blogs
Vida Sem Dúvida

São Josemaria Escrivá: Convido os casais a não estancarem as fontes da vida.

6990011355_baacfac544_b

“Há mulheres que, tendo já bastante filhos, não se atrevem a comunicar a chegada de mais um a seus parentes e amigos. Temem as críticas daqueles que sabendo existir a “pílula”, pensam que a família numerosa é um atraso. Evidentemente, nas circunstâncias atuais, pode-se tornar difícil manter uma família com muitos filhos. Que nos pode dizer sobre isso?

Abençôo os pais que recebendo com alegria a missão que Deus lhes confia, têm muitos filhos. Convido os casais a não estancarem as fontes da vida, a terem senso sobrenatural e coragem para manter uma família numerosa, se Deus a envia.

Quando louvo a família numerosa, não me refiro àquela que é conseqüência de relações meramente fisiológicas, mas à que é fruto do exercício das virtudes cristãs, que tem um alto sentido da dignidade da pessoa e sabe que dar filhos a Deus não consiste só em gerá-los para a vida natural, exigindo também uma longa tarefa educadora: dar-lhes a vida é a primeira coisa, mas não é tudo.

Pode haver casos concretos em que a vontade de Deus — manifestada pelos meios ordinários — esteja precisamente em que uma família seja pequena. Mas são criminosas, anti-cristãs e infra-humanas, as teorias que fazem da limitação da natalidade um ideal ou um dever universal ou simplesmente geral.

Querer apoiar-se num pretenso espírito pós conciliar para ir contra a família numerosa seria adulterar e perverter a doutrina cristã. O Concílio Vaticano II proclamou que “entre os cônjuges, que assim cumprem a missão que lhes foi confiada por Deus, são dignos de menção muito especial os que, de comum acordo e refletidamente, se decidem com magnanimidade a aceitar e a educar dignamente uma prole numerosa” (Const. past. Gaudium et Spes, no 50). E Paulo VI, numa alocução pronunciada em 12 de Fevereiro de 1966, comentava: Que o Concílio Vaticano II, recentemente concluído, difunda entre os e esposos cristãos o espírito de generosidade para dilatarem o novo Povo de Deus… Recordem sempre que essa dilatação d o Reino de Deus e as possibilidades de penetração da Igreja na humanidade para levar a salvação — a eterna e a terrena — estão confiadas também à sua generosidade.

O número, por si só, não é decisivo: ter muitos ou poucos filhos não é suficiente para que uma família seja mais ou menos cristã. O que importa é a retidão com que se vive a vida matrimonial. O verdadeiro amor mútuo transcende a comunidade de marido e mulher e estende-se aos seus frutos naturais, os filhos. O egoísmo, pelo contrário, acaba rebaixando esse amor à simples satisfação do instinto, e destrói a relação que une pais e filhos. Dificilmente haverá quem se sinta bom filho — verdadeiro filho — de seus pais, se puder vir a pensar que veio ao mundo contra a vontade deles: que não nasceu de um amor limpo, mas de uma imprevisão ou de um erro de cálculo.

Dizia eu que, por si só, o número de filhos não é determinante. Contudo, vejo com clareza que os ataques às famílias numerosas provêm da falta de fé; são produto de um ambiente social incapaz de compreender a generosidade, um ambiente que tende a encobrir o egoísmo e certas práticas inconfessáveis com motivos aparentemente altruístas. Dá-se o paradoxo de que os países onde se faz mais propaganda do controle da natalidade — e a partir dos quais se impõe a sua prática a outros países — são precisamente aqueles que atingiram um nível de vida mais elevado. Talvez se pudessem tomar a sério seus argumentos de caráter econômico e social, se esses mesmos argumentos os movessem a renunciar a uma parte dos bens opulentos de que gozam, a favor dessas pessoas necessitadas. Enquanto não o fizerem, torna-se difícil não pensar que, na realidade, o que determina esses argumentos é o hedonismo e uma ambição de domínio político e de neocolonialismo demográfico.

Não ignoro os grandes problemas que afligem a humanidade, nem as dificuldades concretas com que pode deparar uma família determinada. Penso nisto com freqüência e enche-se de piedade meu coração de pai que, como cristão e como sacerdote, tenho obrigação de ter. Mas não é lícito procurar a solução por esses caminhos.”

(São Josemaría Escrivá, Questões atuais do cristianismo, ponto 94)

Fonte: http://www.ocampones.com

(Visited 8 times, 1 visits today)
Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio, postaram comentários que não cumprem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Seguir