celula tronco embrio

A maioria das pesquisas com células-tronco no Brasil é feita com células adultas – obtidas, por exemplo, da medula óssea ou de tecido adiposo – ou com células de iPS (pluripotência induzida ) – geneticamente reprogramadas para se comportarem como células embrionárias, com capacidade para se diferenciar em qualquer tipo de tecido do organismo. São alternativas que evitam as complicações éticas de trabalhar com células de embriões humanos, cuja demanda foi bastante reduzida nos últimos sete anos, após a invenção das iPS.

“Não trabalho com células embrionárias”, diz a geneticista Mayana Zatz, pesquisadora do Instituto de Biociências da USP e coordenadora do Instituto Nacional de Células-tronco em Doenças Genéticas Humanas, que trabalha principalmente com células-tronco adultas.

“Desconheço laboratórios de pesquisa no Rio que tenham usado embriões humanos para pesquisa”, disse Stevens Rehen, pesquisador da UFRJ e coordenador da Rede Nacional de Terapia Celular do Ministério da Saúde.

As células-tronco de embriões humanos continuam sendo de grande interesse para a ciência, principalmente para pesquisas básicas sobre diferenciação celular e desenvolvimento embrionário. Elas ainda são consideradas as células “padrão ouro”, usadas como referência para pesquisas com iPS e outros tipos de células pluripotentes. Para fins de aplicação em terapia celular, porém, as iPS são as mais promissoras atualmente.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 Nota do Blog Vida sem Dúvida:

A utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas fatalmente leva a morte de um embrião viável e sadio, sendo, portanto, uma prática que tira uma vida humana com a alegação de favorecer pesquisas e terapias que só podem ser realizadas com este tipo celular. No entanto, não há no mundo qualquer pesquisador que apresente resultados eficazes e aplicáveis terapeuticamente utilizando células-tronco embrionárias, no entanto, milhões de embriões são mortos para manter estas linhas de pesquisa.

Quanto às pesquisas com células-tronco adultas, além da extração destas células não gerar qualquer conflito do ponto de vista ético, estas tem apresentado resultados terapêuticos muito mais aplicáveis e viáveis no Brasil e no mundo quando comparadas às células-tronco embrionárias, o que faz com que os pesquisadores prefiram utilizá-las em suas linhas de pesquisa. A desvantagem é que sua capacidade de diferenciação é limitada, ou seja, estas células não podem se “transformar” em qualquer tecido do corpo como as células-tronco embrionárias são capazes, logo, não podem curar doenças em certos sistemas do organismo.

Uma solução ética e cientificamente viável para isso foi o desenvolvimento das células de iPS (pluripotência induzida), estas são oriundas de células adultas que sofrem alterações induzidas em laboratório para se transformarem em células pluripotentes tal qual as células-tronco embrionárias. Esta é a razão dos estudos das iPS serem os mais promissores, mais eticamente corretos e preferidos entre os pesquisadores da área.

laboratório

O “Bambino Gesù” descobre técnica de manipulação que permite o transplante de medula para crianças com leucemia sem necessidade de doador compatível.

A descoberta científica do hospital do Vaticano promete salvar a vida de milhões de crianças no mundo inteiro. A notícia foi divulgada pelo hospital pediátrico da Santa Sé, “Bambino Gesù” (“Menino Jesus”), com sede em Roma. Segundo a direção do hospital, os resultados foram apresentados à revista científica internacional “Blood”, e poderiam ser “um marco na cura de muitas doenças no sangue”.

O hospital anunciou, em uma coletiva de imprensa, que a manipulação decélulas-tronco, em ausência de um doador compatível, permite otransplante de um pai ou mãe ao seu filho. A descoberta é importante para curar crianças com problemas de imunodeficiência, doenças genéticas, leucemia e tumores no sangue.

“Estamos orgulhosos de apresentar este sucesso dos pesquisadores do Hospital ‘Bambino Gesù’, conscientes de que o protocolo dos nossos laboratórios é um marco na terapia de muitas doenças no sangue”, confirmou o professor Bruno Dallapiccola, diretor científico do hospital da Santa Sé.

Para a aplicação no campo da leucemia, a técnica aplicada pela equipe do professor Franco Locatelli, responsável pela Onco-hematologia e Medicina Transfusional do hospital, foi apresentada no último mês de dezembro em New Orleans, durante o congresso da Sociedade Americana de Hematologia (ASH).

O transplante de células-tronco adultas é uma cura que salva a vida de milhões de crianças que sofrem tumores do sangue, bem como de crianças que nascem sem as adequadas defesas do sistema imunológico. Por muitos anos, o único doador que se podia ter era um irmão ou irmã do paciente. O problema é que dois irmãos são idênticos somente em 25% dos casos.

Diante da impossibilidade de ter doadores na família, existem bancos de dados internacionais com 20 milhões de doadores voluntários de medula óssea. Mesmo assim os bancos de sangue para estes casos dão disponibilidade de apenas 600 mil unidades no mundo.

O problema se agrava quando 30 ou 40% dos pacientes não encontram um doador compatível, além do mais, considerando o tempo de seleção de um doador e a conclusão de todos os exames para identificar outro doador fora da família.

A técnica do hospital da Santa Sé foi aplicada em 23 pequenos pacientes. Os resultados, segundo afirmou a instituição, demonstram que a probabilidade de cura definitiva para estas crianças doentes é de 90%, ou seja, igual à técnica que emprega a medula de um irmão do paciente completamente compatível geneticamente.

A descoberta da manipulação das células-tronco é uma esperança para milhões de crianças que podem ser salvas com um transplante de medula. É possível salvar crianças na Ásia, África ou América do Sul, que não têm “representantes” nos registros de doadores de medula óssea e que, por meio desta técnica, poderão finalmente ter acesso a um transplante de maneira rápida e “virtualmente aplicável a todos os casos”.

Neste vídeo, Prof Felipe de Aquino explica porque a Igreja concorda com a doação voluntária de órgãos e transplantes. Assista!

http://youtu.be/wZOp0bPXOTg