplicidade. Essa palavra se aplica quando decidimos fazer parte da felicidade do outro e fazer de tudo para que ela aconteça. Quando se é mais que parceiro, mas um apoiador, aliado ativo, participante do que é projeto do outro e, porque não dizer, ser o melhor amigo.

E, por último, a palavra é reciprocidade. Ou seja, quando percebemos que o outro também está envolvido da mesma forma com a nossa felicidade. Se somente um dos cônjuges entender e estiver investindo na cumplicidade, em amar seu cônjuge, ainda não haverá tanta reciprocidade. É preciso haver participação mútua na vida do outro.

Na Palavra de Deus, quando Ele criou ambos, homem e mulher, Ele nos fez como um “auxílio” um para o outro. A esse respeito, vai dizer São João Paulo II: “o conceito de ‘auxílio’ exprime, também, essa reciprocidade na existência”

Entendemos, portanto, que, desde as pequenas coisas do dia a dia, como os afazeres do casal, a divisão de tarefas e os papéis de cada um, quando o casal se ajuda, quando ambos são solícitos um ao outro, quando demonstram interesse no par e, principalmente, quando ambos aprendem a encontrar satisfação pessoal em servir o amado, em fazer bem ao outro, a união íntima de marido e mulher se torna muito mais satisfatória. É a festa da amizade recíproca.

Trecho extraído do livro “Ato Conjugal – Beleza e transcendência”

(Via Canção Nova)

A abordagem não é religiosa no sentido estrito do termo mas antropológica e sociológica.

Essa percepção não prejudica em hipótese nenhuma a reflexão, tem como pano de fundo a visão católica do homem e o questionamento da influência  nefasta do feminismo no esvaziamento da virilidade masculina ( Não confundir virilidade com machismo, uma deformação dessa virilidade)

O Assunto é pertinente nestes dias de questionamento por parte de certas ideologias da natureza masculina e feminina e da inaceitável defesa da “ideologia do gênero” cada vez mais presente na sociedade. 

***

Por Roger Scruton
Traduzido por Andrea Patrícia

As feministas têm batido na mesma tecla em relação à posição das mulheres nas sociedades modernas. Mas e sobre os homens?

As mudanças radicais nos hábitos sexuais, padrões de trabalho e vida doméstica, viraram sua vida de cabeça para baixo. Os homens agora não encontram as mulheres como “sexo frágil”, mas como concorrentes de igualdade na esfera pública, a esfera onde os homens costumavam comandar. E na esfera privada, onde uma antiga divisão do trabalho dava orientação para aqueles que cruzassem seu limite, não há conhecimento sobre qual estratégia será a mais eficaz.

Gestos viris – abrir uma porta para uma mulher, ajudá-la num automóvel, carregar suas malas – podem desencadear rejeição ultrajante; mostra de riqueza, poder ou influência pode parecer ridícula para uma mulher que tem até mais do que ele; e o desaparecimento da modéstia feminina e da contenção sexual tornou difícil para um homem acreditar, quando uma mulher recua aos seus avanços, que ela faz isso como uma homenagem especial ao seu ‘poder’ masculino, ao invés de uma transação do dia-a-dia, em que ele, como a última, é dispensável.

A revolução sexual não é a única causa da confusão dos homens. Mudanças sociais, políticas e legais têm diminuído a esfera masculina até o ponto do desaparecimento,redefinindo toda a atividade em que os homens um dia provaram que eram indispensáveis, de modo que agora as mulheres podem fazer o trabalho também, ou pelo menos parecem fazê-lo.

As feministas têm farejado o orgulho masculino onde quer que ele tenha crescido e o arrancado impiedosamente. Sob pressão, a cultura moderna tem diminuído ou rejeitado tais virtudes masculinas como a coragem, tenacidade e bravura militar em favor dos hábitos mais suaves, mais “socialmente inclusivos”.

O advento da fertilização in vitro e a promessa de clonagem criam a impressão de que os homens não são nem mesmo necessários para a reprodução humana, enquanto o crescimento das famílias monoparentais – nas quais a mãe é o único adulto, e o Estado é muitas vezes o único provedor – fez com que a infância órfã de pai se tornasse uma opção cada vez mais comum.

Essas mudanças ameaçam fazer da masculinidade algo desnecessário, e agora muitas crianças já crescem sem reconhecer nenhuma fonte de amor, autoridade ou de orientação além da mãe, cujos homens vêm e vão como trabalhadores sazonais, vagando pelo reino matriarcal, sem perspectiva de uma posição permanente.

A infelicidade dos homens decorre diretamente do colapso de seu antigo papel social como protetores e provedores. Para as feministas, este antigo papel social era uma maneira de confinar as mulheres à família, onde elas não concorreriam pelos benefícios disponíveis lá fora. Sua destruição, elas afirmam, é, portanto, uma libertação não só das mulheres, mas dos homens, também, que agora podem escolher se querem afirmar-se na esfera pública, ou se, pelo contrário, querem ficar em casa com o bebê (que pode muito bem ser bebê de outro alguém). Esta é a idéia central do feminismo, que “os papéis de gênero” não são naturais, mas culturais, e que mudando tais papéis podemos derrubar velhas estruturas de poder e conseguir formas novas e mais criativas de ser.

O ponto de vista feminista é a ortodoxia em toda a academia norte-americana, e ele é a premissa de todo o pensamento jurídico e político entre a elite esquerdista, cujos dissidentes que se opõem colocam em perigo sua reputação ou carreiras. No entanto, uma onda de resistência a ela está ganhando força entre os antropólogos e sociobiólogos.

Típico é Lionel Tiger, que há três décadas inventou o termo “vínculo masculino” para designar algo que todos os homens precisam, e que poucos agora têm. Não foi uma convenção social que ditou o papel tradicional do homem e da mulher, Tiger sugere; em vez disso, os milhões de anos de evolução que formaram a nossa espécie fizeram-nos o que somos. Você pode fazer os homens fingirem ser menos dominantes e menos agressivos, você pode fazer com que eles finjam aceitar um papel submisso na vida doméstica e uma posição de dependência na sociedade. Mas, no fundo, no fluxo da vida instintiva que é a masculinidade em si, eles irão revoltar-se. A infelicidade dos homens, Tiger argumenta, vem deste profundo e inconfessado conflito entre faz-de-conta social e necessidade sexual. E quando a masculinidade finalmente explodir – como inevitavelmente acontecerá – será em formas distorcidas e perigosas, como as gangues de criminosos da cidade moderna ou a misoginia arrogante do malandro urbano.

Tiger vê o sexo como um fenômeno biológico, cuja profunda explicação reside na teoria da seleção sexual. Cada um de nós, ele acredita, age em obediência a uma estratégia integrada em nossos genes, que procuram a sua própria perpetuidade através do nosso comportamento sexual. Os genes de uma mulher, que é vulnerável no trabalho de parto e necessita de apoio durante os anos da educação infantil, chamam um companheiro que irá protegê-la e sua prole. Os genes de um homem exigem uma garantia de que as crianças que provê são suas, senão todo o seu trabalho é (do ponto de vista dos genes) desperdiçado. Assim, a própria natureza, trabalhando através de nossos genes, decreta uma divisão de papéis entre os sexos. Predispõe os homens para lutar por território, para proteger suas mulheres, para afastar rivais, e lutar por status e reconhecimento no mundo público – o mundo onde os homens combatem. Isso predispõe as mulheres a serem fiéis, privadas e dedicadas ao lar. Ambas as disposições envolvem o trabalho em longo prazo de estratégias genéticas – estratégias que não cabe a nós a mudar, já que somos o efeito e não a causa delas.

As feministas, obviamente, não terão nada disso. A Biologia pode certamente atribuir-nos um sexo, na forma deste ou daquele órgão. Mas muito mais importante do nosso sexo, elas dizem, é o nosso “gênero” – e gênero é uma construção cultural, não um fato biológico.

O termo “gênero” vem da gramática, onde é usado para distinguir os substantivos masculinos dos femininos. Ao importá-lo para a discussão do sexo, as feministas indicam que nossos papéis sexuais são fabricados e, portanto, maleáveis como a sintaxe. O gênero inclui os rituais, hábitos e imagens através dos quais nós representamos a nós mesmos aos outros como seres sexuais. Não se trata de sexo, mas da consciência do sexo. Até aqui, dizem as feministas, a “identidade de gênero” das mulheres é algo que os homens impuseram sobre elas. Chegou a hora das mulheres forjarem sua própria identidade de gênero, para refazer a sua sexualidade como uma esfera de liberdade, em vez de uma esfera de escravidão.

Levado ao extremo – e o feminismo leva tudo ao extremo – a teoria reduz o sexo a uma mera aparência, com o gênero como realidade. Se, depois de ter forjado sua verdadeira identidade de gênero, você encontra-se alojado no tipo errado do corpo, então é o corpo que tem de mudar. Se você acredita ser uma mulher, então você é uma mulher, não obstante o fato de você ter o corpo de um homem. Daí que os médicos, em vez de observar as operações de mudança de sexo como uma violação grosseira do corpo e, na verdade uma espécie de agressão, agora as homologa e, na Inglaterra, o Serviço Nacional de Saúde paga por elas. Gênero, na concepção radical que as feministas tem disso, começa a soar como uma perigosa fantasia, um pouco como as teorias de genética de Lysenko, o biólogo preferido de Stalin, que argumentou que características adquiridas poderiam ser herdadas, por isso o homem poderia moldar sua própria natureza, com plasticidade quase infinita. Talvez devamos substituir a velha pergunta que James Thurber colocou diante de nós no início da revolução sexual com um equivalente novo: não “O Sexo é Necessário?”, mas “O Gênero é possível?”

Em certa medida, no entanto, as feministas têm razão em distinguir sexo de gênero e dar a entender que somos livres para rever as nossas imagens do masculino e do feminino. Afinal, o argumento dos sociobiólogos descreve com precisão as semelhanças entre as pessoas e os macacos, mas ignora as diferenças. Animais na selva são escravos de seus genes. Os seres humanos na sociedade não são. Toda a questão da cultura é que ela nos faz algo mais do que criaturas de simples biologia e nos coloca no caminho para a auto-realização. Onde na sociobiologia está o ser, suas escolhas e sua realização? Certamente os sociobiólogos estão errados ao pensar que os nossos genes por si só determinam os papéis sexuais tradicionais.

Mas, assim como certamente as feministas estão erradas ao acreditar que estamos completamente livres da nossa natureza biológica e que os papéis sexuais tradicionais surgiram apenas a partir de uma luta social pelo poder em que os homens saíram vitoriosos e as mulheres foram escravizadas. Os papéis tradicionais existem, a fim de humanizar nossos genes e também para controlá-los. O masculino e o feminino eram ideais, através dos quais o animal foi transfigurado no pessoal. A moralidade sexual foi uma tentativa de transformar uma necessidade genética em uma relação pessoal. Ela já existia justamente para impedir os homens de dispersar suas sementes pela tribo, e para evitar que as mulheres aceitassem a riqueza e o poder, ao invés do amor, como o sinal para a reprodução. Foi a resposta cooperativa a um desejo profundo, tanto do homem quanto da mulher, para a “parceria”, que vai tornar a vida significativa.

Em outras palavras, homens e mulheres não são apenas organismos biológicos. Eles também são seres morais. A Biologia estabelece limites para o nosso comportamento, mas não determina isso. A arena formada por nossos instintos apenas define as possibilidades entre as quais temos de escolher se queremos ganhar o respeito, aceitação e amor um do outro.

Homens e mulheres moldaram-se não apenas com a finalidade de reprodução, mas a fim de trazer dignidade e bondade para as relações entre eles. Com esta finalidade, eles têm criado e recriado o masculino e o feminino, desde que eles perceberam que as relações entre os sexos devem ser concretizadas por meio de negociação e consenso, e não pela força. A diferença entre a moral tradicional e feminismo moderno é que a primeira pretende reforçar e humanizar a diferença entre os sexos, enquanto o segundo quer reduzir ou até mesmo aniquilá-la. Nesse sentido, o feminismo é realmente contra a natureza.

No entanto, ao mesmo tempo, o feminismo parece ser uma resposta inevitável para o colapso da moralidade sexual tradicional. As pessoas aceitam prontamente os papéis tradicionais quando a honra e a decência os sustentam. Mas por que as mulheres devem confiar nos homens, já que os homens são tão rápidos em descartar as suas obrigações? O casamento foi um dia permanente e seguro; ele oferecia a mulher status social e de proteção, muito tempo depois que ela deixasse de ser sexualmente atraente. E forneceu uma esfera na qual ela era dominante. O sacrifício que o casamento permanente exigiu dos homens tornou tolerável para mulheres o monopólio masculino sobre a esfera pública, na qual os homens competiam por dinheiro e recompensas sociais. Os dois sexos respeitavam o território do outro e reconheciam que cada um deve renunciar a algo para benefício mútuo. Agora que os homens, na esteira da revolução sexual se sentem livre para ser polígamo em série, as mulheres não têm mais um território seguro próprio. Elas não têm escolha, portanto, senão captar o que elas podem do território que um dia foi monopolizado pelos homens.

Foi uma das grandes descobertas da civilização a de que os homens não ganham a aceitação das mulheres pela exibição impetuosa de sua masculinidade em gestos agressivos e violentos. Mas eles ganham aceitação sendo cavalheiros. O cavalheiro não era uma pessoa com o gênero feminino e o sexo masculino. Ele era inteiramente um homem. Mas ele também era gentil em todos os sentidos desta palavra brilhante. Ele não era agressivo, mas corajoso, não possessivo, mas protetor, não agressivo com outros homens, mas ousado, calmo, e pronto para concordar com os termos. Ele era animado por um senso de honra, que significava assumir a responsabilidade por suas ações e proteger aqueles que dependiam dele. E o seu atributo mais importante era a lealdade, o que implicava que ele não iria negar as suas obrigações apenas porque ele estava em posição de lucrar com isso. Grande parte da raiva das mulheres com relação aos homens surgiu porque o ideal do cavalheiro está agora tão perto da extinção. O entretenimento popular tem apenas uma imagem da masculinidade para apresentar aos jovens: e é uma imagem de agressividade desenfreada, na qual armas automáticas desempenham um papel importante e em que a gentileza, sob qualquer forma aparece como uma fraqueza e não como uma força. Até que ponto isso é distante daqueles épicos do amor cortês, que colocaram em marcha uma tentativa européia de resgatar a masculinidade da biologia e remodelá-la como uma idéia moral, não precisa de elaboração.

Não foram apenas a classes superiores, que idealizaram a relação entre os sexos ou moralizaram seus papéis sociais. Na comunidade da classe trabalhadora a partir da qual a família de meu pai veio, a velha reciprocidade era parte da rotina da vida doméstica, encapsulada em mostras de reconhecida força masculina e feminina. Um desses era o ritual do envelope de salário da sexta-feira. Meu avô chegava em casa e colocava na mesa da cozinha o envelope fechado contendo o seu salário. Minha avó pegava o envelope e o esvaziava passando o conteúdo para sua carteira, devolvendo para meu avô duas moedas para ele beber. Meu avô, então, ir ao bar e bebia em um estado de auto-afirmação orgulhosa entre seus pares. Se as mulheres chegassem ao bar elas permaneciam na porta, comunicando-se através de um mensageiro com as salas cheias de fumo no interior, mas respeitando o limiar dessa arena masculina, como se fosse guardada por anjos.

O gesto do meu avô, quando ele colocava o envelope com o salário na mesa da cozinha, estava imbuído de uma graça peculiar: era um reconhecimento da importância da minha avó como uma mulher, do seu direito à sua consideração e do seu valor como mãe de suas crianças. Da mesma forma, a sua espera fora do bar até o momento final, quando ele estaria demasiado inconsciente para sofrer esta humilhação, antes de transportá-lo para casa num carrinho de mão, era um gesto repleto de consideração feminina. Era sua maneira de reconhecer a sua soberania inviolável como um assalariado e um homem.

Cortesia, boas maneiras, e fazer a corte eram muitas portas até a corte do amor, onde os seres humanos se moviam como em um desfile. Meus avós foram excluídos pelo seu modo de vida do proletariado de todas as outras formas de cortesia, razão pela qual esta era tão importante. Era a sua abertura para um encantamento que eles não poderiam obter de outra maneira. Meu avô tinha pouco de si para recomendar a minha avó, além de sua força, boa aparência e comportamento viril. Mas ele respeitava a mulher nela e desempenhou o papel de cavalheiro da melhor maneira possível, cada vez que ele a acompanhava para fora de casa. Daí a minha avó, que não gostavam dele intensamente, – pois ele era ignorante, complacente, e bêbado, e manteve-se entre o limiar de sua vida como um obstáculo inamovível para o avanço social – no entanto, o amava apaixonadamente como homem. Este amor não poderia ter durado se não fosse o mistério do gênero. A masculinidade do meu avô o separou de uma esfera de soberania própria, assim como a feminilidade da minha avó a protegia de sua agressividade. Tudo aquilo que eles conheciam como virtude havia sido aplicado a tarefa de permanecer de algum modo misterioso ao outro. E nisso eles foram bem sucedidos, como foram bem sucedidos em algumas coisas mais.

Uma divisão similar de esferas ocorreu em toda a sociedade, e em cada canto do globo. Mas o casamento era a sua instituição central, e o casamento dependia da fidelidade e da contenção sexual. Os casamentos não duraram apenas porque o divórcio era reprovado, mas também porque o casamento era precedido por um longo período de namoro, em que o amor e a confiança criavam raízes antes da experiência sexual. Este período de namoro era também o de exibição, no qual os homens mostravam sua masculinidade e as mulheres sua feminilidade. E é isso que queremos significa, ou deveria significar, a “construção social” do gênero. Por encenação, os dois parceiros preparavam-se para os seus papéis futuros, aprendendo a admirar e valorizar a separação de suas naturezas. O homem cortês deu glamour ao personagem masculino, assim como a mulher cortês deu mistério para o feminino. E algo desse glamour e mistério permaneceu depois, um tênue halo de encantamento que fez com que um encorajasse o outro ao distanciamento que ambos tanto admiravam.

O casamento não se limita a servir as estratégias reprodutivas dos nossos genes, que atendem a necessidade de reprodução da sociedade. Serve também o indivíduo em sua busca de uma vida e satisfação própria. Sua capacidade de ordenar e santificar o amor erótico vai além de qualquer coisa exigida pelos nossos genes. Como a nossa moralidade iluminista corretamente insiste, nós também somos seres livres, cuja experiência é completamente qualificada por nosso senso de valor moral. Nós não respondemos uns aos outros como animais, mas como pessoas, o que significa que, mesmo no desejo sexual, a liberdade de escolha é essencial ao objetivo. O objeto de desejo deve ser tratado, nas famosas palavras de Kant, não apenas como um meio, mas como um fim. Daí o verdadeiro desejo sexual é o desejo por uma pessoa, e não pelo sexo, concebido como um produto generalizado. Nós cercamos o ato sexual com restrições e proibições que não são de maneira alguma ditados pela espécie, precisamente de modo a concentrar os nossos pensamentos e desejos sobre o ser livre, ao invés de concentrar no mecanismo corporal. Nisto somos imensamente superiores aos nossos genes, cuja atitude em relação ao que está acontecendo é, por comparação, mera pornografia.

Mesmo quando a visão sacramental do casamento começou a minguar a humanidade ainda mantinha os sentimentos eróticos aparte, como as coisas demasiado íntimas para discussão pública, que só podem ser maculadas por sua exibição. A castidade, a modéstia, a vergonha e a paixão eram parte de um drama artificial, mas necessário. O erotismo foi idealizado a fim de que o casamento devesse perdurar. E o casamento, entendido como nossos pais e avós entendiam, era uma fonte de realização pessoal e a principal forma pela qual uma geração passou seu capital social e moral para a próxima.

Foi essa visão do casamento como um compromisso para a vida existencial, que estava por trás do processo de “construção de gênero” nos dias em que homens eram domados e as mulheres eram idealizadas. Se o casamento não é mais seguro, porém, as meninas são obrigadas a procurar outro lugar para a sua realização. E outro lugar significa a esfera pública – pois é uma área dominada por estranhos, com regras e procedimentos claros, na qual você pode se defender contra a exploração. A vantagem de habitar este espaço não precisa ser explicada a uma menina cuja mãe abandonada está sofrendo em seu quarto. Nem as suas experiências na escola ou faculdade irão ensiná-la sobre a confiança ou o respeito pelo personagem masculino. Suas aulas de educação sexual a ensinaram que os homens devem ser utilizados e descartados como os preservativos que os embrulham. E a ideologia feminista incentivou-a a pensar que só uma coisa importa – que é descobrir e realizar a sua verdadeira identidade de gênero, deixando de lado a falsa identidade de gênero que a “cultura patriarcal” tem impingido a ela. Assim como os meninos se tornam homens sem tornarem-se viris, as meninas se tornam mulheres sem tornarem-se femininas. A modéstia e castidade são descartadas como politicamente incorretas; e em cada esfera onde elas se deparam com os homens, as mulheres encontram-nos como concorrentes. A voz que acalmou a violência da masculinidade – ou seja, o chamado feminino para proteção – tem sido remetida ao silêncio.

Assim como as virtudes femininas existiam, a fim de tornar o homem gentil, a virilidade existia a fim de quebrar a reserva que fazia com que as mulheres retivessem seus favores até que a segurança estivesse à vista. No mundo do “sexo seguro”, os velhos hábitos parecem tediosos e redundantes. Em conseqüência, surgiu outro fenômeno marcante na América: a litigiosidade das mulheres para com os homens com quem elas dormiram. Parece que o consentimento, oferecido de modo livre e sem levar em conta as preliminares, uma vez assumido como indispensável, não é realmente consentimento e pode ser retirado com efeitos retroativos. As acusações de assédio ou até mesmo de “estupro no encontro” ficam sempre na reserva. O tapa na cara que é utilizado para limitar os avanços importunos é agora oferecido após o evento, e de forma muito mais letal – uma forma que não é mais privada, íntima e remediável, mas pública, regulamentada, e com a objetividade absoluta da lei. Você pode tomar isto como uma mostra de que o “sexo seguro” é realmente o sexo em sua forma mais perigosa. Talvez o casamento seja o único sexo seguro que nós conhecemos.

Quando Stalin impôs as teorias de Lysenko sobre a União Soviética como a base “científica” do seu esforço para remodelar a natureza humana e transformá-la no “Novo Homem Soviético”, a economia humana continuou escondida sob os imperativos loucos do Estado stalinista. E uma economia sexual paralela persiste na América moderna, que nenhum policiamento feminista ainda conseguiu eliminar. Os homens continuam tomando conta das coisas, e as mulheres continuam a postergar para os homens. As meninas ainda querem ser mães e obter um pai para seus filhos, os meninos ainda querem impressionar o sexo oposto com sua valentia e seu poder. As etapas para a consumação da atração podem ser curtas, mas são passos em que os papéis antigos e os antigos desejos pairam no limite das coisas.

Assim, não há nada mais interessante o antropólogo visitante que as palhaçadas dos estudantes universitários americanos: a menina que, no meio de alguma diatribe feminista de baixo calão, de repente, começa a enrubescer; ou o menino que, andando com sua namorada, estende um braço protegê-la. Os sociobiólogos nos dizem que esses gestos são ditados pela espécie. Devemos vê-los, sim, como revelações do senso moral. Eles são o sinal de que há realmente uma diferença entre o masculino e o feminino, para além da diferença entre o macho e a fêmea. Sem o masculino e o feminino, na verdade, o sexo perde seu significado.

E aqui, certamente, reside a nossa esperança para o futuro. Quando as mulheres forjam sua própria “identidade de gênero”, na forma como os feministas recomendam, elas deixam de ser atraentes para os homens – ou são atraentes apenas como objetos sexuais, e não como pessoas individuais. E quando os homens deixam de ser cavalheiros, eles deixam de ser atraentes para as mulheres. O companheirismo sexual então continua pelo mundo. Tudo o que se precisa para salvar os jovens dessa situação é que moralistas antiquados passem despercebidos pelas guardiãs feministas e sussurrem a verdade em ouvidos ansiosos e surpresos  Na minha experiência, os jovens ouvem com suspiros de alívio que a revolução sexual pode ter sido um erro, que as mulheres estão autorizadas a ser modestas, e que os homens podem acertar o alvo ao serem cavalheiros.

E é isso que devemos esperar. Se somos seres livres, então é porque, ao contrário dos nossos genes, podemos ouvir a verdade e decidir o que fazer sobre isso.

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Notas da tradução:

(1) No original “harped and harpied”, um trocadilho impossível de traduzir. Harped é o mesmo que “bater na mesma tecla” e harpied é uma brincadeira com “ave de rapina”.

A busca pelo prazer parece ser o principal motor de muitas pessoas. Essa busca frenética pelo deleite sexual sem limites, da qual vários se tornam escravos e dependentes, começa com uma lacuna na educação, algo necessário para a maturidade, que é a aprendizagem sobre como lidar com os próprios impulsos.

O alerta é mundial. Um estudo realizado com 3,2 mil jovens de 13 a 17 anos de cinco países europeus (Bulgária, Chipre, Inglaterra, Itália e Noruega) mostrou que 28% das mulheres e 21% dos homens dizem ter sido objeto de abuso sexual.

Outro estudo realizado na Inglaterra com 700 adolescentes de 12 e 13 anos mostrou que um em cada 5 recebeu imagens pela internet que o chocou ou perturbou. Do total, 12% dos entrevistados admitiram participar de alguma forma em um vídeo de sexo explícito.

A mulher é a que mais sai perdendo. Na maior parte dos conteúdos ‘adultos’ disponíveis nas plataformas digitais, vence o conteúdo misógino e machista, em que homens obrigam as mulheres a posturas desprezíveis, segundo pesquisas internacionais, como a realizada na Universidade de Leicester, na Inglaterra, pela pesquisadora Heather Brunskell-Evans. Um relato nu e cru dessa realidade é descrito no livro recém-lançado nos Estados Unidos Girls and Sex”, de Peggy Orenstein, feito a partir de entrevistas com 70 meninas, em que ela mostra como elas são instigadas pelos próprios colegas a se submeterem sexualmente – e postarem tudo nas redes sociais. E elas não têm recursos afetivos para lutar contra isso.

A solução mais aceita até agora, e citada nesses estudos, é a educação sexual que respeite o desenvolvimento emocional e psíquico de cada pessoa, que é diferente. A questão é como abordar o tema e identificar as fases. Nesse debate, considerar a pornografia como normal não tem sido a melhor saída.

A “educação” pela pornografia

A pornografia influencia na plasticidade do cérebro até formar um novo “mapa cerebral” e, por isso, a exposição ao material pornográfico na infância pode gerar consequências para toda a vida, explica o psiquiatra canadense Norman Doidge em um capítulo do livro “Os custos sociais da pornografia” (The Social Costs of Pornography: A Collection of Papers, editado por James R. Stoner e Donna M. Hughes). Isso acontece por uma série de fatores, como as características das imagens aliadas ao estado vulnerável do cérebro em momentos de excitação mental, e os mecanismos de recompensa fácil.

Segundo ele, a conexão rápida com a internet “satisfaz todos os pré-requisitos necessários para uma mudança neuroplástica”. Por isso, com a popularização das cenas eróticas, o que antes era considerada “pornografia suave” hoje nem mais é considerado pornográfico; e o que era “pornografia grave” é norma atual e tem uma tendência perigosa à violência e ao domínio sobre o outro.

No começo, descreve o psiquiatra, a pessoa sente repugnância a certas práticas e conteúdos. Com o tempo, se acostuma e procura doses cada vez mais fortes para alcançar os mesmos resultados. A consequência do consumo frequente seria a perda do prazer nas relações sexuais reais e sadias.

A “educação dos afetos”

O caminho para quebrar esse círculo vicioso que assalta os ambientes de crianças e jovens é complexo

A chave está em ajudar que as crianças desenvolvam a capacidade de dizer não aos impulsos que firam os direitos humanos próprios ou dos outros, ou ao menos que as levem por caminhos distintos da sua vontade. Explicando melhor: mesmo querendo passar no vestibular, por exemplo, um estudante pode passar horas perdendo tempo porque não é capaz de ir contra outros apelos que o impedem de estudar – ainda que seja muito inteligente e perceba a necessidade de estudar. Se ele não aprendeu, desde pequeno, a ter um domínio político sobre seus sentimentos – político, porque precisa também perceber o momento de relaxar – será refém deles e não alcançará seus objetivos – no caso, entrar na universidade. Esse exemplo pequeno pode ser reproduzido em outros âmbitos da vida.

Como os instintos básicos são fortes – comer, dormir, reproduzir -, as crianças aprendem a lidar com eles aos poucos, pelo conhecimento e exemplo de pessoas que ela admira e se espelha. A escola pode tentar suprir um ambiente familiar deficiente e, por outro lado, a família deve dar apoio quando a criança frequenta uma escola de ambiente hostil.

Não há respostas fáceis, para já, urge a discussão sobre o que seria uma educação sexual oportuna, que dê às crianças e aos jovens as armas que precisam para lidar de forma sadia com a própria afetividade.

Afetos sadios

Os impulsos humanos são controláveis se houver convicções firmes e um exercício constante para ser capaz de dizer “não” ao que pode causar dano. Confira algumas dicas para pais e escolas:

* É na infância que se aprende sobre o próprio valor. Por isso, é bom elogiar atos bons e nominar a sua conduta: “você foi muito valente”, “gostei muito da sua iniciativa”, “esta foi uma atitude muito generosa”.

* Levar a criança a estar segura do amor dos pais, mesmo com os seus erros e defeitos, fazendo-a perceber que pode se esforçar por melhorar.

* Motivá-la a controlar os impulsos: adiar um doce porque o irmão não pode comer, primeiro fazer a lição para depois brincar, etc.

* Ajudar que aceite a negativa para a compra de um brinquedo novo.

* Ensinar o real valor das coisas: as pessoas valem mais que as coisas.

* Ajudar a criança a interpretar as emoções alheias.

* Favorecer o auto conhecimento: quando está triste, alegre, com raiva, medo, entusiasmo, esperança.

* Ajudar a criança a administrar as próprias frustrações.

* Ensinar desde cedo sobre a vida moral e os valores: a justiça, a verdade, o bem, a compaixão.

Ensinar a se posicionar com as opiniões que aprende na família.

Ao corrigir, não ser rude e não humilhar a criança.

* Primeiro compreender e depois aconselhar ou repreender.

Expressar a contrariedade em relação à atitude do filho e nunca à personalidade.

* Elogiar os atos verdadeiramente bons e não qualquer atitude.

Não ser pais permissivos, que permitem tudo e, assim, criam filhos frágeis; e nem autoritários, que resulta em filhos submissos.

* Manter a harmonia conjugal para dar segurança afetiva aos filhos.

* Nunca banalizar os sentimentos da criança.

Sempre ensinar em casa e na escola sobre o bem e o mal através de situações reais, filmes, livros, etc.

* Oportunizar a intimidade afetiva em casa, na família. Entrar em assuntos pessoais com respeito, acolhendo as emoções da criança.

* Ensinar sobre a resolução de conflitos, sobre saídas positivas para os problemas.

*O “não” educa: dizer por que a criança não deve fazer algo e estimular que ela escolha algumas coisas em detrimento de outras, posicionando-se afirmativa ou negativamente e fundamentando o seu pensamento.

* Colaborou: Lélia Cristina de Melo, formada em Psicologia pela PUCPR, Diretora de Formação e Divulgação do Colégio do Bosque Mananciais.

O consenso a respeito do assunto

Após muitas décadas de psicologia ruim, o mundo moderno finalmente está descobrindo que a pornografia faz mal para as pessoas. A Igreja já dizia o mesmo faz tempo, mas só agora a cultura secular está compreendendo esta sombria verdade. Em um caso raro de consenso, maior parte dos estudiosos tem chegado à conclusão de que a pornografia distorce a visão das pessoas em relação ao outro sexo, atua como uma droga, cuja dependência geralmente piora com o tempo, e tem o potencial de arruinar relacionamentos.

Em resposta a esses dados, grupos das mais variadas áreas do espectro cultural têm oferecido argumentos para convencer os céticos, programas de autoajuda para romper com o mau hábito e até mesmo comunidades para as pessoas compartilharem seus esforços e ajudarem umas às outras. São inúmeros os recursos de qualidade disponíveis para o homem e a mulher que lutam contra o vício da pornografia, sendo muitos valiosos inclusive para quem não sofre com esse mau hábito, já que frequentemente esses materiais trazem insights profundos sobre a natureza humana e o modo de cultivar relacionamentos saudáveis.

Não obstante tudo isso, o problema da pornografia continua a fazer estrago, especialmente nos homens. Hoje, eles podem até dispor de mais recursos que os ajudem a lidar com o vício, mas, ao mesmo tempo, o acesso a conteúdo pornográfico se tornou muito mais fácil com a tecnologia. Podemos apresentar todos os argumentos convincentes para mostrar que a pornografia é algo ruim, mas a verdade é que as pessoas não sentem que seja assim, dado o fato de ela estar por toda parte. No fim das contas, como uma coisa pode ser tão ruim se tantos homens fazem e se é tão acessível?

Ainda que muitos argumentos contra a pornografia realmente ajudem algumas pessoas, a maior parte deles geralmente têm o efeito de varrer o assunto para debaixo do tapete. A vasta maioria dos homens, religiosos ou não, assiste a pornografia, mas guarda silêncio quanto a isso. Assim como as campanhas antitabagistas, campanhas contra a pornografia têm estigmatizado a prática, sem no entanto eliminá-la de fato. Um fumante agora, para dar uma tragada, precisa ir para o seu carro e ficar longe dos outros; o viciado em pornografia faz a mesma coisa.

O sintoma sutil da pornografia

Há uma diferença chave, no entanto, entre esse tipo de adicção e o vício em pornografia: os sintomas do primeiro aparecem e são difíceis de esconder. O fumante, o alcóolatra, o dependente químico tem um cheiro diferente, um aspecto diferente e se comporta diferentemente das outras pessoas. O viciado em pornografia, ao contrário, não parece em nada diferente dos outros, o que torna o seu problema difícil de detectar.

Parte disso também se deve ao fato de que são tantas as pessoas a sofrer com o vício em pornografia que os sintomas acabaram normalizados. Se todas as pessoas cheirassem a cigarro, ninguém iria realmente notar o odor. Quando tantos homens transformam as mulheres em objeto e têm problemas de intimidade, a maioria das pessoas simplesmente assume que isso faz parte de sua natureza.

Outra razão pela qual as pessoas têm dificuldades de detectar uma adicção — particularmente quem a tem — é que o principal sintoma se encerra no mais profundo da alma humana. Muitas discussões sobre castidade abordam os problemas externos como a química corporal, as mentiras contadas a quem se ama, o declive escorregadio para assistir a material mais pesado, a psiquê deformada, mas poucos mencionam o enorme impacto que a pornografia provoca em nosso espírito.

Muitos dirão que a pornografia emascula o homem, é verdade, mas o que isso significa? Significa que ela suga do homem o seu desejo pela excelência, a sua vontade de ser melhor, a sua busca por algo transcendente. Em termos práticos, o homem que assiste a pornografia não vai querer se sair bem na escola ou no trabalho, não vai procurar melhorar a sua saúde e a sua força física, não vai querer ler e trabalhar a sua mente, não fará muito caso de suas amizades e relacionamentos e terá poucos objetivos pessoais (se os tiver). Em suma, ele ficará paralisado.

Em sua Introdução à Vida Devota, São Francisco de Sales chama o homem de “o sexo mais vigoroso”, mas a pornografia reverteu essa realidade. Os homens abandonaram seus papéis como provedores e protetores, deixando-os serem assumidos pelas mulheres. Antes, eles dominavam o ambiente acadêmico e definiam a cultura e as tradições; agora, as mulheres se graduam em maior número e a cultura geral se encontra feminizada [1].

Os homens disciplinavam a si mesmos e os seus filhos; hoje, pouquíssimas pessoas sequer conhecem o significado de disciplina. Os homens costumavam passar tempo juntos e formar grandes amizades; agora, eles vivem desiludidos e isolados. Os homens costumavam rezar, ler e escrever; agora, eles “vegetam” em frente a uma tela (de TV, de computador ou de celular). O homem foi criado, enfim, para a grandeza, para a magnanimidade, mas agora, na maioria das vezes, o que ele faz é simplesmente chafurdar na mediocridade.

Rompendo com o mau hábito

Por debilitar o espírito humano, a própria fonte do desejo de adquirir a virtude e eliminar o vício, o hábito de assistir a pornografia é incrivelmente difícil de vencer. A superação de qualquer vício requer uma vontade determinada e a ajuda dos outros, mas a pornografia elimina as duas coisas tornando o homem, de modo secreto, fraco e desmotivado.

Não se trata, porém, de algo impossível. Um homem pode romper com isso se tomar medidas sérias para tanto. Isso significa que ele deve, em primeiro lugar, evitar todas as ocasiões de pecado — qualquer coisa que tenha uma tela e acesso a Internet. Programas de TV e filmes com conteúdo picante, bem como quaisquer revistas ou outros meios com imagens impróprias. Talvez seja necessário livrar-se do próprio smartphone e usar um computador somente para fins profissionais. Se for o caso, assim seja! Uma medida como essa também ajuda a tornar as pessoas ao redor responsáveis por essa mudança.

Eliminar todas essas coisas não vai necessariamente prevenir recaídas, mas elas diminuirão e o terreno estará preparado para uma desintoxicação. Levará um bom tempo, é certo, para as imagens que foram armazenadas na memória irem embora. A ociosidade tende a propiciar que essas imagens venham à tona, pelo que ter umhobby ou dedicar-se a uma atividade também constituem peças chave para frear esses impulsos.

Finalmente, é preciso rezar com frequência. Nada melhor para apagar a chama da luxúria que lembrar a Natividade de Nosso Senhor, a suave humildade de Nossa Senhora ou a Paixão de Cristo. A graça de Deus dará forças a qualquer um que esteja em busca de purificação. Outra boa prática, muito recomendada, é dizer três Ave-Marias ao dormir e ao acordar, todos os dias.

Com o tempo e com muito esforço, a adicção pode e deve diminuir. Mesmo aqueles que duvidavam perceberão a mudança. À medida em que vai perdendo, então, esse compulsivo desejo de olhar porcarias, o homem vai ganhando uma clareza de mente e um controle até então desconhecidos, os quais o ajudarão a crescer e a encontrar felicidade. Ele perceberá, em suma, qual a sua verdadeira natureza e entrará no caminho para ser aquilo para o qual desde sempre foi criado: um homem de Deus!

Notas

  1. Entendam-se corretamente as palavras do autor. Não se trata de uma crítica à ação das mulheres na sociedade contemporânea, mas à omissão dos homens. Assim como uma família, para crescer bem, demanda a complementaridade dos sexos, a ausência da presença masculina na sociedade também deixa muitos aspectos a desejar. Para um melhor conhecimento a respeito do papel da mulher no lar e no convívio social, leia-se o documento, do Papa São João Paulo II, Mulieris Dignitatem

Fonte Original do artigo: AQUI

Muitos se deixam dominar pelo instinto sexual por julgá-lo irresistível ou porque desconhecem a força da própria vontade. Outros, pela persuasão errônea de que a resistência pode acarretar enfermidades ou que seguir tal instinto é prova de virilidade. Muitíssimos, porque esperam encontrar nesta satisfação a felicidade a que todos almejamos. Há também aqueles que maldizem o instinto sexual, esquecendo que ele é bom e que Deus o criou com uma finalidade própria. Não aceitam que o pecado original tornou esse instinto desregrado, e que devemos, pela graça e pelo esforço, colocá-lo em seu devido lugar.

1º. Antes de tudo, se dominavam idéias errôneas neste ponto, é preciso corrigi-las lendo algum livro de educação sexual sadio e aprovado pela Igreja.

2º – Para fazer contrapeso ao influxo inconsciente da afetividade do deleite, procuraremos arraigar afetividades e tendências contrárias, acostumando o corpo ao trabalho, à vida dura, a à mortificação e à dor (dignificadas pela fé) e afastando-o da comodidade e do prazer. Os esportes sadios e varonis ajudam bastante.

Um jovem de família rica confessou-me que lhe parecia impossível a castidade quando vivia em sua casa rodeado de comodidades e de presentes. Quando esteve em uma ocasião com muitas privações e trabalhos nunca teve tentação carnal.

3º – Devemos evitar pessoas, objetos, leituras, conversas e espetáculos que tragam associações de imagens ou tendências menos puras.  Querer a castidade com esses incitamentos é pretender caminhar sem cair por terrenos inclinados e escorregadios. É preciso evitar que se suscitem tais incitamentos por objetos proibidos.

4º – Quando aparecerem as tendências más ou pensamentos, resistir logo no primeiro momento “quando ainda são fracas”, contrapondo-lhes outras imagens (sensações conscientes, concentrações voluntárias, atos que ocupem a atenção) e outras tendências, por exemplo, querer evitar o inferno, ganhar o céu, querer dar gosto a Jesus Cristo, salvar almas, etc.

Um jovem muito casto e virtuoso ao encontrar-se com amigas ou parentes, via-se logo perturbado e assaltado por pensamentos impuros sem saber como evita-los. Bastou-nos aconselhar-lhe que associasse conscientemente outras imagens à idéia de mulher, por exemplo, à excelência da mãe que dá filhos para o céu, o Espírito Santo que mora nela pela graça, a sublimidade da Virgem Mãe de Deus etc. [para os homens com AMS vale o mesmo conselho: excelência do pai que dá filhos para o céu, o Espírito Santo que mora nele pela graça, a sublimidade de São José]. Poucos dias depois, voltou para agradecer-nos. Esta nova associação de idéias induzida voluntariamente havia acabado com as outras subconscientes e instintivas e sentia-se agora tranquilo e feliz.

5º – Para resistir melhor, evitemos colocar-nos em estado de inferioridade psíquica (alcoolismo, romantismo afetivo, sonolência, divagação cerebral). Neste estado, ficam soltas a imaginação e a afetividade subconsciente e como que adormecidas a vontade e a razão. Permanece todo o homem entregue à mercê do primeiro impulso. Este brotará fácil e violentamente, sobretudo se se juntou a tudo isso uma posição excessivamente cômoda que, por associação inconsciente do sentido do tato, desperta os baixos instintos. Teremos, ainda assim, poder para resistir e por isso seremos responsáveis pelo ato, mas… o atacante é forte e o defensor não está em guarda.

O Santo Cura de Ars fugia da sensação de comodidade como quem foge do fogo.

6º – Não encaremos esta luta heróica de um modo negativo: “Não se pode fazer isto; é preciso evitar aquilo”, mas sim de forma positiva: como um sacrifício que generosamente oferecemos a nosso Deus Crucificado, para amá-lo, agradá-lo, obedecer-lhe e imitá-lo. Esta luta positiva alegra e anima; a negativa deprime.

7º – Motivemos devidamente e elevemos à sua excelsa dignidade este instinto. Por ele quer Deus fazer depender do homem Seu poder de criar almas imortais e quer que isto se faça na entrega total de um ser para outro ser com o qual se completa e faz feliz por um amor desinteressado. Esta entrega a outra pessoa que vai completa-la e satisfazê-la emocionalmente é uma concretização aqui sobre a terra, da união íntima, espiritual e sublime com o Deus de infinito Amor e com felicidade divina que Ele nos prepara no céu. Por isto deu à união conjugal o caráter sagrado pelo sacramento do Matrimônio. Querer a satisfação sexual, excluído a finalidade dela, é burlar a intenção de Deus, nosso Pai e frustrar Seus planos divinos.

8º – Contra as idéias motoras que impelem à realização do ato, opor o sentimento de que podemos evita-lo, por exemplo: mando a meus pés que não vão àquele lugar, ou a minhas mãos que estejam cruzadas sobre o peito por um tempo determinado, para fortalecer meu caráter, para agradar a Nosso Senhor, para merecer o Céu (não diga “para evitar o pecado” pois tal evocação despertaria as idéias e impulsos que tratamos de dominar). Estes atos assim concretizados sentir-se-ão como possíveis e a vontade poderá querê-los.

9º – Uma vez feito tudo o que podíamos, dada a dificuldade especial desta matéria, resta-nos ainda recorrer a Deus para conseguir forças sobrenaturais pela oração, pela confissão e pela comunhão. Esta graça pedida com humildade, confiança e perseverança nunca nos será negada. A experiência de muitos séculos em todas as raças e homens de toda condição intelectual e social demonstra que estes meios sobrenaturais vencem a dificuldade especial de guardar a castidade.

[extraído do livro Controle Cerebral e Emocional, do Padre Narciso Irala] via Courage

Por John F. Harvey, OSFS – Trecho do artigo “The Pastoral Problem of Masturbation”, de John F. Harvey, OSFS. 

Muito já se escreveu sobre masturbação, e alguém pode perguntar porque a necessidade de escrever mais sobre o assunto. Mas há novas maneiras de pensar o problema, bem como a minha própria experiência no contato e ajuda a pessoas que procuram deixar a masturbação, o que me deu vários “insights” sobre a psicologia da masturbação, a partir do estudo do vício em sexo, do qual a masturbação é um grande exemplo.

Fiquei também impressionado com grupos de suporte que levam a sério a questão da masturbação, tais como o “Sexaholics Anonymous (S.A.), Sex and Love Addicts Anonymous (S.L.A.A.), e Courage.

Outra razão para que eu escreva é que muitas pessoas que lutam contra essa fraqueza não recebem o adequado aconselhamento espiritual e moral. Em alguns casos eles são orientados de forma errada, dizem-lhes que a masturbação melhora a “performance” do ato conjugal, ou que faz parte do processo de recuperação de dificuldades sexuais. É bem sabido que o hábito da masturbação atinge pessoas de todas as idades, sendo encontrado entre crianças, adolescentes, adultos, casados, idosos, religiosos, seminaristas e padres.

Por favor observe que digo “tendência” (mais precisamente, tendência desordenada). Muitas pessoas têm encontrado, de diversas formas, controle sobre essa tendência com um programa espiritual. Outros, entretanto, lutam no escuro, e é para esse grupo que escrevo.

Considerações psicológicas sobre o hábito da masturbação

A masturbação é algumas vezes chamada de “auto-abuso”, ou onanismo, ou ainda em livros seculares, “auto-estimulação”.

Talvez a descrição mais incisiva do hábito da masturbação esteja em uma carta de C.S. Lewis, citada por Leanne Payne em “The Broken Image”: “Para mim o verdadeiro mau da masturbação consiste no fato de que ele pega um apetite que, no uso correto, levaria o indivíduo para fora de si a fim de completar (e corrigir) a própria personalidade na personalidade de outra pessoa (e finalmente nos filhos e até nos netos) e a inverte, fazendo-a voltar-se para a prisão do “si mesmo”, a fim de manter um harém de esposas imaginárias. E esse harém, uma vez admitido, trabalha contra a chance da pessoa um dia sair dele e realmente se unir a uma mulher real. Isso porque esse harém está lá, sempre acessível, sempre subserviente, não exige sacrifícios ou ajustes, e pode ser acompanhado de atrações eróticas e psicológicas que nenhuma mulher real pode trazer”

Fatores que contribuem para o vicio da masturbação

A masturbação é um fenômeno complexo. Não iremos compreender porque uma pessoa cai nesse hábito enquanto não conhecermos algo sobre sua história, sobre as causas do problema. Escutando as pessoas logo se vê que a solidão é a principal causa, levando o indivíduo ao isolamento, fantasia, e masturbação. A solidão geralmente vem acompanhada de sentimentos de profunda auto-depreciação e ressentimento. Quando o mundo real é duro e proibitivo, a pessoa se volta para a fantasia, e quando a pessoa perde muito tempo em um mundo de fantasia, torna-se escravo de objetos sexuais (pois essa é a maneira com que ele vê as pessoas, como objetos sexuais).

Daí a pessoa entra no mundo irreal, mas prazeroso, da própria imaginação. Esse é o princípio do vício sexual, tão bem descrito por Patrick Carnes.

O hábito da masturbação se transforma muito frequentemente em vício, ou seja, a pessoa não consegue mais controlar a atividade masturbatória, apesar de grandes esforços nesse sentido. Normalmente falta a essa pessoa um “insight”, ela precisa de terapia em conjunto com uma direção espiritual.

Entretanto, às vezes o hábito da masturbação é temporário e circunstancial. Por exemplo, tão logo a pessoa sai de determinado ambiente, a tendência a se masturbar desaparece. Muitos outros exemplos podem ser dados onde a atividade masturbatória é sintomática de outras forças subjacentes na vida da pessoa.

Lidando com a masturbação a partir do ponto de vista religioso

Ao nível pastoral não tem sentido nem serve para nada especular o quão responsável foi o viciado em masturbação pelo seu passado. É melhor ajudá-lo a preparar um programa espiritual.

A maneira mais errada de lidar com a questão é pensar que os adolescentes vão parar de se masturbar quando crescerem. Muitos não deixam. Outro mito é dizer que quem pratica a masturbação tem menor chance de ter relações reais com outra pessoa de outro sexo ou do mesmo sexo. Isso pode ser verdade em algumas circunstâncias, mas a masturbação pode levar a agir com outras pessoas. Em alguns casos a masturbação foi recomendada como meio de aliviar as tensões do corpo, como uma forma de terapia sexual. Outros terapeutas usam a masturbação como um modo (alegam) terapêutico de reviver experiências sexuais traumáticas da infância. Outros conselheiros minimizam o problema, não dão conselho algum, a não ser “não se preocupe com isso”. De fato muitos padres, seminaristas e professores de religião nas escolas católicas consideram a masturbação um “não-assunto”, ou talvez um problema puramente psicológico. E por aí vai.

Parece, entretanto, que a atitude correta é tratar a masturbação habitual e compulsiva como um problema aberto à soluções, desde que a pessoa siga um projeto espiritual. Ele deve assumir a responsabilidade pelo seu futuro. À medida que vai se tornando mais livre da desordem, ele também se torna mais responsável. Isso vai se tornando mais claro, e posso mostrar algumas situações típicas.

Adolescentes

É fato que adolescentes têm sido bombardeados com estímulos sexuais pela mídia, e os pais muitas vezes falham em dar orientações morais, e mesmo o clero e religiosos permanecem calados sobre o assunto. Por isso não é surpresa alguma que os adolescentes não saibam nada sobre a moralidade da masturbação. Muitos já se envolvem e se tornam viciados na prática antes mesmo de se conscientizarem plenamente que ela é moralmente errada. Eu uso o termo “plenamente” porque, apesar de toda a lavagem cerebral de nossa cultura, muitos jovens sentem que a masturbação é errada.

Ao mesmo tempo eles se sentem incapazes de controlar um hábito já existente, e em sua vergonha e culpa escondem-se e fogem de discutir o assunto com conselheiros, e fogem mais ainda de discutir o assunto com padres.

Incertos sobre si mesmos, confusos acerca dos valores propostos pela cultura, e algumas vezes pela própria família, esses jovens facilmente se refugiam no mundo da fantasia do prazer sexual.

Muitas vezes temerosos de relacionamentos reais com pessoas do outro sexo, eles mergulham no mundo da fantasia da masturbação. Adicione-se a isso o caos moral e os conselhos errados sobre masturbação em aulas de religião em algumas escolas católicas, e você pode compreender porque nossos jovens sequer mencionam no confessionário a masturbação como um problema moral. Isso dá aos padres ainda mais motivos para responder seriamente aos jovens que levantam essa questão.

Precisamos fornecer direcionamento espiritual adequado aos jovens, reconhecendo seu desejo de ser casto, e dando-lhes conselhos específicos no assunto.

Talvez falhemos em perceber a quantidade de culpa presente em jovens com o hábito da masturbação. Eles percebem que há algo errado no que fazem, apesar de lhes falarem para “não se preocupar com isso”, ou “você não pode fazer nada”, ou “quando você crescer isso passa”. Eles precisam de orientação, mas não a receberão enquanto não forem informados sobre a moralidade da masturbação, e os fatores psicológicos que muitas vezes os impedem de exercer o livre-arbítrio. A minha opinião (e a de outros confessores) é que muitos adolescentes não comparecem à Santa Comunhão aos domingos por sentirem que não conseguem superar o hábito.

Já com relação aos jovens adultos, o mito diria que esse hábito é para passar nessa idade. Mas com o casamento acontecendo cada vez mais tarde (depois dos 25 anos), com noivados durando anos a fio, e com o constante estímulo da mídia e da propaganda, não é surpresa que muitos homens e mulheres da masturbação, algumas vezes masturbação mútua.

Outras pessoas solteiras vivem na fantasia quando não estão trabalhando. Sem namorar com ninguém por uma variedade de razões, incertos sobre o que fazer da vida, e sem compromisso com esposa e filhos, frequentemente eles buscam refúgio em várias formas de fantasia, como revistas eróticas, etc. Estão muito ocupados com vários compromissos, e muito solitários. Sua tendência a se masturbar muitas vezes extrapola para um intercurso genital quando surge a oportunidade. Em outras palavras, seu ídolo é o sexo.

É muito difícil chegar a esse grupo, que muitas vezes só vem à Igreja na Páscoa e no Natal, para agradar a família. Talvez quando chegarem aos 30 anos e perceberem que há mais na vida do eu só sexo, aí então venham buscar auxílio espiritual. Aqui a atividade sexual não é tanto o problema, mas um sintoma de uma profunda fuga do que é espiritual.

Quanto aos adultos mais maduros, é minha experiência que quando cristãos atingem os 30 anos sem ter escolhido uma vocação na vida, tal como casamento, vida religiosa, sacerdotal, ou uma vida de solteiro servindo a Cristo no mundo, eles começam a se perguntar pelo sentido da vida pessoal. Ainda assim, os desejos sexuais permanecem fortes como antes, e talvez mais intensos, e a pessoa pode gastar mais tempo da fantasia, levando à masturbação freqüente.

Isso, por sua vez, produz fortes sentimentos de vergonha e culpa. Se a pessoa não procura orientação espiritual para o problema, ou se quando procura não encontra nenhuma ajuda, ela vai continuar levando esse peso para a terceira idade.

Algumas diretivas espirituais

Acredito que as seguintes diretivas são úteis:

(1) Ajude a pessoa a refletir sobre o sentido da vida, suas esperanças, suas conquistas, seus desapontamentos, suas frustrações, sua solidão. Tente descobrir o que consome a pessoa, já que a masturbação geralmente é um sintoma da inquietude da alma, e precisamos atacar as causas do problema primeiro.

(2) Se possível, procure construir com a pessoa um projeto espiritual de vida.

(3) Conscientize a pessoa que a maioria dos seres humanos têm a tendência de fugir para mundos prazerosos de fantasia quando a realidade se torna dura e difícil, e a masturbação geralmente surge a partir da fantasia sexual. A estratégia espiritual é aprender como trazer a pessoa de volta da fantasia para a realidade tão cedo quanto possível, assim que se percebe que a fantasia sexual está envolvendo a pessoa. Uma técnica que funciona com algumas pessoas é fazer uma curta oração, e então começar a fazer algo de externo e físico, como por exemplo caminhar, fazer algum trabalho doméstico, e daí por diante. Já aconteceu de você se encontrar em uma fantasia de raiva, de inveja ou sexual, e o telefone tocar, e quando você vai atender a fantasia desvanece? A questão é se manter na realidade.

(4) Além de compartilhar o problema com um diretor espiritual, tente encontrar um grupo de suporte com o “Sexaholics Anonymous (S.A.)”. Cultivar amizades reais com pessoas reais reduz significativamente o poder da fantasia sexual, e dá à pessoa um sentido de valor pessoal.

Assim como ocorre com outras atividades sexuais envolvendo vício, a masturbação pode ter uma ou várias causas. Para poder parar com esse hábito, precisamos ir até a raiz do problema.

Passo 1: Peça a Deus a graça de responder à pergunta “Porque me masturbo?”

Uma oração simples para isso poderia ser:

“Amado Pai, peço que me ajudes a descobrir as razões pelas quais tenho me masturbado. Por favor, revelai-me a verdade, através do Espírito Santo. Em nome de Jesus Cristo, eu ordeno que toda voz que não seja de Deus silencie agora. Que somente a paz de Cristo esteja em meu coração, meu espírito e meu corpo. Obrigado, Pai, em nome de Jesus, Amem”.

A seguir, seria útil passar um tempo em oração silenciosa, escutando o Espírito Santo. Escreva os seus pensamentos, a agradeça a Deus pelo que Ele lhe revelar. Algumas razões comuns que temos visto para a masturbação incluem:

– Diminuir a dor da rejeição, abuso, baixa auto-estima etc.
– Diminuir a frustração e o estresse
– Amor ao prazer
– Auto-piedade
– Independência, auto-suficiência
– Complementar o hábito de ver pornografia
– “Sexo seguro”, tentando manter a virgindade física
– “Alívio saudável” da tensão sexual
– Impaciência, não esperar em Deus
– Razões para meu hábito: ______________ (escrever as suas próprias outras razões)

Passo 2: Identificar as causas mais profundas associadas

Tendo conhecido as razões superficiais para nosso hábito, podemos procurar descobrir as raízes mais profundas dessas razões. Novamente, devemos convidar Deus para nos guiar nessa descoberta. Uma oração para esse momento poderia ser: “Senhor, ajudai-me a compreender as raízes escondidas por trás das razões de meu hábito. Por favor ajuda-me a enxergar a verdade. Obrigado, Pai! Amem”.

As raízes normalmente começam com uma experiência que quebra nosso desenvolvimento saudável no nível físico, emocional ou espiritual. Se respondemos a essa experiência de maneiras não saudáveis (ou seja, pecando), essas raízes crescerão. Há tantos cenários possíveis para explicar como essas raízes começaram, que é impossível cobrir todos aqui. Compartilhando as raízes que temos visto, esperamos ajudá-lo a descobrir as raízes que estão na base de seus próprios hábitos.

Geralmente, as raízes envolvem o pecado que cometemos ou que alguém cometeu contra nós. Aqui estão alguns exemplos de raízes/causas de masturbação:

– Trauma, violência, abuso, molestação
– Rejeição (não era amado pelos pais, era motivo de piada para os colegas, foi rejeitado por namorada etc.)
– Influências dos pais ou antepassados
– Falta de perdão (amargura, ressentimento, rancor etc)
– Ligação com ocultismo
– Pecado sexual
– Orgulho (“Posso fazer por mim mesmo”, ou “Não preciso de ninguém”, ou “Não preciso de Deus” etc.)
– Luxúria e idolatria sexual
– Relacionamentos não saudáveis
– Atividade homossexual e perversões como sexo em grupo, fetiches etc.

Gaste algum tempo pensando em sua vida, começando no ponto mais cedo que conseguir lembrar, e olhando para as indicações de inícios de causas ou raízes tais como as listadas acima. Deixe que o Espírito de Deus o conduza nisso. Listo abaixo alguns períodos típicos da vida. Escreva qualquer causa ou raiz que o Senhor lhe mostrar.

– Primeira Infância (0 a 3 anos)
– Pré-escola (3 a 6 anos)
– Infância (7 a 12 anos)
– Adolescência/Juventude (13 a 19 anos)
– Carreira/Faculdade/Casamento etc. (20 a 40 anos)
– Outros

Aqui está um exemplo de como essas raízes podem começar e crescer em nossas vidas:

Um pai censurava continuamente o filho de 7 anos pela sua falta de habilidade nos esportes. O pai não conseguia ver nenhum valor no gosto do seu filho por música, arte e drama. Essas atividades eram “coisas de menina”, de acordo com o pai. O filho ficou emocionalmente machucado pela rejeição de seu pai, e isso se tornou uma “raiz”. Nos anos seguintes, o pai continuou a ridicularizar o filho. O garoto começou a acreditar que não podia fazer nada certo aos olhos de seu pai, e que ele nunca ia ter sucesso em nada. Ao entrar na adolescência, ele respondeu à dor da rejeição se tornando isolado e rebelde. Quando um amigo lhe iniciou na pornografia e na masturbação, o garoto descobriu um prazer que nunca tinha conhecido antes. As imagens da pornografia lhe ofereciam a “aceitação” e o “amor” que ele sempre desejara. Não importava que a pornografia fosse baseada em fantasia – ele iria agarrar todo “amor” e “aceitação” que conseguisse ter. Encontrando consolação na masturbação, ele logo se viu viciado nela.

Passo 3: Remover as raízes

A importância de remover as raízes não pode ser subestimada. Deixá-las à solta pode dificultar o processo de parar de se masturbar. Além do mais, as “raízes” continuariam a soltar “veneno espiritual” e nos prejudicando. Quanto mais permitimos que as raízes permaneçam em nós, mais profundo será o dano de que teremos de recuperar.

Encorajamos-lhe a ser paciente nesse processo de retirar as “raízes”. Isso muitas vezes pode levar tempo. Não permita que o inimigo lhe convença a desistir. Continue no caminho persistentemente, guiado pelo Senhor. Não acredite na mentira de que “você nunca vai ficar livre”.

A. Comece rezando. A oração nos conecta com o poder de Deus. Ele pode fazer impossíveis. Jesus disse: “Para o homem é impossível, mas com Deus nada é impossível” (Mateus 19, 26). Enquanto reza, acredite em seu coração que o poder de Deus vai fazer a diferença. Acredite que Ele está ouvindo sua oração e que vai responder. Sua fé completa o “circuito” do poder de Deus em sua vida.

Um exemplo de oração: “Deus Pai, eu vos agradeço por me amar e por ter morrido por mim. Obrigado por estar comigo neste momento. Por favor, ajudai-me a remover as raízes do meu vício completamente. Por favor, guiai-me e protegei-me do maligno. Eu acredito na liberdade que é minha através de Jesus Cristo. Por favor, ajudai-me em qualquer falta de fé que eu tenha. Obrigado, Pai”.

B. Confissão, arrependimento e desapego. Nesse ponto assumimos a responsabilidade pelo nosso pecado envolvido na masturbação e suas raízes. Arrependemo-nos do pecado nos afastando dele e não mais o aceitando. Finalmente, devemos nos libertar de qualquer atitude não saudável a que tenhamos nos apegado.

Arrependa-se e confesse os pecados envolvidos com seu hábito de masturbação, e dos pecados envolvidos em cada “raiz”. Veja as fontes ou “raízes” que tiver anotado, e peça perdão a Deus, e confesse esse pecados ao sacerdote. Se não tiver certeza sobre os pecados envolvidos, pela ao Espírito Santo que o ajude a identificá-los.

Devemos também nos desapegar que qualquer coisa que nos impeça de viver sem pecado, seja a falta de perdão, memórias, raiva, ódio, malícia, ou desejo de vingança, etc. Falta de perdão e memórias de pecados são comuns em viciados em sexo. Para nos libertar da falta de perdão, devemos perdoar as pessoas envolvidas (com a ajuda de Jesus). Com relação à memórias, devemos rendê-la a Deus e evitar fantasiar no futuro sobre elas.

Exemplo de oração: “Senhor, eu renuncio a essas atitudes ou memórias pecaminosas agora. Especificamente, eu renuncio a _____________ (seus itens específicos). Por favor, afastai isso de mim, e lavai-me com o Sangue de Jesus, retirando de mim qualquer resíduo de maligno. Eu perdôo as pessoas que me fizeram mal: ________________ (listar as pessoas). Por favor, renovai-me com vosso Espírito Santo agora, e substitua as áreas de pecado com amor, júbilo, paz, ternura, paciência, auto-controle, bondade, fidelidade e gentileza. Obrigado, Senhor”.

C. Reze pela cura. Aqui nessa atividade final pedimos a Deus que complete a cura que nosso arrependimento e confissão iniciaram. Algumas atividades que poderão ajudá-lo a rezar pela cura incluem: passar um tempo louvando a Deus; ler passagens bíblicas de curas; silenciar para ouvir a voz de Deus; permitir mais tempo de oração; agradecer ao Senhor pela cura.

Encorajamos-lhe a rezar pela cura nessas e em outras áreas que o Senhor lhe revelar. Também pode ajudar ter alguns amigos em que confie, para rezar por você. Seja paciente e persistente, pois as coisas podem levar algum tempo.