Será que os “pró-choice” (pró-escolha) defendem uma liberdade verdadeira para a mulher? Ou usam esse slogam para mascarar as consequências pós-aborto?

 

gravida-809x472-1

São chamados “Pro-choice” (pró-escolha) os que lutam pela legalização do aborto, e “pro-life”(pró-vida), os que defendem a vida. Levantando a bandeira da liberdade, os abortistas pregam a livre escolha da mulher em decidir sobre a interrupção da gravidez. Mas será que esta decisão é mesmo livre? Será realmente que as clínicas abortistas trabalham para que a mulher tome uma decisão livre, sem a menor parcialidade ou, até mesmo, pressão?

Existem algumas definições que conceituam liberdade. Como puro ato de escolha, a liberdade pressupõe um real conhecimento sobre os objetos frutos da eleição. Quando, por exemplo, uma mulher busca comprar um colar de pérolas, mas é enganada e compra uma bijuteria, seu ato não estará sendo livre, pois o que ela realmente gostaria não corresponde com o que ela adquiriu. Assim, é fundamental para o exercício da liberdade que o homem conheça o que está escolhendo, a fim de não ser enganado. O homem é livre quando tem a possibilidade de eleger entre dois ou mais objetos sem ser coagido, sem sofrer ameaças ou ser enganado sobre o real conteúdo de sua escolha.

leia também – Contraceptivos ou Abortivos? VOCÊ PRECISA SABER A VERDADE!

O que vemos com a indústria abortista atualmente é semelhante ao exemplo anterior. Além de esconderem a verdadeira identidade do feto, chamando-o “produto da concepção” ou “aglomerado de células”, as clínicas e médicos abortistas negam a realização de exames pré-natais, como ultrassom, para que a mãe não tenha o conhecimento empírico (som e imagem) de seu filho. Assim, tratam de esconder a vida que corre grave risco. Soma-se a isto a triste ocultação dos efeitos pós-aborto, que como é sabido, são gravíssimos e podem acabar com a vida da mulher. É interessante pensar que em qualquer bula de remédio existem advertências ao uso dos produtos químicos, assim como nas embalagens de cigarro. No caso de um procedimento cirúrgico que provoca a morte do feto não há nenhum aviso sobre os possíveis traumas e riscos à saúde física e psíquica da mulher.

No recente e esclarecedor documentário “Blood Money- Aborto Legalizado” (clique aqui para assistir) fica clara a falta de liberdade daquelas mulheres que, atraídas pelo “direito de escolha”, praticaram o aborto. Carol Everett, que foi durante muito tempo dona de clínicas abortistas e chegou a ser responsável por 500 abortos ao mês, afirma que é insofismável a falta de liberdade das gestantes que procuram estas clínicas: “Essa é a falácea essencial do assim chamado direito de escolha das mulheres. Na maioria dos casos não há escolha nenhuma, a decisão é tomada sem orientação ou baseada na desinformação. Não são apresentadas outras opções e a mulher é forçada a tomar uma atitude mortal.” Joseph Meaney, para corroborar com esta afirmação, menciona uma pesquisa feita nos EUA, na qual perguntaram às mulheres que praticaram o aborto o porquê de o terem feito. A resposta número um foi que acreditavam não haver outra opção. Isso explica o resultado de 80% das mulheres norte-americanas terem sofrido algum tipo de coerção no momento de decidirem pela interrupção da gravidez. Assim, resta clara a ironia do nome “pro-choice” daqueles que buscam promover o aborto a qualquer preço.

Dentre os diversos depoimentos apresentados ao longo do filme, uma das mulheres relata que, enquanto estava indecisa entre interromper ou seguir com sua gravidez, buscou uma clínica abortista. A atendente, chamada ironicamente de “conselheira” a convenceu sobre a realização do aborto, dizendo que se não o fizesse, sua vida acabaria. Outra americana que presta depoimento neste mesmo filme afirma categoricamente que jamais teria feito um aborto se tivesse tido conhecimento das conseqüências deste ato violento, uma vez que inúmeras vezes buscou o suicídio como forma de acabar com seu sofrimento. Vítima de forte depressão, ela se arrepende amargamente e hoje sabe que o que fez não foi somente “interromper sua gravidez”, mas matar seu próprio filho.

Desta forma, os intitulados “pro-choice” não nada mais são que defensores da cultura de morte, pois em vez de mostrarem às claras às gestantes a verdade sobre o “produto da concepção” e as conseqüências físicas e psíquicas da prática do aborto, vendem a imagem de liberdade como única maneira de alcançar a tão sonhada felicidade. Assim como em outras épocas históricas, a liberdade é usada erradamente como instrumento que não liberta o homem, mas o destrói, o mata.

Fonte: Sempre Família

Artigo originalmente publicado por mim no blog Juventude pela Vida

Por anaclaralazarini

transex

A verdade nua e crua, desde o início

Os primórdios do movimento transgênero perderam-se hoje em meio à campanha pela aceitação, tolerância e direitos dos transgêneros. Se mais pessoas tivessem consciência da sombria e problemática história da cirurgia de mudança de sexo, talvez não seríamos tão rápidos em pressionar as pessoas para que a fizessem.

As primeiras cirurgias de mudança de sexo (a maioria do masculino para o feminino) foram realizadas em clinicas universitárias; começaram na década de 1950 e progrediram ao longo das décadas de 1960 e 1970. Quando os pesquisadores contabilizaram os resultados e não encontraram prova objetiva de que a prática era bem-sucedida – e, na verdade, encontraram evidência de que era prejudicial -, as universidades deixaram de realizar a cirurgia de mudança de sexo.

Desde então, cirurgiões da rede privada começaram a ocupar o lugar das universidades. Sem nenhuma análise minuciosa ou sem responsabilizar-se pelos resultados, a prática cresceu, deixando como resultado a vergonha, o arrependimento e o suicídio.

Os Pais Fundadores do Movimento Transgênero

O movimento transgênero começou como a invenção de três homens que compartilhavam o mesmo vínculo: os três eram ativistas da pedofilia.

A história começa com o infame Dr. Alfred Kinsey, um biólogo e sexólogo cujo legado perdura até hoje. Kinsey acreditava que todos os atos sexuais eram legítimos – inclusive a pedofilia, a bestialidade, o sadomasoquismo, o incesto, o adultério, a prostituição e o sexo em grupo. Ele autorizou experiências desprezíveis com crianças e bebês a fim de reunir informação para justificar sua opinião de que crianças de qualquer idade gostavam de manter relações sexuais. Kinsey defendia a normalização da pedofilia e fazia lobby contra leis que protegiam crianças inocentes e puniam predadores sexuais.

O transexualismo foi acrescentado ao repertório de Kinsey quando lhe apresentaram o caso de um garoto afeminado que queria se tornar uma menina. Kinsey consultou um conhecido, um endocrinologista chamado Dr. Harry Benjamin. Travestis, homens que se vestiam como mulheres, eram bem conhecidos. Kinsey e Benjamin viram aquilo como oportunidade de transformar um travesti fisicamente, muito além do vestuário e da maquiagem. Kinsey e Benjamin tornaram-se colaboradores profissionais do primeiro caso do que Benjamin chamaria mais tarde de “transexualismo”.

Benjamin pediu que vários psiquiatras avaliassem o garoto para possíveis procedimentos cirúrgicos que pudessem tornar sua aparência feminina. Eles não entraram em consenso sobre a conveniência de uma cirurgia que tornasse sua aparência feminina. Isso não parou Benjamin. Por conta própria, ele começou a realizar uma terapia com hormônio feminino no garoto. Ele foi à Alemanha para uma cirurgia parcial, e Benjamin perdeu o contato com ele, impossibilitando qualquer acompanhamento de longo prazo.

A trágica história dos gêmeos Reimer

O terceiro co-fundador do atual movimento transgênero foi o psicólogo Dr. John Money, um dedicado discípulo de Kinsey e membro de uma equipe de pesquisa sobre transsexualismo coordenado por Benjamin.

O primeiro caso transgênero de Money ocorreu em 1967, quando um casal canadense, os Reimers, lhe pediu para reparar circuncisão mal feita em seu filho de dois anos, David. Sem qualquer justificação médica, Money realizou uma experiência para fazer sua fama e impulsionar suas teorias sobre gênero, sem se importar com as consequências na vida da criança. Money disse aos pais perturbados que a melhor maneira de garantir a felicidade de David era transformar cirurgicamente sua genitália masculina em feminina e cria-lo como menina. Como muitos pais fazem, os Reimers seguiram a ordem do médico, e David tornou-se Brenda. Money garantiu aos pais que Brenda se adaptaria à vida como menina e que ela jamais saberia a diferença. Ele disse aos pais que eles deveriam manter segredo sobre isso, e assim o fizeram – ao menos durante um tempo.

Médicos ativistas como o Dr. Money sempre aparentam ser brilhantes inicialmente, principalmente se controlam a informação que a mídia divulga. Money fez um jogo hábil de “pegue-me se for capaz”, relatando o sucesso da mudança de sexo do menino à comunidade médica e científica e construindo sua reputação como o maior especialista no emergente campo da mudança de sexo. Passariam décadas antes que a verdade fosse revelada. Na realidade, a “adaptação” de David Reimer para a vida como menina foi completamente diferente dos entusiasmados relatos forjados por Money em artigos acadêmicos. Aos 12 anos, David estava severamente deprimido e recusou-se a ver Money novamente. Seus pais, desesperados, romperam o segredo e contaram-lhe a verdade sobre a mudança de sexo. Aos 14 anos, David escolheu desfazer a mudança de sexo e viver como garoto.

No ano 2000, com 35 anos, David e seu irmão gêmeo finalmente divulgaram o abuso sexual que o Dr. Money lhes havia infligido na privacidade do seu escritório. Os dois contaram como o Dr. Money tirou fotos deles nus quando eles tinham apenas sete anos de idade. Mas fotografias não eram suficientes para Money. O médico pedófilo também forçou os meninos a realizarem atividades sexuais incestuosas.

As consequências do abuso de Money foram trágicas para os dois meninos. Em 2003, apenas três anos após a divulgação do seu passado dolorido, o irmão gêmeo de David, Brian, morreu de overdose provocada voluntariamente. Pouco tempo depois, David também cometeu suicídio. Money finalmente havia sido denunciado como uma fraude, mas isso não ajudou os pais sofredores cujos gêmeos agora estavam mortos.

A revelação dos resultados e tendências fraudulentos das pesquisas de Money também veio tarde demais para pessoas que sofriam de problemas sexuais. Naquele momento, a cirurgia [de mudança de sexo] já estava bem estabelecida, e ninguém se importou com o fato de que um dos seus criadores havia sido desacreditado.

Resultados da Universidade Johns Hopkins: a cirurgia não traz nenhum alívio

O Dr. Money tornou-se o co-fundador de uma das primeiras clínicas universitários de mudança de sexo nos Estados Unidos, na Universidade Johns Hopkins, onde a cirurgia de mudança de sexo era realizada. Depois que a clínica já operava já muitos anos, o Dr. Paul McHugh, diretor de psiquiatria e ciência comportamental em Hopkins, queria mais do que as garantias de sucesso que Money havia dado imediatamente após a cirurgia. McHugh queria mais evidências. No longo prazo, os pacientes estavam realmente melhores depois da cirurgia?

McHugh designou ao Dr. Jon Meyer, presidente da clínica em Hopkins, a tarefa de avaliação dos resultados. Meyer escolheu cinquenta pessoas dentre as que havia sido tratadas na clínica, tanto aqueles que se submeteram à cirurgia de mudança de sexo como aqueles que não fizeram a cirurgia. Os resultados desse estudo refutaram completamente as alegações de Money sobre os resultados positivos da cirurgia de mudança de sexo. O relatório objetivo não mostrou nenhuma necessidade médica para a cirurgia.

Em 10 de agosto de 1979, o Dr. Meyer anunciou seus resultados: “É errado dizer que esse tipo de cirurgia cura um distúrbio psiquiátrico. Agora temos evidências objetivas de que não há diferença real na adequação do transexual à vida em termos de emprego, realização educacional, ajuste marital e estabilidade social”. Posteriormente, ele disse ao The New York Times: “Minha impressão pessoal é que a cirurgia não é um tratamento adequado para uma desordem psiquiátrica, e está claro para mim que esses pacientes têm problemas psicológicos graves que não desaparecem depois da cirurgia”.

Menos de seis meses depois, a clínica de mudança de sexo da Universidade Johns Hokins foi fechada. Outras clínicas do mesmo tipo filiadas a universidades em outros lugares do país também seguiram o mesmo caminho, abandonando completamente a realização da cirurgia de mudança de sexo. Os resultados positivos não eram relatados em lugar algum.

Resultados do Colega Benjamin: Muitos Suicídios

Não foi apenas a clínica da Johns Hopkins que relatou falta de resultados da cirurgia. Mais ou menos na mesma época, sérios questionamentos sobre a eficácia da mudança de sexo foram feitos por um colega do Dr. Harry Benjamin, o endocrinologista Charles Ihlenfeld.

Ihlenfeld trabalhou com Benjamin durante seis anos e ministrou hormônios sexuais a 500 transexuais. Ihlenfeld deixou Benjamin chocado ao anunciar publicamente que 80% das pessoas que queriam mudar de sexo não deveriam fazê-lo. Ihlenfeld disse: “Há muita infelicidade nas pessoas que fizeram a cirurgia… Muitas delas acabam se matando”. Ihlenfeld deixou de ministrar hormônios a pacientes que sofriam de disforia sexual, mudou de especialidade e tornou um psiquiatra, a fim de oferecer a esses pacientes o tipo de ajuda do qual, acreditava, eles realmente precisavam.

Devido ao estudo realizado na Universidade Johns Hopkins, ao fechamento de sua principal clínica e ao alerta dado por Ihlenfeld, os defensores da cirurgia de mudança de sexo precisavam de uma nova estratégia. Benjamin e Money procuraram seu amigo, Paul Walker, PhD, um ativista homossexual e transgênero que, eles sabiam, compartilhava de sua paixão pela disponibilização de hormônios e pela cirurgia. Sob a direção de Paul Walker, formou-se um comitê com o objetivo de delinear padrões de tratamento para transgêneros os quais promovessem a agenda dos três. O comitê incluía um psiquiatra, um ativista da pedofilia, dois cirurgiões plásticos e um urologista, e todos se beneficiariam financeiramente por manterem disponível a cirurgia de mudança de sexo a todos os que quisessem fazê-la. “Os Padrões Internacionais de Tratamento Harry Benjamin” foram publicados em 1979 e deram nova vida à cirurgia de mudança de sexo.

Minha experiência com o Dr. Walker

Eu mesmo sofri bastante para acertas as contas com o meu sexo. Em 1981, procurei o Dr. Walker para pedir-lhe ajuda, o homem que havia escrito os padrões de tratamento. Walker disse que eu sofria de disforia sexual. Apenas dois anos depois de tanto o estudo da Johns Hopkins como as declarações públicas de Ihlenfeld terem chamado a atenção para o elevado risco de suicídio associado à mudança de sexo, Walker, embora tivesse pleno conhecimento dos dois relatórios, assinou minha carta de aprovação para tomar hormônios e realizar a cirurgia.

Sob a orientação dele, eu fiz a cirurgia de mudança de sexo e vivi durante oito anos como Laura Jensen. Ao fim e ao cabo, tomei coragem para admitir que a cirurgia não havia resolvido nada – ela apenas encobriu e exacerbou problemas psicológicos mais profundos. A decepção e a falta de transparência pelas quais eu passei na década de 1980 até hoje circundam a cirurgia de mudança de sexo. Pelo bem de outros que lutam contra a disforia sexual, não posso ficar calado.   

É intelectualmente desonesto ignorar os fatos de que a cirurgia nunca foi um procedimento médico necessário para tratar a disforia sexual e de que o uso de hormônios sexuais pode ser prejudicial. Os ativistas transgênero de hoje, descendentes de Kinsey, Benjamin e John Money, mantêm viva a prática medicamente desnecessária da cirurgia de mudança de sexo por meio do controle do fluxo de informações publicadas e do silenciamento de pesquisas e histórias pessoais que falam do arrependimento, infelicidade e suicídio experimentados por aqueles que fazem essa cirurgia. Resultados negativos só são reconhecidos como uma maneira de culpar a sociedade por sua transfobia.

Os clientes transgênero que se arrependem de ter tomado esse caminho muitas vezes são tomados pela vergonha e pelo remorso. Em mundo de ativismo pró-transgênero, aqueles que se arrependem de sua decisão têm poucos lugares aos quais recorrer. No meu caso, foram necessários anos para reunir a coragem de erguer-me e falar sobre o arrependimento.

Apenas gostaria que o Dr. Paul Walker fosse obrigado a me falar sobre os dois relatórios quando eu o consultei: o estudo da Universidade Johns Hopkins mostrando que a cirurgia não aliviava problemas psicológicos graves, e a observação de Ihlenfeld sobre a permanente infelicidade dos transgêneros e a alta incidência de suicídio após o uso de hormônios e a realização da cirurgia. Talvez essa informação não tivesse me impedido de tomar aquela decisão desastrosa, mas ao menos eu teria tomado conhecimento dos riscos e da dor que me esperavam.

Walt Heyer é um autor e conferencista que deseja ajudar a todos os que se arrependem de terem feito a cirurgia de mudança de sexo. Por meio de sua página de internet, SexChangeRegret.com, e seu blog,WaltHeyer.com, Heyer traz a público a incidência de arrependimento e as trágicas consequências da realização da cirurgia. Publicado com a permissão do Witherspoon Institute.

Fonte: NOTIFAM.COM

down

O ateu proselitista Richard Dawkins afirmou que bebês com a síndrome deveriam ser abortados em nome da moral.

“Aborte isso e tente de novo. Seria imoral trazer isso ao mundo se você tivesse escolha”.

Assim tuitou o mais famoso cientista ateu do mundo, Richard Dawkins, distribuindo aconselhamento moral sobre bebês com Síndrome de Down.

Para um cientista, ele não parece saber muito sobre bebês. Existem duas “variedades”: ele ou ela. Não existe “isso”, como ele escreveu na rede social.

Dawkins postou a insensível declaração ao responder a outro tuíte, em que uma mulher tinha afirmado que enfrentaria um verdadeiro dilema ético se estivesse grávida de uma criança com Síndrome de Down.

O comentário de Dawkins não surpreende. Afinal, ele tem uma longa história de utilitarismo. O autor de “The God Delusion” [“Deus, um delírio”, na tradução brasileira] enxerga o mundo da seguinte forma:

“Num universo de elétrons e genes egoístas, de forças físicas cegas e de replicação genética, algumas pessoas vão se machucar, outras pessoas vão ter sorte, e você não vai encontrar nenhuma rima nem razão para isso, nem qualquer tipo de justiça. O universo que observamos tem precisamente as propriedades que são de se esperar que ele tenha, dando-se a premissa de que não existe nenhum desígnio, nenhum propósito, nenhum mal, nenhum bem, nada além de impiedosa indiferença”.

Para Dawkins, quem se encaixa nisso, intelectual e impiedosamente, sobrevive e tem o imperativo moral de passar por cima do resto. Além desta visão de mundo, é bom lembrar também que Dawkins apoia o infanticídio, seja pelo motivo que for:

“E quanto ao infanticídio? De um ponto de vista estritamente moral, eu não vejo objeção alguma a ele. Eu seria a favor do infanticídio”.

Os usuários do Twitter ficaram horrorizados com o comentário de Dawkins sobre o “imperativo moral” de abortar crianças com a Síndrome de Down. É um comentário que vai muito além de defender que as mulheres possam abortar uma criança com deficiência.

É claro que Dawkins não está sozinho nessas crenças. Virginia Ironsides, escritora e provocadora britânica, chocou o público do canal BBC ao dizer: “Se um bebê vai nascer com deficiência grave ou é totalmente indesejado, o aborto é, evidentemente, o ato de uma mãe amorosa”. Ela não parou por aí: “Se eu fosse a mãe de uma criança que estivesse sofrendo profundamente, eu seria a primeira a querer colocar um travesseiro em cima do rosto dela. Se ela fosse uma criança que eu realmente amasse, que estivesse em agonia, eu acho que qualquer boa mãe faria isso”.

Voltemos a Dawkins. Depois do tuíte chocante, ele acabou publicando um pedido pouco convincente de desculpas:

“O que eu disse decorre logicamente da postura pró-direito de escolha que a maioria de nós, eu presumo, apoia”, escreveu ele. “A minha fraseologia, por falta de tato, pode ter ficado vulnerável ​ao mal-entendido, mas eu não posso deixar de achar que pelo menos metade do problema consiste na ânsia desenfreada de não entender”.

Ou seja: as palavras dele eram “vulneráveis ​​ao mal-entendido”, mas a culpa é nossa porque somos “desenfreadamente ansiosos por entender mal”. Dizer o quê?

O conselho de Richard Dawkins não era tão complexo a ponto de as pessoas comuns quererem desenfreadamente interpretar mal a declaração que ele fez: “Aborte isso e tente de novo. Seria imoral trazer isso ao mundo se você tivesse escolha”. É uma declaração mais do que clara para mim.

A melhor resposta para este “conselho” veio de uma fonte inusitada: de um cientista e fã dos livros do próprio Dawkins. Este leitor confessou que teria concordado com o conselho de “abortar isso”, caso o tivesse lido 18 meses antes. Ele explica:

“Eu entendo de forma implícita o ponto de vista do Professor. O que ele diz continua fazendo todo o sentido lógico para mim. A conclusão dele é natural quando se aborda o dilema a partir de uma perspectiva lógica, usando-se as informações disponíveis, com uma mentalidade objetiva e (fundamentalmente) com um ponto de vista não religioso. Há 18 meses, eu teria até concordado.

Mas a chegada da minha filha, que nos surpreendeu por ter precisamente essa condição [da Síndrome de Down], fez brilhar uma luz sobre o abismo da nossa ignorância, sem falar do preconceito factualmente incorreto que subjaz a esta opinião. Ao reler a opinião do Professor, eu fico horrorizado, agora, ao pensar no que eu mesmo poderia ter feito se a doença [da minha filha] tivesse sido diagnosticada durante a gravidez [da minha mulher].

Eu sei o quanto as nossas vidas são mais plenas, agora que os nossos olhos estão abertos. Mais do que isso: eu fico espantado ao ver que tudo continua sendo absolutamente normal, tanto para nós quanto para as outras famílias que conheci.

Sem saber, o nosso bebê já nos ensinou as lições mais incríveis da nossa vida até aqui. E nós não mudaríamos literalmente nada em nossa filha, em especial no perfil genético dela. O que mudou completamente foram as minhas ideias sobre o que seria o sucesso na vida e sobre o que eu desejaria para todas as nossas crianças. Eu sempre chego à mesma conclusão: o que importa, no fim das contas, é a felicidade e a alegria, e eu sei que a Rosie vai ter isso em abundância.

Graças a ela, eu acredito que nós teremos mais condições de incentivar o sucesso da irmã dela e do irmãozinho que ela vai ter, agora que estamos livres daquela ideia de que o sucesso na vida depende da realização acadêmica, da carreira e do dinheiro. Muitas dessas coisas podem levar uma pessoa ao fracasso total, mesmo que os pais dela comemorem o ‘trabalho bem feito’”.

James McCallum, o pai iluminado e orgulhoso de Rosie, questiona então o cerne da proposta eugenista de Dawkins para “solucionar” a existência de crianças deficientes:

“Deveríamos então eliminar os futuros seres humanos que não se encaixam na ideia de perfeição do Professor, simplesmente porque podemos eliminá-los? Se você não conseguir o bebê perfeito, tente, tente e tente de novo? Eu quero saber quem é que vai dar a última palavra sobre o que seria o bebê perfeito.

Ironicamente, Dawkins quer começar a agir como o Ser que eles mais comumente descarta: Deus.

Propor a superioridade genética como o único modo de seleção só vai mostrar a amplitude monstruosa do oligofrênico mal-entendido que sustenta a opinião do Professor. Ele ignora a vida deliciosa, feliz, alegre e fecunda que as pessoas com Síndrome de Down têm e ignora os benefícios de aceitação que elas trazem para todos os que vivem ao seu lado”.

O mundo é um lugar muito melhor graças à bondade e à alegria que as pessoas com Síndrome de Down trazem ao resto de nós.

O professor Dawkins pode não perceber o valor delas agora, mas perceberá quando se encontrar com o seu desprezado e não reconhecido Criador. Até lá, ele precisa das nossas sinceras orações por misericórdia.

Fonte: http://www.aleteia.org/
transhumanismo
As ideias do jovem movimento internacional conhecido como “transhumanismo” está começando a caracterizar o pensamento de um número cada vez maior de médicos e bioéticos. Acredito que nossos leitores poderiam tirar proveito de uma breve introdução a elas.
O transhumanismo é, na realidade, um conjunto de ideias que se desenvolveram em resposta ao rápido avanço da biotecnologia nos últimos vinte anos (ou seja, que a tecnologia é capaz de aspirar à manipulação das condições físicas, mentais e emocionais dos seres humanos). A medicina convencional tradicionalmente tem tido o propósito de superar os transtornos que afligem a condição humana: hemorragias, cauterizações, amputações, fornecimento de medicamentos, operações e transferências para climas mais secos, todos com a finalidade de facilitar a saúde e lutar contra a doença e a degeneração, ou seja, o propósito era curar (isto é, era basicamente terapêutico).
A tecnologia está tornando possíveis intervenções que, além de uma finalidade terapêutica, estão destinadas ao reforço das capacidades humanas saudáveis. Há uma gradual, mas constante ampliação dos ideais médicos, desde o simples cuidado médico até a cura e melhora. Todos nós estamos muito familiarizados com as “drogas que melhoram o rendimento” no esporte profissional. Contudo, a biotecnologia promete criar formas possíveis de melhoria que vão muito além do aumento muscular.
A terapia genética germinal, por exemplo, desde seu início, tem como objetivo modificar geneticamente as “células germinais” humanas (ou seja, o esperma e os óvulos), com a finalidade de introduzir características desejáveis no âmbito intelectual, físico e emocional, e excluir as indesejáveis. Visto que as modificações acontecem nas células na linha “germinal”, as características são herdadas e transmitidas às gerações posteriores. Medicamentos para melhorar a função mental, como Ritalina e Adderall, são cada vez mais utilizados por pessoas saudáveis a fim de melhorar as capacidades cognitivas. Um estudo demonstrou que cerca de 7% dos estudantes universitários dos EUA usam os estimulantes de prescrição com fins de melhora. Esse número parece só aumentar.
A pesquisa está avançando rapidamente com tecnologias de ponta, tais como a interface cérebro-computador direto (BCI), os implantes de micromecânica, nanotecnologia, prótese de retina, neuromuscular e cortical, e os chamados “chips de telepatia”. Embora cada uma dessas tecnologias possa desempenhar um papel na transformação das vidas dos pacientes com deficiência para que possam se comunicar melhor, manipular equipamentos, ver, caminhar, mover suas extremidades e se recuperar de doenças degenerativas, o transhumanismo os vê como possíveis instrumentos para a transformação da natureza humana. A versão de 2002 da Declaração Transhumanista estabelece: “A humanidade vai mudar radicalmente no futuro através da tecnologia. Prevemos a viabilidade de redesenhar a condição humana, incluindo parâmetros tais como a inevitabilidade do envelhecimento, limitações dos intelectos humanos e artificiais, psicologia não escolhida, sofrimento e nosso confinamento no planeta Terra”.
Sua proposta mais radical é a superação da morte. Embora o objetivo pareça como fantasia, há cientistas e filósofos influentes comprometidos nisso. O pertinente cientista e inventor transhumanista, Dr. Ray Kurzweil, diz que durante a maior parte da história humana a morte era tolerada porque não havia nada que se pudesse fazer a respeito. Mas está se aproximando rapidamente o momento em que vamos ser capazes de isolar os genes e as proteínas que causam a degeneração de nossas células e reprogramá-las. O pressuposto da inevitabilidade da morte já não é crível e deve ser removido. Michael West, presidente de uma das maiores empresas de biotecnologia nos EUA, Advanced Cell Technology, concorda, argumentando que “o amor e a compaixão por nosso próximo, em última instância, nos levarão à conclusão de que temos de fazer de todo o possível para eliminar o envelhecimento e a morte”.
Embora eu acredite que a maioria das pessoas no mundo ocidental não compartilha as ideias mais radicais do transhumanismo, a aceitação da preocupação pela autonomia humana que está subjacente à filosofia transhumanista é praticamente pela autonomia secular e da bioética nos dias de hoje. Os testamentos vitais que consagram o direito das pessoas de rejeitar o tratamento para prolongar a vida, mesmo se não estiverem morrendo, está se tornando algo comum nos hospitais e nos formulários de consentimento. Oregon, Washington e Montana legalizaram o suicídio medicamente assistido, alegando como cilindro retórico o argumento que se garante o direito à autonomia de uma pessoa a exercer a livre determinação não somente sobre sua vida, mas também sobre sua morte. Se a autonomia se estender a estas realidades, então certamente garantirá a liberdade para melhorar nossas capacidades.
Receio que atualmente o único que previne a afirmação em grande escala do imperativo transhumanista é um fator de “desgosto emocional”, que, podemos ter certeza, diminuirá gradualmente em virtude da insistência suave e implacável da opinião leiga. Ao fazer isso, nossa nacionalidade, isolada por esse conceito de autonomia extrema, se encontrará sem defesa diante do imperativo tecnológico, que diz: se podemos planejar nosso filho perfeito, se podemos ser mais inteligentes, fortes e bonitos, se podemos prolongar indefinidamente a vida humana, então devemos fazê-lo. Se os embriões são sacrificados por meio do processo de experimentação para a perfeição dessa tecnologia, ou se as desigualdades sociais são introduzidas para benefício de uns em detrimento de outros, este será o preço do progresso!
A instrução do Vaticano sobre bioética de 2008, Dignitas Personae, fala sobre o uso da bioética para “introduzir alterações com o suposto objetivo de melhorar e fortalecer o patrimônio genético” e adverte fortemente contra a “mentalidade eugênica” que tal manipulação promove. Tais atitudes estigmatizarão as características hereditárias da imperfeição, gerando preconceitos com relação às pessoas que a possuem, dando prioridade àquelas que possuem qualidades supostamente desejáveis.
A instrução conclui dizendo: “Também temos que notar que, na tentativa de criar um novo tipo de ser humano, pode-se reconhecer um elemento ideológico em que o homem tenta ocupar o lugar de seu Criador” (n. 27).
Os esforços por manipular a natureza humana, desta forma “[…] acabariam prejudicando o bem comum” (n. 27).
Por: E. Christian Brugger

criopreservacao

A sociedade Alcor, nos Estados Unidos, conserva a temperatura de – 196°C em azoto líquido treze cadáveres e vinte e duas cabeças de seres humanos, na expectativa de fazê-los voltar a vida mediante o progresso da ciência. Os “neuropacientes”  são preparados para permanecerem ilesos, tanto quanto possível sob tão baixa temperatura. Ninguém sabe o que resultará de tais experiências. – É de notar, porém, que a vida humana tem um princípio vital (alma) espiritual que só Deus pode produzir ou criar ou só Deus pode fazer voltar ao corpo depois da separação ocorrente pela morte do indivíduo.

A Crioconservação (conservação em ambiente gélido) tem-se estendido a cadáveres e cabeças de cadáveres humanos nos Estados Unidos.

A Alcor, situada no Estado do Arizona, é a sociedade, sem finalidades lucrativas, que se encarrega desse tipo de tecnologia. Ela conserva no azoto Líquido, à temperatura de -196°C, treze corpos inteiros e vinte e duas cabeças de pessoas que o desejaram em vida, na esperança de que possam ser um dia ressuscitadas ou mesmo na expectativa de que a ciência produza um corpo que se reunirá a tais cabeças e começará a viver normalmente.

Proporemos, a seguir, alguns dados que ilustram este procedimento, e uma reflexão a respeito. Os elementos científicos foram extraídos do artigo “Les croisees de Ia congelation”, da autoria de Thierry Souccar, publicado pela revista “Sciences et Avenir”, fevereiro de 1998, pp.44-48.

1. Crioconservação: em que consiste?

A justificativa para se empreender a crioconservação humana é o fato de que já se conseguiu congelar o coração de animais inferiores, que, após vários dias, tornou a bater.

Assim em Rochester (New York, U.S.A.) os pesquisadores conservaram o coração de ratos a -100C; 86% desses corações voltaram a ba­ter. Rãs inteiras foram congeladas e tornaram a manifestar vida. A salamandra da Sibéria passa o inverno todo a -30-0C e recupera-se após a estação gélida. Tais animais produzem substâncias antigel ou crioprotetoras… Desde 1957, os estudiosos canadenses congelaram a 55-0C, durante dezenove dias, larvas de cynips, inseto que produz naturalmente glicerol e surbitol.

O procedimento bem sucedido em animais inferiores suscita a es­perança de que o mesmo se dê com o ser humano. Por isto, além de trinta e cinco já congelados, há 416 clientes de Alcor em fila de espera.

O Sr. Paul Garfield mostrou-se hesitante sobre o que lhe acontecerá no além. O seu rabino lhe assegurou que teria outra vida. Octogenáriio, Garfield respondeu: “Eu gostaria de que a vida continuasse. Se Deus existe, tanto melhor! Mas, a título de precaução, prefiro entregar-me as mãos da ciência”. Por isto em 1994 confiou à Alcor a responsabilidade de lhe congelar a cabeça após a morte, na
expectativa de que um dia lhe darão vida e um corpo novo.

A explicação deste pedido foi dada pelo próprio Sr. Paul Garfield nos seguintes termos:

“Não tenho formação científica, mas adquiri convicção, lendo revistas durante quatro anos, de que a futura tecnologia permitiá’ reconstituir um corpo completo, seja por clonagem, seja por nanotecnologia”.

Eis, porém, que Paul Garfield vive modestamente, de modo que a sua opção de head only (cabeça apenas) foi devida principalmente a razões econômicas:

“Eu não tinha como pagar os 120.000 dólares solicitados para a con­servação do corpo inteiro. A cabeça me custava apenas 50.000 dólares”.

P. Garfield passou as festas do fim do ano de 1997 com os familia­res. Foi então debatida e contestada a sua decisão de ter a cabeça con­gelada. Ele mesmo, porém, não se importou e declarou:

“Adoro a vida. o que Alcor me oferece, é suavizar a própria idéia da morte; é apostar numa segunda oportunidade de viver”.

O Sr. Jerry Searcy, de 56 anos, declarou: “Adoro a ciência de ficção. A idéia de ser congelado e, depois, ressuscitado parece ridícula, mas não me cria problema”.

A primeira pessoa congelada após a morte foi James Bedford, com a idade de 73 anos aos 12/02/1967; seu corpo passou por três socieda­des de crioconservação, e finalmente foi confiado à Alcor.

A socledade Alcor tem por sede um edifício cor de rosa um tanto desbotada. Quem nele entra, leva logo um choque devido ao forte cheiro de formol que impregna o hall de entrada; penetrando no interior do pré­dio, os visitantes podem ver o retrato do semblante de cada um dos “neuropacientes” (como são chamados). Lá se encontra Chamberlain, pai de Fred Júnior e Linda, fundadores da Alcor em 1972; Fred Júnior conservou a seu pai falecido em 1976; Linda colocou Iá sua falecida mãe em 1990. Mais adiante, vêem-se o sorridente produtor de televisão Dick Clair, o rosto dolorido de Ed Kuhrt, falecido de câncer do pulmão aos 8/02/1997 e o olhar preocupado do cirurgião Jerry Leaf, morto em 1992.

Os técnicos da Alcor sabem que devem ser muito expeditos para conseguir o que almejam:

“Temos de intervir antes que avance o processo de degenerescência que se segue a morte. Na medida do possível, queremos estar no hospi­tal antes que o paciente seja declarado clinicamente morto”.

A princípio os técnicos da Alcor cortavam a cabeça do neuropaciente no lugar mesmo em que ele morria. Atualmente a amputação se dá na sede da sociedade, pois, como diz Brian Stock, “não era fácil explicar as companhias de aviação e aos oficiais da alfândega por que viajávamos com a cabeça de um morto”.

Tendo chegado à sede da Alcor, o cadáver é depositado sobre um leito de gelo, a fim de que os cirurgiões lhe abram a caixa torácica, enfi­em tubos finos pela aorta (artéria que leva ao corpo o sangue oxigena­do), pela qual fazem circular uma solução de glicerol ou antigel. O conge­lamento pode então começar: O paciente é mergulhado durante 36 horas num banho de gelo e de silicone, até atingir a
temperatura de -792C.

A última etapa pode durar entre sete e dez dias: consiste em levar o corpo ou a cabeça ao azoto liquido com a temperatura de -196ºC. Assim imersos no azoto, os pacientes são colocados em seu lugar definitivo: um dentre seis recipientes de aço de 3m de altura, cheio de azoto, no qual cada um co-habita com locatários mais antigos.

Tirar do “container” será operação delicada. o contrato observa que “é impossível saber se os pacientes serão, um dia, reconduzidos à vida”. Com relação a cada paciente, Alcor conserva um informativo médico com­pleto, que enuncia as causas e as circunstâncias da morte assim como dados biográficos importantes.

2. Um espécimen do procedimento

Ed Kuhrt era um detective privado, que faleceu em Nova lorque aos 8/02/1997, estando presente uma equipe de Alcor.

4h 25min (hora de Nova lorque): Os médicos verificaram o óbito.

4h 25min at6 5h 5min: aplicação de oxigênio e estimulação cardiopulmonar. lnjeções intravenosas de medicamentos para facilitar o transporte e limitar o desgaste dos tecidos: anticoagulantes, enzimas para destruir as pedras arteriais e venosas, sais minerais contra acidez gástri­ca, antibióticos, antioxidantes contra a deterioração das células…

5h 5min: transferência para a câmara mortuária.

6h 40min até 8h 40min: substituição do sangue por uma solução rica de potássio (para preservar os órgãos contra as toxinas e evitar o edema celular).

18h 10min (hora de Scottdale, sede de Alcor) ou 21h 10rnin (de Nova lorque): chegada a Alcor por via aérea.

18h 20min até 21h 55min: abertura do esterno para atingir o apare­lho circulatório e infundir uma solução de glicerol concentrado e também um tanto de manitol e de água (em quantidade mínima).

21h 55min até 22h 33min: a cabeça de Ed Kuhrt é retirada mediante seccionamento entre a sexta e a sétima vértebras. E colocada em bolsa de polietilênio…, depois mergulhada em banho de silicone à tem­peratura de -31ºC.

O congelamento vai sendo realizado aos poucos e com precisão, de modo que aos 9/02, as 6h da manhã, os termômetros marcam -792C. Os técnicos passam então a cabeça para o azoto liquido, e aos 20/02, a tarde, a cabeça de Ed Kuhrt está imersa na temperatura ideal de -1 96ºC. Transferem-na para um recipiente de aço.

3. Que dizer?

O avanço da tecnologia surpreende o leitor e lhe sugere diversas interrogações.

Deixando de lado as considerações de ordem médica, estas linhas se deterão no pIano filosófico-teológico.

Tratando-se de crioconservação, duas hipóteses podem-se levan­tar: ou os pacientes estão realmente mortos (como supõe a exposição atrás) ou não estão realmente mortos, mas em coma profundo.

No primeiro caso, deve-se levar em conta que a vida humana não resulta apenas de hábeis combinações químicas, pois é vida que trans­cende a matéria ou é animada por um principio vital imaterial ou espiritu­al. Ora nenhum cientista é capaz de produzir um ser espiritual, pois este é incorpóreo, dotado de intelecto e vontade. Somente um ato criador de Deus pode produzir uma alma humana ou pode fazer a alma de um de­funto voltar ao seu corpo. Dá a interrogação: O Criador colaboraria com os cientistas, dando alma humana ao corpo hipolítico reconstruído pela ciência ou conservado em azoto? A esta pergunta ninguém pode respon­der, mas ela parece versar sobre algo de muito pouco provável sob todos os aspectos.

No caso de não estarem realmente mortos os pacientes (o que não se dá na sede de Alcor, onde só se guardam defuntos), pode-se dizer que, se o organismo dos pacientes voltar a ter condições de exercer suas funções, a alma nele existente voltará a fazer tal organismo funcionar. Não haverá um retorno à vida, mas a passagem da dormência para a atividade. Todavia também esta hipótese parece estar longe do verossí­mil e provável.

Em suma, o ato de proceder ao congelamento de cadáveres, medi­ante manipulação requintada, é algo de inédito; parece ser uma operação que estende o raio de ação da medicina, ciência que tenta salvar a vida e combater a morte. Assim considerado, o congelamento pode ser lícito do ponto de vista ético. Todavia pode-se perguntar se, assim proce­dendo, o homem não está esquecendo os seus limites de criatura e pre­tendendo assumir utopicamente o lugar de Deus…?

Fonte: cleofas.com.br

Se nada é intrinsecamente bom ou mau, como saber se a própria liberdade de consciência é boa?

Uma professora universitária incentiva a falar sobre qualquer tipo de marginalização, “sem medo do juízo politicamente correto”.

Docente da Universidade Rey Juan Carlos, de Madri, Marta Albert denuncia que a liberdade de consciência não é respeitada atualmente pelos governos em questões como o aborto ou o casamento gay, apesar de ser um “direito constitucional essencial”.

Aos que argumentam que o relativismo ético favorece o livre pensamento, porque cada um determina o que é ou não bom e mau, ela pergunta, levando o tema até o final: “Como podemos afirmar que a própria liberdade de consciência em si é boa?”. Esta e outras questões são abordadas sem complexos em “Liberdade de consciência“, livro publicado por Digital Reasons.

O que entendemos por liberdade de consciência?

Acho que a resposta a esta pergunta depende, em boa medida, do que entendemos por “consciência”. A consciência é um fenômeno de natureza dual, no sentido de que, por um lado, ela fala a mim, da maneira mais pessoal que possamos imaginar, mas não é “minha” voz, no sentido de que parece me transcender.

Experimentamos a consciência como o alto-falante de uma instância de alguma maneira objetiva que, apesar disso, se manifesta em nosso interior. Quando falamos de liberdade de consciência, devemos levar sempre em consideração esta dualidade.

Infelizmente, esquecemos muitas vezes que agir conscientemente não é agir arbitrariamente. Dessa forma, o direito a uma pretendida “autodeterminação” vai crescendo em importância no âmbito jurídico, enquanto o direito à objeção (que a pessoa reivindica como o direito a se comportar de acordo com parâmetros que reconhece como sendo bons, e a não fazer aquilo que reconhece como ruim) se torna um direito cada vez menos respeitado.

A pessoa é a única proprietária da liberdade de consciência? Em caso afirmativo, como conciliar isso com as leis do Estado? 

A pessoa é a única que tem a capacidade de experimentar em seu interior a “voz da consciência”, ou seja, emitir juízos morais, formá-los adequadamente e ter o direito de viver em conformidade com eles.

As leis do Estado não podem atropelar as consciências dos cidadãos e, além disso, deve protegê-las, especialmente quando, em determinadas circunstâncias, o agir conscientemente é exigido como um dever jurídico.

No seu livro, você afirma que a liberdade de consciência é um elemento essencial nas democracias atuais. De que maneira?

Não podemos falar de democracia onde falta liberdade. A palavra “democracia” é usada com tanta superficialidade hoje em dia, que corremos o risco de esquecer seu significado. A democracia não é somente o princípio da maioria, já que seu limite é o respeito aos direitos humanos. Como podemos pensar em uma sociedade de homens livres, se falta a capacidade de julgar moralmente as ações? Não é por acaso que todos os projetos totalitários comecem destruindo as consciências dos seus cidadãos.

Você comenta também que o relativismo ético impede de argumentar solidamente sobre suas bases objetivas. O que isso quer dizer?

relativismo ético impede de argumentar solidamente sobre quase qualquer coisa, porque afirma que o bom e o mau não existem como tais, que dependem da pessoa (ou da sociedade, da cultura etc.). Deste ponto de vista, pode parecer que o relativismo ético é um terreno propício para a liberdade de consciência: se nada é bom ou mau em si, que cada um julgue como quiser.

No entanto, acontece justamente o contrário: para começar, se nada é intrinsecamente bom, como podemos afirmar que a própria liberdade de consciência, em si, seja boa? Ela só será boa se o governante em turno achar que for, ou segundo o critério individual, como afirmou Protágoras.

É possível falar, hoje em dia, de discriminação por motivos de consciência?

O problema radica em que, ultimamente, o direito à objeção de consciência se apresenta em conflito com outro direito fundamental: o direito à intimidade, entendida como autodeterminação (da mulher que quer abortar, do doente que quer morrer). Acho que este conflito é falso e está privado de todo fundamento objetivo, e de qualquer conexão com uma verdade moral.

O problema é que o exercício desses direitos envolve deveres alheios: o dever de praticar o aborto ou a eutanásia. Então, fala-se de conflito entre direitos, e se afirma que, na ponderação entre eles, o direito à objeção deve ceder.

Afirmam que, por acreditar na objetividade da moral, o objetor não respeita as decisões alheias vitais, quando, no final, é o próprio objetor quem acaba sendo discriminado. É a luta entre duas maneiras de entender a consciência humana: uma baseada no relativismo e outra, no objetivismo ético.

Quando o governo dificulta o exercício deste direito, o que fazer?

Em nome da correção política, estamos assistindo a uma progressiva discriminação “por motivos de consciência”. O pensamento dominante hoje em dia é de que a objetividade da moral supõe um risco para as liberdades, discriminando quem quer impor suas convicções. Paradoxalmente, para evitar a discriminação de todos, discrimina-se essa pessoa, em nome da não discriminação.

Acho que o mais importante que podemos fazer é uma boa pedagogia da consciência, no âmbito social: dar visibilidade a este tipo de conflitos, fazer ver quão transcendente é, para o ser humano, seguir sua consciência, trazer à luz qualquer discriminação neste contexto, sem medo do juízo “politicamente correto”.

A Igreja, como comunidade coletiva, poderia reivindicar a liberdade de consciência para seus fiéis, ou são eles os únicos proprietários de tal direito?

Acho que a Igreja pode e deve reivindicar a liberdade de consciência para os seus fiéis, e não só para eles, mas para todos os seres humanos, porque a liberdade de consciência é um direito natural. E ela já vem fazendo isso (na “Veritatis Splendor”, na “Gaudium et Spes”).

Outra coisa é que, do ponto de vista jurídico, a titularidade dos direitos fundamentais corresponda a cada pessoa em particular. Isso não exclui a necessidade de que a Igreja se faça ouvir na sociedade civil, porque, quando o que está em jogo são os direitos naturais, não se trata de uma “questão de fé”, mas de um assunto que pode ser esclarecido de acordo com a razão natural, comum a todas as pessoas.

Por: Enrique Chuvieco

eugenia02

A história contada neste artigo é essencial para entender o bombardeio midiático e a epidemia corrente em relação à cultura abortista. É preciso entender desde o princípio que o verdadeiro objetivo da pressão internacional pela legalização da experimentação com as células tronco embrionárias não consiste na esperança (reconhecidamente remota), de obter-se a cura de algumas doenças hoje temidas. Trata-se do mesmo fenômeno que observamos na luta para legalizar o aborto terapêutico, quando se sabe que não existem mais casos em que um médico seja obrigado a escolher entre a vida da gestante ou a prática de um aborto provocado, ou também da pressão pela legalização do aborto em casos de estupro, ou pela implantação de serviços para oferecê-lo à população, freqüentemente carente de outras medidas sanitárias básicas.

As organizações que lutam por estes marcos legais, e principalmente aquelas que pesadamente as financiam, não estão preocupadas com as vítimas de estupro, ou com as mães (estatisticamente inexistentes), que morrem pela inexistência da figura do aborto terapêutico. Analogamente ao que ocorre nestes casos, a legalização da experimentação com células tronco embrionárias está para a clonagem  reprodutiva assim como a legalização do aborto em caso de  estupro está para a completa legalização do aborto, e isto não somente do ponto de vista formal, mas na própria intenção premeditada dos verdadeiros promotores destas práticas.

A história toda é muito complexa e tem sua origem nos Estados Unidos em 1902, quando o biólogo Charles Davenport de Harvard, adepto do movimento eugenista inglês, solicitou uma bolsa para um projeto eugenista à então nascente Fundação Carnegie, propondo um plano para o “aperfeiçoamento permanente da raça humana”, aceito entusiasticamente pela fundação.  A partir daí o movimento eugenista passou a ser financiado por um número crescente de fundações norte-americanas, muitas das quais, incluindo as organizações Rockefeller, são atualmente as financiadoras da implantação mundial do aborto. Toda a trajetória do movimento eugenista nos Estados Unidos encontra-se amplamente documentada na extensa obra de Edwin Black, “War against the Weeks: Eugenics and America´s Campaign to Create a Máster Race”. Há uma tradução para o português sob o título “A Guerra contra os Fracos” (Editora Girafa, São Paulo, 2003).

edwin+black guerra+contra+os+fracos Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana

Até 1920 a elite empresarial americana, com exceção da família de banqueiros Morgan, ainda comungava no geral da primitiva visão dos promotores da independência americana segundo a qual os Estados Unidos não deveriam imiscuir-se na política internacional, mas ater-se unicamente ao desenvolvimento da América. Desta posição, que dentre outros era a defendida por Thomas Jefferson, veio a resultar a Doutrina Monroe. Daí também a resistência dos Estados Unidos a entrar na Primeira Guerra Mundial, a recusa do Senado Americano em permitir aos Estados Unidos participarem da Liga das Nações (a antecedente da ONU), não obstante esta ter sido, pelo menos supostamente, idealizada e criada por um presidente americano (Woodrow Wilson) e, como uma contra-iniciativa, a decisão dos banqueiros Morgan em patrocinar em 1921 a fundação do CFR (Conselho de Relações Exteriores) para trabalhar no sentido de reverter este quadro e formar uma vocação internacionalista para o povo americano.

A equipe formada por Woodrow Wilson ao ver-se impossibilitada de participar em nome do governo americano da organização arquitetada pelo seu presidente, passou a aproximar-se e a trabalhar junto aos demais magnatas do país. Raymond Fosdick, que deveria ter sido o sub-secretário da Liga das Nações se o Senado americano não tivesse se interposto às idéias de Wilson, acabou-se tornando um dos mais famosos presidentes da Fundação Rockefeller. A ele a literatura atribui em grande parte o mérito de haver contribuído para abrir a mente de John Rockefeller II para que as organizações deste milionário se abrissem a um internacionalismo que incluísse, entre outros objetivos, a preocupação com o crescimento demográfico e a necessidade do controle populacional, problemas que haviam sido recentemente recolocados no meio acadêmico e inteiramente reformulados mediante a nova teoria da transição demográfica do cientista social Warren Thompson da Universidade de Colúmbia.

Fosdick Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana
Emerson Fosdick, na capa de uma edição da Tima de 1925.

Como conseqüência destes fatos, entre os anos 1920 e 1930 houve um redirecionamento dos destinos dos financiamentos das grandes fundações americanas. Entre outras coisas ficou claro para estas instituições que os métodos da eugenia, embora não os seus objetivos, baseavam-se em um punhado de princípios sem sólida fundamentação científica. Trinta anos mais tarde, Adolf Hitler, aproveitando alguns meses passados na prisão em que leu toda a literatura americana disponível sobre eugenia, adotou para os alemães, e com maior radicalidade, aquele programa que as fundações americanas já haviam considerado ultrapassado. Mas o objetivo de melhoramento da raça humana não foi abandonado pelos americanos. Em vez disso, as fundações, e principalmente, a Fundação Rockefeller, entendeu ser a meta era muito mais difícil do que inicialmente havia sido imaginado e também temporalmente muito mais distante.

Passou, em virtude deste entendimento, a investir pesadamente no desenvolvimento de uma nova Biologia Molecular, cujo último fim seria conduzir, em última análise, ao que hoje chamamos de clonagem reprodutiva. Segundo o livro “The Molecular Vision of Life: Caltech, the Rockefeller Foundation, and the Rise of the New Biology”, publicado recentemente em conjunto pelo MIT e pela Universidade de Oxford.

134008 Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana

A motivação por detrás do enorme investimento na nova agenda foi o desenvolvimento das ciências humanas como uma explicação compreensiva e um modelo aplicado de controle social. Dentro desta agenda, a nova biologia foi erigida para explicar rigorosamente e eventualmente controlar os mecanismos fundamentais que governam o comportamento humano, com uma ênfase particularmente forte sobre a hereditariedade.

Nos anos 30 a Fundação Rockefeller havia patrocinado um certo número de projetos eugenicamente direcionados. No momento em que se inaugurava a “nova ciência do homem”, entretanto, a eugenia dirigida pelos princípios de Charles B. Davenport havia perdido muito de sua força. A busca de uma reprodução humana racionalizada, entretanto, nunca perdeu seu apelo intuitivo. Para os arquitetos e os campeões de uma utopia tecnológica com base científica, a engenharia humana através da reprodução controlada permaneceu uma visão social obrigatória. Um ataque físico químico coordenado aos gens foi iniciado no exato momento histórico em que havia-se tornado inaceitável advogar o controle social baseado nos princípios crus da eugenia e em teorias raciais ultrapassadas.

O programa de biologia molecular, através do estudo de sistemas biológicos simples e da análise da estrutura das proteínas, prometia um caminho mais seguro, embora muito mais lento, em direção ao planejamento social baseado em princípios mais seguros do que a seleção eugênica. O tempo raramente desanimava os visionários da Fundação Rockefeller. Wickliffe Rose, chefe do Comitê de Educação Internacional, costumava lembrar aos seus colegas pragmáticos: “Lembrem-se que não estamos com pressa”. E mais ainda, Raymond Fosdick, conselheiro e mais tarde presidente da Fundação Rockefeller, reconheceu nos anos 20, no contexto da busca pelo controle social, que “não existe uma caminho real em direção ao milênio, nenhum atalho para a terra prometida”. Os funcionários da Fundação Rockefeller e seus conselheiros científicos buscaram desenvolver uma biologia mecanicista como o elemento central de uma nova ciência do homem cujo objetivo é a engenharia social.

O primeiro resultado obtido deste longo programa, destinado a durar um número indeterminado de muitas gerações, foi a elucidação, trinta anos após o seu início, da estrutura do DNA.

Segundo a mesma obra, “durante os anos 1932-1959 a fundação aplicou aproximadamente U$ 25 milhões no programa de biologia molecular dos Estados Unidos. O patrocínio da Fundação Rockefeller para a biologia molecular alcançou em média em torno de dois por cento de todo o orçamento do governo federal dos Estados Unidos para pesquisa científica e desenvolvimento. A força do programa de Biologia Molecular da fundação, e especialmente o seu efetivo direcionamento por parte de Warren Weaver, foram amplamente reconhecidos e debatidos. O geneticista do Caltech e prêmio Nobel George Wells Beadle notou que durante os doze anos que se seguiram a 1953, o ano da elucidação da estrutura do DNA, o prêmio Nobel foi concedido a 18 acadêmicos por pesquisas na biologia molecular do gene, e todos exceto um foram total ou parcialmente financiados pela Fundação Rockefeller sob a orientação de Weaver”.

serendipias8 Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana
Warren Weaver

Além do melhoramento qualitativo da população, as fundações passaram a investir também no controle quantitativo. Na primeira metade do século XX este investimento consistiu principalmente no financiamento de centros de estudos demográficos, entre os quais merece destaque a fundação, em 1936, do Office of Population Research na Universidade de Princeton. Através de muitos congressos e trabalhos científicos, uma nova categoria de cientistas sociais, dedicados aos estudos populacionais, começou a chamar a atenção para o problema do controle populacional, que acabou atraindo poderosamente a John Rockefeller III, não sem coincidência o filho do magnata que mais havia contribuído para o financiamento destes estudos, a ponto deste último ter pedido ao pai a permissão para dedicar todo o seu tempo e fortuna para o controle da população mundial, deixando aos seus quatro outros irmãos a preocupação com a administração da fortuna da família. A permissão foi dada e, em 1952, juntamente com 26 outros peritos em demografia, John Rockefeller III fundou o Conselho Populacional que, alguns anos mais tarde, juntamente com a Fundação Rockefeller e a recém fundada Fundação Ford, iriam desencadear a nível internacional o controle populacional por meio da anticoncepção e do aborto.

intended consequences birth control abortion and the federal government in modern america Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana

A estas três primeiras organizações, das quais o Conselho Populacional funcionou durante muitos anos como o cérebro pensante, foram se somando, posteriormente uma grande quantidade de novas fundações e organizações internacionais. Um detalhe importante deve aqui ser mencionado, conforme mencionado por outra publicação da Universidade de Oxford, “Intended Consequences: Birth Control, Abortion and the Federal Government in Modern America”, de Donald Critchlow, na reunião de fundação do Conselho Populacional houve pelo menos duas tentativas de inserir entre os objetivos do Conselho não apenas a promoção do controle quantitativo da população, mas também o seu melhoramento qualitativo genético. Naquela reunião um cientista da Universidade de Missouri afirmou observar-se “uma rápida deterioração da qualidade da população mundial devido a mutações genéticas”, apoiado por outro que mencionou que a causa estava na própria “sociedade moderna que tende a reduzir a operação da seleção natural”, enquanto outros insistiam que algo deveria ser feito para o melhoramento da “piscina genética”. O próprio organizador do evento e fundador do Conselho Populacional, John Rockefeller III, havia colocado no rascunho do documento de fundação que o Conselho deveria pesquisar os meios pelos quais as pessoas “acima da média em inteligência e outras qualidades pudessem ter famílias mais numerosas do que a média”. Tudo isto que dizia ao aprimoramento genético da humanidade foi porém no fim abandonado por questões políticas, pois temia-se que o novo Conselho surgisse já tachado de nazista, e pudesse dedicar-se exclusivamente à já nada fácil tarefa de estabelecer mundialmente o controle quantitativo da população (ver Donald Critchlow: Intended Consequences: Birth Control, Abortion and the Federal Government in Modern América”, Oxford University Press, New York, 1999, pgs. 22-23).

Por: Prof. Hermes Nery

homepage

Quando se fala em defesa da vida e debates sobre o tema, logo começam a chover conceitos e definições vindos de grupos feministas radicais, juristas, políticos e palpiteiros cujas palavras nem sempre significam o que elas realmente foram criadas para dizer. Assim, temos assistido um espetáculo de criações eufemistas e manipulações de conceitos consagrados. A única coisa que fica clara para todos, ou pelo menos para os mais atentos, é que essa chuva de neologismos tem um objetivo claro: inserir disfarçadamente em nossa cultura valores que não seriam aceitos se fossem ditos às claras.

O conceito de pessoa, segundo uma análise filosófica honesta pode nos ajudar tanto a combater a desonestidade eufemista, como esclarecer a dimensão integral que o ser humano possui. Abaixo reproduzi trechos de um interessante artigo sobre a pessoa humana, que pode nos ajudar nesta compreensão.

É preciso ter uma visão sobre o ser humano que manifeste em si uma harmonia entre material e espiritual, entre a dimensão horizontal e vertical. A pessoa humana é uma ponte entre dois mundos. É necessária uma analise filosófica da pessoa humana que rompa a barreira do fenômeno e do noumenon. É necessária uma visão que possa integrar as diversas dimensões sem identificá-las, respeitado o método e objeto que é próprio de cada campo. É possível uma distinção entre ciência e religião que não seja uma simples e superficial separação, mas reconhecimento de que é possível a unidade do material e espiritual e que a pessoa humana é a demonstração primaria dessa possibilidade.

Para esta tarefa se faz fundamental uma concepção de pessoa humana que seja primariamente ontológica. Reconhecendo que uma coisa é a realidade ontológica pessoal, que subsiste em todos os seres humanos, e outra são as manifestações desta dimensão ontológica. Andrew Pinsent, padre católico, doutor em Física e diretor do Centro Ian Ramsey para Ciência e Religião, da Universidade de Oxford, defende a profunda influência cristã para a formação do conceito de pessoa. Não é o momento para a história do conceito de pessoa e que é a base para os direitos humanos. No entanto, vale a pena ressaltar a definição de Boécio de pessoa como “substância individual de natureza espiritual” (rationalis naturae individua substantia). Esta definição não se aplica à espécie humana em abstrato, mas a pessoas concretas: João, Maria, Pedro. Como em toda boa definição, contém o gênero “substância individual” (sujeito subsistente) e a diferença específica (o que determina esse sujeito rationalis naturae, que pode ser também traduzido de natureza espiritual). A pessoa é o ser humano individual realmente existente. “A definição filosófica de pessoa não é senão a expressão lógica da realidade ontológica do individuo humano real”, diz Ramon Lucas Lucas.

Santo Tomás de Aquino (Suma Teológica, I, 29,4c) afirma que os princípios que individualizam a pessoa são “esta carne, estes ossos e esta alma”. Assim, tanto o corpo como a alma, numa unidade intrínseca, distinguem a cada um de nós dos demais. Somos uma unidade de corpo e alma. Deste modo, cidadãos de dois mundos. Devido à nossa essência espiritual, podemos afirmar que o ser humano é em certo modo quadommodo omnia, ou seja, de algum modo todas as coisas, continua Tomás. É nessa capacidade de ser material e, ao mesmo tempo, de transcender o material com sua inteligência e vontade que o homem manifesta toda sua abertura e beleza que permite entrar em contato com o mundo, com Deus e com o próximo.

É a partir do substrato ontológico que podemos afirmar que a pessoa em toda sua dinamicidade e complexidade é subsistência (ser em si, indivíduo, suppositum); insistência e interioridade (persiste e insiste no existir, sendo in se e consigo); é autoconsciência, liberdade e autodeterminação (pois além de ser, busca um dever ser e é capaz de fazer-se); é espirito incarnado (unidade total de alma e corpo e que se comunica e relaciona com o mundo, com os outros e com Deus); é coexistência (vive junto com outros); é comunhão (vive para o outro), é alteridade e proximidade; é projeção e transcendência. Todas essas dimensões da pessoa humana são intrínsecas a seu ser, como ato primeiro de seu existir, e, se possui as condições, pode manifestar em seus atos segundos, no nível do agir e pensar. Deste modo, é o ser que fundamenta o agir e pensar e não o contrário. O ser humano é pessoa humana independentemente de suas manifestações concretas e, como cidadão do infinito, possui uma dignidade especial e única e uma responsabilidade sobre todas as demais criaturas.

Ser pessoa pertence à ordem ontológica, própria do ser e não apenas do agir, pensar e interagir. Deste modo, não existe ser mais ou menos pessoa, ou uma pré-pessoa, pós-pessoa ou subpessoa; ou se é pessoa humana ou não é. As características essenciais da pessoa humana não são objetos de mudanças, apenas as contingentes e acidentais. O grande problema de muitos contemporâneos é confundir o plano ontológico com o plano acidental do agir. Confundem o plano ontológico do ser com o epistemológico do reconhecimento do ser.

A diferença entre os homens, animais e primatas não é apenas quantitativa ou instrumental; é qualitativa, está relacionada com um “ser” que tem como consequência um “agir”. Se um dia, hipoteticamente, a técnica permitisse que o cérebro de um chimpanzé fosse igual ao de um ser humano, seria como colocá-lo para dirigir uma Ferrari. De nada adianta ter uma Ferrari (um cérebro fisiologicamente humano) se o motorista (chimpanzé) não possui a capacidade (o “ser”) para conduzi-lo.

Uma coisa é certa: devido ao grande desenvolvimento técnico da ciência, os parâmetros mudaram e existe uma espécie de lei oculta que rege as decisões para os experimentos científicos: “tudo que é tecnicamente possível é eticamente bom”. É esta lógica que deve ser revertida; deve-se estabelecer uma deontologia científica fundada em princípios antropológicos que permitam o desenvolvimento não apenas técnico, mas que dê respiro moral e ético. Devem existir parâmetros de ação última no obrar científico para que a natureza não se volte contra a humanidade.

É neste nível que devemos defender um conjunto de normas e leis que coloque limites às técnicas. Devemos ser conscientes de que todas as coisas possuem limites, e ter limites não é, em si, negativo; os limites determinam a forma das coisas e nos direcionam numa linha de perfeição própria. A técnica deve ser direcionada ao bem da humanidade. Devemos nos perguntar pelas consequências de nossas ações e dialogar entre todos se uma determinada ação é proporcional ao nosso “ser”. Resgatando para dentro da ciência o significado ético do princípio agere sequitur esse, o agir segue ao ser.

Ao mesmo tempo, deve-se refutar qualquer manifestação religiosa que vá contra a ciência afirmando que esta, em si e por si, é má ou uma inimiga da sociedade. Pois a abertura infinita do ser humano enquanto pessoa direciona não apenas a uma busca do infinito que o complete, mas o faz a modo humano, através dos sentidos, da inteligência e da vontade.

Concluindo: devemos buscar os princípios filosóficos necessários que nos permitam analisar de modo maduro, real e verdadeiro a relação que existente entre ciência e religião, entre fé e razão. Por que devemos partir de um pressuposto cientificista, materialista ou fideísta? Não seria mais condizente com a realidade do fenômeno humano partir de uma concepção que coloque a pessoa humana como ponte integradora?

Por outro lado, considero que as diversas discussões práticas relacionadas com a defesa da vida humana deveriam, em certo modo, mudar de foco e explorar mais a dignidade da vida humana, enquanto pessoa humana, e promover um debate amplo e profundo sobre o estatuto ontológico do ser humano como base para a promoção da vida humana. Pode-se, na defesa da vida, cair numa espécie de “vitalismo”, entendido de luta da vida pela vida, e que, se aplicado a outras situações, pode se manifestar como perigoso.

Tal debate seria benéfico não apenas para questões éticas como o aborto ou a eutanásia, mas também influenciaria diretamente questões como o preconceito pela cor da pele, pela condição social ou orientação sexual, pois os direitos humanos devem ser defendidos não apenas quando relacionados a um grupo específico, mas a todas as pessoas e, como tais, com uma dignidade que deve ser respeitada, defendida e promovida.

O retorno a um debate sobre o conceito de pessoa seria um agente unificador para várias questões concretas presentes em nossa sociedade. E seria um remédio para a fragmentação de discussões de temas importantes e que acabam por dividir a sociedade e não chegar a uma solução concreta que beneficie a todos.

Fonte: Daniel Marques – http://cienciafecultura.org

Neste pequeno e surpreendente documentário, dezenas de pessoas são entrevistadas e questionadas sobre o Holocausto nazista e em seguida levadas a traçar um paralelo sobre a mentalidade eugenista de Hitler e a mentalidade abortista da cultura da morte dos dias atuais. A realidade do pensamento comum que o vídeo mostra é uma prova interessante de como as pessoas sequer se dão o trabalho de pensar sobre um assunto tão importante como o aborto, preferindo aderir à posição massificada pela mídia em geral. Porém, quando ajudadas a refletir sobre a verdade dos fatos, podem mudar radicalmente de opinião. Assista! Compartilhe!

Este vídeo afirma o início da vida humana a partir da concepção refutando a teoria que defende que a vida humana começa apenas depois da formação do sistema nervoso. Esta teoria usa como critério o fato da medicina considerar morte cerebral como o fim da vida e usa esta informação para traçar um paralelo supostamente lógico de que se a vida termina com a morte cerebral, então ela só começa com a formação do sistema nervoso, antes disso não haveria vida humana.
Esta igualdade de critérios neste ponto é enganosa, utilitarista e reducionista, sendo bastante inadequada e até certo ponto desonesta.
Entendendo porque a medicina e o Estado consideram a morte encefálica como critério para o fim da vida, entenderemos que o mesmo critério favorece a defesa do embrião enquanto ser humano vivo e independente!
A morte encefálica é um bom critério clínico porque com ela o indivíduo não mais consegue se sustentar de forma autônoma, pois a partir de uma etapa do desenvolvimento do organismo quem garante essa autonomia é justamente o sistema nervoso. Um organismo adulto sem o funcionamento do sistema nervoso (tronco encefálico) perde irreversivelmente sua autonomia funcional e a manutenção da vida torna-se impossível. Há morte porque a situação é irremediável, independente do que for feito dali para frente, todo o resto do organismo irá parar de funcionar.
No caso do embrião ainda sem sistema nervoso formado este critério não é válido porque mesmo sem o sistema nervoso o embrião consegue sustentar, como qualquer ser humano em condição favorável, seu organismo de forma autônoma e desenvolver-se perfeitamente  com os recursos orgânicos que possui para atender as demandas biológicas da respectiva etapa de vida em que está.
Portanto, o critério adotado para determinar a morte encefálica não é a presença ou a ausência de um órgão ou sistema, isso seria reduzir a vida a um simples órgão, mas sim a capacidade de aquele organismo se sustentar de forma independente e organizar suas funções de forma integrada. Isso o embrião faz desde sua concepção, por isso é mais lógico, é mais cientificamente correto e mais seguro defender o início da vida humana a partir da concepção.
Curta aqui nossa Fan Page no Facebook