ChegaACabana às telas do cinema o filme “A Cabana”, baseado no livro best-seller de mesmo nome do escritor Willian P. Young, e muitos estão criticando ou adorando a produção. Afinal, vale a pena assistir ou não?

Sinopse: Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Tempos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde receberá uma lição de vida.

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!

Até aí não há problema algum, mas a questão é que esta “lição de vida” que consta na sinopse é, na verdade, um encontro deste homem atormentado com Deus. Não se trata de uma personificação caricata de Deus como realizada em filmes como “Todo Poderoso”, mas a apresentação da Santíssima Trindade (Heresia do Sabelianismo) e a discussão sobre diversos pontos teológicos. E é aqui onde o livro e a produção derrapam… e derrapam feio!

O primeiro ponto a ser colocado é: não é um filme católico. E ainda que se apresente como um filme de temática cristã, pelos diversos erros teológicos, não o enquadraria como um filme religioso, no máximo um filme com muita religiosidade (até porque vemos no enredo que Deus seria contra as religiões). 

É importante que o leitor esteja atento, porque o fato do filme não ser católico, traz consigo heranças da Heresia do Protestantismo e principalmente do Jansenismo. Também contém aspectos da Heresia do Modernismo, que defende que Deus não pode ser reconhecido por critérios objetivos racionais, mas apenas pelo sentimento subjetivo do homem.

O enredo é a tentativa de Deus em se apresentar ao homem atormentado (Mack), curar suas feridas e estabelecer com ele um relacionamento. Ficando apenas nestes pontos (porque da parte teológica falaremos mais adiante), os momentos entre Deus e o homem chegam a ser poéticos, que podem nos levar a questionar a nossa relação com a Santíssima Trindade, a forma como muitas vezes queremos conduzir as nossas vidas sem qualquer auxílio de Deus, como O culpamos quando as coisas dão erradas, entre tantas outras situações.

Ao mesmo tempo, temos pontos que chamaram a atenção e muitos criaram confusão e outros que podem passar despercebidos que são realmente danosos aos desatentos, principalmente em termos de Heresias cristológicas, tão amplamente combatidas durante diversos Concílios e pelo Magistério da Igreja como um todo.

No filme Deus Pai é vivido por uma mulher, a ótima atriz Octavia Spencer. O fato de ser uma “negra, mulher e gorda” foi alvo de muitas reclamações. No filme ficou bem claro que Deus usa a imagem desta mulher para facilitar o acesso a Mack que, quando criança, teve sérios problemas com seu pai que bebia muito e espancava a sua mãe e a ele também, por isso preferiu não “aparecer” como um pai. Quando seu pai o espancava, ele recebia carinho e atenção de uma mulher da cidade, que foi a mesma usada por Deus para se aproximar do homem atormentado. Não se trata de uma apresentação de que Deus é mulher, até porque em determinado momento do filme Deus Pai toma a figura de homem quando entende ser necessário. Portanto, é uma discussão desnecessária neste aspecto.

Encontraram um ator judeu com a pele morena e barba para fazer o papel de Jesus. É interessante este cuidado na produção de buscar uma figura que poderia se parecer etnicamente com o Filho de Deus encarnado.

Já o Espírito Santo, no filme chamado de Sarayu, é protagonizado por uma atriz oriental que aparece em muitos momentos com um brilho em sua volta, com a intenção de indicar que é um espírito. Uma apresentação fraca desta pessoa da Santíssima Trindade, não por ser uma mulher, mas porque, nem de longe lembra O Consolador e Inflamador das almas.

Quanto aos erros teológicos, vamos falar de alguns mais gritantes entre vários apresentados no filme (no livro há mais coisas e algumas estão diferentes das colocadas aqui, mas nos limitaremos ao filme):

1. Humanidade de Cristo (Heresia do: Ebionismo, Apolinarianismo, Arianismo, Nestorianismo): no filme Jesus é retratado como humano, apenas humano. Ora, “o acontecimento único e absolutamente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que seja o resultado de uma mistura confusa do divino com o humano. Ele fez-Se verdadeiro homem, permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Esta verdade da fé, teve a Igreja de a defender e clarificar no decurso dos primeiros séculos, perante heresias que a falsificavam.” (CIC 464).

2. Pecado: no filme Deus não pune o pecado porque este já é uma punição. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina e deixa bem claro que uma das penas do pecado é a privação vida eterna (CIC 1472) e condenação ao inferno, o que no filme deixa a entender que Deus não conseguiria condenar o homem ao inferno em razão de seu amor de Pai.

3. O Pai foi crucificado com o Filho (Heresia dos Euquitas e do Patripassianismo): outro grande erro. Apenas Jesus Cristo foi crucificado. Mesmo que o Pai tenha sofrido ao ver seu Filho tratado como foi, não foi pregado junto com Ele.

4. Cristo não quis religião: Jesus nasceu judeu, viveu como judeu e morreu como tal, assim como disse claramente que não se fez homem para abolir a Lei, mas para dar pleno cumprimento a ela (Mt 5, 17), além de que diz textualmente que Pedro será a pedra em que edificará a sua Igreja (Mt 16, 18). O filme tenta relativizar estes conceitos para fazer acreditar que Jesus não queria criar uma religião, o que também não é verdade.

5. O homem foi criado para ser amado: outro erro, pois sabemos que o homem foi criado para amar primeiro a Deus e depois ao próximo como a si mesmo. Não foi criado para ser amado, mas “para servir e amar a Deus” (CIC 358).

Os conceitos apresentados no filme podem criar uma grande confusão na cabeça dos desavisados, ao mesmo tempo em que poderá reforçar alguma ideia errada já existente.

Mesmo com a bela mensagem de que Deus nos ama e quer curar nossas feridas, o filme cai no mesmo erro criado pelo autor do livro em tentar destruir as religiões e criar um deus que não existe e propagar mentiras com cara de Teologia e estas têm um nome específico: heresia. Por isso, cuidado! Nem tudo que parece bom, realmente é.

RUIM

Ficha técnica:

Gênero: Drama.
Direção: Stuart Hazeldine.
Roteiro: John Fusco, William Paul Young.
Elenco: Amélie Eve, Aviv Alush, Carolyn Adair, Carson Reaume, Chris Britton, Derek Hamilton, Emily Holmes, Gage Munroe, Graham Greene, Jordyn Ashley Olson, Kathryn Kirkpatrick, Lane Edwards, Megan Charpentier, Nels Lennarson, Octavia Spencer, P.E. Ingraham, Radha Mitchell, Ryan Robbins, Sam Worthington, Sumire Matsubara.
Produção: Brad Cummings, Gil Netter.
Trilha Sonora: Aaron Zigman.
Duração: 132 min.
Ano: 2016.
País: Estados Unidos.
Distribuidora: Paris Filmes.
Estúdio: Summit Entertainment / Zucker/Netter Productions.
Classificação: 12 anos.

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doctorstrangeMais um filme de herói da Marvel!!! Eba!!! Será?!

Atenção! Contém Spoilers!

Sinopse: Doutor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um cirurgião de Nova York, bem sucedido e arrogante, que entra em desespero depois de sua carreira ser definhada por um acidente de carro que destrói suas mãos. Quando esgota seu dinheiro e opções, decide viajar ao Nepal em busca de uma cura espiritual, mas o que encontra, abre sua mente de maneiras nunca imaginadas e o colocam no caminho para tornar o Mago Supremo da Marvel.

Aqui no Projeções de Fé devemos avaliar este filme sob dois aspectos: 1. como produção cinematográfica; 2. sob o “olhar PdF”.

Como produção cinematográfica o fã deste tipo de filme pode comemorar. Não é o melhor filme da Marvel, porém, mesmo com aquele gostinho de que poderia ter um roteiro melhor, a produção é muito boa. A caracterização dos personagens está muito boa (também, com este elenco fica bem mais fácil), a produção gráfica ficou incrível, e somos apresentados a um novo herói e personagem. 

No entanto, nem tudo são flores.

O personagem principal passa de um grande cirurgião a Mago Supremo, eis que ao buscar a sua cura física, encontrou uma cura espiritual ao dominar forças além de sua compreensão. Resumindo, ele mexeu com forças ocultas sobrenaturais. Ainda que, em alguns momentos, o filme tente explicar as situações com alguma pseudo-ciência (prestem atenção no que é o Olho de Agamoto – colar que o Doutor Estranho usa -, ou as discussões de inimigos de outras dimensões), ainda assim estamos lidando com Ocultismo.

Neste aspecto, o Catecismo da Igreja Católica é específico:

2117. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele. O recurso às medicinas ditas tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes malignos, nem a exploração da credulidade alheia

Não se trata de intolerância religiosa ou preconceito, mas é fato que tais práticas são completamente contrárias à fé católica.

Portanto, ainda que seja um filme de herói com uma ótima produção, não há como se negar que o Doutor Estranho assume linha espiritual que o ex-exorcista do Vaticano, o falecido Padre Gabriele Amorth, já nos alertou:

“(…) sim, o demônio pode dar poder e benefícios. É o que faz, por exemplo, com todos os magos e bruxos: o poder da adivinhação e de provocar perturbações; pode também dar vantagens materiais de riqueza, sucesso, prazeres. (…)”

Importante destacar que em determinado momento do filme, os vilões fazem um feitiço dentro de um templo cristão (não dá para se ter certeza de que é católico, mas parece ser), deixando a entender que as forças do mal superam o poder de Deus. Para alguns, isso seria uma interpretação forçada, mas levando em conta que estamos falando de um filme que trata especificamente de aspectos espirituais, essa referência não parece ser uma teoria da conspiração.

Como mais um filme da Marvel ele é legal (e realmente é), mas espiritualmente, ele se baseia em um grande erro. Desta forma, sob o “olhar PdF”, não há como não considerá-lo como um filme ruim.

RUIM

Ficha Técnica:

Gênero: Ação.
Direção: Scott Derrickson.
Roteiro: Jon Spaihts, Joshua Oppenheimer, Thomas Dean Donnelly.
Elenco: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Mads Mikkelsen, Rachel McAdams, Tilda Swinton.
Produção: Kevin Feige.
Trilha Sonora: Christopher Young.
Duração: 115 min..
Ano: 2016.
País: Estados Unidos.
Estreia: 03/11/2016 (Brasil).
Distribuidora: Walt Disney Pictures.
Estúdio: Marvel Studios.
Classificação: 12 anos.

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EsquadrãoSuicidaSinopse: Baseado nas histórias em quadrinhos da DC Comics, o longa acompanha a missão de um grupo formado por supervilões que começam a trabalhar para o governo em troca do perdão de suas penas. Amanda Waller, oficial de inteligência dos EUA, decide reunir um grupo secreto de indivíduos dispensáveis para proteger o país de meta-humanos e outras ameaças capazes de destruir o poderio militar norte-americano em segundos. Pistoleiro, Arlequina, Bumerangue, Amarra, Croc se unem a Rick Flag na missão de suas vidas.

O filme teve uma produção conturbada, porque o roteiro tinha uma linha mais séria e depois das diversas críticas ao “Batman Vs Superman” tiveram que alterar para algo mais divertido. Engraçado que a ideia com “Esquadrão Suicida” era melhorar a imagem da DC/Warner, mas, no final das contas, estão recebendo muitas críticas pelos problemas de roteiro e produção.

Bom, aqui não temos a intenção de falar destes problemas (vários sites e vídeos no YouTube já fizeram isso), mas avaliar o filme dentro do “contexto Projeções de Fé”.

Basicamente, o filme trata de vilões presos que são obrigados a fazerem missões pelo governo, senão morrem. Ou seja, seria o mal sendo obrigado a fazer o bem. Durante o desenrolar do filme vemos que os personagens vilões tentam fugir desta dominação do governo. Não são pessoas que decidiram fazer o bem, são pessoas que agem com a intenção de não morrer.

Santo Agostinho disse:

“Sem a Graça ninguém pode absolutamente fazer o bem: seja pensando querendo, amando ou agindo”.

O que não vemos nestes personagens é a Graça de Deus. Em alguns momentos, conseguimos notar algo diferente em cada personagem, mas em em nenhum momento podem ser chamados de heróis, ao ponto de considerá-los nem mesmo anti-heróis, pois o que fazem não é uma decisão pessoal, mas uma necessidade para não terem a cabeça explodida.

Para o cristão, fazer o bem é mais que uma obrigação, é a ação que deve ser fruto natural do nosso Batismo, como o Papa Bento XVI fez questão de lembrar aos jovens na mensagem para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro:

“É o Espírito que nos impulsiona a fazer o bem, servindo os outros com o dom de nós mesmos. Depois, através do sacramento da Confirmação, somos fortalecidos pelos seus dons, para testemunhar de modo sempre mais maduro o Evangelho.”

O filme pode ser divertido, tem suas piadas e cenas de ação legais, mas não nos auxilia em nada, pelo contrário, vemos a dominação de alguém mal sobre vilões. No final das contas, somos induzidos a torcer por bandidos (ainda que alguns sejam personagens interessantes) e, convenhamos, isso não é algo certo.

Desta forma, dentro da visão Projeções de Fé, nossa avaliação é que…

RUIM

Ficha técnica:

Gênero: Aventura
Direção e Roteiro: David Ayer
Elenco: Adam Beach, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Alex Meraz, Alyssa Veniece, Amanda Brugel, Ariane Bellamar, Ben Affleck, Brianna Goldie, Cara Delevingne, Common, Corina Calderon, Darryl Quon, David Harbour, Ike Barinholtz, Jai Courtney, Jared Leto, Jay Hernandez, Jim Parrack, Joel Kinnaman, Karen Fukuhara, Kevin Hanchard, Margot Robbie, Michael Murray, Sabine Mondestin, Scott Eastwood, Viola Davis, Will Smith
Produção: Charles Roven, Richard Suckle
Duração: 123 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Atlas Entertainment / DC Entertainment / Lin Pictures
Classificação: 12 anos
Informação complementar: Baseado nos personagens da DC Comics.

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ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!

Por Walt Heyer* | Nota do Projeções de Fé**

A Garota Dinamarquesa está recheado de sentimentos fofinhos, pegajosos projetados para convencer heterossexuais “homofóbicos” ou “transfóbicos” que as dolorosas voltas e reviravoltas da vida de uma pessoa transgênera são, na verdade, uma busca saudável e corajosa para abraçar o seu verdadeiro eu. O filme transborda os pontos batidos do discurso LGBT. Num momento chave, o personagem principal exclama: “Eu finalmente sou quem eu sou!”

A Garota Dinamarquesa, baseado no romance homônimo de David Ebershoff e dirigido por Tom Hooper, conta a história de Lilli Elbe, um dos primeiros indivíduos conhecidos a passarem pela cirurgia de mudança do sexo. O filme estrela Eddie Redmayne no papel de Einar Wegener / Lilli Elbe, a transgênero feminina que emerge. Alicia Vikander co-estrela como Gerda, a devota esposa que ama o marido profundamente e permanece fiel a ele ao longo dos anos de sua espiral descendente.

Apesar das atuações bem feitas, o filme, em última análise, nada mais é do que uma ferramenta de marketing LGBT. É verdade que as pessoas transgêneras estão sofrendo. Mas o que o filme não mostra é que, muitas vezes, os pacientes transgêneros continuam sofrendo mesmo após a cirurgia, porque os seus problemas psicológicos permanecem não tratados. Sei disso por experiência própria, pois eu já fui uma mulher transgênero, e me arrependo de ter feito a cirurgia de mudança de sexo.

O Enredo

O filme se passa na Dinamarca nos anos 1920. Quando vemos pela primeira vez Einar, o marido, é um estável e brilhante artista de paisagens com algum sucesso no mundo das artes. Ele não demonstra nenhuma peculiaridade de desconforto com seu gênero ou tendências homossexuais. Gerda, que também é artista, é uma mulher atraente que ama seu marido, mas luta para conseguir reconhecimento como artista. Eles parecem um casal normal apaixonado.

As coisas começam a ficar estranhas quando Gerda precisa de um modelo feminino para completar uma pintura. Gerda pede a Einar para que a ajude posando como mulher. Aparentemente, esta é a primeira vez que Einar faz isso; ele precisa da ajuda da esposa para vestir as finas meias de nylon. Einar desliza os pés nas rendadas e pequenas sandálias de mulher e adota uma pose feminina para a pintura. Ele é um ajudante relutante, porém, cede de bom-grado aos desejos de Gerda. Eles fazem disso um jogo de brincadeiras… um jogo que acaba indo longe demais.

Gerda é tomada pelo entusiasmo de Einar posando como mulher. Ela encoraja a emergência da fêmea, a quem eles chamam brincando de Lilli, em ser graciosa e bela. Gerda descobre a sua inexplorada paixão artística quando desenha Einar; e ele, por sua vez, está seduzido pelos desenhos de si mesmo como mulher. O gatilho está puxado. Einar se apaixona por sua aparência vestido de mulher. Isso não é transsexualismo mas um fetiche sexual, impulsionado pela energia e entusiasmo que o incentivo de Gerda insuspeitamente despertou. Einar passa a se vestir de mulher às escondidas e a explorar a fascinação sexual de si mesmo vestindo tecidos sedosos.

O termo médico para o comportamento que Einar exibe – de um homem que se excita sexualmente pela ideia de ser ou se tornar uma mulher – é “autoginecofilia”. Einar troca o amor conjugal por sua esposa pelo amor a si mesmo, à sua imagem no espelho e nas telas. A atuação atinge um novo nível quando, por alguma razão, Gerda encoraja o marido a acompanhá-la em uma exibição de arte vestido como mulher. Gerda coloca em Einar uma peruca, passa maquiagem nele e escolhe um traje. Gerda o instrui em como andar e se portar como uma mulher. Na noite da festa, Gerda se diverte com o entusiasmo de usar Einar disfarçado para enganar seus conhecidos, até que ela vê o marido em um romântico beijo com um homossexual. Lilli está fora de controle, dando piruletas de pura alegria; nesse momento, Gerda finalmente se dá conta do que provocou.

Gerda se vê sem saber o que fazer com Lilli, cujas indesejadas e não anunciadas aparições estão se tornando cada vez mais frequentes. Gerda encontra um amigo de infância de Einar, com o qual ele havia perdido contato. Quando ela diz a Einar que seu amigo o quer ver, Einar lhe conta sobre um incidente há muito tempo esquecido de sua juventude, quando o amigo o beijou porque ele era “tão belo.”

O filme marcha inexoravelmente em direção à progressiva emergência de Lilli, o desaparecimento completo de Einar e angústia, solidão e frustração de sua esposa abandonada, que chora pela perda do homem que outrora foi seu marido. Assistir a angústia da esposa me fez lembrar de um outro filme, Uma Mente Brilhante, no qual uma mulher olha impotente para o marido afundar cada vez mais profundamente na doença mental.

Paralelos com a minha vida

Experiências de minha tenra infância evocaram dentro de mim os mesmos desejos que se despertaram em Einar. No caso de Einar, a experiência infantil que o influenciou em sua vida mais tarde ocorreu quando o seu amigo o beijou porque ele era “tão belo”. No meu caso, tive uma avó que secretamente me vestia de menina desde os meus quatro anos de idade. Ela costurava vestidos muito especiais para eu usar e me dizia o quão belo eu ficava quando eu os vestia para ela.

Como Einar, me casei com uma mulher e vivi como um homem. Como Einar, eu me vestia de mulher em segredo e eventualmente comecei a sair em público vestido assim. Eu também me sentia energizado pela experiência. Depois de algum tempo, o meu desejo de ser uma mulher começou a crescer e eu senti que não tinha escolha a não ser me transformar na “Laura” (nome da minha persona feminina) para “ser quem eu sou”. Como Lilli, eu queria matar a minha identidade masculina para que a Laura pudesse viver. Foi por isso que me submeti a uma completa transformação cirúrgica.

Lilli não teve a oportunidade de viver como um transgênero feminino para ver se, vivendo a vida como uma mulher, preencheria as suas expectativas e lhe serviria para encontrar paz. Ela morreu de uma infecção alguns dias após a segunda operação de reconstituição. Hoje, as técnicas de cirurgia transgêneras não implicam particularmente com o risco de vida. Depois de passar pela cirurgia de mudança de sexo, eu vivi como um transgênero feminino por oito anos, parte desse tempo trabalhando e vivendo em San Francisco. Logo após a cirurgia, como Einar, eu estava exultante em finalmente ter feito a transição. No entanto, a excitação muito rapidamente acabou.

Com o tempo, descobri que a vida como mulher não poderia me dar paz. Para meu espanto, eu ainda oscilava entre ser o Walt e ser a Laura, às vezes, várias vezes em um único dia. O que quer que me levou a querer mudar a minha identidade de gênero não havia sido resolvido pela cirurgia de mudança de sexo nem em viver como uma mulher. Eu continuei procurando uma resposta.

Uma Representação Acurada – Até certo Ponto

O filme retrata com precisão os profundos problemas emocionais e psicológicos que as pessoas transgêneras experienciam, ilustrando o quanto essas questões são difíceis de diagnosticar e tratar. O filme fez um bom trabalho ao mostrar como o desconforto de gênero pode começar a partir de um incidente aparentemente pequeno na infância e depois, na vida adulta, crescer em um grave desconforto de gênero que, por fim, leva à cirurgia de mudança do sexo.

O público assiste o modo como Einar progride da relutância de se vestir como mulher para ajudar a esposa com a pintura até se encontrar sexualmente excitado pela ideia de se vestir com roupas de mulher, desfrutar de se tornar Lilli e, finalmente, rejeitar a sua identidade como Einar e o seu casamento com Gerda. Lilli ardentemente quer a cirurgia genital, mesmo com o risco de sua vida. Imediatamente após a cirurgia, Lilli parece realmente feliz com a sua decisão.

A maioria das pessoas transgêneras diria que isso ressoa com a experiência delas; na verdade, eu vi essa mesma progressão na minha vida. No entanto, em razão da Lilli ter morrido após a segunda cirurgia, o filme só pôde retratar os desejos de pré-transição e o efeito imediato da cirurgia, não a realidade de longa duração na vida após a transição. No meu caso, a transição prometeu uma vida boa, mas depois que a euforia inicial passou, ela trouxe somente desespero. Até que eu me determinei a parar de viver como Laura e fazer o que fosse preciso para ser Walt, essa “paz” me iludiu. Estar aberto a ser restaurado para uma masculinidade madura mudou tudo.

Quando um diagnóstico correto do meu transtorno dissociativo foi feito, o primeiro tratamento eficaz pôde começar. Demorou alguns anos, mas, ao persistir com o tratamento para o transtorno dissociativo, os sentimentos de querer ser uma mulher se dissolveram até que desapareceram completamente. Eu descobri que não era preciso uma cirurgia de mudança de sexo, mas já era tarde demais: meu corpo estava irreversivelmente mutilado.

Transtornos geram transtornos

O diagnóstico usual para pacientes que se identificam como transgêneros é a “disforia de gênero”. De acordo com o DSM-5 (a edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a disforia de gênero é caracterizada por uma incongruência marcante entre a própria expressão/experiência de gênero e o sexo biológico, com duração de pelo menos seis meses. Embora não se fale muito, estudos mostram que a maioria dos pacientes transgêneros sofrem outros transtornos (coexistentes) de comorbidade.

O filme mostra os transtornos comórbidos de Einar muito claramente. Primeiro, vemos o início da autoginecofilia, um transtorno mental sexual em que Einar se torna o objeto de sua própria afeição na identidade de Lilli. Depois de ser alimentada e induzida por um tempo, isso leva a uma obsessão narcisista de auto-gratificação às custas do relacionamento com sua esposa.

Vemos o desejo emergente de Einar em se tornar a fêmea das pinturas que a sua esposa Gerda tão belamente desenha. O anseio se torna uma obsessão. As suas poderosas novas emoções mudam a visão que tem de si mesmo como homem. Eventualmente, Lilli se dissocia de Einar, e as duas personas existem dentro de uma pessoa. Isso se chama transtorno dissociativo. Desmarcada, Lilli assume o controle total e transforma Einar na imagem das pinturas de Lilli, a fêmea.

Lilli diz que Einar está morto e enterrado. Esta afirmação demonstra uma doença e não a realidade, pois é Einar quem está aí falando. Eu fiz declarações semelhantes sobre Walt. Falei sobre querer a morte de Walt e a realização de um funeral apropriado para Walt, então Laura poderia viver livre do Walt. Isso é uma mente perturbada falando. Como se vê, eu também tive um transtorno comórbido.

Os produtores de A Garota Dinamarquesa estão claramente tentando vender a ideia popular de que Einar, durante toda a sua vida, tinha uma garota presa dentro de si. Não se deixe enganar pelo slogan da propaganda! Olhe com um pouco mais de cuidado e você verá uma série de transtornos mentais mal interpretados e não diagnosticados que levaram Einar a se tornar Lilli, a mulher transgênero. Pessoas transgêneras não nascem assim; elas se evolvem a partir de experiências que moldam as suas emoções e desejos.

Oferecendo verdadeiro cuidado psiquiátrico

No final do filme, enquanto subiam os créditos, me virei para a senhora de meia-idade que sentava do lado e perguntei o que pensava. Ela respondeu: “Parecia propaganda! Eu moro num bairro onde pessoas que precisam de cuidados psiquiátricos vagueiam pelas ruas, mas ninguém está lá para ajudá-las.”

De certa forma, essa descrição se aplica às pessoas transgêneras também: elas precisam de cuidados psiquiátricos reais, mas, muitas vezes, não têm ninguém que as ajude. Mais de 60% dos pacientes com disforia de gênero sofrem transtornos comórbidos. Estes geralmente incluem distúrbios psicológicos ou psiquiátricos como a dissociação, fetiches sexuais como autoginecofilia e transtornos de humor como a depressão. Em quase todos os casos, estes transtornos podem ser resolvidos sem qualquer intervenção cirúrgica se os pacientes recebem tratamento adequado, incluindo a psicoterapia e medicação.

Uma pesquisa em 2011 descobriu que 41% das pessoas transgêneras relataram haver tentado suicídio pelo menos uma vez. Infelicidade e suicídios foram relatados pela primeira vez em 1979 pelo endocrinologista Dr. Charles Ihlenfeld, médico da Clínica de Gênero de Harry Benjamin. Depois de seis anos administrando a terapia hormonal de gênero para quinhentos pacientes transgêneros, Dr. Ihlenfeld disse que 80% das pessoas que queriam a cirurgia de mudança de sexo não deveriam fazê-la. O motivo? As altas taxas de suicídio entre a população transgênera após a operação. Mais surpreendentemente, Dr. Ihlenfeld afirmou que a cirurgia de mudança de sexo nunca pretendeu ser uma solução de tratamento para o resto da vida, mas apenas um alívio temporário.

Embora as intenções possam ser boas, muitos ativistas que lutam pela inclusão transgênera, na verdade, acabam impedindo que as pessoas transgêneras obtenham a ajuda que precisam. Uma vez que os transtornos mentais coexistentes não são tratados de forma apropriada, provavelmente as altas taxas de suicídio entre a população transgênera continuará.

Em uma cena de A Garota Dinamarquesa, um especialista diagnostica Einar com esquizofrenia paranóide. Antes do médico voltar com uma equipe para hospitalizá-lo, Einar compreensivelmente foge com medo do tratamento cruel que esperava por ele.

Eu aguardo pelo dia em que a conduta de hoje de endossar a cirurgia de mudança de sexo para todos os que expressam insatisfação com o seu sexo de nascimento também seja considerada cruel.

*Walt Heyer é um autor e palestrante com paixão em ajudar outras pessoas que se arrependem da mudança de gênero. Através de seu site, SexChangeRegret.com, e seu blog, WaltHeyer.com, Heyer sensibiliza a consciência do público sobre a incidência do arrependimento e das trágicas consequências sofridas que resultam. A história de Heyer pode ser lida na novela Kid Dakota and The Secret at Grandma’s House e em sua autobiografia A Transgender’s Faith. Outros livros de Heyer incluem Paper Genders e Gender, Lies and Suicide.

Fonte: LifeSiteNews

Trad.: Tathiane Locatelli.

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**Nota editorial do Projeções de Fé:

O texto que traduzimos e reproduzimos aqui fala por si e é, em última instância, uma análise feita a partir de quem experimentou as dificuldades pelas quais passa alguém com transtorno transgênero. Além disso, as referências médicas são fundamentais para se entender a necessidade de se buscar por ajuda psicológica, antes mesmo que cirúrgica. Mutilar o corpo em nome de um pseudo-conforto [temporário], sem antes conhecer-se muito bem é um risco com consequências para toda a vida. “Conhecer-se” aqui, entendamos no sentido mais profundo do termo: saber de si, da sua história (momento passado) e não simplesmente das suas vontades e desejos (momento presente) que, por si mesmos são efêmeros.

Enquanto obra cinematográfica, o filme é muito bem feito, com premiações de fotos, inclusive, além de ter o protagonista como candidato ao Oscar 2016 de Melhor Ator (Eddie Redmayne), além da categoria Melhor Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Melhor Figurino e Produção de Arte. Porém, a ênfase da história em si, traz à tona discussões já amplamente feitas aqui no Brasil e noutros países, a respeito da pauta LGBT.

Em termos de Moral católica, pura e simplesmente olhando sob o foco do Decálogo, vale sempre salientar os pecados deles decorrentes: contra o 1º Mandamento: amar mais a si do que a Deus; 5º Mandamento: ainda que em “desejo” de matar a própria pessoa; 6º Mandamento: contra a castidade; 8º Mandamento: mentir para si mesmo, para a esposa e as outras pessoas; 10º Mandamento: cobiçar ser quem não é.

Para além disso, o Magistério da Igreja SEMPRE nos ensina e mostra o modo cristão de agir (CIC 2358):

“Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.”

Claro que, para muitos, é relativamente fácil falar do modo correto de agir, quando não se está na pele e situação em questão. Porém, não nos arrogamos a falar sem base. Certamente, em muitas das nossas famílias há situações análogas, talvez não de pessoas transgêneras, mas com tendências homossexuais veladas e, por causa delas, podermos falar a respeito, isto é, com propriedade no assunto, como forma de ajuda, ainda que mínima, a título de tentativa de compreensão.

Ao contrário do que muitos podem afirmar, a Igreja Católica não propõe nenhuma violência contra os homossexuais, pelo contrário, o que apresenta é o que se chama de terceira via, ou seja, a alternativa católica para a homossexualidade.  Para tanto, indicamos aqui o acompanhamento do apostolado Courage, que é um grupo de apoio espiritual e fraternal, composto de leigos e leigas católicos que aspiram viver castamente em conformidade com os ensinamentos da Igreja Católica Apostólica Romana sobre a homossexualidade.

Classificamos como Ruim, pela tentativa cinematográfica de fazer com que o tema seja visto como algo “normal”, quando, na verdade, é um alerta! A obra, como dissemos, é muito boa, mas… “Nem tudo o que é bom faz bem.”

Ficha Técnica:

Título original:  The Danish Girl.
Ano: 2015.
Direção: Tom Hooper.
Estreia: 11 de Fevereiro de 2016 (Brasil) .
Duração: 120 minutos.
Classificação: 16 anos.
Gêneros: Biografia, Drama, Romance.
País de Origem: Estados Unidos da América.

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AEscolhaPerfeita2Sinopse: Após conquistarem o sucesso, as Barden Bellas ganham a oportunidade de se apresentar para o presidente dos Estados Unidos. No entanto, o show é um grande fiasco e as transformam em uma vergonha nacional. Diante do ocorrido, as Bellas são proibidas de participar de competições no meio acadêmico e até mesmo de aceitar novas integrantes. A única saída de Beca (Anna Kendrick), Fat Amy (Rebel Wilson) & cia é vencer o campeonato mundial a capela, o que apagaria as punições aplicadas ao grupo. Mas há um problema: nunca uma equipe americana venceu o torneio.

Em 2012 foi lançado o “A Escolha Perfeita” e tivemos a surpresa (pelo menos para o grande público) de ver algumas atrizes cantando e cantando bem, como foi o caso de Anna Kendrick e Rebel Wilson. Ver vários grupos cantando versões de várias músicas na modalidade “a cappella” foi algo interessante, até porque a “novidade” das atrizes cantando ficou legal.

Agora veio a sequência e o que tinha de surpresa no primeiro filme, virou “mais do mesmo”. O roteiro é previsível, morno, sem qualquer novidade e os novos personagens não são bem explorados. De novo mesmo, apenas as músicas escolhidas para serem interpretadas… apenas isso (ou seria pelo menos isso???).

Se alguém nos perguntar se vale ver no cinema, diríamos que não. Para quem tiver interesse recomendamos deixar para o DVD e gaste seu rico dinheirinho em outros filmes que parecem ser muito mais promissores.

No entanto, o que já não está muito bom, pode ficar até pior. Vamos lá!

O enredo é fraco. Ok, isso já foi dito acima; mas o pior são as personagens e suas escolhas nada perfeitas. O grupo das Barden Bellas tem a biscate, tem a latina que se acha discriminada, a lésbica, a obesa escrachada, ou seja, cheio de estereótipos que servem apenas para forçar piadas adultas, que me levam a crer que seria melhor terem colocado a classificação do filme para no mínimo 14 anos (ou mesmo 16 anos), e não 12 anos como foi colocado.

Além da parte musical (que não empolga), a única impressão tida do filme é que são moças pensando em sexo direto, de forma bem hedonista. Os exemplos do filme vão totalmente contra o que nos ensina a Santa Igreja: castidade como forma de vida.

Recentemente, o Papa Francisco falou aos jovens quando esteve em Turim, Itália:

E a vós jovens deste mundo, deste mundo hedonista, neste mundo onde só o prazer é publicitado, passar bem, levar uma vida descontraída, eu digo-vos: sede castos, sede castos.

Como o filme mostra (e, diríamos, que até mesmo incentiva) viver de forma contrária às palavras do Papa e, portanto, da Igreja; Não há como se recomendar que seja visto!

RUIM

Ficha técnica:

Gênero: Comédia
Direção: Elizabeth Banks
Roteiro: Kay Cannon
Elenco: Adam DeVine, Alexis Knapp, Anna Camp, Anna Kendrick, Austin Lyon, Ben Platt, Benjamin Wood, Birgitte Hjort Sørensen, Brea Grant, Brittany Snow, C.J. Perry, Chrissie Fit, Christopher Heskey, Elizabeth Banks, Elizabeth Caroline Branch, Ester Dean, Flula Borg, Freddie Stroma, Hailee Steinfeld, Hana Mae Lee, Jodi Lyn Brockton, John Michael Higgins, Karen Gonzalez, Katey Sagal, Kelley Jakle, Kristin McKenzie, Leticia Jimenez, Marisela Zumbado, Rebel Wilson, Shelley Regner, Skylar Astin
Produção: Elizabeth Banks, Jason Moore, Max Handelman, Paul Brooks
Trilha Sonora: Mark Mothersbaugh
Duração: 115 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Estreia: 13/08/2015 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Brownstone Productions / Gold Circle Films / Universal Pictures
Classificação: 12 anos
Informação complementar: Baseado no livro de Mickey Rapkin.

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Noé-cartazQueremos começar dizendo que não é um filme bíblico, mesmo porque a estória do dilúvio aparece em várias tradições e várias culturas diferentes; Então, a turma de Hollywood decidiu fazer a versão deles. Não fomos ao cinema esperando coerência com os textos bíblicos mas, mesmo assim, a nossa avaliação não é das melhores.

Afirmamos isso para não parecer que nossa decepção é com a falta de “precisão bíblica”, como alguns grupos andaram protestando por ai a fora. O cinema não tem nenhum órgão regulador que o obrigue a ser fiel ao que quer que seja, muito menos ao relatos bíblicos. Nosso papel no Projeções de Fé é analisar os filmes à luz da Fé e aqui entra nossa análise de um filme que lembra alguma coisa do relato bíblico.

Sinopse

Noé vive com a esposa Naameh e os filhos Sem, Cam e Jafé em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. Um dia, Noé recebe uma mensagem do Criador de que deve encontrar Matusalém. Durante o percurso ele acaba salvando a vida da jovem Ila, que tem um ferimento grave na barriga. Ao encontrar Matusalém, Noé descobre que ele tem a tarefa de construir uma imensa arca, que abrigará os animais durante um dilúvio que acabará com a vida na Terra, de forma a que a visão do Criador possa ser, enfim, resgatada.

Atenção! A partir daqui contém spoilers!

Antes de entrar nas implicações de Fé, vale dizer que o filme tem efeitos especiais muito bem elaborados, uma fotografia muito bem trabalhada, ritmo bem compassado, até o momento onde eles entram na arca; Desse momento em diante, Daren Aronovsky (diretor e roteirista) confiou muito na qualidade dos atores para manter o drama e ao nosso ver,  não consegue.

Complicações bíblicas

Embora não seja um filme bíblico, e nem pretenda ser, existem algumas coisas que são muito incoerentes com a Palavra de Deus, para não ser registrado aqui. A maior discrepância entre o filme e a palavra de Deus são os “gigantes” (Gn 6,4). Os heróis bíblicos eram homens, grandes, treinados para guerra e não monstros de pedra. No filme, eles estão em uma incoerência tão grande que chega a ser engraçado: Eles são anjos que o Criador expulsou do céu por quererem ajudar os homens! E voltam para o céu por ajudarem a Noé! Basta uma pesquisa rápida no catecismo para ver que esse não foi o motivo da queda dos demônios e nem adianta rezar pela conversão deles:

Satanás ou Diabo e os outros demônios são anjos decaídos por terem livremente recusado servir a Deus e ao seu desígnio. A sua opção contra Deus é definitiva. E eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus. (CIC 414)

Comparadas a essa, as outras diferenças são pequenas, mas ainda há uma que gostaríamos de salientar: a questão do vegetarianismo. Existe uma interpretação literal dos versículos 29 e 30 do primeiro capítulo de gênesis que entende que o Senhor só deu as ervas e plantas ao homem como alimento, mas é exatamente ligada a estória de Noé que está a entrega ao homem também de todos os animais (Gn 9,3) e o filme não toca nesse assunto, deixando a entender somente o vegetarianismo como “aceitável” pelo Criador.

Salientamos essas duas por serem claros desvios de interpretação, as outras são muitas licenças poéticas.

Há algo de bom também para tirar dele: A fidelidade do povo ao seu Senhor. Apesar de todo o longa repetir a história dramática da realidade humana de querer ser Deus, com frases marcantes (em sua minoria, bíblicas), mas que trazem alguns pequenos pesos existenciais, como a traição, o amor e a vontade de constituir e postergar a família, obediência a Deus… No fim das contas, só veio à mente a frase do filme “O Todo-Poderoso 2”, que trata de história similar, em tonalidade cômica: “A Arca: sinal do amor e da misericórdia de Deus para com a humanidade”.

Um detalhe bonito que foi explorado foi o sinal concreto da Aliança de Deus com os homens: o arco-íris em forma cíclica… quase como uma aurora boreal.

De toda maneira, não é daqueles filmes que valha a pena gastar dinheiro para assisti-lo no cinema, tampouco em 3D. Esse, compensa esperar e assistir em casa.

RUIM

Ficha Técnica:

Gênero: Drama
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Ari Handel, Darren Aronofsky
Elenco: Anne Bergstedt Jordanova, Anthony Hopkins, Ariane Rinehart, Barry Sloane, Dakota Goyo, Douglas Booth, Emma Watson, Finn Wittrock, Frank Langella, Jennifer Connelly, Kevin Durand, Logan Lerman, Madison Davenport, Mark Margolis, Marton Csokas, Nick Nolte, Ray Winstone, Russell Crowe, Sami Gayle, Saoirse Ronan
Produção: Darren Aronofsky, Mary Parent, Scott Franklin
Trilha Sonora: Clint Mansell
Duração: 137 min
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Disruption Entertainment / New Regency Pictures / Protozoa Pictures
Classificação: 14 anos

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FloresRarasGrande lançamento brasileiro de 2013, este filme de Bruno Barreto, com a esplêndida atriz Glória Pires, é bastante interessante para os cariocas que ficam sabendo como nasceu, no final da década de 50, no governo Carlos Lacerda, o maior parque urbano do mundo, o Aterro do Flamengo. Mas esta curiosidade arquitetônica da então capital brasileira, o Rio de Janeiro, é uma história paralela no enredo do filme.

‘Flores Raras’ fala do amor entre duas mulheres digamos, pouco convencionais: Maria Carlota de Macedo Soares, ou simplesmente Lota, como é conhecida a brilhante arquiteta brasileira responsável pela obra do Aterro do Flamengo e Elizabeth Bishop uma das quatro mais famosas poetisas norte-americanas.

Na verdade a trama fala sobre o amor homossexual. Lota que se relacionava com Mary por anos se apaixona por Elizabeth e com esta forma um novo par. Mas o trio permanece convivendo por anos e o tema central da filme é o relacionamento entre elas.

Que comentários devemos e podemos fazer, como católicos, sobre este filme com tema tao polemico, delicado e complexo? O amor e a amizade entre Lota e Elizabeth tem aspectos positivos de ajuda mutua, porem, a erotização desse amor nega frontalmente o plano de Deus para a maneira como duas mulheres ou dois homens são chamados a se relacionar com pessoas do mesmo sexo. Vemos o relacionamento das duas entremeado por dramas de dependência afetiva, cobranças, alcoolismo, solidão, traição, suicídio, muito sofrimento. Historias pessoais de sofrimento que se entrelaçam gerando ainda mais sofrimento.

O tema da homossexualidade e’ muito atual mesmo sendo tao antigo quanto a humanidade. E o que a Igreja como Mãe diz sobre ele? Leiamos o que nos ensina o CIC (Catecismo da Igreja Católica) nos parágrafos 2357 a 2359:

“A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos seculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (cf. Gn 19,1-29; Rm 1,24-27; I Cor 6,10; I Tm 1-10), a tradição sempre declarou que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados”. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados”.

“Um numero não negligenciável de homens e mulheres apresenta tendencias homossexuais inatas. Não são eles que escolhem sua condição homossexual; para a maioria, pois, esta constitui uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em suas vidas e, se forem cristas, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa da sua condição”.

“As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição crista”.

As palavras do Catecismo são bem claras para distinguir a pessoa que sente atração homossexual daquela que pratica a homossexualidade como algo natural e normal.

A Igreja sempre teve misericórdia para com todos os homossexuais – e todos os pecadores – e faz uma distinção importante entre o lobby gay e o homossexual.

O primeiro é destruidor e maligno e o segundo deve ser acolhido com todo respeito e amor, e ajudado se quiser, a encontrar cura para suas feridas mais profundas na afetividade que muitas vezes são a origem do problema na identidade sexual.

Lembremo-nos das palavras do Papa Francisco ao ser entrevistado no avião que o levava de volta à Roma depois da semana no Rio de Janeiro na JMJ em julho de 2013: “Se uma pessoa é gay e procura Deus e a boa vontade divina, quem sou eu para julgá-la? O Catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem. Eles não devem ser marginalizados por causa disso, mas que devem ser integrados à sociedade. O problema não é ter essa orientação. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby por essa orientação (…) Esse é o pior problema”.

Para quem quiser saber mais e precisa de ajuda psicoterápica nessa área indicamos os sites católicos o www.couragerc.net (existe o ramo brasileiro www.couragebrasil.com) e ainda em inglês o importante site cristão www.narth.com que trata das pesquisas e tratamentos para a homossexualidade feitas por psicólogos cristãos. Também há o Desert Hope Ministry no site www.deserhope.com que trata fundamentalmente da homossexualidade feminina e o renomado International Healing Foundation com mais de 30 anos de experiência que pode ser acessado através do site www.comingoutloved.com. Em todos ha abundante material de leitura, testemunhos, outros links e acima de tudo ha esperança para quem quer ajuda para conhecer sua identidade mais genuína segundo a criação amorosa de Deus, assumindo-a plenamente. Usando uma expressão de Sto. Agostinho, para quem quer colocar a ordem do Amor (Ordo Amoris) na própria vida.

O filme ‘Flores Raras’ é, portanto, uma grande obra cinematográfica brasileira mas é um filme adulto e pouco recomendado para quem está em luta para manter a castidade e curar feridas e problemas na área da afetividade e da homossexualidade. Fica a decisão a critério da consciência de cada um.

RUIM

Ficha Técnica

Gênero: Drama
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Carolina Kotscho, Matthew Chapman
Elenco: Glória Pires, Lola Kirke, Marcelo Airoldi, Marcio Ehrlich, Miranda Otto, Sophia Pavonetti, Tracy Middendorf, Treat Williams
Produção: Lucy Barreto, Paula Barreto
Fotografia: Mauro Pinheiro
Trilha Sonora: Marcelo Zarvos

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http://www.youtube.com/watch?v=IVDbZEd_Ims

AReligiosaPortuguesaEsta é uma produção franco-portuguesa de 2012 que pelo título atrai imediatamente a atenção de qualquer católico que ame simultaneamente a fé e cinema e que torce para encontrar na sétima arte elementos da Verdade revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Igreja. Infelizmente não é o caso dessa produção. Explicarei a seguir o porquê desse ponto de vista.

O enredo é pobre e monótono. Passa-se as quase duas horas de projeção esperando alguma coisa interessante ou motivadora acontecer. O filme me pareceu querer ser um ‘filme de arte’, que no entender mais comum são aqueles meio enigmáticos, ‘filosóficos’, que levam à reflexão, mas nem isso. Por se tratar de uma produção européia nota-se uma direção mais lenta comparada com a dinâmica hollywoodiana de filmagem a que estamos acostumados, mas esta lentidão traz de benefício somente uma linda fotografia da cidade de Lisboa onde a história acontece. De resto corre-se o risco de ficar com sono e começar a olhar para o relógio.

‘A Religiosa Portuguesa’ fala da filmagem de um filme sobre uma religiosa medieval que se apaixona por um capitão que vai rezar no convento onde ela vivia e que, dentro dos muros do convento onde mora, acaba vivendo com ele uma ‘paixão carnal’ usando as palavras do próprio personagem. A atriz que faz o papel da religiosa medieval também vive uma grande angústia com relação a sua vida afetiva-amorosa, buscando sentido de vida e um amor duradouro. A solução porém, que o enredo propõe não convence. A atriz em seus passeios por Lisboa acaba conhecendo uma religiosa verdadeira que faz vigílias noturnas diárias, sozinha, numa pequena capela. Ela a vê rezando várias vezes e quando enfim a conversa entre as duas acontece o que pretendia ser o clímax da história, mais uma vez decepciona.

Decepciona porque a monja verdadeira que passa as noites em vigília que atrai a jovem atriz sedenta de felicidade não fala a esta sobre Deus e do amor que Ele revelou ser salvação e misericórdia em Jesus Cristo. Fala um monte de conceitos esotéricos com capa de cristianismo e de fé católica. Sabe a velha história: parece mas não é? Exatamente isso. A situação da monja verdadeira também é inverossímel pois não há monge por mais santo que pretenda ser que consiga viver praticamente sem dormir fazendo vigília todas as noites e que não tenha vida comunitária! Os santos e as santas de Deus continuam sendo gente com necessidades humanas normais. A capela onde ela passa as noites não tem um tabernáculo com a presença de Jesus eucarístico, o que seria o mais correto acontecer se ela fosse de fato monge ou freira. Sendo assim, de detalhe em detalhe e de fala em fala se percebe que ‘A Religiosa Portuguesa’ não convence nem como religiosa e muito menos como católica.

O filme é cheio de takes longos e silenciosos, focando muitas vezes no rosto das pessoas e os diálogos são quase artificiais, de tão sem expressão facial afetiva. A personagem principal que é a atriz faz o papel da religiosa pecadora medieval tem um discurso claramente reencarnacionista e angustiado de quem busca o sentido da vida e o Amor, refletindo a realidade de tantas pessoas, porém, ao se encontrar com a verdadeira religiosa, o diálogo que travam, repito, é profundamente decepcionante. Tem frases de efeito e falas sobre o amor mas não é evangélico.

Do filme só se salvam duas coisas: uma pequena história paralela que fala da adoção de um menino órfão de dez anos, o pequeno e lindo Vasco que convence no papel, e a fotografia e a música. Os fados portugueses são lindos e muito bem interpretados em dois momentos do filme e servem como um alento no meio da monotonia. O filme é uma decepção e não o recomendo. Mais uma vez o velho ditado se repete: cuidado para não se comprar gato por lebre.

RUIM

Ficha Técnica:

Gênero: Drama
Direção: Eugène Green
Roteiro: Eugène Green
Elenco: Adrien Michaux, Aldina Duarte, Ana Moreira, Beatriz Batarda, Carloto Cotta, Diogo Dória, Francisco Mozos, Leonor Baldaque
Produção: Luís Urbano
Fotografia: Raphaël O’Byrne
Duração: 127 min.


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O fato [real] do Tsunami que ocorreu na Tailândia serve de plano de fundo para desconstruir a ideia que o próprio título do filme já indica: seria praticamente impossível que todos os membros de uma família se reencontrassem após a tragédia como aquela.

Atenção! Contém Spoilers!

 

Uma família composta de um casal e três crianças resolve passar as férias numa praia na Tailândia sem a menor preocupação. Ali a paisagem encanta, a estrutura para acolher turistas impressiona e o cenário paradisíaco não dá a menor pista da armadilha em que a família está se metendo. A história anterior à enorme parede de água que atinge a praia não demora muito em seu desenrolar: a família está à beira da piscina aproveitando o dia ensolarado quando, de repente, sem qualquer aviso prévio, uma onda apocalíptica atinge todos sem a menor piedade.
Tudo o que se passa depois é, em geral, uma sucessão de cenas macabras de pernas boiando, seios rasgados por galhos, hematomas e fraturas expostas. A família cujo milagre do reencontro ocorre no final do filme é quase secundária no mar (literalmente) de desgraças que ocupa a maior parte dos minutos de filme. Em meio a tanta tragédia, o filho mais velho do casal destaca-se com virtudes dignas de respeito como a maturidade em assumir o papel de homem da família depois da possível morte paterna, a caridade com que abdicou do cuidado da mãe para ajudar outras famílias a reencontrarem seus parentes perdidos e principalmente a força para não se desmoronar em lágrimas pela situação da mãe toda machucada.
Além disso, o filme tem muito a ensinar no que diz respeito à solidariedade e à perseverança. Realmente os outros membros da família principal conseguem em determinados momentos esquecerem-se um pouco de si mesmos e da própria miséria para ajudar um menino abandonado, por exemplo, mas em geral, o filme é uma dura luta pela auto-sobrevivência e nada mais. É difícil pensar que um documentário da TV à cabo ensinaria menos que “O Impossível”. A sobrevivência ao caos parece ser a única moral de uma história que parece não ter história. Afinal, os valores são quase nada diante de um cenário tão planejado: todo mundo da família sabe nadar, as torres de celular são as únicas coisas que funcionam no país, num estalo toda uma rede de voluntários se organiza para cuidar dos milhares de feridos, etc.
A grade decepção talvez seja as cena final que, vamos combinar, nada tão politicamente incorreto dadas as condições miseráveis de todos os atingidos pelo tsunami: a família entra num jatinho poucas horas depois do reencontro e parte rumo à Pátria amada enquanto os pobres mortais tentam conseguir um voo quando a primeira companhia aérea decidir tocar no solo daquele país novamente.
“O impossível” é um filme bem descartável. A tragédia toda já conhecíamos pelos noticiários e a história quase impossível da família que se reencontra após ser atingida por um onda gigante só serve para provar uma coisa: existem formas e formas de se relatar um evento extraordinário. A escolhida para “O impossível” foi indigna da história de superação que a família deve ter enfrentado na vida real.
Ficha Técnica:
Diretor: Juan Antonio Bayona
Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Russell Geoffrey Banks, Marta Etura, Geraldine Chaplin, Sönke Nöhring, Dominic Power, Olivia Jackson, Oaklee Pendegast, Bruce Blain, Teo Quintavalle, Nicola Harrison, Samuel Joslin, Gitte Witt, Byron Gibson, Oak Keerati, Laura Power, Natalie Lorence, Ploy Jindachote, Johan Sundberg, Cecilia Arnold, Henry Reed, Georgina L. Baert, Jan Roland Sundberg, Vanesa de la Haza, Christopher Alan Byrd, George Baker, Oli Pascoe, Lancelot Kwok, David Firestar, Marco Naddei, Desmond O’Neill
Produção: Belén Atienza, Álvaro Augustín, Enrique López Lavigne , Ghislain Barrois
Roteiro: Sergio G. Sánchez
Fotografia: Óscar Faura
Trilha Sonora: Fernando Velázquez
Duração: 107 min.
Ano: 2011
País: Espanha/ EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Apaches Entertainment / Telecinco Cinema
Classificação: 14 anos
 
Trailer
 
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=rDOg3jYnICw]
RUIM

 

É um filme que vai dividir opiniões. Aqueles que gostam de filmes tutoriais, em que tudo é explicado nos mínimos detalhes, irão odiar esse filme. Aqueles que gostam de filmes que fazem pensar irão gostar do filme.
É legal filme que nos faz pensar. Sutilezas na trama deixam com aquela vontade de ver várias vezes. Mas filmes filosóficos correm o risco de serem ou muito bons ou muito chatos.
“O filme salta enlouquecidamente através de seis épocas distintas, desde 1849 (em uma história de escravatura) até milhões de anos no futuro (uma fantasia em um mundo distante), 106 anos depois de um evento chamado A Queda, passando por 1946 (no pós-guerra inglês, em uma história sobre um amor homossexual proibido e a criação de uma obra-prima musical), 1973 (com uma investigação jornalística sobre usinas nucleares em São Francisco), 2012 (com uma engraçadíssima comédia britânica sobre um grupo de velhinhos tentando fugir de uma casa de repouso) e, enfim, 2144 (em Neo Seul, em uma ficção científica cyberpunk com uma empregada fabricada de uma cadeia de restaurantes tornando-se a líder de uma revolução).”
Ele tem muitas falhas, principalmente de ritmo, que demora demais pra engatar, e quando o faz, em seguida volta a ficar lento.
É um filme que, pra mim, está recheado de boas intenções, mas que passou longe de alcançá-las. Esse é o típico filme em que você espera, espera, espera… três horas se passam e não acontece NADA.
Um cuidado ao assisti-lo é o forte cunho espírita-relativista. Quanto a isto, o Catecismo da Igreja Católica afirma no número 1013:

“A morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo de graça e misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino último. Quando acabar ‘a nossa vida sobre a terra, que é só uma’ (598), não voltaremos a outras vidas terrenas. ‘Os homens morrem uma só vez’ (Heb 9, 27). Não existe ‘reencarnação’ depois da morte.”

No que se refere à Filosofia existente no filme, alguns críticos de cinema têm afirmado que “Tykwer e os Wachowski fizeram algo mais complexamente elaborado: tentaram encontrar um ponto de equilíbrio e ambiguidade entre tradições filosóficas orientais e ocidentais, entre telos (a ideia ocidental e socrática de que a existência seria dotada de um propósito ou finalidade que se desdobraria ao longo do tempo) e a crença oriental da “metempsicose” ou transmigração de almas – de origem hindu e egípcia que será a base dos mistérios órficos da antiguidade de que vida e morte vivem numa eterna batalha formando um círculo de recorrentes encarnações e uma espécie de eterno-retorno. Tempo linear de telos versus eterno-retorno da metempsicose.
A jornada da alma se consistiria em uma alternância entre a liberdade momentânea da matéria pela morte e a posterior reencarnação e o retorno à prisão da matéria, criando um círculo de necessidade. A mensagem da lenda de Orfeu clamaria pela possibilidade de libertação dessa espécie de eterno-retorno através de uma autopurificação para que possamos retornar aos deuses (a Dionísio, em particular), transformando esse círculo em uma espiral ascendente.
Esse misticismo órfico da Grécia do século VI A.C. vai inspirar Platão e o Gnosticismo do início da era cristã que via a reencarnação como uma forma de prisão em um cosmos essencialmente dominado pelo Mal.”
Palavras-chave de jargões, são os elos que ligam toda a trama do filme e intercalam as partes: Morte-Vida-Nascimento; Futuro-Presente-Passado; Amor-Esperança-Coragem: “Tudo está conectado.”
“Nossas vidas e escolhas sugere uma nova direção possível. Medo, Fé, Amor, fenômenos que determinam o curso de nossas vidas. Essas forças começam bem antes de nascermos e continuam após a nossa partida. Nossas vidas não são nossas. Estamos vinculados a outras, passadas e presentes e de cada ato generoso nosso, nasce o futuro.”As partes boas do filme são as músicas:

A música de ação do filme (do Trailer) é de Thomas Bergersen – “Sonera“:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=2e1ANcVKrGc]
A música que dá o nome do filme Cloud Atlas – Sextet – e que, literalmente significa “mapa das nuvens” (e que teria sido bem melhor do que “A Viagem”) é a história de uma peça composta ao longo do mesmo, por um dos protagonistas:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=rdiLxyGH8Lg]

Ficha Técnica:

Diretor: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Susan Sarandon, Hugh Grant, Ben Whishaw, Keith David, Jim Broadbent, James D’Arcy, Götz Otto, Zhu Zhu, Doona Bae, Xun Zhou, David Gyasi, Alistair Petrie, Daniele Rizzo, Brody Nicholas Lee, Mya-Lecia Naylor, Louis Dempsey, Robin Morrissey, Raevan Lee Hanan, Valerie Lillibeth, Laura Vietzen, Lyly Schoettle, Charly Yoon, Korbyn Hawk Hanan, Liz Strange, Barry Van Lee, Alexander Yassin
Produção: Stefan Arndt, Grant Hill, Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Roteiro: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Fotografia: Frank Griebe, John Toll
Trilha Sonora: Reinhold Heil, Johnny Klimek, Tom Tykwer
Duração: 172 min.
Ano: 2012
País: EUA, Alemanha, Hong Kong, Cingapura
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Anarchos Productions / Media Asia Films / X-Filme Creative Pool / Asacine Produções / Five Drops / A Company Filmproduktionsgesellschaft
Classificação: 16 anos
 
Trailer
 
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=zrYTqnfzGJo]
RUIM