Projeções de Fé

Tenet e o paradoxo da fé e da razão

Sinopse: Um agente secreto embarca em uma missão perigosa para evitar o início da Terceira Guerra Mundial.

Quando fui designado para escrever sobre Tenet, em princípio fiquei muito feliz, era um filme que eu gostaria de ter assistido, mas não tive oportunidade.

A sensação que tive quando o assisti pela primeira vez foi a que a maioria das pessoas devem ter sentido: o que está acontecendo aqui? O longa não aborda apenas a viagem no tempo, mas conceitos incomuns é bem científicos como a inversão do tempo e entropia, onde o personagem consegue viver uma ‘vida invertida’ onde o fluxo do tempo segue do ‘futuro’ para o ‘passado’, no sentido contrário do convencional.

O roteiro é propositalmente complexo, em primeiro lugar para não dar espaço para que sejam notadas os eventuais furos da narrativa e, em segundo lugar, porque compreender a dinâmica do tempo e entropia não é o objetivo do fime.

Em uma cena a cientista Laura dialoga com o protagonista dizendo uma frase que envolve a chave para compreender o filme e também o centro deste texto: ‘Você não precisa entender, só sentir’.

Aprofundar-se nas teorias físicas para compreender o que acontece na narrativa do filme e um trabalho inglório e desnecessário, pois ao tentar compreender o que não foi feito para ser compreendido, nos frustramos e deixamos de nos deleitar com o que a obra tem a oferecer: uma trama envolvente, de um protagonista cujo o nome é ignorado.

E muitas vezes nos percebemos na nossa vida espiritual nos deparando e tentando entender algo que foge da nossa compreensão ou que são feitos para não serem entendido por nós. Nos deparamos tentando entender como a Eucaristia é o corpo de Cristo se tem gosto de pão, se a confissão realmente perdoa nossos pecados ou se a indulgência realmente apaga as nossas penas temporais. Esses pontos não são para serem compreendidos mas para serem vividos, serem sentidos.

Na encíclica Fé e Razão, de 1998, São João Paulo II já nos ensinava:

Existem duas ordens de conhecimento, diversas não apenas pelo seu princípio, mas também pelo objeto. Pelo seu princípio, porque, se num conhecemos pela razão natural, no outro fazêmo-lo por meio da fé divina; pelo objecto, porque, além das verdades que a razão natural pode compreender, é-nos proposto ver os mistérios escondidos em Deus, que só podem ser conhecidos se nos forem revelados do Alto.

Fonte: http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_14091998_fides-et-ratio.html

Muitas vezes a razão natural, aquela que nos é dada pela nossa inteligência, não é capaz de compreender aquilo que nos é dado. Lembrei-me de um fato que me chamou a atenção que foi o sínodo da Amazônia em 2019. Lançava-se as mais diversas teorias e especulações sobre o tema que deixavam qualquer católico no desespero. No fim nada dessas especulações eram verdadeiras, eram frutos da nossa razão natural, distorcida, e não frutos da revelação do Alto.

Tenet para mim foi muito mais que um filme de aventura e espionagem, foi uma experiência de se abandonar e deixar a razão de lado e seguir em frente. Até mesmo o protagonista creio fazer referência a figura divina: que é o senhor do tempo é que ninguém o chama pelo nome. Deixar a fé nos guiar é mais importante do que compreender tudo que está em nossa volta.

Título: Tenet (Original)
Ano produção: 2020
Direção: Christopher Nolan
Lançamento: 29 de Outubro de 2020 ( Brasil )
Duração: 150 minutos
Gênero: Ação Ficção Científica
País de Origem: Estados Unidos da América

 

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