Mulher-MaravilhaSinopse: Antes de ser a Mulher-Maravilha, ela era Diana, princesa das amazonas, treinada para ser uma guerreira invencível. Criada em uma ilha paradisíaca isolada, ela descobre que um enorme conflito assola o mundo exterior quando um piloto americano cai em suas terras. Diana deixa sua casa, convencida de que pode parar a ameaça. Lutando ao lado de homens em uma guerra para acabar com todas as guerras, Diana descobre a dimensão de seus plenos poderes… e seu verdadeiro destino.

Depois dos criticados filmes “Esquadrão suicida” e “Batman vs Superman“, chega para nós o mais novo filme baseado em super-heróis da DC Comics. Chegou e chegou muito bem.

Já fomos apresentados à heroína no filme em que o Batman encara o o herói kryptoniano, mas, neste novo filme, podemos ver a sua origem e a sua descoberta de um mundo muito diferente daquele que conhecia em sua casa, na ilha de Themyscira.

Embora a Mulher-Maravilha tenha a sua origem relacionada com a mitologia grega, bem como o vilão do filme ser o deus grego Ares, podemos perceber com certa clareza como é a atuação do demônio em nossas vidas.

No filme é posto que a ação de Ares junto aos homens é no sentido de induzi-los à guerra, mas a decisão de se cometer o erro é exclusivo deles, em razão de seu livre-arbítrio. Da mesma forma é a atuação do diabo junto aos homens, em que age como que ficasse “sussurrando em nossos ouvidos” para que pequemos.

Isso já foi muito bem colocado por São João Paulo II na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Reconciliatio et Paenitentia:

“(…)Deus é fiel ao seu desígnio eterno mesmo quando o homem, induzido pelo Maligno e arrastado pelo seu orgulho, abusa da liberdade que lhe foi dada para amar e procurar generosamente o bem, recusando a obediência ao seu Senhor e Pai; (…)

14. Se lermos a página bíblica da cidade e da torre de Babel à luz da novidade evangélica e a confrontarmos com a outra página da queda dos primeiros pais, podemos tirar daí elementos preciosos para uma tomada de consciência do mistério do pecado. Esta expressão, na qual se repercute o que São Paulo escreve acerca do mistério da iniquidade tem em vista fazer-nos perceber o que se esconde de obscuro e de inexplicável no pecado. Este, sem dúvida, é obra da liberdade do homem; mas por dentro da realidade desta experiência humana agem factores, pelos quais ela se situa para além do humano, na zona limite onde a consciência, a vontade e a sensibilidade do homem estão em contacto com forças obscuras que, segundo São Paulo, agem no mundo até ao ponto de quase o senhorearem.”

A influência do demônio na vida do homem nos leva a um duro combate, como descrito no Catecismo da Igreja Católica:

409. Esta dramática situação do mundo, que “está todo sob o poder do Maligno” (1 Jo 5,19), transforma a vida do homem num combate:

“Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Tendo começado nas origens, há de durar – o Senhor no-lo disse – até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem. Só através de grandes esforços é que, com a graça de Deus, consegue realizar a sua unidade interior.”

Ainda que o demônio persista em sua ação junto ao homem, não devemos nos deixar abater, pois isso não acontece sem a permissão de Deus diante de uma plano divino, como bem nos lembra Santo Agostinho:

Deus onipotente, sendo sumamente bom, não deixaria mal algum em sua obra, se não fosse tão poderoso e bom que pudesse tirar até do mal o bem.

Assim como no filme vemos a Princesa Diana e tantos outros tentando combater o bom combate contra seu inimigo, da mesma forma devemos nós nos vestirmos da armadura de Deus como descrito em Efésios 6, 13-18:

13.Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever.
14.Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça,
15.e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.
16.Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
17.Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.
18.Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.

CONFERIR2

Ficha técnica:

Gênero: Ação
Direção: Michelle MacLaren
Roteiro: Allan Heinberg, Flor Ferraco
Elenco: Ann Ogbomo, Chris Pine, Connie Nielsen, Eleanor Matsuura, Emily Carey, Eugene Brave Rock, Ewen Bremner, Florence Kasumba, Gal Gadot, Lisa Loven Kongsli, Lucy Davis, Madeleine Vall, Mayling Ng, Robin Wright, Roman Green
Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder
Trilha Sonora: Rupert Gregson-Williams
Duração: 140 min.
Ano: 2017
País: Estados Unidos
Distribuidora: Warner Bros
Estúdio: Atlas Entertainment / Cruel & Unusual Films / DC Entertainment
Classificação: 12 anos

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ProcurandoDoryA Disney/Pixar traz mais uma belo filme para adultos e crianças, que vale muito ser visto e se emocionar.

Sinopse: Procurando Dory se passa um ano após o primeiro filme, e traz de volta alguns favoritos: Marlin, Nemo e a turma do aquário, entre outros. Parcialmente ambientado na costa da Califórnia, a história também dá as boas-vindas a vários novos personagens, incluindo alguns que provarão serem partes importantes na vida de Dory.

Novamente vamos para o fundo do mar para reencontrar Marlin, Nemo, Dory e muitos outros personagens. Quem gostou do primeiro filme vai gostar deste também.

Agora o centro do enredo é a peixinha azul que consegue mudar a vida de todos que passam por ela. É fantástico ver que ela, em sua simplicidade (e muito esquecimento) influencia de alguma forma todos que conhece, e sem fazer força.

Existem vários pontos que podemos apontar sobre o filme, mas vamos tocar em dois de forma especial.

O primeiro é a esperança. Dory se perdeu de seus pais quando “criança” e em razão de sua doença, esqueceu deles enquanto crescia. Mas no momento que lembrou deles foi como uma imensa fogueira que aqueceu seu coração e lhe deu a esperança de encontrá-los depois de muito tempo. Esta esperança fez com que ela saísse novamente da segurança de onde se encontrava para atravessar o oceano (novamente) para encontrar sua família.

Temos que manter as nossas esperanças, pois o cristão será salvo por esta esperança (basta lembrar da belíssima encíclica do Papa Bento XVI, Spe Salvi).

Em segundo, vamos descobrindo durante o filme que muitas coisas que Dory faz ou fala tem relação com o que seus pais lhe ensinaram quando “criancinha”. Há quem diga que os filhos crescem e esquecem os ensinamentos dos pais, mas isso não é verdade. Mesmo quando pequenos, tudo o que os pais dizem eles absorvem, mesmo que achemos que não (mesmo nos casos de crianças com algum distúrbio, como é o caso da Dory). Eles ouvem, observam, aprendem e reproduzem, mesmo que isso venha a se mostrar somente quando mais velhos.

É importantíssimo que os pais não percam essa visão e não desistam de ensinar seus filhos, e para tanto fazemos eco às palavras do Papa Francisco, na audiência geral de 10 de maio de 2015:

“Faço votos a fim de que o Senhor conceda às famílias cristãs a fé, a liberdade e a coragem necessários para a sua missão. Se a educação familiar resgatar o orgulho do seu protagonismo, os pais incertos e os filhos decepcionados serão grandemente beneficiados. Chegou a hora de os pais e as mães voltarem do seu exílio — porque se auto-exilaram da educação dos próprios filhos — e recuperarem a sua função educativa. Oremos para que o Senhor conceda aos pais esta graça: a de não se auto-exilarem da educação dos seus filhos. E isto só pode ser feito com amor, ternura e paciência.”

Tudo o que ensinamos servirá para que, de alguma forma, volte para o caminho correto, como migalhas jogadas ao chão que indicam o caminho… ou como conchas preparadas no mar que levam ao mesmo lugar.

O filme é muito bonito e bem elaborado e, com certeza, encantará crianças, jovens e adultos.

ATENÇÃO: um tempo atrás saíram notícias de que neste filme teriam personagens lésbicas e isso gerou um certo rebuliço. Para os que sofreram com antecedência, podem relaxar; nele, isso não existe! 

ATENÇÃO 2: o curta antes do filme é muito bonito (“Piper descobrindo o mundo”), que é uma maravilhosa lição para os pais. Não deixe de assistir.

EXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação.
Direção: Andrew Stanton, Angus MacLane.
Roteiro: Andrew Stanton, Victoria Strouse.
Elenco: Ellen DeGeneres, Albert Brooks, Idris Elba, Kate McKinnon, Bill Hader, Dominic West, Diane Keaton, Ed O’Neill, Ty Burrell.
Duração: 103 min..
Ano: 2016.
Origem: Estados Unidos.
Distribuidor: Walt Disney Pictures.
Classificação: Livre.

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Snoopy-cartazÉ preciso começar falando que esse filme foi um grande alívio para os fãs das tirinhas do Snoopy e do Charlie Brown, não deixa nada a desejar, não decepciona os fãs antigos e, com certeza, vai conquistar muitos novos para a turma. Assisti ao lado da minha esposa que é fã de longa data e ela terminou o filme chorando de emoção. Para mim, que nunca fui fã, mas evidentemente conhecia os quadrinhos, foi também um filme muito divertido.

Sinopse: Dirigida por Steve Martino, a animação é baseada nos quadrinhos do cartunista norte-americano Charles M. Schulz. A série, conhecida no Brasil como Minduim, acompanha as aventuras de Charlie Brown, Snoopy e sua turma. Na trama, Charlie Brown se apaixona por sua nova colega de escola, e precisa, com a ajuda de seu fiel companheiro Snoopy, mudar seu jeito de ser e conquistar a garota.

O pobre do Charlie Brown sempre se metendo em furadas, acaba atraindo a nossa simpatia e, muitas vezes, nos identificamos com seus sentimentos e inseguranças. Nos vemos diante de valores que a sociedade nos apresenta, quem dança melhor, quem é o melhor aluno da turma e muitas vezes esquecemos que o verdadeiro valor está no interior.

Charlie é um menino puro, que não julga os outros, que se coloca a serviço, que sai de si e da sua zona de conforto para ajudar. Ele é um ótimo exemplo dos pedidos de Jesus no sermão da montanha: “Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.” (Mt 5, 39b-42).

Lembrando sempre “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.” (Mt 6,1-4).

Além de toda nostalgia envolvida em relação aos personagens, que muitos puderam acompanhar, vemos que é possível aprender muito com Charlie Brown, nosso querido Minduim, até hoje: “fazer o bem sem esperar o retorno.”

É claro que não veremos a genialidade do autor Charles M. Schulz no roteiro, mas não deixa a desejar. Seu filho (Craig Schulz) e neto (Bryan Schulz) fizeram uma bela homenagem a ele e seus personagens icônicos, encantando os mais velhos e as crianças.

Importante que sempre recomendamos que qualquer filme assistido com as crianças se possa depois conversar com elas sobre as situações, realçando os bons exemplos e criticando os maus, para que, desde pequenos possam saber distinguir o certo do errado. E sobre este delicioso filme há bastante o que se conversar.

3DEXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação
Direção: Steve Martino
Roteiro: Bryan Schulz, Cornelius Uliano, Craig Schulz
Elenco: A.J. Tecce, Alexander Garfin, Anastasia Bredikhina, Bill Melendez, Francesca Capaldi, Hadley Belle Miller, Madisyn Shipman, Mar Mar, Mariel Sheets, Noah Johnston, Noah Schnapp, Rebecca Bloom, Venus Schultheis, William Wunsch
Produção: Bryan Schulz, Cornelius Uliano, Craig Schulz, Michael J. Travers, Paul Feig
Trilha Sonora: Christophe Beck
Duração: 93 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Blue Sky Studios / Peanuts Worldwide / Twentieth Century Fox Animation
Classificação: Livre

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OPequenoPríncipe“A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa.
– Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!”

Sinopse: Tributo à obra popular de Antoine de Saint-Exupéry, que foi traduzida em mais de 250 línguas e que já vendeu mais de 145 milhões de cópias em todo o mundo, o filme é centrado na amizade entre um excêntrico velho, O Aviador (Marcos Caruso) e uma garotinha bem crescida que se muda para a casa ao lado com sua Mãe (Priscila Amorim). Através das páginas do livro do Aviador e seus desenhos, a menina (Larissa Manoela) descobre a história de como ele há muito tempo caiu em um deserto e encontrou o Pequeno Príncipe (Mattheus Caliano), um menino enigmático de um planeta distante. As experiências do Aviador e o conto das viagens do Pequeno Príncipe para outros mundos fazem a menina e o Aviador ficarem muito próximos, embarcando juntos em uma aventura memorável.

Sempre ouvi falar muito bem da história do Pequeno Príncipe. Esse é um daqueles clássicos da literatura universal que todo mundo comenta aqui e acolá, você diz que vai ler, mas acaba não lendo. O fato é que talvez eu tenha menosprezado um pouco a história, tomando-a por açucarada ou piegas demais, se é que vocês me entendem. Além do fato de as melhores frases já terem sido repetidas em demasia, o que a história de um príncipe (de que país?) vivendo sozinho num planeta (como? de que?) apaixonado por uma rosa poderia realmente acrescentar na minha vida? O filme, uma animação de Mark Osborne, não só me apresentou à obra como deu resposta a todas as perguntas céticas que me vinham à cabeça.

Como não li a obra, ater-me-ei apenas ao roteiro adaptado por Osborne que, sem dúvida alguma alargou seu horizonte para além dos círculos filosóficos e de auto-ajuda. O roteiro apresenta a história de uma menina que sonhava em entrar em uma escola renomada. O apoio da mãe, apesar de trabalhar o dia inteiro e deixá-la sozinha em casa, é irrestrito: ela elabora uma complexa rotina de estudos, um planejamento de resultados e pensa inclusive nas possíveis recompensas, caso o objetivo seja alcançado. Mais à frente a menina vai descobrir que o sonho de entrar na escola era, na verdade, um sonho da mãe conduzido com tanta radicalidade que a menina foi, inadvertidamente, obrigada a tomá-lo para si. Porém, um fato desconcertante muda toda a história. A hélice de um vizinho maluco quebra a parede da casa da menina enquanto ela estudava e então ela embarca numa aventura que muda completamente o rumo de sua vida. O fato inusitado foi a ponte que o diretor usou para ligar a história da menina, oprimida pelas circunstâncias impostas pelo sonho da mãe e as lições do Pequeno Príncipe.

Daí para frente, o autor circula entre o mundo real e o mundo de fantasia e imaginação das histórias do Príncipe contadas pelo velho aviador. A menina, como eu mesmo fiz, antes de assistir ao filme, chega cheia de preconceitos e ceticismos em relação à história do menininho com título de príncipe que vivia num planeta, conversava com uma rosa e uma raposa e viajava o mundo em busca de respostas para seus dilemas. A personagem da menina para mim foi uma verdadeira sacada do diretor, pois fez com que o telespectador do século XXI se identificasse verdadeiramente com a história. Sim, na tentativa de atualizar delicadamente a história do Pequeno Príncipe, o autor criou uma história paralela tão grande quanto a do clássico. Dessa maneira, apesar de chama-se “O Pequeno Príncipe”, a versão cinematográfica poderia muito bem ter se remetido à menina no título, pois o telespectador entendeu que foi ela a responsável por descobrir que o “essencial é invisível aos olhos”.

Poderíamos fazer muitas reflexões e comentários sobre o filme, afinal, como toda obra filosófica, há muitas questões feitas e respondidas. Gostaria de destacar apenas um ponto que, para mim, ficou evidente e que, na hora, me lembrou do Papa Francisco. Por um lado, o Papa tem falado muito sobre a importância que deveríamos dar às pessoas mais velhas e, por outro, é evidente seu amor pelas crianças quando as beija nos Angelus na Praça São Pedro. Assim, o Papa consegue ligar por seus ensinamentos as fases mais frágeis do homem: a infância e a velhice. O filme, por sua vez, ao relacionar a vida da menina com a do velho aviador, mostra o quanto essas fases têm a se somar. E mais, mostra que o Papa estava certo ao evidenciar de forma sutil que essas fases têm em comum a pureza, a sabedoria simples, a sinceridade, dentre outras coisas.

Não quis tratar sobre as frases epigrafais que o filme ecoa da obra de Saint-Exupéry porque, a maioria das pessoas, diferente de mim, deve ter lido O Pequeno Príncipe e, se não leu, recomendo vivamente que o leia. Porém, como poucas vezes fiz na vida, acredito que o leitor do nosso blog deveria assistir antes à versão cinematográfica de Mark Osborne. Afinal, testemunho próprio: foram os olhos de Osborne que tiveram o poder mágico de fazer com que eu tomasse a obra de Saint-Exupéry como livro de cabeceira; pasmem: sem nunca ter lido uma linha sequer da obra original.

EXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação
Direção: Mark Osborne
Roteiro: Irena Brignull
Elenco: Albert Brooks, Benicio Del Toro, Bud Cort, Jacquie Barnbrook, James Franco, Jeff Bridges, Jeffy Branion, Mackenzie Foy, Marcel Bridges, Marion Cotillard, Paul Giamatti, Paul Rudd, Rachel McAdams, Ricky Gervais, Riley Osborne
Produção: Alexis Vonarb, Aton Soumache, Dimitri Rassam
Fotografia: Kris Kapp
Montador: Carole Kravetz Aykanian, Matt Landon
Trilha Sonora: Hans Zimmer, Richard Harvey
Duração: 108 min.
Ano: 2015
País: França
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: On Entertainment / Onyx Films / Orange Studio
Classificação: Livre

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DivertidaMente

Uma animação para crianças e adultos!

Sinopse: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no centro dos Estados Unidos, para viver em São Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. Embora esses grupos sejam normalmente organizados, a chegada de Riley a uma nova escola faz com que todas as emoções se misturem.

A Pixar tem o [bom] hábito de nos trazer belas animações que, assim como a trilogia Toy Story, servem para adultos e crianças. Divertida Mente é um desses casos, em que as crianças, com certeza, irão se apaixonar pelos personagens, dar risadas e chorar com cada um deles, mas os adultos terão ótimas lições para a sua vida e de seus filhos/netos/sobrinhos/afilhados.

As personagens que estão na cabeça de Riley (e dos pais também … quer dizer, de todo mundo) foram muito bem caracterizados, tanto na personalidade específica de cada um, como nas cores e trejeitos. Cada detalhe foi colocado de forma simples e, ao mesmo tempo, brilhante.

Cada um tem na cabeça algo que podemos chamar de “torre de controle”, em que as emoções controlam as reações da pessoa. Em alguns momentos, vemos as diferenças de “mentalidade” da filha, da mãe e do pai, mostrando não só a maturidade, em razão da idade, como a diferença em virtude do sexo (o que também vale para as emoções que habitam na respectiva “torre”).

A beleza do filme está em mostrar o relacionamento das emoções e como tentamos afastar (ou abafar) a tristeza e deixar a alegria tomar conta. Nós, os adultos, no desejo de proteger as crianças, tentamos fazer o mesmo com elas. Esquecemos que a tristeza faz parte do crescimento, amadurecimento e formação da personalidade de cada pessoa e que, muitas vezes, ela é necessária em diversos momentos para se aprender a enfrentar as diversas dificuldades da vida.

O papel dos pais é estar presente, é ajudar a enfrentar os momentos tristes e participar dos alegres. É também ser o ombro amigo, e quando necessário a autoridade que dá os limites. É tudo isso e muito mais, mas sem controlar a criança, como se ela fosse programável igual a uma máquina.

Que maravilhosa lição aos pais, algo que o Papa Francisco já nos falou (audiência geral de 04/02/15):

“Portanto, a primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família. Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador, porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam crescer. (…)

Um pai bom sabe esperar e perdoar, do profundo do coração. Sem dúvida, também sabe corrigir com firmeza: não se trata de um pai fraco, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar.”

Ao mesmo tempo é uma outra lição para nós adultos, que esquecemos muitos de nossos momentos na vida, de aprendizados, de coisas que gostamos. Em alguns momentos eu pensei em mim, ainda criança ou adolescente, as mudanças próprias da idade, o enfrentamento das dificuldades, minhas tristezas e alegria, as coisas que tive que deixar pelo caminho e outras que acolhi. Sim, assim como tantos outros filmes da Pixar, meus olhos ficaram marejados … e tenho certeza de que você passará por uma experiência semelhante. Pode não ser a melhor animação da Pixar, mas está facilmente entre as melhores.

Que possamos assistir (de preferência no cinema e até mesmo dublado – ótima dublagem) de coração aberto, vendo a vida com os olhos de cada emoção na “torre de controle”, pensando no crescimento de tantas crianças ao nosso redor e lembrando de nós mesmos.

EXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação.
Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen.
Roteiro: Josh Cooley, Meg LeFauve, Pete Docter.
Elenco: Amy Poehler, Bill Hader, Bob Bergen, Carlos Alazraqui, Diane Lane, Jess Harnell, Kyle MacLachlan, Laraine Newman, Lewis Black, Lori Alan, Mindy Kaling, Paula Poundstone, Phyllis Smith, Richard Kind, Teresa Ganzel.
Produção: Jonas Rivera.
Trilha Sonora: Michael Giacchino.
Duração: 102 min..
Ano: 2014.
País: Estados Unidos.
Estreia: 18/06/2015 (Brasil).
Distribuidora: Disney.
Estúdio: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures.
Classificação: Livre.

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BigHeroÉ costume termos uma animação ou desenho próximo ao período do Natal, que são belíssimas produções que encantam crianças, jovens e adultos com muita facilidade. Foi assim com A Origem dos Guardiões e é com certeza assim com Operação Big Hero 6.

Sinopse: Na metrópole fictícia chamada San Fransokyo (uma junção de San Francisco e Tóquio), Operação Big Hero será centrado em um jovem prodígio chamado Hiro Hamada e seu robô médico Baymax. Quando eles descobrem uma conspiração criminosa, terão que participar de uma equipe de gênios da ciência, mas inexperiente de combatentes do crime.

Quando se vê o trailer algumas pessoas logo pensam que poderia se tratar de uma animação bobinha para crianças, já que o grandão-fofinho Baymax traz aquela aparência de desenho para crianças pequenas… um engano… grande, fofo e acolhedor engano.

Logo no início somos jogados em um mundo diferente na cidade de San Fransokyo, que mistura os elementos de San Francisco e Tokyo e suas culturas, e conhecemos o jovem Hiro Hamada, um gênio da robótica com apenas 14 anos que incentivado pelo seu irmão Tadashi passa a aprimorar seus conhecimentos.

Uma tragédia familiar faz com que os caminhos de Hiro mudem e ele passe a interagir com Baymax, um robô médico, fofo e com visual acolhedor que se revela ser muito mais do que um mero robô. Ainda que seja fruto de sua programação, Baymax se preocupa com a saúde física e emocional de Hiro a ponto de não se desativar até que seu paciente esteja bem. A relação deles supera e muito a servidão robótica, auxiliando Hiro nos momentos mais difíceis e participando dos momentos de superação.

Uma belíssima animação que fala de perdas, sacrifícios, amizade e a escolha pelo caminho correto. Assim como Baymax é mais do que um robô fofo, este filme é muito mais do que um desenho para crianças, e poderá fazer com que a pessoa que assiste repense suas amizades, caminhos e decisões. Emocionante e empolgante, que deve ser assistido!

EXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação
Direção: Chris Williams, Don Hall
Roteiro: Don Hall, Jordan Roberts
Elenco: Abraham Benrubi, Alan Tudyk, Billy Bush, Damon Wayans Jr., Daniel Gerson, Daniel Henney, Genesis Rodriguez, James Cromwell, Jamie Chung, Katie Lowes, Maya Rudolph, Paul Briggs, Ryan Potter, Scott Adsit, T. J. Miller
Produção: Roy Conli
Trilha Sonora: Henry Jackman
Duração: 102 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Estreia: 25/12/2014 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney Animation Studios
Classificação: Livre

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O Castelo AnimadoAtenção! Contém Spoilers!

Sinopse: “Sofia é uma jovem de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade ela conhece Howl, um mágico bastante sedutor mas de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sofia uma maldição que faz com que ela tenha 90 anos. Desesperada, Sofia foge e termina por encontrar o Castelo Animado de Howl. Escondendo sua identidade, ela consegue ser contratada para realizar serviços domésticos no local, se envolvendo com os demais moradores do castelo.”

A paz de Cristo, irmãos! Primeiramente, é bom que expressemos o quão difícil foi reunir tudo o que um filme tão rico em detalhes, tanto em sua estética quanto em seu enredo, pode apresentar, a fim de produzir uma síntese ou uma resenha a respeito.

“O Castelo Animado”, genuína obra de Hayao Miyazaki, à primeira vista, parece apenas mais uma animação oriental infantil e comum, daquelas que fazem a cabeça do público mais jovem com toda a sua magia. Entretanto, como já fora abordado, numa estória cujo os personagens são bruxas, magos, castelos que andam e até mesmo demônios, devemos usar aquelas velhas táticas: “separar o trigo do joio” e unir o útil ao agradável (neste caso, agradável  aos olhos de Deus), para que, somente assim, possamos retirar da mesma lições importantes para todas as idades.

O excelente roteiro não é por todo mérito de Miyazaki; ele é baseado na novela (romance) de mesmo nome (“Howl’s Moving Castle“) da autora britânica Diana Wynne Jones. Por isso, alguns críticos consideram esta película, em especial, a mais ocidental do diretor, diferente de outras como a premiada “A Viagem de Chihiro” ou “A Princesa Monoke” nas quais os personagens e situações se referem quase todos à cultura oriental (mais especificamente às culturas japonesa e chinesa). Nem por isso o longa perde aquele toque exclusivo dos Estúdios Ghibli (Walt Disney do Japão) presente em seus outros filmes: tomar emprestada a atenção do espectador por meio de cores, símbolos e “momentos mágicos”.

Uma boa paleta de cores, um bom traçado e uma excelente mobilidade de quadros sempre prenderam crianças em suas cadeiras quando o assunto é desenho animado, disso a Disney já nos deixou cientes. Porém, o que uma criança absorveria de uma personagem como a astuta e generosa Sofia? Ou como o egoísta e covarde, porém acolhedor e protetor, Mago Howl? Ou como a má e também egoísta Bruxa do Vale? E ainda temos um “Demônio do Fogo” (Calcifer) chantagista, orgulhoso e “reclamão”, mas aparentemente benevolente e conselheiro, na história (lembrando que no mundo fantástico proposto pelo filme/livro os demônios são pouco mais que simples criaturas mitológicas que, assim como nós, são livres vagantes entre o conceito de bem e mal, diferente de como são realmente reconhecidos no cristianismo).

Interessante como todos os personagens na trama são dotados de virtudes e defeitos, assim como também são expostos a escolhas bem mais difíceis do que as que muitas outras animações propõe aos seus protagonistas e antagonistas. Sofia nos é mostrada inicialmente como uma pessoa que teria tudo para se vitimizar e reclamar, e dessa forma fazer todo tipo de escolha errada por aquilo que havia acontecido a ela. Entretanto, a mesma persistiu e foi à procura da resolução do seu problema, prova de que o sentimento de pura vitimização por algo ruim que nos acontece é, sem dúvidas, uma das sementes, plantada por nós mesmos, de uma vida depressiva e de quedas, semente esta não cultivada por Sofia, restituída pelas sementes de sua paciência e persistência, gerando assim frutos bons. Nosso relacionamento com Deus é, sem dúvidas similar, especialmente quando diz respeito às nossas orações e tribulações.

Howl já nos é apontado como um personagem em fase de extrema mudança; vemos ao longo da trama a transformação de um mago irresponsável, egoísta e covarde em alguém completamente diferente. Sofia consegue, aos poucos, sem perceber, mudando os personagens e o ambiente à sua volta, especialmente o Mago, com sua disposição e serviço, entre outras palavras: com o seu amor. Vemos o mesmo acontecendo com a Bruxa do Vale, que usara de todos os seus feitiços e truques para esconder quem realmente havia se tornado e o que suas más ações haviam feito a ela, pelo que, sua obsessão por Howl acabara fazendo com que a mesma aprendesse, da pior maneira, que o amor não é sinônimo de posse, e sim de entrega!

Calcifer não chega a ser muito diferente dos outros personagens, de acordo com a lógica na qual o roteiro desenvolve sua personalidade. O ponto importante atribuído a ele é, sem dúvidas, seu pacto com Howl, no qual o mesmo troca seu coração com o ser, figurativa e literalmente falando, a fim de receber em troca seus poderes. O que me impressionou perante tantos outros filmes é que o coração em “O Castelo Animado” não simboliza apenas os sentimentos superficiais, mas principalmente as virtudes, especialmente a caridade, a temperança e a sabedoria. Howl perde tudo isso que possuía por avareza, neste envolvimento com Calcifer. Já Calcifer, não livre de julgamentos em seu pacto, também fora guiado pela mesma avareza e vaidade de Howl, sendo que o mesmo tivera um arrependimento precoce ao do “amo” vistas as situações injustas que ele passava em suas mãos e como tudo aquilo estava acabando mal para ambos. Apesar de ser retratado como um demônio do fogo ele não passa de uma concepção mitológica (longe de um anjo que optou por sair da graça de Deus).

Ao longo da história vamos aprendendo mais e mais com os personagens. Sofia demonstra que, mesmo com seus defeitos, os quais a trama não se dá ao trabalho de esconder, ela consegue encarar bem o novo mundo à sua volta. O feitiço nela aparentemente vai perdendo efeito, como se nunca tivesse funcionado em sua plenitude. Há vários momentos no filme em que, quando seus atos bons são postos à prova, ela rejuvenesce. O fato dela não poder contar a ninguém sobre o feitiço, que antes era um grande estorvo, torna-se então algo fundamental para o desenvolvimento de seu caráter e para as mudanças que ela e todos ao seu redor acarretam em si.

“O Castelo Animado”, da mesma forma que é um longa farto de personagens mágicos e fantasias, é farto também de lições e valores importantes. Nós, cristãos, temos o péssimo costume de sermos acomodados (preguiçosos espiritualmente) e vitimistas, esquecemos do amor de Deus por nós e de Sua promessa e poderio perante tudo em nossa vida, e acabamos por cair em em qualquer buraco que apareça no meio do nosso caminho. Sofia soube, de fato, atravessar tais buracos, percebendo o que de bom poderia tirar em tudo de ruim que acontecera injustamente a ela.

Estar constantemente na presença de Deus por meio da vida de oração é essencial para o desenvolvimento de tais virtudes, só assim podemos ter, de fato, “um coração” em nós e a graça necessária para não vendê-lo a qualquer um, em troca de coisas supérfluas.

Ficha Técnica:

Gênero: Animação.
Título Original: Howl no Ugoku Shiro | Howl’s Moving Castle.
Direção e Roteiro: Hayao Miyazaki.
Elenco: Akihiro Miwa, Akio Ôtsuka, Chieko Baisho, Daijiro Harada, Haruko Kato, Mitsunori Isaki, Ryûnosuke Kamiki, Takuya Kimura, Tatsuya Gashûin, Yô Ôizumi.
Produção: Toshio Suzuki.
Trilha Sonora: Joe Hisaishi.
Duração: 119 min.
Ano: 2004.
País: Japão.
Estúdio: Studio Ghibli.
Classificação: Livre.
Informação complementar: Vozes de: Chieko Baisho, Takuya Kimura, Akihiro Miwa, Tatsuya Gashuin, Ryunosuke Kamiki, Mitsunori Isaki, Yo Oizumi, Akio Ôtsuka, Daijiro Harada, Haruko Kato.

Trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=UibodUGoL4M

Ser der asas ao homem, o mundo se tornará pequeno.

A DreamWorks trouxe ao cinema duas belíssimas produções baseadas nos livros infanto-juvenis criados pela escritora Cressida Cowell, que contam as estórias de Soluço e seu povo, incluindo os dragões. Os filmes, ainda que tenham mudado bastante coisa, se comparados aos livros, conquistaram vários fãs de diversas idades.

São filmes para serem vistos em família, entre amigos, no grupo de oração ou de jovens, e até mesmo na catequese.

ComoTreinarSeuDragão1

COMO TREINAR SER DRAGÃO

Sinopse: Soluço é um viking adolescente que não combina muito bem com a longa tradição de sua tribo de heroicos matadores de dragões. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele encontra Banguela, um dragão que desafia tanto ele quanto seus amigos a encararem o mundo a partir de outro ponto de vista.

O primeiro filme nos mostra que, mesmo tendo um grande inimigo, mais forte e poderoso, podemos buscar uma nova forma de convivência em vez da batalha, que tanto o Papa Francisco tem insistido: a cultura do encontro. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium o Papa nos coloca uma missão:

67. (…) Enquanto no mundo, especialmente em alguns países, se reacendem várias formas de guerras e conflitos, nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos “a carregar as cargas uns dos outros” (Gl 6,2).

Não podemos nos limitar aos nossos medos, e antes de realmente entrar em uma batalha, devemos oferecer a outra face e buscar uma solução amigável. 

BOM

Ficha Técnica:

Gênero: Animação
Direção: Chris Sanders, Dean DeBlois
Roteiro: Chris Sanders, Dean DeBlois, William Davies
Produção: Bonnie Arnold
Trilha Sonora: John Powell
Duração: 98 min.
Ano: 2010
País: Estados Unidos
Estreia: 26/03/2010 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: DreamWorks Animation / Mad Hatter Entertainment / Mad Hatter Films / Vertigo Entertainment
Classificação: Livre
Informação complementar: Baseado no livro de Cressida CowellVozes originais de Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, T.J. Miller, Kristen Wiig, Robin Atkin Downes, Philip McGrade, Kieron Elliott, Ashley Jensen, David Tennant

Trailer

ComoTreinarSeuDragão2

COMO TREINAR SEU DRAGÃO 2

Sinopse: Cinco anos depois da primeira jornada, Como Treinar o Seu Dragão 2 traz de volta boa parte dos personagens do primeiro filme em uma nova aventura. Muita coisa mudou na ilha: agora, as corridas de dragão se tornaram o grande passatempo dos moradores. A dupla de protagonistas está de volta: Soluço e Banguela partem para descobrir territórios inexplorados e encontrar a temível Caverna Gelada.

O segundo filme nos traz um Soluço crescido e sofrendo a pressão de seu pai para assumir a liderança do seu povo e, ao mesmo tempo, o reencontro com sua mãe e a amizade com os dragões. O jovem viking de antes tem que passar a agir como homem, enfrentar desafios pessoais e imensos problemas para sua vila, povo e dragões.

Podemos tirar várias lições deste filme, como a coragem de enfrentar seus medos e assumir responsabilidades, da luta pela verdadeira e sincera amizade, de evitar o confronto e se for necessário, lutar com unhas, dentes e dragões.

Tão emocionante e divertido quanto Rei Leão, este é um filme de diversas lições de amizade, amor, honra e luta, mesmo que como último recurso.

EXCELENTE

Ficha Técnica:

Gênero: Animação
Direção: Dean DeBlois
Roteiro: baseado na obra de Cressida Cowell, Dean DeBlois
Produção: Bonnie Arnold
Trilha Sonora: John Powell
Duração: 102 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 19/06/2014 (Brasil)
Estúdio: DreamWorks Animation / Mad Hatter Entertainment / Vertigo Entertainment
Classificação: Livre
Informação complementar: Vozes de: Gerard Butler, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, Kristen Wiig, Jay Baruchel, Kit Harington, America Ferrera, T. J. Miller, Craig Ferguson

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Frozen-cartaz“Frozen – Uma Aventura Congelante”  é o mais novo desenho animado dos estudios Disney baseado, como de costume, num clássico conto de fadas da literatura mundial. Dessa vez, a moral da história proclama a força do amor contra o medo e o ódio. No longa os produtores tentaram preservar o contexto básico do conto de Hans Christian Andersen, “A rainha da Neve” e acrescentaram boas doses de humor que certamente refletirão no sucesso de bilheteria que o filme já se tornou.

Para quem acompanha de perto os lançamentos da Disney, Frozen não é uma história tão original. É sempre a velha história de luta do bem contra o mal na qual o bem vence no final. Mas quem disse que isso é necessariamente algo ruim? Tudo na sociedade hoje em dia gira em torno justamente da contestação dos valores e da moral tradicional, notoriamente a judaico-cristã. Ver um filme educar ou apresentar esses valores com uma roupagem descontraída (como a cena em que a princesa diz que o príncipe é lindo, “um gatinho”no primeiro encontro) e acima de tudo atual (resolvem-se casar logo depois do encontro remetendo à ansiedade presente nos relacionamentos modernos)  é uma verdadeira proeza dos produtores Disney.

No entanto, há de se mencionar que  apesar de tentar manter a já mencionada contraposição entre bem e mal, há um aprofundamento filosófico e até mesmo antropológico do que é o bem e do que é o mal. Diferente dos outros clássicos, em Frozen não há um personagem “imaculado” (o bem) que combate um personagem “demoníaco” (o mal). Superando o maniqueísmo de uma forma dignamente agostiniana, aqui não tem existência própria. Há personagens bons com tendências más, as quais são totalmente reversíveis – como o filme faz questão de provar – pela força do amor.

Nesse contexto de mudanças e avanços de Frozen em relação a outros clássicos Disney, é preciso louvar o fato de que o tradicional ato de amor verdadeiro (que os produtores resolveram parodiar A Bela Adormecida com seu beijo mágico) dessa vez não acontece entre o homem e a mulher (o príncipe e a princesa), eles tentam, mas não funciona. O ato de amor dessa vez se dá entre duas irmãs, o que prova mais uma vez que há um aprofundamento filosófico no filme ao mostrar uma face tão pouco explorada pelo cinema nos últimos tempos, o amor fraterno.

Repleto de frases epigrafais, Frozen merece que se leve um caderninho de anotações: “Só o amor é capaz de aquecer os corações”, “Amar é colocar a necessidade do outro na frente da sua”, etc. Aliás, dito tudo isso, já dá para perceber que Frozen não é um desenho para “menininhas” ou crianças pequenas, pois quando se trata de amor não há linguagem  tão universalmente válida e recomendável para todas as idades.

EXCELENTE

Ficha Técnica:

Gênero: Animação
Direção: Chris Buck
Elenco: Idina Menzel, Kristen Bell
Produção: John Lasseter, Peter Del Vecho
Duração: 108 min.
Ano: 2013
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 03/01/2014 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney Pictures
Classificação: Livre

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frozen-posterTexto de Igor Carneiro, originalmente publicado no seu blog Linha de Consciência

No começo, parecia um musical. Nunca me agradei tanto de musicais, por achar que era um musicalizar tudo. Embora ame música como muita pouca coisa nessa vida, sempre me cansei ao ver musicais. Mas, eu amei as partes musicais de Frozen: os duetos, as harmonizações em terças e quintas, a naturalidade inclusive dos graves masculinos no início do filme, e o agudo final extremo (e no lugar e na hora certa) da música em que acabou a parte musical. Perfeito! Mas vamos para a parte importante!

A carga simbólica do filme é extraordinária (que se preste atenção nas figuras e nas cores de vários momentos)! E são muitos pontos que podem se exaltar, por isso, para concorrer com a brevidade do texto, vou focar nos mais importantes, os quais devemos levar para a vida inteira.

Uma coisa pode passar despercebida, mas creio ser de extrema importância: a capacidade de utilizar os dons para o bem ou para o mal. Até mesmo antes disso, há de se ressaltar a necessidade de utilização dos dons. Muitas coisas podemos achar que temos de mal, e que por causa disso devemos nos esconder, mas o luzeiro não pode se esconder debaixo da mesa. Os dons são feitos para serem utilizados, e são da maior diversidade possível! Que ninguém tenha medo de ser especial. Aceitar a vocação, seja ela grande ou pequena, é algo estritamente necessário para a nossa conformação conosco mesmo. Ao contrário disso, vive-se em completo desespero, na busca de ser alguém que não se é.

Continuando. Após a revelação do dom, houve o problema, em virtude disso, da falta de preparação, da falta de sentido. A personagem, com o seu imenso potencial, foi causa de destruição e aflição para todo aquele ambiente. A vida de todos ao seu redor dependia de si, e o egoísmo dela, a fuga dela para viver numa vida diabolizada, voltada para si mesmo, só causava mais medo a todos, que começavam a temer pela própria vida. Para nossa felicidade, digo de mim, do meu cérebro e da minha alma, a alteza descobre como controlar, direcionar, como dar sentido ao seu potencial, ao seu dom, e sua vida adquire uma realização que nunca antes teve. Ela viu-se feliz, porque descobriu no amor, no esquecimento de si, no voltar-se para o outro, o calor que faltava em sua vida. Aí pôde, enfim, utilizar seu talento, não mais para a morte e a destruição, e sim para a alegria e o bem de todos.

E aí está o maior mérito do filme, na revelação do verdadeiro sentido do amor. Revelação, diga-se, a termos de filmes da Disney, a termos de contos de fadas. Quanto a isso, para os adultos, houve a maior quebra de expectativa da história! – Degustem o sabor das hipérboles… – Todos (inclusive os personagens) esperavam um desfecho diferente e viram-se totalmente surpresos com o que se apresentou! Acontece que o verdadeiro amor não se descobre do dia para a noite, acontece que o amor verdadeiro não é uma mera combinação, acontece que o amor verdadeiro não é somente um amor romântico entre um homem e mulher que os fará felizes para sempre. Aliás, isso é a maior mentira!

O amor, segundo Frozen, e segundo Jesus Cristo, é doar-se até o fim. Como disse este último, o Amor encarnado: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. (Jo 15, 13)

Este filme, como se nota, é mais do que recomendado. Nota 11, de zero à dez.

EXCELENTE

Ficha Técnica:

Gênero: Animação
Direção: Chris Buck
Elenco: Idina Menzel, Kristen Bell
Produção: John Lasseter, Peter Del Vecho
Duração: 108 min.
Ano: 2013
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 03/01/2014 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney Pictures
Classificação: Livre

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Fábulas-capaQuando vi este filme na locadora me encantei pela arte gráfica e logo me chamou a atenção, mas não tinha ideia da bela história cristã que estava em minha frente.

Sinopse:

Em pleno século IX, Brendan, um jovem de 12 anos de idade, vive no mosteiro de uma remota vila medieval que está sob o cerco de invasões bárbaras. Ele recebeu a importante e misteriosa missão de concluir e apresentar para o mundo o mais fantástico dos livros, o chamado Livro de Kells.

Este é o típico filme que deve ser visto com uma certa preparação antes, para saber exatamente em que estamos nos metendo. Não é incomum alguém olhar o jovem Brendan e ligar imediatamente a sua imagem aos monges, e ainda que ele não seja um (talvez pela sua idade), está rodeado de vários. Mas como esses monges podem ter relação com o mundo das fábulas.

Em verdade toda a parte “mística” somente ocorre com o rapaz, e por certo se trata de sua imaginação, mas em momento algum tira a riqueza que não está dita, embora a cada traço esteja muito aparente. Toda a parte gráfica (que um amigo disse lembrar a arte do desenho Kim Possible, da Disney) foi baseada em uma bela peça de arte sacra, conhecido como um dos mais importantes vestígios da arte religiosa medieval: o Livro de Kells.

Escrito em latim, o Livro de Kells contém os quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de notas preliminares e explicativas, e numerosas ilustrações e iluminuras coloridas.

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Os quatro evangelistas no Livro de Kells

Um escrito do século XII, Giraldus Cambrensis (Geraldo de Gales), descreve na sua famosa Topographia Hibernica, um grande livro evangélico que havia admirado em Kildare, nas proximidades de Kells, e que supõe-se seria o Livro de Kells. Ele assim descreveu:

Este livro contém a harmonia dos Quatro Evangelistas buscada por São Jerônimo, com diferentes ilustrações em quase todas as página e que se distinguem por cores variadas. Aqui podeis ver o rosto de majestade, divinamente desenhado, aqui os símbolos místicos dos evangelistas, cada um com suas asas, às vezes seis, às vezes quatro, às vezes duas; aqui a águia, ali o touro, lá o homem e acolá o leão, e outras formas quase que infinitas. Se observadas superficialmente, com um olhar rápido, pensareis que não são mais do que esboços, e não um trabalho cuidadoso. A mais refinada habilidade está toda ela ao seu redor, mas poderíeis não percebê-la. Olhai com mais atenção e penetrareis sem dúvida no coração da arte. Discernireis complexidades tão delicadas e sutis, tão cheias de contornos e de ligações, com cores tão frescas e vivas, que poderíeis deduzir que tudo isto é obra de um anjo, e não de um homem.

Pelas imagens que se tem do Livro de Kells, se pode chegar à conclusão de que é o mesmo livro mencionado por Giraldus.

Kells2
Cristo no Livro de Kells

Em uma das mais belas passagens do filme o Irmão Aidan diz para o jovem Brendan:

O Livro nunca foi concebido para ser escondido atrás de paredes, trancado longe do mundo que inspirou a sua criação. Você deve ter o livro para o povo, para que eles possam ter esperança. Deixá-lo iluminar o caminho nestes dias sombrios.

Veja que não estamos falando de um livro qualquer, mas de uma obra de arte que contém os quatro Evangelhos do Novo testamento, e é a palavra de Deus que vai iluminar o caminho da pessoas.

O filme também faz referência à mitologia celta (citando por exemplo Crom Cruach, uma divindade irlandesa pré-cristã) e ao gênero poético de Aislings, em que um poeta é confrontado por um sonho ou visão de um vidente, no nome do duende da floresta encontrada por Brendan. No entanto, toda esta mitologia se rende à Boa Nova, à mensagem que é capaz de mudar o mundo, ao próprio Deus.

O título no Brasil faz referência às fábulas (o título original é Brendan and the secret of Kells) e veio bem a calhar, pois fala especificamente deste momento de fantasia em que se envolve o jovem Brendan, mas tudo se dissipa diante do grande Livro e sua mensagem.

Este filme concorreu ao Oscar de 2010 na categoria de Melhor Filme de Animação (vencido por Up – Altas Aventuras), e teve ótimas recomendações da crítica especializada, além de ter recebido uma bela menção no L’Osseervatore Romano quando se aproximava a disputa do Oscar.

É uma animação que as crianças talvez não aproveitem tanto quanto os adultos, mas vale a pena ser visto porque nos reforça a ideia de que não se deve medir esforços para o anúncio do Evangelho, e nos pede o melhor que podemos fazer. Que possamos ser novos Brendans, que mesmo vivendo o lúdico não desistiu do essencial.

BOM

Ficha técnica:

Gênero: Animação
Direção: Nora Twomey, Tomm Moore
Roteiro: Fabrice Ziolkowski, Tomm Moore
Produção: Didier Brunner, Paul Young, Vivian Van Fleteren
Trilha Sonora: Bruno Coulais, Kíla
Duração: 75 min.
Ano: 2009
País: Bélgica / França / Irlanda

Trailer

croodsOs Croods são uma família de trogloditas cujo lema é “nunca deixe de ter medo”. Seus vizinhos foram dizimados por mamute, cobra-dragão e gripe, mas Grug Crood mantem a mulher Ugga, os três filhos e sogra dentro de uma caverna para protegê-los de todas as ameaças. Eles só saem do abrigo para procurar comida, o que significa roubar os ovos de umas aves enormes, coloridas e perigosas. Ultimamente, explosões vulcânicas e desmoronamentos têm agitado a região. Quando sua caverna é destruída, não resta outra alternativa à família Crood do que seguir adiante até encontrar um lugar mais seguro. Ajudados por Guy, um humano jovem cheio de ideias, o grupo se move em direção ao sol.

Por que o laboratório Roche vende tanto Rivotril hoje em dia? Pesquisas conjecturam que somos os sobreviventes de mães ansiosas, obsessivamente atentas às crias, para evitar que despencassem de barrancos ou fossem devoradas por feras. Parece que são bem menos numerosos os filhos das genitoras otimistas que estão entre nós para contar a história. Pois Grug Crood lutava pela sobrevivência dos seus, para a revolta da filha adolescente Eep, que o julgava um exagerado. O chefe da família também tinha diferenças com a sogra, um filho um tanto lento, uma caçula feroz e não era considerado um homem de ideias avançadas. Nada muito grave, mas que levava a alguns desentendimentos entre eles.

Enquanto vivos, problemas e crises brotam continuamente. Nesses momentos a nossa Fé Católica ensina o caminho da oração e da esperança. É um começo necessário, no qual marido e mulher devem estar unidos, buscando soluções. Mas pode ser útil incluir o diálogo com outros membros da família, jovens e velhos, pois daí podem surgir ideias promissoras que não ocorreram ao casal. Os chefes de família só têm a ganhar incluindo os filhos e aproveitando-se da sabedoria dos mais idosos. “As relações dentro da família acarretam uma afinidade de sentimentos, de afetos e de interesses, afinidade essa que provém sobretudo do respeito mútuo entre as pessoas”. (Catecismo da Igreja Católica, 2206)

Para sorte do grupo, o troglodita super-protetor percebeu que as transformações do ambiente exigiam mudança e evoluiu para sobreviver. “Os Croods” é uma aventura movimentada, divertida, que valoriza a união familiar. O diretor-roteirista Chris Sanders também escreveu e dirigiu “Lilo & Stitch” e “Como Treinar o Seu Dragão”. Um bom programa para todos no Dia da Criança!

BOM
Informações técnicas
Diretor: Chris Sanders, Kirk De Micco
Roteiro: Chris Sanders, Kirk De Micco
Musica: Alan Silvestri
Vozes: Nicolas Cage (Grug), Emma Stone (Eep), Catherine Keener (Ugga), Ryan Reynolds (Guy), Cloris Leachman (Gran, a sogra), Clark Duke (Thunk Crood), Randy Thom (Sandy Crood)
Distribuidora: 20th Century Fox
Trailer

GrandeMilagre

A animação El gran milagro (O grande milagre) é uma proposta interessante porque elucida parte a parte a Santa Missa, numa proposta envolvente que poderia atrair toda a família: desde a criança de cinco anos (afinal, é uma animação) aos mais velhos.
Todo o filme é baseado e feito a partir do Testemunho da Missionária Leiga do Coração Misericordioso de Jesus, Catalina Rivas, transcrito no livro “A Santa Missa“, que tem o “Imprima-se!” do Bispo Ordinário:

Imprimatur de Mons. José Oscar Barahona C., Bispo de San Vicente (El Salvador)

“Li atentamente o impresso A Santa Missa, Testemunho de Catalina, Missionária leiga do Coração Misericordioso de Jesus, e não encontro nele nada contrário à Sagrada Escritura nem à doutrina da Igreja; pelo contrário, creio sinceramente que é um testemunho de sublime ensinamento sobre o mistério da Santa Missa. Recomendo vivamente sua leitura e meditação a sacerdotes e leigos para uma melhor compreensão e vivência do Santo Sacrifício do Altar.”

San Vicente, 2 de março de 2004

Antes de falarmos do filme, é interessante termos em conta o posicionamento da Igreja quanto às “Aparições e Revelações Particulares“, contido no documento homônimo, quando se refere aos critérios de discernimento das mesmas:

“O conteúdo da aparição não pode contradizer nem à razão humana, por falso, maldoso ou imoral, nem à Revelação divina, aos dogmas e a doutrina magisterial da Igreja.” (Nº 2, b)

Analogamente, em 1996, o Serviço de Animação Mariana, de Anápolis-GO, lançou o livro do Padre Francisco Rudroff  “Santa missa Mistério da nossa fé – Meditações em Palavras e Imagem“, buscando aproximar-nos de tão grande Mistério, pelo que não se vê, com as belíssimas gravuras, uma forma atual de adentrar no conhecimento da “Beleza tão antiga e tão nova”, como dizia Santo Agostinho.

*******

A história trata de três pessoas, uma mãe viúva que tem de lidar com a árdua tarefa de criar o filho pequeno, um motorista que recebe a notícia da doença do filho e uma idosa cansada dependência no final da vida. As diferentes situações dos três personagens acabam convergindo na igreja que fica no centro da cidade. A ajuda surge de onde menos essas três pessoas esperam: do menino do sinal de trânsito, de um adolescente que esquece da vida no ônibus ou de um faxineiro de igreja. A ajuda prestada a essas três pessoas que sofrem poderia ser resumida na frase: “às vezes a dor tem que ser compartilhada para ser compreendida”. Possivelmente para mostrar que Deus está à nossa espera, em qualquer paróquia vivo e real na eucaristia, ainda que nem sempre enxerguemos bem essa verdade.

Na verdade, o menino do sinal, o adolescente e o faxineiro são anjos disfarçados que encaminham sutilmente os três para a igreja no centro da cidade. Lá, por uma graça extraordinária, os três conseguem ver a Missa de uma forma mística. Eles passam a ver demônios que surgem de todos os cantos para distraírem ou incitarem os fiéis a pecar, anjos que defendem aqueles que estão atentos e em oração, a Virgem Maria que aparece para consolar as dores de um dos personagens, os anjos que levam as petições e oferendas a Deus durante o ofertório, as almas dos bem-aventurados e a das almas do purgatório, etc.

O filme é uma forma “plástica”, como dizem alguns liturgistas, de esclarecer que as partes da Missa que vemos fisicamente são ínfimas em relação ao todo. Logo que assisti ao filme, lembrei-me das visões místicas do padre alemão João Batista Reus, que via o rosto de Cristo na hóstia, chamas saírem de suas mãos ao abençoar os fiéis, anjos e santos cantando e adorando a Deus no momento da consagração, etc. Outros santos também já tiveram esse tipo de visão durante o culto eucarístico e isso nos faz pensar que é um filme extremamente real do ponto de vista da experiência dos santos.

Eu recomendo o filme. Afinal, é bem feito, o roteiro não é ingênuo, leva-nos realmente a amar mais a missa e a confiar mais em Deus. Dentre as cenas, porém, devemos alertar que há uma que explica-se pelo contexto da graça extraordinária, mas que poderia tranquilamente ser retirada para evitar confusões. Nessa cena, o falecido marido da viúva aparece e dialoga com ela para dizer que sempre estará ao lado dela e do filho. Nos comentários do Youtube alguém já reclamou abertamente: “espiritismo é pecado […]”.

A cultura espírita talvez não seja tão forte no México (onde o filme foi produzido), quanto aqui no Brasil. Vemos gente morta voltando à vida diariamente nas novelas como se fosse a coisa mais natural do mundo. Não se esperaria um endossamento por parte da Igreja, que condena tal prática, com firmeza. No entanto, como dissemos, pelo contexto extraordinário das visões que os personagens têm e somente nesse contexto, por uma graça também extraordinária, por que Deus não permitiria que a alma bem-aventurada consolasse a viúva? Sim, a cena é desnecessária e o filme passaria tranquilo sem ela. Porém, ao invés de incentivar uma prática herética como o espiritismo, o filme quer mostrar que, diante dos propósitos de Deus, nada é impossível, a começar pelas visões da Missa que os personagens tiveram.

A mensagem que fica, é, sem dúvida, a de que a Missa é um mistério que transcende, e muito, nosso entendimento. É um convite a ir além, a não contemplar esse mistério de longe, com estranhamento, mas entrar nele e adorar a Deus de forma mais intensa – “em espírito e em verdade” (Jo 4).

EXCELENTE

Ficha Técnica:

Produtora e Diretor: Dos Corazones, S.A de C.V | Bruce Morris
Diretora de Produção: Patricia García Peña
Ano: 2011
País: México
Duração: 70 min
Música: Mark Mckenzie
Gênero: Ficção/Drama/Animação
Idiomas: Espanhol, Inglês e Polonês
Estúdio de Animação: Imagica Film, México
Formato de Áudio: Full Animation 3D

Trailer

Filme completo

http://www.youtube.com/watch?v=oK5nMBhlSEg

Acréscimo introdutório: Cleiton Robsonn, via Salvem a Liturgia!

Acredito que todos, quando criança, acreditavam em Papai Noel, Fada do Dente e Coelho da Páscoa. O que acham de um filme com todos estes seres e outros mais?

SINOPSE

As crianças do mundo inteiro são protegidas por um seleto grupo de guardiões: Papai Noel, Fada do Dente, Coelho da Páscoa e Sandman. São eles que garantem a inocência e as lendas infantis. Mas um espírito maligno, o Breu, pretende transformar todos os sonhos em pesadelo, despertando medo em todas as crianças. Para combater este adversário poderoso, a Lua designa um novo guardião para ajudar o grupo: Jack Frost, um garotinho invisível que controla o inverno. Sem conhecer sua própria vocação de guardião, ele embarca em uma aventura na qual vai descobrir tanto sobre as crianças quanto sobre seu próprio passado.

ANÁLISE

O tão cultuado autor católico GK Chesterton, no livro Ortodoxia, escreveu assim:

(…) O conto de fadas discute o que o homem sensato fará num mundo de loucura. (…)

O país das fadas nada mais é do que o país ensolarado do bom senso. Não é a terra que julga o céu, mas o céu que julga a terra; assim, para mim pelo menos, não era a terra que criticava a Elfolândia, mas a Elfolândia que criticava a terra. Conheci o pé de feijão mágico antes de provar feijão; tive certeza sobre o homem na Lua antes de ter certeza sobre a Lua. Isso está em harmonia com a tradição popular. (…)

Há a lição de “Cinderela”, que é a mesma do  Magnificat  — EXALTAVIT HUMILES. Há a grande lição de “A Bela e a Fera”, dizendo que uma criatura precisa ser amada  ANTES  de ser amável. Há a terrível alegoria de “A Bela Adormecida”, dizendo como a criatura humana foi abençoada com todos os seus dons recebidos ao nascer, e, no entanto, amaldiçoada com a morte; e como a morte pode ser suavizada em sono. (…)

Ou seja, para ele os contos de fadas eram uma forma de moldar a consciência de uma criança, e traz sempre uma lição moral. Este é o caso deste filme.

Primeiro tenho que deixar claro que todos os personagens foram tratados como seres mitológicos, sem qualquer conotação religiosa. Assim, o Papai Noel e o Coelho da Páscoa são aqueles seres que nos apresentaram quando crianças, apenas isso. Então, por mais que alguém tenha suas críticas (muitas vezes severas) quanto a estes dois personagens, tente deixar de isso de lado ao assistir este filme.

A caracterização dos personagens é muito interessante e foge daquelas visões clássicas que temos:

– o Papai Noel parece um daqueles senhores de 60 anos, grande, forte, careca, barbudo, tatuado e motoqueiro (você fica esperando que em algum momento ele suba em sua Harley-Davidson), e não tem nada daquele senhor de bochechas rosadas e uma dócil simpatia;

– o Coelhinho da Páscoa é o Coelhão da Páscoa, com 1,85m e todo marrento;

– a Fada dos Dentes e suas fadinhas parecem beija-flores, até mesmo com a agitação própria das asas destes pássaros;

– o Bicho Papão não tem aquela imagem de monstro, mas sim um homem com ar sombrio.

E nós somos apresentados a dois seres não tão comuns para muitos países: Jack Frost e Sandman.

O primeiro é uma personificação do inverno no hemisfério norte, que vive solitário e tem o poder de congelar as pessoas, mas no filme é um rapaz que não lembra de seu passado e ninguém acredita em sua existência, sendo invisível para todos. Mesmo que no filme ele tenha mais de 300 anos, ele ainda é um adolescente, e essa “rejeição” o faz sofrer.

Sandman é o responsável por criar sonhos bons para as crianças enquanto elas dormem, e nos aparece como uma figura simpática que não fala, mas diz muito.

Bom, até aí nos parece mais um daqueles desenhos cheio de figuras conhecidas ao estilo Shrek (que traz diversas figuras de contos de fadas), mas em A Origem dos Guardiões a ideia é usar os personagens para levar os espectadores, sejam crianças ou adultos, a uma aventura sobre amizade, esperança, persistência e luta contra o medo e a escuridão. Vemos nos personagens principais as virtudes cristãs que muito procuramos passar para nossas crianças, e que ao mesmo tempo foi esquecido por vários adultos.

Nos envolvemos com os personagens, com suas lutas, angústias e alegrias. Um filme empolgante, divertido e emocionante, que transporta as crianças para um mundo imaginário (vi crianças sentadas nas poltronas do cinema reagindo ao filme) e levando os adultos ao período de sua infância e inocência, quando procuravam os ovos de Páscoa e/ou as pegadas do coelho, assim como aguardava ansiosamente os presentes do Papai Noel.

Acredito que a melhor descrição deste filme foi escrita há muito anos atrás, pelo já citado Chesterton:

(…) Contos de fada, pois, não são responsáveis por levar às crianças medo, ou qualquer dos contornos do medo; contos de fada não dão à criança a ideia do mal ou do feio; isso já está nela, porque já está no mundo. Contos de fada não dão à criança sua primeira noção de bicho-papão. O que os contos de fada lhe dão é sua primeira ideia clara da possível derrota do monstro. O bebê conhece o dragão em seu íntimo desde o momento em que sobreveio a imaginação. O que o conto de fada lhe proporciona é um São Jorge para matar o dragão. O que o conto de fada faz é exatamente isso: habitua-o, por uma série de imagens claras, à ideia de que esses terrores ilimitados têm um limite, de que esses inimigos sem forma têm inimigos nos cavaleiros de Deus, de que há algo no universo mais místico que a escuridão e mais forte que o medo. (…)

(CHESTERTON, G.K. “Tremendous Trifles”, XVII: “The Red Angel”)

O filme é recomendadíssimo, para crianças e adultos.

BOM

FICHA TÉCNICA

Diretor: Peter Ramsey
Elenco: Vozes na versão original de: Chris Pine, Alec Baldwin, Hugh Jackman, Isla Fisher, Jude Law, Dakota Goyo, Khamani Griffin, Dominique Grund
Produção: Nancy Bernstein, Christina Steinberg
Roteiro: William Joyce, David Lindsay-Abaire
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Duração: 97 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Animação
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: DreamWorks Animation
Classificação: Livre

TRAILER

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