É inegável que as ciências médicas e biológicas prestam um grande serviço à humanidade e precisam ser apoiadas em seu desenvolvimento. Mas o progresso científico jamais pode ser um fim em si mesmo. É preciso lembrar que o fim último da ciência é o homem, cada homem e o homem inteiro.

 

 

A vida humana deve ser respeitada desde sua concepção até seu fim natural. Para que o progresso científico não seja uma ameaça à vida humana, mas sempre um meio de servi-la, os princípios morais não foram suficientes nas diversas culturas e sociedades diante dos conflitos médicos e nos diversos campos da ciência. Para isso, surgiu a Bioética, uma área de conhecimento que visa amparar e proteger a vida humana frente ao necessário progresso científico, médico, biológico ou biomédico que vemos nos tempos atuais.

O progresso técnico deve ser controlado e acompanhar a consciência da humanidade sobre os efeitos que eles podem ter no mundo e na sociedade para que as novas descobertas e suas aplicações não fiquem sujeitas a todo tipo de interesse.

Portanto, diante de conflitos éticos que colocam em risco a vida humana, a bioética serve como um luzeiro que ilumina a consciência dos diversos profissionais para que nunca se esqueçam quem está a serviço de quem, ou seja, não é a vida humana que está a serviço da ciência, mas a ciência que está a serviço da vida.

 

Por Renato Varges

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Admirável Mundo Novo, escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932, narra a história de uma sociedade futurista, em que seus habitantes passam por um pré-condicionamento biológico e psicológico para que vivam em harmonia com as leis sociais e com um sistema de castas. O objetivo maior é manter a ordem, mesmo que para isso todos passem por uma grande lavagem cerebral, eliminando qualquer senso de individualidade ou de consciência crítica sobre a realidade. Apesar de ter sido escrito há mais de 80 anos, Admirável Mundo Novo se mostra, em muitos momentos, extremamente atual, levantando questionamentos sobre a vida contemporânea e sobre os desafios para o futuro da humanidade. Com personagens complexos, a narrativa envolve o leitor em um universo hipotético, mas passível de diversas comparações com todas as mudanças pelas quais o mundo tem passado ao longo das últimas décadas.
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Enredo

Todos os núcleos da história mostram a grande oposição entre o primitivo e o moderno. Com o grande avanço tecnocientífico, os personagens nascem em um ambiente controlado e preparado desde a sua gestação, que ocorre no “Centro de Incubação e Condicionamento de Londres Central”. Na trama, toda a população é gerada a partir de reprodução artificial e manipulada geneticamente para atender às especificidades necessárias para cada grupo de pertencimento pré-determinado (Alfa+, Alfa, Beta+, Beta, Gama, Delta ou Épsilon). Dentre todos os personagens, o livro destaca a história de Bernard Marx, que apesar de pertencer à elite genética, por um defeito durante a sua gestação acabou saindo diferente dos demais. Diante disso, o homem acaba por se sentir excluído, rebelando-se contra o sistema pelo qual se sente injustiçado. Em uma viagem a uma reserva primitiva, Bernard se depara com Linda, uma mulher que havia nascido na civilização, mas que fora banida para essa espécie de “tribo indígena” por estar grávida (fato jamais aceito ou pensado pela sociedade de Admirável Mundo Novo). Além de Linda, Bernard conhece seu filho, John, chamado de “Selvagem”, com quem se afeiçoou. Porém, não foi a empatia o que despertou o interesse de Bernard, já que levar o “Selvagem” para a civilização lhe renderia prestígio diante da sociedade científica. A chegada de Linda e John nas terras da modernidade causam horror e fascínio nos habitantes do “mundo novo”. Os dois eram vistos como verdadeiras aberrações, e John, com sua capacidade crítica, acaba por ameaçar a ordem e a estabilidade do ambiente ao qual não pertencia.

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Reprodução Humana  Fertilização in vitro

Em Admirável Mundo Novo, todos os bebês são gerados artificialmente, já que o sexo, na sociedade da história, serve unicamente para o prazer de seus habitantes. Dentro do “Centro de Incubação e Condicionamento”, há um laboratório especial de fecundação, onde os óvulos e os espermatozoides recebem uma série de cuidados, simulando um ambiente com condições ideais para que a fecundação ocorra. Essa previsão de Aldous Huxley é realmente impressionante. Para se ter dimensão da história da fertilização in vitro, o primeiro bebê de proveta nasceu em 1978, mais de 40 anos depois que o autor escreveu o seu livro de ficção científica. É evidente que há uma série de discrepâncias entre a história contada por Huxley e a realidade, já que, no livro, os embriões se desenvolviam no próprio laboratório, enquanto que, na realidade, os pré-embriões são transferidos para o útero da mãe para que possam se desenvolver. Porém, nos últimos anos, cientistas têm criado verdadeiros úteros artificiais, onde tem sido possível acompanhar o crescimento embrional fora do corpo da mãe. No Japão, por exemplo, uma equipe tem criado incubadoras com líquido amniótico artificial, onde fetos de cabras têm se desenvolvido por aproximadamente três semanas. Apesar das pesquisas na área ainda estarem em seus estágios iniciais, nada impede sua evolução para que a realidade seja semelhante à de Aldous Huxley.

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Manipulação genética

A sociedade hipotética e científica de Huxley, além da reprodução in vitro, manipulava geneticamente os embriões para que os bebês nascessem com características pré-determinadas, de acordo com a sua casta. Dessa forma, toda a hereditariedade era cuidadosamente selecionada a partir do uso de gametas de homens e mulheres padronizados. Enquanto esse assunto não passava de especulações oriundas da mente do autor, hoje em dia a comunidade científica mundial tem passado por uma série de debates sobre a ética da manipulação genética: mais uma profecia de Admirável Mundo Novo. Nos últimos anos, a possibilidade de manipular geneticamente seres humanos se tornou realidade, e, apesar de todo o embate dos pesquisadores sobre o tema, no ano passado cientistas chineses criaram embriões humanos geneticamente modificados. A ideia da pesquisa é que genes defeituosos sejam consertados para que os embriões possam se desenvolver livres de doenças. Apesar dos benefícios que a tecnologia pode proporcionar, há também uma tendência de manipulação para que bebês nasçam com determinadas características físicas, e este é o assunto de maior polêmica entre os cientistas. A discussão é tão séria que até mesmo no Brasil há uma lei de biossegurança que proíbe “engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e embrião humano”.

Programação Neurolinguística

Durante seu desenvolvimento, os habitantes de Admirável Mundo Novo passavam por treinamentos para condicionar seus pensamentos. De acordo com sua casta, diariamente os personagens recebiam informações para que desenvolvessem consciência sobre como deveriam ser e agir. Os pertencentes às castas superiores, por exemplo, passavam por treinamentos que visavam modelar as suas ações de forma que pudessem se comportar como membros de elite. É evidente que a comparação entre o método de condicionamento do universo de Huxley e o desenvolvimento da Programação Neurolinguística (ou PNL) se diferem em uma série de questões, mas é bastante interessante perceber que o autor foi capaz de prever métodos capazes de modificar comportamentos através de modelos mentais. Os estudos da PNL tiveram início dos anos 1970, momento em que foi percebido que existem “padrões externos, como comportamentos e linguagens específicas que [pessoas de sucesso] utilizavam, que as ajudavam a realizar suas atividades com excelência e influenciavam seus resultados. Eles também observaram que existiam padrões internos, como crenças e pressupostos, que eram poderosos recursos para o alcance do sucesso”, segundo a Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística. O pressuposto básico dos estudos na área é que, por trás dos comportamentos, há uma estrutura interna de pensamentos e emoções que impactam diretamente as ações das pessoas e, portanto, a partir das técnicas desenvolvidas pelos profissionais, é possível reprogramar a estrutura interna com foco em resultados. É claro que a ideia da programação de Huxley era a alienação e a sugestão de comportamentos, enquanto os neurolinguistas têm como objetivo proporcionar a reflexão crítica. Porém não é forçoso notar que, no livro, há claramente indícios de uma ciência que seria descoberta décadas depois e que trabalha exatamente com a influência dos padrões externos sobre os padrões internos.

Cinema 4DX

Ao longo da narrativa, nota-se a presença de uma tecnologia bastante recente. Uma das fontes de lazer dos personagens, no livro, era o que eles chamavam de “cinema sensível”. Enquanto assistiam aos filmes, os habitantes de Admirável Mundo Novo podiam experimentar as sensações reproduzidas na tela através de seus próprios sentidos, em uma experiência completamente interativa. Levando em conta que o cinema surgiu no final do século XIX, sendo, portanto, novidade ainda na época em que a obra foi escrita, Aldous Huxley previu uma tecnologia nova até mesmo para nós, mais de 80 anos antes. O cinema 4D faz exatamente o mesmo que o “cinema sensível”: proporciona experiências imersivas e interativas do público com o filme em ambientes de cinema equipados com tecnologias que visam alcançar todos os sentidos dos espectadores através da simulação do filme, que salta para a realidade.

 

Psicotrópicos

Um dos principais pontos da sociedade de Admirável Mundo Novo é o uso de um comprimido chamado Soma, que atua reduzindo a ansiedade, estresse e outros sentimentos negativos dos personagens, deixando-os em estado de relaxamento e alegria. O problema com isso é que o que se percebe, durante a narrativa, é uma completa falta de capacidade para lidar com sentimentos completamente naturais dos seres humanos, como a tristeza e a angústia. Tudo isso se assemelha bastante a um movimento originado no final dos anos 1980, com o lançamento do Prozac, que coincidentemente foi apelidado como “pílula da felicidade”. O Prozac, na realidade, é um antidepressivo que revolucionou o setor por não causar efeitos colaterais como os outros. Como o próprio nome diz, no entanto, o antidepressivo é utilizado em tratamentos, sendo indicado o seu uso apenas por médicos. Acontece que, nos últimos anos, houve um verdadeiro boom na psiquiatria, e diversos estudos da área têm apontado para o uso de psicotrópicos em pessoas completamente saudáveis. Os argumentos apontam para a sociedade atual enquanto incapaz de lidar com frustrações e com a infelicidade, e que, portanto, qualquer manifestação humana de sofrimento tem se tornado passível de medicação. Pensando a partir dessa perspectiva, a sociedade de Huxley, completamente dependente de Soma, não parece tão distante do movimento contemporâneo, onde as pílulas muitas vezes são vistas erroneamente como facilitadoras e propulsoras do bem-estar.

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Pastilhas de Estimulação Sexual, Anticoncepcionais e Rejuvenescimento
Foi só nos anos 1990 que o Viagra chegou ao mercado, revolucionando a vida sexual dos homens, e mais recentemente outros compostos vêm sendo testados nas mulheres. Mas no início da década de 30, os personagens criados por Aldous Huxley já experimentavam pastilhas que estimulavam a sexualidade. Além disso, durante a trama, percebe-se uma série de cuidados das personagens femininas em relação aos métodos contraceptivos prescritos pelo governo local, garantindo que elas não corressem o risco de se tornarem mães. Outro ponto interessante é a preocupação com a aparência dos personagens. A valorização da beleza, da juventude e o envelhecimento tardio se assemelham em muito com a cultura atual. Na trama, as pessoas idosas são esteticamente jovens, profissional e sexualmente ativas e desfrutam da vida como qualquer outro. Nas últimas décadas, a ciência tem investido na melhoria da qualidade de vida para os idosos, mas essa é uma preocupação recente, não dos anos 1930.

Matéria completa:

http://canaltech.com.br/materia/geek/admiravel-mundo-novo-previsoes-para-um-mundo-contemporaneo-67205/

 

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Se não fosse a capacidade da ideologia de gênero de tornar muitas pessoas infelizes, vivendo em uma trágica confusão, a verdade é que ela seria fonte de momentos memoráveis, dignos de uma antologia de humor. O papo-furado dos ideólogos de gênero se presta a piadas de todo o tipo. Eles se empenham em impor um autêntico disparate: os sexos não existem, são construções culturais e, por isso, podemos redefinir a nossa identidade sexual como quisermos.

Essa loucura, uma alucinação completamente desconectada da realidade, é chamada por eles de direito. É como se alguém se empenhasse em dizer que a lei da gravidade é uma construção cultural, uma imposição do “terrenismo” que não quer nos deixar voar, e então defender o direito de abrir a janela e sair passeando pelo ar, se assim quisermos. Mas é claro: quem sofre as previsíveis consequências de abrir a janela e dar um passo no ar nunca é o sisudo teórico, mas algum desavisado que lhe deu crédito.

Um dos âmbitos que acabou de deixar ainda mais claro a falta de sentido da ideologia de gênero são os Jogos Olímpicos. Uma nova normativa do Comitê Olímpico Internacional (COI) permitiu que atletas “transgêneros” participassem das competições do sexo com qual dizem se identificar, sem necessidade de cirurgia. Não entraremos na questão da cirurgia (como se uma operação, que mutile ou acrescente algo, somada à ingestão de alguns hormônios, fosse capaz de transformar por mágica um homem em uma mulher ou vice-versa).

Porém, alguém percebeu que as competições femininas poderiam acabar inundadas de homens que, devido à diferença de compleição física, conquistassem a maioria das medalhas. Então, o COI teve que acrescentar as letrinhas pequenas do contrato: para que Rio 2016 não seja uma piada, as mulheres que dizem se sentir homens poderão competir nas provas masculinas, mas o caso contrário ganhou restrições adicionais. Os homens que dizem se sentir mulheres deverão manter, por exemplo, os níveis de testosterona dentro de certos limites, pelo menos durante um ano antes da competição. Ou seja: iguais, mas não tanto. O sexo é uma construção cultural… Exceto se você for homem e quiser competir em categorias femininas.

A realidade acaba se impondo sobre a ideologia de gênero. Os homens que alimentaram o sonho de ganhar uma medalha olímpica, mesmo que fosse em uma categoria feminina, podem tirar o cavalinho da chuva.

Jorge Soley, presidente de European Dignity Watch

Tradução: Felipe Koller

A versão original deste artigo publicado em espanhol está disponível no site Actuall.

Fonte: http://www.semprefamilia.com.br/ 

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Na última semana, pesquisadores chineses editaram, pela primeira vez, genes de embriões humanos. A prática levanta questões éticas fundamentais. A principal: é seguro criar mutantes cujas sequências genéticas são selecionadas em laboratório e, assim, desafiar a natureza?

Em um laboratório de cidade chinesa de Guangzhou foram criados os primeiros embriões humanos geneticamente modificados. Em tubos de ensaio, pesquisadores da Universidade Sun Yeat-sen manipularam o DNA das células para apagar o gene da beta talassemia, doença hereditária que origina anemias graves e pode ser fatal. É a primeira vez na história que a ciência intervém nas próximas gerações humanas de modo tão rápido e direto. Os chineses mostraram ao mundo que, em poucos anos, teremos o poder de modificar nossa espécie de maneira irreversível – para o bem ou para o mal. O que fará com que a interferência humana supere de vez o processo natural de seleção natural. Não seria mais a natureza, mas os cientistas, que definiria como viriam a ser as futuras gerações de animais, plantas e indivíduos.

O estudo com os detalhes do experimento, publicado em 18 de abril na obscura revista Protein & Cell, revelou que apenas uma mínima fração dos embriões foi bem-sucedida na manipulação. O resultado foi um “mosaico genético”, ou seja, o DNA apresentou várias alterações que não as visadas pelos cientistas. Para esses primeiros estágios das células, isso pode ser mortal. No entanto, de acordo com os especialistas, esse é um obstáculo que está prestes a ser superado. Com o avanço das pesquisas e da tecnologia, a técnica será aperfeiçoada a ponto de possibilitar a edição completa dos genes em embriões humanos.

Esse é mais um indício de que vivemos um momento crucial para o que alguns cientistas chamam de Antropoceno, a era em que as ações humanas são responsáveis pela alteração do planeta. Outra prova recente: na última semana, cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, inseriram o DNA do mamute em células vivas de um elefante, tornando muito próxima a volta do animal que foi, naturalmente, extinto. O experimento dos cientistas chineses sugere que, em um futuro próximo, além de intervir em espécies de animais e vegetais e escolher indiretamente algumas características interessantes para nossa permanência no globo, atuaremos de maneira certeira e definitiva na seleção natural humana. A questão é se antes superaremos as discussões éticas relativas à prática e se estamos preparados para suas consequências.

É uma nova era para a biomedicina. Só que ainda não se sabe se o esforço humano em controlar seu destino genético causará benefícios ou danos”, definiu o biomédico americano George Daley, da Universidade Harvard.

Fetinhos

Quanto mais se pesquisa, mais se percebe como a vida humana, desde o momento da concepção, é rica e detalhada. Por isso, é importante iniciar frisando, como aspecto metodológico, que para ter uma visão mais precisa da realidade é necessário que tenhamos acesso ao máximo de informações, de elementos daquela realidade.

A Genética e a Embriologia, por exemplo, são ciências muito complexas. Os cientistas que delas se ocupam precisam se aprimorar em inúmeros aspectos de sua área de conhecimento para que possam ter uma visão mais clara desta realidade. Ora, o público leigo não necessariamente tem esta clareza até que seja informado pelos que se dedicam a estes temas. Enquanto não tem esta clareza pode, de boa fé, se deixar levar por informações parciais, sendo induzido a erros de interpretação.

Uma nova vida humana, a partir dos conhecimentos da Genética, começa no exato momento da fecundação, ainda que se empregue diferentes terminologias para caracterizar os vários estágios do desenvolvimento, tais como zigoto, embrião. No momento da fecundação, cria-se um patrimônio genético diferente daquele do pai e da mãe. São 23 cromossomos com informações genéticas do pai, outros 23 com informações da mãe, formando um novo conjunto de 23 pares de cromossomos, que se combinam criando uma realidade que logicamente não pode ser considerada igual a nenhuma das anteriores. Portanto, a identidade dessa nova vida se cria já naquele exato momento.

A Biologia Comparada também nos demonstra esse fato. Ao longo da evolução, a reprodução sexuada sempre gerou novos organismos, diferentes dos pais. Nos organismos aquáticos, com fecundação externa, isso é claro. Ninguém pensaria que um alevino de peixe ou um girino de sapo é parte do corpo de sua mãe. Sua alteridade é evidente. Mas seu “status” embriológico é comparável ao de um feto humano.

E o que os estudiosos de Embriologia poderiam nos dizer sobre o embrião? Um elemento importante é que ao embrião não se pode dispensar o tratamento conferido a uma entidade biológica qualquer. Ele não é um simples aglomerado de células, porque o comportamento dessas primeiras células embrionárias, chamadas embrião, é totalmente diferente do comportamento de outras células agrupadas.

Pensemos, por exemplo, nas culturas de células. Basicamente, lhes é oferecido um ambiente protegido onde possam dispor dos alimentos necessários. Nestas condições de suporte de vida, esta cultura de células permanecerá como tal enquanto os recursos tecnológicos o permitirem. E já há pesquisadores conseguindo que estas culturas se viabilizem por muitos anos.

Fazendo o paralelo com um embrião, se lhe for oferecido condições de proteção, acolhida e alimentação necessárias, vai se desenvolver como um processo contínuo (desde a fecundação até a morte, seja ela aos dois dias, seja aos cem anos), coordenado (auto-suficiente no próprio projeto) e progressivo (as várias etapas de desenvolvimento se sucedem sem interrupção).

Esse é um conhecimento que nós todos temos, a partir da experiência da vida humana: estamos refletindo sobre algo que diz respeito ao nosso próprio ser. Podemos constatar essas categorias a partir do momento em que, independentemente do nosso conhecimento científico, elas se tornam evidentes: é a mesma evolução da vida que continua, desde o parto da criança que se transforma em adolescente, adulto, idoso: um início e um fim.

Precisamos nos ajudar a olhar a realidade com clareza e coragem, para poder fazer as escolhas também nós como pessoas humanas, no sentido pleno do termo, conhecendo o que estamos fazendo e o porque, qual a finalidade. Com certeza estamos todos perplexos, principalmente quem está na “linha de frente”, diante das situações de miséria que se perpetuam e do poder com que a biotecnologia nos dotou. O que fazer? Para tentar passos que nos levem, como sociedade, a nos aproximarmos da meta, antes de tudo é preciso ter clareza sobre qual é a meta.

Se a complexidade é tamanha, não se pode pensar em resolver a situação agindo só em um fator, por exemplo, eliminando a parte mais frágil. Talvez nenhum de nós tenha a resposta na ponta da língua, de como resolver, mas podemos nos ajudar no caminho: aconteça o que acontecer, a meta é o direito de cada pessoa humana à vida, e a uma vida que tenha beleza e sentido, mesmo na dor e na dificuldade.

Leia aqui a parte 2 deste artigo

Prof. Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos é professor tutular de Bioética da USP, membro da equipe de assessores de bioética de CNBB e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa/CNS/MS, membro correspondente da Pontifícia Academia para a Vida, do Vaticano, coordenador do Projeto Ciências da Vida do Núcleo Fé e Cultura da PUC/SP.

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O português Cristiano Ronaldo vai se submeter a um tratamento com células-tronco para estar apto a atuar no jogo de volta da semifinal da Liga dos Campeões, contra o Manchester City, na próxima semana. A informação é da rádio espanhola “Cope”. Segundo a rádio, o atacante do Real Madrid teve uma ruptura muscular na coxa direita.

Cristiano Ronaldo esteve na manhã desta quarta-feira em uma clínica de Madri, onde uma ressonância magnética apontou a lesão na coxa direita do português. Ele está praticamente descartado da partida deste fim de semana, contra a Real Sociedad, pelo Campeonato Espanhol, e pode não ter condições de voltar a tempo do jogo decisivo contra o Manchester City, na próxima quarta-feira.

O tratamento com células-tronco a que o português vai se submeter, segundo a rádio espanhola, é semelhante ao já feito pelo tenista Rafael Nadal para curar problemas nos joelhos.

O Real Madrid, por enquanto, não se pronuncia oficialmente sobre o problema físico de Cristiano Ronaldo. O português não foi utilizado no empate sem gols com o Manchester City, na terça-feira, pelo jogo de ida da semifinal da Liga dos Campeões. CR7 chegou a afirmar que, se fosse uma final, ele atuaria no sacrifício.

Fonte: http://oglobo.globo.com/esportes

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Chernobyl revelou que a tragédia com a energia nuclear, embora possa ser considerada regionalizada, tem impactos globais.

Há exatamente 30 anos o mundo inteiro tomou conhecimento do maior acidente nuclear da história depois dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki. Uma tragédia de proporções gigantescas com repercussões até os nossos dias. Até o momento do acidente, a extinta União Soviética ainda gozava de certa relevância e solidez em seu programa nuclear. Seu pioneirismo, em 1954, com a inauguração da primeira central nuclear do planeta é inegável.O sistema de proteção da usina de Chernobyl estava seriamente comprometido. Esse acidente já estava sendo previsto desde 1981 por muitos especialistas, devido à baixa qualidade dos materiais usados na fabricação do reator que explodiu. Fontes oficiais do governo na época afirmavam que a possibilidade de acidente em Chernobyl era estimada na proporção de um por 10 milhões – mas, no dia 26 de abril de 1986, o acidente aconteceu.

A nuvem tóxica que saiu do reator de Chernobyl espalhou-se por muitos quilômetros e uma onda de medo varreu os países que naquele momento usavam ou não a energia nuclear como fonte alternativa de energia. Imensuráveis foram os impactos à saúde das pessoas, o temor e a angústia das consequências de tal contaminação. Nenhum setor da sociedade estava preparado para dar conta de tal realidade.

Ainda hoje, embora exista uma área de exclusão considerável do epicentro fatídico, as populações das redondezas que ali vivem não escondem o medo de conviver com os efeitos desconhecidos da radiação, cujo impacto não afetou apenas aqueles atingidos no momento da explosão, mas deixou uma marca hereditária em todos os seres vivos direta ou indiretamente relacionados ao evento. Algumas regiões se tornaram impróprias para qualquer cultivo e Chernobyl revelou que a tragédia com a energia nuclear, embora possa ser considerada regionalizada, tem impactos globais.

Nesse sentido, cabe a reflexão de que, embora sejamos capazes de criar notáveis artefatos para amenizar as dificuldades diárias, a técnica apresenta um caráter ambivalente, que ao mesmo tempo representa esperança, mas possui consequências e desdobramentos. Essa condição exige que o Homo sapiensquestione se tudo o que é tecnicamente possível é eticamente desejável, de modo a impedir que as possíveis propostas de êxitos anunciadas diariamente, frutos do avanço tecnocientífico, sejam realizadas apenas para atender aos desejos do Homo faber.

O acidente de Chernobyl, portanto, além de um dilema ético – ao questionar se devemos ou não fazer certas ações na medida em que somos capazes de realizá-las –, suscita questões do universo da bioética, na medida em que a vida e a dignidade das pessoas, assim como a biodiversidade, devem estar em primeiro lugar, acima de qualquer interesse.

Se o aumento da capacidade tecnocientífica, ao mesmo tempo em que traz certa tranquilidade, também representa ameaça, coisifica e banaliza a vida, é urgente revisitarmos a proposta de Potter e recuperar o ideal de ponte entre a tecnociência e a ética. Embora seja muito difícil colocar um limite naquilo que mais nos orgulha, isto é, na capacidade humana de se autossuperar tecnicamente, é bom sempre nos lembrarmos da afirmação do filósofo Hans Jonas: “é possível viver sem um suposto bem supremo, mas não é possível viver com o mal extremo”.

Rosel Antonio Beraldo é mestrando em Bioética pela PUCPR. Anor Sganzerla,doutor em Filosofia, é professor do Programa de Pós-Graduação em Bioética da PUCPR. Daiane Priscila Simão Silva, doutora em Genética, é professora do Programa de Pós-Graduação em Bioética da PUCPR.

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Uma organização de pesquisa pró-vida divulgou um relatório sobre o “problema global de abortos seletivos” motivados por questões de gênero, por exemplo – durante uma audiência na Câmara dos Estados Unidos, realizada para debater um projeto de lei, destinado a proibir a prática.

O Instituto Pró-vida Charlotte Lozier divulgou um documento intitulado “Aborto Sexualmente Seletivo: A Batalha Real das Mulheres”, de autoria de Anna Higgins.(1)

Higgins, que fez parte de um painel de testemunhas perante o Subcomitê de Constituição e Justiça Civil na quinta-feira à tarde, escreveu que aborto seletivo é um “problema global”.

“A discriminação sexual pré-natal cruza linhas culturais, étnicas e nacionais. É praticada impunemente em muitos países, incluindo os Estados Unidos, via aborto seletivo. Muitas mulheres são induzidas a abortar um bebê, com base exclusivamente no sexo da criança”, escreveu Higgins.

“Há muita influência cultural nos Estados Unidos para que as mulheres abortem com base no fato da criança ser do sexo feminino, de modo que esta lei vai fazer é dar a essas mulheres uma saída”, explicou ela. “Basicamente, dá-lhes a consciência de que elas têm o direito de se recusar a fazer um aborto, se elas estão sendo coagidas.”

“A discriminação pré-natal também pode ser praticada na pré-implantação [em casos de Reprodução Assistida], quando os embriões são destruídos em vista de seu sexo. Sem dúvida, essas práticas constituem uma discriminação contra um indivíduo humano único com base apenas no sexo, o que constitui uma forma injusta de discriminação”.

Higgins defende que o governo restrinja à prática, argumentando que “é imperativo que os Estados e o Governo Federal proíbam a instituição do aborto seletivo”.

“A pesquisa e diversos testemunhos pessoais mostram que a prática do aborto seletivo é ‘comum’ entre culturas e nações, incluindo os Estados Unidos”, continuou Higgins.

“A seleção de sexo em favor dos meninos é praticada em algumas comunidades de imigrantes asiáticos dentro dos EUA e outras nações ocidentais, como o Reino Unido.”

O documento elaborado por Higgins foi apresentado, considerando-se que ela é uma das quatro pessoas com perícia avaliada para depor perante a Câmara, na análise de projeto de lei que pode proibir a prática em questão.

Conhecida como a Lei de Anti-discriminatória Pré-natal de 2016, ou pela sigla ‘PRENDA’, a proposta visa impedir a discriminação contra bebês em gestação, com base em sexo / gênero.

Além de Higgins, as outras testemunhas agendadas são ‘Catherine Davis’, da Coalizão Nacional Pró-vida; Miriam Yeung, do Fórum Nacional Asiático Pacífico das Mulheres Americanas e o Reverendo Derek McCoy, do Centro de Renovação Urbana e Educação.

Síndrome de Down

Além de abortos motivados pelo preconceito com relação ao sexo dos bebês, outras razões também podem estar entre os motivos usados como ‘justificativas’ das interrupções das gestações.

Considerada uma das maiores redes de clínicas de aborto dos Estados Unidos e atuante com autorização e apoio do governo norte-americano, a ‘Planned Parenthood’ apresentou uma queixa legal, devido à aprovação de leis que proíbem o aborto em casos de bebês com Síndrome de Down (e outros tipos de síndrome ou má formação congênita).

No último dia 21 de março, data em que se celebrou a 11ª Jornada Mundial da Trissomia 21, a fundação francesa Jerôme Lejeune e a associação canadense-holandesa Downpride apresentaram um abaixo-assinado mundial (2) para exigir a proibição do exame pré-natal que identifica a síndrome de Down.

Os destinatários do documento são os líderes das maiores instituições internacionais que, em tese, deveriam garantir o respeito pleno pelos direitos humanos: Ban Ki-moon, secretário geral da ONU; o príncipe saudita Zeid Ra’ad Al Hussein, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos; Nils Muižnieks, comissário do Conselho da Europa para os Direitos Humanos; e Frans Timmermans, comissário europeu para a Carta dos Direitos Fundamentais.

O abaixo-assinado pede que os governos “eliminem dos programas de saúde pública o exame pré-natal que identifica a síndrome de Down e apliquem à triagem pré-natal os princípios internacionais da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Convenção de Oviedo e da Corte Europeia de Direitos Humanos, limitando os exames genéticos à melhora dos cuidados e da saúde das pessoas e impedindo-os de gerar discriminações”.

O documento denuncia que mais de 90% das crianças com a trissomia 21 são hoje abortadas e que existe uma perspectiva de se aumentar mais ainda o número desses abortos seletivos, dado que “muitos países incluem nos exames pré-natal um teste genético para detectar a síndrome de Down”. Uma vez detectada essa condição, muitos pais optam por abortar seus filhos.

Mas as crianças que nascem com a síndrome “podem hoje esperar uma vida longa e de boa qualidade”, afirmam os organizadores do abaixo-assinado, observando, além disso, que, em comparação com as famílias ditas “normais”, “as pessoas com trissomia 21 e seus familiares atingem uma visão melhor sobre a vida”.

A fundação Novae Terrae, que apoia a campanha, define o abaixo-assinado como “uma iniciativa urgente da humanidade”. Seu diretor geral, Luca Volontè, observa que “os novos testes genéticos pré-natal agravarão o número já dramático de abortos de crianças com a síndrome de Down. Nosso mundo ocidental, que se mostra seriamente interessado pelo humano, não pode virar os olhos diante dessas contradições que o desfiguram”. Para Volontè, a discriminação contra as pessoas com a trissomia 21 é uma “silenciosa violação dos direitos humanos”.

Microcefalia

No Brasil, os surtos de microcefalia acabaram esquentando ainda mais o debate sobre o ‘direito ao aborto’. A psicóloga Marisa Lobo participou recentemente de um debate na Rede TV! sobre o assunto e criticou o caráter contraceptivo que acabou sendo desenvolvido pela interrupção da gravidez.

“Eu sou mulher e defendo os direitos das mulheres, mas não defendo o ato de matar uma criança simplesmente porque ela apresenta algum defeito”, destacou.

  1. https://lozierinstitute.org/sex-selection-abortion-the-real-war-on-women/
  2. http://pt.aleteia.org/2016/03/14/orgulho-down-associacoes-internacionais-combatem-uma-discriminacao-que-ja-comeca-no-pre-natal/

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A verdade nua e crua, desde o início

Os primórdios do movimento transgênero perderam-se hoje em meio à campanha pela aceitação, tolerância e direitos dos transgêneros. Se mais pessoas tivessem consciência da sombria e problemática história da cirurgia de mudança de sexo, talvez não seríamos tão rápidos em pressionar as pessoas para que a fizessem.

As primeiras cirurgias de mudança de sexo (a maioria do masculino para o feminino) foram realizadas em clinicas universitárias; começaram na década de 1950 e progrediram ao longo das décadas de 1960 e 1970. Quando os pesquisadores contabilizaram os resultados e não encontraram prova objetiva de que a prática era bem-sucedida – e, na verdade, encontraram evidência de que era prejudicial -, as universidades deixaram de realizar a cirurgia de mudança de sexo.

Desde então, cirurgiões da rede privada começaram a ocupar o lugar das universidades. Sem nenhuma análise minuciosa ou sem responsabilizar-se pelos resultados, a prática cresceu, deixando como resultado a vergonha, o arrependimento e o suicídio.

Os Pais Fundadores do Movimento Transgênero

O movimento transgênero começou como a invenção de três homens que compartilhavam o mesmo vínculo: os três eram ativistas da pedofilia.

A história começa com o infame Dr. Alfred Kinsey, um biólogo e sexólogo cujo legado perdura até hoje. Kinsey acreditava que todos os atos sexuais eram legítimos – inclusive a pedofilia, a bestialidade, o sadomasoquismo, o incesto, o adultério, a prostituição e o sexo em grupo. Ele autorizou experiências desprezíveis com crianças e bebês a fim de reunir informação para justificar sua opinião de que crianças de qualquer idade gostavam de manter relações sexuais. Kinsey defendia a normalização da pedofilia e fazia lobby contra leis que protegiam crianças inocentes e puniam predadores sexuais.

O transexualismo foi acrescentado ao repertório de Kinsey quando lhe apresentaram o caso de um garoto afeminado que queria se tornar uma menina. Kinsey consultou um conhecido, um endocrinologista chamado Dr. Harry Benjamin. Travestis, homens que se vestiam como mulheres, eram bem conhecidos. Kinsey e Benjamin viram aquilo como oportunidade de transformar um travesti fisicamente, muito além do vestuário e da maquiagem. Kinsey e Benjamin tornaram-se colaboradores profissionais do primeiro caso do que Benjamin chamaria mais tarde de “transexualismo”.

Benjamin pediu que vários psiquiatras avaliassem o garoto para possíveis procedimentos cirúrgicos que pudessem tornar sua aparência feminina. Eles não entraram em consenso sobre a conveniência de uma cirurgia que tornasse sua aparência feminina. Isso não parou Benjamin. Por conta própria, ele começou a realizar uma terapia com hormônio feminino no garoto. Ele foi à Alemanha para uma cirurgia parcial, e Benjamin perdeu o contato com ele, impossibilitando qualquer acompanhamento de longo prazo.

A trágica história dos gêmeos Reimer

O terceiro co-fundador do atual movimento transgênero foi o psicólogo Dr. John Money, um dedicado discípulo de Kinsey e membro de uma equipe de pesquisa sobre transsexualismo coordenado por Benjamin.

O primeiro caso transgênero de Money ocorreu em 1967, quando um casal canadense, os Reimers, lhe pediu para reparar circuncisão mal feita em seu filho de dois anos, David. Sem qualquer justificação médica, Money realizou uma experiência para fazer sua fama e impulsionar suas teorias sobre gênero, sem se importar com as consequências na vida da criança. Money disse aos pais perturbados que a melhor maneira de garantir a felicidade de David era transformar cirurgicamente sua genitália masculina em feminina e cria-lo como menina. Como muitos pais fazem, os Reimers seguiram a ordem do médico, e David tornou-se Brenda. Money garantiu aos pais que Brenda se adaptaria à vida como menina e que ela jamais saberia a diferença. Ele disse aos pais que eles deveriam manter segredo sobre isso, e assim o fizeram – ao menos durante um tempo.

Médicos ativistas como o Dr. Money sempre aparentam ser brilhantes inicialmente, principalmente se controlam a informação que a mídia divulga. Money fez um jogo hábil de “pegue-me se for capaz”, relatando o sucesso da mudança de sexo do menino à comunidade médica e científica e construindo sua reputação como o maior especialista no emergente campo da mudança de sexo. Passariam décadas antes que a verdade fosse revelada. Na realidade, a “adaptação” de David Reimer para a vida como menina foi completamente diferente dos entusiasmados relatos forjados por Money em artigos acadêmicos. Aos 12 anos, David estava severamente deprimido e recusou-se a ver Money novamente. Seus pais, desesperados, romperam o segredo e contaram-lhe a verdade sobre a mudança de sexo. Aos 14 anos, David escolheu desfazer a mudança de sexo e viver como garoto.

No ano 2000, com 35 anos, David e seu irmão gêmeo finalmente divulgaram o abuso sexual que o Dr. Money lhes havia infligido na privacidade do seu escritório. Os dois contaram como o Dr. Money tirou fotos deles nus quando eles tinham apenas sete anos de idade. Mas fotografias não eram suficientes para Money. O médico pedófilo também forçou os meninos a realizarem atividades sexuais incestuosas.

As consequências do abuso de Money foram trágicas para os dois meninos. Em 2003, apenas três anos após a divulgação do seu passado dolorido, o irmão gêmeo de David, Brian, morreu de overdose provocada voluntariamente. Pouco tempo depois, David também cometeu suicídio. Money finalmente havia sido denunciado como uma fraude, mas isso não ajudou os pais sofredores cujos gêmeos agora estavam mortos.

A revelação dos resultados e tendências fraudulentos das pesquisas de Money também veio tarde demais para pessoas que sofriam de problemas sexuais. Naquele momento, a cirurgia [de mudança de sexo] já estava bem estabelecida, e ninguém se importou com o fato de que um dos seus criadores havia sido desacreditado.

Resultados da Universidade Johns Hopkins: a cirurgia não traz nenhum alívio

O Dr. Money tornou-se o co-fundador de uma das primeiras clínicas universitários de mudança de sexo nos Estados Unidos, na Universidade Johns Hopkins, onde a cirurgia de mudança de sexo era realizada. Depois que a clínica já operava já muitos anos, o Dr. Paul McHugh, diretor de psiquiatria e ciência comportamental em Hopkins, queria mais do que as garantias de sucesso que Money havia dado imediatamente após a cirurgia. McHugh queria mais evidências. No longo prazo, os pacientes estavam realmente melhores depois da cirurgia?

McHugh designou ao Dr. Jon Meyer, presidente da clínica em Hopkins, a tarefa de avaliação dos resultados. Meyer escolheu cinquenta pessoas dentre as que havia sido tratadas na clínica, tanto aqueles que se submeteram à cirurgia de mudança de sexo como aqueles que não fizeram a cirurgia. Os resultados desse estudo refutaram completamente as alegações de Money sobre os resultados positivos da cirurgia de mudança de sexo. O relatório objetivo não mostrou nenhuma necessidade médica para a cirurgia.

Em 10 de agosto de 1979, o Dr. Meyer anunciou seus resultados: “É errado dizer que esse tipo de cirurgia cura um distúrbio psiquiátrico. Agora temos evidências objetivas de que não há diferença real na adequação do transexual à vida em termos de emprego, realização educacional, ajuste marital e estabilidade social”. Posteriormente, ele disse ao The New York Times: “Minha impressão pessoal é que a cirurgia não é um tratamento adequado para uma desordem psiquiátrica, e está claro para mim que esses pacientes têm problemas psicológicos graves que não desaparecem depois da cirurgia”.

Menos de seis meses depois, a clínica de mudança de sexo da Universidade Johns Hokins foi fechada. Outras clínicas do mesmo tipo filiadas a universidades em outros lugares do país também seguiram o mesmo caminho, abandonando completamente a realização da cirurgia de mudança de sexo. Os resultados positivos não eram relatados em lugar algum.

Resultados do Colega Benjamin: Muitos Suicídios

Não foi apenas a clínica da Johns Hopkins que relatou falta de resultados da cirurgia. Mais ou menos na mesma época, sérios questionamentos sobre a eficácia da mudança de sexo foram feitos por um colega do Dr. Harry Benjamin, o endocrinologista Charles Ihlenfeld.

Ihlenfeld trabalhou com Benjamin durante seis anos e ministrou hormônios sexuais a 500 transexuais. Ihlenfeld deixou Benjamin chocado ao anunciar publicamente que 80% das pessoas que queriam mudar de sexo não deveriam fazê-lo. Ihlenfeld disse: “Há muita infelicidade nas pessoas que fizeram a cirurgia… Muitas delas acabam se matando”. Ihlenfeld deixou de ministrar hormônios a pacientes que sofriam de disforia sexual, mudou de especialidade e tornou um psiquiatra, a fim de oferecer a esses pacientes o tipo de ajuda do qual, acreditava, eles realmente precisavam.

Devido ao estudo realizado na Universidade Johns Hopkins, ao fechamento de sua principal clínica e ao alerta dado por Ihlenfeld, os defensores da cirurgia de mudança de sexo precisavam de uma nova estratégia. Benjamin e Money procuraram seu amigo, Paul Walker, PhD, um ativista homossexual e transgênero que, eles sabiam, compartilhava de sua paixão pela disponibilização de hormônios e pela cirurgia. Sob a direção de Paul Walker, formou-se um comitê com o objetivo de delinear padrões de tratamento para transgêneros os quais promovessem a agenda dos três. O comitê incluía um psiquiatra, um ativista da pedofilia, dois cirurgiões plásticos e um urologista, e todos se beneficiariam financeiramente por manterem disponível a cirurgia de mudança de sexo a todos os que quisessem fazê-la. “Os Padrões Internacionais de Tratamento Harry Benjamin” foram publicados em 1979 e deram nova vida à cirurgia de mudança de sexo.

Minha experiência com o Dr. Walker

Eu mesmo sofri bastante para acertas as contas com o meu sexo. Em 1981, procurei o Dr. Walker para pedir-lhe ajuda, o homem que havia escrito os padrões de tratamento. Walker disse que eu sofria de disforia sexual. Apenas dois anos depois de tanto o estudo da Johns Hopkins como as declarações públicas de Ihlenfeld terem chamado a atenção para o elevado risco de suicídio associado à mudança de sexo, Walker, embora tivesse pleno conhecimento dos dois relatórios, assinou minha carta de aprovação para tomar hormônios e realizar a cirurgia.

Sob a orientação dele, eu fiz a cirurgia de mudança de sexo e vivi durante oito anos como Laura Jensen. Ao fim e ao cabo, tomei coragem para admitir que a cirurgia não havia resolvido nada – ela apenas encobriu e exacerbou problemas psicológicos mais profundos. A decepção e a falta de transparência pelas quais eu passei na década de 1980 até hoje circundam a cirurgia de mudança de sexo. Pelo bem de outros que lutam contra a disforia sexual, não posso ficar calado.   

É intelectualmente desonesto ignorar os fatos de que a cirurgia nunca foi um procedimento médico necessário para tratar a disforia sexual e de que o uso de hormônios sexuais pode ser prejudicial. Os ativistas transgênero de hoje, descendentes de Kinsey, Benjamin e John Money, mantêm viva a prática medicamente desnecessária da cirurgia de mudança de sexo por meio do controle do fluxo de informações publicadas e do silenciamento de pesquisas e histórias pessoais que falam do arrependimento, infelicidade e suicídio experimentados por aqueles que fazem essa cirurgia. Resultados negativos só são reconhecidos como uma maneira de culpar a sociedade por sua transfobia.

Os clientes transgênero que se arrependem de ter tomado esse caminho muitas vezes são tomados pela vergonha e pelo remorso. Em mundo de ativismo pró-transgênero, aqueles que se arrependem de sua decisão têm poucos lugares aos quais recorrer. No meu caso, foram necessários anos para reunir a coragem de erguer-me e falar sobre o arrependimento.

Apenas gostaria que o Dr. Paul Walker fosse obrigado a me falar sobre os dois relatórios quando eu o consultei: o estudo da Universidade Johns Hopkins mostrando que a cirurgia não aliviava problemas psicológicos graves, e a observação de Ihlenfeld sobre a permanente infelicidade dos transgêneros e a alta incidência de suicídio após o uso de hormônios e a realização da cirurgia. Talvez essa informação não tivesse me impedido de tomar aquela decisão desastrosa, mas ao menos eu teria tomado conhecimento dos riscos e da dor que me esperavam.

Walt Heyer é um autor e conferencista que deseja ajudar a todos os que se arrependem de terem feito a cirurgia de mudança de sexo. Por meio de sua página de internet, SexChangeRegret.com, e seu blog,WaltHeyer.com, Heyer traz a público a incidência de arrependimento e as trágicas consequências da realização da cirurgia. Publicado com a permissão do Witherspoon Institute.

Fonte: NOTIFAM.COM

Audrey-Proveta-blog

Audrey Kermalvezen, advogada francesa, descobriu a verdade sobre si depois de casar-se com outro “filho da fecundação in vitro”. Em entrevista exclusiva, ela conta o medo que ela e seu marido têm em comum: os dois podem ser filhos do mesmo pai.

Perceber, desde criança e quase inconscientemente, que há algo de errado; descobrir que não “está tudo bem” nascer em um laboratório e de uma pessoa diferente daquela que te criou; ficar com raiva e, depois, perceber que a responsabilidade não é só dos próprios genitores, mas de todo um sistema; sofrer e, então, reagir, entrando na luta contra isso. É essa a história que fez Audrey Kermalvezen, uma advogada francesa de 33 anos, tornar-se uma das paladinas da luta contra a fecundação heteróloga e o anonimato dos chamados “doadores” de gametas.

Concebida em proveta. Kermalvezen é membro da associação Procréation médicalement anonyme (“Procriação medicamente anônima”). “Estamos aqui mais para testemunhar o quanto é difícil sermos gerados assim que para lutar por descobrir as nossas origens“, ela explica. A advogada usa o plural porque a sua história começa quando já era casada com um homem concebido em proveta, como ela. Ele, todavia, sabia desde criança que tinha nascido por fertilização heteróloga. Acaso? “Bem – continua a advogada –, quando eu era pequena não sabia de nada, mas sempre sonhava com um homem que chegava e me levava embora. Perguntava continuamente aos meus genitores se eles tinham me adotado. Com 23 anos, escolhi especializar-me em direito bioético, mesmo não sabendo ainda nada da minha história”. Em suma, tudo parecia empurrar Kermalvezen para o mundo da proveta.

A revelação. Mais tarde, em 2009, tendo completos 29 anos, os genitores da moça decidiram revelar, a ela e ao irmão, então com 32 anos, que ambos tinham sido concebidos em laboratório, com o esperma de um desconhecido. “Meu irmão se sentiu aliviado” porque sempre tinha desconfiado haver “qualquer coisa que não batia” entre ele e a sua família. Ao contrário, a reação de Kermalvezen foi de “raiva” contra os seus genitores, pelo fato de haverem mentido para eles, mesmo tendo compreendido, depois, “que não eram só eles os responsáveis pelo segredo, mas também os médicos criaram todas as condições para mantê-lo, escolhendo um doador que se assemelhava ao meu pai e dizendo a ele e a minha mãe para não nos contarem nada”.

“Nosso medo”. Para a advogada, todavia, a dor veio duplicada. “Com o meu marido eu divido um receio: o de sermos nascidos do mesmo genitor”, razão pela qual ele está tão engajado na batalha para ter acesso às suas origens. “Ele e suas duas irmãs sempre souberam que tinham sido concebidos por um doador de esperma, mas esperavam que os seus genitores lhes dessem as informações sobre a identidade do seu pai, uma vez que completassem os 18 anos. Mas isso não aconteceu: eles não tiveram acesso a nenhuma notícia a respeito”.

“Eles se recusam a responder-me”. Como foi concebida em 1979, a norma francesa que, desde 1994, estabelece a obrigação do anonimato para o doador, não é um problema. “É meu direito contatar o ‘doador’ e eles perguntam se ele quer permanecer anônimo ou não. Se disser que não quer me revelar a sua identidade, respeitarei a decisão”, ela explica. De uma coisa, porém, Kermalvezen não abre mão: “A lei protege só a identidade, mas a justiça francesa estabelece, ao menos, que não pode esconder se o meu irmão ou o meu marido e eu fomos concebidos do esperma do mesmo homem. Mesmo assim, eles se recusam a responder-me.”

“Não há nenhum remédio”. Kermalvezen conta a sua história no livro Mes origines, une affaire d’Etat (Max Milo), lançado em 2014. Infelizmente, é difícil para um filho de proveta reivindicar um direito quando a lei, permitindo a fecundação assistida, sempre joga o direito do não nascido para o segundo plano em relação àquele do adulto. “Esse é o problema pelo qual eles não nos respondem”, conclui. “Eis por que nós não estamos aqui, antes de tudo, para conhecer as nossas origens, mas para testemunhar o quanto é duro nascer assim”. Porque, para todo esse sofrimento, “não há nenhum remédio”.

Fonte: Tempi.it |