Projeções de Fé

Jogador nº 1

Com direção de Steven Spielberg, você já imagina: vem coisa boa (e muita ação) por aí!

Sinopse: Num futuro distópico, em 2044, Wade Watts (Tye Sheridan), como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Quando o criador do jogo, o excêntrico James Halliday (Mark Rylance) morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável. Para vencer, porém, Watts terá de abandonar a existência virtual e ceder a uma vida de amor e realidade da qual sempre tentou fugir.

O filme se passa no ano de 2044, mas a mentalidade vigente é apenas mais agravada da que vemos nos dias atuais. Sim, em 2018 mesmo! Tantas vezes temos a tentação de achar que o mundo virtual é um lugar onde podemos ser mais livres e assumir para nossa vida coisas que, aparentemente, seriam impossíveis. No jogo Oasis, não se pode apenas escolher a aparência física que lhe convém, mas você pode ser e fazer o que deseja, afinal, tudo é permitido, é como uma perfeita válvula de escape da realidade.

Não muito longe disso, em 2018, vemos pessoas curvadas, vidradas em pequenas telas apoiadas nas mãos, sem olhar para frente, sem apreciar a vista, sem uma conversa com a pessoa que está sentada na mesma mesa… O mais importante é checar, a cada cinco segundos, as mensagens que chegam no celular ou acompanhar em tempo real crescer o número de curtidas na foto que acabou de postar. Fora as diversas formas de interação virtual que, mesmo tendo inúmeros benefícios e a grande oportunidade de unir pessoas distantes em vários lugares do mundo, estão acabando por enfraquecer de vez as relações interpessoais reais, palpáveis.

Se antes se poderia reduzir a um mal apenas da juventude conectada, graças ao avanço maciço da tecnologia, infelizmente, vemos hoje ser um problema generalizado, que vai aproximando pessoas distantes, mas, ao mesmo tempo, afastando vizinhos, amigos, família.

Jogador nº 1 consegue trazer o tema de forma sutil, sem fazer críticas diretas, mas está ali, estampado para quem quiser ver. Facilmente conseguimos fazer um paralelo entre a maneira com que as pessoas jogam o jogo, dentro de casa ou no meio da rua, com as pessoas que estão constantemente olhando para os seus celulares, não importa onde ou com quem estejam. Parece que estamos nos transformando em zumbis, andando em linha reta, com dedinhos se movimentando com rapidez no teclado e pedindo desculpas ao esbarrar em alguém que sequer olhamos o rosto. Estamos constantemente buscando a aprovação virtual das mesmas pessoas que ignoramos em casa, na faculdade ou no trabalho. E isso é o que o Papa Francisco vem tentando nos dizer, ao pedir que deixemos de lado a nossa autorreferencialidade:

“Esta cultura em que temos que viver, dado que é muito egoísta, muito assim [faz um gesto] de olhar só para si, contém uma dose muito grande de narcisismo, desse ficar a contemplar-se a si próprio, e por muito tempo, ignorando os outros. O narcisismo causa-te tristeza porque vives preocupado em maquilhar a tua alma todos os dias, em aparecer melhor do que és, em contemplar se és mais bonito do que os demais, é a doença do espelho. Jovens, quebrai esse espelho! Não vos contempleis ao espelho, porque o espelho engana, olhai para fora, olhai para os demais, fugi deste mundo, desta cultura que estamos a viver — à qual fizeste referência — que é consumista e narcisista.”

Por outro lado, existe também outro ponto abordado no filme, que é a amizade. No dilema entre realidade e ficção, o protagonista se vê envolto por uma série de desafios, cujo entendimento do que é verdade ou não acaba se perdendo. Por isso, a união do grupinho “High Five” é o que vem confortá-lo, mostrando que, principalmente nos momentos difíceis, é de fundamental importância ter pessoas próximas em quem podemos confiar e com nas quais confiar.

Já na questão técnica, curioso demais são as referências e a trilha sonora voltadas para os anos 1980, o que dá um ar nostálgico a um filme futurista. As cenas de ação e os cenários construídos dentro do jogo também são muito bem feitos. Assisti-lo em 3D não faz tanta diferença.

De toda forma, é uma produção boa para quem gosta de ir ao cinema para relaxar e se divertir com namorado (a), amigos etc, principalmente com o grande desfecho da trama, que nos leva a refletir e concluir que nada pode substituir a companhia real de alguém que vale a pena!

Ficha técnica:

Gênero: Ficção científica.
Direção: Steven Spielberg.
Roteiro: Eric Eason, Ernest Cline, Zak Penn.
Elenco: Ben Mendelsohn, Hannah John-Kamen, Lena Waithe, Mark Rylance, Olivia Cooke, Simon Pegg, T.J. Miller, Tye Sheridan, Win Morisaki.
Produção: Dan Farah, Donald De Line, Kristie Macosko Krieger, Steven Spielberg.
Duração: 140 min.
Ano: 2018.
País: Estados Unidos.
Classificação: 12 anos.

Trailer

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