Deadpool-Promo-Poster-Low-ResQuando saiu a notícia de que seria realizado um filme do personagem Deadpool, houve um grande frisson por parte de muitos fãs de quadrinhos. Isso ocorreu porque se trata de uma figura que, pelos seus atos, poderia se enquadrar muito tranquilamente em nosso dia a dia.

Antes de falar sobre o filme, deixe-me falar um pouco dessas características tão admiradas. Deadpool é zoeiro, gozador, totalmente politicamente incorreto, sem o menor pingo de consideração por qualquer pessoa, machista, etc., etc., etc.. Muitos que habitam hoje especialmente nas redes sociais, com certeza, vão se identificar com tudo isso, até porque muitos agem ou pensam de forma igual, sendo, por isso que existe uma legião de fãs do personagem.

Observem que até agora em nenhum momento em o chamei de herói, e nem poderia, pois ele com certeza não é. Como já nos apontou o Padre Demétrio (veja seus vídeos curtos – não chega nem a 10min – publicados aqui no Projeções de Fé: “Filmes de heróis… por que assistir?”), os heróis são aqueles que nos mostram o certo e o errado, a diferença entre o bem e o mal, e que vale a pena decidir pelo certo e pelo bem. Sabe o Deadpool? Então… ele não é um herói, ele é um anti-herói. O personagem não se importa com o certo e o errado, ele apenas age ou faz aquilo que quer, sem pensar em consequências ou qualquer coisa que o valha.

E o filme? Bom, vamos colocar algumas coisas que aparecem na película para refletir:

– nos Estados Unidos veio com a classificação 18 anos, aqui no Brasil ficou em 16 anos. Para quem acompanha cinema, quando um filme tem uma classificação como esta, significa que tem excesso de violência e/ou sexo e/ou linguagem obscena e/ou etc., ou seja, não se trata de um filme leve ou moderado.

– há muita exposição sexual. Sim, muita. Não é igual a um filme pornográfico com tudo explícito, mas chega a ser mais exposto que filmes chamados “softporn”, em que há a simulação dos atos sexuais. Além disso, as piadas de cunho sexual são bem expostas. Isso sem falar em determinada cena em que há a exposição de nudez frontal de stripers e prostitutas.

– há muito palavrão. Não igual a filmes como “Cidade de Deus”, mas pior.

– a violência é generalizada. Muitos defendem que “bandido bom é bandido morto”, mas no filme isso vai além, pois na visão de Deadpool, qualquer um pode morrer, basta ele entender que merece morrer, e se for de forma humilhante, melhor ainda.

– uso de drogas. Ainda que não mostre (pelo menos não me recordo) os personagens principais usando drogas, temos a declaração de personagens que usam drogas.

– a zoação não tem limites. Este lema é muito divulgado nas redes sociais, inclusive por muitos católicos, mas Deadpool usa isso de forma literal. É realmente SEM limites.

É claro que o filme é uma grande piada, uma gozação do início ao fim, inclusive aos filmes de heróis, mas não é possível identificar nada que possa apontar como valor a ser destacado diante de tanta exposição de situações que são totalmente contrárias à fé cristã!

Sim, o filme é muito divertido se em nenhum momento você o levar a sério em nada (inclusive o próprio filme não se leva a sério e eu mesmo dei muita risada enquanto assistia), tem uma ótima produção se levarmos em conta o baixo orçamento, o roteiro segue uma linha muito boa, mas o Projeções de Fé não pode recomendar que assistam este filme; pelo contrário, temos o dever de alertar que se trata de uma produção que expõe quase tudo que é contrário à vivência do cristianismo. Neste aspecto, temos o dever de qualificar como péssimo.

Quer assistir? Ok, mas já sabe tudo o que vai encontrar pela frente. Se isso não lhe for um obstáculo, se tudo isso não for para você uma pedra de tropeço na sua fé, assista por sua conta e risco. Mas lembre-se do que nos diz o Catecismo da Igreja Católica:

  1. A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. “O homem sagaz discerne os seus passos” (Pr 14,15). “Sede prudentes e sóbrios para entregardes às orações” (1 Pd 4,7). A prudência é a “regra certa da ação”, escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. E chamada “auriga virtutum” (“cocheiro”, isto é “portadora das virtudes”), porque, conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. E a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar.

Ficha Técnica:

Gênero: Ação.
Direção: Tim Miller.
Roteiro: Paul Wernick, Rhett Reese.
Elenco: Anthony J Sacco, Ayzee, Ben Wilkinson, Brad Archie, Brianna Hildebrand, Dan Zachary, Ed Skrein, Fabiola Colmenero, Gina Carano, Hugh Scott, Jason William Day, Jed Rees, John Dryden, Karan Soni, Kyle Cassie, Kyle Rideout, Leslie Uggams, Morena Baccarin, Naika Toussaint, Olesia Shewchuk, Paul Lazenby, Rachel Sheen, Ryan Reynolds, Sean Quan, Stan Lee, Stefan Kapicic, Style Dayne, T.J. Miller, Taylor Hickson, Tommy Proctor, Tony Chris Kazoleas.
Produção: Kevin Feige, Lauren Shuler Donner, Simon Kinberg.
Fotografia: Ken Seng.
Montador: Julian Clarke.
Trilha Sonora: Junkie XL.
Duração: 106 min..
Ano: 2016.
País: Estados Unidos.
Cor: Colorido.
Estreia: 11/02/2016 (Brasil).
Distribuidora: Fox Film.
Estúdio: Marvel Enterprises / Marvel Studios / Twentieth Century Fox Film Corporation.
Classificação: 16 Anos (18).

Não divulgamos o Trailer, pelos motivos mencionados acima.

Mais uma parceria com nossos amigos do Knacktado (veja também o canal no YOUTUBE).

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BOM