robocopAtenção amigos nerds católicos e todos que cresceram nos anos 80 e que estão vendo os filmes que marcaram suas infâncias e adolescências sendo refilmados, refeitos e modificados, tenho uma notícia pra vocês: Robocop (2014) não é tão ruim como parece. Tenho visto muitas críticas ao trailer e uma expectativa baixa mas eu vi o filme e digo que é um filme legal.

O lançamento adota muito do espírito do filme original e o atualiza. A começar pelo conceito de robô que tínhamos no começo da década de 80 para a ideia de robô que temos hoje. O filme guarda a crítica forte à sociedade, ao mundo corporativo que está disposto a esquecer a ética e visa o lucro acima de tudo. As ideias do filme evoluíram com o tempo, mas o conceito ainda está lá. É uma crítica ferrenha à sociedade de hoje instrumentalizando até, e principalmente, o ser humano para servir aos seus interesses.

O filme da década de 80 criticava muitas coisas, dentre elas a violência e a ganância, nesse a crítica a violência é bem menor (leia-se não tem tantas cenas sangrentas) mas ainda muito evidente.  São tantos assuntos abordados, bioética, ganância,  livre arbítrio,  aproveitar-se do outro, manipulação das massas pela mídia parcial, que esse post ia ficar imenso se eu citasse um documento da Igreja pra cada tema. Sugiro ao leitor católico que assista sob a ótica da Igreja, tente prestar atenção aos detalhes colocados de propósito pelo diretor. Não é um filme perfeito, tem muitas falhas de roteiro, alguns problemas não são resolvidos, mas vale sim a reflexão.

Uma frase me vem ao coração ao escrever esse texto: “Pois que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?” (Lc 9, 25)

Não é um filme pra qualquer um, como o original, precisa ter estomago pra aguentar algumas cenas, as cenas de ação são mais próximas dos vídeo games  que da realidade, mas faz parte da ficção científica. Para os que gostam de ação, acredito que dá pra satisfazer as expectativas, para os que querem crítica a sociedade também. As frases que marcaram o primeiro reaparecem mas em contextos diferentes.

Sinopse:

No ano de 2028 a Omnicorp (mudaram o nome da OCP) e seus robôs e drones ganham as guerras dos Estados Unidos no mundo inteiro, mas robôs e drones são proibidos nos EUA. O Policial Alex Murphy após ter sofrido um atentado tem a maior parte do seu corpo destruído. Graças a tecnologia da Omnicorp Alex é transformado em um super policial parte robô parte humano, mal sabe ele que está sendo usado como uma peça de marketing.

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Ficha Técnica:

Estados Unidos, 2014, cor, 1211 min
Direção: José Padilha
Produção: Marc Abraham, Eric Newman
Roteiro: Joshua Zetumer
Elenco: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson, Abbie Cornish, Jackie Earle Haley, Michael K. Williams

Trailer:

Em outubro o agente secreto mais conhecido do mundo estará completando 50 anos. Temos motivos pra comemorar? Assistimos graças a ele muitas aventuras, nos seguramos nas nossas poltronas e incontáveis vezes pensamos, se não dissemos em alto e bom tom: Mentira! Faz parte da fantasia e da magia do cinema criar situações impossíveis das quais o nosso herói sai ileso e as vezes nem despenteia o cabelo. Escolhi esta cena de 007 contra Golden Eye como exemplo pra ilustrar. A física nunca vai dar uma explicação plausível para ela simplesmente por que não existe uma. Portanto, não tem problema em gritar, como eu muitas vezes fiz: Mentiraaa!

Normalmente o fato de sabemos que é mentira não nos faz deixarmos de assistir não é mesmo? Mas o que faz, ou deveria fazer, com que deixemos de assistir um filme?

Na minha educação, tanto familiar como comunitária (pertenço à Comunidade Shalom) aprendi que precisamos aproveitar o que é bom e deixar de lado o que não o é tanto de diálogos como de filmes. Na verdade tudo na vida, livros, imagens etc deve passar pelo filtro da nossa consciência. Ela tem um papel fundamental na nossa vida. Indubitavelmente para um católico a consciência precisa estar sempre sendo iluminada  pela palavra de Deus, pela sagrada tradição e pela moral católica.

O que acontece se alimentamos a nossa consciência com filmes que não se deixar reger por esses princípios? Nada. Desde que ela seja alimentada por fontes seguras e que saiba “bloquear” o que não vale a pena em um filme. Temos que manter a guarda levantada e de vez em quando analisar as nossas reações diante das nossas reações ao assistir um filme. Queria lhe convidar a refletir, quantas vezes você já se pegou dizendo ao “mocinho” diante do vilão: “mata ele!”? O caso não é você dizer isso o caso é você não se tocar que essa reação. Precisamos estar atentos para que as mentalidades dos filmes aos quais assistimos não se tornem as nossas. “Perante a morte de um homem, um cristão nunca se alegra”. Declarou a santa Sé sobre a morte de Osama Bin Laden.

007 (1)Não acredito que devemos deixar de assistir filmes como 007, por que claro que não vamos cair na promiscuidade do agente secreto se deitando com uma mulher em cada país, ou se deixar levar por sua “permissão para matar”. Mas ao assistir seus filmes devemos exercitar a consciência a sempre filtrar o que é só diversão do que é para ser aprendido.

Mas, cuidado! Seguir esse conselho significa segui-lo todo, não adianta só assistir ao filme e não se alimentar da sã doutrina católica. Acho que é um pouco como comer comida saudável todos os dias e de vez em quando comer aquele pratão de batata frita com Coca-Cola. O problema é que tem gente que passa a se alimentar só de “porcaria”, como diria minha mãe, e não comer comida saudável.

Ao tomarmos a iniciativa de ver um filme, ou mesmo uma novela (elas são incrivelmente mais perigosas), devemos manter sempre a guarda levantada para a mensagem que o escritor/diretor quer passar, para não corrermos o risco de torcer pela morte do bandido, pelo adultério, ou seja lá pelo que for. Uma grande quantidade de filmes parte para a legitima defesa como forma de justificar a morte do bandido mas isso é assunto de outro post. O mais importante é saber o que estamos “engolindo” para saber como digerir. Em alguns casos o melhor seria nem comer não é mesmo?

Gostaria de terminar pedindo a opinião dos leitores. Você já se pegou torcendo pela morte do bandido? Já ouviu a própria vós dizendo “Mata logo ele”? Você já tinha pensado nisso?

Ou ainda, comente qual filme/gênero você acha que é “veneno”, que não deve ser visto nem com uma visão crítica.