Mulher-MaravilhaSinopse: Antes de ser a Mulher-Maravilha, ela era Diana, princesa das amazonas, treinada para ser uma guerreira invencível. Criada em uma ilha paradisíaca isolada, ela descobre que um enorme conflito assola o mundo exterior quando um piloto americano cai em suas terras. Diana deixa sua casa, convencida de que pode parar a ameaça. Lutando ao lado de homens em uma guerra para acabar com todas as guerras, Diana descobre a dimensão de seus plenos poderes… e seu verdadeiro destino.

Depois dos criticados filmes “Esquadrão suicida” e “Batman vs Superman“, chega para nós o mais novo filme baseado em super-heróis da DC Comics. Chegou e chegou muito bem.

Já fomos apresentados à heroína no filme em que o Batman encara o o herói kryptoniano, mas, neste novo filme, podemos ver a sua origem e a sua descoberta de um mundo muito diferente daquele que conhecia em sua casa, na ilha de Themyscira.

Embora a Mulher-Maravilha tenha a sua origem relacionada com a mitologia grega, bem como o vilão do filme ser o deus grego Ares, podemos perceber com certa clareza como é a atuação do demônio em nossas vidas.

No filme é posto que a ação de Ares junto aos homens é no sentido de induzi-los à guerra, mas a decisão de se cometer o erro é exclusivo deles, em razão de seu livre-arbítrio. Da mesma forma é a atuação do diabo junto aos homens, em que age como que ficasse “sussurrando em nossos ouvidos” para que pequemos.

Isso já foi muito bem colocado por São João Paulo II na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Reconciliatio et Paenitentia:

“(…)Deus é fiel ao seu desígnio eterno mesmo quando o homem, induzido pelo Maligno e arrastado pelo seu orgulho, abusa da liberdade que lhe foi dada para amar e procurar generosamente o bem, recusando a obediência ao seu Senhor e Pai; (…)

14. Se lermos a página bíblica da cidade e da torre de Babel à luz da novidade evangélica e a confrontarmos com a outra página da queda dos primeiros pais, podemos tirar daí elementos preciosos para uma tomada de consciência do mistério do pecado. Esta expressão, na qual se repercute o que São Paulo escreve acerca do mistério da iniquidade tem em vista fazer-nos perceber o que se esconde de obscuro e de inexplicável no pecado. Este, sem dúvida, é obra da liberdade do homem; mas por dentro da realidade desta experiência humana agem factores, pelos quais ela se situa para além do humano, na zona limite onde a consciência, a vontade e a sensibilidade do homem estão em contacto com forças obscuras que, segundo São Paulo, agem no mundo até ao ponto de quase o senhorearem.”

A influência do demônio na vida do homem nos leva a um duro combate, como descrito no Catecismo da Igreja Católica:

409. Esta dramática situação do mundo, que “está todo sob o poder do Maligno” (1 Jo 5,19), transforma a vida do homem num combate:

“Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Tendo começado nas origens, há de durar – o Senhor no-lo disse – até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem. Só através de grandes esforços é que, com a graça de Deus, consegue realizar a sua unidade interior.”

Ainda que o demônio persista em sua ação junto ao homem, não devemos nos deixar abater, pois isso não acontece sem a permissão de Deus diante de uma plano divino, como bem nos lembra Santo Agostinho:

Deus onipotente, sendo sumamente bom, não deixaria mal algum em sua obra, se não fosse tão poderoso e bom que pudesse tirar até do mal o bem.

Assim como no filme vemos a Princesa Diana e tantos outros tentando combater o bom combate contra seu inimigo, da mesma forma devemos nós nos vestirmos da armadura de Deus como descrito em Efésios 6, 13-18:

13.Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever.
14.Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça,
15.e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.
16.Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
17.Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.
18.Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.

CONFERIR2

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Michelle MacLaren
Roteiro: Allan Heinberg, Flor Ferraco
Elenco: Ann Ogbomo, Chris Pine, Connie Nielsen, Eleanor Matsuura, Emily Carey, Eugene Brave Rock, Ewen Bremner, Florence Kasumba, Gal Gadot, Lisa Loven Kongsli, Lucy Davis, Madeleine Vall, Mayling Ng, Robin Wright, Roman Green
Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder
Trilha Sonora: Rupert Gregson-Williams
Duração: 140 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Atlas Entertainment / Cruel & Unusual Films / DC Entertainment
Classificação: 12 anos

Trailer

Sinopse: Thor está aprisionado do outro lado do universo sem seu poderoso martelo e precisa correr contra o tempo e para evitar o Ragnarok — a destruição de sua terra natal e o fim da civilização de Asgard pelas mãos de uma nova e poderosa ameaça, a impiedosa Hela. Mas antes ele deve sobreviver a um duelo mortal numa arena de gladiadores onde seu adversário é um antigo aliado e colega Vingador – o Incrível Hulk.

Chega aos cinemas o terceiro filme de Thor, com trailer animado, música empolgante, muita piadinha … vale a pena assistir?

Desta vez o Projeções de Fé fez algo diferente: usamos o episódio do podcast Nerds, Geeks e Católicos (página no Facebook – Nerds, Geeks e Católicos) para falar sobre o filme. A publicação do episódio foi feita neste link – http://www.alobrandalise.com/2017/11/ngc-02-thor-ragnarok.html – onde você poderá fazer o download do áudio, assinar o FEED para acompanhar as publicações do podcast.

Segue abaixo o áudio para quem quiser ouvir por aqui mesmo:

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Taika Waititi
Roteiro: Christopher Yost, Craig Kyle, Eric Pearson
Elenco: Amali Golden, Anthony Hopkins, Ashley Ricardo, Benedict Cumberbatch, Cate Blanchett, Charlotte Nicdao, Chris Hemsworth, Clancy Brown, Georgia Blizzard, Idris Elba, Jaimie Alexander, Jeff Goldblum, Karl Urban, Mark Ruffalo, Rachel House, Ray Stevenson, Shalom Brune-Franklin, Tadanobu Asano, Taika Waititi, Tessa Thompson, Tom Hiddleston, Zachary Levi
Produção: Kevin Feige
Duração: 130 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Classificação: 12 anos

Trailer

Mulher-MaravilhaSinopse: Antes de ser a Mulher-Maravilha, ela era Diana, princesa das amazonas, treinada para ser uma guerreira invencível. Criada em uma ilha paradisíaca isolada, ela descobre que um enorme conflito assola o mundo exterior quando um piloto americano cai em suas terras. Diana deixa sua casa, convencida de que pode parar a ameaça. Lutando ao lado de homens em uma guerra para acabar com todas as guerras, Diana descobre a dimensão de seus plenos poderes… e seu verdadeiro destino.

Depois dos criticados filmes “Esquadrão suicida” e “Batman vs Superman“, chega para nós o mais novo filme baseado em super-heróis da DC Comics. Chegou e chegou muito bem.

Já fomos apresentados à heroína no filme em que o Batman encara o o herói kryptoniano, mas, neste novo filme, podemos ver a sua origem e a sua descoberta de um mundo muito diferente daquele que conhecia em sua casa, na ilha de Themyscira.

Embora a Mulher-Maravilha tenha a sua origem relacionada com a mitologia grega, bem como o vilão do filme ser o deus grego Ares, podemos perceber com certa clareza como é a atuação do demônio em nossas vidas.

No filme é posto que a ação de Ares junto aos homens é no sentido de induzi-los à guerra, mas a decisão de se cometer o erro é exclusivo deles, em razão de seu livre-arbítrio. Da mesma forma é a atuação do diabo junto aos homens, em que age como que ficasse “sussurrando em nossos ouvidos” para que pequemos.

Isso já foi muito bem colocado por São João Paulo II na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Reconciliatio et Paenitentia:

“(…)Deus é fiel ao seu desígnio eterno mesmo quando o homem, induzido pelo Maligno e arrastado pelo seu orgulho, abusa da liberdade que lhe foi dada para amar e procurar generosamente o bem, recusando a obediência ao seu Senhor e Pai; (…)

14. Se lermos a página bíblica da cidade e da torre de Babel à luz da novidade evangélica e a confrontarmos com a outra página da queda dos primeiros pais, podemos tirar daí elementos preciosos para uma tomada de consciência do mistério do pecado. Esta expressão, na qual se repercute o que São Paulo escreve acerca do mistério da iniquidade tem em vista fazer-nos perceber o que se esconde de obscuro e de inexplicável no pecado. Este, sem dúvida, é obra da liberdade do homem; mas por dentro da realidade desta experiência humana agem factores, pelos quais ela se situa para além do humano, na zona limite onde a consciência, a vontade e a sensibilidade do homem estão em contacto com forças obscuras que, segundo São Paulo, agem no mundo até ao ponto de quase o senhorearem.”

A influência do demônio na vida do homem nos leva a um duro combate, como descrito no Catecismo da Igreja Católica:

409. Esta dramática situação do mundo, que “está todo sob o poder do Maligno” (1 Jo 5,19), transforma a vida do homem num combate:

“Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Tendo começado nas origens, há de durar – o Senhor no-lo disse – até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem. Só através de grandes esforços é que, com a graça de Deus, consegue realizar a sua unidade interior.”

Ainda que o demônio persista em sua ação junto ao homem, não devemos nos deixar abater, pois isso não acontece sem a permissão de Deus diante de uma plano divino, como bem nos lembra Santo Agostinho:

Deus onipotente, sendo sumamente bom, não deixaria mal algum em sua obra, se não fosse tão poderoso e bom que pudesse tirar até do mal o bem.

Assim como no filme vemos a Princesa Diana e tantos outros tentando combater o bom combate contra seu inimigo, da mesma forma devemos nós nos vestirmos da armadura de Deus como descrito em Efésios 6, 13-18:

13.Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever.
14.Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça,
15.e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.
16.Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
17.Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.
18.Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.

CONFERIR2

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Michelle MacLaren
Roteiro: Allan Heinberg, Flor Ferraco
Elenco: Ann Ogbomo, Chris Pine, Connie Nielsen, Eleanor Matsuura, Emily Carey, Eugene Brave Rock, Ewen Bremner, Florence Kasumba, Gal Gadot, Lisa Loven Kongsli, Lucy Davis, Madeleine Vall, Mayling Ng, Robin Wright, Roman Green
Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder
Trilha Sonora: Rupert Gregson-Williams
Duração: 140 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Atlas Entertainment / Cruel & Unusual Films / DC Entertainment
Classificação: 12 anos

Trailer

LoganSinopse: Situado em 2029, Logan. Caliban e o Professor Charles Xavier vivem escondidos no deserto mexicano em um mundo desolado e praticamente sem mutantes. As coisas se complicam quando Laura, conhecida como X-23, foge de uma corporação que cria mutantes como arma e encontra Logan e pede sua ajuda. Com o fator de cura de Logan comprometido e Xavier sofrendo de demência, eles precisam ajudar X-23 a encontrar um lugar seguro no mundo, enquanto são caçados pelos Carniceiros.

Chegamos ao último filme em que o ator Hugh Jackman atua como Wolverine, e nesta produção com muita violência (é bom deixar claro ao espectador, tem muita violência mesmo) vemos o melhor filme com o personagem. Dificilmente qualquer fã de filmes de heróis ou de quadrinhos reclamará.

O primeiro ponto a se destacar é que, mesmo com toda a violência, não se trata de mais uma aventura do personagem Wolverine, mas vemos o fim da história de um homem (Logan) se passando em 2029, tempo em que quase todos os mutantes morreram e, dos X-Men, sobraram apenas ele e o Professor Charles Xavier que, inclusive, está doente e com problemas psicológicos.

Logan trabalha para sustentar e cuidar de seu amigo doente, sendo que ele mesmo sofre com problemas no seu fator de cura. É um esforço grande para quem costumava tentar manter distância das pessoas. Vemos a relação de amizade tão forte quanto a de um filho cuidando de seu pai idoso e doente, com suas alegrias e dissabores.

E no meio disso tudo ainda aparece uma menina mutante que tem poderes semelhantes aos de Wolverine, e aqui vemos as dificuldades de Logan em lidar com a criança. Aprendeu a “ser filho” pela necessidade, mas conseguirá “ser pai”? Até onde irá para ajudá-la?

O filme nos mostra que precisamos fazer o bem às pessoas sem esperar recompensa, inclusive para quem não teríamos obrigação alguma. Logan se sente impelido a agir como o bom samaritano, da mesma forma que nós devemos fazer.

São João Paulo II, na Carta Apostólica Salvifici Doloris, nos coloca claramente que ser o Bom Samaritano não é “apenas” ter compaixão 

O Bom Samaritano da parábola de Cristo não se limita, todavia, à simples comoção e compaixão. Estas transformam-se para ele num estímulo para as ações que tendem a prestar ajuda ao homem ferido. Bom Samaritano, portanto, é, afinal, todo aquele que presta ajuda no sofrimento, seja qual for a sua espécie; uma ajuda, quanto possível, eficaz. Nela põe todo o seu coração, sem poupar nada, nem sequer os meios materiais. Pode-se dizer mesmo que se dá a si próprio, o seu próprio « eu », ao outro. Tocamos aqui um dos pontos-chave de toda a antropologia cristã. O homem « não pode encontrar a sua própria plenitude a não ser no dom sincero de si mesmo ». Bom Samaritano é o homem capaz, exatamente, de um tal dom de si mesmo.

Que possamos ver o filme e nos emocionar com a despedida de Hugh Jackman em relação ao seu principal personagem, Wolverine, mas também reconhecer em Logan ações que podemos tomar para a nossa vida… menos o uso das garras, é claro.

CONFERIR2

Ficha técnica:

Gênero: Ação.
Direção: James Mangold.
Roteiro: David James Kelly.
Elenco: Boyd Holbrook, Dave Davis, Doris Morgado, Elise Neal, Elizabeth Rodriguez, Eriq La Salle, Hugh Jackman, Jaden Francis, Juan Gaspard, Julia Holt, Lauren Gros, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Sienna Novikov, Stephen Merchant.
Produção: Hutch Parker, Lauren Shuler Donner, Simon Kinberg.
Trilha Sonora: Marco Beltrami.
Duração: 135 min.
Ano: 2017.
País: Estados Unidos.
Distribuidora: Fox Film do Brasil.
Estúdio: Twentieth Century Fox Animation.
Classificação: 16 anos.

Trailer

doctorstrangeMais um filme de herói da Marvel!!! Eba!!! Será?!

Atenção! Contém Spoilers!

Sinopse: Doutor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um cirurgião de Nova York, bem sucedido e arrogante, que entra em desespero depois de sua carreira ser definhada por um acidente de carro que destrói suas mãos. Quando esgota seu dinheiro e opções, decide viajar ao Nepal em busca de uma cura espiritual, mas o que encontra, abre sua mente de maneiras nunca imaginadas e o colocam no caminho para tornar o Mago Supremo da Marvel.

Aqui no Projeções de Fé devemos avaliar este filme sob dois aspectos: 1. como produção cinematográfica; 2. sob o “olhar PdF”.

Como produção cinematográfica o fã deste tipo de filme pode comemorar. Não é o melhor filme da Marvel, porém, mesmo com aquele gostinho de que poderia ter um roteiro melhor, a produção é muito boa. A caracterização dos personagens está muito boa (também, com este elenco fica bem mais fácil), a produção gráfica ficou incrível, e somos apresentados a um novo herói e personagem. 

No entanto, nem tudo são flores.

O personagem principal passa de um grande cirurgião a Mago Supremo, eis que ao buscar a sua cura física, encontrou uma cura espiritual ao dominar forças além de sua compreensão. Resumindo, ele mexeu com forças ocultas sobrenaturais. Ainda que, em alguns momentos, o filme tente explicar as situações com alguma pseudo-ciência (prestem atenção no que é o Olho de Agamoto – colar que o Doutor Estranho usa -, ou as discussões de inimigos de outras dimensões), ainda assim estamos lidando com Ocultismo.

Neste aspecto, o Catecismo da Igreja Católica é específico:

2117. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele. O recurso às medicinas ditas tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes malignos, nem a exploração da credulidade alheia

Não se trata de intolerância religiosa ou preconceito, mas é fato que tais práticas são completamente contrárias à fé católica.

Portanto, ainda que seja um filme de herói com uma ótima produção, não há como se negar que o Doutor Estranho assume linha espiritual que o ex-exorcista do Vaticano, o falecido Padre Gabriele Amorth, já nos alertou:

“(…) sim, o demônio pode dar poder e benefícios. É o que faz, por exemplo, com todos os magos e bruxos: o poder da adivinhação e de provocar perturbações; pode também dar vantagens materiais de riqueza, sucesso, prazeres. (…)”

Importante destacar que em determinado momento do filme, os vilões fazem um feitiço dentro de um templo cristão (não dá para se ter certeza de que é católico, mas parece ser), deixando a entender que as forças do mal superam o poder de Deus. Para alguns, isso seria uma interpretação forçada, mas levando em conta que estamos falando de um filme que trata especificamente de aspectos espirituais, essa referência não parece ser uma teoria da conspiração.

Como mais um filme da Marvel ele é legal (e realmente é), mas espiritualmente, ele se baseia em um grande erro. Desta forma, sob o “olhar PdF”, não há como não considerá-lo como um filme ruim.

RUIM

Ficha Técnica:

Gênero: Ação.
Direção: Scott Derrickson.
Roteiro: Jon Spaihts, Joshua Oppenheimer, Thomas Dean Donnelly.
Elenco: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Mads Mikkelsen, Rachel McAdams, Tilda Swinton.
Produção: Kevin Feige.
Trilha Sonora: Christopher Young.
Duração: 115 min..
Ano: 2016.
País: Estados Unidos.
Estreia: 03/11/2016 (Brasil).
Distribuidora: Walt Disney Pictures.
Estúdio: Marvel Studios.
Classificação: 12 anos.

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JasonBourneSinopse: Fora do radar como lutator de rua, Jason Bourne (Matt Damon) é surpreendido por Nicky Parsons (Julia Stiles), que o procura oferecendo novas informações sobre seu passado. Inicialmente resistente, ele acaba voltando aos Estados Unidos para continuar a investigação e entra na mira do ex-chefe Robert Dewey (Tommy Lee Jones), que teme mais um vazamento de dados. Dentro na CIA, no entanto, a novata Heather Lee (Alicia Vikander) acredita que tentar recrutar Bourne para a agência seja a melhor solução.

Matt Damon retorna para a franquia “Jason Bourne” depois que o último filme não deu muito certo (“O Legado Bourne”, com Jeremy Renner como protagonista). Com muita ação e luta, nos sentimos novamente imersos ao tipo de filme de espionagem que nos acostumamos a ver nas produções anteriores e vale a pena!

O que podemos destacar no filme é que, quanto mais Jason Bourne vai lembrando de seu passado, mais forte fica a decisão de não voltar a ser a máquina assassina que foi transformado (apesar de matar tantos para chegar a seus objetivos, mas que podemos dizer que seria em legítima defesa). Esse tipo de decisão sempre tem seu preço, que vem de várias formas, e no caso de Jason é a solidão. 

O grande problema sofrido pelo protagonista é a falta de um objetivo de vida, algo que realmente valha a pena. Muitos hoje passam por isso e, pior, não encontram auxílio em lugar algum.

Neste momento, cabe a cada um de nós auxiliar a estes que sofrem, apresentando o melhor caminho para a solução do problema: Jesus Cristo, Aquele que nos dá a força necessária para enfrentar as dificuldades. Não foi à toa que o Papa Bento XVI assim se manifestou em uma homilia realizada em Cuba:

“Com a firme convicção de que a verdadeira medida do homem é Cristo e sabendo que n’Ele se encontra a força necessária para enfrentar toda a provação, desejo anunciar-vos abertamente o Senhor Jesus como Caminho, Verdade e Vida. N’Ele todos encontrarão a liberdade plena, a luz para compreender profundamente a realidade e transformá-la com o poder renovador do amor.”

Tenhamos isso em mente para nossas vidas e para aqueles que encontrarmos em nossa caminhada.

Sobre o filme, vale conferir tranquilamente, ainda mais para quem é fã de filmes de espionagem, ação ou apenas da franquia Jason Bourne.

CONFERIR2

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Christopher Rouse, Matt Damon, Paul Greengrass
Elenco: Alexander Cooper, Alicia Vikander, Amy De Bhrún, Ato Essandoh, Attila G. Kerekes, Daniel Eghan, Dino Fazzani, Graham Curry, Jamie Hodge, Julia Stiles, Marla Aaron Wapner, Matt Damon, Neve Gachev, Paul Terry, Riz Ahmed, Scott Shepherd, Tommy Lee Jones, Vincent Cassel, Vivian Yoon Lee
Produção: Frank Marshall, Gregory Goodman, Matt Damon, Paul Greengrass
Trilha Sonora: David Buckley, John Powell
Duração: 123 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Estreia: 28/07/2016 (Brasil)
Distribuidora: Universal Pictures
Estúdio: Universal Pictures
Classificação: 14 anos
Informação complementar: Baseado nos personagens criados por Robert Ludlum.

Trailer

Sinopse: Inspirado em eventos reais, O Regresso é uma experiência cinematográfica imersiva e visceral, capturando a épica aventura de sobrevivência de um homem e o extraordinário poder do espírito humano. Numa expedição pelas florestas norte-americanas selvagens, o lendário explorador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é brutalmente atacado por um urso e abandonado à morte pelos companheiros de sua própria equipe de caçadores. Para sobreviver, Glass resiste ao sofrimento inimaginável, bem como a traição de seu confidente John Fitzgerald (Tom Hardy). Guiado por pura força de vontade e amor à sua família, Glass deve enfrentar um inverno cruel e uma busca incessante para sobreviver e encontrar a redenção.

Depois de ter assistido esse filme em uma sala não muito boa eu me arrependi de ter subestimado o filme. Estou encantado com a fotografia e simbolismo bem trabalhados na película. Comecei simplesmente com a missão de analisar a atuação do nosso amigo Leo, pra ver se valia ou não o Oscar, mas me encantei logo no começo do filme com a cena de batalha tão bem ensaiada, a representação de coragem que definiria o personagem e  com os flashbacks meio sonhados que iriam permear as duas horas e alguns minutos seguintes.

O regresso é muito mais que uma atuação do DiCaprio ou do Tom Hardy (que precisa tomar cuidado, está ficando muito bom em atuar como gente perturbada). É uma obra com excelente, fotografia, profundidade e cheia de simbolismo. Dicas antes da parte de spoilers: Assista em uma sala de cinema (ou TV se já for tarde demais para você) de alta qualidade, a fotografia é belíssima, não vale o 3D. Esqueça o DiCaprio! O filme é mais que ele, é indiretamente sobre a Providência Divina. Não é para os que têm estômago fraco, pois tem cenas muito fortes.

A partir daqui contém spoilers!

Vamos aos simbolismos: O personagem principal depois de ajudar a salvar os companheiros de um ataque dos nativos e ao guia-los de volta ao acampamento principal e é atacado por um urso (na verdade, é apenas uma mãe protegendo seus filhotes). Depois do ataque muita coisa muda de referência; ele passa a ser um peso, quase vira animal sem falar, só gemer e grunir. Se cobriu com a pele do urso e não quer nada além de vingar seu filho, um pouco do que a ursa fez, mas em outro nível, não um nível de instinto animal, mas movido por ódio e falta de perdão.

Não há como não pensar na Divina Providência quando um índio vem praticamente para dizer para ele que “A vingança pertence ao Senhor” (Sl 94,1). A partir desse momento, há um movimento de volta a si mesmo que, inconscientemente, culmina na luta mano a mano e na libertação do seu oponente (o que não significa sua liberação). É um filme que mostra a ação da Divina Providência, que em pequenas coisas, vai nos salvando: da morte, do pecado (nesse caso do assassinato) e de sermos mortos pelos inimigos (o salvamento da filha do chefe da tribo salvou sua vida depois).

Ficha Técnica:

Título: O Regresso.
Título Original: The Revenant.
País de origem: EUA.
Ano: 2015.
Gênero: Drama, Ação.
Duração: 156 min..
Classificação: 16 anos.
Direção: Alejandro González Iñárritu.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Forrest Goodluck, Grace Dove.

Trailer:

Deadpool-Promo-Poster-Low-ResQuando saiu a notícia de que seria realizado um filme do personagem Deadpool, houve um grande frisson por parte de muitos fãs de quadrinhos. Isso ocorreu porque se trata de uma figura que, pelos seus atos, poderia se enquadrar muito tranquilamente em nosso dia a dia.

Antes de falar sobre o filme, deixe-me falar um pouco dessas características tão admiradas. Deadpool é zoeiro, gozador, totalmente politicamente incorreto, sem o menor pingo de consideração por qualquer pessoa, machista, etc., etc., etc.. Muitos que habitam hoje especialmente nas redes sociais, com certeza, vão se identificar com tudo isso, até porque muitos agem ou pensam de forma igual, sendo, por isso que existe uma legião de fãs do personagem.

Observem que até agora em nenhum momento em o chamei de herói, e nem poderia, pois ele com certeza não é. Como já nos apontou o Padre Demétrio (veja seus vídeos curtos – não chega nem a 10min – publicados aqui no Projeções de Fé: “Filmes de heróis… por que assistir?”), os heróis são aqueles que nos mostram o certo e o errado, a diferença entre o bem e o mal, e que vale a pena decidir pelo certo e pelo bem. Sabe o Deadpool? Então… ele não é um herói, ele é um anti-herói. O personagem não se importa com o certo e o errado, ele apenas age ou faz aquilo que quer, sem pensar em consequências ou qualquer coisa que o valha.

E o filme? Bom, vamos colocar algumas coisas que aparecem na película para refletir:

– nos Estados Unidos veio com a classificação 18 anos, aqui no Brasil ficou em 16 anos. Para quem acompanha cinema, quando um filme tem uma classificação como esta, significa que tem excesso de violência e/ou sexo e/ou linguagem obscena e/ou etc., ou seja, não se trata de um filme leve ou moderado.

– há muita exposição sexual. Sim, muita. Não é igual a um filme pornográfico com tudo explícito, mas chega a ser mais exposto que filmes chamados “softporn”, em que há a simulação dos atos sexuais. Além disso, as piadas de cunho sexual são bem expostas. Isso sem falar em determinada cena em que há a exposição de nudez frontal de stripers e prostitutas.

– há muito palavrão. Não igual a filmes como “Cidade de Deus”, mas pior.

– a violência é generalizada. Muitos defendem que “bandido bom é bandido morto”, mas no filme isso vai além, pois na visão de Deadpool, qualquer um pode morrer, basta ele entender que merece morrer, e se for de forma humilhante, melhor ainda.

– uso de drogas. Ainda que não mostre (pelo menos não me recordo) os personagens principais usando drogas, temos a declaração de personagens que usam drogas.

– a zoação não tem limites. Este lema é muito divulgado nas redes sociais, inclusive por muitos católicos, mas Deadpool usa isso de forma literal. É realmente SEM limites.

É claro que o filme é uma grande piada, uma gozação do início ao fim, inclusive aos filmes de heróis, mas não é possível identificar nada que possa apontar como valor a ser destacado diante de tanta exposição de situações que são totalmente contrárias à fé cristã!

Sim, o filme é muito divertido se em nenhum momento você o levar a sério em nada (inclusive o próprio filme não se leva a sério e eu mesmo dei muita risada enquanto assistia), tem uma ótima produção se levarmos em conta o baixo orçamento, o roteiro segue uma linha muito boa, mas o Projeções de Fé não pode recomendar que assistam este filme; pelo contrário, temos o dever de alertar que se trata de uma produção que expõe quase tudo que é contrário à vivência do cristianismo. Neste aspecto, temos o dever de qualificar como péssimo.

Quer assistir? Ok, mas já sabe tudo o que vai encontrar pela frente. Se isso não lhe for um obstáculo, se tudo isso não for para você uma pedra de tropeço na sua fé, assista por sua conta e risco. Mas lembre-se do que nos diz o Catecismo da Igreja Católica:

  1. A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. “O homem sagaz discerne os seus passos” (Pr 14,15). “Sede prudentes e sóbrios para entregardes às orações” (1 Pd 4,7). A prudência é a “regra certa da ação”, escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. E chamada “auriga virtutum” (“cocheiro”, isto é “portadora das virtudes”), porque, conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. E a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar.

Ficha Técnica:

Gênero: Ação.
Direção: Tim Miller.
Roteiro: Paul Wernick, Rhett Reese.
Elenco: Anthony J Sacco, Ayzee, Ben Wilkinson, Brad Archie, Brianna Hildebrand, Dan Zachary, Ed Skrein, Fabiola Colmenero, Gina Carano, Hugh Scott, Jason William Day, Jed Rees, John Dryden, Karan Soni, Kyle Cassie, Kyle Rideout, Leslie Uggams, Morena Baccarin, Naika Toussaint, Olesia Shewchuk, Paul Lazenby, Rachel Sheen, Ryan Reynolds, Sean Quan, Stan Lee, Stefan Kapicic, Style Dayne, T.J. Miller, Taylor Hickson, Tommy Proctor, Tony Chris Kazoleas.
Produção: Kevin Feige, Lauren Shuler Donner, Simon Kinberg.
Fotografia: Ken Seng.
Montador: Julian Clarke.
Trilha Sonora: Junkie XL.
Duração: 106 min..
Ano: 2016.
País: Estados Unidos.
Cor: Colorido.
Estreia: 11/02/2016 (Brasil).
Distribuidora: Fox Film.
Estúdio: Marvel Enterprises / Marvel Studios / Twentieth Century Fox Film Corporation.
Classificação: 16 Anos (18).

Não divulgamos o Trailer, pelos motivos mencionados acima.

demolidor-1a-temporada_t88471_K6gMTRj_jpg_290x478_upscale_q90Nunca fui muito fã de histórias em quadrinhos. Por outro lado, não posso negar que os personagens dessas histórias, imortalizados pelo cinema, fizeram parte da minha história. Quem nunca ouviu falar de um homem que salta janelas? Ou alguma menção ao nome Clark Kent? Ou que chamam Mulher Maravilha uma moça que anda com um chicote na mão? Temos todos os elementos para dizer que esses personagens estão radicalmente inseridos na nossa cultura.

O enredo das histórias é muito parecido: no contexto de uma cidade em caos, surgem duas personagens contrapostas, um mocinho, normalmente imbuído de superpoderes, em busca de justiça;  e, do outro lado, a figura de um vilão que pratica crimes por dinheiro, crueldade ou poder. Fazendo uma análise muito superficial, pensaríamos que essas histórias não passam de clichês maniqueístas (bem contra o mal) para extrair a máxima moral de que o bem sempre vence no final.

O Demolidor, série da Marvel em parceria com a Netflix, não foge muito desse esquema. Porém, de antemão, já poderia dizer que ela me ensinou que as histórias em quadrinhos têm algo muito além da violência encabeçada pelos dois lados antagônicos. A grande “sacada” dessas histórias são as cenas de diálogo, que tratam desde filosofia de boteco até alta teologia escolástica.

Durante muitos séculos, os medievais debateram sobre a existência do diabo. Por mais que a tradição perene da Igreja sempre afirmasse sua existência, alguns detalhes deixavam o debate aberto: Como um ser imaterial poderia ter poder sobre a matéria? Como um ser, per si, inferior a Deus, poderia fazer frente ao próprio Deus? Não seria o diabo apenas uma ideia moral para manter o homem no caminho do bem? Se é Deus que faz dele um ser poderoso, estaria Deus nos “boicotando”? O personagem principal, Matt Murdock, vai se envolver a fundo em discussões como essa. Num dos diálogos mais interessantes da série, Matt pergunta ao padre se ele acredita na existência do diabo. A resposta do padre, depois de contar um testemunho pessoal, é digna de nota: “Sim, Matthew, creio que ele está entre nós, assumindo diversas formas”.

Tendo ficado cego após um acidente de carro, ele tem tempo de aprender com o pai, um lutador de boxe de Hell’s Kitchen, em Nova Iorque, alguns valores de fé e moral. Algum tempo depois, seu pai é assassinado e Matt passa a ser criado num orfanato católico. Durante os treze episódios da primeira temporada, Murdock tentará encontrar na fé católica subsídios para fazer frente ao mal que encontra em sua cidade.

Matt Murdock não é um católico de IBGE, como se diz, tampouco seria classificado entre um beato devoto. A fé de Murdock é uma fé curiosa, autêntica e sincera. Durante vários episódios vemos o super-herói buscando orientação com o padre que, por sua vez, não impõe nada a ele, mas tem a delicadeza de respeitar o tempo do rapaz. Foi extremamente gratificante ver que muito mais que dizer “faça isso ou aquilo”, o padre se posicionou como alguém que dialoga e espera. Foi assim que episódio após o outro, a fé de Matt foi tendo um papel cada vez mais importante na história. Um artigo sobre a série chegou até a apontar: “a fé católica é o verdadeiro superpoder de O demolidor”.

Tratando mais dos aspectos gerais, foi a primeira série que assisti em muito tempo que não tem nenhuma cena de sexo. Mais ainda, a primeira série em que o sexo casual não precisou ser adereço para nada. O resultado? Os números da série falam por si: o site especializado em cinema Rotten Tomatoes aponta índice de aprovação de 98% nas críticas, enquanto o Metacritics aponta índice de 75% de críticas positivas. Apesar de a Netflix não revelar números de audiência, é inegável que essa série já é um blockbuster dentre as séries originais do canal.

Em suma, foi uma das séries mais eletrizantes que assisti nos últimos tempos. Não só pelo fato de o personagem ser católico ou pelo fato das atuações e das cenas de luta estarem bem afinados. Esta é uma das melhores séries dos últimos tempos, porque fala sobre redenção: um super-herói cego, capaz de superar os próprios limites para ajudar os outros. Não posso fazer outra coisa senão esperar ansioso pela próxima temporada!

Ficha Técnica:

Título original: Marvel’s Daredevil.
Criado por: Drew Goddard (2015).
Com: Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson.
País: EUA.
Gênero: Drama, Fantasia, Ação.
Status: Em produção.
Duração: 42 minutos.

Teaser Trailer:

007-ContraSpectre-cartazSinopse: Uma enigmática mensagem do passado de James Bond (Daniel Craig) o coloca numa investigação sobre uma misteriosa organização criminosa. Enquanto M (Ralph Fiennes) enfrenta duras batalhas políticas para manter o serviço de inteligência funcionando plenamente, Bond tenta desvendar os segredos que existem sobre a Spectre.

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar o que já falamos a respeito do personagem pouco antes dele completar 50 anos de seu primeiro filme nos cinemas – Parabéns 007?.

Voltando ao filme, ele não é nenhuma obra de arte, mas não chega a ser o pior protagonizado por Daniel Craig. O roteiro é meio devagar em diversos pontos, mas vamos lá… é Bond, James Bond.

O que isso significa? Significa que este filme deve ser visto sem compromisso, apenas por diversão (just for fun). O roteiro não ajuda a refletir sobre muita coisa, não é um personagem que nos sirva de grande exemplo (por favor, não deixe de ler o texto indicado acima), mas vale pelas cenas de ação e belíssima fotografia. Talvez não valha a pena ir ao cinema, mas como dissemos… é Bond, James Bond! Só evite 3D e afins.

JUST FOR FUN

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Sam Mendes
Roteiro: John Logan, Neal Purvis, Robert Wade
Elenco: Adriana Paz, Alessandro Cremona, Andrew Scott, Ben Whishaw, Brigitte Millar, Christoph Waltz, Daniel Craig, Dave Bautista, Detlef Bothe, Erick Hayden, Ian Bonar, Jesper Christensen, Léa Seydoux, Monica Bellucci, Naomie Harris, Peppe Lanzetta, Ralph Fiennes, Rory Kinnear, Stephanie Sigman, Tenoch Huerta
Produção: Barbara Broccoli, Michael G. Wilson
Trilha Sonora: Thomas Newman
Duração: 148 min.
Ano: 2015
País: Reino Unido
Estreia: 05/11/2015 (Brasil)
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: B24 / Columbia Pictures / Eon Productions / Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / United Artists
Classificação: 14 anos

Trailer

MissãoImpossívelSinopse: A agência secreta IMF está em perigo. Uma organização, denominada O Sindicato, é uma nação secreta treinada para fazer o trabalho dos agentes da IMF, só que para o mal. Resta a Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe, formada por Benji Dunn (Simon Pegg), William Brandt (Jeremy Renner), Luther Stickell (Ving Rhames) e uma misteriosa aliada (Rebecca Ferguson), fazer o impossível para impedir os planos dessa organização criminosa.

Missão: Impossível é uma das poucas franquias de ação que consegue crescer a cada novo lançamento. A exemplo de Velozes Furiosos, é o tipo de produção que tem sempre muita chance de ser bem sucedida, principalmente pelo carisma que possui com o grande público.

Tom Cruise, estrela e produtor do filme, continua em ótima forma e traz um detalhe interessante em sua atuação: à medida em que ele vai envelhecendo – Ele já tem 53 anos! -, Ethan Hunt torna-se um agente cada vez mais experiente, perspicaz e carismático. Tom Cruise consegue imprimir em Missão:Impossível – Nação Secreta a sua já famosa marca pessoal.

O filme tem ótimas cenas de ação, efeitos visuais, piadas contextualizadas e perseguições eletrizantes, apesar de seu grande mérito ser o roteiro. A história de Missão:Impossível – Nação Secreta é cheia de reviravoltas e não soluciona seus conflitos usando apenas tiros e violência, mas usa o excelente recurso dos mind games – quando o protagonista se utiliza de sua inteligência e raciocínio para superar o inimigo.   

A trama traz o esforço de Ethan para provar a existência do Sindicato, uma organização terrorista desconhecida, que se utiliza de ex-agentes para espalhar caos e desordem social e moral no mundo. Em 1991, por ocasião do centenário da encíclica Rerum Novarum, São João Paulo II publicou a Encíclica Centesimus Annus, na qual alerta para a degradação da humanidade a partir da ação de grupos terroristas:

“Os grupos extremistas, que procuram resolver tais controvérsias com as armas, encontram facilmente apoios políticos e militares, são armados e adestrados para a guerra, enquanto aqueles que se esforçam por encontrar soluções pacíficas e humanas, no respeito dos legítimos interesses de todas as partes, permanecem isolados e muitas vezes caiem vítimas dos seus adversários. (…) Mas a guerra pode terminar sem vencedores nem vencidos num suicídio da humanidade.”

A Igreja tem procurado lutar continuamente para impedir esse “suicídio da humanidade”, especialmente através do crescimento de sua missão evangelizadora e da promoção da paz, do bem comum e da ordem moral. Aliás, é através desta ordem moral que o ser humano atinge o ápice do seu sentido existencial, como nos colocou São João XXIII na Encíclica Pacem in Terris:

“A ordem que há de vigorar na sociedade humana é de natureza espiritual. Com efeito, é uma ordem que se funda na verdade, que se realizará segundo a justiça, que se animará e se consumará no amor, que se recomporá sempre na liberdade, mas sempre também em novo equilíbrio cada vez mais humano. Ora, essa ordem moral-universal, absoluta e imutável nos seus princípios – encontra a sua origem e o seu fundamento no verdadeiro Deus, pessoal e transcendente. Deus, verdade primeira e sumo bem, é o único e o mais profundo manancial, donde possa haurir a sua genuína vitalidade uma sociedade bem constituída, fecunda e conforme à dignidade de pessoas humanas.”

É por causa dessa variedade de elementos comuns – mas utilizados de maneira bem equilibrada – que Missão: Impossível – Nação Secreta consegue ser um ótimo filme de ação e uma boa dica para se divertir com os amigos. Vamos torcer para que Tom Cruise não canse nunca e continue sendo um dos melhores agentes secretos do Cinema!

JUST FOR FUN

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Christopher McQuarrie
Roteiro: Drew Pearce
Elenco: Alec Baldwin, America Olivo, Anastasia Harrold, Bruce Lawrence, Daniel Harland, Debra Leigh-Taylor, Hermione Corfield, Jens Hultén, Jeremy Renner, Jessica Williams, Jill Buchanan, Jingchu Zhang, Jorge Leon Martinez, Katrina Vasilieva, Lasco Atkins, Martyn Mayger, Philip Howard, Rebecca Ferguson, Robert Maaser, Saif Al-Warith, Sean Cronin, Sean Harris, Shina Shihoko Nagai, Simon McBurney, Simon Pegg, Stella Stocker, Tom Coulston, Tom Cruise, Tony Paul West, Vauxhall Jermaine, Ving Rhames, Wolfgang Stegemann
Produção: David Ellison, J.J. Abrams, Tom Cruise
Trilha Sonora: Joe Kraemer
Duração: 131 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Estreia: 13/08/2015 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Bad Robot / Skydance Productions / WTC Productions
Classificação: 14 anos

Trailer

Homem-formigaSinopse: O bioquímico dr. Hank Pym (Michael Douglas) usa sua mais recente descoberta, um grupo de partículas subatômicas, para criar uma roupa de alteração de tamanho. Com sua nova tecnologia, o doutor passa a ter a capacidade de diminuir em escala mas crescer em força. É então que o vigarista Scott Lang (Paul Rudd) precisa assumir o lado heróico e ajudar seu mentor a proteger os segredos por trás do espetacular traje do Homem-Formiga de uma nova geração de ameaças. Juntos, precisam salvar o planeta.

A Marvel segue o caminho traçado em Guardiões da Galáxia e traz mais um filme divertido, que não se leva a sério e, ao mesmo tempo, se leva a sério. Não se pode, de forma alguma, desmerecer o filme por se imaginar a impossibilidade científica de um homem normal tornar-se do tamanho de uma formiga, antes disso, devemos olhar pelo lado pessoal de cada personagem.

É claro que se trata de mais um filme de herói fantástico, empolgante e divertido, que também apresenta um homem buscando a redenção. Depois de sair da prisão, após cumprir sua pena, o personagem principal, Scott Lang, tenta reconstruir a sua vida pensando em sua filha. Quer fugir do crime e opta pela mudança de caminho.

Muitos de nós passamos por isso, todo dia, a vida toda, quando somos colocados à prova diante de situações de pecado que aparecem à nossa frente. Algumas vezes caímos e temos sempre a chance de buscar a remissão de nossos pecados, o perdão divino de nossos erros.

O mesmo vale para aqueles que cometeram crimes e foram presos. No entanto, assim como para se ter uma boa confissão, a mudança de vida somente ocorrerá se houver uma decisão pessoal e firme de mudança de vida. Não é a prisão ou qualquer outra Instituição que vai fazer com que a pessoa mude, pois isso somente ocorrerá quando ela decidir mudar.

São João Paulo II já nos falou sobre isso na Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia:

“No fundo de cada situação de pecado, porém, encontram-se sempre pessoas pecadoras. Isto é tão verdadeiro que, se tal situação vier a ser mudada nos seus aspectos estruturais e institucionais pela força da lei, ou — como acontece com mais frequência, infelizmente — pela lei da força, a mudança revela-se, na realidade, incompleta, de pouca duração e, no fim de contas, vã e ineficaz — para não dizer mesmo contraproducente — se não se converterem as pessoas direta ou indiretamente responsáveis por essa mesma situação.”

O filme nos traz essa realidade, ainda que de forma divertida, onde pessoas que passaram pela prisão acabam retornando à vida do crime, e somente há a mudança de caminho quando tomam a decisão verdadeira de não caírem mais no erro.

Um ponto interessante é que, para Scott Lang mudar de vida, teve que fazer-se pequeno… literalmente. Claro que não foi intenção do roteiro fazer este paralelo, mas, com certeza, seria algo a se pensar neste processo de transformação.

Como fã de quadrinhos e bons personagens, digo para ir ao cinema porque é diversão garantida. Como católico, recomendo que veja para reflexão sobre o que te move para ser uma pessoa melhor e se está fazendo de tudo para isso.

CONFERIR2

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Edgar Wright
Roteiro: Adam McKay, Edgar Wright, Joe Cornish, Paul Rudd
Elenco: Bobby Cannavale, Corey Stoll, Evangeline Lilly, Hayley Atwell, John Slattery, Jordi Mollà, Judy Greer, Michael Douglas, Michael Peña, Paul Rudd, T.I., Wood Harris
Produção: Kevin Feige
Trilha Sonora: Christophe Beck
Duração: 117 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Distribuidora: Walt Disney Pictures
Estúdio: Big Talk Productions / Marvel Enterprises / Marvel Studios
Classificação: 12 anos
Informação complementar: Baseado nos quadrinhos de Stan Lee e Larry Lieber

Trailer

Terremoto

Existem filmes que nos fazem pensar, chorar, etc., e há outros que valem pela diversão.

Sinopse: Uma série de terremotos atingem a Califórnia e ameaçam todo o estado. Ray é um piloto de helicóptero de salvamentos dos bombeiros (Dwayne Johnson) que terá que percorrer o estado para resgatar a sua filha e sua esposa antes de serem atingidos pela catástrofe final.

O filme é divertido e atende a sua expectativa, que é ver Dwayne Johnson atuar como um herói. Como enredo é “mais do mesmo”, pois repete a fórmula já utilizada antes (como no filme “2012“) de uma família quebrada mas que volta a se unir diante um imenso problema.

É claro que poderíamos aproveitar o filme para fazer uma defesa da família, que deve tentar se manter unida, mesmo diante das imensas dificuldades ou, ainda que, para os pais, se devem empregar todos os esforços possíveis para salvar seus filhos. Mas, diante de tudo que vemos na tela, vale apenas uma reflexão: somos muito fracos diante da força da natureza, e não interessa se somos ricos ou pobres, fortes ou fracos, bonitos ou feios, todos somos iguais em meio a um desastre natural.

No entanto, este filme deve ser visto apenas pela diversão, pois ainda que mostre bem a destruição que pode ocorrer em situações como esta, não é possível enxergar que o roteiro tenha sido feito para explorar este lado. Pelo contrário, chega a ser quase uma aventura semelhante aos filmes do Indiana Jones, mas não tão divertido… Apesar do carismático Dwayne “The Rock” Johnson.

É um filme “just for fun”, ou seja, apenas pela diversão e que não precisa ser visto em 3D.

JUST FOR FUN

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Brad Peyton
Roteiro: Allan Loeb, Carey Hayes, Carlton Cuse, Chad Hayes
Elenco: Alexandra Daddario, Archie Panjabi, Art Parkinson, Carla Gugino, Dwayne Johnson, Ioan Gruffudd, Kylie Minogue, Paul Giamatti, Phillip E. Walker, Will Yun Lee
Produção: Beau Flynn, Tripp Vinson
Duração: 114 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Flynn Picture Company / New Line Cinema / Village Roadshow Pictures / Warner Bros. Pictures
Classificação: 12 anos

Trailer

MAD_MAXO filme é uma clara sequência dos três filmes lançados em 1979 e 1985, “Mad Max“, “Mad Max 2” e “Mad Max, Além da Cúpula do Trovão“, todos estrelados por Mel Gibson. Mas após 30 anos de lançamento do último, chegamos ao filme mais eletrizante da série e sem a presença do ator original, sendo já considerado como o “filme do ano”. Será que vale o título?

Sinopse: Max, um ex-policial e agora guerreiro das estradas (Tom Hardy), acaba capturado por um perigoso grupo de guerreiros dos desertos apocalípticos da Austrália. Quando ele tem a oportunidade de fugir, precisa decidir se vai ajudar a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) a resgatar um grupo de garotas mantidas como escravas.

O enredo se passa em um período em que a humanidade está em colapso dentro de uma visão pós-apocalíptica, onde as pessoas lutam por suas necessidades, sendo a primeira delas, a sobrevivência. Perderam-se os mínimos valores que sustentam uma sociedade e os mais fortes são aqueles que dominam. O mundo entra em uma grande confusão, a ponto das pessoas acreditarem cegamente que, se morrerem, irão para Valhalla (que na mitologia nórdica é um majestoso e enorme salão situado em Asgard dominado pelo deus Odin) e acreditam no deus “V8” (que é uma referência ao motor de carros), e os seus seguidores creem que deverão dar a vida para merecerem entrar com honras no grande salão após a morte. Além disso, para os poderosos, todos se tornaram objetos para atender uma utilidade específica.

O que podemos ver no filme é um mundo sem Deus, sem qualquer traço de justiça, caridade e compaixão e que, eventualmente, aparece em algumas pessoas. A sociedade caiu, retiraram Deus de seu lugar e colocar outros deuses. Para alguns, resta apenas tentar sobreviver, para outros, ainda existe alguma esperança mas, para muitos, resta apenas a loucura.

O Papa Bento XVI já nos alertou do perigo de um mundo sem Deus (homilia do dia 15 de agosto de 2012):

“E deste modo fé, esperança e amor combinam-se entre si. Hoje existem muitas palavras sobre um mundo melhor a esperar: seria a nossa esperança. Se e quando este mundo melhor virá, nós não o sabemos, eu não sei. Obviamente, um mundo que se afasta de Deus não se torna melhor, mas pior. Somente a presença de Deus pode garantir também um mundo bom.”

É verdade que se trata de uma ficção, mas nos serve de alerta quanto aos riscos de nos afastarmos de Deus!

Quanto ao filme, a produção é fantástica, merecendo a qualificação como filme do ano (pelo menos até agora), com cenas e sequências de tirar o fôlego, além de uma criatividade brilhante na criação dos veículos e suas utilidades. Merece ser visto em 3D tranquilamente.

Para quem gosta de grandes produções, diríamos que deve ser obrigatoriamente visto, de preferência, no cinema. No entanto, levando em conta o critério de avaliação do Projeções de Fé, a qualificação é “esse vale conferir”.

Atenção: o filme tem cenas de violência e tensão.

CONFERIR23D

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: George Miller
Roteiro: Brendan McCarthy, George Miller, Nick Lathouris
Elenco: Abbey Lee, Angus Sampson, Charlize Theron, Coco Jack Gillies, Courtney Eaton, Debra Ades, Greg van Borssum, Hugh Keays-Byrne, John Howard, Josh Helman, Megan Gale, Melissa Jaffer, Nathan Jones, Nicholas Hoult, Richard Carter, Richard Norton, Riley Keough, Rosie Huntington-Whiteley, Tom Hardy, Zoë Kravitz
Produção: Doug Mitchell, George Miller, P. J. Voeten
Fotografia: John Seale
Trilha Sonora: Junkie XL
Duração: 120 min.
Ano: 2015
País: Austrália / Estados Unidos
Estreia: 14/05/2015 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Kennedy Miller Productions / Village Roadshow Pictures
Classificação: 16 anos

Trailer

vingadores-Ultron«Não se pode justificar uma ação mal feita com boa intenção». O fim não justifica os meios.” (Catecismo da Igreja Católica, 1759)

Sinopse: A equipe de heróis se reúne novamente para combater uma nova ameaça: Ultron, uma espécie de robô super inteligente quer destruir o grupo de heróis e toda a raça humana. O personagem é criação de Tony Stark e pode colocar a amizade dos heróis em perigo. Mesmo assim, Homem de Ferro, Hulk, Capitão América, Thor, Viúva Negra, Gavião Arqueiro se unem para acabar com o plano de destruição da humanidade.

Antes de seguir adiante, recomendo que veja duas postagens do Projeções de Fé: As virtudes por trás do filme “Os Vingadores” (The Avengers) e Filmes de heróis … por que assistir?. Será rapidinho e tenho certeza de que não se arrependerá.

Agora vamos falar da nova aventura deste grande grupo de heróis.

Neste novo filme vemos uma equipe mais madura e que consegue lidar com suas diferenças, tanto de personalidade quanto de poderes. Podemos nos aprofundar mais sobre alguns personagens que não tiveram seus filmes próprios (Gavião Arqueiro e Viúva Negra), somos apresentados a novos personagens (os nerds – como eu – piram) e nos aparece um vilão (Ultron) brilhantemente representado por James Spader.

Para quem gosta de filmes de heróis, não pode perder a chance de ver no cinema. Para quem gosta de filmes de aventuras, não pode perder a chance de ver no cinema. Para quem gosta de uma discussão séria, mesmo em filmes “bobos” (que para mim não tem nada de bobo), vale a pena assistir.

A frase do Catecismo da Igreja Católica colocada no início do texto nos leva à reflexão dentro do enredo, em que uma decisão com boa intenção final pode ter uma consequência ruim não esperada, ou ainda, ter meios errados para se chegar a um determinado fim.

Quantas vezes vemos pessoas defendendo algo bom e justifica seus métodos pensando neste fim? Isso ocorre na política, na religião, etc., e muitos adotam tais meios porque seriam “aceitáveis” ao se pensar na recompensa. Não é isso que a Igreja Católica nos ensina e como cristãos devemos pensar bem em nossas atitudes antes mesmo de agir. Nenhuma boa “revolução” se faz com este tipo de pensamento, como o São João Paulo II expôs em uma de suas homilias no Brasil:

“(…) Partilhando como sacerdote, bispo e cardeal, a vida de inúmeros jovens na Universidade, nos grupos juvenis, nas excursões de montanhas, nos círculos de reflexão e oração, aprendi que um jovem começa perigosamente a envelhecer, quando se deixa enganar pelo princípio, fácil e cômodo, de que “o fim justifica os meios”, quando passa a acreditar que a única esperança para melhorar a sociedade está em promover a luta e o ódio entre grupos sociais, na utopia de uma sociedade sem classes, que se revela bem cedo a criação de novas classes. Convenci-me de que só o amor aproxima o que é diferente e realiza a união na diversidade. As palavras de Cristo: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13, 34), apareceram-me então, para além de sua inigualável profundidade teológica, como germe e princípio da única transformação bastante radicai para ser apreciada por um jovem. Germe e princípio da única revolução que não trai o homem. Só o amor verdadeiro constrói. (…)”

Então é isso. É um filme com muita diversão (as cenas de batalha estão muito boas, com destaque para a grande batalha final) e, ao mesmo tempo, nos coloca para pensar sobre meios e fins.

CONFERIR2JUST FOR FUN

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Joss Whedon
Roteiro: Joss Whedon
Elenco: Aaron Johnson, Andy Serkis, Anthony Mackie, Aurora Fearnley, Bentley Kalu, Chris Evans, Chris Hemsworth, Claudia Kim, Cobie Smulders, Daniel Westwood, Dilyana Bouklieva, Dominique Provost-Chalkley, Don Cheadle, Elizabeth Olsen, Guy Potter, Hayley Atwell, Idris Elba, James Spader, Jeremy Renner, Judit Novotnik, Leila Wong, Linda Cardellini, Lou Ferrigno, Mariola Jaworska, Mark Haldor, Mark Ruffalo, Nick W. Nicholson, Nondumiso Tembe, Paul Bettany, Robert Downey Jr., Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson, Stan Lee, Stellan Skarsgård, Thomas Kretschmann
Produção: Kevin Feige
Trilha Sonora: Brian Tyler
Duração: 160 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Estreia: 23/04/2015 (Brasil)
Distribuidora: Walt Disney Pictures
Estúdio: Marvel Studios
Classificação: 12 anos

Trailer

CoraçõesdeFerroSinopse: Durante o final da Segunda Guerra Mundial, um grupo de cinco soldados americanos é encarregado de atacar os nazistas dentro da própria Alemanha. Apesar de estarem em quantidade inferior e terem poucas armas, eles são liderados pelo enfurecido Wardaddy (Brad Pitt), sargento que pretende levá-los à vitória, enquanto ensina o novato Norman (Logan Lerman) a lutar.

O filme nos mostra as dificuldades de um soldado em enfrentar uma guerra. Os que chegam no início e não se preparam para o que vão encontrar,  acabam sofrendo com a adaptação, desde o primeiro tiro até as decisões mais difíceis. Isto vemos claramente no personagem vivido por Logan Lerman, um rapaz sem a menor experiência em guerra, que é jogado para dentro de um tanque, sem ter noção alguma do que fazer. Assim como ele, muitas vezes, não sabemos como reagir em nossas batalhas pessoais, porque não nos preparamos para elas, apenas entramos (algumas vezes confiando em nossas forças) e esquecemos de ter conosco a maior arma que podemos ter: a oração.

É como está em Efésios 6, 10-11: “Enfim, fortalecei-vos no Senhor, no poder de sua força; revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do diabo”. Se queremos enfrentar nossas batalhas, devemos estar preparados sem confiar em nossas forças, mas nos armar da força de Deus.

Por outro lado, no filme, vemos três companheiros do jovem Norman, veteranos e endurecidos de guerra que decidiram confiar em si mesmos e no tanque “Fury“, aquele que se tornou sua casa. Durante o desenrolar de “Corações de ferro” vemos que eles preferiram tornar seus corações duros para enfrentar tudo o que vinha pela frente. Amigos que morreram, inimigos que poderiam matá-los sem pensar duas vezes, o risco da morte a cada nova incursão, tudo isso fez com que preferissem tornar seus corações duros para o dia a dia, pois acharam que seria a única forma de lidar com a guerra. Estes escolheram enfrentar as batalhas confiando em suas forças.

E não menos importante existe o personagem vivido por Shia LaBeouf, que já pelo nome e apelido já se vê que ter algo diferente – Boyd “Bible” Swan. Este personagem é diferenciado de todos e podemos notar isso do início ao fim. Ele ainda é um soldado como os demais, mas não age como eles. Vale a pena acompanhar suas atitudes e palavras e comparar com os outros soldados do tanque.

Que após assistir este filme possamos ouvir a voz do Senhor que diz:  “a quem enviarei, e quem há de ir por nós?”, e assim responder “eis-me aqui, envia-me a mim” (conforme Isaías 6, 8) ainda que tenhamos medo, pois enfrentaremos nossas batalhas revestidos da armadura de Deus.

Vamos iniciar a Quaresma e o Papa Francisco já nos deu nossas missões (leia a Mensagem do Papa para a Quaresma de 2015), então vamos ouvir a voz de nosso comandante e partir para mais uma batalha!

CONFERIR2 

Ficha técnica:

Gênero: Ação.
Direção: David Ayer.
Roteiro: David Ayer.
Elenco: Alicia von Rittberg, Anamaria Marinca, Brad Pitt, Brad William Henke, Christopher Maleki, Daniel Betts, Edin Gali, Jason Isaacs, Jim Parrack, Jon Bernthal, Kevin Strom, Kevin Vance, Laurence Spellman, Logan Lerman, Michael Peña, Scott Eastwood, Shia LaBeouf, Xavier Samuel.
Produção: Bill Block, David Ayer, Ethan Smith, John Lesher.
Trilha Sonora: Steven Price.
Duração: 134 min..
Ano: 2014.
País: Estados Unidos.
Estreia: 05/02/2015 (Brasil).
Distribuidora: Sony Pictures.
Estúdio: Columbia Pictures / Crave Films / Grisbi Productions, Le / Huayi Brothers Media / LStar Capital / QED International.
Classificação: 16 anos.

Trailer

OsGuardiõesdaGaláxiaEntão aqui estamos: um ladrão, dois bandidos, uma assassina e um louco. Mas não vamos ficar esperando o mal apagar a galáxia. Eu acho que nós estamos presos juntos, parceiros. (Peter Quill … ou Star-Lord)

Qualquer pessoa que ver o trailer deste filme logo vai imaginar que o Projeções de Fé vai indicar assistir como “just for fun” (apenas por diversão), mas estaria um pouco equivocada. Apesar de ser o filme mais divertido já produzido pela Marvel Studios, não há como deixar de ver lições atuais para o homem.

Sinopse: Peter Quill (Chris Pratt) rouba uma esfera desejada pelo vilão Ronan. Devido ao furto, passa a ser procurado por vários caçadores de recompensas. Na tentativa de escapar, une-se a quatro personagens: Groot, uma árvore humanóide (dublada por Vin Diesel), Gamora (Zoe Saldana), o texugo Rocket Racoon (com voz de Bradley Cooper) e Drax, o Destruidor (Dave Bautista). O personagem principal descobre que a esfera roubada possui um poder capaz de transformar o universo e passa a proteger o objeto para salvar o futuro. O longa é baseado nas HQs da Marvel.

Os cinco principais personagens apresentam, de forma geral, problemas durante a sua vida que os fizeram tomar a decisão de seguir o caminho da marginalidade, movidos por raiva, vingança, ódio ou apenas comodismo. Cada ação egoísta ou violenta é fruto desta decisão.

Durante o filme vemos que cada um é colocado à frente de si mesmo, em que passa a se questionar qual a atitude que tomará diante dos grandes problemas que aparecem em sua frente: escondo-me e tento me proteger, ou enfrento e tento ajudar os outros?

Para quem sempre teve uma visão egoísta e sem se importar com os demais, esta encruzilhada poderá ser uma grande mudança de vida. O Papa Francisco, quando esteve no Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude em 2013, disse:

“A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo”.

No filme, os personagens passam por esta encruzilhada e tomam uma decisão, mudando as realidades e a vida deles, e nós podemos fazer o mesmo todo dia, pois a cada momento somos provados, de alguma maneira.

Você poderá assistir o filme apenas como diversão, e não estaria errado por isso, afinal, trata-se do filme mais divertido já lançado pela Marvel Studios até hoje. Todos os detalhes do filme foram muito bem pensados, trabalhados de forma a cativar seu público. Desde o início você vai conhecendo e se importando com os personagens, com suas dores e alegrias, e acaba rindo muito com as piadas (várias, diga-se de passagem) lançadas no decorrer das cenas, mesmo quando entrelaçadas com cenas de ação (que também são muitas).

E também poderá colocar um tempero e pensar nas suas decisões diante das encruzilhadas da sua vida.

CONFERIR2JUST FOR FUN

Ficha Técnica:

Gênero: Ação.
Direção: James Gunn.
Roteiro: Chris McCoy, Nicole Perlman.
Elenco: Benicio Del Toro, Bradley Cooper, Chris Pratt, Dave Bautista, Djimon Hounsou, Emmett Scanlan, Glenn Close, John C. Reilly, Karen Gillan, Laura Haddock, Lee Pace, Melia Kreiling, Michael Rooker, Ophelia Lovibond, Peter Serafinowicz, Vin Diesel, Zoe Saldana.
Produção: Kevin Feige.
Trilha Sonora: Tyler Bates.
Estreia: 31/07/2014 (Brasil).
Distribuidora: Hughes Winborne / Walt Disney Pictures.
Estúdio: Craig Wood / Marvel Enterprises / Marvel Studios.

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Transformers4Sinopse: Alguns anos após o grande confronto entre Autobots e Decepticons em Chicago, os gigantescos robôs alienígenas desapareceram. Eles são atualmente caçados pelos humanos, que não desejam passar por apuros novamente. Quando Cade (Mark Wahlberg) encontra um caminhão abandonado, ele jamais poderia imaginar que o veículo é na verdade Optimus Prime, o líder dos Autobots. Muito menos que, ao ajudar a trazê-lo de volta à vida, Cade e sua filha Tessa (Nicola Peltz) entrariam na mira das autoridades americanas. 

Existe uma máxima inegável com relação aos blockbusters de Hollywood: Quanto mais uma franquia for bem-sucedida (ou melhor, rentável), mais filmes terá. O sucesso de Transformers é inegável. Só para se ter uma ideia do impacto, “Transformers 4: A Era da Extinção” teve, até o momento, a maior bilheteria de estreia em fim de semana de 2014, arrecadando U$ 100 milhões nos EUA e desbancando o excelente “Capitão América 2: O Soldado Invernal”.  

Em respeito ao seu próprio sucesso, o quarto filme da franquia, simultaneamente em que mantém a mesma fórmula dos anteriores – caprichando em efeitos visuais, cenas de ação empolgantes, lutas de robôs e ameaças grandiosas -, investe em algumas mudanças interessantes, como, por exemplo, a troca do fraco Shia Labeouf por Mark Wahlberg, ator mais condizente com filmes de ação, como protagonista. Além disso, é sempre válido apreciar o cuidado minucioso e fantástico que tem a equipe de produção do filme, especialmente, com as fisionomias e personalidades de cada robô.

Entretanto, Transformers 4 não vai além disso. Em recente entrevista à Revista Rollingstone, o diretor da franquia, Michael Bay, afirmou que “filmes devem entreter”, e é justamente para isso que toda a qualidade técnica e visual do filme é destinada. O enredo é fraco (até demais!), a trama não envolve, a não ser pelas sequências frenéticas, e a sintonia entre os atores que deixa a desejar. 

Vale ressaltar que o roteiro até traz um paralelo interessante entre os protagonistas humanos e os robôs, que poderia até, se melhor desenvolvido, dar uma maior profundidade ao filme. A coragem do pai, que enfrenta as adversidades para proteger sua família, é a mesma do líder Optimus Prime para com sua equipe, ou, por que não dizer, seus irmãos. Essa percepção nos recorda as palavras do Papa Bento XVI em seu discurso VI Encontro Mundial das Famílias, em 2009, no México:

“A família, fundada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher, expressa esta dimensão relacional, filial e comunitária, e é o âmbito no qual o homem pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de maneira integral.”  

Transformers 4: A Era da Extinção já é um sucesso absoluto e, sem dúvida alguma, é uma boa indicação para uma ida despretensiosa ao cinema com o intuito de, na onda do diretor Michael Bay, garantir um bom e saudável entretenimento.

Com relação ao futuro da franquia, especialmente para os que acompanham desde o primeiro filme, resta claro que chegou a hora da reinvenção para Transformers. Franquias com muitos filmes, ressalvadas poucas exceções (Velozes e Furiosos, por exemplo), tendem a perder o fôlego com o tempo e, se não obtiverem uma boa “injeção de criatividade”, podem representar um doloroso fracasso no futuro. Mas, por enquanto, Transformers ainda sobrevive, com toda a ação, explosão e pirotecnia visual de praxe.

JUST FOR FUN

Ficha Técnica:

Gênero: Ação.
Direção: Michael Bay.
Roteiro: Ehren Kruger.
Elenco: Abigail Klein, Bingbing Li, Chanel Celaya, Cleo King, Geng Han, Jack Reynor, Kelsey Grammer, King, Mark Wahlberg, Melanie Specht, Michael Wong, Nicola Peltz, Peter Cullen, Sophia Myles, Stanley Tucci, T.J. Miller, Titus Welliver, Victoria Summer.
Produção: Don Murphy, Ian Bryce, Lorenzo di Bonaventura, Tom DeSanto.
Trilha Sonora: Steve Jablonsky.
Duração: 165 min.
Ano: 2014.
País: Estados Unidos.
Estreia: 17/07/2014 (Brasil).
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil.
Estúdio: Paramount Pictures.
Classificação: 12 anos.

Trailer

X-Men Days of Future Past poster

“Bebamos até a última gota o cálice da dor na pobre vida presente. – Que importa padecer dez, vinte, cinquenta anos…, se depois vem o Céu para sempre, para sempre…, para sempre? E sobretudo – melhor do que a razão apontada (a recompensa), que importa padecer, se se padece para consolar, para dar gosto a Deus Nosso Senhor, com espírito de reparação, unido a Ele na sua Cruz…, numa palavra: se se padece por Amor? ” (São Josemaría Escrivá, ‘O Caminho’, 182). 

Sinopse: No futuro, os mutantes são caçados impiedosamente pelos Sentinelas, gigantescos robôs criados por Bolívar Trask (Peter Dinklage). Os poucos sobreviventes precisam viver escondidos, caso contrário serão também mortos. Entre eles estão o professor Charles Xavier (Patrick Stewart), Magneto (Ian McKellen), Tempestade (Halle Berry), Kitty Pryde (Ellen Page) e Wolverine (Hugh Jackman), que buscam um meio de evitar que os mutantes sejam aniquilados. O meio encontrado é enviar a consciência de Wolverine em uma viagem no tempo, rumo aos anos 1970. Lá, ela ocupa o corpo do Wolverine da época, que procura os ainda jovens Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) para que, juntos, impeçam que este futuro trágico para os mutantes se torne realidade. 

O filme é uma produção de alguns milhões de dólares. Bons efeitos especiais, boas explosões. E uma reviravolta inesperada. Pelo menos para mim. Trazendo à visão dos fãs um futuro sombrio e quase inabitado, os “filhos” do Professor Charles nos conduzem, em todo o momento, a possibilidades reflexivas. 

As críticas dão ao longa credibilidade e maturidade, além de um elogio sincero e merecido a Singer, que soube costurar tão bem  as histórias e subtramas em “Dias de um Futuro Esquecido”. 

Bom, diante de tantos elogios e tantas versões, o filme chega aos cinemas num momento complicado. Para quem? Para o mundo. Desde “Capitão América, Super Man”, vemos que há uma preocupação incrível em expor ideias megalomaníacas de controle da paz mundial. Não foi diferente, então, em X-Men. Aos mais desavisados, é possível passar despercebida tal temática, mas é, de certa maneira, evidente aos que estão ligados aos noticiários. Ao desejar a paz mundial, Dr. Trask, criador das Sentinelas, promove um futuro quase inexistente, com perdas para os dois lados: o do inimigo e o “nosso”. Não lhe parece familiar? Não existe essa gana em se alcançar a paz a todo custo? 

Todo o filme traz momentos de inquietação, dúvida, medo, desespero. Mas o que tem em X-Men que pode ser usado? O que há no filme que tanto me atingiu? Em minha visão tão defasada, o longa me despertou para uma condição que pode estar atingindo até Hollywood: a volta de alguns valores já esquecidos. Não é uma escrita saudosista, tampouco faz as vezes de uma tentativa piegas de falar de paz, amor ou whatever… Mas existe no filme uma atmosfera de volta à verdade, ao que caracteriza a pessoa em si. Ora, por vezes, os mutantes parecem mais humanos que nós! 

Ao ter sua consciência enviada para o passado, tendo de convencer Charles a libertar Erik e salvar Mística, Logan entrega-se à dor, uma vez que enviar a consciência num longo período de tempo faz com que a mente seja, literalmente, esmagada, destruída. Valendo-se de seus dons de regeneração, Wolverine se lança ao passado para salvar o futuro. Parece uma entrega? Sem dúvida! E como Logan mudou ao longo de sua vida com Charles! Ele não poderia gastar um pouco mais de si para atender a um pedido do grande amigo e professor? Quando o dito Professor envia Logan, dá a ele a missão de guiar seu mestre. Que caminho de beleza inigualável: “Logan, você deverá guiar-me assim como eu fiz com você”. Existe aqui uma verdade sem nome: a de olhar para o outro e reconhecer-se nele! 

Enxergo no filme as virtudes teologais. Não posso afirmar que tenha sido a intenção do diretor, uma vez que não há indícios em suas outras obras. Contudo, é fascinante perceber os diálogos do filme, principalmente quando o Charles do passado está já prestes a desistir de tudo, e o Professor Xavier, do presente, lhe fala, com propriedade: “Só porque alguém tropeça e erra o caminho, não quer dizer que está perdido para sempre”. Há algo mais cristão que isso? É a partir da fé que se tem no amigo, que Logan insiste; é pela esperança que Charles continua; é na caridade, por querer salvar Mística e a própria humanidade, que Charles se entrega e se permite sofrer. 

Com medo da dor, o Charles do passado opta por si. Não quer mais seus dons e prefere ter os movimentos das pernas de volta. Ao encontrar-se consigo, num lampejo do futuro, ele se diz para não ter medo da dor. Para que viva com verdade aquela dor que, suportando-a, cresceria e faria um enorme bem à humanidade inteira. Quantas vezes você encontra filmes que tratam o sofrimento dessa maneira? O sofrimento é hoje execrado, extinto de tudo quanto é situação. Para o homem atual, fomos criados para a felicidade e para o prazer. Qualquer sofrimento nos descaracteriza. Mas em X-Men e no diálogo de consciência maravilhoso entre o Charles do passado e o Charles do futuro, é o sofrimento vivido em sua magnitude e maturidade que vai produzir o grande homem que é o Professor Xavier; não um grande homem para ele mesmo, mas um grande homem para a salvação de muitos. Aqui, talvez haja uma analogia a nosso Senhor Jesus Cristo: Deus que se fez Homem, experimentou toda a nossa humanidade, para a remissão e salvação de cada um! É esta entrega despojada de Charles que dá o tom da trama que, para mim, é a principal, no filme. 

O Charles de 1973 é encontrado por Logan numa dor tão grande, mas sem sentido, que desistiu de tudo, abandonou tudo e o mais importante: abandonou a si mesmo. Não como sendo uma analogia, mas dentro do contexto, a Igreja nos ensina que diante de uma situação de perigo, nós temos o direito de nos defender. Uma vez estando só diante do agressor ou possível assassino, podemos usar de legítima defesa e atingi-lo antes. Contudo, é também ensinamento da Igreja que, estando cada um de nós em estado de graça, e o ladrão que, morrendo, pode ir para o inferno, podemos, por caridade, em um ato heroico, entregar nossa vida para que haja a possibilidade de salvação do bandido. Porém, se há alguém que dependa de nós, que está sob os nossos cuidados, a Igreja, Sábia e Mãe, nos ensina que não temos o direito de sermos heróis. O que temos é o dever de proteger aqueles que de precisam de nós. (Cf.: CIC nos 2263-2265). Charles estava tão enterrado em suas perdas, olhando somente para ele mesmo, que deixou-se abraçar pelo desespero, pela falta de fé. E, nesse desespero, ao se desligar de tudo e todos, ao fechar a escola, pensou estar fazendo um ato de heroísmo. Era, no entanto, o mais profundo egoísmo e inércia que alguém poderia ter. Precisou encontrar-se consigo mesmo! 

É impressionante que quando não unimos nossa dor ao Amado, ao motivo certo, ela, a dor arrebatadora, nos domina e nos destrói. A dor só é frutífera quando unida à Cruz de Cristo. O filme não nos dá uma lição de doutrina e moral, obviamente. Mas é perfeitamente possível encontrar ou nas entrelinhas ou nos olhares, os ensinamentos de uma vida pautada nas virtudes. 

Quanto a mim, fiquei admirada em perceber um conselho desses num filme secular com fama de progressista. Aliás, X-Men é o um dos enredos mais progressistas de que se tem notícia. Todavia, embora intrigante, causou em mim tanta esperança e tanto desejo de que as pessoas enxerguem a verdade, que passei a me questionar, de certo modo, com a trama. 

Magneto, em seu ataque mutante ao presidente dos Estados Unidos, profere um discurso já tão estigmatizado, cristalizado em nosso meio que, num primeiro olhar, dá-nos a certeza de qual é a natureza do filme; Contudo, ao continuar sua fala, ele nos remete ao caos moral no qual vivemos: “Vocês tentaram nos destruir por terem medo de nossos poderes; é bom que tenham medo, mesmo. Devemos ser temidos, de fato”. Contra o mainstream, X-Men se saiu bem! 

X-Men: Dias de um Futuro esquecido é um filme mais filosófico (vejam os diálogos) do que de ação. Há os momentos esperados por todos, mas há, sobretudo, uma preocupação com o jogo de ideias, com o lapidar da verdade. A esperança, a fé e a caridade, de maneira até singela, permeiam as decisões dos protagonistas. E fica claro o desejo de mudança, de recomeçar. Também nós não somos assim?! Também a Igreja nos ensina a não olhar para trás e recomeçar?! Quem de nós não se sente incrivelmente amado pela ação de Nosso Senhor? Ele, que sendo Deus, não se valeu de sua condição, desceu até nós, humilhou-se, suportou a dor e nos salvou… Isto não é capaz de produzir em você uma alegria indizível?! 

Há tanto mais a dizer sobre o filme; há tanto a falar de Magneto, do próprio Logan, da Raven! Mas é no sacrifício e na forma de voltar a sofrer que quero pedir que dê alguma atenção. Claro que o texto não pretende esgotar o assunto, sendo este vastíssimo, mas pretende, dentro do que consegui enxergar, transmitir o que vi, o que senti e como via cada cena tomando corpo em palavras! 

O filme não é uma analogia ao cristianismo; longe disso. Imagino que nem passou pela cabeça de Singer tal ideia. Mas a cada gesto, a cada desejo de melhorar, a cada passo dado em direção ao outro, não é o cristianismo em sua face mais doce?! Claro, não se pode reduzir o Cristo em um gesto ou em um filme sem pretensão mas, pode, com olhos mais atentos, perceber que os valores cristãos norteiam até a mais confusa das sociedades. E não somos nós esta sociedade confusa ou perdida?! Quem mais precisa ser enviado para que voltemos nossos olhares para o que realmente importa?! Quem mais precisa ser enviado para que saibamos que a dor só tem sentido se sofrida dignamente com o Único que pode nos ajudar?! Olhemos para Aquele que foi enviado e por amor nos salvou!

BOM


Ficha Técnica:

Gênero: Ação.
Direção: Bryan Singer.
Roteiro: Matthew Vaughn, Simon Kinberg.
Elenco: Adan Canto, Alexander Felici, Andreas Apergis, Anna Paquin, Bingbing Fan, Booboo Stewart, Daniel Cudmore, Ellen Page, Evan Jonigkeit, Evan Peters, Gregg Lowe, Halle Berry, Hugh Jackman, Ian McKellen, Jaa Smith-Johnson, James McAvoy, Jan Gerste, Jennifer Lawrence, Josh Helman, Lee Villeneuve, Lucas Till, Mark Camacho, Massimo Cannistraro, Michael Fassbender, Nicholas Hoult, Omar Sy, Patrick Stewart, Peter Dinklage, Robert Montcalm, Shawn Ashmore.
Produção: Bryan Singer, Lauren Shuler-Donner, Richard Donner, Simon Kinberg.
Trilha Sonora: John Ottman.
Duração: 132 min.
Ano: 2014.
País: Estados Unidos.
Estreia: 22/05/2014 (Brasil).
Distribuidora: Fox Film do Brasil.
Estúdio: Bad Hat Harry Productions / Donners’ Company / Twentieth Century Fox Film Corporation.
Classificação: 12 anos.
Trailer:

GodzillaÀ primeira vista, filmes cujas premissas são grandes catástrofes, tais como Pacific Rim, 2012, Impacto Profundo, por exemplo, podem parecer apenas grandes produções com o intuito de faturar um bom rendimento nas bilheterias e de atrair um público que vai ao cinema apenas por mera diversão. Entretanto, até nesse tipo específico de filme, é possível extrair peculiaridades interessantes que nos ensinam grandes valores morais.

Godzilla, um típico monstro da cultura popular japonesa, foi visto pela primeira vez nos cinemas em 1953, filme cuja produção fora realizada pela Toho Film Company, e direção de Ishiro Honda.  A partir daí, Godzilla tornou-se um símbolo do gênero Tokusatsu (filme de efeitos especiais) e uma referência na criação de diversos outros símbolos pop japoneses, como Ultraman, Jaspion, Jiraya, etc. A última versão cinematográfica americana do monstro, dirigida por Roland Emmerich,  estreou em 1998 e apresentou um filme fraco e cheio de elementos falhos. Com esse novo remake, o diretor Gareth Edwards apostou nos grandes efeitos especiais e, especialmente, na tensão frenética (quase desesperadora) de ter um monstro gigantesco ( não é só um!!) invadindo várias cidades. 

Pois bem, e o que podemos aprender com um filme de um monstro, que espalha destruição e catástrofe por onde ele pisa?! É simples! Filmes de monstro, em geral, vêm acompanhados de dramas humanos e de reflexões morais interessantes. O drama dos personagens no novo Godzilla está longe de ser o melhor do Cinema ( os atores não ajudam muito), até porque o monstro é a atração principal do filme; porém, é suficiente para nos questionar a respeito de como agimos diante de situações extremas. No meio de uma catástrofe ou de um caos, é possível ainda ao ser humano agir com a Razão e fazer o bem ao próximo? É possível não apenas agir por instinto de sobrevivência e lutar pela salvação de sua família, ou até mesmo, de alguém desconhecido?

Filmes como Godzilla podem ser um “termômetro” valioso ao mostrar como estão nossas avaliações morais e sob quais valores estão assentadas nossas escolhas. O que você faria se estivesse em situação semelhante? Como cristãos, somos chamados a dar testemunho do Bem e das Virtudes, mesmo nas situações mais adversas e mesmo que o Secularismo de nossa sociedade pregue o individualismo e o célebre termo “salve-se quem puder”. Só por esse motivo, já vale a pena ver, se divertir e refletir com o novo Godzilla.

CONFERIR2Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: David Callaham, David S. Goyer, Max Borenstein
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Akira Takarada, Bryan Cranston, Carson Bolde, Chris West, Christian Tessier, CJ Adams, Dan Zachary, David Strathairn, Elizabeth Olsen, Jake Cunanan, Jeric Ross, Juliette Binoche, Ken Watanabe, Ken Yamamura, Patrick Sabongui, Peter Dwerryhouse, Primo Allon, Raj K. Bose, Richard T. Jones, Sally Hawkins, Victor Rasuk, Warren Takeuchi, Yuki Morita
Produção: Brian Rogers, Dan Lin, Jon Jashni, Roy Lee, Thomas Tull
Duração: 123 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Estreia: 15/05/2014 (Brasil)
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Legendary Pictures / Lin Pictures / Toho Company / Vertigo Entertainment / Warner Bros. Pictures
Classificação: 12 anos

Trailer