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A primeira coisa que se deve investigar em um candidato, antes mesmo de sua atuação passada ou de suas promessas, é o partido político a que pertence. Dos 32 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, muitos são amorfos. Seus estatutos dizem pouco ou quase nada. Tais partidos não trazem ameaças aos cristãos que a ele se filiam. Há uns pouquíssimos partidos que se propõem explicitamente à defesa da vida humana e da família. E há, por fim, doze partidos que constituem um verdadeiro exército organizado contra os valores cristãos. São eles:

Partido dos Trabalhadores (PT) 13
Partido Comunista Brasileiro (PCB) 21
Partido Popular Socialista (PPS), sucessor do PCB 23
Partido Comunista do Brasil (PCdoB) 65
Partido da Causa Operária (PCO) 29
Partido Democrático Trabalhista (PDT) 12
Partido da Mobilização Nacional (PMN) 33
Partido Pátria Livre (PPL) 54
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) 50
10º Partido Socialista Brasileiro (PSB) 40
11º Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) 16
12º Partido Verde (PV)[1] 43

Com exceção do PV, todos os partidos acima se declaram socialistas. Ora, como explica São João Paulo II, “o erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social. […] O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral[2] . O Concílio Vaticano II já havia ensinado que “o homem é a única criatura na terra que Deus quis por si mesma[3] .

O cristianismo vê na criança por nascer alguém que deve ser respeitado como pessoa e amado independentemente de sua “qualidade”, beleza ou utilidade. Há uma afinidade estreita entre o socialismo e a causa abortista.

Vejamos agora, brevemente, cada um dos doze partidos fatais:

1º) Partido dos Trabalhadores (PT) – n.º 13

No 3º Congresso do PT, ocorrido entre agosto e setembro de 2007, foi aprovada a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público[4] . Todo candidato filiado ao PT é obrigado a acatar essa resolução. O Estatuto do PT põe como requisito para ser candidato pelo Partido “assinar e registrar em Cartório o ‘Compromisso Partidário do Candidato ou Candidata Petista’” (art. 140, c)[5] . Tal assinatura, diz o Estatuto, “indicará que o candidato ou candidata está previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato” (art. 140, §1º). Se o político contrariar uma resolução como essa, que apoia o aborto, “será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato” (art. 140, §2º). Em 17 de setembro de 2009, dois deputados petistas (Luiz Bassuma e Henrique Afonso) foram punidos pelo Diretório Nacional. O motivo alegado é que eles “infringiram a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto[6] . Não deve causar espanto que o PT defenda o aborto, já que o artigo 1º de seu Estatuto põe como objetivo do Partido “construir o socialismo democrático”.

2º) Partido Comunista Brasileiro (PCB) – nº. 21

Os militantes do Partido Comunista Brasileiro são obrigados a aceitar “seu Estatuto e Programa[7] . São seus deveres “cumprir as deliberações partidárias, aplicar a linha política do Partido e difundir os ideais comunistas” (art. 11, a, Estatuto do PCB). O Programa Político do PCB defende como um dos “pontos iniciais de uma alternativa socialista para o Brasil” a “garantia do direito ao aborto[8] .

3º) Partido Popular Socialista (PPS) – nº. 23

É o sucessor do Partido Comunista Brasileiro. O PPS se declara “humanista, socialista e ambientalista” e pretende resgatar “a melhor tradição do pensamento marxista e do humanismo libertário[9] . A Coordenação de Mulheres do PPS, um órgão previsto no artigo 26 do Estatuto do Partido, repetidas vezes manifestou sua adesão à causa abortista. Uma delas foi a Nota pública sobre o aborto[10] , de 18/04/2007, em que se relata três vezes em que o PPS se havia manifestado publicamente em favor da legalização/descriminalização do aborto, por considerá-la uma “questão de saúde pública” e de “direito e autonomia das mulheres”. A Plataforma Política das Mulheres do PPS[11]  previa em 2009 a “legalização do aborto”, a “garantia de todas as formas de contracepção e interrupção da gravidez” e a “consolidação pelo SUS do serviço de aborto nos casos previstos em lei [?]”.

4º) Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – nº. 65

Nas Resoluções da 2ª Conferência Nacional do PCdoB Sobre a Emancipação da Mulher[12]  realizada entre os dias 18 e 20 de maio de 2012 em Brasília, encontra-se o desafio de “desenvolver ações mais ofensivas à garantia do direito ao abortocomo questão de saúde pública” (p. 44, n. 76, k). Essas Resoluções foram ratificadas pelo Comitê Central, conforme prevê o Estatuto do PCdoB[13]  (art. 24, §2º). Portanto, são “válidas e obrigatórias para todo o Partido”.

5º) Partido da Causa Operária (PCO) – n.º 29

O Programa do Partido da Causa Operária (PCO)[14]  defende a “liberdade para a mulher decidir sobre seu corpo com a legalização do aborto e sua realização, em condições dignas, pela rede pública de saúde” (X.11).

Segundo o Estatuto do PCO[15] , os filiados têm o dever de “defender em todos os lugares e ocasiões o programa do partido” (art. 7, I). Se o “eleito pelo Partido para cargo executivo ou legislativo” agir contra “as deliberações, o Estatuto ou o Programado PCO”, será punido com “expulsão” e “cancelamento da filiação” (art. 30, §3º, b). Essa é a sanção que espera o político do PCO que lutar contra o aborto.

6º) Partido Democrático Trabalhista (PDT) – nº. 12

O Partido Democrático Trabalhista tem como objetivo é a “construção de uma sociedade democrática e socialista[16] . Ele “adota como símbolo a rosa vermelha” (art. 1º, § 2º), símbolo da Internacional Socialista.

O Movimento de Mulheres do PDT no item “Nossas Conquistas” diz: “… temos que continuar lutando para que se efetive a descriminalização do aborto, pois só as mulheres pobres serão banidas por sua prática, já que as com melhores condições podem fazê-lo sem necessidade do aparato estatal. A saúde integral é uma luta de todos nós e o aborto não é uma questão de polícia e sim de saúde pública[17] .

7º) Partido da Mobilização Nacional (PMN) – n.º 33

O Partido da Mobilização Nacional (PMN) […] “orientar-se-á por seu Manifesto, seu Programa e seus Estatutos e demais diretrizes de ação política, social e econômica, de conteúdo nacional, democrático e socialista[18] .

8º) Partido Pátria Livre (PPL) – n.º 54

O Partido Pátria Livre (PPL) “se orienta pelos princípios e pela teoria do socialismo científico[19] , como é chamado o socialismo de Marx e Engels.

9º) Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – n.º 50

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) tem por objetivo a “construção de umasociedade socialista[20] . Coerentemente com sua doutrina socialista, ele defende o direito ao aborto. Segundo resolução aprovada no 4º Congresso Nacional do Partido em 29/01/2014 denominada Conjuntura Nacional, “é tarefa do PSOL […] barrar o estatuto do nascituro [criança por nascer] e sua ‘bolsa estupro’, defendendo aautonomia das mulheres sobre seus corpos e os direitos sexuais e reprodutivos[21] . Qual o valor dessa resolução? Diz o Estatuto do PSOL: “As resoluções do Congresso representam a posição oficial do Partido e são válidas para todos os órgãos e filiados” (art. 36).

10º) Partido Socialista Brasileiro (PSB) – nº. 40

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem por finalidade a “implantação da democracia e do socialismo no País[22] , com a “gradual e progressiva socialização dos meios de produção[23]  e a “abolição de todos os privilégios de classe” (Manifesto, VIII). Entre as reivindicações imediatas do Partido está a estatização da educação: “Plano nacional de educação que atenda à conveniência de transferir-se gradativamente o exercício desta ao Estado e de suprimir-se, progressivamente, o ensino particular de fins lucrativos[24]  . Note-se que o PSB é muito mais explícito que o PT em expor seus propósitos socialistas. Nem mesmo oculta seu desejo urgente de extinguir as instituições educativas não estatais (incluindo as religiosas), obrigando as crianças a se submeterem à ideologia do Estado.

11º) Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) – nº. 16

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) “não prioriza as eleições, mas a ação direta como meio de transformar a realidade em que vivemos”. Através da luta e da revolução, defende a instalação de uma “ditadura do proletariado” sobre a burguesia[25] .

Seu candidato à Presidente da República, José Maria, promete “atender demandas democráticas históricas das mulheres como a legalização do aborto, e da juventude, como a legalização da maconha e descriminalização das drogas[26] .

12º) Partido Verde (PV) – n.º 43

O candidato filiado ao Partido Verde está comprometido a “respeitar e cumprir seu Programa e Estatuto[27] . É seu dever “obedecer ao Programa, ao Estatuto e às resoluções do Partido” (art. 11, I, Estatuto do PV).

Ora, este Programa, ao qual ele está obrigado a obedecer, defende:

a.       o aborto: “legalização da interrupção voluntária da gravidez[28] .

 Anápolis, 4 de setembro de 2014.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do  Pró-Vida de Anápolis.


[1]  O PV não se declara socialista, mas em seu Programa defende o homossexualismo e a legalização do aborto (cf. http://pv.org.br/wp-content/uploads/2011/02/programa_web.pdf

  [2]  JOÃO PAULO II, Encíclica Centesimus annus, 1991, n. 13.

[3]  Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”, n. 24.

[4]  Resoluções do 3º Congresso do PT, p. 82. in: http://old.pt.org.br/arquivos/Resolucoesdo3oCongressoPT.pdf

 [5]  Partido dos Trabalhadores. Estatuto, art. 140, c in: http://old.pt.org.br/arquivos/ESTATUTO_PT_2012_-_VERSAO_FINAL_registrada.pdf
  [6]  DN suspende direitos partidários de Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Notícias. 17 set. 2009, in:http://www.pt.org.br/portalpt/documentos/dn-suspende-direitos-partidarios-de-luiz-bassuma-e-henrique-afonso-254.html
  [7]  Partido Comunista Brasileiro. Estatuto, art. 6º in: http://pcb.org.br/portal/docs/estatuto230308.pdf
  [8]  Partido Comunista Brasileiro. Programa. ponto 21.18, in: https://docs.google.com/file/d/0B9OkSrCIvhFlWVh0eDM4dmlUQTk0M2tvLTFKVW9hZTlPbnFB/edit
  [16]  Partido Democrático Trabalhista. Estatuto, art. 1º, in: http://www.pdt.org.br/index.php/pdt/estatuto/do-partido/dos-objetivos
  [18]  Partido da Mobilização Nacional. Estatuto, art. 2º, in: http://pmn.org.br/estatuto.aspx
  [19]  Partido Pátria Livre. Estatuto, art. 3º, in: http://www.partidopatrialivre.org.br/Documentos/Estatuto.htm
  [20]  Partido Socialismo e Liberdade, Estatuto, art. 5º, in: http://www.psol50.org.br/site/paginas/39/estatuto
  [22]  Partido Socialista Brasileiro. Estatuto, art. 2º, in: http://www.psb40.org.br/downloads/estatuto.pdf
  [23]  Partido Socialista Brasileiro. Manifesto, VII, in: http://www.psb40.org.br/fixa.asp?det=1
  [24]  Partido Socialista Brasileiro. Manifesto, Reivindicações Imediatas, 9ª

 [25]  Cf. http://www.pstu.org.br/partido

  [26]  A disputa das eleições numa perspectiva revolucionária in: http://www.pstu.org.br/pstu16/20832
  [27]  Partido Verde. Estatuto, art. 5º, in: http://pv.org.br/wp-content/uploads/estatuto_pv.pdf

Quando nos casamos, sem dúvida queremos ser felizes e o matrimônio é, por excelência, um caminho de comprovada felicidade e realização para quem é chamado a vivê-lo. Fazer quem nós amamos feliz é um projeto de vida nobre e excelente.

Quando homem e mulher prometem mutuamente uma aliança de amor por toda vida, este compromisso é sacramentado diante de Deus e dos homens e os dois tornam-se UMA SÓ CARNE!

 

Mas, quando é que se consuma o SER UMA SÓ CARNE do casal? No ato conjugal! Ali os esposos se unem, afirmam, renovam, fortalecem e edificam o amor prometido no altar. No entanto, o amor de um casal, na sua expressão mais bela e elevada, realizada por meio do ato conjugal, não está apontado apenas um ou para outro, mas para os frutos desse amor e dessa união. O SER UMA SÓ CARNE DE UM CASAL se concretiza e se expressa na geração e educação dos filhos. Eles são o maior dom na vida de um casal.

A encíclica Humanae Vitae diz no parágrafo 9:
“O matrimônio e o amor conjugal estão por si mesmos ordenados para a procriação e educação dos filhos. Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos pais”.

Neste vídeo explico por que os filhos são este dom tão maravilhoso e excelente. Falo também do sentido que os filhos dão ao matrimônio, à vida conjugal e motivo aos casais que não tenham medo de se abrir aos filhos, pois foi pra isso que se uniram em santo matrimônio!

 

Por Renato Varges
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À luz dos vídeos recentes expondo o tráfico de órgãos e tecidos de bebês abortados da Planned Parenthood, o Lepanto Institute entrevistou o ex-satanista Zachary King. Zachary era um menino comum de um bairro americano que cresceu em uma família batista. Ele começou a praticar magia aos 10 anos de idade, se juntou a uma seita satânica aos 13 anos e tinha quebrado todos os 10 Mandamentos quando tinha 15 anos. Desde sua adolescência até a idade adulta, ele se esforçou para chegar até a categoria de Sumo Sacerdote na seita e era um ativo divulgador do satanismo, incluindo abortos ritualísticos. Zachary está atualmente escrevendo sobre suas experiências em um livro intitulado “O aborto é um sacrifício satânico”.

LI – Zac, você tem muita história para contar. Poderia nos relatar um pouco sobre o modo como você entrou no satanismo?

King – Tudo começou com uma forte curiosidade de saber se a magia era real. Começou depois de assistir alguns filmes sobre feiticeiros e bruxos, por volta da década de 1970, quando eu cresci. Certo dia tivemos um jogo na escola chamado “Bloody Mary”, ou “I Hate You, Bloody Mary”, onde você ia a um banheiro e cantava essa frase um certo número de vezes com as luzes apagadas. Uma vez que o meu grupo fez isso, nós vimos uma face demoníaca no espelho. Não tínhamos ideia do que estávamos olhando, só que, de repente, todo mundo saiu correndo, morrendo de medo … exceto eu. Eu sempre achei isso muito interessante. Na mesma época, eu jogava no vídeo game o “Dungeons and Dragons” todo fim de semana, e eu era sempre o mago ou feiticeiro. Eventualmente, eu me perguntava se eu poderia fazer magia de verdade e tentei dois feitiços para ganhar dinheiro. Deu certo, mas poderia ter sido apenas uma coincidência, então eu fiz isso uma terceira vez, e na terceira vez que eu fiz isso, eu estava lá no banheiro, sozinho, em frente ao demônio e queria ver o que aconteceria. Eu ganhei $ 1.000 dólares no dia seguinte. A partir daí, eu estava convencido de que a magia era real.

Quando eu tinha uns 12 anos, um amigo me apresentou a um grupo que jogava “Dungeons and Dragons” e que também acreditavam que a magia era real. Descobri que esse grupo era uma seita satânica. (…) Eu amava as máquinas de pinball, vídeo games e ficção científica, como Star Trek e Star Wars, e esses caras tinham quase todos os filmes de ficção científica e fantasia que eu sempre queria ver. Eles tinham máquinas de pinball, uma piscina, uma grande churrasqueira, e era como um clube de meninos e meninas. Deixei-me entrosar desta forma, eles sabiam como recrutar. Eles sabiam tudo o que uma criança gostaria de fazer, então eu me envolvi com isso desta maneira.

(…) Eu estive lá até os 18 anos quando entrei para a Igreja Mundial de Satanás. A posição que eu alcancei é chamado de “Sumo Sacertode” (High Wizard). Em uma grande seita satânica eles são as pessoas que realizam a magia. Havia poucos, como uns 10. O número geral [de High Wizards em uma seita] está entre 2 e 5, e nosso trabalho era viajar pelo mundo fazendo o que as pessoas querem que você faça. Agora, quando eu digo pessoas, eu me refiro a estrelas do rock, estrelas de cinema, figuras políticas, pessoas muito ricas … São incontáveis as pessoas que pedem uma bruxaria e não há limites para o que eles estão dispostos a pagar por isso.

LI – Então, você era um “Sumo Sacerdote” dentro do satanismo… apenas muito brevemente, como você fez para se tornar um?

King – Há rumores de que os “Sumos Sacerdotes” são escolhidos a dedo por satanás. Eu não sei qual é o critério. Eu fazia magia desde os 10 anos de idade e tornei-me um “Sumo Sacerdote” quando eu tinha cerca de 21. Eu fui membro da Igreja Mundial de Satanás para volta de 3 anos. Eu já tinha visto um “Sumo Sacerdote” quando eu era criança, mas eu não sabia o que era isso, nem para o que eu estava olhando. O visual era muito original, com um chapéu alto, um bastão ou uma bengala e o rosto pintado como um cadáver.

Há um CEO e um conselho de administração na seita. Eles dizem que você foi escolhido e lhe dão um livro que informa quais são os seus deveres com um “Sumo Sacerdote”.

 

LI – Qual o papel do aborto em rituais satânicos, e quando você começou a se envolver com o aborto no que diz respeito ao satanismo?

King – Logo após eu completar 14 anos, os membros da seita me disseram que eu precisava me envolver com um aborto. Eles disseram que houve uma festa com todos os membros do sexo masculino entre 12 e 15 anos e uma do sexo feminino de 18 anos com o objetivo de ficar grávida e realizar o aborto aos 9 meses de gestação. Quando me disseram isso, eu disse “legal” em voz alta, mas não tinha ideia do que era um aborto. Na minha família, eu acho que eu ouvi meus pais sussurrarem essa palavra uma vez, por isso eu achava que era uma palavra suja. Quando perguntei pela primeira vez o que era um aborto foi aos membros da seita, eu disse que eu não sabia o que tinha que fazer. Eles me explicaram que há um bebê no útero e que eu estava indo para matá-lo. Haveria um médico e uma enfermeira lá para me ajudar porque se tratava de um procedimento médico. Perguntei: “isso é legal?” e a resposta foi: “sim, é, enquanto ele está no útero. Enquanto o bebê ainda está dentro da mulher você pode matá-lo”.

Isso é como foi explicado para nós. Também foi explicado que “você está matando um bebê”. Eles não disseram que seria matar “um feto” ou matar “algumas células em um corpo”. Nada disso. Era um bebê.

Eu não acho que eu teria concordado em matar um bebê fora do corpo de uma mulher, mas, sabendo que eu poderia matar, tanto quanto eu quisesse, desde que estivesse dentro do corpo… para o satanismo, o ato de matar algo ou a morte de algo é a maneira mais eficaz de ter o seu feitiço realizado. No que diz respeito de obter a aprovação de satanás, para dar-lhe algo que você quer, matar algo é o melhor caminho a percorrer. Matar algo é a oferta final a satanás, e se você pode matar um bebê no ventre materno, este é seu objetivo final.

LI – Conte-nos sobre o primeiro aborto que você fez como um ritual satânico.

King – O primeiro que fiz foi cerca de 3 meses antes de completar 15 anos. Isso aconteceu em uma casa de fazenda que estava surpreendentemente muito mais esterilizada do que muitas clínicas de aborto que eu frequentei. Havia um médico, uma enfermeira e uma mulher prestes a ter um bebê que estava cercada por 13 dos principais membros da nossa seita, que eram todos “Sumos Sacerdotes” e “sacerdotisas”. Eu estava dentro do círculo com a mulher e o médico. Todos os membros adultos da minha seita estavam lá. Havia várias mulheres ajoelhadas no chão, balançando-se para trás e gritando de vez em quando “nosso corpo e nós mesmos”. Ao lado estavam vários membros masculinos da nossa seita, todos cantando e “rezando”. O ritual começou às 11:45 da noite, e a feitiçaria começou à meia-noite, que é a “hora das bruxas”, e a morte real da criança aconteceu às 3:00 da manhã, que é chamada a “hora do diabo”.

O meu papel em tudo isso foi inserir o bisturi. Eu não necessariamente tinha que matar … o que era importante era ter sangue em minhas mãos, da mulher ou do bebê. Em seguida, o médico termina o procedimento. Foi provavelmente um dos mais hediondos abortos que eu já participei, o médico pegou o bebê e jogou-o no chão, onde estas mulheres estavam se balançando. As mulheres pareciam que estavam possuídas, e quando o médico jogou o bebê, elas o canibalizaram.

LI – Quantos rituais de abortos você participou?

King – Antes me tornar um High Wizar, eu fiz cinco. Depois, eu participei de mais 141 outros abortos.

LI – Você já fez ritual de aborto em alguma clínica de alto perfil?

King – Sim, fiz. Eu estimaria que eu fiz cerca de 20 rituais de abortos dentro dessas instalações, mas eu nunca contei. Eu só sei que eu estive em um monte delas. (…) Elas pareciam como casa de horrores, com sangue por todo o lado, incluindo, em alguns quartos, com sangue no teto.

LI – Como o senhor era convidado para fazer abortos satânicos nessas clinicas?

King – (…) A Igreja Mundial de Satanás não é a única organização que faz sacrifícios satânicos nessas clinicas. Há outras organizações de feitiçaria, tais como os wiccans, que realmente estão envolvidos em abortos cometidos dentro dessas instalações. Você às vezes é convidado a fazer o ritual de aborto pelo próprio diretor do estabelecimento ou algum alto administrador, ou, por vezes, o médico é um satanista e o convida para participar de um aborto que eles vão fazer no final do dia.

Agora, no final do dia, todos os dias, grupos satânicos fazem, como uma missa negra, geralmente em torno da meia-noite, que dura cerca de 2 ou 3 horas, onde eles oferecem para Satanás todos os bebês que foram abortados naquele dia. Não importa a razão das mulheres optarem pelo aborto, todos os bebês são oferecidos a satanás no final do dia.

LI – Como são esses rituais satânicos de abortos?

King – Há crianças que participam, mas elas geralmente não ficam na sala em que o aborto é praticado. Elas ficam separadas e há uma competição para ver quem consegue ficar acordado até às 3 horas. Quem ganha recebe uma recompensa. Os homens que não fazem parte do top 13 da seita ficam fazendo feitiços e cantando. Eles também lançam feitiços para protegê-los contra qualquer pessoa que possa estar rezando contra eles. Além disso, pagamos pessoas para nossa proteção, seja político ou policial, então sabemos que ninguém irá nos investigar naquele momento.

Uma vez veio o prefeito da cidade pedir um feitiço. Ele nos procurou porque queria passar um projeto de lei em sua cidade, ele havia tentado duas ou três vezes e nunca passou. Ele tinha sido um membro da seita por algum tempo. Ele havia tentado todas as vias legais para obter a aprovação de seu projeto e nunca funcionou, então ele teve que encontrar alguém que concordasse em fazer um aborto e durante uma noite na qual nós poderíamos realizar o aborto e o feitiço ao mesmo tempo. Mas também precisava encontrar um médico e uma enfermeira. Em clinicas de aborto de alto perfil, muitas pessoas que trabalham nesses locais são bruxos ou satanistas. Então, vai ser fácil encontrar gente lá disposta a participar do ritual satânico.

LI – Você diria que o aborto em clinicas de alto perfil atrai membros do ocultismo por causa da oportunidade de realizar rituais de abortos?

King – Eu diria que sim, que é absolutamente uma afirmação verdadeira. Você sabe, você tem as pessoas que pertencem a NOW [Organização Nacional de Mulheres], e muitas dessas pessoas pertencem a religião pagã wicca, e eles, embora professem ter uma postura para a preservação da vida, são permissivos em “ferir” quem vai contra eles de qualquer maneira, o que quer dizer que estão autorizados a destruir por qualquer meio necessário, que é, para eles, através da magia. (…) Eles veem a figura feminina, a mulher, como a Mãe Terra, ou Gaia. Eles têm esta figura feminina que eles adoram como uma deusa. (…) O aborto é um sacramento satânico por assim dizer (…) e uma clínica de aborto atrai satanistas para o sacerdócio satânico.

LI – Alguma vez você já experimentou uma incapacidade de completar um aborto ou os efeitos de seu ritual devido a pessoas rezando do lado de fora de uma clínica?

King – Mais de uma vez nós tivemos bebês que ameaçavam sobreviver ao aborto. Uma vez, eu cheguei na clínica de aborto e havia pessoas nos dois lados da rua. De um lado, pessoas rezando e clamando contra o aborto, e, no lado que eu estava, eram pessoas pró aborto que gritavam todos os tipos de obscenidades. Quando entrei, olhei para a rua novamente e vi algumas pessoas rezando de joelhos. Naquele dia, o aborto que tínhamos programado para um ritual não ocorreu. Eu acho que isso me aconteceu cerca de três vezes, e todas as três vezes … é engraçado, mas nunca havia me dado conta de que todos os três abortos que foram frustrados o foram devido às orações estavam sendo recitadas lá fora.

LI – Que conselho você daria para as pessoas que estão rezando fora das clínicas de aborto, especialmente se suspeitar que há algum tipo de atividade oculta acontecendo dentro?

King – Primeiro de tudo, não pare! Não há nada que está acontecendo nessa clínica de aborto que pode prejudicá-lo. Claro, haverá demônios ao redor, mas você tem que pensar que satanás é como um cachorro na coleira; se você não chegar perto, ele não pode mordê-lo. Esteja em estado de graça quando você for. Leve água benta com você. Não jogue-a sobre as pessoas que estão lá para se opor a você, porque você vai parar em tribunal. Você sabe, essas pessoas vão processá-lo sobre as coisas mais bobas. Se você pode receber a Santa Comunhão antes de chegar lá, seria o ideal. Se você for à missa nesse dia, depois passe alguns minutos para pedir ao Senhor que envie sua Mãe com você. Leve um rosário. Há coisas que o diabo tem medo. Ele tem medo de um católico bem formado; um católico que entende sua fé e sabe que está em uma guerra espiritual. Ele não quer lutar com alguém que tem a sua armadura completa.

Em janeiro de 2008, enquanto trabalhava em um quiosque de joias, Zachary teve um encontro com Nossa Senhora que mudou sua vida. No meio do shopping, através da Medalha Milagrosa, Zachary experimentou uma paz que excede todo o entendimento. Zachary começou a frequentar a Igreja de São Francisco Xavier, em Vermont, e, em maio de 2008 (o mês de Maria), Zachary King entrou oficialmente para a Igreja Católica. Ele atualmente vive na Flórida com sua esposa.

Fonte: Lepanto Institute via ipco.org.br

 

futebol e vida

Os bispos pedem para não centrar-se nos lucros, advertem contra o turismo sexual, pedem para defender a dignidade e a pessoa e criticam a “institucionalização da exceção’

A Igreja no Brasil distribuiu nos últimos dias um Folder sobre a Copa do Mundo. Baseia-se no documento intitulado “Playing for Life”, escrito no mês passado pelo Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), onde indica que “a Igreja no Brasil continua com carinho e preocupação materna este grande evento que envolve vários países e protagonizará uma oportunidade de amizade universal”.

O folder que também está no site da conferência dos bispos tem três cartões: um vermelho, mais de caráter social; um azul, intitulado ‘O gol da vitória’ de aspectos positivos; e o amarelo que aponta os compromissos da Igreja, incluindo o combate contra o turismo sexual e o respeito à dignidade humana. E três números telefônicos gratuitos: para denunciar violações dos direitos humanos, apoio às mulheres e de emergência da polícia.

Manifesta também a sua solidariedade com aqueles que, devido à construção das obras, foram feridos em sua dignidade e que perderam entes queridos, porque comunidades inteiras foram deslocadas para construir estádios e obras estruturais.

“O sucesso da Copa do Mundo não é medido pelos valores injetados na economia local ou os benefícios que proporcionam aos seus patrocinadores”, indicam. E concluem que “o seu sucesso será garantir a segurança de todos, sem o uso da violência, respeitando o direito das manifestações de rua pacíficas, com a criação de mecanismos para evitar o trabalho escravo, o tráfico de pessoas e a exploração sexual, especialmente de pessoas socialmente vulneráveis, assim como a luta eficaz contra o racismo e a violência”.

Os bispos convidaram assim a sociedade brasileira a unir-se ao projeto “Copa da Paz” e à campanha “Playing for Life” e a denunciar o tráfico de seres humanos, de modo que o evento seja “lembrado como um momento de fortalecimento da cidadania”.

Ainda no Brasil, e mais especificamente contra o turismo sexual, está a campanha ‘Joga pela vida, denuncie o tráfico de Pessoas’ promovida por Talitha Kum – a Rede Internacional da Vida Consagrada contra o Tráfico de Pessoas e apresentado em maio na sala de imprensa da Santa Sé.

Talitha Kum são as palavras em aramaico, a língua falada por Jesus e relatadas pelo Evangelho de são Marcos, com as quais o Divino Mestre pegando a mão de uma pequena lhe diz: ‘Menina, eu digo a você, levante-se’.

O cardeal brasileiro João Braz de Aviz, durante a coletiva de imprensa afirmou que “esta campanha manifesta a sintonia da vida consagrada com o sentimento do Santo Padre com este crime que ele mesmo definiu como a ‘chaga no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo”. (Trad.TS)

Leia o texto completo clicando aqui.

Fonte: Zenit.org

Papa Francisco

Santo Padre recebe os participantes do encontro internacional sobre o tráfico humano realizado no Vaticano

O Santo Padre recebeu nesta manhã os participantes da II Conferência Internacional sobre o Combate ao Tráfico de Seres Humanos: Internacional Combating Human Trafficking: Church and Law Enforcement in partnership, organizado pela Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales. O encontro teve lugar hoje na Aula Magna da Pontifícia Academia das Ciências, na Casina Pio IV, no Vaticano.

Ao iniciar o discurso, o Papa Francisco disse que este era um encontro muito importante, mas também um gesto, “um gesto da Igreja, um gesto das pessoas de boa vontade que querem gritar: Basta!”. Em seguida, destacou que “o tráfico de seres humanos é uma chaga no corpo da humanidade, uma ferida na carne de Cristo, um crime contra a humanidade. E o fato de nos encontramos para unir esforços significa que desejamos estratégias e competências, sim, mas coadjuvadas pela compaixão evangélica pelos homens e mulheres vítimas deste crime”.

Como recordado pelo Papa, no encontro estavam presentes autoridades policiais, que combatem o fenômeno utilizando os instrumentos e o rigor da lei”, e agentes humanitários, cuja principal tarefa é “oferecer acolhimento, calor humano e o resgate das vítimas”.  O Papa afirmou que “são duas abordagens diferentes, mas que podem e devem agir juntas. Dialogar e confrontar-se a partir de dois pontos de vista complementares é muito importante”. Destacando assim, “a utilidade deste tipo de encontros”.

Por fim, o Papa destacou a importância do encontro acontecer no intervalo de um ano do primeiro encontro, para prosseguir o trabalho em conjunto.

Por Rocio Lancho García

Fonte: Zenit

papa obama

O Papa Francisco defendeu nesta quinta-feira (27) durante o seu primeiro encontro com o presidente americano Barack Obama o “direito à vida” e à “objeção de consciência” para os católicos americanos em casos de aborto.

“Francisco e Obama abordaram questões particularmente importantes para a Igreja deste país (os Estados Unidos), como o exercício do direito à liberdade religiosa, à vida e à objeção de consciência”, indicou em um breve comunicado o serviço de imprensa da Santa Sé divulgado após a reunião entre os dois líderes.

Por favorecer o reembolso por parte dos usuários de meios contraceptivos e da pílula abortiva, a reforma da saúde promovida pela administração Obama tem sido fortemente contestada pelos bispos americanos, que consideram tais medidas contrárias aos direitos religiosos.

Em várias ocasiões, com o apoio do Papa Bento XVI, eles preconizaram a chamada objeção de consciência, incluindo o direito de recusar a realizar abortos.

Várias questões sociais foram tratadas neste encontro, que Obama gostaria de centrar na luta contra as desigualdades no mundo.

Neste sentido, o Papa e o presidente americano expressaram “seu compromisso comum com a erradicação do tráfico de seres humanos em todo o mundo”, segundo o comunicado do Vaticano.

O encontro entre Obama, Francisco e o secretário de Estado Pietro Parolin, encarregado da diplomacia, também serviu para discutir “temas internacionais atuai”, em uma atmosfera descrita como “cordial” pelo Vaticano.

De acordo com o comunicado, as duas partes também afirmaram a necessidade de que, “em zonas de conflito, o direito internacional e humanitário seja respeitado” e que “uma solução negociada seja encontrada”.

TRÁFICO DE SERES HUMANOS – O Papa Francisco e o presidente americano discutiram “seu compromisso comum com a erradicação do tráfico de seres humanos em todo o mundo”.

Em um comunicado publicado pela Santa Sé após o encontro entre Obama, Francisco e o secretário de Estado Pietro Parolin, as duas partes também afirmaram a necessidade de que, “em zonas de conflito, o direito internacional e humanitário seja respeitado” e que “uma solução negociada seja encontrada”.

Fonte: AFP

trafico humano

Segundo cálculos feitos a partir de constatações comprovadas, o tráfico de pessoas humanas rende anualmente, trinta e dois bilhões de dólares.

Neste ano a Campanha da Fraternidade nos surpreende pelo próprio tema. O tráfico humano não fazia parte do imaginário comum de nosso cotidiano. Desta vez, precisamos, primeiro, dar-nos conta da consistência deste fato, que a campanha nos apresenta.A primeira tarefa, portanto, é conferir a realidade, ajudados pelas estatísticas que a própria ONU nos apresenta.

Mesmo sabendo como é difícil obter dados precisos a respeito de uma realidade que costuma ser acobertada, os números são mais do que suficientes para flagrar a gravidade da situação.

Vale a pena deter-nos, num primeiro momento, a olhar os fatos.

Segundo cálculos feitos a partir de constatações comprovadas, o tráfico de pessoas humanas rende anualmente, trinta e dois bilhões de dólares.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho vinte milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado. Destas, 4,5 milhões (22%) são exploradas em atividades sexuais forçadas; 14,2 milhões (68%), em trabalhos forçados em diversas atividades econômicas; 2,2 milhões (10%) pelo próprio Estado, sobretudo quando militarizado.

Segundo a mesma pesquisa, 11,4 milhões (55%) são mulheres e jovens; 9,5 milhões (45%), homens e jovens.

Em relação à idade: 15,4 milhões (74%) são adultos; os outros 5,5 milhões (26%) têm até 17 anos, o que mostra ser alto o número de traficados entre crianças e jovens.

Mas esta realidade não se revela só pelos números, existe toda uma trama maldosa, que explora as debilidades humanas, e é capaz de mudar em pesadelo muitos sonhos de pessoas que se deixam seduzir por falsas promessas, em busca de vantagens que a sociedade acaba estimulando. E aí se começa a perceber a dinâmica perversa que vai enredando as pessoas, reduzidas a meras mercadorias humanas, exploradas pela mesma ganância que as levou a confiarem em quem as estava enganando.

Pois bem, a Campanha da Fraternidade descortina diante de nós esta realidade. Pois é urgente que ela seja enfrentada de maneira adequada. A primeira providência é dimensionar bem sua gravidade.

Fonte: CNBB

orani

O nosso Plano de Pastoral de Conjunto afirma o seguinte: “O serviço testemunhal à vida, de modo especial à vida fragilizada e ameaçada, é a mais forte atitude de diálogo que o discípulo missionário pode e deve estabelecer com uma realidade que sente o peso da cultura da morte. Na solidariedade de uma igreja samaritana, o discípulo missionário vive o anúncio de um mundo diferente que, acima de tudo, por amar a vida, convoca à comunhão efetiva entre todos os seres vivos”.

Durante a Quaresma, a Campanha da Fraternidade sempre nos coloca diante da realidade de forma profética, para que os nossos olhos se abram e possamos perceber os tentáculos da cultura da morte que pesam sobre a nossa realidade. Neste ano, o assunto é o tráfico de pessoas.  Precisamos ter clareza sobre este problema, seu alcance e seus efeitos para que, como igreja samaritana, possamos fazer com que o Evangelho se torne concreto nos nossos relacionamentos, e a obra evangelizadora e pastoral da Igreja e as nossas obras mostrem a Igreja como Sacramento de Salvação e caminho para o Reino definitivo.

O tráfico de pessoas acontece de muitas formas e diferentes tipos de pessoas são explorados. Existe o tráfico para a exploração sexual, o trabalho escravo, a adoção ilegal e outros. Não existe uma categoria ou um grupo de pessoas que não seja, de alguma forma, ameaçado por ele.

A grande causa do tráfico humano encontra-se na ganância, tão condenada por Jesus, principalmente por que coloca o econômico-financeiro acima do humano e explora o humano a partir das suas carências. Deste modo, à ganância se somam as diferentes formas de carência ou de sonhos pessoais que geram a necessidade de crescimento econômico. Carências como desemprego, subemprego, fome, saúde, educação, lazer etc., e sonhos acalentados, como ser modelo, artista ou jogador de futebol, muito sugestionados pela mídia. Assim, encontramos as principais causas do tráfico humano que precisam ser enfrentadas para que o tráfico de pessoas seja estancado nas suas raízes.

Esse estancamento exige, em primeiro lugar, políticas públicas adequadas para a superação das causas que foram apresentadas acima, pois não podemos desconsiderar o fato de que o tráfico de pessoas continua acontecendo e fazendo vítimas. Por isso, as políticas públicas também devem ser voltadas para a reinserção na vida familiar e social das pessoas que foram atingidas pelo tráfico humano e que tiveram a felicidade de serem resgatadas com vida. Precisamos de um trabalho preventivo que evite que o tráfico de pessoas promova o desrespeito à dignidade humana, aos direitos fundamentais da pessoa e à supressão da liberdade de muitos. Por outro lado, precisamos resgatar as vítimas do tráfico e lhes garantir o respeito à sua dignidade, aos seus direitos e à sua liberdade.

A proposta cristã para a superação da cultura da morte passa necessariamente pela conversão, que consiste basicamente na busca da nossa configuração a Jesus Cristo. São Paulo nos chama a esta configuração quando afirma: “Tende os mesmos sentimentos de Cristo” (Fl 2, 5). O Pe. José Fernandes de Oliveira, conhecido como Pe. Zezinho, que neste ano comemora os 50 anos de sua missão evangelizadora na Igreja, nos deu uma preciosa colaboração para a compreensão desta configuração quando fez a música que diz: “e perguntou no meio de um sorriso o que é preciso para ser feliz? Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria, e ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz. Dormiria feliz sim, o sono dos bem-aventurados”. Esta é a vida dos verdadeiros convertidos e esta vida é transformadora do mundo, destruidora da cultura da morte, promotora da vida e da dignidade de todos.

Como fiz questão de frisar em minha carta Pastoral, depois do Consistório, reafirmo que: “Enquanto escrevo esta carta, não cesso de ouvir as notícias de tantas situações de sofrimento que desafiam nosso amor por Jesus Cristo. Entristeço-me, por exemplo, com a situação dos encarcerados, que, em lugar de recuperação, recebem, na maioria das vezes, tratamento indigno até para as pedras que rolam soltas em nossas ruas” (Cf. Amar, unir, servir – Carta Pastoral do Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, n.34, pág. 17, 25 de fevereiro de 2014).

Estamos nos encaminhando para a Semana Santa, estamos nos aproximando da celebração do mistério da Páscoa, vamos celebrar o mistério da morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. A vitória de Cristo na cruz é, antes de tudo, a vitória da vida sobre a morte. A Páscoa deve ser para nós a grande motivação para que a cultura da morte seja vencida e todas as pessoas possam ter vida em plenitude, possam ter a plenitude da vida física, afetiva, intelectual, social, política, econômica, cultural, religiosa, mística etc.

Peçamos a Deus as graças necessárias para que vivamos bem esta Quaresma, e para que a Campanha da Fraternidade seja um grande instrumento para esta vivência, de modo que possamos encontrar na celebração dos mistérios pascais as graças necessárias para vencermos a cultura da morte e promovermos a vida em plenitude.

*Cardeal Orani Tempesta é Arcebispo do Rio de Janeiro.

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Poucas semanas antes de sua vinda ao Brasil, em julho passado, o papa Francisco esteve na ilha de Lampedusa, já próxima da África, no sul da Itália; ali aportam numerosos prófugos da miséria e da violência, procedentes da África e de outras partes do mundo, sonhando com a vida na Europa.

Muitos, de fato, nem conseguem chegar à terra firme e naufragam, ou são abandonados pelos modernos mercadores de escravos no meio do Mediterrâneo em barcos abarrotados e sem o mínimo respeito à sua dignidade. Isso, depois de terem pago caro a alguma organização criminosa pelo transporte e pela promessa de visto e emprego no lugar de destino. Milhares acabam morrendo e jogados ao mar, nada diferente do que acontecia durante séculos com os navios negreiros no período colonial.

O Papa jogou flores ao mar para lembrá-los; ao mesmo tempo, rezou pelos que pereceram e confortou sobreviventes; e denunciou o tráfico de pessoas como uma atividade ignóbil, uma vergonha para sociedades que se dizem civilizadas. Diante dessa questão, os governos muitas vezes ficam indiferentes ou sem ação. Francisco conclamou a todos à superação da “globalização da indiferença”.

Desde tempos imemoriais, o tráfico de pessoas era praticado amplamente e até aceito, geralmente, em vista do trabalho escravo. O Brasil conviveu por séculos com a escravidão de índios e africanos; estes últimos eram adquiridos, traficados e comercializados como “coisa” num mercado vergonhoso, mas florescente. Foram necessários séculos para que a escravidão fosse formalmente proibida e abolida. Um progresso civilizatório!

Mas o problema voltou, se é que já havia sido erradicado de maneira completa. A forma contemporânea de escravidão é bem mais difundida e grave do que se poderia imaginar e está sendo favorecida pela globalização das atividades econômicas ilegais e clandestinas. Hoje, como no passado, essa atividade criminosa envolve organizações e redes nacionais e internacionais, com altos ganhos a custos e riscos baixos para os traficantes.

tráfico de pessoas é praticado em vista de vários âmbitos da economia, legais e ilegais, como a construção civil, a agricultura, o trabalho doméstico, o entretenimento, a exploração sexual e, mesmo, a adoção ou a comercialização de órgãos. As vítimas, geralmente, são atraídas por promessas de trabalho e emprego, boas condições de vida em outras cidades ou países. Com freqüência, o tráfico de pessoas está ligado ao fenômeno das migrações e à permanência ilegal e precária em algum país.

Capítulo especialmente doloroso representa o tráfico de crianças e adolescentes, praticado por redes que envolvem pequenas vítimas do mundo inteiro. Entidades não-governamentais, que acompanham esta questão, estimam que, na década de 1980, quase 20 mil crianças brasileiras foram levadas para a adoção no exterior; constataram-se numerosos processos fraudulentos nessas adoções. No Brasil, há denúncias de tráfico de crianças e adolescentes destinados à exploração sexual; e continua grande o contingente de crianças de 7 a 14 anos de idade exploradas no trabalho infantil.

Algumas características do tráfico humano já foram estudadas. Antes de tudo, ele envolve o crime organizado, com uma complexa estrutura que relaciona meios e fins para facilitar suas atividades; há aliciadores, fornecedores de documentos falsos e de assistência jurídica, transportadores, lavagem de dinheiro… Há rotas nacionais e transnacionais do tráfico de mulheres para a exploração sexual, de trabalhadores ilegais, de crianças, de órgãos. No Brasil, a Região Amazônica apresenta o maior número dessas rotas, seguida pelo Nordeste.

Fonte: aleteia.org