Zootopia-PosterO filme é excelente no que diz respeito à parte cinematográfica. O mundo das animações tem sido um campo em que a imaginação dos criadores flui para horizontes cada vez mais e mais distantes, tanto nos aspectos estéticos, de maneira geral, quanto na construção do roteiro, no desenvolvimento da trama e na caracterização dos personagens (muitíssimo carismáticos, diga-se de passagem). 

Em ordem à atual ascese deste ramo, usualmente voltado ao público infantil, observa-se nas entrelinhas das animações mais recentes, ideais maduros e até mesmo complexos, que andam tomando bastante forma. Isto é, de certa forma, algo bom. Tudo irá depender de uma boa análise a fim de tirar o mais puro leite da mais dura pedra.

“Zootopia” é um jogo de palavras interessante criado pelos realizadores; uma “utopia animalesca”, uma cidade utópica aonde predadores e presas evoluem de tal modo a ignorarem seus instintos mais básicos de sobrevivência e passarem a viver em harmonia; pensando, vestindo-se, locomovendo-se e vivendo como humanos. 

Com uma riqueza enorme de referências diretas a filmes e séries clássicos e outros consagrados como “O Poderoso Chefão“, “Frozen“, “Once Upon a Time“, “Operação Big Hero 6“, “Enrolados”, “Detona Halph”, “Breaking Bad”… A ideia deste longa é puramente metafórica e serve a calhar como uma espécie de fábula, até porque a maioria das crianças se sente muito atraída por animais e desenhos de animais que pensem e falem como eles. O que vale a pena são as lições que absorvemos e que elas mesmas (as crianças), indiretamente, absorvem de filmes como este. 

Judy, a coelha protagonista, deixa sua família no interior e vai em direção à Zootopia afim de realizar seu sonho de infância: ser uma policial. Incentivada pelo slogam e lema da cidade: “Zootopia, aonde você pode ser o que quiser!”, e em razão dos animais terem alcançado tal primazia da evolução de forma extraordinária, Judy ignora o fato de não ser tão forte quanto um predador, ou um animal de grande porte, e segue em sua incansável busca pela materialização de seu sonho.

Ao perceber que mesmo após ter alcançado o sonho de ser uma policial todos os seus esforços não a levam ao esperado, e ao se dar conta de que em Zootopia nem todos vivem tão bem, especialmente no momento em que encontra o antagonista e vigarista Nick (uma raposa) Judy se vê confrontada em ser o que quer ser, sem assumir quem realmente é e quem os demais da cidade são, em todos os seus erros, falhas e diferenças.

Não há nada de errado em ter sonhos e ambições, a menos que tomemos tais sonhos como centros extremos da nossa vida, ignorando o que Deus quer para nós e toda uma realidade à nossa volta; uma realidade de pessoas imperfeitas e situações difíceis que acabamos por ter de superar. Judy passa a entender que o melhor caminho para se tornar de fato uma “policial coelha” requeria bem mais dela do que ela mesmo esperava.

O filme em si já apresenta ao espectador um mundo não tão diferente do mundo real, que entra em antítese com aquilo que Judy tanto queria e sonhava, (destaque para as pequenas críticas embutidas no mesmo, que vão desde à corrupção dos governantes até a lentidão nos sistemas públicos de atendimento, tudo retratado de forma bem leve e divertida, claro). Mesmo com as adversidades, a coelhinha segue persistente, não abrindo mão de seus sonhos, porém, aprendendo a não ser iludida por eles e a conciliá-los com aquilo que já vive.

Deus tem um plano de vida para cada um de nós, que frequentemente colide com os nossos próprios planos! Zootopia transmite lições de maturidade e perseverança; tanto para que aceitemos com alegria e amemos aquilo que Ele já nos oferece com gratuidade, quanto para que tenhamos coragem e peçamos a Ele a força para derrubar barreiras adiante, fazendo com que os nossos próprios defeitos e os alheios não nos impeçam de seguir a Sua vontade com veemência.

Ficha Técnica:

Gênero: Animação.
Direção: Byron Howard, Jared Bush, Rich Moore.
Roteiro: Jared Bush.
Elenco: Alan Tudyk, Bonnie Hunt, Don Lake, Ginnifer Goodwin, Idris Elba, J.K. Simmons, Jason Bateman, Jenny Slate, Jesse Corti, John DiMaggio, Josh Dallas, Katie Lowes, Nate Torrence, Octavia Spencer, Olivia Spencer, Peter Mansbridge, Raymond S. Persi, Shakira, Tommy ‘Tiny’ Lister, Tommy Chong, Yasiin Bey.
Produção: Clark Spencer.
Trilha Sonora: John Powell.
Duração: 108 min..
Ano: 2016.
País: Estados Unidos.
Cor: Colorido.
Estreia: 17/03/2016 (Brasil).
Distribuidora: Disney.
Estúdio: Walt Disney Animation Studios / Walt Disney Pictures.
Classificação: Livre.

Trailer:

ProcurandoDoryA Disney/Pixar traz mais uma belo filme para adultos e crianças, que vale muito ser visto e se emocionar.

Sinopse: Procurando Dory se passa um ano após o primeiro filme, e traz de volta alguns favoritos: Marlin, Nemo e a turma do aquário, entre outros. Parcialmente ambientado na costa da Califórnia, a história também dá as boas-vindas a vários novos personagens, incluindo alguns que provarão serem partes importantes na vida de Dory.

Novamente vamos para o fundo do mar para reencontrar Marlin, Nemo, Dory e muitos outros personagens. Quem gostou do primeiro filme vai gostar deste também.

Agora o centro do enredo é a peixinha azul que consegue mudar a vida de todos que passam por ela. É fantástico ver que ela, em sua simplicidade (e muito esquecimento) influencia de alguma forma todos que conhece, e sem fazer força.

Existem vários pontos que podemos apontar sobre o filme, mas vamos tocar em dois de forma especial.

O primeiro é a esperança. Dory se perdeu de seus pais quando “criança” e em razão de sua doença, esqueceu deles enquanto crescia. Mas no momento que lembrou deles foi como uma imensa fogueira que aqueceu seu coração e lhe deu a esperança de encontrá-los depois de muito tempo. Esta esperança fez com que ela saísse novamente da segurança de onde se encontrava para atravessar o oceano (novamente) para encontrar sua família.

Temos que manter as nossas esperanças, pois o cristão será salvo por esta esperança (basta lembrar da belíssima encíclica do Papa Bento XVI, Spe Salvi).

Em segundo, vamos descobrindo durante o filme que muitas coisas que Dory faz ou fala tem relação com o que seus pais lhe ensinaram quando “criancinha”. Há quem diga que os filhos crescem e esquecem os ensinamentos dos pais, mas isso não é verdade. Mesmo quando pequenos, tudo o que os pais dizem eles absorvem, mesmo que achemos que não (mesmo nos casos de crianças com algum distúrbio, como é o caso da Dory). Eles ouvem, observam, aprendem e reproduzem, mesmo que isso venha a se mostrar somente quando mais velhos.

É importantíssimo que os pais não percam essa visão e não desistam de ensinar seus filhos, e para tanto fazemos eco às palavras do Papa Francisco, na audiência geral de 10 de maio de 2015:

“Faço votos a fim de que o Senhor conceda às famílias cristãs a fé, a liberdade e a coragem necessários para a sua missão. Se a educação familiar resgatar o orgulho do seu protagonismo, os pais incertos e os filhos decepcionados serão grandemente beneficiados. Chegou a hora de os pais e as mães voltarem do seu exílio — porque se auto-exilaram da educação dos próprios filhos — e recuperarem a sua função educativa. Oremos para que o Senhor conceda aos pais esta graça: a de não se auto-exilarem da educação dos seus filhos. E isto só pode ser feito com amor, ternura e paciência.”

Tudo o que ensinamos servirá para que, de alguma forma, volte para o caminho correto, como migalhas jogadas ao chão que indicam o caminho… ou como conchas preparadas no mar que levam ao mesmo lugar.

O filme é muito bonito e bem elaborado e, com certeza, encantará crianças, jovens e adultos.

ATENÇÃO: um tempo atrás saíram notícias de que neste filme teriam personagens lésbicas e isso gerou um certo rebuliço. Para os que sofreram com antecedência, podem relaxar; nele, isso não existe! 

ATENÇÃO 2: o curta antes do filme é muito bonito (“Piper descobrindo o mundo”), que é uma maravilhosa lição para os pais. Não deixe de assistir.

EXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação.
Direção: Andrew Stanton, Angus MacLane.
Roteiro: Andrew Stanton, Victoria Strouse.
Elenco: Ellen DeGeneres, Albert Brooks, Idris Elba, Kate McKinnon, Bill Hader, Dominic West, Diane Keaton, Ed O’Neill, Ty Burrell.
Duração: 103 min..
Ano: 2016.
Origem: Estados Unidos.
Distribuidor: Walt Disney Pictures.
Classificação: Livre.

Trailer

Snoopy-cartazÉ preciso começar falando que esse filme foi um grande alívio para os fãs das tirinhas do Snoopy e do Charlie Brown, não deixa nada a desejar, não decepciona os fãs antigos e, com certeza, vai conquistar muitos novos para a turma. Assisti ao lado da minha esposa que é fã de longa data e ela terminou o filme chorando de emoção. Para mim, que nunca fui fã, mas evidentemente conhecia os quadrinhos, foi também um filme muito divertido.

Sinopse: Dirigida por Steve Martino, a animação é baseada nos quadrinhos do cartunista norte-americano Charles M. Schulz. A série, conhecida no Brasil como Minduim, acompanha as aventuras de Charlie Brown, Snoopy e sua turma. Na trama, Charlie Brown se apaixona por sua nova colega de escola, e precisa, com a ajuda de seu fiel companheiro Snoopy, mudar seu jeito de ser e conquistar a garota.

O pobre do Charlie Brown sempre se metendo em furadas, acaba atraindo a nossa simpatia e, muitas vezes, nos identificamos com seus sentimentos e inseguranças. Nos vemos diante de valores que a sociedade nos apresenta, quem dança melhor, quem é o melhor aluno da turma e muitas vezes esquecemos que o verdadeiro valor está no interior.

Charlie é um menino puro, que não julga os outros, que se coloca a serviço, que sai de si e da sua zona de conforto para ajudar. Ele é um ótimo exemplo dos pedidos de Jesus no sermão da montanha: “Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.” (Mt 5, 39b-42).

Lembrando sempre “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.” (Mt 6,1-4).

Além de toda nostalgia envolvida em relação aos personagens, que muitos puderam acompanhar, vemos que é possível aprender muito com Charlie Brown, nosso querido Minduim, até hoje: “fazer o bem sem esperar o retorno.”

É claro que não veremos a genialidade do autor Charles M. Schulz no roteiro, mas não deixa a desejar. Seu filho (Craig Schulz) e neto (Bryan Schulz) fizeram uma bela homenagem a ele e seus personagens icônicos, encantando os mais velhos e as crianças.

Importante que sempre recomendamos que qualquer filme assistido com as crianças se possa depois conversar com elas sobre as situações, realçando os bons exemplos e criticando os maus, para que, desde pequenos possam saber distinguir o certo do errado. E sobre este delicioso filme há bastante o que se conversar.

3DEXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação
Direção: Steve Martino
Roteiro: Bryan Schulz, Cornelius Uliano, Craig Schulz
Elenco: A.J. Tecce, Alexander Garfin, Anastasia Bredikhina, Bill Melendez, Francesca Capaldi, Hadley Belle Miller, Madisyn Shipman, Mar Mar, Mariel Sheets, Noah Johnston, Noah Schnapp, Rebecca Bloom, Venus Schultheis, William Wunsch
Produção: Bryan Schulz, Cornelius Uliano, Craig Schulz, Michael J. Travers, Paul Feig
Trilha Sonora: Christophe Beck
Duração: 93 min.
Ano: 2015
País: Estados Unidos
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Blue Sky Studios / Peanuts Worldwide / Twentieth Century Fox Animation
Classificação: Livre

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OPequenoPríncipe“A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa.
– Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!”

Sinopse: Tributo à obra popular de Antoine de Saint-Exupéry, que foi traduzida em mais de 250 línguas e que já vendeu mais de 145 milhões de cópias em todo o mundo, o filme é centrado na amizade entre um excêntrico velho, O Aviador (Marcos Caruso) e uma garotinha bem crescida que se muda para a casa ao lado com sua Mãe (Priscila Amorim). Através das páginas do livro do Aviador e seus desenhos, a menina (Larissa Manoela) descobre a história de como ele há muito tempo caiu em um deserto e encontrou o Pequeno Príncipe (Mattheus Caliano), um menino enigmático de um planeta distante. As experiências do Aviador e o conto das viagens do Pequeno Príncipe para outros mundos fazem a menina e o Aviador ficarem muito próximos, embarcando juntos em uma aventura memorável.

Sempre ouvi falar muito bem da história do Pequeno Príncipe. Esse é um daqueles clássicos da literatura universal que todo mundo comenta aqui e acolá, você diz que vai ler, mas acaba não lendo. O fato é que talvez eu tenha menosprezado um pouco a história, tomando-a por açucarada ou piegas demais, se é que vocês me entendem. Além do fato de as melhores frases já terem sido repetidas em demasia, o que a história de um príncipe (de que país?) vivendo sozinho num planeta (como? de que?) apaixonado por uma rosa poderia realmente acrescentar na minha vida? O filme, uma animação de Mark Osborne, não só me apresentou à obra como deu resposta a todas as perguntas céticas que me vinham à cabeça.

Como não li a obra, ater-me-ei apenas ao roteiro adaptado por Osborne que, sem dúvida alguma alargou seu horizonte para além dos círculos filosóficos e de auto-ajuda. O roteiro apresenta a história de uma menina que sonhava em entrar em uma escola renomada. O apoio da mãe, apesar de trabalhar o dia inteiro e deixá-la sozinha em casa, é irrestrito: ela elabora uma complexa rotina de estudos, um planejamento de resultados e pensa inclusive nas possíveis recompensas, caso o objetivo seja alcançado. Mais à frente a menina vai descobrir que o sonho de entrar na escola era, na verdade, um sonho da mãe conduzido com tanta radicalidade que a menina foi, inadvertidamente, obrigada a tomá-lo para si. Porém, um fato desconcertante muda toda a história. A hélice de um vizinho maluco quebra a parede da casa da menina enquanto ela estudava e então ela embarca numa aventura que muda completamente o rumo de sua vida. O fato inusitado foi a ponte que o diretor usou para ligar a história da menina, oprimida pelas circunstâncias impostas pelo sonho da mãe e as lições do Pequeno Príncipe.

Daí para frente, o autor circula entre o mundo real e o mundo de fantasia e imaginação das histórias do Príncipe contadas pelo velho aviador. A menina, como eu mesmo fiz, antes de assistir ao filme, chega cheia de preconceitos e ceticismos em relação à história do menininho com título de príncipe que vivia num planeta, conversava com uma rosa e uma raposa e viajava o mundo em busca de respostas para seus dilemas. A personagem da menina para mim foi uma verdadeira sacada do diretor, pois fez com que o telespectador do século XXI se identificasse verdadeiramente com a história. Sim, na tentativa de atualizar delicadamente a história do Pequeno Príncipe, o autor criou uma história paralela tão grande quanto a do clássico. Dessa maneira, apesar de chama-se “O Pequeno Príncipe”, a versão cinematográfica poderia muito bem ter se remetido à menina no título, pois o telespectador entendeu que foi ela a responsável por descobrir que o “essencial é invisível aos olhos”.

Poderíamos fazer muitas reflexões e comentários sobre o filme, afinal, como toda obra filosófica, há muitas questões feitas e respondidas. Gostaria de destacar apenas um ponto que, para mim, ficou evidente e que, na hora, me lembrou do Papa Francisco. Por um lado, o Papa tem falado muito sobre a importância que deveríamos dar às pessoas mais velhas e, por outro, é evidente seu amor pelas crianças quando as beija nos Angelus na Praça São Pedro. Assim, o Papa consegue ligar por seus ensinamentos as fases mais frágeis do homem: a infância e a velhice. O filme, por sua vez, ao relacionar a vida da menina com a do velho aviador, mostra o quanto essas fases têm a se somar. E mais, mostra que o Papa estava certo ao evidenciar de forma sutil que essas fases têm em comum a pureza, a sabedoria simples, a sinceridade, dentre outras coisas.

Não quis tratar sobre as frases epigrafais que o filme ecoa da obra de Saint-Exupéry porque, a maioria das pessoas, diferente de mim, deve ter lido O Pequeno Príncipe e, se não leu, recomendo vivamente que o leia. Porém, como poucas vezes fiz na vida, acredito que o leitor do nosso blog deveria assistir antes à versão cinematográfica de Mark Osborne. Afinal, testemunho próprio: foram os olhos de Osborne que tiveram o poder mágico de fazer com que eu tomasse a obra de Saint-Exupéry como livro de cabeceira; pasmem: sem nunca ter lido uma linha sequer da obra original.

EXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação
Direção: Mark Osborne
Roteiro: Irena Brignull
Elenco: Albert Brooks, Benicio Del Toro, Bud Cort, Jacquie Barnbrook, James Franco, Jeff Bridges, Jeffy Branion, Mackenzie Foy, Marcel Bridges, Marion Cotillard, Paul Giamatti, Paul Rudd, Rachel McAdams, Ricky Gervais, Riley Osborne
Produção: Alexis Vonarb, Aton Soumache, Dimitri Rassam
Fotografia: Kris Kapp
Montador: Carole Kravetz Aykanian, Matt Landon
Trilha Sonora: Hans Zimmer, Richard Harvey
Duração: 108 min.
Ano: 2015
País: França
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: On Entertainment / Onyx Films / Orange Studio
Classificação: Livre

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DivertidaMente

Uma animação para crianças e adultos!

Sinopse: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no centro dos Estados Unidos, para viver em São Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. Embora esses grupos sejam normalmente organizados, a chegada de Riley a uma nova escola faz com que todas as emoções se misturem.

A Pixar tem o [bom] hábito de nos trazer belas animações que, assim como a trilogia Toy Story, servem para adultos e crianças. Divertida Mente é um desses casos, em que as crianças, com certeza, irão se apaixonar pelos personagens, dar risadas e chorar com cada um deles, mas os adultos terão ótimas lições para a sua vida e de seus filhos/netos/sobrinhos/afilhados.

As personagens que estão na cabeça de Riley (e dos pais também … quer dizer, de todo mundo) foram muito bem caracterizados, tanto na personalidade específica de cada um, como nas cores e trejeitos. Cada detalhe foi colocado de forma simples e, ao mesmo tempo, brilhante.

Cada um tem na cabeça algo que podemos chamar de “torre de controle”, em que as emoções controlam as reações da pessoa. Em alguns momentos, vemos as diferenças de “mentalidade” da filha, da mãe e do pai, mostrando não só a maturidade, em razão da idade, como a diferença em virtude do sexo (o que também vale para as emoções que habitam na respectiva “torre”).

A beleza do filme está em mostrar o relacionamento das emoções e como tentamos afastar (ou abafar) a tristeza e deixar a alegria tomar conta. Nós, os adultos, no desejo de proteger as crianças, tentamos fazer o mesmo com elas. Esquecemos que a tristeza faz parte do crescimento, amadurecimento e formação da personalidade de cada pessoa e que, muitas vezes, ela é necessária em diversos momentos para se aprender a enfrentar as diversas dificuldades da vida.

O papel dos pais é estar presente, é ajudar a enfrentar os momentos tristes e participar dos alegres. É também ser o ombro amigo, e quando necessário a autoridade que dá os limites. É tudo isso e muito mais, mas sem controlar a criança, como se ela fosse programável igual a uma máquina.

Que maravilhosa lição aos pais, algo que o Papa Francisco já nos falou (audiência geral de 04/02/15):

“Portanto, a primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família. Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador, porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam crescer. (…)

Um pai bom sabe esperar e perdoar, do profundo do coração. Sem dúvida, também sabe corrigir com firmeza: não se trata de um pai fraco, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar.”

Ao mesmo tempo é uma outra lição para nós adultos, que esquecemos muitos de nossos momentos na vida, de aprendizados, de coisas que gostamos. Em alguns momentos eu pensei em mim, ainda criança ou adolescente, as mudanças próprias da idade, o enfrentamento das dificuldades, minhas tristezas e alegria, as coisas que tive que deixar pelo caminho e outras que acolhi. Sim, assim como tantos outros filmes da Pixar, meus olhos ficaram marejados … e tenho certeza de que você passará por uma experiência semelhante. Pode não ser a melhor animação da Pixar, mas está facilmente entre as melhores.

Que possamos assistir (de preferência no cinema e até mesmo dublado – ótima dublagem) de coração aberto, vendo a vida com os olhos de cada emoção na “torre de controle”, pensando no crescimento de tantas crianças ao nosso redor e lembrando de nós mesmos.

EXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação.
Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen.
Roteiro: Josh Cooley, Meg LeFauve, Pete Docter.
Elenco: Amy Poehler, Bill Hader, Bob Bergen, Carlos Alazraqui, Diane Lane, Jess Harnell, Kyle MacLachlan, Laraine Newman, Lewis Black, Lori Alan, Mindy Kaling, Paula Poundstone, Phyllis Smith, Richard Kind, Teresa Ganzel.
Produção: Jonas Rivera.
Trilha Sonora: Michael Giacchino.
Duração: 102 min..
Ano: 2014.
País: Estados Unidos.
Estreia: 18/06/2015 (Brasil).
Distribuidora: Disney.
Estúdio: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures.
Classificação: Livre.

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BigHeroÉ costume termos uma animação ou desenho próximo ao período do Natal, que são belíssimas produções que encantam crianças, jovens e adultos com muita facilidade. Foi assim com A Origem dos Guardiões e é com certeza assim com Operação Big Hero 6.

Sinopse: Na metrópole fictícia chamada San Fransokyo (uma junção de San Francisco e Tóquio), Operação Big Hero será centrado em um jovem prodígio chamado Hiro Hamada e seu robô médico Baymax. Quando eles descobrem uma conspiração criminosa, terão que participar de uma equipe de gênios da ciência, mas inexperiente de combatentes do crime.

Quando se vê o trailer algumas pessoas logo pensam que poderia se tratar de uma animação bobinha para crianças, já que o grandão-fofinho Baymax traz aquela aparência de desenho para crianças pequenas… um engano… grande, fofo e acolhedor engano.

Logo no início somos jogados em um mundo diferente na cidade de San Fransokyo, que mistura os elementos de San Francisco e Tokyo e suas culturas, e conhecemos o jovem Hiro Hamada, um gênio da robótica com apenas 14 anos que incentivado pelo seu irmão Tadashi passa a aprimorar seus conhecimentos.

Uma tragédia familiar faz com que os caminhos de Hiro mudem e ele passe a interagir com Baymax, um robô médico, fofo e com visual acolhedor que se revela ser muito mais do que um mero robô. Ainda que seja fruto de sua programação, Baymax se preocupa com a saúde física e emocional de Hiro a ponto de não se desativar até que seu paciente esteja bem. A relação deles supera e muito a servidão robótica, auxiliando Hiro nos momentos mais difíceis e participando dos momentos de superação.

Uma belíssima animação que fala de perdas, sacrifícios, amizade e a escolha pelo caminho correto. Assim como Baymax é mais do que um robô fofo, este filme é muito mais do que um desenho para crianças, e poderá fazer com que a pessoa que assiste repense suas amizades, caminhos e decisões. Emocionante e empolgante, que deve ser assistido!

EXCELENTE

Ficha técnica:

Gênero: Animação
Direção: Chris Williams, Don Hall
Roteiro: Don Hall, Jordan Roberts
Elenco: Abraham Benrubi, Alan Tudyk, Billy Bush, Damon Wayans Jr., Daniel Gerson, Daniel Henney, Genesis Rodriguez, James Cromwell, Jamie Chung, Katie Lowes, Maya Rudolph, Paul Briggs, Ryan Potter, Scott Adsit, T. J. Miller
Produção: Roy Conli
Trilha Sonora: Henry Jackman
Duração: 102 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Estreia: 25/12/2014 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney Animation Studios
Classificação: Livre

Trailer

O Castelo AnimadoAtenção! Contém Spoilers!

Sinopse: “Sofia é uma jovem de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade ela conhece Howl, um mágico bastante sedutor mas de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sofia uma maldição que faz com que ela tenha 90 anos. Desesperada, Sofia foge e termina por encontrar o Castelo Animado de Howl. Escondendo sua identidade, ela consegue ser contratada para realizar serviços domésticos no local, se envolvendo com os demais moradores do castelo.”

A paz de Cristo, irmãos! Primeiramente, é bom que expressemos o quão difícil foi reunir tudo o que um filme tão rico em detalhes, tanto em sua estética quanto em seu enredo, pode apresentar, a fim de produzir uma síntese ou uma resenha a respeito.

“O Castelo Animado”, genuína obra de Hayao Miyazaki, à primeira vista, parece apenas mais uma animação oriental infantil e comum, daquelas que fazem a cabeça do público mais jovem com toda a sua magia. Entretanto, como já fora abordado, numa estória cujo os personagens são bruxas, magos, castelos que andam e até mesmo demônios, devemos usar aquelas velhas táticas: “separar o trigo do joio” e unir o útil ao agradável (neste caso, agradável  aos olhos de Deus), para que, somente assim, possamos retirar da mesma lições importantes para todas as idades.

O excelente roteiro não é por todo mérito de Miyazaki; ele é baseado na novela (romance) de mesmo nome (“Howl’s Moving Castle“) da autora britânica Diana Wynne Jones. Por isso, alguns críticos consideram esta película, em especial, a mais ocidental do diretor, diferente de outras como a premiada “A Viagem de Chihiro” ou “A Princesa Monoke” nas quais os personagens e situações se referem quase todos à cultura oriental (mais especificamente às culturas japonesa e chinesa). Nem por isso o longa perde aquele toque exclusivo dos Estúdios Ghibli (Walt Disney do Japão) presente em seus outros filmes: tomar emprestada a atenção do espectador por meio de cores, símbolos e “momentos mágicos”.

Uma boa paleta de cores, um bom traçado e uma excelente mobilidade de quadros sempre prenderam crianças em suas cadeiras quando o assunto é desenho animado, disso a Disney já nos deixou cientes. Porém, o que uma criança absorveria de uma personagem como a astuta e generosa Sofia? Ou como o egoísta e covarde, porém acolhedor e protetor, Mago Howl? Ou como a má e também egoísta Bruxa do Vale? E ainda temos um “Demônio do Fogo” (Calcifer) chantagista, orgulhoso e “reclamão”, mas aparentemente benevolente e conselheiro, na história (lembrando que no mundo fantástico proposto pelo filme/livro os demônios são pouco mais que simples criaturas mitológicas que, assim como nós, são livres vagantes entre o conceito de bem e mal, diferente de como são realmente reconhecidos no cristianismo).

Interessante como todos os personagens na trama são dotados de virtudes e defeitos, assim como também são expostos a escolhas bem mais difíceis do que as que muitas outras animações propõe aos seus protagonistas e antagonistas. Sofia nos é mostrada inicialmente como uma pessoa que teria tudo para se vitimizar e reclamar, e dessa forma fazer todo tipo de escolha errada por aquilo que havia acontecido a ela. Entretanto, a mesma persistiu e foi à procura da resolução do seu problema, prova de que o sentimento de pura vitimização por algo ruim que nos acontece é, sem dúvidas, uma das sementes, plantada por nós mesmos, de uma vida depressiva e de quedas, semente esta não cultivada por Sofia, restituída pelas sementes de sua paciência e persistência, gerando assim frutos bons. Nosso relacionamento com Deus é, sem dúvidas similar, especialmente quando diz respeito às nossas orações e tribulações.

Howl já nos é apontado como um personagem em fase de extrema mudança; vemos ao longo da trama a transformação de um mago irresponsável, egoísta e covarde em alguém completamente diferente. Sofia consegue, aos poucos, sem perceber, mudando os personagens e o ambiente à sua volta, especialmente o Mago, com sua disposição e serviço, entre outras palavras: com o seu amor. Vemos o mesmo acontecendo com a Bruxa do Vale, que usara de todos os seus feitiços e truques para esconder quem realmente havia se tornado e o que suas más ações haviam feito a ela, pelo que, sua obsessão por Howl acabara fazendo com que a mesma aprendesse, da pior maneira, que o amor não é sinônimo de posse, e sim de entrega!

Calcifer não chega a ser muito diferente dos outros personagens, de acordo com a lógica na qual o roteiro desenvolve sua personalidade. O ponto importante atribuído a ele é, sem dúvidas, seu pacto com Howl, no qual o mesmo troca seu coração com o ser, figurativa e literalmente falando, a fim de receber em troca seus poderes. O que me impressionou perante tantos outros filmes é que o coração em “O Castelo Animado” não simboliza apenas os sentimentos superficiais, mas principalmente as virtudes, especialmente a caridade, a temperança e a sabedoria. Howl perde tudo isso que possuía por avareza, neste envolvimento com Calcifer. Já Calcifer, não livre de julgamentos em seu pacto, também fora guiado pela mesma avareza e vaidade de Howl, sendo que o mesmo tivera um arrependimento precoce ao do “amo” vistas as situações injustas que ele passava em suas mãos e como tudo aquilo estava acabando mal para ambos. Apesar de ser retratado como um demônio do fogo ele não passa de uma concepção mitológica (longe de um anjo que optou por sair da graça de Deus).

Ao longo da história vamos aprendendo mais e mais com os personagens. Sofia demonstra que, mesmo com seus defeitos, os quais a trama não se dá ao trabalho de esconder, ela consegue encarar bem o novo mundo à sua volta. O feitiço nela aparentemente vai perdendo efeito, como se nunca tivesse funcionado em sua plenitude. Há vários momentos no filme em que, quando seus atos bons são postos à prova, ela rejuvenesce. O fato dela não poder contar a ninguém sobre o feitiço, que antes era um grande estorvo, torna-se então algo fundamental para o desenvolvimento de seu caráter e para as mudanças que ela e todos ao seu redor acarretam em si.

“O Castelo Animado”, da mesma forma que é um longa farto de personagens mágicos e fantasias, é farto também de lições e valores importantes. Nós, cristãos, temos o péssimo costume de sermos acomodados (preguiçosos espiritualmente) e vitimistas, esquecemos do amor de Deus por nós e de Sua promessa e poderio perante tudo em nossa vida, e acabamos por cair em em qualquer buraco que apareça no meio do nosso caminho. Sofia soube, de fato, atravessar tais buracos, percebendo o que de bom poderia tirar em tudo de ruim que acontecera injustamente a ela.

Estar constantemente na presença de Deus por meio da vida de oração é essencial para o desenvolvimento de tais virtudes, só assim podemos ter, de fato, “um coração” em nós e a graça necessária para não vendê-lo a qualquer um, em troca de coisas supérfluas.

Ficha Técnica:

Gênero: Animação.
Título Original: Howl no Ugoku Shiro | Howl’s Moving Castle.
Direção e Roteiro: Hayao Miyazaki.
Elenco: Akihiro Miwa, Akio Ôtsuka, Chieko Baisho, Daijiro Harada, Haruko Kato, Mitsunori Isaki, Ryûnosuke Kamiki, Takuya Kimura, Tatsuya Gashûin, Yô Ôizumi.
Produção: Toshio Suzuki.
Trilha Sonora: Joe Hisaishi.
Duração: 119 min.
Ano: 2004.
País: Japão.
Estúdio: Studio Ghibli.
Classificação: Livre.
Informação complementar: Vozes de: Chieko Baisho, Takuya Kimura, Akihiro Miwa, Tatsuya Gashuin, Ryunosuke Kamiki, Mitsunori Isaki, Yo Oizumi, Akio Ôtsuka, Daijiro Harada, Haruko Kato.

Trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=UibodUGoL4M

Ser der asas ao homem, o mundo se tornará pequeno.

A DreamWorks trouxe ao cinema duas belíssimas produções baseadas nos livros infanto-juvenis criados pela escritora Cressida Cowell, que contam as estórias de Soluço e seu povo, incluindo os dragões. Os filmes, ainda que tenham mudado bastante coisa, se comparados aos livros, conquistaram vários fãs de diversas idades.

São filmes para serem vistos em família, entre amigos, no grupo de oração ou de jovens, e até mesmo na catequese.

ComoTreinarSeuDragão1

COMO TREINAR SER DRAGÃO

Sinopse: Soluço é um viking adolescente que não combina muito bem com a longa tradição de sua tribo de heroicos matadores de dragões. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando ele encontra Banguela, um dragão que desafia tanto ele quanto seus amigos a encararem o mundo a partir de outro ponto de vista.

O primeiro filme nos mostra que, mesmo tendo um grande inimigo, mais forte e poderoso, podemos buscar uma nova forma de convivência em vez da batalha, que tanto o Papa Francisco tem insistido: a cultura do encontro. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium o Papa nos coloca uma missão:

67. (…) Enquanto no mundo, especialmente em alguns países, se reacendem várias formas de guerras e conflitos, nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos “a carregar as cargas uns dos outros” (Gl 6,2).

Não podemos nos limitar aos nossos medos, e antes de realmente entrar em uma batalha, devemos oferecer a outra face e buscar uma solução amigável. 

BOM

Ficha Técnica:

Gênero: Animação
Direção: Chris Sanders, Dean DeBlois
Roteiro: Chris Sanders, Dean DeBlois, William Davies
Produção: Bonnie Arnold
Trilha Sonora: John Powell
Duração: 98 min.
Ano: 2010
País: Estados Unidos
Estreia: 26/03/2010 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: DreamWorks Animation / Mad Hatter Entertainment / Mad Hatter Films / Vertigo Entertainment
Classificação: Livre
Informação complementar: Baseado no livro de Cressida CowellVozes originais de Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, T.J. Miller, Kristen Wiig, Robin Atkin Downes, Philip McGrade, Kieron Elliott, Ashley Jensen, David Tennant

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ComoTreinarSeuDragão2

COMO TREINAR SEU DRAGÃO 2

Sinopse: Cinco anos depois da primeira jornada, Como Treinar o Seu Dragão 2 traz de volta boa parte dos personagens do primeiro filme em uma nova aventura. Muita coisa mudou na ilha: agora, as corridas de dragão se tornaram o grande passatempo dos moradores. A dupla de protagonistas está de volta: Soluço e Banguela partem para descobrir territórios inexplorados e encontrar a temível Caverna Gelada.

O segundo filme nos traz um Soluço crescido e sofrendo a pressão de seu pai para assumir a liderança do seu povo e, ao mesmo tempo, o reencontro com sua mãe e a amizade com os dragões. O jovem viking de antes tem que passar a agir como homem, enfrentar desafios pessoais e imensos problemas para sua vila, povo e dragões.

Podemos tirar várias lições deste filme, como a coragem de enfrentar seus medos e assumir responsabilidades, da luta pela verdadeira e sincera amizade, de evitar o confronto e se for necessário, lutar com unhas, dentes e dragões.

Tão emocionante e divertido quanto Rei Leão, este é um filme de diversas lições de amizade, amor, honra e luta, mesmo que como último recurso.

EXCELENTE

Ficha Técnica:

Gênero: Animação
Direção: Dean DeBlois
Roteiro: baseado na obra de Cressida Cowell, Dean DeBlois
Produção: Bonnie Arnold
Trilha Sonora: John Powell
Duração: 102 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 19/06/2014 (Brasil)
Estúdio: DreamWorks Animation / Mad Hatter Entertainment / Vertigo Entertainment
Classificação: Livre
Informação complementar: Vozes de: Gerard Butler, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, Kristen Wiig, Jay Baruchel, Kit Harington, America Ferrera, T. J. Miller, Craig Ferguson

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Frozen-cartaz“Frozen – Uma Aventura Congelante”  é o mais novo desenho animado dos estudios Disney baseado, como de costume, num clássico conto de fadas da literatura mundial. Dessa vez, a moral da história proclama a força do amor contra o medo e o ódio. No longa os produtores tentaram preservar o contexto básico do conto de Hans Christian Andersen, “A rainha da Neve” e acrescentaram boas doses de humor que certamente refletirão no sucesso de bilheteria que o filme já se tornou.

Para quem acompanha de perto os lançamentos da Disney, Frozen não é uma história tão original. É sempre a velha história de luta do bem contra o mal na qual o bem vence no final. Mas quem disse que isso é necessariamente algo ruim? Tudo na sociedade hoje em dia gira em torno justamente da contestação dos valores e da moral tradicional, notoriamente a judaico-cristã. Ver um filme educar ou apresentar esses valores com uma roupagem descontraída (como a cena em que a princesa diz que o príncipe é lindo, “um gatinho”no primeiro encontro) e acima de tudo atual (resolvem-se casar logo depois do encontro remetendo à ansiedade presente nos relacionamentos modernos)  é uma verdadeira proeza dos produtores Disney.

No entanto, há de se mencionar que  apesar de tentar manter a já mencionada contraposição entre bem e mal, há um aprofundamento filosófico e até mesmo antropológico do que é o bem e do que é o mal. Diferente dos outros clássicos, em Frozen não há um personagem “imaculado” (o bem) que combate um personagem “demoníaco” (o mal). Superando o maniqueísmo de uma forma dignamente agostiniana, aqui não tem existência própria. Há personagens bons com tendências más, as quais são totalmente reversíveis – como o filme faz questão de provar – pela força do amor.

Nesse contexto de mudanças e avanços de Frozen em relação a outros clássicos Disney, é preciso louvar o fato de que o tradicional ato de amor verdadeiro (que os produtores resolveram parodiar A Bela Adormecida com seu beijo mágico) dessa vez não acontece entre o homem e a mulher (o príncipe e a princesa), eles tentam, mas não funciona. O ato de amor dessa vez se dá entre duas irmãs, o que prova mais uma vez que há um aprofundamento filosófico no filme ao mostrar uma face tão pouco explorada pelo cinema nos últimos tempos, o amor fraterno.

Repleto de frases epigrafais, Frozen merece que se leve um caderninho de anotações: “Só o amor é capaz de aquecer os corações”, “Amar é colocar a necessidade do outro na frente da sua”, etc. Aliás, dito tudo isso, já dá para perceber que Frozen não é um desenho para “menininhas” ou crianças pequenas, pois quando se trata de amor não há linguagem  tão universalmente válida e recomendável para todas as idades.

EXCELENTE

Ficha Técnica:

Gênero: Animação
Direção: Chris Buck
Elenco: Idina Menzel, Kristen Bell
Produção: John Lasseter, Peter Del Vecho
Duração: 108 min.
Ano: 2013
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 03/01/2014 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney Pictures
Classificação: Livre

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frozen-posterTexto de Igor Carneiro, originalmente publicado no seu blog Linha de Consciência

No começo, parecia um musical. Nunca me agradei tanto de musicais, por achar que era um musicalizar tudo. Embora ame música como muita pouca coisa nessa vida, sempre me cansei ao ver musicais. Mas, eu amei as partes musicais de Frozen: os duetos, as harmonizações em terças e quintas, a naturalidade inclusive dos graves masculinos no início do filme, e o agudo final extremo (e no lugar e na hora certa) da música em que acabou a parte musical. Perfeito! Mas vamos para a parte importante!

A carga simbólica do filme é extraordinária (que se preste atenção nas figuras e nas cores de vários momentos)! E são muitos pontos que podem se exaltar, por isso, para concorrer com a brevidade do texto, vou focar nos mais importantes, os quais devemos levar para a vida inteira.

Uma coisa pode passar despercebida, mas creio ser de extrema importância: a capacidade de utilizar os dons para o bem ou para o mal. Até mesmo antes disso, há de se ressaltar a necessidade de utilização dos dons. Muitas coisas podemos achar que temos de mal, e que por causa disso devemos nos esconder, mas o luzeiro não pode se esconder debaixo da mesa. Os dons são feitos para serem utilizados, e são da maior diversidade possível! Que ninguém tenha medo de ser especial. Aceitar a vocação, seja ela grande ou pequena, é algo estritamente necessário para a nossa conformação conosco mesmo. Ao contrário disso, vive-se em completo desespero, na busca de ser alguém que não se é.

Continuando. Após a revelação do dom, houve o problema, em virtude disso, da falta de preparação, da falta de sentido. A personagem, com o seu imenso potencial, foi causa de destruição e aflição para todo aquele ambiente. A vida de todos ao seu redor dependia de si, e o egoísmo dela, a fuga dela para viver numa vida diabolizada, voltada para si mesmo, só causava mais medo a todos, que começavam a temer pela própria vida. Para nossa felicidade, digo de mim, do meu cérebro e da minha alma, a alteza descobre como controlar, direcionar, como dar sentido ao seu potencial, ao seu dom, e sua vida adquire uma realização que nunca antes teve. Ela viu-se feliz, porque descobriu no amor, no esquecimento de si, no voltar-se para o outro, o calor que faltava em sua vida. Aí pôde, enfim, utilizar seu talento, não mais para a morte e a destruição, e sim para a alegria e o bem de todos.

E aí está o maior mérito do filme, na revelação do verdadeiro sentido do amor. Revelação, diga-se, a termos de filmes da Disney, a termos de contos de fadas. Quanto a isso, para os adultos, houve a maior quebra de expectativa da história! – Degustem o sabor das hipérboles… – Todos (inclusive os personagens) esperavam um desfecho diferente e viram-se totalmente surpresos com o que se apresentou! Acontece que o verdadeiro amor não se descobre do dia para a noite, acontece que o amor verdadeiro não é uma mera combinação, acontece que o amor verdadeiro não é somente um amor romântico entre um homem e mulher que os fará felizes para sempre. Aliás, isso é a maior mentira!

O amor, segundo Frozen, e segundo Jesus Cristo, é doar-se até o fim. Como disse este último, o Amor encarnado: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. (Jo 15, 13)

Este filme, como se nota, é mais do que recomendado. Nota 11, de zero à dez.

EXCELENTE

Ficha Técnica:

Gênero: Animação
Direção: Chris Buck
Elenco: Idina Menzel, Kristen Bell
Produção: John Lasseter, Peter Del Vecho
Duração: 108 min.
Ano: 2013
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 03/01/2014 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney Pictures
Classificação: Livre

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