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A primeira coisa que se deve investigar em um candidato, antes mesmo de sua atuação passada ou de suas promessas, é o partido político a que pertence. Dos 32 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, muitos são amorfos. Seus estatutos dizem pouco ou quase nada. Tais partidos não trazem ameaças aos cristãos que a ele se filiam. Há uns pouquíssimos partidos que se propõem explicitamente à defesa da vida humana e da família. E há, por fim, doze partidos que constituem um verdadeiro exército organizado contra os valores cristãos. São eles:

Partido dos Trabalhadores (PT) 13
Partido Comunista Brasileiro (PCB) 21
Partido Popular Socialista (PPS), sucessor do PCB 23
Partido Comunista do Brasil (PCdoB) 65
Partido da Causa Operária (PCO) 29
Partido Democrático Trabalhista (PDT) 12
Partido da Mobilização Nacional (PMN) 33
Partido Pátria Livre (PPL) 54
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) 50
10º Partido Socialista Brasileiro (PSB) 40
11º Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) 16
12º Partido Verde (PV)[1] 43

Com exceção do PV, todos os partidos acima se declaram socialistas. Ora, como explica São João Paulo II, “o erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social. […] O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral[2] . O Concílio Vaticano II já havia ensinado que “o homem é a única criatura na terra que Deus quis por si mesma[3] .

O cristianismo vê na criança por nascer alguém que deve ser respeitado como pessoa e amado independentemente de sua “qualidade”, beleza ou utilidade. Há uma afinidade estreita entre o socialismo e a causa abortista.

Vejamos agora, brevemente, cada um dos doze partidos fatais:

1º) Partido dos Trabalhadores (PT) – n.º 13

No 3º Congresso do PT, ocorrido entre agosto e setembro de 2007, foi aprovada a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público[4] . Todo candidato filiado ao PT é obrigado a acatar essa resolução. O Estatuto do PT põe como requisito para ser candidato pelo Partido “assinar e registrar em Cartório o ‘Compromisso Partidário do Candidato ou Candidata Petista’” (art. 140, c)[5] . Tal assinatura, diz o Estatuto, “indicará que o candidato ou candidata está previamente de acordo com as normas e resoluções do Partido, em relação tanto à campanha como ao exercício do mandato” (art. 140, §1º). Se o político contrariar uma resolução como essa, que apoia o aborto, “será passível de punição, que poderá ir da simples advertência até o desligamento do Partido com renúncia obrigatória ao mandato” (art. 140, §2º). Em 17 de setembro de 2009, dois deputados petistas (Luiz Bassuma e Henrique Afonso) foram punidos pelo Diretório Nacional. O motivo alegado é que eles “infringiram a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto[6] . Não deve causar espanto que o PT defenda o aborto, já que o artigo 1º de seu Estatuto põe como objetivo do Partido “construir o socialismo democrático”.

2º) Partido Comunista Brasileiro (PCB) – nº. 21

Os militantes do Partido Comunista Brasileiro são obrigados a aceitar “seu Estatuto e Programa[7] . São seus deveres “cumprir as deliberações partidárias, aplicar a linha política do Partido e difundir os ideais comunistas” (art. 11, a, Estatuto do PCB). O Programa Político do PCB defende como um dos “pontos iniciais de uma alternativa socialista para o Brasil” a “garantia do direito ao aborto[8] .

3º) Partido Popular Socialista (PPS) – nº. 23

É o sucessor do Partido Comunista Brasileiro. O PPS se declara “humanista, socialista e ambientalista” e pretende resgatar “a melhor tradição do pensamento marxista e do humanismo libertário[9] . A Coordenação de Mulheres do PPS, um órgão previsto no artigo 26 do Estatuto do Partido, repetidas vezes manifestou sua adesão à causa abortista. Uma delas foi a Nota pública sobre o aborto[10] , de 18/04/2007, em que se relata três vezes em que o PPS se havia manifestado publicamente em favor da legalização/descriminalização do aborto, por considerá-la uma “questão de saúde pública” e de “direito e autonomia das mulheres”. A Plataforma Política das Mulheres do PPS[11]  previa em 2009 a “legalização do aborto”, a “garantia de todas as formas de contracepção e interrupção da gravidez” e a “consolidação pelo SUS do serviço de aborto nos casos previstos em lei [?]”.

4º) Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – nº. 65

Nas Resoluções da 2ª Conferência Nacional do PCdoB Sobre a Emancipação da Mulher[12]  realizada entre os dias 18 e 20 de maio de 2012 em Brasília, encontra-se o desafio de “desenvolver ações mais ofensivas à garantia do direito ao abortocomo questão de saúde pública” (p. 44, n. 76, k). Essas Resoluções foram ratificadas pelo Comitê Central, conforme prevê o Estatuto do PCdoB[13]  (art. 24, §2º). Portanto, são “válidas e obrigatórias para todo o Partido”.

5º) Partido da Causa Operária (PCO) – n.º 29

O Programa do Partido da Causa Operária (PCO)[14]  defende a “liberdade para a mulher decidir sobre seu corpo com a legalização do aborto e sua realização, em condições dignas, pela rede pública de saúde” (X.11).

Segundo o Estatuto do PCO[15] , os filiados têm o dever de “defender em todos os lugares e ocasiões o programa do partido” (art. 7, I). Se o “eleito pelo Partido para cargo executivo ou legislativo” agir contra “as deliberações, o Estatuto ou o Programado PCO”, será punido com “expulsão” e “cancelamento da filiação” (art. 30, §3º, b). Essa é a sanção que espera o político do PCO que lutar contra o aborto.

6º) Partido Democrático Trabalhista (PDT) – nº. 12

O Partido Democrático Trabalhista tem como objetivo é a “construção de uma sociedade democrática e socialista[16] . Ele “adota como símbolo a rosa vermelha” (art. 1º, § 2º), símbolo da Internacional Socialista.

O Movimento de Mulheres do PDT no item “Nossas Conquistas” diz: “… temos que continuar lutando para que se efetive a descriminalização do aborto, pois só as mulheres pobres serão banidas por sua prática, já que as com melhores condições podem fazê-lo sem necessidade do aparato estatal. A saúde integral é uma luta de todos nós e o aborto não é uma questão de polícia e sim de saúde pública[17] .

7º) Partido da Mobilização Nacional (PMN) – n.º 33

O Partido da Mobilização Nacional (PMN) […] “orientar-se-á por seu Manifesto, seu Programa e seus Estatutos e demais diretrizes de ação política, social e econômica, de conteúdo nacional, democrático e socialista[18] .

8º) Partido Pátria Livre (PPL) – n.º 54

O Partido Pátria Livre (PPL) “se orienta pelos princípios e pela teoria do socialismo científico[19] , como é chamado o socialismo de Marx e Engels.

9º) Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – n.º 50

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) tem por objetivo a “construção de umasociedade socialista[20] . Coerentemente com sua doutrina socialista, ele defende o direito ao aborto. Segundo resolução aprovada no 4º Congresso Nacional do Partido em 29/01/2014 denominada Conjuntura Nacional, “é tarefa do PSOL […] barrar o estatuto do nascituro [criança por nascer] e sua ‘bolsa estupro’, defendendo aautonomia das mulheres sobre seus corpos e os direitos sexuais e reprodutivos[21] . Qual o valor dessa resolução? Diz o Estatuto do PSOL: “As resoluções do Congresso representam a posição oficial do Partido e são válidas para todos os órgãos e filiados” (art. 36).

10º) Partido Socialista Brasileiro (PSB) – nº. 40

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem por finalidade a “implantação da democracia e do socialismo no País[22] , com a “gradual e progressiva socialização dos meios de produção[23]  e a “abolição de todos os privilégios de classe” (Manifesto, VIII). Entre as reivindicações imediatas do Partido está a estatização da educação: “Plano nacional de educação que atenda à conveniência de transferir-se gradativamente o exercício desta ao Estado e de suprimir-se, progressivamente, o ensino particular de fins lucrativos[24]  . Note-se que o PSB é muito mais explícito que o PT em expor seus propósitos socialistas. Nem mesmo oculta seu desejo urgente de extinguir as instituições educativas não estatais (incluindo as religiosas), obrigando as crianças a se submeterem à ideologia do Estado.

11º) Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) – nº. 16

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) “não prioriza as eleições, mas a ação direta como meio de transformar a realidade em que vivemos”. Através da luta e da revolução, defende a instalação de uma “ditadura do proletariado” sobre a burguesia[25] .

Seu candidato à Presidente da República, José Maria, promete “atender demandas democráticas históricas das mulheres como a legalização do aborto, e da juventude, como a legalização da maconha e descriminalização das drogas[26] .

12º) Partido Verde (PV) – n.º 43

O candidato filiado ao Partido Verde está comprometido a “respeitar e cumprir seu Programa e Estatuto[27] . É seu dever “obedecer ao Programa, ao Estatuto e às resoluções do Partido” (art. 11, I, Estatuto do PV).

Ora, este Programa, ao qual ele está obrigado a obedecer, defende:

a.       o aborto: “legalização da interrupção voluntária da gravidez[28] .

 Anápolis, 4 de setembro de 2014.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do  Pró-Vida de Anápolis.


[1]  O PV não se declara socialista, mas em seu Programa defende o homossexualismo e a legalização do aborto (cf. http://pv.org.br/wp-content/uploads/2011/02/programa_web.pdf

  [2]  JOÃO PAULO II, Encíclica Centesimus annus, 1991, n. 13.

[3]  Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”, n. 24.

[4]  Resoluções do 3º Congresso do PT, p. 82. in: http://old.pt.org.br/arquivos/Resolucoesdo3oCongressoPT.pdf

 [5]  Partido dos Trabalhadores. Estatuto, art. 140, c in: http://old.pt.org.br/arquivos/ESTATUTO_PT_2012_-_VERSAO_FINAL_registrada.pdf
  [6]  DN suspende direitos partidários de Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Notícias. 17 set. 2009, in:http://www.pt.org.br/portalpt/documentos/dn-suspende-direitos-partidarios-de-luiz-bassuma-e-henrique-afonso-254.html
  [7]  Partido Comunista Brasileiro. Estatuto, art. 6º in: http://pcb.org.br/portal/docs/estatuto230308.pdf
  [8]  Partido Comunista Brasileiro. Programa. ponto 21.18, in: https://docs.google.com/file/d/0B9OkSrCIvhFlWVh0eDM4dmlUQTk0M2tvLTFKVW9hZTlPbnFB/edit
  [16]  Partido Democrático Trabalhista. Estatuto, art. 1º, in: http://www.pdt.org.br/index.php/pdt/estatuto/do-partido/dos-objetivos
  [18]  Partido da Mobilização Nacional. Estatuto, art. 2º, in: http://pmn.org.br/estatuto.aspx
  [19]  Partido Pátria Livre. Estatuto, art. 3º, in: http://www.partidopatrialivre.org.br/Documentos/Estatuto.htm
  [20]  Partido Socialismo e Liberdade, Estatuto, art. 5º, in: http://www.psol50.org.br/site/paginas/39/estatuto
  [22]  Partido Socialista Brasileiro. Estatuto, art. 2º, in: http://www.psb40.org.br/downloads/estatuto.pdf
  [23]  Partido Socialista Brasileiro. Manifesto, VII, in: http://www.psb40.org.br/fixa.asp?det=1
  [24]  Partido Socialista Brasileiro. Manifesto, Reivindicações Imediatas, 9ª

 [25]  Cf. http://www.pstu.org.br/partido

  [26]  A disputa das eleições numa perspectiva revolucionária in: http://www.pstu.org.br/pstu16/20832
  [27]  Partido Verde. Estatuto, art. 5º, in: http://pv.org.br/wp-content/uploads/estatuto_pv.pdf

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A história contada neste artigo é essencial para entender o bombardeio midiático e a epidemia corrente em relação à cultura abortista. É preciso entender desde o princípio que o verdadeiro objetivo da pressão internacional pela legalização da experimentação com as células tronco embrionárias não consiste na esperança (reconhecidamente remota), de obter-se a cura de algumas doenças hoje temidas. Trata-se do mesmo fenômeno que observamos na luta para legalizar o aborto terapêutico, quando se sabe que não existem mais casos em que um médico seja obrigado a escolher entre a vida da gestante ou a prática de um aborto provocado, ou também da pressão pela legalização do aborto em casos de estupro, ou pela implantação de serviços para oferecê-lo à população, freqüentemente carente de outras medidas sanitárias básicas.

As organizações que lutam por estes marcos legais, e principalmente aquelas que pesadamente as financiam, não estão preocupadas com as vítimas de estupro, ou com as mães (estatisticamente inexistentes), que morrem pela inexistência da figura do aborto terapêutico. Analogamente ao que ocorre nestes casos, a legalização da experimentação com células tronco embrionárias está para a clonagem  reprodutiva assim como a legalização do aborto em caso de  estupro está para a completa legalização do aborto, e isto não somente do ponto de vista formal, mas na própria intenção premeditada dos verdadeiros promotores destas práticas.

A história toda é muito complexa e tem sua origem nos Estados Unidos em 1902, quando o biólogo Charles Davenport de Harvard, adepto do movimento eugenista inglês, solicitou uma bolsa para um projeto eugenista à então nascente Fundação Carnegie, propondo um plano para o “aperfeiçoamento permanente da raça humana”, aceito entusiasticamente pela fundação.  A partir daí o movimento eugenista passou a ser financiado por um número crescente de fundações norte-americanas, muitas das quais, incluindo as organizações Rockefeller, são atualmente as financiadoras da implantação mundial do aborto. Toda a trajetória do movimento eugenista nos Estados Unidos encontra-se amplamente documentada na extensa obra de Edwin Black, “War against the Weeks: Eugenics and America´s Campaign to Create a Máster Race”. Há uma tradução para o português sob o título “A Guerra contra os Fracos” (Editora Girafa, São Paulo, 2003).

edwin+black guerra+contra+os+fracos Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana

Até 1920 a elite empresarial americana, com exceção da família de banqueiros Morgan, ainda comungava no geral da primitiva visão dos promotores da independência americana segundo a qual os Estados Unidos não deveriam imiscuir-se na política internacional, mas ater-se unicamente ao desenvolvimento da América. Desta posição, que dentre outros era a defendida por Thomas Jefferson, veio a resultar a Doutrina Monroe. Daí também a resistência dos Estados Unidos a entrar na Primeira Guerra Mundial, a recusa do Senado Americano em permitir aos Estados Unidos participarem da Liga das Nações (a antecedente da ONU), não obstante esta ter sido, pelo menos supostamente, idealizada e criada por um presidente americano (Woodrow Wilson) e, como uma contra-iniciativa, a decisão dos banqueiros Morgan em patrocinar em 1921 a fundação do CFR (Conselho de Relações Exteriores) para trabalhar no sentido de reverter este quadro e formar uma vocação internacionalista para o povo americano.

A equipe formada por Woodrow Wilson ao ver-se impossibilitada de participar em nome do governo americano da organização arquitetada pelo seu presidente, passou a aproximar-se e a trabalhar junto aos demais magnatas do país. Raymond Fosdick, que deveria ter sido o sub-secretário da Liga das Nações se o Senado americano não tivesse se interposto às idéias de Wilson, acabou-se tornando um dos mais famosos presidentes da Fundação Rockefeller. A ele a literatura atribui em grande parte o mérito de haver contribuído para abrir a mente de John Rockefeller II para que as organizações deste milionário se abrissem a um internacionalismo que incluísse, entre outros objetivos, a preocupação com o crescimento demográfico e a necessidade do controle populacional, problemas que haviam sido recentemente recolocados no meio acadêmico e inteiramente reformulados mediante a nova teoria da transição demográfica do cientista social Warren Thompson da Universidade de Colúmbia.

Fosdick Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana
Emerson Fosdick, na capa de uma edição da Tima de 1925.

Como conseqüência destes fatos, entre os anos 1920 e 1930 houve um redirecionamento dos destinos dos financiamentos das grandes fundações americanas. Entre outras coisas ficou claro para estas instituições que os métodos da eugenia, embora não os seus objetivos, baseavam-se em um punhado de princípios sem sólida fundamentação científica. Trinta anos mais tarde, Adolf Hitler, aproveitando alguns meses passados na prisão em que leu toda a literatura americana disponível sobre eugenia, adotou para os alemães, e com maior radicalidade, aquele programa que as fundações americanas já haviam considerado ultrapassado. Mas o objetivo de melhoramento da raça humana não foi abandonado pelos americanos. Em vez disso, as fundações, e principalmente, a Fundação Rockefeller, entendeu ser a meta era muito mais difícil do que inicialmente havia sido imaginado e também temporalmente muito mais distante.

Passou, em virtude deste entendimento, a investir pesadamente no desenvolvimento de uma nova Biologia Molecular, cujo último fim seria conduzir, em última análise, ao que hoje chamamos de clonagem reprodutiva. Segundo o livro “The Molecular Vision of Life: Caltech, the Rockefeller Foundation, and the Rise of the New Biology”, publicado recentemente em conjunto pelo MIT e pela Universidade de Oxford.

134008 Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana

A motivação por detrás do enorme investimento na nova agenda foi o desenvolvimento das ciências humanas como uma explicação compreensiva e um modelo aplicado de controle social. Dentro desta agenda, a nova biologia foi erigida para explicar rigorosamente e eventualmente controlar os mecanismos fundamentais que governam o comportamento humano, com uma ênfase particularmente forte sobre a hereditariedade.

Nos anos 30 a Fundação Rockefeller havia patrocinado um certo número de projetos eugenicamente direcionados. No momento em que se inaugurava a “nova ciência do homem”, entretanto, a eugenia dirigida pelos princípios de Charles B. Davenport havia perdido muito de sua força. A busca de uma reprodução humana racionalizada, entretanto, nunca perdeu seu apelo intuitivo. Para os arquitetos e os campeões de uma utopia tecnológica com base científica, a engenharia humana através da reprodução controlada permaneceu uma visão social obrigatória. Um ataque físico químico coordenado aos gens foi iniciado no exato momento histórico em que havia-se tornado inaceitável advogar o controle social baseado nos princípios crus da eugenia e em teorias raciais ultrapassadas.

O programa de biologia molecular, através do estudo de sistemas biológicos simples e da análise da estrutura das proteínas, prometia um caminho mais seguro, embora muito mais lento, em direção ao planejamento social baseado em princípios mais seguros do que a seleção eugênica. O tempo raramente desanimava os visionários da Fundação Rockefeller. Wickliffe Rose, chefe do Comitê de Educação Internacional, costumava lembrar aos seus colegas pragmáticos: “Lembrem-se que não estamos com pressa”. E mais ainda, Raymond Fosdick, conselheiro e mais tarde presidente da Fundação Rockefeller, reconheceu nos anos 20, no contexto da busca pelo controle social, que “não existe uma caminho real em direção ao milênio, nenhum atalho para a terra prometida”. Os funcionários da Fundação Rockefeller e seus conselheiros científicos buscaram desenvolver uma biologia mecanicista como o elemento central de uma nova ciência do homem cujo objetivo é a engenharia social.

O primeiro resultado obtido deste longo programa, destinado a durar um número indeterminado de muitas gerações, foi a elucidação, trinta anos após o seu início, da estrutura do DNA.

Segundo a mesma obra, “durante os anos 1932-1959 a fundação aplicou aproximadamente U$ 25 milhões no programa de biologia molecular dos Estados Unidos. O patrocínio da Fundação Rockefeller para a biologia molecular alcançou em média em torno de dois por cento de todo o orçamento do governo federal dos Estados Unidos para pesquisa científica e desenvolvimento. A força do programa de Biologia Molecular da fundação, e especialmente o seu efetivo direcionamento por parte de Warren Weaver, foram amplamente reconhecidos e debatidos. O geneticista do Caltech e prêmio Nobel George Wells Beadle notou que durante os doze anos que se seguiram a 1953, o ano da elucidação da estrutura do DNA, o prêmio Nobel foi concedido a 18 acadêmicos por pesquisas na biologia molecular do gene, e todos exceto um foram total ou parcialmente financiados pela Fundação Rockefeller sob a orientação de Weaver”.

serendipias8 Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana
Warren Weaver

Além do melhoramento qualitativo da população, as fundações passaram a investir também no controle quantitativo. Na primeira metade do século XX este investimento consistiu principalmente no financiamento de centros de estudos demográficos, entre os quais merece destaque a fundação, em 1936, do Office of Population Research na Universidade de Princeton. Através de muitos congressos e trabalhos científicos, uma nova categoria de cientistas sociais, dedicados aos estudos populacionais, começou a chamar a atenção para o problema do controle populacional, que acabou atraindo poderosamente a John Rockefeller III, não sem coincidência o filho do magnata que mais havia contribuído para o financiamento destes estudos, a ponto deste último ter pedido ao pai a permissão para dedicar todo o seu tempo e fortuna para o controle da população mundial, deixando aos seus quatro outros irmãos a preocupação com a administração da fortuna da família. A permissão foi dada e, em 1952, juntamente com 26 outros peritos em demografia, John Rockefeller III fundou o Conselho Populacional que, alguns anos mais tarde, juntamente com a Fundação Rockefeller e a recém fundada Fundação Ford, iriam desencadear a nível internacional o controle populacional por meio da anticoncepção e do aborto.

intended consequences birth control abortion and the federal government in modern america Células tronco embrionárias, aborto e clonagem humana

A estas três primeiras organizações, das quais o Conselho Populacional funcionou durante muitos anos como o cérebro pensante, foram se somando, posteriormente uma grande quantidade de novas fundações e organizações internacionais. Um detalhe importante deve aqui ser mencionado, conforme mencionado por outra publicação da Universidade de Oxford, “Intended Consequences: Birth Control, Abortion and the Federal Government in Modern America”, de Donald Critchlow, na reunião de fundação do Conselho Populacional houve pelo menos duas tentativas de inserir entre os objetivos do Conselho não apenas a promoção do controle quantitativo da população, mas também o seu melhoramento qualitativo genético. Naquela reunião um cientista da Universidade de Missouri afirmou observar-se “uma rápida deterioração da qualidade da população mundial devido a mutações genéticas”, apoiado por outro que mencionou que a causa estava na própria “sociedade moderna que tende a reduzir a operação da seleção natural”, enquanto outros insistiam que algo deveria ser feito para o melhoramento da “piscina genética”. O próprio organizador do evento e fundador do Conselho Populacional, John Rockefeller III, havia colocado no rascunho do documento de fundação que o Conselho deveria pesquisar os meios pelos quais as pessoas “acima da média em inteligência e outras qualidades pudessem ter famílias mais numerosas do que a média”. Tudo isto que dizia ao aprimoramento genético da humanidade foi porém no fim abandonado por questões políticas, pois temia-se que o novo Conselho surgisse já tachado de nazista, e pudesse dedicar-se exclusivamente à já nada fácil tarefa de estabelecer mundialmente o controle quantitativo da população (ver Donald Critchlow: Intended Consequences: Birth Control, Abortion and the Federal Government in Modern América”, Oxford University Press, New York, 1999, pgs. 22-23).

Por: Prof. Hermes Nery

Apresentação4

Dia 18 de outubro, dia do médico. O Blog Vida sem Dúvida deseja homenagear estes preciosos profissionais fazendo menção a um médico famoso e dedicado defensor da vida humana. Doutor Jerôme Lejeune foi médico francês, geneticista e pesquisador identificou a origem genética da chamada Síndrome  de Down. Famoso defensor da vida humana, Dr. Lejeune deixou de ganhar o prêmio Nobel da Medicina por afrontar a ONU declarando-se contra o aborto.

Algumas frases do Dr. Jerôme Lejeune que manifestam a nobreza de sua posição em favor da vida:

1. “Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, ele não poderia tornar-se um, pois nada é acrescentado a ele.”

2. “Penso pessoalmente que diante de um feto que corre um risco, não há outra solução senão deixá-lo correr esse risco. Porque, se se mata, transforma-se o risco de 50% em 100% e não se poderá salvar em caso nenhum. Um feto é um paciente, e a medicina é feita para curar… Toda a discussão técnica, moral ou jurídica é supérflua: é preciso simplesmente escolher entre a medicina que cura e a medicina que mata”.

3. “A sociedade não tem que lutar contra a doença, suprimindo o doente.”

4. “Um único critério mede a qualidade de uma civilização: o respeito que ela prodiga aos mais fracos de seus membros. Uma sociedade que esquece isso está ameaçada de destruição. A civilização consiste, muito exatamente, em fornecer aos homens o que a natureza não lhes deu. Quando uma sociedade não admite os deserdados, ela vira as costas à civilização” .

5.  “Logo que os 23 cromossomos paternos trazidos pelo espermatozóide e os 23 cromossomos maternos trazidos pelo óvulo se unem, toda a informação necessária e suficiente para a constituição genética do novo ser humano se encontra reunida”.

 6. “O fato de que a criança se desenvolve em seguida durante 9 meses no seio de sua mãe, em nada modifica a sua condição humana.”

 7. “Assim que é concebido, um homem é um homem”.

 8. “Não quero repetir o óbvio, mas na verdade, a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos femininos, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco da vida”

9.  “…Se logo no início, justamente depois da concepção, dias antes da implantação, retirássemos uma só célula do pequeno ser individual, ainda com aspecto de amora, poderíamos cultivá-la e examinar os seus cromossomos. E se um estudante, olhando-a ao microscópio não pudesse reconhecer o número, a forma e o padrão das bandas desses cromossomos, e não pudesse dizer, sem vacilações, se procede de um chimpanzé ou de um ser humano, seria reprovado. Aceitar o fato de que, depois da fertilização, um novo ser humano começou a existir não é uma questão de gosto ou de opinião”.

10. “A natureza humana do ser humano, desde a sua concepção até à sua velhice não é uma disputa metafísica. É uma simples evidência experimental.”

11. “No princípio do ser há uma mensagem, essa mensagem contém a vida e essa mensagem é uma vida humana”.

12. “A sociedade não tem que lutar contra a doença, suprimindo o doente.”

13. “A natureza condena e não cabe à medicina executar a sentença mas sim transformar a pena.”

14. “Não vejo qualquer circunstância que justifique matar um inocente, e se não me engano, no Brasil não existe a pena de morte para os culpados. Se não há pena de morte para os culpados, não vejo razão para se instituir uma pena de morte para os inocentes”.

15. “O estupro é um crime, mas não cometido pela criança. Quem deveria ser castigado é aquele que cometeu o estupro. O Estado, se  fosse verdadeiramente civilizado, deveria dizer: “O homem que gerou esta criança não é digno de ser reconhecido como pai. Por conseguinte a criança que foi concebida é órfã no sentido legal”. Assim essa criança deveria ser adotada pelo Estado, para que a mulher estuprada pudesse ver seu filho sob a tutela do Estado, pois é obrigação do Estado proteger as crianças”.

16. “Aqueles que pretendem legalizar o aborto procuram fazer com que a sociedade considere as crianças como “pesos”, como alguém que está “demais”, para que, então, os parlamentares admitam votar uma lei permitindo matar as crianças, o que é totalmente absurdo”.

Jérôme Lejeune(1926-1994) foi médico geneticista e pediatra francês. Descobridor da causa genética da Síndrome de Down em 1958, dedicou-se integralmente ao tratamento das doenças genéticas que atingem as crianças e à defesa incansável a vida humana em todos os seus estágios. Durante o período em que foi chefe da unidade de Citogenética do Hospital Necker – Enfants Malades, em Paris, sua equipe estudou mais de 30.000 casos de doenças genéticas e tratou de mais de 9.000 pacientes com doenças que afetam a inteligência. Recebeu diversos prêmios acadêmicos e doutorados honoris causa. Diversos professores universitários, políticos e meios de comunicação acusaram a sua morte de câncer, em 1994, e o Papa João Paulo II enviou uma longa carta à sua família. Sob o seu exemplo, foi fundada o Fundação Jérôme Lejeune que se dedica à pesquisa e ao tratamento de doenças genéticas que afetam a inteligência das crianças, bem como o portal Gene-éthique, voltado para temas de bioética.

 

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O texto abaixo é uma pequena cartilha que contém algumas informações básicas sobre aborto, eutanásia e esterilização em massa, que tem sido distribuída nas Caminhadas pela Vida e pela Família. No entanto, qualquer pessoa pode fazer uso dela para qualquer ocasião em sua cidade. 

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ABORTO E EUTANÁSIA

Você já se perguntou por que ultimamente tem havido uma campanha tão grande pela legalização do aborto?  Você acredita que seria uma ideia que nasceu espontaneamente? Pois saiba que:

1. Toda a ideologia em defesa do aborto, da eutanásia e da esterilização em massa provém das ideias de Thomas Malthus (1766-1834) e Charles Darwin (1809-1882). A teoria malthusiana propõe que a produção de alimentos não acompanhará o crescimento da população, e a teoria darwiniana defende que os mais fortes devem sobrepujar os mais fracos. Ambas as teorias, absolutamente anticristãs, formaram a base pretensamente científica das ideologias mais cruéis da humanidade, como o nazismo e o comunismo.

2. O aborto, a eutanásia e até mesmo a esterilização em massa, por meio de substâncias adicionadas às vacinas, tem sido uma política da ONU, que pretende instituir um governo mundial, e de grandes organizações internacionais de índole coletivista (socialista), entre as quais a Fundação Ford, a Fundação Soros, a Fundação Rockfeller, entre outras, mas especialmente, da fundação Planned Parenthood (“Paternidade Planejada”).

3. Margaret Sanger, uma ativa militante eugenista é a fundadora da fundação Planned Parenthood, que a criou com o objetivo explícito de reduzir a população de raças por ela consideradas inferiores, bem como crianças com deficiência física ou mental.

4. A instituição Católicas pelo Direito de Decidir (“Catholics for a free choice”)  nada tem de católica nem de cristã: trata-se de um grupo tático criado pela Planned Parenthood, para confundir os católicos e infiltrar heresias dentro da Igreja, com a finalidade de destruí-la.

5. Os abortistas, que contam com muito dinheiro (centenas de milhões de dólares só no Brasil) e têm a simpatia da mídia, fazem uso de argumentos enganosos e divulgam estatísticas escandalosamente inverídicas e sem fontes idôneas.

6. Ultimamente, em uma tentativa de diminuir a reação negativa popular, têm divulgado que eles não defendem o aborto, mas sim apenas a legalização do aborto. Isto não é verdade! A Planned Parenthood e a Católicas pelo direito de decidir ativamente realizam abortos em vários países, e têm à disposição navios que se posicionam fora das águas territoriais para promover abortos em massa, principalmente nos países mais pobres.

7. Em 1995, o Supremo Tribunal das Filipinas descobriu que as vacinas usadas numa campanha de vacinação antitetânica do UNICEF continham o B-hCG, que quando dado numa vacina, destrói permanentemente a capacidade de uma mulher sustentar uma gravidez. Aproximadamente três milhões de mulheres já haviam tomado a vacina.

8. Os velhinhos da Holanda estão fugindo para a Alemanha, com medo que seus filhos autorizem a eutanásia para livrarem-se de cuidar deles e pegarem a herança.

9. O atual governo do Partido dos Trabalhadores está completamente envolvido com a causa abortista, tendo a presidente Dilma Roussef nomeado uma feroz militante abortista e aborteira, Eleonora Menicucci, que já havia realizado centenas de abortos na Colômbia.

10. Em 2012, o Ministério da Saúde mandou imprimir uma cartilha com o título “Protocolo Misoprostol” (Cytotec), com as instruções para o uso desse medicamento abortivo, de comercialização proibida. O responsável pela publicação é o Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Secretaria de Atenção à Saúde. O texto se encontra na Biblioteca Virtual do Ministério.

Saiba mais em libertatum.blogspot.com e midiasemmascara.org

 

Klauber Cristofen Pires

ato conjugal

1. Para que serve o ato conjugal?

Para exprimir o amor entre os cônjuges e para transmitir a vida humana.

2. Todo ato conjugal tem que gerar filhos?

Não necessariamente. Mas ela deve estar sempre aberta à procriação. Senão ela deixa de ser um ato de amor para ser um ato de egoísmo a dois.

3. Uma mulher depois da menopausa não pode mais ter filhos. Ela pode continuar a ter o ato conjugal com seu marido?

Pode. Pois não foi ela quem pôs obstáculos à procriação. Foi a própria natureza que a tornou infecunda.

4. Um homem que tenha o sêmen estéril não pode ter filhos. Mesmo assim ele pode ter o ato conjugal com sua esposa?

Pode. Pois não foi ele quem pôs obstáculos à procriação. Foi a própria natureza que o tornou infecundo.

5. E se o homem ou a mulher decidem por vontade própria impedir que a o ato conjugal produza filhos?

Neste caso eles estarão pecando contra a natureza. Pois é antinatural separar a união da procriação.

6. Quais são os meios usados para separar a união da procriação?

Há vários meios, todos eles pecaminosos:

a) o onanismo ou coito interrompido: consiste em interromper a relação sexual antes da ejaculação (ver Gn 38,6-10)

b) os métodos de barreira, como o preservativo masculino (condom ou “camisinha de vênus”), o diafragma e o preservativo feminino.

c) as pílulas e injeções anticoncepcionais, que são substâncias tomadas pela mulher para impedir a ovulação.

7. Como é que a pílula anticoncepcional funciona?

A pílula anticoncepcional é um conjunto de dois hormônios – o estrógeno e a progesterona – que a mulher toma para enganar a hipófise (uma glândula situada dentro do crânio) e impedir que ela produza o hormônio FSH, que faz amadurecer um óvulo. A mulher que toma pílula deixa de ovular, pois a hipófise está sempre recebendo a mensagem falsa de que ela está grávida.

8. A pílula é um remédio para não ter filhos?

Você não chamaria de remédio a um comprimido que alguém tomasse para fazer o coração parar de bater ou para fazer o pulmão deixar de respirar. O que a pílula faz é que o ovário (que está funcionando bem) deixe de funcionar. Logo ela não é um remédio, mas um veneno.

9. Quais são os efeitos desse veneno?

Além de fechar o ato sexual a uma nova vida, a pílula – conforme estudos realizados – expõe a mulher a graves conseqüências para a sua saúde. Eis algumas delas:

  • doenças circulatórias: varizes, tromboses cerebrais e pulmonares, tromboflebites, trombose da veia hepática, enfarto do miocárdio;
  • aumento da pressão arterial;
  • tumores no fígado;
  • câncer de mama;
  • problemas psicológicos, como depressão e frigidez;
  • obesidade;
  • manchas de pele;
  • cefaléias (dores de cabeça);
  • certos distúrbios de visão;
  • aparecimento de caracteres secundários masculinos;
  • envelhecimento precoce.

(Cf. GASPAR, Maria do Carmo; GÓES, Arion Manente. Amor conjugal e paternidade responsável. 2. ed. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1984, p. 50-51.)

10. É verdade que as pílulas de hoje têm menos efeitos colaterais do que as de antigamente?

É verdade. Para reduzir os efeitos colaterais, os fabricantes diminuíram a dose de estrógeno e progesterona presentes na pílula. Isto significa que cada vez menos a pílula é capaz de impedir a ovulação.

11. Assim as mulheres de hoje que usam pílula podem ovular?

Podem. E, caso tenham relação sexual, podem conceber. Mas quando a criança concebida na trompa chegar ao útero, não encontrará um revestimento preparado para acolhê-la. O resultado será um aborto.

12. Então a pílula anticoncepcional é também abortiva?

Sim. Este é um dos seus mecanismos de ação: impedir a implantação da criança no útero. Isto está escrito, por exemplo, na bula de anticoncepcionais como Evanor e Nordette: “mudanças no endométrio (revestimento do útero) que reduzem a probabilidade de implantação (da criança)”. A bula de Microvlar diz: “Além disso, a membrana uterina não está preparada para a nidação do ovo(a criança)”.

13. Em resumo, quais são os mecanismos de ação das pílulas ou injeções anticoncepcionais?

a) inibir a ovulação;

b) aumentar a viscosidade do muco cervical, dificultando a penetração dos espermatozóides;

c) impedir a implantação da criança concebida (aborto).

14. Existem dias em que a mulher não é fértil. Nesses dias o casal pode ter relação sexual?

Pode. Pois ao fazer isso eles não colocam nenhum obstáculo à procriação. A própria natureza é que não é fértil naqueles dias.

15. O casal pode procurar voluntariamente ter relações sexuais somente nos dias que não são férteis, a fim de impedir uma nova gravidez?

Pode, mas deve ter razões sérias para isso. Pois em princípio um filho não deve ser “evitado”, mas desejado e recebido com amor. Uma família numerosa sempre foi considerada uma bênção de Deus (Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2373).

16. Como se chama a abstinência de atos conjugais nos dias férteis?

Chama-se continência periódica. É popularmente conhecida como “método natural” de regulação da procriação. Não se deve falar em “planejamento familiar”, pois esse termo foi criado pelos defensores do aborto, da esterilização e da anticoncepção. Os documentos oficiais da Igreja nunca usam a expressão “planejamento familiar”. Ao contrário, usam paternidade responsável ou procriação responsável.

17. Que diz a Igreja sobre a paternidade responsável?

“Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito à lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento” (Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, n.º 10).

18. Dê exemplos de motivos graves que seriam válidos para se limitar ou espaçar os nascimentos através da continência periódica.

Nas palavras de Dom Rafael Llano Cifuentes, “já que o matrimônio se ordena, por sua própria natureza, aos filhos, esta decisão [de praticar a continência periódica] só se justifica em circunstâncias graves, de ordem médica, psicológica, econômica ou social”.

As razões médicas “poderiam reduzir-se a duas:

1º) perigo real e certo de que uma nova gravidez poria em risco a saúde da mãe;

2º) perigo real e certo de transmitir aos filhos doenças hereditárias”.

“As razões psicológicas estão constituídas por determinados estados de angústia ou ansiedade anômalas ou patológicas da mãe diante da possibilidade de uma nova gravidez”.

“As razões econômicas e sociais são aquelas situações problemáticas nas quais os cônjuges não podem suportar a carga econômica de um novo filho; a falta de moradia adequada ou a sua reduzida dimensão, etc.

Estas razões são difíceis de avaliar, porque o padrão mental é muito variado e porque se introduzem também no julgamento outros motivos como o comodismo, a mentalidade consumista, a visão hipertrofiada dos próprios problemas, o egoísmo, etc.” (CIFUENTES, Rafael Llano. 274 perguntas e respostas sobre sexo e amor. 2. ed. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1993. p. 141.)

19. Um casal poderia utilizar a continência periódica sem ter nenhum motivo sério para espaçar ou limitar o número de filhos?

Não. Se fizesse isso estaria frustrando o plano de Deus, que disse: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,22). Para evitar que o casal decida valer-se da continência periódica por motivos egoísticos, a Igreja dá aos confessores a seguinte orientação: “… será conveniente [para o confessor] averiguar a solidez dos motivos que se têm para a limitação da paternidade ou maternidade e a liceidade dos métodos escolhidos para distanciar e evitar uma nova concepção” (PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA, Vade-mécum para os confessores sobre alguns temas de moral relacionados com a vida conjugal, 1997, n.º 12).

20. É mais fácil educar um só filho do que muitos?

O Papa João Paulo II, quando ainda era cardeal de Cracóvia, escreveu: “A família é na realidade uma instituição educadora, portanto é necessário que ela conte, se for possível, vários filhos, porque para que o novo homem forme sua personalidade é muito importante que não seja único, mas que esteja inserido numa sociedade natural. Às vezes fala-se que é ‘mais fácil educar muitos filhos do que um filho único’. Também diz-se que ‘dois não são ainda uma sociedade; eles são dois filhos únicos’”(WOJTYLA, Karol. Amor e responsabilidade: estudo ético. São Paulo: Loyola, 1982. p. 216.)

De fato, o filho único está arriscado a ser uma criança problema. Recebe toda a atenção dos pais e não está acostumado a dividir. Poderá ter dificuldade no futuro ao ingressar na sociedade civil. Já um filho com muitos irmãos acostuma-se desde pequeno às regras do convívio social. Os irmãos maiores ajudam a cuidar dos menores, e todos crescem juntos.

21. Quantos métodos naturais existem para regulação da procriação?

Existem vários métodos usados para se identificar os dias férteis da mulher, a fim de que o casal possa praticar a continência periódica.

a) o método Ogino-Knauss, ou método da tabela. É o mais antigo de todos e tem pouca eficácia. Hoje seu uso está abandonado.

b) o método da temperatura. Baseia-se na observação da temperatura da mulher, que varia quando ocorre ovulação. O aparelho Mini-Sophia é uma versão eletrônica e computadorizada do uso deste método.

c) o método Billings, que se baseia na observação do muco cervical, que se torna fluido e úmido nos dias férteis, e seco nos dias inférteis. Não exige que o ciclo menstrual seja regular. Pode ser usado pelos casais mais pobres e mais incultos.

22. É verdade que o método Billings “não funciona”?

“Não funciona” para os fabricantes de anticoncepcionais, que não querem perder seus lucros. Mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a eficiência do método é de 98,5 %. Ele foi testado em diversos países como Filipinas, Índia, Nova Zelândia, Irlanda e El Salvador.

23. Mas não é muito mais cômodo tomar a pílula anticoncepcional do que abster-se de relações sexuais em certos dias?

Sem dúvida é mais cômodo. Mas o verdadeiro amor se prova pelo sacrifício.

24. E se a mulher engravidar apesar de praticar a continência periódica?

O filho deve ser recebido com amor e alegria. Aliás, o casal já deveria estar contando com esta possibilidade. A atitude de abertura à vida é fundamental para o verdadeiro amor.

 

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis

O Arcebispo de Boston e Presidente do Comitê de atividades pró-vida da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Cardeal Sean O’Malley, advertiu que “um avanço técnico na clonagem humana não é o progresso da humanidade, mas justamente o contrário”, pois vai contra a dignidade da pessoa.

O Cardeal abordou desta maneira a publicação da revista “Cell” do mês de maio, que anunciou que cientistas da Oregon Health and Science University tinham obtido a primeira clonagem de células mãe embrionárias “com fins terapêuticos”.

“A notícia de que os investigadores desenvolveram uma técnica de clonagem de seres humanos é muito preocupante em muitos níveis”, disse o Arcebispo de Boston e assinalou que o objetivo terapêutico da investigação “já está sendo abordado pelos avanços científicos que não expõem estes graves males morais” que vão “contra a dignidade das pessoas, porque trata os seres humanos como produtos”.

“Mais de 120 embriões humanos foram criados e destruídos para produzir seis linhas de células mãe embrionárias. Na criação dos embriões envolvidos as mulheres são submetidas a procedimentos onde põem em risco sua saúde e fertilidade”, disse o Cardeal O’Malley.

Por sua parte, o líder da pesquisa, Shoukhrat Mitalipov, rechaçou as preocupações éticas sobre os embriões produzidos e indicou que estes não são o equivalente de um ser humano, já que não foram fertilizados naturalmente, conforme o declarou ao meio de comunicação norte-americano National Public Radio.

Mitalipov disse também que a técnica não pode ser utilizada para produzir bebês porque não foram capazes de fazer isso com embriões de macacos produzidos da mesma maneira. Isto foi criticado pelo Diretor Legislativo da National Right to Life Committee, Douglas Johnson. Indicou que os pesquisadores “criam muitos embriões humanos, homens e mulheres, permitindo-lhes por um máximo de sete dias, com o único propósito de matá-los e colher suas células mãe”.

O Cardeal O´Malley sublinhou que “a criação de novas vidas humanas no laboratório unicamente para destruí-las é um abuso denunciado inclusive por muitos que não compartilham as convicções da Igreja Católica sobre a vida humana”.

“Já seja seu uso com um propósito ou outro, a clonagem humana trata os seres humanos como produtos, fabricados a fim de satisfazer os desejos de outros. É incompatível com a responsabilidade moral de tratar a cada membro da família humana como um dom único de Deus, como uma pessoa com sua própria dignidade inerente”, expressou.