Vida Sem Dúvida

Blog Vida sem Dúvida responde 5 perguntas sobre o aborto

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1-    Você é contra ou a favor do aborto? Por quê?

Sou contra. Primeiramente porque qualquer tipo de aborto é crime previsto por lei nos arts. 124 a 128 do Código Penal Brasileiro. Até mesmo os casos de aborto por violência sexual ou anencefalia são crime, porém, não é prevista em lei nenhuma pena para quem os pratica.  Portanto, se o direito a vida é constitucional, não há razões para eu defender um crime.

Além disso, a defesa do aborto está na contra-mão da ciência! As ciência médicas e biológicas comprovam com confiável rigor científico que a vida humana começa no momento da concepção e nenhum outro evento biológico ou molecular ocorre após este fato que justifique interpretar outra interpretação. Se a vida não é humana a partir da união dos gametas, não será nunca. Todas as teorias que buscam negar isso tem sempre algum tipo de interesse ou justificativas não biológicas.

Portanto, sou contra matar uma vida, independente do estágio de desenvolvimento ela se encontra e de seu estado de saúde, sair desta premissa é permitir que a vida humana seja relativizada. Uma vez que isso acontece, não tem mais volta e as maiores atrocidades encontram espaço para serem cometidas, vide como a vida humana é tratada na China, Holanda e outros países que permitiram a relativização da dignidade humana.

2-    Até que ponto a mulher pode interferir no seu próprio corpo? E até que ponto o Estado legislar/decidir sobre uma decisão pessoal como abortar?

Minha resposta será um pouco longa, mas se faz necessário.

Bom, eu defendo com unhas e dentes que todas as mulheres tenham total direito de interferir no seu próprio corpo, mas gostaria de pontuar duas coisas importantes que vão iluminar minha afirmação. Primeiro é que esse direito não é absoluto, pois se uma mulher quiser interferir tanto no seu corpo a ponto de colocá-lo em risco de morte, a liberdade da mulher deixou de ser exercida segundo a verdade e com responsabilidade e seus atos podem não mais beneficiá-la, mas até mesmo matá-la, como nos casos de suicídio. Portanto, o direito de escolher o que deve ser feito com o próprio corpo é relativo. Há casos por exemplo de membros dos Testemunhas de Jeová cujos preceitos religiosos não permitem a transfusão de sangue. No entanto, diante de emergências, não havendo absolutamente outra saída, os médicos tem obrigação profissional de realizar a transfusão mesmo sem o consentimento do paciente, pois não fazê-lo caracteriza omissão de socorro.

Mas não é este o ponto chave da questão. Essa argumentação é profundamente falaciosa, uma vez que a anatomia humana do corpo feminino e a genética moderna provam inequivocamente que um embrião ou feto NÃO FAZEM PARTE do corpo de sua mãe! A partir da concepção começa um processo de desenvolvimento ininterrupto na diferenciação progressiva do indivíduo, com a sua própria identidade e segundo suas próprias características genéticas e isso dura a vida toda! A prova disso é que se pegarmos um zigoto (célula única que acabou de se formar pela união dos gametas) de um casal chinês e colocarmos no útero de uma sueca loira, nascerá um bebê de olhos “puxados”, justamente porque ele não pertence à mulher que o carrega no vente, mas ele é um indivíduo, com identidade própria, ontologicamente distinto da mãe. Acho interessante que as mesmas pessoas que defendem que a criança pertence ao corpo da mãe são as que defendem a utilização de células-tronco embrionárias em pesquisa. Se o embrião pertence ao corpo da mãe, como ele pode crescer independente dela numa garrafa de meio de cultura no laboratório?

Por fim, sua segunda pergunta. É preciso entender três duas coisas. Primeiro, a decisão de abortar não é pessoal, pois existem, no mínimo, dois seres humanos envolvidos: mãe e filho. Segundo, levando em consideração que o aborto é crime, podemos usar a mesma lógica e afirmar também que o governo não deve legislar/decidir sobre a decisão pessoal de alguém que deseja assaltar um banco, afinal, é algo que diz respeito a um ato do bandido, quem pode interferir? Portanto, este raciocínio está duplamente equivocado.

Por fim, a terceira e mais perigosa questão. Se nos deixamos levar pela idéia de que o aborto é algo pessoal, que sou contra mas cada um decide o que acha melhor, estamos correndo um sério risco de agir como cumplices. Se eu dissesse a você 5 anos antes do Holocausto as intenções de Hitler em relação aos Judeus, o que você diria? “Vamos pará-lo, pois isso é um crime!” Ou diria: “ah, eu sou contra matar as pessoas, mas deixa ele, isso é algo pessoal, deixa ele decidir o que acha melhor, a vida é dele…!”

Portanto, não podemos brincar com a vida humana! Somos responsáveis uns pelos outros! Isso é bíblico, isso é dom de Deus e por isso não nos fere, mas nos realiza!

3-    Alguns grupos feministas dizem que descriminalização do aborto é ser a favor da vida (conhecidos como pró-escolha), como você vê o projeto de lei PLC3/2013 que visa descriminalização do aborto no Brasil?

Bom, responderei separadamente, mas a pergunta é excelente, pois há profunda ligação entre o “pro-choice” e a PLC3/2013.

No fim dos anos 60 nasceu essa ideologia pro choice – livre escolha- oriunda de um grupo pró-aborto que progressivamente apela ao uso de uma semântica distorcida para esconder seus objetivos em favor do aborto. Aliás, mudar os termos para amenizar impactos é especialidade das feministas radicais para convencer as mulheres.

Uma das principais linhas de argumentação desta ideologia é de que o feto, apesar de humano, não é um indivíduo, chamando-o muitas vezes de “produto/fruto da concepção” ou outras armadilhas semânticas. Esta ideologia promove interpretações distorcidas e tendenciosas do conceito de liberdade, amor, verdade, responsabilidade e escolha moral, promovendo uma cultura de morte e militando radicalmente contra a família tradicional e a sadia relação mãe-filho. Felizmente os argumentos pro-escolha não resistem a um sereno debate com dados científicos. Portanto, baseado inclusive no que respondi na pergunta anterior, descriminalizar o aborto é SIM um ato contra a vida…da criança é claro!

Eu vejo que a PLC 3/2013 foi pensada e executada como um navio quebra gelo, preparando maliciosamente o terreno para implantar, na prática, o aborto no Brasil. Não é à toa que tramitou às escondidas e em caráter de urgência para driblar os protetores da vida. Sou radicalmente contra este projeto pelas seguintes razões:

O texto, estrategicamente, evita mencionar a palavra aborto, mas abre atalhos para a ampliação deste crime. O primeiro artigo diz que “TODOS OS HOSPITAIS devem oferecer atendimento emergencial e integral decorrentes de violência sexual, e o encaminhamento, se for o caso, aos serviços de assistência social”, colocando no mesmo pacote “aborto terapêutico” e “aborto por estupro” e sem brechas para a objeção de consciência do médico e o consentimento da mulher. Os serviços de assistência social mencionados são justamente os que tratarão de providenciar o aborto a qualquer custo. Portanto, num mesmo artigo diversos equívocos e infrações.

Por fim, o texto da lei define que “Violência sexual é qualquer forma de atividade sexual não consentida”, sem definir o que seria agressão ou relação não consentida! Ou seja, basta a mulher dizer que estava com dor de cabeça mas o homem forçou a barra e acabou havendo a relação sexual que isso já justifica o aborto! Portanto, a PLC 3/2013 além de ser uma afronta à opinião de mais de 80% da população do país, é uma afronta à nossa constituição e à nossa inteligência.

4-    Uso de contraceptivos como a pílula do dia seguinte seria uma opção menos agressiva?

Do ponto de vista prático não podemos afirmar, pois existem diferentes situações onde a pílula poderia ser ingerida. Caso a mulher faça ingestão desta droga e não tenha havido concepção, ela estará induzindo uma menstruação forçada e não chegará a ter praticado o aborto, colocando em risco apenas a sua própria integridade física, uma vez que as contra-indicações e efeitos colaterais destas drogas são bastante preocupantes.

Caso a mulher tenha esperado tempo suficiente para que haja concepção (cerca de 24h após a ejaculação), ela fatalmente estará cometendo um aborto, o que em nada é menos agressivo, pois este virá com uma hemorragia intensa e farmacologicamente provocada, o que é ainda mais grave.

5-    Como relação a moral religiosa, até que ponto as convicções religiosas podem afetar o Estado?

Precisamos entender que o Estado é laico, mas o povo tem suas crenças, portanto, laicidade do estado não pode transformar-se em laicisismo, ou seja, uma imposição da morte de Deus ao povo. Se uma expressão religiosa incomoda alguém, a ausência dessas expressões incomodam muito mais o povo que as deseja. Nossa sociedade foi formada com um tecido religioso e impor um ateísmo social fere nossos valores e nossa a própria história. Além disso, as concepções de moral religiosa são, em sua grande maioria, baseadas na razoabilidade científica dos fatos. Um afastamento entre a “moral jurídica” e a moral religiosa tradicional não tem como beneficiar o homem integralmente.

No entanto, no que tange as discussões a respeito da vida, as grandes religiões não procuram basear suas posições em crendices, mas no respaldo científico que encontram para se pronunciar.

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