pés

Antes da aprovação do aborto nos EUA, a maioria dos primeiros “ativistas pró-vida” do país eram médicos e enfermeiros. Eles eram predominantemente católicos, mas a religião não tinha muito a ver com isso. A oposição deles ao aborto legalizado era simplesmente uma extensão lógica da sua vocação a salvar vidas.

É que o Juramento de Hipócrates era o alicerce ético da profissão médica. Popularmente resumido como “em primeiro lugar, não faça o mal”, o juramento destrinchava diversos detalhes desta obrigação. Os futuros guardiões da saúde das pessoas prometiam não dar nenhum remédio mortal a ninguém, mesmo que solicitados a dá-lo, nem sugerir tal conselho de forma alguma a quem quer que fosse. Igualmente, prometiam não colaborar com atos que provocassem o aborto.

Progressistas e feministas quiseram cortar esta parte do juramento. Eles argumentaram que, assim como a profissão médicatinha deixado de lado a exigência de jurar por Apolo, Asclépio, Hígia, Panaceia e todos os outros deuses e deusas gregos, também deveria se livrar dessa preocupação antiquada com a vida fetal.

Foram propostas muitas teorias sobre o porquê de os profissionaiscatólicos da saúde terem sido os que mais remavam contra essa nova maré ideológica. Para mim, o argumento mais convincente tem a ver com a formação deles, mas não exatamente com os aspectos ligados à teologia católica. O motivo mais relevante era de tipo filosófico.

Os médicos católicos aprenderam com o grande cientista e filósofo grego Aristóteles e com o filósofo e Doutor da Igreja Tomás de Aquino que a vida humana, incluindo o embrião, tem um “telos”, uma finalidade, um objetivo, um plano, um desígnio, uma lógica interna. Ou, como os cientistas o chamariam mais tarde, um DNA.

O resultado do processo da procriação humana era uma pessoa, única, dotada de dignidade e de direitos. Era um ser humano. Era um ser humano que ainda não tinha se desenvolvido tanto quanto o resto de nós, adultos; mas era, ainda assim, um ser humano. Esta era uma verdade que os profissionais médicos respeitavam pela própria natureza do seu trabalho.

Havia a este propósito argumentos que iam desde a especulação antiga sobre a alma humana até a ideia atual de “pessoalidade”. Nada alterava a perspectiva ética básica dos profissionais da saúde: seu trabalho era ajudar os outros seres humanos, não matá-los. A biologia básica e a abundante experiência informavam aos médicos que a vida fetal era vida humana.

Por isso, médicos e enfermeiros que enxergavam o próprio trabalho conscientemente viam com clareza o que a disseminação da tecnologia de ultrassom acabaria mostrando também para o resto de nós. A “coisa” que reside no ventre materno não é um amontoado aleatório de células; é um de nós. Desde um estágio extremamente precoce do seu desenvolvimento, o feto é, reconhecivelmente, um ser humano, que vai passando pelas mesmas fases pelas quais todos nós passamos.

Foi preciso trilhar uma longa estrada para levar as pessoas a ignorar esta verdade inegável sobre a nossa biologia e sobre a nossa humanidade compartilhada. Mas ela continua sendo verdade.

Não é preciso acreditar em Deus nem concordar com artigos particulares de fé para enxergar que o aborto é o extermínio de uma vida humana única, uma vida a ser dotada, com toda a justiça e desde o instante da sua concepção, de direitos contra essa mesma violência.

Muita gente de fé enxerga esta verdade com clareza. É hora de o resto do mundo admiti-la também.

mateus

Redes de oração às quais muitas pessoas se uniram para rezar mais de 23 mil Ave-Marias pela saúde do pequeno Mateus.

Mateus ainda não havia completado seus 3 anos de idade quando foi surpreendido pela vida. Seus pais, Malena Canales e Armando Vázquez, nunca imaginaram a batalha que enfrentariam logo depois que, no último dia 18 de janeiro, enquanto brincavam em um parque, o menino lhes disse: “Estou com dor de barriga, vou vomitar”.

Este mal-estar, ao parecer tão simples (sobretudo em um menino saudável), poucos dias depois se tornou um diagnóstico devastador: hepatoblastoma, um câncer que havia se apoderado praticamente de todo o seu fígado, com risco de propagar-se aos pulmões, razão pela qual a vida de Mateus estava por um fio.

A notícia afetou gravemente o casal; seu único filho tinha câncer, podia morrer, mas era preciso fazer alguma coisa. “Nós não éramos muito apegados à religião, mas, quando nos confirmaram o diagnóstico, decidimos nos colocar nas mãos de Deus e da Santíssima Virgem; pedimos que nos ajudassem a sair dessa, que nos acompanhassem no caminho e nos permitissem ter Mateus por muitos anos”, relatou Malena.

Unidos a Deus e a Maria, encontraram a força para enfrentar os seis meses que duraram a difícil batalha para vencer o câncer de Mateus, o que hoje é uma feliz realidade.

Com lágrimas nos olhos, Malena compartilha alguns dos momentos mais difíceis, dos inúmeros exames clínicos aos que o menino foi submetido até as 6 sessões de quimioterapia que recebeu para diminuir o tumor, cujos efeitos quase lhe custaram a vida.

Mas isso era só o começo, porque, ainda que o tamanho do tumor tenha diminuído, Mateus precisava de um transplante de fígado, motivo pelo qual, no começo de julho, foi submetido a uma cirurgia para receber um pedacinho de fígado saudável doado pelo seu próprio pai.

A operação, da qual participaram 27 médicos, durou 15 horas, com alto risco de morte para Mateus e seu pai. “Eu rezei muito. Meu esposo, graças a Deus, saiu bem, mas Mateus ficou na sala de operação. Quando saiu, levaram-no à UTI, conectado a mais de 12 tubos, pálido, frio, com uma hemorragia muito forte e a advertência de que poderia morrer naquela noite. Eu senti que já não podia mais. Naquele momento, eu disse ao Senhor: ‘Sustenta-me! E, se o meu filho sair dessa, será para a tua glória!'”.

Malena reconheceu que houve momentos de dúvida: “Às vezes, quando alguém me dizia ‘Que seja feita a vontade de Deus’, eu sentia isso como um insulto, porque nos custava muito compreender que a vontade de Deus é boa, que nunca faz nada para nos machucar e que, ainda que Ele nos leve até o fundo do poço, pouco a pouco vai nos tirando de lá. Então, dizíamos: ‘Perdoa-nos por fraquejar'”.

Mateus e seus pais nunca estiveram sozinhos: “O amor de Deus se manifestou no rosto da família e dos amigos, e até em pessoas que não conhecemos”, explicou Malena, ao referir-se às várias correntes de oração, de 72 horas contínuas, às quais muitas pessoas se uniram para rezar por 15 minutos, e às mais de 23 mil Ave-Marias oferecidas pela saúde de Mateus.

“Recebemos e-mails de pessoas do mundo inteiro, contando-nos como a história de Mateus mudou suas vidas, agradecendo o meu filho por tê-las ajudado a saber que Deus existe; pessoas que nos diz: ‘Eu não sabia rezar o terço e agora faço isso diariamente por Mateus'”, acrescentou.

“Porque Deus nos ama”

Esta é a resposta contundente que Malena e Armando têm para a pergunta: “Por que isso aconteceu conosco?”, que tantas vezes fizeram ao longo do processo. “Hoje, temos claro que Deus nos ama tanto, que permitiu que tudo isso acontecesse para salvar-nos como família, porque nosso casamento estava um pouco desgastado, e agora somos muito mais unidos, oramos juntos, temos um plano de vida, percebemos como era fraca a nossa prática da religião.”

“Mateus foi o instrumento de Deus em tudo isso; ele conseguiu unir toda a família (e muitas outras pessoas) em oração; nele, Deusmostrou seu amor infinito e misericordioso, e continuará fazendo isso, porque a história de Mateus não acaba com o câncer. As pessoas precisam saber que Deus nos ama e que, ainda nas tempestades, quando você acha que não vai suportar mais o medo, a dor, Deus sempre está presente para dizer: ‘Fique tranquila, deixe comigo'”, concluiu Malena.

Ainda que o câncer esteja sob controle, nestes dias Mateus voltou ao hospital para receber as últimas sessões de quimioterapia, com o fim de acabar com qualquer possibilidade de uma metástase.

Conheça mais sobre a história de Mateus e como você pode apoiar a família, por meio da página do Facebook “Ayudemos a Mateo“, e no Twitter: @por_mateo.

(Artigo publicado originalmente por SIAME)

family with children on hands, sunset sky

Um hábito 100% natural, com fundamento científico, sem riscos para a saúde, que tem altíssimos índices de eficácia e respeita o corpo da mulher.

 

O planejamento natural da família (PNF) compreende uma série de métodos para adiar a gravidez ou para consegui-la, baseando-se, por um lado, na observação da fertilidade da mulher e, por outro, na educação da atividade sexual do casal. É uma ajuda para viver a paternidade de maneira responsável, tanto para conceber quanto para espaçar ou limitar os nascimentos dos filhos.

Como funciona o PNF?

Há vários meios de fazer um planejamento familiar com métodos naturais: o sintotérmico, o Método de  Ovulação Billings, o método do ritmo, entre outros. O que os assemelha é que todos partem de fatos cientificamente constatáveis:

– Que o homem é fértil todos os dias da vida, enquanto a mulher só o é em alguns dias do mês.

– Que a fertilidade da mulher tem sinais que o casal pode aprender a reconhecer, para que, abstendo-se de relações sexuais em tais dias, possa evitar uma gravidez – ou, pelo contrário, conseguir planejar a geração de uma nova vida.

Como se aprende o PNF moderno?

Os cursos, livros e oficinas que informam e ensinam sobre o PNF são orientados ao casal, para que, juntos, marido e mulher aprendam a reconhecer os sinais fisiológicos da fertilidade feminina (aumento do fluxo e viscosidade da mucosa vaginal, aumento da temperatura basal da mulher, pequenas pontadas no abdômen etc.) e possam regular sua atividade sexual de acordo com tais sinais, que a própria natureza oferece sem a necessidade de fecharem-se à transmissão da vida..

Esta aprendizagem é muito simples e sua prática exige apenas observação e o relato do que se observa. É importante ressaltar que não se trata de intuições ingênuas, sinais subjetivos ou observações abstratas do próprio corpo, mas a constatação de sinais fisiológicos claros, incontestáveis e confiáveis e que independem da duração do ciclo menstrual de cada mulher, ou seja, os métodos naturais se aplicam com a mesma eficácia científica para todas as mulheres e quando realizados com rigor e segundo a autenticidade dos métodos tem eficácia maior do que a maioria dos métodos artificiais, com a vantagem de não colocar a saúde da mulher e alma dos filhos em risco.

É importante ressaltar que existem pessoas capacitadas e autorizadas pela Igreja para oferecer estes cursos, bem como aquelas designadas pelos diversos departamentos para a família, em muitas dioceses do mundo. No Brasil, um dos centros de capacitação mais conhecidos é o CENPLAFAM. Cada casal, seja de namorados, noivos ou casados, que deseja aprender esses métodos deve procurar em sua região instrutores que os ajudem no aprendizado, tomando sempre muito cuidado com a fidelidade e rigor que cada método exige para ter sua eficiência garantida.

Quais são as vantagens do PNF?

O PNF não oferece nenhum risco para a saúde das pessoas e é altamente eficaz, quando aplicado com verdadeira motivação e consistência, por parte do casal. Ele não requer o uso de medicamentos, aparelhos ou cirurgias.

Quanto à vida do casal, seus benefícios são incomparáveis. Os cônjuges se preservam de artifícios químico-mecânicos e permanecem fiéis às dimensões unitiva e procriativa do ato conjugal, sem ferir sua beleza intrínseca e seu ciclo natural, pois

um ato de amor recíproco, que prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus Criador de todas as coisas nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana. Usar deste dom divino, destruindo o seu significado e a sua finalidade, ainda que só parcialmente, é estar em contradição com a natureza do homem, bem como com a da mulher e da sua relação mais íntima; e, por conseguinte, é estar em contradição com o plano de Deus e com a sua vontade. 

(Humanae Vitae n.13).

Além disso, pelo uso de métodos naturais, os cônjuges exercitam um grau mais elevado de autodomínio e um respeito mútuo mais profundo, que gera mais intimidade, união e consequente felicidade ao casal. Finalmente, marido e mulher se tornam mais conscientes da sua extraordinária e generosa contribuição e responsabilidade como cocriadores com Deus. Por isso, o fato de o PNF envolver sacrifícios e períodos de abstinência sexual, ao contrário de ser considerado um fator negativo, na verdade configura-se um imenso bem aos cônjuges.

O que é a paternidade responsável?

A Igreja Católica nos ensina que o dom da fertilidade é uma bênção para o casal, mas também uma grave responsabilidade, porque implica em acolher com amor, criar com responsabilidade e educar os filhos.

Por isso, a Igreja, no documento Humanae Vitae  (n. 8), nos recorda que “o exercício responsável da paternidade implica que os cônjuges reconheçam plenamente os próprios deveres, para com Deus, para consigo próprios, para com a família e para com a sociedade, numa justa hierarquia de valores”.

Por que a Igreja Católica não aceita a anticoncepção?

Os anticoncepcionais separam o ato conjugal, de forma arbitrária e até negativa, em suas dimensões intrínsecas de união e abertura natural à vida, destruindo ou obstaculizando a fertilidade e, com ela, o poder criador de Deus. São João Paulo II escreveu às famílias dizendo: “Quando os cônjuges, mediante o recurso à contracepção, separam estes dois significados que Deus Criador inscreveu no ser do homem e da mulher e no dinamismo da sua comunhão sexual, comportam-se como «árbitros» do plano divino e «manipulam» e aviltam a sexualidade humana, e com ela a própria pessoa e a do cônjuge, alterando desse modo o valor da doação «total». Assim, à linguagem nativa que exprime a recíproca doação total dos cônjuges, a contracepção impõe uma linguagem objetivamente contraditória, a do não doar-se ao outro: deriva daqui, não somente a recusa positiva de abertura à vida, mas também uma falsificação da verdade interior do amor conjugal, chamado a doar-se na totalidade pessoal.” (Familiaris consortio, n.32)

Em contrapartida, os métodos naturais, não interferem deliberadamente na abertura à vida, mas ajustam a união conjugal ao ritmo da fertilidade, levando o casal a evitar as relações sexuais quando desejem espaçar os nascimentos dos filhos ou, planejando-se, quando decidem acolher responsavelmente o dom de uma nova vida.

Por “anticoncepcionais” se compreende o aborto e todo tipo de método que interrompa ou impeça a dimensão procriativa do ato conjugal. Isso inclui todo uso antinatural do ato conjugal e a utilização de qualquer anticoncepcional, seja de barreira (como preservativos), químico (pílulas anticoncepcionais, injeções, implantes etc.) ou mecânico (como os dispositivos intrauterinos). Os métodos químicos e mecânicos podem ser abortivos e isso torna seu uso mais grave ainda.

FALSO JURAMENTO

A medicina no Brasil já sente a decadência cultural, política e moral em suas fileiras, e já é escorraçada e desmoralizada pelo partido governante.

Uma das formas mais discutidas, porém nem sempre percebidas, de se alterar os valores de uma sociedade é, sem dúvida nenhuma, a manipulação histórica e cultural.

Exemplos literários não saem de nossa cabeça. Quem não se lembra da distopia de Orwell, 1984? O Ministério da Verdade era aquele que cuidava justamente da reescrita da história, num paralelo interessante com as atuais comissões de busca ideológica da verdade.

Uma das absurdidades de nossos dias de analfabetismo funcional é a proposta de vulgarizar Machado de Assis, na qual uma estudiosa irá assassinar Machado, na prática, com dinheiro público, já que conseguiu apoio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura.[1] Ao invés de elevar a capacidade compreensiva e expressiva de nossas crianças e jovens, o que se propõe é destruir o legado de Machado de Assis sob a desculpa de torná-lo acessível. Por fim, o que se alcança é a acessibilidade de um texto reinventado por outra pessoa.

Além de tornar idéias complexas e sutis em realidades distantes, quase alienígenas, idéias estas anteriormente comunicadas por meio do esforço árduo dos grandes escritores, essa vulgarização acabará por alterar o próprio significado do que Machado desejou transmitir. É, literalmente, a destruição da nossa agonizante cultura, daquele resto que nos alcançou depois de décadas de massacre e mediocrização intelectual.

Mas neste caso, há um precedente importantíssimo na medicina. Hipócrates, um antepassado muito mais distante, já sofreu nas mãos desses reinventores da cultura. A comparação entre o texto original e o que hoje em dia se oferece em códigos de ética pelos próprios conselhos de classe falará por si mesma:

Juramento de Hipócrates Original

Juro por Apolo médico, Asclépio, Hígia, Panacéia (3) e todos os deuses e deusas,fazendo-os testemunhas de que conforme minha capacidade e discernimento cumprirei este juramento e compromisso escrito:

Considerar aquele que me ensinou esta arte igual a meus pais, compartilhar com ele meus recursos e se necessário prover o que lhe faltar; considerar seus filhos meus irmãos, e aos do sexo masculino ensinarei esta arte, se desejarem aprendê-la, sem remuneração ou compromisso escrito; compartilhar os preceitos, ensinamentos e todas as demais instruções com os meus filhos, os filhos daquele que me ensinou, os discípulos que assumiram compromisso por escrito e prestaram juramento conforme a lei médica, e com ninguém mais;utilizarei a dieta para benefício dos que sofrem, conforme minha capacidade e discernimento, e além disso evitarei o mal e a injustiça;não darei a quem pedir nenhuma droga mortal e nem darei esse tipo de instrução; do mesmo modo, não darei a mulher alguma pessário para abortar; com pureza e santidade conservarei minha vida e minha arte;não operarei ninguém que tenha a doença da pedra, e cederei o lugar aos homens que fazem isso;em quantas casas eu entrar, entrarei para benefício dos que sofrem, evitando toda injustiça voluntária ou outra forma de corrupção, e também atos libidinosos no corpo de mulheres e homens, livres ou escravos;o que vir e ouvir durante o tratamento sobre a vida dos homens, sem relação com o tratamento e que não for necessário divulgar, calarei, considerando tais coisas segredo.

Se cumprir e não violar este juramento, que eu possa desfrutar minha vida e minha arte afamado junto a todos os homens, para sempre; mas se eu o transgredir e não cumprir, o contrário dessas coisas aconteça.[2]


Juramento de Hipócrates amputado

Prometo que ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência.

Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, os quais terei como preceito de honra.

Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes e favorecer o crime.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu, para sempre, a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os homens.

Se o infringir ou dele me afastar, suceda-me o contrario.[3]

O médico deixou de ser um herói ou santo, eterno buscador da excelência e da virtude, deixou de ser um professo, um vocacionado, e tornou-se um honrado burguês preocupado com sua reputação entre os homens. E, de forma bem escancarada, simplesmente não se menciona o valor da vida ao proibir a eutanásia, o suicídio assistido e o abortamento voluntário.

E o que veio depois ainda foi mais chocante: o Conselho Federal de Medicina tentou emplacar uma resolução para liberação do abortamento até a 12ª semana!

Numa brincadeira boba com as palavras, o documento justifica-se da seguinte forma:

É importante frisar que não se decidiu serem os Conselhos de Medicina favoráveis ao aborto, mas, sim, à autonomia da mulher e do médico. É como falar que cebola não faz com que ardam nossos olhos, ela tempera a comida simplesmente! O documento declara, com todas as palavras, que seria feito o abortamento por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação.[4]

Felizmente nem todos os conselhos concordaram.[5]

Isso tudo num país majoritariamente contra o aborto e que adota a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) como Norma Constitucional! No pacto está descrito que pessoa é todo ser humano, e que toda vida do ser humano deve ser protegida desde sua concepção.[6]

Mas voltemos ao Juramento.

É óbvio que o mesmo, assim como a obra de Machado de Assis, deve ser interpretado após o estudo adequado. Leitores incultos – e, às vezes, mal intencionados – enxergam no Juramento o machismo grego como se fosse machismo médico, ou o respeito aos mestres como corporativismo, obviamente uma deturpação inaceitável para alguém que domine o mínimo de metodologia necessária ao ler um documento antigo.

A solução não é destruir o Juramento criando uma versão falsificada e inodora, ou distorcer a interpretação e a correta contextualização do original. Da mesma forma a solução não é destruir Machado de Assis em sua originalidade e genialidade.

A solução também não é proibir a versão original como tentaram fazer com o Monteiro Lobato, enxergando em suas brincadeiras literárias infantis um racismo cruel com a personagem de Tia Anastácia.[7]

A solução, ou a tentativa de evitar a criação de um grande problema, é resgatar a cultura e adquirir os significados e a expressividade de nosso legado. É estudar de forma adequada, respeitosa e prudente. É imperativo saber que essas “pequenas” mudanças culturais podem degenerar em assombrosas mutações civilizacionais.[8]

Destrua a cultura da vida e o legado da medicina hipocrática e cristã, e a sociedade é quem pagará o preço. A medicina no Brasil já sente a decadência cultural, política e moral em suas fileiras, e já é escorraçada e desmoralizada pelo partido governante. Se o médico brasileiro não aprender direito o que é ser médico e qual o valor da alta cultura (a verdadeira e única digna do nome, diga-se de passagem), provavelmente será o pequeno burguês de boas aparências do Juramento de Hipócrates adulterado.[9] Destrua a verdadeira cultura e a memória da medicina, e nossos médicos alcançarão a irrelevância frente à sociedade, tornando-se meros burocratas da saúde.

Notas:


[1] AZEVEDO, Reinaldo. Em vez de uma escola brasileira à altura de Machado, um “Machado” à baixura da escola brasileira. Blog Reinaldo Azevedo. Veja, 2014. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/em-vez-de-uma-escola-brasileira-a-altura-de-machado-um-machado-a-baixura-da-escola-brasileira/>. Acesso em: 03 jun. 2014.

[2] RIBEIRO JR., W.A. Juramento de Hipócrates. Modelo 19, Araraquara, v. 4, n. 9, p. 69-72,1999. Disponível em: <http://warj.med.br/pub/pdf/juramento.pdf>. Acesso em: 03 jun. 2014.

[3]CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO DISTRITO FEDERAL. Código de Ética do Estudante de Medicina 3ª Edição. Brasília, DF, 2004.

[4] CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Circular CFM N° 46/2013. Brasília, DF, 2013. Disponível em: <http://waldircardoso.files.wordpress.com/2013/03/ofc3adcio-circular-cfm-46-2013.pdf>. Acesso em: 03 jun. 2014.

[5] PEREIRA, Sandra Helena. Posição do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) e do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o abortamento voluntário. Mirabilia (Medicinae), 2013,vol. 1, pp. 7-12.

[6] MINISTÉRIO DAS RELAÇÔES EXTERIORES. Convenção Americana Sobre Direitos Humanos. Em vigor no Brasil desde 1992, conforme o Decreto 678, de 06 nov. 1992. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D0678.htm>. Acesso em: 03 jun. 2014.

[7] MENDES, Priscilla. Mais uma obra de Monteiro Lobato é questionada por suposto racismo. Brasília: G1 Educação. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/09/mais-uma-obra-de-monteiro-lobato-e-questionada-por-suposto-racismo.html>. Acesso em: 03 jun. 2014.

[8] Indico as seguintes obras para começar a entender o perigo que uma alteração de idéias pode representar: WEAVER, Richard. Idéias têm Consequências. São Paulo: Vide Editorial, 2012; JONAS, Hans. O Princípio da Responsabilidade. Rio de Janeiro: Editora PUC Rio, 2011.

[9] Para compreender melhor o que é ser médico no contexto histórico e filosófico, e como a benevolência e a busca pela excelência atuam num contexto de amizade com o paciente para estabelecer a Relação Médico-Paciente de forma adequada, sugiro a leitura das obras de Diego Gracia e Edmund Pellegrino. GRACIA-Guillén, Diego.Fundamentos de Bioética. Madrid: Editorial Triacastela, 2011; PELLEGRINO, Edmund. The Philosophy of Medicine Reborn: A Pellegrino Reader. Notre Dame, Indiana: University of Notre Dame Press, 2011.


Hélio Angotti Neto
 é médico oftalmologista com graduação pela Universidade Federal do Espírito Santo e residência médica e doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Coordena o curso de medicina do Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC-ES) e é o diretor da seção especializada em humanidades médicas da revista Mirabilia. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC, do Center for Bioethics and Human Dignity, da Associação Brasileira de Educação Médica e do Seminário de Filosofia de Olavo de Carvalho. Coordena o SEFAM (Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina).

Papa-João-XXIII-crianças-2

Dom Antônio Augusto, do Rio de Janeiro, destaca que a bondade de João XXIII ajuda a reconhecer o caráter sagrado da vida.

João XXIII não escreveu documentos tratando especificamente da defesa da vida como João Paulo II, porém em muitas de suas alocuções e em alguns trechos de documentos posicionou-se quanto ao assunto.

O Papa Bom deu grande contribuição em defesa da vida a partir do momento em que abriu as portas para o diálogo com outras religiões, culturas, governos e ideologias através da convocação do Concílio Vaticano II. A análise é do bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto Dias Duarte.

 

Para o bispo, que também é membro da Comissão para Vida e Família da CNBB, o futuro santo tinha o desejo de mostrar que a Igreja é a luz dos povos.

Em uma alocução sobre o controle de natalidade, discurso que está no livro “Os ensinamentos de João XXIII”, recolhidos e ordenados por Michael Chinigo, o Santo Padre assegura que o Criador deu ao ser humano recursos inesgotáveis de  inteligência que o torna capaz de encontrar bens necessários à vida, sem ofender a ordem moral estabelecida por Deus nem atacar os mananciais da vida humana.

Para Dom Antônio Augusto, a maior proteção a favor da vida é dar ao relacionamento um caráter sagrado e isso o Papa Bom ensinou a cada fiel mostrando como é bom relacionar-se de forma cordial partindo da visão da fé.

“À medida em que uma pessoa procura cultivar a bondade, nós estamos dando aos relacionamentos um caráter sagrado, porque nós não tratamos bem apenas as pessoas que são simpáticas as que co

ncordam com as nossas ideias, mas a todos, pois em todos vemos o reflexo da bondade infinita de Deus. O Papa Bom nos mostrou como é bom se relacionar de uma forma cordial e bondosa com as pessoas”.

O futuro santo tinha empenho com as vidas que lhe foram confiadas. Certa vez, sobre a responsabilidade com o pastoreio das almas, afirmou:  “Confesso que não sofreria se as confiassem a outro; mas enquanto for minha, quero honrá-la custe o que custar.”  Dom Antônio atesta que o reconhecimento paternal de João XXIII é o que torna compreensível o fato de que a vida humana é um reflexo da bondade de Deus.

“A bondade que emanava da figura tão paternal, acolhedora e simpática de João XXIII é que dá à vida humana o reconhecimento de que ela é uma vida sagrada, uma vida que vem de Deus e que é um r

eflexo da bondade de Deus

Alguns documentos do Papa Bom podem ser resgatados pa

ra os dias de hoje e servir de base para entender a sacralidade da vida humana. Dom Antônio aponta a Encíclica Pacem in Terris, em que o Santo Padre afirma que a justiça tem um nome que é paz. E esta só pode existir onde há respeito pelos direitos fundamentais do ser humano.

 

antonio

 

“Esse respeito começa justamente pelo respeito à vida, primeiro e fundamental direito. Essa é uma encíclica que o Papa escreveu pensando que no mundo não pode haver conflitos porque os conflitos sempre matam, ou fisicamente ou espiritualmente ou intelectualmente. E é preciso ver as diversas formas em que a morte tira do homem o seu principal direito: o direito a uma vida digna, de trabalho, de paz, de relacionamentos harmoniosos, onde as pessoas olham para o outro não como um adversário, mas como um irmão”.

O bispo destaca ainda que o Concílio Vaticano II, convocado por João XXIII, deixou como grande contribuição em questões de defesa da vida a valorização da família. Ele cita o documentoGaudium et spes, sobre a Igreja no mundo atual, que traz um capítulo dedicado totalmente à família.

“A Gaudium et spes, ao enfatizar a família como um agente social inestimável através da educação na fé e nos valores, contribuiu grandemente para a difusão da verdade sobre o valor da vida humana e da sua inviolável dignidade”.

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Eu vinha numa rotina normal do meu cotidiano, apenas com umas seis noites com insônia, mas numa madrugada de agosto de 2011, eu tive uma experiência que mudaria para sempre a minha vida.
Tudo de repente, sem avisos, sem sintomas… Acordei no outro dia no hospital com o Harold meu esposo, chorando ao meu lado. Sem nada entender, e sem sequer saber o que estava fazendo ali naquele quarto de hospital, ele foi me explicando o que tinha acontecido.
Dei entrada naquele hospital, com sinais vitais zero, depois de oito, eu disse (oito) convulsões. Fui pra sala de reanimação, por que estava morta, sem responder sinal algum. E depois de ficar entubada por horas, passei por uma bateria de exames, onde foi detectado um meningioma. Um tumor na minha cabeça, localizado em minha testa. E também uma gravidez de dez semanas… Duas notícias assim, no ato. Uma preocupante e outra já planejada e esperada por nós.
Foi aí que já havia acontecido, o primeiro milagre… Eu estava viva depois de oito convulsões com um bebê em meu ventre com apenas dez semanas.
O médico responsável, que deu todos os resultados dos exames, aconselhou um aborto imediato, alegando que o meu bebê não iria resistir ao tratamento e à cirurgia que tinha que ser feita o mais rápido possível. Alegando que se resistisse viria com sequelas (sem cérebro, sem visão, sem um dos membros) devido à gravidade do meu tumor. Mas nós não concordamos, e assumimos a responsabilidade de não fazer esse aborto. Colocando tudo nas mãos de Deus, e acreditando no poder da nossa fé. Foi aí que estava por vir o segundo milagre. Depois de dez dias internada, tomando medicações fortíssimas, pra não ter mais crises e nem sentir dores, enfim o dia da cirurgia, onde retirei o tumor que com o passar dos dias teria crescido. Oito horas de cirurgia assistida por seis médicos, especialistas, registrado e filmado por uma revista de medicina, autorizado por mim. Tudo saiu da melhor maneira. Com as mãos de Deus usando aqueles médicos.

Após a cirurgia, recebi na UTI, a visita de uma ginecologista e um dos médicos que fizera parte da cirurgia, pra fazer um ultrassom. E aí veio a surpresa pra eles. Tinha uma vidinha dentro de mim, um coraçãozinho batendo tão acelerado, cheio de vida. O segundo milagre era Maria clara. Trinta e nove semanas depois, nasceu a prova viva de um milagre de Deus… Perfeitinha, com saúde e trazendo pra nós a recompensa de acreditar no Deus do impossível. Nasceu um milagre chamado: Maria clara. Dando glórias a Deus por ter me dado uma nova chance de vida, por colocar em meu caminho um companheiro, amigo, esposo, que lutou junto a mim por todo o tempo. Que ficou comigo todo período em que fiquei internada. Um verdadeiro Anjo em minha vida. E por me presentear com mais uma filha. Estou aqui pra dar meu testemunho. Sempre confiando em Jesus, e entregando nas mãos dele nosso presente de infinito valor. A nossa fé.
Que esse testemunho que você está lendo sirva de força para o possível problema que você esteja vivendo nesse momento. E acreditando que, quando colocamos os nossos problemas nãos mãos de Deus. A resposta sempre será positiva.

Como Jesus diz na sua palavra:
João 14:13
E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.

Fabiana Souto.

Fonte: Arquivo pessoal de Fabiana Souto

jerome lejeune

Nas décadas de 1960 e 1970, Lejeune observava com horror que a maioria dos seus colegas aceitava o aborto

Por Jason Jones e John Zmirak

Um defensor peculiarmente eloquente da santidade da pessoa humana em nossa época foi o pediatra e geneticista Dr. Jerome Lejeune (1926-1994). Não podemos fazer justiça plena à sua história neste espaço. Ela é contada mais adequadamente na comovente biografia “A vida é uma bênção”, escrita por sua filha Clara Lejeune-Gaymard. Clara relata descobertas médicas inovadoras de seu pai, impulsionadas pelo profundo respeito que ele tinha pela excepcionalidade e pela santidade de cada vida humana, ainda que muito jovem, doente ou vulnerável.

O feito mais importante de Lejeune foi revelar na base genética da síndrome de Down a presença de um cromossomo extra no DNA da criança. A descoberta ajudou a transformar a vida de pacientes e de famílias que, durante décadas, tinham vivido sob um estigma moral injustificado: acreditava-se que a Síndrome de Down fosse um efeito colateral de sífilis da mãe, doença esta, por sua vez, que o imaginário popular associava com a prostituição. Ao oferecer provas sólidas da raiz biológica da Síndrome de Down, Lejeune ajudou os pais dessas crianças a saírem das sombras. Lejeune descobriu também a base genética de outro defeito congênito devastador, a Síndrome Cri-du-Chat, e avançou na compreensão das causas da Síndrome do X Frágil. Ele também se antecipou em décadas ao resto da ciência médica ao insistir na importância do ácido fólico para reduzir o risco de muitos defeitos de nascença.

As descobertas de Lejeune lhe valeram a aclamação acadêmica desde cedo. Em 1962, ele foi homenageado pelo presidente John F. Kennedy com o primeiro Prêmio Kennedy. Lejeune foi nomeado como o primeiro professor de Genética Fundamental na Faculdade de Medicina de Paris, em 1964, e, em 1969, recebeu a honraria mais prestigiosa da sua área, concedida pela Sociedade Americana de Genética Humana: o Prêmio William Allen.

Diferentemente de muitos cientistas de sua época, Lejeune via o seu trabalho como profundamente enraizado na relação com os pacientes e com as suas famílias. Ele se referia aos pacientes com Síndrome de Down como “meus pequeninos” e trabalhava com as famílias para ajudá-las a encontrar oportunidades educacionais e de trabalho para os filhos. Para atender pacientes pobres na sua clínica privada, com baixos honorários, ele sacrificava tempo relevante de pesquisa, renunciando, assim, a incrementar a própria renda. Ao longo dos 30 anos seguintes, a pesquisa de Lejeune se concentrou nas causas de doenças genéticas e na busca de meios para tratá-las no útero e atenuar os seus efeitos em crianças e adultos, garantindo para cada paciente a melhor e mais completa vida possível. Lejeune viveu com seriedade religiosa a vocação médica e a ética em que ela se ampara desde Hipócrates: não fazer o mal, servir à causa da vida e colocar os interesses individuais do paciente em primeiro lugar (a propósito, no Juramento tradicional de Hipócrates, os novos médicos prometiam especificamente não participar de abortos; em 1964, o Dr. Louis Lasagna, da Escola de Medicina da Universidade de Tufts, compôs uma versão “aguada” do juramento, especificamente para permitir o aborto; sua adaptação é usada na maioria das escolas médicas laicas até hoje).

Lejeune observava com horror, nas décadas de 1960 e 1970, que os seus colegas, na maioria, rejeitavam elementos-chave dessa herança e abraçavam um hedonismo utilitarista que aceitava o aborto e via os “pequeninos” de Lejeune não como pacientes merecedores de tratamento, mas como problemas que deveriam ser evitados.

Numa amarga ironia, a pesquisa pioneira de Lejeune também levou ao desenvolvimento de testes de triagem pré-natal, usados hoje pelos médicos para detectar a Síndrome de Down em bebês ainda em gestação, a maioria dos quais, rotineiramente, é abortada. Lejeune denunciou esse abuso da ciência como “racismo cromossômico”. As primeiras leis que permitiram o aborto na França tinham como alvo precisamente os fetos “defeituosos”. Lejeune “queimou” a maioria das suas relações profissionais e acadêmicas ao se tornar um dos poucos cientistas proeminentes na França a fazer lobby contra essas leis. Em 1981, ele depôs perante um subcomitê jurídico do Senado dos EUA sobre a “questão” de quando a vida humana começa. Depois de apresentar evidências biológicas esmagadoras de que a resposta é a concepção, Lejeune revelou um pouco da ternura e da maravilha que a vida por nascer despertava nele:

“O Dr. Ian Donald, da Inglaterra, conseguiu produzir, há um ano, um filme com o ‘artista’ mais jovem do mundo, um bebê de 11 semanas de idade dançando dentro do útero. O bebê brinca, por assim dizer, de pular do trampolim! Ele dobra os joelhos, se empurra apoiado na parede, sobe e cai de novo. Como o corpo dele tem a mesma flutuabilidade do líquido amniótico, ele não sente a gravidade e dança de modo lento, gracioso e elegante, impossível em qualquer outro lugar na Terra. Só os astronautas, em condições livres de gravidade, conseguem aquela delicadeza de movimentos (aliás, para a primeira caminhada no espaço, os tecnólogos precisaram decidir onde fixar os tubos que transportam os fluidos; eles escolheram a fivela do cinto da roupa espacial, reinventando assim o cordão umbilical).

Quando eu tive a honra de testemunhar perante o Senado, tomei a liberdade de mencionar o conto de fadas universal do homem que era menor que um polegar. Aos dois meses de idade, o ser humano é menor que o nosso polegar, da cabeça à anca. Ele caberia numa casca de noz, mas já está tudo lá: mãos, pés, cabeça, órgãos, cérebro, todos no lugar. O coração já está batendo há um mês. Olhando bem de perto, você veria os vincos das palmas das mãos dele. Uma cartomante poderia ler a mão daquela minúscula pessoa! Com uma boa lupa, as impressões digitais já podem ser detectadas. Aquele bebê já poderia ter uma carteira de identidade!

Com a extrema sofisticação da nossa tecnologia, já invadimos a privacidade dele. Hidrofones especiais revelam a música mais primitiva: um martelar profundo, tranquilizante, de umas 60 ou 70 batidas por minuto, o coração da mãe; e outro rápido, estridente, de umas 150 a 170 batidas, o coração do feto. Misturados, eles imitam o contrabaixo e as maracas, ritmos básicos da música pop.

Hoje nós sabemos o que ele sente, ouvimos o que ele ouve, cheiramos o que ele cheira e já o vimos até dançando, cheio de graça e juventude. A ciência transformou o conto de fadas do Pequeno Polegar numa história real, que cada um de nós já viveu no ventre da mãe”.

Lejeune voltaria aos Estados Unidos para testemunhar no caso do “embriãocongelado” (Davis versus Davis) e afirmar que cada embrião deve ser tratado como um paciente, não como mercadoria. Ele previu, corretamente, o resultado de se tratar os seres humanos minúsculos como propriedade em vez de pessoas. Esse é o destino de centenas de milhares de embriões congelados que definham em limbos tecnológicos do mundo todo e que os cientistas estão ávidos para usar em pesquisas com células-tronco. Estes seres humanos infinitesimais vão ficar no congelador indefinidamente ou ser canibalizados em pedaços.

Como sua filha documenta, o ativismo de Lejeune o fez perder verba para pesquisa, deixar de avançar academicamente e ser isolado profissionalmente até o fim da vida. Ela escreveu sobre o destino do pai:

“Este é um homem que, por causa das suas convicções de médico que o impediam de seguir as tendências da sua época, foi banido pela sociedade, abandonado pelos amigos, humilhado, crucificado pela imprensa, proibido de trabalhar por falta de financiamento. Este homem se tornou, para certas pessoas, alguém a ser derrubado; para outros, alguém por quem não valia a pena pôr em risco a própria reputação; para outros ainda, um extremista incompetente”.

Clara Lejeune-Gaymard relata que ela mesma se viu evitada na universidade por causa do ativismo do pai, como se a culpa de “crimes” contra a opinião pública tivesse sido transmitida geneticamente para a filha.

O reconhecimento que Lejeune ainda recebia passou a vir de quem partilhava a sua preocupação com a santidade da vida. Em 1981, ele se encontrou com o papa João Paulo II, poucas horas antes do atentado contra a vida do pontífice, e entrou para a Pontifícia Academia de Ciências. Em 1994, João Paulo II quis nomear Lejeune como presidente da recém-criada Pontifícia Academia para a Vida. Lejeune não pôde assumir o posto. Ele já estava prestes a morrer de câncer. Depois de uma longa e agonizante doença, Lejeune morreu no domingo de Páscoa de 1994. Um de seus últimos pedidos, relata a filha, foi que o seu funeral recordasse os seus “pequeninos”, os pacientes com síndrome de Down a quem ele amou tão verdadeiramente até o fim.

A causa de canonização do Doutor Lejeune está em andamento. Ele já foi reconhecido como “servo de Deus”. Talvez devêssemos reconhecê-lo como um verdadeiro amigo do homem.

Fonte: Aleteia.org

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Madrid, Espanha, (CNA) -. O jornal espanhol “La Razón” publicou um artigo sobre a conversão ao movimento pró-vida de um ex-”campeão do aborto.” Stojan Adasevic, que realizou 48,000 abortos, às vezes chegando ao número de até 35 abortos por dia, é agora o mais importante líder pró-vida na Sérvia, após 26 anos como o médico mais renomado do aborto no país.

Segundo Adasevic “Os manuais de medicina do regime Comunista diziam que o aborto era apenas a remoção de uma mancha de tecido”, e “a chegada dos aparelhos de ultra-som que permitiam a visão da vida fetal chegaram apenas depois dos anos 80, mas mesmo depois eles se recusaram a mudar aquela opinião histórica. Contudo, eu comecei a ter pesadelos”.

Ao descrever sua conversão histórica,o artigo relata o sonho de Adasevic:

“Sonhei com um belo campo cheio de crianças e jovens que estavam brincando e rindo, de 4 a 24 anos de idade, mas que fugiam de mim com medo. Foi então quando um homem vestido com um hábito preto e branco começou a olhar pra mim, em silêncio. Este sonho foi se repetindo a cada noite, ao que eu acordava suando frio. Uma noite, eu perguntei ao homem de preto e branco quem ele era. “Meu nome é Tomás de Aquino”.

Adasevic, educado em escolas comunistas, nunca tinha ouvido falar do santo e gênio Dominicano. “Eu não reconheci o nome”.

“Por que você não me pergunta quem são essas crianças?”, questionou o santo a Adasevic em seu sonho.

“Eles são aqueles que você matou com seus abortamentos”, São Tomás afirmou a ele.

“Então Adasevic acordou impressionado e decidiu não realizar abortos nunca mais”.

“Naquele mesmo dia um primo veio até o hospital com sua namorada, grávida de 4 meses, que gostaria de realizar nela o seu nono aborto – um hábito bem frequente nos países do bloco soviético. O médico concordou. Ao invés de remover o feto pedaço por pedaço, ele decidiu desmontá-lo e removê-lo como uma massa única. Contudo, no momento em que o feto foi totalmente destruído e retirado, seu coração pequeno ainda batia. Adasevic percebeu isso, e se deu conta de que tinha acabado de matar um ser humano”.

Após essa experiência, Adasevic “disse ao hospital que ele deixaria de fazer abortos. Nunca antes um médico na Iugoslávia comunista havia se recusado a fazer abortos. Então eles cortaram seu salário pela metade, demitiram sua filha de seu emprego, e impediram seu filho de ingressar na universidade”.

Depois de anos de pressão e sofrimento, e quase a ponto de voltar ao antigo hábito de fazer abortos, ele teve um outro sonho com Santo Tomás.

“Você é um bom amigo, não desista”, lhe disse o homem de preto e branco. Adasevic buscou se envolver com o movimento pró-vida e por fim acabou conseguindo o feito de exibir na TV da Iugoslávia o filme “O Grito Silencioso” do Dr. Bernard Nathanson, duas vezes.

Adasevic já contou a sua história em diversos jornais e revistas do leste europeu. Ele voltou a fé ortodoxa, que viveu durante sua infância, voltou sua atenção aos escritos de São Tomás de Aquino.

“Influenciado por Aristóteles,e devido o pouco conhecimento científico da época, Tomás chegou a acreditar que a vida humana começava quarenta dias após a fertilização”, escreveu Adasevic em um artigo. O jornal La Razon comentou que Adasevic “sugere que talvez o santo lhe apareceu em sonho porque queria fazer as pazes para esse equívoco.” Hoje o médico sérvio continua a lutar pela vida dos nascituros.

Fonte: ocampones.com

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Dirijo a todos a minha saudação deferente e cordial por ocasião da Assembleia Geral da Academia Pontifícia para a Vida e do Congresso Internacional, acabado de iniciar, sobre O embrião humano na fase da pré-implantação. Saúdo de modo especial o Cardeal Javier Lozano Barragán. Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, assim como Mons. Elio Sgreccia, ao qual agradeço as gentis palavras com as quais realçou o interesse particular das temáticas que são tratadas nesta circunstância, e saúdo o Cardeal eleito, amigo desde há muito tempo, Carlo Caffarra.

De facto, o tema de estudo escolhido para a vossa Assembleia, O embrião humano na fase da pré-implantação, isto é, nos primeiríssimos dias que seguem a concepção, é uma questão extremamente importante hoje, quer pelas evidentes repercussões sobre a reflexão filosófico-antropológica e ética, quer pelas perspectivas de aplicação no âmbito das ciências biomédicas e jurídicas. Trata-se, sem dúvida, de um assunto fascinante, mas difícil eempenhativo, considerada a delicada natureza do sujeito em exame e a complexidade dos problemas epistemológicos que dizem respeito à relação entre o apuramento dos factos a nível das ciências experimentais e a subsequente e necessária reflexão sobre os valores a nível antropológico.

Testemunhos da Sagrada Escritura

Como se pode compreender, nem a Sagrada Escritura nem a Tradição cristã mais antiga podem conter desenvolvimentos explícitos do vosso tema. Não obstante, São Lucas, ao narrar o encontro da Mãe de Jesus, que o tinha concebido no seu seio virginal somente poucos dias antes, com a mãe de João Batista, já no sexto mês de gravidez, testemunha a presença ativa, embora escondida, dos dois meninos: «Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio» (Lc 1, 41). Santo Ambrósio comenta: Isabel «sentiu a chegada de Maria, ele (João) a chegada do Senhor; a mulher a chegada da mulher, o menino a chegada do menino» (Comm. inLuc. 2, 19.22-26). Contudo, mesmo na falta de ensinamentos explícitos sobre os primeiríssimos dias de vida do nascituro, é possível encontrar na Sagrada Escritura indicações preciosas que motivam sentimentos de admiração e de respeito em relação ao homem acabado de ser concebido, especialmente em quem, como vós, se propõe estudar o mistério da geração humana.

De fato, os livros sagrados pretendem mostrar o amor de Deus por cada ser humano ainda antes de tomar forma no seio da mãe. «Antes que fosses formado no ventre de tua mãe, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio materno, Eu te consagrei» (Jer 1, 5), diz Deus ao profeta Jeremias. E o Salmista reconhece com gratidão: «Fostes Vós que plasmastes as minhas entranhas e me tecestes no seio de minha mãe. Dou-Vos graças por tantas maravilhas; as Vossas obras são admiráveis, conheceis a fundo a minha alma» (Sl 139, 13-14)Estas são palavras que adquirem toda a sua riqueza de significado quando se pensa que Deus intervém diretamente na criação da alma de cada novo ser humano.

A vida humana é sempre sagrada e inviolável

O amor de Deus não faz diferença entre o neoconcebido ainda no seio da sua mãe, e a criança, o jovem, o homem maduro e o idoso. Não faz diferença porque em cada um deles vê a marca da própria imagem e semelhança (Gen 1, 26). Não faz diferença porque em todos reconhece reflectido o rosto do seu Filho Unigênito, no qual «nos escolheu antes da constituição do mundo, … predestinando-nos a sermos Seus filhos adotivos … por Sua livre vontade» (Ef 1, 4-5). Este amor ilimitado e quase incompreensível de Deus pelo homem revela até que ponto a pessoa humana é digna de ser amada por si mesma, independentemente de qualquer outra consideração – inteligência, beleza, saúde, juventude, integridade, etc.. Numa palavra, a vida humana é sempre um bem, porque «ela é, no mundo, manifestação de Deus, sinal da sua presença, vestígio da sua glória» (cf. Evangelium vitae, 34). De facto, ao homem é concedida uma altíssima dignidade, que tem as suas raízes no vínculo profundo que o une ao seu Criador: no homem, em cada homem, em qualquer estádio ou condição da sua vida, resplandece um reflexo da própria realidade de Deus. Por isso, o Magistério da Igreja proclamou constantemente o carácter sagrado e inviolável de cada vida humana, desde a sua concepção até ao seu fim natural (cf. Evangelium vitae, 57). Este juízo moral já vale no início da vida de um embrião, ainda antes de que se tenha implantado no seio materno, que o protegerá e alimentará durante nove meses até ao momento do nascimento: «A vida humana é sagrada e inviolável em qualquer momento da sua existência, também no momento inicial que precede o nascimento» (ibid., 61).

O mistério da transcendência humana

Bem sei, queridos estudiosos, com que sentimentos de admiração e de profundo respeito pelo homem dais continuidade ao vosso trabalho empenhado e frutuoso de investigação precisamente sobre a origem da vida humana: um mistério cujo significado a ciência será capaz de iluminar cada vez mais, mesmo se dificilmente conseguirá decifrá-lo totalmente. De facto, logo que a razão consegue ultrapassar um limite considerado insuperável, outros limites até então desconhecidos a desafiam. O homem permanecerá sempre um enigma profundo e impenetrável. Já no século IV, São Cirilo de Jerusalém apresentava aos catecúmenos que se preparavam para receber o batismo a seguinte reflexão: «Quem é que predispôs a cavidade do útero para a procriação dos filhos? Quem animou nele o feto inanimado? Quem nos proveu de nervos e ossos, rodeando-os depois de pele e carne (cf. Job 10, 11), e, logo que a criança nasce, faz sair do peito abundância de leite? De que maneira, a criança, crescendo, se torna adolescente, de adolescente se transforma em jovem, a seguir em homem e por fim em idoso, sem que ninguém consiga aperceber-se do dia exato em que se verifica a mudança?» E concluía: «Estás a ver, ó homem, o artífice; estás a ver o sábio Criador?» (Catequese baptismal, 9, 15-16).

No início do terceiro milénio, permanecem ainda válidas estas considerações que se dirigem, não tanto ao fenómeno físico ou fisiológico, quanto ao seu significado antropológico e metafísico. Melhorámos em grande medida os nossos conhecimentos e identificámos melhor os limites da nossa ignorância; mas, para a inteligência humana, parece ter-se tornado demasiado difícil aperceber-se de que, olhando para a criação, nos deparamos com a marca do Criador. Na realidade, quem ama a verdade, como vós, queridos estudiosos, deveria compreender que a investigação sobre temas tão profundos nos coloca na condição de ver e também quase de tocar a mão de Deus. Além dos limites do método experimental, no confim do reino que alguns chamam meta-análise, lá onde só a percepção sensorial ou a verificação científica sozinhas não são suficientes ou não são possíveis, começa a aventura da transcendência, o empenho de «ir mais além».

Queridos investigadores e estudiosos, faço votos por que consigais cada vez mais, não só examinar a realidade, objecto das vossas fadigas, mas também contemplá-la de tal forma que, juntamente com as vossas descobertas, surjam também as perguntas que farão descobrir na beleza das criaturas o reflexo do Criador. Neste contexto, é-me grato expressar um apreço e um agradecimento à Academia Pontifícia para a Vida pelo seu precioso trabalho de «estudo, formação, e informação» do qual beneficiam os Dicastérios da Santa Sé, as Igrejas locais e os estudiosos atentos a tudo o que a Igreja propõe no âmbito da investigação científica e acerca da vida humana na sua relação com a ética e o direito. Devido à urgência e à importância destes problemas, considero providencial a instituição deste Organismo por parte do meu venerado predecessor, João Paulo II. Por conseguinte, desejo expressar com sincera cordialidade a todos vós, Presidência, pessoal e membros da Academia Pontifícia para a Vida, a minha proximidade e o meu apoio. Com estes sentimentos, confiando o vosso trabalho à proteção de Maria, concedo a todos vós a Bênção Apostólica.

 
Discurso de Sua Santidade o Papa Bento XVI à Assembléia Geral da Pontifícia Academia para a Vida e do Congresso Internacional “O embrião humano na fase pré-implantação” 
Clementine Hall
Segunda-feira, 27 de fevereiro, 2006

Apresentação4

Dia 18 de outubro, dia do médico. O Blog Vida sem Dúvida deseja homenagear estes preciosos profissionais fazendo menção a um médico famoso e dedicado defensor da vida humana. Doutor Jerôme Lejeune foi médico francês, geneticista e pesquisador identificou a origem genética da chamada Síndrome  de Down. Famoso defensor da vida humana, Dr. Lejeune deixou de ganhar o prêmio Nobel da Medicina por afrontar a ONU declarando-se contra o aborto.

Algumas frases do Dr. Jerôme Lejeune que manifestam a nobreza de sua posição em favor da vida:

1. “Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, ele não poderia tornar-se um, pois nada é acrescentado a ele.”

2. “Penso pessoalmente que diante de um feto que corre um risco, não há outra solução senão deixá-lo correr esse risco. Porque, se se mata, transforma-se o risco de 50% em 100% e não se poderá salvar em caso nenhum. Um feto é um paciente, e a medicina é feita para curar… Toda a discussão técnica, moral ou jurídica é supérflua: é preciso simplesmente escolher entre a medicina que cura e a medicina que mata”.

3. “A sociedade não tem que lutar contra a doença, suprimindo o doente.”

4. “Um único critério mede a qualidade de uma civilização: o respeito que ela prodiga aos mais fracos de seus membros. Uma sociedade que esquece isso está ameaçada de destruição. A civilização consiste, muito exatamente, em fornecer aos homens o que a natureza não lhes deu. Quando uma sociedade não admite os deserdados, ela vira as costas à civilização” .

5.  “Logo que os 23 cromossomos paternos trazidos pelo espermatozóide e os 23 cromossomos maternos trazidos pelo óvulo se unem, toda a informação necessária e suficiente para a constituição genética do novo ser humano se encontra reunida”.

 6. “O fato de que a criança se desenvolve em seguida durante 9 meses no seio de sua mãe, em nada modifica a sua condição humana.”

 7. “Assim que é concebido, um homem é um homem”.

 8. “Não quero repetir o óbvio, mas na verdade, a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos femininos, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco da vida”

9.  “…Se logo no início, justamente depois da concepção, dias antes da implantação, retirássemos uma só célula do pequeno ser individual, ainda com aspecto de amora, poderíamos cultivá-la e examinar os seus cromossomos. E se um estudante, olhando-a ao microscópio não pudesse reconhecer o número, a forma e o padrão das bandas desses cromossomos, e não pudesse dizer, sem vacilações, se procede de um chimpanzé ou de um ser humano, seria reprovado. Aceitar o fato de que, depois da fertilização, um novo ser humano começou a existir não é uma questão de gosto ou de opinião”.

10. “A natureza humana do ser humano, desde a sua concepção até à sua velhice não é uma disputa metafísica. É uma simples evidência experimental.”

11. “No princípio do ser há uma mensagem, essa mensagem contém a vida e essa mensagem é uma vida humana”.

12. “A sociedade não tem que lutar contra a doença, suprimindo o doente.”

13. “A natureza condena e não cabe à medicina executar a sentença mas sim transformar a pena.”

14. “Não vejo qualquer circunstância que justifique matar um inocente, e se não me engano, no Brasil não existe a pena de morte para os culpados. Se não há pena de morte para os culpados, não vejo razão para se instituir uma pena de morte para os inocentes”.

15. “O estupro é um crime, mas não cometido pela criança. Quem deveria ser castigado é aquele que cometeu o estupro. O Estado, se  fosse verdadeiramente civilizado, deveria dizer: “O homem que gerou esta criança não é digno de ser reconhecido como pai. Por conseguinte a criança que foi concebida é órfã no sentido legal”. Assim essa criança deveria ser adotada pelo Estado, para que a mulher estuprada pudesse ver seu filho sob a tutela do Estado, pois é obrigação do Estado proteger as crianças”.

16. “Aqueles que pretendem legalizar o aborto procuram fazer com que a sociedade considere as crianças como “pesos”, como alguém que está “demais”, para que, então, os parlamentares admitam votar uma lei permitindo matar as crianças, o que é totalmente absurdo”.

Jérôme Lejeune(1926-1994) foi médico geneticista e pediatra francês. Descobridor da causa genética da Síndrome de Down em 1958, dedicou-se integralmente ao tratamento das doenças genéticas que atingem as crianças e à defesa incansável a vida humana em todos os seus estágios. Durante o período em que foi chefe da unidade de Citogenética do Hospital Necker – Enfants Malades, em Paris, sua equipe estudou mais de 30.000 casos de doenças genéticas e tratou de mais de 9.000 pacientes com doenças que afetam a inteligência. Recebeu diversos prêmios acadêmicos e doutorados honoris causa. Diversos professores universitários, políticos e meios de comunicação acusaram a sua morte de câncer, em 1994, e o Papa João Paulo II enviou uma longa carta à sua família. Sob o seu exemplo, foi fundada o Fundação Jérôme Lejeune que se dedica à pesquisa e ao tratamento de doenças genéticas que afetam a inteligência das crianças, bem como o portal Gene-éthique, voltado para temas de bioética.