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Os fundamentos utilizados pelo movimento pró-aborto, na tentativa de legalização desta prática no Brasil, estão se configurando cada vez mais esdrúxulos, a cada dia que passa. Parece que os bilhões de dólares investidos na engenharia abortista não são o suficiente para virar o jogo para o lado pró-aborto. A população brasileira continua defensora da vida, mesmo com o escasso acesso a informações científicas corretas, muitas delas falsificadas pelos abortistas. Então, já que não conseguem conscientizar a sociedade civil que o aborto é algo benéfico à mulher e à própria sociedade, concentram seus esforços no Judiciário, e é lá que as atrocidades jurídicas e argumentativas acontecem, para espanto geral.
 
Na última investida pela legalização do aborto, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) encaminhou ação ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a descriminalização do aborto nos casos de gravidez de até 12 semanas. Uma das alegações utilizadas nesta ação (ADPF 442) protocolada pelo PSOL, é que o bebê em gestação não teria o amplo direito à vida pois NÃO SERIA PESSOA CONSTITUCIONAL. Menos tecnicamente, a ideia por trás desta alegação é que POR AINDA NÃO TER NASCIDO, O BEBÊ EM GESTAÇÃO NÃO ESTARIA PROTEGIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ou seja, não devendo ser considerada PESSOA CONSTITUCIONAL, consequentemente não tendo acesso ao direito constitucional à vida. Mas notem como esta lógica é totalmente equivocada.
 
Sabe-se que o bebê em gestação é um ser humano em desenvolvimento, inclusive este ponto sendo afirmado na própria ação protocolada pelo PSOL. Estando em desenvolvimento físico e psicológico, o bebê em gestação encontra-se em momento único de sua vida inicial em que, por aspectos inerentes ao seu próprio estágio de desenvolvimento intrauterino, deva ser tratado juridicamente de forma diversa em relação aos seres humanos já nascidos. Mas aos afirmarmos que o bebê em gestação deva ser tratado de forma diferente dos seres humanos já nascidos, não estamos sequer cogitando que ele seja desprovido de suas principais proteções legais. Aqui aplica-se um velho ditado do Direito, que corresponde à equidade: tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual.
 
Este tratamento diferenciado ocorre em diversas situações em nossa sociedade, diariamente. Como exemplo, temos os menores de idade (crianças e adolescentes), que não são responsabilizados, como os maiores de idade, em diversos atos civis e criminais. Da mesma forma, o servidor público militar, que por sua condição específica não pode, por exemplo, se candidatar a cargo eletivo. Outro caso é o do Juiz de Direito e do Promotor de Justiça que, em face de suas funções ocupadas, não podem advogar, tendo suspenso seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Outro exemplo é o do preso ou do estrangeiro não naturalizado, que por suas condições específicas não podem se utilizar de alguns direitos civis, como votar e ser votado, respectivamente. Assim se repetem em diversos outros exemplos, todos os dias!
 
Vejam nestes casos exemplificados que TODOS os personagens são seres humanos (iguais), mas são tratados de modo desigual, por sua peculiar e temporária situação de vida em determinado momento da sua existência. Mas do tratamento desigual, da restrição de direitos diversos, um permanece intacto, sem qualquer limitação: o direito à vida. Nem para o caso de criminosos em estado de prisão pode-se limitar o seu direito à vida. O Estado, em face da proteção constitucional a ser dada ao ser humano que cumpre pena de prisão, por sua situação de vulnerabilidade e dependência, deve garantir que lhe sejam assegurados direitos mínimos de sobrevivência e que sua vida seja preservada, a todo custo.
Então por que esta mesma proteção estatal não se aplica A TODOS OS BEBÊS EM GESTAÇÃO, como outro ser humano em condição temporária de vulnerabilidade e dependência? Por uma situação específica de sua existência, os bebês em gestação devem ser tratados de modo diferente dos demais, com algumas situações civis limitadas, obviamente, MAS SEM QUE TENHAM SEU DIREITO MAIS NATURAL RESTRINGIDO, por qualquer fundamento jurídico ou outro direito, seja constitucional ou não!
 
É natural que um bebê em gestação não possa usufruir de vários direitos civis aplicados aos seres humanos já nascidos, como votar em eleições, candidatar-se a cargo público, ser responsabilizado por crime, ou mesmo julgar seus pares. Mas seu DIREITO NATURAL À VIDA DEVE SER USUFRUÍDO POR COMPLETO, SEM QUALQUER RESTRIÇÃO ESTATAL. Assim como não se admite a limitação do direito à vida do militar, do estrangeiro, do menor de idade, do juiz, do promotor, do preso, por suas condições peculiares e passageiras, não se pode limitar o direito à vida dos bebês em gestação, por sua condição peculiar e passageira. O Estado (leia-se Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário) deve realizar todos os esforços para proteger este período peculiar do desenvolvimento do ser humano, ainda em gestação. Desse modo, não há outro caminho que não tratar os seres em gestação como PESSOAS CONSTITUCIONAIS, COM AMPLA PROTEÇÃO LEGAL e detentores do principal direito existente: o direito à vida!
 
Pensar diferente é fazer uso de um discurso vazio da morte para encher os bolsos de dinheiro com a indústria abortiva.
Por George Mazza – http://www.georgemazza.com.br

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Ana Victória, de 17 anos, é contratada de agência manauara.
História da jovem ficou conhecida após mãe criar grupo de apoio na web.

Ganhar o mundo por meio das passarelas e campanhas publicitárias é o sonho de muitas jovens. Para Ana Victória Lima, de 17 anos, os flashes das lentes fotográficas têm um significado ainda mais encantador: o da superação. Diagnosticada com microcefalia, a adolescente não perde a postura em frente às câmeras e afirma que atuar como modelo é uma realização. “É meu sonho”, diz. A história da jovem que mora em Manaus ficou conhecida após a mãe de Ana, Viviane Lima, criar grupo de apoio na web.

Ao G1, Viviane comentou sobre os novos passos da filha e desafios da profissão que escolheu após ser convidada para um projeto de uma agência de modelos em Manaus. A jovem já recebeu várias propostas para trabalho.

Ainda durante a gravidez, Ana Victória foi diagnosticada com microcefalia. A mãe, aos 18 anos, recebeu a notícia com seis meses de gestação.

“Naquela época não se tinha esse entendimento, eu não sabia o que era microcefalia, então eu tinha que esperar para ver o que seria. Quando ela nasceu, o neurologista chegou e disse: ‘ela realmente tem microcefalia, ela não vai andar e não vai falar”, contou Viviane.

Dois anos e meio depois, durante nova gravidez, a notícia de que a segunda filha, Maria Luiza, também teria microcefalia abalou a mãe. “Disseram que ela não teria 24 horas de vida, e hoje ela tá aí, com 15 anos”, conta. Hoje, ao ser estimulada pela mãe, Ana fala como se sente: “Maravilhosa, linda, perfeita. Graças a Deus. É meu sonho”, disse a jovem modelo.

Hoje, na adolescência das filhas, Viviane relembra os momentos difíceis e abre os caminhos para uma nova experiência. Ana Victória e Maria Luiza foram chamadas para uma sessão de fotos idealizada para um projeto chamado “Arte sem Preconceitos”, de uma agência de modelos em Manaus. O projeto convidou 30 crianças deficientes e teve início há cerca de um mês.

“No momento que elas estavam fazendo a foto foi que a dona da agência chegou e disse ‘Essa menina precisa estar na passarela’. Só que assim, a Ana Vitória sempre teve esse jeito, essa vontade de desfilar, mas eu nunca pensei nisso profissionalmente, nunca tinha pensado dessa forma”, afirmou Viviane.

O destaque de Ana saiu das ideias para as lentes das câmeras. A agência iniciou um processo de preparo para que a estudante aprendesse a fotografar e desfilar. Segundo a mãe, a mudança no comportamento da filha foi inevitável.

“Quando eu vi a Ana Victória em um salto alto e desfilando desse jeito, eu pensei: o que estava guardado dentro dela era o que estava precisando para ela amadurecer”, afirmou Viviane.

 

Mãe diz que não teme comentários preconceituosos e se emociona ao ver filha desfilando (Foto: Indiara Bessa/G1 AM)

Futuro
Ao ser questionada sobre o futuro da filha nas passarelas, Viviane não tem dúvidas: “Eu acredito que o céu é o limite para ela. Se é o que ela quer, eu não preciso dizer nada. Não foi de mim que surgiu, foi uma descoberta da agência. Ela está abrindo as portas para essa geração com microcefalia que está nascendo e dizendo que é possível”, afirmou.

Segundo a coordenadora da agência, Creuza Rodrigues, o mercado ainda é restrito, mas ela afirma já recebeu várias propostas de trabalho ao ingressar Ana como profissional da moda.

“Está todo mundo estudando porque é uma novidade e tá todo mundo se adequando, porque nós temos que nos adequar a ela e não ela se adequar a nós. Então, a gente tem que estudar o perfil, para poder fazer um trabalho legal no futuro. Nós já estamos em aberto para várias marcas que estão querendo contratá-la como modelo”, afirmou ao G1.

Preconceito
Após criar um grupo que ajuda mães do Brasil inteiro que possuem filhos com microcefalia, a funcionária pública afirmou que recebe diariamente muitas mensagens de carinho, mas que não fica livre do preconceito.

“Já são 17 anos que eu lido com tudo isso, então eu fui tão bem preparada para tudo e essa questão do preconceito ficou, para mim, como um medo lá atrás, quando ela nasceu, quando eu passei pelas situações que passei. Quem hoje faz comentários maldosos não sabe quem ela é e não sabe que quando ela nasceu o médico disse que ela não ia andar e não ia falar e que, para mim, ela estar em cima de uma passarela, é o que importa. O que os outros vão falar já ficou para trás na minha vida”, comentou.

Emoção
Durante a entrevista, Viviane se emociona e chora ao contar o que pensou ao ver a filha na passarela pela primeira vez. “Quando eu a vi desfilando passou na minha cabeça as limitações dela escritas em um papel, passou as noites difíceis que eu passei com ela, passou o medo que eu tive de perder, passou o medo que a gente tem de não saber o que é o dia de amanhã. Eu aprendi a viver de 24 em 24 horas, e o que eu estou vivendo hoje é o mais especial”, afirmou.

Viviane e as filhas Júlia, Maria Luiza e Ana Victória (Foto: Indiara Bessa/G1 AM)

Fonte: G1

Ana Carolina disse que se sentiu ofendida ao se inteirar sobre a ação que prevê a liberação do aborto em mulheres grávidas que tiveram zika, no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Ana Carolina Cáceres, 25 anos, moradora de Campo Grande (MS), desafiou todos os limites da microcefalia previstos por médicos. Hoje, formada em Jornalismo, critica ação que prevê a liberação do aborto em mulheres grávidas que tiveram zika, devido à associação do vírus com a microcefalia. Ana Carolina gravou um vídeo, divulgado nesta terça-feira (6), para manifestar sua opinião sobre o debate e pedir para que as pessoas se sensibilizem com a realidade dessas crianças. Ela faz um apelo para que o STF não libere o aborto.

Em entrevista ao site BBC Brasil, Ana Carolina disse que se sentiu ofendida ao se inteirar sobre a ação no Supremo Tribunal Federal (STF). “Quando li a reportagem sobre a ação que pede a liberação do aborto em caso de microcefalia no STF levei para o lado pessoal. Me senti ofendida. Me senti atacada”.

No vídeo, Ana Carolina defende o nascimento das crianças com microcefalia. “Através desse vídeo venho pedir a todos para pensar sobre a liberação do aborto de crianças com microcefalia. Essas crianças podem até nascer com deficiências, mas tenho plena certeza que vocês vão aprender e muito com elas. Elas têm direito de ter de vir ao mundo e viver, provando que são capazes.  Como eu, conheço outros cinco casos, aqui da minha cidade também, que foram capazes de superar seus limites”, afirmou a jornalista.

 

 

Chance
Ela conta que no dia em que nasceu, o médico falou que ela não teria nenhuma chance de sobreviver. “Tenho microcefalia, meu crânio é menor que a média. O doutor falou: ‘ela não vai andar, não vai falar e, com o tempo, entrará em um estado vegetativo até morrer’”. Em resposta ao prognóstico, Ana Carolina começou a andar com apenas um ano. Estudou, entrou na Universidade e acredita que é porta-voz das pessoas com microcefalia.

“Se vocês deixarem essas crianças nascerem, vão aprender muito. Primeiro, porque a microcefalia por ser uma doença rara, até então, não tinha estudos acerca dela. Então, essas crianças podem ajudar a Ciência a descobrir mais sobre essa síndrome. O segundo ponto é que a partir do momento em que você investir na melhoria dos tratamentos, você também vai investir em melhorias nos serviços da saúde pública para outras pessoas”, argumenta Ana Carolina.

Ao finalizar o vídeo, a jornalista aponta que a microcefalia não é uma ciência exata. “Não são todos casos que a síndrome é grave, isso varia muito. Não é justo impedir o nascimento dessas crianças. Elas podem mostrar a sociedade que são capazes, assim como eu sou, assim com essa criança que conheci recentemente vem se provando capaz. Deixem elas viverem”.

Na semana em que comemoramos a solenidade da Imaculada Conceição de Maria, o Supremo Tribunal Federal ameaçou os cidadãos brasileiros com a legalização do aborto de bebês cujas mães estão infectadas com zika vírus, mesmo sem a comprovação de que o feto possui qualquer grau de microcefalia. Por hora, a ameaça foi adiada, mas não vencida. O que está por trás desse ativismo jurídico do STF? Ele não é uma novidade e esconde uma raiz de pensamento eugenista. Entenda um pouco melhor esse pensamento nesta entrevista do Prof. Renato Varges no encerramento do 1º Congresso Online sobre o Matrimônio Católico.

 

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De tempos em tempos a questão do aborto volta à cena pública no Brasil, aparentemente cada vez com maior força para os seus defensores. Para os abortistas, essa força cada vez maior é um sinal da veracidade de sua posição (sim, da veracidade, pois nesses tempos relativistas ainda se usa a verdade como justificativa – porém uma verdade que é definida pela maioria, isso é, por quem tem a hegemonia). Na verdade, o aumento do apoio ao aborto é sinal do crescimento, em nossa sociedade, de uma antropologia – uma visão de homem – que cada vez menos acolhe a pessoa humana em sua totalidade e na fragilidade inerente a ela.

O que significa o aborto para as pessoas diretamente envolvidas (a própria criança que vai nascer, sua mãe e, nem sempre, seu pai)? Significa que essa criança só será aceita se estiverem dadas certas condições inerentes a ela (ser sadia, por exemplo) ou ao meio no qual se encontra (a mãe tiver condições sócio-econômicas evidentes para recebê-la, por exemplo). Nesse caso, aceitação não é equivalente a acolhimento: a acolhida se dá num contexto dominado pela gratuidade, onde o outro não deve ser, nem demonstrar nada, onde sua existência tem um valor superior a qualquer condição material.

No mundo do aborto, a aceitação de qualquer criança deixa de ser uma acolhida: mesmo aqueles que nascem, puderam fazê-lo porque “passaram no teste de viabilidade” da família que os aceita. Se sua primeira aceitação implicou nesse primeiro teste, todos os dias eles terão que passar por esse teste, pois cada um de nós aceita e é aceito pelo outro todos os dias – a aceitação é um acontecimento que se repete a cada dia, a cada novo embate com a realidade. A antropologia e a cultura dos quais nasce o aborto caracterizam-se pela não-gratuidade, pela necessidade permanente de cada um de nós estarmos correspondendo a alguma coisa para podermos sobreviver e gozarmos minimamente do ungüento do carinho de nosso próximo.

Por tudo isso, a questão do aborto não é um problema individual da gestante, ou quando muito um problema compartilhado entre ela e o seu filho. É um problema de toda a sociedade, porque todos nós, quando nos posicionamos em relação a uma lei referente ao aborto, estamos nos posicionando em relação a cada pessoa com a qual nos deparamos na vida.

Aborto e violência

Em um trabalho sobre a violência urbana, suas causas e formas de enfrentá-la, realizado pelo Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, ficou patente que a causa última dessa violência pode ser entendida como a dificuldade da sociedade urbana em acolher a pessoa, particularmente a pessoa pobre. Não se sentindo acolhida, essa pessoa reage com violência para com os demais. Essa acolhida, nesse caso específico, se materializa em condições dignas para sobreviver e se desenvolver como pessoa. Porém, dentro de uma sociedade que abriga objetivamente estruturas injustas, é a posição cultural de acolhida, de abertura gratuita ao outro, que cria os espaços capazes de uma transformação efetiva da sociedade.

A primeira violência contra uma pessoa é fazer com que ela tenha que passar por um teste para ganhar o direito à vida antes mesmo de nascer. E essa violência se perpetuará ao longo de sua vida, pois ela será educada e olhará aos demais nessa perspectiva. Talvez nem todos perderão o direito de viver só porque não passam em seu teste particular de adequação, mas todos – inclusive ele próprio – dependerão de um teste assim para se perceberem amados.

Só uma cultura da acolhida, que valoriza a cada um por aquilo que ele é, que percebe que acolher o outro é a maior exaltação que podemos fazer a nós mesmos, é capaz de vencer a violência. Sem isso, vivemos uma realidade paradoxal: cada vez mais a psicologia e o desenvolvimento das instituições democráticas nos dão condições de compreender e superar os distúrbios individuais e as situações de injustiça, mas – ao mesmo tempo – cada vez mais criaremos uma sociedade de violência e desamor para com cada um de nós.

Um olhar sobre a mãe

No contexto atual, a luta contra essa cultura de violência passa sem dúvida por questões jurídico-legais. É importante perceber que uma cultura que não se materializa em leis é uma cultura que pouco incide na sociedade contemporânea. Porém, essa dimensão, por si só, não é suficiente para responder a todo o problema. Não basta dizer “o aborto não é legal” e deixar aquelas mulheres que optariam por um aborto legal jogadas à própria sorte.

A resposta verdadeira – isso é, que corresponde ao desejo mais profundo do nosso coração – ao problema da gravidez indesejada ou aparentemente inviável não é o aborto, mas sim a acolhida à mãe e a seu filho que está para nascer. Realmente, como dizem os próprios defensores do aborto, ele não é uma coisa boa e aparece sempre como a última saída. Mas é uma última saída falsa. A última saída (porque mais radical) e ao mesmo tempo a primeira (porque é aquela que no fundo todos desejam) é a acolhida da mãe por uma companhia viva e operativa no mundo.

Sozinha, mãe alguma poderia enfrentar todos os desafios implicados na educação de um novo ser humano. Quanto maiores as dificuldades enfrentadas, maior a necessidade de uma companhia e de que também aqueles que acompanham essa mãe sejam acompanhados. Assim, cada pessoa se torna o centro de uma grande rede de solidariedade (a palavra cristã, mais forte e radical, seria caridade, isso é, amor gratuito). Essa rede de solidariedade é a resposta cristã às dificuldades concretas que levam ao aborto. Cristã? Mas e os não-cristãos? Essa rede de solidariedade é a proposta de humanidade verdadeira, de caminho para a própria felicidade, que os cristãos lançam para todos os homens. É o fator que viabiliza uma cultura da acolhida, uma sociedade capaz de enfrentar a violência e dar um sentido adequado à vida de cada ser humano.

Esse é o sentido mais amplo das “Famílias para a Acolhida”, aquilo que faz dela umas das mais belas e comoventes “pontas de lança” da batalha por um mundo mais humano que o carisma de Dom Giussani gerou entre nós.

Por Francisco Borba Ribeiro Neto.

Fonte original: http://www.pucsp.br/fecultura/textos/bio_ciencias/aborto_confronto.html

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Uma organização de pesquisa pró-vida divulgou um relatório sobre o “problema global de abortos seletivos” motivados por questões de gênero, por exemplo – durante uma audiência na Câmara dos Estados Unidos, realizada para debater um projeto de lei, destinado a proibir a prática.

O Instituto Pró-vida Charlotte Lozier divulgou um documento intitulado “Aborto Sexualmente Seletivo: A Batalha Real das Mulheres”, de autoria de Anna Higgins.(1)

Higgins, que fez parte de um painel de testemunhas perante o Subcomitê de Constituição e Justiça Civil na quinta-feira à tarde, escreveu que aborto seletivo é um “problema global”.

“A discriminação sexual pré-natal cruza linhas culturais, étnicas e nacionais. É praticada impunemente em muitos países, incluindo os Estados Unidos, via aborto seletivo. Muitas mulheres são induzidas a abortar um bebê, com base exclusivamente no sexo da criança”, escreveu Higgins.

“Há muita influência cultural nos Estados Unidos para que as mulheres abortem com base no fato da criança ser do sexo feminino, de modo que esta lei vai fazer é dar a essas mulheres uma saída”, explicou ela. “Basicamente, dá-lhes a consciência de que elas têm o direito de se recusar a fazer um aborto, se elas estão sendo coagidas.”

“A discriminação pré-natal também pode ser praticada na pré-implantação [em casos de Reprodução Assistida], quando os embriões são destruídos em vista de seu sexo. Sem dúvida, essas práticas constituem uma discriminação contra um indivíduo humano único com base apenas no sexo, o que constitui uma forma injusta de discriminação”.

Higgins defende que o governo restrinja à prática, argumentando que “é imperativo que os Estados e o Governo Federal proíbam a instituição do aborto seletivo”.

“A pesquisa e diversos testemunhos pessoais mostram que a prática do aborto seletivo é ‘comum’ entre culturas e nações, incluindo os Estados Unidos”, continuou Higgins.

“A seleção de sexo em favor dos meninos é praticada em algumas comunidades de imigrantes asiáticos dentro dos EUA e outras nações ocidentais, como o Reino Unido.”

O documento elaborado por Higgins foi apresentado, considerando-se que ela é uma das quatro pessoas com perícia avaliada para depor perante a Câmara, na análise de projeto de lei que pode proibir a prática em questão.

Conhecida como a Lei de Anti-discriminatória Pré-natal de 2016, ou pela sigla ‘PRENDA’, a proposta visa impedir a discriminação contra bebês em gestação, com base em sexo / gênero.

Além de Higgins, as outras testemunhas agendadas são ‘Catherine Davis’, da Coalizão Nacional Pró-vida; Miriam Yeung, do Fórum Nacional Asiático Pacífico das Mulheres Americanas e o Reverendo Derek McCoy, do Centro de Renovação Urbana e Educação.

Síndrome de Down

Além de abortos motivados pelo preconceito com relação ao sexo dos bebês, outras razões também podem estar entre os motivos usados como ‘justificativas’ das interrupções das gestações.

Considerada uma das maiores redes de clínicas de aborto dos Estados Unidos e atuante com autorização e apoio do governo norte-americano, a ‘Planned Parenthood’ apresentou uma queixa legal, devido à aprovação de leis que proíbem o aborto em casos de bebês com Síndrome de Down (e outros tipos de síndrome ou má formação congênita).

No último dia 21 de março, data em que se celebrou a 11ª Jornada Mundial da Trissomia 21, a fundação francesa Jerôme Lejeune e a associação canadense-holandesa Downpride apresentaram um abaixo-assinado mundial (2) para exigir a proibição do exame pré-natal que identifica a síndrome de Down.

Os destinatários do documento são os líderes das maiores instituições internacionais que, em tese, deveriam garantir o respeito pleno pelos direitos humanos: Ban Ki-moon, secretário geral da ONU; o príncipe saudita Zeid Ra’ad Al Hussein, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos; Nils Muižnieks, comissário do Conselho da Europa para os Direitos Humanos; e Frans Timmermans, comissário europeu para a Carta dos Direitos Fundamentais.

O abaixo-assinado pede que os governos “eliminem dos programas de saúde pública o exame pré-natal que identifica a síndrome de Down e apliquem à triagem pré-natal os princípios internacionais da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Convenção de Oviedo e da Corte Europeia de Direitos Humanos, limitando os exames genéticos à melhora dos cuidados e da saúde das pessoas e impedindo-os de gerar discriminações”.

O documento denuncia que mais de 90% das crianças com a trissomia 21 são hoje abortadas e que existe uma perspectiva de se aumentar mais ainda o número desses abortos seletivos, dado que “muitos países incluem nos exames pré-natal um teste genético para detectar a síndrome de Down”. Uma vez detectada essa condição, muitos pais optam por abortar seus filhos.

Mas as crianças que nascem com a síndrome “podem hoje esperar uma vida longa e de boa qualidade”, afirmam os organizadores do abaixo-assinado, observando, além disso, que, em comparação com as famílias ditas “normais”, “as pessoas com trissomia 21 e seus familiares atingem uma visão melhor sobre a vida”.

A fundação Novae Terrae, que apoia a campanha, define o abaixo-assinado como “uma iniciativa urgente da humanidade”. Seu diretor geral, Luca Volontè, observa que “os novos testes genéticos pré-natal agravarão o número já dramático de abortos de crianças com a síndrome de Down. Nosso mundo ocidental, que se mostra seriamente interessado pelo humano, não pode virar os olhos diante dessas contradições que o desfiguram”. Para Volontè, a discriminação contra as pessoas com a trissomia 21 é uma “silenciosa violação dos direitos humanos”.

Microcefalia

No Brasil, os surtos de microcefalia acabaram esquentando ainda mais o debate sobre o ‘direito ao aborto’. A psicóloga Marisa Lobo participou recentemente de um debate na Rede TV! sobre o assunto e criticou o caráter contraceptivo que acabou sendo desenvolvido pela interrupção da gravidez.

“Eu sou mulher e defendo os direitos das mulheres, mas não defendo o ato de matar uma criança simplesmente porque ela apresenta algum defeito”, destacou.

  1. https://lozierinstitute.org/sex-selection-abortion-the-real-war-on-women/
  2. http://pt.aleteia.org/2016/03/14/orgulho-down-associacoes-internacionais-combatem-uma-discriminacao-que-ja-comeca-no-pre-natal/

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Médicos que fizeram o parto de Jaxon Emmett Buell informaram aos pais que ele só viveria por alguns dias.

Quando deu à luz, Brittany Buell ouviu dos médicos que seu filho não tinha muito tempo de vida. Durante a gestação, ela foi aconselhada a realizar um aborto por conta da condição de saúde do bebê – que desenvolvia uma malformação do cérebro e do crânio – que poderia morrer no parto . Apesar das indicações, a mulher decidiu ter o filho e, contra todas as estimativas médicas, o pequeno Jaxon já completou 1 ano de vida.

Durante a gravidez, Jaxon foi diagnosticado com Anencefalia, uma deficiência no tubo neural, que faz com que a criança nasça sem partes do cérebro e do crânio. Mesmo sabendo do quadro clínico, os médicos não tinham certeza da gravidade da doença.

“Depois do segundo ultrassom, na 17ª semana, quando descobrimos que era um menino, percebemos que algo estava errado, pois o técnico de ultrassom observou o crânio e ficou muito quieto”, contou o pai do bebê, Brandon. “No dia seguinte, Brittany recebeu uma ligação dos médicos dizendo que estavam preocupados com o resultado da ressonância”.

De acordo com uma pesquisa do Centro de Controle e Prenvenção de Doenças, uma a cada 5 mil crianças nascem com Anencefalia nos Estados Unidos.

Brittany afirmou que ficou devastada com a notícia da doença do filho. “Meu coração estava em pedaços porque a coisa que eu mais queria na vida estava acontecendo até me dizerem que havia a possibilidade de nascer morto. Isso acabou com a minha alegria. Toda felicidade que uma mulher tem na gravidez – eu não tive isso”.

Os médicos aconselharam que Brittany realizasse um aborto quando ela estava grávida de 23 semanas, mas o casal recusou. “Nós fomos para casa naquela noite pensando que se fizéssemos um aborto nós nunca saberíamos como Jaxon seria e se ele teria sobrevivido”, desabafou Brandon. “Nós fizemos tudo o que foi possível para dar a ele a chance de lutar e ele tem se saído muito bem”.

Jaxon nasceu dia 27 de agosto de 2014, e sobreviveu. Ele passou as três primeiras semanas de vida conectado a diversos tubos em uma clínica intensiva.

“Foi um dia muito emotivo. Eu me lembro de segurá-lo em meus braços e ouvir os médicos dizerem que meu filho provavelmente nunca iria andar, falar, ver ou ouvir. Eles realmente não esperavam que ele sobrevivesse ao parto”, declarou Brandon.

Após o nascimento, o casal levou o filho em vários hospitais até que receberam o diagnóstico exato da doença e foram indicados tratamentos que suavizaram a condição de saúde de Jaxon.

Ainda assim, Brittany e Brandon acordam diariamente sabendo que o filho pode não sobreviver até o dia seguinte. “Isso está sempre na minha cabeça. Eu sei que hoje pode ser seu último dia. Tento me manter positiva em 99% do tempo, mas há o 1% que sempre me traz para a realidade da situação”, afirmou a mãe.

Para ajudar com os remédios e tratamentos caros, os amigos de Brandon criaram uma campanha online para arrecadar dinheiro. Até o momento cerca de US$55 mil (R$ 221 mil) já foram doados.

Brandon afirmou que, com o dinheiro da doação, eles conseguem que Brittany fique em casa oferecendo os cuidados diários que Jaxon precisa.

“Isso está sendo muito positivo porque as pessoas nos olham e dizem ‘É o Jax Strong’ – o apelido do Jaxon!. É realmente incrível o impacto que ele causou nas pessoas”, afirma Brittany.

Fonte: Portal Terra

 

médico aborto

A Igreja Católica diz que a falta de tolerância pela objecção de consciência é um risco não só para os católicos como para todos.

Um médico polaco foi despedido do seu cargo à frente de uma maternidade por se ter recusado a fazer um aborto.

O caso remonta a Abril deste ano quando uma mulher grávida, cujo nascituro tinha sido diagnosticado com graves deficiências na cabeça e no cérebro, pediu para fazer um aborto.

Bogdan Chazan, o director da maternidade, recusou-se a fazê-lo e também não indicou à mulher grávida onde se deveria dirigir para poder abortar. O médico é acusado ainda de não ter aconselhado a sua paciente sobre os prazos legais para poder praticar o aborto.

A mulher, que acabou por dar à luz, queixou-se do médico, que invoca razões de consciência para não colaborar materialmente com qualquer forma de aborto.

A presidente da Câmara de Varsóvia, Hanna Gronkiewicz-Waltz, resolveu por isso despedir o médico.

Já antes, o caso chegou a ser comentado pelo primeiro-ministro, que disse que os médicos que tivessem problemas de consciência em seguir a lei deveriam abandonar a profissão.

Mas a Igreja Católica na Polónia já saiu em defesa de Bogdan Chazan, dizendo que o despedimento é um “precedente perigoso que fere os direitos não só dos católicos, mas de todas as pessoas”.

A Polónia permite abortos até às 24 semanas em caso de malformação. Não é claro porque é que o casal esperou tanto tempo até tomar a sua decisão, nem porque razão não procuraram outro profissional para fazer o aborto.

Fonte: http://www.portugalnews.pt/

anencefalia

“…Deus tem um plano em cada vida. Se Ele o cria, Ele tem uma razão para isso”, assim declarou uma mãe cristã nos Estados Unidos ao saber que seu filho viveria pouco tempo após parto, optou por não fazer o aborto, que nos casos de anencefalia é indicado pelos médicos, preferiu viver 8 horas com o filho.

A mãe, Hearther Walker, declarou que Deus lhe deu forças para escolher a vida ao invés de partir para o aborto, após saber que seu filho viveria pouco tempo depois de dar a luz, o qual foi diagnosticado com anencefalia no pré-natal.

“Deus nos abençoou abundantemente. É incrível como Ele nos deu força e graça, pois eu não poderia ter feito isso por conta própria”, afirmou a mãe que vive na cidade de Memphis, estado do Tennessee, região sudeste dos Estados Unidos.

Através de um blog, Heather conta como foi sua batalha, ao ter seu filho diagnosticado meses antes do parto com anencefalia, doença pré-natal caracterizada pela ausência total ou parcial do cérebro, que apresenta uma taxa de aborto de 95 por cento.

A mãe revela que deixou sua fé guiá-la, sob a crença de que Deus promove experiências sempre como alguma ação concreta. “Eu sou cristã e acho que Deus tem um plano para cada vida. Se Ele o cria, Ele tem uma razão para isso”, declara ela.

Dois anos após a morte de Grayson, atualmente Heather se esforça orientando outras famílias cristãs, que passam pelo mesmo problema da descoberta da anencefalia antes do parto. Segundo ela, dificilmente é possível prevenir a situação, mas ao menos é fundamental trazer a mensagem do que está por vir e que Deus seguirá junto até o fim.

A grande repercussão em torno do caso trouxe benefícios e polêmicas à tona. A princípio, ao publicar suas fotos no Facebook, algumas do bebê sem parte do cérebro, a mãe teve seu perfil bloqueado em função do conteúdo.

O fato chamou a atenção da mídia, fez com que o Facebook voltasse atrás e levou várias pessoas com o mesmo problema a terem a chance de usar a história como exemplo de superação, ou de entrar em contato com Heather para ganhar uma palavra de esperança.

Mãe de um casal, Heather pretendia desistir de ter outros filhos após a morte de Grayson. No entanto, agora ela está gravida de Preslie, prevista para nascer em maio, sem nenhum diagnóstico de riscos de morte pré-natal até o momento.

Fonte: odiario.com

Samuel Armas

A impressionante história de Samuel, o feto com espinha bífida e Michael Clancy, o fotógrafo.

O fotógrafo profissional que documentou graficamente uma revolucionária intervenção cirúrgica de espinha bífida praticada dentro no útero materno em um feto de apenas 21 semanas de gestação em uma autêntica proeza médica, nunca imaginou se suas fotos se tornariam um dos mais comoventes e eficazes estandartes da defesa da vida frente ao aborto. Esta é a história completa de uma foto e do pequeno herói que é seu protagonista, Samuel Alexander Armas.

Michael Clancy, um fotógrafo profissional que nunca havia feito cobertura de casos médicos, soube que na Universidade de Vanderbilt em Nashville, (Estado norte-americano do Tennessee), seria feito algo que podia ser considerado uma “notícia importante”, pelo menos no campo da cirurgia: a operação de um menino por nascer no ventre materno. Conseguida a autorização para tirar a foto, Clancy nunca se preparou para o que seu obturador registraria: o momento em que o pequeno bebê recém operado estenderia sua pequeníssima mão do interior do útero de sua mãe para agarrar um dos dedos do médico que o havia operado.

A espetacular seqüência fotográfica correu como rastro de pólvora: após uma reportagem do jornal USA Today – o mais vendido do país- vários jornais dos Estados Unidos e de outras nações publicaram a mesma imagem. Sua repercussão chegou inclusive à Irlanda, onde tornou-se inesperadamente uma das bandeiras pró-vida.

Poucos puderam até agora explicar com precisão o poder comovedor da fotografia: páginas da internet registraram recordes de visitas, e a foto circulou copiosamente por grupos de discussão, fóruns e caixas de email. A atração da imagem talvez esteja em que, ao observá-la com atenção, esta transmite uma mensagem eloqüente: a vida do bebê literalmente está por um fio; os especialistas ainda não estão em capacidade de mantê-lo vivo fora do útero materno e devem tratá-lo dentro da matriz para corrigir sua fatal anomalia e em seguida fechar o ambiente no qual deve terminar de crescer. Nesse marco dramático, o pequeno bebê segura o dedo do médico, como se quisesse afirmar sua fragilidade e, ao mesmo tempo, seu agradecimento.

A imagem foi considerada uma das fotografias médicas mais importantes e a o registro de uma das operações mais extraordinárias feitas no mundo. Mas a história por detrás da imagem é mais impressionante ainda. Trata-se da experiência, luta e confiança de um casal de esposos que decidiu esgotar até o último recurso para salvar a vida de seu primeiro filho. Julie e Alex Armas vivem em Geórgia, Estados Unidos. Eles lutaram durante muito tempo para ter um bebê. Julie, uma enfermeira de 27 anos de idade, sofreu duas perdas antes de engravidar do pequeno Samuel. Entretanto, quando completou 14 semanas de gestação começou a sofrer fortes cãibra e um exame de ultra-som mostrou as razões. Ao revelar a forma do cérebro e a posição do bebê no útero, o exame evidenciou sérios problemas. O cérebro de Samuel aparecia deformado e a espinha dorsal se desprendia da coluna vertebral, que também mostrava anomalias. O diagnóstico não se fez esperar, o bebê sofria de “espinha bífida”, uma síndrome na qual a coluna vertebral em formação não fecha, deixando a medula exposta e afetando seriamente funções motoras. Os pais receberam a proposta de escolher entre um aborto ou um filho com sérias deficiências.

Alex, um engenheiro aeronáutico de 28 anos de idade, relata que se sentiram arrasados com a notícia mas, por sua profunda fé, o aborto nunca foi uma opção.

Antes de se deixar abater, o casal decidiu buscar uma solução por seus próprios meios e foi assim que ambos começam a pedir ajuda através da Internet. Foi a mãe de Julie – que hoje administra uma página especializada em casos de “espinha bífida”, quem encontrou um site que oferecia detalhes sobre a cirurgia fetal experimental desenvolvida por uma equipe da Universidade de Vanderbilt. Desta maneira, entraram em contato com o Doutor Joseph Bruner – cujo dedo é o que sustenta Samuel na fotografia- e começou assim uma corrida contra o tempo.

Dado que afeta a espinha dorsal, a mal-formação pode levar a uma lesão cerebral, gerar diversas paralisias e inclusive uma paralisia total. Entretanto, se pudesse ser corrigida antes que o bebê nasça, há muito mais opções de cura.

Embora o risco fosse grande e o bebê não pudesse nascer nesse momento, os Armas decidiram encomendar-se a Deus… e ensaiar a inovadora cirurgia. A operação foi um sucesso. Durante a cirurgia, os médicos puderam tratar do bebê – cujo tamanho não era maior do que um coelhinho das índias- sem tirá-lo do útero, fechar a abertura originada pela deformação e proteger a medula espinhal, que serve de caminho para os sinais nervosos cerebrais. Samuel tornou-se assim o paciente mais jovem a ser submetido a uma intervenção cirúrgica desse tipo.

Os jornais, revistas e páginas de Internet que haviam feito a cobertura do caso de Samuel, recebiam constantes pressões de seus leitores para averiguar o que havia acontecido com Samuel. Finalmente, apesar da preocupação da família por sua privacidade, o casal Armas decidiu publicar uma nota aberta de imprensa dando um feliz anúncio: Samuel nasceu através de uma operação cesárea em 2 de dezembro de 1999, quase um mês antes do previsto, um pouco abaixo do peso, como era de se esperar, mas em perfeito estado de saúde, apesar das naturais seqüelas de seu problema, especialmente uma certa rigidez nas pernas. Dois meses e meio depois de seu milagroso nascimento, o pequeno Samuel iniciou um árduo programa de reabilitação destinado a completar o êxito da operação intra-uterina praticada quando tinha apenas 21 semanas de gestação. Sua mãe, explicou que Samuel pesava mais de três quilos e embora o pequeno ainda precisará de alguns implementos para começar a caminhar, “sua ortopedista está muita satisfeita com sua evolução”.

A Sra. Armas confessou que sempre soube que a complicada operação intra-uterina não implicava a cura para seu filho mas “uma grande esperança”. Mas as boas notícias não são poucas: o menino não desenvolveu hidrocefalia, ou superprodução de fluido cerebral que é uma das complicações mais comuns da espinha bífida. O último exame de ultra-som sobre sua cabeça demonstrou que era praticamente normal.

“Ele é um bebê típico, nos mantém acordados toda a noite”, acrescenta Julie e expressa que com seu marido decidiram não conceder mais entrevistas porque não querem perder sua vida particular. Sobre as entrevistas já publicadas, Julie afirma que fizeram conscientes “de que a grande maioria dos bebês que sofrem de espinha bífida são abortados no país”. “Nós queríamos ajudar as pessoas com nosso testemunho. Somos um casal educado e profissional que ama e valoriza seu filho embora para a sociedade tenha um defeito. Não importa como seja Samuel, a única coisa que sabemos é que Deus permitiu que nascesse para causar impacto com uma fotografia de sua pequena mão”.

Uma fotografia tão eloqüente não esteve isenta de polêmicas geradas especialmente entre os abortistas. Alguns dirigentes pró-aborto, por exemplo, indicaram que a foto é “uma manipulação barata”; admitindo tacitamente que a imagem fez diminuir significativamente a causa do aborto não somente nos Estados Unidos, mas também em outros países.

Um episódio eloqüente da polêmica suscitada ocorreu no final de 1999, quando o excêntrico jornalista da Internet Matt Drudge enfrentou-se com a poderosa rede Fox, do magnata da mídia Rupert Murdoch. Drudge, um jornalista do escândalo que é também um convencido pró-vida, havia decidido abrir o primeiro bloco de seu programa de notícias na Fox com a espetacular foto que mostra a mão de Samuel, que já havia dado a volta ao mundo.

Os diretores da Fox, que se prezam em respeitar o direito de opinião de seus jornalistas, e que permitiram que Drudge fale praticamente de tudo em seu programa, incluindo os detalhes mais picantes da relação entre o Presidente Bill Clinton e Mônica Lewinsky, proibiram taxativamente que o jornalista exibisse a foto.

A razão que deram para justificar sua decisão era inconcebível: segundo os diretores, a fotografia se prestava a “confusão”, porque se tratava de uma intervenção de um não-nascido para curá-lo de um caso de “espinha bífida”, enquanto Drudge pensava em fazer um “uso indevido” ao apresentá-la como um testemunho a favor da vida e contra o aborto.

A razão de fundo era evidente: na Fox não se mostram bebês que contribuam para reforçar os argumentos pró-vida. Drudge abandonou o set enfurecido, deixando a Fox sem programa e acusando os diretores de praticar “pura e simples censura”. “Eu expliquei que deixaria claro de que coisa se tratava a fotografia, mas que queria usa-la como dramatização para demonstrar até que ponto um feto de 21 semanas está desenvolvido”. “se tivesse mostrado a foto de um ovo de águia com o animal levantando uma pata não teriam feito nenhum crítica”. “O problema é que se trata de um ser humano”, disse Drudge. Os editores, por sua vez, responderam com o costumado cinismo: “o que ele chama de censura -disseram-, nós chamamos edição”.

Por sorte, as reações positivas foram muito mais importantes. A impactante imagem foi considerada pela revista Life uma das 12 fotografias mais importantes de 1999. A seleção de Life decidiu que a imagem de Samuel Armas segurando a mão do médico Joseph Bruner merecia ser considerada também uma das mais importantes da década..

Segundo Justine McCarthy, uma veterana jornalista irlandesa, “ninguém pode deixar de se sentir comovido com a poderosa imagem desta pequena mão segurando o dedo do cirurgião” e assim como uma mão pode salvar vidas, esta imagem “seja talvez o argumento mais forte contra o aborto”.

Segundo McCarthy, a foto teve um papel definitivo no debate sobre a legalização do aborto na Irlanda, pois reforçou os esforços pró-vida para impulsionar um referendo que permitisse sua proibição.

Ao mesmo tempo, na Califórnia, o caso poderia impulsionar a medida apresentada pelo congressista George Runner para prevenir a dor nos bebês que são abortados através da aplicação de anestesia pelo menos nos abortos tardios. O projeto foi rejeitado pela pressão da filial da poderosa Planned Parenthood na Califórnia que considera que proporcionar anestesia aos 3.900 abortos tardios que são praticados anualmente na Califórnia não só seria muito caro, como iria gerar no público a consciência de que a criança a ser assassinada é uma “pessoa que sofre”… e isso é algo que os abortistas não querem que aconteça.

Apesar de tudo, as provas sobre a sensibilidade à dor dos bebês a partir do quinto mês de gestação são cada vez mais abundantes e certificadas pelos especialistas.

Para Joseph Bruner, o médico que operou Samuel, a operação lançou um interessante desafio à sociedade norte-americana, considerando que milhares de bebês são abortados com a mesma idade em que Samuel foi salvo. “Ao praticar operações para melhorar a qualidade de vida destas crianças, é difícil justificar uma operação que poderia acabar com suas vidas. Ao avançar através deste campo ideológico, a sociedade terá que fazer uma séria introspecção porque é impossível sustentar ambas posturas”, afirma Bruner.

Outro fruto surpreendente da fotografia é mudança na vida do fotógrafo que captou a comovente imagem do bebê. Michael Clancy nunca imaginou que o que veria não só levaria uma de suas fotos aos principais meios de comunicação do mundo como que o ajudaria a compreender que é necessário defender os não nascidos.

O fotógrafo de 43 anos, que nunca tinha fotografado uma intervenção cirúrgica antes, confessou que ver Samuel foi uma experiência surpreendente que o transformou em “um pró-vida”. Clancy disse que nunca tinha se dado conta de que os abortos legais podem ser praticados no quinto mês de gravidez e até mesmo depois. De fato, nos Estados Unidos os abortos são legais até o momento prévio ao parto.

Fonte: acidigital