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Um dos piores problemas que o mundo enfrenta hoje é a falta de nascimento de crianças. Poucos países têm hoje o índice de natalidade de 2,1 filhos/mulher, o mínimo necessário para a população se manter estável. Todos os países da Europa estão com índices muito abaixo disso, assim, a população começa a diminuir e faltam braços jovens para o trabalho e para manter a Previdência Social. Cresce assustadoramente o número de velhos e de aposentados, que custam muito ao pais. Isto gera a necessidade de aproveitar os imigrantes no trabalho. Os governos da Europa e do Japão fazem campanhas e pagam os casais para terem mais filhos.

Este controle drástico da natalidade tem uma razão profunda revelada pelo Papa Bento XVI no dia 28 de abril, em uma mensagem dirigida aos participantes da Pontifícia Academia de Ciências Sociais, disse que a queda da natalidade é conseqüência de uma crise de amor.

De fato, somente uma sociedade “doente” não quer mais ter filhos.

Disse o Pontífice que “Esta situação é o resultado de uma série de causas múltiplas e complexas, cujas razões últimas são morais e espirituais estão relacionadas com uma preocupante perda de fé, de esperança e de amor.

Em outras palavras podemos dizer que a falta de Deus na vida dos casais é o que gera o medo de ter filhos. Diz o Papa: “Possivelmente a falta de um amor criativo e aberto à esperança é o motivo pelo que muitos casais não se casam, ou explica porque fracassam tantos matrimônios e porque os índices de natalidade diminuíram notavelmente”. O Santo Padre afirmou que as crianças e os jovens, “freqüentemente, em vez de sentir carinho e de sentir-se amados, são simplesmente tolerados”. Em um mundo caracterizado por processos de globalização cada vez mais rápidos, estão expostos unicamente a uma visão materialista do universo, da vida e da realização humana.

O Catecismo da Igreja ensina que: “A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais.” (CIC, 2373; GS, 50,2).

“A fecundidade é um dom, um fim do matrimônio, porque o amor conjugal tende a ser fecundo… A Igreja está ao lado da vida, e ensina que qualquer ato matrimonial deve estar aberto à transmissão da vida (CIC, 2366 ). Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais (CIC, 2378). Como cristãos não podemos fechar os olhos para este ensinamento da Igreja.

O renomado historiador francês, professor da Sorbonne, Pierre Chaunu, na entrevista que deu à revista VEJA, de 11.07.84 (há 22 anos!), sob o título “A Caminho do Desastre”, já afirmava, entre tantos outros alertas contra o controle da natalidade, que “estamos no limiar de um mundo de velhos” e que a humanidade corre o risco de ver a “implosão da espécie humana”. E mais: “Há quinze anos entramos num processo catastrófico. As taxas de natalidade caíram tanto nos países industrializados que já não somos capazes sequer de repor a geração atual”. Na França já se constrói mais ataúdes do que berços. Mas será que falta alimentação no mundo? Não! O Relatório da ONU intitulado Estado da População Mundial, em 1987, afirmou: “Depois da revolução verde, da biotecnologia, não se duvida mais que haja condições para acabar com a fome no mundo”. (Folha de São Paulo, 15/06/87).

O mesmo Relatório da ONU ainda afirmava: “Há 453 milhões de toneladas de trigo, arroz e grãos estocados em todo o mundo, e os agricultores dos Estados Unidos e da Europa Ocidental são pagos para não produzir”.

A Folha de São Paulo, em matéria intitulada “Terra não terá explosão populacional, diz a ONU” (05/02/98, pag.1-14), da jornalista Cláudia Pires, de Nova York, afirma: Depois de anos de previsões sobre uma possível explosão populacional na Terra, demógrafos e outros especialistas no assunto acabaram concluindo que o risco de um planeta super-habitado está cada vem mais distante. Atualmente existem 5,7 bilhões de pessoas no planeta. De acordo com os especialistas, se os índices populacionais forem mantidos… o total populacional na metade do próximo século deve estar beirando os 9,4 bilhões. A cifra é a metade da prevista no início deste século.

Malthus afirmava que o crescimento da natalidade era uma “bomba” demográfica e que o mundo chegaria ao ano 2000 com 20 bilhões de pessoas. Não chegou a 6,5 bilhões… Catastrofistas de plantão assustam a humanidade.

A Igreja sempre condenou esse controle drástico da natalidade, desde que a pílula anticoncepcional foi inventada, em 1967. Paulo VI que a combateu na “Humanae Vitae”, dizia que a Igreja é “perita em humanidade”. Por não querer ouvir a sua voz, o mundo, mais uma vez, começa a chorar a falta de filhos; e vai chorar muito mais ainda; quem viver verá…

Não é justo e nem moral querer resolver os problemas da humanidade impedindo a vida de existir, e de proibir as pessoas de terem filhos. Dizia Paulo VI: “Não se trata de diminuir o número de comensais, mas de aumentar a comida na mesa”. A Igreja não aceita soluções fáceis para problemas difíceis, porque sabe que são inócuos.

Não tenho dúvida de que serão muito felizes os casais cristãos de nosso tempo, que tiverem a fé e a coragem de desafiar esta onda contraceptiva e tiver todos os filhos que puder criar, sem medo, sem comodismo e sem egoísmo.

Fonte: http://www.veritatis.com.br/

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As questões éticas que giram em torno da vida humana têm vínculo direto com a caridade, estão ao alcance da razão humana e por sua vez repercutem — positiva ou negativamente — em muitos âmbitos da existência: são as três guias que orientam o ensinamento do Papa em Bioética.
Assim sintetizou um especialista neste campo, o Pe. Gonzalo Miranda, na Embaixada da Espanha ante a Santa Sé. Professor de Bioética do Ateneu Pontifício «Regina Apostolorum» de Roma, o sacerdote identifica três grandes motivos que estão caracterizando as contribuições de Bento XVI no campo da Bioética.
Questão de amar
«A caridade a favor da vida humana» — a centralidade do amor, sublinhada em sua encíclica «Deus caritas est» –, é um desses princípios. O Papa mostra que que, «partindo do amor profundo a cada pessoa, é possível pôr em ato formas eficazes de serviço à vida», assinala o Pe. Miranda.
Seguindo o ensinamento papal, «é o amor que nos leva a acolher especialmente os mais fracos» — continua –, ao «respeito também pelas crianças», e esta capacidade de amar é válida igualmente quanto ao embrião humano, que «deveria sempre nascer de um ato de amor», de forma que o amor está «na origem do ser humano» e na «capacidade de acolhê-lo».
Entre as conseqüências da falta da capacidade de amar, encontra-se o «inverno demográfico» sobre o qual Bento XVI alerta. «Há famílias — recordou o especialista em Bioética, fazendo-se eco do Papa — que têm medo do filho porque supõe um espaço na própria vida, e quando se vive só para ganhar a vida, e não para dá-la, nem para dar espaço da própria vida, tem-se medo do filho».
«Por isso o Papa se entusiasma e se alegra quando constata a capacidade de amar, que vê especialmente nas mães, ‘le mamme’, diz assim, em italiano» — recorda; de fato, «em um encontro na diocese de Roma com sacerdotes, ele lhes dizia espontaneamente: ‘Quando cheguem em casa, digam às mamães, simplesmente: o Papa vos agradece, vos agradece porque haveis dado a vida, porque quereis ajudar esta vida que cresce e quereis construir assim um mundo humano’».
Neste contexto, de acordo com o Pe. Gonzalo Miranda, «muitos dos problemas complexos e difíceis nos quais intervêm a ciência, o direito, a teologia, a filosofia, muitos se iluminariam se soubéssemos realmente pôr no centro a capacidade de amar, de amar o outro, todos, de qualquer condição, em qualquer circunstância, nascidos ou não nascidos».
Razão natural
No campo da Bioética, outro princípio de Bento XVI está «em seu grande interesse pela busca da verdade, sua confiança na razão e na capacidade de que a razão se deixe iluminar pela fé, pela Revelação».
O Papa «confia na capacidade do homem para encontrar a verdade, ou ao menos aspectos da verdade sem que possa abrangê-la totalmente», aponta o sacerdote.
Por isso, «sublinha que a maioria dos princípios, dos conceitos que tem a ver com a iluminação dos temas de Bioética são de mera razão natural — acrescenta –, que não requerem a fé, e que, portanto, são passíveis de ser entendidos e aceitos por toda pessoa que tenha e que queira usar a razão para entender».
Daí também que o Santo Padre aluda à lei natural — explica o Pe. Miranda — e ao fato de que «hoje em dia, muitas vezes não se seja capaz de entender o que a lei natural diz à razão do homem, de todo homem, porque temos uma visão deformada» dela.
Costumamos reduzi-la «aos aspectos biológicos naturalísticos; perdeu-se a visão metafísica da lei natural», «mas é preciso recuperá-la», razão pela qual o Papa convida a «fazer referência à lei natural como guia para iluminar com a razão muitos dos problemas que a Bioética enfrenta», indica o especialista.
Igualmente, o Papa assinala a necessidade de «curar a doença do asceticismo, do medo da verdade, da desconfiança da razão».
E consciente dos limites do conhecimento humano — afirma o professor de Bioética –, o Santo Padre assinala a importância «de ter a capacidade, o valor, de tentar ir além do mero dado científico; de ir ao descobrimento do mistério do homem», porque «a ciência, por mais que progrida, e progride, nunca resolverá completamente o problema de fundo do que é o homem».
A propósito da razão, e de sua capacidade, «o Papa insiste muito na necessidade de formar as consciências» — adverte –, porque nossa sociedade atual não percebe a enorme gravidade de problemas, como «a difusão de uma mentalidade eugênica, de seleção de embriões, ou de sua utilização para a pesquisa», por exemplo.
Repercussões e chamado à ação
De particular importância, no exame das questões bioéticas, é a capacidade do Papa para ver conexões entre elementos aparentemente independentes, vínculos que permitem apreciar «as eventuais ou seguras conseqüências, inclusive a longo prazo, de determinadas intervenções no campo da Bioética», alerta o Pe. Miranda.
É o caso — exemplifica — da profunda afetação da família por temas bioéticos: «em uma sociedade na qual a família se permite destruir [com o aborto] a vida que está surgindo no seio da própria mãe, e isso é legalmente aceito, significa que a família está se perdendo enquanto tal, enquanto o lugar no qual se é capaz de acolher o outro simplesmente porque é ele, a pessoa enquanto pessoa».
Dessa forma, «Bento XVI relaciona alguns temas da Bioética com matérias como a paz», por exemplo — assinala o Pe. Miranda — alertando que «só se a vida humana for respeitada desde a concepção até a morte natural, é possível e crível também a ética da paz, necessária e importantíssima».
«Não somos críveis quando falamos de paz e permitimos que um ser inocentes no seio de sua mãe ou em um laboratório possa ser destruído impunemente», acrescenta; mais ainda, o Papa diz que «não se pode pensar que uma sociedade possa combater eficazmente o crime quando ela mesma legaliza o delito no âmbito da vida nascente».
O Pe. Miranda considera que são palavras fortes que convidam «todos a estarem formados, e aos políticos a intervir em defesa e promoção da vida humana».
Neste sentido, o Papa também se centraliza em duas expressões para recordar que «há valores que não são negociáveis — o direito à vida de todo ser humano, a família fundada no matrimônio e a liberdade de educação dos filhos — e que há bens indispensáveis, como o da vida», aponta o especialista.
Em conjunto, as exortações papais se dirigem a que se tome consciência «dessas realidades para atuar, cada um desde suas possibilidades, sinceramente, a favor desses valores», conclui.
Fonte: Zenit

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Outro dia lí a afirmação de alguém que me fez pensar. Dizia que os pais da nossa época não querem ter filhos, mas sim filhotes. De fato há algo de muito sábio nessa afirmação. E não é a toa que o Papa Bento XVI, ainda quando cardeal, em uma entrevista cedida a um jornalista alemão, disse com ar de pesar que enxergava, infelizmente, uma mudança radical na visão que o mundo tinha dos descendentes. Filho, passara de sinônimo de benção para sinônimo de ameaça. Impossível discordar. Está em nossa volta, está na reação das pessoas, no olhar apavorado diante da hipótese de se ter algum filho nesta vida. Filho no singular, porque no plural, a reação passa de medo para um ar reacionário de quem julga irresponsabilidade ter vários filhos nos dias atuais.

A sociedade do bem-estar parece que colocou como valor supremo, digno de menção no Código dos Direitos Humanos, a expressão “qualidade de vida” como sublime direito e dever magno de todas as sociedades. Digo magno, porque se atreve a ocupar o lugar da verdade, da razão fundamental pelas quais as sociedades ditas democráticas devem estar calcadas. Por isso, a partir dessa mentalidade, qualquer evento que se oponha a esse valor supremo deve ser eliminado.

Um idoso que sofre com problemas degenerativos se encaixa nos padrões de uma vida de qualidade? Não? Pode desligar os aparelhos. Um bebê que é gerado no seio de uma família modesta terá a oportunidade de calçar Nike, estudar em colégio particular e gozar de conforto desde a mais tenra idade? Não? Pode abortar. Um casal pobre que passa por dificuldades financeiras poderá dar a possíveis filhos uma faculdade, plano de previdência privada, lazer e cultura? Não? Pode laquear as trompas uterinas.

Graças ao pragmatismo vigente, que faz o mundo enxergar tudo sobre a relação útil/ inútil, serve/ não serve, presta/ não presta, graças a essa sublimação do bem estar social, não poderemos encontrar sentido para essas vidas se estas não se encaixarem dentro deste ideal materialista. Mais do que nunca a vida humana foi agregada ao valor da coisa e não demora para que seja tratada e vista como objeto. Quer dizer, o sentido da vida em nosso tempo foi relativizado aos dogmas da sociedade de consumo.

É por isso que o hedonismo, a busca do prazer como fim último, tão enraizado em nossa cultura, não tolera a presença de um tirano, como um filho. Dentro desta visão aonde filho é ameaça, ótica essencialmente cética e pessimista, no melhor estilo de Nietsch, a paternidade é realçada apenas pela característica que fere justamente o bem-estar e o conforto, seguindo a contra-mão da suposta “qualidade de vida”.

Eles, os filhos, chegam para atrapalhar a carreira, fazendo os pais voltarem para casa antes das 20h, para onerar a família e diminuir a renda no fim do mês, impedindo a troca de carro para aquele ano, para adiar os planos daquela viagem para a Europa etc.

É verdade que exigem bem mais cuidados que um animal de estimação. Um animal precisa de um banho por semana, os filhos precisam de um por dia. Um animal precisa de uma tigela com ração, filhos precisam de pelo menos 3 refeições diárias. Um animal precisa de passeios eventuais, filhos precisam sair de casa todos os dias. Um animal agüenta passar o dia sozinho, filhos precisam de afeto. Realmente, é muito mais difícil. Mas não tem problema. Pagando uma escola integral abaca o problema das refeições. Pagando um motorista acaba o problema com os passeios. Pagando uma babá acaba o problema com os banhos e com a companhia. E também com alguns mimos extras acaba o afeto perdido. Pronto. Até que é possível.

“Mas como gastam esses filhos! Realmente é melhor não tê-los.”

Não seria melhor dizer “como gastam esses pais”? Não seria melhor afirmar que a lei do menor esforço é que tem o preço mais alto de todos, e que esses gastos são para preservar a qualidade de vida dos pais a qualquer preço? E que o que se busca realmente é uma fuga das responsabilidades inerentes a paternidade, que exigem uma renúncia ao egoísmo e um abertura para a humanidade dos filhos, bem diferentes dos filhotes? E que uma verdadeira educação baseada no amor, na liberdade responsável, no ensino das virtudes da personalidade e de caráter exige pais dispostos a levantarem dos sofás, a renunciarem a balada pós-trabalho e a uma presença exigente?

Sem dúvida seria mais sincero e bem menos hipócrita.

Não, filhos não são filhotes da quais se possam dispor como objeto de serviço e mero entretenimento. Filhos são uma nova oportunidade dessa família dar certo; uma nova chance de fazer a vida valer a pena e ter sentido; uma nova chance para a humanidade chegar a ser aquilo que deveria. Cada novo filho neste mundo é uma nova realidade completamente original, que jamais existiu e que jamais existirá novamente, capaz de mudar a sí mesmo e o mundo ao seu redor. Cada novo filho no mundo é uma nova chance de redimirmos nossa sociedade corrompida pelo egoísmo.

É por isso que não existem razões para se acovardar diante dos filhos, pelo contrário, a abertura a eles deve nos recobrar a coragem e a fortaleza de sermos definitivamente humanos novamente. Porque dar um filho amado ao mundo é passar o bastão da vida que recebemos de nossos pais e dizer bem alto que a vida ainda vale a pena. Dar ainda, vários filhos amados ao mundo, de acordo com nossas sinceras possibilidades, é multiplicar a força criativa que caduca nas nossas sociedades, é injetar bolsas de sangue no organismo sedento do nosso mundo. Negar a verdadeira paternidade é negar a sí mesmo e decretar a falência da humanidade, é dizer que o desespero venceu e que a esperança morreu.

Um ótimo professor pode dar ao mundo, se tiver sorte, talvez 1 bom cidadão a cada classe com 50. Um ótimo pai e mãe, podem certamente, se assim desejarem, dar ao mundo 3,5,7 ótimos cidadãos capazes de transformar o mundo e o futuro. E que vão dizer aos filhos deles, que vovô e vovó fizeram o mundo valer a pena.

Fonte: Cultura da Vida

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Dirijo a todos a minha saudação deferente e cordial por ocasião da Assembleia Geral da Academia Pontifícia para a Vida e do Congresso Internacional, acabado de iniciar, sobre O embrião humano na fase da pré-implantação. Saúdo de modo especial o Cardeal Javier Lozano Barragán. Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, assim como Mons. Elio Sgreccia, ao qual agradeço as gentis palavras com as quais realçou o interesse particular das temáticas que são tratadas nesta circunstância, e saúdo o Cardeal eleito, amigo desde há muito tempo, Carlo Caffarra.

De facto, o tema de estudo escolhido para a vossa Assembleia, O embrião humano na fase da pré-implantação, isto é, nos primeiríssimos dias que seguem a concepção, é uma questão extremamente importante hoje, quer pelas evidentes repercussões sobre a reflexão filosófico-antropológica e ética, quer pelas perspectivas de aplicação no âmbito das ciências biomédicas e jurídicas. Trata-se, sem dúvida, de um assunto fascinante, mas difícil eempenhativo, considerada a delicada natureza do sujeito em exame e a complexidade dos problemas epistemológicos que dizem respeito à relação entre o apuramento dos factos a nível das ciências experimentais e a subsequente e necessária reflexão sobre os valores a nível antropológico.

Testemunhos da Sagrada Escritura

Como se pode compreender, nem a Sagrada Escritura nem a Tradição cristã mais antiga podem conter desenvolvimentos explícitos do vosso tema. Não obstante, São Lucas, ao narrar o encontro da Mãe de Jesus, que o tinha concebido no seu seio virginal somente poucos dias antes, com a mãe de João Batista, já no sexto mês de gravidez, testemunha a presença ativa, embora escondida, dos dois meninos: «Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio» (Lc 1, 41). Santo Ambrósio comenta: Isabel «sentiu a chegada de Maria, ele (João) a chegada do Senhor; a mulher a chegada da mulher, o menino a chegada do menino» (Comm. inLuc. 2, 19.22-26). Contudo, mesmo na falta de ensinamentos explícitos sobre os primeiríssimos dias de vida do nascituro, é possível encontrar na Sagrada Escritura indicações preciosas que motivam sentimentos de admiração e de respeito em relação ao homem acabado de ser concebido, especialmente em quem, como vós, se propõe estudar o mistério da geração humana.

De fato, os livros sagrados pretendem mostrar o amor de Deus por cada ser humano ainda antes de tomar forma no seio da mãe. «Antes que fosses formado no ventre de tua mãe, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio materno, Eu te consagrei» (Jer 1, 5), diz Deus ao profeta Jeremias. E o Salmista reconhece com gratidão: «Fostes Vós que plasmastes as minhas entranhas e me tecestes no seio de minha mãe. Dou-Vos graças por tantas maravilhas; as Vossas obras são admiráveis, conheceis a fundo a minha alma» (Sl 139, 13-14)Estas são palavras que adquirem toda a sua riqueza de significado quando se pensa que Deus intervém diretamente na criação da alma de cada novo ser humano.

A vida humana é sempre sagrada e inviolável

O amor de Deus não faz diferença entre o neoconcebido ainda no seio da sua mãe, e a criança, o jovem, o homem maduro e o idoso. Não faz diferença porque em cada um deles vê a marca da própria imagem e semelhança (Gen 1, 26). Não faz diferença porque em todos reconhece reflectido o rosto do seu Filho Unigênito, no qual «nos escolheu antes da constituição do mundo, … predestinando-nos a sermos Seus filhos adotivos … por Sua livre vontade» (Ef 1, 4-5). Este amor ilimitado e quase incompreensível de Deus pelo homem revela até que ponto a pessoa humana é digna de ser amada por si mesma, independentemente de qualquer outra consideração – inteligência, beleza, saúde, juventude, integridade, etc.. Numa palavra, a vida humana é sempre um bem, porque «ela é, no mundo, manifestação de Deus, sinal da sua presença, vestígio da sua glória» (cf. Evangelium vitae, 34). De facto, ao homem é concedida uma altíssima dignidade, que tem as suas raízes no vínculo profundo que o une ao seu Criador: no homem, em cada homem, em qualquer estádio ou condição da sua vida, resplandece um reflexo da própria realidade de Deus. Por isso, o Magistério da Igreja proclamou constantemente o carácter sagrado e inviolável de cada vida humana, desde a sua concepção até ao seu fim natural (cf. Evangelium vitae, 57). Este juízo moral já vale no início da vida de um embrião, ainda antes de que se tenha implantado no seio materno, que o protegerá e alimentará durante nove meses até ao momento do nascimento: «A vida humana é sagrada e inviolável em qualquer momento da sua existência, também no momento inicial que precede o nascimento» (ibid., 61).

O mistério da transcendência humana

Bem sei, queridos estudiosos, com que sentimentos de admiração e de profundo respeito pelo homem dais continuidade ao vosso trabalho empenhado e frutuoso de investigação precisamente sobre a origem da vida humana: um mistério cujo significado a ciência será capaz de iluminar cada vez mais, mesmo se dificilmente conseguirá decifrá-lo totalmente. De facto, logo que a razão consegue ultrapassar um limite considerado insuperável, outros limites até então desconhecidos a desafiam. O homem permanecerá sempre um enigma profundo e impenetrável. Já no século IV, São Cirilo de Jerusalém apresentava aos catecúmenos que se preparavam para receber o batismo a seguinte reflexão: «Quem é que predispôs a cavidade do útero para a procriação dos filhos? Quem animou nele o feto inanimado? Quem nos proveu de nervos e ossos, rodeando-os depois de pele e carne (cf. Job 10, 11), e, logo que a criança nasce, faz sair do peito abundância de leite? De que maneira, a criança, crescendo, se torna adolescente, de adolescente se transforma em jovem, a seguir em homem e por fim em idoso, sem que ninguém consiga aperceber-se do dia exato em que se verifica a mudança?» E concluía: «Estás a ver, ó homem, o artífice; estás a ver o sábio Criador?» (Catequese baptismal, 9, 15-16).

No início do terceiro milénio, permanecem ainda válidas estas considerações que se dirigem, não tanto ao fenómeno físico ou fisiológico, quanto ao seu significado antropológico e metafísico. Melhorámos em grande medida os nossos conhecimentos e identificámos melhor os limites da nossa ignorância; mas, para a inteligência humana, parece ter-se tornado demasiado difícil aperceber-se de que, olhando para a criação, nos deparamos com a marca do Criador. Na realidade, quem ama a verdade, como vós, queridos estudiosos, deveria compreender que a investigação sobre temas tão profundos nos coloca na condição de ver e também quase de tocar a mão de Deus. Além dos limites do método experimental, no confim do reino que alguns chamam meta-análise, lá onde só a percepção sensorial ou a verificação científica sozinhas não são suficientes ou não são possíveis, começa a aventura da transcendência, o empenho de «ir mais além».

Queridos investigadores e estudiosos, faço votos por que consigais cada vez mais, não só examinar a realidade, objecto das vossas fadigas, mas também contemplá-la de tal forma que, juntamente com as vossas descobertas, surjam também as perguntas que farão descobrir na beleza das criaturas o reflexo do Criador. Neste contexto, é-me grato expressar um apreço e um agradecimento à Academia Pontifícia para a Vida pelo seu precioso trabalho de «estudo, formação, e informação» do qual beneficiam os Dicastérios da Santa Sé, as Igrejas locais e os estudiosos atentos a tudo o que a Igreja propõe no âmbito da investigação científica e acerca da vida humana na sua relação com a ética e o direito. Devido à urgência e à importância destes problemas, considero providencial a instituição deste Organismo por parte do meu venerado predecessor, João Paulo II. Por conseguinte, desejo expressar com sincera cordialidade a todos vós, Presidência, pessoal e membros da Academia Pontifícia para a Vida, a minha proximidade e o meu apoio. Com estes sentimentos, confiando o vosso trabalho à proteção de Maria, concedo a todos vós a Bênção Apostólica.

 
Discurso de Sua Santidade o Papa Bento XVI à Assembléia Geral da Pontifícia Academia para a Vida e do Congresso Internacional “O embrião humano na fase pré-implantação” 
Clementine Hall
Segunda-feira, 27 de fevereiro, 2006

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A relação entre o Vati­­cano e as pesquisas com células-tronco costuma ser resumida à oposição dos católicos à pesquisa com embriões. No entanto, desde 2010 a Igreja Católica mantém uma parceria com a NeoStem, um laboratório norte-americano de terapia celular, para não apenas incentivar a pesquisa com células-tronco adultas, mas também estudar os efeitos culturais e incentivar cientistas a refletir sobre as implicações éticas de seu trabalho. A parceria já rendeu dois congressos no Vaticano (o último deles neste ano, com a participação do Nobel de Medicina John Gurdon) e um livro sobre o potencial desse tipo de células. A CEO da NeoStem, Robin Smith, e o monsenhor Tomasz Trafny, diretor do Departamento de Ciência e Religião do Pontifício Conselho para a Cultura, conversaram com a Gazeta do Povo por telefone, da sede da NeoStem em Nova York, e explicaram como religiosos e cientistas se uniram por um objetivo comum. Confira os principais trechos da entrevista:

Como se produziu uma par­­ceria como esta, que muitos veem como incomum?

Monsenhor Tomasz Trafny: Normalmente os departamentos do Vaticano não estabelecem parcerias com companhias privadas. Mas queríamos explorar algumas questões específicas, como o potencial das células-tronco adultas, o que exigia uma colaboração mais próxima não só com quem tivesse expertise no tema, mas que também pudesse ajudar com recursos. O motivo pelo qual começamos a trabalhar com a NeoStem é o fato de que buscávamos não apenas um parceiro qualquer, mas um parceiro que cumprisse alguns requisitos. Buscávamos parceiros que compartilhassem da nossa visão, não apenas do ponto de vista científico, mas principalmente do ponto de vista moral. Eles têm uma plataforma ética muito clara: nunca fizeram pesquisa com embriões e nem querem fazê-lo. E é muito importante o fato de eles compartilharem conosco o interesse em um tema muito específico que estamos explorando: o potencial impacto cultural da pesquisa com células-tronco na medicina.

Robin Smith: Quando as pessoas falam de células-tronco, frequentemente há confusão. A maioria pensa de imediato nas células embrionárias porque, durante boa parte dos anos 90, a imprensa priorizou a controvérsia criada pelo debate sobre a pesquisa com embriões. Como essa é a única impressão que boa parte do público tem sobre células-tronco, muitos não sabem que as células-tronco adultas são algo diferente, são células retiradas do nosso próprio corpo com nosso consentimento, ou seja, não há implicações éticas associadas ao seu uso.

O Vaticano e a NeoStem já têm algum tempo de parceria. Ela chegou a mudar as concepções de cientistas do seu convívio que ainda podem ver “ciência” e “Vaticano” como entidades que não se misturam?

Smith: Essa tem sido uma colaboração maravilhosa. Temos gerado diálogo entre pesquisadores de vários campos de estudo ao redor do mundo. Estamos focados em nossa missão: educar as pessoas sobre os avanços nas pesquisas com células-tronco adultas e ajudar a levantar recursos para financiar testes clínicos. Também estamos trabalhando com o público estudantil, para que as próximas gerações possam entender o poder e o potencial da terapia celular.

Como poderíamos resumir, até agora, o que foi conseguido com a pesquisa com células-tronco adultas?

Smith: Há 4,7 mil testes clínicos em curso que usam terapias com células-tronco adultas. Acreditamos que, se você olhar para a indústria como um todo, conseguirá ver um grande progresso sendo feito. Por exemplo, na medicina cardiovascular há uma grande empolgação com as possíveis terapias. Há alguns produtos de terapia celular já aprovados em ortopedia, como o Carticel, da Genzyme, para a indústria de cartilagens articulares. Para mim, os dados mostram a animação em torno dos avanços em várias frentes clínicas, e esperamos ver ainda mais disso no futuro.

A pesquisa com embriões pode dar resultados similares no futuro, ou mais cedo ou mais tarde chegará a um beco sem saída?

Trafny: Não sabemos. É até possível que a pesquisa com células-tronco embrionárias dê resultados, mas a verdadeira questão é se é correto fazer tudo o que seja tecnicamente possível. Estamos fazendo essa pergunta aos cientistas. Claro que muitos não compartilham da sensibilidade moral e ética dos cristãos e dos católicos nesse tema específico, mas de qualquer forma as pessoas deveriam pensar sobre as potenciais consequências de agredir a vida humana. Se não temos nenhum limite, que diferença faz destruir a vida em seu início, ou no meio, ou no fim? Então, há coisas que, de um ponto de vista meramente técnico-científico, são possíveis, como usar embriões em pesquisa, mas queremos que a sociedade pergunte a si mesma se podemos fazer isso, de um ponto de vista moral. Essa é a questão.

Fonte: Blog Tubo de Ensaio

ato conjugal

1. Para que serve o ato conjugal?

Para exprimir o amor entre os cônjuges e para transmitir a vida humana.

2. Todo ato conjugal tem que gerar filhos?

Não necessariamente. Mas ela deve estar sempre aberta à procriação. Senão ela deixa de ser um ato de amor para ser um ato de egoísmo a dois.

3. Uma mulher depois da menopausa não pode mais ter filhos. Ela pode continuar a ter o ato conjugal com seu marido?

Pode. Pois não foi ela quem pôs obstáculos à procriação. Foi a própria natureza que a tornou infecunda.

4. Um homem que tenha o sêmen estéril não pode ter filhos. Mesmo assim ele pode ter o ato conjugal com sua esposa?

Pode. Pois não foi ele quem pôs obstáculos à procriação. Foi a própria natureza que o tornou infecundo.

5. E se o homem ou a mulher decidem por vontade própria impedir que a o ato conjugal produza filhos?

Neste caso eles estarão pecando contra a natureza. Pois é antinatural separar a união da procriação.

6. Quais são os meios usados para separar a união da procriação?

Há vários meios, todos eles pecaminosos:

a) o onanismo ou coito interrompido: consiste em interromper a relação sexual antes da ejaculação (ver Gn 38,6-10)

b) os métodos de barreira, como o preservativo masculino (condom ou “camisinha de vênus”), o diafragma e o preservativo feminino.

c) as pílulas e injeções anticoncepcionais, que são substâncias tomadas pela mulher para impedir a ovulação.

7. Como é que a pílula anticoncepcional funciona?

A pílula anticoncepcional é um conjunto de dois hormônios – o estrógeno e a progesterona – que a mulher toma para enganar a hipófise (uma glândula situada dentro do crânio) e impedir que ela produza o hormônio FSH, que faz amadurecer um óvulo. A mulher que toma pílula deixa de ovular, pois a hipófise está sempre recebendo a mensagem falsa de que ela está grávida.

8. A pílula é um remédio para não ter filhos?

Você não chamaria de remédio a um comprimido que alguém tomasse para fazer o coração parar de bater ou para fazer o pulmão deixar de respirar. O que a pílula faz é que o ovário (que está funcionando bem) deixe de funcionar. Logo ela não é um remédio, mas um veneno.

9. Quais são os efeitos desse veneno?

Além de fechar o ato sexual a uma nova vida, a pílula – conforme estudos realizados – expõe a mulher a graves conseqüências para a sua saúde. Eis algumas delas:

  • doenças circulatórias: varizes, tromboses cerebrais e pulmonares, tromboflebites, trombose da veia hepática, enfarto do miocárdio;
  • aumento da pressão arterial;
  • tumores no fígado;
  • câncer de mama;
  • problemas psicológicos, como depressão e frigidez;
  • obesidade;
  • manchas de pele;
  • cefaléias (dores de cabeça);
  • certos distúrbios de visão;
  • aparecimento de caracteres secundários masculinos;
  • envelhecimento precoce.

(Cf. GASPAR, Maria do Carmo; GÓES, Arion Manente. Amor conjugal e paternidade responsável. 2. ed. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1984, p. 50-51.)

10. É verdade que as pílulas de hoje têm menos efeitos colaterais do que as de antigamente?

É verdade. Para reduzir os efeitos colaterais, os fabricantes diminuíram a dose de estrógeno e progesterona presentes na pílula. Isto significa que cada vez menos a pílula é capaz de impedir a ovulação.

11. Assim as mulheres de hoje que usam pílula podem ovular?

Podem. E, caso tenham relação sexual, podem conceber. Mas quando a criança concebida na trompa chegar ao útero, não encontrará um revestimento preparado para acolhê-la. O resultado será um aborto.

12. Então a pílula anticoncepcional é também abortiva?

Sim. Este é um dos seus mecanismos de ação: impedir a implantação da criança no útero. Isto está escrito, por exemplo, na bula de anticoncepcionais como Evanor e Nordette: “mudanças no endométrio (revestimento do útero) que reduzem a probabilidade de implantação (da criança)”. A bula de Microvlar diz: “Além disso, a membrana uterina não está preparada para a nidação do ovo(a criança)”.

13. Em resumo, quais são os mecanismos de ação das pílulas ou injeções anticoncepcionais?

a) inibir a ovulação;

b) aumentar a viscosidade do muco cervical, dificultando a penetração dos espermatozóides;

c) impedir a implantação da criança concebida (aborto).

14. Existem dias em que a mulher não é fértil. Nesses dias o casal pode ter relação sexual?

Pode. Pois ao fazer isso eles não colocam nenhum obstáculo à procriação. A própria natureza é que não é fértil naqueles dias.

15. O casal pode procurar voluntariamente ter relações sexuais somente nos dias que não são férteis, a fim de impedir uma nova gravidez?

Pode, mas deve ter razões sérias para isso. Pois em princípio um filho não deve ser “evitado”, mas desejado e recebido com amor. Uma família numerosa sempre foi considerada uma bênção de Deus (Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2373).

16. Como se chama a abstinência de atos conjugais nos dias férteis?

Chama-se continência periódica. É popularmente conhecida como “método natural” de regulação da procriação. Não se deve falar em “planejamento familiar”, pois esse termo foi criado pelos defensores do aborto, da esterilização e da anticoncepção. Os documentos oficiais da Igreja nunca usam a expressão “planejamento familiar”. Ao contrário, usam paternidade responsável ou procriação responsável.

17. Que diz a Igreja sobre a paternidade responsável?

“Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito à lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento” (Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, n.º 10).

18. Dê exemplos de motivos graves que seriam válidos para se limitar ou espaçar os nascimentos através da continência periódica.

Nas palavras de Dom Rafael Llano Cifuentes, “já que o matrimônio se ordena, por sua própria natureza, aos filhos, esta decisão [de praticar a continência periódica] só se justifica em circunstâncias graves, de ordem médica, psicológica, econômica ou social”.

As razões médicas “poderiam reduzir-se a duas:

1º) perigo real e certo de que uma nova gravidez poria em risco a saúde da mãe;

2º) perigo real e certo de transmitir aos filhos doenças hereditárias”.

“As razões psicológicas estão constituídas por determinados estados de angústia ou ansiedade anômalas ou patológicas da mãe diante da possibilidade de uma nova gravidez”.

“As razões econômicas e sociais são aquelas situações problemáticas nas quais os cônjuges não podem suportar a carga econômica de um novo filho; a falta de moradia adequada ou a sua reduzida dimensão, etc.

Estas razões são difíceis de avaliar, porque o padrão mental é muito variado e porque se introduzem também no julgamento outros motivos como o comodismo, a mentalidade consumista, a visão hipertrofiada dos próprios problemas, o egoísmo, etc.” (CIFUENTES, Rafael Llano. 274 perguntas e respostas sobre sexo e amor. 2. ed. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1993. p. 141.)

19. Um casal poderia utilizar a continência periódica sem ter nenhum motivo sério para espaçar ou limitar o número de filhos?

Não. Se fizesse isso estaria frustrando o plano de Deus, que disse: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,22). Para evitar que o casal decida valer-se da continência periódica por motivos egoísticos, a Igreja dá aos confessores a seguinte orientação: “… será conveniente [para o confessor] averiguar a solidez dos motivos que se têm para a limitação da paternidade ou maternidade e a liceidade dos métodos escolhidos para distanciar e evitar uma nova concepção” (PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA, Vade-mécum para os confessores sobre alguns temas de moral relacionados com a vida conjugal, 1997, n.º 12).

20. É mais fácil educar um só filho do que muitos?

O Papa João Paulo II, quando ainda era cardeal de Cracóvia, escreveu: “A família é na realidade uma instituição educadora, portanto é necessário que ela conte, se for possível, vários filhos, porque para que o novo homem forme sua personalidade é muito importante que não seja único, mas que esteja inserido numa sociedade natural. Às vezes fala-se que é ‘mais fácil educar muitos filhos do que um filho único’. Também diz-se que ‘dois não são ainda uma sociedade; eles são dois filhos únicos’”(WOJTYLA, Karol. Amor e responsabilidade: estudo ético. São Paulo: Loyola, 1982. p. 216.)

De fato, o filho único está arriscado a ser uma criança problema. Recebe toda a atenção dos pais e não está acostumado a dividir. Poderá ter dificuldade no futuro ao ingressar na sociedade civil. Já um filho com muitos irmãos acostuma-se desde pequeno às regras do convívio social. Os irmãos maiores ajudam a cuidar dos menores, e todos crescem juntos.

21. Quantos métodos naturais existem para regulação da procriação?

Existem vários métodos usados para se identificar os dias férteis da mulher, a fim de que o casal possa praticar a continência periódica.

a) o método Ogino-Knauss, ou método da tabela. É o mais antigo de todos e tem pouca eficácia. Hoje seu uso está abandonado.

b) o método da temperatura. Baseia-se na observação da temperatura da mulher, que varia quando ocorre ovulação. O aparelho Mini-Sophia é uma versão eletrônica e computadorizada do uso deste método.

c) o método Billings, que se baseia na observação do muco cervical, que se torna fluido e úmido nos dias férteis, e seco nos dias inférteis. Não exige que o ciclo menstrual seja regular. Pode ser usado pelos casais mais pobres e mais incultos.

22. É verdade que o método Billings “não funciona”?

“Não funciona” para os fabricantes de anticoncepcionais, que não querem perder seus lucros. Mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a eficiência do método é de 98,5 %. Ele foi testado em diversos países como Filipinas, Índia, Nova Zelândia, Irlanda e El Salvador.

23. Mas não é muito mais cômodo tomar a pílula anticoncepcional do que abster-se de relações sexuais em certos dias?

Sem dúvida é mais cômodo. Mas o verdadeiro amor se prova pelo sacrifício.

24. E se a mulher engravidar apesar de praticar a continência periódica?

O filho deve ser recebido com amor e alegria. Aliás, o casal já deveria estar contando com esta possibilidade. A atitude de abertura à vida é fundamental para o verdadeiro amor.

 

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis

 

Neste importante debate, o Prof Hermes Nery da Comissão em Defesa da Vida da CNBB e a feminista Regina Jurkewicz, que se auto denomina católica pelo direito de decidir, falam sobre o aborto.

A feminista defende os direitos reprodutivos da mulher usando números falaciosos e aberrantes e sem fonte de comprovação, prontamente esclarecidos com dados oficiais pelo Prof Hermes.

A feminista tenta relativizar o valor da vida, buscando colocar sempre a mulher como sofredora e a Igreja e a criança como vilãs. Defende que o embrião e o feto não são uma criança e que ela é contra o aborto, mas precisa defendê-lo em favor das mulheres.

Num dado momento, como é próprio da militância feminista, passou a atacar a Igreja, insinuando inclusive que Santo Tomás de Aquino era a favor do aborto, em seguida defendeu a Teologia da Libertação, dizendo que a Igreja não tem nada que falar de sexo e usou a velha estratégia de definir a defesa da vida como uma iniciativa meramente religiosa, e citando dr. Varella chamou a Igreja de assassina porque deixa que as mulheres sofram por não permitir o uso da camisinha e nem o aborto. Ou seja, deu uma aula para provar que segue a risca a cartilha pró-aborto regada à uma dose de marxismo cultural, provando ela mesma que o catecismo anda longe de sua biblioteca pessoal.

Prof Hermes prontamente refutou todas as falácias estatísticas de Regina e nada mais foi citado sobre números. Esclareceu a posição da Igreja sobre o aborto, citando o Catecismo. Explicou porque só em 1869 a Igreja se relatou oficialmente sobre o início da vida humana, demonstrando claramente que a Igreja aguardou o amparo científico para se posicionar.

Para defender-se do desvio do assunto do debate, quando Regina falou a favor da camisinha, Prof Hermes mostrou uma pesquisa americana que prova que a camisinha não impede a transmissão do vírus da AIDS, aumenta a promiscuidade e historicamente não a incidência da doença. Em seguida leu uma carta emitida pela Igreja desmascarando o movimento das católicas pelo direito de decidir, provando que a debatedora não é católica, mas está a serviço de uma agenda internacional pró-aborto. Por fim, o prof  desmascarou a amostragem da tendenciosa tese de doutorado da feminista, que curiosamente é sobre o abuso de padres contra mulheres.

O resumo do debate, Dr. Bernard Nathanson, médico, ex-abortista, já dizia: Quer implantar o aborto em qualquer país, faça 3 coisas que são infalíveis:

1. Ganhe a mídia

2. Desumanize o Nascituro

3. Ataque a Igreja

Prof. Hermes se defendeu bem e usou os argumentos corretos para colocar a vida em seu devido lugar!

Assista aqui!!!

http://www.youtube.com/watch?v=ZuVzMfVMIjg

bioetica

O problema com uma dignidade meramente ética é que ela permanece sempre relativa e sujeita a juízos morais em desenvolvimento, instáveis. Torna-se necessário o recurso a uma dignidade humana que seja ontológica, e, portanto, inevitavelmente tendente à metafísica, além de uma dignidade teológica que se fundamente no absoluto, complementando-se ambas.1 Há que prestar atenção, pois quando se faz um apelo à ética, esta não deve consistir num qualquer sistema, vazio ou alienado em conteúdos. Esta questão envolve uma importância que deve estar longe de ser descurada. É perigoso considerá-la um negócio, passar por um jogo de interesses ou mesmo algo passageiro, mas tem de tornar-se um compromisso sério, radicado numa ética original e originária.2

Quando a bioética se funda em qualquer ética, corre-se sempre o risco de atropelar dignidade humana com ideologias impregnadas de utilitarismo, consequencialismo, e processualismo, aliás, várias faces de uma mesma moeda, cunhada inicialmente por Bentham e Mill, baseando em cálculos de felicidade e utilidade para os homens, valorizando o hedonismo, e julgando a bondade ou maldade do ato por sua utilidade, e não pelo fato em si, parecendo repetir o dito maquiavélico de que os fins justificam, ou absolvem os meios, 3 desde que a satisfação, no seu geral, seja alcançada.

Não se tardaria a cair em morais populistas como as de Peter Singer, com todos os seus erros perniciosos, pois o homem não tardaria também a ser avaliado segundo esse modelo: assim, aqueles que não possuem uso da razão, quer seja porque não o possuem, ou porque o perderam, deixam de estar incluídas na categoria de pessoas, talvez por não serem úteis…4. Parecem estar assim justificados alguns dos maiores crimes que se cometem hoje contra a dignidade da pessoa.

A Bioética, para ser, de fato, uma ética da vida, terá de ter um referencial que a transcenda. Nós não inventamos a existência, ela é-nos dada, portanto, dom gratuito. Do ponto de vista da vida que recebemos, desse ato de amor de Deus criador, o nosso ponto reto tem necessariamente de se transcender, pois materialmente falando, não fundamenta nem justifica o nosso ser. Um mundo que vira as costas ao seu autor, e que dirige a visão para causas puramente materiais, torna-se incapaz de dar o necessário valor à vida, e ao próprio homem, para relativizá-los.

Escreveu de modo acurado o Cardeal Elio Sgreccia, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, que o “silêncio da metafísica”, deu lugar ao relativismo, a uma ética racionalista laica, que não deveria deixar de se confrontar com o absoluto, pois a razão pede ao homem que se confronte com valores humanos e normas éticas cuja origem é transcendental.5 Realmente, uma ética sem qualquer fundamentação teológica ou metafísica está sujeita às frágeis bases do compromisso social.6

Acrescenta o Côn. Jorge Teixeira Cunha, no seu excelente Manual de Bioética, que a falta de confrontação com a evidência metafísica e o Absoluto nos pressupostos desta matéria, leva a um “bater de asas no vazio de uma egolatria sem horizonte”, pois “justificar racionalmente a norma do bem moral” não deve excluir, quanto ao seu juízo, a consideração do pensamento religioso e teológico cristão.7

Vemos, deste modo, que um conúbio entre a ética e a mística é fundamento e base para avida em plenitude do homem peregrinante nesta terra, dom do Criador, preâmbulo daquela mesma felicidade eterna à qual todos estão chamados. Nas belas palavras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:

“Se o nosso fim próprio é conhecer, amar, louvar e servir a Deus, nossa natureza, máxime enquanto elevada à ordem sobrenatural, deve tender inteiramente para este fim. Ou seja, todas as nossas atividades mentais e físicas devem dirigir-se para o conhecimento da verdade e prática do bem. Tanto quanto no Céu, esta finalidade é real na vida terrena, pois nossa natureza se orienta toda para o que será na eternidade. Suas tendências fundamentais já são o que eternamente serão.

E como avida terrena não pode ser contrária à nossa natureza, segue-se que ela já é de algum modo, a sua substância, no que tem de mais interno, essencial e íntimo ,no plano natural como no sobrenatural, a mesma vida de contemplação, amor, louvor e serviço de Deus que teremos no Céu”.8

Por Padre José Victorino de Andrade, EP

1Cf. ALZATE RAMÍREZ, Luis Hernando; OSORIO, Byron. Op. Cit., p. 47;50-51.

2 “El reto que se plantea para la ética es fundamental. Lasposiciones éticas cotidianas de los cristianos simplemente se confunden con laética dominante que puede ser una defensa coyuntural de los derechos humanos. Otambién puede aparecer la iglesia defendiendo un vago humanismo como cualquierOrganización no Gubernamental. O se predica un amor a los demás,universalizante y abstracto sin compromiso de la persona. La ética no se reducea ser un ‘buen negocio’. El recurso al compromiso ético no es cuestión de‘imagen’ (se puede ser ético para obtener ganancias y estatus) o de estar a lamoda, sino de fundamentación y fundamentación en una ética original yoriginaria. Original por ser propia del cristianismo y originaria pues esfundante de toda acción social en el mundo”. (ARBOLEDA MORA, Carlos.Experiencia y testimonio. Medellín: UPB, 2010. p. 22).

3 Cf. MAQUIAVEL. O Príncipe. Trad. Lívio Xavier. São Paulo: Ediouro,2005. p. 73.

4 “Niños muy pequeños, débiles mentales, ancianos en demencia ysujetos permanentemente inconscientes no deberían ser considerados personas niserían, por tanto, sujetos de los derechos básicos que habitualmenteadscribimos a las personas. Desde semejante planteamiento tienen cabida elaborto, la eutanasia y todos aquellos males que se ciernen sobre los débiles dela sociedad”. CARRODEGUAS NIETO, Celestino. El concepto de persona a laluz del Vaticano II. In: Lumen Veritatis. São Paulo. No. 12 (Jul. – Sept.,2010); p. 44.

5 Cf. SGRECCIA, Elio. Manuale de Bioetica. 4. ed. Milão: V&P, 2007.Vol. 1. p. 30.

6 Esta ideia está fundamentada na conferência feita pelo ArcebispoJean-Louis Bruguès, abordando a Encíclica de João Paulo II Veritatis Splendor,no Seminário São Tomás de Aquino (São Paulo – Brasil) no dia 1 nov. 2010. Vertambém o nº 53 do documento.

7 Cf.TEIXEIRA DA CUNHA, Jorge. Bioética Breve. Apelação (Portugal): Paulus, 2002. p.6.

8 CORRÊADE OLIVEIRA, Plinio. A contemplação terrena, prenúncio da visão beatífica. Em:Revista Dr. Plinio. São Paulo. Ano IV. No. 42 (Set., 2001); p. 21.